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DESTINAÇÃO FINAL DAS EMBALAGENS VAZIAS

DE AGROTÓXICOS NA CIDADE DE GOIÂNIA1

Rafael Vilela Gomes2, Antônio Pasqualetto3

RESUMO

Para a correta destinação das embalagens vazias de agrotóxicos foi criado o inpEV,
Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, visando atendimento às
exigências da Lei Federal 9.974/00, que passou a distribuir responsabilidades dentro da
cadeia produtiva agrícola, ou seja, agricultor, fabricante e sistema de comercialização.
Realizou-se estudo com o objetivo de verificar o cumprimento da legislação. A metodologia
utilizada foi o levantamento de dados referentes ao recolhimento de embalagens na Central
de Goiânia no ano de 2005. No Brasil, foram devolvidas 17.881 toneladas de embalagens
vazias, sendo que 15.544 toneladas foram para reciclagem e 2.337 toneladas para
incineração. Em 2005 o Estado de Goiás devolveu 1.529 toneladas de embalagens vazias,
sendo que 1.287 toneladas foram para a reciclagem e 242 toneladas seguiram para
incineração. Da quantidade de embalagens prensadas na Central Goiânia no ano de 2005,
constata-se que o PEAD representa 64% do volume total, o COEX 12%, metal 12%,
papelão 9%, tampas 2% e PET 1%.

Palavras-chave: agrotóxico, embalagens vazias, destinação final.

ABSTRACT

FINAL DESTINATION OF THE EMPTY PACKINGS


OF AGROTÓXICOS IN THE GOIÂNIA CITY

For the correct destination of the empty packings of agrotóxicos inpEV was created,
National institute of Processing of Empty Packings, aiming at attendance to the requirements
of Federal Law 9.974/00, that it started to distribute responsibilities of agricultural the
productive chain inside, or either, agriculturist, manufacturer, commercialization system.
Study with the objective was become fullfilled to verify the fulfilment of the legislation. The
used methodology was the referring data-collecting to the collect of packings in the Central
office of Goiânia in the year of 2005. In Brazil, 17.881 tons of empty packings had been
returned, being that 15.544 tons had been for recycling and 2.337 tons for incineration. In
2005 the State of Goiás returned 1.529 tons of empty packings, being that 1.287 tons had
been for the recycling and 242 tons they had followed for incineration. Of the amount of
packings pressed in the Goiânia Central office in the year of 2005, one evidences that the
PEAD represents 64% of the total volume, COEX 12%, metal 12%, cardboard 9%, covers
2% and PET 1%.

Key Words: agricultural defensive, Empty Packings, Final Destination.

__________________________
1 Artigo Científico apresentado ao departamento de Engenharia da Universidade Católica de
Goiás (UCG) do curso de Engenharia Ambiental 2006.
2 Graduando do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Goiás.
3 Orientador, Engenheiro Agrônomo, Prof. Dr. Antônio Pasqualetto, pasqualetto@ucg.br, UCG.
2

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, os produtores têm se esforçado para aumentar, a cada


ano, a produção de alimentos tanto para o mercado interno quanto para o externo.
Porém, por conseqüência da desinformação ou pelo esmagador interesse capitalista
logo surgem severas conseqüências para o meio ambiente, a contaminação do ar,
solo, água e alimentos.
Segundo o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias
(inpEV, 2006a) nesse recente quadro nacional a maior preocupação está
relacionada com o uso correto e racional dos defensivos agrícolas incluindo a
destinação final das embalagens vazias. O uso indevido e errôneo dos agrotóxicos é
preponderantemente prejudicial no processo da busca pela sustentabilidade
agrícola, devido ao seu alto custo, alto poder contaminante ambiental e de
intoxicação crônica de pessoas e animais.
Por conseqüência do modelo de produção agrícola adotado no país o uso de
agrotóxicos tornou-se freqüente, com isso, um enorme volume de embalagens
vazias começou a acumular-se nas propriedades rurais e criar problemas quanto a
sua má disposição.
Embora o uso dos agrotóxicos seja altamente impactante ao meio ambiente,
tais insumos são importantes para que a agricultura possa assegurar uma maior
produtividade e qualidade dos alimentos. Por outro lado, a sua aplicação é somente
o início do problema que então posteriormente passa a ser as embalagens vazias
dos produtos. Isso traz à luz o seguinte questionamento: o que fazer com as
embalagens vazias de agrotóxico?
Dada a gravidade do problema, foram criadas Leis para delimitação dos processos
ligados aos agrotóxicos. As mais importantes são: lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989,
posteriormente modificada pela lei nº 9.974, de 6 de junho de 2000 e também o decreto nº
4.074, de 4 de janeiro de 2002 do Governo Federal.. Nesta área, os dados são bastante
restritos, o que reflete a carência de um sistema eficaz de divulgação de
informações, devido a falta de recursos financeiros e ausência de análises
integradas.
Neste sentido, para o presente estudo, foi estabelecido os seguintes
objetivos: verificar o cumprimento da legislação vigente com relação aos resíduos e
avaliar a atual situação das condições de recolhimento e destinação final das
3

embalagens, tendo-se como base levantamentos estatísticos feitos pela própria


Central de Recebimento de Goiânia e dados fornecidos pelo Instituto Nacional de
Processamento de Embalagens Vazias.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Embalagens Vazias

O uso dos agrotóxicos gera uma categoria específica de resíduos, as


embalagens vazias dos mesmos. Que há um tempo atrás eram indicadas, pela
Legislação Federal, a serem depositadas em covas a camadas geologicamente
estáveis. Porém, na prática imperava o erro, a maior parte das embalagens era
descartada nos corpos hídricos, queimadas a céu aberto sem nenhum controle,
abandonadas no local da lavoura, enterradas sem nenhum critério, inutilizando áreas
férteis e possibilitando a contaminação de lençóis freáticos, quando não era
reciclado sem controle ou até utilizadas por pessoas do campo sem instrução para
entender os alertas dos rótulos das embalagens e evitar o reaproveitamento destas
que em alguns casos eram atrativas e serviam para o acondicionamento de água e
alimentos (PELISSARI et al., 1999).

Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias

De acordo com o inpEV (2006a), objetivando atendimento às novas


exigências legais da Lei Federal 9.974/00, que passou a distribuir responsabilidades
dentro da cadeia produtiva agrícola, ou seja, agricultor, fabricante e sistema de
comercialização, uma consultoria foi contratada, em meados de 2001, para avaliar
os principais processos de trabalho, chegando-se à conclusão de que seria
necessária a criação de uma entidade capaz de coordenar todo o processo de
destinação final das embalagens vazias. Assim, em 14 de dezembro de 2001 foi
fundado o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), uma
iniciativa da indústria como forma de atender às responsabilidades sociais e
ambientais no que se refere à destinação final das embalagens dos agrotóxicos
comercializados.
4

No Quadro 1, apenas no mês de fevereiro de 2006 foram recolhidas


1.487.142 kg de embalagens vazias devolvidas em 14 estados brasileiros. O estado
de Goiás recolheu 103.683 toneladas de embalagens lavadas, o que corresponde a
6,9% do total recolhido, porém não se sabe a quantidade de embalagens
contaminadas recolhidas neste mês.
Segundo Pasqualetto et al. (2003), até o final do ano de 2003 o número de
unidades de recebimento no Estado de Goiás era de cinco, e com um total de
recebimento de embalagens de 699.266 toneladas, ou seja, 8,9% do total de
embalagens recolhidas no país.

Quadro 1 - Destinação Final de Embalagens Vazias por Estado em fevereiro de 2006


Embalagens Embalagens
Estado Lavadas (kg) Contaminadas (kg) Total Geral (kg)
Mato Grosso 327.601 4.920 332.521
Paraná 181.723 56.980 238.703
São Paulo 171.454 33.620 205.074
Minas Gerais 130.253 34.680 164.933
Rio Grande do Sul 131.460 16.850 148.310
Mato Grosso do Sul 110.090 3.280 113.370
Goiás 103.683 - 103.683
Bahia 64.840 22.320 87.160
Alagoas 12.300 13.670 25.970
Pernambuco 8.450 10.980 19.430
Santa Catarina 16.490 2.250 18.740
Espírito Santo 16.000 1.650 17.650
Maranhão 7.438 - 7.438
Tocantins - 4.160 4.160
Total 1.281.782 205.360 1.487.142
Fonte: inpEV (2006b)

Responsabilidades

Segundo a Lei Federal nº 7.802/89, retificada pela Lei nº 9.974/00 e


regulamentada pelo Decreto nº 4.074/02, referente às embalagens vazias de
agrotóxicos definem responsabilidades a todos os setores da cadeia produtiva
agrícola. Ao agricultor, cabe efetuar a tríplice lavagem ou lavagem sob pressão da
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embalagem vazia de agrotóxico, inutilizá-la a fim de evitar o reaproveitamento,


armazená-las temporariamente na propriedade em recinto coberto, ao abrigo da
chuva, ventilado, semi-aberto ou no próprio depósito das embalagens cheias, e
devolvê-las na unidade de recebimento indicada na nota fiscal até um ano após a
compra, após haver acumulado uma quantidade de embalagens que justifique o seu
transporte de uma forma economicamente viável.
Ainda sobre a mesma lei, cabe aos canais de distribuição, ao vender o
produto, indicar o local de entrega da embalagem na nota fiscal, disponibilizar e
gerenciar o local de recebimento, emitir o comprovante de entrega da embalagem e
orientar e conscientizar o produtor rural.
Determina ainda a lei, que a indústria deve recolher as embalagens vazias
devolvidas às unidades de recebimento, dar a correta destinação final (reciclagem
ou incineração).

Características das embalagens

Tipos de embalagens

a) Embalagens rígidas laváveis: de acordo com a norma técnica NBR-13.968, são


aquelas embalagens rígidas (plásticas, metálicas e de vidro) que acondicionam
formulações líquidas de agrotóxicos para serem diluídas em água (Quadro 2).

Quadro 2: Tipo de Embalagem Rígida Quanto à Matéria Prima


TIPO COMPOSIÇÃO DESTINO
Aço Tarugos de aço
Metal Folha de Flandres Vergalhões
Alumínio Alumínio reciclado
* Conduites
PEAD
** Conduites
COEX
Plástico *** Fios para escovas e
PET
carpetes
Vidro Vidro Vidro
Aparas de
Fibrolata Queima
madeira
*
Polietileno de alta densidade
**
Polietileno co-extrudado multicamada
***
Polientileno tereftalato
Fonte: MACÊDO (2002)

b) Embalagens rígidas não laváveis: são aquelas que não utilizam água como
veículo de pulverização – embalagens de produtos para tratamento de sementes,
6

Ultra Baixo Volume UVB e formulações oleosas. Todas são diretamente destinadas
a incineração.
c) Embalagens Flexíveis: sacos ou saquinhos plásticos ou de papel, metalizados,
mistos ou de outro material flexível, todas não são laváveis (Quadros 3 e 4).

Quadro 3 – Tipo de Embalagem Flexível Quanto à Matéria Prima


TIPO COMPOSIÇÃO DESTINO
Papelão Celulose Queima
Papel
Celulose Incineração
Multifoliado
Fonte: MACÊDO (2002)

Quadro 4 – Tipo de Embalagem Flexível Quanto à Matéria Prima


TIPO COMPOSIÇÃO DESTINO
Cartolina Celulose Queima
*
PEBD Incineração
Plástico
Papel+plástico metalizado Incineração
Alumínio
Papel + alumínio
reciclado
Mista plastificado
Incineração
Papel plastificado
*
Polietileno de baixa densidade
Fonte: MACÊDO (2002)

d) Embalagens secundárias: refere-se às embalagens rígidas ou flexíveis que


acondicionam embalagens primárias, não entram em contato direto com as
formulações de agrotóxicos, sendo consideradas embalagens não contaminadas e
não perigosas, tais como, caixas coletivas de papelão, cartuchos de cartolina,
fibrolatas e as embalagens termomoldáveis. São consideradas embalagens de
transporte e também não são laváveis (MACÊDO, 2002).

Desenvolvimento das embalagens

A indústria de agrotóxicos tem direcionado esforços e investimentos visando à


melhoria das embalagens tradicionais, priorizando não apenas a segurança no
transporte, armazenamento e manuseio, quando a formulação encontra-se
concentrada, mas principalmente com a introdução de novas tecnologias para
facilitar a destinação final das embalagens.
O formato atual das bombonas plásticas, por exemplo, segue o padrão da
Federação Global de Proteção de Plantas (GCPF), para capacidade superior a 3
7

litros, que permita o completo esvaziamento sem riscos de respingos, onde as


principais características são: maior bocal (63 mm) para facilitar o escoamento do
líquido e a entrada de ar, que antes era de apenas 38 mm; formato tipo funil; cantos
arredondados e alça bloqueada, uma vez que a alça oca facilita a retenção do
produto e dificulta a lavagem. Esta nova concepção reduziu o tempo médio de
limpeza em três vezes e o nível de resíduos após o esgotamento em até 18 vezes
(MACÊDO, 2002).

Formas de destinação final

Incineração

Os resíduos são incinerados por processo de combustão completa e


controlada, transformando-os em cinzas inertes e em gases de natureza conhecida e
ambientalmente aceitável. Apesar de ser uma alternativa técnica e ambientalmente
viável, apresenta limitações econômicas, principalmente pelos elevados custos de
transporte. A incineração, no entanto, deve ser preferencialmente adotada para as
embalagens contaminadas que não apresentam em destino alternativo menos
oneroso (MACÊDO, 2002).
Entende-se por embalagens contaminadas aquelas que “apresentam resíduos
do produto incrustado, em virtude da não execução da prática da tríplice lavagem”,
ou seja, que não passaram pelo processo de tríplice lavagem (PELISSARI et al.,
1999).

Reciclagem

As matérias primas normalmente utilizadas nas embalagens que


acondicionam agrotóxicos são potencialmente recicláveis. Porém, deve-se
considerar que o contato do produto tóxico com a embalagem exige maiores
cuidados, considerando as etapas de lavagem e redução de resíduos, preparação e
destinação final do artefato reciclado. A reciclagem controlada é uma das
alternativas mais viáveis para o destino final de embalagens vazias de agrotóxicos,
pois possui a característica de ser uma opção lucrativa para o reciclador (MACÊDO,
2002).
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As embalagens metálicas e as de vidro são facilmente recicláveis, sendo


utilizada respectivamente pelas siderúrgicas e pelas indústrias vidreiras. Os fornos
das siderúrgicas operam com temperaturas acima de 1600 ºC e as indústrias
vidreiras operam com temperaturas acima de 1300 ºC, temperaturas suficientes para
degradar as moléculas dos ingredientes ativos e solventes das formulações dos
agrotóxicos, estando assim todas, devidamente licenciadas para esta operação.
As embalagens plásticas, não são facilmente recicláveis, sendo utilizadas
apenas pelas recicladoras de plásticos. Estas recicladoras devem estar licenciadas
pelo órgão fiscalizador. Estas empresas operam com temperaturas em torno de 200
ºC, não suficiente para degradar as moléculas ativas destes produtos que possam
ainda estar presentes, conseqüentemente o produto final deste material poderá
conter ainda resquícios do ingrediente ativo, estando por isso, limitada a sua
reciclagem, não podendo ser matéria-prima para fabricação de produtos para área
de alimentos ou de saúde (PELISSARI et al., 1999).

MATERIAIS E MÉTODOS

O levantamento dos dados e informações foi realizado com base em dados


quantitativos de entrada de embalagens, fornecido pela Central de Recebimento de
Embalagens Vazias de Agrotóxicos do município de Goiânia.
Também consulta ao site do Instituto Nacional de Processamento de
Embalagens Vazias – inpEV (http://www.inpev.org.br) e à legislação em vigor: Lei nº
7.802/89, Lei nº 9.974/00 e Decreto nº 4.074/02, do Governo Federal.
As variáveis apresentadas neste estudo são identificadas conforme a
classificação do inpEV (2006c):
• PEAD MONO, Polietileno de Alta Densidade. Forma de identificação: através
das siglas HDPE (high density polyethylene), PE (polietileno) ou PEAD. Este tipo de
embalagem leva o número 2. É usado principalmente na fabricação de embalagens;
• PEBD, Polietileno de Baixa Densidade. Forma de identificação: através das
siglas PE (polietileno). Este tipo de embalagem leva o número 4. Geralmente é
usado em embalagens como sacos e em frascos;
• PET ou Tereftalato de Etileno. Forma de identificação: através da sigla PET
ou PETE estampada na parte externa do recipiente. É uma estrutura monocamada
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identificada pelo número 1. É um poliester utilizado principalmente na indústria textil


e na fabricação de garrafas plásticas;
• COEX ou co-extrusão também é conhecido pela sigla EVPE. Forma de
identificação: através das siglas COEX, EVPE ou PAPE (poliamida polietileno). Seu
número de identificação é o 7;
• PP ou Polipropileno é identificado pela sigla PP e através do número 5,
ambos estampados no fundo das embalagens. É composto usado para na
confecção das tampas;
• Embalagem metálica mais utilizada é o balde metálico de folha de aço. Este
recipiente embora seja o mais comum dentre as embalagens metálicas, representa
apenas 10% de todo o volume de embalagens no Brasil.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com inpEV (2006d), no Brasil, nos três primeiros meses de 2006 já
foram processadas 3.955 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos, número
superior ao volume destinado no mesmo período para o ano de 2003 (3.755
toneladas de embalagens). Com quatro anos de existência, o sistema de destinação
final se aproxima da maturidade em 2006, com volumes muito próximos aos
atingidos no primeiro trimestre de 2005 (4.143 toneladas). Apenas no mês de março
foram devolvidas 1.466 toneladas de embalagens.
O sistema de destinação final encerra o ano de 2005 com crescimento de
28% na devolução de embalagens vazias. De janeiro a dezembro de 2005 foram
devolvidas 17.881 toneladas de embalagens vazias contra 13.933 em 2004. Dentre
os diversos tipos de embalagens de agrotóxicos devolvidas, as primárias -
embalagens que possuem contato direto com o produto (plásticas rígidas, metálicas
e flexíveis) - representam 67% do total e atingiram um índice de devolução de 82%.
As secundárias – embalagens de papelão que acondicionam as primárias –
compreendem 33% do total e alcançaram a taxa de retorno de 21%. As 17.881
toneladas de embalagens retornadas em 2005 correspondem a 62% do volume
comercializado pelos fabricantes em um ano agrícola. Os índices atuais de
devolução posicionam o programa brasileiro como referência mundial no assunto.
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No Quadro 5 encontra-se o registro da quantidade de embalagens prensadas


para destino final na Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Goiânia no
ano de 2005.

Quadro 5 – Quantidade de Embalagens Prensadas na Central Goiânia no Ano de 2005


Tipo Prensados (kg)
PEAD 90.825
COEX 17.363
PET 1.208
Metal 17.843
Papelão 13.302
Tampas 3.272
Total 143.813
Fonte: Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Goiânia, 2006.

Constata-se que o PEAD representa 64% do volume total de embalagens


prensadas, o COEX 12%, metal 12%, papelão 9%, tampas 2% e PET 1%. Este fato
evidencia que para a região do entorno de Goiânia a maioria dos agrotóxicos usados
para o controle de pragas são os que possuem embalagem de polietileno de alta
densidade.
Na agricultura goiana, são dispensadas anualmente cerca de 26,9 mil
toneladas de agrotóxicos, aplicados nas diversas culturas para controle de pragas.
Isso resulta em aproximadamente 2,1 mil toneladas de embalagens vazias de
agrotóxicos, segundo estimativas da Secretaria de Planejamento (Seplan), em 2005.
Estas 2,1 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos presentes no
entorno de Goiânia no ano de 2005 deverão ser devolvidas a Central de
Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Goiânia no decorrer do ano
de 2006, conforme disposto na Lei n. 9.974, que delimita prazo de um ano após o
uso do agrotóxico para que seja devolvida a embalagem.
De acordo com a Secretaria de Planejamento do Estado de Goiás (2005), o
Estado já conta com sete centrais de recebimento de embalagens vazias de
agrotóxicos, instaladas nos municípios de Rio Verde, Morrinhos, Mineiros, Luziânia,
Goianésia, Goiânia e Quirinópolis. Goiás dispõe também de dez postos de
recebimento localizados em Cristalina, Catalão, Vianópolis, Bom Jesus de Goiás,
Formosa, Itumbiara, São Miguel do Araguaia, Acreúna, Santa Helena e Jataí.
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Em uma tentativa de obtenção de dados diretamente do inpEV por meio do


“Fale Conosco” no website da instituição, pode-se avaliar o grau de desenvolvimento
do programa criado para controle das centrais. Apesar de moderno, o sistema que
interliga todas as Centrais de Recebimento do país, ainda não tem condições de
informar a quantidade de embalagens enviadas por cada uma das 7 Centrais
localizadas no Estado de Goiás, sendo que a obtenção destes dados somente seria
possível caso a própria Central os disponibilizasse. Evidenciando o quanto é recente
este sistema e precisa ser aprimorado.
Segundo inpEV (2006e), em resposta ao questionamento anterior referente
ao quantitativo por Central, em 2005 o Estado de Goiás devolveu 1.529 toneladas de
embalagens vazias, sendo que 1.287 toneladas foram para a reciclagem e 242
toneladas seguiram para incineração. Acesso ao quantitativo da destinação final: o
quanto foi enviado para reciclagem, incineração e outros. Foram destinadas em
2005, 17.881 toneladas de embalagens vazias, sendo que 15.544 toneladas foram
para reciclagem e 2.337 toneladas para incineração.
Os dados descritivos da quantidade de embalagens estocadas na forma de
fardos para as seguintes variáveis (EVPE, PEAD, PET, metal, papelão e tampas)
estão registrados no Quadro 6. Com base neste, constata-se um aumento
significativo na quantidade prensada no mês de março de 2005, chegando a
17.711kg de embalagens do tipo PEAD. Percebe-se para os diferentes tipos de
materiais recolhidos na Central de Recebimento de Goiânia que os maiores valores
são observados durante a estação chuvosa nos meses de abril e maio. Em grande
parte justificada em função de que os cultivos predominam no período chuvoso.
Durante a estação seca os recolhimentos de embalagens vazias persistem,
entretanto em menor quantidade, porque o produtor tem um ano para devolver as
embalagens segundo a Lei n. 9.974/00, além disto, o uso de culturas irrigadas
também estimula aplicação de agrotóxicos e a geração de embalagens vazias nesta
época.
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Quadro 6 – Quantidade de Embalagens Prensadas por Mês no Ano de 2005 (kg)


jan/05 Fev/05 mar/05 abr/05 mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05
Tipo (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg) (kg)
EVPE 2.078 1.500 2.169 3.260 1.403 1.609 917 1.876 345 1.255 551 401
PEAD 8.320 10.455 17.711 6.746 9.023 9.473 5.068 5.458 4.234 2.835 4.186 7.316
PET - - - 883 - - - - 325 - - -
Metal 633 2.924 335 1.450 2.735 1.849 321 2.270 244 1.000 1.166 916
Papelão 1.235 840 573 437 2.078 1.993 899 1.745 380 1.724 766 632
Tampas 243 150 164 632 406 442 152 320 189 224 199 151
Total 12.509 15.869 22.951 13.408 15.645 15.366 7.357 11.669 5.717 7.038 6.868 9.416
Fonte: Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Goiânia, 2006.

Apesar de bastante recentes, as instalações físicas da Central de


Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Goiânia, apresentam boa
organização interna, reflexo do empenho do inpEV que envia anualmente material
informativo, de treinamento e de procedimentos com dados muito bem estruturados
e atualizados. Além disso, os funcionários recebem treinamento e todo material de
proteção individual necessário para o desempenho de suas funções no interior da
Central.
Verificando as flutuações dos valores da variável analisada (Figura 1),
constatou-se que o PEAD, nos primeiros meses do ano de 2005, mostrou um padrão
ascendente de janeiro a março, com queda repentina em abril para depois ascender
até junho e cair novamente. Isso se deve ao fato de que há maior procura pelos
agrotóxicos no período chuvoso, época de maiores cultivos agrícolas, justificando o
maior valor observado durante o mês de abril, ocasião em que as colheitas estão
sendo ou foram feitas, concluindo ciclos reprodutivos e encerramento de safras para
várias culturas, permitindo ao agricultor cumprir também com suas obrigações de
devolução das embalagens vazias de agrotóxicos.

PEAD (kg)

20.000 17.711
17.500
15.000
Quantidae prensada (kg)
12.500 10.455
9.0239.473
10.000 8.320 7.316
6.746
7.500 5.0685.4584.234 4.186
5.000 2.835
2.500
0
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Ano de 2005

Figura 1 – Quantidade de Embalagens PEAD Prensadas por Mês no Ano de 2005 (kg)
13

Fonte: Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Goiânia, 2006.

De acordo com Luft Agro (2006), envolvendo todos os elos da cadeia


brasileira do agronegócio, a logística reversa desenvolvida pelo Inpev garante o
processamento e destinação final mais adequado das embalagens vazias de
agrotóxicos e afins, promovendo a preservação ambiental e colocando o Brasil na
vanguarda no que tange à coleta, manuseio e descarte seguro desses itens.
Ainda segundo Luft Agro (2006), é de sua responsabilidade a logística dos
Postos de Recolhimento para as Centrais de Recebimento e destas para o seu
destino final (reciclagem ou incineração). Coordena a operação Logística
envolvendo cerca de 350 Postos e Centrais e 11 destinos finais, entre recicladoras e
incineradoras. Nessa operação cabe a empresa a qualificação e o credenciamento
das transportadoras envolvidas. Além disso, oferece sistemas integrados de gestão
de inventários, transporte, montagem de kits de produtos, aplicação de defensivos
agrícolas e logística reversa das embalagens desses produtos. Conta também com
Centros de Armazenagem em: Barueri / SP, Campo Grande / MS, Curitiba / PR,
Londrina / PR, Porto Alegre / RS, Ribeirão Preto / SP, Rio Verde / GO e Várzea
Grande / MT.

CONCLUSÃO

Com base na análise dos dados e visita técnica a Central de Goiânia, conclui-
se:
• há o cumprimento da legislação pertinente aos agrotóxicos;
• embalagens do tipo PEAD são as que apresentam o maior percentual de
recolhimento;
• é feito gerenciamento eficaz dos resíduos na Central de Recebimento de
Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Goiânia;
• A central de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos, permite não
apenas a logística reversa como condiciona o desenvolvimento sustentável e
condições de vida a população rural e urbana, com geração de emprego e renda.

REFERÊNCIAS
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República Federativa do Brasil, Brasília, 05 out. 1988;

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de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a
produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a
comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o
destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a
inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 8 jan.
2002;

_________. Lei n. 7.802, de 11 de julho de 1989. Dispõe sobre as pesquisa, a


experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o
armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a
importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus 86
componentes e afins, e dá outras providências. Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, Brasília, 13 jul. 1989;

_________. Lei n. 9.974, de 6 de junho de 2000. Altera a Lei no 7.802 de 11 de julho


de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem
e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda
comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e
embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de
agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Brasília, 6 jun. 2000;

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