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Escola Superior Dom Helder Câmara Cristiano Petres Gonçalves Rébula

A VIABILIDADE DE USO DO SISTEMA DE COMANDO EM OPERAÇÕES NAS AÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA A COPA DO MUNDO FIFA 2014

Tema Monográfico: Integração das Instituições de Segurança Pública no Brasil

Belo Horizonte

2010

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Cristiano Petres Gonçalves Rébula

A VIABILIDADE DE USO DO SISTEMA DE COMANDO EM OPERAÇÕES NAS AÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA A COPA DO MUNDO FIFA 2014

Artigo apresentado ao curso de pós-graduação lato sensu em Segurança Pública e Complexidade da Escola Superior Dom Helder Câmara, integrando a RENAESP (Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública), SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública).

Orientador:

Prof.

Ms.

Jésus

Trindade

Barreto

Junior.

“A orientação e a participação na avaliação deste trabalho não implicam em vinculação necessária dos professores envolvidos ao conteúdo expresso neste trabalho.”

Belo Horizonte

2010

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A VIABILIDADE DE USO DO SISTEMA DE COMANDO EM OPERAÇÕES NAS AÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA A COPA DO MUNDO FIFA 2014

Cristiano Petres Gonçalves Rébula

Artigo submetido ao curso de pós-graduação lato sensu em Segurança Pública e Complexidade da Escola Superior Dom Helder Câmara como requisito parcial à titulação. Aprovado por:

Prof. Ms. Jésus Trindade Barreto Junior.

Professor/a

Professor/a

Belo Horizonte

2010

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AGRADECIMENTOS

Dedico este trabalho, às pessoas a quem amo e respeito, minha família e amada Cristiane; aos meus pais José Gonçalves e Elizabeth Duque e a meus irmãos Max, Joanathas, Isabella, Dany e Fabiana que me inspiraram pela busca do conhecimento; Aos companheiros de jornada da Guarda Municipal de Belo Horizonte, Alunos da Pós Graduação, da Defesa Civil de Belo Horizonte, sobretudo o Coordenador Municipal Sr. Dr. Elmar da Silva Lacerda que incentivou a minha participação e conclusão deste Curso; E principalmente a Escola Dom Helder, em especial ao Prof. Ms. Jésus, a SENASP Secretaria Nacional de Segurança Pública, que proporcionou aos profissionais da Segurança Pública a possibilidade de se especializarem e ainda através do conhecimento e atitudes transformar a sociedade para um modelo de justiça e paz.

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RESUMO

Este artigo tem como objetivo de realizar estudos e confirmar a viabilidade do uso do Sistema de Comando em Operações (SCO), sobretudo nos eventos que ocorrerão no Brasil

em 2014, que é a Copa do Mundo FIFA. Os estudos desdobram-se em etapas, tendo por escopo analisar o cenário atual de integração dos atores que estarão envolvidos com evento, trazer a dinâmica sistêmica e verificar sua aplicabilidade em eventos de Segurança Pública, tendo em vista as múltiplas agências de diversas esferas governamentais e privadas. Mostrando que com a instalação pelas autoridades os órgãos envolvidos manterão sua autonomia, porém com um objetivo comum e todos voltados na resolução de situações-problemas e com uma linguagem clara e precisa. Sendo

proporcionado com os estudos uma inovação no contexto da segurança pública e administração pública, o uso do sistema já foi utilizado em situações adversas no âmbito da Defesa Civil no Brasil e resoluções de alta complexidade nos Estados Unidos da América, tais como ataque de 11 de Setembro e grandes incêndios florestais. Assim o poder público através de uma ferramenta gerencial e sistêmica poderá aplicá-la no evento de alta complexidade que é a Copa do Mundo 2014, com objetivos de que sejam apresentados resultados positivos nas ações.

Palavras-chave:

Sistema

de

Comando

em

Operações,

segurança

pública,

planejamento

interinstitucional de operações em defesa social, Copa do Mundo.

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ABSTRACT

This article aims to conduct studies and confirm the feasibility of using the System Command Operations (SCO), especially in events that take place in Brazil in 2014, the FIFA World Cup. Studies unfold in stages, with the purpose to analyze the current status of integration of the actors who will be involved with the event, bring the system dynamics and their applicability in events of public security, in view of the multiple agencies in various spheres of government and private. Showing that with the installation by the participating agencies will maintain their autonomy, but with a common goal and all focused on solving problems and situations, with a clear and precise language. As with the studies provided an innovation in the context of public safety and public administration, the use of the system was used in adverse situations in the Civil Defense in Brazil, and high-complexity in the United States of America, such as 11 attack and large forest fires in September. Thus the public through a systematic management tool and can apply it in the event of high complexity that is the 2014 World Cup, with goals that are presented in positive actions.

Keywords:

System Command Operations, public safety, planning interagency operations in social protection, the World Cup.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

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2 ADMINISTRAÇÃO EFICAZ ENTRE MULTIPLAS AGÊNCIAS

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3 CARACTERÍSTICAS DO SCO

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4 INTEGRAÇÃO, UMA NECESSIDADE

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5 AS DIFICULDADES NA INTEGRAÇÃO ENTRE FORÇAS DE SEGURANÇA_

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6 CONCLUSÕES

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7 GLOSSÁRIO

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8 ANEXOS

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9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 INTRODUÇÃO

Este trabalho monográfico é resultado final do Curso de Pós-Graduação lato sensu em “Segurança Pública e Complexidade”, promovido pela Escola Superior Dom Helder Câmara, integrando a RENAESP (Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública), sob acompanhamento e financiamento da SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) - Ministério da Justiça; a partir de convênio celebrado em 2007, e pretende realizar estudos sobre

uma metodologia bastante empregada no campo da Segurança Pública, Defesa Civil e Defesa Social. Esta metodologia intitula-se Sistema de Comando em Operações (SCO), sigla em inglês que significa ICS (veja glossário no final deste artigo) podendo ser traduzida, em português por Sistema de Comando em Incidentes.

Objetiva, assim, cogitar de sua aplicação especialmente em virtude da aproximação de dois grandes eventos que ocorrerão nos anos de 2014 e 2016, a Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas. Sendo enfatizado que é possível desenvolver uma política e mecanismos de controle e gestão eficaz, já que os diversos órgãos envolvidos no evento são de esferas federais, estaduais e municipais e até privados.

O uso deste instrumento dispõe de mecanismos que podem dar uma resposta em tempo real a todas as possibilidades de um evento de magnitude mundial, onde o respeito às leis, interesses econômicos, religiosos e políticos podem influenciar nas ações de segurança pública que transpassam as ocorrências convencionais do Brasil.

As complexidades em que a segurança pública atuará transcendem as diversas áreas da sociedade, podendo ser a nível local, regional e global.

As propostas para o artigo partem da premissa sobre a funcionalidade do Sistema de Comando de Operações, podendo resultar em respostas positivas, sobretudo as articulações dos agentes da segurança pública e suas instituições nas diversas esferas do poderes Federal, Estadual e Municipal, sobretudo nas 12 cidades sedes do evento (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador).

A ferramenta proposta possui uma concepção sistêmica, caracterizada por um planejamento prévio e especifico para diferentes cenários. Propondo o uso sistêmico ao abordar a complexidade das operações de resposta, e as situações que podem se considerar

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críticas. Ou seja, o planejamento e as respostas a demanda do evento partem de um entendimento integral da realidade por meios de fluxos sucessivos de ações (planejamento, organização e controle), contrapondo as ações desenvolvidas, determinadas através de causa e efeito.

Este planejamento perpassa pela necessidade de que sejam criados e efetivados junto as agências (órgãos de segurança e apoio) que atuaram no evento Copa do Mundo 2014 os planos de contingências. Em pesquisas realizadas pela internet, imprensa e governo federal, foi verificado que ainda não existe uma ferramenta ou modelo a seguir nas cidades sedes da copa, sendo que de acordo com Ministério da Justiça, serão criados os centros de Comando e Controle, a serem construídos pelos Estados e equipados pelo governo federal. Tal recurso foi baseado no evento da África do Sul em 2010, sendo que de acordo com a página eletrônica do gestor da Copa relata que muitas coisas ocorreram de última hora, como a greve da segurança privada e “se não houvesse esses centros de Comando e Controle que puderam remanejar efetivos para os estádios de futebol, provavelmente as coisas não teriam transcorrido de forma tão tranqüila como ocorreram”. O Brasil, através do Decreto Federal de 14 de janeiro de 2010 1 , instituiu o Comitê Gestor para definir, aprovar e supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das ações do governo brasileiro, para a realização da Copa do Mundo 2014, bem como subscreveu a Carta Garantia n.º 5, na qual endossa a proposta da Confederação Brasileira de Futebol e oferece todas as garantias à FIFA de que irá implementar as medidas necessárias de segurança e proteção das pessoas e organizações participantes ou presentes no evento. Ou seja, não podemos deixar para última hora para saber o que será feito, Com um planejamento anterior, utilizando medidas de prevenção e preparação, pode-se evitar prejuízos à qualidade dos serviços prestados a sociedade. Mesmo que haja uma programação ao nível do estudo proposto, existirão situações dinâmicas e complexas, embora haverá menos “situações-problema” se nada tivesse sido feito anteriormente.

Oliveira (2010, p.23) destaca que:

“A experiência adquirida pelas organizações de defesa civil e segurança publica ao

1 Decreto de 14 de Janeiro de 2010 Institui o Comitê Gestor para definir, aprovar e supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo FIFA 2014, e dá outras providências. (CGCOPA - Comitê Gestor da Copa; e GECOPA – Grupo Executivo da Copa)

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longo dos últimos anos, indica que entre os vários problemas encontrados na implementação das ações de resposta aos desastres, questões relacionadas ao comando e controle das operações constituem-se num ponto altamente relevante, que quase sempre representa o elo fraco de muitas intervenções”

A implantação do sistema poderá trazer resultados positivos no desenvolvimento dos trabalhos inerentes à segurança pública, pois sua concepção e desenvolvimento poderão contribuir de forma a um gerenciamento padronizado para situações de qualquer natureza ou tamanho, permitindo ainda diversas organizações se integrarem rapidamente, bem como agrega valor a operação, evitando conflitos de instituições, duplicação de esforços.

O SCO no Brasil foi desenvolvido a partir das experiências e modelos norte- americanos, e de acordo com OLIVEIRA (2010, p.26) destacam-se os modelos conhecidos como:

* Sistema de Coordenação de Operações de Emergência – SICOE.

* Sistema Integrado de Comando e Operações de Emergência – SICOE da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Estado do Paraná;

* Sistema de Comando em Incidentes – SCI, em franca utilização no Estado do Rio de Janeiro e Brasília;

* Sistema de Comando em Incidentes – utilizado e disseminado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP;

* Sistema de Comando em Incidentes – utilizado pelo Ministério do Meio Ambiente, baseado no padrão NIMS.

* Sistema de Comando em Operações – utilizado pela Defesa Civil do Estado de Santa

Catarina e apoiado pelo Centro de Pesquisas em Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina, também utilizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo.

A ferramenta encontrará desafios na articulação e padronização entre as forças de segurança pública, entretanto, com a gestão integrada de operações e pronta resposta a incidentes críticos de segurança pública, modelos lógicos de operações, ferramentas de inteligência e recursos tecnológicos modernos, serão capazes de prover uma imagem fiel em tempo real do evento, estando ainda capacitados a atender as demandas de acordo com os planos de ações e contingências a serem articulados durante a fase de preparação aos eventos que ocorrerão no Brasil.

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2 – ADMINISTRAÇÃO EFICAZ ENTRE MULTIPLAS AGÊNCIAS

Oliveira (2008, p.75) afirma através de análise que o SCO preserva a autonomia das agências participantes, mantendo a integração dos órgãos, utiliza-se da administração por objetivos com uso de Plano de Ação e que caso seja necessário realiza a transferência de Comando, podendo ainda realizar um gerenciamento eficaz dos recursos humanos e logísticos, realizar a administração da operação através de instalações em locais pré-definidos e utilização de formulários padronizados do uso de formulários padronizados.

O gerenciamento e articulações previstos no SCO estão baseada em uma linha de

administração denominada Administração por Objetivos (APO). Tendo por base elementar o estabelecimento de prioridades e objetivos comuns, de forma clara, concisa e mensurável, buscando sempre articular os recursos e esforços, bem como a acompanhar a evolução da operação.

O marco teórico esta baseado no sucesso percebido pelos órgãos de emergência

dos Estados Unidos após ataque de Terroristas em 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas e ao Sistema de Aviação Civil 2 . Ficou determinado o estabelecimento do Sistema Nacional de Gerenciamento de Emergências nos EUA e do Sistema de Comando de Incidentes ICS como o Sistema a ser oficialmente utilizado para o gerenciamento de emergências e desastres em território norte- americano, independente da causa, magnitude ou complexidade do evento. (BRASIL, 2007, p.

16).

De acordo com Gomes Junior (2009, p3-5), a origem e o desenvolvimento do SCO “pode ser dividida em três etapas distintas, ou seja: sua origem, na década de 70 nos EUA, sua consolidação e, finalmente, a criação do National Incident Management System ou NIMS”.

Com a perspectiva para uma melhor resposta por parte da segurança pública a integração já é uma necessidade dos órgãos de segurança pública, pois as ocorrências são

2 Após os ataques terroristas em 11 de setembro 2001, o presidente americano George W. Bush expedi u, no dia 28 de fevereiro de 2003, a Diretiva Presidencial de nº 5 (HPSPD 5 – Homeland Security Presidencial Directive nº 5), Diretiva essa que instituiu o SCI (SCO) Sistema de Comando de Incidentes no gerenciamento de emergências.

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complexas, havendo quase sempre necessidade de apoio de outras instituições dependendo do caso. Sendo que o mecanismo proposto pela integração é uma melhor resposta para a sociedade.

Megginson, Mosley e Pietri Junior (1986, p.17), ampliando o conceito, ressaltam que em sua definição funcional a administração é como trabalhar as pessoas para determinar, interpretar e alcançar os objetivos organizacionais pelo desempenho das funções de planejamento, organização, preenchimento de vagas, direção e controle.

De acordo com Santos (1988 p.121) “A influência das técnicas sobre o comportamento humano afeta as maneiras de pensar, sugerindo uma economia de pensamento adaptado a lógica do instrumento.”

Neste sentido verifica-se a missão do Estado em prover um mecanismo capaz de apresentar respostas às demandas atuais do mundo globalizado e eventos “globais” como é a Copa do Mundo.

Para o funcionamento eficaz do sistema proposto, levando-se em conta os planos de contingência, buscando uma reposta mais eficaz, faz-se necessário que exista um treinamento prévio, através de treinamentos e simulações, ficando assim as agências e pessoas envolvidas familiarizadas com suas obrigações, sanando dúvidas e agregando melhorias e adaptações do fluxo do serviço.

As ações integradas que o Sistema de Comando de Operações proporciona um fator preponderante em relação ao contexto em que a segurança pública e demais órgãos de apoio trabalham.

Ou seja, o SCO de acordo com a Defesa Civil do Brasil (BRASIL, 2007, p. 23) é

Uma ferramenta de gerenciamento de incidentes padronizada, para todos os tipos de sinistros, que permite a seu usuário adotar uma estrutura organizacional integrada para suprir as complexidades e demandas de incidentes únicos ou múltiplos, independente das barreiras jurisdicionais.

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3 - CARACTERÍSTICAS DO SCO

Tais características do Sistema de Comando em Operações indicam uma forma eficaz de gerenciamento e controle da situação, e já foi consolidada por forças de segurança pública estrangeiras e brasileiras, sendo utilizadas por órgãos de Defesa Civil do Brasil, sobretudo na CEDEC/MG, indicando ainda as razões para a criação do SCO, sendo que através dos planos de contingência, formulários próprios, fluxogramas e atribuições legais dos diversos órgãos envolvidos será descrito os benefícios do SCO.

Gomes (2006, p.47) afirma que:

“Pela sua característica, o ICS se propõe a ser utilizável para qualquer composição de incidentes, incluindo incidentes com o envolvimento de:

Várias equipes de uma mesma agência em uma única jurisdição;

Várias agências de uma única jurisdição;

Várias jurisdições de uma mesma agência;

Várias jurisdições de várias agências.

Além disso, é adequado para a resposta a incidentes envolvendo diversos tipos de incidentes:

Incêndios, tanto florestais como estruturais;

Desastres naturais, como tornados, enchentes, furacões e terremotos;

Emergências com vazamento de produtos perigosos;

Missões de busca e salvamento;

Repressão a ações criminosas e investigação da cena de crimes;

Incidentes terroristas, incluindo o uso de armas de destruição em massa;

Eventos especiais como visitas presidenciais e finais de campeonato; e

Eventos envolvendo multidões como manifestações e passeatas.

Finalmente, é importante destacar que o ICS pode ser utilizado em operações

com diferentes graus de planejamento prévio.”

De acordo com Brasil (2010 p. 39) o SCO afirma que a pessoa que assuma o Comando é o responsável pelas operações como um todo, e para facilitar os trabalhos operacionais, a estrutura organizacional padronizada é representada por um fluxograma em que são representadas as principais funções, devendo ser inserido os nomes das pessoas ao lado das funções, assim pode-se identificar quem é no contexto das operações e o que faz.

O fluxograma explicativo apresenta as características e funcionalidades, sendo caracterizado

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por:

Segurança Staff do Comando Porta-voz Comando COMANDO Ligações Secretário OPERAÇÕES LOGÍSTICA PLANEJAMENTO
Segurança
Staff do Comando
Porta-voz
Comando
COMANDO
Ligações
Secretário
OPERAÇÕES
LOGÍSTICA
PLANEJAMENTO
ADMINISTRAÇÃO
Staff do Principal
Controlador
Seção Policial
Setor Norte
Comunicação
Recursos
Emprego
Seção Bombeiro
Setor Sul
Médico
Situação
Compras
Seção
Setor Central
Alimentação
Documentação
Custos
Atendimento
Seções e Setores
Seção Evacuação
Setor Acessos
Reabilitação
Desmobilização
Seção Abrigos
Suprimento
Técnico
Seção Obras
Instalações
Suporte

Segundo

respectivamente:

Oliveira

(2010,

p.28)

o

SCO

possui

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características

básicas

Emprego de terminologia comum: sendo que o emprego de terminologia comum visa facilitar a comunicação entre as pessoas e as organizações envolvidas na operação. Evitando assim uso de gírias/códigos e expressões que possam dar margem a interpretações inadequadas ou falta de compreensão da mensagem.

Uso de formulários padronizados: O uso de formulários pré-estabelecidos visa a padronização e informação/registros dos recursos. Consolidado com os planos de ação tal ferramenta contempla os canais de comunicação vertical e horizontal do SCO (ver anexos).

Estabelecimento e transferência formal de comando: Um dos problemas para a integração de esforços entre as agências e pessoas que estão no teatro de operações e

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definição de quem comanda. A inexistência de um comando que integre as ações como um todo permite que as organizações atuem de forma independente, causando duplicidade de esforços e conflitos institucionais. O comando será transferido em caso de chegada de uma pessoa mais qualificada do assunto ou através de uma autoridade mais graduada que ficará responsável pelas diretrizes a serem seguidas previamente.

Cadeia e unidade de comando: É a linha ininterrupta de autoridade que liga as pessoas dentro do SCO. Essa linha representa o caminho por onde fluem as ordens, orientações e informações entre os diferentes níveis organizacionais. Unidade de comando significa que cada indivíduo responde a uma pessoa, ou seja, a quem se deve reportar durante toda a operação, sendo que tais preceitos são fundamentais, pois o sucesso nas operações em situações críticas está fortemente associado ao trabalho de equipe (sinergia).

Comando único ou unificado: Poderão ser utilizados dois modelos de comando, sendo cada “tipo” de comando aplicado a uma determinada situação. Assim, quando o termo for “comando único” é representado por apenas uma pessoa, da sua organização em um evento que apenas ela esta participando, sendo responsável por todas as necessidades do serviço. Já o “comando unificado”, é usado em respostas a situações criticas quando existem representantes de várias instituições envolvidas na situação crítica, e atuam de forma a partir de estabelecimentos de objetivos e prioridades comuns.

Organização modular e flexível: O SCO utiliza estrutura organizacional padronizada (Comando, Staff de Comando e Staff Geral ), e é flexível na sua implementação. Somente as funções necessárias é que são ativadas, caso ainda não seja necessário, não é ativada, tudo com objetivos comuns. Administração por objetivos: Esta característica trabalha em objetivos já previstos e claramente definidos. Nas palavras de Drucker (2002, p. 307), “é preciso, desde o inicio, dar ênfase ao trabalho de equipe e aos resultados obtidos por esse esforço em conjunto.”

Uso de planos de ação: As ações são determinadas por planos de ação, que fornece as pessoas e organizações uma idéia geral da situação, dos recursos disponíveis, e principalmente dos objetivos e prioridades em períodos operacionais determinados, buscando otimizar os esforços e gerando sinergia. Estes planos de ação, por recomendação, devem ser formais, sobretudo por formulários (ver anexos).

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Adequada amplitude de controle: Amplitude de controle refere-se ao número de pessoas que um superior pode supervisionar pessoalmente, de maneira eficaz e eficiente. Recomenda-se que o um determinado coordenador mantenha sua capacidade gerencial, não devendo ser inferior a três, nem superior a sete pessoas.

Instalações e áreas padronizadas: Recomendam-se áreas e instalações de trabalho padronizadas, sendo as principais instalações (espaços físicos, moveis ou fixos) são: Posto de Comando: representa o Comando da Operação; Base de Apoio: onde se realiza as atividades logísticas; acampamento: onde ficam os recursos humanos da operação; Centro de Informações ao Público: local para atendimento a imprensa/mídia; Helibases e Helipontos:

locais onde ficam alocados os recursos de abastecimento, estacionamento e embarque/desembarque de aeronaves; Área de Concentração de Vítimas: locais onde vítimas são identificadas e encaminhadas a atendimento medico inicial antes de irem se for o caso para um hospital especializado; Estabelecimentos de Zonas “Quentes, Morna e Fria” que representam restrição de acessos e riscos.

Gerenciamento integrado dos recursos: A ferramenta orienta que todos os recursos empregados na operação sejam gerenciados de forma integrada, sendo que eles estarão disponíveis em uma área determinada como “área de espera”, estes recursos são cadastrados e relacionados sua situação, se está mobilizado, disponível, indisponível, designado ou desmobilizado, sendo tais recursos submetidos ao controlador ligado ao staff de comando. O controle destes recursos são agrupados em categorias de recursos operacionais (ex: helicóptero e tripulação, ambulância, esquadrão anti bombas) e recursos logísticos (alimentação, equipamentos comunicação, gps, combustível). Os recursos disponibilizados são divididos em:

1 - Força Tarefa: É a combinação de diferentes recursos únicos, constituídas com tarefas táticas específicas, tais como a combinação de viaturas de combate a incêndio, helicópteros (de diferentes órgãos) e veículos de transportes de pessoas e pessoas com objetivo, por exemplo, apagar um incêndio florestal. 2 - Equipe de intervenção: É a combinação de diferentes recursos únicos do mesmo tipo, agrupados par uma tarefa tática especifica sob a intervenção de um líder ou responsável, por exemplo, resgatar pessoas seqüestradas em cativeiro.

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3 - Recurso único: e o equipamento somado ao seu complemento em pessoal para emprego tático em uma operação sob a supervisão de um responsável (exemplo uma ambulância dos Bombeiros com seus socorristas e motorista)

Gerenciamento integrado de informações e comunicações: A rede de comunicações é fundamental para o sucesso das operações, pois é possível comunicar-se com diferentes organizações, comando e assessoria (staff); uma rede tática, que integra as comunicações entre pessoas e equipes subordinada ao coordenador de operações; uma rede administrativa, que integra as comunicações não operacionais entre o comando e órgãos externos que estão cooperando com o Comando, possuindo também uma rede logística que trata de assuntos de suprimentos, serviços e instalações, e finalmente uma rede de operações aéreas (aeronaves), que integram as comunicações usadas no durante o evento.

Gerenciamento integrado de informações e inteligência: Neste caso usa-se o formulário 201 do SCO, e as informações de inteligência são fundamentais nas ações de respostas, pois diminuem a entropia do sistema e produzem sinergia. Nesta característica, dependendo da natureza, complexidade e magnitude do evento, faz necessário, por exemplo, a coleta de dados de metereologia, assuntos relacionados a greves, necessidade essenciais da sociedade, situações externas aos países envolvidos (geopolítica), culturais, acessos restritos a pessoas.

Controle de pessoal: Uma das preocupações é o controle do efetivo empregado na operação, mobilizando o efetivo de forma racional, e com objetivos comuns, mesmo porque em caso de múltiplas agências poderão ter outros agentes trabalhando com o mesmo objetivo final.

Controle da mobilização/desmobilização: Deverá ter um controle muito criterioso na avaliação da mobilização e desmobilização do recurso, levando-se em conta o cenário de risco e resposta/objetivos alcançados.

GOMES (2006, p.13) levanta hipótese sobre o Incident Command System :

“A utilização dos princípios e padrões preconizados pelo ICS em operações de

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preservação da ordem pública desenvolvidas no âmbito da SSP-SC, quando estas envolvem várias agências ou órgãos, jurisdições, competências legais, áreas de conhecimento ou mesmo várias equipes de uma mesma agência, melhorará a administração destas operações?”

Tal pergunta pode ser respondida através do sucesso apresentados em ações em que a ferramenta foi utilizada em resposta a desastres e ocorrências de alta complexidade, a funcionalidade esta alicerçada nos conceitos de coordenação de situações críticas, amparados “Planos de Ações e Contingências” das agências envolvidas. Esta previsão é feita pelo Comando, é o Plano de Ação fornece aos órgãos, agências e equipes envolvidas o conhecimento das prioridades e objetivos que devem ser atingidos em um determinado período, permitindo a otimização dos esforços.

Ao ser implantado o SCO, apenas as funções necessárias para alcançar os objetivos são ativadas, neste caso pode haver economia de esforços e recursos. Dessa forma, a estrutura pode ser adaptada a várias situações, pois a tarefa designada para uma função que não foi ativada é executada pelo nível superior até que a complexidade da operação exija.

O nível de controle refere-se ao número de pessoas que um coordenador pode coordenar com segurança em uma situação crítica. Nessas situações deve-se manter um nível de controle adequado sobre as equipes envolvidas é fundamental. Estabelecendo que um único coordenador deva ter um limite entre três e sete equipes ou funções, evitando assim que o coordenador perca o controle sobre recursos/efetivos.

Os recursos operacionais disponibilizados e empregados devem estar integrados ao sistema. Devendo tais recursos (humanos, materiais), ao chegar ao local das operações, deverão passar por uma área designada previamente, denominada Área de Reunião, onde se submeterão a um “check in” (procedimento de recepção). Estes recursos imediatamente estão sendo informados ao Comando da operação.

Outra característica importante é a adoção de uma terminologia entre os órgãos envolvidos. Sendo de suma importância a capacidade de se comunicar com os elementos do Sistema é absolutamente essencial. Neste sentido faz-se necessário que as agências

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desenvolvam um Plano de Comunicações, informando os contatos, prevendo “quem conversará com quem e como”, buscando catalogar todas as informações do contato telefônico, endereço, faixas de freqüência de rádio, etc.

O comando deverá dar importância sobre o espaço físico, ou seja, onde ficará o Comando e os agentes responsáveis pelo evento, delimitando áreas de trabalho. Tendo estas áreas de trabalho referenciadas como: Área Quente, Área Morna, Área Fria, Área de Reunião, Posto de Comando e Bases de Apoio.

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4 – INTEGRAÇÃO, UMA NECESSIDADE

Ao analisar as possibilidades de uso do SCO, tendo em vista que haverá possivelmente múltiplos órgãos do sistema de segurança público brasileiro envolvido no evento Copa Mundo FIFA 2014, que é um evento de alta complexidade deverá ser adotada uma estrutura organizacional integrada, mantendo ainda sem prejuízo as competências e a interoperacionalidade, e os limites jurisdicionais dos diversos órgãos que estarão trabalhando no evento, buscando uma administração eficaz. A integração entre órgãos, aliado a possibilidade de utilização de diversos órgãos de diversas esferas governamentais poderá ser um problema caso não um exista um planejamento anterior no evento Copa do Mundo de 2014. Os planos de ações e contingências previstos na ferramenta do Sistema de Comando de Operações representam um diferencial sobre o que ocorre nos dias atuais. Verifica-se ainda que no Brasil os serviços de atendimentos a emergência possuem vários números de acessos (190, 191, 192, 193, 197, 199). Com um planejamento prévio, anterior ao evento de 2014, as centrais telefônicas e de monitoramento trabalhariam em um centro integrado de coordenação e controle, previstos no SCO durante a Copa, melhorando os canais de comunicação, solução dos problemas e atendimento a demanda da sociedade.

Barreto (2003 p. 18) afirma que:

“Entende-se que a gestão compartilhada de informações e tecnologias entre os órgãos que integram o Sistema de Defesa Social e destes com aqueles que compõem o Sistema de Justiça promoverá, em última instância a geração do conhecimento sobre a dinâmica da violência e da criminalidade. É esse conhecimento, aplicado no desenvolvimento de políticas públicas, que irá qualificar a ação do estado e de suas instituições, tornando efetivo o atendimento aos anseios da sociedade quanto à demanda por segurança pública.”

A sociedade atualmente reclama da falta de sinergia em favor da segurança pública, e quando se fala a Copa de 2014 fica uma lacuna a ser preenchida e desenvolvida sobre as formas e sistema de integração entre as forças de segurança e qual estrutura de Comando e Controle estará sendo desenvolvido antes e durante o evento, mesmo que ainda estejam sendo discutidos e analisados através de projetos e comissões pelas autoridades Federal, Estadual e Municipal.

Sendo percebida esta necessidade de integração, o Estado de Minas Gerais

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preocupado com a mensuração dos problemas, consolidou um banco de dados comum entre as policias civil e militar mudou antigo “B.O.” (boletim de ocorrência) para “REDS” (registro de eventos de defesa social), porém quando envolve os entes federados em outros dados relevantes à segurança pública (saúde, distribuição de renda, infra-estrutura, limpeza urbana) poucos dados ou fatos são levados ao conhecimento dos gestores da segurança pública.

A integração dos dados de ocorrências e eventos foi uma das ferramentas importantes na integração e conhecimento do que ocorria no espaço geográfico do Estado de Minas Gerais no quesito segurança pública revelou que o recurso proporcionou a melhoria dos processos de gestão de suas respectivas unidades policiais e que 75% desse público entrevistado avalia que o respectivo projeto contribui para o compartilhamento e integração das informações de segurança pública entre as instituições policiais do estado (Mendes,

2007).

Por exemplo, em uma véspera de final ou jogo importante da Copa do Mundo, em um “Comando Unificado”, chega a informação de possíveis greves e desabastecimento público de água ou energia elétrica, isso poderá interferir nas ações de segurança pública, bem como em uma briga generalizada envolvendo torcedores de outros países, onde tenha que ser feita a contenção, prisões, transferências e deportações, neste caso com o SCO, através dos recursos de planos de contingências previstos, inteligência e gerenciamento integrado entre as agências governamentais haverá uma melhor resposta as situações críticas apresentadas.

Verificou-se que este processo inicial de integração da base de dados foi positivo, porém as forças Estaduais de Polícia e de segurança pública necessitam de desenvolver mecanismos integração e de comunicação simultâneos, sobretudo em um evento de múltiplas agências que ocorrerá em 2014. Tendo múltiplos olhares no campo geográfico das cidades através de rádio comunicadores, imagens satélite, monitoramento de vídeo integrado, sejam elas do Trânsito das Cidades, da Guarda Municipal, da PMMG e da região dos Estádios.

Essa necessidade de integração é definida de acordo com Barreto (2003) assim:

“O arranjo institucional adotado em Minas Gerais a partir de 2003 tem como uma de suas características a gestão integrada de ações e operações. O que se espera é que órgãos de defesa social que se articulem efetivamente o façam também no nível operacional. Isso é notadamente importante para a superação da divisão do trabalho policial, desenvolvido pela Polícia Civil e pela Polícia Militar.”

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A integração já um anseio da sociedade, sendo iniciados pela cúpula da segurança pública do Estado de Minas Gerais, tais desafios são complexos, pois a instituições quase trabalhavam de forma isolada. De acordo com SAPORI (2008 p. 437):

“O projeto Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp) visa à delimitação de circunscrições únicas de atuação para as polícias. Isso porque, historicamente as áreas de atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil eram delimitadas de forma diferenciada pelas duas instituições. A integração territorial visava, portanto, a sobreposição do espaço de atuação das duas instituições, compatibilizando, assim, não só os espaços organizacionais como também o planejamento operacional, já que a correspondência entre áreas significa, também, a correspondência entre os policiais das duas instituições que atuam nessas áreas.”

Podemos salientar que atualmente a sociedade cobra do poder público uma resposta positiva, sendo que a integração proposta pelo governo mineiro é uma proposta significativa, com mudanças de paradigmas integração das intituições da segurança pública. Utilizando a proposta vislumbrada pelo Estado de Minas Gerais, o SCO é um recurso oportuno, tendo vista seus princípios e finalidades.

Os desafios encontrados na integração também podem acarretar em economia de

recursos, pois em locais distintos onde haveria dois tipos de órgãos realizando a finalidade administrativa ou operacional. De acordo com a Secretaria de Planejamento de MG em sua

que orienta as ações de Estado e Prefeitura é a chamada governança

compartilhada, modelo em rede regulado pelas instituições de forma descentralizada, mas ordenada, que permite a mobilização integrada das políticas públicas relacionadas à Copa ”

página eletrônica: “

O

A CEDEC-MG (2010) destaca em sua página eletrônica que:

“O Sistema de Comando em Operações (SCO) é uma ferramenta gerencial que visa treinar, planejar, organizar, dirigir e controlar os grupos atuantes nas ações de resposta, ou seja, socorro e assistência às vítimas de um desastre, especialmente quando o auxílio é realizado por múltiplas agências, jurisdições ou equipes. Emergências são situações que normalmente envolvem risco, exigindo a intervenção de pessoal treinado e equipado, a fim de reduzir as conseqüências negativas de um desastre. Nas denominadas "situações críticas", as ações de resposta exigem dos órgãos envolvidos uma postura organizacional não rotineira durante a administração das ações. Alguns casos de repercussão nacional onde a doutrina do SCO foi utilizada continuam vivos na memória de todo país. Em 10 de janeiro de 2007 aconteceu o rompimento da barragem da Mineração Rio Pomba Cataguases, em Miraí, na Zona da Mata. O desastre provocou o vazamento de cerca de dois bilhões de litros de lama, que atingiram rios, inundaram vários bairros, atingiram Muriaé e Patrocínio do Muriaé, em Minas Gerais, e Lajes do Muriaé e Itaperuna, no Estado do Rio de Janeiro. Além de deixar famílias desabrigadas e

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desalojadas, o incidente também causou danos ambientais. Na ocasião, órgãos federais, estaduais e municipais trabalharam em conjunto e foi necessária a implementação dos princípios do SCO para integrar as equipes de apoio. Em 23 de agosto, uma equipe da CEDEC/MG esteve em Ponte Nova, na Zona da Mata, para coordenar os trabalhos dos órgãos estaduais e municipais que assistiram as famílias das 25 vítimas do incêndio ocorrido na cela oito da Cadeia Pública da cidade. Este tipo de situação está previsto na Codificação de Desastres, Ameaças e Riscos (Codar) como desastre humano, de natureza social, relacionado com convulsões sociais, classificado como "colapso do sistema penitenciário". A CEDEC/MG trabalhou em conjunto com órgãos estaduais e gestores municipais na implantação do SCO. A ferramenta também foi utilizada para controlar a proliferação de cianobactérias (algas azuis) nas bacias dos rios das Velhas, São Francisco e Doce, onde várias medidas de prevenção foram adotadas pelo Governo de Minas. Além do monitoramento sistemático da qualidade das águas, destacam-se a mobilização dos gestores municipais nos 57 municípios atingidos para levar informações e cuidados à população ribeirinha sem acesso à água tratada; recomendação de não uso da água bruta e de suspensão das atividades de extração de areia nas margens do Velhas; a distribuição de cestas básicas e água potável para as comunidades atingidas; e proibição da pesca. A operação, que envolveu diversos órgãos do Governo de Minas, num Comando Unificado, conseguiu evitar a intoxicação de seres humanos e de animais, o que demonstra a eficiência das ações. Outro caso marcante o abalo sísmico de 4,9 graus na escala Richter, ocorrido na madrugada de 09 de novembro em Caraíbas, distrito de Itacarambi, no Norte do Estado. Com o desastre, 76 famílias foram atingidas e uma criança morreu. Utilizando a ferramenta, a CEDEC/MG vem aprimorando o atendimento às emergências e obtendo sucesso na agilidade das respostas às ocorrências. Isso se deve à oportunidade do trabalho em equipe e das parcerias com os diversos órgãos federais, estaduais e municipais, num esforço conjunto e coordenado.”

Os desafios encontrados pela CEDEC/MG seriam muito maiores sem a participação de prefeituras e órgãos de apoio quando da utilização do recurso proposto e ferramenta já foi experimentada e utilizada com sucesso no âmbito de respostas de diversas natureza, seja ela em desastre ou relacionadas a segurança pública, como ocorreu no colapso do sistema carcerário na cidade de Ponte Nova/MG.

De acordo com SILVA (1990 P. 124), “Hoje, na era da informática, a burocracia tem uma conotação bastante pejorativa. A burocracia atualmente está muito mais relacionada à idéia de obsolescência administrativa e esclerose empresarial.”

A preocupação com a inexistência de planejamento, burocracia do Estado brasileiro no passado recente, evidenciado por processos decisórios lentos representa o que SILVA (1990) alerta sobre a eficácia do poder público, sendo tais articulações e mobilização para o evento uma mudança na conjectura atual do sistema político nacional. As ações da segurança pública estão intrinsecamente ligadas ao poderes políticos, entretanto o planejamento proposto pelo SCO poderá tornar o desenvolvimento dos serviços mais tranqüilo.

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Conforme informações obtidas junto a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais, durante o jogo Brasil e Argentina, válido para as Eliminatórias da Copa do Mundo Fifa 2010, o Governo Mineiro implantou o Sistema de Comando em Operações.

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5 - AS DIFICULDADES NA INTEGRAÇÃO ENTRE FORÇAS DE SEGURANÇA

A necessidade de mudanças é evidenciada pelo do Plano Nacional de Segurança Pública, e o governo incentiva a integração das polícias, com objetivos de que seja melhorado o desempenho organizacional das instituições, bem como na redução a violência. Se tudo estivesse bom, não haveria a recomendação da política nacional de enfrentamento aos desafios da segurança pública, bem com mudanças propostas e recomendações da SEDS e SENASP.

As dificuldades encontradas atualmente para integração das forças policiais e serviço público podem ser identificadas através do contexto em que foram se consolidando ao longo do tempo, sempre trabalhando em suas atribuições legais de forma isolada. Esta dificuldade esta enraizada em sub-culturas dentro das corporações, representando uma dificuldade em efetivação de melhores respostas. Muita destas dificuldades é a interferência de polícias, policiais e políticos tradicionais que são extremamente resistentes a mudanças, com uma cultura e visão geral da segurança pública consolidada, que não deixa as portas se abrirem, quase sempre desconfiando do trabalho com pessoal externo a segurança pública, dificultando a introdução de novos conceitos de polícia, envolvendo seus atores e comunidade.

A rivalidade histórica entre as polícias Civil e Militar, acaba prejudicando a integração na segurança pública, esquecendo que o foco da segurança pública é a sociedade, percebendo ainda que existem divergências institucionais e pessoais dentro cada membro de suas corporações, porém não são todos que compartilham desta situação atual.

Demonstra-se também que as instituições policiais conseguem manter o isolamento, auto-proteção, desconfiança, e interferências políticas que podem modificar ou alterar os sistema em que foram instituídas. Existindo problemas na efetivação de uma polícia integrada, preventiva (envolvendo órgãos públicos) voltada à comunidade.

As mudanças constantes exigem das instituições públicas posições inovadoras, o que pressupõe que elas deverão estar aptas a se mostrarem atentas a estas pressões externas, bem como a sociedade deverá cobrar mais de seus agentes um trabalho mais eficaz.

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As exigências da sociedade frente às entidades públicas têm poder decisório, pois efetivamente as cobranças dos agentes poderão surtir efeitos positivos. Conhecendo as novas necessidades e mecanismos de gestão integrados, a sociedade (clientes) poderá cobrar mudanças de atitudes para melhor atender-lhes.

Portanto para que exista em bom funcionamento de uma política de integração, é necessária a colaboração entre as cúpulas das polícias, mudanças na formação (unificação de procedimentos e atitudes), mudanças de paradigmas dos operadores (civil e militar) e vontade política, ou seja, que assuma na prática, a integração.

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5 - CONCLUSÕES

O artigo analisou a estrutura do Sistema de Comando em Operações, bem como se

a implantação por parte das autoridades é viável em operações pelas diversas agências da

segurança pública e defesa social no evento Copa do Mundo e Olimpíadas, sendo evidenciado que quando em situações em que várias agências ou órgãos, jurisdições, competências legais, áreas de conhecimento ou mesmo várias equipes de uma mesma agência, os princípios e conceitos da ferramenta poderão melhorar a administração de situações relacionadas a eventos de alta complexidade.

Neste sentido, por exemplo, poderia ocorrer situações/problemas no trânsito que serão transmitidos através de munícipes ou através de recursos de monitoramento do órgão

que gerencia o trânsito em Belo Horizonte, e necessitando repassar a informação com rapidez

e precisão via telefone na PMMG ou CBMMG os canais poderiam estar congestionados, trazendo prejuízos às ações de respostas.

E no caso de um evento de alta complexidade os gestores devem conhecer e saber dos fatos em tempo real, e isso o SCO poderá proporcionar através do Centro de Controle Integrado, ou seja, as articulações propostas pela ferramenta são um fator diferencial sobre o que hoje existe. Sendo ainda criando uma central única de recebimento de ocorrências, que englobe todo o sistema de defesa social, seja municipal, estadual ou federal. A palavra básica para se lidar com sistemas e condições complexas é integração, conforme estudos e situações constatadas por instituições em eventos de alta complexidade, tais como Corpo de Bombeiros, Polícias Civil e Militar e de Defesa Civil.

Necessitando neste contexto de Copa do Mundo uma forma de saber das situações

e assuntos relacionados à segurança pública disponibilizado em tempo real para uma resposta

mais eficaz dos seguintes órgãos: Polícia Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil,

Polícia Federal, Infraero, Ministério da Defesa, Sistema Prisional, Gestores de Trânsito e Infra-estrutura Essenciais, Guarda Municipal, Gestores do Sistema Público de Abastecimento Essenciais (água, luz, combustível, alimentação, telefonia, etc), Sistema de Saúde, organização do evento (CBF/FIFA) e demais agências se forem requisitadas.

Os planos de contingência previstos, integrados e reestruturados conforme prevê o

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SCO, dos órgãos dos órgãos do sistema de defesa social e de apoio deverão seguir conceitos internacionais de gerenciamento, sobretudo a efetividade, bem como toda a logística de atendimento deverá ser pautada na excelência de respostas positivas.

Portanto conclui-se que a viabilidade de mecanismos que existem no Sistema de Comando em Operações representa um diferencial positivo, sobretudo pela integração proposta, amparados em sua concepção sistêmica e contingencial, podendo através de uma estrutura organizacional integrada enfrentar as demandas e complexidades do evento, sem prejuízos as competências e limites jurisdicionais de cada agência, baseadas nos sucessos observados pelos órgãos de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e ações de integrações feitas pelas Polícias Militar e Civil.

Além disso, conforme GOMES (2010, p. 76) defende que “o SCO não é algo novo e experimental, pois sua estruturação é garantida por uma ampla fundamentação teórica, de longa data e aliada à experiência de inúmeros eventos em vários diferentes países”. Necessitando ainda revisão constante dos planos de contingência pré-copa dos órgãos envolvidos, melhoramento das infra-estruturas no âmbito transporte público (aviação e rodoviário), vias públicas e hospitais, tudo conforme pré-requisitos da FIFA para que o país possa receber o evento, e tais melhoramentos podem influenciar no cenário na segurança pública.

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6 - GLOSSÁRIO

APO Administração Por Objetivos BH TRANS Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte S/A BO Boletim de Ocorrência CBF Confederação Brasileira de Futebol CBMMG Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais CHECK IN Registro de dados pessoais e outras formalidades na chegada de pessoas a um local CEDEC Coordenadoria Estadual de Defesa Civil FIFA Federação Internacional de Futebol Associadas FEMA Federal Emergency Management Agency ICS Incident Command System MG Minas Gerais NIMS National Incident management System PMMG Polícia Militar de Minas Gerais REDS Registro de Eventos de Defesa Social SENASP Secretaria Nacional de Segurança Pública SEDS Secretaria de Estado de Defesa Social SCI Sistema de Comando em Incidentes SSP-SC Secretaria Segurança Publica Santa Catarina SCO Sistema de Comando em Operações

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7 - ANEXOS: Formulários para serem preenchidos relativos ao Sistema de Comando em Operações:

1. Nome da operação: 2. Preenchido por: Formulário SCO 201 3. Data/Hora: 4. Mapa/croqui 5.
1. Nome da
operação:
2. Preenchido por:
Formulário
SCO 201
3. Data/Hora:
4. Mapa/croqui
5. Situação (resumo dos fatos):

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Formulário nº 2

1. Nome da operação: 2. Preenchido por: Formulário SCO 201 3. Data/Hora: 6. Prioridade e
1. Nome da operação:
2. Preenchido por:
Formulário
SCO 201
3. Data/Hora:
6. Prioridade e objetivos:
7. Sumário das ações planejadas e implementadas:

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Formulário nº 3

1. Nome da operação: 2. Preenchido por: Formulário SCO 201 3. Data/Hora: 8. Estrutura organizacional
1. Nome da operação:
2. Preenchido por:
Formulário
SCO 201
3. Data/Hora:
8. Estrutura organizacional da operação (inserir organograma):

33

Formulário nº 4

1. Nome da operação: 2. Preenchido por: Formulário SCO 201 9. Descrição dos recursos da
1.
Nome da operação:
2. Preenchido por:
Formulário
SCO 201
9.
Descrição dos recursos da operação:
Recurso
Identificador
Hora
Tempo
Contato
No local
10.
Solicitação
estimado
Observações

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6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Curso de sistema de comando de incidente. Brasília, 2007.

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GOMES, Carlos Alberto de, Junior. Capacitação para o Sistema de Comando em Operações. Santa Catarina, Ceped, 2006.

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DRUCKER, Peter Ferdinand. O melhor de Peter Drucker: obra completa. São Paulo. Nobel, 2002. 570p.

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