ESCOLA DE ENGENHARIA LABORATÓRIO DE METALURGIA FÍSICA

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TBG/PETROBRAS/SULGÁS

FINEP
PROJETO ENCOMENDA CTPETRO 21.01.0399.00

MANUAL ORIENTATIVO PARA CONVERSÃO DE FORNOS PARA EMPREGO DE GÁS NATURAL

SUBPRODUTO DO PROJETO: CONTROLE DE ATMOSFERAS EM FORNOS À GÁS NATURAL FORNOSGN

Porto Alegre, 25 de Novembro de 2003.

etc. objetivo do tratamento térmico (tipo de tratamento). homogeneidade do aquecimento e qualidade metalúrgica de peças tratadas termicamente em fornos a gás natural foram analisados fornecendo subsídios para difusão da cultura de utilização desta fonte de energia no maior pólo industrial do estado. contínuo – grandes volumes) e equipamentos (fornos tipo câmara. GLP e energia elétrica para fornos que operem a gás natural. 2 – Metodologia A determinação dos procedimentos de conversão de fornos deve se dar a partir da avaliação de aspectos como tipo de material a ser tratado (tipo de aço). Fatores como taxa de aquecimento. o objetivo principal desta etapa do projeto foi estabelecer um roteiro de procedimentos para subsidiar futuras conversões de equipamentos que empregam energia elétrica ou GLP para utilização do GN. atmosfera dos fornos/analise dos gases de combustão. já homologados a partir dos resultados do projeto em andamento. em linhas gerais. regime de tratamento (intermitente – pequenos volumes. o que determina diferentes tipos de equipamentos e ciclos térmicos empregados. e a análise de diversos fatores que afetam a qualidade final dos produtos tratados termicamente. O desenvolvimento das atividades no contexto do projeto consistiu. além de diferentes tipos de queimadores a serem selecionados conforme cada necessidade. em avaliações de fornos para tratamentos térmicos que empregam energia elétrica ou gás GLP. Os componentes apresentados como exemplo de tratamentos térmicos no presente relatório já estão sendo tratados em fornos convertidos para GN. Com os dados obtidos e todas demais atividades já realizadas bem como com a experiência acumulada. . com atmosferas controladas.) a serem empregados. Cabe ressaltar que a gama de equipamentos de tratamentos térmicos utilizados. tipo mufla. bem como também de tipos de tratamentos a serem realizados é bastante grande.ELABORAÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA CONVERSÃO DE FORNOS 1 – Introdução Nesta etapa foram realizados o acompanhamento do processo de conversão de fornos de tratamento térmico a óleo. caracterizando os produtos tratados termicamente visando estabelecer os critérios tanto de processamento como de qualidade dos produtos para direcionar a conversão destes equipamentos para uso do energético GN.

1 . . que consiste inserir a peça em uma câmara com atmosfera contendo nitrogênio e carbono. Este tipo de componente associado ao tratamento térmico necessário determina o tipo de equipamento (forno) a ser empregado. posteriormente encaminhado para têmpera e revenimento. um aço baixo carbono (SAE 1010) e outro componente mecânico de aço baixa liga (SAE 8620). por exemplo. Trata-se de outro exemplo de componente mecânico em aço baixa liga.2. com ajuste da queima confinada em um tubo de quartzo. os quais devem receber um tratamento termoquímico de endurecimento superficial de carbonitretação. onde a fonte de calor não deve ser exposta a atmosfera carbonitretante a qual a peça esta inserida devido à degradação dos elementos de aquecimento. tem elementos resistivos no interior de tubos de aço refratário.Tipo de Material a ser Tratado Devem ser avaliados que materiais serão tratados usualmente no equipamento a ser convertido. resultando em um endurecimento com o objetivo de proporcionar resistência ao desgaste. Outro caso poderia ser uma biela de motor VR – 125 CC. seriam afetadas por esta atmosfera gerando degradação dos elementos resistivos e do aquecimento do forno. Isso pode determinar a utilização de microqueimadores instalados no interior dos tubos com queima confinada. o qual irá difundir para a superfície da peça. As resistências elétricas. Resumindo algumas possibilidades. Neste caso. temperada e revenida. que deve empregar tratamento em forno tipo câmara com atmosfera cementante e. e ajustes precisos da relação ar/GN para que a queima e o aquecimento se processem adequadamente. Conforme desenvolvido no decorrer do projeto. Isso determina a utilização de um forno tipo câmara com aquecimento confinado em tubos radiantes que no caso de fornos elétricos. usada em motores de kart. a qual é cementada. permitindo a elaboração de atmosfera controlada em seu interior. os quais irradiam a temperatura para o interior da câmara de tratamento. fabricada em aço SAE 4320. Também neste caso vale a conversão do equipamento elétrico com resistência e tubo irradiante para uso de microqueimador com queima confinada no interior dos tubos irradiantes. para posterior emprego nos tubos de aço refratário. é necessário um forno tipo câmara.

Neste caso podem ser empregados fornos tipo intermitentes (lotes pequenos – figura 2a) ou contínuos (lotes grandes 2b). têmpera e revenimento.Fig. os quais podem apresentar aspectos econômicos interessantes (baixo custo). normalização. porém sem proporcionar grande homogeneidade térmica no interior do forno. 1 – Ajuste de queima de GN com microqueimadores no interior de tubos irradiantes. tais como recozimento. Também podem ser empregados fornos com tipo mufla com queimadores adquiridos no mercado. Já no caso de tratamentos puramente térmicos. esferoidização. . são utilizados fornos tipo câmara tipo mufla para tratamentos intermitentes (baixa produção e pequenos lotes) ou fornos esteira para tratamentos contínuos (alta produção e lotes grandes). (a) (b) Fig. 2 – Fornos para tratamentos térmicos intermitentes (2a) contínuo 2b com emprego de microqueimadores. com emprego de microqueimadores queimando diretamente na câmara de tratamento como mostra a figura 2.

assim como também tratamentos de aços especiais de alto carbono equivalente como têmperas de aços ferramenta etc. Este tratamento deve solubilizar precipitados e carbonetos para garantir inoxidabilidade do material e devem ser realizados em temperaturas elevadas. 3 – Componente em aço inoxidável microfundido da classe CF8 para tratamento de solubilização. recozimento ou solubilização de aços inoxidáveis. No caso de componentes como mostrado na figura 3. o emprego de microqueimadores ou de um queimadores comercial é utilizado.2 .Objetivo do Tratamento Térmico (Tipo de Tratamento) Como já descrito anteriormente. Para tratamentos de normalização e recozimento de aços carbono e baixa liga. com sistema “plug and play” no entanto para temperaturas até 1000oC. já que não resistem à temperaturas mais elevadas. nitretação etc) necessitam de fornos com atmosferas específicas. como normalização. requerem outros tipos de equipamentos e também de queimadores a serem utilizados. Fig. da ETIN com ponteira de tela cônica. podem ser empregados queimadores com pré mistura. tratamentos termo-químicos (cementação. Isso determina o tipo de aquecimento e queimador a ser utilizado. que são peças microfundidas de aço inoxidável da classe CF8 (similar a um inoxidável AISI 304. . por exemplo. Neste caso.2. carbo-nitretação. Já tratamentos térmicos. São queimadores de elevada eficiência de combustão uma vez que utilizam a tecnologia de pré-mistura. mostrados na figura 4. porém fundido) que após fundição deve ser solubilizado.

Este aspecto deve ser levado em consideração no dimensionamento dos queimadores a serem empregados na conversão do equipamento. neste caso.Equipamentos Empregados Na conversão dos equipamentos deve ser analisado o tipo de forno que está sendo empregado. para tratamentos . com tratamento por bateladas.4 .Ponteira Cônica em tela de aço Sistema de pré-mix microcontrolado Queima em Forno Piloto. Fig. serão empregados equipamentos de regime intermitente. a conversão deve considerar a perda térmica na tiragem. 4 – Queimadores cônicos em tela de aço com sistema de pré-mistura. Já no caso de grandes lotes e continuidade de produção. tipo de tratamento (térmicos ou termo-químicos) até o energético anteriormente empregado. No caso de fornos originalmente a GLP. 2. este aspecto já está considerado no próprio projeto do forno sendo. No caso de fornos tipo mufla. serão empregados fornos contínuos. Estes aspectos devem ser considerados para quaisquer equipamentos a serem convertidos. considerado o poder calorífico diferenciado entre o GLP e o Gás Natural. que empregam Energia elétrica ou GLP. associado. com aquecimento elétrico. 2.3 .Regime do Tratamento Térmico Devem ser considerados os tamanhos dos lotes a serem tratados. sejam eles contínuos ou intermitentes. o que definirá o regime de tratamento a ser empregado. a conversão de equipamentos deve considerar desde o regime de trabalho. Desta forma. e ao volume a ser tratado juntamente com os tipos de aços a serem tratados. Caso sejam lotes relativamente pequenos ou descontínuos. em função da necessidade de saída dos gases de combustão pela chaminé.

Neste caso em função da alta produção e lotes grandes a serem tratados o equipamento utilizado foi um forno contínuo. 3. Podese observar que o perfil de aquecimento foi favorecido com um menor tempo para atingir a temperatura. Este comportamento está relacionado a maior rapidez na resposta do sistema a GN quanto do . Já o sistema a GN. considerando cargas representativas do regime normal e diário do forno com o energético original (seja ele elétrico ou gás GLP). no entanto com um maior sobre aquecimento no início do patamar em função de aspectos relativos a potência e inércia do sistema. Cabe ressaltar que o sobre-aquecimento observado não compromete o tratamento térmico realizado. no entanto não gerando um sobreaquecimento no início do patamar. desde a etapa de aquecimento até a etapa de normalização (patamar). no entanto com um sobre aquecimento maior no início do patamar.térmicos ou termo-químicos ou para aços comuns (ao carbono ou baixa liga) ou especiais (aços inoxidáveis ou ferramenta). A curva amarela na figura 5 mostra o perfil térmico após a alteração do equipamento. Como exemplo foi empregado um forno de tratamento de normalização. definiu-se que o melhor queimador a ser empregado seria microqueimadores dispostos na região superior do forno. Devem ser levantados dados quanto aos perfis de aquecimento para os tratamentos realizados no equipamento. que originalmente utilizava energia elétrica. sendo avaliado o perfil de temperaturas a partir do aquecimento do forno. estando ainda nas faixas de temperatura permitidas. com câmara relativamente longa e da necessidade de boa homogeneidade térmica ao longo do forno. que promovem uma redução de potência mais gradual. O perfil de térmico do forno. em função de um equipamento de regime contínuo. Na conversão. no entanto ainda não comprometendo o ciclo de tratamento desejado. favorecendo uma maior taxa de aquecimento. foi obtido (linha azul na figura 5). Este comportamento se deve a maior precisão e menor inércia dos controladores do sistema elétrico. observa-se uma relativa maior oscilação em torno do patamar desejado. Com relação ao patamar. mostrou que a potência de aquecimento foi maior até próximo da temperatura de patamar. Este perfil foi utilizado como referência para avaliação da conversão.Avaliação de Perfil Térmico de Fornos Nesta etapa devem ser obtidos dados com relação ao equipamento e energético a ser substituído. elevando um pouco o tempo para atingir a temperatura de patamar.

bem como dispositivos de segurança.5 5 Perfil com E. visando não deteriorar as peças ou do material refratário. Avaliação de Peças Tratadas O tratamento realizado em qualquer equipamento seja ele qual for o energético ou tipo de tratamento realizado.5 1 1. . com purga da câmara na partida do equipamento. A queda de temperatura quando o controlador determina o desligamento ou a redução da potência dos queimadores é mais rápida em relação ao aquecimento elétrico e isso é decorrência da necessidade de chaminés para evolução dos gases de combustão nos sistema aquecidos por queima de combustível (tiragem). Elét. frente aos aspectos microestruturais. permitindo troca térmica com o material a ser tratado. Deve ser prevista chamas piloto para acendimento dos queimadores. prevê a qualificação do produto. devem ser considerados os seguintes aspectos: Distribuição e localização dos queimadores – Deve proporcionar homogeneidade térmica. ausência de descarbonetação. 1000 900 800 Temperatura (C) 700 600 500 400 300 200 100 0 0 0.acionamento dos queimadores em relação ao aquecimento elétrico e também a uma maior inércia do sistema. dureza. Além disso.) Fig.5 2 2. Cabe ressaltar que as variações de temperaturas observadas com o uso do GN foram aceitáveis e não prejudicam os tratamentos térmicos desejados. Deve-se evitar a incidência de chama diretamente sobre as peças ou sobre o refratário dos fornos. 6 – Avaliação dos perfis térmicos de um forno elétrico e após conversão para GN. Localização da saída dos gases – Deve proporcionar fluxo dos gases através da câmara.5 3 3. Perfil com GN Tempo de Tratamento (hrs. 4.5 4 4. perfil de microdureza e demais critérios de qualidade.

No caso de normalização. no entanto a princípio no mesmo ciclo. A figura 7 mostra a microestrutura que era obtida com a normalização realizada em forno elétrico (a) e em forno após sua conversão para GN. A figura 8 mostra a microestrutura do componente após tratamento no forno ainda elétrico e tratado após a conversão do forno para GN. . A inércia do aquecimento maior no caso do GN. a descarbonetação pode ser crítica.Após os equipamentos convertidos. Como pode ser observado. O menor grão deve ser conseqüência da maior oscilação do patamar com o energético GN em relação à energia elétrica. 500x. Ataque de nital. avaliando comparativamente as características entre o energético anteriormente utilizado com o produto tratado como GN. podem ocorrer mecanismos de descarbonetação. (a) (b) Fig. No caso de fornos elétricos para normalização. Outro aspecto importante está relacionado às características superficiais do material. resulta em um tempo em temperatura mais elevada menor. o tratamento após a conversão do equipamento apresentou um tamanho de grão menor do apresentava co emprego do forno elétrico. A qualificação deve seguir os procedimentos adotados no desenvolvimento do projeto e repetidos nesta etapa para buscar a homologação tanto dos tratamentos térmicos como dos produtos finais e sua qualidficação. fazendo com que a variação de temperatura seja maior. Naturalmente deve-se levar em consideração que se tratam de ciclos realizados em momentos diferentes. os quais para aços ao carbono normalmente não possuem atmosferas controladas. considerando que o este crescimento é acelerado em temperaturas maiores. deve-se proceder com uma qualificação dos produtos tratados com o GN. 7 – Normalização realizada no antes da conversão empregando energético elétrico (a) e após a conversão para GN (b). o que afeta o crescimento do grão.

a simples conversão dos fornos. Ataque de nital 2%. podem resultar em queda da qualidade das peças tratadas. propiciando a regulagem dos queimadores para uma mistura rica. Este aspecto dá indícios da presença de uma atmosfera oxidante no interior do forno como conseqüência da queima do combustível com uma mistura ainda não otimizada. 5. caso não sejam determinados parâmetros de queima otimizados e até. Avaliação dos produtos de combustão Como pode ser observado no item anterior. favorecendo uma atmosfera redutora para minimização do efeitos de descarbonetação. que tem como objetivos principais avaliar as emissões resultantes da queima. Este fato determina a próxima etapa do procedimento de conversão de fornos para GN. . 200x. por exemplo elétricos. A figura 9 mostra as curvas dos produtos de combustão em função da relação ar/combustível (mistura rica ou pobre). mostrando a faixa de estequiometria que deve ser objetivada para otimização da queima e da atmosfera do forno para o tratamento térmico.(a) (b) Fig. bem como otimizar a relação ar/combustível visando aumento da eficiência de queima e propiciando uma atmosfera mais adequada ao forno e ao material tratado termicamente. que é exatamente a avaliação dos gases de combustão. 8 – Micrografia superficial do corpo calibre após normalização com energia elétrica (a) e após a conversão do forno para GN (b). para aquecimento com GN. a primeira carga tratada após a conversão apresentou uma descabonetação mais significativa em relação ao tratamento quando o forno ainda utilizava energético elétrico. para alguns casos. Como pode ser observada.

9 – Produtos de combustão da curva de estequiometria em função da relação ar/combustível.23 09:55 17. favorecendo atmosfera redutora protegendo o material tanto da descarbonetação como da formação de carepa por oxidação. Tabela I – Medidas realizadas com a regulagem dos queimadores inicial. ligeiramente para uma mistura rica. Isso justifica a descarbonetação observada.6 .01 168.45 160.4 39. foram realizadas medidas dos gases com as regulagens de relação ar/GN empregadas no tratamento inicial. Como pode ser observado na tabela I.12% O2 CO CO2 HC Faixa onde deve ficar localizado o ajuste ótimo Mistura RICA em combustível Mistura POBRE em combustível ESTEQUIOMÉTRICA Fig. No exemplo empregado da conversão de um forno elétrico de normalização para GN. No caso da conversão apresentada como exemplo para elaboração do procedimento aqui descrito. favorecendo ausência de oxigênio e a presença de CO e HC. onde se observou a ocorrência de descarbonetação após a conversão indicando uma mistura pobre (excesso de ar na relação). deve-se objetivar uma relação onde os produtos de corrosão estejam perto da estequiometria ótima de combustão.06 112. com um teor de oxigênio relativamente elevado. há um excesso de ar significativo nos gases de emissão.8 47.9 73. TIME O2 CO EFF EA 09:05 15.

3 11:32 0. 6. bem como quanto à variação de .1 – Ciclos Térmicos A homologação com base nos ciclos térmicos deve ser realizada com levantamento de dados quanto à taxa de aquecimento com ambos energéticos. TIME O2 CO EFF EA 11:07 0. Fig. bem como diminuir significativamente o excesso de ar e o percentual de oxigênio.12 11156.45 0.43 2.87 69.46 12493.06 12:23 0. Homologação de tratamentos térmicos Como uma última macro-etapa para conversão de fornos para emprego de GN. Tabela II – Medidas realizadas com ajuste dos queimadores. se deve proceder com a homologação dos tratamentos térmicos que são realizados com o uso deste energético. sendo obtido os dados apresentados na tabela II. bem como um levantamento de comparativo dos custos dos tratamentos térmicos entre os dois energéticos. 10 – Caracterização da ausência de descarbonetação após ajuste dos queimadores através da medida dos produtos de combustão.2 Após este ajuste.1 12432. 6. procedeu-se com o ajuste dos queimadores buscando maior eficiência de combustão.21 70.Com as medições realizadas com o analisador de gases.32 0. A base desta homologação deve ser os ciclos térmicos utilizados com o energético anterior.23 72. a qualificação dos produtos tratados com o energético anterior. conforme pode ser observado na figura 10. observou-se uma redução significativa da descarbonetação.

11 – Comparação dos ciclos térmicos de normalização de aço SAE 1038. Isto está relacionado ao fato de que o sistema de controle do patamar possui uma maior inércia térmica em relação ao sistema elétrico. Como pode ser observado. dois ciclos obtidos nas atividades de conversão do forno para normalização. é relativamente superior com a utilização do GN em relação à energia elétrica. o ciclo de tratamento após a conversão. como pode ser observado. a qual transfere o calor praticamente somente por convecção. comparativamente. apresentou alguns aspectos diferentes em relação ao ciclo com o emprego de energia elétrica. não comprometendo o produto final e o processo de tratamento desejado.temperatura dentro das faixas desejadas para cada ciclo. a queima do combustível com uma estequiometria otimizada através da medida dos gases de combustão. A primeira observação. a variação de temperatura em torno do patamar é maior quando se emprega o GN. favorecem uma queima com transferência de calor mais direta em relação à energia elétrica. Tal comportamento está relacionado ao fato de que com o GN. está relacionada à taxa de aquecimento que. Como pode ser observada. Caber ressaltar que esta variação esta dentro da faixa de temperatura desejada e permitida para o tratamento térmico de normalização. . O segundo aspecto está relacionado ao patamar na temperatura desejada. A figura 11 mostra. 1200 1000 Temperatura (C) 800 600 400 200 0 0 1 2 3 4 5 6 Forno Com GN Forno Elétrico Tempo de Tratamento (H) Fig. neste forno de normalização. realizados em forno elétrico e após a conversão para forno a GN.

6. No caso de tratamento de normalização. Deve-se garantir que a microestrutura anteriormente alcançada seja também obtida com o emprego do GN. No caso de tratamentos de têmpera. com a utilização do GN. Ou seja. observou-se que com um ajuste adequado da queima (mistura e relação ar/combustível). o tratamento realizado no forno após convertido para GN foi homologado no que tange ao ciclo térmico proporcionado pelo forno.No caso apresentado. com tamanho de grão refinado tanto nos tratamentos com energia elétrica como após a substituição do energético. assim como na descarbonetação. . uma queima otimizada também resulta na diminuição da camada de carepa com o emprego do GN em relação à energia elétrica.2 – Qualidade dos Produtos A qualidade dos produtos é o requisito técnico mais importante para a homologação do emprego do GN nos fornos convertidos. Obviamente é necessária a avaliação da queima com analisadores de gases apropriados. deve-se observar a presença de ferrita e perlita. Esta deve ser avaliar aspectos como: • MICROESTRUTURA – As avaliações e qualificações dos produtos tratados com o energético substituído (no caso energia elétrica). Resultados mostram que. • DESCARBONETAÇÃO – Devem ser avaliadas as profundidades de descarbonetação obtidos nos fornos tipo mufla. • DUREZA – Os níveis de dureza desejados e alcançados com os tratamentos devem manterse inalterados independentemente do energético utilizado. a microestrutura deve ser de martensita. com ausência de perlita nas regiões intergranulares e com indícios de austenitização completa. sem crescimento indesejável de grão. • FORMAÇÃO DE CAREPAS – A avaliação da oxidação superficial após o tratamento térmico é outro fator importante na homologação dos equipamentos convertidos. deve-se obter os mesmos resultados de propriedades com ciclos térmicos semelhantes. podem ser obtidas menores camadas descarbonetadas com o emprego do GN em relação à energia elétrica. Em geral nos casos avaliados. sevem de base para qualificar o produto após a alteração. após a conversão dos fornos. para garantir queima sem excesso de ar ou oxigênio. sejam eles elétricos ou a GN.

se deve a versatilidade de regulagem da estequiometria da queima. A dureza obtida no tratamento de normalização foi de 210 HV como valor médio de 5 medições. Em termos de descarbonetação. Isso. Ataque de nital 2%. Este valor de dureza é compatível com o material (SAE 1038) e com o tipo de tratamento realizado (normalização). A figura 12 mostra a microestrutura do componente após o tratamento de normalização realizado em forno originalmente elétrico e convertido para emprego do GN. como pode ser observado na figura 13.• PROFUNDIDADE DE CAMADAS E PERFIS DE MICRODUREZAS – No caso de tratamentos termo-químicos. Fig. favorecendo uma atmosfera menos oxidante. comparando a descarbonetação obtida em forno elétrico em comparação com o tratamento realizado após a conversão do forno para uso do GN. cumprindo os objetivos de tratamento térmico de normalização que tem como metas homogeneizar e refinar a microestrutura e o tamanho de grão. conforme já apresentado e discutido. 12 – Caracterização microestrutural após o tratamento de normalização no forno convertido para GN. tanto em relatório anteriores como também no presente documento. a microestrutura apresenta excelente homogeneidade e bom refinamento do tamanho de grão. . em que se emprega queima confinada no interior de tubos irradiantes. Como pode ser observada. observou-se total ausência de camada descarbonetada.

3 – Abordagem Econômica Em termos econômicos se deve considerar aspectos relacionados ao consumo e potência utilizados com o energético inicial considerando a quantidade de peças tratadas por tempo e consumo de energético. os quais demandam longos tempos para entrar em regime de operação. o tempo para retornar em regime de trabalho não se resume às duas horas de restrição. Com o emprego de GN. No caso apresentado. Na especificação do tipo e potência dos queimadores devem ser considerados aspectos relativos a tiragem quando do emprego de energéticos combustíveis. 13 – Caracterização microestrutural superficial após a normalização. 6. representando uma queda significativa de produtividade. Outros aspectos relativos à questão econômica estão relacionados ás restrições de operação de equipamentos elétricos em horários de pico de demanda. Em muitos casos. mas chegam a atingir 4 a 5 horas inoperantes. o que para empresas de tratamentos térmicos representam uma perda significativa de produtividade decorrente de resfriamentos elevados dos equipamentos. refino de grão e nível de dureza desejado. mostrando a ausência de descarbonetação. uma vez que com o emprego de energia elétrica não há esta perda. não há esta restrição. cumprindo os requisitos de qualidade com ausência de descarbonetação.Fig. o tratamento térmico com o forno convertido está homologado sob o ponto de vista de qualidade do produto final. homogeneidade microestrutural. o que torna o regime de trabalho .

7 – Procedimentos para a Conversão de Fornos Como pôde ser observada. Determinação de Problemas no Tratamento destes Materiais – Susceptibilidade à descabonetação. durezas etc. 3. 4. 2. deve considerar diversos aspectos relacionados com situações específicas de material (aços comuns. Avaliação do Material Tratado Termicamente – Classe do material como tipo do aço ou liga não ferrosa a ser tratada. No entanto. 2. Determinação das Condições de Operação e de Ciclos Térmicos do Forno com Energético Original – Taxa de aquecimento. tratamento (térmico ou termoquímico). perfil térmico do forno etc. 6.contínuo aumentando a produtividade. 2 e 3 determinarão o tipo de queimador e forma de queima a ser utilizada. a conversão de fornos que empregam outros energéticos para o emprego de GN. Avaliação do Regime de Trabalho do Forno no Tratamento Utilizado – Contínuo ou intermitente. à crescimento de grão. 5. homogeneidade microestrutural. recozimento ou tratamentos de endurecimento (têmpera e revenimento). oxidação etc. bem como o ajuste da relação ar/combustível otimizada para cada caso. Avaliação Quanto ao Tipo de Tratamento Térmico – Normalização. aços ferramenta). 7. estabilidade em patamar de temperatura. . tratamentos termo-químicos (cementação. Avaliação do Volume de Material Tratado Termicamente. pode-se determinar um procedimento geral para se empregado na conversão de fornos para emprego do Gás Natural como energético o qual deve prever as seguintes etapas: 1. temperaturas a serem empregadas. Em conjunto com os itens 1. nitretação etc). aços inoxidáveis. Esta etapa em conjunto com os itens 1. Qualificação do Produto com o Energético Originalmente Utilizado – Microestrutura obtida e desejada. 3 e 4 auxiliarão na definição de tipo de queimador e forma de queima. Na avaliação de custos e na abordagem econômica estes aspectos devem ser levados em consideração. tipos de equipamentos. Todos estes aspectos determinarão que tipos de queimadores deverão ser empregados e que condição de trabalho (queima do combustível) será utilizada.

definir a utilização de queimadores diretos na câmara. 11. tendo como base de avaliação os parâmetros desejados pelo cliente bem como o obtido antes da conversão do forno. Testes Preliminares – Acionamento dos queimadores. Montagem dos Sistemas. 12. Aquisição dos Materiais Necessários – Refratários. queimadores. qualidade da microestrutura obtida. ou queimadores com pré-mixtura. Telmo Roberto Strohaecker Coordenador do Projeto . avaliação das condições de queima e ajustes iniciais. 14. 10. Acionamento do Forno para Regime de Trabalho – Acionamento do forno para avaliações e regulagem de cada queimador. Alteração do Forno para Receber o Sistema par Emprego do GN – Furação para entrada dos queimadores. ou microqueimadores em queima confinada para tubos irradiantes. válvulas e sistemas de segurança. com monitoramento da taxa de aquecimento. Realização de Ciclo Térmico Experimental – Realização de tratamento em regime de trabalho com carga. Avaliação do Produto Final – Análise microestrutural do produto final. avaliando homogeneidade microestrutural. utilização de microqueimadores distribuídos na câmara.8. Dr. Definição do Tipo de Queimador e Forma de Queima – Em função dos itens anteriores. trabalho em patamar de temperatura e avaliação dos gases de saída para avaliação das condições de aquecimento e queima do combustível com analise dos gases para ajustes finos. 17. Avaliação dos Gases de Saída – Coleta e avaliação dos gases de saída (tiragem) para ajustes finais das queimas e da atmosfera interna do forno. etc. tubulações e ventoinhas necessárias medidores de vazão e pressão (se for o caso). 9. Determinação do Número e Distribuição do Microqueimadores (se for o caso). 13. utilizando a analise de gases para otimização da queima de cada queimador. chaminés para tiragem etc. 15. Prof. tomada em diferentes peças da carga em diferentes locais da câmara. 16. decarbonetações e dureza.

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