O BRASIL E A COPA DO MUNDO

Modelo, perspectivas, desafios e oportunidades da Copa do Mundo FIFA 2014 para o Brasil.

RICARDO AZEVEDO

O BRASIL E A COPA DO MUNDO

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como tudo que faço nesta vida. .Para minhas filhas.

. Hotelaria. Aportes para as cidades. Tripé operacional. A europeização e a globalização do futebol. Modelo operacional.Sumário Prefácio Aquecimento Capítulo 1 – A FIFA. Mobilidade. Além da legitimidade. Aeroportos. o Brasil e a Copa Para começar o jogo. Outros eventos relacionados. Capítulo 3 – Desafios brasileiros: um difícil dever de casa Os gargalos do desenvolvimento. Exigências para o Brasil. Mídia e patrocinadores. Jérôme Valcke. Matchday. FIFA. Custos operacionais. João Havelange. Joseph Blatter. Comércio e informalidade. Sediar um grande evento. Capítulo 2 – A Copa do Mundo FIFA Modelo do negócio.

A experiência sulafricana. Brasil 2014. Capítulo 5 – Novas arenas e as arenas da Copa As novas arenas. Diferenças entre números de Copa e Olimpíadas. Legado imaterial. Perfil das arenas modernas. Projeções econômicas. Efeitos negativos. O Brasil e a brasilidade. Os projetos nacionais. Grandes eventos. O Brasil e o case africano. Especificidades para a Copa. Alemanha 2006. Os impactos no marketing e no futebol brasileiro.Capítulo 4 – Perspectivas: necessidade de se prever o futuro a Dificuldades esperadas. Forças brasileiras. Prorrogação . O modelo americano. Impacto na economia. O legado material. Medição do impacto. O que o mundo espera de nós.

sabiam que aquele país tinha cumprido sua missão. para os Países Baixos. muitos ali. como a profissão requer. já se preparando para voltar ao Brasil. Pouco depois . QG da TV Globo na cidade. Me indicou um motorista na capital que ganhou sua confiança durante sua estadia por lá. que o imbróglio estava estampado no jornal local daquele dia. mais conhecido como Holanda. estava sorridente e distribuía simpatia para os colegas da equipe. Mostrei para Alex Escobar. grupo em que eu me encaixava. em muitas matérias. que traria. Apesar do clima de quase indiferença. A sede do maior torneio de futebol do mundo tinha recebido muito bem equipes. horas atrás. No voo de volta para Johanesburg. Repórteres. em Port Elizabeth. a derrota do Brasil na Copa de 2010. cinegrafistas e editores aguardavam na já madrugada africana a hora do Jornal Nacional. organização e turistas. Fátima Bernardes. o clima já era melhor e o sol forte trouxe novos olhares para a derrota brasileira. apesar de ter viajado na intenção de observar o que era a Copa fora do primeiro mundo. um dos rostos mais comuns nas Copas para os brasileiros. personagem de um dos episódios de conflito do técnico Dunga com a imprensa. Minha experiência na Alemanha em 2006 havia servido para saber o outro lado.Prefácio do autor A noite do dia 3 de julho de 2010 foi em clima de fim de festa no salão de eventos do King Edward Hotel.

Isto . aliás. Este será. o livro-reportagem. nosso grande desafio. Ainda sobre este livro Edvaldo Pereira Lima. todos nós. sendo surpreendido positivamente por um povo que tem muito a nos ensinar com sua história. e que já começou. muito antes do apito inicial para a maior competição do planeta em 2014. brasileiros. diria que este trabalho segue a linha “atualidade” em sua classificação. Vencer este jogo do desenvolvimento será mais importante do que vencer a Copa. Futuro que faremos juntos. Assim. fizeram as palavras surgir pouco a pouco na tela em branco de meu computador. Boa parte deste livro-reportagem foi escrito em cima do oceano Atlântico durante as 10 horas do voo de retorno ao Brasil. O resultado disso está registrado nas páginas a seguir. mesmo que alguns não concordem. fica aqui um convite para explorarmos juntos os modernos e desenvolvidos conceitos da Copa do Mundo ao mesmo tempo que fazemos um verdadeiro safari pelas perspectivas que temos sobre nosso futuro. 2007. segui para o Brasil levando duas vuvuzelas para minhas filhas e algumas certezas sobre a Copa. estudioso do gênero que já me aventurei em outras duas publicações (“Axé Music”.de me despedir dela no desembarque. Uma delas era que estávamos com uma grande oportunidade nas mãos em 2014. 2008). e “Eu sou um nome na história”. Memórias recentes e a incontrolável animação por ter vivido uma experiência interessante.

este trabalho possui a única função de informar ou. Aquecimento Perguntas e reflexões Para início deste trabalho será importante uma síntese. Espero ter conseguido. permite ao leitor resgatar as raízes do fato ocorrido. sobre o que está por detrás de todas as análises e se mostra como relevante no processo de descoberta sobre como podemos avaliar o projeto Copa do Mundo no Brasil. em três pontos distintos. Facilita a identificação das forças em conflito que poderão determinar o desfecho do tema enfocado.quer dizer que estamos tratando de um “tema atual em que se percebe uma maior perenidade temporal e cujos desdobramentos finais ainda não são conhecidos”. demarcar tacitamente sua conclusão e repercussão”. orientar. “dessa maneira. sem. ver seu contorno no presente e refletir sobre as tendências de seus desdobramentos futuros. ao menos. Complementaria dizendo que. O primeiro deles é uma pergunta direta: como transformar este mega evento. entretanto. Aviso final: como todo produto jornalístico. baseado em 12 cidades sede. em algo de “interesse nacional”? A importância disso se revela quando pensamos em como compartilhar os benefícios e ganhos diretos com infra-estrutura entre todos .

Assim. mas transforma sua engenharia financeira em algo mais complexo do que se possa imaginar. isto será necessário. sabemos que a maior parte não o fará. o que não deve desestimular as ações. Mesmo que todos os brasileiros possam utilizar estes equipamentos e obras. se é que isto será possível. para ser de “interesse nacional” o governo deve explorar muito bem como dividir corretamente o legado tanto positivo quanto negativo. Um segundo ponto. uma vez que as desigualdades geram um clima de descontentamento e insegurança em todos os cantos do país. pois os custos serão. este aumento de déficit e impostos pode comprometer cidades que pagam sem direito a nenhum benefício. este mais diretamente ainda relacionado com a Copa (considerando . Esta reflexão é pertinente pelo fato dos dois principais custos do projeto. em boa parte. divididos por todos via governo federal. Possibilidades há para isto. e com números bem expressivos. Como legado certo. mas a hora de se pensar estrategicamente sobre o assunto está passando rápido e pode levar junto uma oportunidade grandiosa para se evitar distorções que prejudiquem o desenvolvimento nacional. Algo difícil de se imaginar.os aproximados cinco mil municípios brasileiros. serem extremamente direcionados aos locais do evento: arenas e infra-estrutura das sedes.

o grande tema deste trabalho e conteúdo dos dois grandes eventos desta década do Brasil ainda é algo sem sentido por aqui. com muito comprometimento estatal e pouco aporte privado. a prática esportiva. traz uma experiência de pouco comprometimento dos gestores neste sentido.que infra-estrutura é algo necessário para o país e está nas premissas básicas dos projetos de governo). este último grupo. elas terão o desafio de sua sustentabilidade financeira pela frente. O modelo americano do esporte. compartilhados pelos cidadãos brasileiros. em sua maior parte e querendo ou não. também explorado num dos capítulos deste texto. Para a Copa . mas vale aqui um ponto fundamental: será que este arranjo de implantação. Apresentamos neste trabalho um capítulo sobre esta questão. uma vez que os custos serão. até este momento. mas com uma colaboração consciente por parte do governo sobre este cenário. mas as intenções poderiam ficar claras desde já para que possamos refletir sobre responsabilidades de cada um e expectativas de todos. terá estímulo para buscar a sustentabilidade do negócio. A pergunta ficará no ar até o futuro chegar. responsável pela gestão do legado. como instrumento social. diz respeito `as arenas. Digo isso porque. Quase todas financiadas com recursos públicos. se mantem com o propósito de ser instrumento apenas de lazer e entretenimento. Como último ponto fica uma reflexão sobre o esporte. Sim.

passaram a adotá-lo como instrumento de educação e saúde. ou seja. . Assim. Isto tem se mostrado algo mais que possível. Somente? Sim. somente isso. De nada adiantará ganharmos a taça da Copa e muitas medalhas nos Jogos Olímpicos se isso apenas servir para ficar nos registros oficiais. o que pode se mostrar até mesmo como principal legado destes eventos. Assim. necessário. referenciais necessários para o nosso. posso garantir que podemos adotar formas próprias de utilizar o esporte como estrada para a civilidade. podendo até mesmo ser a maior prova de que sabemos onde queremos chegar: um país mais justo e civilizado. os governos atenuaram o caráter competitivo do esporte e focaram esta ferramenta em sua vocação de integração e suporte social. Criar suporte para o ganho do esporte com estes projetos é mais que um desafio.e para Olimpíada esta faceta permanece como a maior atratividade para nosso país desde que se propôs a sediar estas competições. Apesar de não ousarmos apontar modelos ideais. mas. mesmo que possuam programas voltados para os esportes de alto rendimento. teríamos ganhos qualitativos e quantitativos em nosso padrão de desenvolvimento e uma melhora perceptível na auto-estima. Em muitos países desenvolvidos.

Capítulo 1 A FIFA. o Brasil e a Copa .

desde seu nível de repercussão até a abrangência de sua discussão. independente dos graus de repercussão e abrangência. Dessa forma. Um destes casos é a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. há assuntos pouco ou muito repercutidos e discutidos. mas que. ao largo dessa análise. seguramente. carregam um potencial enriquecedor. Tema comum durante a Copa de 2010. a maior competição esportiva do planeta em audiência terá nosso país como sede em sua próxima edição. mais relevante e importante ele se transforma. Mas. o que já despertou interesse suficiente para dar abrangência e repercussão . quanto mais impactante na vida de um grupo for este tema.Para começar o jogo A importância de um tema pode ser comprovada de diferentes formas.

mas para explorá-lo. Por tudo isso resolvi passear pelo tema não para explicá-lo. A delicadeza do momento está no fato dele chegar justamente na chamada Era da Informação. já começou. mas que ainda não encontrou um bom embasamento para garantir uma produtividade necessária `as discussões dos grandes projetos contemporâneos. De um lado. os experts em grandes eventos apontam os defeitos de um país que ainda está na fase do projeto para tudo. ao que parece. uma sociedade que não está acostumada a ser o centro do mundo com holofotes mirando seus passos e ainda tentando compreender seu lugar na história. De outro. Assim. Isso ocorre pelo fato desta discussão ser feita por extremos de uma cadeia intelectualizada. Esse futuro. No meio disso. a origem deste trabalho está pautada não na . mas ainda pouco focada no que representa os assuntos relativos a uma Copa do Mundo FIFA. Este cenário é o que existe no Brasil de 2010 e que se apresenta como um risco para as pretensões nacionais de se desenvolver a ponto de deixar de ser “o país do futuro”.para o assunto. Assim. a discussão e a participação popular são uma realidade que num país tão grande e diversificado em termos de cultura podem se transformar numa interminável plataforma de idéias. o debate. especialistas em infraestrutura apresentam os gargalos do país sob a ótica técnica.

preparação e tudo o mais são responsabilidades da “dona” do evento. ela não me parece desafiadora. isto é outra coisa. E aqui vale um ponto crucial deste estudo: não seremos os responsáveis pela Copa. Isso faz e fará toda diferença. se seremos capazes de aproveitar esta chance. uma vez que ele é “privado”. A paralisia da dúvida ou o medo da tentativa não estão mais em nosso poder.busca de respostas. Formato de disputa. Todos os estudos. inclusive de pré-impacto. Se fizermos as “perguntas certas”. Quanto a pergunta sobre se a Copa é uma grande oportunidade de crescimento para o país. Sediar um grande evento Discutir uma Copa do Mundo é algo desnecessário em se tratando de organização. modelo operacional. somente pela sua sede. pois seremos sim os responsáveis pela próxima sede da Copa. apontam que o evento tem enorme potencial de repercussões positivas em diversas áreas. O que nos resta então é discutir o que será necessário para dar . mas na busca pela formulação das perguntas certas para este grande projeto que se tornou a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. certamente estaremos no caminho de encontrar não somente as respostas para elas. modelo de negócio. a FIFA. mas aos anseios do que o Brasil espera ser no futuro. Mas.

incluindo moradores e demais turistas. por isso. além dos modelos operacional e de negócios da competição. Esta contribuição foi pensada por acreditar que a questão. No primeiro caso. as arenas respondem pelo ponto chave. oferecendo uma pequena luz sobre algumas idéias e possibilidades para nossos projetos e saídas para os desafios que estão pela frente. não nos exigirá uma mutação. é preparar o país primeiramente para discutir suas possibilidades. pois tudo que for feito para dar qualidade aos serviços oferecidos aos torcedores visitantes também poderá ser oferecido aos demais. o tema tem importância nacional. O presente e o futuro. como qualquer competição esportiva. construindo seu futuro a partir desse fruto gerado com idéias. coragem. ainda nos esperam. Esta idéia estará presente ao longo deste trabalho onde procurei abordar os principais pontos deste assunto.estrutura para a competição. No segundo. criatividade e visão. pois todos queremos que seja o primeiro caso. ao que parece. Dessa forma. discutir a “infraestrutura da Copa” deve ser discutir o que queremos para o país. . somente ajustes para os 30 dias de jogos. há um encontro de interesses interessantes. a partir de agora. O que faremos para estes ajustes poderá ser definitivo ou apenas pontual e. incluindo jogos e torcida. O torneio. por si só.

o que possuo é o poder do futebol”. ele. em 2006 bateu U$ 749 milhões. A resposta foi emblemática: “Estive com reis e rainhas. em 2005 chegou a U$ 663 milhões. Crescente ano a ano. mostra o que realmente é o futebol: um instrumento de poder. Negócios grandes. regras simples e poucos equipamentos necessários para sua prática.059 bilhão. em 2008 foi de U$ 957 milhões e em 2009 chegou a uma marca histórica: U$ 1. ainda não sabemos o limite dessa curva sempre ascendente. presidentes. por exemplo. Os EUA. Tamanho trânsito entre as lideranças políticas mundiais. transformou o mundo em uma bola. Segundo os dados da própria entidade. Se isso representa ter algum poder. e a mesma licença há na esfera empresarial.Fédération Internationale de Football Association Certa vez foi perguntado a um presidente da FIFA se ele se considerava uma pessoa poderosa. O balanço da entidade máxima do esporte. mostra isso. em 2004 de U$ 647 milhões. jogos de multidão e praticamente sem fronteiras. dizem. em 2003 a receita foi de U$ 575 milhões. Com seguidores fanáticos. em 2007 alcançou U$ 882 milhões. a FIFA. uma das resistências clássicas ao . tanto politicamente como gerador de negócios. tem seu poder. maior esporte em popularidade no planeta. De fato o futebol. primeirosministros e sultões.

ela foi dada pelo atual presidente de honra da entidade e uma das grandes figuras deste esporte. . o brasileiro João Havelange. este grupo de gestores conseguem. somente foi possível pelo grande profissionalismo e poder de organização que sua entidade máxima. trabalham para transformar toda essa mágica atmosfera do esporte em um negócio rentável e próspero. E se no campo os jogadores alimentam paixão por clubes e seleções e fomentam o interesse pelos torneios. pois seus ganhos também estão crescendo por conta de suas afinadas operações e consequentes altas taxas de retorno. a FIFA. alcançando. sem nenhuma exceção. contudo. Não que as ligas dos EUA estejam fracassando. fora dele outro grupo de jogadores. lucros maiores a cada temporada. Muito desse poder. mas as perspectivas para o futebol são significativas neste mercado rico e ainda inexplorado. futebol americano e basquete juntos. em 2010. segundo a FIFA. Voltando a declaração do início deste trecho. como já exposto. Fundada em 1904. refinar ainda mais seus modelos de negócio e operacional.esporte. estes dos negócios. a cada quatro anos. conseguiu. o país da “bola oval” (referência ao futebol americano) já conta em 2010 com 18 milhões de jogadores registrados. já possuem. Além disso. mais crianças abaixo de 12 anos praticando futebol do que beisebol.

1962 e 1970). . e Confederação Brasileira de Desportos. ele nasceu no Brasil e sempre usou o clássico “João” como primeiro nome.Jean-Marie Havelange Faustin Goedefroid Apesar do nome francês. Federação Metropolitana de Natação. defendeu o Brasil nadando nas Olimpíadas de Berlim. Na época a CBD congregava outros 23 esportes. onde ainda permanece como membro desde 1963. e como jogador de pólo aquático na Olimpíada de 1952. Levantou até uma taça com o time juvenil do Flu. onde praticou vários esportes. mas foi este que resplandeceu para o mundo. incluindo o futebol. Comitê Olímpico Internacional. como seu presidente entre 1956 e 1974. Pelo amor ao esporte passou por diversas federações e clubes como Fluminense e Botafogo. Representou seu país nos Jogos Panamericanos de 1955. onde mais se destacou. no Rio de Janeiro. Quatro anos depois chefiava a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Melbourne. do Rio. quando ganhou uma medalha de bronze no pólo aquático. Mas sua trajetória no esporte começou muito antes. pois sob seu comando três títulos mundiais foram conquistados (1958. em 1936. antecessora da atual CBF. o Campeonato Carioca da categoria em 1931. Federação Paulista de Natação. Na água. além do futebol. no Fluminense do Rio. herdado do pai belga. em Helsinque.

em especial os países emergentes. permanecendo até 1998. com isso. Deixou a entidade em 1998 como Presidente de Honra e entregou. atrair ainda mais o interesse das empresas. pois. mas a caminho de uma transformação. . Organizou seis Copas do Mundo e criou os campeonatos mundiais das categorias de base e feminino. A europeização e a globalização do futebol O fato da FIFA nascer na Europa e ter somente presidentes europeus em seus mais de cem anos de história. o continente atravessa. em 2010. além de um caixa reforçado. problemas financeiros sérios enquanto o mundo. começam a ditar novas fronteiras no jogo dos negócios globais. Mesmo sendo um continente rico e ainda respondendo pela maior fatia do lucro global da FIFA.Na FIFA chegou em 1974 como presidente eleito. também beneficia os locais que recebem os eventos. tornou a entidade muito europeizada. Isto aponta para uma necessidade em distribuir mais o mercado e. uma imagem consolidada para o futebol e a base para ele se tornar um grande produto para o mundo dos negócios. Para esta expansão o futebol tem sido útil e isso vai ao encontro da nova realidade mundial. além de beneficiar tais projetos. com exceção de Havelange.

Joseph Blatter Economista nascido. cargo que exerceu até 1981 quando assumiu a secretaria geral. Sua chegada na FIFA aconteceu em 1975 como Diretor Técnico. criado e formado na Suíça. Participou da organização dos Jogos Olímpicos de 1972 e 1976 como Diretor de Esportes da empresa Longines. Esta transformação tem ocorrido em especial na gestão de um simpático e esperto dirigente da entidade que teve a difícil missão de substituir Havelange.Assim. Talvez seu início de carreira como relações públicas o tenha ajudado a se transformar num dos mais carismáticos dirigentes esportivos do mundo. Sua primeira experiência no esporte foi como secretário geral da Federação Suíça de Hockey no Gelo. . cria-se uma corrente positiva e abrem-se cortinas para cada vez mais novos espetáculos em terras “desconhecidas” para muitas empresas de primeiro mundo. “Sepp” Blatter começou sua carreira executiva na área de relações públicas de uma instituição de turismo oficial da Suíça. Ao que parece. ele tem conseguido manter o status de sua corporação. fabricante também suíça de relógios e patrocinadora de diversas confederações esportivas. Em 1998 foi eleito presidente e em 2010 começou seu terceiro mandato consecutivo.

.característica que concilia muito bem com um estilo firme de liderança. Mais que confortar os anfitriões da Copa de 2010. sob grande desconfiança mundial. Blatter deu a lição de que é necessário valorizar ações a partir de seu contexto. O equilíbrio entre estas duas facetas foi muito bem exposto na África do Sul quando. mas alegre povo africano. Além disso. Sua gestão deve prosseguir com a eficiência de um relógio suíço. mostrou extrema inteligência comercial na valorização de seu grande produto e sensibilidade verdadeira pelas inequívocas demonstrações de envolvimento com o sofrido. o país recebeu afáveis palavras do maior representante do futebol mundial. o que poderá elevar o futebol a um patamar nunca antes conquistado.

Capítulo 2 Copa do Mundo FIFA: Modelo e operação .

E este cenário não é de hoje.00% Fonte: FIFA Tal força se reflete números da competição.00% Alemanha 2006 U$ 200 milhões .00% 77. segundo os balanços publicados. Em 2003. o cenário se consolidou: Ano 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Percent ual 78. O seleções participantes. mostra ao aumento das Crescimento Ano base 69.Modelo do negócio A Copa do Mundo é.00% 85.00% 81. a competição pode ser definida como a “mina de ouro” que a entidade possui. Responsável pela maior parte de suas receitas. 90% de seus recursos foram obtidos por conta da Copa do Mundo e. por uma evolução proporcional receitas com o torneio: Torneio Coréia/Japão 2002 Prêmios U$ 140 milhões nos gigantescos valor oferecido às exemplo. sem dúvida.00% 88. nos anos seguintes. o principal produto da FIFA.00% 89.

a Coréia do Norte. Sendo assim. Isto é percebido pelo aumento da quantidade e qualidade da audiência do torneio. Na África foram oferecidos US$ 30 milhões ao campeão. quando. outros US$ 24 milhões.África do Sul 2010 U$ 420 milhões Fonte: FIFA 61. vale observar os números de média de público das quatro edições recentes.00% A premiação aos vencedores também cresce vertiginosamente. em 2006. Este incremento de receita se explica pela conjunção de alguns fatores macro-econômicos que inclui o crescimento mundial de grandes grupos empresariais com a globalização. . chegou a receber U$ 1 milhão. Um detalhe é que todas as seleções participantes do torneio recebem verba para sua preparação. mas principalmente uma evolução no modelo do negócio da Copa do Mundo. US$ 19.3 milhões era o valor referente a isto. até a última colocada na África do Sul. Média de público nas Copas recentes Na primeira. que pode ser expressa tanto na forma direta como na indireta. O terceiro colocado também superou o valor ganho pelo campeão na Alemanha e assegurou outros US$ 20 milhões. a Espanha. Até mesmo o segundo colocado na Copa 2010 recebeu um valor superior a este.

número bastante representativo para as negociações comerciais do torneio.67 mil Fonte: FIFA Em termos de audiência em TV's. inclusive.79 milhões 2.18 milhões Média por jogo 43 mil 42. o torneio está cada vez mais global.34 mil 52. alcançando.5 mil 49. mas. Em termos de TV's.36 milhões 3. há ainda o crescimento e fortalecimento qualitativo da audiência indireta. os dados também são expressivos: Torneio Alemanha 2006 África do Sul 2010 Audiência TV 26. incremento . como dito antes. além de uma maior proximidade com o cenário econômico atual: Resumo das vendas e audiência direta Edição da Copa França 1998 Coréia/Japão 2002 Alemanha 2006 África 2010 Tickets vendidos 2.3 bilhões 30 bilhões Isto tudo representa números quantitativos.que possuíram o mesmo formato de disputa com 64 jogos.71 milhões 3.

os EUA. algo como uma coisa para cada tipo de consumidor. provavelmente. talvez. E são exatamente ações como estas que exemplificam o ajustamento cada vez mais preciso do modelo deste torneio. o evento adota uma postura conhecida no marketing esportivo como “full menu”. Para o público corporativo. cada vez mais. uma vez que os americanos são os principais exportadores dessa vertente) e o fato indubitável do processo conhecido como “latinização” dos EUA. a NASCAR. espécie de Fórmula 1 local que. encontrando caminho nos latinos para tal. segmento bem prestigiado nas moderníssimas arenas americanas. pois o . não somente ao apelo deste esporte mundial. que está entre os 214 países que prestigiam o torneio pela TV. Isso se deve. procura nova engrenagem para seus negócios muito além do limitado público branco americano. O mesmo processo pode ser observado com relação a um dos mais tradicionais esportes no país. por exemplo.significativo naquela que é. Além desse crescimento em frente às TV's. nas arenas novos espaços tem surgido para segmentar os públicos de diferentes perfis e. mas também a globalização da cultura (neste caso em via inversa. agora em declínio. sua última grande fronteira. os chamados hospitality centers crescem e valorizam cada vez mais os limitados espaços dentro dos estádios de uma Copa do Mundo. com grandes camadas latinas ascendendo na classe de consumo interno.

Mídia e parceiros patrocinadores: os maiores Como todo evento esportivo profissional a Copa do Mundo traz. gera aumento do valor da cota de patrocínio ou direito de exploração destes espaços. não se pode esperar posição diferente do extremo cuidado e pesada vigilância quanto aos direitos destes parceiros que no plano de marketing do evento . Sendo assim.06 bilhões que a entidade faturou em 2009. em seu modelo. uma vez que tais investidores também necessitam e almejam retorno quanto aos recursos financeiros depositados em tais projetos. por sua vez. oferecendo rentabilidade e segurança ao mesmo tempo que permitindo ao esporte seu bom desenvolvimento. E assim. mídia e patrocinadores são os maiores parceiros também da Copa do Mundo. juntos eles representam mais de 90% das receitas da FIFA. ou seja. Para se ter uma idéia da importância destes dois segmentos. cada vez mais a Copa se transforma num modelo bem ajustado de investimento. Isto é natural. quase U$ 900 milhões dos U$ 1. um privilégio grande aos que sustentam financeiramente esta operação. E assim como em outros grandes eventos esportivos.aumento do ticket médio gera também aumento de faturamento o que.

regras severas de proteção quanto ao direito de uso das marcas oficiais também prometem incomodar pela força com que são executados. Segundo Ricardo Teixeira. A guerrilha neste setor tem sido grande e este cenário não deve mudar. incluindo desde grandes grupos empresariais até microempresas. já havia implantado o modelo feroz que promete também fazer barulho no Brasil. por exemplo. Isso já começou com sessões no Congresso para saber sobre a isenção fiscal oferecida tanto a FIFA quanto aos patrocinadores do torneio. atua como um batalhão para proteger suas propriedades. e nele deverão estar inclusos grandes cabeças do direito brasileiro.são chamados de “broadcast “sponsorship income”. gerou. aliás. Antes dela. Além das isenções fiscais. medida anteriormente negociada e já sancionada pela presidência do país. o IOC (International Olympic Commitee). sem estas isenções não há como se realizar uma Copa. pois a competitividade . o que na África do Sul. Outra frente desta batalha é contra o que especialistas chamam de “ambush-marketing”. rights” e As pesadas regras de proteção aos patrocinadores e parceiros não são exclusividade da FIFA. que assina os Jogos Olímpicos. O corpo jurídico da FIFA. presidente da CBF. mais de 500 processos na justiça do país. somente até o meio do torneio.

além dos patrocinadores. assim. assim como de outros grandes eventos esportivos internacionais. Dessa forma. uma marca de cerveja daquele país devem ser solidificadas.necessária aos negócios sempre estimula idéias de intervenção no modelo de comunicação tradicional. afinal. Natural. a vigilância extrema com os direitos de transmissão e uso do torneio oferecido aos meios de comunicação oficiais é outra grande muralha jurídica da Copa do Mundo. O fato é que a estratégia comercial da Copa do Mundo restringe cada vez mais a exibição de marcas. assim. mas deve-se saber bem como fazer isso. que as muitas marcas que ficam de fora da competição queiram se apropriar dela em suas estratégias de marketing. o que não inibe os estrategistas de campanhas de marketing a pensarem em novas formas de burlar o patrocínio tradicional. o que pode ser feito de forma legal. conhecida como “less is better” (algo como “menos é melhor”). explica-se o porque de aqui repousarem as principais atenções dos organizadores. enquanto em média 50 . Como dito anteriormente. secretamente. Ações como a das torcedoras holandesas de vestido laranja que divulgavam. Esta medida. Faz parte do modelo do negócio um privilégio `as receitas indiretas e. ele é cada vez mais concebido para a mídia. compensa a diminuição de propriedades patrocinadas com um aumento no valor destas propriedades.

vale aqui um olhar mais apurado sobre isto. que responde por 54% do total arrecadado pela entidade. desde a manipulação de horários de jogos para atender aos “prime times” deste mercado até o privilégio de espaços ocupados por parceiros desta região.00% 3.00% . o que garante as grandes verbas de investimento nesta competição.mil torcedores acompanham os jogos de dentro das arenas. O fato é que mais da metade do arrecadado nesta área vem do mercado europeu. Origem das receitas FIFA Região Europa Ásia e Norte da África Américas do Sul e Central América do Norte e Caribe Resto do mundo Percentual 54. quando necessário.00% 8.00% 22. Isto justifica uma maior atenção com as emissoras européias. outros bilhões estão de olho através das TV's. Por isso o acompanhamento ocorre de forma bastante próxima e sempre estará preparada para o combate. Como a receita com direitos de TV é a principal fonte de recursos da FIFA.00% 13.

Nesta fase estudou a fundo a indústria da mídia e também esportes. uma segmentação do canal original. em 1984. participou de uma grande cobertura internacional de um evento esportivo. Em sua trajetória. fazendo parte do grupo que criou um ambicioso projeto de estação de TV. a Copa do Mundo de Rugby. tanto que chegou a assistente de direção do serviço esportivo do canal. em 1991.Fonte: FIFA Para a Copa de 2014 ainda não sabemos que horários serão oferecidos para os jogos. . a Canal+. a Copa de 2010 foi um regresso a este tempo. Jérôme Valcke O Secretário Geral da FIFA é um parisiense que chegou na Copa de 2010 com 50 anos. na França. A decisão estará nas mãos habilidosas de quem sabe há tempos unir o esporte e a mídia em prol do desenvolvimento de ambos. em 1995. Construiu sua carreira no meio deste setor começando aos 22 anos na Radio Monte Carlo (RMC) e. Seis anos depois assumiu o departamento de marketing do Sport+. na mesma África do Sul. depois. pois. morou parte da adolescência no Togo e que possui formação em jornalismo. mas certamente pesará na decisão o mais adequado para se respeitar o fuso horário do “velho continente”.

Mas esta vigilância não ocorre somente com os informais. onde atuou como Chief Operating Officer. inserido necessariamente na mesma abordagem dos patrocinadores da FIFA. Jérôme Valcke será figura constante no Brasil nos próximos anos e estará a frente de todas as ações referentes a organização do torneio de 2014. pois até mesmo o comércio legal fica impedido . Em 2003 chegou na entidade máxima do futebol como Diretor de Marketing e TV até ser levado para a posição atual de Secretário Geral. oferece grande empecilho e praticamente impede algo que no Brasil é extremamente comum: a informalidade. Comércio e informalidade Por fim. oficialmente chamada de “Zona de exclusão”. mas o modelo de organização do torneio prevê uma reserva de espaço. que impõe grandes dificuldades aos conhecidos ambulantes e barraqueiros tanto de produtos da Copa quanto de alimentos e bebidas. o que mostra a importância deste segmento dentro da instituição ao mesmo tempo que explica a grande desenvoltura da FIFA nesta área. uma das maiores empresas de negócios esportivos do mundo. o segmento comércio. por sua formalidade e grande carga operacional tanto fora quanto dentro dos “matchdays”.Neste período participou da fusão que criou a Sportfive. Não que se almeje terminar com este tipo de negócio. Por sua função chave.

mediante acordo com a FIFA. há o mercado direto com estimados 3. uma vez que são eles quem pagam boa parte do evento.3 milhões de torcedores que deverão assistir aos jogos nos estádios. Para os que ocupam as arenas para a venda de produtos. Isso representa um consumo significativo e uma grande possibilidade para empresas em busca de receita imediata.de atuar dentro desta zona prevista no modelo de negócio do torneio. Além da legitimidade . ver torcedores apenas passarem por barracas e deixarem para trás o sonho destes comerciantes em fazer dinheiro fácil com o evento. mas com uma projeção de até 10 vezes este número nos locais externos oficiais da competição. as chamadas Fan Fest. O fato é que estarão no Brasil os maiores especialistas do mundo em questões jurídicas de proteção aos direitos que o modelo da competição garante aos patrocinadores e parceiros. Em média se prevê um distanciamento físico deste tipo de ação em torno de 500 metros. Eles também sucumbem ao grande poder de reserva de direitos que a FIFA guarda. é normal. no mínimo. com tal distância. e de forma justa. aos seus parceiros comerciais. do local de acesso das arenas. Assim.

Por tudo já exposto, não há o que se questionar sobre a legitimidade de tais direitos adquiridos e negociados antecipadamente pela FIFA com o país sede e, posteriormente, com seus parceiros comerciais. Porém, isso não invalida nem bloqueia ações que a organização do torneio pode tomar no sentido de negociar com os diferentes agentes deste negócio, incluindo representantes do ainda poderoso e importante mercado informal, para que problemas maiores sejam evitados quando a operação Copa do Mundo entrar em funcionamento. Este ponto deve ser de interesse não somente dos agentes locais preocupados com as duras regras do negócio, mas também dos governos, uma vez que tais situações sempre alcançam a esfera social, e da própria FIFA, que deve manter seu foco na perfeita execução de sua máquina de negócios.

Modelo operacional Inicialmente vale trazer os números estimados e básicos desta operação: 36 times com 50 pessoas em cada delegação, 10.500 jornalistas, 5 mil representantes estrangeiros e 500 oficiais da FIFA. Este é o número básico que faz o espetáculo Copa do Mundo e que garante a execução de todo o negócio. Quanto ao modelo de operação, verifica-se que ele é similar a um outro modelo já ultrapassado no mundo dos negócios, a

“glocalização” (pense globalmente e haja localmente), mas que, para a competição, tem se mostrado muito eficiente, afinal, seu crescimento tem sido notório em todas as frentes de análise. Assim, foi criada uma base de operação num documento com o título original de Organising Association Agreement (OAA), que representa o reconhecimento das obrigações pelo país sede através de uma entidade, a Local Organising Committee (LOC), ligada a confederação do esporte local, no caso do Brasil a CBF. Este LOC é o grande responsável pelo cumprimento de todas as obrigações que a FIFA apresenta para que o evento tenha uma unidade e atenda especialmente aos seus objetivos comerciais e promocionais. No Brasil, o LOC é composto por Ricardo Teixeira (presidente), Joana Havelange (gerente-geral), Francisco Mussnich (consultor jurídico), Carlos Langoni (consultor financeiro), Carlos de La Corte (consultor de estádios) e Rodrigo Paiva (assessor de comunicação). O maior objetivo da criação do LOC é contar com um grupo de trabalho que tenha perfil executivo e representatividade perante todos os agentes que se inter-relacionam no projeto, além de desvincular suas atividades das mais gerais executadas pelas confederações. Assim, garante-se um esforço coordenado nas atividades preparatórias da Copa e também na execução da competição. Para a montagem do

LOC há uma orientação de que cada integrante tenha habilidades específicas e expertise em determinadas áreas importantes tanto na execução como na articulação que garante o sucesso do evento.

Custos operacionais Para gerir a organização do torneio, incluindo despesas de transporte e divulgação, o LOC estima uma verba de R$ 854 milhões, sendo este recurso oferecido pela FIFA para tal. Já os custos com a segurança dos eventos, a organização solicita um efetivo total de 78 mil policiais, todos atuando fora dos estádios, que geram uma despesa de R$ 327 milhões ao governo. Por fim, há um custo, também público, ainda não estimado para o que a FIFA chama de redundância elétrica, que garante ao torneio toda sua operação sem os riscos de quedas de energia ou qualquer outro problema desta natureza.

Exigências para o Brasil O documento que precisou ser bem estudado pelo Brasil chama-se “Caderno de encargos”. As regras foram criadas pela FIFA como orientação aos países que pretendem

Os estádios também devem ter iluminação de padrão internacional e salas adequadas para imprensa. Todas estas obrigações estão detalhadas no documento “football stadiums technical recommendations and requirements”.sediar o evento.50 metros atrás do gol) para proteger e acomodar reservas. segurança pública para todas as áreas do evento. semifinais e final). Comercialização do evento: o país sede deve reconhecer o direito exclusivo da FIFA para a exploração comercial da Copa . Os principais pontos são os seguintes: Garantias governamentais: estas garantias estão previstas num contrato denominado Host City Agreement e inclui vistos de trabalho a todo o pessoal estrangeiro envolvido com a Copa do Mundo. fotógrafos e câmeras de televisão. .publicidade. infraestrutura para o transporte de torcedores e delegações e sistema adequado de telecomunicações. Os campos de jogo devem ter 105 por 68 metros. isenção de taxas alfandegárias para todo o material relacionado ao evento. funcionários da FIFA e antidoping. transferência das receitas livre de impostos ou taxas. que faz parte do contrato com o país sede. grama natural e espaço em volta de pelo menos 6 metros (7. Infra-estrutura esportiva: oito a doze estádios com capacidade mínima de 40 mil pessoas (até as quartas-de-final) e 60 mil pessoas (partida de abertura.

Contrato de candidatura: o país organizador se compromete com a FIFA a vender uma quantidade mínima de ingressos. sem maiores detalhes sobre o que deve ser feito ou parâmetros tangíveis para tal. há um quesito subjetivo. Além destes pontos. além de um ônibus.marketing. licenciamento e direitos de transmissão. staff da FIFA (cerca de 250 pessoas) e arbitragem (80 pessoas). um micro-ônibus e dois carros para cada seleção. A FIFA cede parte desses direitos ao comitê organizador. A organização local deve também prestar assistência aos jornalistas com orientação sobre hospedagem. dois micro-ônibus e um carro para os árbitros e um ônibus para a imprensa. Transporte: o comitê organizador deve fornecer um ônibus. mais dois ônibus e cerca de 200 carros de passeio para a delegação da FIFA. além de contratar um seguro que cubra "responsabilidades relacionadas com a organização e a realização da competição". Segurança: item também subjetivo que prevê apenas o fornecimento de medidas e . Alojamentos: é preciso hospedar 32 delegações de até 50 pessoas. que é adequar os sistemas de transporte com a demanda do torneio.

sejam sedes ou não. mas estes devem ser aprovados pela FIFA. a MATCH é uma joint venture entre as empresas Byrom (com sede em Manchester.normas que torneio. Baseada em Zurique. mas o comitê organizador local tem direito a uma porcentagem sobre o eventual lucro obtido com a realização do torneio. Finanças: a FIFA não se compromete com nenhum investimento em infra-estrutura. Ambas . Todos os assentos devem ser numerados e parte dos assentos deve ser reservada para a FIFA que os oferece aos dirigentes de cada seleção. no Reino Unido) e a Eurotech Global Sports (com sede em Appenzell. hospedagem e tecnologia da informação (TI) para a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014. Por isso ela possui importância estratégica e seu trabalho deve ser bem entendido por todas as cidades. na Suíça) formada com a única finalidade de fornecer esse tipo de serviço para a FIFA. garantam proteção durante o Venda de ingressos: o comitê organizador irá determinar os valores de ingressos. na Suíça. Tripé operacional do torneio A MATCH Services AG é a empresa de serviços escolhida pela FIFA para fornecer os serviços de bilheteria.

para gerenciar as atividades locais relacionadas à Copa de 2010.Hospedagem O principal objetivo da FIFA neste setor consiste em implantar um programa exclusivo de hospedagem em termos de qualidade. criatividade e flexibilidade. a MATCH será responsável por garantir e administrar um inventário dos quartos de hotel e acomodações não-hoteleiras para satisfazer as exigências de cada um dos eventos. Outra subsidiária da MATCH será criada no Brasil para gerenciar as operações locais. um dos principais afetados pela Copa. Na África. entenderem as regras do jogo comercial para o setor de turismo. . ela criou uma subsidiária. a MATCH Event Services PTY.as empresas possuem suporte estratégico para os eventos realizados pela entidade nas áreas citadas. As três áreas de atuação da empresa são: 1 . onde a empresa também atuou. Além disso. Esta é a empresa que todas as cidades devem visitar e obter um bom relacionamento para. A MATCH atuará como gerente na comercialização de todos os quartos de hotel e acomodações não-hoteleiras contratadas. ao menos. com grande capacidade de satisfazer as demandas do mercado. Em relação ao projeto de hospedagem para os eventos citados. a empresa será responsável por negociar termos e condições com a comunidade hoteleira do Brasil.

a prefeitura pagou cerca de U$ 1 milhão para federação da Squadra Azurra para a . que cobra do local pelo menos 50 quartos de alto padrão. A única regra é que os alojamentos sejam avaliados e aprovados pela MATCH. proximidade de aeroporto e hospital e. então campeã do mundo. ela é feita no país sede ou em algum lugar com clima muito semelhante para que se possa promover uma adaptação dos atletas ao jogo nestas condições. Outro detalhe desta operação coloca no jogo todas as cidades do país. no máximo. As edições recentes da Copa não adotam cidades como sedes de grupos do torneio. bastando cada uma levar sua proposta aos dirigentes de confederações em associação com seus hotéis e operadores do turismo no local: o período préCopa. mas. Antes da bola rolar. Na África do Sul. Para receber a seleção italiana. estima-se que cerca de 90 cidades sejam incluídas neste portfólio oferecido para as delegações. Assim.Neste item vale ressaltar o modelo adotado pela FIFA para as delegações dos países participantes. 20 minutos do Centro de Treinamento utilizado pela equipe. por exemplo. normalmente. promovendo um rodízio entre as arenas para receber jogos de diferentes grupos. as delegações podem escolher qualquer cidade do mundo para sua preparação. No Brasil. tivemos como exemplo deste “jogo” a atuação de Tshwane. não há obrigatoriedade alguma para a escolha da cidade e do local que cada seleção irá escolher para ficar hospedada.

a estratégia foi refeita e a cidade recebeu apenas a seleção americana. Os lista dos hotéis e centros de treinamentos oficiais da Copa de 2014 escolhidos pela FIFA através de seu setor . carrega também toda a imprensa do país e. devem seguir a regra da organização de estar presente na cidade em que o jogo se realizará no dia anterior da partida. que. mas apenas caso ela esteja hospedada a mais de 120 km de distância da sede. sua infra-estrutura geral e particular em itens como centro de treinamento e centros médicos de alta especialização. além da delegação. O resultado não foi muito satisfatório do ponto de vista operacional. foi muito boa. porém. vale lembrar que cada seleção. no ano seguinte. além do local. seus torcedores. a rota entre a sede e suas cidades de jogos deve ser fácil para delegação e torcedores. A divulgação da cidade. Por fim. mas sem grandes repercussões em termos de turismo. pagou todas as suas despesas. como registro. que sempre observa. Todas.cidade ser escolhida como sede durante a Copa das Confederações. uma vez que se mobilizou um batalhão de gente para atender as exigências da equipe. muitas vezes. como contrapartida. Assim. Para a Copa. estando aqui um grande diferencial para se promover por todos que almejam receber alguma delegação. O que deve ser entendido aqui como fundamental é que esta escolha será de cada delegação.

venda. a FIFA fica no comando das vendas de todos os ingressos para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo. 2 – Bilheteria O principal objetivo da MATCH em matéria de bilheteria consiste em colocar em prática uma estrutura de venda eficiente. o FIFA Accommodation Office (FAO). cobrindo todos os serviços de bilheteria. incluindo pedido. justo e correto”. ligado a MATCH. . com a MATCH atuando como agente da entidade na venda de ingressos para todos os compradores. estes tickets são comprados e garantidos até os jogos finais. a MATCH é a responsável por fornecer à FIFA um sistema de tickets simples e prático para os eventos. oferecendo um serviço de qualidade “para garantir que o processo de venda de ingressos seja transparente. A FIFA possui um programa para operadoras de turismo que queiram vender pacotes com ingressos e disponibiliza tickets mediante um cadastramento no site da entidade. segundo ela mesma. sairá até julho de 2011. distribuição e administração de ingressos. as operações nos pontos de venda e a execução dos termos e condições estipulados pela organização.responsável. caso a seleção não se classifique. Assim. impressão. sendo que. Assim. os valores pagos são reembolsados aos clientes. Pelo modelo.

3 . impressoras. os camarotes. A MATCH também é responsável pela implantação de uma rede privada que conectará centenas de locais de eventos e ficará à disposição de importantes grupos de usuários.Há também tickets corporativos para áreas de hospitalidade que devem ser adquiridos diretamente com a MATCH.Tecnologia da Informação O grande objetivo da MATCH no campo da tecnologia da informação consiste em fornecer sistemas e serviços de TI que possibilitem o sucesso operacional de cada evento e satisfaça as expectativas dos principais grupos de usuários da FIFA. o que engloba sistemas cruciais de apoio como o processo de credenciamento. estando estas áreas tanto dentro das arenas. o comitê organizador do evento e milhares de jornalistas que trabalharão na cobertura de cada um dos jogos. a MATCH também fará o . incluindo a delegação e o staff da FIFA. a gestão de voluntários e do transporte. Outra responsabilidade da MATCH é supervisionar uma tarefa complexa: a implantação de um número considerável de equipamentos de comunicação e rede. computadores. Durante a realização da Copa. servidores e cabeamento necessários à conexão destes dispositivos nos locais dos eventos. A empresa fornece soluções de TI exigidas pela FIFA para a realização de cada um dos torneios. os HC's. quanto fora delas.

segurança. suporte aos jornalistas. telecomunicações.8032. ao seu fim.monitoramento e as operações de apoio que reúnem recursos de todas as organizações envolvidas nas soluções de TI. logística de equipamentos. comércio e fiscalização geral devem estar em plena sintonia com o ambiente altamente positivo que a competição sugere. recepção aos turistas. Por tudo isso o endereço “Aurorastrasse 100 . Zurique . transporte. Conhecido como matchday no jargão mercadológico. um único dia: o dia do jogo. saúde. Matchday: o grande momento Toda operação de uma Copa do Mundo traz um período de preparação extenso para garantir. incluindo a FIFA. Assim.Suíça” deve ser bastante visitado para quem quiser fazer bons negócios em 2014. catering. possui execução altamente profissional e é supervisionada diretamente pela FIFA após treinar todas as equipes para que tudo ocorra dentro do esperado. Este legado aos profissionais que trabalham durante o evento será um dos . o evento em si concentra inúmeras operações simultâneas que se entrelaçam para formar um momento mágico. o comitê organizador e os principais patrocinadores e prestadores de serviços. Como momento crítico. acesso ao estádio.

Além das cidades sedes. todos membros de organizações que enfrentam as dificuldades sociais através do . outros pontos no mundo recebem o evento. cultura e futebol. Estas zonas se transformaram no centro da torcida nas cidades e. 2 . recebem o mesmo tratamento visual das arenas com seus patrocinadores e fornecedores estratégicos.Festival Football For Hope O tema é um festival de educação.FIFA Fan Fest Criar áreas com o mesmo clima dos estádios para receber torcedores nas cidades que sediam os jogos foi uma das práticas mais bem sucedidas da FIFA nos últimos dois mundiais. com garotos e garotas. São times mistos. Os três principais são: 1 . claro.grandes benefícios do torneio esperar muito desta nova profissionais. sempre com o intuito de forjar a atmosfera da Copa em cada cidade em que é realizada. e devemos classe de Outros eventos relacionados A Copa traz também eventos e projetos paralelos que ocorrem simultaneamente ao torneio e servem como apoio ou apenas suporte institucional para aproveitar a grande visibilidade da Copa.

não contam com árbitros. Os jogos. Assim ela incentiva a projeção de estádios e eventos sempre com a opção mais .futebol — desde falta de moradia no Reino Unido e problemas com minas terrestres no Camboja até educação sobre HIV/AIDS na África do Sul e integração de refugiados na Austrália. Outros programas estão incluídos no festival. 3 – Green Goal Seguindo a mega tendência da sustentabilidade ecológica de projetos. realizados em mini campos. discussões sobre tópicos sociais. pois as discordâncias em campo deverão ser resolvida por meio do diálogo — um método que incentiva o desenvolvimento pessoal e o entendimento mútuo. a FIFA estipulou neste programa uma série de direções para que as competições de futebol sejam cada vez mais “zeradas” em termos de emissões de poluentes. como atividades de intercâmbio de idéias e experiências. que tem sede em Berlim. Para a sorte da humanidade. oficinas para aprender a ser técnico de futebol e apresentações culturais. Participei deste evento na Alemanha e vi que os objetivos parecem ser alcançados. É um evento oficial da Copa do Mundo e também é organizado pela FIFA com apoio da ONG streetfootballworld. o esporte pode provar que homem tem solução.

a FIFA recomenda o reuso de copos. como ônibus e trens. . o que deve ocorrer o mais rápido possível. em consequência. Resíduos: para limitar a quantidade de lixo gerada durante os eventos.“ecologicamente correta” e baseada em quatro pontos: água. que podem ser projetados para um consumo eficiente de combustível. a coleta seletiva de lixo e a venda de comidas e produtos sem embalagem. os responsáveis pelos projetos de estádios da Copa no Brasil precisam contratar consultorias especializadas neste quesito. Para seguir estas recomendações. energia e transporte. Água: recomenda a armazenagem de água potável para fins de irrigação e uso nas instalações sanitárias. Transporte: a FIFA recomenda o uso de sistemas públicos de transporte. mas também aos cuidados que toda grande obra moderna deve ter. pois. o uso do ar-condicionado. a entidade recomenda a instalação de painéis fotovoltaicos. resíduos. a instalação de vidros especiais que reduzem o calor no interior do edifício e. Energia: para a economia de energia. enquanto mais inicial este ponto se incluir nos projetos. além da existência de centrais de controle de energia para administrar o consumo em horários de pico. melhor e com menos custo deverão ser as adaptações necessárias para atender não só as recomendações FIFA.

Capítulo 3 Um olhar mais apurado sobre os desafios brasileiros atuais: um difícil dever de casa .

não há mais tempo para a Copa. além da construção civil. pois devemos democratizar cada vez mais o acesso nestas instituições. outras precisam de alguns anos para se preparar. Neste ponto as universidades tem especial responsabilidade. Enquanto algumas funções podem ser mais rapidamente desenvolvidas. mas. A saída será importar mão de obra para o que não conseguirmos produzir ao mesmo tempo que incentivar urgentemente os cursos nas principais áreas que terão forte demanda. como turismo e serviços.Os desafios brasileiros Já sabemos as áreas que sofrerão maior impacto positivo. além das particularidades que se mostram como um obstáculo para o país no cenário atual: Empregabilidade: dificilmente responderemos bem ao problema da falta de preparação ocupacional para as oportunidades mais próximas. mas devemos também reconhecer e identificar os desafios de cada uma delas. o suporte será uma sociedade educada funcionalmente para a geração de riquezas e a conseqüente e saudável repercussão do aumento de demandas . já descrita anteriormente. como engenheiros civis e piloto de aviões. mesmo considerando seu caráter fortemente econômico e voltado para a lucratividade. Neste caso. De pouco adianta gerar legado físico se não construirmos um suporte para a sustentação disso.

diferente do que tem feito. melhorar os números da balança comercial e incrementar receitas tanto nas empresas como na previdência social. Contas públicas: será um grande desafio. Neste ponto entra também a capacidade de planejamento. Isso passará. Neste ponto vale também um importante registro. O risco de se perder neste ponto pode ser o de transferir para a sociedade uma carga pesada demais devido ao forte custo das reformas em infra-estrutura concentradas em apenas quatro anos. É a visão do empreendedor e a sua saga pela viabilidade dos projetos que dará energia ao processo. o governo terá uma grande chance de estabelecer números razoáveis para suas metas e. Industrialização: fomentar uma capacidade produtiva adequada ao consumo interno é o primeiro passo aqui. cumprir seu orçamento. que podemos perceber como a melhor forma de inibir desvios consideráveis nos orçamentos e execuções de projetos. mas neste caso a esfera privada terá especial importância. por uma melhora significativa na capacidade de planejamento dos governos e na transparência de suas ações. mas possível. ficando os governos com a responsabilidade de . assim. que é a necessidade de um ajuste das políticas trabalhistas do país. necessariamente.na economia. Com o cenário macroeconômico favorável. O grande objetivo será o de substituir as importações e.

Esse cenário não parece muito promissor pelo fato dos cursos de turismo em quase todas as universidades brasileiras terem chegado ao seu fim. O primeiro passo positivo será vencer o desafio já apresentado aqui anteriormente da empregabilidade no setor. Turismo: criar uma plataforma adequada para o turismo é oferecer estrutura hoteleira. uma vez que já possuímos grandes eventos de receptivo. vale ressaltar que o número de turistas não parece ser o maior desafio. gera praticamente o mesmo número dos 30 dias da Copa. para que possamos garantir uma expansão continuada do turismo no país. A questão. então. como o carnaval. fica no lado qualitativo do atendimento. de transporte e. o Brasil poderá comprometer sua qualidade de serviço e. Além disso. devese garantir com soluções definitivas a acessibilidade. mas precisamos de bons profissionais para ocupá-las.destravar os caminhos burocráticos para estas ações. Neste ponto. assim. . principalmente. como a de segurança. que. gerar uma imagem negativa no exterior. além de se manter uma boa gestão da promoção comercial do país no exterior. somente em Salvador. Caso o desafio do bom atendimento não seja alcançado. Aqui vale a lembrança de que a cadeia turística não funciona bem sem melhorias em outras áreas. logística e a regulamentação do setor. Vagas teremos. de serviço para esta atividade.

Porém. se bem pensados podem facilmente “se pagar”. Deste risco também estamos expostos. o orçamento previsto era de U$ 100 milhões. como os cães.Comunicação: queremos chegar na era da banda larga democratizada. Esta equação tem que se ser "zerada" urgentemente para que possamos começar a introduzir. Polícia na rua será importante. . este caminho não apresenta alternativas. "correndo atrás do próprio rabo": não diminuímos custos pois ainda não desenvolvemos a área.100 bilhões. mas dificilmente nos livrará do mal maior de nos sentir inseguros e expostos ao pior a cada momento. este número se elevou para U$ 1. pois a mobilidade caminha no mesmo trilho da viabilidade das cidades. não há como desenvolver sem diminuir custos e parece que estamos. o Brasil na “Era da Informação”. Mobilidade urbana e transporte: a urbanização tem seus desafios. Apesar de serem custosos do ponto de vista financeiro. com urgência. mas talvez estes sejam os mais fáceis para se vencer. com os atentados de 11 de setembro nos EUA. Sem isso. mas. Segurança: educação de qualidade: esta pode ser a resposta para este desafio. Mesmo que pareça longo. durante os Jogos Olímpicos de 2004. uma trava será criada para se pensar no desenvolvimento. Também nesta área vale um alerta sobre contingências que podem afetar o planejamento de operação e de investimento no setor: em Atenas. mas os custos nesta área ainda são muito altos.

Já a locomoção entre cidades é algo mais desafiador.E fatalmente o que não se desenvolve se atrofia ou apodrece. Modelo fiscal e tributário: num país onde regras fiscais podem mudar diariamente. calçadas bem planejadas também ajudam a melhorar o que podemos chamar de "conquista do direito de ir e vir". uma vez que não há como contar com rodovias e os aeroportos recebem toda pressão por isto. ou seja. mas poderá ser vencida com . Muito do sucesso dos períodos de grande expansão das sociedades modernas foi devido aos modelos simples e estáveis do regime fiscal aplicado pelos respectivos governos. o transporte deve ser compartilhado para que se tenha fluidez e equilíbrio. ele resiste em acontecer. assim. A questão do transporte complementa isto e aponta para um único caminho: o transporte público. Apesar desta solução encontrar consenso como algo de grande importância entre quase todas as instituições empresariais do Brasil. apesar de percebida. Isso porque não há como frear a urbanização das cidades e. o que aumenta significativamente o custo de fazer negócios por aqui. não há como se pensar em estabilidade sequer emocional para empresários e investidores. será uma questão de tempo para tudo ruir. O fato é que. a melhoria na infra-estrutura brasileira como um todo caminha a passos lentos e não sabemos ainda se este cenário mudará até a Copa. Apesar de pensarmos mais freqüentemente em veículos coletivos.

Boa estrutura física e bons profissionais devem ser preparados para transformar o país do futebol sem chuteiras num país desenvolvido. A moralização de todas as instâncias se faz necessário urgentemente. pois é difícil colocar milhões onde apenas uma caneta pode tirar. Estrutura jurídica: pensar em altos investimentos no Brasil ainda é algo que amedronta a todos que decidem correr este risco. . A fraca e degradada estrutura judiciária brasileira assusta investidores. O principal motivo não é a instabilidade política nem a financeira. Vale lembrar que esta ideia foi apresentada no início deste trabalho como uma das questões chaves deste grande projeto que é a Copa do Mundo. que parecem estar sob controle.uma boa dose de vontade e coragem política. sabidamente com baixa qualificação e nível de atendimento insatisfatório. Aqui contará a expertise de tributaristas para alcançar um modelo que se aproxime do ideal em responder tanto ao interesses privados como as necessidades governamentais. Desenvolvimento do esporte: diferente do que se pensa o esporte não é somente instrumento de turismo e entretenimento. Mais do que isso. além de uma melhor preparação dos servidores do judiciário. o desenvolvimento dessa área se faz útil para duas das mais importantes ferramentas de uma sociedade desenvolvida: saúde e educação.

Posso estar sendo otimista. tudo que é gerado pelos governos para a “construção” da Copa do Mundo. faz-se necessário a criação de um modelo de gestão diferenciado para estas ações. por isso. pode ser severamente comprometido por esta ineficiência institucional. mas entendo que a efetividade nesta área é algo relativamente simples para . mas o problema pode fugir ao controle caso não haja projetos e alternativas para o torneio e para o futuro. Não há como receber um evento de grande porte sem garantias neste sentido. Este desafio se mostra especial também pelo fato de termos eleições em 2010 e 2012. Crises podem surgir por conta deste processo e. que é a maioria das ações. estadual e federal. Isso pode afetar projetos tanto pelo jogo político das liberações de verbas públicas como pela possibilidade da pouca integração entre os governos municipal. Energia: eventos recentes como os apagões nas grandes cidades mostram que a segurança energética do país está sob suspeita. anos cruciais no planejamento deste ciclo. Aqui entra também o desafio de se planejar e cumprir orçamentos eficientes. sob o risco evidente de custos altos e desnecessários que podem gerar dificuldades de viabilidade das obras. o que já se tem discutido.Planejamento público: pela tradição de decisões centralizadas e pouca capacidade de avaliação de feedbacks. o que pode gerar diferenças significativas e perigosas entre os projetos originais e os efetivamente executados.

esta deve ser no sentido de estar atento para que cada agente deste modelo de negócio cumpra seu papel. Cada um deve cumprir seu papel Se vale uma extensão desta análise dos desafios. Do governo se espera austeridade e boa capacidade de planejamento. outros estarão à prova durante a Copa. Dos empresários se espera coragem para investir e profissionalismo na administração. Serviços: apesar do foco estar em serviços essenciais.um país tão cheio de possibilidades como o nosso. atenta aos movimentos para que possa acompanhar e permitir as mudanças no país. se comunicar ao mínimo possível e mostrar qualidade ainda é algo que estamos aprendendo a fazer. pois simpatia somente não garantirá satisfação dos visitantes. Atender bem. Da sociedade se espera uma postura crítica. a alimentação fora de casa. Neste quesito precisamos melhorar por certo. a saúde e o comércio em geral. como os táxis. Serviços é uma área difícil de se controlar e carece muito das iniciativa privada para apoiar o quadro geral. Os gargalos do desenvolvimento .

pressionará pela excelência. No caso africano. ficando aqui neste algumas reflexões sobre o que podemos chamar de suporte para a Copa. a Alemanha já havia sido prova da flexibilidade da organização e a África do Sul mostrou que os encargos realmente não são tão radicais quanto parecem. Neste ponto. mas valorizará o que for feito em termos de infraestrutura e. A FIFA.Muito se tem falado sobre as exigências da FIFA para a realização da Copa do Mundo no Brasil. oferecendo uma atmosfera mágica aos jogos e encantando os turistas que por lá compareceram e que estavam ali no intuito de se divertir e conhecer realmente aquele país. Como já dito. mas que não deixam de . na verdade. concentrará seus esforços na preparação dos estádios que sediarão os jogos. a África do Sul provou isto. Mesmo que importante. além de torcer. Isso prova que é mais interessante adaptar a competição ao torneio do que vice versa. por razões óbvias. é claro. se seguir a mesma regra aqui. mas fez um belo papel mesmo assim. o que não nos impede de querer cumprir a risca os detalhes do documento. Deste último falaremos no capítulo a seguir. muito poucos. Inicialmente podemos afirmar que os gargalos para o Brasil sediar a maior competição esportiva do mundo são. não serão estes motivos que farão a organização tremer frente ao desafio de realizar o evento. claro. o país não apresentou a mesma infra-estrutura da Alemanha.

357.2 milhões .8 milhões R$ 724. aproveitar a Copa e a boa posição que o Brasil possui em termos de macroeconomia. segundo dados do próprio governo federal: Rio de Janeiro Natal São Paulo Belo Horizonte Manaus Salvador Brasília Cuiabá Fortaleza Recife Porto Alegre Curitiba R$ 1.9 bilhão R$ 1.6 milhões R$ 779. Na escala decrescente dos investimentos as cidades receberão os seguintes valores.5 bilhão R$ 1.973. para ajustar cada item que ainda não oferece condições para nossas cidades.499.435.455 bilhão R$ 1.2 bilhão R$ 1. uma vez que são os mesmos entraves para o desenvolvimento do país.6 milhões R$ 720.9 bilhão R$ 890.0 bilhão R$ 1. seja para o turismo seja para as demais áreas.219.6 bilhão R$ 1.263. Aportes para as cidades Pelo projeto desenvolvido pelo governo federal as 12 cidades-sedes receberão aportes diretos.ser problemas sérios para a nação. este sim um grande desafio nacional.1 bilhão R$ 1.212. Assim. além de ter sua capacidade de endividamento ampliada. pode ser uma conveniente oportunidade.

a maior parte será para áreas que servem de apoio à Copa.93 bilhão R$ 2. como: Parque hoteleiro Reurbanização Segurança Aeroportos R$ 3.3 bilhão R$ 1.7 bilhão Parte dos aportes será destinado a despesas operacionais do evento.52 milhões R$ 204 milhões R$ 184 milhões Entre as garantias energéticas. .847.163.213.50 bilhões R$ 327 milhões R$ 280. O detalhe entre estes investimentos é que apenas as arenas e a infraestrutura tecnológica para o IBC poderão ser incorporados como legado para o país. sendo o principal deles relativo as arenas: Arenas Segurança Garantias energéticas Fan Fests Centro de Imprensa (IBC) R$ 4.624.4 bilhão R$ 1. pesa nesta conta o funcionamento de termoelétricas durante a Copa.697.Desses aportes. mas que são importantes para o Brasil do futuro.

O fato é que as arenas brasileiras praticamente não possuem problema de acessibilidade e. São obras grandes e caras e. de mobilidade. apesar de importantes. A medida seria apenas nas cidades-sedes e para reduzir o trânsito. Mesmo que isso ofereça impacto econômico seria uma alternativa necessária para problemas maiores durante o torneio. especialmente para os moradores dessas cidades. caso necessário. Em alguns casos mais radicais o feriado poderia ser para todas as esferas e em outros somente para escolas e universidades. apesar de possível e muito bem vinda. Neste caso. Claro que alternativas como esta não resolverão o problema do tráfego nas cidades . muitas delas possuem alternativas pontuais. sim. para que tenhamos uma operação adequada e positiva em dias de jogos de Copa do Mundo e viabilizemos uma experiência satisfatória de matchday aos torcedores. demais turistas e moradores. por isso. Aqui entra em cena o trânsito caótico das grandes cidades. com execução duvidosa. Porém.Mobilidade: custos altos x soluções provisórias Existem no projeto do governo e do LOC ações efetivas em diversas áreas para estruturar as cidades-sedes. Podemos citar a mobilidade urbana como emblemática nesta reflexão. além dos órgãos públicos. poderíamos utilizar como estratégia decretar feriado nos dias dos jogos.

mas iniciar este caminho agora nos fará chegar lá o mais cedo quanto possível. Sem querer entrar nesta discussão. ou seja. se o fizermos. poderão oferecer tempo para uma reflexão maior sobre que pontos deverão ser prioritários na busca de alternativas para soluções definitivas e que mereçam a execução de um projeto independente de seu valor. mas. percebo que o tema “aeroporto” deve ser a grande prioridade para os governos. o que quero mostrar aqui é apenas que a Copa não “exige” infraestrutura de primeiro mundo para sua realização. dessa forma. Mais que um legado da competição. Para a Copa dificilmente teremos isso resolvido. Aeroportos: uma área difícil de decolar Numa primeira análise. um peso grande das temidas exigências da FIFA. Elas existem. . tirando. um país com dimensões continentais como o Brasil não pode se furtar de possuir estrutura viária satisfatória para que todas as regiões possam desfrutar das chances de se desenvolver e pessoas e cargas possam fluir por esta importantíssima alternativa. se for necessário. por certo.em definitivo. mas não para colocar nosso plano de desenvolvimento “na parede”. será pela necessidade que teremos para isso e por vontade política própria. sua flexibilidade não nos coloca em posição de obrigação com estes investimentos. Assim.

Brasília. pior. . transportar seleções. algo que. Porto Alegre. a projeção também é de saturação para o ano da Copa. fez um estudo para saber a situação real dos aeroportos brasileiros. acima de sua capacidade: Confins (MG). numa Copa do Mundo. sete já operam hoje no limite ou. Fortaleza. é tarefa obrigatória. O resultado foi um pesadelo para o país. Congonhas e Cumbica (ambos em SP). Cuiabá. Os números deste estudo são realmente assustadores. já que todas as seleções jogam em diferentes sedes durante o torneio. mas nada diferente do que todos que utilizam este sistema de transporte já não saibam ou tenham percebido e sentido “na própria pele”. Para quem vivencia o tumulto atual nestes locais será sofrível imaginar o quanto poderá ser desagradável a experiência de ter que pegar um avião para se locomover dentro do Brasil. a projeção da pesquisa do SNEA é que continuem saturados em 2014.Sabendo do tamanho deste desafio. mesmo com as melhorias já previstas pela Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). Assim. o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA). Para se ter uma idéia do tamanho do problema. Para Salvador. se a projeção se confirmar teremos. estatal que administra os aeroportos. Dos 20 aeroportos pesquisados. que ainda não chegou no limite de sua operação. Para estes. em 2014. 50 milhões de passageiros a mais que em 2009. todos os que servirão como ponto de trânsito para o torneio.

se transformou no cartão de visitas do que é um país em crise de identidade: oitava maior economia do mundo. fez um diagnóstico do terminal e comparou alguns números com outros aeroportos de grandes centros ainda em desenvolvimento. publicada no site da revista em 25 de maio de 2010 trouxe o sugestivo nome de “Guarulhos virou Bagulhos”: Nos horários de pico. o saguão principal parece uma saída de estádio de futebol. com números somente comparáveis a locais sem nenhuma expressão em termos de demanda. o principal aeroporto do país. da Editora Abril. Em 2010 sua capacidade de operação de 17 milhões de passageiros deverá. Não há opções de lazer nem acesso à internet. porta de entrada de dois terços do total de entradas de turistas e executivos estrangeiros no Brasil. em São Paulo. com longas filas se entrecruzando. como nosso caso. segundo expectativas. capital da Malásia. ser superada em muito. além de todos que não pararão suas vidas por este motivo. é um símbolo deste cenário. Guarulhos. A . a internet sem fio é grátis desde 2007. A revista Exame. pode ser considerada a maior interrogação para nosso desafio de sediar o evento. o Brasil tem seu principal aeroporto muito longe de qualquer índice razoável de qualidade em serviços. Nos terminais de Kuala Lumpur. A matéria. chegando a quase 24 milhões. Resultado.jornalistas e torcedores de 32 diferentes países ao mesmo tempo.

Aqui. Há apenas 12 esteiras nos dois terminais. Na Cidade do México. são 37 as esteiras e o espaço é amplo . que operam à velocidade de apenas 600 itens por hora. Ao final. No desembarque.47 bilhões serão investidos nos aeroportos internacionais das cidades-sedes e em Viracopos (Campinas). com pé direito baixo. Nos bastidores.sala de embarque de Guarulhos é acanhada. todas coladas. Pelo levantamento inicial da Infraero. as malas saem diretamente do avião para as esteiras e chegam à área de passageiros a um ritmo de 2 000 itens por hora. as paredes têm 6 metros de altura e o clima é arejado. o ambiente fica sufocante. São 40 minutos de demora em Guarulhos”. enquanto só o terminal 3 do aeroporto de Pequim. Lá. funcionários transferem manualmente as malas do porão dos aviões para um trator levá-las às esteiras. com movimento de 24. Em caso de problemas meteorológicos e voos cancelados. Manejamos 7 200 malas por hora. R$ 4. o sistema de gerenciamento de Guarulhos também é obsoleto. soluções . construído para a Olimpíada de 2008. entrega 19 200 volumes. pegar a mala e sair com tranquilidade. em 4 minutos e meio os usuários do aeroporto chinês estão com as malas nas mãos.7 milhões de passageiros no ano passado. No aeroporto da Cidade do México.é só se aproximar. o primeiro problema enfrentado por quem chega a Guarulhos é a retirada da bagagem. Pelo fato de não termos mais tempo para concluir outras melhorias. A ampliação dos terminais de passageiros é a principal obra dos projetos e deverá ser o legado mais útil neste sentido. deixando pouco espaço para os carrinhos.

Uma entrega destes terrenos para Infraero capitalizaria a empresa e permitiria uma abertura de capital na bolsa. mas até mesmo uma discussão sobre isso é difícil de imaginar. mesmo sabendo do já caótico momento do setor. sem a privatização a saída poderia ser um complexo arranjamento entre a Infraero. Seguindo no assunto. pelo fato de o país não possuir ainda uma política definitiva sobre o modelo de operação doesses terminais. Esta alternativa será tão difícil quanto a privatização. apesar da operação ser encarecida com este novo custo para a empresa. A privatização seria uma saída. o que seria vantajoso. principalmente. consumirão boa parte dos recursos sem deixar legado para os brasileiros. Isso se deve. mas não é dona dos terrenos dos mesmos. mas pode ser considerada para não corrermos o risco de falhar por falta de opções. Para o que já está programado. que é dono dos terrenos e. o que projeta uma impossibilidade de encontrarmos soluções no prazo. e o governo. Sob o risco de viver um apagão aéreo em 2014.provisórias. o cronograma de obras apresenta quase tudo para ser feito em 2012 e 2013. não recebe IPTU por eles. o governo já deve pensar em mais que . como a instalação de módulos operacionais (estruturas-padrão que ampliam provisoriamente a área útil do aeroporto). por isso. uma vez que também envolve discussões em vários níveis. que opera os aeroportos.

além da construção de novas pistas e a criação de saídas rápidas. Esta informação aponta para o número equivalente de leitos em 30% da capacidade do estádio da cidade que sediará o jogo. deixando o cenário bem claro para investidores e operadores de hotéis. entre elas a divisão do país em quatro regiões para evitar grandes deslocamentos. Considerando a oferta atual e futura de leitos prevista em . isso ainda demandará paciência e boa vontade dos que utilizam este sistema até que as saídas definitivas entrem em operação. o que se desenha na mais otimista análise é. então. medida já anunciada pela FIFA como preventiva. mas que não terá qualidade alguma e ainda estará longe dos padrões internacionais. Hotelaria Para evitar subaproveitamento do torneio na hotelaria um levantamento cruzado minucioso sobre a demanda do evento e a demanda futura das cidades-sedes precisa ser bem feito. Assim. algo que vai atender ao momento do torneio. infelizmente.uma ou duas alternativas. isto algo nunca visto no Brasil. Por enquanto já temos um estudo feito pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) que quantificou uma recomendação para a oferta de leitos com base em informações de países que receberam o mundial anteriormente. Depois da Copa. um dos pontos apontados como crítico pelo estudo do SNEA.

respectivamente. o estudo identificou que 10 das 12 cidades estão com números aceitáveis. com isso.projetos já divulgados e numa área de até 150 km de distância das cidades-sede ou mais. com incríveis 3. Nestes casos. uma fraca infra-estrutura em toda a cadeia turística. pois atrás desse baixo número de leitos há uma demanda pequena e. o que já foi planejado pela Secretaria Especial de Portos da Presidência da República.7 milhões e contempla os portos de Manaus. Nas demais cidades. a começar pela qualificação dos recursos humanos. . O volume investido neste setor está orçado em R$ 740. As duas que estão fora dessa zona são Manaus e Cuiabá. pois navios já foram utilizados com sucesso em outros grandes eventos em cidades que podiam contar com este recurso.7 mil e 4 mil leitos em demanda. buscar alternativas para o evento é tão desafiador quanto encontrar a viabilidade futura para os projetos. o que não deixa de ser um risco grande para a imagem imediatista de quem passará alguns dias na cidade. possivelmente. no caso de locais que possuem fácil acesso e boa estrutura turística. somente deverá ser testada no momento do torneio. Realmente será necessário muito esforço para oferecermos soluções adequadas para estas cidades em especial. sempre difícil e que. pode suprir uma demanda pontual por leitos de alto padrão. uma melhoria nos portos.

Neste ponto. tiveram ocupação mais baixa do que em anos sem Copa. todas as cidades que se propuserem a realizar festas e outras ações bem organizadas para fomentar o turismo dos que já estão na . Mucuripe (Ceará). ainda busca saída nas negociações com redes hoteleiras que operam estabelecimentos de alto padrão. cenário já sonhado por muitos para safáris pelas savanas africanas. Santos e Rio de Janeiro. o que afastou os interessados nos pacotes para o destino. Salvador. Belo Horizonte. pois a experiência sul-africana aponta para possibilidades concretas de um cenário diferente das otimistas previsões para o setor.Natal. apesar do registro de entradas no pais ser superior ao ano anterior à competição. os agentes locais se mostraram satisfeitos com a repercussão positiva do evento e a grande divulgação que a África do Sul teve durante a competição em todo o mundo. Apesar disso. Uma observação pessoal quanto ao baixo rendimento do setor turístico sul-africano é que foram realizados poucos eventos ligados diretamente com a Copa. O motivo provável foi o alto preço das passagens aéreas e hotéis do país e um esperado provável congestionamento nos serviços em geral. que não conta com tal opção. ao meu ver. como o Kruger e o Santa Lúcia. Para a hotelaria a cautela será necessária. Até mesmo os famosos parques nacionais. Recife.

mas o cancelamento dentro das regras pode ser uma realidade sombria. em 250 mil. o fato demonstra que provavelmente houve uma distorção nas expectativas pelo evento. assim como na África do Sul. uma das possíveis causas da demanda menor que o esperado. Mais uma vez fica a lição para o mercado brasileiro. muitos hotéis explodiram seus preços. tanto pelo lado financeiro quanto de imagem. assim como foi para o mercado do país sede em 2010.cidade terão retorno imediato sobre isto. o sucesso da mobilização feita na Alemanha em 2006 pelos órgãos reguladores para que a rede praticasse preços justos não foi alcançada pelos africanos. o que dificultou as vendas quando as expectativas reais foram efetivadas. para 375 mil num segundo momento e. Apesar da distância entre os números inicial e final. Quanto ao preço de hospedagem. por fim. Quanto às projeções sul-africanas. . elas decaíram de 450 mil turistas. o que fica como lição para o setor brasileiro. previstas inicialmente para o evento. pois bloqueios de apartamentos feito por operadoras irão ocorrer. ou seja.

Capítulo 4 Perspectivas: a necessidade de se prever o futuro Dificuldades esperadas .

Se isto é uma realidade em empresas globais. mas fica claro que não superestimar nossa capacidade de mesmo com números iniciais problemas podemos gestão e. 8% destes projetos equivocados se explicam por motivos relacionados diretamente a aspectos financeiros. enquanto 92% estão relacionados a aspectos gerenciais. e em qualquer continente. da empresa de consultoria PriceWaterhouse Coopers. Não vale como consolo para futuros.Inicialmente vale registrar que há dificuldade de se realizar qualquer projeto. como planejamento e monitoramento inadequados e falta de gestão organizacional.5% das companhias entregam seus projetos dentro dos prazos. do escopo e com os benefícios esperados para o negócio. pois apenas 2. Ainda segundo este estudo. muitas com projetos de eficiência e produtividade já ativados internamente. seja público ou privado. Os dados apontam para uma grande dificuldade dos chamados Projetos de Capital (CAPEX). do custo. podemos deduzir que o desafio do Brasil e de todos os agentes envolvidos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas podem ser de previsível desvio de rumo de suas metas originais. e finais . Esta afirmação está no estudo Boosting Business Performance through Programme and Project Management. grande ou pequeno. que já apoiou diversos projetos esportivos.

“Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014”. a Copa deverá injetar R$ 112. parte integrante da série de estudos “Brasil Sustentável” e que utilizarei como referência para os dados apresentados a seguir. Projeções econômicas É tempo de festa para os responsáveis por números. o país movimentará R$ 142. maior custo da planilha. Projeta-se que. O que eles dizem sobre nossa economia com a Copa? Os mais otimistas apontam que seremos capazes de multiplicar por cinco o total de aportes aplicados diretamente na concretização do evento.divergentes. No total. em contrapartida aos gastos de R$ 22.wordpress. como a publicada pela consultoria Ernest & Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. O estudo na íntegra pode ser baixado livremente na internet.39 bilhões . Estes números podem ser encontrados em análises de experts.79 bilhões na economia brasileira. incluindo infra-estrutura. devemos fazer uma avaliação sincera e referenciada sobre os parâmetros alcançados por nossa “epopéia” na realização dos mega eventos esportivos que estão por vir.com/.46 bilhões relacionados com a competição. inclusive no blog que criei para este livro: obrasileacopadomundo.

Impacto na economia PIB – Quanto ao impacto no PIB de 2014.48 bilhões de renda para a população. as previsões são otimistas. impactando.9 trilhões. sejam quais forem. os 3. sabemos que sua continuidade dependerá de nossa capacidade em aproveitar os legados do evento.5 bilhões para o período 2010-2014. mas isso representa a menor fatia. Quanto a geração de emprego. em termos salariais. dessa forma. ao mesmo número de ocupações com duração de um ano. em . sabe-se também que boa parte dela será para ocupações temporárias.13 bilhões aos cofres públicos. Esta produção também deverá ocasionar uma arrecadação tributária adicional de R$ 18. Como referência.adicionais no período 2010-2014. no consumo interno.17% do valor estimado do PIB para 2010. gerando 3. uma vez que. Com tudo isso o impacto direto da Copa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é estimado em R$ 64. Visando garantir a manutenção dos impactos positivos. que corresponde a 2.63 milhões de empregos-ano e R$ 63. Vale ressaltar que parte dessa receita não será permanente. de R$ 2. uma vez que ocorrerá no torneio e com ele cessará.63 milhões de empregos-ano estimados para o período pré-Copa correspondem.

é de 0. Outras apresentam índices mais modestos.489.1% de impacto direto (comparando com o PIB de 2010) e Cuiabá.672. mas com números que superam este em várias cidades.724. • 339.estudos globais.3 bilhões em 2010). tal impacto se projeta entre 0.481.7 milhões gerados ao PIB de R$ 35. Porto Alegre (0.3 bilhões em 2010). R$ 439 milhões em R$ 32.504.4%. No Brasil a projeção.7 milhões em R$ 27.4%.8%.1 bilhões em 2010).3 bilhões. representando 7.490.385 bilhões em 2010).7% do PIB em países que sediam grandes eventos. com R$ 758. em especial em Natal.3 .5 milhões em R$ 45. ainda segundo o mesmo estudo da Ernest & Young. • Fortaleza (1.7%. mas mesmo assim acima do teto da expectativa global: • Salvador (1.3 milhões em 2014 que.7%.8%. R$ 717.1 bilhões. com R$ milhões em R$ 44.4%. que em 2010 terá o valor de R$ 32. comparado ao de 2010 que somou R$ 10. com R$ 597. com R$ 664. com R$ 378. • Recife (1.5%. • • Belo Horizonte (1.490.4 milhões em R$ 50.6 milhões em impacto no PIB local.4 bilhões em 2010).3% e 0. Manaus (1. com R$ 625.6 bilhões em 2010). representará 5.

681.9 bilhões em 2010). Nos 24 setores estudados se projetou um total de R$ 57. administração pública e seguridade social.3 milhões em R$ 424.7%.No teto ficou a projeção para uma sede: • Curitiba (0. sendo R$ 41.5% com R$ 606.270. Os que sofrerão impacto direto considerável são (em números aproximados): construção (R$ 8 bilhões) e serviços prestados à empresas (R$ 5 bilhões).169.2 milhões em R$ 50.4 milhões em R$ 185.317 bilhões indireto. e Rio de Janeiro (0. transporte.5% com R$ 987. Comércio. • PIB por setor Além da avaliação geral também estima-se o impacto por cada setor produtivo para o período entre 2010 e 2014. armazenagem e correio. Dentro ficaram: • da zona dos estudos globais Brasília (0.8 bilhões de 2010).806 bilhões em 2010).900 bilhões de impacto direto e R$ 15.9 milhões em R$ 132. serviços de informação.217 bilhões.2% com R$ 723.3 bilhões em 2010). além de hotelaria e alimentação para o turismo (R$ 1 bilhão). • Abaixo da média ficou apenas uma sede: São Paulo (0. com R$ R$ 343. .

60 milhões R$ 528.88 milhões R$ 831. também são áreas que terão impacto direto. alimentos e bebidas.assim como serviços públicos. intermediação financeira e seguros.32 milhões Fonte: E&Y/FGV Setores beneficiados O fato do evento beneficiar diretamente e com privilégio alguns setores e locais não diminui sua importância nem tampouco sua possibilidade de ser de “interesse nacional”.24 milhões R$ 760. sendo este valor assim dividido: Hotelaria Alimentação Compras Transporte Cultura e lazer Comunicações Serviços diretos (saúde. serviços . os gastos dos visitantes serão de R$ 5.52 bilhões R$ 902. Gastos dos visitantes Pelas projeções. apesar de consideráveis. Dessa forma. a Copa afetará mais diretamente a construção civil. educação e serviços de manutenção e reparação. alimentos e bebidas.78 milhões R$ 273.126. Outras áreas sofrerão apenas impactos indiretos.940 bilhões. etc) R$ 2. como os serviços imobiliários.66 milhões R$ 516. agricultura.

prestados às empresas. fortalecendo fornecedores e toda sua cadeia de negócios num nível que se conhece como consumo intermediário. gerará R$ 8.5 bilhões terão como origem o setor público (42%) e R$ 17. A construção civil. Já os de serviços prestados às empresas e serviços imobiliários e de aluguel produzirão R$ 6. . R$ 12. água. maior beneficiada. imputando divisas consideráveis no país. especialmente no setor de hotelaria.18 bilhões. permitindo.6 bilhões. aumentos maiores ainda nos anos subsequentes. serviços públicos (eletricidade. inclusive. Para estas áreas a produção deverá ser aumentada em R$ 50.6 bilhões que correspondem aos gastos estimados relacionados à Copa (incluindo despesas de visitantes). Do total de R$ 29.16 bilhões serão provenientes do setor privado (58%). esgoto e limpeza urbana) e serviços de informação. o caráter sistêmico da economia deve garantir uma extensão dos benefícios para diversos outros setores. Apesar de identificarmos claramente setores privilegiados. Para 2010 a produção total do setor foi estimada em R$ 144. gás.5 bilhões adicionais no período e R$ 4. Para o setor turístico projeta-se um incremento de 79% no fluxo internacional em 2014.4 bilhões respectivamente.14 bilhões a mais no período 20102014.

naturalmente.Outro efeito natural dessa injeção financeira será o de bens e serviços. repartindo benefícios gerais também com cidades que não sediam jogos. por exemplo. há parte importante do legado que pode ser mais facilmente constatada. A dificuldade de provar por “A + B” tudo aquilo que seus estudos mostram é algo normal para qualquer país que sedia grandes eventos e não deve ser motivo de vergonha para nossos estudiosos do tema. e os sistemas de transporte. os números esconderão outra parte importante deste processo. como os novos estádios sedes de jogos. É o que na economia se conhece como efeito-renda ou impacto induzido. Mas. Esta dificuldade ocorre porque os benefícios podem e devem se mostrar em dois diferentes tipos de fatores. uma vez que a renda dos trabalhadores se converte. Neste . que devem sofrer grande transformação. O legado material Será um grande desafio até mesmo para qualquer especialista neste tipo de análise comprovar o verdadeiro impacto da Copa na economia brasileira. caso a meta de horizontalização do evento seja alcançada. tema que ocupa um capítulo específico neste trabalho. no incremento deste setor. Além disso. sendo parte quantitativo e parte qualitativo.

como mostraremos no capítulo 4. E o que foi feito como experimental na África projeta-se que será altamente comercial em 2014. Há pouco tempo os estádios possuíam equipamentos com 800 a 1500 lux. deveremos ter uma infraestrutura completa para este tipo de transmissão e isso poderá ser um grande legado do torneio. a maioria das arenas já passou a adotar equipamentos com 1800 lux. A Copa no Brasil. estes dois fatores respondem pelo maior número de recursos que serão destinados para ao torneio de 2014. Outro ponto de destaque. um desafio atual para os grandes centros. deve apresentar uma grande novidade para o mundo: a transmissão em 3D. Atualmente. Sendo assim. além do sistema conhecido como ride- .200 lux para vertical. o objetivo é promover a mobilidade urbana.caso. Juntos. uma vez que seria razoável pensar que esta tecnologia chegaria atrasada por aqui. mas que pode ser dissociado do projeto da Copa. inclusive. para atender aos padrões de transmissão televisiva. são os sistemas de informação e as tecnologias de comunicação. Para se antecipar ao padrão 3D. e este não há como relevar como impacto direto da competição. que é a unidade para medir a quantidade de luz. Na própria exigência das novas arenas já há especificações neste sentido quanto a iluminação. a FIFA já exige para os modernos estádios serviço com 3500 lux para iluminação horizontal e 4.

Outra área beneficiada é a do transporte. que pesam as transmissões de dados e que serão montados para a Copa com um custo estimado em R$ 184 milhões. com maior número de empregos e mais dinheiro circulando para atrair a formalização do mercado. Na tecnologia da informação os números são bem animadores. com ganhos concretos na área de hoteleira. assim como a empregabilidade de parte dos trabalhadores que receberão treinamento específico para o evento.trough. que garante energia estável até o funcionamento dos geradores. equivalente a 100 milhões de livros. Exemplo destes ganhos adicionais ocorre na previdência social. em caso de queda de energia. desde a de construção civil até a de turismo. Além do impacto direto nestas áreas. Muito disso é gerado nos centros de mídia. ainda segundo dados do estudo “Brasil Sustentável”. se gerou um volume de 15 terabytes de dados. . ao final podem gerar R$ 112.79 bilhões. Este setor. por exemplo. Outra área identificada como beneficiada por uma competição deste porte é o turismo. incluindo aqui todas as áreas. Já no meio de mídia e publicidade. há também impactos indiretos e induzidos que. que ganha com os investimentos em infra-estrutura nas cidades sedes e o processo de reurbanização destas. além da segurança pública. que receberá investimentos de mais de R$ 1 bilhão. normalmente há altos investimentos com o torneio. Na Copa da Alemanha.

podendo transformar profundamente o cluster em termos de estrutura e divulgação. os negócios locais das cidades-sedes também sofrerão. impactos econômicos com a realização do evento. mas que entram na balança como em qualquer outro projeto. no tempo certo. uma luz sobre este assunto que iluminará não somente os próximos quatro anos. mas este desafio precisa ser vencido. pois sempre há estes custos para grandes investimentos. mas também como necessário para que se promova o custeio do que foi investido em infra-estrutura e também na construção dos estádios. uma vez que as análises devem ocorrer tanto por fatores quantitativos como qualitativos. Efeitos negativos A história prova que projetos como este trazem também efeitos ruins garantidos.aliás. Como dito antes. Podemos contar com isso como certo. Por certo teremos uma série de estudos feito por universidades e outras instituições de pesquisa para que possamos ter. esta medição é algo difícil. por certo. Por fim. mas também todas as gerações do Brasil pós-Copa. será fortalecido em quase todas as partes da cadeia. ramificações claramente negativas para a economia. como o aumento de tarifas e do déficit público. .

menor que grande parte de outros países emergentes. o Brasil tem boas “armas” para esta “batalha”. . São elas: Política econômica: estabelecida no governo Fernando Henrique. algo difícil em qualquer parte do mundo. Mercado doméstico: crescente e sustentável por um bom período de alívio monetário. a base da estrutura econômica foi mantida pelo governo Lula.Forças brasileiras Diferente do que muitos podem pensar. Papéis dos setores: o público e o privado aqui já encontram consenso. Diversificação nas exportações: extremamente acertada a visão do governo em reforçar relações comerciais com Ásia e África. em questões complexas como macroeconomia. o Brasil já conta com exportações representando menos de 15% do seu PIB. Isto reflete uma saudável política ativa de comércio internacional. com doutrinas como a meta inflacionária e taxa de câmbio flutuante.

3 bilhões. como os derivativos. alcançando o número expressivo de 45% do PIB nacional. tem oferecido cada vez mais crédito ao setor privado.1 bilhões). Muitas outras vantagens poderiam ser trazidas aqui. não contaminaram os brasileiros. o BNDES.Setor bancário forte: os ativos tóxicos. número inferior ao do ano da crise mundial em 2008 (US$ 45. orquestra a economia e permite menos conservadorismo de instituições importantes como Banco do Brasil e Caixa. Neste ponto projeta-se. Cenário político: mesmo com a eleição presidencial de 2010. bem capitalizado. a estabilidade política nacional é algo percebido em todo mundo. mas crescente (projeta-se US$ 40 bilhões para 2011). Isto indica a boa leitura que os investidores. que exterminaram grandes bancos pelo mundo. Além disso. ou seja. mas estas apontam para pilares sólidos e que certamente farão grande diferença em nossas respostas ao que teremos no futuro. fazem do momento do país. houve uma crença internacional de que mudanças radicais não ocorrerão no Brasil. investimentos externos na ordem de US$ 34. em 2010. inclusive estrangeiros. . Mercado de capitais: fruto da estabilidade da economia.

O modelo I-O/SAM para análise de eventos deste porte sempre comprovou que a resposta na saída (output) é um múltiplo da entrada original. dentre outros. O mesmo resultado foi alcançado utilizando o . Na revisão de literatura que fiz para a concepção deste livro percebi que. A segunda inclui o conhecido modelo input–output (I–O) com uma abordagem conhecida como Social Accounting Matrix (SAM) e o sistema CGE (Computable General Equilibrium). Mas. a equação e a complexidade dos números garantem a dificuldade desta ferramenta de análise. geralmente. Apesar de parecer simples. no centro destes estudos sempre deverá estar uma regra econômica básica: o investimento vem na frente. mas Já havíamos alertado que este será o maior desafio para o Brasil. É este investimento que irá criar a renda que gera a poupança que paga o investimento. ou seja. Para a qualitativa normalmente utiliza-se os métodos DELPHI e Scenario Modelling.Medição necessário do impacto – difícil. Já o método quantitativo se sub-divide em duas abordagens diferentes: estocástica e nãoestocástica. há benefícios comprovados em sediar grandes eventos. o impacto de um grande evento como este deve ter duas abordagens: uma quantitativa e outra qualitativa. Medir o impacto de um grande evento internacional é e sempre foi tarefa difícil e complexa.

até hoje. estimativas definitivas e conclusivas dos impactos potenciais de meta eventos como a Copa do Mundo.6 bi. que registrou o número de 280 mil turistas estrangeiros que produziram um resultado de £ 120 milhões na economia britânica. na Inglaterra.sistema CGE. vale ressaltar que em nenhuma análise econométrica de grandes eventos se encontrou. Já por parte da demanda se observa a capacidade de consumo. além de 336 mil novos empregos. que devem ser considerados na abordagem qualitativa. Apesar de importantes. apesar dos benefícios com as trocas culturais. o volume das importações e os investimentos. que são representações desagregadas da economia e que leva em consideração interações entre demanda e produção do país. Já na Olimpíada de Seul estima-se que houve com o evento um impacto de U$ 1. Por parte da produção observa-se a flexibilidade e os custos para tal. Alguns exemplos de estudos de impacto econômico são a Eurocopa de 1996. Em outra ponta. . o sistema CGE também incorpora tabelas do modelo SAM. Como informação. muitos estudiosos consideram que a Copa de 2002 na mesma Coréia foi insatisfatória. recursos naturais e o desenvolvimento cultural. Os fãs ingleses do futebol adicionaram mais £ 75 milhões neste cálculo.

Quanto aos números. Já o déficit público. como no caso que ocorreu na Alemanha. Assim. um rápido retorno das taxas e impostos governamentais a um patamar menor. somados a uma austeridade nas contas públicas.3% com a Copa de 2006 e conseguiu manter posteriormente este número.15%.O Brasil e o case sul-africano Para nós. Sabendo disso. junto a iniciativa privada. que teve incremento de 0. podem significar. devemos nos debruçar na recente experiência sulafricana. . Este aumento mais a ascensão da base fiscal. se analisarmos os resultados de lá veremos que o PIB do país vem sofrendo um incremento desde 2004 em torno de 0. uma base produtiva que substitua produtos importados por nacionais. esperase ser reduzido com a diminuição das importações. e esta é a base do projeto governamental sul-africano. mais também sua sustentação. segundo informações reveladas por representantes oficiais do governo. as referências serão importantes para que posamos construir projetos e cenários baseados em casos reais. incluindo desde agronegócios até informática. fica claro que o dever de casa do Brasil será conseguir reduzir e manter as contas públicas sob controle além de promover. Mas a África do Sul sabe que este incremento no PIB não foi e nem será a única meta a ser alcançada.

Isso deve ser previsto no caso brasileiro. passaram a ter melhor índice de empregabilidade.Pelos estudos de impacto.96% e o retorno de trabalho em 0. receberam um legado pessoal. é esperado em 0. Na questão emprego. pois as expectativas frustradas sempre incomodam. o retorno de capital do governo sul-africano. mesmo estes que deixaram suas funções. . Na construção.62%. mas apenas 50 mil foram posições fixas. obviamente os postos foram desativados com o fim das grandes obras de infra-estrutura. Assim. outro grande setor de contratação. Para o evento foram gerados 280 mil novos postos de trabalho. mas a lição econômica de que custos altos comprometem a rentabilidade é algo que se mostra útil para o caso brasileiro. o caso sul-africano aponta para dados que precisam ser pensados. principalmente no setor de turismo. no que um porta-voz do Ministério da Indústria e Comércio sul-africano declarou: “eles sempre souberam que seus contratos teriam duração determinada”. os empregos. como referência. foram extintos. Mas. Esta previsão foi mantida mesmo com os custos maiores que o esperado pelo país e ainda precisam ser confirmados. Antes mesmo da Copa terminar na África. naturalmente. que se trata do treinamento recebido para trabalhar em grandes projetos. economia muito menor e com potencial reduzido em comparação ao brasileiro.

afirmou que gostou da experiência. tão amargamente apagado . Os exemplos recentes disso são das doces vitórias que os projetos da Alemanha e África do Sul conquistaram com seus respectivos eventos. mostrou-se ao mundo um país receptivo e aberto. que pretende voltar ao país e que recomendaria a Alemanha para o turismo. Um número quase absoluto deste público. cerca de 90%. haverá uma mensagem sendo passada. Foi o que mostrou a pesquisa feita pelo governo de lá com os visitantes da Copa de 2006. Foi também uma oportunidade para se resgatar o orgulho pelos símbolos nacionais. Até hoje guardo tal sentimento em meu coração. afinal. pois será a resposta do que queremos projetar com a gigantesca exposição que a Copa oferece ao local de sua sede. direta e indiretamente. talvez seja o mais importante para agora. Eu estou entre os que reforçam este quadro de satisfação plena com tudo. pois. diferente do que muitos imaginavam do que era o alemão. No primeiro caso. assim. E isso deve ser feito com muita atenção. com o legado imaterial que o evento irá necessariamente produzir. Tem a ver. como todo processo de comunicação.Legado imaterial: uma grande chance Se no ponto anterior muito se falou sobre números. cabe agora uma reflexão do que está além deles. além de interessante e totalmente preparado para o turismo.

o depoimento de Nelson Mandela ao músico (e ativista) Bono Vox foi uma dica do que se projetou para o torneio.pelo nazismo que chocou o mundo e destruiu a estima daquele povo. o recado foi um desabafo que pretendia mostrar o status atual ainda não reconhecido da África do Sul pelo resto do mundo. além de um belo destino para turistas de qualquer idade. depois da Copa isso não aconteceu mais. a partir dali. Bono avisou que não compareceria ao evento. afinal o ganho de imagem do país foi considerável. estão construindo a cada dia um espaço ideal para se morar e trabalhar. Talvez sejamos incapazes de compreender a profundidade de tal fato. Se o simples levantar de uma bandeira do país era algo subjetivamente aberto a interpretações negativas. rico e feliz. civilizado. mas posso garantir que vi um grande entusiasmo em todas as análises feitas na mídia local durante os meus aproximados 30 dias de experiência vivencial. poderá acontecer. E este orgulho será certamente um passo importante para que aquele povo se reconheça no espelho: trabalhador. No caso africano. Mais que um aviso. mas que. no que foi alertado: “Você está ficando velho e vai perder o grande baile da maioridade africana”. apesar de muitos problemas. A África do Sul com certeza entrou na maioridade e está pronta para os . A Copa mostrou a todos um povo alegre e cidades que. e este benefício ainda será usufruído por um longo tempo.

pelos Jogos Olímpicos pode nos oferecer um ganho substancial neste sentido. Ao seu estilo. que denota improvisação. Lula deixou claro que. mais ligado ao conceito de sabedoria. . mas ao sabor das boas vindas ao evento no dia em que foi apresentada sua logomarca oficial para 2014. em “flexibilidade”. As trocas permitidas pela Copa e. ser mais globais. Sob as lentes da imprensa e da FIFA. logo depois. fazendo com que o brasileiro olhe mais para fora e. estabelecendo mudanças e atualizações em nossos códigos culturais.desafios que o futuro lhe apresenta. informal. Esta é a minha conclusão. O Brasil global Muitos experts ainda apontam a desvantagem cultural do brasileiro de apenas “olhar para dentro”. assim como a África do Sul. transformando o “dar um jeitinho”. O fato é que podemos. e devemos. assim. a declaração não veio em tom de discurso. O Brasil e a brasilidade Palavras do presidente Lula: "Nós queremos fazer da Copa do Mundo um cartãopostal". o Brasil ainda precisa se mostrar.

Daí a correta interpretação de nosso presidente quanto ao potencial intangível deste torneio. profissionais dos EUA. a brasilidade estará em voga. . seu momento e suas perspectivas.A Copa dará ao Brasil os holofotes da imprensa mundial não somente mostrando jogos e seleções. a música deverá ser o tema da alegria que poderá contagiar a todos e mostrar que estamos prontos para os desafios que qualquer povo tem. Porém. com nossa base material (as cidades) servindo apenas como moldura para o imaterial (a brasilidade). O que o mundo espera de nós Buscando rápidas respostas conversei com alguns colegas jornalistas das mais diferentes nacionalidades para saber o que eles esperam do torneio de 2014. Falta de segurança foi o único tema negativo trazido por um deles. um japonês. diferente de uma propaganda oficial. Mostrará também o brasileiro. Ele pode ter razão. mas também sua história. como diria Caetano. Itália. Argentina e Inglaterra. Os demais. Assim. tal intensidade de cobertura acabará por mostrar o Brasil “de verdade”. Signo dessa brasilidade. aeroportos e avenidas serão apenas registros passageiros para o que realmente o mundo pode descobrir aqui: “um povo que canta e é feliz”. Espanha. falará do seu jeito e sua cultura. Enfim. Lula completou seu discurso afirmando que “faremos a melhor Copa de todos os tempos”.

podemos sim fazer uma grande competição. Para quem trabalha com multidões apaixonadas é natural que isso pareça estranho. Sem dúvida. Grandes querem? eventos: por que todos Ao final deste capítulo quero trazer uma questão relevante para a discussão sobre impacto e legado. Pelo visto. Em todo o mundo e em países com todos os graus de desenvolvimento há um consenso sobre a questão “sediar grandes eventos esportivos”. a África do Sul foi um contraponto benéfico para o Brasil. pois todos sentiram que a população local não tinha grande identificação com o esporte.trouxeram apenas expectativas positivas. Por isso. como “grande participação popular”. “muita festa nas ruas” e “um clima maravilhoso de um país que adora futebol”. pelas expectativas colhidas. Não poderia deixar de completar: “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”. Neste último item. o Tio Sam e o resto do mundo estão querendo “conhecer a nossa batucada” em 2014. todos esperam um reencontro caloroso e entusiasmado do futebol com quem gosta dele a fundo. cada evento em cada país tem seu desafio e seu custo. mas é inquestionável a visão geral sobre . Posso dizer que. até porque não há nada para ser construído com relação aos pontos positivos aguardados por estes profissionais habituados com as rotinas de competições.

Outra expectativa é a presença de cerca de um milhão de turistas tão somente por conta do torneio. Adam Giersz. . Ou seria pelo problema? Por certo. que divide a sede com a Ucrânia. projeta-se um impacto de 2. a Polônia. Rússia. Austrália. brigou com candidaturas da Itália. seja como indutor de crescimento por melhorias em infra-estrutura ou qualquer outro motivo.os benefícios disto. a injeção de recursos na economia do país. os gestores públicos mundiais. Quanto aos investimentos em infra-estrutura. assim como usualmente fazem todos os críticos destas ações. Segundo palavras no Ministro dos Esportes polonês. escolhas que a FIFA fará no fim de 2010. Japão. seja como ferramenta de divulgação. Estados Unidos.1% em comparação ao PIB de 2009. por exemplo. Grécia e Turquia. e de diferentes regiões e índices de riqueza. isso como resultado da exposição do país. Estes números podem ser questionados. Itália. além de um acréscimos de 500 mil turistas até 2020. que terá quatro sedes e sediará a abertura da competição em Varsóvia (a final será em Kiev. mas. por exemplo.1 bilhões num período de 8 anos exclusivamente por sediar a competição. Coréia do Sul e Qatar brigam pelo privilégio. será de US$ 9. continuam interessados em “ter este problema”. Para sediar a Eurocopa 2012. CroáciaHungria. Para as Copas de 2018 e 2022. uma das quatro sedes da Ucrânia). Inglaterra. Portugal-Espanha. ao que parece.

sabemos apenas que este direito que todos estão brigando por ele é nosso. diriam os narradores. Por enquanto. mas acredito que ninguém está duvidando do potencial do evento e seus benefícios para o país. . assim como fazem ao narrar um gol. “É do Brasil!”.há de se discutir caso a caso.

Capítulo 5 As novas arenas e as arenas da Copa: exigências e considerações As novas perspectivas arenas: viabilidade e Conforto em jogo de futebol não é uma realidade para o consumidor brasileiro. Isso porque ainda temos no Brasil. por questões .

arenas modernas são feitas para grandes eventos e grandes eventos são feitos por profissionais. encontramos também mais um desafio pela frente: temos um grande negócio que é o futebol. Neste ranking possuem destaque os clubes do Rio de Janeiro. Seguindo esta lógica. Sendo assim. .8 milhões). Segundo dados levantados pela Casual Auditores Independentes.econômicas. Apenas o Atlético Mineiro se insere nesta lista “maldita” entre os líderes cariocas com uma dívida de R$ 293. essa “escalada rumo ao topo” que demandou um upgrade nas chamadas praças esportivas começou e começará sempre pelo mesmo passo: profissionalizar os gestores esportivos.7 milhões). afinal. com o Fluminense na liderança dos devedores (R$ 319.6 milhões). mas sem um modelo de negócio ajustado. desde que o esporte se profissionalizou em alguns cantos do mundo. com forte apelo e grande circulação de dinheiro. o Vasco em quarto (R$ 291 milhões) e o Flamengo em quinto (R$ 277. Isto serve para introduzir o capítulo sobre as novas arenas da Copa porque eles possuem uma relação muito próxima. além dos gestores. o Botafogo em segundo (R$ 301.3 milhões).4 bilhões. apenas a dívida dos 14 clubes brasileiros que mais devem no mercado ultrapassam R$ 2. um conceito de estádio que foi superado há tempos. Parte da confirmação disso está no balanço dos clubes.

principalmente. As universidades estão longe deste processo. mas também dos novos agentes que irão operar estas novas arenas existem e não são difíceis de se criar. oferece um suporte adequado para se desenvolver o negócio futebol . as entidades esportivas não possuem referências para criar demanda e os gestores do futebol possuem demasiados desafios de curto e curtíssimo prazo para terem tempo e energia para pensar no futuro do esporte. Mas o desafio. mas ele é possível mesmo assim. neste caso. Mais que isso. Um dos motivos para isso é que não temos como preparar profissionais com este perfil. As novas arenas da Copa podem ser o ponto de partida para esta escalada. mas poucos gestores profissionais e preparados para a nova configuração dos negócios do esporte. Fazendo uma análise do corpo gerencial das 20 equipes brasileiras na primeira divisão. dentro desta embalagem há um conceito de serviço que satisfaz os mais exigentes clientes e. empresários de sucesso e profissionais liberais disciplinados. Isso porque oferecem ao futebol uma coisa que é fundamental para qualquer produto: uma embalagem altamente atraente. entre outros. é institucional. encontraremos.Saídas para encontrar este novo modelo que vai permitir não somente a sustentação de clubes e agentes esportivos. Estes três níveis isolados e com poucas conexões dificilmente terão articulação para forjar um novo cenário.

entregará o mesmo equipamento pronto para clubes e federações. entre as premissas de qualquer projeto. que devem sempre buscar um modelo de desenvolvimento para este negócio. federações e universidades no projeto de criação dos novos profissionais para o esporte. como a Copa do Mundo exige. é preciso ajustar. antes. Por tudo isso. No entanto. algo que qualquer profissional sabe. além de incentivar novos profissionais para esta atualização sobre o esporte . Essa projeção de futuro sempre foi algo difícil no Brasil.criando uma robusta plataforma de negócios. deve-se envolver clubes. mas que podem ocorrer concomitantemente. seria razoável pensar em projetos que se dividem em duas partes. Isso não será custoso nem difícil. Há pelo mundo exemplos reais de modelos de negócio que surgiram com desafios similares e que podem ser usados como referência para qualquer um que queira pensar em soluções para isto. mas que. o grande desafio para o projeto dessas novas arenas é pensá-las num cenário que ainda não existe. Dessa forma. depois disso. existe a regra básica do marketing de qualquer produto: para se vender. pois pode-se aproveitar o board atual dos que operam o futebol. mas com certeza todos os envolvidos estão desde já concentrando esforços para buscar a equação ideal para iniciar a referida “escalada rumo ao topo”. Primeiramente.

pois os Jogos Olímpicos também deixarão legados semelhantes. será operado pela FGV a partir de 2011. A CBF. Eventos internacionais. por sua vez. mas isto. no esporte sob uma nova plataforma de negócios. que é se transformar em instrumento de dois dos mais importantes elementos na base de uma sociedade desenvolvida: saúde e educação. que é um exercício próprio das academias. no Brasil. onde serão forjados modelos ideais para o desenvolvimento de projetos desse tipo no Brasil. ou seja. entre eles governos. por meio de sua Escola de Administração. pelo menos uma escola de excelência deve ser criada no país e com apoio institucional de todos que fazem o esporte. federações e clubes. confederações. esta nova classe terá a missão de fazer a transformação que o esporte precisa para também poder contribuir com uma de suas maiores aptidões sociais. Pode parecer utopia a socialização dos bens gerados pelo esporte profissional. oferece um curso de gestão que.profissional contemporâneo. também estuda a implantação de cursos junto com algumas universidades. Neste projeto. grandes competições e toda a cadeia produtiva do negócio podem ser explorados nesta “academia”. A FIFA. projeto do qual faço parte. mesmo que dificilmente possamos comprovar. particularmente. ocorrerá de . entre elas a Universidade Federal da Bahia. Além de se pensar neste futuro próximo. Confederações das mais diversas modalidades podem fazer parte desse projeto.

o conhecimento adquirido numa sala de aula poderá e deverá ser testado na prática em eventos ou situações especiais. todos juntos. nosso foco deve se voltar para a criação da mão de obra que irá construir este cenário. apontemos e criemos. equipamentos e. e por isso devemos sempre fazer tudo “ao nosso jeito”. Como incentivo para esta idéia fica a constatação clara de que sabemos que é a procura que cria a demanda. pois. toda uma corrente positiva em prol desta ferramenta. mas devemos saber não somente o que o brasileiro quer. pegar e cheirar” o futuro e. sentir. para que possamos todos “ver. pois o simples incentivo para a prática esportiva e o reconhecimento de atletas e gestores do esporte como elementos de destaque no mercado será gancho suficiente para criar demanda por projetos. seja por não conhecer. assim. mais que isso. O Brasil é um país único.forma natural. Tomando o ponto anterior como consequência natural. é preciso . O segundo ponto destes projetos deve ser o oferecimento de alternativas para a criação de um plano de negócios multinível para o futebol brasileiro. como todos são. o futuro que queremos para nós. Mais que uma teoria. seja por não entender a pergunta. como dissemos antes. mas também o que ele quer mas ainda não sabe disso. mesmo que criadas unicamente neste sentido.

e outro para o momento seguinte. com taxas subsidiadas de administração. obviamente. como a exigência de possuir um board executivo preparado para relações institucionais e. seria revertido especialmente para oferecer aos clubes. ou seja. maiores fornecedores de conteúdo das arenas. será muito pequena frente ao que temos no cenário atual. ao meu ver. com pelo menos dois anos de execução. sendo um para a fase inicial de operação das arenas. com números pré-determinados que. o input deste modelo. que são grandes credores dos clubes. um fôlego financeiro em seus caixas. A dificuldade desta etapa do desafio. o que pode ser garantido até mesmo pelas federações em seus regulamentos de competição como forma de proteção ao negócio. se bem estudados. o projeto poderia se dividir em dois momentos distintos. se realizar a venda. . quanto pelos governos. o custo do que podemos chamar de “inserção”. No primeiro momento. permitirão o equilíbrio de todos os operadores do negócio. somente depois.ajustar para. Fazendo um exercício para exemplificar estes passos. Este input poderia ser oferecido tanto pelas operadoras das arenas. em troca de contrapartidas. a permanência de balanços dentro uma margem aceitável. No nível seguinte os benefícios aos clubes seriam reduzidos e assim continuaria gradativamente ao longo do processo.

deve-se exercitar uma visão sobre um novo cenário. desta forma. a complexidade de trabalhar com recursos públicos pode ser embaraçosa para um apoio ao futebol. mesmo que pareça difícil de se conseguir isso. aqui. desde salários de jogadores até limites de endividamento. caso contrário. o que ainda é uma mentalidade de negócios pouco usual no Brasil. O retorno para as arenas é mais tangível. o ganho se estende além da relação primária. Para os clubes. pois seria impossível executar tais mudanças no atual. os ganhos financeiros poderão ser compensados com aumento proporcional de custos ou comprometimento da sustentabilidade do modelo e.Se o input é algo “fácil” de apontar. mas devem ser pensados para longo prazo. pois. pouco flexível e muito fiscalizado. pode parecer um problema. Mas para que este cenário ocorra. um modelo como esse. mas o aumento das receitas e dos orçamentos globais são garantias de novas perspectivas. sem impacto positivo real. . ou seja. menos pelo potencial que existe no futebol de gerar receita e mais pela dificuldade de se medir o impacto exato dele na economia deste novo cenário. o desafio de medir o output é mais complicado. mas o ganho com um arrocho fiscal no segmento certamente justificaria tal medida ao mesmo tempo que oxigena indiretamente toda a cadeia de fornecimento do esporte. Já para os governos. as regras para os gastos devem ser regulamentadas. Novamente.

Ao fim destas idéias ainda inacabadas e. apesar de ser desafiador em qualquer lugar do mundo. O passeio pelas questões anteriores. dessa forma. Basta escolhermos. Isso porque todo processo de mudança sempre encontra resistência. ocorreu para mostrar que o desafio. fica a dúvida sobre o quanto queremos mudar. farão pressão negativa para as mudanças. Para finalizar. certamente. O modelo de gestão de tais equipamentos está consagrado. ou seja. mesmo que elas privilegiem a maioria. como todo modelo utilizado como exemplo. Assim. por certo. mesmo que seja para melhor. insisto no fato de que não há como fugir desta complexa teia de relações para poder chegar na questão da sustentabilidade econômico-financeira das arenas. vale a reflexão sobre o quanto realmente queremos fazer algo diferente. diria que “não há como fazer uma canja sem matar a galinha”. Para utilizar uma expressão popular. pois caminhos. é garantir que elas terão ativos confiáveis para inserir em suas “long run schedules”. passível de adaptações. ao meu ver. sem dúvida. as . Mexer em estruturas já existentes e fixas é sempre complicado e não há como pensar isso sem afetar certas pessoas e grupos que. e os gestores brasileiros são e serão capazes de executar planos de negócios adequados a cada realidade mesmo sabendo que a rentabilidade está comprometida por conta dos altos custos das arenas. há. mas que podem ser ajustadas posteriormente.

Responsabilidade dos recursos: Governos Federal e Estadual. . E como toda mudança profunda. em Belo Horizonte: Capacidade prevista para 70 mil pessoas. precisamos é ser resistentes. O esporte ensina que se queremos correr uma maratona não devemos querer ser rápidos. Quem pensar diferente deverá sucumbir ao óbvio e poderá levar junto uma chance única de se transformar junto com o futebol brasileiro. Resta percebermos isso. vale a pena cultivar o interesse de todos pelo andamento e execução dos projetos de estádios para a Copa de 2014. ela já começou.1 milhões do Governo Estadual.planilhas que apontarão a viabilidade do negócio e que somente mudam da cor vermelha no longo prazo.1 milhões. Responsável pela execução: Governo estadual. Previsão de entrega: Dezembro de 2012. Os projetos nacionais Apesar deste ponto ser mais direcionado aos responsáveis pela execução das obras das arenas. Estes projetos se resumem no quadro abaixo: Reformados: Mineirão. Forma de financiamento: R$ 300 milhões do BNDES e R$ 126. Custo previsto da obra: R$ 426.

Mané Garrincha. Responsável pela execução: Governo Estadual. Responsabilidade dos recursos: Governos Distrital e Federal. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Responsável pela execução: Governo Municipal e clube. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Custo previsto da obra: R$ 138 milhões.7 mil pessoas. Fortaleza: . Cuiabá: Capacidade prevista para 42. Curitiba: Capacidade prevista para 41. Forma de financiamento: R$ 330 milhões do BNDES e R$ 124. Brasília: Capacidade prevista para 71 mil pessoas. Arena da Baixada.3 do Governo Distrital. Verdão.3 milhões. Forma de financiamento: R$ 25 milhões do BNDES e R$ 113 milhões do Atlético. Custo previsto da obra: R$ 454. Responsabilidade dos recursos: Governos Municipal e Federal e Atlético Paranaense. Castelão.2 milhões. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Custo previsto da obra: R$ 745. Forma de financiamento: R$ 400 milhões do BNDES e R$ 345.2 do Governo Estadual. Responsável pela execução: Governo Distrital.5 mil pessoas. Previsão de entrega: dezembro de 2012.

Custo previsto da obra: R$ 623 milhões.7 mil pessoas. Custo previsto da obra: R$ . Vivaldão. Responsabilidade dos recursos: Sport Club Internacional. Maracanã. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Responsável pela execução: clube. Custo previsto da obra: R$ 130 milhões. Forma de financiamento: R$ 400 milhões do BNDES e R$ 223 milhões do Governo Estadual.5 mil pessoas. Manaus: Capacidade prevista para 48 mil pessoas. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Forma de financiamento: R$ 130 milhões do clube. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Responsável pela execução: Governo Estadual. Responsável pela execução: Governo Estadual. Rio de Janeiro: Capacidade prevista para 76. Previsão de entrega: agosto de 2012.Capacidade prevista para 66. Beira Rio. Forma de financiamento: R$ 375 milhões do BNDES e R$ 140 milhões do Governo Estadual. Porto Alegre: Capacidade prevista para 62 mil pessoas. Responsável pela execução: Governo Estadual. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Custo previsto da obra: R$ 515 milhões.

Forma de financiamento: R$ 250. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Salvador: Capacidade prevista para 55 mil pessoas. Custo previsto da obra: R$ .5 milhões do Governo Estadual. Forma de financiamento: R$ 400 milhões do BNDES e R$ 191. Responsável pela execução: Governo Estadual.7 milhões.5 milhões do BNDES e R$ 99. Custo previsto da obra: R$ 591. Construídos Fonte Nova.7 milhões do Governo Estadual. Recife: Capacidade prevista para 46 mil pessoas.600 milhões. Forma de financiamento: R$ 400 milhões do BNDES e R$ 200 milhões do Governo Estadual. Responsável pela execução: Governo Estadual. Previsão de entrega: dezembro de 2012. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Cidade da Copa. Arena das Dunas. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Responsabilidade dos recursos: Governos Estadual e Federal. Natal: Capacidade prevista para 45 mil pessoas. Custo previsto da obra: R$ 350 milhões. Responsável pela execução: Governo Estadual.

mas ficou abaixo da edição anterior. esta última agravada pelo fato da pouca tradição do futebol na esfera local. Até a finalização deste trabalho ainda não estava definido qual estádio seria projetado para a cidade de São Paulo. independente dos números da capital financeira do país.1 milhões do BNDES e R$ 132. na África do Sul. o do Corinthians. . na Alemanha.380) e Brasília (R$ 10. é o custo por assento.145 por assento. Forma de financiamento: R$ 397. sendo que alguns estádios alcançam números ousados para o país.820 por assento). No primeiro caso.493). apesar da grande tendência de um novo estádio. ser o responsável por isso. chegando a R$ 5. que no caso brasileiro tem apontado para um índice de superação dos mesmos custos para as Copas de 2006 e 2010. o número superou as previsões.529. neste caso. pois já apresenta um perfil claro de ousadia para os gestores destes equipamentos.632 por assento. Recife (R$ 10. o cenário do referencial de custo dessas arenas não deve se alterar. este número apresentou um valor médio de R$ 7.5 milhões. como as arenas de Salvador (R$ 11.4 milhões do Governo Estadual. Previsão de entrega: dezembro de 2012. No Brasil este número já alcançou o valor de R$ 8 mil por assento na média. A referência apontada. Porém. No segundo.

wordpress. Perfil das arenas modernas Apesar da Copa ser um capítulo a parte para as arenas. A FIFA mesmo já havia criado o manual de construção para novas arenas com a divulgação. do relatório “Recomendações e requisitos para estádios de futebol”. em 2004. O documento não é uma obrigação. ou seja.Se pensarmos nas possibilidades de retorno destes equipamentos chegaremos ao cenário da necessidade de adequação de suas projeções `a realidade da demanda do mercado. Assim. Em seu escopo. um dos maiores clusters da economia mundial. receber a Copa deve ser encarado apenas como o primeiro capítulo da história destes investimentos que muito podem contribuir com todos os agentes do segmento. que também pode ser acessado no blog deste livro (obrasileacopadomundo. mas é algo que deveria ser usado como referência para qualquer novo projeto.com). além de uma nova demanda possível de ser criada pelo novo equipamento. há a recomendação de “ser atrativo”. por exemplo. como o título mesmo explica. de . há uma ideia consensual sobre o que se espera destes equipamentos tendo em vista o surgimento de um cenário adequado para a criação e fortalecimento da cadeia de negócios do esporte.

assim. como o brasileiro. como o Brasil. Assim. tenho certeza. esta análise terá viés diferenciado para cada caso. e a África do Sul. esta medida vai. se enquadrar no que o relatório apresenta como “adequado”. outra recomendação do relatório. no caso a Alemanha. toda uma operação deverá ser montada para responder a demanda criada por isso. além da atratividade. país em desenvolvimento. país com um povo fanático por futebol. Quanto a sustentabilidade. Seja por iniciativa dos gestores seja por resposta a crescente demanda dos consumidores. pois sua marca. ainda podemos esperar que o assunto cresça a medida que o tema também evolui nas cabeças de toda a sociedade. acrescentaria forte apelo em sua imagem institucional assim como a do esporte.acordo com uma livre interpretação. Dessa forma. Especificidades para a Copa Antes de tratarmos do assunto aqui no Brasil vamos observar os dois casos mais recentes de sedes do torneio. licenciamento de produtos e equipe para visitas guiadas. como loja. O relatório apresenta também questões relativas ao entorno. . deve-se criar algum símbolo para que ele seja motivo de visitações e turismo. como “proximidade de grandes redes hoteleiras e aeroportos”.

apenas um estádio foi totalmente construído para a competição. a Veltins Arena. Com este modelo realizado. Em outras cidades. foi um grande projeto.Alemanha 2006 Na Alemanha. que. apenas realizando adaptações. Já em Gelsenkirchen. deveria investir em seu entorno. fizeram coro para manutenção do equipamento. Ele apenas foi possível ser levantado após plebiscito feito pela prefeitura. a FIFA solicitou intervenções profundas. mas o comitê local soube negociar e o estádio Olímpico da cidade foi mantido com sua estrutura e design original. A vitória da arena ocorreu por 68% contra 32% que foram contra o investimento. Dortmund foi pressionada por uma nova arena. todas satisfatórias. com arenas eficientes e um modelo de negócio que vai permitindo o crescimento e fortalecimento de seus clubes. além do estádio. . construída em 2001. no caso a arena de Munique. mas não para a Copa. assim como em Hamburgo. Em Berlim. A FIFA cedeu e ele foi apenas adequado para receber os jogos do torneio. apaixonada por futebol e que lotam o Signal Iduna Park nos fins de semana para os jogos do Borussia. a Copa em 2006 foi excelente e o futebol alemão vai muito bem. mas os moradores da cidade. noutro exemplo de adequação e negociação. do Schalke 04. que apenas se beneficiou dele.

fazer muito pelo nosso país. não é algo formalmente aceito pela FIFA. ele foi considerado bem sucedido no cumprimento das rígidas exigências da FIFA quanto aos estádios que sediaram os jogos da Copa de 2010. ao mesmo tempo que não nos garante um contentamento com pouca coisa. Voltando ao caso sul-africano. brasileiros. mas que foi. antes mesmo de querer mostrar algo aos outros. como fruto de uma idéia vitoriosa do comitê organizador local. Assim. uma empresa de engenharia de estruturas. O “On the Ball Consortium” foi formado por dois escritórios de arquitetura. ainda precisamos.A experiência sul-africana: inovação inversa O conceito de inovação inversa. a competição deve sim se adequar a sua sede. pois nós. no caso africano. que foi formar um consórcio de especialistas para avaliar e acompanhar alguns projetos de arenas. por certo. Este resultado foi obtido. Isso nos aponta para uma perspectiva favorável. o Luyanda Mpahlwa Design Space Africa e o Ruben Reddy Architects. principalmente. comprovado como prática de apoio. e . mesmo que não oficial. segundo uma análise apurada de todas as exigências da organização. última moda no mundo dos negócios. a TechnoburoTechnical Services. quase todos com 100% de recursos públicos.

uma gerenciadora especializada em engenharia de custos. em especial na área da . fazer links com as indústrias locais e internacionais para o fornecimento de insumos e acompanhar a execução tanto física quanto financeira das obras. uma vez que não se consegue aplicar valores similares para estas áreas nos demais eventos que a arena sedia. Além destes. principalmente. e Free State. Ellis Park e Soccer City. todos os outros projetos seguiam os pareceres do consórcio. O consórcio atuou diretamente em quatro projetos. a tmtj Consulting Gauteng. inclusive. os sul-africanos não escaparam de um jogo profissional de manipulação de massa de trabalhadores. Esta análise apurada é complexa e importante pois. interpretar a lista de exigências técnicas da FIFA. em Pretória. em Johanesburgo. há especificidades para as fundamentais e estratégicas áreas denominadas VIP e de imprensa. que traziam sempre análises e recomendações. Mesmo com apoio técnico especializado. além das obras gerais para qualquer arena. representam custos exagerados nos planos de negócio das administradoras. boa parte dos custos adicionais dos projetos para uma arena de Copa do Mundo e que. São nestes pontos que residem. selecionar especialistas estrangeiros nas áreas de elétrica e eletrônica. Loftus Versfeld. quase sempre. em Bloemfontein. O objetivo deste grupo foi analisar e.

em Pretória. mas também perceberam pontos negativos nestes quesitos. na Cidade do Cabo. Quanto ao resultado. Já em projetos de destaque. Talvez pelo fato de ser construída em 1906. como o Green Point Stadium.15 bilhão. funcionalidade e comunicação visual. após as notícias ganharem a mídia. O principal fator aqui foi o atraso na obra. que encareceu sua execução em demasia. em especial por conta das greves dos trabalhadores.construção civil. que foi a mais antiga entre as utilizadas pela FIFA. as adaptações. Sem acordos preliminares. os gestores brasileiros devem estar preparados e atentos aos acordos preliminares. pela repercussão técnica expressa em veículos especializados. de preferência um para cada obra isoladamente. Sendo assim. um sentimento de desconfiança da comunidade internacional. se mostraram de difícil execução. pois o projeto que tinha previsão para consumir R$ 307 milhões teve como custo final R$ 1. especialistas enalteceram a maioria dos projetos quanto ao quesito conforto. Neste ponto fica a lição para que seja evitado tal situação no Brasil. para que novas ações como esta não prejudiquem tanto as obras quanto a nossa imagem neste negócio. pois o custo final . em especial na arena Loftus Versfeld. além do aumento dos custos. os sindicatos foram assessorados para forçar mudanças nos contratos de trabalho promovendo greves que paralisaram as obras e deram ao projeto. o problema foi o desvio apresentado pelo controle do custo.

pode comprometer não a Copa, mas o projeto de viabilidade das arenas no futuro, algo que se mostra como o grande desafio de todas as sedes de grandes competições pelo mundo. Afirmo aqui que os atrasos não comprometem a competição porque, se necessário for, mais dinheiro será injetado para que tudo fique pronto em tempo, o que fará que a competição aconteça, mas deixe um “legado maldito” sob o aspecto financeiro. Alguns projetos mostraram fragilidade quanto a temas considerados importantes pela FIFA, como a visibilidade do campo de jogo. O estádio Moses Mabhida, em Durban, um dos mais belos da Copa africana, é um exemplo neste ponto. A primeira linha de assentos, mais próximas ao campo, teoricamente mais valorizada por isto, não permitia que os torcedores enxergassem a linha de fundo por conta da colocação das placas de publicidade. Conheci de perto apenas o Nelson Mandela Stadium, em Port Elizabeth, durante a partida do Brasil contra os Países Baixos pelas quartasde-final da Copa 2010. Além da beleza, a estrutura interna oferece excelente padrão tanto para torcedores como imprensa, segundo pude constatar ao conversar com profissionais da área. Já em termos de construção, sua cobertura metálica e as soluções estruturais mistas, utilizadas também em outras arenas do torneio, servirão, ao certo, como referência para as obras brasileiras.

Brasil 2014 Inicialmente vale o registro, e pelo estudo dos casos recentes na Alemanha e África do Sul, de que as obrigações na verdade são, em sua maior parte, recomendações que a FIFA oferece para as arenas sedes dos jogos. Diferente do que muitos pensam, há, sim, espaço para negociação, pois o documento é subjetivo em muitos pontos. Observando estes casos, acredito que a dificuldade no Brasil da equação financeira entre projeto e viabilidade de arenas parece residir em poucos pilares, mas que deverão ter especial atenção, como o que baseia o standart para cobertura pela imprensa das grandes competições internacionais. Os estúdios de TV, por exemplo, com grande capacidade de operação, são 10 por arena, geralmente destinados a três redes nacionais e sete internacionais, assim como os postos de transmissão, que variam entre 50 e 90, sendo que cada um ocupa o equivalente a seis assentos de torcida ou 2,5 m2 por profissional. Estes ambientes são caros, pois devem ser isolados acusticamente, além de possuir extensão para a área interna, onde são realizadas as coletivas e zonas mistas de atuação dos jornalistas, espaço que, entre o campo e o vestiário é conhecido como Flash Interview positions. Além de tudo isso, um perfeito

sistema de telecomunicações deve estar a serviço dos profissionais, pois, caso contrário, tudo, desde os mínimos detalhes positivos, vem abaixo. Não está no relatório, mas posso garantir, como jornalista que já cobriu Copa do Mundo, que não é recomendável tirar dos veículos de comunicação sua capacidade de comunicar. Algumas outras especificidades do torneio serão onerosas, mas perfeitamente absorvíveis pelos projetos, como um banco de reserva com encosto para 22 jogadores com cobertura específica de material transparente. Os bancos que sobrarem após a competição podem ser reaproveitados facilmente em outro lugar. Os vestiários, com recomendação de possuir 150 m2 e, para arenas multiuso, em número de quatro, todos similares, é outro item que pesa na planilha, mas que também pode ser absorvido financeiramente. Além disso, a arena que sediará a abertura da Copa deve ter pelo menos 60 mil lugares. Esta cidade possui importância estratégica para o evento, pois é a mesma que recebe o Centro Internacional de Imprensa ou IBC, sigla de International Broadcast Center, cérebro da divulgação de todo o torneio e moradia de todos os profissionais que atuarão neste local. Para 2014 a cidade de São Paulo, centro financeiro do Brasil, espera quebrar esta tradição e, assim, ficar com o IBC, além do Congresso da FIFA, mesmo se não realizar a abertura do torneio, já

que não aprontou seu projeto de estádio nos prazos exigidos. Na África do Sul, para se ter uma idéia da importância desta decisão, foram credenciados 13 mil jornalistas para trabalhar no IBC, além de 2 mil dirigentes que participaram do Congresso. Outro ponto das recomendações da FIFA, este com pouca margem de negociação, se refere aos caminhões de transmissão, o TV Compound. Além de estacionamento aberto e interno, para o local da final do torneio este espaço deve ter no mínimo 3 mil m2 e, assim como os demais, possuir segurança e geração de energia própria e independente. Por fim, vale salientar que estes projetos possuem um símbolo visível que são as enormes telas de vídeo presentes em seu interior. Por si só estes equipamentos já comunicam sobre a modernidade destas praças, ao mesmo tempo que pesam no custo individual de cada evento realizado ali. De tão expressivas, já viraram até tema de projeto de arena, como a dos Emirados Árabes, que pretende, para apoiar uma candidatura para sediar uma Copa futura, construir, e já divulgou imagens de seu ousado projeto, uma arena totalmente revestida de telas de plasma. Pela variação de custo, muitas vezes para baixo, não sabemos o que isso pode representar, nem para 2014 nem para depois disso. Assim, o sonho árabe pode ser possível, mas devemos considerar que a realidade em

Assim. incluindo players internacionais. mesmo que muitas já não possuam tempo para se buscar. Além de ser fonte aberta de idéias. por certo. é hora de se abrir a cabeça para as mais diferentes saídas em busca da adequação dos projetos para atender interesses gerais. é um novo mercado para gestores profissionais de arenas. assim como na África. pelo fato de. podem vir de concursos técnicos. a experiência sempre aproxima o projeto da comunidade em que ele está inserido. mas que ainda não tem grande histórico no Brasil. algo comum na Europa e nos Estados Unidos. todos os projetos deverão receber especial atenção não somente da FIFA. mas de toda a sociedade. As soluções. pois o legado . ainda não sabemos qual é. migrarão para contratos de operação. o que se mostra como um grande desafio para qualquer obra deste porte. Assim. Espera-se para esta fase modelos que garantam valores fixos pequenos e prêmios por performance. contratos serão discutidos para a implantação de modelos de gestão o que.nosso futuro e no deles. em breve. por tudo isto. estas novas arenas terem a necessidade de pensar sua operação. pensando que a Copa pode aceitar. além de percentuais para eventos realizados. O que se espera. o que garante o resultado por meio de uma abordagem sistêmica. depois da Copa. Pela sua importância. soluções moduladas a partir da interpretação das recomendações.

apesar de possuir grandes números. é questionável. Para o bem ou para o mal. concordaram em oferecer. O modelo americano para o esporte O maior palco do marketing esportivo no mundo é. com forte controle sobre cada passo de cada um dos seus clubes. por se encontrar mais uma vez na fronteira do negócio. estes novos equipamentos foram surgindo. Iniciado na década de 1970. certamente. os EUA. será uma delas. Assim. todas privadas e. por isso. Assim. num referendo realizado em junho de 2010.da competição poderá ter muitas faces. Inicialmente teremos que registrar o cenário da transformação que ocorreu em termos de arenas esportivas no país. na California. para apoiar o esporte como plataforma de divulgação e negócios para cada cidade que faz parte de uma das principais ligas norte-americanas. sempre com pesados investimentos públicos por trás. subsídio de aproximadamente US$ 200 milhões para a . mas a financeira. como algumas outras áreas. vale aqui uma reflexão sobre este modelo que. contribuintes de Santa Clara.

time que disputa a liga profissional de futebol americano. como os publicados pela Metropolitan Statistical Areas. além de benefícios para alguns negócios mais diretamente envolvidos com o esporte. Census Bureau. Apesar de gerar distorções como contribuintes que nunca foram ao estádio também pagarem pelo mesmo. com isenções para as grandes ligas e subvenções para as arenas. Será necessário também uma refinada análise sobre outros subsídios. segundo avaliação de muitos analistas econômicos. pela grande popularidade que o esporte tem para os americanos. Dessa forma. o custo por contribuinte acaba sendo muito pouco para gerar insatisfação. estas arenas passam a ser consideradas como despesas de consumo. mas percebe que. será muito difícil mexer na estrutura do esporte americano. Os estudos feitos nos EUA.construção do novo estádio do 49ers. não reconhecem um benefício real na economia local com estas novas praças esportivas. o que é. publicação da U. boa parte das arenas são de propriedade pública. muitas erguidas inclusive . a NFL.S. aceitável e encontra boa repercussão na sociedade americana. como o do governo americano. em todas as ligas profissionais. Estudar estes modelos é tarefa obrigatória para os agentes brasileiros que estão envolvidos com as novas arenas. nesta primeira época das novas super arenas. Assim. ao invés de investimento para gerar novas receitas ou trabalhos no mercado local.

Assim.com dinheiro liberado pelos contribuintes em referendos. no caso brasileiro. numa visão mais ampla sobre este “espelho” podemos jogar uma luz dirigida sobre dois fatores que compõe esta experiência americana: primeiramente que o esporte está implantado na cultura americana e. mesmo em Estados que realizaram referendos para saber do contribuinte se o apoio financeiro aos clubes e arenas é de interesse público ou não. Por fim. Por isso. por isso. por exemplo. Parte disso ocorre pelo fato de. mesmo com isenções e baixa carga de juros a sustentabilidade dessas arenas é um desafio. todas as despesas com a operação de jogos pagas pela administração do estádio e mais 40% da receita obtida com os camarotes. Um melhor estudo sobre este modelo seria extremamente útil para o desenvolvimento deste setor no Brasil. se é aceitável por lá a idéia de que uma arena é parte da despesa pública. não todos. o setor privado pouco se interessar pelo negócio. Porém. durante três anos. algo que. muito há para se adaptar. Em Seattle. motivados com os investimentos públicos. o governo atua com extremo interesse para que as ligas e times mantenham-se fortes e num alto nível. mais . Além disso. além da isenção de aluguel. obviamente. os Mariners (beisebol) receberam da nova arena. é também um risco. se obteve aprovação pela maioria. em muitos casos. mas. quando de sua inauguração. os acordos espelham um forte interesse do governo americano em promover o esporte.

até que um investimento. impulsionaram o jogo dos americanos pelo mundo afora. quando novas regras rígidas para jogadores e equipes. por exemplo. poderosa liga de basquete profissional. salvadora. Um segundo ponto é que as novas arenas são necessárias e. além das arenas. . mas passa a valorizar com extrema importância o lado intangível das análises sobre o impacto dessas obras. que acreditaram no esporte como uma excelente ferramenta de negócio. A NBA. fundamentais para se praticar o esporte sob a batuta do profissionalismo. Como agentes catalisadores de uma nova era. estava a caminho da falência na década de 1980. O responsável por isso não foi um mágico nem um cartola qualquer. liderados pelo lendário David Stern. elas ofereceram suporte aos novos negócios e forjaram grupos de executivos capazes de elevar o esporte americano a uma renovação necessária e. Este fato nem diminui a responsabilidade dos gestores destes complexos com os resultados nem transforma este gasto como fundo perdido. em alguns casos. o esporte se transformou num exemplo de globalização quando não se usava este termo com a mesma facilidade de hoje. dívidas cada vez maiores e públicos cada vez menores. não seria absurdo considerarmos isto aqui também. Ajudado pelo fenômeno Michael Jordan. e sim um grupo de executivos hábeis. com descrédito. mais que isso.

Para nós vale a lição. Tal situação. somente na NFL. somadas aos novos profissionais do mercado. Para se ter uma ideia. . facilmente percebida por quem já presenciou algum jogo das grandes ligas americanas. precisamos ainda encontrar uma solução para a viabilidade deste negócio por aqui. respondam a esta questão. pois. isto deve entrar com bastante cuidado nas planilhas dos clubes e administradores de arenas. Se podemos projetar um aumento natural nas receitas de “matchday”. afinal as cotas de TV são expressivas. além do cenário ainda inexistente na atualidade. cada equipe recebe cerca de U$ 100 milhões para a disputa de uma única temporada. As arenas podem ser a chave que. mesmo que sem a importância americana. uma coisa que vale salientar em termos de esportes profissionais nos EUA é a qualidade dos serviços oferecidos nas arenas. O número é mais impressionante do que parece. oferece um resultado simplesmente fantástico aos clubes: até 40% das receitas ocorrem no dia do jogo. o fato de poucas serem das próprias agremiações obriga todos a fazerem com que esta linha seja muito bem dividida e pensada nos planos de negócio para permitir uma justa e sustentável participação dos players deste mercado. liga de futebol americano. especialmente se compararmos ao Brasil. pois mesmo que não estejamos perto de um precipício no futebol (o que muitos acreditam ser verdade e razões há para isso). Por fim.

neste caso. uma maior qualidade do suporte oferecido ao negócio futebol. buscar o futebol como fonte de informação de seus produtos. Uma parte considerável do valor total. incluindo aqui todo seu mercado. sim. pois o velho formato “marca na camisa” não deverá atender estas novas demandas da comunicação que buscam cada . As cotas de patrocínio estão numa escalada ascendente e tudo indica que esta curva permanecerá nesta direção. o futebol brasileiro. Claro que. cada vez mais. maior o retorno e o potencial de negócio.5 bilhões. sem dúvida. será investido em comunicação. o que reforça a idéia de que as marcas deverão. Para isso será preciso inovar. tornam-se parceiros estratégicos para todos os segmentos da economia. desde clubes. pois isso já temos de sobra. quanto melhor as estratégias de marketing dos clubes e das empresas. Os clubes. por consequência. o que. mas. previsto em torno de R$ 6. agentes. fortalece toda a estrutura do segmento. fornecedores e federações. O motivo não será uma maior qualidade dos jogadores. A projeção inicial é um incremento de R$ 142 bilhões nos próximos quatro anos na área de marketing por conta do torneio e o futebol terá privilégios nesta verba.Os impactos no marketing e no futebol brasileiro Um dos maiores beneficiados com a Copa do Mundo e suas arenas será.

Como toda estratégia de marketing profissional. o futebol deverá se apoiar nos planos de marketing das cidades sede e no do Brasil de uma maneira geral.vez mais diferenciação e conceitos de branding com estes investimentos. como apresentado no capítulo sobre o modelo comercial da Copa. que visam forjar a imagem de cada sede e do próprio país tanto no mercado doméstico como no internacional será o grande tema dos próximos quatro anos. além de . um período de pesquisa (o conhecido Sistema de Inteligência em Marketing) deve ser iniciado imediatamente para que se busque as melhores oportunidades de investimento e de posicionamento para os próximos quatro anos. Para isso. Quem tiver sucesso poderá se beneficiar com o aumento da demanda por consumo. Estas campanhas. pouquíssimas marcas poderão aparecer nos jogos e na comunicação oficial. que é não ficar de fora do evento ao mesmo tempo que se respeita os direitos dele. considerando que 2014 será apenas onde estes projetos irão culminar. o que oferece a quase totalidade das empresas um grande desafio. mas o legado dos clubes com a Copa é algo comunicável e altamente rentável já neste momento. Isso porque. além de apresentar projeção também ascendente em termos de curva de valorização. pois certamente o “clima da Copa” deverá ser ponto central nestas estratégias a partir já de 2011.

apesar de ser óbvia a necessidade de se explorar mais a fundo este grande evento de 2016 em outros estudos mais específicos. afinal teremos arenas tão belas quanto e torcedores tão ou mais apaixonados que os alemães. Além dos benefícios obtidos no marketing.600 milhões de Euros somente em 2009. as novas arenas podem ajudar. Dessa forma. e é o que todos esperam. cerca de 22% do total de sua receita neste ano.ocupar um posto destacado na batalha pelo posicionamento. oferecendo ao caixa do clube um valor de 60. foi o legado mais importante do clube: nas três temporadas seguintes ao Mundial o time bávaro vendeu todos os ingressos para seus jogos. vale . para finalizar esta apresentação. o único construído totalmente para Copa de 2006. Fenômeno parecido pode acontecer no Brasil. Vale acreditar nisso. Na Alemanha. Diferenças entre números de Copa e Olimpíadas Este trabalho muito se referiu `a Copa do Mundo. pois a exposição adequada no quadriênio do “clima da Copa” oferecerá grandes vantagens junto aos fanáticos torcedores brasileiros. o novo estádio do Bayern de Munique. mas boa parte dele pode ser utilizada como referência para o projeto olímpico brasileiro. na revolução do futebol.

6 bilhões** 204 11526 32 302 400 6. Tabela comparativa entre as duas competições Olimpíadas 2008 Países Atletas Modalidades Eventos Horas filmadas Tickets vendidos Jornalistas Sedes Cidades Duração Audiência Despesa (R$) Receita/quadriênio (R$) * COI ** FIFA Copa 2006 32 736 1 64 96 3.3 bilhões* .8 milhões 20 mil 31 7 30 26 bilhões 71.3 bilhões 6.9 bilhões 21.2 bilhões 8.aqui fazermos um comparativo sobre estas duas competições em recentes edições para termos uma ideia do tamanho de cada uma.1 milhões 19 mil 12 12 16 4.

Este futuro. Por isso os elos de ligação são tão importantes e a Copa do Mundo de futebol é um dos principais neste sentido. Com essas fronteiras sumindo. um dos grandes educadores de Salvador. mas do estado permanente de reflexão sobre o que somos. deve ser observado pelo prisma não da adivinhação ou da futurologia. Ele sabia que o mundo caminhava e ainda caminha para um período fantástico. pois as fronteiras do pensamento estão se expandindo. Sinto muito por tudo que vem por aí e não deverei ver”. em uma entrevista. se universalizando e se inserindo na base da civilização. para todos nós. . que transformam as realidades e que unem pessoas de todos os lugares. Sua resposta me marcou e me acompanha até hoje: “Tenho mais sentimento pelo futuro. dentre outras. o que temos e o que queremos ser e queremos ter. Tal dualidade comprova que o high touch está cada vez mais próximo do high tech. com uma quebra total de paradigmas tanto na área cultural como na tecnológica. que facilitam a vida.Prorrogação Certa vez. o professor Hélio Rocha. ouviu a seguinte pergunta: “do que o senhor mais tem saudades em sua vida?”. estamos criando um mundo moderno de ideias e invenções.

primeiramente. carregado de expressões materiais e simbólicas.Reunir bilhões de pessoas e transformar a bola no centro das atenções é uma possibilidade que se repete a cada quatro anos e que foi conquistada e construída com muita dedicação e profissionalismo. como muitos até queriam. com melhorias adquiridas não somente pelos resultados finais. ao longo do tempo. que chegou ao Brasil. quando poderemos desfrutar de tudo que este mega evento pode nos oferecer. mas por conta de todo o processo que viveremos. São visões como esta que parecemos estar precisando. construída em 1889 para a Exposição Mundial que seria sediada em Paris naquele ano. e outra a partir disso. foi mantido. o projeto foi erguido e. tanto sobre sua utilidade como sua arquitetura. Os legados. Para isto acontecer devemos. num dos símbolos mais importantes da civilização humana. A Torre Eiffel. quando sediaremos os jogos. . sendo uma até 2014. Este ciclo já começou e se estenderá em duas fases. ao invés de ser temporário. querer que aconteça. A Copa do Mundo FIFA 2014 pode ser a ferramenta para quebrar o marasmo intelectual e de conjectura social que vivemos no Brasil. Este querer vai além do simples “ter vontade” e chega ao nível do sacrifício necessário para qualquer jornada em sua fase inicial. foi alvo de muita controvérsia. É este incrível produto. Como fruto de uma visão futurista. se transformando.

oferecendo a base política para uma plataforma única de saúde e educação para todo o povo. quem sabe até revolucionando a pesquisa e o ensino profissional no país. seja nas universidades seja nas empresas. além de uma nova economia forte e ativa no esporte. com a preparação de novos profissionais e mais capacitados em diversas áreas. irá trazer equipamentos modernos nas áreas de segurança e telecomunicações. serão inegáveis se acertarmos na preparação e execução dos projetos. Já as obras de infra-estrutura. discutir e planejar este futuro. O legado tecnológico. o que servirá para dar suporte ao desenvolvimento de uma cidadania necessária a qualquer processo de desenvolvimento. pois uma nova geração poderá surgir deste processo. . deixarão o país pronto para suportar o crescimento do padrão e da qualidade de vida do brasileiro. outra realidade inquestionável.maior benefício do evento. Esta mão de obra diferenciada pode iniciar um ciclo de produtividade único e uma permanente expansão de nossas capacidades. Resta-nos. Quanto ao legado físico. as arenas e outras instalações esportivas e de lazer poderão transformar nossa sociedade. se bem pensadas. O legado funcional também será expressivo. então.

será o futuro de nossas vidas. irá trazer todas as culturas para dentro da nossa. faremos não somente uma grande Copa. O Brasil pode e merece isto. pois a “carnavalização” das nações poderá nos oferecer um futuro global de mais tolerância. Fim de jogo! . conquistado pela exposição maciça da marca Brasil pelo mundo. menos pela Copa do Mundo e mais pelo momento em que o Brasil atravessa. nos oferecem uma fortuna em oportunidades. mas um grande país. permitindo-nos uma troca imensurável e potencializadora. Mais que o futuro inevitável. A confiança no país é tamanha tanto no exterior quanto aqui dentro e esta auto-estima faz diferença na hora de somarmos as capacidades de todos nós para construirmos o nosso futuro. sensibilidade e paz. de nossas crianças que sempre nos lembram que o ser humano é bom em sua essência e que podemos optar por carregar em nós o melhor que a vida oferece. somados.Por fim. o legado imaterial. o mundo também tem muito o que aprender com o brasileiro. de nossos filhos e netos. aliás. São todos estes fatores que. o que certamente é. Se o Brasil continuar acreditando em si e se conseguirmos nos livrar das amarras dos jogos sociais e políticos. Neste ponto.

um projeto sem fins lucrativos e gratuito para distribuir.com Contatos via e-mail: academiamasdar@aol. além de outras competições internacionais. além de ministrar cursos na área de marketing e gestão esportiva nas universidades Unifacs/Laureate. a Academia Masdar. No esporte. via web. Além deste livro. Azevedo fundou.com Academia Masdar: academiamasdar.com . Sartre/COC e Universidade do Estado da Bahia. conteúdo de aulas para estudantes e profissionais em busca de apoio. Na internet: Blog do livro: obrasileacopadomundo. em 2010.Sobre o autor Ricardo S Azevedo é jornalista e professor universitário de disciplinas nas áreas de comunicação e marketing. Já cobriu Copa do Mundo.wordpress. Jogos Olímpicos e Jogos Panamericanos.wordpress. atua como Diretor de Marketing e Sustentabilidade do Esporte Clube Vitória na gestão 2008-2010. Universidade Federal da Bahia.