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Uma cartilha sobre Fibra Ótica

A maioria de nós da indústria de Broadcast está familiarizada com os sistemas


de transmissão de fibra óptica e as soluções amplamente utilizadas para
aplicações de broadcast. São tipicamente aplicações externas para conduzir
sinais de vídeo entre locais distantes, ou transportar sinais de câmeras
distantes para unidades de móveis de transmissão.

A distribuição de sinal dentro de uma instalação é feita tipicamente em cabo


coaxial de cobre, que tem sido utilizado de uma forma ou de outra, desde o
início da televisão. No entanto, com a transição para vídeo HDTV a largura de
banda aumentou quase sete vezes, de 270Mbit para 1.5Gbit. Com a nova
migração para 1080p, a largura de banda de vídeo aumentou ainda mais, foi a
3Gbit. À medida que se aumenta a largura de banda, o alcance do cabo de
cobre reduz e nosso mundo interligado em cobre está encolhendo
rapidamente. Os comprimentos dos cabos foram reduzidos de 350m em
270Mbit a 140m em 1.5Gbit, e agora ele baixou para cerca de 70m em 3Gbit.
Se você considerar algum overhead no comprimento para roteamento dos
cabos e painéis de patch de emergência, etc, então 70m de comprimento
máximo dos cabos já traz sérios problemas para o projeto da instalação e
expansão futura.

Para resolver este problema, a tecnologia de fibra já está sendo usada para
distribuição de sinal interno. É pouco provável que a fibra irá substituir
completamente a distribuição do sinal em cobre, no entanto, ela resolve as
restrições para distâncias superiores a dos limites do nosso interligado mundo
de cobre.

A tecnologia da fibra

Como a fibra está migrando das poucas aplicações dedicadas externas para
uso em mais de uma função nas instalações internas, precisamos entender os
conceitos básicos da tecnologia de fibra. Este documento não entra em
grandes detalhes técnicos - ele oferece explicações relativamente simplistas
para difundir a tecnologia e corrigir alguns equívocos comuns. Ele também irá
oferecer algumas soluções práticas utilizando produtos LYNX Technik.

A maioria de nós sabe o princípio básico por trás da tecnologia da fibra; pulsos
de luz são transmitidos através de um cabo óptico vs sinais elétricos enviados
através de cabo de cobre. Ainda é necessária a conversão para/de sinais
elétricos em cada extremidade, que envolve o uso de conversores de fibra, isto
é um transmissor e um receptor óptico. Se você conectar um transmissor e um
receptor com cabo de fibras então temos, na sua forma mais rudimentar, um
sistema de transmissão de fibra óptica ponto a ponto.
No entanto, existem alguns outros fatores que precisam ser considerados:

• A largura de banda do sinal


• A distância total a ser coberta
• Tipos de cabo de fibra e conectores sendo usados
• Cuidados com cabos de fibra e seu roteamento

A largura de banda

Os cabos de fibra podem transportar dados numa banda incrível, mas em


termos de aplicações de vídeo, os conversores de fibra escolhidos devem
suportar a largura de banda máxima de vídeo em uso atualmente e no futuro
próximo. Existem muitas soluções disponíveis no mercado para 270Mbit e
1.5Gbit e soluções emergentes para 3Gbit. A aposta mais segura é a "prova de
futuro" e instalar 3Gbit, mesmo se você estiver usando hoje sinais de vídeo em
apenas 270Mbit ou 1.5Gbit. Outra consideração importante é a utilização de
conversores com reclocking. Esta é uma boa prática, pois reduz o potencial de
erro e garante um nível de qualidade consistente através do link de fibra. Os
transmissores e receptores de fibra LYNX Technik suportam sinais de vídeo
SDI até 3Gbit com reclocking automatico em taxas de 270Mbit, 1.5Gbit ou
3Gbit, dependendo do sinal de entrada detectado.

Distâncias

A distância máxima, é uma função do transmissor óptico e é uma combinação


do comprimento de onda do laser, potência do laser e, o mais importante, o tipo
de cabo utilizado. Outros fatores que contribuem são a sensibilidade do
receptor ótico e o número de conexões e emendas no cabo. A maioria dos
fabricantes associa uma distância máxima em quilômetros a um transmissor
óptico (10km, 40km, 80km). Estes valores são muito aproximados já que as
variações no link de fibra em si podem influenciar muito as distâncias
alcançáveis. Os números em Km são normalmente uma estimativa muito baixa
e, na maioria dos casos, essas distâncias podem ser facilmente alcançadas e
muitas vezes ultrapassadas com a utilização de bons cabos, com um mínimo
de conexões e emendas (a necessidade de se associar um valor em km para
um dispositivo é principalmente por causa da comercialização, para que seja
dada uma indicação da potência do transmissor óptico - km é muito mais fácil
de compreender do que "-5dBm @ 1310", que é uma expressão exata da
potência).

À primeira vista, 10 km parece ser uma "panacéia" para qualquer aplicação


dentro de uma instalação, com um overhead mais que suficiente. No entanto,
alguns cuidados precisam ser tomados, como o tipo de fibra e o número de
conexões e emendas, que podem afetar significativamente a distância máxima
possível. Com cabo de baixa qualidade e várias conexões e emendas em
sequência, o alcance pode, potencialmente, ter uma queda de muitos
quilômetros para centenas de metros.
É possível que tenhamos cabos de fibra já instalados que podem ou não ter
emendas, limitando as escolhas. É uma boa prática realizar alguns cálculos
básicos para estabelecer um budget (uma previsão) do link óptico a partir do
qual podemos determinar as distâncias que podem ser alcançadas, dado nosso
mix de fatores fixos e variáveis. Isto será discutido em mais detalhes
posteriormente.

Tipos de cabos

O marketing de Telecomunicações vende para o público benefícios das


comunicações em fibra como "centenas de sinais enviados simultaneamente
em um sinal por um fio de fibra". Multiplexar muitos sinais nas fibras é comum,
mas isto causou um pequeno equívoco e confusão para aqueles que não estão
familiarizados com a terminologia usada para descrever os diferentes tipos de
fibra.

Existem dois tipos básicos de fibra: "Monomodo" e "Multimodo". O equívoco é


que Monomodo implica em que irá acomodar um sinal e Multimodo, muitos
sinais. A conclusão lógica é de que cabo Multimodo é melhor do que o cabo
Monomodo. De fato, o oposto é que é verdadeiro. Monomodo e Multimodo não
têm nada a haver com o número de sinais que podem ser transportados por
uma fibra. Modo significa "caminho da luz", e Monomodo significa único
caminho de luz, e Multimodo significa muitos caminhos de luz. No “mundo
elétrico” um cabo mais grosso significa menos resistência e, portanto, menos
perdas no cabo. O oposto é verdadeiro para a fibra. O núcleo menor da fibra
oferece mais largura de banda e maior distância.

Todos as fibras tem um núcleo de vidro. O núcleo é cercado com revestimento


ótico (também de vidro) que impede a luz de escapar usando o princípio da
reflexão interna total (ou de refração). O restante do cabo são camadas com
misturas de diferentes materiais para fornecer proteção em relação ao
ambiente e a danos físicos.
Cabo de fibras Multimodo

O diâmetro do núcleo da fibra Multimodo é incrivelmente pequeno


(aproximadamente do tamanho de um cabelo humano), mas relativamente
grande para fibras, 50 ou 62,5 microns. Este "tamanho grande" significa que a
luz é dispersa em várias "modos" e os raios de luz que se movem
longitudinalmente, refletem por dentro do cabo. Se o ângulo de incidência é
muito alto, então o raio de luz não será refletido (ou refratado) de volta para o
núcleo, se perde no revestimento e ocorrem perdas de luz (atenuação). Os
muitos caminhos de luz resultam na dispersão intermodal que provoca um
efeito de sobreposição degradando a recuperação dos sinais no receptor. O
resultado é um sinal de saída de baixa qualidade. O efeito de dispersão se
multiplica com a distância e é influenciado pela freqüência do sinal, por isso o
cabo Multimodo só é adequado para distâncias mais curtas.

Existem dois tipos básicos de cabo multimodo, um é o "Step Index" e o outro


"Graded Index". O step index usa núcleo e revestimento com diferentes índices
de refração assim a passagem na transição entre as duas é um “passo difícil".
É adequada apenas para distâncias curtas e pequenas larguras de banda (por
exemplo, aplicações de consumo, algumas aplicações médicas de curta
distância e aplicações automotivas). Fibra multimodo step index deve ser
evitada a todo custo, uma vez que não suporta o comprimento de onda do laser
e largura de banda necessários para o vídeo digital.

Fibra multimodo graded index usa variações na composição do núcleo de vidro


para compensar percursos de comprimento diferente e reduzir os efeitos de
dispersão intermodal. O valor do índice de refração do núcleo de vidro varia
"gradualmente" do centro para a borda externa até que seja igual ao índice de
refração do revestimento. Isso tem o efeito de minorar o trajeto da luz do
exterior para o centro do núcleo conformando os feixes e, portanto, reduzindo
as diferenças no comprimento dos trajetos. Além disso, praticamente elimina as
perdas de luz no revestimento. O graded index suporta distâncias longas e
larguras de banda muito maiores do que o cabo step index e é o tipo mais
comum de cabo multimodo usado.
No entanto, não é possível eliminar totalmente a dispersão intermodal e essa
característica é diretamente influenciada pela freqüência e a distância. Um sinal
de vídeo em 3Gbit é de alta freqüência, e os efeitos sobre essa alta freqüência
terá um impacto negativo nas distâncias que se pode alcançar com cabo
multimodo.

Cabo de fibras Monomodo

O cabo monomodo normalmente é uma composição de step index utilizando


um material para o núcleo e outro para o revestimento, mas o núcleo tem
diâmetro tão pequeno que apenas um único raio de luz pode passar através do
cabo. O diâmetro do núcleo é normalmente de 8 ou 9 mícrons, (você não pode
vê-lo sem um microscópio). Isto aumenta muito a largura de banda, mas esta é
praticamente limitada a cerca de 100GHz. Como é um único caminho de luz,
não existem efeitos negativos da dispersão intermodal e as distâncias
suportadas são muito maiores do que no cabo multimodo.
No entanto, uma característica chamada "dispersão cromática" tem um impacto
sobre os enlaces Monomodo e isso é devido à estreita faixa (ou espectro) de
comprimentos de onda que o emissor laser ocupa.

Diferentes comprimentos de onda viajam em velocidades diferentes através de


uma fibra. Por razões de custo, os lasers usados em fibra para comunicações
não emitem um único "ultra preciso" comprimento de onda de luz, além disso,
eles têm uma banda (ou espectro) estreita de luz com comprimento de onda
de pico e roll off muito próximos. Depois de trafegar pelo núcleo Monomodo
esta pequena mistura de comprimentos de onda atinge o receptor óptico em
intervalos de tempo ligeiramente diferentes, o que provoca a dispersão
cromática; obviamente, este efeito se multiplica com a distância. Isto terá um
efeito negativo sobre a recomposição do sinal em distâncias muito longas. Isto
se torna muito melhor se o laser tiver uma banda muito estreita (ou espectro), e
alguns lasers são melhores que outros em termos de desempenho de banda
(ou espectral).

Há dois comprimentos de onda utilizados predominantemente para fibras na


indústria de vídeo; 1310nm e 1550nm. Geralmente os lasers usados na faixa
de 1550nm tem uma resposta espectral muito mais estreita do que a variedade
1310nm e é por isso que você tende a encontrar transmissores usando lasers
de 1550nm para enlaces de longas distâncias (por causa da dispersão
cromática reduzida). Um transmissor de 1310nm pode atingir distâncias de 10
km, e um transmissor de 1550nm pode atingir distâncias de 40 km. No entanto,
estes valores tem um custo, e transmissores de 1550nm custam mais do que
os de 1310nm. As características de faixa estreita dos lasers 1550nm também
o tornam ideais para aplicações CWDM, que é um processo de multiplexação
de uma série de sinais em uma única fibra. Este tópico será o assunto de outro
artigo da LYNX Technik no futuro próximo.
Em geral, os efeitos da dispersão cromática tem um impacto muito menor do
que os efeitos da dispersão intermodal. Para aplicações de curta distância com
fibra monomodo (menos de 10 - 20km) a dispersão cromática não é algo com
que se deva preocupar excessivamente. Com os óbvios benefícios do
Monomodo você pode perguntar, por que se preocupar com cabo
multimodo? A principal razão é o custo. O cabo multimodo é muito menos
dispendioso; e para aplicações em backbone de computadores, transmissores
e receptores de baixo custo podem ser utilizados (emissores LED). É também
mais fácil fazer conexões e emendas e, geralmente considerada, uma
instalação mais "amigável". No entanto, existem algumas variáveis
imprevisíveis, que impactarão na distância por causa dos efeitos de dispersão
intermodal nas maiores taxas de bits (3Gbit)que iremos utilizar.

Dica: Permitindo-se a escolha, faça-a simples e sempre use o cabo


monomodo. Multimodo pode ser muito limitado em termos de distância, mesmo
dentro de um prédio, em larguras de banda de 3Gbit. Monomodo cobrirá muitos
km e acomoda facilmente a banda de 3Gbit. Isso evita ficar muito preocupado com
os cálculos, link budget e as perdas ópticas; e permitirá “extras” como divisores de
sinal e painéis de comutação.

Conectores

Há poucos tipos de conectores de fibra para escolher, mas sua escolha é


determinada pelo equipamento que você precisa para conectar. Para
aplicações de broadcast tende a ser limitada a conectores do tipo LC, SC ou
ST. Conectores LC e SC se encaixam adequadamente e fornecem uma
conexão mecânica segura. Os conectores ST se assemelham ao conector BNC
tipo baioneta. Todos estão disponíveis para cabo Monomodo e Multimodo.
A LYNX Technik usa conectores LC em todos os seus produtos de fibra.
Os adaptadores estão disponíveis para converter entre conectores diferentes;
são normalmente em formato de cordões e tem os dois conectores necessários
instalados num trecho de fibra curto. O importante é garantir que o adaptador
utilizado é do tipo correto e do mesmo tipo de cabo que você está
conectando. Mesmo que o cabo adaptador seja realmente curto, conectando
um adaptador feito com fibra multimodo em um cabo monomodo resultará em
perdas significativas de sinal.

É uma má idéia tentar misturar ou combinar cabos de fibra. Ligar fibra


Monomodo em fibra Multimodo irá resultar em uma perda de 20 dB na
conexão, o que corresponde a 99% de perda de energia. Mesmo as conexões
entre os cabos multimodo com tamanhos ligeiramente diferentes de núcleo
(cabo de 50 mícron ligado a um cabo de 62,5 micron) resultará em 3dB de
perda de sinal, que corresponde a metade da potência. Assim, conheça sua
fibra - entenda o que você tem instalado e leia atentamente as especificações
quando for comprar adaptadores. Nunca tente unir diferentes tipos de cabos de
fibra.

Há duas maneiras diferentes de um conector de fibra fisicamente fazer a


conexão; APC (Angled Phisical Contact ou Contato em Ângulo Físico) ou UPC
(Ultra Phisical Contact ou Contato Ultra Físico). Um desses métodos é sempre
indicado no part number do conector, e a maioria dos conectores pode ser
adquirida dos dois tipos. A maioria das aplicações de broadcast irá utilizar
UPC. A APC é uma conexão de baixa perda mais cara e normalmente usada
para enlaces externos de longa distância, fora dos prédios. As especificações
do fabricante devem indicar o método de conexão das fibras (UPC ou APC).

Instalação e cuidados com cabos de fibra

O cabo de fibra é delicado, o núcleo é feito de vidro, é frágil e precisa de


cuidados a serem tomados ao manusear o cabo. Especial atenção deve-se ter
com o raio de curvatura. A maioria das fibras tem raio mínimo de curvatura de
cerca de 4 centímetros. Tenha muito cuidado com amarração de conjuntos de
cabos de fibra (na verdade, evitar, se possível). Estes são problemas os quais
normalmente seu instalador está ciente, mas é prudente verificar se realmente
ele está familiarizado com as precauções e os requisitos para a instalação de
fibra ótica. Em alguns casos, quando o prédio foi construído, os projetistas já
previram a instalação de múltiplos feixes de fibras entre os locais-chave da
construção para permitir uma futura expansão. Neste caso, você só precisa se
preocupar com as ligações do feixe de fibras para o equipamento.
Como a fibra usa a luz não há resistência elétrica ou corrosão em contatos
para se preocupar. A luz não é suscetível a interferências magnéticas e assim
os cabos não precisam de blindagem elétrica. No entanto, o cabo de fibra é
muito fino e flexível, e os conectores pequenos e feitos de plástico. Todos os
conectores de fibra tem uma tampa protetora contra poeira já que mesmo
pequenas quantidades de poeira e sujeira irão interferir com a transmissão de
luz e causar perdas. Quando um fabricante fornecer um equipamento, as
conexões de fibra óptica vão estar tampadas para evitar poeira e
contaminação de sujeira. Da mesma forma um cabo de fibra terá um cap (um
tampão) montado no conector pelo mesmo motivo. Sempre cubra as conexões
quando não estão em uso. Quando for necessário limpeza, não soprar na
extremidade do cabo ou limpá-lo com o dedo, tampouco introduzir qualquer
objeto pontudo no conector. Há kits de limpeza disponíveis, baratos, e que
incluem cotonetes especiais para limpar os terminais de conexão.

A fibra é perigosa?

Como usam lasers como fonte de luz, os transmissores ópticos são "Classe 1
Laser Devices" (Dispositivos Laser Classe 1), o que tecnicamente significa que
é perigoso usar instrumentos óticos para inspeção com o laser ligado. Use o
bom senso e não olhe diretamente para a extremidade de um cabo de fibra
ativa para ver se ele está funcionando. De qualquer maneira, como os
comprimentos de onda do laser não estão no espectro visível, não há nada
para ver.

No entanto, o uso de uma fonte de luz visível, “não laser", é muito útil para
encontrar falhas básicas. Coloque a luz acesa em uma extremidade e você vai
ver surgir luz do outro lado. Isso é útil para identificar rapidamente os núcleos
de fibra em um pacote multi-cabo, e testar fibras quebradas.

Calculando a máxima distância de uma fibra

Se estiver usando cabo monomodo e transmissores de fibra de 10 km, então é


seguro supor que não haverá situações que excedam o alcance máximo da
fibra dentro de uma instalação. Se você tem um link mais longo e gostaria de
calcular a distância máxima, então você terá de reunir algumas informações
básicas para fazer um cálculo simples:

• Perda de sinal do cabo para o tipo de fibra utilizada

• A potência do transmissor ótico e a sensibilidade do receptor ótico

• Perda de sinal dos conectores e emendas no cabo


Nota: Perda ou ganho de sinal dentro de um sistema é expresso em dB
(decibéis). dB não é uma medida da intensidade do sinal, mas uma medida de
perda ou ganho de potência. É importante não confundir dB com dBm (decibel
miliwatt), pois esta é uma medida de potência do sinal em relação a 1mW.
Assim, uma potência de 0dBm é 1 mW, 3dBm é de 2 mW, 6dBm é de 4 mW, e
assim por diante.

Para o nosso exemplo, vamos supor que determinamos o seguinte:

• Cabo Monomodo 9/125 @ 1310nm : Perda por km = 0.4dB

• 2 conectores LC/UPC : Perda = 0.5dB cada

• 2 emendas de cabo : Perda = 0.1dB cada

• Potência do transmissor óptico = -5dBm

• Sensibilidade do receptor óptico = -19dBm

A primeira coisa que precisamos fazer é calcular a "Perda Ótica", que é obtida
subtraindo-se a sensibilidade mínima do receptor da potência do transmissor:

Perda ótica= (-5dBm) - (-19dBm) = 14dB

Agora vamos somar as perdas dos conectores e emendas e adicionar uma


margem de erro (normalmente 3 dB):

Perdas conectores = 2 x 0,5 dB = 1,0 dB

Perdas emendas = 4 X 0.1dB = 0.4dB

Margem de erro = 3.0dB

Perdas totais do enlace = 4.4dB

Em seguida, subtraímos as perdas totais do enlace da perda óptica :

14dB - 4.4dB = 9.6dB

Usando a informação de perda de dados do cabo/km para o cabo que está


sendo usado (= 0.4dB/km, neste exemplo) calculamos agora a distância
máxima, dividindo o restante da nossa perda óptica pela perda do cabo por km:

9.6dB / 0.4dB (por km) = 24 km


Distâncias mínimas em fibra

A distância mínima de fibra é algo que nós nunca experimentamos com


conexões de cobre, mas se um enlace em fibra é particularmente curto, então
há uma possibilidade de que o receptor ótico fique sobrecarregado. Todos os
receptores óticos têm uma gama operacional de valores de entrada. O valor de
-19dBm que usamos em nosso exemplo anterior é o valor mínimo de entrada
do receptor ótico. O receptor também tem um nível máximo de entrada, que se
for excedido irá resultar em sobrecarga.

Em geral, a potência de saída de um transmissor de fibra é bem mais alta em


comparação com o nível máximo de entrada dos receptores ópticos, porque há
o pressuposto de que haverá alguma atenuação (ou perdas) no enlace de fibra
que interliga os dois. Com ligações muito curtas, a atenuação do cabo torna-se
insignificante e o sinal que atinge o receptor ótico pode exceder o nível máximo
de entrada, resultando em sobrecarga. Embora essa sobrecarga não cause
nenhum dano físico ao receptor ótico, irá tornar o link inoperante quando
sobrecarregado.

Felizmente, isso é resolvido facilmente com o uso de um atenuador ótico que


reduz a potência para um nível dentro do intervalo operacional do
receptor. Para determinar o tamanho do atenuador é necessário simplesmente
comparar a potência de saída dos transmissores com o nível máximo de
entrada dos receptores. Abaixo estão alguns exemplos:

• Potência do transmissor = -5dBm; gama operacional do receptor = -


3dBm a -19dBm

Para este exemplo não é necessário atenuador, pois a potência do transmissor


já está abaixo do nível máximo de entrada, e o receptor nunca ficará
sobrecarregado *

• Potência do transmissor = -1dBm, gama operacional do receptor= -


3dBm a -19dBm

Aqui você pode ver que a potência do transmissor é maior em 2dB que o nível
máximo de entrada do receptor; então será necessário um atenuador entre 2 e
17 dB (3dB seria ótimo).

* Nota: Mesmo que a potência do transmissor esteja abaixo do nível de entrada


máximo do receptor, o uso de enlaces muito curtos (<10m) deve ser
evitado. Reflexões internas dentro da fibra podem ser problemáticas, em
enlaces de fibra curta.
Cálculo do Multimodo

Podemos realizar o mesmo exercício para o cabo multimodo, a única diferença


é o tipo de cabo que vamos assumir: multimodo graded index 50/125 @
1310nm; perda de enlace por km = 1.5dB.

O cálculo da perda (atenuação) permanece o mesmo, mas o remanescente é


agora aplicado ao cabo multimodo:

9.6dB/1.5db (por km) = 6,4 km

Mas, espere ...

Isso parece ótimo no papel, mas antes de correr para comprar centenas de
metros de cabo multimodo para distribuir em nossas instalações devemos
saber que este quadro é muito enganador. Estamos usando sinais 3Gbit (uma
largura de banda relativamente alta para as fibras multimodo) e erros de
dispersão intermodal terão um impacto significativo sobre o desempenho e,
portanto, na distância possível calculada.

Esta é uma questão complexa, não há correlação explícita entre a banda do


sinal de vídeo, a dispersão e a perda do enlace. O broadcast herdou a
tecnologia de cabos de fibra da Telco e da indústria de informática e estamos
tentando atingir larguras de banda de até 3Gbit com esta tecnologia. A
percepção (e às vezes pressuposição) é que um cabo de fibra pode transportar
largura de banda ilimitada, o que em essência, é verdade para um enlace em
fibra monomodo (teoricamente é infinito), mas 100Gbit é considerado o "limite"
prático para fibra monomodo. O mesmo está longe de ser verdadeiro para o
cabo multimodo por causa da dispersão, mesmo em fibra multimodo graded
index. Em altas freqüências os erros de dispersão se multiplicam com a
distância e o alcance operacional é muito reduzido. Quanto o alcance é
reduzido é difícil dizer, uma vez que existem vários tipos de cabos multimodo,
todos com características diferentes.

A largura de banda do cabo multimodo é geralmente expressa em termos de


computação e relacionados com backbones de redes padrão; portanto, a
maioria das fibras multimodo é otimizada para uso nestas aplicações (100Mbit,
1Gbit e 10 Gbit). Você pode ter ativos existentes em cabo de fibra multimodo
em sua instalação e que você gostaria de usar para vídeo em 3Gbit.
Antes de você começar a fazer conexões, aqui estão algumas dicas:

1. Descubra o tipo de cabo e procure as especificações.

2. Muitos cabos de fibra multimodo usados para redes de computadores


são otimizados para 850nm, o que é um problema porque as aplicações
de broadcast quase sempre usam lasers na faixa de 1310nm ou 1510nm
e exigem fibras multimodo otimizadas para 1310nm - portanto verifique
as especificações.

3. Se o cabo foi instalado há algum tempo, é conveniente supor que não é


de fibra multimodo mais recente e que tenha um alcance de 300m em
10Gbit - se for - então ótimo.

4. Se o cabo é mais antigo, e parece ser de um tipo otimizado para


1310nm, então você pode assumir que é possível um alcance entre 26m
e 82m para uma rede de 10 Gbit. Portanto para 3Gbit (teoricamente) o
alcance será maior (não considerando as perdas no conector e nas
emendas).

5. Nenhum cabo multimodo é recomendado para uso na faixa de 1550nm


(que também é usada para vídeo) e esta banda é importante para
aplicações de multiplexação CWDM. Então se você estava pensando
em usar CWDM em fibra multimodo, pense outra vez ...

O uso de certos tipos de fibra multimodo é possível para a banda 3Gbit, mas
tome cuidado, pois há grande possibilidade de problemas potenciais. É
necessário investigação e ensaio. Não há dados publicados sobre uso
experimental de cabo multimodo em 3Gbit e os efeitos de dispersão nesta
freqüência não são conhecidos, são apenas estimados através de tentativa e
erro. Os produtos LYNX Technik são especificados para uso com cabo
monomodo e usá-los em cabo multimodo é possível mas não é recomendado
por causa do desconhecimento e conseqüente desempenho imprevisível.

Quando em dúvida, teste

Sem publicação de dados experimentais para confiar, uma opção é testá-lo.


Temos clientes que testaram a fibra multimodo e conseguiram 1 km em 1.5Gbit
e 300m em 3Gbit, o que é encorajador.
Como testar?

A maneira mais fácil de testar um cabo é usando vídeo SDI, que replica
exatamente a aplicação. Injete um sinal de teste de vídeo em um transmissor
ótico, envie ao longo de um trecho de fibra ótica até o receptor e analise a
saída SDI. O sinal mais fácil de usar é o padrão de teste patológico (todos
estamos familiarizados com ele), que irá mostrar os erros no sinal SDI. Você
precisa ter um enlace de fibra no lugar para testar, ou uma bobina com fibra
multimodo suficiente para experimentar.

Algumas soluções práticas

A LYNX Technik fabrica uma série de interfaces de fibra. Temos também a


incorporação de módulos de entrada/saída em fibra em alguns dos nossos
mais recentes produtos para processamento de sinais em 3Gbit. Em virtude
dos exemplos a seguir, vamos supor que temos equipamentos com
entrada/saída em cobre e que queremos melhorar a conectividade com fibra.

Os produtos modulares em fibra da LYNX Technik fazem parte de nossa linha


de produtos ® e temos uma série de soluções para facilitar a adição de
conectividade em fibra para uma instalação em cobre existente.
Um enlace de sentido único

A aplicação mais simples é usar um transmissor de fibra perto da fonte e um


receptor no destino. Para isso podemos utilizar o Yellobrik OTX 1810 3Gbit SDI
To Fiber Transmitter e o ORX 1800 3Gbit Fiber To SDI Receivre. Estes
dispositivos tem reclocking e suportam fluxos 270Mbit / 1.5Gbit / 3Gbit SDI com
deteção automática da taxa de clock.
Enviar e receber entre multiplos locais
Muitas vezes precisamos de sinais distribuídos a partir de e para uma
localização central. Para isto, um transceptor é uma boa solução. O Yellobrik
OTR 1810 Fiber Transceiver combina um transmissor e receptor em uma única
unidade. Esta versão usa dois enlaces de fibra, um para o envio e um para
recepção, e é usado principalmente para ecomizar custo e espaço no sistema .

A aplicação exemplo é mostrada abaixo:


Enlaces em fibra bidirecionais

Se os sinais de vídeo devem ser enviados em ambos os sentidos entre dois


pontos fixos, um transceptor bidirecional que envia e recebe vídeo
simultaneamente em um enlace de fibra único pode ser usado. A vantagem
óbvia é a utilização de um enlace de fibra onde duas seriam normalmente
necessárias. A LYNX Technik oferece um transceptor bidirecional - Yellobrik
OBD 1810 - 3Gbit Bi-directional Transceiver. Os caminhos de transmissão e
recepção são independentes o que significa que diferentes formatos de vídeo
podem ser enviados e recebidos. Por exemplo, você poderia enviar um vídeo
SDTV 270Mbit e receber um vídeo HDTV 3Gbit. Os módulos são vendidos em
pares, e a aplicação é mostrada abaixo:

Distâncias maiores

As soluções acima irão atender distâncias até 10 km com ligações em fibra


ótica monomodo. O comprimento de onda para esses módulos é 1310nm, que
é um comprimento de onda comum utilizado na indústria de vídeo e os
transmissores e receptores de fibra ótica da LYNX Technik são compatíveis
com quaisquer interfaces de fibra ótica de outros fabricantes que utilizem
1310nm de comprimento de onda.
Oferecemos também um transmissor SDI para 40 km de fibra (Yellobrik OTX
1840) e o transceptor (OTR 1840) para
aplicações que necessitem de longas
distâncias; estes podem ser usados
com o módulo receptor Yellobrik ORX
1800 Fiber Receiver. As soluções de
40 quilômetros usam 1550nm de
comprimento de onda do laser, que
também é amplamente utilizado na
indústria de vídeo. Os Yellobrik são
projetados para receber um sub-
módulo de fibra, que pode ser
facilmente removido e trocado por uma
alternativa. Nós fornecemos uma
variedade de 16 sub-módulos de
comprimentos de onda diferentes que pode substituir o padrão de 1550nm. Isto
pode ser importante em uma instalação usando CWDM, que é um processo de
multiplexação de múltiplos sinais em um link de fibra única, onde cada sinal
tem um comprimento de onda diferente.

Questões mecânicas

Os módulos Yellobrik são individuais, independentes e são ideais para


aplicações onde uma conectividade via fibra, limitada, precisa ser adicionada a
um local específico. Para as instalações que exigem múltiplas conexões de
fibra, o uso de módulos individuais, separados e independentes torna-se
impraticável. A LYNX Technik tem um chassi de 1RU que pode acomodar até
14 módulos de fibra Yellobrik. O chassi fornece energia centralizada com
redundância, bem como saídas de alarme GPO. Isso facilita uma solução com
forma mais permanente e mecanicamente segura, que permite a centralização
de todas as fibras de I / O do sistema em uma instalação. O chassi tem duas
entradas externas de 12VDC (primária e redundante) tais que seu uso em
unidades móveis é simplificada.

As volumosas ligações coaxiais SDI são feitas na parte traseira do bastidor, e


as conexões de fibras estão na frente. Um espaço é liberado em um dos lados,
para passagem das fibras para a parte traseira do bastidor para distribuição da
cabeação. LEDs sinalizadores de atividade da fibra são visíveis pela frente
(para cada módulo).
Produtos com entrada/saída em fibra

A LYNX Technik oferece também uma linha de equipamentos modulares em


estrutura bastidor de 2RU (Série 5000), que tem uma grande variedade de
módulos de processamento de sinal, e também inclui soluções multi-formato
em 3Gbit. Projetamos I/O em fibra diretamente nos módulos evitando a
necessidade de conversão externa. A Série 5000 também utiliza sub-módulos
de fibra, como parte integrante da placa principal dos módulos. Os cartões
podem ser desconectados, removidos e trocados sem a necessidade de
fisicamente desconectar os cabos de fibra. As soluções incluem transmissores
e receptores de fibras multi-canal, frame synchronizers, conversores
up/down/cross, áudio embedders/de-embedders e amplificadores de
distribuição de sinal. A figura abaixo mostra um módulo de distribuição LYNX
Technik 3Gbit SDI com o painel traseiro de I / O em fibra e cobre.
Conclusão

A fibra é uma coisa maravilhosa, e está se tornando parte integrante dos


projetos das facilidades de broadcast. Tem muitas vantagens sobre o cobre,
não só em termos de distância. É muito mais fina e mais leve que o cabo
coaxial e está disponível em configurações multi-core, reduzindo
significativamente o volume. A fibra não sofre interferências eletromagnéticas,
não tem problemas com potencial de terra, não tem crosstalk, sem problemas
de corrosão de conector, e sem delay de cabo a calcular para compensar o
timing do sistema. Ela também suporta múltiplos fluxos SDI 3G
descompactados em um único núcleo de fibra com CWDM (algo possível
apenas em sonho no mundo do cobre).

Embora exista a tentação de usar cabos de fibra multimodo de menor custo, é


melhor, sempre que possível, simplificar e usar Monomodo já que seu
desempenho é previsível e documentado. Isto evitará dores de cabeça, e quem
sabe trabalho e hipóteses em relação ao cabo Multimodo. Dentro de uma
instalação, 10 km feitos com cabo Monomodo dá uma enorme folga para a
perda óptica, fazendo com que a fibra seja muito mais uma solução "plug and
play" e praticamente eliminando a necessidade de pegar uma
calculadora. Você pode ter divisores de fibra, painéis de comutação de fibra e
outros acessórios para melhorar a concepção do sistema, e não se preocupar
com a adição de várias emendas. Estará também preparado para CWDM na
faixa de 1550nm, que é usado para multiplexação de vários sinais
descompactados através de um único enlace de fibra.

Espero que esta cartilha tenha sido útil. Ela é uma informação básica e destina-
se apenas à introdução à tecnologia de fibra. Este trabalho incluiu também
algumas soluções simples e eficazes que o ajudarão a começar a “molhar seus
pés " e a implementar algumas conexões à base de fibra em suas instalações,
sem desperdício financeiro.

Steve Russell
LYNX Technik Inc.
Steve.russell@lynx-technik.com

Traduzido e adaptado para o português por


Elipse Engenharia e Consultoria