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Direito em Engenharia

Prof. Rafael Francisco Cardoso

2013
Copyright © UNIASSELVI 2013

Elaboração:
Prof. Rafael Francisco Cardoso

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

620
C268d Cardoso, Rafael Francisco
Direito em engenharia / Rafael Francisco Cardoso. Indaial:
Uniasselvi, 2013.

166 p. : il

ISBN 978-85-7830-792-9

I. Engenharia. 1.Centro Universitário Leonardo da Vinci. 2.


Cardoso, Rafael Francisco.
Apresentação
Caro(a) acadêmico(a)!

Sejam bem-vindos a nossa disciplina. Vamos iniciar os nossos estudos


sobre o Direito em Engenharia.

Como futuros profissionais da área da engenharia de produção, vocês


terão responsabilidades decorrentes das relações pessoais mantidas para a
execução de suas atividades diárias, bem como, e dos encargos decorrentes
dos produtos e processos de produção desenvolvidos por vocês.

Na presente obra, buscou-se uma abordagem clara e objetiva sobre


as noções gerais do Direito. Desta forma, será imprescindível a compreensão
dos conteúdos abordados nesta obra, pois, em nosso dia a dia realizamos
várias atividades que geram direitos e deveres, e também somos afetados, às
vezes, por direitos que nem conhecemos ainda.

Bons estudos!

Prof. Rafael Francisco Cardoso

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto


para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO...................................................... 1

TÓPICO 1 – O DIREITO......................................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 3
2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO NO BRASIL................................................................. 3
3 CONCEITO DE DIREITO.................................................................................................................... 4
4 PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO................................................................................................ 5
5 A NORMA JURÍDICA.......................................................................................................................... 6
6 CARACTERÍSTICAS DA NORMA JURÍDICA.............................................................................. 6
7 DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO.............................................................................. 7
8 FONTES DO DIREITO......................................................................................................................... 7
8.1 A LEI................................................................................................................................................... 8
8.2 O COSTUME JURÍDICO................................................................................................................. 8
8.3 A JURISPRUDÊNCIA....................................................................................................................... 9
8.4 A DOUTRINA JURÍDICA............................................................................................................... 9
9 RAMOS DO DIREITO......................................................................................................................... 9
10 NOÇÃO GERAL DOS RAMOS DO DIREITO............................................................................. 10
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 12
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 13

TÓPICO 2 – O ESTADO.......................................................................................................................... 15
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 15
2 O ESTADO – ORIGEM......................................................................................................................... 15
3 O ESTADO – CONCEITO.................................................................................................................... 15
4 O ESTADO – FINALIDADE................................................................................................................ 16
5 O ESTADO – OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO ESTADO....................................................... 17
6 O ESTADO – FORMAS DE ESTADO E GOVERNO..................................................................... 17
7 SISTEMAS/REGIMES DE GOVERNO............................................................................................. 19
8 REGIMES POLÍTICOS......................................................................................................................... 20
9 O PODER LEGISLATIVO.................................................................................................................... 21
10 O PODER EXECUTIVO...................................................................................................................... 22
11 O PODER JUDICIÁRIO..................................................................................................................... 24
11.1 OS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO...................................................................................... 25
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 31
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 32

TÓPICO 3 – DIREITO CONSTITUCIONAL...................................................................................... 33


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 33
3 DIREITO CONSTITUCIONAL: CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO......................................... 33
4 DIREITO CONSTITUCIONAL: ESPÉCIES DE CONSTITUIÇÃO............................................ 34
5 A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA..................................................................................................... 34
6 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.............................................................................. 35
7 DIREITO CONSTITUCIONAL: O PODER CONSTITUINTE.................................................... 36
8 DIREITO CONSTITUCIONAL: O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE................ 36

VII
9 DIREITO CONSTITUCIONAL: CIÊNCIA E TECNOLOGIA...................................................... 37
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 39
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 43
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 44

UNIDADE 2 – LEGISLAÇÃO CIVIL.................................................................................................... 45

TÓPICO 1 – DIREITO CIVIL................................................................................................................. 47


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 47
2 DIREITO CIVIL – CONCEITOS........................................................................................................ 47
3 PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS..................................................................................................... 49
3.1 A CAPACIDADE CIVIL ................................................................................................................. 52
3.2 A PERSONALIDADE JURÍDICA................................................................................................... 55
3.3 O DOMICÍLIO................................................................................................................................... 55
4 OS BENS E SUA CLASSIFICAÇÃO.................................................................................................. 56
5 OS FATOS E ATOS JURÍDICOS E RESPONSABILIDADE CIVIL............................................. 58
6 A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ENGENHEIRO................................................................... 60
7 A CULPA E O DOLO............................................................................................................................. 62
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 65
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 66

TÓPICO 2 – DIREITO EMPRESARIAL............................................................................................... 69


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 69
2 DIREITO EMPRESARIAL – CONCEITO......................................................................................... 69
2.1 CONCEITO DE EMPRESA............................................................................................................. 70
2.2 CONCEITO DE EMPRESÁRIO...................................................................................................... 70
2.3 DEVERES DO EMPRESÁRIO......................................................................................................... 71
2.4 O NOME EMPRESARIAL............................................................................................................... 72
2.5 SOCIEDADES.................................................................................................................................... 72
2.5.1 Sociedade não personificada.................................................................................................. 73
2.5.2 Sociedade simples e sociedade empresária......................................................................... 73
2.5.3 A Responsabilidade dos sócios.............................................................................................. 74
2.5.3.1 Responsabilidade limitada e ilimitada dos sócios........................................................... 74
2.5.3.2 Responsabilidade subsidiária e solidária.......................................................................... 74
2.5.4 Sociedade personificada......................................................................................................... 75
2.5.5 Sociedade em nome coletivo.................................................................................................. 75
2.5.6 Sociedade em comandita simples......................................................................................... 75
2.5.7 Sociedade limitada.................................................................................................................. 76
2.5.8 Sociedade em cooperativa...................................................................................................... 76
2.5.9 Sociedade anônima ou companhia....................................................................................... 76
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 78
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 79

TÓPICO 3 – TÍTULOS DE CRÉDITO.................................................................................................. 81


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 81
2 TÍTULOS DE CRÉDITO – CONCEITO............................................................................................ 81
2.1 CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO................................................................... 82
2.2 TIPOS DE TÍTULOS DE CRÉDITO................................................................................................ 82
2.2.1 Nota promissória..................................................................................................................... 82
2.2.2 Cheque....................................................................................................................................... 83
2.2.3 Duplicata................................................................................................................................... 84
2.2.4 Letra de câmbio........................................................................................................................ 85

VIII
2.3 TRANSMISSÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO........................................................................... 86
2.3.1 Endosso..................................................................................................................................... 87
2.4 AVAL................................................................................................................................................... 87
2.5 PROTESTO......................................................................................................................................... 87
2.6 PRAZOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO........................................................................................ 88
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 89
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 90

TÓPICO 4 – DIREITO DO CONSUMIDOR....................................................................................... 91


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 91
2 DIREITO DO CONSUMIDOR – CONCEITOS.............................................................................. 91
2.1 CONSUMIDOR................................................................................................................................. 92
2.2 FORNECEDOR................................................................................................................................. 92
2.3 PRODUTO......................................................................................................................................... 92
2.4 SERVIÇO............................................................................................................................................ 92
3 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR..................................................................................... 93
4 REPARAÇÃO DE DANOS.................................................................................................................. 93
5 DIREITO DO CONSUMIDOR – DEFEITOS DE PRODUTOS E SERVIÇOS.......................... 95
6 CONTRATOS – CLÁUSULAS ABUSIVAS...................................................................................... 97
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 100
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 105
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 106

UNIDADE 3 – CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO


TRABALHISTA............................................................................................................. 109

TÓPICO 1 –CONTRATOS...................................................................................................................... 111


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 111
2 CONCEITOS........................................................................................................................................... 111
3 FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO................................................................................................ 117
4 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ ..................................................................................................................... 117
5 VÍCIO REDIBITÓRIO.......................................................................................................................... 118
6 EVICÇÃO................................................................................................................................................ 119
7 TEORIA DA IMPREVISÃO................................................................................................................ 119
8 TIPOS DE CONTRATOS..................................................................................................................... 120
9 PROTEÇÃO E GARANTIAS CONTRATUAIS .............................................................................. 122
10 CLÁUSULAS ABUSIVAS.................................................................................................................. 122
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 124
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 125

TÓPICO 2 – PROPRIEDADE INDUSTRIAL...................................................................................... 127


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 127
2 CONCEITOS........................................................................................................................................... 127
3 ABRANGÊNCIA DO DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL........................................ 129
4 PATENTES............................................................................................................................................... 129
5 REGISTRO INDUSTRIAL................................................................................................................... 130
6 MARCAS................................................................................................................................................. 131
7 UNIÃO DE PARIS................................................................................................................................. 133
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 134
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 136

IX
TÓPICO 3 – DIREITO DO TRABALHO............................................................................................. 139
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 139
2 DIREITO DO TRABALHO – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS TRABALHISTAS..... 139
3 DIREITO DO TRABALHO – CONCEITOS..................................................................................... 140
4 PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO................................................................................. 141
5 DIREITO DO TRABALHO – DIVISÕES DO DIREITO DO TRABALHO............................... 142
6 DIREITO DO TRABALHO – CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO........................... 142
7 DIREITO DO TRABALHO – JORNADA DE TRABALHO.......................................................... 143
8 DIREITO DO TRABALHO – DESCANSO SEMANAL REMUNERADO................................. 143
9 DIREITO DO TRABALHO – FÉRIAS ANUAIS REMUNERADAS............................................ 143
10 DIREITO DO TRABALHO – REMUNERAÇÃO.......................................................................... 144
11 DIREITO DO TRABALHO – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS................ 146
12 DIREITO DO TRABALHO – ALTERAÇÕES DO CONTRATO DE TRABALHO................. 147
13 DIREITO DO TRABALHO – EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO...................... 147
14 DIREITO DO TRABALHO – FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO............ 148
15 DIREITO DO TRABALHO – TRABALHO DA MULHER.......................................................... 149
16 DIREITO DO TRABALHO – TRABALHO DO MENOR............................................................ 150
17 DIREITO DO TRABALHO – TIPOS DE TRABALHADORES.................................................. 151
18 DIREITO DO TRABALHO – JUSTIÇA DO TRABALHO.......................................................... 152
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 154
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 159
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 161
REFERÊNCIAS.......................................................................................................................................... 163

X
UNIDADE 1

ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
DO DIREITO

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade, você será capaz de compreender:

• conhecer o conceito de Direito e compreender a sua importância para as


relações entre as pessoas físicas e jurídicas;

• conhecer e compreender a origem, os elementos essenciais do Estado e os


valores da democracia, analisando as formas de Estado e de Governo, bem
como compreender os valores fundamentais da democracia;

• permitir ao acadêmico conhecer e compreender o Direito Constitucional,


bem como a importância da Constituição para a sustentabilidade do Esta-
do Brasileiro.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos e no final de cada um deles você
encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.

TÓPICO 1 – O DIREITO

TÓPICO 2 – O ESTADO

TÓPICO 3 – DIREITO CONSTITUCIONAL

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

O DIREITO

1 INTRODUÇÃO
A sociedade certamente não existiria sem o direito. A mais primitiva das
sociedades, mesmo que não torne seus regramentos na forma escrita, possui uma
organização, uma determinação de regras a serem seguidas por seus membros,
pois sem estas, a sua estrutura ruiria.

Segundo Ferraz Júnior (2003, p. 21), “o direito é um dos fenômenos notáveis


da vida humana, e a sua compreensão é um processo para compreendermos a nós
mesmos”.

Para Campos (2005, p. 3), “o estudo da história, ao longo dos séculos, tem
revelado que o homem nunca procurou ficar completamente isolado dos seus
semelhantes para viver e sobreviver, ou seja, o homem nunca adotou a solidão
como forma habitual de vida, o que demonstra que a sociabilidade é característica
fundamental de nossa espécie”.

Portanto, podemos concluir que o convívio em sociedade é essencial ao


homem, e que nenhuma sociedade poderia existir sem a adoção de regras do
Direito.

2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO NO BRASIL


Para Gama (2008, p. 20), “o direito evolui juntamente com a humanidade
há quase cinco mil anos, não se limitando a estabelecer apenas regras de conduta,
para organizar a sociedade, mas também refletindo sobre os acontecimentos e
pensamentos de cada período da história”.

Neste contexto, a evolução do Direito no Brasil, tem a influência e


dependência direta de Portugal, desde o descobrimento do Brasil, até 1808,
o Direito brasileiro se resumia a deturpações da legislação portuguesa, com o
objetivo de adequá-la à realidade da colônia, ou seja, o famoso “jeitinho” brasileiro
sempre existiu.

Para Cury (2002, p. 110), “o Brasil sofre grandes influências romanas


em seu Direito, florescendo os seus institutos jurídicos através das Ordenações
Afonsinas, editadas em 1446, consolidando a legislação da época, desde Afonso
II a Afonso V”. De 1521 até 1603 vigoraram as Ordenações Manuelinas. Atendiam

3
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

mais ao interesse da realeza do que ao das outras instituições, fortalecendo o


poder absoluto do Rei. A partir de 1603, foram promulgadas as Ordenações
Filipinas, que seguiram o método e a sistematização das matérias manuelinas.

Para Gonçalves (2012, p. 42), “a influência legislativa de Portugal sobre o


Brasil, perdurou até a proclamação da Independência”.

Com a proclamação da República em 1889, o país adotou uma nova


Constituição em 1891, e passou a adotar o modelo federalista americano. Todavia,
o modelo de federalismo adotado pelo Brasil é sui generis, pois, embora o modelo
norte-americano adotar a independência de seus Estados federativos, no modelo
brasileiro, o poder se concentra todo nas mãos da União. Neste mesmo sentido,
os municípios também são entes federativos independentes, mas não possuem
representação federal.

Em 1988, foi promulgada no Brasil uma Constituição democrática que


possui como principal característica, a proteção dos direitos fundamentais do
cidadão, tratados como cláusulas pétreas em seu art. 5º (Direitos e Garantias
Fundamentais).

3 CONCEITO DE DIREITO
Martins e Passos (1999) definem que o homem é um ser eminentemente
social. E, por viver em sociedade, a ação de um homem interfere na vida dos
outros homens, provocando, consequentemente, a reação dos seus semelhantes.
Para que essa interferência de condutas humanas tivesse um sentido construtivo
e não destrutivo, foi necessária a criação de regras capazes de preservar a paz no
convívio social.

Direito, segundo Campos (2005, p. 3), “é um fenômeno da rotina cotidiana,


que encontramos a todo o momento e a toda parte. Estamos mergulhados no
Direito tal como na atmosfera”.

Neste sentido, pode-se afirmar que nenhuma sociedade, poderia subsistir


sem um mínimo de ordem, direção e solidariedade.

Para Martins e Passos (1999, p. 17), “através da percepção da regulação


da sociedade, observou-se que as regras nasciam através da necessidade de se
estabelecer uma organização que dessem certa ordem à vida em sociedade”.

O conceito de Direito, segundo Pinho e Nascimento (2004, p. 25), não se


resume a um único significado, sendo empregado em várias acepções e sentidos,
sendo distinguido em dois sentidos fundamentais:

o Direito norma, lei ou regra de ação (norma agendi);


o Direito faculdade, poder de ação prerrogativa (facultas agendi).

4
TÓPICO 1 | O DIREITO

Para Führer (2004, p. 32), “Direito é um complexo de normas reguladoras


da conduta humana, com força coativa”.

Segundo o filósofo Aristóteles, o homem é um ser eminentemente social.


Para que essa interferência de condutas humanas tivesse um sentido construtivo
e não destrutivo, foi necessária a criação de regras capazes de preservar a paz
no convívio social. Neste sentido, Campos descreve que o direito é elemento
essencial, e que sem ele, não poderíamos viver em sociedade:

O Direito, defende, ampara, protege e serve o indivíduo em todos


os momentos. Agimos, abstemo-nos de agir de alguma maneira no
que diz respeito ao Direito. Ele regula as relações dos indivíduos
em sociedade, se apossa do sujeito e o mantém sob proteção, mas
o considera parte da sociedade, até porque Direito e sociedade se
pressupõem. (CAMPOS, 2005, p. 3).

Portanto, podemos concluir que o convívio em sociedade é essencial


ao homem, e que nenhuma sociedade poderia existir sem a adoção de regras
do Direito. Por isso, afirmaram os antigos romanos: “ubi societas, ibi jus” (onde
houver sociedade, aí estará o Direito).

O Direito está ligado de tal modo à vida social, que o inverso desse
provérbio também é verdadeiro: onde houver o Direito, aí estará a sociedade.

Assim, de forma simples e concisa, podemos elaborar a seguinte


conceituação do Direito:

DIREITO É O CONJUNTO DE REGRAS OBRIGATÓRIAS QUE


DISCIPLINAM A CONVIVÊNCIA SOCIAL HUMANA.

4 PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO


Campos (2005, p. 24) define os princípios gerais do direito como “as
proposições diretivas do Direito Positivo que devem ser aplicadas no caso em
julgamento na ausência de outra fonte formal. São princípios filosóficos do Direito
Positivo, que resultam da coordenação das normas positivas vigentes”.

Os Princípios Gerais do Direito também são utilizados como elementos


de integração das lacunas jurídicas. No art. 4º da Constituição Federal/88, estão
insculpidos os princípios pelos quais o Estado brasileiro deve seguir, dentre os
quais destacamos:

5
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

a) a independência nacional;
b) a prevalência dos direitos humanos;
c) a autodeterminação dos povos;
d) não intervenção;
e) a igualdade entre os Estados;
f) a defesa da paz;
g) a solução pacífica dos conflitos;
h) o repúdio ao terrorismo e ao racismo;
i) cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
j) a busca da República Federativa do Brasil pela integração econômica,
política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação
de uma comunidade latino-americana de nações.

5 A NORMA JURÍDICA
Para Campos (2005, p. 12) “norma é uma espécie de princípio de preceito,
de regra. A norma é um mandamento, nela se insere um comando imperativo”.
Ainda nas palavras de Campos (2005, p. 14), “as normas jurídicas são imperativas,
ou seja, impõem o dever, e são também atributivas, ou seja, conferem direitos”.

Para Gama (2005, p. 4) “o juízo moral pressupõe um ponto de vista voltado


para o interior. A moral impõe ao sujeito uma escolha entre as ações que pode
praticar, mas diz respeito apenas ao próprio sujeito”.

Assim, as normas morais como as religiosas se aplicam à vida em


sociedade. Então, como distinguir as normas jurídicas dessas outras normas
sociais? A distinção pode ser resumida nas características que veremos a seguir:

Para Campos (2005, p. 12) “a norma jurídica é uma espécie de regra


de conduta, de um preceito”. A norma jurídica é comumente utilizada como
sinônimo de lei, que é originária de um poder competente, provido de coerção.

6 CARACTERÍSTICAS DA NORMA JURÍDICA


Segundo Cotrim (2009, p. 4), as principais características da norma jurídica são:

a) Coercibilidade: que é a possibilidade de a conduta transgressora sofrer


coerção, isto é, repressão, uso da força.
b) Sistema imperativo e atributivo: imperativa porque tem o poder de imperar,
ou seja, de impor a uma parte o cumprimento de um dever. Atributiva porque
atribui à outra parte o direito de exigir o cumprimento do dever imposto pela
norma. É por isso que se costuma dizer: o direito de um é o dever do outro.
c) Promoção da justiça: a norma jurídica deve ter como finalidade estabelecer
justiça entre os seres humanos. Justiça é a virtude de dar a cada um o que é seu,
solucionando de modo equilibrado os interesses em conflito.

6
TÓPICO 1 | O DIREITO

7 DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO


O vocábulo Direito possui diferentes conceitos, o que dificulta a sua
definição, porém as mais importantes são as expressões: direito objetivo e direito
subjetivo.

Pinho e Nascimento (2004, p. 28) conceituam o direito objetivo e o direito


subjetivo como:

O direito objetivo – direito norma – é o conjunto dos preceitos


impostos a todos os homens pelas necessidades da manutenção da
ordem social: jus est norma agendi.
O direito subjetivo – direito faculdade – é o poder que tem o homem
de exigir garantias para a realização de seus interesses, quando estes
se conformam com o interesse social. É, segundo a expressão de Von
Ihering, “o interesse juridicamente protegido” – jus est facultas agendi.

No mesmo sentido, podemos observar na obra de Führer (2004, p. 32 e


33), que este define o direito objetivo e direito subjetivo da seguinte forma:

O direito objetivo designa o Direito enquanto regra de ação (norma


agendi), isto é, o conjunto de regras vigentes num determinado
momento, para reger as relações humanas, e que são impostas,
coativamente, à obediência de todos.
O direito subjetivo encerra o poder de ação derivado da norma
(facultas agendi), isto é, a faculdade ou prerrogativa de o indivíduo
invocar a lei na defesa de seu interesse.

Neste contexto observamos, que podemos determinar que a ordem


jurídica assegura o poder de agir contida no Direito. E este Direito deve existir
em favor de alguém, um sujeito de direito.

Os sujeitos de direito são as pessoas naturais (físicas) e jurídicas.

8 FONTES DO DIREITO
Para Führer (2004, p. 41) “a palavra fonte deriva do latim fons, que significa
nascente, designando tudo o que origina ou produz algo”.

Segundo Pinho; Nascimento (2004, p. 39), “fonte é, assim, o lugar de onde


provém alguma coisa”. Assim, as fontes do Direito, são as origens da norma
jurídica.

São quatro as fontes clássicas do Direito:

7
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

A lei.
O costume jurídico.
Fontes do Direito A jurisprudência.
A doutrina jurídica.

As fontes do Direito dividem-se em diretas e indiretas. As diretas são a lei


e o costume. As fontes indiretas são a doutrina e a jurisprudência.

LEI
DIRETAS
COSTUME

FONTES DO DIREITO
DOUTRINA
INDIRETAS
JURISPRUDÊNCIA

8.1 A LEI
Para Pinho e Nascimento (2004, p. 41) “lei é a norma geral e abstrata
emanada do poder competente e provido de força obrigatória”.

Nas palavras de Campos (2005, p. 20), “lei é uma norma jurídica abstrata
e geral expressa por escrito pelo Estado, com criação de direito novo”.

Ainda para os autores Pinho e Nascimento (2004, p. 41), “a força obrigatória


da lei é condição de sua eficácia, pois de nada adiantaria a existência de leis se a
todos fosse permitido resistir ao cumprimento dos seus preceitos”.

8.2 O COSTUME JURÍDICO


O costume é a prática pública e geral, que não faz parte da legislação. É
criado espontaneamente pela sociedade, sendo o resultado de uma prática geral
obrigatória, constante e prolongada.

Nas comunidades primitivas, o costume era a principal fonte do Direito.


Não existiam leis escritas; as normas se fixavam pelo uso repetido de uma regra,
que se transmita oralmente, de geração em geração.

8
TÓPICO 1 | O DIREITO

Nos dias atuais, com exceção de poucos países, o costume deixou de


ser a principal fonte do Direito. Por exemplo, a Inglaterra e os Estados Unidos
se utilizam de um conjunto de normas de direito não escrito, constituindo um
ordenamento jurídico consuetudinário (Common Law). Entretanto, ainda, mantém
seu valor como fonte alternativa ou supletiva, nos casos em que a lei for omissa.
Isto é, na ausência da lei.

Deve-se salientar que, o costume jamais poderá ser aplicado se for


contrário a uma determinação legal. Do ponto de vista legal, somente uma nova
lei pode revogar a lei antiga. Mas, na prática, sabe-se que em nosso país existem
certas leis que não são efetivamente aplicadas, por serem contrárias aos hábitos
tradicionais da comunidade. Ex.: Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que obriga
a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino fundamental e médio, oficiais
e particulares, a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileira.

8.3 A JURISPRUDÊNCIA
Segundo Campos (2005, p. 23), “a jurisprudência é a reiteração de decisões
judiciais num mesmo sentido, é a ’auctoritas rerum jidicatarum similiter’: autoridade
das coisas julgadas da mesma maneira”.

De acordo com Pinho e Nascimento (2004, p. 49), a jurisprudência consiste


no modo pelo qual os tribunais se orientam na solução de diferentes questões,
externadas por meio de sentenças e acórdãos proferidas, de forma colegiada.

8.4 A DOUTRINA JURÍDICA


De acordo com Führer (2004, p. 44), “doutrina deriva do latim doctrina
(ensinar, instruir, mostrar), resultando do trabalho dos estudiosos do Direito
(juristas). É o conjunto sistemático de teorias sobre o Direito elaborado pelos
grandes juristas. A doutrina é produto da reflexão e do estudo que os juristas
desenvolvem sobre o Direito”.

O parecer em comum sobre determinados assuntos, de diversos


especialistas de notório saber jurídico, constitui verdadeiras normas jurídicas que
orientam legisladores, juízes e advogados.

9 RAMOS DO DIREITO
O Direito pode ser dividido em dois ramos básicos: Direito Público
e Direito Privado. Esta famosa classificação do Direito já era, de certa forma,
conhecida na Roma antiga.

Podem-se conceituar esses dois ramos do Direito, basicamente, do


seguinte modo, conforme Campos (2005, p. 6-7):
9
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

• Direito Público é aquele destinado a disciplinar os interesses gerais da


coletividade. Disciplina, em regra, relações jurídicas de subordinação em
que o interesse público seja prevalente e imediato. Ex.: cobrança de impostos,
ação criminal, matéria constitucional etc.
• Direito Privado é aquele que se refere aos interesses dos particulares.
Disciplina, em regra, relações jurídicas de coordenação em que o interesse
privado seja prevalente e imediato. Ex.: locação de bens, cobranças de
dívidas, casamento etc.

Na verdade, não existe uma diferença completamente nítida entre Direito


Público e Direito Privado. Entre os juristas que se dedicam ao tema, há muita
controvérsia sobre os critérios satisfatórios para se eliminar, com exatidão, as
fronteiras entre esses dois ramos.

Agrupando os principais setores do Direito, segundo os ramos do direito


Público e Privado, temos:

FIGURA 1 – OS RAMOS DO DIREITO

FONTE: O autor

10 NOÇÃO GERAL DOS RAMOS DO DIREITO


Segundo Silva (2003, p. 10-12), os ramos do direito podem ser definidos
da seguinte forma:

a) Direito Constitucional: regula a estrutura básica do Estado fixada na


Constituição, que é a lei suprema da Nação.
b) Direito Administrativo: regula a organização e funcionamento da
Administração Pública Federal dos órgãos que executam serviços públicos.
c) Direito Penal: regula os crimes e contravenções determinando as penas e
medidas de segurança.

10
TÓPICO 1 | O DIREITO

d) Direito Tributário: é o setor do Direito Financeiro que se ocupa dos tributos,


como, por exemplo, os impostos e taxas.
e) Direito Processual: regula as atividades do Poder Judiciário e das partes em
conflito no decorrer do processo judicial.
f) Direito Internacional Público: regula as relações entre Estados, por meio de
normas aceitas como obrigatórias pela comunidade internacional.
g) Direito Civil: regula, de um modo geral, o estado e a capacidade das pessoas
e suas relações no que se refere à família, às coisas, às obrigações e à sucessão
patrimonial.
h) Direito Empresarial: regula a atividade do comerciante e das sociedades
comerciais, bem como a prática de atos de comércio.
i) Direito do Trabalho: regula as relações de trabalho entre empregado e
empregador, preocupando-se, ainda, com a condição social dos trabalhadores.
j) Direito Internacional Privado: regula os problemas particulares ocasionados
pelo conflito de leis de diferentes países.

11
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Direito é o conjunto de regras obrigatórias que disciplinam a convivência social


humana.

• Os princípios gerais do Direito são utilizados como elementos de integração


das lacunas jurídicas.

• Norma jurídica é a regra social garantida pelo poder de coerção do estado, cujo
objetivo teórico é a promoção da justiça.

• Norma jurídica é o sinônimo de lei.

• As fontes do Direito são as origens da norma jurídica.

12
AUTOATIVIDADE

1 Diante da análise do elemento coercitivo da lei, podemos afirmar que o


Direito objetivo é:

a) ( ) O conjunto de normas jurídicas de um Estado.


b) ( ) A faculdade de agir.
c) ( ) A ciência do Direito.
d) ( ) O Direito natural.

2 O conjunto de normas jurídicas vigentes em determinado Estado é:

a) ( ) Direito subjetivo.
b) ( ) Direito teórico.
c) ( ) Direito objetivo.
d) ( ) Direito racional.

3 Analisando as fontes do Direito, podemos dizer que o costume é:

a) ( ) É fonte do Direito.
b) ( ) Não é fonte do direito.
c) ( ) É figura desconhecida do direito.
d) ( ) É norma somente moral.

4 As fontes do Direito são definidas como:

a) ( ) Formas de expressão do Direito.


b) ( ) As opiniões que os juristas formam sobre o Direito.
c) ( ) As decisões dos juízes.
d) ( ) As codificações das leis.

5 Dentre as fontes do Direito, a Jurisprudência:

a) ( ) É o modo pelo qual os tribunais se orientam na solução das questões.


b) ( ) É o modo pelo qual os deputados propõem as leis.
c) ( ) É o modo pelo qual o Poder Executivo programa a política de governo.
d) ( ) É a regra geral e abstrata.

13
14
UNIDADE 1
TÓPICO 2

O ESTADO

1 INTRODUÇÃO
O Estado é uma criação humana, cuja finalidade é a manutenção da
coexistência pacífica das pessoas, da manutenção da ordem social, para que todos
os cidadãos possam se desenvolver e garantir-lhes o bem-estar.

O Estado possui a responsabilidade de impor o direito aos seus cidadãos,


visto que é um direito exclusivo a aplicação das penalidades.

Desta forma, pode-se definir o Estado como o exercício de um poder


político, administrativo e jurídico, aplicado dentro de uma área determinada
(território), e sendo aplicado aos residentes em seu domínio.

2 O ESTADO – ORIGEM
Considera-se o Oriente como o berço do Estado, pois não se pode conceber
a existência do homem sem uma organização. No início da humanidade havia
uma feição divinal para a estruturação do Estado, em que o monarca e o rei eram,
ou o próprio deus, ou alguém escolhido por ele.

Neste sentido podemos utilizar a expressão dada por Luís XIV, rei da
França, quando declarou: “O Estado sou eu”.

Modernamente temos o Estado como uma sociedade politicamente


organizada.

3 O ESTADO – CONCEITO
Segundo Campos (2005, p. 30), “o Estado é a organização jurídica soberana
que tem por fim realizar o bem comum de um povo situado em determinado
território”.

A palavra “Estado”, somente, passou a ser empregada tecnicamente como


unidade de soberania, e de organização após a publicação de “O Príncipe”, de
Nicolau Maquiavel.

15
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

O livro “O Príncipe” foi escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, tendo


sido publicado depois de sua morte em 1532. Nele estavam transcritos as suas
reflexões sobre a estruturação do Estado, sobretudo, para que este se fortalecesse,
superando as fragmentações do poder. Esta obra contribuiu para o entendimento
dos fundamentos políticos do mundo moderno, e também contribuindo para a
evolução dos estudos no campo da ciência política.

Segundo Führer (2004, p. 44), o Estado é: “a pessoa jurídica formada


por uma sociedade que vive num determinado território e subordinada a uma
autoridade soberana”.

Assim, pode-se concluir que o Estado é uma sociedade necessária na qual


um governo dotado de soberania exerce seu poder sobre uma população, num
determinado território, onde se cria, executa e aplica seu ordenamento jurídico,
visando ao bem-comum.

Segundo Campos (2005, p. 27), “a Nação é uma sociedade politica,


uma comunidade de regras de sentir de natureza ética, histórica, onde os seus
membros agem de forma comum, e é composta de uma ideia de bem comum e
ordem jurídica e um povo que vive em comunhão”.

ESTADO É A NAÇÃO POLITICAMENTE ORGANIZADA.

4 O ESTADO – FINALIDADE
O Estado foi criado pelo homem com a finalidade de servir ao próprio
homem. Desta maneira, o Estado deve ter como finalidade prestar serviço ao
homem, promovendo o bem-estar geral do povo, melhorando as condições de
vida social.

O Estado possui uma finalidade social, caracterizada pela promoção do


bem comum, permitindo que este se utilize de todos os meios para atender às
necessidade de seus cidadãos.

No âmbito externo, cabe ao Estado defender a sua independência, o seu


território. Na esfera interna, é dever do Estado manter a ordem e distribuir justiça.

A Constituição Federal, de 1988, em seu artigo 3º, define como fundamentos


para o Estado:

16
TÓPICO 2 | O ESTADO

 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa


do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades
sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

5 O ESTADO – OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO ESTADO


Classicamente, o Estado é composto por três elementos básicos do Estado:
povo/população, território e poder soberano.

População: é um conceito demográfico que compreende o conjunto de indivíduo


que compõe o Estado em um determinado momento histórico.
Território: é a área onde o Estado exerce com exclusividade a sua soberania.
Inclui os espaços terrestre, aéreo e aquático. O espaço terrestre compreende o
solo e o subsolo.
Poder soberano/governo: poder que o Estado exerce tanto no sentido vertical
(em relação aos cidadãos, aos particulares), quanto no sentido horizontal (em
relação a outros Estados).

Os estrangeiros são as pessoas de nacionalidade diversa do país onde se


encontram ou vivem, e não podem ser confundidos com o povo, que é o conjunto
mais estrito e se refere apenas aos nacionais (que podem exercer os direitos
políticos).

ESTADO = POPULAÇÃO/POVO + TERRITÓRIO + GOVERNO/SOBERANIA.

6 O ESTADO – FORMAS DE ESTADO E GOVERNO


Segundo Campos (2005, p. 30), “o Estado sob o enfoque da organização, é
uma sociedade política. Assim, o Estado ao buscar a unificação e a harmonia das
ações humanas apresenta-se de formas variadas, porém sempre perquirindo o
bem comum”.

Para Führer (2004, p. 73), o Estado quanto à forma pode ser:

17
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

a) Estado simples ou unitário: É formado por um todo indivisível e soberano


perante o povo e também em relação aos outros Estados (no sentido de País
ou Nação), diante dos quais mantém a sua independência.

b) Estado Composto: São aqueles formados por dois ou mais Estados que se
unem por motivos diversos.

Estado simples ou unitário


Estado – Forma
Estados compostos

Segundo Führer (2004, p. 73), há duas espécies de Estados Compostos: a


Federação e a Confederação:

a) Federação: é formada pela união de várias unidades territoriais (Estados-


membros), que perdem a soberania em favor da União Federal.

b) Confederação: é formada por Estados soberanos, com base em tratados


internacionais, tendo por objetivo defender o território e assegurar a paz
interior, além de outras finalidades que poder ser pactuadas.

Ainda para Führer (2004, p. 74), as formas de Estado, podem ser


exemplificadas através do quadro a seguir:

Simples ou unitário

Federação (os Estados não detêm qualquer Aparcela de


FORMAS DE ESTADO soberania).

Composto Confederação (os Estados-membros


conservam plena soberania).

De acordo com Führer (2004, p. 75), “Governo vem a ser o conjunto de


funções por meio das quais o Estado realiza os seus objetivos”.

Hoje podemos dizer que existem duas formas de governo: monarquia,


onde o rei e o povo governam através do Parlamento e a república, onde o povo
reina e governa por intermédio de seus representantes (Presidente, Diretório ou
Gabinete).

18
TÓPICO 2 | O ESTADO

absoluta
Monarquia
limitada
FORMAS DE GOVERNO
presidencial
República parlamentar
colegiada

O termo república advém do latim res=coisa e pública=povo (coisa do


povo).

7 SISTEMAS/REGIMES DE GOVERNO
O sistema/regime de governo é a forma pela qual o poder político do Estado
é dividido e exercido, que se divide em: presidencialismo e parlamentarismo.

No sistema presidencialista esta separação é declarada através da


harmonia e independência entre os mesmos. (Estados Unidos, Brasil).

No sistema parlamentarista há uma dependência do governo junto ao


Poder Legislativo. (Inglaterra).

UNI

No sistema presidencialista a chefia de governo e a chefia de Estado se


confundem e são exercidas pela mesma pessoa: o presidente. Assim, a figura presidencial
tanto governa efetivamente como representa o Estado junto aos organismos e entes
estrangeiros. No sistema parlamentarista a chefia de Estado é exercida pelo presidente, mas
o governo efetivo é exercido por um Gabinete de Ministros, formado pelo partido majoritário
no Parlamento, liderado pelo Primeiro-Ministro.

Comparativos sobre os sistemas de governo – Presidencialismo e


Parlamentarismo:

19
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE PRESIDENCIALISMO E PARLAMENTARISMO

PRESIDENCIALISMO PARLAMENTARISMO
• O Chefe de Estado (o representante • O Chefe de Estado é o presidente
da nação e o chefe de governo, chefe (ou o rei, nas monarquias) e o chefe de
do poder executivo) confundem-se na governo é o primeiro-ministro.
mesma pessoa. Não é obrigatório que • O Poder Executivo depende da
tenha maioria no Congresso. confiança do Legislativo.
• O Executivo é o poder • A duração dos mandatos é
completamente autônomo com relação flexível. O Legislativo pode depor
ao Legislativo. o gabinete, mediante votação de
• A duração dos mandatos é fixa. moção de censura. Em contrapartida,
• O presidente é legitimado pela o presidente pode dissolver o
votação direta do povo. Parlamento, em casos de impasse.
• O presidente pode vetar leis • O regime é essencialmente
aprovadas pelo Legislativo. representativo. Vale menos a
• Os ministros são meros auxiliares do legitimação direta pelo povo que
presidente e só responsáveis perante as composições políticas obtidas no
ele. Parlamento.
FONTE: Führer (2004, p. 79)

DICAS

O sistema de governo adotado por um Estado não deve ser confundido


com a sua forma de Estado (Estado unitário ou federal) ou com a sua forma de
governo (monarquia, república).

8 REGIMES POLÍTICOS
Conjunto de princípios básicos, instituído pelo Poder Constituinte, que
norteiam a ação política do Estado. É o conjunto de instituições políticas através
das quais o Estado se organiza para exercer o seu poder sobre a sociedade.

Estes conjuntos de instituições podem ser denominados modernamente


como: totalitarismo e democracia

O totalitarismo é caracterizado por um regime político no qual o poder se


concentra em uma única pessoa (comandante supremo).

20
TÓPICO 2 | O ESTADO

Neste tipo de regime não existem instituições políticas


que possam representar qualquer vestígio de democracia.
Estes regimes tiveram seus expoentes entre 1920/1945 na forma
de fascismo na Itália e Espanha, nazismo na Alemanha e estalinismo na URSS.

Podemos dizer que é um regime de governo onde inexiste liberdade


individual e a vida das pessoas se subordina inteiramente à autoridade do
governo.

A democracia pode ser reconhecida através das eleições livres, pela


liberdade de imprensa, pelo respeito dos direitos civis inseridos na Constituição
do Estado, pelas garantias para a oposição e liberdade de organização e expressão
do pensamento político.

Em nossa Constituição Federal de 1988, em seu artigo 1º, parágrafo único,


há a declaração de que o governo exerce seu poder emanado do seu povo e
exercido em seu nome.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união


indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-
se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição.

9 O PODER LEGISLATIVO
Segundo Führer (2004, p. 85), “o Poder Legislativo é o órgão que possui a
atribuição de fazer as leis (legislar)”.

O Poder Legislativo é composto por legisladores. Os legisladores são as


pessoas que elaboram as leis que regulam o Estado e que devem ser obedecidas
pelo povo e pelas empresas públicas ou privadas.

Em países com o sistema de governo presidencialista, o Poder Legislativo é


composto pelo congresso, o parlamento e as assembleias ou câmaras. Em regimes
totalitários, o próprio ditador é quem legisla ou delega este poder a uma câmara
legislativa para isso, porém controlada por ele.

Na esfera da União, o Brasil adota o bicameralismo, composto pelo


Congresso Nacional, que se divide através da Câmara dos Deputados
(representantes do povo) e do Senado Federal (representantes do Estado).

21
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

Esta representatividade encontra-se fundamentada no art. 44 da


Constituição Federal/88. Nas esferas estaduais e municipais vigora o
unicameralismo – Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores.

A Câmara dos Deputados é integrada por representantes do povo, eleitos


pelo sistema proporcional, de acordo com a população de cada Estado, no mínimo
8 deputados e máximo 70 por Estado. Apenas 4 em cada território (art. 45, § 2º
da Constituição Federal/88). O mandato é de 4 anos (art. 44, parágrafo único da
Constituição Federal/88).

O Senado Federal é integrado por representantes dos Estados e do


Distrito Federal, eleitos em número de três para cada Estado e o Distrito Federal
(art. 46, § 1º, da Constituição Federal/88). O mandato é de 8 anos, com renovação
a cada 4 anos, alternadamente, por um e dois terços (art. 46, § 2º, da Constituição
Federal/88).

UNI

TERRITÓRIOS NO BRASIL
Depois da promulgação da Constituição Federal de 1988, o Brasil não possui mais territórios.
Os territórios do Amapá, Rondônia e Roraima, foram transformados em Estados, e o território
de Fernando de Noronha foi incorporado ao estado de Pernambuco.

A atuação da Câmara Federal e do Senado poderá ser de forma separada


ou coordenada, em sessão conjunta e de forma unicameral. Neste prisma, o
Congresso Nacional possui três regimentos: o Regimento do Senado Federal, o
Regimento da Câmara dos Deputados e o Regimento Comum.

10 O PODER EXECUTIVO
O Poder Executivo, no sistema presidencialista é exercido pelo Presidente
da República, já no sistema parlamentarista, o poder é exercido pelo Primeiro
Ministro, sendo ambos auxiliados por seus ministros de Estado.

O  Poder Executivo  tem a função de executar as leis já existentes e de


fazer novas leis segundo a necessidade do Estado e do povo. No Brasil, o poder
executivo é representado, pelo presidente.

O presidente é eleito por voto direto, e somente é eleito por votos


majoritários. Segundo o art. 82 da Constituição Federal/88, o seu mandato é de 4

22
TÓPICO 2 | O ESTADO

anos, podendo ser reeleito, uma única vez, por igual período. São candidatos aptos
ao cargo, maiores de 35 anos, naturais do Brasil e com todas as suas obrigações
políticas regularizadas.

Os Ministros de Estado são escolhidos pelo presidente, entre cidadãos


brasileiros maiores de 21 anos. Estes Ministros têm a função de elaborar e executar
políticas públicas nas suas áreas de atuação.

Ao Presidente da República cabe ainda a escolha do presidente e dos


diretores do Banco Central do Brasil, a escolha do advogado-geral e do procurador-
geral da República. Em caso de improbidade, o presidente pode ser destituído de
seu cargo por meio de um impeachment, e sucedido pelo seu vice-presidente.

UNI

O impeachment do ex-presidente Fernando Collor, ocorreu em 1992, e foi a


primeira vez que um presidente eleito, pelo voto direto teve o seu mandato interrompido
por esta medida. O impeachment de Fernando Collor se deu em decorrência de denúncias
de irregularidades em sua administração envolvendo o seu tesoureiro Paulo César Farias (PC
Farias), e, principalmente, pelo escândalo de seu motorista, Eriberto França, ter declarado
que pagava as contas pessoais do presidente com o dinheiro de uma conta “fantasma”,
mantida por Paulo César Farias. O ex-presidente Fernando Collor renunciou antes de sua
condenação ter sido proclamada pelo Senado Federal. Com este ato, o vice-presidente
Itamar Franco, assumiu a Presidência do Brasil.

O Presidente da República também é responsável por exercer a direção


da administração federal, manter relações e negócios com países estrangeiros,
decretar estado de defesa e estado de sítio, enviar ao Congresso os planos de
governo e planos de investimentos, prestar contas, anualmente, do exercício do
seu cargo, comandar as forças armadas, bem como nomear seus comandantes e
oficiais-generais, tomar diversas decisões a respeito das leis que regem o país,
entre outras atribuições. O presidente é assessorado pelo Conselho da República
e pelo Conselho de Defesa Nacional.

Sobre os Estados Federados (Estados-membros), a Constituição Federal


de 1988, em seus arts. 25 a 28 estabelecem a sua organização e competência.
Nestes artigos restaram estabelecidos que:

a) O poder executivo estadual é exercido pelo Governador de Estado.


b) O mandato do Governador e do Vice-Governador de Estado, é de quatro anos.
c) O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da
representação do Estado na Câmara dos Deputados.

23
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

Para Martins e Passos (1999, p. 61) “os Estados são autônomos, por isso
suas constituições bem como todos os seus atos devem estar de acordo com os
princípios da Constituição Federal”.

Sobre os Municípios, a Constituição Federal de 1988, em seus arts. 29 e 30,


estabelece a sua organização e competência.

Nas palavras de Dower (2002, p. 66):

O Estado-membro é subdividido em Municípios e estes divididos em


Distritos. Com o advento da atual Constituição Federal, os Municípios
passaram a integrar a Federação, sendo unidades territoriais com
autonomia política, administrativa e financeira, limitadas pelos
princípios contidos na Constituição Federal e por aqueles previstos
nas Constituições Estaduais.

Ainda, segundo Dower (2002, p. 66), “o município é governado pelo


Prefeito e pela Câmara de Vereadores, ambos eleitos pelo povo para um período
de quatro anos. O número de vereadores será de acordo com o número de
habitantes de cada cidade”.

Federal Presidente

PODER EXECUTIVO Estadual Governador

Municipal Prefeito

11 O PODER JUDICIÁRIO
Segundo Campos (2005, p. 47), é através do Poder Judiciário que o Estado
exerce a sua função jurisdicional aplicando a lei, através de um processo, por
meio de iniciativa do interessado, mediante a legislação processual, com direito
de apreciação de seu pleito por um juiz imparcial.

O Poder Judiciário tem a função precípua de aplicar as Leis, exercendo o


seu poder de forma imparcial e isenta.

O art. 92, da Constituição Federal do Brasil, estabelece que são os seguintes


os órgãos do Poder Judiciário:

24
TÓPICO 2 | O ESTADO

Art. 92 São órgãos do Poder Judiciário:

a) o Supremo Tribunal Federal;


b) o Conselho Nacional de Justiça;
c) o Superior Tribunal de Justiça;
d) os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
e) os Tribunais e Juízes do Trabalho;
f) os Tribunais e Juízes Eleitorais;
g) os Tribunais e Juízes Militares;
h) os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

11.1 OS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO


• O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

É a mais alta Corte de Justiça do Brasil. Segundo Führer (2004, p. 88),


“o STF é o órgão máximo do Poder Judiciário, com sede na Capital Federal e
jurisdição em todo o território nacional, composto por 11 ministros, entre 35 e
65 anos, com notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados e nomeados
pelo Presidente da República, devendo os mesmos ser aprovados por maioria
absoluta do Senado Federal”.

O art. 102 da Constituição Federal/88 determina a competência do STF


para processar e julgar, entre outras matérias:

a) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-


Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios
Ministros e o Procurador-Geral da República;
b) as infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica;
c) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a
União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território.

• O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

Nas palavras de Novelino (2010, p. 651) o Conselho Nacional de Justiça


é um órgão do Poder Judiciário criado pela Emenda Constitucional nº 45, de 30
de dezembro de 2004, com sede em Brasília, com atuação em todo o território
Nacional.

Para Lenza (2007) tendo como objetivo o aperfeiçoamento do sistema


judiciário brasileiro, sobretudo no que tange ao controle e à transparência
administrativa e processual do Poder Judiciário. Este órgão também promove
o desenvolvimento de ações e projetos destinados a garantir o controle
administrativo e processual, a transparência e o desenvolvimento do Judiciário.

25
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

De acordo com Novelino (2010, p. 652), “A finalidade do CNJ é exercer o


controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, bem como
fiscalizar os juízes no cumprimento de seus deveres funcionais”.

Conforme disposto no art. 103-B, da Constituição Federal do Brasil de


1988, compete ao Conselho Nacional de Justiça:

a) controlar a atuação administrativa e financeira dos demais órgãos do Poder


Judiciário;
b) cobrar o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes;
c) zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da
Magistratura;
d) zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação,
a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do
Poder Judiciário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que
se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem
prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União;
e) receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder
Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos
prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do
poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e
correicional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso
e determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios
ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções
administrativas, assegurada ampla defesa; 
f) representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração
pública ou de abuso de autoridade;
g) manter o bom funcionamento da Justiça brasileira, controlando a atuação
administrativa e financeira do Poder Judiciário, além de garantir que os
juízes cumpram as atribuições a eles conferidas, garantindo agilidade e
transparência em suas atividades.

• O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Segundo Führer (2004, p. 89), o STJ possui a sua sede em Brasília (DF),
com jurisdição em todo o território nacional, composto por 33 ministros, entre 35
e 65 anos, com notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados e nomeados
pelo Presidente da República, devendo ser aprovados por maioria absoluta do
Senado Federal.

O art. 105 da Constituição Federal/88 determina a competência do STJ


para processar e julgar, entre outras matérias:

26
TÓPICO 2 | O ESTADO

a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito


Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos
Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos
Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais
Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho,
os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e
os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais;
b) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de executar
as cartas rogatórias; 
c) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal.

• OS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E JUÍZES FEDERAIS

No entendimento de Campos (2005, p. 52), “a Justiça Federal tem


jurisdição especial para dirimir as questões que versem sobre as matérias civis e
criminais, e que envolvam o interesse da União, conforme o disposto no art. 109
da Constituição Federal”.

Para Führer (2004, p. 89) “os Tribunais Regionais Federais funcionam


como instância recursal às decisões proferidas pelos juízes federais e pelos juízes
estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição”.

Os Tribunais Regionais Federais são compostos por pelo menos sete


juízes, nomeados pelo Presidente da República.

Tem jurisdição especial, sendo dividida em Seções Judiciárias que


equivalem às Comarcas na Justiça Estadual, sendo organizada em regiões.

Circunscrições:
a) que são reuniões de comarcas;
b) comarcas – sede de um ou mais juízos (varas);
c) Distritos – bairros, cidades, vilas e varas distritais.

• OS TRIBUNAIS E JUÍZES DO TRABALHO

Segundo Führer (2004, p. 89):

Compete à Justiça do Trabalho, conciliar e julgar os dissídios


individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores, e, na
forma da lei, outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho,
bem como os litígios que tenham origem no cumprimento de suas
próprias sentenças, inclusive coletivas. (CF, art. 114).

A Justiça do Trabalho é formada pelo Tribunal pelo Tribunal Superior do


Trabalho, Tribunais Regionais do Trabalho e Varas do Trabalho.

Os Órgãos da Justiça do Trabalho são:

27
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

a) Varas do Trabalho.
b) Tribunal Regional do Trabalho.
c) Tribunal Superior do Trabalho.

• OS TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS

Nas palavras de Führer (2004, p. 89), a Justiça Eleitoral, é composta pelo


Tribunal Superior Eleitoral, Tribunais Regionais Eleitorais e Juntas Eleitorais.

Para Campos (2005, p. 55), compete à Justiça Eleitoral decidir sobre as


questões de registro e cassação de registro de partidos políticos, a divisão eleitoral
do país, o alistamento eleitoral, a fixação da data das eleições, processamento e
apuração das eleições, processo e julgamento de crimes eleitorais, e a declaração
de perda de mandato de senadores, deputados e vereadores.

A Justiça Eleitoral é exercida por Juízes de Direito nomeados pelo TRE de


cada Estado para Jurisdição eleitoral, respondendo por uma zona eleitoral, que
é a menor unidade de jurisdição dessa justiça especializada. Esta zona eleitoral
pode compreender mais de um município, ou um município compreender mais
de uma zona, o que é determinado conforme a quantidade de eleitores.

Os Tribunais Regionais Eleitorais são responsáveis pela coordenação


e estruturação das atividades da Justiça Eleitoral, e respondem pelas eleições
para os cargos eletivos, envolvendo os cargos de governador e vice-governador,
senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

Os Tribunais Regionais Eleitorais são compostos da seguinte forma:

a) Dois juízes eleitos por voto secreto dentre os desembargadores do Tribunal de


Justiça.
b) Dois juízes eleitos por voto secreto dentre os Juízes de Direito, escolhidos pelo
Tribunal de Justiça.
c) Um juiz do Tribunal Regional Federal ou um Juiz Federal escolhido pelo
Tribunal Regional Federal.
d) Dois juízes nomeados pelo Presidente da República, dentre seis advogados
indicados pelo Tribunal de Justiça, de notável saber jurídico e idoneidade
moral.

O Tribunal Superior Eleitoral coordena toda a Justiça Eleitoral brasileira e


é responsável pelas eleições presidenciais, que envolve os cargos de presidente e
vice-presidente da república.

O Tribunal Superior Eleitoral tem sede na Capital Federal, Brasília, sendo


composto de, no mínimo, sete membros.

28
TÓPICO 2 | O ESTADO

O Tribunal Superior Eleitoral é composto:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:


a) três juízes dentre os ministros do Supremo Tribunal Federal – STF;
b) dois juízes dentre os ministros do Superior Tribunal de Justiça – STJ;
II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis
advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados
pelo Supremo Tribunal Federal – STF.

• OS TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES

Para Führer (2004, p. 90) “a Justiça Militar é o foro especial, constituída.


A Justiça Militar é responsável pela aplicação da lei à categoria dos militares
federais e estaduais, de acordo com a legislação específica”.

Para Novelino (2010, p. 690) a Justiça Militar da União está dividida em:

a) Justiça Militar da União: se restringe ao processo e julgamento dos crimes


militares definidos em lei (art. 124, da CF/88) – militares federais como do
Exército, da Marinha, e da Aeronáutica –, não abrangendo as matérias de
natureza civil ou disciplinar.

b) Justiça Militar Estadual: são definidas pelas Constituições Estaduais, – e são


especializadas na aplicação da lei aos policiais militares e bombeiros militares
nos crimes e infrações previstos em lei. Fica ressalvada a competência do júri
popular quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir
sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

Conforme o disposto na Lei nº 9.299 de 7 de agosto de 1996, os crimes


dolosos contra a vida, serão julgados pela justiça comum. Ex.: quando um policial
mata alguém intencionalmente (dolo) ele será julgado pela Justiça Comum,
através do tribunal do júri, que é composto por civis e não por outros militares.

Segundo Novelino (2010, p. 690), “os crimes militares praticados em tempo


de paz ou em tempo de guerra estão definidos no Código Penal Militar (Decreto
Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969), além das leis, estatutos e regulamentos
específicos de cada categoria militar”. 

Ainda para Novelino (2010, p. 689), o Superior Tribunal Militar é o órgão


de cúpula da Justiça Militar  do Brasil composto de quinze ministros vitalícios,
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovados pelo Senado
Federal, sendo dez militares e cinco civis.

Conforme Novelino (2010, p. 689), a composição do Superior Tribunal


Militar será da seguinte forma:

29
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

a) Ministros Militares: i) três são escolhidas dentre oficiais-generais da Marinha;


ii) quatro dentre oficiais-generais do Exército; iii) três dentre oficiais-generais
da Aeronáutica – todos da ativa e do posto mais elevado da carreira. (art. 123,
da CF/88).

b) Ministros Civis: serão escolhidos pelo Presidente da República dentre


brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo: i) três dentre advogados
de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional; ii) dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e
membros do Ministério Público Militar. (art. 123, parágrafo único da CF/88).

O Superior Tribunal Militar tem por competência processar e julgar os


crimes militares definidos em lei, conforme Art. 123 da Constituição Federal.

• OS TRIBUNAIS E JUÍZES DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL

Para Campos (2005, p. 48), a Constituição Federal transfere a cada Estado-


membro a administração e organização de sua justiça.

A função da Justiça estadual é processar e julgar qualquer causa que não


esteja sujeita à Justiça Federal comum, do Trabalho, Eleitoral e Militar.

A Justiça Estadual está dividida em:

a) Circunscrições – que são reuniões de comarcas;


b) Comarcas – sede de um ou mais juízos (varas);
c) Distritos – bairros, cidades, vilas e varas distritais.

A Justiça Estadual está composta por duas instâncias, os juízes de primeiro


grau (nas Varas – primeira instância) e os desembargadores (no Tribunal de
Justiça – segunda instância).

A Constituição Federal determina as competências dos Tribunais de


Justiça – revisar as decisões dos juízes e, em primeiro grau, julgar determinadas
ações em face de determinadas pessoas.

O STF e o STJ têm poder sobre a justiça comum federal e estadual.

O Tribunal do Júri é o único órgão judicial com participação popular. Neste


tribunal, o povo encontra-se representado pelos sete jurados, que efetivamente
julgam os seus semelhantes nos crimes contra a vida (homicídio, infanticídio,
aborto, instigação e auxílio ao suicídio). A sessão do júri é presidida pelo Juiz
de Direito, que se limita, a fixar a pena em caso de condenação, ou a declarar a
absolvição. A decisão sobre a absolvição ou condenação do réu é exclusiva dos
jurados.

30
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• O Estado é a nação politicamente organizada.

• O Estado é composto por três elementos básicos: povo/população, território e


poder soberano.

• Quanto à forma de Estado, pode ser: simples ou composto.

• Quanto à forma de Governo, pode ser: monarquia ou república.

• O Sistema/Regime de Governo pode ser: presidencialista ou parlamentarista.

• O sistema de governo adotado por um Estado não deve ser confundido com
a sua  forma de Estado  (Estado unitário  ou  federal) ou com a sua  forma de
governo (monarquia, república).

• Os regimes políticos do Estado podem ser: totalitários ou democráticos.

• Os poderes do Estado estão divididos em: Executivo, Legislativo e Judiciário.

• Os poderes: Executivo, Legislativo, divide-se em: Federal, Estadual e Municipal.

• O Poder Judiciário divide-se em: Federal e Estadual.

31
AUTOATIVIDADE

1 Os elementos essenciais do Estado são:

a) ( ) Independência, liberdade interna e filiação à ONU.


b) ( ) Democracia, território, massa e povo.
c) ( ) População, território, governo e soberania.
d) ( ) Democracia, soberania, elites e território.

2 Ao analisarmos a importância da soberania para a constituição do Estado,


podemos afirmar que a Soberania:

a) ( ) É um elemento essencial do Estado.


b) ( ) Não é um elemento essencial do Estado.
c) ( ) É uma forma de governo.
d) ( ) É incompatível com a democracia.

3 Em decorrência da análise dos elementos essenciais do Estado, podemos


dizer que sem a presença de um território:

a) ( ) É impossível a existência do Estado.


b) ( ) É possível a existência do Estado.
c) ( ) É possível a existência do Estado federal.
d) ( ) É impossível a existência do Estado unitário.

32
UNIDADE 1
TÓPICO 3

DIREITO CONSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Para Poletti (2010, p. 285), o Direito Constitucional é a base de todo o
direito público, representando um grande limitador dos poderes do Estado. O
Direito Constitucional pode ser determinado como um conjunto de normas e
princípios estruturais do Estado, determinando às funções de seus órgãos e as
relações entre o próprio Estado e os particulares, determinando também o regime
político e a forma de governo.

2 DIREITO CONSTITUCIONAL: CONCEITO


O Direito Constitucional pertence ao ramo do Direito Público.

Segundo Führer (2004, p. 67),

É o ramo do direito público interno que disciplina a organização do


Estado, define e limita a competência de seus poderes, suas atividades
e suas relações com os indivíduos, aos quais atribui e assegura direitos
fundamentais de ordem pessoal e social.

3 DIREITO CONSTITUCIONAL: CONCEITO DE


CONSTITUIÇÃO
Führer (2004, p. 68), conceitua a Constituição como “um conjunto de
normas, escritas ou costumeiras, que regem a organização política de um país.”
A Constituição é a lei máxima e fundamental do Estado, que tem o objetivo
primordial, a estruturação e delimitação do poder político e garantir os direitos e
garantias fundamentais de seu povo.

CONSTITUIÇÃO: É a declaração da vontade política de um povo,


manifestada por meio de seus representantes.

33
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

4 DIREITO CONSTITUCIONAL: ESPÉCIES DE CONSTITUIÇÃO


As constituições podem ser classificadas segundo a sua forma, a sua
origem e a sua consistência:

Escritas: quando são expressas em leis escritas.

Quanto à forma:
Costumeiras: quando provêm de práticas constantes,
consagradas pelo uso e pela tradição histórica.

Dogmáticas/promulgadas ou votadas: quando


elaboradas por uma Assembleia Constituinte, composta
por representantes do povo.
Quanto à origem:

Outorgadas: quando impostas pelo Chefe do Estado, sem


a devida consulta prévia ao povo.

Rígidas: quando não podem ser alteradas com


facilidade.

Quanto à consistência:
Flexíveis: quando podem ser alteradas com relativa
facilidade.

5 A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA
Nossa constituição é escrita, rígida e promulgada, é a lei fundamental e
suprema do Estado brasileiro. Por consequência, todas as normas que integram a
ordenação jurídica nacional devem se conformar com as normas da Constituição
Federal.

34
TÓPICO 3 | DIREITO CONSTITUCIONAL

6 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS


Os direitos e garantias fundamentais contemplados em nossa
Constituição Federal de 1988 referem-se a um grupo de prerrogativas que visa ao
estabelecimento de direitos, garantias e deveres aos cidadãos brasileiros.

Estes dispositivos determinam as noções basilares e essenciais que


regulam a vida social, política e jurídica de todo o cidadão brasileiro.

Os direitos e garantias fundamentais encontram-se regulados entre os


artigos 5º ao 17º da Constituição Federal de1988.

Entre os direitos e garantias previstos na Constituição Federal, podemos


destacar alguns:

a) Igualdade: Todas as pessoas são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza. Os brasileiros e os estrangeiros residentes no país têm a
garantia de proteção ao direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade.
b) Igualdade de gênero: Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.
c) Princípio da legalidade: Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei.
d) Integridade: Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano
ou degradante.
e) Liberdade de opinião e expressão: É livre a manifestação do pensamento e
a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença, sendo vedado o anonimato.
f) Liberdade e assistência religiosa: É garantida a liberdade de consciência e
de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e mantida,
na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. É assegurada,
nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e
militares de internação coletiva.
g) Direito à intimidade e à inviolabilidade do domicílio: São protegidas a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. A casa é abrigo
inviolável do indivíduo; ninguém pode nela penetrar sem consentimento
do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
h) Sigilo das comunicações: É inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, exceto, no último caso,
por ordem judicial.
i) Liberdade de informação: É assegurado a todos o acesso à informação,
resguardando-se o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.
j) Direito de reunião e associação: Todos podem reunir-se pacificamente,
sem armas, em locais abertos ao público. É plena a liberdade de associação
para fins lícitos. Ninguém pode ser obrigado a associar-se ou a permanecer
associado.

35
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

k) Direito de propriedade: É garantido o direito de propriedade, que atenda


à sua função social. A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação
por necessidade ou utilidade pública, mediante justa e prévia indenização.
l) Racismo: Constitui crime inafiançável e imprescritível.

7 DIREITO CONSTITUCIONAL: O PODER CONSTITUINTE


De acordo com Führer (2004, p. 69), o Poder Constituinte “É aquele
que tem por missão traçar as regras jurídicas fundamentais da Nação, que se
consubstanciam num documento chamado Constituição”.

O Poder Constituinte é formado por representantes do povo, eleitos com


poderes e mandato específico para editar uma nova Constituição.

Terminando-se os trabalhos de confecção de uma nova Constituição e


após a mesma ser votada, este poder é extinto.

O Poder Constituinte poderá ser o originário (quando edita Constituição


nova em substituição à Constituição anterior) ou o derivado – quando se destina
à revisão da Constituição, modificando parcialmente o seu texto.

Originário

PODER CONSTITUINTE

Derivado

8 DIREITO CONSTITUCIONAL: O CONTROLE DE


CONSTITUCIONALIDADE
O controle de constitucionalidade serve para assegurar a supremacia da
Constituição.

As normas contidas na Constituição Federal possuem um nível máximo


de eficácia, obrigando a todos as normas inferiores a sua compatibilização. Se a
norma infraconstitucional não for compatível, esta será declarada nula.

Toda lei que, no todo ou em parte, contrarie ou transgrida um preceito


da Constituição, diz-se inconstitucional, tem um vício que a anula e deve ser
declarada pelo poder competente, que é o Judiciário.

36
TÓPICO 3 | DIREITO CONSTITUCIONAL

O controle da constitucionalidade é realizado de forma rotineira pelo


Poder Judiciário. O juiz, ao examinar um caso, deve atender à hierarquia das leis,
afastando naturalmente a norma que estiver em desacordo com a Constituição.

Conforme Führer (2004, p. 70), “A suspensão da execução de leis, declaradas


inconstitucionais pelo Judiciário, é de competência privativa do Senado Federal
(art. 52, X, da Constituição Federal)”.

9 DIREITO CONSTITUCIONAL: CIÊNCIA E TECNOLOGIA


É dever do Estado a promoção e o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, conforme a previsão do art. 218, da Constituição Federal de 1988, e ainda
como atividade individual, a Constituição Federal, em seu art. 5º, IX, estabelece
como direitos e garantias fundamentais do cidadão o seu desenvolvimento.

Para Carvalho (2008, p.1264), a ciência, mencionada na Constituição,


possui um sentido genérico, referindo-se a todas elas, como conhecimento
sistematizado, considerando que, sem os investimentos nas áreas científica e
tecnológica não há como ser estimulado o desenvolvimento do país.

Neste sentido, a Constituição de 1988 estabeleceu também que a Ciência,


a Tecnologia e a Inovação se tornaram fatores-chave para o crescimento do país,
reconhecendo a importância de serem realizados grandes investimentos nessas
áreas como forma de desenvolvimento da nação.

Para Moraes (2002, p. 1984), a Constituição Federal de 1988, em seu art.


218, prevê duas espécies de pesquisas:

a) Científica: que receberá tratamento prioritário do Governo, em face do bem


público e o progresso das ciências.
b) Tecnológica: com ênfase na solução de problemas brasileiros para o
desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional.

A nossa Constituição Federal em seu art. 218, prevê ainda que:

a) A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo


em vista o bem público e o progresso das ciências.
b) A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos
problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional
e regional.
c) O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência,
pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições
especiais de trabalho.

37
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

d) A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de


tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos
humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao
empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos
resultantes da produtividade de seu trabalho.
e) É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita
orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica
e tecnológica.

O Estado promove o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, através


do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que é responsável pela
formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e Tecnologia. A área
de competência deste Ministério abriga o patrimônio científico e tecnológico e
seu desenvolvimento, a política de cooperação e intercâmbio concernente a esse
patrimônio, a definição da Política Nacional de Ciência e Tecnologia, a coordenação
de políticas setoriais, a política nacional de pesquisa, desenvolvimento, produção
e aplicação de novos materiais e serviços de alta tecnologia.

38
TÓPICO 3 | DIREITO CONSTITUCIONAL

LEITURA COMPLEMENTAR

O QUE É DIREITO?

Vandeler Ferreira da Silva

O termo  direito  provém da palavra latina  directum, que significa reto,


no sentido retidão, o certo, o correto, o mais adequado. A definição nominal
etimológica de Direito é “qualidade daquilo que é regra”. Da antiguidade chega
a famosa e sintética definição de Celso: “Direito é a arte do bom e do equitativo”.
Na Idade Média se tem a definição concebida por Dante Alighieri: “Direito é a
proporção real e pessoal de homem para homem que, conservada, conserva a
sociedade e que, destruída, a destrói”. Numa perspectiva de Kant: ”Direito é o
conjunto de condições, segundo as quais, o arbítrio de cada um pode coexistir
com o arbítrio dos outros de acordo com uma lei geral de liberdade”.

Nessa linha de compreensão, o direito seria conceitualmente o que é mais


adequado para o indivíduo tendo presente que, vivendo em sociedade, tal direito
deve compreender fundamentalmente o interesse da coletividade. Daí surge a
grande discussão que se trava ao longo dos tempos, o que obriga que os conceitos
do certo ou errado, do direito e do não direito se adaptem às novas realidades
geográficas, religiosas, humanísticas e históricas, para descrever apenas algumas
questões que interferem na evolução e adequação do direito a ser aplicado.

Na verdade, o direito, na sua essência é um conceito em constante


mutação, até porque enraizado e consequente da própria condição humana, que
necessita de ajuste e adequação diuturnamente, seja com relação a seu  habitat,
aos critérios e normas de convivência, bem como às novas realidades construídas
pelos grupamentos humanos e a própria evolução do conhecimento científico e
tecnológico.

Desde a formação dos primeiros grupos gregários surgiu a necessidade


dos regramentos de convivência, mesmo que de forma esparsa e sem muitas
formalidades. Até na comunicação primária, entre dois seres humanos, não se
deve prescindir de uma informal padronização, objetivando uma convivência em
moldes relativamente civilizados e sem maiores embates. E aqui não se fala do
que é certo ou errado em sentido absoluto, porque conforme dito anteriormente,
tais conceitos são mutantes de acordo com os grupos humanos que se associam
em comunidades.

Na medida em que o contingente populacional de determinados grupos


sociais cresceu em número de habitantes, aglutinações de grupos ocorreram e,
por consequência, maior a necessidade de uma sistematização do direito, com
o objetivo de que houvesse compreensão coletiva daquilo que o grupo desejava
para si, mesmo que fosse por imposição de uma vontade individual, mas que
aceita pelo coletivo.

39
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

Os grandes pensadores, dentre eles Rousseau, Platão,  Montesquieu,


Sócrates,  Karl Marx,  Max Weber  e tantos “filósofos e estudiosos”, nas suas
respectivas épocas, traduziram bem a preocupação de que o ser humano poderia
carregar em seu âmago, um instinto egoístico que obrigaria as comunidades e os
núcleos sociais estabelecerem critérios de convivência, que inibissem a atuação
individual em detrimento dos direitos coletivos.

É importante destacar dois tipos de direito de uma forma geral: o direito


natural e o direito positivo. O primeiro se refere àquele direito que nasce com o
próprio homem independente de regramento quanto a sua utilização, enquanto o
segundo, denominado direito positivo, de uma forma singela pode ser chamado
de direito regrado, criado e escrito pelos homens, através de normativos e
legislação que indicam e individualizam as situações e preceitos a serem seguidos
ou cumpridos.

Durante milênios da história humana, o direito compreendido como


forma de conduta, mesmo nas rudimentares culturas, serviu como anteparo de
eventuais litígios, que poderiam surgir não havendo um mínimo de padrão de
conduta. As regras e o direito no sentido amplo foram modificados, inclusive
através da força bruta, quando se impunham novos padrões aos vencidos, nas
questões não resolvidas de forma amigável.

As fontes do direito são fundamentais na construção do direito positivo:


o direito escrito e interpretado que rege as relações humanas na atualidade.
As principais fontes são as leis, os costumes, a doutrina e a jurisprudência dos
tribunais. Sendo que o costume é caracterizado quando existe a reiteração de uma
conduta na convicção da mesma ser obrigatória, a doutrina é construída pelos
estudiosos da área jurídica quando da interpretação do direito, e a jurisprudência
é o resultado de decisões judiciais no mesmo sentido, que resultam em novos
entendimentos e compreensões do direito.

Cabe aqui uma ressalva porque nem sempre o direito chamado objetivo ou
constituído em normas, reflete a vontade de uma maioria populacional. Há que se
considerar quais os responsáveis pelas diretivas e imposição das normas a serem
aplicadas a todos. Temos situações de Estado formado de maneira teocrática,
o que resulta no estabelecimento de regras numa conjuntura que privilegia os
entes religiosos. Existem também as monarquias, os impérios e outros sistemas
totalitários de governo, que entendem que as leis que regem o direito daquelas
sociedades devem ser normas que atendam aos anseios desses sistemas mesmo
com algum prejuízo aos direitos individuais de seus cidadãos. Assim, mesmo
que se compreenda como desejável determinada estruturação de uma sociedade,
onde haja efetivo equilíbrio de forças entre o direito coletivo e o individual, é
certo que nem sempre assim ocorre.

40
TÓPICO 3 | DIREITO CONSTITUCIONAL

Na atualidade, de forma imposta ou democrática, os parâmetros do direito


para determinada coletividade, desde os mínimos grupamentos, tais como clubes
e condomínios, até os Municípios, Estados, Países, Organizações Internacionais,
são norteados por leis, convenções, tratados ou outra forma de pactuação que se
ajusta para convivência.

Ressalte-se que a lei ou qualquer outro normativo, deve estar dentro de um


contexto hierárquico, isto porque é preciso que se compreenda que determinadas
leis superiores não podem subordinar-se a leis menores. Assim, no caso do Brasil,
as leis ou tratados internacionais não podem interferir na soberania do nosso país,
o que quer dizer que eles podem ser aplicados no Brasil, desde que atendidos
os critérios nacionais de incorporação do normativo internacional, e desde que
não se contraponha aos normativos brasileiros, em especial a nossa Constituição
Federal.

Os principais normativos, que regem o direito positivo ou escrito no Brasil,


são Tratados, Convencionais Internacionais, Constituição Federal, Constituições
Estaduais, Leis Complementares, Leis Federais, Estaduais e Municipais, além
das Medidas Provisórias Federais, que possuem um caráter de excepcionalidade,
objetivando uma normatização emergencial.

Enfim, o direito é aquilo que uma sociedade ou grupamento social


compreende como ideal de retidão e correto para a sua coletividade. A forma
concreta de estabelecer os parâmetros da convivência social se materializa no
conjunto de leis e normativos, respeitada a hierarquia das leis, exatamente para
evitar que direitos de maior abrangência não sejam suplantados por direitos e
regramentos inferiores.

Diante da diversidade de questões e litígios a serem enfrentados pelo


homem contemporâneo, fruto da criação ao longo da história, e mais recentemente
em razão dos grandes avanços do conhecimento, tornou-se necessário uma
abordagem do direito de forma mais especializada. Assim, temos diversas
vertentes de aplicabilidade do direito, com suas especificidades. Apenas para
enumerar algumas vertentes, podem citar:  Direito Civil,  Direito do Trabalho,
Direito de Família, Direito Penal, Direito Marítimo,  Direito Tributário, Direito
Imobiliário, Direito do Consumidor.

Somente no Brasil temos mais de 20 ramos ou especializações do direito,


com a forte tendência de que as áreas se multipliquem, requerendo ainda mais
profissionais capacitados para atender aos novos nichos de demanda. Estes
profissionais não são apenas o  advogado, o  juiz, o promotor, mas também
profissionais técnicos (contadores, biólogos, peritos…) que auxiliem os agentes
jurídicos a dirimirem com maior exatidão e justiça os conflitos sociais.

41
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DO DIREITO

REFERÊNCIAS

CURY, Vera de Arruda Rozo. Introdução à formação jurídica no Brasil.


Campinas. EDICAMP, 2002.

FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica,


decisão, dominação. 4ª ed. São Paulo. Atlas, 2003.

FILARDI LUIZ, Antonio. Curso de Direito Romano. São Paulo: Atlas, 1999.

FUHRER, Maximilianus Cláudio Américo. Resumo de Direito Civil. São Paulo.


Malheiros, 2004.

GUIMARAES, Deocleciano Torrieri; MIRANDA, Sandra Julien. Dicionário


Jurídico. São Paulo. Rideel, 2000.

MILHOMENS, Jônatas, ALVES, G. Magela. Manual Prático do Advogado. Rio


de Janeiro: Forense, 2003.

PINHO, Ruy Rebello; NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Instituições de Direito


Público e Privado. São Paulo: Atlas, 1988.

SILVA, Ovídio Araújo, GOMES, Fábio. Teoria Geral do processo Civil. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/direito/o-que-e-direito>. Acesso em: 10


set. 2012.

42
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• A Constituição é a declaração da vontade política de um povo, manifestada


por meio de seus representantes.

• A nossa Constituição Federal/88 é escrita, rígida e promulgada.

• O Poder Constituinte poderá ser o originário ou derivado.

• O Poder Constituinte é formado por representantes do povo, eleitos com


poderes e mandato específico para editar uma nova Constituição.

• O controle de constitucionalidade serve para assegurar a supremacia da


Constituição.

• Que o investimento em Ciência e Tecnologia no Brasil é uma previsão


Constitucional (art. 218, da CF/88), sendo um dever do Estado, pois estes setores
tornaram-se fatores-chave para o crescimento do país e para o desenvolvimento
da nação.

43
AUTOATIVIDADE

1 De acordo a análise sobre os ramos do Direito, podemos dizer que o Direito


Público:

a) ( ) Versa sobre interesses imediatos do Estado.


b) ( ) Versa sobre interesses imediatos dos particulares.
c) ( ) Trata de questões agrárias.
d) ( ) É o costume.

2 Como o Direito Constitucional é de interesse do Estado, podemos afirmar


que ele é:

a) ( ) Um ramo do Direito Público.


b) ( ) Um ramo do Direito Privado.
c) ( ) Um ramo do Direito Internacional.
d) ( ) Um ramo do Direito Comercial.

3 Podemos afirmar que o Direito Constitucional:

a) ( ) Cuida da estrutura do Estado, mas não da forma do Governo.


b) ( ) Cuida da estrutura do Estado e da forma de Governo.
c) ( ) Cuida dos direitos individuais e da forma de Governo.
d) ( ) Cuida da estrutura do Estado, da forma de Governo e dos direitos
individuais.

4 A redução das desigualdades sociais é posta no texto constitucional como:

a) ( ) Princípio regente da República Federativa do Brasil.


b) ( ) Objetivo fundamental da República Federativa do Brasil.
c) ( ) Fundamento da República Federativa do Brasil.
d) ( ) Princípio prioritário da República Federativa do Brasil.

44
UNIDADE 2

LEGISLAÇÃO CIVIL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade, você será capaz de compreender:

• identificar os direitos e deveres inerentes às pessoas físicas e jurídicas, tan-


to as de Direito Público como as de Direito Privado;

• compreender os reflexos dos atos praticados por seus agentes, bem como
as implicações das modalidades da culpa;

• conhecer os diferentes tipos de sociedades empresariais, identificar as di-


ferentes formas de estruturação destas sociedades e as suas relações jurí-
dicas;

• reconhecer os diferentes tipos de títulos de crédito e identificar os seus


diferentes tipos de uso e aplicações;

• propiciar ao acadêmico reconhecer e compreender os elementos conceitu-


ais do Direito do Consumidor, bem como, compreender a importância dos
Direitos do Consumidor no Direito Brasileiro, bem como os seus reflexos
nas relações de consumo.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em quatro tópicos e no final de cada um deles,
você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.

TÓPICO 1 – DIREITO CIVIL

TÓPICO 2 – DIREITO EMPRESARIAL

TÓPICO 3 – TÍTULOS DE CRÉDITO

TÓPICO 4 – DIREITO DO CONSUMIDOR

45
46
UNIDADE 2
TÓPICO 1

DIREITO CIVIL

1 INTRODUÇÃO
O Direito Civil brasileiro fundamenta a sua lógica e praticidade do Direito
romano. Não se pode negar também a influência do Direito germânico sobre
nosso instituto civil.

O Direito Civil brasileiro têm seus fundamentos, no Direito português,


através das Ordenações Afonsinas que vigoraram a partir de 1446, de Afonso V;
depois as Manuelinas, a partir de 1512, ordenadas por D. Manoel, o Venturoso; e
as Ordenações Filipinas, a partir de 1603, de D. Filipe II, a partir de 1603. Depois
da Independência em 1822, o Brasil passou a legislar autonomamente. Em 1916,
foi promulgado o primeiro Código Civil Brasileiro, que vigorou até 2003, quando
entrou em vigor o Novo Código Civil Brasileiro.

O Direito Civil regulamenta as relações jurídicas das pessoas físicas e


jurídicas, tanto em sua esfera familiar, como para regular as obrigações advindas
dos negócios jurídicos, dos contratos e para regular os fatos alheios à vontade
humana.

O Código Civil Brasileiro possui uma Lei de Introdução ao Código Civil,


regulamentado pelo  Decreto-Lei no 4.657, de 4 de setembro de 1942, e alterado
pela Lei nº 12.376, de 30 de dezembro de 2010, que alterou o seu campo de
aplicação, passando a ter a denominação de Lei de Introdução às normas do
Direito Brasileiro.

A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro contém um


conjunto de regulamentações sobre a vigência, a validade, a eficácia, a aplicação,
a interpretação e a revogação de normas no direito brasileiro. Esta lei também
estabelece conceitos como o  ato jurídico perfeito, a  coisa julgada  e o  direito
adquirido. Este instituto determina a  irretroatividade  das leis como regra no
ordenamento jurídico brasileiro.

2 DIREITO CIVIL – CONCEITOS


Direito Civil, segundo Campos (2005, p. 85), “é um ramo do Direito
Privado. Trata-se de um conjunto de normas jurídicas que regula as relações
entre as pessoas e entre estas os seus bens”.

47
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Podemos qualificar que estas relações podem atingir as esferas de


relacionamentos pessoais e profissionais das pessoas físicas e também as
empresariais das pessoas jurídicas. É um fenômeno da rotina cotidiana, que
encontramos a todo o momento e a toda parte.

Segundo Farias (2004, p. 42), Direito Civil “É o ramo do direito privado


tendente a reger as relações humanas. Enfim, é o direito comum a todas as pessoas,
disciplinando o seu modo de ser e de agir. É, pois, o direito da vida do homem”.

Neste sentido, podemos acolher também o conceito de Direito Civil


emitido por Führer e Milaré (2004, p. 223), que asseveraram: “Direito Civil é um
conjunto de normas que regulamentam as relações jurídicas das pessoas entre si”.

Assim, é possível ainda qualificar o Direito Civil como um ramo (divisão)


do Direito que regula o estado e a capacidade das pessoas e suas relações jurídicas
referentes à família, às coisas, às obrigações e à sucessão patrimonial.

E ainda, de acordo com Farias (2004, p. 42 apud AMARAL, 2000, p. 105),


Direito Civil “é o conjunto de princípios e normas que disciplinam as relações
jurídicas comuns de natureza privada. É o direito privado comum, geral ou
ordinário. De modo analítico é direito que regula a pessoa na sua existência e
atividade, a família e o patrimônio”.

O Direito Civil, conforme Farias (2004, p. 53), fundamenta-se nos seguintes


princípios:

a) A personalidade – Todo ser humano é capaz de titularizar


obrigações e direitos.
b) A autonomia da vontade – Permite que as pessoas pratiquem ou se
abstenham de realizar os atos que tiverem vontade.
c) A liberdade de estipulação negocial ou a autonomia privada – As
pessoas possuem a liberdade de negociar o que quiserem, desde que
não ajam contra a lei.
d) A propriedade individual – Possibilidade de constituir patrimônio;
e) A intangibilidade familiar – O equilíbrio entre a proteção da família
e a dignidade da pessoa humana, constituindo-se a família na célula-
mater da sociedade e expressão imediata do ser.
f) A legitimidade da herança e direito de testar – Decorrentes do
poder sobre os bens.
g) A solidariedade social – Concilia as exigências coletivas com
interesses particulares.

O Código Civil Brasileiro divide-se em duas partes:


a) Geral – discorre sobre as pessoas naturais e jurídicas, dos bens e
dos fatos jurídicos, versando sobre a criação, modificação e extinção
de direitos;
b) Especial – ocupa-se com o direito das obrigações, do direito de
empresa, do direito das coisas, do direito de família e do direito das
sucessões.

48
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

Divisão do Código Civil:

naturais
Pessoas
jurídicas
Parte Geral (Livros I, II e III) Bens

Fatos jurídicos

Direito
Civil
Direito das obrigações
Direito de empresa
Parte Especial (Livros I, II, III, IV e V) Direito das coisas
Direito de família
Direito das sucessões

Agora, podemos elaborar a seguinte conceituação do Direito Civil:

DIREITO CIVIL É UM CONJUNTO DE NORMAS QUE REGULAMENTAM


AS RELAÇÕES JURÍDICAS DAS PESSOAS ENTRE SI.

3 PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS


A pessoa pode ser classificada como um ser humano considerado como
individualidade física e espiritual, e dotado de atributos como racionalidade,
autoconsciência, linguagem, moralidade e capacidade para agir.

O Direito Civil qualifica a pessoa como um sujeito de direito, que se divide


em pessoa física e jurídica.

De acordo com Campos (2005, p. 85), “Pessoa é todo ente sujeito de direitos
e obrigações. Pode se tratar de pessoa física ou pessoa jurídica. A pessoa física é
o ser humano, é a pessoa natural. A pessoa jurídica é um grupamento de pessoas
ligadas por um interesse e fins comuns”.

Pode-se definir a pessoa física, segundo Farias (2004, p. 120), como:


“aquele ente dotado de estrutura biopsicológica (não mais sendo lícito afirmar
que a pessoa natural é o ser biologicamente criado, em razão dos mecanismos
científicos de concepção artificial). É, enfim, o ser humano”.

49
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

A pessoa jurídica pode também ser definida, de acordo com Farias (2004,
p. 120), como:
a entidade formada pela soma de esforços de pessoas naturais, ou
por uma destinação específica de patrimônio, visando à consecução
de uma finalidade específica e constituída na forma da lei. Em outras
palavras, é o ente formado pelo conjunto de pessoas naturais ou por
um acervo patrimonial afetado para uma finalidade.

União
Estados
Municípios
Interno Distrito Federal
Autarquias
Entidades de Caráter Público

De direito
Público

Estados – Estrangeiros
Santa Sé
Externo Organismos internacionais
Outras coletividades
(ONU, OEA, OIT)

Pessoa Jurídica
Sociedades
Fundações
De Direito
Associações
Civil
Cooperativas
Partidos Políticos

Sindicatos
De Direito
De direito Federações
Trabalhista
Privado Confederações

Sociedade em nome coletivo


Sociedade Anônima
Sociedade em Comandita
Simples
De Direito Sociedade em Comandita
de Empresa por Ações
Sociedade Limitada
Sociedade em Conta de
Participação

50
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

Entre as sociedades e as associações perfaz-se uma diferença entre ambas.


As sociedades são pessoas jurídicas com fins lucrativos e as associações não, pois
o seu fim é cultural, religioso, recreativo, moral etc.

As fundações são universalidades de bens dotadas de personalidade de


direito. São entidades jurídicas não governamentais, sem finalidade lucrativa,
que têm como objetivo o bem da coletividade, inserem-se neste setor.

As sociedades simples são dedicadas a atividades profissionais ou


técnicas, não empresárias como, por exemplo, dos escritórios de engenharia ou
de advocacia, conforme disposto nos arts. 997 a 1038 do Código Civil Brasileiro.

As cooperativas são associações de pessoas com interesses comuns,


economicamente organizadas de forma democrática, isto é, contan­do com a
participação livre de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de
seus cooperados, aos quais presta serviços sem fins lucrativos. As sociedades
cooperativas, independente do objeto, sempre serão consideradas sociedade
simples.

UNI

COOPERATIVISMO E SUA REGULAMENTAÇÃO NO BRASIL


Este tipo de associação pretende ser uma alternativa ao capitalismo, retornando ao
trabalhador a participação nos resultados de seu próprio desempenho. Esta estrutura social
apresenta-se de três formas: de produção, de consumo e de crédito. O cooperativismo no
Brasil encontra-se regulamentado através da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971.

Podemos elaborar a seguinte conceituação sobre pessoa física:

PESSOA FÍSICA É O SER HUMANO, É A PESSOA NATURAL.

Podemos chegar também ao seguinte conceito sobre a pessoa jurídica:

PESSOA JURÍDICA É UM AGRUPAMENTO DE PESSOAS LIGADAS POR


UM INTERESSE E FINS COMUNS.

51
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

3.1 A CAPACIDADE CIVIL


Segundo Führer e Milaré (2004, p. 225), “Capacidade civil é a aptidão
da pessoa física para exercer direitos e assumir obrigações. Nem todos têm a
capacidade plena, pois há fatos que reduzem ou anulam esta capacidade”.

Atualmente no Brasil, a maioridade civil é alcançada aos 18 anos de idade,


conforme disposto no art. 5º, do Código Civil Brasileiro.

Ainda quanto à capacidade das pessoas físicas, o Código Civil Brasileiro,


define as pessoas em absolutamente incapazes (os atos praticados são nulos) e as
relativamente incapazes (os atos praticáveis são anuláveis).

QUADRO 2 – ALGUMAS DEFINIÇÕES DO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO

Estado Atos praticados Artigo do Código Civil Brasileiro

Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos


completos, quando a pessoa fica habilitada à
prática de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a
incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na
falta do outro, mediante instrumento público,
Plena Capacidade independentemente de homologação judicial,
Maioridade para o exercício de ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o
Civil 18 anos todos os atos da menor tiver dezesseis anos completos;
vida civil. II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino
superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou
pela existência de relação de emprego, desde
que, em função deles, o menor com dezesseis
anos completos tenha economia própria.

Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer


pessoalmente os atos da vida civil:
I - os menores de dezesseis anos;
Incapacidade Os atos praticados II - os que, por enfermidade ou deficiência
Absoluta são nulos. mental, não tiverem o necessário discernimento
para a prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não
puderem exprimir sua vontade.

52
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

Art. 4o São incapazes, relativamente a certos


atos, ou à maneira de os exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores de
dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos,
Incapacidade Os atos praticados e os que, por deficiência mental, tenham o
Relativa são anuláveis. discernimento reduzido;
III - os excepcionais, sem desenvolvimento
mental completo;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será
regulada por legislação especial.

FONTE: O autor

Para o exercício dos atos da vida civil, a pessoa absolutamente incapaz


será representada por outra pessoa capaz, e o relativamente incapaz será assistido
por outra pessoa.

Pode-se também adquirir a capacidade civil, com o desaparecimento da


causa impeditiva para o seu pleno exercício, bem como pelo ato da emancipação,
no caso de menores.

Pela maioridade
Pelo casamento
Pelo exercício de emprego público efetivo
Emancipação Pela colação de grau científico em curso superior
Pelo estabelecimento civil ou comercial com economia própria
Por concessão do pai, mãe ou juiz, desde que o menor tenha
dezesseis anos

Para o Direito, a morte de uma pessoa ocorre quando cessa a circulação


e a respiração. Com este ato, desaparece também a personalidade de direito da
pessoa.

Morte real
Há dois tipos de morte
Morte presumida

53
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

A presunção da morte, também foi regulamentada pelo Direito Civil


Brasileiro, em seu art. 7º, necessário para dirimir as questões sobre o direito
sucessório, bem como para a dissolução do vínculo conjugal.

Art. 7º  Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de


ausência:
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo
de vida;
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for
encontrado até dois anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos,
somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e
averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.

Quando duas ou mais pessoas morrem ao mesmo tempo, não sendo


possível indicar quem precedeu a morte de quem, ocorre a comoriência. Tal
situação jurídica, afeta o direito sucessório, e está regulado no art. 8º do Código
Civil Brasileiro: “Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião,
não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros,
presumir-se-ão simultaneamente mortos”.

UNI

O QUE É COMORIÊNCIA
Ocorre a comoriência quando dois ou mais indivíduos morrerem na mesma ocasião, e
não for possível determinar a ordem exata (o momento exato) dos seus falecimentos. A
comoriência resulta na declaração de que todos morreram simultaneamente (no mesmo
momento). O objetivo desta determinação, afeta o direito sucessório, visto que esta
determinação legal dispõe sobre as regras aplicáveis ao destino do patrimônio das pessoas
falecidas, pois, falecendo o autor da herança, os seus bens são imediatamente transmitidos
aos seus herdeiros.

Agora já podemos dizer que:

CAPACIDADE CIVIL É A POSSIBILIDADE DE EXERCER TODOS OS


ATOS DA VIDA CIVIL.

54
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

3.2 A PERSONALIDADE JURÍDICA


No campo do direito, a personalidade jurídica é reconhecido que toda
pessoa é dotada de personalidade. Personalidade esta que possibilita às pessoas
serem titulares de relações jurídicas.

A pessoa física adquire esta característica com o seu nascimento com vida,
e com emissão da sua certidão de nascimento. A pessoa jurídica passa ter a sua
personalidade no momento da confirmação de sua inscrição de seu registro na
Junta Comercial de seu Estado.

Ao adquirir a sua personalidade, as pessoas passam a ser titulares de


DIREITOS E DEVERES. O exercício desta faculdade está ligado à capacidade,
que é reconhecimento da aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações e para
exercer por seus próprios meios os atos da vida civil, ou por intermédio de outras
pessoas.

O direito divide a capacidade em duas espécies:

a) Capacidade de direito ou de gozo – é a que permite à pessoa adquirir direitos


e contrair obrigações.

b) Capacidade de fato ou de exercício – possibilidade de exercer diretamente os


direitos e praticar os atos da vida civil.

A pessoa física é qualificada como o ente humano, provinda de mulher. A


personalidade civil inicia-se com o nascimento com vida, porém a lei garante os
direitos do nascituro, desde a sua concepção, e define o seu término com a morte
da pessoa, art. 6º do Código Civil Brasileiro.

Agora você já pode dizer que a personalidade jurídica é:

PERSONALIDADE JURÍDICA É A CAPACIDADE DE A PESSOA SER


TITULAR DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES.

3.3 O DOMICÍLIO
De acordo com Führer e Milaré (2004, p. 227), “o domicílio civil da pessoa
natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo (art.
70 do CC)”.

O Direito Civil Brasileiro estabeleceu uma diferença entre o domicílio e a


residência, em vista desta ser o lugar onde a pessoa mora habitualmente, porém
a pessoa pode exercer suas atividades laborais em outro lugar.

55
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Esta distinção é importante para o Direito, visto que sob a extensão do


Direito Processual, o devedor deverá ser demandado em seu domicílio, na esfera
do Direito Civil, o inventário deve ser aberto no domicílio do falecido, e na esfera
do Direito Eleitoral, o eleitor deverá votar em seu domicílio.

a) Domicílio voluntário – é estabelecido pelo próprio


interessado (Ex.: a pessoa escolhe livremente o
seu domicílio).

b) Domicílio legal – é determinado pela lei (Ex.: o


domicílio do preso é o local onde cumpre a sua
pena).
Espécies de domicílio:
c) Domicílio aparente – equipara-se ao verdadeiro
quando alegado com fundamento em erro
escusável (ex.: ciganos, profissionais circenses.

d) Domicílio de eleição – é especificado nos contratos


(Ex.: as pessoas determinam no contrato o seu
domicílio).

Podemos definir então, que residência:

RESIDÊNCIA REPRESENTA A RELAÇÃO ENTRE A PESSOA E O LUGAR,


ENVOLVENDO A IDEIA DE HABITAÇÃO.

Pode-se concluir que domicílio é:

DOMICÍLIO É O LUGAR EM QUE A PESSOA RESIDE COM O ÂNIMO


DEFINITIVO.

4 OS BENS E SUA CLASSIFICAÇÃO


Segundo Führer e Milaré (2004, p. 229), “Bens ou coisas são os elementos
que podem constituir o patrimônio de alguém”.

Conforme conceituam Pinho e Nascimento (2004, p. 249),

56
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

Assim como na economia, os bens são classificados em consumíveis


– no estado de consumo imediato (exemplo: alimentos, cigarros etc.) –
duráveis – consumidos não de uma vez (exemplo: máquinas, veículos,
geladeiras etc.) – e de produção ou de capital – destinados à produção
dos bens de consumo (exemplo: maquinaria, fios, tintas etc.).

Para Führer e Milaré (2004, p. 229), os bens podem ser classificados da


seguinte forma:

a) Corpóreos – são os bens físicos (um televisor).


b) Incorpóreos – são os bens abstratos (um direito).
c) Móveis – são os suscetíveis de locomoção (uma geladeira).
d) Semoventes – são os animais, pois estão incluídos na classe dos móveis ou dos
imóveis por destinação.
e) Imóveis – são os que não podem ser transportados sem alteração de sua
substância.
i) Imóveis por natureza – o solo, o subsolo, o espaço aéreo etc.
ii) Imóveis por acessão – construções, sementes lançadas a terra etc.
iii) Imóveis por destinação – utensílios agrícolas, animais etc.
iv) Imóveis por disposição legal – penhor agrícola, sucessão aberta etc.
f) Fungíveis – são os que podem ser substituídos por outros da mesma espécie,
qualidade e quantidade (um pacote de farinha, dinheiro etc.).
g) Infungíveis – são os bens a que se atribui valor pela sua individualidade (uma
tela de Pablo Picasso, e todo e qualquer objeto que não permita substituição
etc.).
h) Consumíveis – são os que se destroem à medida que vão sendo utilizados
(alimentos, bens de consumo), os bens destinados à alienação (tudo o que está
numa loja é consumível).
i) Inconsumíveis – são os bens duráveis, ou seja, as coisas destinadas para uso e
não para o consumo (um livro, um celular).
j) Divisíveis – são os que se podem partir em porções reais e distintas, formando
cada qual um todo perfeito (um prédio de apartamentos, um terreno).
k) Indivisíveis – são os que não admitem divisão (um carro, uma bicicleta).
l) Singulares – são as coisas consideradas de per si (um boi, um carro).
m) Coletivos – são coisas agregadas num todo (uma manada de búfalos, uma
biblioteca).
n) Principais – são os que assim se consideram tem relação a outros considerados
acessórios (a árvore, em relação ao fruto).
o) Acessórios – são as coisas que se consideram decorrentes de outras, chamadas
de principais (o fruto, em relação à árvore).

As benfeitorias são classificadas em:

i) Necessárias – conservação (Ex.: reparos numa parede para evitar a infiltração


de água ou a substituição dos sistemas elétricos e hidráulicos danificados).
ii) Úteis – melhoramentos (Ex.: construção de uma garagem).
iii) Voluptuárias – embelezamento (Ex.: obras de jardinagem).

57
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Os frutos são classificados em:

i) Naturais – frutos de árvores, crias dos animais etc.


ii) Industriais – provenientes de atividades ou cultura.
iii) Civis – rendimentos.
p) Públicos – são os bens do domínio nacional, pertencentes à União, aos Estados
ou Municípios.
q) Particulares – são os bens que pertencem a pessoas físicas ou pessoas jurídicas
de direito privado.

Assim, podemos conceituar os bens como:

BENS SÃO COISAS SUSCETÍVEIS DE APROPRIAÇÃO PELO HOMEM.

5 OS FATOS E ATOS JURÍDICOS E RESPONSABILIDADE CIVIL


Segundo Campos (2005, p. 91), “Fatos jurídicos são os acontecimentos
da vida em virtude dos quais as relações de direito nascem, se modificam ou se
extinguem”.

Assim, podem ser qualificados como fatos jurídicos: o nascimento de uma


pessoa, a compra de um carro.

Indo ao encontro destas afirmações Führer e Milaré (2004, p. 231)


qualificam o fato jurídico como “o acontecimento decorrente da natureza humana
ou da ação humana, que possa interessar ao direito”.

Conforme Farias (2004, p. 333), “O fato jurídico se caracteriza pela


produtividade de efeitos jurídicos, distinguindo-se do fato material, que não os
produz, não estando acobertado pela coercibilidade”.

O ato jurídico nas palavras de Campos (2005, p. 91), “é o ato humano


involuntário que produz efeitos regulados em lei, sem que o agente tenha intenção
de produzir efeitos jurídicos, mas sim como ato de mero poder”.

Os atos jurídicos podem ser classificados como:

a) Ato jurídico em sentido estrito – a lei delineia a forma, os termos e as


consequências do ato. Ex.: reconhecimento de um filho.
b) Negócio jurídico – que pode criar, modificar ou extinguir direitos. Ex.: contrato.

Nas palavras de Campos (2005, p. 91), negócio jurídico é “o ato humano


voluntário pelo qual o agente tem o propósito de realizar efeitos jurídicos em seu
interesse”.

58
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

O negócio jurídico é a manifestação de vontade das partes interessadas,


através de uma declaração vinculante, emitida para alcançar determinado fim,
com previsão legal.

Podem ser qualificados como negócios jurídicos, os contratos em geral.

A validade dos negócios jurídicos depende dos seguintes pressupostos:

a) Capacidade das partes.


b) Objeto lícito.
c) Forma prescrita ou não proibida em lei.

Quando os negócios jurídicos apresentam alguns defeitos ou vícios em


seus pressupostos, os mesmos poderão ser:

a) Nulos.
b) Anuláveis.
c) Inexistentes.

De acordo com Campos (2005, p. 93), os atos nulos são “os negócios
viciados em sua substância, não produzindo, por isso, quaisquer efeitos”.

É um exemplo de negócios nulos, o negócio praticado por agente


absolutamente incapaz (menor de 16 anos).

Campos (2005, p. 91) define que os atos anuláveis são “os atos viciados
apenas quanto a sua forma e não quanto a sua substância”.

Os atos anuláveis podem ser exemplificados pelo negócio praticado por


agente relativamente capaz (maior de 16 anos e menor de 18 anos).

Para Campos (2005, p. 95) atos anuláveis são “os atos que não se
completaram por falta de um de seus elementos essenciais (consentimento, objeto
e causa)”.

O negócio inexistente pode ser exemplificado pelo fato de um casamento


não ser realizado em virtude da noiva não comparecer para celebrar a cerimônia.

Neste ponto podemos definir fatos e atos jurídicos como:

FATO JURÍDICO É O ACONTECIMENTO DA VIDA HUMANA EM


VIRTUDE DO QUAL A RELAÇÃO DE DIREITO NASCE, SE MODIFICA OU
SE EXTINGUE.

59
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

ATO JURÍDICO É O ATO HUMANO VOLUNTÁRIO QUE PRODUZ


EFEITOS REGULADOS EM LEI, SEM QUE O AGENTE TENHA
INTENÇÃO DE PRODUZIR EFEITOS JURÍDICOS, MAS SIM COMO ATO
DE MERO PODER.

6 A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ENGENHEIRO


A responsabilidade civil é a obrigação de reparar o dano causado à outra
pessoa através de um ato ilícito.

O ato ilícito é um ato contrário ao direito.

Para ser determinada a responsabilidade civil, é necessária a presença


do dano decorrente de uma conduta ilícita, e que entre estes exista um nexo de
causalidade.

Os elementos essenciais no ato ilícito civil:

a) Dano.
b) Conduta.
c) Nexo de causalidade.

Para ser caracterizada a responsabilidade civil pelo ilícito (Ex.: ouvir


música no carro num volume elevado, desrespeitando o direito de outras pessoas
de não ouvirem a sua música, ou de ficarem em silêncio; quebrar o vidro de
uma casa chutando uma bola de futebol), deverá haver um nexo de causalidade
(uma ligação entre o ato ilícito e o dano causado) para ser caracterizada a
responsabilidade civil.

Nas palavras de Führer e Milaré (2004, p. 235), deve haver um nexo causal
entre a conduta do agente e o evento lesivo. Se não houver esse nexo, não haverá
culpa ou dolo, mas apenas caso fortuito ou força maior (caso fortuito é o fato
imprevisível, força maior é o fato previsível, mas inevitável).

Ato Ilícito é uma ação ou omissão voluntária ou ainda uma negligência


ou uma imprudência, violadoras de um direito e causadoras de um dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral.

FONTE: Disponível em: <http://direitomaisdireito.blogspot.com.br/2010/03/ato-ilicito-e-


responsabilidade-civil.html>. Acesso em: 24 jun. 2013.

Os danos causados à pessoa podem ser de ordem:

60
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

a) Moral – que traz como consequência ofensa à honra, ao afeto, à liberdade, à


profissão, ao respeito, à psique, à saúde, ao nome, ao crédito, ao bem-estar e
à vida, sem necessidade de ocorrência de prejuízo econômico.

FONTE: Disponível em: <http://www2.susep.gov.br/menumercado/plano_automovel.asp>.


Acesso em: 24 jun. 2013.

b) Material – é aquele que atinge o patrimônio (material ou imaterial) da vítima,


podendo ser medido financeiramente e indenizado.

FONTE: Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/diarios/53129150/djam-judiciario-15-04-


2013-pg-16>. Acesso em: 24 jun. 2013.

c) Estético – é a lesão à beleza física da vítima, afetando a harmonia das suas


formas (alteração morfológica) após o sinistro.

A reparação destes danos pode ser efetuada de várias formas, mas em


geral são feitas de forma pecuniária (dinheiro).

A responsabilidade civil pode ser dividida em:

a) Contratual – resultante de um descumprimento contratual.


b) Aquiliana (delitual) – sem a existência de um vínculo anterior entre as partes.

O Código Civil Brasileiro, em seu art. 186, estabelece o dever de


indenizar: “Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito”.

A responsabilidade pode ser dividida ainda em:

a) Penal – infração de uma norma de direito público, lesando-se a sociedade.


b) Civil – lesão a um ente privado, diminuindo o patrimônio da pessoa (material,
moral ou estético).

A responsabilidade civil pode ser dividida em:

a) Responsabilidade Civil Subjetiva – depende de comprovação de culpa.


b) Responsabilidade Civil Objetiva – independe da comprovação de culpa.

O engenheiro, como toda pessoa, está sujeito às mesmas condições


impostas a todos os brasileiros, pois o Código Civil (Lei nº 10.406 de 2.002) e o
Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078 de 1990) tem sua vigência em todo
o território brasileiro.

Neste sentido há que ser considerada a condição de que em função da


prestação de serviço realizada pelo engenheiro, é caracterizada como uma

61
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

obrigação contratual e também caracterizada pela proteção do Código de Defesa


do Consumidor.

A responsabilidade civil, interpretada sobre os serviços prestados pelo


engenheiro, encontra-se fundada no princípio da responsabilidade civil subjetiva
(depende de comprovação de culpa). Não basta a existência de um dano e
sua relação de casualidade com o ato, sendo fundamental que seja provado,
cabalmente, que aquele dano alegado tenha sido causado em razão de ato
negligente, imprudente ou imperito do profissional.

O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 14, § 4º, prevê que a


responsabilidade pessoal dos profissionais liberais (engenheiros) será apurada
mediante a apuração da culpa (responsabilidade civil subjetiva).

Agora podemos dizer que a responsabilidade civil é:

RESPONSABILIDADE CIVIL É A OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO


QUE UMA PESSOA CAUSA À OUTRA.

7 A CULPA E O DOLO
De acordo com Führer e Milaré (2004, p. 140), a culpa “consiste na prática
não intencional do fato delituoso, faltando, porém o agente a um dever de atenção
e cuidado”.

A culpa apresenta-se sob três modalidades:

a) Negligência – displicência, relaxamento, a falta de atenção devida.


b) Imprudência – criação desnecessária de um perigo.
c) Imperícia – falta de habilidade técnica para certas atividades.

62
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL

Conduta voluntária

Resultado não intencional

Falta de atenção
Elementos
Previsibilidade - é a possibilidade de se antever o resultado
lesivo, visto ser previsível o seu resultado.

Ausência de previsão - é a impossibilidade de se antever


o resultado lesivo, visto ser imprevisível o seu resultado.

Culpa Negligência
Modalidades Imprudência
Imperícia

Culpa consciente
Espécies Culpa inconsciente
Culpa imprópria ou por extensão

Dolo, segundo Farias (2004, p. 400), “é todo artifício empregado por uma
das partes, ou por terceiro, com o fito de induzir outrem à prática de ato”.

No mesmo sentido, Führer e Milaré (2004, p. 139), estabelece que o crime


doloso é quando “o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo”.

Direto
Eventual
Dolo Específico
De dano
De perigo

63
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Agora já podemos definir culpa como:

CULPA – A PESSOA PRATICA O DELITO SEM A INTENÇÃO


DE PRODUZIR O RESULTADO, AGINDO COM NEGLIGÊNCIA,
IMPRUDÊNCIA OU IMPERÍCIA.

E dolo como:

DOLO – A PESSOA PRATICA O DELITO COM A INTENÇÃO DE


PRODUZIR O RESULTADO.

64
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Direito civil é um conjunto de normas que regulamentam as relações jurídicas


das pessoas entre si.

• Pessoa física é o ser humano, é a pessoa natural.

• Pessoa jurídica é um agrupamento de pessoas ligadas por um interesse e fins


comuns.

• Residência representa a relação entre a pessoa e o lugar, envolvendo a ideia de


habitação.

• Bens são coisas suscetíveis de apropriação pelo homem.

• Capacidade civil é a possibilidade de exercer todos os atos da vida civil.

• Personalidade jurídica é a capacidade de a pessoa ser titular de direitos e


obrigações.

65
AUTOATIVIDADE

1 Sobre as espécies de domicílio, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Domicílio de eleição – ocorre quando a pessoa muda o seu domicílio


eleitoral.
b) ( ) Domicílio voluntário – ocorre quando a pessoa está exercendo trabalho
voluntário.
c) ( ) Domicílio aparente – equipara-se ao verdadeiro quando alegado com
fundamento em erro escusável.
d) ( ) Domicílio legal – é o tipo de domicílio determinado pelas partes.

2 Sobre a responsabilidade civil do engenheiro, tomemos como exemplo um
caso em que um engenheiro de produção, criou um produto e o colocou à
venda. Um usuário adquiriu o produto, e sofreu danos com o mesmo, pois
havia uma falha no projeto, que não previa uma determinada situação de
uso. Diante deste fato, escolha a alternativa que melhor se adeque ao tema
da responsabilidade civil:

a) ( ) O engenheiro de produção será responsável pelo ressarcimento dos


danos causados a esta pessoa.
b) ( ) O engenheiro de produção não será responsabilizado, pois ele apenas
criou o produto, e, portanto, não responsável por ele.
c) ( ) O engenheiro de produção poderá ser responsável pelo ressarcimento
dos danos, pois, ele apenas criou o produto, não sendo responsável pelo uso
do mesmo.
d) ( ) Quem usou o produto será obrigado a indenizar o engenheiro, pois este
não é responsável por seu produto.

3 Quanto ao dolo, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) No dolo não é necessário que a pessoa que pratique o delito com a


intenção de produzir o resultado.
b) ( ) No dolo a pessoa pratica o delito sem a intenção de produzir o resultado,
agindo com negligência, imprudência ou imperícia.
c) ( ) No dolo a pessoa pratica o delito com a intenção de produzir o resultado.
d) ( ) No dolo mesmo que a pessoa pratique o delito sem a intenção do
resultado, este será considerado um ato doloso.

4 Entre as questões a seguir, identifique qual alternativa possui apenas a


descrição de bens imóveis:

a) ( ) Um livro, uma bicicleta, uma vaca.


b) ( ) Uma panela, um carro, uma galinha.
c) ( ) Uma casa, um apartamento, uma sala comercial.
d) ( ) Um computador, um carro, uma vaca.
66
5 Sobre os bens imóveis, analise a coluna A e o seu correspondente na coluna
B. Depois desta análise, assinale a alternativa que contém a classificação
CORRETA dos bens imóveis.

Coluna A Coluna B

i) ( ) Imóveis por acessão. 1. O solo, o subsolo, o espaço aéreo etc.

ii) ( ) Imóveis por natureza. 2. Utensílios agrícolas, animais etc.

iii) ( ) Imóveis por disposição legal. 3. Penhor agrícola, sucessão aberta etc.
4. Construções, sementes lançadas a terra
iv) ( ) Imóveis por destinação.
etc.

Alternativas:
a) ( ) 1, 4, 2, 3.
b) ( ) 3, 4, 1, 2.
c) ( ) 4, 1, 3, 2.
d) ( ) 2, 4, 3, 1.

67
68
UNIDADE 2 TÓPICO 2
DIREITO EMPRESARIAL

1 INTRODUÇÃO
O Direito Empresarial é um dos ramos do Direito Privado, que compreende
os regulamentos disciplinadores das atividades negociais do empresário, e de
qualquer pessoa, física ou jurídica, que exerce atividades com os propósitos de
natureza econômica (pecuniária), de forma habitual, objetivando a produção de
serviços ou bens.

Apesar deste conceito moderno, a troca de objetos sempre fez parte


de nossa existência, com o passar dos tempos, as trocas foram substituídas
pela aquisição dos objetos vislumbrando o lucro em sua revenda, e depois da
Revolução Industrial, temos a personificação do termo “empresa” e também de
seu gestor o “empresário”.

Assim, a partir de agora veremos como o nosso ordenamento jurídico


organiza as atividades empresariais.

2 DIREITO EMPRESARIAL – CONCEITO


Direito Empresarial é o conjunto de normas jurídicas de Direito Privado
que organizam as atividades das empresas e dos empresários, e também dos atos
comerciais, ainda que estes não estejam diretamente relacionados às atividades
das empresas.

O Direito Empresarial abrange a teoria geral da empresa (teoria surgida


na Itália em 1492, que alargou o conceito de empresa, passando a englobar as
atividades de prestação de serviços); sociedades empresariais; títulos de crédito;
contratos mercantis; propriedade intelectual; relação jurídica de consumo; relação
concorrencial; locação empresarial; falência e recuperação de empresas.

Então podemos definir o direito empresarial como:

DIREITO EMPRESARIAL É O CONJUNTO DE NORMAS JURÍDICAS DE


DIREITO PRIVADO QUE ORGANIZAM AS ATIVIDADES DAS EMPRESAS
E DOS EMPRESÁRIOS, E TAMBÉM DOS ATOS COMERCIAIS, AINDA
QUE ESTES NÃO ESTEJAM DIRETAMENTE RELACIONADOS ÀS
ATIVIDADES DAS EMPRESAS.

69
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

2.1 CONCEITO DE EMPRESA


De acordo com Campos (2005, p. 172), empresa pode ser definida como “o
conjunto dos fatores de produção que, sob a direção de uma pessoa (empresário),
são organizados em vista da produção de bens e serviços para o mercado”.

No mesmo sentido Pinho e Nascimento (2004, p. 293) definem a empresa


como “uma organização destinada à produção de bens, prestação de serviços ou
intermediação de vendas”.

O local onde a empresa exerce suas atividades é denominado


estabelecimento.

O Código Civil, em seu art. 1.142, define o termo estabelecimento.


“Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício
da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”.

Já podemos definir que empresa é:

EMPRESA É O CONJUNTO DOS FATORES DE PRODUÇÃO QUE, SOB A


DIREÇÃO DE UMA PESSOA (EMPRESÁRIO), É ORGANIZADO EM VISTA
DA PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS PARA O MERCADO.

2.2 CONCEITO DE EMPRESÁRIO


Para Coelho (2010, p. 11), o “empresário é definido como o profissional
exercente de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços”. (Código Civil, art. 966).

Nas palavras de Campos (2005, p. 173):

Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção de bens ou serviços para o
mercado, com intuito de lucro, com exceção das atividades imobiliárias
e das profissões intelectuais de natureza científica, literária ou artística.

Empresário é a pessoa que pratica a atividade empresarial.

O Código Civil Brasileiro, em seu art. 966, define o empresário:

70
TÓPICO 2 | DIREITO EMPRESARIAL

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente


atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão
intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com
o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa.

Assim, podemos concluir que para o Direito:

EMPRESÁRIO É O PROFISSIONAL EXERCENTE DE ATIVIDADE


ECONÔMICA ORGANIZADA PARA A PRODUÇÃO OU A CIRCULAÇÃO
DE BENS OU DE SERVIÇOS.

2.3 DEVERES DO EMPRESÁRIO


O empresário deve:

a) Inscrever-se no Registro Público das Empresas Mercantis (Juntas Comerciais)


antes do início de suas atividades.
b) Seguir um sistema de contabilidade com base na escrituração uniforme de seus
livros.
c) Levantar anualmente balanço patrimonial e o de resultado econômico.
d) Conservar em boa guarda os livros e papéis pertencentes a seu negócio,
enquanto não decorrer a prescrição ou decadência no tocante aos atos neles
consignados.

Os deveres do empresário estão previstos no art. 967 do Código Civil: “Art.


967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”.

71
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

2.4 O NOME EMPRESARIAL


O nome é identificação da pessoa, seja ela física ou jurídica.

Desta forma, a denominação da empresa é algo que distingue as pessoas


jurídicas, mas além desta distinção, podemos identificar a presença econômica
desta diferenciação.

O nome empresarial pode agregar valor inestimável à empresa, sendo


assim, qualquer semelhança ou indução de proximidade com outra pessoa
jurídica poderia produzir uma diminuir este patrimônio.

Neste sentido, Pinho e Nascimento (2004, p. 298), define “Todo


empresário, pessoa física ou jurídica, deve ter um nome empresarial. Será firma
ou denominação”.

O nome empresarial divide-se em:

a) Firma ou razão social – é a assinatura empresarial (Ex.: Aurélio Bastos, Oliveira


e Cia.).
b) Denominação social/razão social – é usada por todas as sociedades
(denominação jurídica da empresa – Ex.: Casas Bahia S/A.).
c) Nome de fantasia – identifica a sociedade apenas em relação à sua atividade,
mas não juridicamente (Ex.: Madrugada Lanches).

Para Campos (2005, p. 175), “A expressão firma social ou razão social é


utilizada por todas as espécies de sociedades, exceto a sociedade anônima, a qual
deve, obrigatoriamente, adotar uma denominação social”.

2.5 SOCIEDADES
Para Führer e Milaré (2004, p. 292) “Sociedades são organizações com fim
lucrativo. As associações, ao contrário, não visam ao lucro, destinando-se apenas
a atividades culturais, religiosas ou recreativas”.

As sociedades podem ser classificadas quanto:

a) A pessoa dos sócios – sociedades de pessoas e sociedades de capitais.


b) A responsabilidade dos sócios – responsabilidade limitada, de responsabilidade
ilimitada e de sociedades mistas.
c) Ao seu modo de constituição – sociedades contratuais e sociedades
institucionais.

72
TÓPICO 2 | DIREITO EMPRESARIAL

As Sociedades podem ainda ser classificadas em:

a) Personificadas.
b) Não personificadas.
c) Simples.
d) Empresárias.

2.5.1 Sociedade não personificada


Para Führer e Milaré (2004, p. 291) “são as que não possuem registro e não
adquirem personalidade jurídica (sociedade em comum e sociedade em conta de
participação)”.

No entendimento de Silva (2003, p. 213), a Sociedade não Personificada,


“é aquela que ainda não teve o seu ato constitutivo inscrito no registro próprio e
na forma da lei”.

Neste caso, todos os bens pessoais dos sócios respondem (responsabilidade


solidária) pelos atos de gestão da sociedade, salvo estipulação contratual em
contrário.

2.5.2 Sociedade simples e sociedade empresária


Antes da entrada em vigor do Código Civil de 2002, as Sociedades Simples
eram denominadas Sociedades Civis.

Nas palavras de Führer e Milaré (2004, p. 292), a Sociedade Simples “é a


dedicada a atividades profissionais ou técnicas, como uma sociedade de advocacia
ou de engenharia (art. 997 do CC)”.

Para Campos (2005, p. 178), as Sociedades Simples apresentam as seguintes


características:

a) São criadas em razão dos sócios (intuito persona), sendo vedada a


substituição de sócios sem o consentimento dos demais;
b) Certas matérias do Contrato Social não podem ser alteradas sem o
consentimento unânime dos sócios;
c) Alguns ou todos os sócios respondem subsidiariamente pelas
dívidas da sociedade. O elemento “pessoal” é mais importante que o
capital social, como garantia de terceiros credores da sociedade.

Para determinar as sociedades empresarias Campos (2005, p. 178) elencou


as seguintes características:

73
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

a) São criadas em razão dos recursos investidos pelos sócios (intuito


pecuniae), e não em função das pessoas;
b) Os sócios, em regra, são livremente substituíveis;
c) O contrato social é sempre modificado pelo voto da maioria mesmo
que isto não venha disposto em seus estatutos;
d) Oferecem como garantia aos seus credores, unicamente seus fundos;
e) Os sócios respondem pelas dívidas sociais.

As sociedades empresariais compreendem as Sociedades Anônimas e as


Sociedades em Comandita por Ações.

2.5.3 A Responsabilidade dos sócios


A responsabilidade é o dever jurídico resultante da violação de
determinado direito, através da prática de um ato contrário ao ordenamento
jurídico.

Nas sociedades, no tocante à responsabilização dos atos praticados pela


sociedade empresária (pessoa jurídica) não se confundem com a responsabilidade
dos sócios (pessoa física), visto terem personalidades jurídicas distintas.

Neste sentido, em regra, o patrimônio pessoal dos sócios não responde


pelas dívidas contraídas pela sociedade empresária.

O patrimônio pessoal dos sócios poderá responder pelas dívidas da


sociedade empresária de forma subsidiária, após todas as tentativas de quitação
do débito por meio dos do procedimento de desconsideração da personalidade
jurídica da empresa.

2.5.3.1 Responsabilidade limitada e ilimitada dos sócios


O autor Campos (2005, p. 180) define que na responsabilidade limitada “os
bens dos sócios não serão utilizados para pagamentos de dívidas da sociedade”.

Ainda, para Campos (2005, p. 179), na responsabilidade Ilimitada “os


bens particulares dos sócios serão utilizados para o pagamento das dívidas, se
necessário”.

2.5.3.2 Responsabilidade subsidiária e solidária


A responsabilidade subsidiária se caracteriza pela responsabilização dos
sócios de maneira acessória. Neste caso, a responsabilidade da empresa sobre os
débitos ocorre de maneira principal. Pressupõe-se o esgotamento da obrigação
pelo devedor principal.

74
TÓPICO 2 | DIREITO EMPRESARIAL

Contrapondo-se a este entendimento, encontramos no entendimento


de Campos (2005, p. 180), que na responsabilidade solidária “todos os sócios
respondem individualmente pela dívida toda”.

A responsabilidade solidária consiste na possibilidade de se exigir o


total da dívida de um ou de todos os integrantes da sociedade pelas dívidas da
sociedade empresária.

2.5.4 Sociedade personificada


Segundo, Campos (2005, p. 177), as sociedades personificadas são “as
regularmente inscritas, as quais se dividem em sociedades empresárias simples e
empresariais mercantis ou securitárias, financeiras ou outras”.

Führer e Milaré (2004, p. 292) comungam do mesmo entendimento


ao classificar a Sociedade Personificada como “as que, mediante o registro
competente, adquirem personalidade jurídica distinta da dos sócios”.

2.5.5 Sociedade em nome coletivo


Colhe-se dos ensinamentos de Führer e Milaré (2004, p. 294), que na
sociedade em nome coletivo “todos os sócios respondem ilimitadamente com
os seus bens particulares pelas dívidas sociais. Se a sociedade não saldar seus
compromissos, os sócios poderão ser chamados a fazê-lo”.

Este tipo de sociedade tende a desaparecer, em função do risco imposto à


pessoa do sócio.

Exemplo de sociedade em nome coletivo: Antônio Silva e Companhia.

2.5.6 Sociedade em comandita simples


Silva (2003, p. 219) qualifica a sociedade em comandita simples como
“aquela em que há sócios solidária e ilimitadamente responsáveis, ditos
comanditados e sócios que são responsáveis apenas até o limite dos capitais que
empregaram, que são os sócios comanditários”.

Neste tipo societário, os comanditários não poderão exercer a gerência.

Este tipo societário comporta as normas aplicadas à sociedade em nome


coletivo.

Exemplo de Sociedade em Nome Coletivo: Silva, Araújo & Cia.

75
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

2.5.7 Sociedade limitada


Este tipo societário é formado por duas ou mais pessoas, que ao
constituírem a sociedade empresária, delimitam a forma de responsabilidade
subsidiária de seu patrimônio pessoal, pois limitam a responsabilidade da
empresa.

Para Führer e Milaré (2004, p. 294):

Na sociedade limitada, cada cotista, ou sócio, entra com uma parcela


do capital social, ficando responsável diretamente pela integralização
da cota que subscreveu, e indiretamente ou subsidiariamente, pela
integralização das cotas subscritas por todos os outros sócios.

A razão social da sociedade empresária deverá sempre ser seguida pela


expressão “Limitada” ou “Ltda.”.

Exemplo de sociedade em nome coletivo: Nunes Comércio de Tecidos


Ltda.

2.5.8 Sociedade em cooperativa


Os autores Pinho e Nascimento (2004, p. 328) definem as sociedades
cooperativas como “sociedades de pessoas com forma jurídica própria, de
natureza civil, sem finalidade lucrativa, não sujeitas à falência, organização para
prestação de serviços ou exercício de outras atividades de interesse comum dos
associados”.

A regulamentação do cooperativismo encontra-se fundamentado na Lei


n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971.

2.5.9 Sociedade anônima ou companhia


Nos dizeres de Silva (2003, p. 219), a sociedade anônima “É a sociedade
na qual o capital é dividido em ações de igual valor nominal, representadas por
títulos, sendo a responsabilidade de cada acionista limitada apenas ao capital
subscrito”.

São características da sociedade anônima:

a) Composta por grandes empreendimentos.


b) Composta por no mínimo dois acionistas.
c) Influi na economia política.
d) Impessoalidade.
e) Divisão do capital em ações.
f) Sua natureza é sempre comercial.

76
TÓPICO 2 | DIREITO EMPRESARIAL

g) Pode ser de capital aberto ou fechado.


h) Pode ser de capital determinado ou autorizado.
i) Possuir a denominação S/A, Sociedade Anônima, Cia. ou Companhia.
j) Responsabilização dos acionistas limitada à integralização das ações subscritas.

As sociedades anônimas podem ser de capital:


a) Aberto – com ações negociadas na Bolsa de Valores.
b) Fechado – sem ações negociadas na Bolsa de Valores.

O capital social das sociedades anônimas é dividido em ações, que podem


ser:

a) Ordinárias – que conferem direito de voto ao acionista nas assembleias gerais,


para eleger ou destituir diretores e membros do Conselho Fiscal, e também
decidir sobre os destinos da sociedade.
b) Preferenciais – não dão direito a voto, mas conferem ao acionista prioridade no
recebimento da distribuição de dividendos ou no momento do reembolso do
capital.

A sociedade anônima pode emitir títulos para a captação de recursos


financeiros no mercado (empréstimo recebido dos captadores), os quais são
denominados debêntures, e sofrem correção monetária e também participação
nos lucros da sociedade e também um prêmio de reembolso.

Exemplo de sociedade anônima: Pirapora S/A.

Neste tópico, você aprendeu que:

SOCIEDADES SÃO ORGANIZAÇÕES COM FIM LUCRATIVO.


AS ASSOCIAÇÕES, AO CONTRÁRIO, NÃO VISAM AO LUCRO,
DESTINANDO-SE APENAS A ATIVIDADES CULTURAIS, RELIGIOSAS
OU RECREATIVAS.

77
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• Direito empresarial é o conjunto de normas jurídicas de direito privado que


organizam as atividades das empresas e dos empresários, e também dos atos
comerciais, ainda que estes não estejam diretamente relacionados às atividades
das empresas.

• Empresa é o conjunto dos fatores de produção que, sob a direção de uma


pessoa (empresário), são organizados em vista da produção de bens e serviços
para o mercado.

• Empresário é o profissional exercente de atividade econômica organizada para


a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

• Sociedades são organizações com fim lucrativo. As associações, ao contrário,


não visam ao lucro, destinando-se apenas a atividades culturais, religiosas ou
recreativas.

78
AUTOATIVIDADE

1 É correto afirmar que são sempre sociedades simples:

a) ( ) Cooperativas.
b) ( ) Sociedades anônimas.
c) ( ) Sociedades em comandita simples.
d) ( ) Sociedades limitadas.

2 Dos tipos societários a seguir, o que constitui uma sociedade não


personificada é:

a) ( ) Sociedade simples.
b) ( ) Cooperativa.
c) ( ) Sociedade em conta de participação.
d) ( ) Sociedade limitada.

3 Com relação ao nome empresarial, assinale a opção correta:

a) ( ) O empresário individual opera sob denominação.


b) ( ) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.
c) ( ) As companhias podem adotar firma ou denominação social.
d) ( ) Em princípio, o nome empresarial, depois de ser registrado, goza de
proteção em todo território nacional.

4 No Brasil, o estabelecimento empresarial regulado pelo Código Civil é


tratado como:

a) ( ) Pessoa jurídica.
b) ( ) Patrimônio de afetação ou separado.
c) ( ) Sociedade não personificada.
d) ( ) Universalidade.

5 São princípios que norteiam a formação do nome empresarial na modalidade


de razão social:

a) ( ) Novidade e veracidade. 
b) ( ) Criatividade e novidade.
c) ( ) Razoabilidade e veracidade.
d) ( ) Discrição e reconhecimento.

79
80
UNIDADE 2 TÓPICO 3

TÍTULOS DE CRÉDITO

1 INTRODUÇÃO
Os títulos de crédito podem ser considerados como uma das maiores
invenções da humanidade, pois representaram uma grande alavanca para o
progresso.

Podemos qualificar a evolução da história econômica em três eras: a era


da troca imediata, a era da moeda e a era do crédito.

Principalmente depois da Revolução Industrial, o crédito passou a ter


uma relevante importância, visto que o crédito passou a ser importante para
estimular a troca de bens atuais por outros bens no futuro.

Assim, a instituição de um documento que representasse uma exata


quantia, e que esta pudesse ser aceita por todos, com a sua efetiva representação
pecuniária, estabeleceu a obrigação de que o título de crédito seria cumprido pelo
devedor e aceita pelo credor, neste momento surge o Título de Crédito.

2 TÍTULOS DE CRÉDITO – CONCEITO


Para conceituar o Título de Crédito, Campos (2005, p. 190) asseverou que
este é “um documento escrito, assinado pelo devedor, contendo declaração de
que cumprirá a obrigação nele contida, no tempo assinalado, em favor de outrem,
denominado credor”.

Segundo Silva (2003, p. 232), “Título de crédito é o documento formal,


com força executiva, representativo de dívida líquida e certa, de circulação
desvinculada do negócio que o originou”.

O Código Civil Brasileiro, em seu art. 887: “Os Títulos de Crédito são os
documentos que representam o compromisso de pagamento do débito contraído
para com o credor”.

81
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

2.1 CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO


São características dos Títulos de Crédito:

a) Documentalidade – é um documento necessário para o exercício do direito


que representa.
b) Força executiva – permite o acesso direto ao processo de execução.
c) Literalidade – vale o que está escrito no título de crédito.
d) Formalismo – é um documento formal, se faltar alguma palavra, não vale mais
como um título de crédito.
e) Solidariedade – todos os coobrigados são responsáveis pelo débito contraído.
f) Autonomia – o título de crédito não se prende ao negócio que originou a sua
emissão.
g) Independência – cada um dos coobrigados tem a sua responsabilidade
individual e desvinculada sobre o título de crédito.
h) Abstração – é a sua desvinculação do negócio jurídico que o originou.
i) Circulação – o título de crédito pode (deve), ser negociado como forma de
pagamento, e só assim, adquirirá as suas características.

2.2 TIPOS DE TÍTULOS DE CRÉDITO

2.2.1 Nota promissória


Nas palavras de Campos (2005, p. 198), a “Nota Promissória, não é uma
ordem de pagamento, mas uma promessa feita por uma pessoa à outra, de pagar
determinada importância em determinada data”.

A nota promissória é uma promessa de pagamento, emitida pelo próprio


devedor, para pagar determinada importância em determinada data.

A nota promissória encontra-se regulada pelo Decreto nº 57.663, de 24 de


janeiro de 1966.

Seus requisitos são:

a) Expressão nota promissória.


b) Promessa incondicional de pagar a quantia determinada na nota promissória.
c) Nome do credor da nota promissória.
d) Assinatura do emitente da nota promissória.
e) Data e local do saque da nota promissória.
f) Data e local do pagamento da nota promissória.

82
TÓPICO 3 | TÍTULOS DE CRÉDITO

FIGURA 2 – MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA

FONTE: O autor

2.2.2 Cheque
Para Campos (2005, p. 199) “O cheque é título de crédito que representa
uma ordem de pagamento à vista e provisionada”.

No entendimento de Silva (2003, p. 238), o cheque é uma “Ordem de


pagamento, à vista, sobre banco ou casa bancária, para pagar certa soma,
nominalmente ou ao portador, por conta de fundos existentes e de propriedade
de quem dá a ordem”.

O cheque encontra-se regulamentado através da Lei nº 7.357, de 2 de


setembro de 1985.

Requisitos essenciais do cheque:

a) Denominação “CHEQUE” no título.


b) Ordem incondicional de pagar quantia determinada.
c) Identificação da instituição financeira sacada.
d) Local de pagamento.
e) Data de emissão; assinatura do sacador ou mandatário com poderes especiais,
bem como sua identificação.

O prazo de apresentação (saque ou depósito) do cheque é de trinta dias


para a mesma praça e de sessenta dias para praças diferentes.

O pós-datamento, (também conhecido como “pré-datamento”) da data de


saque do cheque, desvirtua a sua essência, pois ele é uma ordem de pagamento à
vista. A utilização deste instituto cria uma nova figura jurídica.

83
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

O cheque “pré-datado” passa a ser um “acordo de cavalheiros”, pois, como


o cheque é uma ordem de pagamento à vista, não haveria nenhuma ilegalidade
do credor promover o saque antes da data negociada entre as partes.

Porém, o descumprimento do pré-datamento do cheque, viola o princípio


da boa-fé objetiva exigida nas relações contratuais.

Assim, para regular as relações jurídicas advindas do pagamento do


cheque pré-datado antes da data acordada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ),
através da Súmula de nº 370, determinou que o descumprimento deste “acordo”
estabelecido entre as partes caracteriza dano moral.

Súmula 370 do STJ. "Caracteriza dano moral a apresentação antecipada


do cheque pré-datado".

FIGURA 3 – MODELO DE CHEQUE

FONTE: O autor

2.2.3 Duplicata
Nos dizeres de Campos (2005, p. 193), “As duplicatas são títulos de crédito
de emissão nas vendas e compras de bens móveis ou mercadorias de natureza
mercantil ou em decorrência de prestação de serviços, em ambos os casos, para
pagamento a prazo”.

As duplicatas encontram a sua regulamentação através da Lei nº 5.474, de


18 de julho 1968.

São requisitos essenciais da duplicata:


84
TÓPICO 3 | TÍTULOS DE CRÉDITO

a) Denominação duplicata.
b) Data da emissão e o número de ordem.
c) Número da fatura da qual foi extraída.
d) Data do vencimento ou declaração de ser à vista.
e) Nome e domicílio do vendedor e comprador.
f) Importância a pagar.
g) Local de pagamento.
h) Cláusula à ordem.
i) Declaração de sua exatidão e da obrigação de pagá-la a ser assinada pelo
comprador (aceite).

FIGURA 4 – MODELO DE DUPLICATA

FONTE: O autor

2.2.4 Letra de câmbio


Nos dizeres de Pinho e Nascimento (2004, p. 328), “é a ordem de pagamento
sacada pela pessoa que tenha provisão ou fundos disponíveis em poder de outra
pessoa contra esta mesma pessoa e a favor de um terceiro”.

Na letra de câmbio encontramos os seguintes elementos:

a) Sacado – quem deve pagar o título.


b) Sacador – pessoa que emite o título.
c) Tomador – portador do título.

85
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Para Campos (2005, p. 196) “As letras de câmbio são usadas, principalmente,
no comércio exterior e no mercado de financiamento de bens a prazo em lojas de
departamento ou concessionárias de veículos”.

FIGURA 5 – MODELO DE LETRA DE CÂMBIO

FONTE: O autor

2.3 TRANSMISSÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO


Os títulos de crédito são transmitidos por termo de cessão, ou por endosso:

Quanto à sua transmissão os títulos de crédito podem ser:

a) Ao portador – não denominam o nome do beneficiário, são transferidos apenas


com a simples entrega manual, se caracteriza com a posse do mesmo.
b) Nominativos – contêm o nome do proprietário, são transmitidos por termo de
cessão, que deverão conter o nome do novo proprietário.
c) Nominativos endossáveis ou com cláusula à ordem – contêm a inscrição do
nome do proprietário, mas podem ser transmitidos por simples endosso no
verso ou no corpo do título.

UNI

A partir de 13 de abril de 1990 os títulos só podem ser nominativos, sendo


vedada a emissão de títulos ao portador ou nominativos endossáveis (Lei n° 8.021, de 12 de
abril de 1990).

86
TÓPICO 3 | TÍTULOS DE CRÉDITO

2.3.1 Endosso
Para Führer e Milaré (2004, p. 307) o endosso é “uma forma de transmissão
dos títulos de crédito”.

No mesmo sentido Silva (2003, p. 234), define que endosso é uma “forma
de coobrigação e transferência dos títulos de crédito mediante assinatura dos
sucessivos, podendo ser em preto quando declara o nome do beneficiado, e em
branco quando não o faz”.

Tipos de endosso:

a) Em branco – o título de crédito contém apenas a assinatura do endossante, sem


indicar o nome do beneficiário.
b) Em preto – além de conter a assinatura do endossante deve-se escrever o nome
do beneficiário, denominado endossatário.

2.4 AVAL
No entendimento de Silva (2003, p. 234), aval é a “garantia de pagamento
de um título de crédito dada ao emitente ou endossante, por terceiro normalmente
estranho ao título, podendo ser em preto quando designa o nome do beneficiado
e em branco quando não o faz”.

Para Pinho e Nascimento (2004, p. 334), o aval é “obrigação cambiária,


pela qual o avalista assegura o pagamento da importância contida no título, no
seu vencimento, solidariamente com os demais coobrigados”.

2.5 PROTESTO
Para Führer e Milaré (2004, p. 308), o “protesto é a apresentação pública
do título ao devedor para aceite ou para pagamento”.

Com o protesto faz-se prova de que o devedor não cumpriu o pagamento


do título de crédito.

O protesto deverá ser efetuado no primeiro dia útil subsequente ao


vencimento do mesmo, perante um Cartório de Protesto de Títulos e Documentos.

O protesto encontra-se regulamentado na Lei nº 9.942, de 10 de setembro


de 1997.

87
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

2.6 PRAZOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO


O prazo de prescrição (possibilidade de intentar Ação Executiva) dos
títulos de crédito é a seguinte:

a) Duplicata – três anos após a data de seu vencimento.


b) Nota Promissória – três anos após a data de seu vencimento.
c) Letra de Câmbio – três anos após a data de seu vencimento.
d) Cheque – em seis meses após o prazo de apresentação (trinta dias quando
pagável na mesma praça e de sessenta dias quando emitido numa praça para
pagamento em outra).

88
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Os títulos de crédito são os documentos que representam o compromisso de


pagamento do débito contraído para com o credor.

• A nota promissória é uma promessa de pagamento, emitida pelo próprio


devedor, para pagar determinada importância em determinada data.

• O cheque é uma ordem de pagamento, à vista, sobre banco ou casa bancária,


para pagar certa soma, nominalmente ou ao portador, por conta de fundos
existentes e de propriedade de quem dá a ordem.

• A duplicata é um título de crédito de emissão na compra e venda de bens


móveis ou mercadorias de natureza mercantil ou em decorrência de prestação
de serviços, em ambos os casos, para pagamento a prazo.

• A letra de câmbio é uma ordem de pagamento sacada pela pessoa que tenha
provisão ou fundos disponíveis em poder de outra pessoa contra esta mesma
pessoa e a favor de um terceiro.

• Endosso é uma forma de coobrigação e transferência dos títulos de crédito


mediante assinatura dos sucessivos, podendo ser em preto quando declara o
nome do beneficiado, e em branco quando não o faz.

• Aval é a obrigação cambiária, pela qual o avalista assegura o pagamento da


importância contida no título, no seu vencimento, solidariamente com os
demais coobrigados.

• O protesto do título de crédito é a apresentação pública do título ao devedor


para aceite ou para pagamento.

89
AUTOATIVIDADE

1 Os títulos de crédito podem ser transmitidos (repassados à outra pessoa)


através do emprego de qual instituto relacionado?

a) ( ) Aval.
b) ( ) Aceite.
c) ( ) Endosso.
d) ( ) Saque.

2 São títulos de crédito que contêm ordem de pagamento:

a) ( ) Letra de câmbio e duplicata.


b) ( ) Nota promissória e cheque.
c) ( ) Nota promissória e duplicata.
d) ( ) Cheque e duplicata.

3 A respeito do regime do cheque no Brasil, assinale a opção correta.

a) ( ) O cheque pré-datado encontra-se previsto expressamente na legislação


brasileira.
b) ( ) O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar
autorizado a emitir cheque sobre eles, em virtude de contrato expresso ou
tácito.
c) ( ) O banco sacado pode negar-se a pagar os valores descritos no cheque
apresentado antes da data indicada.
d) ( ) O cheque, no Brasil, não é aceito como título de crédito.

4 Qual é o prazo prescricional para propor ação de execução de uma nota


promissória?

a) ( ) Dois anos após a data de seu vencimento.


b) ( ) Três anos após a data de seu vencimento.
c) ( ) Três anos após a data de sua emissão.
d) ( ) Seis meses após o início do seu prazo de apresentação.

90
UNIDADE 2
TÓPICO 4

DIREITO DO CONSUMIDOR

1 INTRODUÇÃO
O direito do consumidor é um ramo do direito que se detém a regulamentar
os conflitos advindos da relação de consumo e também para promover a defesa
dos direitos dos consumidores.

Estes direitos são de interesse de proteção em diversos países


com sociedades de consumo e sistemas legais funcionais.

A Constituição Federal do Brasil de 1988 previu a tutela à defesa dos


direitos dos consumidores nos arts. 5º XXXII, art. 170 V e no ADCT art. 48.

Assim, conclui-se que a inspiração do Código de Defesa do Consumidor


veio por determinação da Constituição Federal como uma espécie de complemento
a ela, foi também incluído este direito no rol dos direitos e garantias fundamentais,
mostrando a importância deste direito.

Desta forma, sob a determinação da Constituição Federal, em foi publicada


a Lei n° 8.078, em 11 de setembro de 1990, com o intuito de proteger o consumidor.

Pode-se observar também que o Código de Defesa do Consumidor preserva


a sua origem constitucional, possuindo normas que garantam a segurança de seu
destinatário final – o Consumidor - e também de interesse social, permitindo que
o Ministério Público atue como fiscal da lei, e, permitindo que o mesmo, também,
possa ingressar com medidas de proteção dos consumidores.

O Código de Defesa do Consumidor foi criado para proteger o consumidor.

2 DIREITO DO CONSUMIDOR – CONCEITOS


Para Campos (2005, p. 159) o “Direito do consumidor é um conjunto de
regras jurídicas que visa equilibrar as relações decorrentes do consumo de bens e
serviços, preservando os interesses do consumidor”.

As relações de consumo são compostas pelo consumidor, o fornecedor


tendo como o objeto a compra e venda de um produto ou serviço.

91
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

2.1 CONSUMIDOR
O Código de Defesa do Consumidor em seu art. 2º define o consumidor
como: “Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final”.

Para Campos (2005, p. 159) o “Consumidor é o sujeito que adquire bens


ou contrata a prestação de serviços como destinatário final”.

Consumidor compra para uso próprio, seja ela pessoa física ou jurídica. O
produto adquirido não pode ser revendido.

2.2 FORNECEDOR
O conceito de fornecedor encontra-se insculpido no art. 3º do Código de
Defesa do Consumidor:

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada,


nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados,
que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação,
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.

Conforme ensina Campos (2005, p. 159), o “Fornecedor é o que desenvolve


atividades de produção, importação, exportação, distribuição, comercialização
ou de produtos ou prestação de serviços”.

2.3 PRODUTO
O conceito de produto encontra-se formalizado no parágrafo 1º, do art. 3º
do Código de Defesa do Consumidor: “[...] § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou
imóvel, material ou imaterial”.

2.4 SERVIÇO
O conceito de serviço encontra-se vislumbrado no parágrafo 2º, do art. 3º
do Código de Defesa do Consumidor:

[...] § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de


consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária,
financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações
de caráter trabalhista.

92
TÓPICO 4 | DIREITO DO CONSUMIDOR

3 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR


O Código de Defesa do Consumidor define em seu art. 6º os Direitos
Básicos do Consumidor:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas
no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços,
asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e
preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou
impostas no fornecimento de produtos e serviços;
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações
desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem
excessivamente onerosas;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção
ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos,
assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus
da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil
a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências;
IX - (Vetado);
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

Ainda no tocante às facilidades destinadas ao consumidor, observa-se no


inciso VIII, do artigo supra, a inversão do ônus da prova. Neste caso, se tal benefício
for concedido pelo juiz, é o fornecedor que terá de provar que as declarações do
consumidor não são verdadeiras.

4 REPARAÇÃO DE DANOS
A responsabilidade civil do fornecedor, pelos danos oriundos dos
produtos e serviços causados ao consumidor, é objetiva, resultando no dever
de indenizar independente de prova da culpa pelo consumidor. Neste caso, o
consumidor precisa apenas alegar os danos sofridos, e o fornecedor é quem deve
provar que os mesmos foram causados por culpa exclusiva do consumidor.

O art. 12 do Código de Defesa do Consumidor estabelece quais são


as responsabilidades do fabricante, do produtor, do construtor, nacional ou
estrangeiro, e do importador:
93
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro e o


importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes
de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação,
apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele
legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias
relevantes, entre as quais:
I - sua apresentação;
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi colocado em circulação.
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor
qualidade ter sido colocado no mercado.
§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será
responsabilizado quando provar:
I - que não colocou o produto no mercado;
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
        
O art. 13 do Código de Defesa do Consumidor estabelece quais são as
responsabilidades do comerciante:

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo


anterior, quando:
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem
ser identificados;
II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante,
produtor, construtor ou importador;
III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.
Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado
poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis,
segundo sua participação na causação do evento danoso.

O art. 14 do Código de Defesa do Consumidor estabelece quais são as


responsabilidades do prestador de serviços:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência


de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor
dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes,
entre as quais:

94
TÓPICO 4 | DIREITO DO CONSUMIDOR

I - o modo de seu fornecimento;


II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi fornecido.
§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.
§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:
I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada
mediante a verificação de culpa.
Art. 15. (Vetado).
Art. 16. (Vetado).

A indenização referente à reparação dos danos causados ao consumidor


poderá abranger os danos patrimoniais, os danos morais e os danos estéticos
sofridos por este.

O prazo para pleitear a indenização pela via judicial prescreve em cinco


anos, a partir da data do conhecimento do dano e da autoria do mesmo.

Esta previsão encontra-se fundamentada no art. 27 do Código de Defesa


do Consumidor:

Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos


causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento
do dano e de sua autoria.

5 DIREITO DO CONSUMIDOR – DEFEITOS DE PRODUTOS E


SERVIÇOS
A responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço são os defeitos que
dão causa à reparação do dano, mas não estão relacionados com os defeitos estéticos
do produto. Esta responsabilidade está relacionada aos defeitos de substância, aos
de concepção do produto (aqueles que determinam o recolhimento do produto, em
decorrência de falha de seu processo produtivo).

Segundo Campos (2005, p. 161):

Os fornecedores de produtos de consumo, respondem solidariamente


pelos vícios de qualidade ou quantidade que o tornem impróprios
ou inadequados ao consumo, ou lhe diminuam o valor, podendo o
consumidor exigir a substituição das partes viciadas.

Ainda para Campos (2005, p. 161):

95
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

O vício de qualidade do produto atinge a estética, o funcionamento


ou qualidade do bem, em decorrência de erro ou acidentes de controle
de qualidade ao término da produção, ou de acondicionamento e
transporte, que acabam atingindo individualmente um ou outro
produto.

O artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor estabelece os prazos


para reclamação dos defeitos de produto ou de serviço:

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação


caduca em:
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não
duráveis;
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
§ 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do
produto ou do término da execução dos serviços.
§ 2° Obstam a decadência:
I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o
fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que
deve ser transmitida de forma inequívoca;
II - (Vetado).
III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.
§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em
que ficar evidenciado o defeito.

O prazo de garantia legal estabelecido no Código de Defesa do Consumidor


é de noventa dias (art. 26, II).

Quando a compra do produto não for presencial (internet, telefone,


catálogo), ao consumidor é facultado o arrependimento em até sete dias do
recebimento do produto, conforme disposição no art. 49 do Código de Defesa do
Consumidor:

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias


a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou
serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e
serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por
telefone ou a domicílio.

Ainda é direito do consumidor, que após a solicitação de conserto do


produto durável ou não, não estando o mesmo reparado, poderá este requerer a
substituição do produto por outro em perfeitas condições de uso, ou a restituição
do valor pago na compra, devidamente atualizado monetariamente, ou ainda, se
quiser, aceitar o produto não reparado, com um abatimento no preço, conforme
disposição do art. 18 do Código de Defesa do Consumidor:

96
TÓPICO 4 | DIREITO DO CONSUMIDOR

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis


respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os
tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes
diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as
indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem
publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o
consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o
consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições
de uso;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem
prejuízo de eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.
§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo
previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior
a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá
ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do
consumidor.
§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste
artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes
viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto,
diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.
§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste
artigo, e não sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição
por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação
ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos
incisos II e III do § 1° deste artigo.
§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante
o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente
seu produtor.
§ 6° São impróprios ao uso e consumo:
I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;
II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados,
corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles
em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou
apresentação;
III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que
se destinam.

6 CONTRATOS – CLÁUSULAS ABUSIVAS


O Código de Defesa do Consumidor considera abusivo o comportamento
em desconformidade aos preceitos estabelecidos pela legislação consumerista.

97
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Para Campos (2005, p. 161) “Considera-se abusivo o comportamento em


desconformidade com os padrões mercadológicos de boa conduta em relação ao
consumidor”.

No Código de Defesa do Consumidor estão contemplados estes


comportamentos:

a) Colocar no mercado produto ou serviço com alto grau de nocividade ou


periculosidade (art. 10, do CDC).
b) Comercializar produtos e serviços impróprios (art. 18, § 6º, e art. 20 § 2º, do
CDC).
c) Não empregar peças de reposição adequadas (art. 21, do CDC).
d) Não dispor de peças de reposição (art. 32, do CDC).
e) Veicular publicidade clandestina e abusiva (art. 36 e 37, § 2º).

São também consideradas práticas abusivas pelo fornecedor de produtos


e serviços:

a) Não manter estoque em conformidade com a demanda.


b) Prevalecer-se da ignorância do consumidor para impingir-lhe seus produtos.
c) Executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa
do consumidor.
d) Colocar no mercado qualquer produto em desacordo com as normas dos
órgãos oficiais.
e) Elevar o preço sem justa causa.

O Código de Defesa do Consumidor ainda determina a nulidade das


cláusulas contratuais abusivas, conforme disposição do art. 51 do Código de
Defesa do Consumidor:

Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais
relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por
vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia
ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o
consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações
justificáveis;
II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos
casos previstos neste código;
III - transfiram responsabilidades a terceiros;
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o
consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé
ou a equidade;
V - (Vetado);
VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;
VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem;

98
TÓPICO 4 | DIREITO DO CONSUMIDOR

VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico


pelo consumidor;
IX - deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora
obrigando o consumidor;
X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de
maneira unilateral;
XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que
igual direito seja conferido ao consumidor;
XII - obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação,
sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor;
XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a
qualidade do contrato, após sua celebração;
XIV - infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais;
XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor;
XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias
necessárias.
§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vontade que:
I - ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence;
II - restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do
contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual;
III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a
natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias
peculiares ao caso.
§ 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato,
exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer
ônus excessivo a qualquer das partes.
§ 3° (Vetado).
§ 4° É facultado a qualquer consumidor ou entidade que o represente requerer
ao Ministério Público que ajuíze a competente ação para ser declarada a
nulidade de cláusula contratual que contrarie o disposto neste código ou de
qualquer forma não assegure o justo equilíbrio entre direitos e obrigações das
partes.

99
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

LEITURA COMPLEMENTAR

NOÇÕES BÁSICAS ACERCA DO DIREITO EMPRESARIAL


DEFINIÇÃO DE “EMPRESÁRIO”

Adriano Martins Pinheiro

Segundo o artigo 966 do Código Civil: “Considera-se empresário quem exerce


profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços”.

Empresário individual nada mais é do que aquele que exerce em nome


próprio atividade empresarial. Este conceito é o norte da definição do Doutor e
Professor Fábio Ulhôa Coelho (Fonte: <adrianopinheiroadvocacia.com.br>).

Vale salientar que, da definição de empresário destacam-se as noções de


profissionalismo, atividade econômica organizada e produção e circulação de
bens ou serviços.

Não se pode chamar sócios de sociedade empresária de empresários,


são estes, na verdade, empreendedores e investidores. A distinção entre
empreendedor e investidor, torna-se patente quando se trata de distinguir as
definições de empresário individual e sociedades empresárias.

Empreendedores costumam devotar trabalho à pessoa jurídica, na


condição de seus administradores, bem como o investimento de capital. Já, os
investidores se limitam a aportar capital.

Por sua vez, o empresário individual distingue-se da sociedade empresária.


Tratando-se de pessoa física, será empresário individual, se, pessoa jurídica,
sociedade empresária.

Consoante retro mencionado: “quando pessoas (naturais) unem seus esforços


para, em sociedade, ganhar dinheiro, com a exploração empresarial de uma atividade
econômica, elas não se tornam empresárias”.

Grandes negócios exigem grandes investimentos, em razão disto, não


possui o empresário individual a condição de explorar atividades economicamente
importantes. Nesse caso, as atividades de maior expressão econômica são
exploradas pelas sociedades empresárias, geralmente anônimas ou limitadas.

Definição de “empresa”
Importantes conceitos de empresa foram abordados no parecer de Fábio
Ulhoa publicado no site do Instituto de Registro de Títulos e Documentos e de
Pessoas Jurídicas do Brasil, que passo a transcrever:

100
TÓPICO 4 | DIREITO DO CONSUMIDOR

“Conceitua-se empresa como sendo atividade, cuja marca essencial é a obtenção


de lucros com o oferecimento ao mercado de bens ou serviços, gerados estes mediante a
organização dos fatores de produção (força de trabalho, matéria-prima, capital e tecnologia).
Esse modo de conceituar empresa, em torno de uma peculiar atividade, embora não seja
totalmente isento de imprecisões, é corrente hoje em dia entre os doutrinadores. No
passado, contudo, muito se discutiu sobre a unidade da noção jurídica da empresa, que era
vista como resultante de diferentes fatores, objetivos e subjetivos (9). Certo entendimento
bastante prestigiado considerava-a, em termos jurídicos, um conceito plurivalente”.

Empresa no direito brasileiro deve forçosamente ser definida como


atividade, uma vez que há conceitos legais próprios para empresário, prevista
no CC, art. 966 e estabelecimento no art. 1.142 do mesmo diploma legal.
Infere-se “empresa” deve ser entendida como uma atividade revestida de
duas características singulares, quais sejam: é econômica e é organizada. Por
fim, tecnicamente, o termo empresa somente pode usado como sinônimo de
empreendimento.

A Sociedade Limitada

Consoante preconiza o artigo 1.052 do Código Civil, na sociedade limitada,


a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos
respondem solidariamente pela integralização do capital social; e este se divide
em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio.

A Sociedade Anônima

Quanto à sociedade anônima ou companhia, o capital divide-se em ações,


obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações
que subscrever ou adquirir. (art. 1.088, do Código Civil).

A lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 em seu artigo 1º dispõe


que a companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a
responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das
ações subscritas ou adquiridas.

Quanto ao objeto social da sociedade anônima, pode ser qualquer empresa


de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. Salienta
a indigita lei que qualquer que seja o objeto, a companhia é mercantil e se rege
pelas leis e usos do comércio.

Atividade econômica rural

É cediço que, geralmente, a atividade econômica rural é a explorada


além dos limites da cidade. Para moradores das grandes cidades é simples
o entendimento dessa configuração. Fábio Ulhoa menciona razões de cunho
material, cultural, econômico ou jurídico.

101
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

Citam-se como rurais atividades econômicas como: plantação de vegetais


destinadas a alimentos, fonte energética ou matéria-prima, criação de animais
para abate, reprodução, competição ou lazer e o extrativismo vegetal, dentre
outras. No Brasil, dois tipos de atividades rurais distintos são explorados, de um
lado, a agroindústria (ou agronegócio) e, de outro, a agricultura familiar.

Por conta das peculiaridades de cada tipo, o legislador no C.C de


2002 reservou um tratamento específico para o exercente de atividade rural.
Esse tratamento dependerá de sua faculdade em inscrever-se ou não na Junta
Comercial.

A opção da indigitada inscrição o definirá como empresário e, por


consequência estará sob as normas do Direito Comercial, caso contrário estará
submetido tão somente ao Código Civil.

Obrigações comuns aos empresários

São obrigações comuns a todo empresário inscrever-se no Registro


de Empresas antes de iniciar sua atividade (art. 967 do CC); realizar balanço
patrimonial e de resultado econômico anualmente (art. 1.179 do CC) e escriturar
os livros obrigatórios (art. 1.179 do Código Civil).

Em suma, pode-se dizer que o empresário é obrigado a seguir um


sistema de contabilidade com base na escrituração uniforme de seus livros, em
correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o
balanço patrimonial e o de resultado econômico.

O registro da atividade empresária

Para que o empresário esteja regular em suas atividades, deve cumprir


as normas do Código Civil, bem como os preceitos da lei nº 8.934/94 que rege o
registro empresarial.

O artigo 967, do C.C prescreve:

“É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas


Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”.

Por conseguinte, o artigo 1º, e incisos, da lei da lei nº 8.934/94:

“O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins,


subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o
território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as
seguintes finalidades”:

102
TÓPICO 4 | DIREITO DO CONSUMIDOR

(...) cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento


no País e manter atualizadas as informações pertinentes. e “proceder
à matrícula dos agentes auxiliares do comércio, bem como ao seu
cancelamento (...).

Em suma, conclui-se que a lei de 1994 simplificou de modo considerável a


sistemática anterior, reduzindo para três os atos do registro de empresa, a saber;
matrícula, arquivamento e a autenticação.

Cumprindo os requisitos estabelecidos nas leis mencionadas, bem como


os procedimentos dos regimes de execução do registro de empresa previsto na
LRE, arts. 41 e 42, o empresário gozará da segurança legal necessária para suas
atividades, e, em contra partida, arcará com eventuais prejuízos, limitações e
riscos, caso não cumpra tais formalidades legais. Este é o denominado “Empresário
Irregular” do qual falaremos a seguir.

O Sistema Nacional de Registro Mercantil (SINREM) compõe-se do


Departamento Nacional do Registro do Comércio e (DNRC), na esfera federal,
ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

O Empresário Irregular

Para os empresários irregulares surgirão consequências que os excluirão


de benefícios importantes para os fins comerciais.

O empresário não registrado não pode usufruir os benefícios que o


direito comercial libera em seu favor, de sorte que a eles se aplicam restrições
como: legitimidade ativa para o pedido de falência de seu devedor ou para
impetrar concordata, bem como não pode ter os seus livros autenticados no
Registro de Empresa, em virtude da falta de inscrição e, por consequência, se for
decretada sua falência, esta será considerada, irremediavelmente, fraudulenta,
caracterizando crime falimentar. Tratando-se de “Sociedade em Comum”, além
dessas consequências, acrescentar-se-ão as previstas no art. 990 do CC.

O Profissional Liberal

No conceito de empresário há noções a serem trabalhadas que evidenciam


a exclusão do profissional liberal de tal classificação.

Cumpre destacar ainda, o § 1º que dispõe: “Não se considera empresário


quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística,
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da
profissão constituir elemento de empresa”.

A definição legal de empresário e profissional liberal possui relevância


quanto à responsabilidade dos fatos e dos serviços prestados, haja vista a previsão
do Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 14, § 4º:

103
UNIDADE 2 | LEGISLAÇÃO CIVIL

A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada


mediante a verificação de culpa. Já, no caso dos fornecedores tratados
no presente, o fornecedor de serviços em sentindo amplo, responde,
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.

As noções de profissionalismo, atividade econômica organizada e


produção ou circulação de bens ou serviços demonstram que não estão presentes
na análise das atividades de um profissional liberal. Ressalte-se também que, em
rápida análise, constata-se que ficarão de fora do conceito de empresarialidade.

Ausentes os elementos supra, fala-se das atividades civis e da exclusão


do conceito legal de empresário. Conforme já destacado, o artigo do 966, do CC,
excetua os profissionais liberais e não os sujeitam ao Direito Comercial, a exemplo
dos advogados, médicos, dentistas, arquitetos etc.

Haverá exceção quanto à exclusão dos profissionais liberais as regras do


Direito Comercial, na hipótese em que o exercício da profissão constitui elemento
de empresa (Fonte: <adrianopinheiroadvocacia.com.br>).

Por fim, pode-se dizer que na medida em que se expande o alcance e


empreendimento deste profissional, e consequentemente, a contratação de outros
profissionais, sua impessoalidade no atendimento, a organização necessária para
a atividade prestada aos clientes, poderá ocorrer uma transição da condição
jurídica de profissional intelectual para a de elemento de empresa, tornando o
então profissional em, juridicamente, empresário.

Bibliografia
Conceitos Fundamentais do Direito Empresarial e Tipos Empresariais
Bibliografia: COELHO, F. U. Curso de Direito Comercial: Direito de Empresa. 21.
ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
Coelho, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial / Fábio Ulhoa Coelho. 15. ed. e
atual. – São Paulo: Saraiva, 2004.

FONTE: Disponível em: <http://www.artigonal.com/doutrina-artigos/nocoes-basicas-acerca-do-


direito-empresarial-1360124.html>. Acesso em: 9 nov. 2012.

104
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:

• Direito do consumidor é um conjunto de regras jurídicas que visa equilibrar as


relações decorrentes do consumo de bens e serviços, preservando os interesses
do consumidor.

• Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou


serviço como destinatário final.

• Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou


estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade
de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação,
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de
serviços.

• Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

• Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante


remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e
securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

• Considera-se abusivo o comportamento em desconformidade com os padrões


mercadológicos de boa conduta em relação ao consumidor.

105
AUTOATIVIDADE

1 O prazo para ajuizar uma ação de indenização do consumidor em face do


fornecedor, pela ocorrência de um acidente de consumo:

a) ( ) É suspenso a partir da reclamação comprovadamente formulada pelo


consumidor perante o fornecedor, até sua resposta negativa.
b) ( ) É de 90 dias, em se tratando de produtos não duráveis.
c) ( ) É suspenso com a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.
d) ( ) É de cinco anos, a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.

2 Para fins de aplicação do Código de Defesa do Consumidor:

a) ( ) A pessoa jurídica que utiliza serviço como destinatário final é consumidor.


b) ( ) Serviço é qualquer bem imaterial.
c) ( ) Fornecedor é a pessoa jurídica que transforma o produto para fins
próprios.
d) ( ) Produto é o bem resultante de operação financeira que envolve lucro.

3 No que se refere ao campo de aplicação do Código de Defesa do Consumidor


(CDC), assinale a opção CORRETA:

a) ( ) O conceito de consumidor restringe-se às pessoas físicas que adquirem


produtos como destinatárias finais da comercialização de bens no mercado
de consumo.
b) ( ) O conceito de fornecedor envolve o fabricante, o construtor, o produtor,
o importador e o comerciante, os quais responderão solidariamente sempre
que ocorrer dano indenizável ao consumidor.
c) ( ) O conceito de produto é definido como o conjunto de bens corpóreos,
móveis ou imóveis, que sejam oferecidos pelos fornecedores para consumo
pelos adquirentes.
d) ( ) O conceito de serviço engloba qualquer atividade oferecida no mercado
de consumo, mediante remuneração, salvo as decorrentes das relações de
caráter trabalhista.

4 As cláusulas abusivas nas relações de consumo previstas no art. 51 do CDC:

a) ( ) São tidas por inexistentes.


b) ( ) São ineficazes, mas por sua natureza especial dependem da provocação
do consumidor para seu reconhecimento.
c) ( ) São nulas de pleno direito.
d) ( ) Podem ser aplicadas livremente pelo fornecedor.

106
5 O reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de
consumo é princípio da Política Nacional das Relações de Consumo e
significa que:

a) ( ) O fornecedor é a parte hipossuficiente (parte mais fraca) no mercado de


consumo.
b) ( ) O consumidor é sempre a parte mais forte na relação de consumo.
c) ( ) Não existe a responsabilidade do fornecedor nas relações de consumo,
pois o consumidor é sempre o culpado pelos danos causados ao produto.
d) ( ) O consumidor é sempre a parte mais fraca na relação de consumo.

107
108
UNIDADE 3

CONTRATOS, PROPRIEDADE
INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO
TRABALHISTA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de compreender:

• compreender o conceito de contrato, o momento de sua formação, execu-


ção e extinção, bem como conhecer os diferentes tipos de contratos e suas
características;

• compreender a importância da Propriedade Industrial, bem como da ne-


cessidade dos seus registros (patentes, registro industrial e marcas), sobre-
tudo, para garantir os direitos do inventor;

• identificar alguns direitos básicos do trabalhador, bem como reconhecer


os diferentes tipos de relação de trabalho e suas características.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos e no final de cada um deles, você
encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.

TÓPICO 1 – CONTRATOS

TÓPICO 2 – PROPRIEDADE INDUSTRIAL

TÓPICO 3 – DIREITO DO TRABALHO

109
110
UNIDADE 3
TÓPICO 1
CONTRATOS

1 INTRODUÇÃO
Para Gonçalves (2010, p. 21), “O contrato é a mais comum e a mais
importante fonte de obrigação, devido às suas múltiplas formas e inúmeras
repercussões no mundo jurídico”.

Desde o princípio da humanidade os contratos são celebrados entre as


pessoas, muito antes do surgimento da escrita. Desta evolução histórica temos
atualmente a presença de três tipos de contrato: o tácito, o verbal e o escrito.

Pode-se dizer que o contrato é criado quando surge um acordo de vontade


entre as partes.

O contrato o obriga o cumprimento das partes em todos os seus termos, e


neste sentido podemos dizer que “o contrato faz lei entre as partes.”.

O Direito brasileiro regulamenta os contratos em seu Código Civil entre


os artigos 421 a 471.

2 CONCEITOS
Conforme Campos (2005, p. 141), “Direito Contratual é o conjunto de regras
que se dispõe a regular as declarações de vontade das pessoas, estabelecendo
um vínculo jurídico com o fim de resguardar, modificar ou extinguir direitos e
obrigações”.

Neste sentido Pinho e Nascimento (2004, p. 267), “contrato é a convenção


estabelecida entre duas ou mais pessoas, em virtude da qual uma delas (sujeito
ativo) obriga a outra (sujeito passivo) a dar, fazer ou abster-se de algo, exemplo:
contrato de compra e venda”.

Ainda estabelecendo elementos para a conceituação do termo contrato, o


prof. Führer (2004, p. 34), assevera que “contrato é a convenção estabelecida entre
duas ou mais pessoas para constituir, regular ou extinguir entre elas uma relação
jurídico-patrimonial".

O contrato é fonte de obrigação, que vincula os contratantes a cumprir


aquilo que foi assinado pelas partes. Esta força obrigatória – pacta sunt servanda –

111
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

determina que as partes devem cumprir as obrigações nos exatos termos em que
foram avençadas, resultando daí, a afirmação de que “o contrato faz lei entre as
partes”.

Para os contratos serem válidos é necessário que estejam presentes os


seguintes requisitos (elementos essenciais):

a) Partes – as partes devem estar no pleno gozo de seus direitos podendo exercer
todos os seus direitos civis (art. 1 do Código Civil).
b) Objeto – o objeto do contrato não pode ser proibido (deve ser lícito, possível,
determinado ou determinável).
c) Forma – a forma do contrato deve ser prescrita ou não defesa (proibida) em lei.
d) Vontade das partes (Autonomia da vontade) – deve ser livre e não pode estar
viciada (vícios do negócio jurídico – ex.: erro, dolo, coação etc.).

O contrato possui as seguintes fases:

a) Proposta – Por ser declaração de vontade emitida, obriga em geral o proponente.


b) Aceitação – Quando o destinatário da proposta (oblato) se manifesta
positivamente formalizando o contrato.
c) Aceitação tardia – possibilidade de validação do negócio, através do envio
extemporâneo, que pode valer também como nova proposta. Ex. Ocorre quando
a aceitação, expedida em tempo hábil, chega ao proponente tardiamente, por
circunstância imprevista (extravio de correspondência), deve ser comunicado
imediatamente ao oblato, sob a pena de arcar com perdas e danos (art. 430 do
Código Civil Brasileiro).
d) Retratação – é uma declaração pela qual são retirados, anulados ou cancelados
os efeitos da aceitação anteriormente feita, e que somente produzirá efeitos
quando esta chegar ao conhecimento do proponente antes da aceitação,
ou simultaneamente a ela, caso contrário, o contrato já estará formado e a
retratação não mais o suspende.
e) Contraproposta – manifestação de vontade de incorporar um elemento
essencial novo na situação apresentada, ou seja, é uma manifestação de vontade
que não constava da oferta.

Os contratos podem ser classificados de acordo com o lugar e o momento


de sua contratação da seguinte forma:

a) Contratos com formatação instantânea (oferta x aceitação) – Contratos


entre presentes – ex.: contratos face a face, contratos por telefone (respostas
instantâneas – tempo real).
b) Contratos com formatação tardia – Contratos entre ausentes – ex.: contatos
enviados e recebidos via correio, contratos enviados e recebidos via fax,
contratos enviados e recebidos via e-mail (respostas não instantâneas – não em
tempo real).

112
TÓPICO 1 | CONTRATOS

Os contratos se extinguem da seguinte forma:

a) Extinção normal – o cumprimento da obrigação (solutio) é o fim natural de


todo contrato. Ex.: O vendedor entrega o bem ao comprador.
b) Extinção por fatos anteriores – pode ocorrer em três hipóteses:
i) Invalidade contratual (o contrato é nulo ou anulável). Ex.: Existe a ausência
de algum elemento essencial do contrato;
ii) Cláusula de arrependimento. Ex.: É a inserção de uma cláusula que permita
a um dos contratantes deixar de cumprir o contrato caso se arrependa.
iii) Cláusula resolutiva expressa (acarreta a rescisão de pleno direito
do contrato). Ex. É a cláusula que prevê o término do contrato pelo
descumprimento das obrigações contraídas, por um dos contratantes.
c) Extinção por fatos posteriores – extinção do contrato pelo seu não cumprimento
(resolução), ou quando não mais interessa às partes o seu cumprimento
(resilição). Ex.: quando um evento posterior à assinatura do contrato gera
uma onerosidade excessiva para um das partes – aumento dos combustíveis,
realizado pelo governo, num contrato de fornecimento de gasolina em longo
prazo para uma prefeitura.
d) Extinção em razão da morte – somente os contratos personalíssimos são extintos
em razão da morte. Os contratos impessoais devem ser cumpridos nos limites
da herança. Ex.: falecimento de um escultor contratado para confeccionar uma
estátua.
e) Resolução do contrato – se opera quando uma das partes se vale do Poder
Judiciário para colocar fim à relação de emprego. Um exemplo clássico é a
rescisão indireta (artigo 483). Ex.: Um dos contratantes entra com uma ação
judicial para não cumprir o contrato firmado.
f) Resilição do contrato – quando há a declaração de uma ou ambas as partes
de forma convencional. Tem-se como exemplo o fim do contrato por prazo
determinado. Ex.: Os contratantes firmam um acordo para terminar o contrato.
g) Rescisão do contrato – se opera quando há lesão contratual, ou seja,
quando há, por uma das partes, descumprimento das cláusulas contratuais.
Exemplificando: justa causa por parte do empregado (artigo 482 da CLT) ou,
por pelo empregador (artigo 483 da CLT).
h) Cessação do contrato – se concretiza pelo término da relação contratual em
razão do óbito de uma das partes – empregado ou empregador.
i) Distrato – é o acordo de vontades que tem por fim extinguir um contrato
anteriormente celebrado. (Art. 472, do CC). Os efeitos do distrato são ex nunc –
para o futuro, não se desfazendo os atos anteriormente produzidos.
j) Quitação – é um documento escrito em que o credor declara o devedor liberado
da obrigação por lhe haver pagado a quantia devida.

Diferença entre contrato nulo e anulável:

a) Contrato nulo – é aquele em que a anulação alcança todo o ato (ex tunc).
Ex.: o absolutamente incapaz, quando praticar algum ato na vida civil será
completamente nulo.

113
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

b) Contrato anulável – é aquele que apesar de ser declarado extinto ele tem seus
efeitos preservados (ex nunc). Ex.: o ato praticado pelo relativamente incapaz,
quem tem entre 16 e 18 anos, terá a validação desde que não haja prejuízo ao
menor. Após decisão judicial, o contrato deixará de ter validade daquele dia
em diante, mas os atos praticados até aquele momento são válidos.

Para Gonçalves (2010, p. 89) os contratos podem ser divididos quanto aos
seus efeitos como:

a) Unilaterais: são os contratos que criam obrigações unicamente para uma das
partes. Ex.: doação pura.
b) Bilaterais: são os que geram obrigações para ambos os contratantes. Ex.
Locação, compra e venda.
c) Plurilaterais: são os contratos que têm mais de duas partes. Ex.: Contratos de
sociedade, contratos de consórcio.
d) Bilaterais Imperfeitos: é o contrato unilateral, que acidentalmente gera
alguma obrigação para o contratante que não se comprometera. Ex.: depósito,
comodato.
e) Onerosos: ambos os contratantes têm obrigações patrimoniais. Ex.: compra
e venda.
f) Gratuitos: apenas um dos contratantes se compromete economicamente.
Ex.: doação pura.
g) Comutativos: cada um dos contratantes recebe, ou entende que recebe uma
contraprestação mais ou menos equivalente. Ex.: compra e venda.
h) Aleatórios: os contratantes arriscam-se numa contraprestação inexistente ou
desproporcional. Ex.: contratos de seguro, de risco ou de aposta.

Para Gonçalves (2010, p. 89), os contratos podem ser divididos quanto ao


momento de sua execução como:

a) Execução imediata: são os contratos cumpridos no ato, por ambos os


contratantes. Ex.: compra e venda com a entrega imediata da mercadoria.
b) Execução diferida (retardada): são os contratos de prazo único. Ex.: compra
e venda com entrega da mercadoria posteriormente.
c) Execução sucessiva: são os contratos cumpridos em etapas periódicas.
Ex.: contrato de compra e venda com a entrega da mercadoria em etapas
periódicas.

Para Gonçalves (2010, p. 89), os contratos podem ser divididos quanto à


formação como:

a) Paritários: são os contratos em que as partes possuem igualdade, escolhendo


e discutindo livremente todas as cláusulas do contrato. Ex.: contrato de
compra e venda de bens móveis.
b) Adesão: são os contratos em que apenas uma das partes possui o controle,
impondo todas as cláusulas, cabendo apenas à outra parte aderir ou não.
Ex.: contrato de fornecimento de água, energia elétrica, planos de saúde,
telefonia, tv a cabo.
114
TÓPICO 1 | CONTRATOS

c) De Massa (contratos tipo): são os contratos em série, ou por formulários,


geralmente já impressos. Em geral são de adesão.

Para Gonçalves (2010, p. 89), os contratos podem ser divididos quanto ao


agente como:

a) Contratos personalíssimos ou intuitu personae: são celebrados em atenção


às qualidades pessoais de um dos contraentes (qualidades culturais,
profissionais, artísticas...).
b) Contratos impessoais: são aqueles cuja prestação pode ser cumprida,
indiferentemente, pelo obrigado ou por terceiro.
c) Contrato com pessoa a declarar: o art. 467 do Código Civil define neste tipo
de contrato que uma das partes pode reservar-se da faculdade de indicar a
pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes.
Ex.: Compra e venda de imóveis.
d) Coletivos: são os contratos celebrados entre categorias profissionais. Ex.:
acordos coletivos trabalhistas.

Para Gonçalves (2010, p. 90), os contratos podem ser divididos quanto ao


modo de por que existem como:

a) Principais: são os contratos que subsistem de forma independente. Ex.:


locação.
b) Acessórios: são os contratos que só existem em função de outro contrato. Ex.:
contrato de fiança.
c) Conexos: são os contratos relacionados entre si, por justaposição ou por
relação de dependência.
d) Derivado (subcontratos): são os contratos que têm por objeto os direitos
estabelecidos em outro contrato. Ex.: sublocação, subempreitada.

Para Gonçalves (2010, p. 90), os contratos podem ser divididos quanto à


forma em:

a) Formais: os contratos formais têm forma prescrita na lei, que só possuem


validade se forem por escrito. Ex.: fiança, seguro ou compra e venda de
imóveis, que só vale por escritura pública.
b) Informais: são os contratos que possuem forma livre, podem ser verbais,
tácitos ou por escrito. Ex.: a compra e venda de bens móveis.
c) Consensuais: são os contratos formados pela simples proposta e aceitação.
Ex.: prestação de serviços.
d) Reais: são os contratos que só se formam com a entrega efetiva de uma coisa
(res). Ex.: contrato de empréstimo, ou compra e venda de bens.

Para Gonçalves (2010, p. 90), os contratos podem ser divididos quanto ao


objeto em:

115
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

a) Preliminares: são também conhecidos como pré-contratos,


compromisso (pacto de contrahendo), são feitos para tornar obrigatória
a celebração de um contrato futuro que será definitivo.
b) Definitivo: é o resultado do cumprimento do contrato preliminar
(seu objetivo), é a materialização do foi pactuado no contrato
preliminar.

Para Gonçalves (2010, p. 90), os contratos podem ser divididos quanto à


designação em:

a) Típicos (nominados): são os contratos previstos e regulados em lei. Ex.:


contratos de compra e venda.
b) Atípicos (inominados): são os contratos não previstos em lei. Ex.: contrato
de cessão de clientela.
c) Mistos (complexos): são os contratos formados pela fusão ou combinação de
dois ou mais contratos típicos. Ex.: contratos de alienação fiduciária (venda +
depósito) ou leasing (locação + opção de compra).

UNI

EX NUNC E EX TUNC
São expressões latinas que se aplicam à validade ou à nulidade das normas, onde:
a) EX NUNC: Significa desde agora. A validade ou a nulidade de ato ex nunc, cujos efeitos
decorrem a partir da declaração de nulidade. Não retroage.
b) EX TUNC: Significa desde o início. A validade ou a nulidade de ato ex tunc, cujos efeitos
decorrem a partir da criação do ato que gerou a nulidade. Retroage.

Sobre os elementos essenciais do contrato, você já sabe que:

AS PARTES CONTRATANTES DEVEM SER CAPAZES;


O OBJETO DO CONTRATO DE SER LÍCITO;
A FORMA DO CONTRATO DEVE SER O QUE A LEI PREVÊ OU NÃO
PROÍBA;
AS PARTES CONTRATANTES NÃO PODEM SER OBRIGADAS A
ASSINAR O CONTRATO.

116
TÓPICO 1 | CONTRATOS

3 FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO


A função social do contrato estabelece que o contrato não seja mais
vislumbrado como uma relação jurídica obrigacional existente apenas para
satisfazer interesses relativos às partes envolvidas, mas sim, como um mecanismo
de consecução do bem comum, de busca do interesse social (função social).

Assim, o Código Civil determina que a liberdade de contratar seja exercida


em razão e nos limites da função social do contrato (art. 421, do Código Civil).

Este conceito, nos dizeres de Coelho (2010, p. 50), encontra a seguinte


fundamentação:

Não atende à função social, assim, os contratos cuja execução possa


sacrificar, comprometer ou lesar, de qualquer modo, interesses
metaindividuais. É o caso, por exemplo, da empreitada, em que o
dono de gleba vizinha a rio contrata a construção de edifício fabril
com a derrubada da mata ciliar; do mandato, em que o anunciante
incumbe à agência de propaganda a tarefa de produzir e providenciar
a veiculação de publicidade abusiva [...].

Neste passo podemos concluir que o contrato cumpre a sua função social
quando este não sacrifica, compromete ou lesa os interesses coletivos, públicos ou
difusos, aos quais as partes contratantes não possuem disponibilidade.

4 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ
Para Gonçalves (2010, p. 54), “o princípio da boa-fé contratual exige que
as partes ajam de forma correta desde as fases preliminares do contrato, durante
a formação até o cumprimento do contrato”. Este princípio divide-se em duas
partes: Boa-fé subjetiva e boa-fé objetiva.

Para Gagliano e Pamplona Filho (2010, p. 101), “a boa-fé objetiva consiste


em uma verdadeira regra de comportamento, de fundo ético e exigibilidade
jurídica”.

Para Gonçalves (2010, p. 56), “a boa-fé subjetiva, implica a noção de


entendimento equivocado, em erro que enreda o contratante”.

Ainda sobre a necessidade de compreendermos o instituto da boa-fé,


podemos aprofundar nossos estudos nos dizeres de Coelho (2010, p. 46), “A
virtude da boa-fé consiste em acreditar no que diz e dizer o que acredita. Quem
está de má-fé, mente; mas quem mente não necessariamente está de má-fé”.

Neste sentido, o Código Civil em seu Art. 422, estabelece que: “Os
contratantes são obrigados a guardar, assim, na conclusão do contrato, como em
sua execução, os princípios da probidade e da boa-fé”.

117
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

Assim para Coelho (2010, p. 47):

Se o contratante não age de boa-fé – nas negociações ou na execução


do contrato –, ele descumpre uma obrigação imposta pela lei. Incorre,
portanto, num ato ilícito. As consequências do descumprimento do
dever geral de boa-fé objetiva, portanto, são as mesmas de qualquer
ilicitude: o outro contratante tem o direito à indenização pelos
prejuízos que sofrer.

5 VÍCIO REDIBITÓRIO
Nas palavras de Coelho (2010, p. 148), “Diz-se que a coisa é viciada quando
apresenta alguma impropriedade capaz de prejudicar ou comprometer seu pleno
uso ou diminuir-lhe o valor”.

Vício redibitório é o defeito oculto da coisa recebida (em virtude de


contrato comutativo ou doação onerosa), que a torna imprópria ao uso a que
se destina, ou que lhe diminua excessivamente o valor. A pessoa que recebeu a
coisa com defeito pode rejeitar a coisa, ou reclamar o abatimento no preço. Se
o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com
perdas e danos; se não o conhecia, tão somente restituirá o valor recebido, mais as
despesas do contrato. Ex.: a compra de um carro que estava com uma válvula do
motor avariada. Algum tempo depois resulta na quebra do motor, em decorrência
desta peça. Tal defeito não fora detectado no momento da compra, porém causou
prejuízos ao comprador. Este prejuízo deverá ser suportado pelo vendedor.

Os prazos para reclamações quanto ao vício redibitório são:

a) Prazo bem móvel: i) Fácil constatação – 30 dias.


ii) Difícil constatação – 180 dias.

b) Prazo bem imóvel: i) Fácil constatação – 1 ano.


ii) Difícil constatação – 1 ano.

Neste ponto podemos definir que:

O CONTRATANTE PODE REJEITAR A COISA VICIADA OU EXIGIR


ABATIMENTO NO PREÇO, DESDE QUE SUA VONTADE SEJA
MANIFESTADA DENTRO DO PRAZO LEGAL.

118
TÓPICO 1 | CONTRATOS

6 EVICÇÃO
Para Gonçalves (2010, p. 144), “Evicção é a perda da coisa em virtude
de sentença judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao
contrato”.

Nas palavras de Rodrigues (2002, p. 111), “Dá-se a evicção quando


o adquirente de uma coisa se vê total ou parcialmente privado da mesma, em
virtude de sentença judicial, que a atribui a terceiro, seu verdadeiro dono”.

No mesmo sentido Coelho (2010, p. 151), define a evicção da seguinte


forma:

Se a coisa objeto de contrato oneroso é reivindicada por terceiro, o


contratante que havia assumido a obrigação de entregá-la (alienante)
reponde por evicção; isto é, deve indenizar o outro contratante
(adquirente), caso seja acolhida em juízo a reivindicação da coisa.
Trata-se de garantia implícita nos contratos onerosos, derivada da
noção geral de que o transmitente deve assegurar a posse justa sobre
a coisa transmitida.

Até agora podemos definir que:

A EVICÇÃO CONSISTE NA PERDA DO OBJETO DO CONTRATO


EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE ACATA A
REIVINDICAÇÃO DE UM TERCEIRO. NESTE CASO DEVE O
ALIENANTE INDENIZAR O ADQUIRENTE.

7 TEORIA DA IMPREVISÃO
A teoria da imprevisão é uma exceção à regra do princípio da força
obrigatória dos contratos – pacta sunt servanda.

Esta teoria proporciona que um contrato possa ser revisto ou alterado,


sempre que as situações ou circunstâncias que envolveram a sua formação não
forem as mesmas no momento da execução da obrigação contratual, de tal forma
que esta situação possa prejudicar uma parte em relação à outra, ensejando a
necessidade de um ajuste no contrato firmado entre as partes.

A teoria da imprevisão não é somente uma adaptação do termo rebus sic


stantibus ("estando as coisas assim" ou "enquanto as coisas estão assim”), que
exprime a ideia de que o contrato será cumprido estando as coisas como estão –
rebus sic stantibus.

119
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

De acordo com a teoria da imprevisão, os contratantes podem rever


as cláusulas contratuais, ou ainda, solicitar judicialmente a revisão destas,
objetivando reequilibrar a relação contratual. Tal situação pode ocorrer em
decorrência de fatos novos ou situações imprevisíveis no momento da assinatura
do contrato, as quais poderão implicar uma dificuldade ou onerosidade excessiva
à prestação de uma das partes.

Tal instituto objetiva o reequilíbrio entre as perdas e os ganhos entre os


contratantes, ensejando na revisão do contrato pelo poder judiciário.

8 TIPOS DE CONTRATOS
Segundo Führer (2004, p. 249), os contratos podem ser definidos da
seguinte forma:

a) Compra e venda: é tipo de contrato em que uma pessoa se obriga a transferir


a outra o domínio de determinada coisa mediante o pagamento de certo
preço em dinheiro.
b) Troca: é tipo de contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por
outra, que não seja dinheiro.
c) Contrato estimatório (consignação): neste tipo de contrato o consignante
entrega bens móveis a outrem, denominado consignatário, para que este
venda pelo preço estimado, pagando-o àquela, salvo se preferir, no prazo
ajustado, restituir-lhe a coisa consignada.
d) Doação: este tipo de contrato define que uma pessoa, por liberalidade,
transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.
e) Locação: este tipo de contrato prevê que uma das partes cede à outra, por
tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante
certa retribuição.
f) Empréstimo: este tipo de contrato estipula que uma das partes entregue
à outra, uma coisa que pode ser substituída por outra da mesma espécie
(fungível) ou uma coisa que não pode ser substituída por outra da mesma
espécie (infungível), com a obrigação de restituí-la.
Tipos de empréstimo:
1) Mútuo: entrega de uma coisa para consumo, a restituição será a própria
coisa equivalente, tem caráter oneroso (pode ser gratuito).
2) Comodato: entrega de uma coisa, empréstimo para uso, a restituição
será a própria coisa emprestada, é essencialmente gratuito.
g) Prestação de Serviços: este tipo de contrato constitui-se na prestação de
serviço toda espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial,
mediante retribuição.
h) Empreitada (locatio operis): este tipo de contrato refere-se apenas
às construções e prevê que uma das partes (o empreiteiro), mediante
remuneração a ser paga pelo outro contraente (o dono da obra), obriga-se a
realizar determinada obra, pessoalmente ou por meio de terceiros, de acordo
com as instruções deste e sem relação de subordinação.

120
TÓPICO 1 | CONTRATOS

i) Depósito: este tipo de contrato prevê a guarda ou custódia de coisas, que


igualmente constitui, em outros, contratos destinados à restituição uma das
obrigações daquele que as recebe, assume a finalidade primordial, exclusiva,
no contrato de depósito, que assenta precipuamente na confiança, uma vez
que não se entregam as próprias coisas a outrem, sem que nele se confie
plenamente.
j) Mandato: este tipo de contrato prevê a outorga de poderes para que outra
pessoa aja em seu nome, praticando atos ou administrando interesses. O que
caracteriza o mandato é a ideia de representação.
k) Contrato de comissão: este tipo de contrato prevê que o comissário se obriga
a realizar negócios em favor do outro contraente (comitente), segundo
instruções deste, porém em nome daquele.
l) Contrato de agência e distribuição: este tipo de contrato configura-se
quando uma pessoa assume, com autonomia, a obrigação de promover
habitualmente, por conta de outra, mediante remuneração, a realização de
certos negócios, em zona determinada;
m) Contrato de distribuição: este tipo de contrato configura-se quando uma
pessoa assume, com autonomia, a obrigação de promover habitualmente,
por conta de outra, mediante remuneração, a realização de certos negócios,
em zona determinada, porém neste a coisa a ser negociada já está na posse
do agente (distribuidor).
n) Corretagem: este tipo de contrato se caracteriza quando uma pessoa, não
vinculada à outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou
por qualquer relação de dependência, obriga-se, mediante remuneração,
a intermediar negócios para a segunda, conforme instruções recebidas,
fornecendo a esta todas as informações necessárias para que possam ser
celebrados exitosamente.
o) Contrato de transporte: este tipo de contrato gera para o transportador
obrigação de resultado, qual seja, transportar o passageiro são e salvo, e
a mercadoria sem avarias, ao seu destino (cláusula da incolumidade –
obrigação tácita assumida pelo transportador de conduzir o passageiro
incólume ao local do destino).
p) Seguro: este tipo de contrato se caracteriza quando uma das partes,
denominada segurador, se obriga, mediante o recebimento de um “prêmio”,
a “garantir interesse legítimo” da outra, intitulado segurado, “relativo à
pessoa ou coisa, contra riscos predeterminados (aleatórios)”.
q) Constituição e renda: este tipo de contrato se caracteriza pela série de
prestações em dinheiro ou em outros bens, que uma pessoa recebe de outra,
a quem foi entregue para efeito certo capital. Alienação de capital para
obtenção de prestações periódicas.
r) Do jogo e da aposta: os contratos de jogo e aposta são contratos aleatórios,
tendo em vista o seu elemento comum: a álea ou acaso, que pode tomar a
forma de risco, sorte ou azar. No jogo, o resultado decorre da participação
dos contratantes. O êxito ou o sucesso dependem da atuação de cada jogador.
O ganhador fará jus a certa soma, previamente estipulada. Na aposta, o
resultado não depende das partes, mas de um fato alheio e incerto. É um
contrato em que duas ou mais pessoas, obrigam-se a determinar que uma
das partes deva prevalecer.
121
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

s) Fiança: este tipo de contrato se caracteriza quando uma pessoa garante


satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso este não
a cumpra. Como tem caráter acessório, a fiança pode ser de valor inferior
ao da obrigação principal. Não pode ser de valor superior ou mais oneroso.
Gratuidade é uma das características da fiança, mas poderá ser onerosa.
t) Transação: este tipo de contrato (acordo de vontades) é utilizado para evitar
riscos de futura demanda ou para extinguir litígios judiciais já instaurados,
em que cada parte abre mão de uma parcela de seus direitos, em troca de
tranquilidade.
u) Compromisso: este tipo de contrato pode ser de forma judicial ou extrajudicial,
utilizado para resolver litígios entre pessoas que podem contratar.

9 PROTEÇÃO E GARANTIAS CONTRATUAIS


Apesar dos contratos necessitarem que as partes mantenham o princípio
da boa-fé, cabe aos mesmos tomarem precauções para que não lhes sobrevenham
prejuízos. Neste sentido poderão tomar as seguintes precauções:

a) Exigir uma garantia contratual sob a forma de caução (real ou fidejussória).


Ex.: O banco ao conceder o empréstimo, exige que o devedor deixe como
garantia a hipoteca de um imóvel.
b) Exigir o cumprimento de fiança. Ex.: O locador exige que o locatário apresente
dois fiadores com imóveis na cidade para formalizar o contrato de locação.
c) Exigir o pagamento de seguro. Ex.: A locadora de veículos exige que seja
adquirido pelo locador um seguro para o veículo locado.

10 CLÁUSULAS ABUSIVAS
As cláusulas abusivas são aquelas que geram desvantagens ou prejuízos
para um dos contratantes em benefício de outro. Ex.: estabelecer obrigações para
outras pessoas, além do contratado ou contratante, pois o contrato é entre eles. 

Essas cláusulas podem se manifestar em vários tipos de contrato, mas,


principalmente, ocorrem nos contratos de adesão, que impõem cláusulas
preestabelecidas por uma das partes, cabendo à outra apenas aderir ou não ao
estipulado.

Após a constatação da existência de uma cláusula abusiva em determinado


contrato, mesmo que este ainda não tenha sido utilizado formalmente, poderá ser
requerido por via judicial para que seja declarada a nulidade da cláusula.

Os contratos de adesão estão muito presentes em nossa vida, segundo as


palavras de Coelho (2010, p. 91):

122
TÓPICO 1 | CONTRATOS

A expressiva maioria dos contratos é celebrada por simples adesão


de um contratante às clausulas gerais de negócio estipuladas
unilateralmente pelo outro. São os contratos de adesão, que se
interpretam sempre em desfavor do predisponente e que não podem
estabelecer a antecipada renúncia do aderente a nenhum direito
inerente à natureza do negócio.

123
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• O contrato pode ser: tácito, verbal ou escrito.

• Que os elementos essenciais dos contratos são: partes (capazes), objeto (lícito),
forma (legal), vontade das partes (liberdade).

• A função social do contrato determina que ele não é mais vislumbrado como
uma relação jurídica obrigacional existente apenas para satisfazer interesses
relativos às partes envolvidas, mas, sim, como um mecanismo de consecução
do bem comum, a coletividade, a sociedade como um todo.

• A boa fé exige que as partes ajam de forma correta desde as fases preliminares
do contrato, durante a formação até o cumprimento do contrato.

• Vício redibitório é o defeito oculto da coisa recebida (em virtude de contrato


comutativo ou doação onerosa), que a torna imprópria ao uso a que se destina,
ou que lhe diminua excessivamente o valor.

• A evicção é a perda da coisa, por força de decisão judicial, fundada em motivo


jurídico anterior, que a confere a outrem, seu verdadeiro dono (evictor).

• A Teoria da Imprevisão prevê que as partes podem rever as disposições


contratuais, ou ainda, solicitar judicialmente tal revisão com o intuito de
reequilibrar a relação contratual.

• As cláusulas abusivas contratuais são as que geram desvantagens ou prejuízos


para um dos contratantes em benefício de outro.

124
AUTOATIVIDADE

1 Marque a única opção correta. Os contratos se celebram:

( ) Só por escrito.
( ) Por escrito ou verbalmente.
( ) Por escrito, verbal e tacitamente.
( ) Só por escritura pública.

2 Acerca do direito dos contratos, assinale a alternativa CORRETA:

( ) A função social do contrato, princípio contratual geral, é exercida como um


limitador da liberdade de contratar.
( ) Permite-se, por exceção à regra geral, que as partes possam estabelecer,
mediante acordo de vontade, o pacto sucessório.
( ) Evicção, existente nos contratos onerosos e gratuitos, significa que o
alienante responde pela perda da coisa.
( ) O contrato aleatório tem por objeto coisas futuras e incertas, ficando o
adquirente responsável por sua existência.

3 Celebrado contrato de promessa de compra e venda de imóvel, e estando o


devedor em dificuldades financeiras e objetivando não mais prosseguir na
respectiva execução, poderá no tocante à avença postular:

( ) Rescisão.
( ) Resolução.
( ) Resilição.
( ) Revisão.

4 Dos seguintes contratos, poderá ser considerado, por sua própria natureza,
aleatório:

( ) Contrato de seguro.
( ) Contrato de compra e venda.
( ) Contrato de doação.
( ) Contrato de empreitada.

125
126
UNIDADE 3
TÓPICO 2

PROPRIEDADE INDUSTRIAL

1 INTRODUÇÃO
Para Führer (2004, p. 302) “A propriedade industrial abrange as invenções,
os modelos de utilidade, os desenhos industriais, as marcas, as indicações
geográficas, as expressões ou sinais de propaganda e a repressão à concorrência
desleal”.

No Brasil, a Propriedade Industrial encontra-se regulamentada na Lei


da Propriedade Industrial, de nº 9.279/96 – LPI, que regulamenta as invenções,
desenhos industriais, marcas, indicações geográficas e a concorrência desleal. A
regulamentação do nome empresarial cabe à Lei do Registro de Empresa, Lei nº
8.934/94.

2 CONCEITOS
Segundo Diniz (2009, p. 702):

A propriedade industrial é espécie do gênero propriedade intelectual,


que é um conjunto de prerrogativas legais conferidas ao criador de obra
intelectual, dando-lhe exclusividade ou vantagens na sua exploração,
abrangendo invenções, modelos de utilidade, desenhos industriais,
obras científicas, artísticas, literárias etc. O direito de propriedade
intelectual compreende o direito industrial e o direito autoral.

Nas palavras de Coelho (2010, p. 85), “os direitos industriais são


concedidos pelo Estado, através de uma autarquia Federal, o Instituto Nacional
da Propriedade Industrial (INPI)”.

A propriedade industrial é regulamentada pela Lei n° 9.279/96 (Lei da


Propriedade Industrial), e contempla:

a) Invenções: criação de coisa nova industrializável, que represente progresso


em relação à técnica usual. Ex.: um novo dispositivo que economizará
combustível.
b) Modelos de utilidade: é a modificação de forma ou disposição de coisa
já existente, de que resulte uma melhoria funcional no seu uso ou no seu
processo de fabricação. Ex.: uma cadeira dobrável.
c) Desenhos industriais: divide-se em duas modalidades:

127
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

i. desenho industrial – combinações de traços, cores e figuras que serão


aplicados a um objeto de consumo, com resultado ornamental e com
alguma originalidade. Ex.: um novo rótulo;
ii. desenho industrial (modelo industrial ou design) – é uma modificação
de forma de objeto já existente, só para fins ornamentais. Ex.: um novo
modelo de um tênis.
1) Marca: é um sinal distintivo capaz de diferenciar um produto ou serviço de
outro. Ex.: Pepsi.
2) Indicações geográficas: referem-se à identificação de um produto ou serviço
como originário de um local, região ou país, quando determinada reputação,
característica e/ou qualidade possam lhe ser vinculadas essencialmente
a sua origem geográfica, sendo passíveis de proteção legal contra uso de
terceiros, em termos de propriedade industrial. Ex.: a o uso da denominação
“champanhe”. 
3) Expressões ou sinais de propaganda: são todas as legendas, anúncios,
reclames, frases, palavras, combinação de palavras, desenhos, gravuras,
originais e característicos que se destinem a emprego como meio de
recomendar quaisquer atividades lícitas, realçar qualidades de produtos,
mercadorias ou serviços, ou a atrair a atenção dos consumidores ou usuários.
Ex.: Nova Schin - Um cervejão.
4) Repressão à concorrência desleal: é a tentativa de coibir o uso de práticas
ilícitas para angariar clientela, prejudicando seus concorrentes, sendo
que para sua configuração pouco importam os resultados obtidos com a
deslealdade e sim os meios que foram empregados para a consecução do fim
da atividade empresarial que é, além dos lucros, os clientes.

De acordo com Coelho (2010, p. 85), “ninguém pode reivindicar o direito


de exploração econômica com exclusividade de qualquer invenção, modelo de
utilidade, desenho industrial ou marca se não obteve do INPI a correspondente
concessão”.

Invenção – coisa nova industrializável.


Modelo de utilidade – aperfeiçoamento utilitário de coisa já
existente.

CRIAÇÕES Primeira modalidade – traços, cores ou figuras


ornamentais.

Desenho
Industrial
Segunda Modalidade – aperfeiçoamento
plástico ornamental de coisa já existente
(antigo modelo industrial).

128
TÓPICO 2 | PROPRIEDADE INDUSTRIAL

3 ABRANGÊNCIA DO DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL


A propriedade industrial visa à proteção dos bens protegidos pelo direito
industrial, conforme a disposição do art. 2º, incisos I a II da Lei n° 9.279/96 (Lei da
Propriedade Industrial):

a) Patente de invenção.
b) Patente de modelo de utilidade.
c) Registro de desenho industrial.
d) Registro de marca – identifica o produto, a empresa. Ex.: Kibon.

Esta lei garante que o empresário titular desses bens, possui o direito
de explorar economicamente o objeto correspondente, com toda exclusividade.
Desta forma, para que outra pessoa possa explorar os direitos do bem industrial
patenteado ou registrado, é necessária uma autorização ou licença do titular do
bem. Estes direitos podem ser objeto de alienação.

O nome empresarial não é passível de alienação conforme a disposição da


Lei n° 8.934/94.

Segundo Requião (2005, p. 141), o Brasil, além de sua legislação específica,


integra em seu direito várias convenções, tratados e acordos internacionais
ratificados pelo seu governo. Entre eles:

I. Convenção da União de Paris, de 1883, revista em Haia em 1925.


II. Acordo de Madrid sobre falsas indicações de procedência, revisto em Haia
em 6 de novembro de 1925 (ratificações pelos Decs. nº 5.685, de 30-7-1929, e
nº 19.056, de 31-12-1929).
III. Acordo relativo ao registro internacional de marcas de indústria e comércio,
que foi denunciado pelo Decreto nº 196, de 31-12-1934.
IV. Acordo de Neuchatel referente à conservação ou restauração dos direitos
de propriedade industrial, atingidos pela Segunda Guerra Mundial, que foi
ratificado pelo Decreto Legislativo nº 6, de 1947.
V. Acordos Bilaterais com a República Federal da Alemanha, Decreto nº 43.056,
de 03-07-1958.
VI. Acordo Bilateral com a Argentina, Decreto nº 5.877, de 03-02-1906.
VII. Acordo Bilateral com o Uruguai, Decreto Legislativo nº 15, de 27-03-1950.
VIII. Acordo Bilateral com a Itália, Decreto nº 28.369, de 12-07-1950.

4 PATENTES
Para Diniz (2009, p. 718), “Os inventos são patenteáveis desde que
atendam aos requisitos da novidade, atividade inventiva e aplicação industrial
(Lei nº 9.279/96)”.

Ainda para Diniz (2009, p. 718):

129
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

A patente é o título emitido pelo Poder Público, que concede a


titularidade de direitos ao inventor e ao criador do modelo de
utilidade, servindo de comprovante do direito de uso de exploração
exclusiva da invenção ou do modelo de utilidade. O titular da patente
tem o direito de impedir que qualquer pessoa, sem sua autorização,
produza, use, coloque à venda, venda ou venha a importar o produto
objeto de patente, o processo ou o produto obtido diretamente por
processo patenteado. Ao titular da patente é assegurado ainda, o
direito de impedir que terceiro contribua para que outros pratiquem
os atos acima arrolados (Lei nº 9.279/96, art. 42, I e II, e § 1º).

O órgão que coordena e gerencia estes direitos é o Instituto Nacional da


Propriedade Indústria (INPI), através do depósito do pedido de concessão de
acordo com as regras da Lei n° 9.279/96.

Segundo Pinho e Nascimento (2004, p. 310), “As pessoas jurídicas podem


requerer privilégio de invenção desde que autorizada expressamente pelo
inventor”.

Nas palavras de Coelho (2010, p. 87), “a patente, após o depósito, que


começa a ser contado após o seu protocolo, junto ao Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI), tem prazo de duração determinado, sendo de 20
anos para a invenção e de 15 anos para o modelo de utilidade, após este período
ela cairá no domínio público”. (art. 40 da Lei da Propriedade Industrial).

5 REGISTRO INDUSTRIAL
O Registro de Desenho Industrial (design) diz respeito às formas dos
objetos, servindo tanto para conferir-lhes beleza estética como para diferenciá-los
dos demais do mesmo gênero. Ex.: modelos de automóveis.

Segundo Coelho (2010, p. 89) são requisitos necessários ao registro de


desenho industrial:

a) Novidade: de igual forma à patente, o desenho industrial deve trazer um


conceito visual inovador, sendo inédito para os técnicos do setor. Somente
desta forma merecerá a proteção do dinheiro industrial.
b) Originalidade: o desenho somente é considerado original quando tem uma
configuração própria, não vista anteriormente em outros objetos. A novidade é
questão técnica, enquanto a originalidade diz respeito à estética.
c) Desimpedimento: existem desenhos que têm seus registros impedidos em
razão de afronta à moralidade e aos bons costumes, que ofendam a honra ou a
imagem de pessoas.

Os desenhos industriais e as marcas são registrados, tendo duração de 10


anos, prorrogáveis indefinidamente por períodos iguais e sucessivos.

130
TÓPICO 2 | PROPRIEDADE INDUSTRIAL

O registro de desenho industrial tem prazo de duração de 10 anos, também


contados da data em que o empresário o requereu perante o INPI, podendo ser
prorrogado por até 3 períodos sucessivos de 5 anos cada, até atingir o prazo
máximo de 25 (vinte e cinco) anos contados da data do depósito.  (Art. 108 da Lei
da Propriedade Industrial).

6 MARCAS
Para Pinho e Nascimento (2004, p. 309):

A marca é o sinal que individualiza o produto a ser apresentado no


mercado. Apresenta-se de forma gráfica, por meio de letra, sílaba,
palavra, conjunto de palavras, número, conjunto de números, riscos,
traços etc. É, portanto, a individualização do produto, de modo a
torná-lo distinto de outro.

Segundo Coelho (2010, p 90), marca, segundo a lei brasileira, “é todo sinal
distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços,
bem como certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou
especificações técnicas”.

Segundo Führer (2004, p. 303), “Marca é um sinal distintivo capaz de


diferenciar um produto ou serviço de outro. Seu requisito básico é a novidade,
ou originalidade, e a não colidência ou semelhança com marca anterior".

De acordo com Pinho e Nascimento (2004, p. 309), algumas marcas foram


formadas através dos tempos da seguinte forma:

1) Com a indicação da procedência do produto:


a) COLÔNIA, para a água de toucador.
b) DAMASCO, para os tecidos.
c) MADEIRA, para toalhas de mesa.
d) FLANDRES, para folha de metal.

2) Com o nome do próprio fabricante ou comerciante:


a) MATARAZZO.
b) GIANNINI.
c) SCHARTZMANN.
d) CINZANO.
e) MARTINI.

3) Com denominações arbitrárias e de fantasia:


a) DETEFON.
b) BAN-LON.
c) NYCRON.
d) DULCORA.

131
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

Nas palavras de Coelho (2010, p. 90), para que uma marca possa ser
registrada é indispensável o atendimento dos seguintes requisitos:

a) Novidade relativa: não se exige da marca que represente uma


novidade absoluta, o que deve ser nova é a utilização para identificar
produtos industrializados ou comercializados, ou de serviços
prestados;
b) Não colidência com marca notória: as marcas notoriamente
conhecidas, mesmo que não registradas no INPI, merecem a tutela do
direito industrial, em razão da convenção de Paris, da qual participa o
Brasil (Art. 126, da Lei da Propriedade Industrial);
c) Não impedimento: a lei proíbe, por razões de ordem técnica ou de
atendimento ao interesse público, a patenteabilidade de determinadas
invenções ou modelos. Ex.: afronta moral, aos bons costumes, à
segurança, à ordem e à saúde pública.

Segundo Pinho e Nascimento (2004, p. 310), existem várias espécies de


marcas:

a) Marcas de industriais: identificam o produto fabricado pelo estabelecimento


industrial que o cria e que o manufatura, por exemplo, VOLKSWAGEN.
b) Marca de comércio: é o sinal que o comerciante põe no produto que recebe,
para torná-lo diferente e característico. Muitos fabricantes assinalam os
produtos fabricados por outros. É o caso, por exemplo, da SEARS, ROEBUCK
S/A, que utilizou sua marca KENMORE para artigos do seu comércio
fabricado por outros.
c) Marcas de indústria e comércio: abrangem ambas as formas anteriormente
explicadas.
d) Marcas de exploração: são aquelas que, sem serem de propriedade do
industrial ou do comerciante, são utilizadas pelos mesmos, sob a autorização
de seu titular; têm aparecido com muita frequência ultimamente, a ponto de
existirem empresas especializadas em “fabricar” marcas de exploração: a)
CALHAMBEQUE de Roberto Carlos; b) LEE; c) WANDECA; s) denominações
vulgares e necessárias, como fumo, charutos, fósforos, prendem-se à própria
natureza do produto designado e não podem ser adotadas como marcas.
e) Marcas de serviços: considera-se marca de serviço aquela destinada a distinguir
serviços ou atividades, é o sinal pelo qual uma pessoa, física ou jurídica,
assinala os serviços de sua prestação a terceiros, é o caso das atividades dos
despachantes, dos transportadores, das profissões liberais etc.; não há atividade
comercial, mas simples prestação de serviços que pode ser identificada por
uma marca característica: HERTZ-CAR, locação de automóveis.

Segundo Coelho (2010, p. 90), “O registro de marca tem a duração de


dez anos, contados da data da concessão do registro, prorrogáveis por períodos
iguais e sucessivos. O pedido de prorrogação deverá ser formulado durante o
último ano de vigência do registro. Se o pedido de prorrogação não tiver sido
efetuado até o termo final da vigência do registro, o titular poderá fazê-lo nos seis
meses subsequentes, mediante o pagamento de retribuição adicional”. (Art. 133
da Lei da Propriedade Industrial).

132
TÓPICO 2 | PROPRIEDADE INDUSTRIAL

7 UNIÃO DE PARIS
A Convenção da União de Paris em 1883 foi um acordo internacional para
proteger a propriedade intelectual e a propriedade industrial. Ela sofreu revisões
em Bruxelas no ano de 1900, em Washington em 1911, em Haia em 1925, em
Londres em 1934, em Lisboa em 1958 e em Estocolmo em 1967.

A Convenção da União de Paris está em vigor no Brasil, através do Decreto


nº 75.572/75.

Para Coelho (2010, p. 93),

O Brasil é um país unionista, isto é, signatário de uma convenção


internacional referente à propriedade industrial – a Convenção de
Paris. Em função disto, vigoram no direito brasileiro os princípios e
normas consagrados pela referida Convenção, também conhecida por
União de Paris.

O objetivo da Convenção de Paris foi permitir uma flexibilização às


legislações nacionais sobre a propriedade industrial, desde que fossem respeitados
alguns princípios fundamentais. Estes princípios acordados são compulsórios
aos países signatários da Convenção de Paris. A partir daí, cria-se um “território
da União”, constituído pelos países contratantes, onde se aplicam os princípios
gerais de proteção aos Direitos de Propriedade Industrial.

Nas palavras de Coelho (2010, p. 93), “Assim, não é admissível, no direito


brasileiro, a criação de distinções entre nacionais e estrangeiros, em matéria de
direito industrial”.

Ainda sobre a União de Paris, Coelho (2010, p. 93), posiciona-se sobre o


princípio da anterioridade do registro da seguinte maneira:

Outrossim, o direito brasileiro reconhece o princípio da prioridade,


pelo qual é possível a qualquer cidadão de país signatário da União
reivindicar prioridade de patente ou registro industrial, no Brasil, à
vista de igual concessão obtida, anteriormente, em seu país de origem,
desde que o faça em 6 meses, para o modelo ou desenhos industriais,
marca ou sinal de propaganda, ou em 12 meses, para invenção ou
modelo de utilidade, contados da apresentação de seu primeiro pedido.
Equivale, na prática, à eliminação das fronteiras nacionais, para fins
de proteção da propriedade industrial. Claro está que idêntico direito
tem o brasileiro em relação aos demais países da União.

133
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• A propriedade industrial encontra-se regulamentada na Lei n° 9.279/96, e visa


à proteção dos bens protegidos pelo direito industrial.

• As invenções são criações de coisas novas industrializáveis, com progresso em


relação às técnicas já utilizadas.

• Os modelos de utilidade são modificações de formas ou disposições de coisas


já existentes, resultando melhorias de funcionalidade em seu uso ou processo
de fabricação.

• Os desenhos industriais são as aplicações de desenvolvimento de um objeto


ou conjunto destes aplicados em um produto, alterando ou melhorando o seu
resultado (visual).

• As marcas são sinais distintivos capazes de diferenciar produtos e serviços.

• As indicações geográficas se prestam para identificar geograficamente um


produto ou serviço como originário de um local, região ou país.

• As expressões ou sinais de propaganda são todas as legendas, anúncios,


reclames, frases, palavras, combinação de palavras, desenhos, gravuras,
originais e característicos que se destinem a emprego como meio de recomendar
quaisquer atividades lícitas, realçar qualidades de produtos, mercadorias ou
serviços, ou a atrair a atenção dos consumidores ou usuários.

• A Repressão à concorrência desleal é a tentativa de coibir o uso de práticas


ilícitas para angariar clientela, prejudicando seus concorrentes.

• Patente é uma propriedade temporária, legalmente concedida pelo Estado,


sobre uma invenção ou modelo de utilidade.

134
• O registro industrial é um ato administrativo de natureza constitutiva, que
garante o direito de utilização da patente, da marca ou do desenho industrial,
exclusivamente pelo registrador, durante um período de tempo.

• A União de Paris é um acordo internacional que tenta proteger a propriedade


intelectual e a propriedade industrial.

135
AUTOATIVIDADE

1 De acordo com a Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), ela


estabelece que:

a) ( ) Que a indicação geográfica de um produto ou um serviço de determinada


região, não pode ser estabelecido como indicação geográfica.
b) ( ) Criação de coisa nova industrializável, que represente progresso em
relação à técnica usual, será considerada uma invenção.
c) ( ) A concessão de uma patente que não represente progresso em relação à
técnica usual, será concedida imediatamente.
d) ( ) Que não cabe a aplicação da lei para a proibição da prática da concorrência
desleal, cabendo apenas ao consumidor decidir.

2 Segundo a Lei da Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), ela protege:

a) ( ) Patente de invenção; patente de modelo de utilidade; registro de desenho


industrial; registro de marca.
b) ( ) Patente de invenção; patente de modelo de utilidade; registro de grafite
de rua; registro de marca.
c) ( ) Patente de invenção; patente de modelo de utilidade; registro de desenho
industrial; registro de número de telefone.
d) ( ) Patente de invenção; patente de modelo de utilidade; registro de desenho
industrial; registro do nome da empresa.

3 De acordo com a Lei da Propriedade Industrial, poderá ser registrado como


marca:

a) ( ) Termo técnico que, usado na indústria, na ciência e na arte, tenha relação


com o produto ou serviço a distinguir.
b) ( ) Sinal de caráter genérico comum, necessário ou simplesmente descritivo,
quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, vedada a
utilização de forma distintiva.
c) ( ) Símbolo ou sinal específico formado por cores e denominações que
estejam dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo.
d) ( ) Reprodução ou imitação de título, de moeda ou cédula.

4 São patenteáveis:

I) Descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos. 


II) O objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial,
que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que
resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. 

136
III) Técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos para aplicação no corpo
humano.
IV) A invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e
aplicação industrial.

Está correto apenas o contido na proposição:


a) ( ) I, II e IV.
b) ( ) I, II e III.
c) ( ) II, III e IV.
d) ( ) II e IV.

5 Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) O prazo de vigência da patente de modelo de utilidade não será inferior


a 8 (oito) anos, a contar da data da concessão, ressalvada a hipótese do INPI
estar impedido de proceder ao exame do mérito do pedido, por pendência
judicial comprovada ou por motivo de força maior.
b) ( ) A patente do modelo de utilidade vigorará pelo prazo de dez anos,
contados da data do depósito.
c) ( ) O prazo de vigência da patente de invenção não será inferior a 15
(quinze) anos, a contar da data da concessão, ressalvada a hipótese do INPI
estar impedido de proceder ao exame do mérito do pedido, por pendência
judicial comprovada ou por motivo de força maior.
d) ( ) A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos, contados
da data do depósito.

137
138
UNIDADE 3
TÓPICO 3
DIREITO DO TRABALHO

1 INTRODUÇÃO
Para Silva (2003, p. 129), “O Direito do Trabalho originou-se da questão
social, concebendo-se esta como conflito entre o capital e o trabalho”.

Desde os primórdios da civilização humana, o trabalho sempre esteve


presente, e podemos dizer que foi através dele que as civilizações conseguiram
se desenvolver, gerar conhecimentos, gerar riquezas materiais, gerar satisfação
pessoal e desenvolvimento econômico.

O trabalho estabelece as formas de relação entre os indivíduos, entre as


classes sociais, criando relações de poder e da propriedade.

Trabalho é uma das mais expressivas manifestações do ser humano, na


qual o ser humano transforma e é transformado.

Uma pessoa ao realizar um conjunto de atividades deve receber um


pagamento por isto, o que determina que o trabalho tenha um preço, expresso
sob a forma de salário.

O Direito do Trabalho é o conjunto de normas jurídicas que regem as


relações entre empregados e empregadores.

2 DIREITO DO TRABALHO – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS


DIREITOS TRABALHISTAS
Nas palavras de Silva (2003, p. 129), o Direito do Trabalho originou-se da
questão social, concebendo-se esta como conflito entre o capital e o trabalho.

Segundo Pinho e Nascimento (2004, p. 350):


Os fatos econômico-trabalhistas que se seguiram à Revolução Industrial
(1790), consistentes na formação de um aglomerado de trabalho em
torno da máquina a vapor então descoberta, constituem, sem dúvida,
a base sobre a qual o Direito Trabalhista é constituído. A organização
do trabalho era fundamentalmente artesanal. Com a máquina a vapor
e a eletricidade, formaram-se núcleos coletivos ao redor da fábrica.
Surgiu o industrialismo e não havia um sistema jurídico para regular
as relações entre o homem que trabalha e a pessoa que contrata os
serviços.

139
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

Pinho e Nascimento (2004, p. 350), ainda sobre os elementos históricos do


Direito do Trabalho, elencam as circunstâncias que caracterizaram a necessidade
do desenvolvimento de direitos que garantissem a integridade do trabalhador:

Tais circunstâncias também contribuíram para a ocorrência de um


problema social. Os salários eram impostos e baixos. As mulheres
foram utilizadas em larga escala porque, como os menores, eram
pagas em índices inferiores aos dos homens. As jornadas de trabalho
tornaram-se excessivas. Menores, especialmente na Inglaterra,
trabalhavam no interior de minas durante horas seguidas desde os
nove anos. Uma unidade administrativa civil inglesa, a paróquia,
vendia mão de obra infantil aos industriais. Nenhuma era a segurança
de quem trabalhava, sendo muito grande a exposição aos acidentes e
enfermidades.

3 DIREITO DO TRABALHO – CONCEITOS


Segundo Führer (2004, p. 157), diz que “o Direito do Trabalho rege as
relações do trabalho subordinado e não eventual, não abrangendo o trabalho
autônomo”.

O art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que é


empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a
empregador, sob a dependência deste e mediante salário.

O autor Silva (2003, p. 130) define ainda o Direito do Trabalho “como


um conjunto de princípios, normas e instituições aplicáveis à relação de trabalho
e às situações equiparáveis, tendo em vista a melhoria da condição social do
trabalhador”.

Nas palavras de Campos (2005, p. 219), o “Direito do Trabalho é um


conjunto de normas que regula as relações de trabalho entre empregadores e
empregados, estabelecendo seus recíprocos direitos e obrigações decorrentes
dessa atividade”.

Emprego é a denominação que se refere ao cargo ou ocupação de um


indivíduo numa empresa ou órgão público.

Para Silva (2003, p. 132), empregado “é toda pessoa física que presta
serviços não eventuais a empregador, sob a dependência deste e mediante
salário”.

De acordo com Pinho e Nascimento (2004, p. 355), empregador é a


“empresa, individual ou sob a forma de pessoa jurídica, que admite trabalhadores
mediante salário e para a prestação de serviços subordinados em caráter não
eventual”.

140
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

4 PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO


Para Camino (1999, p. 54) e Zangrando (1996, p. 10), o Direito do Trabalho
encontra-se regido pelos seguintes princípios:

a) Princípio da Proteção: deve favorecer a quem se pretende proteger (o


empregado).
1) Princípio do in dubio pro operário: quando houver dúvidas, a solução
deverá ser sempre favorável ao empregado.
2) Princípio da condição mais benéfica: mesmo que seja editada uma nova
norma jurídica, será garantida ao trabalhador a aplicação da norma anterior,
se esta lhe for mais favorável.
3) Princípio da interpretação mais favorável: na falta de clareza do texto
legal, deverá prevalecer o entendimento mais favorável ao empregado.
b) Princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas: é nula a renúncia
dos direitos trabalhistas pelo empregado durante o contrato de trabalho, a
não ser nas condições previstas em lei. Ex.: art. 7º, VI da CF/88.
c) Princípio da continuidade da relação empregatícia: o contrato de trabalho
é prioritariamente ajustado por tempo indeterminado, salvo prova em
contrário.
d) Princípio da primazia da realidade: tem maior valor o fato real do que aquilo
que consta de documentos formais.
e) Princípio da razoabilidade: o aplicador da lei deve se nortear pelo bom
senso.
f) Princípio da boa-fé: tanto o empregador quanto o empregado devem
formalizar e gerir o contrato sem ardis.
g) Princípio da hierarquia: será sempre aplicada a norma mais favorável ao
empregado independentemente da hierarquia das leis.
h) Princípio da elaboração de normas mais favoráveis: o legislador ao elaborar
a lei deve ampliar o sistema de proteção ao trabalhador, buscando a melhoria
das condições laborais.
i) Princípio da não discriminação: em relação ao salário, exercício de funções,
de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor, estado civil, deficiência,
quanto ao salário, quanto aos critérios de admissão do trabalhador portador
de deficiência e a proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e
intelectual ou entre os profissionais respectivos.
j) Princípio da integralidade e intangibilidade do salário: o salário é imune a
descontos e impenhorável (senão em virtude de lei ou decisão judicial).
k) Princípio da irredutibilidade do salário: o salário é irredutível salvo o
disposto em convenção ou acordo coletivo.
l) Princípio da autonomia da vontade: os contratantes devem estar livres (sem
coerção) para celebrar o contrato de trabalho.
m) Princípio da força obrigatória dos contratos: os contratos formalizam leis
entre as partes e devem ser cumpridos integralmente (respeitando os limites
da lei).

141
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

5 DIREITO DO TRABALHO – DIVISÕES DO DIREITO DO


TRABALHO

Segundo Silva (2003, p. 130), o Direito do Trabalho divide-se em:

a) Direito individual do trabalho: refere-se ao contrato individual de trabalho,


a proteção do trabalhador. Organiza as relações entre empregador e
empregado.
b) Direito coletivo do trabalho: abrange as relações associações de trabalho
(coletivas) e os patrões. Ocupa-se com a organização da legislação sindical,
convenções coletivas de trabalho, conflitos coletivos trabalhistas;
c) Direito Judiciário do trabalho: refere-se ao estudo da organização judiciária
da Justiça do Trabalho.
d) Direito previdencial: é a proteção do trabalhador e sua família através de
órgãos próprios, em relação aos riscos relativos ao exercício de sua atividade
laboral.

6 DIREITO DO TRABALHO – CONTRATO INDIVIDUAL DE


TRABALHO
Nas palavras de Pinho e Nascimento (2004, p. 367), o contrato de trabalho
é “o acordo, tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego”.

No mesmo sentido Führer (2004, p. 159), define o contrato de trabalho


como “o acordo expresso ou tácito pelo qual uma pessoa física se obriga a prestar
serviços não eventuais sob a direção do empregador e mediante salário (arts. 2º,
3º, e 442 da CLT)”.

Para Silva (2003, p. 131), os elementos essenciais do Contrato de Trabalho


são:

a) Pessoalidade: a atividade tem que ser executada “pessoalmente”


pelo empregado.
b) Onerosidade: todo o trabalho prestado tem que ser remunerado,
não se admite gratuidade.
c) Continuidade: a atividade laboral tem que ser continua, não pode
ser transitória, eventual, esporádica ou ocasional.
d) Subordinação: o trabalhador tem que estar sujeito ao poder de
comando do empregador.

A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) é obrigatória para o


exercício que qualquer atividade laboral, seja ela de cunho temporário e também
de natureza rural (art. 13, da CLT).

O contrato de trabalho se divide em:

142
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

a) Prazo determinado: possui uma data ou uma ocasião pré-


determinada para o seu término.
b) Prazo indeterminado: não possui uma data ou ocasião pré-
determinada para o seu término. Esta modalidade contempla a grande
maioria dos contratos de trabalho celebrados.

O registro dos empregados em livros de registro, fichas ou sistemas


eletrônicos é obrigatório para os empregadores.

7 DIREITO DO TRABALHO – JORNADA DE TRABALHO


A duração do contrato de trabalho deve observar os limites da lei e, a
duração da jornada diária de trabalho não deve ultrapassar as oito horas diárias.

De acordo com Campos (2005, p. 221), “a duração da jornada diária


de trabalho poderá ser acrescida de duas horas suplementares (horas extras),
mediante acordo escrito entre empregadores e empregados ou mediante contrato
coletivo de trabalho”.

Entre duas jornadas diárias de trabalho, deverá ser preservado um


período mínimo de descanso de onze horas consecutivas ao trabalhador, caso
este intervalo seja descumprido, o empregador deverá pagar ao empregado o
valor destas onze horas como extras.

8 DIREITO DO TRABALHO – DESCANSO SEMANAL


REMUNERADO
O Repouso Semanal Remunerado é a folga que o empregado adquire
após determinado número de dias ou de horas de trabalho por semana, visando
à recuperação física e mental do trabalhador, paga pelo empregador.

O Descanso Semanal Remunerado deverá ser de 24 horas consecutivas,


caindo preferencialmente aos domingos. Caso os serviços exijam labor aos
domingos, o descanso semanal remunerado deverá ser efetuado em sistema de
revezamento, constante de escala mensalmente organizada e sujeita à fiscalização,
necessitando de autorização prévia da autoridade competente em matéria de
trabalho.

9 DIREITO DO TRABALHO – FÉRIAS ANUAIS REMUNERADAS


Nas palavras de Campos (2005, p. 223), as férias significam o “período
de descanso remunerado depois de decorrido um período anual de trabalho,
denominado período aquisitivo”.

143
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

Após este período, inicia-se o período de gozo de férias de trinta dias em


conjunto com um novo período aquisitivo. Caso o empregador não conceda as
férias neste período, o empregado terá direito ao pagamento de férias em dobro
ou pedir a determinação de suas férias por força judicial.

O empregado pode perder o seu direito de gozar o período de férias se


faltar de forma injustificada por mais de trinta e dois dias.

O empregado perde o direito de gozar as férias se:

a) Gozar licença remunerada por mais de trinta dias.


b) Se a empresa paralisar as suas atividades, total ou parcialmente, por mais de
trinta dias.
c) Se o empregado ficar afastado, por acidente de trabalho ou auxílio-doença, por
mais de seis meses.
d) Se o empregado deixar o emprego no primeiro período aquisitivo, e não for
readmitido dentro de sessenta dias após a sua saída.

A remuneração do empregado durante o período de férias será normal,


sendo-lhe assegurado ainda o pagamento de mais um terço do seu salário.

É facultado ainda ao empregado, converter um terço do seu período de


férias em dinheiro, gozando as férias nos vinte dias restantes.

10 DIREITO DO TRABALHO – REMUNERAÇÃO


O salário é determinado pelo acordo entre empregador e empregado,
conforme as bases do mercado trabalho. A remuneração pode ser paga por
dia, por semana, por quinzena ou mensalmente, em dinheiro. Esta retribuição
ainda pode ser expressa em forma de comissões, gorjetas, gratificações, moradia,
transporte, alimentação, educação, veículos, assistência médica etc.

Segundo Führer (2004, p. 168), a remuneração é “o total dos proventos


obtidos pelo empregado em função do seu contrato e pela prestação do trabalho,
inclusive aqueles a cargo de outros sujeitos, que não o empregador”.

Führer (2004, p. 168) define também o salário como “a retribuição pelo


trabalho prestado, para diretamente pelo empregador”.

O salário é irredutível, porém poderá sofrer alterações em decorrência de


convenção ou acordo coletivo.

Somente por mútuo consentimento, sem prejuízo ao empregado, é que o


salário poderá ter a sua forma de pagamento alterada.

144
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

O salário somente poderá ter os descontos previstos no art. 462 da CLT, ou


conforme a disposição legal.

O salário pode sofrer os seguintes descontos:

a) Adiantamentos.
b) Falta injustificada e o respectivo descanso semanal remunerado correspondente
àquela semana.
c) Reparação por dano doloso.
d) Reparação por dano culposo, desde que haja permissão do empregado.
e) Contribuições previdenciárias e sindicais.
f) Imposto de Renda descontado na fonte.
g) Prestação de alimentos.
h) Prestações correspondentes ao pagamento de dívidas junto ao SFH.
i) Compensação por falta de aviso prévio do empregado demissionário.
j) Estorno da comissão já paga, verificada a insolvência do comprador.
k) Dívida junto à Previdência Social, por benefícios pagos indevidamente.
l) Adiantamento de parcela do 13º salário no caso de encerramento do contrato
de trabalho, por justa causa, antes de 20 de dezembro.
m) Prestação de seguro.
n) Plano de assistência médica.
o) Previdência privada.
p) Outros descontos com autorização prévia do empregado por escrito, sem
coação por parte do empregador.

Salário = pagamento direito do empregador


Remuneração = salário + gorjetas

Compõe ainda o salário, as comissões, percentagens, gratificações


ajustadas, diárias de viagens e abonos pagos pelo empregador. O salário in natura
(alimentação, habitação, transporte, vestuário, quando pagas a título oneroso
pelo empregador, também comporão o salário).

Não integram ao salário:

a) Indenizações.
b) Pagamentos de natureza previdenciária.
c) Direitos intelectuais.
d) Participação nos lucros.
e) Gratificações habituais.
f) Habitação.
g) Energia.
h) Veículo.
i) Cigarros.

145
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

j) Vestuário, equipamentos, acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no


local de trabalho para a prestação dos seus serviços.
k) Ajudas de custo e diárias para viagem que não excederem de 50% do salário
percebido pelo empregado.

Nas palavras de Führer (2004, p. 169), comissão “é a participação do


empregado sobre o valor de uma venda realizada, ou de negócio concluído por
seu intermédio, tomando o seu pagamento a forma de percentagem”.

O pagamento de gratificação, por ser liberalidade do empregador, não


integra o salário.

O desempenho da mesma função deve determinar o recebimento do


mesmo salário aos empregados (isonomia salarial).

São requisitos para a isonomia salarial:

a) Mesma função.
b) Mesmo empregador.
c) Mesma localidade.
d) Diferença de tempo da função não ser superior a dois anos.
e) Mesma produtividade.
f) Mesma perfeição técnica.

O salário é impenhorável, excetuando-se o desconto de prestação


alimentícia.

O décimo terceiro salário, também conhecido como “gratificação


natalina” ou “subsídio de natal”, é uma gratificação anual com valor variável
(compreendendo 1/12 do valor da remuneração de dezembro, multiplicado pelos
meses de trabalho no último ano), que pode ser paga ao empregado em uma ou
mais prestações antes do dia 20 de dezembro de cada ano.

11 DIREITO DO TRABALHO – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS


E RESULTADOS
O  Programa de Participação nos Lucros e Resultados  é um tipo
de  remuneração variável no cumprimento das estratégias das organizações.
Este programa objetiva a implantação de estratégias organizacionais, visto que
a distribuição dos lucros somente ocorrerá se as metas pré-estabelecidas forem
cumpridas.

É dividido em:

a) Participação nos lucros: os empregados recebem quando atingem o resultado


econômico da atividade fim da empresa (vendas – custos e despesas
operacionais), podendo ser fixas ou variáveis.
146
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

b) Participação nos resultados: os empregados recebem quando atingem os


objetivos, tais como: metas de vendas redução de devolução de mercadorias,
entre outros.

12 DIREITO DO TRABALHO – ALTERAÇÕES DO CONTRATO


DE TRABALHO
O Contrato de Trabalho, em princípio, não pode sofrer alterações.

As alterações do contrato de trabalho permitidas são:

a) Alteração de cláusulas por mútuo consentimento, sem prejuízo para o


empregado.
b) Alteração de remuneração por convenção, acordo coletivo ou por motivo de
força maior (em até 25% do salário).
c) Alteração de função em decorrência de promoção, de retorno à função anterior
ou de extinção do cargo.
d) Alteração de horário, sem aumento da jornada laboral.
e) Alteração de local de trabalho, para os cargos de confiança, a transferência em
função do cargo em decorrência de necessidade real do serviço ou no caso de
extinção do estabelecimento de trabalho.

13 DIREITO DO TRABALHO – EXTINÇÃO DO CONTRATO


DE TRABALHO
O contrato de trabalho pode ser extinto:

a) Por decisão do empregador: dispensa do empregado.


b) Por decisão do empregado: demissão, dispensa indireta e aposentadoria.
c) Por iniciativa de ambos: acordo.
d) Por desaparecimento dos sujeitos: morte do empregado, morte do empregador
pessoa física e extinção da empresa.
e) Pelo término do contrato a prazo: pelo decurso do prazo fixado ou por dispensa
do empregado no curso do vínculo jurídico.

A dispensa do empregado pode ocorrer da seguinte forma:

a) Dispensa sem justa causa: é dispensa sem motivo justificado.


b) Dispensa com justa causa: é aquela motivada por um ato praticado pelo
empregado dentre os previstos em lei (art. 482, da CLT):
i) ato de improbidade (furto, desonestidade);
ii) incontinência de conduta (mau comportamento);
iii) mau procedimento (perturbação ao trabalho);
iv) negociação habitual;
v) condenação criminal;

147
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

vi) desídia (negligência, desleixo);


vii) embriaguez;
viii) violação de segredo da empresa;
ix) indisciplina e insubordinação;
x) abandono do emprego (por 30 dias);
xi) ato lesivo à honra e à boa fama (do empregador);
xii) ofensa física (agressão);
xiii) prática de jogos de azar;
xiv) atos atentatórios à segurança nacional.
c) Dispensa obstativa: é destinada a impedir ou fraudar a aquisição de um
direito que se realizaria caso o empregado permanecesse no serviço, como as
dispensas que antecedem um reajustamento salarial.
d) Dispensa indireta: é a ruptura do contrato de trabalho pelo empregado diante
de justa causa do empregador, entre eles:
i) tratamento com rigor excessivo;
ii) exigência de serviços superiores às suas forças;
iii) imposição de atividades de risco ou perigo;
iv) descumprimento de cláusulas contratuais;
v) prática de atos lesivos à honra do empregado ou de sua família;
vi) redução do trabalho para que tenha reduzida a sua remuneração.
e) Dispensa coletiva: é a de mais de um empregado, por um único motivo
igual para todos, quase sempre razões de ordem objetiva da empresa, como
problemas econômicos, financeiros e técnicos.

14 DIREITO DO TRABALHO – FUNDO DE GARANTIA DO


TEMPO DE SERVIÇO
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 1966 pela
Lei n° 5.107/66 para proteger o trabalhador demitido sem justa causa. Para garantir
este fundo, no início de cada mês, todos os empregadores devem depositar, na
Caixa Econômica Federal, em nome dos seus empregados vinculados ao contrato
de trabalho, o valor correspondente a 8% do salário de cada empregado.

Com o FGTS, o trabalhador tem a chance de formar um patrimônio,


bem como adquirir sua casa própria, com os recursos da conta vinculada. Este
fundo, também financia programas de habitação popular, saneamento básico e
infraestrutura urbana, que beneficiam a sociedade, em geral, principalmente a de
menor renda.

Segundo Pinho e Nascimento (2004, p. 372), o “Fundo de Garantia não


impede a dispensa imotivada do trabalhador, mas é um meio de diminuir os
seus efeitos, porque é uma reparação econômica, utilizável não só por ocasião da
dispensa, mas em outras hipóteses também. É regido pela Lei n° 8.036 de 1990”.

148
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

15 DIREITO DO TRABALHO – TRABALHO DA MULHER


A Constituição Federal do Brasil, com a aplicação do princípio da
igualdade, várias proibições discriminatórios para o trabalho da mulher que
existiam na CLT, foram derrubadas.

Tais como:

a) Prorrogação de jornada.
b) Trabalho insalubre.
c) Trabalho perigoso.
d) Trabalho noturno.
e) Trabalho em subterrâneos.
f) Trabalho em minerações.
g) Trabalho em pedreiras.
h) Trabalho nas obras de construção.

Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, foi abolida a


necessidade da autorização para o trabalho do marido para a mulher casada,
mesmo que esta autorização já se encontrava subentendida.

Na legislação brasileira, ainda existem ainda algumas disposições não


discriminatórias, que têm o intuito de defender a condição feminina:

a) A empresa deve ter medidas especiais para o conforto das empregadas.


b) É vedada a contratação de mulheres para o exercício de atividade que
necessitem de atividade muscular acima de 20 quilos, para o trabalho contínuo
e 25 quilos para o descontínuo. A remoção de material com o uso de aparelhos
mecânicos para facilitar a atividade está permitida.

A mulher não poderá ser demitida quando se casar ou quando estiver


grávida, sendo que estes motivos não poderão ensejar a rescisão do contrato de
trabalho, nem de restrições.

É vedada a exigência de qualquer tipo de comprovação de procedimentos


de esterilização ou de comprovação de estado gravídico.

Se a empregada for demitida em decorrência de sua gravidez, é permitido


que, por sua escolha, esta possa voltar a exercer a sua antiga função, mediante o
pagamento integral de todo o período no qual ficou afastada, ou do recebimento
em dobro de suas remunerações a qual tinha direito de receber durante o seu
período de seu afastamento.

Encontra-se disposto no art. 389 da CLT, que toda empresa que tiver
pelo menos 30 (trinta) mulheres, com mais de 16 (dezesseis) anos de idade, está
obrigada a ter um local próprio onde seja permitida a manutenção e assistência

149
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

dos seus filhos durante a amamentação. Esta obrigação poderá ser suprida por
meio de creches distritais mantidas, diretamente ou mediante convênios, com
outras entidades públicas ou privadas, pelas próprias empresas, em regime
comunitário, ou a cargo do SESI, do SESC, de entidades assistenciais ou sindicais.

As mulheres que exercem atividades remuneradas por ocasião do parto,


adoção ou da guarda judicial para fins de adoção, faz jus ao salário-maternidade.

A Constituição Federal do Brasil, em seu art. 10, II, "b" do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias, confere à empregada gestante a
estabilidade provisória, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após
o parto.

16 DIREITO DO TRABALHO – TRABALHO DO MENOR


Considera o menor, o trabalhador com idade entre catorze e dezoito anos.

É vedado qualquer trabalho aos menores de dezesseis anos de idade,


salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos.

As atividades laborais exercidas pelo menor não poderão ser efetuadas


em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico,
moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola.

Ao menor não será permitido o trabalho: 

a) Nos locais e serviços perigosos ou insalubres.


b) Em locais ou serviços prejudiciais à sua moralidade.
c) O trabalho exercido nas ruas, praças e outros logradouros dependerá de
prévia autorização do Juiz de Menores, ao qual cabe verificar se a ocupação é
indispensável à sua própria subsistência ou à de seus pais, avós ou irmãos e se
dessa ocupação não poderá advir prejuízo à sua formação moral.
d) São proibidos de trabalhar no horário das 22 às 5 horas (horário noturno).

Ao menor é devido, pelo seu labor mensal, o pagamento de pelo menos,


um salário mínimo, inclusive ao menor aprendiz.

O menor pode exercer a função de estágio. O estágio não cria vínculo


empregatício de qualquer natureza, sendo facultado o recebimento de bolsa, ou
outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, devendo o estudante,
em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais.

É permitido que o menor assine os recibos de pagamento, porém, lhe é


vedado dar a quitação do contrato de trabalho, no qual deverá ter a representação
dos pais ou responsáveis legais.

150
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

17 DIREITO DO TRABALHO – TIPOS DE TRABALHADORES


Segundo Führer (2004, p. 187), os tipos de trabalhadores são:

a) Trabalhador eventual: É prestador ocasional de serviços, como o jardineiro


volante ou aquele que conserta telhados ou calhas, não há vínculo trabalhista.
b) Trabalhador avulso: é o colocado à disposição do tomador de serviços, por
intermédio de um órgão de classe, como ocorre nos trabalhadores portuários.
c) Trabalhador rural: é o que trabalha em atividade agroeconômica. A
Constituição Federal equiparou o trabalhador rural ao urbano.
d) Trabalhador doméstico: é o que presta serviços contínuos no âmbito
residencial do empregador, ou em extensões da residência, como sítios e
chácaras de recreio, sem atividade econômica.
e) Menor aprendiz: é o menor entre catorze e dezoito anos de idade, sujeito à
formação profissional metódica de ofício.
f) Trabalhador autônomo: é o que trabalha por conta própria, sem vínculo
empregatício, não se colocando sob a subordinação de outrem.
g) Trabalhador temporário: é o empregado de empresa de trabalho temporário.
h) Estagiário: é o que vem a trabalhar na empresa para complementar os seus
estudos e adquirir uma visão prática da carreira.
i) Servidor público: é o trabalhador contratado pelo órgão público, em regime
estatutário.
j) Empregado público: é o trabalhador contratado por órgão público, em
regime da CLT e legislação trabalhista correlata.

UNI

PEC dos empregados domésticos

A emenda promulgada garante aos empregados domésticos 16 direitos que hoje são
assegurados a trabalhadores rurais e urbanos, entre eles 13º salário com base na remuneração
integral, jornada máxima de trabalho de 44 horas semanais, pagamento de horas extras e
adicional noturno, férias remuneradas, aviso prévio e seguro contra acidente de trabalho,
além de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), entre outros.
A medida beneficia todos os trabalhadores domésticos, como babás, cozinheiras, jardineiros,
caseiros e arrumadeiras. As regras que dão mais benefícios aos trabalhadores domésticos
não devem abranger aqueles que prestam serviços esporádicos, os chamados diaristas.
Com as novas regras, na prática, o empregador terá dois gastos fiscais com as domésticas:
a contribuição de 12% com o INSS e o recolhimento de 8% do FGTS – duas alíquotas pagas
exclusivamente pelo empregador. Já a doméstica terá o desconto de 8% no salário relativo à
contribuição com o INSS. Uma doméstica que ganhe, por exemplo, um salário mínimo (R$
678,00), terá descontado de sua remuneração o valor de R$ 54,24, recebendo R$ R$ 623,76.

FONTE: Disponível em: <http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.


aspx?idNoticia=201304232254_TRR_82165873>. Acesso em: 23 abr. 2013.

151
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

18 DIREITO DO TRABALHO – JUSTIÇA DO TRABALHO


Para Führer (2004, p. 190), “a Justiça do Trabalho julga os dissídios
individuais e coletivos entre empregados e empregadores e outras controvérsias
oriundas da relação de trabalho”.

A Justiça do Trabalho tem como finalidade resolver as questões laborais.


O Processo (Reclamatória Trabalhista) é a forma de a justiça ser instigada a se
pronunciar sobre as demandas entre os empregados e os empregadores:

Para Campos (2005, p. 230), a Reclamatória Trabalhista é composta de seis


fases:

a) Fase postulatória: propositura da ação pelo reclamante (empregado) e


apresentação da defesa pelo empregador (reclamada).
b) Fase conciliatória prévia: é a fase estabelecida com a realização da audiência
inaugural, na qual o juiz é obrigado a indagar as partes se estas não querem
promover um acordo na Reclamatória Trabalhista.
c) Fase probatória ou instrutória: ultrapassada a fase da audiência inaugural,
sem acordo, as partes tentam provar os seus direitos através da produção
das provas (perícias, ouvida de testemunhas).
d) Fase conciliatória final: no momento da realização da audiência de instrução
e julgamento, novamente o juiz deverá propor a conciliação das partes, antes
de realizar a audiência.
e) Fase decisória: é a fase na qual o juiz analisa a produção de provas das partes
e profere a sentença na Reclamatória Trabalhista.
f) Fase executória: é a fase na qual o reclamante, tendo sido vencedor, passa a
obter a condição de cobrar do empregador os valores que lhe são devidos.

Nas palavras de Campos (2005, p. 228), “Compete à Justiça do Trabalho


processar e julgar dissídios, sejam individuais ou coletivos, ente empregados
e empregadores, como também outras controvérsias oriundas das relações do
trabalho”.

A Justiça do Trabalho organiza-se da seguinte forma:

a) Varas do Trabalho: primeiro grau de jurisdição, monocrático. Possui a


competência para julgar dentro do território da Comarca em que tem sede
(cidade). Podem julgar:
i. reconhecimento e estabilidade do empregado;
ii. remuneração, férias, indenizações;
iii. contratos de empreitada em que o empreiteiro seja operário ou artífice;
iv. questões relativas ao contrato de trabalho (inquérito para apuração de
falta grave, embargos opostos às suas próprias decisões e imposição de
multas e demais penalidades aos atos de sua competência).

152
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

b) Tribunal Regional do Trabalho: segundo grau de jurisdição, colegiado.


Possui a competência para julgar dentro do Estado, ou região. O TRT goza
da competência originária, recursal e corregedora, dos dissídios trabalhistas.
c) Tribunal Superior do Trabalho: é a instância suprema da Justiça do Trabalho,
composto por juízes denominados de Ministros, divididos em turmas
composto por dezessete membros, nomeados pelo Presidente da República e
aprovada pelo Senado Federal. Compete ao TST, de forma original conciliar
e julgar os dissídios coletivos que extrapolem a competência dos Tribunais
Regionais do Trabalho, conforme o art. 678 da CLT, e em segundo grau de
jurisdição os recursos contra as decisões do TRT e também das próprias
decisões do TST, conforme disposição do art. 690 da CLT.

153
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

LEITURA COMPLEMENTAR

Breve histórico da Propriedade Industrial no mundo e no Brasil

Custódio Afonso T. de Almeida


No mundo

Desde a pré-história que o homem utilizava artefatos de sua própria


criação, imprimindo uma marca, no objeto, que o identificava como sendo o
seu criador. O segredo, durante séculos, era a única proteção que os artesãos e
inventores dispunham, para proteger o seu produto ou processo, da concorrência.

Com o desenvolvimento comercial e urbano, ocorrido na Europa do século


XII, surgiu a necessidade da discussão do direito comercial sobre a exploração da
invenção e de novas técnicas de produção. As invenções não conseguiam e nem
podiam mais ficar restritas, em segredo, no âmbito familiar. O conceito de patente
surgiu, como resultado natural do incremento do comércio e da navegação
marítima em nível mundial.

A primeira lei de patentes conhecida foi decretada em 19 de março de


1474, em Veneza – Itália. O inventor, já nessa época, recebia um título de privilégio
que lhe assegurava a exploração do invento. Esta cidade já se tornara um grande
centro comercial.

Com a Revolução Industrial, as leis de patentes passaram a ser


disseminadas e utilizadas por toda a Europa. 

Com o surgimento do capitalismo, neste continente, as invenções


tornaram-se parte fundamental do seu sistema produtivo e comercial. 

Surgiram as convenções internacionais, durante o século XIX, sendo as


principais, as seguintes:

• Em 20/03/1883, a  Cup – Convenção da União de Paris – para a Proteção da


Propriedade Industrial, tendo sido promulgada internamente, pelo Decreto nº
9.233, de 28/06/1884. Sofreu revisões em: 14/12/1900 – Bruxelas; 02/06/1914 –
Wasghington; 14/12/1928 – Haia; 02/06/1934 – Londres; 31/10/1958 – Lisboa,
14/07/1967 – Estocolmo. Atualmente promulgada pelo Decreto nº 635, de 21
de agosto de 1992 (Estocolmo). Por último, o Brasil assinou imediatamente o
TRIPS – Trade Related Intellectual Property Rights, no âmbito da OMC.

• Em 14/04/1891, o Acordo de Madri – interpretação, aplicação e procedimentos


de direitos inerentes à Propriedade Industrial. O Brasil assinou, tornando-se
signatário em 30/07/1896. Entretanto, o denunciou em 31/12/1934, por concluir
que prejudicava as empresas brasileiras, bem como o próprio DNPI (INPI da
época), além dos profissionais especialistas em Propriedade Industrial. 

154
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

• Em 09/09/1886, a Convenção de Berna – para proteção de Obras Literárias e


Artísticas. O Brasil assinou, tornando-se signatário em 13/11/1908. 

No Brasil

Ao Brasil, durante a fase colonial, Portugal não permitia o desenvolvimento


de manufaturas, indústrias, que concorressem com a sua própria produção, bem
como o plantio de produtos agrícolas, cujas lavouras já fossem exploradas na
Europa. 

Um exemplo clássico foi o Alvará da rainha Dona Maria I, de 1785, que


proibia as fábricas, indústrias e manufaturas no Brasil. 

O seu texto fundamentava tal decisão, alegando a diminuição da mão de


obra que causaria na extração de ouro e diamantes, bem como no cultivo das
lavouras tradicionais, caso fosse desviada para a atividade fabril.

Essa verdadeira camisa-de-força econômica, imposta ao Brasil colonial,


só foi revertida com a vinda da Família Real Portuguesa, em 1808, ao nosso país.
O Príncipe Regente D. João VI abriu os nossos portos as nações amigas, em 28 de
janeiro de 1808, bem como revogou o Alvará de 1785, em 1 de abril de 1808. No
ano seguinte, através do Alvará de 28 de janeiro de 1809, foram adotadas diversas
medidas para incentivar o desenvolvimento industrial, tais como: isenção de
direitos à importação de matérias-primas, isenção de direitos à exportação de
produtos manufaturados, concessão de privilégios aos inventores e introdutores
de novas máquinas, obtendo o direito exclusivo de explorar a invenção, por
quatorze anos, na Real Junta do Comércio. 

A primeira patente concedida, pela Real Junta do Comércio, foi uma


máquina de descascar café, em julho de 1822. 

Já a primeira lei brasileira de patente, depois da independência,


foi promulgada em 28 de agosto de 1830, concedendo privilégio ao
que descobrir, inventar ou melhorar uma indústria útil e um prêmio
ao que introduzir uma indústria estrangeira, e regula sua concessão. 

Quanto às marcas, a primeira lei que regulou sua proteção foi o Decreto nº
2.682, de 1875. Já previa que o interessado podia ser representado por procurador. 

Na era republicana

No início do século XX, o serviço de concessão de patentes era realizado


por uma diretoria de um órgão oficial, o Ministério de Agricultura, enquanto as
marcas eram depositadas nas Juntas Comerciais. 

O Decreto nº 16.264 de 1923 deu origem ao DGPI – Diretoria Geral da


Propriedade Industrial, tendo a seu cargo a concessão de privilégios de invenção

155
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

e o registro de marcas de indústria e de comércio. Ficava ainda subordinada ao


Ministério da Agricultura, cujo ministro, Miguel Calmon Du Pin e Almeida, foi
o principal autor do projeto que elaborou o DGPI. Tal como o decreto de 1875,
previa a representação do interessado por um procurador. 

Dez anos depois, em 1933, consequência do crescimento industrial, ano


este em que, pela primeira vez na história do Brasil, os valores movimentados pela
Indústria ultrapassaram os da Agricultura. Através do Decreto-lei nº 22.989, de 26
de julho de 1933, foi ampliada a estrutura pública para a concessão de direitos
de Propriedade Industrial, criando-se o Departamento Nacional de Propriedade
Industrial, DNPI. Tal órgão nasceu subordinado ao novo Ministério do Trabalho,
Indústria e Comércio. 

O DNPI foi elaborado por uma comissão, presidida por Francisco Antônio
Coelho, que se tornou diretor geral do órgão. 

A profissão de Agente Oficial da Propriedade Industrial é, pela primeira


vez, regulamentada por este decreto-lei, apesar de ser reconhecida oficialmente,
desde o Decreto nº 2.682 de 1875. 

Apesar de ter sido prevista, desde o decreto de 1923, foi implementada a


Revista da Propriedade Industrial, cujo Boletim nº 1 retratava o que foi publicado
no D.O.U., em dezembro de 1933.

Apesar do constante crescimento dos recursos obtidos, com os pagamentos


das taxas, o total arrecadado era transferido à União, cujo orçamento não
disponibilizava ao DNPI o suficiente para o aumento da demanda. 

A  ABAPI – Associação Brasileira de Agentes da Propriedade


Industrial  constituiu uma comissão, para elaborar um anteprojeto que desse
autonomia administrativa e financeira ao órgão concedente de direitos de
Propriedade Industrial.A ideia que surgiu foi a de transformar o então departamento
em uma autarquia. Nasceu, então, em 1970, com a respectiva extinção do DNPI, o
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL – INPI. A criação
do instituto representou um grande avanço em relação ao antigo DNPI. O novo
órgão passou a gerir as verbas que arrecadava, além da dotação orçamentária,
por ser superavitário. Foi completamente reorganizado, tanto do ponto de vista
funcional, quanto do administrativo, obtendo, ainda, um aumento substancial
em seu quadro de servidores. 

Infelizmente, essa autonomia administrativo-financeira, conseguida em


seus primeiros anos de existência, não persiste nos tempos atuais. Esse direito
legal das autarquias não vem sendo reconhecido e é acatado pelos diversos
governos recentes. 

156
TÓPICO 3 | DIREITO DO TRABALHO

Entidades da sociedade civil voltadas à Propriedade Intelectual

Com o desenvolvimento da economia e da tecnologia brasileira, a


sociedade civil passou, aos poucos, a se conscientizar da importância e do papel
da propriedade intelectual no desenvolvimento econômico, social e tecnológico
em nosso país. Essa nova cultura agregou interesses, redundando na fundação
de diversas entidades civis, representativas do setor da Propriedade Intelectual,
tais como:

• Em 11/11/1937, o “Syndicato dos Agentes Officiaes da Propriedade Industrial”,


tendo sido reativado, recentemente, com o nome de Sindicato dos Agentes de
Propriedade Industrial do Município do Rio de Janeiro, SAPIRJ. 
• Em 04/11/1948, com 58 fundadores, foi criada a entidade “Associação Brasileira
dos Agentes da Propriedade Industrial” – ABAPI, órgão que representa os
profissionais da área. 

Foi presidida primeiro por um ex-Diretor Geral do DNPI, Dr. Francisco


Antônio Coelho, prestando-se assim uma homenagem ao servidor público. Dez
anos depois, em 1958, adquire a sua primeira sede própria. 

Entre os vários serviços que presta à área de Propriedade Industrial,


são destaque os conceituados cursos que realiza, anualmente, em três níveis de
conhecimento. 

• Em 16/08/1963, com a participação dos profissionais especialistas, das empresas


e empresários, é fundada a “Associação Brasileira de Proteção a Propriedade
Industrial”, hoje com o nome de Associação Brasileira de Propriedade
Intelectual, ABPI. Presta diversos serviços à comunidade, sendo destacada a
realização anual do seu conceituado “Seminário Internacional da Propriedade
Intelectual”. 

• Em 16/08/1983, exatamente 20 anos após a criação da ABPI, com a mobilização


dos agentes e advogados especialistas em Propriedade Industrial de São Paulo,
foi fundada a “Associação Paulista da Propriedade Industrial”, nos dias de
hoje, com o nome de Associação Paulista da Propriedade Intelectual – ASPI.

Divulga, com afinco e propriedade, o universo da Propriedade Industrial,


realizando anualmente, além de cursos, um Seminário Internacional de
Propriedade Intelectual. 

• Rede de Proteção e Informação em Propriedade Industrial – REPICT. Fundada,


principalmente, por pesquisadores, Universidades e centro de Pesquisas,
também incentiva e divulga a pesquisa básica, a pesquisa aplicada e sua
proteção, além da Inovação. Já se tornou tradicional o seu Congresso Anual,
com a participação, inclusive, de empresas e profissionais especializados.

157
UNIDADE 3 | CONTRATOS, PROPRIEDADE INDUSTRIAL E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

O histórico da Propriedade Industrial, como se percebe, confunde-se com


a própria história da humanidade e, em especial, com a própria história do Brasil.
O espírito criador e inventivo da raça humana é infinito e propulsor do progresso,
sendo parte inerente da sua personalidade.

Espero assim, sinceramente, ter dado uma singela contribuição com a sua
divulgação e propagação.

Bibliografia
- Depoimentos do Decano da Propriedade Industrial CUSTÓDIO DE ALMEIDA.
- Propriedade Industrial no Brasil - ABAPI - 50 anos de História.
FONTE: Disponível em: <http://www.abapi.org.br/artigofinal.
asp?ativo=Sim&secao=Not%EDcias&subsecao=Artigos&noticia=1>. Acesso em: 24 mar. 2013.

158
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

• Trabalho é toda atividade física ou intelectual, realizada por ser humano, cujo
objetivo é fazer, transformar ou obter algo.

• O Direito do Trabalho é o conjunto de normas jurídicas que regem as relações


entre empregados e empregadores.

• Emprego é a denominação que se refere ao cargo ou ocupação de um indivíduo


numa empresa ou órgão público.

• Empregado é toda pessoa física que presta serviços não eventuais a empregador,
sob dependência deste e mediante salário.

• Empregador é a empresa, individual ou sob a forma de pessoa jurídica,


que admite trabalhadores mediante salário e para a prestação de serviços
subordinados em caráter não eventual.

• Que o Direito do Trabalho se divide em: a) Direito individual do trabalho;


b) Direito coletivo do trabalho; c) Direito Judiciário do trabalho; d) Direito
previdencial.

• Que o contrato de trabalho é o acordo, tácito ou expresso, correspondente à


relação de emprego.

• Que são elementos essenciais do contrato de trabalho a: a) a pessoalidade; b) a


onerosidade; c) a continuidade; e) a subordinação.

• Que a Carteira de Trabalho e Previdência Social, é obrigatória para o exercício


que qualquer atividade laboral, seja ela de cunho temporário e também de
natureza rural.

• O contrato de trabalho pode ser por prazo determinado e indeterminado.

• A duração da jornada diária de trabalho não deve ultrapassar as oito horas


diárias, ou quarenta e quatro horas semanais, podendo ser acrescida de duas
horas extras diárias.

• As férias significam o período de descanso remunerado após decorrido um


período anual de trabalho, denominado período aquisitivo, de trinta dias.

159
• Remuneração é o total dos proventos obtidos pelo empregado em função do
seu contrato e pela prestação do trabalho, inclusive aqueles a cargo de outros
sujeitos, que não o empregador.

• Salário é a retribuição pelo trabalho prestado, para diretamente pelo


empregador.

• O contrato de trabalho pode ser extinto por: a) decisão do empregador; b) por


decisão do empregado; c) por iniciativa de ambos; d) por desaparecimento dos
sujeitos; e) pelo término do contrato a prazo.

• O empregado pode ser dispensado por: a) sem justa causa; b) com justa causa;
c) dispensa obstativa; d) dispensa indireta; d) dispensa coletiva.

• O FGTS é um fundo criado para proteger o trabalhador demitido sem justa


causa.

• A Justiça do Trabalho julga os dissídios individuais e coletivos entre empregados


e empregadores e outras controvérsias oriundas da relação de trabalho.

• As fases da Justiça do Trabalho são: a) Fase postulatória; b) Fase conciliatória;


c) Fase probatória ou instrutória; d) Fase Conciliatória Final; e) Fase decisória;
f) Fase executória.

• A justiça do Trabalho está organizada em: a) Varas do Trabalho; b) Tribunal


Regional do Trabalho; c) Tribunal Superior do Trabalho.

160
AUTOATIVIDADE

1 O exame de gravidez da empregada:

a) ( ) Pode ser exigido a qualquer tempo pelo empregador, para avaliar a


possibilidade de realizar dispensa imotivada.
b) ( ) Não pode ser exigido pelo empregador.
c) ( ) Não pode ser exigido pelo empregador, salvo no momento da admissão.
d) ( ) Deve ser realizado anualmente.

2 No conceito de remuneração, é correto afirmar que:

a) ( ) As gorjetas pagas por terceiros não compõem a remuneração.


b) ( ) O transporte fornecido pelo empregador, destinado ao deslocamento
para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte
público, é considerado salário.
c) ( ) A assistência médica fornecida pelo empregador prestada diretamente
ou mediante seguro-saúde, é considerada salário.
d) ( ) Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias
para viagem que não excedam 50% (cinquenta por cento) do salário
percebido pelo empregado.

3 O desconto de dano causado pelo empregado a equipamento do


empregador é:

a) ( ) Proibido por lei.


b) ( ) Proibido, salvo disposição em contrário no contrato de trabalho.
c) ( ) Permitido em caso de dolo, independentemente de previsão contratual.
d) ( ) Permitido, em regra, salvo previsão contratual em sentido contrário.

4 O valor corretamente pago ao empregado como participação nos lucros:

a) ( ) Constitui base de incidência de FGTS e de contribuição ao INSS.


b) ( ) Não constitui base de incidência de FGTS nem de contribuição ao INSS.
c) ( ) Constitui base de incidência de FGTS, mas não de contribuição ao INSS.
d) ( ) Não constitui base de incidência de FGTS, mas sim de contribuição ao
INSS.

5 Nos contratos de trabalho a termo, em regra, a extinção contratual em face


da dispensa antecipada e imotivada pelo empregador gerará ao empregado
o direito de receber:

161
a) ( ) Apenas indenização no importe da metade dos salários que seriam
devidos pelo período restante do contrato.
b) ( ) Apenas 13º salário proporcional, férias proporcionais acrescidas de 1/3
e indenização no importe da metade dos salários que seriam devidos pelo
período restante do contrato.
c) ( ) 13º salário proporcional, férias proporcionais acrescidas de 1/3, liberação
do FGTS acrescido de 40%, indenização no valor dos salários que seriam
devidos pelo período restante do contrato acrescidos da metade.
d) ( ) 13º salário proporcional, férias proporcionais acrescidas de 1/3, liberação
do FGTS acrescido de 40%, indenização no importe da metade dos salários
que seriam devidos pelo período restante do contrato.

162
REFERÊNCIAS
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2000.

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leis/l5764.htm>. Acesso em: 20 jun. 2013.

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Consumidor. Brasília. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
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Brasília, DF, 1988.

BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis


do Trabalho. Brasília. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
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BRASIL. Lei nº 5.658, de 11 de dezembro de 1970. Instituto Nacional da


Propriedade Industrial e dá outras providências. Brasília.

BRASIL. Lei nº 8.036, de 11 de maio 1990. Fundo de Garantia do Tempo de


Serviço. Brasília. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l8036consol.htm>. Acesso em: 20 jun. 2013.

163
BRASIL. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações
relativos à propriedade industrial. Brasília. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm>. Acesso em: 20 jun. 2013.

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São Paulo: Saraiva, 2005.

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