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Resumo

A busca de variedades das fontes de energia eléctrica tem sido cada vez mais notada pelo facto
do aumento do preço de kW para o seu consumo, e pelo facto da fonte principal em nosso país
apresentar várias desvantagens no que tange a qualidade pretendida do consumo energético.
Surgiu a ideia destas desvantagens acima supracitada a necessidade de se utilizar fonte renovável
que não possua severas desvantagens para os utentes assim como para o meio ambiente, a
implantação de uma mini rede de abastecimento de energia para uma dada população, onde será
visto como um projecto que visa dimensionar uma mini rede de energia solar fotovoltaica para
alimentar uma comunidade de cem (100) casas. Por meio de revisão bibliográfica, o presente
trabalho busca apresentar o princípio de utilização desta energia, considerando os equipamentos
e materiais aplicados ao sistema, assim como a eficiência a eles envolvida. Ao final, tem-se uma
visão ampliada da utilização da luz solar para a produção de energia eléctrica através de painéis
fotovoltaicos, podendo aplica-la em situações específicas, como sua instalação em postes de
iluminação pública. Porém, a exploração desses recursos renováveis para alimentar essa
comunidade, trarão flexibilidade e sustentabilidade no que diz respeito o seu uso, e ela possui
baixo índice de poluição atmosférica.
Palavras-chave: Fotovoltaicos, Energia solar, Dimensionamento.

1
Abstract
The search for varieties of electrical energy sources has been increasingly noticed by the fact that
the price of kW for its consumption has increased, and the fact that the main source in our
country has several disadvantages regarding the intended quality of energy consumption. The
idea of the above mentioned disadvantages arose the need to use a renewable source that does
not have severe disadvantages for users as well as for the environment, the implantation of a
mini energy supply network for a given population, where it will be seen as a project which aims
to dimension a mini photovoltaic solar grid to supply a community of one hundred (100) houses.
Through bibliographic review, the present work seeks to present the principle of use of this
energy, considering the equipment and materials applied to the system, as well as the efficiency
involved. At the end, there is an enlarged view of the use of sunlight for the production of
electrical energy through photovoltaic panels, being able to apply it in specific situations, such as
its installation in streetlights. However, the exploitation of these renewable resources to feed this
community will bring flexibility and sustainability with regard to their use, and it has a low rate
of air pollution.
Keywords: Photovoltaics, Solar energy, Dimensioning.

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Índice de figuras
Figura 1: Constituição do sol ........................................................................................................ 10
Figura 2: Movimento da terra em torno do sol ............................................................................. 12
Figura 3: Declinação solar em quatro posições da terra. .............................................................. 12
Figura 4: Relações geométricas sol-terra-painel solar .................................................................. 13
Figura 5: relação entre o ângulo de incidência e a massa de ar .................................................... 14
Figura 6: Estrutura das bandas de valência para os condutores. ................................................... 15
Figura 7: Silício dopado com fósforo ou arsénio .......................................................................... 16
Figura 8: Silício dopado com boro................................................................................................ 16
Figura 9: Difusão de energia na junção N-P visão microscópica ................................................. 17
Figura 10: Difusão de energia na junção N-P em físico ............................................................... 17
Figura 11: Piranômetro e pireliômetro, respectivamente.............................................................. 18
Figura 12: Gráfico demonstrativo das horas de pico sol............................................................... 19
Figura 13: Classificação dos sistemas fotovoltaicos..................................................................... 20
Figura 14: Ilustração dos componentes de um sistema fotovoltaico ............................................ 21
Figura 15: Bateria de cumbo – ácido ............................................................................................ 23
Figura 16: Controlador de carga ................................................................................................... 24
Figura 17: Classes de radiação global em plano horizontal em Moçambique .............................. 27
Figura 18: Configuração básica do projecto ................................................................................. 33
Figura 19: Painel solar seleccionado............................................................................................. 34
Figura 20: Arranjo do sistema....................................................................................................... 34
Figura 21: Bateria seleccionada .................................................................................................... 35
Figura 22: Controlador de carga seleccionado.............................................................................. 35
Figura 23: Inversor de corrente seleccionado ............................................................................... 34
Figura 24: Gráfico da vida útil pela profundidade da bateria ....................................................... 36
Figura 25: Demonstração do ângulo óptimo da inclinação .......................................................... 38

3
Nomenclaturas
γ Ângulo de Incidência
aw Ângulo Azimutal De Superfície
as Ângulo Azimutal do Sol
α Altura Solar
β Inclinação
ω Ângulo Horário do Sol ou Hora Angular
θz Ângulo Zenital
AM Massa de Ar
HSP Horas de Sol Pleno
Demanda mensal
á Demanda diária
` Segurança de geração
Autonomia
Profundidade de descarga
Capacidade útil
Energia real
Capacidade real
Quantidade de Baterias em paralelo
Quantidade de Bateria em serie
EP Energia gerada pelo painel
Número de módulos solares
Número de módulos em serie
Número de módulos em paralelo.
, Corrente de curto-circuito do painel
η Rendimento
V Tensão
I Corrente
Qtd. Quantidade

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Índice
Introdução ..................................................................................................................................................... 7
Objectivos ..................................................................................................................................................... 8
Capítulo 1: Fundamentação teórica – energia solar ...................................................................................... 9
1. Considerações iniciais ........................................................................................................................... 9
1.1. Energia solar térmica ........................................................................................................................ 9
1.2. Energia solar fotovoltaica ............................................................................................................... 10
1.3. O sol como recurso de energia ........................................................................................................ 10
1.3.1. Constituição do sol ...................................................................................................................... 10
1.3.2. Características principais do sol.................................................................................................. 11
1.3.3. Geometria do sol ......................................................................................................................... 11
1.4. Efeito Fotovoltaico.......................................................................................................................... 15
1.4.1. Medição da radiação solar........................................................................................................... 17
1.4.2. Horas de pico sol ......................................................................................................................... 18
1.5. Sistemas fotovoltaicos .................................................................................................................... 19
1.6. Classificação dos sistemas fotovoltaicos ........................................................................................ 20
1.6.1. Sistemas fotovoltaicos autónomos ou puros ............................................................................... 20
1.6.1.1. Painéis solares ......................................................................................................................... 21
1.6.1.2. Controlador de carga ............................................................................................................... 23
1.6.1.3. Inversor autónomo .................................................................................................................. 24
1.7. Aplicação de sistemas fotovoltaicos ............................................................................................... 25
Capítulo 2: Estudo do campo ...................................................................................................................... 26
2. Estudo do local .................................................................................................................................... 26
2.1. Avaliação do recurso....................................................................................................................... 27
2.2. Levantamento da demanda do potencial eléctrico .......................................................................... 28
2.3. Estudo de viabilidade do projecto ................................................................................................... 29
2.4. Impactos ambientais........................................................................................................................ 30
2.6. Analise de possíveis riscos do projecto........................................................................................... 31
Capitulo 3: Selecção dos equipamentos ...................................................................................................... 33
3. Escolha da configuração do sistema ................................................................................................... 33
3.1. Selecção do módulo solar .................................................................................................................... 33
3.2. Selecção da Bateria solar ..................................................................................................................... 35

5
3.3. Selecção do controlador de carga......................................................................................................... 35
3.4. Selecção do inversor ............................................................................................................................ 34
Capitulo 4: Dimensionamento dos componentes de açodo com a NBR 14298 - 1999 .............................. 35
4. Influência da disponibilidade da radiação solar no local .................................................................... 38
4.1. Inclinação do painel ............................................................................................................................. 38
4.2. Cálculo do número de módulos solares ............................................................................................... 39
4.3. Resumo dos dados de dimensionamento ............................................................................................. 40
4.4. Manutenção do sistema de geração ...................................................................................................... 42
4.4.1. Manutenção preventiva ..................................................................................................................... 42
4.4.2. Manutenção preditiva........................................................................................................................ 43
4.4.3. Manutenção correctiva ...................................................................................................................... 43
4.4.4. Vantagens da manutenção de sistema solar fotovoltaico: ................................................................. 43
Conclusão.................................................................................................................................................... 44
Referencias Bibliográficas .......................................................................................................................... 45

6
Introdução
O crescente desenvolvimento da tecnologia fotovoltaica significa que, nos dias de hoje, o
projectista do sistema tem ao seu dispor uma grande variedade de módulos e de sistemas de
montagem. Existem diferentes opções de instalação, dependendo da dimensão do sistema, do
conceito e das condições do local.
A instalação de um sistema fotovoltaico requer um extenso conhecimento profissional e, em
alguns dos casos, o envolvimento de profissionais de várias áreas (carpinteiros, electricistas,
empreiteiros, etc.).
Para o dimensionamento considerou-se alguns equipamentos eléctricos básicos para uma família,
exceptuando os equipamentos de maior consumo que se encontram referenciados neste projecto.
Quando ao recurso a ser usado para geração da energia neste caso o recurso solar, realizou-se um
estudo com os dados fornecidos no atlas de energias renováveis de Moçambique.
O dimensionamento a ser feito neste trabalho ira permitir com que a população destinada usufrua
dos benefícios oriundos da electricidade, melhorando de certa forma o seu dia-a-dia e
possibilitando que eles possam criar negócios a partir desta energia que será gerada na mini
central fotovoltaica.

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Objectivos
Geral:
O objectivo do projecto é de dimensionar uma mini-rede solar para alimentar 100 famílias.
Específicos:
 Apresentar o princípio de funcionamento de uma mini-rede;
 Descrever os componentes do sistema fotovoltaico;
 Verificar a viabilidade do projecto;
 Avaliação do potencial energético solar;
 Ilustrar os diagramas de montagem dos componentes;
 Identificar as quantidades dos equipamentos envolvidos no sistema.

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Capítulo 1: Fundamentação teórica – energia solar
1. Considerações iniciais
A energia solar é a energia primária de todas as energias. É a partir desta energia que se
produzem todos os outros tipos de energia desde a energia hídrica, a energia eólica, a energia dos
mares, a energia, e mais outros tipos de energia.
É do sol eu se dá a evaporação, que origina o ciclo da hidrologia, promovendo as chuvas que a
partir destas as aguas acumulam se nas bacias hidrográficas que poderão ser usadas para a
geração de energia hidroeléctrica. A radiação solar induz a circulação massiva de massas de ar,
podendo a partir destas produzir a energia eólica. O petróleo, o gás natural, o carvão mineral
formam se no subsolo a partir de resíduos de plantas e animais que são criadas a partir da
radiação solar. A energia do sol também promove o crescimento das plantas que serão usadas
como combustível para a geração de vapor assim como da produção da biomassa.
A energia solar é produzida a partir de reacções termonucleares que ocorrem no núcleo do sol.
Este assunto será tratado dom mais detalhes nas secções que seguem.
A energia produzida pelo sol pode até então ser aproveitada de duas formas a saber: em forma de
calor ou em forma de fotões, originando os dois tipos de energia solar que serão discutidos logo a
seguir.
1.1. Energia solar térmica
Quando a radiação do sol incide uma dada superfície, pode ser acumulada em forma de calor
nessa mesma superfície, dependendo da capacidade que essa superfície tem de armazenar
energia em forma de calor. A utilização deste tipo de energia abrange os processos de captação e
armazenamento do calor. Para Galdino & Pinho, (2014) os processos de captação e
armazenamento de energia solar térmica pode ser feita utilizando os colectores solares. Os
colectores solares são dispositivos capazes de captar a energia térmica do sol e armazena-la com
objectivo de aquecer fluidos gasosos assim como líquidos.
Os colectores solares são classificados em dois tipos a saber: os colectores planos e os colectores
concentradores em função da não existência ou da existência de dispositivos de concentração de
energia (Galdino & Pinho, 2014).

Os colectores planos são os mais usados nas residências ou em ambientes públicos como
hospitais escolas, penitenciarias e mais, aquecendo fluidos até uma temperatura inferior a 100o C.
Quando for necessário um aquecimento acima os 100o C, utilizam se os colectores
concentradores, pois estes tem a capacidade de aquecer o fluido até aproximadamente 400o C.
São mais usados nas centrais hidroeléctricas para a geração de vapor que posteriormente será
usado na produção de energia eléctrica.
9
1.2. Energia solar fotovoltaica
É a energia que constitui o foco deste projecto. É obtida a partir da conversão directa da luz em
energia eléctrica. O dispositivo que permite essa conversão directa luz - electricidade é o painel
solar. Mais detalhes sobre o painel solar serão discutidos nas secções posteriores.
1.3. O sol como recurso de energia
O sol é o recurso primordial de energia na terra. Ele é responsável pela manutenção da vida no
planeta, não se esquecendo do facto de que o mesmo constitui uma fonte inesgotável de energia
que pode ser aproveitada de diversas formas.
1.3.1. Constituição do sol
A constituição do sol está representada na figura que segue.

Figura 1: Constituição do sol (Galdino & Pinho, 2014)

O núcleo é o elemento principal que se encontra a uma temperatura de 15 milhões Kelvin,


estimados. É a zona mais densa do sol, onde a energia é produzida através de reacções
termonucleares. A energia produzida no núcleo é transferida por radiação para as regiões
superiores na zona radiativa. Chegada nas regiões superiores (ainda internas), esta é transferida
por convecção para as superfícies do sol na zona convectiva. Dessa forma, a energia já pode ser
aproveitada pelos humanos. Os demais elementos do sol são tratados nos respectivos livros que
tratam do assunto, como por exemplo o livro citado na figura 1.

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1.3.2. Características principais do sol
Massa 1,989. 10
Raio 696000
Densidade média 1409 .
Densidade central 1,6. 10 .
Distancia 1 1,499. 10
Potência luminosa 3,83. 10
Temperatura efectiva 5785
Temperatura central 1,5. 10
Composição química é − 91,2 %
é – 8,7%
é – 0,0078%
– 0043%
Período rotacional no equador 25
o
Período rotacional na latitude 60 29
Tabela 1: características principais do sol (Adaptado de Galdino & Pinho, (2014))
1.3.3. Geometria do sol
Sabe-se que o sol nasce no leste e se põe no oeste, elevando no céu. Essa elevação é maior no
verão e menor no inverno. A terra se move em uma órbita elíptica (com uma pequena
excentricidade, ≈ 0,017) em torno do sol e o eixo de rotação da Terra forma um ângulo de
23,5° com a normal ao plano da elipse da órbita da Terra. Esse ângulo é o responsável pela
duração do dia e da noite nas distintas estações do ano, e também é o responsável pela variação
da elevação do sol no horizonte à mesma hora, ao longo do ano. A posição angular do sol ao
meio dia solar, em relação ao equador é chamada de Declinação Solar (δ). A declinação varia de
acordo com o dia do ano, com valores entre: −23,45° ≤ ≤ 23,45°, sendo positivo ao Norte
e negativo ao Sul. A figura 2 mostra o movimento da terra em torno do sol e as estacões do ano
para o hemisfério sul e a figura 3 mostra a declinação solar em quatro posições da terra ao longo
do ano.

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Figura 2: Movimento da terra em torno do sol (Galdino & Pinho, 2014)

Figura 3: Declinação solar em quatro posições da terra Galdino & Pinho, (2014).

A observação da latitude da localidade e da declinação determina a trajectória do sol no céu, para


um determinado dia. A seguir, na figura 4, estão detalhadas as relações geométricas entre a
superfície terrestre e os raios solares. Estes ângulos variam de acordo ao movimento aparente do
sol na abóbada celeste:

12
Figura 4: Relações geométricas sol-terra-painel solar (Souza, sem data)

Ângulo de Incidência (γ): é formado entre os raios solares e a normal à superfície de captação.
Quanto menor esse ângulo, mais energia será captada.
Ângulo Azimutal De Superfície (aw): ângulo entre a projecção da normal à superfície do painel
solar e a direcção norte-sul. Para o hemisfério sul o azimute é o norte e, portanto, o deslocamento
angular será à parir deste ponto cardeal, sendo positivo em sentido horário (leste) e negativo no
sentido anti-horário (oeste). O ângulo Azimutal de superfície estará entre: - °≤ ≤ °.
Internacionalmente convenciona-se o azimute 0° como sendo o Sul, e o 180° para o norte
Ângulo Azimutal do Sol (as) é o ângulo entre a projecção dos raios solares no plano horizontal
e a direcção Norte-Sul. Tem as mesmas convenções que o Ângulo Azimutal de Superfície.
Altura Solar (α): ângulo entre os raios solares e sua projecção sobre um plano horizontal.
Inclinação (β): ângulo entre o painel solar e o plano horizontal.
Ângulo Horário do Sol ou Hora Angular (ω): é o deslocamento angular do sol, no sentido
Leste-Oeste, à parir do meridiano local, devido ao movimento de rotação da Terra. A Terra dá
um volta completa (360°) em torno de si mesma em 24 horas. Portanto, cada hora corresponde a
um deslocamento de 15°.
Ângulo Zenital (θz): é o ângulo formado entre os raios solares e a vertical (Zênite). O ângulo
zenital é o inverso da altura solar. O sol só alcança o Zênite nas localidades entre os trópicos
(zona tropical). Fora dos trópicos, em nenhuma localidade haverá, ao meio dia solar, ângulo
zenital igual a zero.
O conhecimento desses termos é de extrema importância para o estudo de qualquer sistema de
aproveitamento de energia solar.

13
A intensidade da radiação solar que chega à Terra é em torno de 1,3 kW/m² acima da atmosfera.
A quantidade de Radiação que chega ao chão, no plano horizontal depende da localização
geográfica, mas também das condições atmosféricas, assim como do período (estação) do ano. A
atmosfera terrestre age como um filtro, que bloqueia uma parte dessa energia. Quanto mais
espessa for a camada atmosférica a ser vencida, menor será a Irradiância solar ao nível do solo.
A camada atmosférica será mais ou menos espessa, de acordo à elevação do sol, no momento da
medição. Essa espessura é medida através de um coeficiente chamado Massa de Ar (AM). A
massa de ar influência através dos efeitos de absorção e dispersão, por isso, quanto mais elevado
o sol estiver no céu, menores serão os efeitos da camada atmosférica. É importante salientar que
a poluição atmosférica potencializa esses efeitos de absorção e dispersão.

Figura 5: relação entre o ângulo de incidência e a massa de ar (Souza, sem data)


A relação entre o coeficiente AM e a altura solar e ângulo zenital é a seguinte:
1 1
= =
cos ( ) sen ( )
Devido a esses factores, a máxima Irradiância que chega à superfície terrestre é em torno de
1.000 W/m². A radiação que vem directamente do sol é chamada de radiação directa, e a que
vem da abóbada celeste é chamada de radiação difusa. Além dessas duas, temos também a
radiação de albedo, que a energia solar reflectida da terra, seja por vegetação, construções, etc.
A Irradiância de Albedo é muito pequena. A soma dessas Irradiações é chamada de Irradiação
Solar Total.

14
1.4. Efeito Fotovoltaico
O termo fotovoltaico significa a transformação da radiação solar directamente em corrente
eléctrica, utilizando as células fotovoltaicas, também chamadas de células solares. As células
solares são constituídas de materiais semicondutores como: silício, arseneto de gálio, telureto
de cádmio ou disseleneto de cobre e índio (gálio). O silício cristalino é o mais utilizado, mas as
tecnologias de película fina ganharam mercado com a produção em larga escala. A junção de
células solares seja em serie ou em paralelo, forma o chamado módulo solar e a associação de
módulos forma o painel solar. Quando um só módulo é capaz de suprir as necessidades de
energia para um dado fim, este é designado como painel solar apesar de ser um só.
Os semicondutores possuem a banda de valência totalmente preenchida e a banda de condução
totalmente vazia a temperaturas muito baixas. A separação entre as duas bandas de energia,
chamada de gap de energia ou banda proibida, que possui uma energia em torno de 1 – 2,99
eV como especificado na figura que segue.

Figura 6: Estrutura das bandas de valência para os condutores (a) semicondutores (b) e isolante (c) (Galdino &
Pinho, 2014).
Isso dá aos semicondutores determinadas características especiais, como o aumento da sua
condutividade com o aumento da temperatura, devido à excitação dos electrões da banda de
valência para a banda de condução. Outra característica importante, é a possibilidade de fotões,
na faixa do visível e com energia suficiente para excitarem os electrões. Esse efeito que acontece
nos semicondutores puros, chamados de intrínsecos, por si só não permite o funcionamento do
material com célula fotovoltaica, pois a maioria dos electrões volta a se recombinar.
Cada átomo de silício tem quatro electrões de valência, e para atingir uma configuração estável
se ligam a quatro átomos vizinhos, formando uma rede cristalina. Para potencializar o efeito
fotovoltaico o cristal de silício é dopado com substâncias que alteram a sua rede cristalina. Se ao
silício for misturado átomos de arsénio ou de fósforo (dopagem) que possuem 5 electrões de
valência, um desses electrões ficará livre, permitindo que com pouco calor esse electrão salte
15
para a banda de condução. Esse tipo de impureza é chamado de doadora de electrões, ou
dopante n.

Figura 7: Silício dopado com fósforo ou arsénio (Souza, sem data)


Se doparmos o silício com materiais como o Alumínio ou Boro, que possuem 3 electrões de
valência, faltará um electrão para criar uma ligação covalente. Esse buraco se comporta como
uma carga positiva, já que com pouca energia térmica um electrão vizinho vem ocupar esse
buraco, deixando um buraco onde estava fazendo com que haja uma movimentação do buraco.
Esse tipo de impureza é chamado de dopante p.

Figura 8: Silício dopado com boro (Souza, sem data)

Se combinarmos as duas impurezas no mesmo cristal intrínseco de silício, formamos uma


Junção P-N. Na área de contacto da junção, os electrões livres do semicondutor Tipo – N fluem
para os buracos do semicondutor Tipo – P até que se forme um campo eléctrico que impede o
luxo permanente de electrões.
Se a Junção P-N for exposta à radiação solar, os fotões com energia superior ao gap liberam
mais buracos – electrões livres que criam uma corrente eléctrica na área da junção. Alguns dos
elétrons liberados são recombinados, se não forem capturados. Além disso, nem todo o espectro
da radiação é aproveitado.

16
Figura 9: Difusão de energia na junção N-P visão microscópica (Goldino & Pinho, 2014)

Figura 10: Difusão de energia na junção N-P em físico (Goldino & Pinho, 2014)
1.4.1. Medição da radiação solar
A medição da radiação seja ela directa ou difusiva é de grande relevância para o estudo das
influências das condições climáticas e atmosféricas assim como no desenvolvimento de projectos
de aproveitamento da energia solar, uma vez que o sol é a variável de maior peso para a
viabilização destes projectos (Galdino & Pinho, 2014). Como por exemplo o projecto a ser
desenvolvido nesse documento.
Em suma, a medição dos dados de radiação solar ajuda para:
 A identificação e selecção do local mais adequado para a implementação do projecto;
 O desenvolvimento do gerador fotovoltaico;
 O cálculo diário, semanal, mensal ou mesmo anual de produção de energia;
17
 O estabelecimento de estratégias operacionais e de dimensionamento de sistemas de
armazenamento.

O objectivo da medição dos dados solar é a obtenção do valor instantâneo do fluxo energético do
sol (irradiância) ou integrado (irradiação) ao longo do tempo.
Para medir a radiação ao nível do solo são utilizados dispositivos específicos normalizados pela
Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Os piranômetros (para a radiação global),
pireliômetros (para a radiação directa), heliógrafos e acinógrafos são alguns desses aparelhos.

Figura 11: Piranômetro e pireliômetro, respectivamente (Galdino & Pinho, 2014)

1.4.2. Horas de pico sol


A Radiação solar varia durante o dia e tem sua maior intensidade ao meio-dia-solar.
À parir do momento em que o sol aparece no horizonte até o ocaso, a radiação solar vai do
mínimo ao máximo (ao meio-dia-solar), e de volta ao mínimo. As nuvens influenciam a
Irradiância Directa, fazendo com que mesmo ao meio-dia-solar possamos captar menos energia
que no começo da manhã ou final da tarde. Se colocarmos em um gráfico a variação da
Irradiância em um dia médio, podemos observar as horas do dia em que a Irradiância é próxima
ou igual a 1000 W/m².

18
Figura 12: Gráfico demonstrativo das horas de pico sol (Souza, sem data)

Esse valor é de extrema importância para o cálculo de sistemas fotovoltaicos, pois é nessas horas
que um painel fotovoltaico estará gerando o seu máximo durante o dia. As horas de sol pico
estão compreendidas entre duas a três horas antes e depois do meio-dia-solar. O meio-dia-solar
acontece quando os raios de sol estão se projectando na direcção Norte-Sul, no meridiano local.
Como o meio-dia-solar varia ao longo do ano, na maioria das vezes será diferente do meio-dia no
horário civil.
1.5. Sistemas fotovoltaicos
Um sistema fotovoltaico é uma fonte de potência eléctrica, na qual as células fotovoltaicas
transformam a radiação solar directamente em energia eléctrica. Os sistemas fotovoltaicos
podem ser implantados em qualquer localidade que tenha radiação solar suficiente. Sistemas
fotovoltaicos não utilizam combustíveis, não possuem partes móveis, e por serem
dispositivos de estado sólido, requerem menor manutenção. Durante o seu funcionamento não
produzem ruído acústico ou electromagnético, e tampouco emitem gases tóxicos ou outro tipo de
poluição ambiental. A fiabilidade dos sistemas fotovoltaicos é tão alta, pelo que são utilizados
em locais inóspitos como: no espaço, nos desertos, nas selvas, nas regiões remotas, etc.

19
1.6. Classificação dos sistemas fotovoltaicos
O esquema que segue mostra e forma resumida a classificação dos sistemas fotovoltaicos

Figura 13: Classificação dos sistemas fotovoltaicos (Galdino & Pinho, 2014)

Olhando naquilo que é o foco deste projecto, o tipo de sistema a usar será o sistema autónomo
com armazenamento. O armazenamento vai servir para o tempo em que a radiação solar é fraca
como nos dias chuvosos ou mesmos nas noites. De salientar que o aproveitamento energético
será em forma de mini-rede.
Para o efeito, vai-se detalhar com mais rigor os sistemas autónomos.
1.6.1. Sistemas fotovoltaicos autónomos ou puros
Um sistema fotovoltaico puro é aquele que não possui outra forma de geração de electricidade.
Devido ao facto de o sistema só gerar electricidade nas horas de sol, os sistemas autónomos são
dotados de acumuladores que armazenam a energia para os períodos sem sol, o que acontece
todas as noites, e também nos períodos chuvosos ou nublados. Os acumuladores são

20
dimensionados de acordo à autonomia que o sistema deve ter, e essa varia de acordo às
condições climatológicas da localidade onde será implantado o sistema fotovoltaico.
Componentes de um sistema fotovoltaico puro

Figura 14: Ilustração dos componentes de um sistema fotovoltaico (Galdino & Pinho, 2014)

Legenda
1. Painel fotovoltaico;
2. Controlador de Carga/Descarga das baterias;
3. Banco de baterias;
4. Inversor autónomo, para cargas em CA;
5. Cargas CC ou CA;
1.6.1.1. Painéis solares
Define-se painel fotovoltaico como sendo um conjunto de módulos fotovoltaicos. Um conjunto
de painéis fotovoltaicos é um Arranjo Fotovoltaico (Galdino & Pinho, 2014).
Em diversas instalações fotovoltaicas vemos um único painel formado por um grande número de
módulos, mas, na verdade, podemos ter vários painéis, do ponto de vista eléctrico. Quando a
potência de um painel é muito grande, de tal maneira que as correntes eléctricas geradas sejam
demasiadamente grandes para os dispositivos de controlo, é preferível subdividi-lo em painéis
menores, que podem ser acomodados em uma estrutura única, e seus conectores serão levados a
diferentes caixas de conexão, e daí para os dispositivos de controlo correspondentes.

21
O painel fotovoltaico para sistemas autónomos é configurado para fornecer tensões
entre 12 e 48 volts, sendo as tensões de 12 V e 24 V as mais comuns, enquanto a tensão de 48
Volts é uilizada em sistemas maiores (será a tensão do projecto em desenvolvimento). O painel é
dimensionado para fornecer o potencial eléctrico para um dia médio de uso. Essa energia será
armazenada em baterias ou utilizada imediatamente, no caso dos sistemas fotovoltaicos sem
armazenamento. No caso do projecto em dimensionamento, a energia será armazenada em
bactérias. Geralmente são utilizados módulos de 36 ou 72 células, que têm as tensões nominais
adequadas para os controladores de carga sem MPPT. Além disso, os módulos para sistemas
isolados, não possuem, em sua grande maioria, cabos de conexão com conectores padrão.
Banco de baterias
Um banco de baterias é constituído por uma qualidade calculada de elementos conectados em
serie e/ou paralelo, que fornecerão a potência demandada pelas cargas, no período de autonomia
em que devem funcionar sem receber recarga do arranjo fotovoltaico nos dias sem insolação.
Em sistemas isolados, a baterias tem as seguintes funções:
Autonomia: essa é a função mais importante, que é suprir a energia para os consumos, quando
o painel não é capaz de gerar energia suficiente. Isso acontece todas as noites, e também nos
períodos chuvosos ou nublados, que podem varia durante o dia.
Estabilizar a tensão: os módulos fotovoltaicos têm uma grande variação de tensão, de acordo à
irradiância recebida. A conexão de cargas de consumo directamente aos módulos pode expô-los
a tensões muito altas ou muito baixas para o seu funcionamento. As baterias possuem uma faixa
de tensões mais estreita que os módulos fotovoltaicos, e garantirão uma faixa de operação mais
uniforme para as cargas.
Fornecer correntes elevadas: a bateria opera como um bufer, fornecendo correntes de partidas
levadas. Alguns dispositivos (como motores) requerem altas correntes (de 4 até 9 vezes a
corrente nominal) para iniciar o seu funcionamento, estabilizando e utilizando correntes mais
baixas depois de alguns segundos. Outros dispositivos mais vorazes entrarão em funcionamento
por curto período de tempo, mas consumirão muita potência. As baterias fornecerão essa alta
potência momentânea, e serão carregadas lentamente pelo painel fotovoltaico durante o dia.
As baterias para uso fotovoltaico costumam ser de chumbo-ácido ou de níquel-cádmio. As
baterias de níquel-cádmio suportam descargas maiores e tem maior vida-útil, mas seu alto custo
e baixa disponibilidade as tornam viáveis em sistemas muito específicos que necessitam de alta
contabilidade.
Para o projecto em desenvolvimento usar-se-ão as baterias de chumbo-ácido cuja constituição
está na figura abaixo.
22
Figura 15: Bateria de cumbo – ácido (Souza, sem data)

1.6.1.2. Controlador de carga


Em um sistema fotovoltaico autônomo, a tensão do arranjo fotovoltaico deve ser compaível com
a tensão nominal do banco de baterias, que costuma ser de 12 V, 24 V, ou 48 V.
O controlador (ou regulador) de carga/descarga aumenta o rendimento do sistema fotovoltaico e
a vida úil (quanidade de ciclos) das baterias. As tensões de carga e equalização devem ser
maiores que a tensão nominal, podendo ser em torno de 14,4 V numa bateria com tensão nominal
de 12 V. Módulos standard, com 36 a 40 células fotovoltaicas de silício cristalizado, geram
tensões nominais entre 15 V e 18 V. Com o aumento da temperatura, a tensão dos módulos PV
diminui, mas ainda assim deve ser maior que a tensão de carga das baterias. Quando a
temperatura é menor, a tensão em ponto de máxima potência (Vmpp) do módulo citado acima
será de aproximadamente 21 V e a tensão em circuito aberto será de 25 V, ultrapassando o limite
máximo de tensão para recarga das baterias. Um controlador de carga mede a tensão das baterias
e as protege de sobrecargas indevidas, de uma das seguintes formas:
 Desconectando o arranjo fotovoltaico quando sua tensão ultrapassa a tensão limite para
recarga, como fazem os controladores em série.
 Aplicando um curto-circuito no arranjo PV através de um controlador shunt.

23
 Ajustando a tensão do arranjo, como fazem os controladores com MPPT.

Quando o nível de irradiância é baixo, o nível de tensão do arranjo PV será inferior à das
baterias, fazendo com que as baterias se descarreguem nos módulos. Para evitar isto, os
controladores possuem díodos de bloqueio integrados.

Figura 16: Controlador de carga (Souza, s/d)


As funções fundamentais de um controlador de carga são:
 Controle da perfeita recarga do banco de baterias.
 Protecção contra sobrecargas indevidas.
 Protecção contra descarga excessiva (acima de 80%, ou ajustável).
 Informação do nível de carga do banco de baterias.
1.6.1.3. Inversor autónomo
Nos sistemas fotovoltaicos, a geração, armazenamento e disponibilização da electricidade é na
forma de corrente contínua (CC). Para a utilização de aparelhos que funcionam com corrente
alternada (CA) é necessário um conversor que transforme a corrente contínua com tensões entre
12 V e 48 V, em corrente alternada com tensões de 127 V ou 240 V. Essa é a função dos
Inversores Autónomos, utilizados em sistema fotovoltaicos isolados.
As características desejáveis para a escolha de um bom inversor para um sistema fotovoltaico
autónomo são listadas abaixo:
 Boa eficiência na conversão eléctrica: É recomendado que o(s) inversor(es) tenha(m)
eficiência acima de 80%. A eficiência máxima de um inversor acontece, geralmente,
quando este está fornecendo entre 50% e 70%;
 Alta capacidade de sobrecarga: um inversor deve ser capaz de fornecer uma potência
instantânea bem maior que a potência nominal, o que permitirá a partida de dispositivos
eléctricos que consumam alta corrente de parida (ex: motores), sem a necessidade de
super dimensionar o inversor na fase de projecto;
24
 Tolerância para as flutuações de tensão das baterias: durante os processos de carga e
descarga, a tensão das baterias varia de tal maneira, que pode ser nociva a dispositivos
mais sensíveis, para tal o inverso deve tolerar este acto;
 Baixo auto consumo: (quando em stand-by) e detecção automática de cargas.
 Protecção contra curto-circuito na saída CA;
 Alta protecção electromagnética;
 Baixa distorção harmónica: se refere à qualidade da forma de onda de saída da corrente
alternada. Quanto menor a distorção, mais qualidade tem a corrente de saída;
 Protecção contra surtos.

1.7. Aplicação de sistemas fotovoltaicos


Os sistemas fotovoltaicos são economicamente flexíveis, ou melhor, são acessíveis que podem
até ser de uso individual. Podem ser aplicados em casos como:
 Sistemas isolados para a irrigação de campos agrícolas;
 Sistemas isolados individuais;
 Sistemas off-grid para hospitais, escolas, universidades e mais instituições;
 Sistemas on-grid para aumentar a potência da rede das concessionárias;
 Sistemas isolados de mini-redes de electrificação rural;
 Sistemas de bombeamento de água;
No projecto e desenvolvimento vão-se aplicar os sistemas fotovoltaicos isolados em forma de
mini-redes razão pela qual esta forma de aplicação será tratada com mais detalhes.
1.7.1. Sistemas isolados de mini-redes
Em qualquer país, existem zonas que estão isoladas da rede de energia que país esteja usando,
seja este de grande ou pequena dimensão. Nestes casos, são necessários sistemas de mini-redes
para suprir as necessidades de energia nessa zona. Estes sistemas podem ser fotovoltaicos,
sistemas de geradores a motores de combustão interna, sistemas híbridos e mais. Dos demais
sistemas, as mini-redes fotovoltaicas são as mais favoráveis devido à limpeza, e acessibilidade da
energia. alem disso, esta energia é inesgotável.
Em suma, os sistemas isolados de mini-redes são sistemas que são desenvolvidos para suprir as
necessidades de energia para uma comunidade que se encontra distante da linha de energia
nacional. Estes casos de comunidades são muito encontrados em Moçambique, para tal devem
ser levados a cabo estes tipos de projectos de modo a electrificar estas zonas.
Geralmente, as mini-0redes são off-grid, ou seja, não injectam corrente à rede nacional uma vez
que esta se encontra a longas distâncias.
25
Capítulo 2: Estudo do campo
O projecto em desenvolvimento visa a construção de um sistema fotovoltaico para alimentar 100
casas. Estas famílias terão todos os equipamentos eléctricos necessários para estabilizarem as
suas necessidades. Neste capítulo, serão apresentados aspectos como a demanda de energia nas
100 famílias, o local onde o projecto será implementado, a avaliação da disponibilidade do
recurso solar no local escolhido, a análise dos possíveis riscos, a escolha da configuração do
sistema, a planificação do projecto e mais.
2. Estudo do local
O projecto será na província de Inhambane, distrito de Morrumbene, localidade de Gotite
concretamente no bairro de Chicungussa. Chicungussa é um bairro que dista a 21 km da Vila de
Morrumbene. Este bairro não está electrificado. É uma zona praticamente rural cujas actividades
principais de desenvolvimento dos residentes são a agricultura e a pecuária. Este bairo está
rodeado de quatro locais por onde passa a rede nacional nomeadamente:
 A vila de morrumbene, que dista a 21 km do bairro;
 A localidade de Cambine, que dista a 18 km;
 A localidade de Gotite, que dista a 14 km do bairro e
 A localidade de Panga, que dista a 6,6 km do bairro.
Por ser uma zona rural, este bairro não apresenta nenhum elemento arquitectónico, nenhuma
superfície de reflexão o que constitui uma grande vantagem para o projecto. Porém apresenta
árvores de grandes dimensões, o que pode constituir um elemento de sombreamento, que pode
ser corrigido com a instalação de painéis a alturas maiores.
O bairro se encontra a 23 km da costa o que significa que a velocidade do vento no local é
menor. Isto vai ajudar para reduzir a troca térmica por convecção com os painéis.
Em termos sociais da população, há uma vantagem pois este bairro tem menor índice de roubos.
A outra vantagem é que neste bairro há sinais de necessidade de energia eléctrica. Tal facto nota-
se pelo uso de pequenos módulos solares para a iluminação assim como no carregamento de
celulares. Com este projecto, os residentes deste bairro poderão beneficiar-se de energia no
regime contínuo.
Economicamente, este bairro constitui uma vantagem pois a maioria das famílias são de
trabalhadores (na maioria mineiros sul-africanos).
A outra vantagem deste bairro é a existência de vários de locais livres, com características
solares adequadas por onde o gerador fotovoltaico poderá estar.

26
2.1. Avaliação do recurso
O bairro onde o projecto será implementado ainda não tem dados solares nos documentos e
mapas de energias do país. Porém a província em si já tem tais dado, então poderão ser de
referência para o projecto.

A radiação solar a uma escala global vária essencialmente em função da atmosfera,


geometria e do movimento do planeta relativamente ao sol, sendo que numa escala
local, a variação da radiação solar encontra-se maioritariamente associada à morfologia do
terreno, ou seja, variações de elevação, declive, exposição e sombreamento (Atlas de energias
renováveis de Moçambique, 2014).
Moçambique apresenta uma radiação global em plano horizontal elevada quando comparada
com bons locais na Europa e Ásia, sendo bastante próxima de alguns dos melhores locais do
mundo, como a África do Sul e a Califórnia. Em Moçambique, a radiação global em plano
horizontal varia entre os 1.785 e 2.206 kWh/m2/ano. Com base na radiação global em plano
inclinado, na análise de declive do terreno, densidade florestal e áreas inundadas, o potencial
solar de Moçambique é de 23 TWp (Atlas de energias renováveis de Moçambique, 2014).
A província de inhambane em particular apresenta uma radiação global no plano horizontal na
sua maior área maior que 2000 W/m2/ano o que constitui uma vantagem para o projecto, tal
como está patente no gráfico que segue.

Figura 17: Classes de radiação global em plano horizontal em Moçambique (Atlas de energias renováveis de
Moçambique, 2014)

As Horas de Sol Pleno (HSP) do local poderão ser: > [ / ]⋮ >2ℎ

Em suma, o local apresenta um elevado potencial de recurso solar para o projecto.

27
2.2. Levantamento da demanda do potencial eléctrico
Como já foi esclarecido no início do capítulo, o projecto visa alimentar somente 100 famílias.
Nestas famílias poderão existir quaisquer equipamentos excepto aqueles revogados pela norma
devido ao seu alto consumo energético tal como descrito na tabela que segue:
Aparelho eléctrico Potência Dias de uso Tempo de Consumo
máxima [w] por mes uso por médio mensal
dia [kWh]
Chuveiro eléctrico – 4500 W 4500 30 32 min 72
Chuveiro eléctrico – 5500 W 5867 30 32 min 88
Ferro eléctrico automático seco 1050 12 1h 2,4
Ferro eléctrico automático a 1200 12 1h 7,2
vapor
Forno micro-ondas 1400 30 20 min 14
Secador de cabelo 1000 30 10 min 5
Torradeira 800 30 10 min 4
Tabela 2: Lista de equipamento a serem evitados na mini-rede (Adaptado de Galdino & Pinho, 2014)
De salientar que o tempo de uso diário estimado na tabela acima pode ser muito menor em
relação ao que é a nossa realidade.
Exemplo: Imagine que numa casa viva uma família de 4 pessoas. Capa pessoa leva 10 minutos
para tomar banho e toma banho três vezes por dia. O tempo que o chuveiro ficará ligado será de
4x10x3 que equivale a 120 minutos por dia, o que resultaria num consumo mensal de 270 kWh.
O uso destes equipamentos pode gerar sobrecargas na linha. Tratando se de sistemas isolados
com banco de baterias, pode desviar toda a carga para o mesmo consumidor e por consequência
o bairro ficará sem energia por um determinado tempo.
Os mesmos equipamentos podem ser encontrados a potências de accionamento baixas. Nestes
casos pode-se tolerar o seu uso por u determinado tempo
Filtrando os equipamentos mencionados na tabela 2, pode se fazer o seguinte levantamento da
demanda de energia diariamente e mensalmente como mostra a tabela 3.
Os cálculos de energia para cada equipamento foram feitos recorrendo à lei de Joule:
=

28
Equipamentos Quantidade Horas de Potência Energia diária
uso/dia média [W] [kWh/d]
01 Lâmpada fluorescente compacta 500 (5*100) 13h 23 149,5
02 Geleira de dois compartimentos 100 (1*100) 20h 67 134
03 TV colorido, 40 Polegadas 100 (1*100) 12h 83 99,6
04 Computador de mesa 200 (2*100) 20h 65 260
05 Aparelho de som (Pequeno) 100 (1*100) 8h 20 16
06 Chaleira 100 (1*100) 0.5h 1500 75
07 Ventilador (Ventoinha) 300 (3*100) 12h 40 144
08 Celular 600 (6*100) 2h 3 3,6
Total: 2067,2 881,7
= á ∗ 31 Total 27332,7
Mensal:
Tabela 3: Demanda mensal de energia (Os projectistas)
Utilizando um factor de segurança ( = , ), a demanda mensal fica:
= 27332,7 ∗ 1,1 ⋮ ≅ 30065 kWh/mês
Este valor é o valor de energia que o sistema deverá fornecer por mês.
As lâmpadas a usar deverão ser todas fluorescentes com um potencia menor que a indicada na
tabela 3.
NB: Todos os aparelhos devem ser de uso comum a CA. Algumas potências de certos aparelhos
assim como o tempo de funcionamento por dia foram acrescidas por questões de segurança no
processo de dimensionamento. Alguns equipamentos como os aparelhos de som, os celulares e
as ventoinhas não serão usados todos os dias, isto garantirá mais segurança na geração. Isto tudo,
pode vir a suprir as negligências de certos clientes que poderão usar sem permissão os
equipamentos proibidos da tabela 2, as perdas de energia nas linhas e mais casos.
2.3. Estudo de viabilidade do projecto
Com todos os pontos referidos nas duas penúltimas secções, a viabilidade do projecto fica
automaticamente confirmada, restando desde já quantificar em termos de capitas. Uma vez que o
mercado é considerado bom, pode-se a prior dizer-se que o tempo de retorno do capital a ser
investido poderá ser curto.

29
2.4. Impactos ambientais
A energia solar é geralmente limpa, ou seja, apresenta poucos impactos ambientais. Olhando na
extensão do projecto e no tipo de arranjo dos painéis a ser usado, os possíveis impactos poderão
ser:
 Ocupação de terrenos e destruição de plantas: Para instalar o projecto será necessário
um terreno. Este terreno poderá ter plantas económicas dos residentes como coqueiros,
laranjeiras, mangueiras e mais que de qualquer jeito serão destruídas. Essa destruição
afecta as economias da população assim como afecta a vida das pessoas pois as plantas
ajudam o ser humano na respiração.
 Perturbação visual: Para os residentes que se encontraram perto do sistema poderão ter
problemas com os reflexos dos raios solares nos painéis. Tal impacto poderá ser corrigido
através do reensentamento das populações.
 Destruição do ecossistema: No âmbito da preparação do local, os animais que lá podem
existir poderão ser mortos ou outros poderão fugir do local.
2.5. Plano de desenvolvimento do recurso solar
Para o desenvolvimento do projecto fotovoltaico ter-se-ão em consideração a orientação dos
módulos, disponibilidade de área, estética, disponibilidade do recurso solar, demanda a ser
atendida, as medidas contra os impactos ambientais, o tratamento da população adjacente e
diversos outros factores, que através destes pretende-se adequar o gerador fotovoltaico as
necessidades definidas pela demanda visto que o dimensionamento de um sistema fotovoltaico
somente é o ajuste entre a energia radiante recebida do sol pelos módulos fotovoltaico e a
necessidade de suprir a demanda de energia eléctrica.
A central de geração a ser dimensionado será isolado da rede eléctrica sendo assim o
dimensionamento será feito para atender a um determinado consumo de energia eléctrica, e é
fundamental estimar esta demanda energética com precisão para que o sistema projectado
produza a energia necessária.
Após a identificação do local e a demanda de energia, o plano de acção para o desenvolvimento
do projecto será o ilustrado na tabela a seguir.

30
Plano de desenvolvimento do recurso solar
Produção Distribuição/comercializaç Serviços/deveres
ão
Escala de produção: a Quem será o cliente alvo? 1. Sustentabilidade
energia será produzida e R: As residências locais de Como fará a preservação do meio
uma escala de 30035 kW bairro. ambiente? (meio ambiente): Todas
por mês. Que potência o seu cliente as plantas cortadas deverão ser
O sistema de produção: necessitará? R: 27332,7 plantadas novamente em outros
Para se alcançar a kW por mês. locais; o lixo sólido deverá ser
demanda supracitada, vai Como fará chegar a acumulado e incinerado
se adoptar um sistema de energia ao cliente? R: o mensalmente; os resíduos líquidos
produção com projecto contará com dez terão um tratamento especial.
armazenamento- subestações sendo uma para O que fará com a população que
Os custos de produção: cada dez casas. --------------- vive no local onde quer instalar a
Os custos de produção ---------------------------------- central? (responsabilidade social):
serão elevados, porém ---------------------------------- Todas as famílias que se encontram a
feito a análise do ---------------------------------- um raio de 1 km do local deverá ser
mercado, nota-se que o ---------------------------------- transferidas para outro local com
retorno será em tempo ---------------------------------- direito às mesmas condições nas
determinado. Além disso, ---------------------------------- quais se encontravam antes e deverão
o projecto contara com ---------------------------------- beneficiar-se da energia a ser
certos financiamentos ---------------------------------- produzida com prioridade
O local de produção: na ---------------------------------- 2. Governo
és lagoa de Chicungussa ---------------------------------- Que parceria poderá fazer com o
------------------------------- ---------------------------------- governo local de modo eu o seu
------------------------------- ---------------------------------- negócio tenha sucessos?
------------------------------- ---------------------------------- (regulamentações): Todas as
------------------------------- ---------------------------------- regulamentações do governo deverão
------------------------------- ---------------------------------- ser seguidas, incluindo as taxas de
------------------------------- ---------------------------------- imposto. Se existir, dentro do raio de
------------------------------- ---------------------------------- alcance do projecto, uma instituição
------------------------------- ---------------------------------- do governo que necessite de energia
------------------------------- ---------------------------------- eléctrica, poderão ser feitas parcerias
------------------------------- ---------------------------------- de negócio.
Tabela 4: Aspectos importantes na planificação do desenvolvimento de um recurso energético (Os projectistas)

2.6. Analise de possíveis riscos do projecto


Independentemente da fonte de energia, ao se implementar um projecto de energia, há sempre
riscos que o empresário/projectista pode correr, sem se esquecer que a questão de energia é um
negócio, mas não uma questão social. Estes riscos, quando não bem analisados podem prejudicar
o projecto, seja no período de implementação ou mesmo durante o seu funcionamento. Para o
projecto em desenvolvimento, os possíveis riscos são ilustrados na tabela que segue.

31
Riscos do projecto
Riscos económicos Riscos políticos
Específicos do Do ambiente económico Específicos do projecto Inespecíficos do
projecto do local projecto
Disponibilidade do Mercado: Os clientes já Regulamentações do governo Conflitos
recurso: Totalmente estão confirmados, logo em relação a projectos de políticos: a zona
disponível, sem riscos não há riscos de ausência energia: devido à maior sul em geral ainda
de escassez do de consumidores (pode necessidade de energia no país, não tem casos de
recurso. vir a ter com o andar do as regulamentações do governo conflitos, logo
Preço do recurso: é tempo). para este tipo de projecto ainda não há riscos de
natural, não se O estilo de vida dos estão a favor dos empresários o guerras ao redor
compra, logo não há residentes do local de que constitui uma vantagem. da central.
riscos de ausência de implementação do Corrupção: O bairro não é
stocks. projecto: o bairro não muito movimentado, questões
Ate quando o tem histórico de de corrupção ver-se-ão com o
recurso vai existir: é criminalidade, logo os andar do projecto (i.e. não
inesgotável, logo não riscos de vandalizações constituem barreira para a
há riscos de de linhas ou mesmo da implementação de projecto).
esgotamento do central ainda não foram
recurso. detectados.
Tabela 5: Possíveis riscos do projecto (Os projectistas)

32
Capitulo 3: Selecção dos equipamentos
O processo de selecção dos equipamentos é extrema importância no desenvolvimento do
projecto. Esta importância deve-se ao facto de se saber a prior os preços dos mesmos assim como
as características técnicas dos mesmos sendo que estes dados serão usados no processo de
dimensionamento e verificação. Caso o equipamento não corresponda à demanda, poderá ser
substituído por um outro equipamento adequado mas da mesma marca. A selecção dos
equipamentos para este projecto, será consoante o descrito nos capítulos anteriores.
De salientar que a selecção que será feita nesse capítulo será superficial, mais detalhes de
selecção serão apresentados no próximo capítulo.
3. Escolha da configuração do sistema
Tratando-se de um sistema autónomo em mini-rede, a configuração básica será:

Figura 18: Configuração básica do projecto (Galdino & Pinho, 2014)

3.1. Selecção do módulo solar


O módulo solar a ser usado no projecto será do modelo SPR-X21-335-BLK da SunPower cujos
dados técnicos constam a seguir
 Potencia: 335 W  =67,9
 = 57,3 V  = 6,23 A
 = 5,85 A  Dimensões: 1558x1046x46
 Massa bruta: 18,6 kg

33
Figura 19: Painel solar seleccionado (WWW.SunPower/equipments/solar)

O arranjo dos painéis será no chão tal como vê-se na figura abaixo. A escolha desse arranjo deve
se à flexibilidade de orientação e inclinação. Porém, a questão de sombreamento deverá ser
acautelada, pois este tipo de arranjo admite uma altura mínima de 5 m e facilmente será
sombreado pelas árvores do local. Deve se ainda ter muita atenção no crescimento das ervas no
local, pois este arranjo favorece o crescimento das mesmas devido às gotas de água e ao
sombreamento causado pelo painel.

Figura 20: Arranjo do sistema (Adaptado de Souza, s/d)


34
3.2. Selecção da Bateria solar
As baterias que formarão o banco de baterias são também da mesma entidade cujas
especificações são:
 Bateria de gel: 200A;  Vida útil de 10 anos
 Tensão nominal de 12 V;  Bateria de Chumbo-ácido.

Figura 21: Bateria seleccionada (WWW.SunPower.Bateries.com)

3.3. Selecção do controlador de carga


O controlador de carga a usar será do modelo MPPT 150 I60 – Tr da SunPower com as seguintes
características técnicas:
 Tensão nominal da bateria conectada: 12/24/26/48 V
 Corrente da bateria conectada: 60 A
 Tensão 150 V
 Corrente 50 A

Figura 22: Controlador de carga seleccionado (WWW.SunPower/chargecontroler/equipmentes.co.bz)

35
3.4. Selecção do inversor
O inversor a ser usado será da SunPower com as seguintes características
Máxima Potência Contínua 400 Wats
Potência de Surto/Pico 500 Wats
Tensão de Saída CA 115 V (padrão americano)
Tensão de Entrada CC 12 V ou 24 V
Eficiência Máxima 90%
Formato de Onda de Saída Onda Senoidal Modificada
Tabela 6: Dados técnicos do inversor (WWW.SunPower/inverter/equipement.co.bz)

Figura 23: Inversor de corrente seleccionado (WWW.SunPower/equipments/inverter.co.bz)

34
Capitulo 4: Dimensionamento dos componentes de açodo com a NBR 14298 - 1999
O dimensionamento consiste em determinar os parâmetros adequados dos componentes de modo
que estes consigam suprir a demanda de energia do local, ou seja, o dimensionamento de um
sistema fotovoltaico é o ajuste entre a energia radiante recebida do sol pelos módulos
fotovoltaico e a necessidade de suprir a demanda de energia eléctrica.
1º Passo: Cálculo da demanda de energia
A demanda de energia já foi calculada no capítulo 3 e foi de 30065 kW/mês que corresponde a
aproximadamente 969 kW/dia.
O total das potências dos aparelhos foi de 2067,2 W. Considerando que todos os equipamentos
poderão em qualquer dia serem ligados simultaneamente, o inversor seleccionado deve controlar
2067,2 W. Este inversor pode não existir no mercado. Já que a central vai contar com 10
subestações, serão usados 10 inversores sendo que cada um vai controlar 206,72 W.

2º Passo: Dimensionamento do banco de baterias


Já que os inversores têm a sua eficiência máxima na faixa de 50% a 70% da sua capacidade
máxima, a previsão da folga será:
206,72
⎧ ≅ 300
0,70
ã
⎨206,72 ≅ 420
⎩ 0,5

Para tal, deve se escolher um inversor com uma potência que varia de 300W a 420 W.
Já que a eficiência do inversor seleccionado é de 90%, a segurança de geração fica:
á 969
` = ⋮ ` = ⋮ ` ≅ 1078 /
0,9 0,9

No local a ser instalado o projecto, raramente há falta de sol, pelo que pode se tomar como
autonomia das baterias um período de 4 dias. Isso significa que o bairro pode ficar até 4 dias sem
sol a energia não vai faltar. Matematicamente,
( ) = −0,48 ∗ − 4,58 → ≥2 ⋮ ( ) = 3,62 ≅ 4
No processo de armazenamento de energia podem haver perdas por conversão electroquímica no
interior das baterias, para tal devemos considerar u potencial acima do estipulado (esta tarefa já
foi feita no cálculo da demanda) no qual seja computado o rendimento global do sistema. O
rendimento global do sistema é de 0,89.
As bactérias escolhidas possuem as seguintes características: tensão nominal de 12 V,
capacidade de 200 A. Para este modelo, a melhor profundidade de descarga é de 20% em relação

35
ao seu tempo de vida útil (esta é a profundidade de descarga no final do dia ( / )). Com os 4
dias de autonomia, a profundidade de descarga no final desta autonomia ( ) deve ser de 60%.

Figura 24: Gráfico da vida útil pela profundidade da bateria (Souza, sem data)

Com estes dados, podemos calcular a energia real a ser fornecida pelo sistema da seguinte
maneira:
1078
= ⋮ = ⋮ = 1211,2 ℎ/
0,89
Com isso, a capacidade útil do banco de baterias fica:

∗ 1211,2 ∗ 4
= ⋮ = ⋮ = 336,4 ℎ
∗ 24 ∗ 0,6

1211,2
= ⋮ = ⋮ = 252,3 ℎ
∗ / 24 ∗ 0,2

Já que a norma recomenda se o maior, = 336,4 ℎ


As baterias não devem em nenhum momento descarregar toda a carga, pois isto levaria as ao vim
da vida útil, por isso dever se estabelecer a capacidade real, dividindo a capacidade útil pela
profundidade de descarga no final da autonomia, ou seja,

= ⋮ = 336,4 ⋮ = 560,6 ℎ
0,6

Isso quer dizer que o banco de baterias deve ter uma capacidade de 560,6 ℎ, para fornecer
1211,2 durante 4 dias.

Cálculo da quantidade de baterias associadas em paralelo:

36
1121,3
= ⋮ = ⋮ ≅6
200

Calculo da quantidade de baterias associadas e serie:

24
= ⋮ = ⋮ =2
12

Em suma teremos 6 baterias em paralelo e 2 baterias em serie totalizando 8 baterias para cada
subestação. Já que o projecto conta com 10 subestações com as mesmas características, ter-se-ão
80 baterias, 10 inversores e 10 controladores de carga.

3º Passo: Dimensionamento dos módulos solares


No cálculo de painéis solares, há considerações que devem ser levadas em conta a saber:
Os controladores com MPPT (Seguidor do Ponto de Máxima Potência) por possuírem um
conversor DC/DC entre o painel fotovoltaico e o banco de baterias, conseguem aproveitar
melhor a irradiância encontrando sempre o ponto de máxima potência (por isso o nome) e
fornecem uma tensão constante com corrente variável, extraindo potências aplicáveis mesmo em
situações de radiação abaixo do umbral.
Os controladores sem MPPT desperdiçam parte da energia solar nas primeiras e últimas horas
do dia, bem como em períodos de baixa insolação. Por não se adaptarem às condições de
irradiância e temperatura (como fazem os MPPT’s) as irradiância abaixo do umbral não são
suficientes para activar os seus circuitos (no caso dos controladores mais sofisticados) ou vencer
a barreira imposta pelos díodos interno de protecção, fazendo com que a energia convertida pelos
módulos não seja aplicada às baterias. Além disso, a forma de actuação dos inversores menos
sofisticados, que na sua grande maioria são do tipo série, provoca uma grande perda em relação à
potência pico do painel fotovoltaico.
No planeamento um painel fotovoltaico para sistemas autónomos que possua um controlador de
carga com MPPT pode-se considerar a Energia que o Painel deve gerar (Ep) como sendo igual à
Energia Real (ER):

1211,2
= ⋮ = ⋮ = 1345,77 ℎ/
0,9 0,9

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4. Influência da disponibilidade da radiação solar no local
O radiação solar é a base para se alcançar a demanda de energia. Quando ela for menor, menor
será a energia a ser produzida. Como já foi explicado no capítulo 2, o projecto será
implementado num local cuja radiação solar é favorável. Além disso, as baterias dimensionadas
no passo anterior, são para atender em casos de fraca insolação.
Para o dimensionamento do painel solar vai se usar uma radiação de 2000 W/m2 tal como dita o
Atlas de energias renováveis de Moçambique. As condições de sujeira solar (poluição
atmosférica) do local são desconhecidas, logo o factor de segurança para este caso será S = 1.

4.1. Inclinação do painel


A inclinação do painel é dada pela fórmula:
= + /4
Devido à falta de equipamentos, não será possível obter os dados da latitude. Desta forma
recorrer-se-á à inclinação correcta tal como mostrado na figura a seguir.

Figura 25: Demonstração do ângulo óptimo da inclinação (Camargo, 2017)

Para hemisfério Sul, a melhor maneira de instalá-lo é orientá-lo com sua face voltada para o
norte geográfico. Essa orientação melhora o aproveitamento da luz solar ao longo do dia, pois há
a incidência de raios solares sobre o módulo durante todo o dia, com valor máximo ao meio-dia
solar (Camargo, 2017).

O norte geográfico pode ser encontrado com a ajuda de uma simples bússola. Este instrumento
porém, aponta para o norte magnético, que raramente condiz com o norte geográfico do planeta.
Para contornar esse problema, é necessário somar um ângulo de correcção ao ângulo encontrado
na leitura da bússola.

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A tabela que segue mostra o ângulo de instalação recomendado para painéis fotovoltaicos de
acordo com a latitude da localização.
Latitude geográfica do local Ângulo de inclinação recomendado
0° a 10° α = 10°
11° a 20° α = Latitude
21° a 30° α = Latitude + 5°
31° a 40° α = Latitude + 10°
41° a mais α = Latitude + 15°
Tabela 7: Inclinação do painel consoante a latitude (Camargo, 2017).

4.2. Cálculo do número de módulos solares


O número de módulos solares é dado pela fracção:
= ∗

24
= ⋮ = ⋮ =2( á ó é )
12

1345,77
24
= ⋮ = ⋮ = 5,63 ⋮ ≈6
0,9 ∗ ∗ 0,9 ∗ 5,85 ∗ 2

= ∗ ⋮ =2∗6 ⋮ = 12 ó

Considerando as 10 subestações ter-se-á um total de 120 módulos solares com as características


do painel seleccionado.
4º Passo: Dimensionamento do controlador de carga
O controlador de carga deverá ser dimensionado com um factor de segurança de 25% da corrente
de curto-circuito do painel fotovoltaico. O painel dimensionado tem a seguinte corrente de curto-
circuito:
, = ∗ , ó ⋮ , = 6 ∗ 6,23 ⋮ , = 37,38

Considerando o factor de segurança, , = 37,38 ∗ 1,25 = 46,725


Desta forma, pode se escolher um controlador de carga com uma intensidade de 50 A.

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4.3. Resumo dos dados de dimensionamento
Equipamento Especificações
01 Painéis NM
fotovoltaicos 1345,77 ℎ/ 120
02 Baterias η N V I CR ER CU Qtd.
0.89 4 d 12V 200A 560,6 ℎ 1211,2 ℎ/ 336,4 ℎ 80
03 Inversores Potencia Quantidade
206,72 W 10
04 Controlador , Quantidade
de carga 50 10
Tabela 8: Resumo dos dados de dimensionamento. (Os autores)
Orçamento para geração
Equipamentos Parâmetros P. Unitário Quantidade Preço Total
01 Painéis fotovoltaicos 10.187,07
02 Baterias 10.042,87
03 Inversores 11.591,79
04 Controlador de carga 735,096

Planta da central

Figura 26: Planta da central. (Os autores)


1. Escritório da central;
2. Banco de baterias;
3. Painéis solares;
40
4. Torres.
Mais detalhes da central podem ser vistos nos anexos.

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4.4. Manutenção do sistema de geração
Como todo investimento em do sistema como foi visto acima, é necessário cuidar da manutenção
para evitar a deterioração precoce dos equipamentos, que pode reduzir sua durabilidade e
comprometer a capacidade produtiva de todo o sistema.
A correcta instalação pode reduzir bastante a necessidade e a frequência de manutenção de
sistema solar fotovoltaico.
Para a mini-central prevê-se o uso de três tipos de manutenção que vão dar uma fiabilidade ao
sistema, destacando:
 Manutenção Preventiva;
 Manutenção Preditiva;
 Manutenção Correctiva;

4.4.1. Manutenção preventiva


A manutenção preventiva do sistema de energia fotovoltaica basicamente se resume a uma boa
limpeza periódica dos painéis solares e reduzindo o risco de avarias no sistema.
A sujeira depositada sobre as células fotovoltaicas dos módulos solares pode reduzir a
efectividade do painel, comprometendo a produção de energia e causando perdas de até 25% da
geração.

O acúmulo de resíduos ao longo do tempo pode ocasionar manchas nas placas solares, favorecer
o surgimento de fungos e causar corrosão nos painéis, reduzindo sua vida útil, que normalmente
é de 25 a 30 anos.

Formas de Limpeza
 A limpeza manual do sistema de energia solar não exige mão-de-obra especializada,
podendo ser realizada pelo próprio usuário, seguindo alguns critérios de segurança,
conforme a determinação de cada fabricante;
 A chuva já faz boa parte da manutenção de sistema solar fotovoltaico, lavando
frequentemente a superfície dos módulos. No entanto, uma limpeza manual periódica é
necessária.
Importante: A principal e unânime regra de segurança é realizar a limpeza apenas quando o
sistema estiver totalmente desligado, preferencialmente em dias de temperatura amena, sem
chuva.

Produtos
Para que a limpeza não prejudique o sistema é aconselhável utilizar apenas água e um pano
limpo ou uma esponja limpa com cerdas macias.
Por questões de segurança, não deve ser utilizado nenhum produto químico, abrasivo, item
perfurocortante ou pressurizador com jacto directo, para evitar danos à superfície dos módulos
solares.

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4.4.2. Manutenção preditiva
A manutenção preditiva do sistema de energia solar consiste-ra na realizacao de uma inspeção
visual periódica no painel a fim de identificar arranhões, manchas, rachaduras ou indícios de
quebra.
Além disso, será necessário acompanhar frequentemente os índices de desempenho da central,
como a variação da potência pico e o total de energia produzido em diferentes condições
climáticas, para verificar se o sistema está funcionando correctamente.

4.4.3. Manutenção correctiva


Se mesmo após a limpeza dos painéis fotovoltaicos for identificado baixo rendimento da central,
é recomendável accionar a equipe de manutenção correctiva para o reparo técnico do sistema.

4.4.4. Vantagens da manutenção de sistema solar fotovoltaico:


Ao cuidar da manutenção preventiva e preditiva dos módulos solares, garantimos uma
fiabilidade do sistema de energia fotovoltaica, reduzindo os custos com eventuais reparos ou
reposição de peças, aumentando o aproveitamento da energia solar e ampliando a vida útil do
sistema.
Mantendo as acções de limpeza e inspecção periódicas, os custos com a manutenção de sistema
solar fotovoltaico tornam-se praticamente nulos.

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Conclusão
Durante a leitura do projecto em mão, notou-se que de primeira fez-se uma breve síntese sobre a
fonte solar para pôr a par o leitor sobre o assunto tratado, assim apresentando o princípio de
funcionamento de uma mini rede que foi necessário a prior destacar os componentes de um
sistema solar fazendo a descrição dos mesmos.
Uma vez que trata-se de um projecto de implantação, fez-se a análise da viabilidade podendo se
verificar que o projecto é viável, conclusões tiradas através das análises da avaliação do recurso
que foi feito a partir dos dados apresentados pela Atlas de energias Renováveis, e fez-se a análise
do local de implantação do mesmo podendo obter dados relativamente demanda do potencial
eléctrico do local pretendido.
Portanto, o dimensionamento feito permitiu a obtenção de dados quantitativos e qualitativos para
o projecto, para tal foi necessário a prior fazer-se o levantamento da demanda de energia mensal
por uma dada casa, sugerindo certos equipamentos modais para a zona de implantação por
questões de segurança, podendo assim ter-se dados para a instalação de uma mini rede de
abastecimento do sistema solar fotovoltaico.

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Referencias Bibliográficas
BlueSol. (2018). Os sistemas de energia solar fotovoltaico.

Camargo, L. T. (2017). Projeto de Sistemas Fotovoltaicos conectados à Rede Elétrica. Londrine.

PARK, K. E.-P. Kits painéis solares para autoconsumo instantâneo em instalações conectadas à
rede.

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