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Universidade Federal do Pampa

Disciplina de Fenômenos de Transferência


Engenharias - Campus Alegrete

Introdução à Fenômenos de Transferência

Professor: Rafael Maroneze


Referências Bibliográficas

YOUNG et al. Uma introdução consisa à mecânica dos


fluidos. São Paulo: Edgard Blucher, 2004.
Cap. 1;
Cap. 2;
Cap. 3;
Cap. 5;
LIVI, C. P. Fundamentos de Fenômenos de Transporte
Um texto para cursos básicos. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
Cap. 1;
Cap. 2;
FOX, R. W. et al. Introdução a mecânica dos fluidos. Rio
de Janeiro: LTC, 2006.
Cap. 1;
Cap. 2;
ROTAVA O. Aplicações Práticas em Escoamentos de
Fluidos. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
Cap. 1;
Cap. 2;
O que são os “Fenômenos de Transporte”?

Fenômenos de transferência é uma área da Fı́sica Aplicada...

Mecânica de Fluidos → Transporte de quantidade de


movimento (ou momentum);
Transferência de Calor → Transporte de energia;
Transferência de Matéria → Transporte de massa (de espécies
quı́micas);
O que é um fluı́do?
Meio Contı́nuo

Como descrever o escoamento de um fluido?


Meio Contı́nuo

Como descrever o escoamento de um fluido?

Meio Contı́nuo → Uma idealização da matéria;


Dimensões, Homogeneidade Dimensional e Unidades

O que são dimensões e unidades?

Dimensões → Aspecto qualitativo;


(Identificar natureza ou tipo)
Ex: Comprimento, Tempo, Massa...
Unidades → Aspecto quantitativo;
(Medida numérica)
Ex: metro, segundo, grama...
Dimensões, Homogeneidade Dimensional e Unidades

Dimensões primárias e secundárias

Dimensões Primárias: Dimensões Secundárias:


. .
Comprimento = L Velocidade = L T−1
. .
Tempo = T Aceleração = L T−2
. .
Temperatura = Θ Volume = L3
. .
Massa* = M Força* = M L T−2
. .
Força* = F Massa* = F L−1 T2
* depende do sistema de dimensões;
Dimensões, Homogeneidade Dimensional e Unidades

Sistema de Dimensões

Grandezas Sistema FLT Sistema MLT


Aceleração L T−2 L T−2
Calor FL M L2 T−2
Energia FL M L2 T−2
Momentum FT M L T−1
Potência F L T−1 M L2 T−3
Pressão F L−2 M L−1 T−2
Tensão Superfı́cial F L−1 M T−2
Visc. Cinemática L2 T−1 L2 T−1
Visc. Dinâmica F L−2 T M L−1 T−1
Homogeneidade dimensional e unidades

Todos os termos da equação devem ter a mesma dimensão para


que esta equação seja homogênea;
Homogeneidade dimensional e unidades

Todos os termos da equação devem ter a mesma dimensão para


que esta equação seja homogênea;
Considere a seguinte equação:

y = y0 ± v0 t ± 4, 9 t 2

Esta equação é dimensionalmente homogênea?


Homogeneidade dimensional e unidades

Todos os termos da equação devem ter a mesma dimensão para


que esta equação seja homogênea;
Considere a seguinte equação:

y = y0 ± v0 t ± 4, 9 t 2

Esta equação é dimensionalmente homogênea? Sim... desde que:


.
4,9 = L T−2
Esta equação é válida sempre?
Homogeneidade dimensional e unidades

Todos os termos da equação devem ter a mesma dimensão para


que esta equação seja homogênea;
Considere a seguinte equação:

y = y0 ± v0 t ± 4, 9 t 2

Esta equação é dimensionalmente homogênea? Sim... desde que:


.
4,9 = L T−2
Esta equação é válida sempre? Não... pois?
Homogeneidade dimensional e unidades

Uma equação só será terá validade em qualquer sistema de


unidades se seus coeficientes forem adimensionais!!!
Homogeneidade dimensional e unidades

Uma equação só será terá validade em qualquer sistema de


unidades se seus coeficientes forem adimensionais!!! Logo:
g 2
y = y0 ± v0 t ± t
2

É valida em qualquer sistema de unidades;


Homogeneidade dimensional e unidades

Exemplo
A equação usualmente utilizada para determinar a vazão em
volume, Q, do escoamento de lı́quidos através de um orifı́cio
localizado na latera de um tanque é:
p
Q = 0, 61A 2gh

Investigue a homogeneidade desta equação.


Dimensões, Homogeneidade Dimensional e Unidades

Sistema de Unidades

Grandezas Sistema Britânico SI Fator de conv.


Aceleração ft s−2 m s−2 0,3048
Comprimento ft m 0,3048
Energia Btu J 1,055 × 103
Força lbf N 4,448
Massa slug Kg 14,59
Massa especı́fica slug ft−3 Kg m−3 515,4
Potência ft lbf s−1 W 1,356
Pressão lbf ft−2 N m−2 47,88
Temperatura oF oC TC = 5/9 (TF -32)
Temperatura Abs oR K 0,556
Propriedades dos Fluidos
Propriedades dos Fluidos

Precisamos definir certas propriedades para quantificar estas


diferenças!
Massa especı́fica

Massa especı́fica

∆m
ρ =
∆∀
Logo a massa especı́fica em um ponto é:
∆m
ρ = lim
∆∀→δ ∀ ∆∀
Volume especı́fico, Peso especı́fico e Densidade relativa

Volume especı́fico
O volume ocupado pela unidade de massa de uma substância:
1
ν =
ρ
Volume especı́fico, Peso especı́fico e Densidade relativa

Volume especı́fico
O volume ocupado pela unidade de massa de uma substância:
1
ν =
ρ

Peso especı́fico
O peso de uma substância contido em uma unidade de volume:

γ = ρg
Volume especı́fico, Peso especı́fico e Densidade relativa

Volume especı́fico
O volume ocupado pela unidade de massa de uma substância:
1
ν =
ρ

Peso especı́fico
O peso de uma substância contido em uma unidade de volume:

γ = ρg

Densidade relativa
É a razão entre a massa especı́fica de uma determinada substância e a
massa especı́fica da água à 4 o C .
ρ
SG =
ρH2 O (4o C )
Forças de Corpo e de Superfı́cie

Forças de Corpo ou Campo


São forças que se manifestam através da interação com um
determinado campo, sem a necessidade de um contato entre as
superfı́cies dos corpos.
Peso (campo gravitacional);
Força elétrica (campo elétrico);
Força magnética (campo magnético);
Forças de Corpo e de Superfı́cie

Forças de Corpo ou Campo


São forças que se manifestam através da interação com um
determinado campo, sem a necessidade de um contato entre as
superfı́cies dos corpos.
Peso (campo gravitacional);
Força elétrica (campo elétrico);
Força magnética (campo magnético);
Forças de Superfı́cie ou de Contato
São forças que atuam sobre um sistema por meio de contato com a
fronteira do mesmo.
Força de atrito;
Forças devido à pressão;
Forças devido à tensões cisalhantes em escoamentos;
Forças de Corpo e de Superfı́cie

Forças de Corpo ou Campo


São proporcionais ao volume do corpo:
ZZZ ZZZ
~ =
W ~g dm = ~g ρd∀
m ∀
Forças de Corpo e de Superfı́cie

Forças de Corpo ou Campo


São proporcionais ao volume do corpo:
ZZZ ZZZ
~ =
W ~g dm = ~g ρd∀
m ∀

Forças de Superfı́cie ou de Contato


São proporcionais à área da superfı́cie que atuam.

~F = p
A
Tensão em um Ponto

∆Fj
Tij = lim
∆Ai →0 ∆Ai

Se i = j
Tem-se uma componente de tensão normal a superfı́cie
representada por σii

Se i 6= j
Tem-se uma componente de tensão cisalhante (tangencial)
representada por τij
Tensão em um Ponto
Tensão em um Ponto

∆Fx ∆Fx ∆Fx


σxx = lim τyx = lim τzx = lim
∆Ax →0 ∆Ax ∆Ay →0 ∆Ay ∆Az →0 ∆Az

∆Fy ∆Fy ∆Fy


τxy = lim σyy = lim τzy = lim
∆Ax →0 ∆Ax ∆Ay →0 ∆Ay ∆Az →0 ∆Az

∆Fz ∆Fz ∆Fz


τxz = lim τyz = lim σzz = lim
∆Ax →0 ∆Ax ∆Ay →0 ∆Ay ∆Az →0 ∆Az
Tensão em um Ponto

Por convenção as componentes de tensão tem sinal:

Postiva: Se o vetor normal a superfı́cie (~n∆A) e a componente


da tensão propriamente tem, ambos, o mesmo sentido;
Negativa: Se o vetor normal (~n∆A) a superfı́cie e a
componente da força que atua no plano têm sinais contrários;
Fluidos

Definição:
Fluido é uma substância que se deforma continuamente sob a ação
de uma tensão cisalhante (tangencial), por menor que seja a
tensão de cisalhamento aplicada.


Deformação θ caracterı́stica Taxa de deformação dt
Fluidos

Propriedades dos Fluidos:

Os fluidos submetidos a esforços normais sofrem variações


volumétricas finitas;
Variações muito pequenas → fluido incompressı́vel;
Lı́quidos → incompressı́veis*;
Gases → compressı́veis*;
*geralmente
Existindo tensão cisalhante, ocorre escoamento;
Se moldam às formas dos recipientes que os contêm;
Em um fluido em repouso as componentes tangenciais da
tensão são nulas;
σxx = σyy = σzz = − p
p → pressão estática;
Fluidos

Fluido Newtoniano:
Quando a tensão cisalhante é diretamente proporcional a taxa de
deformação sofrida por um elemento fluido.

τij ∝
dt
Fluidos - Viscosidade

dF
τyx = lim
dA→0 dA
Fluidos - Viscosidade


τyx ∝
dt
Assim:

dL = U dt;
O ângulo de deformação no tempo dt é dθ , logo, tem-se:
dL = b dθ ;
desta forma:
U dt = b dθ
de forma que:
dθ U
=
dt b
ou:
dθ du
=
dt dy
Fluidos - Viscosidade

du
τyx ∝
dy
ou
du
τyx = µ
dy

µ → Viscosidade dinâmica (F T L−2 );


ν = µ/ρ → Viscosidade cinemática (L2 T−1 );
Fluidos - Viscosidade

Número de Reynolds:
É um parâmentro adimensional, definido como a razão entre as
forças de inércia (v ρ) e as forças de viscosidade (µ/L) em um
escoamento:

ρ v L v L
Re = =
µ ν

v → Velocidade caracterı́stica do escoamento;


L → Escala de comprimento caracterı́stica do escoamento;
ν → Viscosidade cinemática;
Fluidos - Viscosidade

Número de Reynolds - Escoamento atmosférico:

v → 1,0 m s−1 ;
L → 1,0 m
ν → 1, 4 × 10−5 m2 s −1
1 (m s −1 ) 1 (m)
Re = ≈ 105
1, 4 × 10−5 (m2 s −1 )
Fluidos - Compressibilidade

Módulo de Elasticidade Volumétrico (coeficiente de compressão):


A compressibilidade de um fluido está relacionada à redução
volumétrica decorrente para uma dada variação de pressão:
dp
EV = −
d∀/∀

EV → Módulo de elasticidade volumétrico;


dp → Variação de pressão;
d∀ → Variação de volume;
∀ → Volume inicial;
Fluidos - Compressibilidade

Módulo de Elasticidade Volumétrico (coeficiente de compressão):


A compressibilidade de um fluido está relacionada à redução
volumétrica decorrente para uma dada variação de pressão:
dp
EV =
dρ/ρ

EV → Módulo de elasticidade volumétrico;


dp → Variação de pressão;
dρ → Variação de massa especı́fica;
ρ → Massa especı́fica inicial;
Equação de Estado Para um Gás Ideal

Lei dos Gases Ideais:

P ν= R T

P → Pressão (Absoluta);
ν → Volume especı́fico;
R → Constante do gás (J/(kg K));
T → Temperatura (Absoluta);
Equação de Estado Para um Gás Ideal

Lei dos Gases Ideais:

P ν= R T

P → Pressão (Absoluta);
ν → Volume especı́fico;
R → Constante do gás (J/(kg K));
T → Temperatura (Absoluta);
Não existe um gás ideal, porém, os gases reais submetidos a
pressões bastante abaixo da pressão crı́tica e a temperatura
bastante acima da temperatura crı́tica, geralmente podem ser
considerados gases ideais.
Energia Interna, Capacidade Térmica e Calor Especı́fico

Energia interna:
É uma função do estado termodinâmico que inclui a energia de
atividade térmica (cinética) de suas moléculas e, também, a
energia das interações intermoleculares do sistema.

Capacidade Térmica (C):


É o quociente entre a quantidade de energia na forma de calor
fornecida a um corpo e o correspondente acréscimo de tempertura.
No SI a unidade de C é J/K.

Calor Especı́fico (c):


É a quantidade de energia na forma de calor que deve ser fornecida
para uma unidade de massa aumentar a sua temperatura em um
grau. No SI a unidade de c é J/(kg K).
Energia Interna, Capacidade Térmica e Calor Especı́fico

Calor Especı́fico a Volume Constante (c∀ ):


É a quantidade de energia na forma de calor recebida por unidade
de massa e por unidade de temperatura quando o volume do
sistema permanece constante:
 
1 δQ
c∀ =
m dT ∀

Calor Especı́fico à pressão Constante (cP ):


É a quantidade de energia na forma de calor recebida por unidade
de massa e por unidade de temperatura quando a pressão do
sistema permanece constante:
 
1 δQ
cP =
m dT P
Energia Interna, Capacidade Térmica e Calor Especı́fico

Calor Especı́fico a Volume Constante (c∀ ):


 
1 δQ
c∀ =
m dT ∀

Calor Especı́fico à pressão Constante (cP ):


 
1 δQ
cP =
m dT P

Q não é uma função de estado, a energia na forma de calor


depende apenas do processo termodinâmico, por isso é utilizado
δ Q ao invés de dQ.
k = cP /c∀ e R = cP − c∀
Compressão e Expansão de Gases

Processos isotérmico (Temperatura Constante)

P
= cte
ρ

Processos isoentrópico (Processo sem atrito e sem energia na


forma de calor)

P
= cte
ρk

Exemplo
Velocidade do Som

s
dp
c =

Utilizando a definição de E∀
s
E∀
c =
ρ

Em um gás:
Se ocorrem pequenas perturbações o processo de propagação
destas propagações pode ser modelado com um processo
isoentrópico (E∀ = kp), logo assumindo que o meio se comporta
como um gás ideal: √
c = kRT
Velocidade do Som

Número de Mach
É a razão entre a velocidade de um objeto (v ) e a velocidade do
som(c):
v
Ma =
c
Tensão superfı́cial e Capilaridade

.
Tensão Superfı́cial(σ = (F L−1 )
Tensão superfı́cial e Capilaridade

Capilaridade:
É o nome dado ao fenômeno de um lı́quido se elevar (descender)
num tubo capilar quando este está parcialmente imerso em um
lı́quido

∑ ~F = 0

γπR 2 h = 2πRσ cosθ


Pressão de Vapor, Ebulição e Cavitação

Pressão de Vapor:
Pressão de vapor é a pressão exercida por um vapor quando este
está em equilı́brio termodinâmico com o lı́quido que lhe deu
origem, ou seja, a quantidade de lı́quido que evapora é a mesma
que se condensa. A pressão de vapor é uma medida da tendência
de evaporação de um lı́quido. Quanto maior for a sua pressão de
vapor, mais volátil será o lı́quido, e menor será sua temperatura de
ebulição relativamente a outros lı́quidos com menor pressão de
vapor à mesma temperatura de referência.
Pressão de Vapor, Ebulição e Cavitação

Ebulição:
Consiste na formação de bolhas de vapor no interior de uma massa
lı́quida, quando esta é submetida a uma pressão menor que sua
pressão de vapor.
Pressão de Vapor, Ebulição e Cavitação

Cavitação:
É o fenômeno que ocorre quando a pressão em um escoamento é
menor que a pressão de vapor do lı́quido, havendo então a
formação de bolhas de vapor na massa lı́quida.