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Domingo, 2 de Janeiro de 2011. E-mail: Senha:

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Para além do pãozinho de queijo (23/11/2010)
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Por Nelson Rubens Kunze
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A precisão e energia com que a Filarmônica de Minas Gerais atacou a abertura O
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Corsário de Berlioz no último sábado – no início da última das três apresentações que a
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orquestra fez na Sala São Paulo – já era sinal de que coisas boas estavam por acontecer. E configure seu roteiro
aconteceram! Com bela sonoridade, técnica apurada e evidente gosto pelo fazer musical, a
Filarmônica de Minas Gerais, dirigida por seu titular Fabio Mechetti, realizou uma grande
e emocionante apresentação.
São Paulo:
O Corsário é obra de impacto. Brilhante e colorida, cheia de invenção e surpresas, a peça 8/1/2011 - The Met Opera
deu oportunidade para a Filarmônica mostrar que cresceu – o que, aliás, ficou
comprovado ao longo de todo o programa: músicos competentes, naipes coesos e Rio de Janeiro:
equilibrados, articulações precisas e fraseados cuidados, tudo isso amalgamado pela rara 2/1/2011 - The Met Opera
musicalidade e talento do maestro Mechetti.
Outras Cidades:
27/1/2011 - Sorocaba, SP -
Nome A apresentação seguiu com o Concerto para violoncelo op. 22 de Samuel Barber com Orquestra Sinfônica de Sorocaba
solos do alemão Alban Gerhardt. Comissionado na década de 1940 pelo maestro
Koussevitzky para a Sinfônica de Boston, o concerto é uma obra pouco ouvida, de grande
E-mail exigência técnica, tanto para o solista quanto para a orquestra. O violoncelista Gerhardt,
que tem um som aberto e bonito e uma naturalidade técnica espantosa, interagiu
perfeitamente com a orquestra em uma memorável interpretação.

O concerto se encerrou com as Danças Sinfônicas op. 45 de Rachmaninov. Aí, quem


ainda não tinha se entregue à magia da orquestra acabou se rendendo. Com sensibilidade,
ricas cores, estudadas inflexões e uma musicalidade soberba, a Filarmônica fez uma
execução de encher os olhos (e os ouvidos). De gestual claro e elegante, Mechetti sabe
extrair da orquestra de sussurros a turbilhões, sem perder de vista o todo orgânico.

Saiba como anunciar O surgimento desta nova orquestra brasileira deve ser comemorado como uma das
na Revista e no Site principais conquistas musicais dos últimos anos. O que no caso da Filarmônica de Minas
CONCERTO. Gerais é alentador, é que, além do corpo sinfônico que ouvimos, há a preocupação de se
consolidar também uma estrutura de gestão moderna e profissional capaz de ampará-lo. A
Filarmônica de Minas Gerais funciona por meio de uma Oscip, o Instituto Cultural
Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos, que mantém um contrato com o
Estado para a manutenção da orquestra (algo similar à Fundação Osesp com o Estado de
São Paulo). Assim, os recursos públicos podem ser investidos tendo como critério as
competências técnicas e artísticas. O resultado é esse que vemos e ouvimos. E esse é o
atendimento do verdadeiro interesse público no que diz respeito à difusão da cultura
clássica e da música de concerto.

Além do ótimo pãozinho de queijo, os mineiros agora também podem se orgulhar de sua
orquestra sinfônica. Oxalá em breve possamos visitá-la em uma sede própria. A
Filarmônica de Minas Gerais está pronta para a sua sala de concertos!

Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO