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1. Para condições de equilíbrio, qual é o número de lacunas em 1 m3 de cobre a 1000ºC?

Dados: massa atômica do Cu: 63,5 g/mol


densidade do Cu (a 1000ºC): 8,4 g/cm3
energia de ativação para formação de uma lacuna = 0,9 eV / átomo de Cu
constante de Boltzmann: 8,614 x 10 -5 eV / K

Resposta:
NA U
N
A Cu

3
átomos g 6 cm
(6,023 x10 23 )(8,4 )(10 )
N
mol cm 3 m3
g
63,5
mol

N = 8,0x1028 átomos/m3

QL
NL N exp( )
kT

§ 0,9eV ·
NL (8,0 x10 28 ) exp¨  5
¸
© (8,62 x10 eV / K )(1273K ) ¹

.
. . NL = 2,2x1025 lacunas/m3

2. a) Calcule a densidade do alumínio (CFC) sabendo que o parâmetro da célula unitária


é igual a 0,4049 nm.
b) Para um monocristal de alumínio, a densidade experimental é 2,697 g/cm3.
Comparando esse valor com o calculado no item 2.a, verifique se há uma discrepância
de valores devido à presença de lacunas. Caso haja, qual é a fração dos átomos que
estão faltando e quantas lacunas existem por cm3 no monocristal de alumínio?

Resposta:
2a.
massa _ na _ cela _ unitária
U
volume _ da _ cela _ unitária
Massa na cela unitária
= e Volumedacelaunitária=a3
massa de 4 átomos (estrutura CFC) e
parâmetro de cela a = 0,4049 nm

( 4 átomos / célulaunit ária )(26,98g / mol ) .


U . . U = 2,699 g/cm3
( 4,049 x10 8 cm)3 (6,023 x10 23 átomos / mol )

2b.
Átomos _(exp erimental) 2,697
6,0208x10 22 átomos / cm3
cm3 (26,98) /(6,023x10 23 )

Átomos _ na _ cela _ unitária (teórico) 4


6,0258 x10 22 átomos / cm 3
volume _ da _ cela _ cm 3 (4,049 x10 8 ) 3

Lacunas teórico exp erimental Lacunas


 Ÿ 5,0594x1019
cm3 cm3 cm3 cm 3

Assim, existe uma porcentagem de 0,084% de lacunas no alumínio nessas condições


(algo em torno de uma lacuna para cada 1200 posições do reticulado).

3. Átomos de impurezas podem ocupar interstícios existentes no meio das arestas das
células unitárias, tanto na estrutura CCC como na CFC. Calcule, para cada estrutura, o
raio r do átomo do maior soluto intersticial que se encaixa nestes sítios em função do
raio atômico R do solvente.

Resposta:
Para o caso do CFC:

aCFC 4R
2
aCFC = 2R + 2r

assim :
aCFC  2R
r
2
2R
r R
2

r = 0,4142R

Para o caso do CCC:

aCCC 4R
3
aCCC = 2R + 2r

assim : aCCC  2R
r
2
2R
r R
3

r = 0,1547R

4. A purificação de hidrogênio pode ser feita por difusão do gás através de uma chapa
de paládio a 600 ºC. Calcule a quantidade de hidrogênio que passa por hora através de
uma chapa de paládio com 6mm de espessura e área de 0,25 m2 a 600qC. Assumir um
coeficiente de difusão de 1,7u10–8 m2/s e que as concentrações de hidrogênio dos dois
lados da chapa são 2,0 e 0,4 kg/m3 e que o sistema está em regime estacionário.

Resposta:

Área = 0,25 m2 Quantos quilos hidrogênio passam por hora?

T = 600qC = 873 K 1h = 3600s


e = 6 mm = 6u10–3 m
D = 1,7u10-8 m2 /s

Concentração (kg/m3)
PB=0,4 2,5
kg/m3 2,0
1,5
PA=2,0 1,0
0,5
kg/m3 0,0
0 2 4 6 8
2
= 0,25 m x (mm)
6 mm

dC
J = -D dx
dC 'C (C A  C B ) ( 2,0  0,4)
dx = 'x = ( x  x ) = 0  6 u 10 3 = -2,66u10 kg/m
2 4

A B

J = (-1,7u10-8)(-2,66u102) = 4,53u10-6 kg/m2s

Quantidade de hidrogênio/hora = 4,53u10-6 u 3600 u 0,25 = 4,08u10-3 kg/h

5. É feita a difusão durante 7h, a 1100oC, de boro numa pastilha de silício, inicialmente
isenta de boro. Qual será a profundidade abaixo da superfície na qual a concentração em
boro será de 1017 átomos/cm3, se a concentração em boro na superfície for de 1018
átomos/cm3 ?

Dados : solução da 2a lei de Fick para difusão não estacionária

C C
s x § x ·
erf ¨ ¸
C C © 2 Dt ¹
s o
Coeficiente de difusão do B no Si a 1100oC: 4,0 x 10-13 cm2/s
Tabela da função de erro
z erf (z) z erf (z) z erf (z) z erf (z)
0 0 0,40 0,4284 0,85 0,7707 1,6 0,9763
0,025 0,0282 0,45 0,4755 0,90 0,7970 1,7 0,9838
0,05 0,0564 0,50 0,5205 0,95 0,8209 1,8 0,9891
0,10 0,1125 0,55 0,5633 1,0 0,8427 1,9 0,9928
0,15 0,1680 0,60 0,6039 1,1 0,8802 2,0 0,9953
0,20 0,2227 0,65 0,6420 1,2 0,9103 2,2 0,9981
0,25 0,2763 0,70 0,6778 1,3 0,9340 2,4 0,9993
0,30 0,3286 0,75 0,7112 1,4 0,9523 2,6 0,9998
0,35 0,3794 0,80 0,7421 1,5 0,9661 2,8 0,9999

Resposta:
Dados

x Temperatura = 1100oC x Coeficiente de difusão = 4,0 x 10-13


cm2/s
x Tempo de tratamento = 7h = 25200 s x Co = 0 (não há boro inicialmente no
Si)
x Cs = 1018 átomos/cm3 x Cx = 1017 átomos/cm3

O processo de difusão acontece em regime não estacionário. Assim sendo, deve ser
empregada para o cálculo a segunda lei de Fick :
wC w § wC ·
¨D ¸
wt wx © wx ¹

Assumindo-se que o coeficiente de difusão não depende da concentração de boro (e,


portanto, não depende da posição no interior da pastilha se silício), a equação da
segunda lei de Fick pode ser escrita como:

wC w 2C
D
wt wx 2

Sendo assumidas as seguintes condições de contorno:


x O teor de boro na superfície da pastilha de silício é constante (ou seja, Cs =
constante)
x O coeficiente de difusão para uma dada temperatura não varia com a
concentração (D = constante)
x O teor de boro da pastilha antes do processo de difusão é constante e igual a Co
(no caso do exercício, Co = 0)
a solução para a equação é dada por:

C x  Co § x ·
1  erf ¨ ¸
CS  Co © 2 Dt ¹

onde erf é a função erro.


Substituindo os valores dos dados na equação acima, vem :

1018  1017 § x ·
0,90 erf ¨ ¸
1018  0 © 2 Dt ¹
Com esse valor, entra-se na tabela da função erro. O valor calculado (0,90), está entre os
dois valores assinalados na tabela:

Tabela da função de erro


z erf (z) z erf (z) z erf (z) z erf (z)
0 0 0,40 0,4284 0,85 0,7707 1,6 0,9763
0,025 0,0282 0,45 0,4755 0,90 0,7970 1,7 0,9838
0,05 0,0564 0,50 0,5205 0,95 0,8209 1,8 0,9891
0,10 0,1125 0,55 0,5633 1,0 0,8427 1,9 0,9928
0,15 0,1680 0,60 0,6039 1,1 0,8802 2,0 0,9953
0,20 0,2227 0,65 0,6420 1,2 0,9103 2,2 0,9981
0,25 0,2763 0,70 0,6778 1,3 0,9340 2,4 0,9993
0,30 0,3286 0,75 0,7112 1,4 0,9523 2,6 0,9998
0,35 0,3794 0,80 0,7421 1,5 0,9661 2,8 0,9999

Podemos calcular o valor de z, interpolando o valor calculado da seguinte forma:

z erf(z)
1,1 0,8802 (1,2 – 1,1) (0,9103-0,8802)

z 0,9 (z – 1,1) (0,9 – 0,8802)

1,2 0,9103

0,10 * 0,0198
z  1,1
0,0301
e, portanto, z = 1,1658

Assim,
x
1,1658
2 Dt

o que resulta num valor de profundidade x igual a 2,34 x 10-6m.

6. Um par de difusão (Cu-Ni) similar ao apresentado na figura abaixo é construído.


Após um tratamento de 700h a 1000qC (1273K) a concentração de cobre no níquel a
uma distância de 3 mm a partir da interface é de 2,5%. Qual a temperatura para o par de
difusão atingir a mesma concentração (2,5% Cu) em uma posição 2,0 mm dentro do
níquel, supondo o mesmo tempo de tratamento? Dados: D0 = 2,7u10–5 m2/s; Qd = 256
kJ/mol; R = 8,31 J/mol

Resposta:
T = 1273 K
t = 700 h = 2,52u106 s
§  256000 ·
D = 2,7u10-5 exp ¨ ¸
© 8,31T ¹
D1273 K = 8,35u10-16 m2/s

X 1273 K X
D1273 K t1273 K Dt

3 u 10 3
= 65,40
8,35 u 10 16 u 2,52 u 10 6

2 u 10 3 1
65,41 = Ÿ = 32,7u103
D u 2,52 u 10 6
D u 2,52 u 10 6

1 15
D = 2,69x10

D = 3,71u10-16 m2/s

§  256000 ·
3,71u10-16 = 2,7u10-5 exp ¨ ¸
© 8,31T ¹

§  256000 ·
exp ¨ ¸ = 1,37u10-11
© 8,31T ¹

§  256000 ·
¨ ¸ = -25,01
© 8,31T ¹

 256000
T= Ÿ T = 1231,7 K = 958,7qC
 25,01 u 8,31
7. Para qual dos dois caminhos abaixo a energia de ativação para a difusão é maior?
Justifique sua resposta
(i) Ao longo de defeitos cristalinos como discordâncias e contornos de grão.
(ii) No volume do material.

Resposta:
Além dos mecanismos de difusão que podem se dar no volume do sólido (autodifusão,
difusão substitucional, difusão intersticial), existe a possibilidade de difusão ao longo de
defeitos cristalinos tais como a superfície externa do cristal, os contornos de grão e os
defeitos lineares (discordâncias). A difusão ocorre mais rapidamente nessas regiões de
defeitos, em virtude das imperfeições inerentes a essas regiões (uma representação
esquemática de regiões de contorno de grão, adaptada do livro de Van Vlack, onde
podem ser vistas as imperfeições nos contornos de grão, é apresentada a seguir).

A contribuição desses defeitos para o processo global de difusão só é importante em algumas

situações, uma vez que eles ocupam um volume relativamente pequeno nos cristais.

Referências:
x Van Vlack, L.H. – Princípios de Ciências dos Materiais. 3a ed. Edgard Blücher. São Paulo. cap.
4. 1977.
x Padilha, A. F. – Materiais de Engenharia. Hemus. São Paulo. cap. 8. 1997.
1. Considere o diagrama Cu-Ag abaixo. Uma liga com composição 71,9% Ag (%
mássica) mantida inicialmente a 900oC é resfriada lentamente até 700oC.
a) Faça esboços das microestruturas que seriam observadas a 900oC e a 700oC,
indicando em cada esboço quais seriam as fases presentes.
b) Determine aproximadamente a composição de cada uma das fases presentes a
700oC (em % mássicas)
c) Considerando que a massa inicial da liga era de 1kg, calcule a quantidade de cada
uma das fases presentes a 700oC.

1
1a
Os esboços das microestruturas que seriam observadas a 900oC e a 700oC são apresentados abaixo. A
900oC seria observada somente uma única fase, líquida. A 700oC seria observada uma microestrutura na
qual as fases D e Eapareceriam interpenetradas, pois a composição é a composição do eutético, e o
resfriamento foi lento (em condições que poderiam ser consideradas próximas do equilíbrio).

900oC
700oC

1b
A determinação pode ser feita através do diagrama de fases, conforme mostra a figura abaixo. Partimos do ponto 1, indicado na
figura. Com o resfriamento, chega-se até o ponto 2. As composições são obtidas a partir das linhas solvus das fases D e E, indicadas
pelos pontos D e E (marcados em azul na figura) e são, respectivamente, 5,9% Ag para a fase D e 95,1% Ag para a fase E(%
mássica).
1c
As quantidades relativas de cada uma das fases são calculadas pela regra da alavanca, da forma como indicada abaixo:

Fase D Fase E

% D = 100 x (95,1-71,9) / (95,1-5,9) % E = (71,9-5,9) / (95,1-5,9)


% D = 26,0 % % E = 74,0 %

2. Considere o mesmo diagrama Cu-Ag abaixo. Uma liga com composição 40% Ag
(% mássica) mantida inicialmente a 1000oC é resfriada lentamente até 800oC, e a
seguir resfriada novamente, também de forma lenta, agora até 700oC.
a) Faça esboços das microestruturas que seriam observadas a 1000oC, a 800oC e a
700oC, indicando em cada esboço quais seriam as fases presentes.
b) Determine aproximadamente a composição de cada uma das fases presentes a
800oC e a 700oC (% mássicas)
c) Considerando que a massa inicial da liga era de 1kg, calcule a quantidade de cada
uma das fases presentes a 800oC e a 700oC.
2
2a
Os esboços das microestruturas que seriam observadas a 1000oC, a 800oC e a 700oC são apresentados
abaixo. A 1000oC seria observada somente uma única fase, líquida. A 800oC seria observada a presença
de precipitados de fase D (chamados de precipitados de fase a primária) em meio à fase líquida. A 700oC
seria observada uma microestrutura na qual apareceriam regiões de fase D primária e regiões onde as
fases D e Eapareceriam interpenetradas, regiões essas originárias do eutético. Essas microestruturas
seriam observadas em condições em que o resfriamento tenha sido lento (em condições que poderiam ser
consideradas próximas do equilíbrio).

1000oC
800oC 700oC

2b
A determinação pode ser feita através do diagrama de fases, conforme mostra a figura na próxima página. Partimos do ponto 1,
indicado na figura. Com a primeira etapa de resfriamento, chega-se até o ponto 2. Com o resfriamento final, chegamos ao ponto 3.
As composições são obtidas a partir das linhas solvus da fase D e da linha de liquidus (para 800oC), ea partir das linhas solvus das
fases D e EAs composições pedidas são, respectivamente:

a 800oC : 7,9 % Ag para a fase D e 68,7% Ag para a fase líquida(dados em %


mássicas);
a 700oC : 5,9 % Ag para a fase D e 95,1 % Ag para a fase E(dados em % mássicas).

2c
As quantidades relativas de cada uma das fases são calculadas pela regra da alavanca, da forma como indicada abaixo:
800oC
Fase D Fase líquida

% D = (68,7-40,0) / (68,7-7,9) % Liq = (40,0-7,9) / (68,7-7,9)


% D800 = 47,2 % % Liq = 52,8 %

700oC
Fase D Fase E

% D = (95,1-40,0) / (95,1-5,9) % E = (40,0-5,9) / (95,1-5,9)


% D700 = 61,8 % % E700 = 38,2 %

3. Considere o detalhe do diagrama Fe –C dado ao lado.


Um aço com 0,6 %C (% mássica) é aquecido a 1200oC,
sendo a seguir resfriado lentamente, em condições que
podem ser consideradas como sendo de equilíbrio.
Pergunta-se:
a) Qual é a temperatura de início de formação da
ferrita ao longo do resfriamento?
b) A 725oC, quais são os constituintes desse aço, as
suas composições e as suas proporções relativas?

3
3a
A temperatura na qual começa a se formar a
ferrita é definida pela intersecção de uma linha
vertical passando pela composição do aço
(0,6%C) com a linha que define o domínio (D +
J) do diagrama. Essa temperatura é de
aproximadamente 750oC.

3b
Os constituintes presentes no aço a 725oC
(temperatura ligeiramente abaixo da temperatura
da reação eutetóide) são a ferrita (ferro-alfa) (que
tanto pode ser primária, quanto presente na
perlita, microconstituinte eutetóide, mistura
íntima de ferrita e cementita), e a cementita,
(presente na perlita).

Na temperatura de 725oC (ligeiramente inferior à temperatura da reação eutetóide),


estão presentes a cementita (Fe3C) e a ferrita.

Toda a cementita está contida na perlita (microconstituinte eutetóide formado por uma
mistura íntima de ferrita e cementita, originária da austenita, através de uma reação
eutetóide).

Apenas parte da ferrita está contida no microconstituinte eutetóide.

As proporções relativas de cementita e de ferrita podem ser calculadas pela regra da


alavanca, como apresentado a seguir.

Fase Composição (%C) Proporção relativa (%)


ferrita 0,022 (6,70-0,600)/(6,70-0,022) = 0,9134 o 91,3%
cementita 6,70 (0,6-0,022)/(6,70-0,022) = 0,4459 o 8,7%

A proporção relativa da microestrutura perlítica, composta por ferrita e por cementita, também pode se
calculada pela regra da alavanca. Consideramos a microestrutura perlítica como sendo um constituinte,
e fazemos o cálculo da regra da alavanca, como segue:

Composição (%C) Proporção relativa (%)


perlita 0,77 (0,60-0,022)/(0,77-0,022) = 0,6239 o 77,3%
ferrita (fora da 0,022 (0,77-0,60)/(0,77-0,022) = 0,2272 o 22,7%
perlita)

A proporção de cementita na perlita é dada por :

ferrita na perlita = 91,3 – 22,7 = 68,6 %

4. Considere um aço de composição eutetóide, que foi resfriado de 780oC até 675oC em menos de meio
segundo, sendo a seguir mantido nessa temperatura. É dado abaixo o diagrama T T T para esse aço.
(a) Qual é a fase estável a 780oC? (caso necessite, olhe diagrama de fase para o sistema Fe-C
existente nesta lista).
(b) Qual o tempo estimado para que 50% da fase estável a 780oC se transforme em perlita após o
resfriamento?
(c) Qual o tempo estimado para que 100% da fase estável a 780oC se transforme em perlita após o
resfriamento?
(d) Se o resfriamento fosse feito até 550oC, os tempos estimados para 50% e 100% da
transformação em perlita seriam maiores ou menores do que os obtidos nos itens (II) e (III)?

4a 
A fase estável a 780oC é a austenita.

4b 
O tempo estimado para que 50% da austenita (que é a fase estável a 780oC) se transforme em perlita após
o resfriamento rápida a 675oC pode ser obtido através do diagrama T T T. A leitura do diagrama é
simples, embora a estimativa não seja muito precisa no diagrama apresentado no exercício devido ao fato
da escala de tempo ser logarítmica, e não estarem representados os valores intermediários. O tempo
estimado é inferior a 100 segundos (algo entre 80 e 90 segundos), conforme pode ser visto na figura
abaixo.
4c 
O tempo estimado para que 100% da austenita se transforme em perlita após o resfriamento rápida a
675oC também pode ser obtido através do diagrama T T T. Esse tempo seria superior a 100 segundos, e
poderia ser estimado como sendo algo entre 200 e 300 segundos, conforme pode ser visto na figura
abaixo.

4d 

Os tempos estimados para que 50% e 100% da austenita se transformem em perlita após o resfriamento
rápido a 550oC seriam inferiores aos tempos correspondentes às mesmas porcentagens de transformação
após resfriamento até 675oC, conforme pode ser visto na figura a seguir.
1. Você é o responsável do projeto de um a turbina a gás funcionando a 800oC. As paletas do rotor
serão construídas em uma superliga de níquel, que, nessa temperatura, apresenta um módulo de Young
igual a 180 GPa. Quando colocadas em serviço, e sob o efeito da força centrífuga, as paletas são
submetidas a um esforço que gera uma tensão normal de 450 MPa. Você dispõe dos dados experimentais
apresentados abaixo, relativos ao estágio II das curvas de fluência desse material.

Deformação plástica em fluência (Hp, em %)


Temperatura (oC)
Tempo (h) 700 800 900
1000 0,100 0,500 0,900
11000 0,200 22,036

Pergunta-se:

a) Qual é a deformação elástica instantânea que sofrem as paletas quando são colocadas em
serviço?
b) Qual é o valor da velocidade de fluência dH/dt (em h-1) para o estágio II de fluência dessa
superliga a 700oC e a 900oC?
c) Qual é o valor da energia aparente de ativação (em kJ/mol) da velocidade de fluência no estágio
II para essa superliga, sabendo-se que a equação abaixo é válida?

§ dH · §Q· onde T é a temperatura absoluta; C é uma constante característica do material;


¨ ¸ C exp¨ ¸ R é a constante dos gases (R = 8,314 J/mol); H é a deformação em fluência; t é
© dt ¹T © RT ¹ o tempo; Q é a energia aparente de ativação que se deseja calcular.

d) Com os dados experimentais, e com os resultados calculados nos itens anteriores, calcule o valor
da deformação plástica depois de 11000h de operação a 800oC.
e) Se a velocidade em serviço da turbina fosse mais elevada, a deformação calculada no item
anterior seria atingida depois de um tempo de operação maior ou menor que 11000h? Justifique
a sua resposta.

1
1a
A deformação elástica instantânea que as paletas sofrem quando entram em serviço obedece a
equação :
V = Hel x E . Assim sendo :

Hel = (V / E ) = ( 450MPa / 180 GPa ) = 2,5 x 10-3

Multiplicando esse resultado por 100, temo o resultado em porcentagem : Hel = 0,25%

1b
Os resultados experimentais podem ser colocados em um gráfico, como segue no gráfico a seguir. No estágio II da
fluência, a velocidade de fluência é constante. Assim, podemos assumir que durante todo esse intervalo de tempo, temos retas no
gráfico.
Os valores das velocidades de fluência para 700oC e 900oC são dados na tabela abaixo.

1c
A equação da variação da velocidade da fluência com a temperatura é
dada por :
(a fluência é um fenômeno termicamente ativado)

Aplicando a equação para duas temperaturas diferentes


T1 e T3, e calculando a razão entre as velocidades nas duas
temperaturas, temos :

A equação acima pode ser rearranjada como segue:

Considerando T1 = 700oC = 973K e T3 = 900oC = 1173K, e sabendo que R = 8,314 J/mol, e


tomando os valores de velocidade de fluência calculados no item 1, temos que a energia aparente de
ativação do processo de fluência nessa superliga é de Q = 254 kJ/mol.
1d
Como no item anterior foi calculado o valor de Q, através da equação ao
lado, pode ser calculado o valor de C, necessário para o cálculo da deformação
depois de 11000h a 800oC.

Substituindo os valores correspondentes de velocidade e temperatura para uma das temperaturas


a respeito das quais dispomos de dados (700oC ou 900oC), podemos calcular o valor de C, que é igual a
4,33 x 106 h-1.

Agora, utilizando a mesma equação, e substituindo os valores disponíveis para a temperatura de


800oC , onde dH = ( H800,11000h – 0,5 x 10-2 ) e dt = ( 11000-1000 ) = 10000h, vem que a deformação
desejada H800,11000h é igual a 0,0238 (ou, em porcentagem, 2,38%).

1e
Uma velocidade de rotação mais elevada significa uma força centrífuga maior, e, portanto, um
esforço mecânico maior. O esforço sendo maior, a velocidade de fluência será maior. Conseqüentemente,
a mesma deformação seria atingida num tempo menor que 11000h.

2. Você deseja determinar a temperatura de transição frágil-dúctil de um aço. Foram feitos 15


ensaios de impacto a cinco temperaturas diferentes (três ensaios por temperatura), segundo a tabela
indicada abaixo. O pêndulo do ensaio de impacto cai de uma altura inicial de 80cm, e a tabela mostra a
altura final atingida pelo pêndulo a cada ensaio. Determine a temperatura de transição a partir desses
dados experimentais, que será definida pela energia média entre as energias do “patamar frágil” e do
“patamar dúctil”.

Temperatura (oC) Altura h (cm) do pêndulo após impacto


-60 70 75 65
-40 65 60 70
-20 20 25 25
0 5 não quebrou 10
+20 5 5 não quebrou

2
Como a energia absorvida para romper um corpo de prova num ensaio
de impacto Charpy é dada pela equação ao lado, e como para todos os corpos de
prova era utilizada a mesma massa, basta construir uma curva de 'h para
Wf = mg ( hi – hf )
resolver este exercício.

A curva de 'h pela temperatura é dada abaixo.

O critério para a definição da temperatura de transição é o meio do intervalo entre o “patamar


dúctil” e o “patamar frágil”. O primeiro patamar se encontra a 'h = 75cm, e o segundo a 'h = 10cm. No
gráfico encontra-se indicada a operação para a determinação do valor aproximado da temperatura de
transição, que é de aproximadamente –27oC.
3. Um compósito é formado por partículas grandes de tungstênio no interior de uma matriz de
cobre. As frações volumétricas do tungstênio e do cobre são 0,70 e 0,30, respectivamente. Estime o limite
superior para o módulo de elasticidade específico do compósito. Utilize os dados fornecidos na tabela
abaixo:

Densidade Relativa Módulo de Elasticidade (GPa)


Cobre 8,9 110
Tungstênio 19,3 407

3.
Podemos estimar o limite superior do módulo de elasticidade [Ec(u)] e a gravidade
específica (ȡc) do composto, utilizando a expressão:

Ec(u) = VWEW+VCuECu

Onde: Ec(u) = limite superior para o módulo de elasticidade do compósito, VW = fração


volumétrica de tungstênio; VCu = fração volumétrica de cobre; EW = módulo de elasticidade
do tungstênio; ECu = módulo de elasticidade do cobre

(110)x(0,30) + (407)x(0,70) = 318GPa

ȡc = ȡCu VCu + ȡWVW


Onde: ȡc = densidade do compósito; ȡCu = densidade do cobre; ȡW = densidade do
tungstênio
(8,9)x(0,30) + (19,3)x(0,70) = 16,18

O módulo de elasticidade específico = Ec(u)/ ȡc = 318GPa/16,18 = 19,65 GPa


7. Um compósito com fibras contínuas e alinhadas, que possui área de seção reta de 970 mm2, está
sujeito a uma carga externa de tração. As tensões suportadas pelas fases fibra e matriz são de 215 MPa e
5,38 MPa, respectivamente, a força suportada pela fase fibra é de 76.800 N e a deformação longitudinal
total do compósito é de 1,56x10-3. Determine:
(a) a força suportada pela fase matriz
(b) o módulo de elasticidade do material compósito na direção longitudinal
(c) os módulos de elasticidade para as fases fibra e matriz