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infi – Instituto FEBRABAN de Educação

FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL


SUMÁRIO

Sistema Financeiro Nacional

 Meios de Pagamento ............................................................................ 5


 Organograma do SFN .......................................................................... 6
 Fiscalização e Regulamentação............................................................ 7
 Conselho Monetário Nacional (CMN) ................................................... 7
 Comissão de Valores Mobiliários (CVM) .............................................. 7
 CMN – Composição ............................................................................. 8
 Moeda e Meio Circulante ...................................................................... 9
 Banco Central do Brasil (Bacen ou BCB) ............................................. 10
 Leis do SFN e Mercado de Capitais ..................................................... 12
 Legislação Evolvida .............................................................................. 13
 Mercado de Crédito .............................................................................. 16
 Atuação dos Agentes do SFN .............................................................. 18
 Relacionamento Bancário .................................................................... 20
 Legislação Envolvida ............................................................................ 21

Correspondentes
 Canais de Atendimento Físico .............................................................. 23
 Correspondente .................................................................................... 24
 Transações do Correspondente ........................................................... 25
 Serviços Prestados ............................................................................... 26
 Restrições ............................................................................................. 27
 Desafios ................................................................................................ 28
 Benefícios ............................................................................................. 29
 Resoluções ........................................................................................... 30

Tarifas, Impostos e Serviços de Correspondentes


 Restrições ............................................................................................. 34
 Serviços Disponíveis ............................................................................ 35
 Liquidação Antecipada ......................................................................... 35
 CET - Custo Efetivo Total .................................................................... 36
 IOF - Imposto sobre Operações Financeiras ....................................... 40
 ISS - Imposto sobre Serviços ............................................................... 43
 Legislação Envolvida ............................................................................ 45

Controle e Acompanhamento
 Regulamentação do SFN ..................................................................... 49
 Autorregulação Bancária ...................................................................... 50
 Sigilo das Informações ......................................................................... 53
 Auditoria Interna ................................................................................... 54
 Princípios da Auditoria Interna ............................................................. 55
 Classificação de Riscos da Carteira ..................................................... 56
2
 A Visão do Compliance ........................................................................ 57
 Liquidez e Solidez do SFN ................................................................... 58
 Legislação Envolvida ............................................................................ 60

Controles Internos e Compliance


 Conceito Geral ...................................................................................... 62
 Pontos Primordiais da Resolução 2.554 .............................................. 62
 Poderes do Banco Central ................................................................... 64
 Resolução 2.554 do Bacen .................................................................. 65
 Controles Princípios de Controles Internos do Comitê da Basiléia....... 69
 Apresentação dos Treze Princípios da Basiléia ................................... 71
 Procedimentos de Controle Interno ...................................................... 86
 Segregação de Funções ...................................................................... 87
 Controles e Segurança da Informação ................................................. 88
 Relatórios da Revisão Interna de Operações de Crédito ..................... 89
 Relatórios de Gestão de Riscos ........................................................... 90
 Relatórios de Desempenho Financeiro ................................................ 90
 Sistemas de Informação Gerencial ...................................................... 91
 Limitações do Controle Interno ............................................................. 92
 Identificação de Desfalques por Ausência de Controles ...................... 95

Prevenção à Lavagem de Dinheiro


 Lei 12.683/12 ........................................................................................ 98
 Evolução Histórica de Lavagem de Dinheiro, Governança e Compliance .... 101
 Setores mais Visados
- Instituições Financeiras ...................................................................... 102
- Paraísos fiscais e Centros de Off-shore ............................................. 103
- Bolsas de Valores ............................................................................... 103
- Companhias Seguradoras .................................................................. 104
- Mercado Imobiliário ............................................................................ 105
- Jogos e Sorteios ................................................................................. 105
 Processos de Lavagem de Dinheiro ..................................................... 106
 Obrigações Previstas na lei 12.683/12 ................................................. 108
 O Caso Franklin Jurado (EUA - 1990/1996) ........................................ 124
 Legislação sobre Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro ....... 126

Noções de Matemática Financeira


 Conceitos Fundamentais ...................................................................... 143
 Juros Simples ....................................................................................... 144
 Juros Compostos .................................................................................. 147
 Juros Pré e Pós-fixados ....................................................................... 150
 Juros de Mora ....................................................................................... 150
 Taxas Proporcionais x Taxa Efetiva ..................................................... 151
 Série Uniforme de Pagamentos e de Desembolsos
- SAC .................................................................................................. 154
- Tabela Price ................................................................................... 154

3
 Sistemas de Amortização .................................................................... 155
 Sistema Francês ou Tabela Price ........................................................ 157
 Cálculos com a HP12C ........................................................................ 158

Noções de Crédito
 Intermediação Financeira ..................................................................... 161
 Conceito de Crédito .............................................................................. 162
 Classificação do Crédito ....................................................................... 163
 Modalidades de Crédito ........................................................................ 163
 Crédito Direto ao Consumidor .............................................................. 164
 Crédito Pessoal .................................................................................... 164
 Crédito Consignado .............................................................................. 165
 Análise de Crédito ................................................................................ 165
 Processos e Ferramentas .................................................................... 167
 Parâmetros Básicos para o Crédito ...................................................... 168
 A Análise de Crédito da Pessoa Física ................................................ 170
 Exemplo de Modelo de Credit Scoring ................................................. 174

4
Meios de Pagamento

A estrutura atual do Sistema Financeiro Nacional, quanto às Instituições que o


integram, resultou essencialmente da reforma institucional a partir do biênio
1964-65, quando foram criados o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o
Banco Central do Brasil (BACEN), além de diferentes instituições de
intermediação, entre as quais, as integrantes do Sistema Financeiro de
Habitação. Posteriormente, foi incorporada ao quadro institucional do sistema a
Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

5
Organograma do SFN

O Sistema Financeiro Nacional é constituído por um subsistema normativo e por


outro operativo. O subsistema normativo regula e controla o subsistema
operativo através de normas legais. O subsistema operativo é constituído por
instituições que atuam no mercado financeiro, tendo como atividade principal a
coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de
terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, ou, ainda, a custódia de valor de
propriedade de terceiros.
Podemos dividir as instituições do subsistema operativo em dois grandes
grupos: os intermediários financeiros e as instituições auxiliares. Os
intermediários financeiros distinguem-se das outras instituições, basicamente
porque emitem seus próprios passivos, ou seja, captam poupança diretamente
do público por sua própria iniciativa e responsabilidade e, em seguida, aplicam
esses recursos junto às empresas, por meio de empréstimos e financiamentos,
como, por exemplo, os bancos comerciais e as caixas econômicas.

6
São as instituições que integram o mercado monetário e o mercado de crédito.
Já as instituições auxiliares propõem-se a colocar em contato os poupadores
com os investidores, facilitando os negócios entre eles, como é o caso da bolsa
de valores, das sociedades corretoras e das distribuidoras. São as instituições
que integram os mercados de capital e de câmbio.

Fiscalização e Regulamentação

 CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL (CMN) – É a mais importante


instituição do sistema financeiro do país (criado pela Lei 4.595, de
31.12.1964). Atualmente é composto pelo Ministro da Fazenda, Ministro do
Planejamento e Presidente do Banco Central.

 COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM) - Foi criada como órgão


da administração indireta do país, sob a forma de autarquia, ligada ao
Ministério da Fazenda. Está diretamente vinculada ao poder Executivo, uma
vez que sua administração é exercida por um presidente e quatro diretores
nomeados pelo Presidente da República.

7
Conselho Monetário Nacional

8
Moeda e Meio Circulante

9
 BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN OU BCB) - Integra o Sistema
Financeiro Nacional como executor das políticas traçadas pelo Conselho
Monetário Nacional. Foi criado pela Lei 4.595, de 31.12.1994 e é uma
autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.

 As instituições financeiras somente podem funcionar mediante autorização


prévia do Banco Central ou, caso sejam estrangeiras, por decreto do Poder
Executivo.

10
Banco Central do Brasil

Fiscalização e Controle

11
Os anos de 1964/65 foram os anos das reformas no SFN, com a promulgação
de três leis:

 Lei 4.380/64, que instituiu a correção monetária nos contratos imobiliários de


interesse social e institucionalizou o Sistema Financeiro da Habitação,
criando o Banco Nacional de Habitação;
 Lei 4.595/64, que foi a base de uma verdadeira reforma bancária, criando o
Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional; e
 Lei 4.728/65, que disciplinou o funcionamento do mercado de capitais e
estabeleceu medidas para seu desenvolvimento.

Leis do SFN e Mercado de Capitais

12
Legislação Envolvida

 Os intermediários financeiros bancários são os que operam com ativos


financeiros monetários; os não bancários são os que operam com ativos não
monetários.

 Os ativos financeiros monetários, segundo o conceito convencional de


moeda, são o papel-moeda e os depósitos à vista.

 Os ativos financeiros não monetários são constituídos por diferentes tipos


de títulos, que dão sustentação às operações que se realizam nos mercados
de crédito e de capitais.

 Os bancos comerciais ou outros intermediários que desempenham


funções típicas de bancos comerciais (Caixas Econômicas e Bancos
Múltiplos) são os chamados intermediários financeiros bancários.

 As demais instituições que operam no Sistema Financeiro são, geralmente,


consideradas não bancárias, em virtude do fato de não emitirem ou criarem
ativos incorporados ao conceito de meios de pagamento.

13
Segmentação do SFN

14
Podemos dividir o Sistema Financeiro Nacional nos seguintes mercados
operacionais:

 MERCADO MONETÁRIO - segmento em que se realizam operações de


curto e de curtíssimo prazo. É por meio deste mercado que os agentes
econômicos e os próprios intermediários financeiros suprem suas
necessidades momentâneas de caixa. A liquidez desse segmento de
mercado é regulada via colocação, recompra e resgate de títulos da
dívida pública de curto prazo;

 MERCADO DE CRÉDITO - segmento que atende os agentes


econômicos, quanto às suas necessidades de crédito de curto e médio
prazo. Particularmente, são atendidas solicitações de crédito para
financiamento de aquisição de bens duráveis pelos consumidores e do
capital de giro das empresas. A maior parte do suprimento desse tipo de
crédito é feita por intermediários bancários. Complementarmente, podem
ocorrer suprimentos via intermediários financeiros não bancários;

 MERCADO DE CAPITAIS - segmento que atende os agentes


econômicos produtivos, em suas necessidades de financiamento de
médio e longo prazo, essencialmente, relacionados com investimentos em
capital fixo. A maior parte dos recursos financeiros de longo prazo é
suprida por intermediários financeiros não bancários. As operações das
Bolsas de Valores são parte integrante desse mercado; e

 MERCADO DE CÂMBIO - segmento em que se realizam operações de


compra e venda de moedas estrangeiras conversíveis. Podem ocorrer
operações a prazo, para suprimento de necessidades momentâneas de
moeda estrangeira; por exemplo, para fechamento de câmbio de
importações. Inversamente, podem ser adquiridas divisas por
antecipação, por exemplo, de exportadores que trocam por moeda
corrente do país, as divisas estrangeiras que receberão. As operações
nesse segmento de mercado são feitas sob a intermediação de
instituições financeiras autorizadas, bancárias e não bancárias.

15
Mercado de Crédito

 BANCOS MÚLTIPLOS - Os Bancos Múltiplos foram criados em 1988 para


que uma empresa financeira pudesse atuar em diversas áreas (comercial,
investimento, financeira, câmbio).

 Antes da criação dos Bancos Múltiplos, as empresas financeiras que se


interessassem por atuar em diversos segmentos de mercado tinham de
manter diferentes CNPJs: um para cada área. Isso encarecia em demasia a
operação, pois exigia, por exemplo, contabilidade, auditoria, pessoal e
instalações para cada uma dessas firmas abertas. Para tornar-se um banco
de múltiplas atividades, uma empresa precisa somente integralizar um capital
mínimo (estabelecido pelo Banco Central) para cada atividade que for operar.
A vantagem é o ganho de escala que tais bancos alcançam. Como o próprio
nome diz, tais bancos possuem pelo menos duas das seguintes carteiras
operacionais: Comercial, Investimento, Crédito imobiliário, Aceite,
Desenvolvimento e Leasing.

 BANCOS COMERCIAIS - Os bancos comerciais fazem parte do Sistema


Financeiro Nacional e seguem a orientação de política traçada pelo Conselho
Monetário Nacional e pelo Banco Central, que regulam sua constituição e
funcionamento, e fiscalizam suas atividades, aplicando-lhes as penalidades
cabíveis, no caso de infração aos dispositivos legais vigentes.
16
Além disso, são também controlados pelo Conselho Monetário Nacional quanto
ao limite de taxas de juros, aos descontos, às comissões e qualquer outra forma
de remuneração de operações de serviços bancários ou financeiros. Podem
ainda, descontar títulos, realizar operações de abertura de crédito simples ou em
conta corrente, realizar operações especiais de crédito rural, de câmbio e
comércio internacional, captar depósitos à vista e a prazo fixo, obter recursos
junto às instituições oficiais para repasse aos clientes etc. As atividades que
competem aos bancos comerciais podem ser classificadas em prestação de
serviços bancários e concessão de crédito.

 SOCIEDADES DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS - As


sociedades de crédito, financiamento e investimentos ou, simplesmente,
financeiras, dependem de autorização do Governo para funcionar e estão
sujeitas à fiscalização do Banco Central do Brasil, devendo se constituir sob
a forma de sociedades anônimas.

 BANCOS DE INVESTIMENTO - Os bancos de investimento no Brasil foram


criados para trabalhar com operações em maior escala do que as realizadas
pelas financeiras e com prazo mais longo do que o atendido pelos bancos
comerciais. Suas bases foram estabelecidas na Lei 4.728/65 (Lei do Mercado
de Capitais).

Os bancos de investimento são definidos como instituições financeiras


privadas, especializadas em transações de participação ou de financiamento
em médio e longo prazo. Têm por objetivo suprir capital fixo ou de giro,
mediante aplicação de recursos próprios e de coleta, intermediação e
aplicação de recursos de terceiros.

17
Atuação dos Agentes do SFN

Bancos Comerciais

18
Bancos Múltiplos

Destaques do Segmento

19
Relacionamento Bancário

20
Legislação Envolvida

21
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

CORRESPONDENTES

22
Canais de Atendimento Físico

Os Canais Alternativos de Atendimento são meios onde podemos realizar


nossas operações bancárias com comodidade e segurança, facilitando o dia a
dia. São milhares de caixas eletrônicos, internet banking, telefone e
correspondentes à disposição de pessoas físicas ou empresas.

Alguns estabelecimentos não bancários, chamados de “Correspondentes”, como


casas lotéricas, supermercados e postos dos Correios realizam algumas
operações bancárias. Poderão ser realizados nos “Correspondentes”
pagamentos de contas e tributos, saques de conta corrente e poupança com
cartão magnético, além do recebimento de programas de benefícios sociais,
INSS, seguro desemprego e PIS, e FGTS com o Cartão Cidadão.

A população tem à disposição uma série de canais para realizar suas operações
bancárias, tais como caixas eletrônicos (179 mil em todo o País), Internet
Banking, Mobile Banking, operações por telefone e mais de 165 mil
correspondentes não bancários – tais como casas lotéricas, agências dos
correios, redes de supermercados e estabelecimentos comerciais credenciados.

23
Correspondente

CORRESPONDENTE

 CORRESPONDENTE É O
ESTABELECIMENTO COMERCIAL QUE
PRESTA SERVIÇOS EM NOME DE UMA
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.
 REGULAMENTADO PELA RESOLUÇÃO
3.954/11 DO CMN.

Papel do Correspondente

24
Através dos Correspondentes, é possível pagar contas (energia elétrica, água,
telefone), Boletos de Bancos, Prestação de Habitação, Tributos e Contribuições
(Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) e sindicais).

Também é possível realizar saques e depósitos em contas correntes e


poupanças com o cartão magnético e receber valores referentes a programas
de benefícios sociais como do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
seguro-desemprego e Programa de Integração Social (PIS) e do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) com o Cartão do Cidadão.

Transações do Correspondente

25
Serviços Prestados

Os correspondentes são empresas, integrantes ou não do Sistema Financeiro


Nacional, contratadas por instituições financeiras e demais instituições,
autorizadas pelo Banco Central do Brasil para a prestação de serviços de
atendimento aos clientes e usuários dessas instituições. Entre os
correspondentes mais conhecidos encontram-se as lotéricas e o banco postal.

Dentro do sistema financeiro, o uso da palavra "BANCO" é restrito aos bancos


comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimento e bancos de
desenvolvimento. Para empresas não integrantes do sistema financeiro, não há
restrição legal ou regulamentar ao uso da palavra "BANCO". Contudo, a
instituição contratante deve obter autorização do Banco Central para a
contratação de empresas que utilizarem, em sua denominação social ou no
respectivo nome fantasia, o termo "BANCO" ou outros termos característicos das
denominações das instituições do SFN, bem como suas derivações em língua
estrangeira.

26
Restrições

A responsabilidade pelas operações dos correspondentes é da instituição que


contratou o correspondente. Os correspondentes devem informar ao público os
telefones dos serviços de atendimento e de ouvidoria da instituição financeira
contratante, por meio de painel visível, mantido nos locais onde seja prestado
atendimento aos clientes e usuários, e por outras formas, caso necessário para
esclarecimento do público.

27
Desafios

O acesso aos serviços bancários é mais do que uma simples questão de


negócios. É também uma forma de garantir a cidadania e estimular o
desenvolvimento econômico e social. Desta forma, é importante buscar superar
desafios importantes:

 Custos fixos para abertura e manutenção de agências bancárias e mesmo


caixas eletrônicos;

 Barreiras a entradas significativas (marca, escala, tecnologia e exigências


regulamentares);

 Economias de escala e escopo: concorrência no segmento de varejo por


fatias de mercado (busca de novos canais de venda); e

 Tecnologia que permita conexão imediata em todo o país.

28
Benefícios

29
Os correspondentes, no Brasil, são vistos pelo mundo todo como referência em
inovação; têm grande relevância ao levar o atendimento bancário aos mais
pobres e têm um papel transformador em certas economias, mas toda a
infraestrutura instalada, com custos fixos incorrendo, está sendo subutilizada.

Estabelecimentos como farmácias, mercearias e lotéricas, que têm a atividade


de correspondente como extensão do próprio negócio, distribuem de forma
limitada microcrédito e microsseguros e praticamente não captam poupança. A
grande massa atendida pelos correspondentes tem baixa cultura financeira e
usa o caixa do comércio para receber benefícios de aposentadoria e programas
sociais, eventualmente abrindo contas simplificadas.

Resoluções

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31
32
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

TARIFAS, IMPOSTOS E SERVIÇOS DE


CORRESPONDENTES

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Restrições

O Correspondente permitiu que as instituições financeiras abrissem as portas


para os segmentos mais pobres da população brasileira. A criação de portfólio
específico para segmentos de baixa renda só foi possível com a vantagem da
redução de custos pela alternativa de atendimento fora das instalações de
agências tradicionais.

Além dos varejistas, Casas Lotéricas e Correios adaptaram suas redes e


sistemas tecnológicos para prestação de serviços bancários, com vantagem de
custo e operação em escala. Embora seja a melhor alternativa para a presença
de instituições financeiras em todo o território nacional, os correspondentes
ainda possuem portfólio limitado e não podem substituir as agências bancárias
em todos seus produtos e serviços, mas é evidente que há contribuição para a
inclusão financeira e o desenvolvimento local. Ainda é a forma mais eficaz para
oferta de serviços bancários em regiões pouco desenvolvidas.

34
Serviços Disponíveis

Liquidação Antecipada

35
Clientes que tenham tomado empréstimos de bancos podem solicitar a
liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, com redução proporcional
dos juros. O banco deve conceder desconto pela antecipação do pagamento, de
acordo com o prazo de antecipação das parcelas.

Podem ser liquidadas antecipadamente, com redução proporcional do saldo


devedor, dívidas caracterizadas como operações de crédito ou de arrendamento
mercantil contratadas com bancos, cooperativas de crédito, outras instituições
financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central,
exceto administradoras de consórcios.

CET - Custo Efetivo Total

36
Custo Efetivo Total (CET) corresponde a todos os encargos e despesas
incidentes nas operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro,
contratadas ou ofertadas a pessoas físicas, microempresas ou empresas de
pequeno porte. As instituições financeiras e as sociedades de arrendamento
mercantil devem informar o CET previamente à contratação de operações de
crédito e de arrendamento mercantil financeiro.

O CET deve ser expresso na forma de taxa percentual anual. A planilha de


cálculo do CET deve explicitar, além do valor em reais de cada componente do
fluxo da operação, os respectivos percentuais em relação ao valor total devido.
Exemplo da planilha está disponível na Carta-Circular 3.593, de 2013. O CET
também deve constar dos informes publicitários das instituições quando forem
veiculadas ofertas específicas (com divulgação da taxa de juros cobrada, do
valor das prestações, etc.)

37
O CET deve ser expresso na forma de taxa percentual anual, incluindo todos os
encargos e despesas das operações, isto é, o CET deve englobar não apenas a
taxa de juros, mas também tarifas, tributos, seguros e outras despesas cobradas
do cliente. Por exemplo, suponha um financiamento nas seguintes condições:

 Valor Financiado - R$ 1.000,00  Taxa de juros - 12% ao ano ou 0,95%


ao mês
38
 Prazo da operação - 5 meses  Prestação mensal - R$ 205,73

Além desses dados, considere também a hipótese de pagamento à vista (sem


inclusão no valor financiado), da Tarifa de cadastro para início de
relacionamento (R$ 50,00) e do IOF (R$ 10,00).

De acordo com a fórmula da Resolução CMN 3.517, de 2007, o FCo (valor do


crédito concedido) e o FCj (valores cobrados pela instituição), seriam R$ 940,00
e R$ 205,73, respectivamente.

39
IOF - Imposto Sobre Operações Financeiras

O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF, que incide


sobre operações de crédito, de câmbio e seguro e operações relativas a títulos e
valores mobiliários) é um imposto federal, ou seja, somente a União tem
competência para instituí-lo (Art.153, V, da Constituição Federal). O fato gerador
do IOF ocorre:

 Nas operações relativas a títulos mobiliários quando da emissão,


transmissão, pagamento ou resgate destes títulos;

 Nas operações de câmbio, na efetivação do pagamento ou quando colocado


à disposição do interessado;

 Nas operações de seguro, na efetivação pela emissão de apólice ou


recebimento do prêmio;

 Nas operações de crédito, quando da efetivação de entrega parcial ou total


do valor que constitui o débito, ou quando colocado à disposição do
interessado (neste item inclui-se o IOF cobrado no saque de aplicação
financeira, quando resgatados em menos de 30 dias).

40
Os contribuintes do imposto são as partes envolvidas nas operações.
As alíquotas utilizadas podem ser fixas, variáveis, proporcionais, progressivas ou
regressivas. A base de cálculo depende da operação:

 Nas operações de crédito, é o montante da obrigação.

 Nas operações de seguro, é o montante do prêmio.

 Nas operações de câmbio, é o montante em moeda nacional.


41
 Nas operações de títulos e valores mobiliários, é o preço ou o valor nominal
ou o valor de cotação na Bolsa de Valores.

Outra função do IOF é ser um instrumento de controle da política de crédito,


câmbio, seguro e valores imobiliários. Como exemplo, temos o caso do IOF
sobre rendimentos obtidos em aplicações financeiras: a partir do primeiro dia da
aplicação, a alíquota do IOF vai diminuindo progressivamente, até zerar no 30º
dia. Desta forma, o governo desestimula a especulação financeira entre
aplicações.

42
ISS - Imposto Sobre Serviços

43
O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN ou ISS) é um imposto
municipal, ou seja, somente os municípios têm competência para instituí-lo
(Art.156, III, da Constituição Federal). A única exceção é o Distrito Federal,
unidade da federação que tem as mesmas atribuições dos estados e dos
municípios. O ISSQN tem como fato gerador a prestação de serviço
(por empresa ou profissional autônomo) de serviços descritos na lista de
serviços da Lei Complementar 116, de 31/07/2003.

Como regra geral, o ISSQN é recolhido ao município em que se encontra o


estabelecimento do prestador. O recolhimento somente é feito ao município no
qual o serviço foi prestado, no caso de serviços caracterizados por sua
realização no estabelecimento do cliente (tomador), por exemplo: limpeza de
imóveis, segurança, construção civil, fornecimento de mão de obra.

44
Legislação Envolvida

Os contribuintes do imposto são as empresas ou profissionais autônomos que


prestam o serviço tributável, mas os municípios e o Distrito Federal podem
atribuir às empresas ou indivíduos que tomam os serviços à responsabilidade
pelo recolhimento do imposto.
45
A alíquota utilizada é variável de um município para outro. A União, através da
lei complementar citada, fixou alíquota máxima de 5% (cinco por cento) para
todos os serviços. A alíquota mínima é de 2% (dois por cento), conforme o artigo
88, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição
Federal.

A base de cálculo é o preço do serviço prestado. A função do ISS é


predominantemente fiscal. Mesmo não tendo alíquota uniforme, não podemos
afirmar que se trata de um imposto seletivo.

46
47
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

CONTROLE E ACOMPANHAMENTO

48
Regulamentação do SFN

O risco sistêmico é o risco do colapso do sistema financeiro, ou do colapso de


pelo menos uma parte importante do sistema financeiro, e não apenas de uma
ou duas instituições financeiras, com implicações negativas significativas para a
economia do país.

A globalização aumentou a importância do risco sistêmico porque veio ampliar o


conjunto de fatores que podem dar origem ao risco sistêmico; esse risco passou
a poder resultar não só de problemas internos ao país, mas também de
acontecimentos vindos do exterior, como assistimos nos últimos anos com a
crise imobiliária americana ou a crise da dívida soberana.

49
Ambiente Regulatório

Autorregulação Bancária

Ao longo da história, existem diversos exemplos de crises financeiras sistêmicas


de maior ou menor intensidade.

50
Nos últimos anos, entretanto, o medo de ocorrência destes eventos cresceu
significativamente, em decorrência do avanço tecnológico, da maior integração
dos mercados financeiros e do extraordinário aumento do volume de recursos
movimentados pelo sistema.

Existe, ainda, o temor de que a atual liberdade no fluxo de capitais venha a


tornar as crises sistêmicas mais frequentes, aumentando a velocidade de
propagação e de contágio. Para reduzir o risco de ocorrência destes eventos,
formou-se certo consenso na comunidade financeira internacional sobre as
vantagens da desregulamentação e da necessidade de reforçar a autodisciplina
do mercado, com regras prescritivas e genéricas que incentivem a adoção de
comportamento prudencial pelas instituições. Uma excessiva intervenção e
regulamentação do setor público afetam a eficiência de longo prazo da
economia, gerando o risco de perigo moral.

A efetiva implantação do Sistema de Autorregulação Bancária representa, para a


FEBRABAN, a concretização de um projeto tão antigo quanto relevante.
51
A construção do Sistema começou a ganhar vida, de fato, em 2007, a partir da
definição, pela Diretoria da FEBRABAN, daquele que deveria ser o primeiro foco
temático a ser trabalhado: o relacionamento entre os bancos e seus
consumidores.

Com base nas contribuições recebidas, os textos finais foram aprovados e


sancionados na primeira reunião do Conselho de Autorregulação, realizada na
sede da FEBRABAN, em 2008, determinando-se o início de sua vigência para o
dia 02.01.2009. Desde então, o Sistema vem crescendo e diversificando as
áreas temáticas tratadas em seus Normativos (além do Código, já são 6
Normativos vigentes, todos eles disponíveis, na íntegra, neste portal) e, ao
mesmo tempo, vêm sendo criadas as estruturas operacionais necessárias à
garantia de seu correto funcionamento, no âmbito da Diretoria de Autorregulação
da FEBRABAN.

O Código de Autorregulação Bancária traduz o entendimento de que os bancos


fazem parte do dia a dia das pessoas e que um sistema bancário saudável, ético
e eficiente é essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O
Código se baseia em princípios de ética e legalidade, respeito ao consumidor,
comunicação eficiente e melhoria contínua. Ao envolver os consumidores e a
sociedade, promove um sistema bancário ainda mais saudável, ético, eficiente e
confiável.

52
Sigilo das Informações

Sigilo bancário é uma condição imprescindível, não só para a segurança do


interesse dos clientes do banco como para o próprio êxito da atividade bancária.
Raros seriam, por certo, os clientes de bancos, se não contassem com a reserva
do banqueiro e seus prepostos. Desse modo, o sigilo bancário se caracteriza
como uma obrigação assumida pelo banqueiro de não revelar certos fatos ou
informações de seus clientes de que teve conhecimento por ocasião do exercício
de sua atividade bancária.

Assim, entende-se sigilo bancário como sendo um direito erigido


constitucionalmente, no ordenamento jurídico brasileiro, que visa proteger a
individualidade dos cidadãos no que diz respeito à sua intimidade, uma vez que
protege os dados financeiros das pessoas, bem como as suas relações com a
sociedade, obrigação esta que fica a cargo das instituições financeiras.

53
Auditoria Interna

O mundo dos negócios é dinâmico, as mudanças se processam em todos os


setores sociais e econômicos. A globalização da economia e o surgimento de
mercados comuns fazem com que a Auditoria Interna deixe de ter uma função
com conotação policialesca e repressiva para ter uma função de
assessoramento à Alta Administração e Gestores para o cumprimento da missão
empresarial e, para isso, a Auditoria Interna precisa estar preparada e com
suporte adequado para que possa cumprir sua missão com eficácia e eficiência.
Empregada como ferramenta de Controle e Gestão de Riscos Empresariais, a
Auditoria Interna estará contribuindo com seu trabalho de forma eficaz na
condução dos negócios pelos Gestores.

Neste cenário, a Auditoria Interna desempenha um papel de importância


fundamental para as empresas quando identifica riscos e falhas de controles em
seus trabalhos. Os resultados do trabalho da Auditoria Interna, além de constituir
algo precioso para a tranquilidade dos gestores do alto comando, fornecem
recomendações corretivas e preventivas à exposição da organização, face aos
riscos empresariais que podem ser de natureza sistêmica, operacional,
financeira, de tecnologia da informação, de recursos humanos, mercadológicas e
54
de fatores externos que podem impactar os resultados e estratégias globais da
empresa. Assim, adicionalmente, o trabalho eficaz da Auditoria Interna libera os
gestores para a condução e o gerenciamento dos negócios, permitindo-lhes
exercer com segurança o processo decisório sobre as importantes transações
empresariais.

Princípios da Auditoria Interna

55
Classificação de Riscos da Carteira

56
A Visão do Compliance

57
“Conformidade” ou “Compliance” extrapola a prática de controle de proteção e
guarda dos registros financeiros. Pode parecer estranho, mas são o movimento
e a necessidade do mercado que dizem quando órgãos reguladores ou padrões
devem ser estabelecidos.

As exigências vêm da necessidade de controle destes mercados ou de padrões


estabelecidos para atender a essa necessidade. “Conformidade” oferece uma
visão mais ampla, como o uso e a integração de diversos sistemas de gestão e
monitoramento em uma única metodologia.

Liquidez e Solidez do SFN

58
Impacto no Correspondente

59
Legislação Envolvida

60
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

CONTROLES INTERNOS E
COMPLIANCE

61
Conceito Geral

Atender à Resolução 2.554/98 do Banco Central do Brasil (Bacen) nada mais é


que enquadrar a instituição em todos os regulamentos internos e externos e
formalizar os controles internos de processos, produtos e pessoas.

A Resolução dispõe sobre a implantação e implementação de sistema de


controles internos voltados para as atividades desenvolvidas pelas instituições,
como sistemas de informações financeiras, operacionais e gerenciais, e para o
cumprimento das normas legais e regulamentares a elas aplicáveis.

Para facilitar o entendimento da Resolução 2.554, apresentamos a seguir, de


forma resumida, alguns pontos primordiais que serão abordados na íntegra
nesta obra, afinal, o assunto refere a controles internos.

Pontos Primordiais da Resolução 2.554

• Quanto aos meios de divulgação

As disposições do normativo devem ser acessíveis a todos os


colaboradores da instituição de forma a assegurar que sejam conhecidas a
respectiva função no processo e as responsabilidades atribuídas aos
diversos níveis da organização. Os Controles Internos devem prever:

- definição de processos;

- definição de responsabilidades;

- segregação das atividades;

- meios de identificar e avaliar fatores internos e externos que possam


afetar adversamente.

62
Os meios de divulgação estão focados na existência de canais de comunicação
que assegurem aos colaboradores, segundo o correspondente nível de atuação,
o acesso a confiáveis, tempestivas e compreensíveis informações, consideradas
relevantes para suas tarefas e responsabilidades.

É importante estabelecer procedimentos para o acompanhamento sistemático


das atividades desenvolvidas, os testes periódicos de segurança para os
sistemas de informações; a atenção ao meio eletrônico, os limites estabelecidos
e verificar se as leis e regulamentos aplicáveis estão sendo cumpridos,
assegurando que quaisquer desvios possam ser prontamente corrigidos.

A atualização deve ser contínua e convém avaliar os diversos riscos associados


às atividades da instituição. Os controles internos devem ser periodicamente
revisados e atualizados.

• Quanto à formalização

O acompanhamento sistemático das atividades relacionadas com o sistema


de controles internos deve ser objeto de relatórios, no mínimo semestrais,
contendo:

- as conclusões dos exames efetuados;

- as recomendações a respeito de eventuais deficiências, com o


estabelecimento de seu cronograma de saneamento, quando for o caso;

- a manifestação dos responsáveis pelas correspondentes áreas.


63
• Quanto ao procedimento

As conclusões, recomendações e manifestações referidas devem ser


submetidas ao conselho de administração ou, na falta deste, à alta
administração ou à auditoria externa da instituição. Esses documentos
devem permanecer à disposição do Banco Central do Brasil, pelo prazo
de cinco anos.

• Quanto à cultura organizacional

Além das responsabilidades enumeradas, incumbe-se à alta


administração da instituição a promoção de elevados padrões éticos e de
integridade da cultura organizacional, que demonstre e enfatize a todos
os colaboradores a importância dos controles internos e o papel de cada
um no processo.

Poderes do Banco Central

• Determinar a adoção de controles adicionais.

• Imputar limites operacionais mais restritivos.

• Baixar normas.

• Adotar medidas julgadas necessárias à execução do disposto na


Resolução 2.554.

64
Apresentamos a seguir a Resolução 2.554/98, na íntegra, conforme publicado
pelo Bacen.

Resolução 2.554 do Bacen

Dispõe sobre a implantação e implementação de sistema de controles internos.

O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do art. 9o da Lei 4.595, de 31.12.64, torna


público que o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, em sessão realizada em
24.09.98, tendo em vista o disposto no art. 4 o, inciso VIII, da referida Lei, nos
arts. 9o e 10 da Lei 4.728, de 14.07.65, e na Lei 6.099, de 12.09.74, com as
alterações introduzidas pela Lei 7.132, de 26.10.83, RESOLVEU:

Art. 1o Determinar as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a


funcionar pelo Banco Central do Brasil a implantação e a implementação de
controles internos voltados para as atividades por elas desenvolvidas, seus
sistemas de informações financeiras, operacionais e gerenciais e o cumprimento
das normas legais e regulamentares a elas aplicáveis.

Parágrafo 1o Os controles internos, independentemente do porte da instituição,


devem ser efetivos e consistentes com a natureza, complexidade e risco das
operações por ela realizadas.

Parágrafo 2o São de responsabilidade da Alta Administração da instituição:

I. a implantação e a implementação de uma estrutura de controles internos


efetiva mediante a definição de atividades de controle para todos os níveis de
negócios da instituição;

II. o estabelecimento dos objetivos e procedimentos pertinentes aos mesmos;

III. a verificação sistemática da adoção e do cumprimento dos procedimentos


definidos em função do disposto no inciso II.

65
Art. 2o Os controles internos, cujas disposições devem ser acessíveis a todos os
colaboradores da instituição de forma a assegurar sejam conhecidas a
respectiva função no processo e as responsabilidades atribuídas aos diversos
níveis da organização, devem prever:

I. a definição de responsabilidades dentro da instituição;

II. a segregação das atividades atribuídas aos integrantes da instituição de forma


a que seja evitado o conflito de interesses, bem como meios de minimizar e
monitorar adequadamente áreas identificadas como de potencial conflito da
espécie;

III. meios de identificar e avaliar fatores internos e externos que possam afetar
adversamente a realização dos objetivos da instituição;

IV. a existência de canais de comunicação que assegurem aos colaboradores,


segundo o correspondente nível de atuação, o acesso a confiáveis, tempestivas
e compreensíveis informações consideradas relevantes para suas tarefas e
responsabilidades;

V. a contínua avaliação dos diversos riscos associados às atividades da


instituição;

VI. o acompanhamento sistemático das atividades desenvolvidas, de forma a


que se possa avaliar se os objetivos da instituição estão sendo alcançados, se
os limites estabelecidos e as leis e regulamentos aplicáveis estão sendo
cumpridos, bem como a assegurar que quaisquer desvios possam ser
prontamente corrigidos;

VII. a existência de testes periódicos de segurança para os sistemas de


informações, em especial para os mantidos em meio eletrônico.

Parágrafo 1o Os controles internos devem ser periodicamente revisados e


atualizados, de forma a que sejam a eles incorporadas medidas relacionadas a
riscos novos ou anteriormente não abordadas.
66
Parágrafo 2o A atividade de auditoria interna deve fazer parte do sistema de
controles internos.

Parágrafo 3o A atividade de que trata o parágrafo 2, quando não executada por


unidade especifica da própria instituição ou de instituição integrante do mesmo
conglomerado financeiro, poderá ser exercida:

I. por auditor independente devidamente registrado na Comissão de Valores


Mobiliários – CVM, desde que não aquele responsável pela auditoria das
demonstrações financeiras;

II. pela auditoria da entidade ou associação de classe ou de órgão central a


que é filiada a instituição;

III. por auditoria de entidade ou associação de classe de outras instituições


autorizadas a funcionar pelo Banco Central, mediante convênio, previamente
aprovado por este, firmado entre a entidade a que está filiada a instituição e a
entidade prestadora do serviço.

Parágrafo 4º No caso de a atividade de auditoria interna ser exercida por


unidade própria, deverá essa estar diretamente subordinada ao conselho de
administração ou, na falta deste, a Alta Administração da instituição.

Parágrafo 5º No caso de a atividade de auditoria interna ser exercida segundo


uma das faculdades estabelecidas no parágrafo 3º, deverá o responsável por
sua execução reportar-se diretamente ao conselho de administração ou, na falta
deste, à Alta Administração da instituição.

Parágrafo 6º As faculdades estabelecidas no parágrafo 3º, incisos II e III,


somente poderão ser exercidas por cooperativas de crédito e por sociedades
corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades corretoras de câmbio e
sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários não integrantes de
conglomerados financeiros.

67
Art. 3o O acompanhamento sistemático das atividades relacionadas com o
sistema de controles internos deve ser objeto de relatórios, no mínimo
semestrais, contendo:

I. as conclusões dos exames efetuados;

II. as recomendações a respeito de eventuais deficiências, com o


estabelecimento de cronograma de saneamento das mesmas, quando for o
caso;

III. a manifestação dos responsáveis pelas correspondentes áreas a respeito das


deficiências encontradas em verificações anteriores e das medidas efetivamente
adotadas para saná-las.

Parágrafo único. As conclusões, recomendações e manifestação referidas nos


incisos I, II e III deste artigo:

I. devem ser submetidas ao conselho de administração ou, na falta desse, à Alta


Administração, bem como à auditoria externa da instituição;

II. devem permanecer à disposição do Banco Central do Brasil pelo prazo de 5


(cinco) anos.

Art. 4o Incumbe à Alta Administração da instituição, além das responsabilidades


enumeradas no art. 1º, parágrafo 2º, a promoção de elevados padrões éticos e
de integridade e de uma cultura organizacional que demonstre e enfatize, a
todos os colaboradores, a importância dos controles internos e o papel de cada
um no processo.

Art. 5o O sistema de controles internos deverá estar implementado até 31.12.99,


com a observância do seguinte cronograma:

I. definição das estruturas internas que tornarão efetivos a implantação e o


acompanhamento correspondentes - até 31.01.99;
II. definição e disponibilização dos procedimentos pertinentes – até 30.06.99.

68
Parágrafo único. A auditoria externa da instituição deve fazer menção
específica, em seus pareceres, à observância do cronograma estabelecido neste
artigo.

Art. 6o Fica o Banco Central do Brasil autorizado a:

I. determinar a adoção de controles adicionais nos casos em que é constatada


inadequação dos controles implementados pela instituição;
II. imputar limites operacionais mais restritivos à instituição que deixe de
observar determinação nos termos do inciso I, no prazo para tanto estabelecido;
III. baixar as normas e adotar as medidas julgadas necessárias à execução do
disposto nesta Resolução, incluindo a alteração do cronograma referido no art.
5º .

Art. 7o Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de setembro de 1998.


Gustavo H. B. Franco - Presidente

Princípios de Controles Internos do Comitê da Basiléia

Supervisão pela Administração

As causas dos grandes prejuízos recentes em instituições financeiras e em


outras organizações relacionam-se aos elementos de controle e ao seu
funcionamento efetivo. Portanto, os controles internos são essenciais para que
as organizações ou instituições atinjam os objetivos de desempenho, informação
e conformidade.

Com as atenções voltadas à estruturação dos Controles Internos, o Comitê da


Basiléia apresentou os princípios dos Sistemas de Controles Internos e os
entendimentos de sua aplicação para possibilitar sua absorção pelos gestores.

69
Aproveitamos a oportunidade para relacionar esses princípios aos elementos do
processo de controles internos mencionados na Resolução n. 2.554/98 e expor
como algumas informações adicionais se inter-relacionam, conforme os oito
elementos a seguir:

1. Supervisão pela administração


2. Cultura de controle
3. Identificação e avaliação de riscos
4. Procedimentos de controle e segregação de funções
5. Informação e comunicação
6. Monitoramento
7. Auditoria interna
8. Avaliação do sistema de Controles Internos pelas autoridades

Um fator que levou várias instituições a ter prejuízos, segundo os estudos do


Comitê da Basiléia, foi a falha da administração ao assegurar que a estrutura
organizacional e as linhas de subordinação estavam bem definidas. Como
exemplo, a alta administração deixou de exigir supervisão adequada e em tempo
hábil das pessoas que tinham alçada para decisões, assim como a elaboração
dos relatórios sobre a condução das atividades de seus negócios.

Algumas instituições com problema de controles tinham estruturas


organizacionais em que as linhas de subordinação não eram claramente
definidas. Resultado disso é que havia setores que não se reportavam
diretamente à alta administração.

Isso significa que nenhum gestor de primeiro escalão monitorava o desempenho


daquelas atividades bem de perto, o suficiente para notar as atividades,
financeiras ou outras, incomuns. Além disso, ninguém da alta administração
tinha conhecimento abrangente das atividades e de como os lucros eram
gerados.

70
Se a administração conhecesse as atividades daquela área, poderia ter
reconhecido indícios de necessidade de maior atenção, investigado as
operações e tomado providências para reduzir as perdas prováveis.

Além disso, esses problemas poderiam ter sido evitados se os gestores de


negócio tivessem efetuado revisões das operações, atentado para relatórios de
informação gerencial e mantido discussões com o pessoal adequado sobre a
natureza das operações realizadas.

Comportamentos como esses dão aos gestores de negócio uma visão objetiva
de como as decisões estão sendo tomadas e asseguram que as pessoas-chave
estejam operando dentro dos parâmetros estabelecidos pela organização e
dentro das políticas de controle interno.

Apresentação dos Treze Princípios da Basiléia

Dois princípios tratam do comportamento dos gestores e se enquadram no


primeiro elemento do processo de controles internos – supervisão pela
administração – o primeiro deles aborda as funções da alta administração no
processo:

Responsabilidades da Alta Administração

Princípio 1
A Alta Administração deve:

• ter a responsabilidade pela aprovação e revisão periódica das estratégias


globais de negócios e das políticas relevantes para o banco;

• compreender os principais riscos incorridos pelo banco;

• determinar os níveis aceitáveis para esses riscos;

• assegurar que o nível gerencial superior tome as medidas necessárias para


identificar, medir, monitorar e controlar esses riscos;

71
• aprovar a estrutura organizacional;

• assegurar que o nível gerencial superior esteja monitorando a efetividade dos


sistemas de controles internos e que um sistema de controles internos
adequados e efetivos seja estabelecido e mantido.

Consta no Art. 1o, § 2o da Resolução 2.554 a seguinte informação:

São de responsabilidade da Alta Administração da instituição:

I. a implantação e a implementação de uma estrutura de controles internos


efetiva, mediante a definição de atividades de controle para todos os níveis de
negócios da instituição;

II. o estabelecimento dos objetivos e procedimentos pertinentes aos mesmos;

III. a verificação sistemática da adoção e do cumprimento dos procedimentos


definidos em função do disposto no inciso II.

A Alta Administração deve fornecer as diretrizes e orientações à gerência de


nível superior e supervisioná-las. Uma alta administração forte e ativa constitui
um mecanismo importante para assegurar a correção de problemas, que podem
diminuir a eficácia dos sistemas de controles internos. Ela deve incluir em suas
atividades:

• discussões periódicas com a gerência sobre a eficiência do sistema de


controles internos;

• avaliações dos controles internos feitas pelas gerências, auditores internos e


auditores externos;

• esforços periódicos para assegurar que a gerência tenha acompanhado com


prontidão recomendações e preocupações manifestadas por auditores e
autoridades supervisoras com relação a deficiências de controles internos;

72
• revisão periódica da adequação da estratégia e dos limites de risco da
instituição;

Para melhor esclarecimento das atribuições da alta administração, mencionamos


a seguir uma relação de procedimentos para auxiliar nas diretrizes:

• estabelecer as políticas globais da organização e as de cada área em


particular;

• aprovar os procedimentos, incluindo os de controle, estabelecidos pela


gerência de nível superior;

• dar exemplos de assuntos que devem compor as políticas a serem adotadas


(todos relativos à área de crédito; as outras áreas devem seguir o mesmo
padrão);

• expor as diretrizes gerais para o volume total de empréstimos em relação aos


ativos e ao capital da instituição;

• definir os limites para a exposição total a riscos com diferentes tipos de


atividades ou tomadores;

• criar um processo de aprovação de crédito, incluindo os casos que constituam


exceções, e critérios para a concessão de empréstimos, exigência de garantias,
padrões de documentação e condições de pagamento (podemos chamar esta
atividade de Comitê de crédito);

• atribuir autoridade, responsabilidades, alçadas e limites de aprovação de


operação a cada administrador da área;

• estabelecer limites por segmento (geográficos, legais e de exposição por país);

• elaborar tipos de empréstimo e linhas gerais a serem seguidas ao contratar


empréstimos;

• determinar condições de pagamento e vencimentos máximos;


73
• definir cotação de preços para os empréstimos;

• atribuir razão máxima entre o valor do empréstimo e o valor da garantia;

• divulgar informações financeiras a serem exigidas;

• ter limitação de agregado de empréstimo “em ser”;

• estabelecer concentração de crédito;

• definir características da política de crédito, que devem ser amplas e não


excessivamente restritivas;

• promover uma filosofia consistente de negócios, independentemente de


eventuais mudanças na gerência;

• elaborar uma política de crédito clara, minimizando confusões geradas por


interpretações das regras estabelecidas;

• considerar o plano operacional da instituição e os recursos financeiros e


humanos disponíveis;

• identificar tipos de operações aceitáveis e inaceitáveis.

Princípio 2
O nível gerencial superior deve ter responsabilidade:

• pela implementação das estratégias e políticas aprovadas pela alta


administração;

• pelo desenvolvimento de processos que identifiquem, meçam, monitorem e


controlem os riscos incorridos pelo banco;

• pela manutenção de uma estrutura organizacional que defina claramente


responsabilidades, autoridade e relações de subordinação;

• pela fixação das medidas apropriadas para os controles internos;


74
• pelo monitoramento da adequação e da efetividade do sistema de controles
internos.

Consta no Art. 2o da Resolução 2.554 a seguinte definição:

Art. 2o Os controles Internos ....... devem prever:

I. a definição de responsabilidades dentro da instituição.

Os membros da alta gerência delegam responsabilidade pelo estabelecimento


de políticas e procedimentos mais específicos para controles internos aos
responsáveis de cada área ou unidade.

A delegação é uma parte essencial do gerenciamento, mas é importante que os


gestores sejam supervisionados pela gerência superior, para assegurar que eles
desenvolvam e façam funcionar as políticas e os procedimentos implantados
pela organização.

Para que um sistema de controles internos seja efetivamente cumprido, depende


muito de uma estrutura organizacional bem documentada e principalmente
divulgada, que demonstre claramente a subordinação hierárquica e os níveis de
autoridade e que assegure comunicação efetiva dentro da organização.

As obrigações e responsabilidades, quando bem atribuídas, devem garantir que


não existam lacunas entre as linhas de subordinação e que sejam implantados
níveis efetivos de controle gerencial com extensão para todos os níveis da
instituição e suas várias atividades.

A gerência superior deve adotar medidas que assegurem que as atividades


sejam conduzidas por pessoal qualificado, com a experiência necessária e
capacitação técnica.

75
Cultura de controle

Princípio 3
O conselho de diretores e a administração sênior são responsáveis:

• pela promoção de elevados padrões éticos e de integridade;

• pelo estabelecimento de uma cultura dentro da organização que enfatize e


demonstre a todos os níveis do pessoal a importância dos controles internos.

Todos os colaboradores de uma organização bancária necessitam compreender


seu papel no processo de controles internos e estar completamente engajados
no processo.

Consta no Art. 4o da Resolução 2.554 o seguinte:

Incumbe à Alta Administração da instituição, além das responsabilidades


enumeradas no artigo 1o, § 2o, a promoção de elevados padrões éticos e de
integridade e de uma cultura organizacional que demonstre e enfatize a todos os
colaboradores a importância dos controles internos e o papel de cada um no
processo.

A estrutura de controle tem em seu contexto o ambiente de controle, que é o


efeito coletivo de vários fatores sobre o estabelecimento, o aperfeiçoamento ou a
diminuição da eficácia de políticas e procedimentos específicos.

Entre esses fatores, estão a supervisão pela administração (ver os princípios 1 e


2) e a cultura de controle. Cultura esta composta de alguns fatores que exercem
influência sobre o ambiente de controle, como:

• a filosofia e o estilo operacional da gerência;

• a estrutura organizacional;

• o funcionamento dos comitês;

76
• métodos de delegação de autoridade e responsabilidade;

• métodos de controle da gerência para monitorar e acompanhar o desempenho.

A cultura de controle depende e muito do engajamento de todos os


administradores e colaboradores no processo. Para que esse efeito apareça, é
necessário que a alta administração em todas as suas estâncias demonstre, por
meio de seus exemplos, as atitudes que servirão para todos os colaboradores da
organização, pois, ao menor deslize no exercício do sistema de controles
internos, todos se acharão no direito de efetuar desvios nos processos.

É verdade que em graus variados, o controle interno é responsabilidade de cada


um na organização. Para que o sistema de controles internos seja eficaz, é
essencial que todos os empregados reconheçam a importância de exercer suas
atribuições com eficiência e informem à administração quaisquer problemas que
tenham conhecimento, casos de descumprimento de normas internas ou
externas etc.

Os controles internos também podem incentivar ou provocar tentações para a


prática de atividades inadequadas, por exemplo, ao darmos ênfase excessiva a
metas de desempenho ou de resultados, a esquemas de premiação que
dependam excessivamente do desempenho no curto prazo e à segregação de
funções ineficientes.

Identificação e Avaliação de Riscos

Princípio 4
Um sistema de controle interno efetivo requer que os riscos materiais que
poderiam afetar adversamente a realização dos objetivos do banco sejam
reconhecidos e continuamente avaliados.

Essa avaliação deve cobrir os vários tipos de risco enfrentados pelo banco e por
seu conglomerado (por exemplo, o risco de crédito, de país e de transferência,
de mercado, de taxa de juros, de liquidez, operacional, legal e de reputação).

77
Os controles internos podem necessitar de revisão para levar adequadamente
em consideração quaisquer riscos novos e não controlados previamente. A esse
respeito, dispõe a Resolução 2.554:

Art. 2o Os controles Internos... devem prever:

III. meios de identificar e avaliar fatores internos e externos que possam afetar
adversamente a realização dos objetivos da instituição;

IV. a contínua avaliação dos diversos riscos associados às atividades da


instituição.

§ 1o. Os controles internos devem ser periodicamente revisados e atualizados,


de forma a que sejam a eles incorporadas medidas relacionadas a riscos novos
e anteriormente não abordadas.

Procedimentos de Controle e Segregação de Funções

Princípio 5
Os procedimentos de controle devem ser parte integrante das atividades diárias
de um banco. Um sistema efetivo de controles internos requer uma estrutura
apropriada de controle, com atividades de controles definidas para cada nível de
negócio. As atividades devem incluir:

• revisão pelos altos escalões;

• controles apropriados das atividades dos diferentes departamentos ou divisões;

• controles físicos;

• verificação de conformidade com os limites de exposição e acompanhamento


da não conformidade;

• sistema de aprovações e autorizações, e sistema de verificação e conciliação.

Essas disposições estão em diversos artigos da Resolução 2.554:

78
Art. 1o, § 2o:

I. a implantação e a implementação de uma estrutura de controles internos


efetiva mediante a definição de atividades de controle para todos os níveis de
negócios da instituição;

II. o estabelecimento dos objetivos e procedimentos pertinentes aos


mesmos;

Art. 2o Os controles internos... devem prever:

VI. o acompanhamento sistemático das atividades envolvidas, de forma a que se


possa avaliar se os objetivos da instituição estão sendo alcançados, se os limites
estabelecidos e as leis e regulamentos aplicáveis estão sendo cumpridos, bem
como assegurar que quaisquer desvios possam ser prontamente corrigidos.

Estão envolvidas aqui a função de compliance e a de auditoria interna.

Os procedimentos de controle se destinam a cuidar dos riscos que a instituição


tenha identificado por meio do processo de gestão de riscos. Compõem-se de
duas etapas:

• Criação e implantação de políticas e procedimentos de controle;

• Verificação do cumprimento das políticas e dos procedimentos.

Princípio 6
Um sistema efetivo de controles internos requer:

• segregação apropriada de funções;

• não atribuição de responsabilidades conflitantes aos colaboradores.

Áreas de potencial conflito de interesses devem ser identificadas, minimizadas e


sujeitas a monitoramento cuidadoso e independente. Esse princípio está
transcrito na Resolução 2.554:
79
Art. 2o Os controles internos ...devem prever:

II. Os controles internos devem prever a segregação das atividades atribuídas


aos integrantes da instituição de forma a evitar o conflito de interesses, bem
como os meios de minimizar e monitorar adequadamente as áreas identificadas
como potencial conflito da espécie.

Informação e Comunicação

Princípio 7
Um sistema efetivo de controles internos requer:

• dados financeiros, operacionais e de conformidade internos, adequados e


abrangentes;

• informações externas de mercado sobre eventos e condições relevantes à


tomada de decisões. A informação deve ser confiável, oportuna, acessível e
disponibilizada em formato consistente.

O que diz, a respeito, a Resolução 2.554:

Art. 2o Os controles internos... devem prever:

III. meios de identificar e avaliar fatores internos e externos que possam


afetar adversamente a realização dos objetivos da instituição.

IV. A existência de canais de comunicação que assegurem aos colaboradores,


segundo o correspondente nível de atuação, o acesso a confiáveis, tempestivas
e compreensíveis informações consideradas relevantes para suas tarefas e
responsabilidades.

Princípio 8
Um sistema efetivo de controles internos requer a existência de sistemas de
informações confiáveis, que cubram todas as atividades importantes do banco.

80
Esses sistemas, incluindo aqueles que registrem e utilizem dados na forma
eletrônica, devem ser seguros, monitorados e resguardados por planos de
contingência adequados. A Resolução 2.554 trata desse assunto de forma
difusa, apenas fazendo referência:

Art. 2o, VII. A existência de testes periódicos de segurança para os sistemas de


informações, em especial para os mantidos em meio eletrônico.

Princípio 9
Um sistema efetivo de controles internos requer canais de comunicação efetivos
para assegurar que os colaboradores compreendam plenamente as políticas e
os procedimentos e se engajem neles. Eles devem ter responsabilidade e
cumprir seus deveres. É fundamental que as informações relevantes alcancem o
pessoal apropriado. É também tema da Resolução 2.554:

Art. 2o. Caput e inciso IV. Os controles internos, cujas disposições devem ser
acessíveis a todos os colaboradores da instituição de forma a assegurar que
sejam conhecidas as respectivas funções no processo e as responsabilidades
atribuídas aos diversos níveis da organização, devem prever... a existência de
canais de comunicação que assegurem aos colaboradores, segundo o
correspondente nível de atuação, o acesso a confiáveis, tempestivas e
compreensíveis informações consideradas relevantes para suas tarefas e
responsabilidades.

Monitoramento

Princípio 10
A efetividade global dos controles internos do banco deve ser continuamente
monitorada. O monitoramento os principais riscos deve ser parte das atividades
diárias de um banco, d bem como as avaliações periódicas realizadas pelas
linhas de negócios e pela auditoria interna. A Resolução 2.554, diz:

81
Art. 2o, § 1o. Os controles internos devem ser periodicamente revisados e
atualizados, de forma a que sejam a eles incorporadas medidas relacionadas a
riscos novos ou anteriormente não abordados.

Art. 3o O acompanhamento sistemático das atividades relacionadas com o


sistema de controles internos deve ser objeto de relatórios, no mínimo,
semestrais, contendo:

I. as conclusões dos exames efetuados;

II. as recomendações a respeito de eventuais deficiências, com o


estabelecimento de cronograma de saneamento das mesmas, quando for o
caso;

III. a manifestação dos responsáveis pelas correspondentes áreas a


respeito das deficiências encontradas em verificações anteriores e das
medidas efetivamente adotadas para saná-las.

O monitoramento pode ser feito por diversas áreas, inclusive pela própria área
de negócios, de controle financeiro, de compliance e de auditoria interna.

Para evitar que haja instrumentos de controle sem nenhum monitoramento, é


importante que a gerência superior deixe claro quem é responsável pelas
funções de monitoramento, devendo fazer parte das atividades diárias da
instituição. Além disso, a gerência deve fazer avaliações periódicas do processo
como um todo.

A periodicidade de monitoramento de cada atividade da instituição será


determinada em função dos riscos envolvidos e da frequência e natureza das
mudanças que ocorrem em cada área específica.

Princípio 11
As deficiências identificadas nos controles internos das linhas de negócios,
auditoria interna ou de outras áreas de controle devem ser relatadas de forma

82
tempestiva à administração sênior e ao conselho de diretores. A esse respeito
diz a Resolução 2.554:

Art. 3o O acompanhamento sistemático das atividades relacionadas com o


sistema de controles internos deve ser objeto de relatórios, no mínimo,
semestrais, contendo:

Parágrafo único. As conclusões, recomendadas e manifestações referidas nos


incisos I, II e II deste artigo: (destaque para os dois primeiros)

I. devem ser submetidas ao conselho de administração ou, na falta deste, à Alta


Administração, bem como à auditoria externa da instituição;

II. devem permanecer à disposição do Banco Central do Brasil pelo prazo de 5


anos.

Deficiências de controles internos ou riscos ineficientemente controlados devem


ser objeto de relatórios dirigidos às pessoas adequadas assim que são
identificados, sendo que matérias de muita gravidade não podem deixar de
serem relatadas à gerência superior e à alta administração. Uma vez relatados,
é importante que a gerência corrija prontamente as deficiências.

Os auditores internos devem efetuar revisões de acompanhamento ou outras


formas de monitoramento e imediatamente informar à gerência superior e à alta
administração quaisquer deficiências não corrigidas. É importante que sejam
implantados sistemas que acompanhem as falhas de controle e as medidas para
retificá-las.

Auditoria Interna

Princípio 12
Deve existir uma auditoria interna efetiva e abrangente dos sistemas de
controles internos, executada por pessoal adequadamente treinado, competente
e operacionalmente independente.

83
A função da auditoria interna, como a parte do monitoramento do sistema de
controles internos, deve reportar-se diretamente ao conselho de diretores, ou ao
comitê de auditoria, e à administração sênior. A Resolução 2.554 apresenta:

Art. 2o, § 2o. A atividade de auditoria interna deve fazer parte do sistema de
controles internos.

Art. 2o, § 4o. No caso de a atividade de auditoria interna ser exercida por
unidade própria, deverá essa estar diretamente subordinada ao conselho de
administração ou, na falta desse, à Alta Administração da instituição.

Art. 2o, § 7o. Em qualquer das situações previstas neste artigo, a instituição deve
manter a disposição e garantir acesso irrestrito do Banco Central do Brasil aos
papéis de trabalho, relatórios e quaisquer outros documentos elaborados pela
auditoria interna da instituição.

É fundamental salientar que a independência dos auditores pode ser


determinada pelas linhas de subordinação dentro da organização e a quem ou a
que nível os relatórios são feitos. O Auditor deve ser credenciado pela matriz e a
ela se reportar.

As responsabilidades do auditor devem estar explicitadas numa descrição de


funções, com a linha de subordinação definida na política de pessoal. O auditor
deverá ter livre acesso a todos os arquivos e documentos necessários ao
desempenho de suas tarefas. Os relatórios podem receber colaborações, mas
nenhuma influência de gerências de áreas auditadas.

Os auditores deverão ter credenciais acadêmicas comparáveis às dos


administradores responsáveis pela organização, compromisso com um
programa de formação contínua e desenvolvimento profissional, experiência em
auditoria e habilidades organizacionais, técnicas compatíveis com a
responsabilidade assumida e habilidade de comunicação oral e escrita.

Todo o pessoal deve receber treinamento técnico e ter a proficiência necessária


para conduzir suas auditorias de acordo com os padrões da organização.
84
A medida final da competência do auditor é a qualidade de seu trabalho, a
capacidade de comunicar seus resultados e de efetuar acompanhamento das
deficiências notadas durante a auditoria.

Para que o trabalho seja eficaz, após informar as conclusões a cada


administrador responsável, é importante que as respostas sejam realizadas com
efetividade pela gerência, no que tange às recomendações do auditor.

Avaliação do Sistema de Controles Internos pelas Autoridades

Princípio 13
Os supervisores devem exigir que todos os bancos, independentemente de
tamanho, tenham um sistema efetivo de controles internos, que seja consistente
com a natureza, a complexidade e o risco inerente às suas atividades –
registradas ou não nos balanços – e que responda às mudanças, de acordo com
a condição e o ambiente do banco. A Resolução 2.554 é resposta do Bacen a
esse princípio, mas no artigo abaixo:

Art. 6o. Fica o Banco Central do Brasil autorizado a:

I. determinar a adoção de controles adicionais, nos casos em que constatada


inadequação dos controles implementados pela instituição;

II. imputar limites operacionais mais restritivos à instituição que deixe de


observar determinação nos termos do inciso I, no prazo para tanto estabelecido.

Embora a alta administração e a gerência superior tenham a responsabilidade


final pelo sistema efetivo de controles internos, os supervisores devem avaliar o
sistema de controles internos implantado em cada instituição como parte de
suas atividades rotineiras.

Os supervisores devem verificar se a gerência de cada instituição dá a devida


atenção a quaisquer problemas que sejam detectados no processo de controles
internos. A supervisão deve exigir das instituições financeiras culturas de

85
controle muito fortes e tomar uma posição voltada para riscos em suas
atividades. Isso inclui um exame de adequação dos controles internos.

É importante que os supervisores avaliem não somente a efetividade do sistema


global de controles internos, mas também os controles das áreas de alto risco
(por exemplo, áreas com rentabilidade incomum, crescimento rápido, novos
produtos).

Convém que os supervisores dediquem mais atenção a atividades ou situações


que historicamente tenham sido associadas a falhas de controle com
consequentes prejuízos substanciais.

Certas mudanças no ambiente de uma instituição devem ser objeto de atenção


especial, como, por exemplo, alterações no ambiente operacional, pessoal novo,
novos sistemas de informações, áreas em crescimento, novas tecnologias,
novas linhas de produtos, atividades, reestruturações, fusões e aquisições.

PROCEDIMENTOS DE CONTROLE INTERNO

Generalidades do Controle

Os procedimentos de controle interno devem ser documentados de forma clara e


num nível de detalhamento adequado e, além disso, atualizados sempre que
mudanças no ambiente de controle exijam sua adaptação.

A boa documentação das políticas e dos procedimentos de controle é um fator


fundamental para garantir que as medidas de proteção sejam aplicadas
corretamente. Esses documentos servem para orientar os colaboradores e
padronizar as atividades, reduzindo, consequentemente, os riscos de ocorrência
de erros e omissões. Infelizmente, em muitas instituições financeiras,
geralmente, essa documentação, quando existe, não está atualizada.

86
A equipe de auditoria deve procurar detectar as áreas mais críticas e
vulneráveis. Elas são objeto de determinação quanto à criação ou à atualização
dos documentos, contendo os procedimentos de controles pertinentes.

Segregação de Funções

Quando falamos sobre controles internos, não podemos deixar de comentar a


principal chave de controle, que é a segregação de funções. Se duas partes de
uma transação são processadas por diferentes indivíduos, um tem a
oportunidade de checar a atuação do outro.

A segregação de funções é, portanto, uma barreira para a ocorrência de fraude


ou omissão, porque passa a ser necessária a participação de pelo menos dois
colaboradores para que o ato fraudulento seja executado. Um bom sistema de
controle deve prever a existência de níveis de autorização, aprovação e
conferência das operações. Para isso, convém verificar sempre se as
autorizações, aprovações e conferências estão adequadas às normas e
procedimentos.

87
A seguir, são mencionados exemplos de perguntas a serem formuladas diante
de um novo processo a ser aberto, ou mesmo para revisão dos processos em
curso:

• Há na prática uma segregação entre as funções de


autorização/aprovação de operações e as de
execução/contabilização delas?

• Existe um sistema de autorização e aprovação no qual a pessoa que


autoriza um processo é diferente daquela que o aprova?

• Existem controles para garantir que os atos e documentos que


necessitem de autorização/aprovação de uma área responsável
sejam devidamente assinados e identificados, antes de gerarem
efeitos dentro da instituição?

Controles e Segurança da Informação

Informação adequada e comunicação eficiente são essenciais ao bom


funcionamento de um sistema de controles internos. Para que a informação
possa ser útil, ela precisa ser relevante, confiável, tempestiva, acessível e
gerada num formato consistente. A seguir, apresentamos exemplos de
informações relevantes:

88
• Relatórios da Revisão Interna de Operações de Crédito
Devem ser precisos, completos e apresentados em tempo hábil, de forma a
permitir o controle dos riscos. No mínimo, podemos utilizar três tipos de
documento interno:

a. Programa ou plano anual: Planejamento escrito, cumprindo, no mínimo,


a periodicidade exigida pela Resolução 2.682 (Artigo 4 – incisos I e II e
Artigo 5). Neste item, podemos identificar as necessidades da organização
e deixar bem explícitas as políticas de crédito da organização.

b. Memorando de arquivos: são elaborados depois da revisão de cada


operação e colocados no processo, incluindo a graduação (Resolução
2.682 - Artigo 1) e fatores que lhe serviram de base (Resolução 2.682 -
Artigo 2), bem como a eventual ocorrência de descumprimento da política e
dos procedimentos internos ou falha de documentação.

c. Aprovação da Alta Administração: para que a Alta Administração


possa tomar decisões em menor tempo e com segurança, o resumo das
conclusões quanto à qualidade da carteira, das posições, dos resultados e
movimentações ou de parte dela é de suma importância para os resultados
da empresa. Veja o que as instituições americanas proporcionaram por
meio do sub-prime. Devemos mencionar no escopo da revisão:

- distribuição de graduação para a carteira ou parte dela;


- percentual de falhas de documentação ou colateral (neste caso,
existe quando algum documento ou procedimento causam efeito em
outros procedimentos internos de controle);
- ocorrências de descumprimento de normas internas ou externas;
- avaliação da qualidade global da carteira;
- impacto resultante sobre as reservas para perdas;
- quaisquer outros fatores que tenham efeito adverso para sobra da
carteira.

89
• Relatórios de Gestão de Riscos
As gerências da matriz e das unidades devem ser regularmente informadas
sobre a natureza e os resultados das decisões de gestão de riscos. Essas
informações devem ser transmitidas periodicamente por meio de relatórios,
detalhando a exposição de riscos, que devem ser adequados ao volume e
à complexidade da faixa de atividades para cada tipo de risco. As unidades
devem estar cientes dos limites estabelecidos e regularmente monitorar e
comunicar os excessos à gerência superior.

• Relatórios de Desempenho Financeiro


Basicamente são três os relatórios essenciais (sem prejuízo de outros
complementares que cada instituição queira adotar):

a. Controle financeiro: essencial para assegurar a precisão e a integridade


das informações geradas para a gerência. É efetuado por meio de
relatórios apresentados à administração, por área, independentemente,
da linha de frente, e com dados do back-office para a reavaliação das
90
carteiras. Incluímos neste item, os resultados de reavaliação a mercado
(mark-to-market).

b. Análise de rentabilidade: compara as rendas à natureza e ao tamanho


dos riscos tomados. Colabora na elaboração do orçamento (Budget). Os
relatórios devem compreender no mínimo a rentabilidade por tipo de
operação e por fonte de recursos, para que a instituição possa
corretamente alocar seu capital. Pode incluir outros critérios, como o de
rentabilidade por gerente, por operador, por área e por filial.

c. Planejamento orçamentário: permite a instituição prever rendas, avaliar


a tendência na rentabilidade das várias áreas ou unidades e comparar o
desempenho real com o que foi planejado. Não se trata de colocar à
frente dos gestores um objetivo impossível, com a intenção de que nunca
se acomodem. O orçamento deve revelar conhecimento das atividades da
instituição e de suas reais possibilidades, além de ser preparado com
base na análise dos demonstrativos financeiros. As eventuais mudanças
significativas devem ter explicações satisfatórias.

• Sistemas de Informação Gerencial

Um componente crítico das atividades de uma instituição são a implantação e a


manutenção de sistemas de informação gerencial que cubram a variedade total
de suas atividades. É composto por cinco elementos, podendo surgir riscos em
qualquer um deles:

91
• Processos gerenciais
• Arquitetura
• Integridade
• Segurança
• Disponibilidade

Limitações do Controle Interno

Em alguns casos, a ocorrência de fraudes pode ser evitada se for empregada


uma boa estrutura de controle interno. A postura administrativa parece ser o
fator determinante para a existência de fraudes e a criação de um contexto
empresarial tolerante com atos complacentes (vista grossa) e de descontrole.

É defensável que o controle interno implementado sem uma postura adequada


da administração e até uma cultura orientada por controles leve à ocorrência de
fraude. O controle interno tem por um dos seus objetivos a tentativa de dificultar
ao máximo a ocorrência de fraudes, ou até mesmo evitá-la.

A ausência de controle interno não provoca diretamente a existência de fraudes,


uma vez que as fraudes podem ocorrer em instituições ou organizações com
sistemas de controles internos bem definidos e estruturados. Geralmente, a
fraude ocorre por negligência da empresa ou pelo comportamento inadequado
de um funcionário ou de uma equipe.

Parece profícuo lançar mão das limitações de controle interno relacionadas


justamente com a fraude, que ocorre por conluio e gestão inadequada
(atropelamento) dos controles.

Poderemos implantar o melhor sistema de controle interno que imaginarmos,


mas se não existirem pontos de checagem/controle e pessoas com cultura de
controle e, principalmente, imbuídas em trabalhar ou exercer suas atividades
sem negligenciar a execução das tarefas a elas designadas, não haverá
resultados positivos. Vale ressaltar que a índole das pessoas ainda é ponto
primordial para a excelência dos resultados dos controles internos.

92
O IFAC (International Federation of Accountants – em português: Federação
Internacional de Contadores) contribui nos termos:

Os sistemas contábeis e de controle interno não podem dar à administração


evidência conclusiva de que os objetivos foram atingidos porque têm limitações
inerentes. Essas limitações incluem: (...) A possibilidade de contornar os
controles internos por meio de conluio de um membro da administração ou
empregado com partes de fora (terceiros) ou de dentro da entidade. (...) A
possibilidade de uma pessoa responsável por exercer um controle interno possa
abusar dessa responsabilidade. Por exemplo, um membro da administração que
passe por cima de um controle interno.

Os exemplos de Boyton, Johnson e Kell ilustram bem como são desenhadas as


estratégias de fraude:

(...) conluio entre três empregados de pessoal, produção e folha de


pagamento para iniciar pagamento a empregados fictícios, esquemas
entre empregado no departamento de compras e um fornecedor, ou entre
um empregado do departamento de vendas e um cliente etc. (...)
Atropelamento pela administração. (...), por exemplo, lucro mais alto para
aumentar o bônus anual a ser recebido, ou o valor de mercado das ações,
ou para esconder violações de cláusulas contratuais restritivas (...).

Há algumas décadas, a literatura de controle interno e de auditoria vem


abandonando a visão de que as fraudes representam o benefício único dos
processos de controle interno. Essa perspectiva de que a estrutura de controle
interno deve imunizar prioritariamente a empresa contra fraudes vem perdendo
força como pensamento dominante. O próprio Audibra (Instituto dos Auditores
Internos do Brasil) considera que um controle adequado é aquele:

- estruturado pela administração e que possa propiciar uma razoável


margem de garantia de que os objetivos e metas serão atingidos de
maneira eficaz, eficiente e com a necessária economicidade.

93
Nota-se que o cumprimento das metas vem antes do interesse em salvaguardar
o patrimônio de fraudes. É possível defender pesquisas empíricas que revelem
que um controle focado em divulgar informação conduz a empresa a melhores
resultados do que um controle focado em evitar fraudes.

A ênfase gerencial não exclui o vínculo residual entre o controle interno e as


fraudes. É importante que a administração e o corpo funcional, ao desenharem
os processos de gestão, estejam conscientes de que o controle interno pode
funcionar como inibidor de atos fraudulentos.

Segundo um estudo realizado por Computer Fraud and Security Bulletin, pelo
menos em 10% dos casos analisados de controles internos detectivos
representam um meio de identificar as fraudes.

Apesar de não se evidenciar facilmente o número de fraudes inviabilizadas em


decorrência de uma boa estrutura de controle interno, verifica-se a utilidade
detectiva do controle interno. Pode-se afirmar que o controle interno é
responsabilidade de todo o corpo funcional.

Obviamente, a eficácia do controle interno depende da postura da


administração, que tem obrigação e direito de zelar por uma postura de
compromisso com a empresa. Sem esse respaldo, o controle e seus benefícios
são prejudicados.

Independentemente do cargo, função ou especialização, verifica-se uma força


de adesão na função. Esse aspecto deve ser uma prática e, quando possível,
representar uma prática administrativa.

O pensamento do Banco Itaú, mencionado a seguir, parece encerrar bem a


acepção de que a responsabilidade pelo controle interno é de toda a
administração e possui valor intrínseco para a gestão e a continuidade do
empreendimento:

94
O sistema de Controles Internos não é uma regra a ser aplicada apenas
às ações, isoladamente: é cultura a ser reforçada; é postura que deve
permear as atitudes e o comportamento ético de cada um.

. Identificação de Desfalques por Ausência de Controles

Para um funcionário praticar um desfalque, ele precisa ter acesso aos ativos da
instituição. Os desfalques podem ser:

• Temporários: ocorrem quando um funcionário se apossa de um bem da


empresa e não altera os registros da contabilidade, transferindo o ativo
para despesas;

• Permanentes: ocorrem quando um funcionário desvia um bem da


empresa e modifica os registros contábeis para que os ativos existentes
concordem com os valores registrados na contabilidade. Para que esse
tipo de desfalque aconteça, é necessário que o funcionário tenha acesso
aos ativos e aos registros contábeis.

Os documentos mais importantes que uma empresa agrupa são as declarações


financeiras, que incluem balanço patrimonial, demonstração dos fluxos de caixa
e demonstração dos resultados.

Esses documentos descrevem quantitativamente a saúde financeira de uma


empresa e são usados por quase todas as entidades que lidam com as
empresas, incluindo seus executivos e os próprios gerentes. As demonstrações
financeiras a seguir são normalmente preparadas trimestral e anualmente:

• o balanço patrimonial fornece uma visão instantânea ou geral da situação


financeira da empresa, em determinado momento. Isso inclui os ativos e
os passivos e informa qual é o patrimônio da empresa;

• a declaração de fluxo de capital mostra o dinheiro que está entrando, bem


como o dinheiro necessário para sair por um período. É muito útil para
planejar grandes compras ou para ajudar na preparação de períodos
95
lentos dos negócios. Em termos simples, o fluxo de capital é igual à
receita menos desembolso de dinheiro;

• o relatório de lucros e perdas (também chamado de DRE) lista receitas e


despesas. Também lista os lucros ou as perdas dos negócios por um
período. É útil para o planejamento e ajuda no controle de despesas
operacionais.

Os bancos revisam as declarações financeiras para decidir se emprestam


dinheiro a uma empresa (e qual será a taxa de juros, caso decidam pelo
empréstimo). Os investidores também revisam os documentos para decidir se
têm confiança suficiente na empresa para investir dinheiro.

Os gerentes das empresas usam esses documentos para analisar os negócios e


determinar se a situação está favorável ou não. Por tudo isso, é importante que
eles sejam precisos e confiáveis.

Para empresas públicas, esses documentos são auditados por firmas de


contabilidade externas que certificam se os documentos estão compilados de
acordo com os princípios gerais aceitos da contabilidade ou GAAP (Generally
Accepted Accounting Principles). No entanto, essas firmas estão ainda à mercê
das informações fornecidas pela empresa.

96
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

PREVENÇÃO À LAVAGEM DE
DINHEIRO

97
Lei 12.683/12, de 9 de julho de 2012

Altera a Lei 9.613, de 3 de março de 1998, para tornar mais eficiente a


persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro, editada com o intuito de
coibir as ações dos chamados “lavadores de dinheiro”. A Lei 9.613/98 respondeu
ao clamor das comunidades econômicas e jurídicas internacionais e à
necessidade de preservar o Sistema Econômico Nacional dos possíveis
desequilíbrios causados pelos “lavadores” de dinheiro, que, com simples
operações por computador ou fax, transferem importâncias consideráveis para
paraísos fiscais. Além disso, criou o Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (COAF).

A Lei 12.683/12 também altera dispositivos que criam o Conselho de Controle de


Atividades Financeiras (COAF), ampliando os tipos de profissionais obrigados a
enviar informações sobre operações suspeitas, alcançando doleiros,
empresários que negociam direitos de atletas, comerciantes de artigos de luxo,
entre outras atividades.

98
A lei também eleva o limite da multa a ser aplicada a quem descumprir as
obrigações de envio de informações, passando de R$ 200 mil para R$ 20
milhões.

Será possível apreender bens em nomes de "laranjas" e vender bens


apreendidos, antes do final do processo, cujos recursos ficarão depositados em
juízo, até o final do julgamento. O patrimônio apreendido poderá ser repassado a
estados e municípios, e não apenas à União.

A primeira e importante mudança foi a ampliação do rol dos crimes de


dissimulação, ocultação da origem de bens, valores e instrumento de crimes. Na
redação anterior, somente nos crimes de tráfico ilícito de substâncias
entorpecentes ou drogas afins, de terrorismo, contrabando ou tráfico de armas,
extorsão mediante sequestro, contra a Administração Pública, contra o sistema
financeiro nacional, praticado por organização criminosa e praticado por
particular contra a administração pública estrangeira, era possível o
enquadramento do autor na pena de reclusão de três a dez anos.

Com a nova redação, a pena poderá ser aplicada em qualquer crime em que
ocorra ocultação, dissimulação da natureza, origem, localização, disposição,
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta
ou indiretamente, de crime. Ressalva-se que a nova lei contemplou a delação
premiada, reduzindo drasticamente a pena ao delator, podendo até mesmo
deixar de ser aplicada àqueles que colaborarem com a justiça para o
esclarecimento dos crimes de lavagem de capitais.

Segundo artigo do Delegado de Polícia, no Matusalém Sotolani, publicado no


sítio Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, “também cabe destacar as inovações,
que a lei trouxe para o processo penal, acrescentando alguns artigos ao Código
de Processo Penal, dentre os quais merece destaque o art. 17-B, editado nos
seguintes termos: “A autoridade policial e o Ministério Público terão acesso,
exclusivamente, aos dados cadastrais do investigado, que informam qualificação
pessoal, filiação e endereço, independentemente de autorização judicial,
mantidos pela Justiça Eleitoral, pelas empresas telefônicas, pelas instituições

99
financeiras, pelos provedores de internet e pelas administradoras de cartão de
crédito.”

A aprovação do projeto que deu origem à lei sancionada pela presidenta Dilma
Rousseff contou com o apoio da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e
Lavagem de Dinheiro (Enccla), instância que congrega mais de 60 instituições
que atuam no combate a esse tipo de ilícito, e que é coordenada pelo
Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional
da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça

100
Evolução histórica de Lavagem de Dinheiro, Governança e
Compliance

Definição de Lavagem de Dinheiro

Segundo a legislação vigente:

“É ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização,


disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou
valores provenientes, direta ou indiretamente, de atividades
criminosas.”

Veja outra definição:

“É toda técnica utilizada com fins de introduzir, nos círculos da


atividade econômica legal, recursos gerados a partir de atos
ilícitos de qualquer natureza.”

De acordo com a definição mais comum, a lavagem de dinheiro constitui um


conjunto de operações comerciais ou financeiras que buscam a incorporação
dos recursos, bens e serviços que se originam ou estão ligados a atos ilícitos na
economia de cada país.

Em termos mais gerais, lavar recursos é fazer com que produtos de crime
pareçam ter sido adquiridos legalmente.

101
Setores mais Visados

Além do comércio ilegal de drogas, a lavagem de dinheiro pode servir para a


legalização de bens oriundos de outros crimes antecedentes, como sequestro e
corrupção, todos especificados pela já citada Lei 9.613/98. A seguir, são
mencionados alguns setores que são muito visados no processo de lavagem de
dinheiro.

• Instituições Financeiras

No Brasil, elas são controladas pelo Banco Central (Bacen) e compõem um


dos setores mais visados pelas organizações criminosas para a realização
de operações de lavagem de dinheiro.

A razão disso é que as novas tecnologias e a globalização dos serviços


financeiros imprimem uma velocidade sem precedentes à circulação do
dinheiro. Recursos em busca de taxas de juros mais atraentes na compra e
venda de divisas e operações internacionais de empréstimo e
financiamento misturam-se num vasto circuito de transações complexas.

Nessas transações, o dinheiro sujo se mistura com quantias que as


instituições movimentam legalmente todos os dias, o que favorece o
processo de dissimulação da origem ilegal. As redes mundiais que
interligam computadores, a exemplo da internet, favorecem esse processo,
ampliam as possibilidades de movimentação dos recursos, conferem maior
rapidez e garantem o anonimato das operações ilegais.

Esse setor é, portanto, o mais afetado e o mais utilizado nos processos de


lavagem de dinheiro, mesmo quando as operações criminosas não são
realizadas pelas próprias instituições financeiras. Elas acabam sendo o

102
"meio" por onde transitam os recursos até a chegada ao mercado –
ocorrendo a integração, última etapa do processo de lavagem.

• Paraísos Fiscais e Centros Off-shore

Tanto os paraísos fiscais quanto os centros off-shore compartilham de uma


finalidade legítima e certa justificação comercial.

No entanto, os principais casos de lavagem de dinheiro descobertos, nos


últimos anos, envolvem organizações criminosas que se aproveitaram, de
forma generalizada, das facilidades oferecidas.

• Bolsas de Valores

No Brasil, o controle e a fiscalização das Bolsas de valores são de


responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Elas visam
facilitar a compra e a venda de ações e direitos.

Nas bolsas de valores, é possível a realização de operações em cinco


modalidades: (i) à vista; (ii) a prazo; (iii) a termo; (iv) a futuro e (v) por
opção. Enquanto nas quatro primeiras formas se negociam ações, no
mercado de opções o que se negocia é o direito sobre essas ações.

Os investidores, porém, não compram ações diretamente em uma bolsa.


Compram-nas por meio das sociedades corretoras, membros daquela
entidade. O cliente emite uma ordem de compra ou venda à sua corretora,
que se encarrega de executá-la no pregão. Para isso, as corretoras
mantêm no recinto de negociação os operadores, que são habilitados por
meio de um exame de qualificação.

Para fechar uma operação na bolsa, qualquer pessoa, banco ou


organização têm de usar os serviços de uma corretora, que recebe uma
taxa de corretagem para realizar a transação. As bolsas de valores
103
oferecem condições propícias para a realização de operações de lavagem
de dinheiro, tendo em vista que:

a. permitem a realização de negócio com características


internacionais;
b. possuem alto índice de liquidez;
c. as transações de compra e venda podem ser efetuadas em curto
espaço de tempo;

d. geralmente, as operações são realizadas por intermédio de um


corretor;
e. existe muita competitividade entre os corretores.

• Companhias Seguradoras

O mercado de seguros, de capitalização e de previdência privada aberta,


fiscalizado no Brasil pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP),
é outro setor vulnerável à lavagem de dinheiro. Quer em relação aos
acionistas ou em relação aos segurados, subscritores, participantes e
intermediários pode haver a tentativa de "limpeza" de recursos:

a. os acionistas podem usar o poder de deliberação, realizando


investimentos que possibilitem a prática de lavagem de dinheiro;

b. os segurados, por sua vez, podem lavar recursos mediante a


apresentação de avisos de sinistros falsos ou fraudulentos. Isso
pode ocorrer com os subscritores e participantes, os quais
transferem a propriedade de títulos de capitalização sorteados e
inscrevem pessoas inexistentes ou falecidas em planos de
previdência privada aberta;

104
c. a intermediação, materializada na corretagem, também pode
ensejar a malfadada lavagem nas transações envolvendo
terceiros ou clientes não residentes.

• Mercado Imobiliário

A lavagem de dinheiro é uma prática muito frequente no setor imobiliário.


Por meio da transação de compra e venda de imóveis e de falsas
especulações imobiliárias, os agentes criminosos lavam recursos com
extrema facilidade, principalmente se eles utilizam recursos em espécie.

A criatividade das organizações criminosas faz com que suas atuações no


setor sejam extremamente dinâmicas, dificultando o trabalho de detecção
das ilegalidades. A ausência de controle do setor imobiliário também
facilita a ação dos criminosos.

• Jogos e Sorteios

São conhecidos os casos de lavagem de dinheiro por meio de jogos e


sorteios, como bingos e loterias. As principais características dos
processos criminosos envolvem a manipulação das premiações e a
realização de alto volume de apostas em uma determinada modalidade de
jogo, buscando fechar as combinações.

105
Em muitos casos, o agente criminoso não se importa em perder uma parte
dos recursos, contanto que consiga finalizar o processo de lavagem com
êxito.

Há diversas outras operações comerciais realizadas internacionalmente


que facilitam a lavagem de dinheiro e, por essa razão, merecem exame
permanente e detalhado.

Entre essas operações estão, por exemplo, a compra e venda de joias,


pedras, metais preciosos, objetos de arte e antiguidades. Esse comércio
mostra-se muito atraente para as organizações criminosas, principalmente
por envolverem bens de alto valor, que são comercializados com relativa
facilidade.

Além disso, essas operações podem ser realizadas utilizando-se uma


ampla gama de instrumentos financeiros, muitos dos quais garantem
inclusive o anonimato.

Processos de Lavagem de Dinheiro

Por meio de seus normativos, o COAF expõe os mecanismos mais


utilizados no processo de lavagem de dinheiro, o qual envolve
teoricamente três etapas independentes que, com frequência, ocorrem
simultaneamente.

Para disfarçar os lucros ilícitos sem comprometer os envolvidos, a


lavagem de dinheiro realiza-se por meio de um processo dinâmico
distante dos fundos de sua origem. Isso evita a associação direta deles
com o crime e configura o disfarce de suas várias movimentações para
dificultar o rastreamento dos recursos, disponibilizando o dinheiro
novamente para os criminosos depois de ter sido suficientemente
movimentado no ciclo de lavagem, até ser considerado "limpo".

106
Para melhor entendimento, a seguir são mencionados os passos do
processo de lavagem de dinheiro:

Passo 1 - Colocação: o início do processo é a colocação do dinheiro no


sistema econômico, com:

• movimentação de dinheiro em países com regras permissivas;


• depósitos e compras de instrumentos negociáveis ou de bens;
•fracionamento dos valores que transitam pelo sistema financeiro;
• utilização de estabelecimentos comerciais que operam com dinheiro em
espécie.

Passo 2 - Ocultação: dificultar o rastreamento contábil dos recursos


ilícitos, com:

• quebra da cadeia de evidências para dificultar a realização de


investigações;
• movimentação de forma eletrônica, transferindo os ativos para contas
anônimas, preferencialmente para países amparados por lei de sigilo
bancário;.
• realização de depósitos em contas “fantasmas”.

Passo 3 - Integração: os ativos são incorporados formalmente ao


sistema econômico, com:

• investimentos em empreendimentos que facilitem suas atividades;


• prestação de serviços entre instituições parceiras na lavagem de ativos;
• formação de uma cadeia de operações, tornando cada vez mais fácil
legitimar o dinheiro.

A lavagem de dinheiro pode ser realizada em qualquer lugar. Os criminosos


escolhem países onde as leis são flexíveis ou onde os esforços de controle
não são fortes o bastante para pegar os envolvidos.

107
Obrigações Previstas na Lei 12.683/12

Consta a informação sobre a pena, que pode ser de três a dez anos de
reclusão, para quem praticar alguns dos crimes referenciados na lei, e
podemos citar alguns trechos de suma importância:

§ 4º- A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos


nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de
organização criminosa.

§ 5º- A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em


regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou
substituí-la, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor,
coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades,
prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à
identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens,
direitos ou valores, objeto do crime.

108
Afinal em 24/07/2009, o Banco Central publicou a Circular 3.461, que
consolidou todos os normativos relativos a atividades de prevenção à
lavagem de dinheiro. Ficaram revogadas as Circulares .852, de 3 de
dezembro de 1998; 3.339, de 22 de dezembro de 2006 e 3.422, de 27 de
novembro de 2008, e os artigos 1o e 2o da Circular 3.290, de 5 de setembro
de 2005. É importante salientar que as mudanças implementaram melhorias
de procedimentos a serem realizados pelas instituições financeiras. A seguir,
evidenciamos a estrutura da regulamentação:

• Introdução: exigência de procedimentos e controles;


• Manutenção de informações cadastrais atualizadas;
• Pessoas politicamente expostas (Circ. 3.339);
• Início ou prosseguimento de relação de negócio;
• Registros da movimentação de recursos;
• Registros de cheques/TED (Circ. 3.290);
• Registros de cartões pré-pagos (Circ. 3.422);
• Registros de movimentação superior a R$ 100.000,00 em espécie (CC
3.098);
• Especial atenção;
• Manutenção de informações e registros;
• Comunicações.

A consolidação das regras sobre os procedimentos a serem adotados na


prevenção e combate às atividades relacionadas com os crimes previstos na Lei
9.613, de 3 de março de 1998, é de suma importância, pois, a partir desta data,
as informações serão de fácil acesso e em uma única circular.

Entretanto, esse assunto vem sendo tratado como parte de avaliação do Brasil
pelo GAFI/FATF, na aderência aos melhores padrões internacionais, pelo tempo
decorrido da edição da Circular 2.852/1998 e na consolidação da
regulamentação - Enccla.

109
Na busca pelo atendimento e aperfeiçoamento das regras internacionais, o
Banco Central tem aplicado mudanças e as novas regras surtem grandes
mudanças nas regras de prevenção e, portanto, a seguir apresentamos algumas
destas mudanças realizadas.

A Circular 3.583/12 altera os artigos. 1º e 5º da Circular 3.461, de 24 de julho de


2009, que passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 1º As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar


pelo Banco Central do Brasil devem implementar políticas e procedimentos
internos de controle destinados a prevenir sua utilização na prática dos crimes
de que trata a Lei 9.613, de 3 de março de 1998.

§ 5º As políticas e procedimentos internos de controle de que trata o caput


devem ser implementados também pelas dependências e subsidiárias situadas
no exterior, das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a
funcionar pelo Banco Central do Brasil.

§ 6º O diretor responsável pela implementação e cumprimento das medidas


estabelecidas nesta Circular, nos termos do art. 18, deve informar por escrito ao
Banco Central do Brasil sobre a existência de legislação ou regulamentação que
impeça ou limite a aplicação do disposto no § 5º a suas dependências e
subsidiárias situadas no exterior.

Art. 5º As instituições de que trata o art. 1º somente devem iniciar qualquer


relação de negócio ou dar prosseguimento a relação já existente com o , se
observadas as providências estabelecidas nos arts. 2º, 3º e 4º, conforme o caso.

A Circular 3.461/09 indica como devemos efetuar a Manutenção de Informações


Cadastrais Atualizadas, conforme segue:

“Art. 2º As instituições mencionadas no art. 1º devem coletar e manter


atualizadas as informações cadastrais de seus clientes permanentes, incluindo,
no mínimo:

110
I - as mesmas informações cadastrais solicitadas de depositantes previstas no
art. 1º da Resolução no 2.025, de 24 de novembro de 1993, com a redação dada
pela Resolução no 2.747, de 28 de junho de 2000;

II - os valores de renda mensal e patrimônio, no caso de pessoas naturais, e de


faturamento médio mensal dos doze meses anteriores, no caso de pessoas
jurídicas;

III - declaração firmada sobre os propósitos e a natureza da relação de negócio


com a instituição.

§ 1º As informações relativas a cliente pessoa natural devem abranger as


pessoas naturais autorizadas a representá-la.

§ 2º As informações cadastrais relativas a cliente pessoa jurídica devem


abranger as pessoas naturais autorizadas a representá-la, bem como a cadeia
de participação societária, até alcançar a pessoa natural caracterizada como
beneficiário final.

§ 3º Excetuam-se do disposto no § 2º as pessoas jurídicas constituídas sob a


forma de companhia aberta ou entidade sem fins lucrativos, para as quais as
informações cadastrais devem abranger as pessoas naturais autorizadas a
representá-las, bem como seus controladores, administradores e diretores, se
houver.

§ 4º As informações cadastrais relativas a cliente fundo de investimento devem


incluir a respectiva denominação, número de inscrição no Cadastro Nacional de
Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como as informações de que trata o inciso I,
relativas às pessoas responsáveis por sua administração.

§ 5º As instituições mencionadas no art. 1º devem realizar testes de verificação,


com periodicidade máxima de um ano, que assegurem a adequação dos dados
cadastrais de seus clientes.

111
Art. 3º As instituições mencionadas no art. 1º devem obter as seguintes
informações cadastrais de seus clientes eventuais, do proprietário e do
destinatário dos recursos envolvidos na operação ou serviço financeiro:

I - quando pessoa natural, o nome completo e o número de inscrição no


Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); (Redação dada pela Circular nº 3.517, de
7/12/2010);

II - quando pessoa jurídica, a razão social e número de inscrição no CNPJ.

Parágrafo único. Admite-se o desenvolvimento de procedimento interno


destinado à identificação de operações ou serviços financeiros eventuais que
apresentem baixo risco de utilização para lavagem de dinheiro ou de
financiamento ao terrorismo, para os quais é dispensada a exigência de
obtenção das informações cadastrais de clientes, ressalvado o cumprimento do
disposto nos demais artigos desta circular. (Redação dada pela Circular 3.517,
de 7/12/2010).

Quanto ao início ou prosseguimento de relação de negócio, devemos salientar a


importância do “conheça seu cliente” e, portanto:

Art. 5º As instituições de que trata o art. 1º somente devem iniciar qualquer


relação de negócio ou dar prosseguimento à relação já existente com o cliente,
se observadas as providências estabelecidas nos arts. 2º, 3º e 4º, conforme o
caso. (Redação dada pela Circular 3.583, de 12/3/2012).”

Outro item de suma importância são os registros de serviços financeiros e


operações financeiras, que conforme a legislação:

“Art. 6º As instituições de que trata o art. 1º devem manter registros de todos os


serviços financeiros prestados e de todas as operações financeiras realizadas
com os clientes ou em seu nome.

§ 1º No caso de movimentação de recursos por clientes permanentes, os


registros devem conter informações consolidadas que permitam verificar:

112
I - a compatibilidade entre a movimentação de recursos e a atividade econômica
e capacidade financeira do cliente;

II - a origem dos recursos movimentados;

III - os beneficiários finais das movimentações.

§ 2º O sistema de registro deve permitir a identificação:

I - das operações que, realizadas com uma mesma pessoa, conglomerado


financeiro ou grupo, em um mesmo mês calendário, superem, por instituição ou
entidade, em seu conjunto, o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais);

II - das operações que, por sua habitualidade, valor ou forma, configurem artifício
que objetive burlar os mecanismos de identificação, controle e registro.”

Ainda na circular, devemos solicitar especial atenção ao art. 10, onde as


instituições de que trata o art. 1º devem dispensar especial atenção a:

“I - operações ou propostas cujas características, no que se refere às partes


envolvidas, valores, formas de realização e instrumentos utilizados, ou que, pela
falta de fundamento econômico ou legal, indiquem risco de ocorrência dos
crimes previstos na Lei 9.613, de 1998, ou com eles relacionados;

II - propostas de início de relacionamento e operações com pessoas


politicamente expostas de nacionalidade brasileira e as oriundas de países com
os quais o Brasil possua elevado número de transações financeiras e
comerciais, fronteiras comuns ou proximidade étnica, linguística ou política;

III - indícios de burla aos procedimentos de identificação e registro estabelecidos


nesta circular;

IV - clientes e operações em que não seja possível identificar o beneficiário final;

113
V - operações oriundas ou destinadas a países ou territórios que aplicam
insuficientemente as recomendações do Gafi, conforme informações divulgadas
pelo Banco Central do Brasil; (Redação dada pela Circular 3.517, de 7/12/2010)

VI - situações em que não seja possível manter atualizadas as informações


cadastrais de seus clientes.

§ 1º A expressão “especial atenção” inclui os seguintes procedimentos:

I - monitoramento reforçado, mediante a adoção de procedimentos mais


rigorosos para a apuração de situações suspeitas;

II - análise com vistas à verificação da necessidade das comunicações de que


tratam os arts. 12 e 13;

III - avaliação da alta gerência quanto ao interesse no início ou manutenção do


relacionamento com o cliente.

§ 2º Considera-se alta gerência qualquer detentor de cargo ou função de nível


hierárquico superior ao daquele ordinariamente responsável pela autorização do
relacionamento com o cliente.”

Com relação à manutenção de informações e registros, identificamos em seu art.


11, que as informações e registros de que trata esta circular devem ser mantidos
e conservados durante os seguintes períodos mínimos, contados a partir do
primeiro dia do ano seguinte ao do término do relacionamento com o cliente
permanente ou da conclusão das operações:

“I - 10 (dez) anos, para as informações e registros de que trata o art. 7º;

II - 5 (cinco) anos, para as informações e registros de que tratam os arts. 6º, 8º e


9º.

III - 5 (cinco) anos, para as informações cadastrais definidas nos arts. 2º e 3º.
(Incluído pela Circular 3.517, de 7/12/2010)

114
Parágrafo único. As informações de que trata o art. 2º devem ser mantidas e
conservadas juntamente com o nome da pessoa incumbida da atualização
cadastral, o nome do gerente responsável pela conferência e confirmação das
informações prestadas e a data de início do relacionamento com o cliente
permanente.”

E relacionando as comunicações ao Coaf, o art. 12 solicita que as instituições de


que trata o art. 1º devem comunicar ao Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (Coaf), na forma determinada pelo Banco Central do Brasil:

“I - as ocorrências de que trata o art. 8º, § 1º, inciso I, no prazo de até 5 (cinco)
dias úteis, após o encerramento do mês calendário;

II - as ocorrências de que trata o art. 9º, § 1º, incisos I e III, na data da operação.

Parágrafo único. Devem também ser comunicadas ao Coaf as propostas de


realização das operações de que trata o caput.

Art. 13. As instituições de que trata o art. 1º devem comunicar ao Coaf, na forma
determinada pelo Banco Central do Brasil:

I - as operações realizadas ou serviços prestados cujo valor seja igual ou


superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) e que, considerando as partes
envolvidas, os valores, as formas de realização, os instrumentos utilizados ou a
falta de fundamento econômico ou legal, possam configurar a existência de
indícios dos crimes previstos agora na Lei 12.683, de 2012;

II - as operações realizadas ou serviços prestados que, por sua habitualidade,


valor ou forma, configurem artifício que objetive burlar os mecanismos de
identificação, controle e registro;

III - as operações realizadas ou os serviços prestados, qualquer que seja o valor,


a pessoas que reconhecidamente tenham perpetrado ou intentado perpetrar atos
terroristas ou neles participado ou facilitado o seu cometimento, bem como a

115
existência de recursos pertencentes ou por eles controlados direta ou
indiretamente; e

IV - os atos suspeitos de financiamento do terrorismo.

§ 1º O disposto no inciso III aplica-se também às entidades pertencentes ou


controladas, direta ou indiretamente, pelas pessoas ali mencionadas, bem como
por pessoas e entidades atuando em seu nome ou sob seu comando.

§ 2º As comunicações das ocorrências de que tratam os incisos III e IV devem


ser realizadas até o dia útil seguinte àquele em que verificadas.

§ 3º Devem também ser comunicadas ao Coaf as propostas de realização das


operações e atos descritos nos incisos I a IV.

Art. 14. As comunicações de que tratam os arts. 12 e 13 deverão ser efetuadas


sem que seja dada ciência aos envolvidos.

§ 1º As comunicações relativas a cliente identificado como pessoa politicamente


exposta devem incluir especificamente essa informação.

§ 2º A alteração ou o cancelamento de comunicação, efetuados após o quinto


dia útil seguinte ao da sua inclusão, devem ser acompanhados de justificativa da
ocorrência.

Art. 15. As comunicações de que tratam os arts. 12 e 13 relativas a instituições


integrantes de conglomerado financeiro e a instituições associadas a sistemas
cooperativos de crédito podem ser efetuadas, respectivamente, pela instituição
líder do conglomerado econômico e pela cooperativa central de crédito.

Art. 16. As instituições de que trata o art. 1º devem manter, pelo prazo de 5
(cinco) anos, os documentos relativos às análises de operações ou propostas
que fundamentaram a decisão de efetuar ou não as comunicações de que
tratam os arts. 12 e 13.”

116
Um bom procedimento de prevenção a combate a lavagem de dinheiro, estará
sempre relacionado aos procedimentos internos de controle e o art. 17,
determina que o Banco Central do Brasil aplicará, cumulativamente ou não, as
sanções previstas no art. 12 da Lei 9.613, de 1998, na forma estabelecida no
Decreto 2.799, de 8 de outubro de 1998, às instituições mencionadas no art. 1º,
bem como aos seus administradores, que deixarem de cumprir as obrigações
estabelecidas nesta circular.

“Art. 18. As instituições de que trata o art. 1º devem indicar ao Banco Central do
Brasil diretor responsável pela implementação e cumprimento das medidas
estabelecidas nesta circular, bem como pelas comunicações de que tratam os
arts. 12 e 13.

§ 1º Para fins da responsabilidade de que trata o caput, admite-se que o diretor


indicado desempenhe outras funções na instituição, exceto a relativa à
administração de recursos de terceiros.

§ 2º No caso de conglomerados financeiros, admite-se a indicação de um diretor


responsável pela implementação e cumprimento das medidas estabelecidas
nesta circular, bem como pelas comunicações referentes às respectivas
instituições integrantes.

A circular 3.654, de 27 de março de 2013, altera a Circular no 3.461, de 24 de


julho de 2009, que consolida as regras sobre os procedimentos a serem
adotados na prevenção e combate às atividades relacionadas com os crimes
previstos na Lei 9.613, de 3 de março de 1998.”

“Art. 1º Os arts. 1º, 2º, 4º, 9º, 10, 12, 13, 14 e 17 da Circular 3.461, de 24 de
julho de 2009, passam a vigorar com a seguinte redação:

Art. 1º As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar


pelo Banco Central do Brasil devem implementar políticas, procedimentos e
controles internos, de forma compatível com seu porte e volume de operações,

117
destinados a prevenir sua utilização na prática dos crimes de que trata a Lei
9.613, de 3 de março de 1998.

................................................ (NR)

“Art. 2º ............................................

I - qualificação do cliente:

a) pessoas naturais: nome completo, filiação, nacionalidade, data e local do


nascimento, documento de identificação (tipo, número, data de emissão e órgão
expedidor) e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF);

b) pessoas jurídicas: firma ou denominação social, atividade principal, forma e


data de constituição, informações referidas na alínea “a” que qualifiquem e
autorizem os administradores, mandatários ou prepostos, número de inscrição
no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e dados dos atos constitutivos
devidamente registrados na forma da lei;

II - endereços residencial e comercial completos;

III - número do telefone e código de Discagem Direta a Distância (DDD);

IV - valores de renda mensal e patrimônio, no caso de pessoas naturais, e de


faturamento médio mensal referente aos doze meses anteriores, no caso de
pessoas jurídicas;

V - declaração firmada sobre os propósitos e a natureza da relação de negócio


com a instituição.

...................................................... (NR)

§ 4º As informações cadastrais relativas a cliente fundo de investimento devem


incluir a respectiva denominação, número de inscrição no CNPJ, bem como as
informações de que tratam os incisos I a III relativas às pessoas responsáveis
por sua administração.
118
................................................” (NR)

“Pessoas Expostas Politicamente (PEP)

Art. 4º As instituições de que trata o art. 1º devem obter de seus clientes


permanentes informações que permitam caracterizá-los ou não como pessoas
expostas politicamente (PEP) e identificar a origem dos fundos envolvidos nas
transações dos clientes assim caracterizados.

§ 1º Consideram-se PEP os agentes públicos que desempenham ou tenham


desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países, territórios e
dependências estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes,
assim como seus representantes, familiares e outras pessoas de seu
relacionamento próximo.

§ 2º No caso de clientes brasileiros, devem ser abrangidos:

......................................................

III - os membros do Conselho Nacional de Justiça, do Supremo Tribunal Federal,


dos tribunais superiores, dos tribunais regionais federais, do trabalho e eleitorais,
do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e do Conselho da Justiça Federal;

......................................................

VI - os governadores de Estado e do Distrito Federal, os presidentes de tribunal


de justiça, de assembleia e câmara legislativa, os presidentes de tribunal de
contas de Estado, do Distrito Federal e de Município, e de conselho de contas
dos Municípios;

......................................................

§ 3º .................................................

III - consultar bases de dados comerciais sobre PEP; e

119
IV - considerar como PEP a pessoa que exerce ou exerceu funções públicas
proeminentes em um país estrangeiro, tais como chefes de estado ou de
governo, políticos de alto nível, altos servidores governamentais, judiciais, do
legislativo ou militares, dirigentes de empresas públicas ou dirigentes de partidos
políticos.

§ 4º O prazo de cinco anos, referido no § 1º, deve ser contado, retroativamente,


a partir da data de início da relação de negócio ou da data em que o cliente
passou a se enquadrar como PEP.

......................................................

§ 6º No caso de relação de negócio com cliente estrangeiro que também seja


cliente de instituição estrangeira fiscalizada por entidade governamental
assemelhada ao Banco Central do Brasil, admite-se que as providências em
relação a PEP sejam adotadas pela instituição estrangeira, desde que
assegurado ao Banco Central do Brasil o acesso aos respectivos dados e
procedimentos adotados.

§ 7º As operações ou propostas de operações que possuam PEP como parte


envolvida serão sempre consideradas como merecedoras de especial atenção,
conforme previsto no art. 10.

§ 8º O disposto neste artigo também se aplica a pessoa que exerce ou exerceu


função de alta administração em uma organização internacional de qualquer
natureza, assim considerados diretores, subdiretores, membros de conselho ou
funções equivalentes.

................................................” (NR)

Art. 9º ............................................

§ 3º As instituições financeiras devem requerer de seus clientes comunicação


prévia, com, no mínimo, um dia útil de antecedência, de saque em espécie, de
valor igual ou superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais).
120
§ 4º O atendimento ao disposto no § 3º deve ser realizado sem prejuízo do
previsto no art. 2º da Resolução 3.695, de 26 de março de 2009.” (NR)

Art. 10. ...........................................

§ 1º .................................................

I - monitoramento contínuo reforçado, mediante a adoção de procedimentos


mais rigorosos para a apuração de situações suspeitas;

................................................” (NR)

Art. 12. ...........................................

I - as ocorrências de que trata o art. 8º, § 1º, inciso I; e

II - as ocorrências de que trata o art. 9º, § 1º, incisos I e III.

§ 1º Devem também ser comunicadas ao Coaf as propostas de realização das


operações de que tratam os incisos I e II do caput.

§ 2º As comunicações das ocorrências mencionadas no caput devem ser


realizadas até o dia útil seguinte àquele em que verificadas. (NR)

Art. 13. ...........................................

§ 2º As comunicações das ocorrências de que tratam os incisos I a IV do caput


devem ser realizadas até o dia útil seguinte àquele em que forem verificadas.

................................................ (NR)

Art. 14. As comunicações de que tratam os arts. 12 e 13 deverão ser efetuadas


sem que seja dada ciência aos envolvidos ou a terceiros.

................................................ (NR)

121
Art. 17. O Banco Central do Brasil aplicará, cumulativamente ou não, as
sanções previstas no art. 12 da Lei 9.613, de 1998, na forma estabelecida pela
legislação, às instituições mencionadas no art. 1º desta Circular, bem como aos
seus administradores que deixarem de cumprir as obrigações estabelecidas
nesta Circular. (NR)

Art. 2º A Circular 3.461, de 2009, fica acrescida do art. 15-A, com a seguinte
redação:

Art. 15-A. As instituições de que trata o art. 1º que não tiverem efetuado
comunicações nos termos dos arts. 12 e 13 em cada ano civil deverão prestar
declaração, por meio do Sistema de Controle de Atividades Financeiras
(Siscoaf), atestando a não ocorrência de transações passíveis de comunicação
conforme previsto nesta Circular.

Parágrafo único. A declaração mencionada no caput deve ser:

I - enviada em até dez dias úteis, após o encerramento do ano civil;

II - considerada para fins da verificação do atendimento ao disposto no art. 11,


inciso III, da Lei 9.613, de 1998; e

III - fornecida, no que se refere ao art. 12, apenas pelas instituições que mantêm
os registros mencionados nos arts. 8º e 9º desta Circular.

Art. 3º Esta Circular entra em vigor na data de sua publicação.”

122
Tela do site do Siscoaf

123
O caso Franklin Jurado (EUA – 1990-1996)

Este caso ilustra o que seria um ciclo clássico de lavagem de dinheiro.


Economista colombiano formado em Harvard, Jurado coordenou a lavagem de
cerca de US$ 36 milhões em lucros obtidos por José Santacruz-Londono com o
comércio ilegal de drogas.

O depósito inicial é o estágio mais arriscado, pois o dinheiro ainda está próximo
de suas origens – no caso, Panamá. Durante um período de três anos, Jurado
transferiu dólares de bancos panamenhos para mais de 100 contas diferentes
em 68 bancos de nove países, mantendo os saldos abaixo de US$ 10 mil para
evitar investigações.

Os fundos foram novamente transferidos, dessa vez, para contas de


organizações de fachada na Europa, de maneira a obscurecer a nacionalidade
dos correntistas originais. Finalmente, os fundos voltaram à Colômbia, por meio
de investimentos feitos por companhias europeias em negócios legítimos, como
restaurantes, construtoras e laboratórios farmacêuticos, que não levantariam
suspeitas.

O esquema foi interrompido com a falência de um banco em Mônaco, quando


várias contas ligadas a Jurado foram expostas. Fortalecidas por leis
antilavagem, a polícia começou a investigar o caso e Jurado foi preso.

124
CASO FRANKLIN JURADO (1990 -1996)
EUA – 1990 a 1996 – US$ 36 milhões

Indicador
Franklin Jurado Falência de um Banco
José Santacruz- em Mônaco
Londono com C/C Expostas

Colômbia

Restaurante Construtora
+ 100 C/C s s
Depósito 68 Bancos
Inicial Laboratórios
9 Países

C C C Empresas de
Bancos Fachada na
Panamenhos Europa
C C C

Saldos abaixo de
US$ 10 mil

Além do comércio ilegal de drogas, a lavagem de dinheiro pode servir para a


legalização de bens oriundos de outros crimes antecedentes, como sequestro e
corrupção, todos especificados pela já citada Lei 9.613/98.

Alguns setores são muito visados no processo de lavagem de dinheiro, entre


eles, destacam-se: instituições financeiras; paraísos fiscais; bolsa de valores;
companhias seguradoras; mercado imobiliário; jogos e sorteios.

125
Legislação sobre Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro

A seguir, apresentamos a legislação disponível no site do COAF referente à


prevenção e combate à lavagem de dinheiro.

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

Lei 9.613, de 03 de março de 1998 - Revogada pela Lei 12.683/12

Dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores; a


prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei;
cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e dá outras
providências.

Lei 12.683, de 9 de julho de 2012

Altera a Lei no 9.613, de 3 de março de 1998, para tornar mais eficiente a


persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro.

Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001

Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras


providências.

Lei 7.170, de 14 de dezembro de 1983

Define os crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social,


estabelece seu processo e julgamento e dá outras providências.

Lei 7.560, de 19 de dezembro de 1986

Cria o Fundo de Prevenção, Recuperação e de Combate às Drogas de Abuso,


dispõe sobre os bens apreendidos e adquiridos com produtos de tráfico ilícito de
drogas ou atividades correlatas, e dá outras providências.

Lei 8.072, de 25 de julho de 1990

Dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do art. 5 o, inciso XIII, da


constituição federal, e determina outras providências.

126
Lei 9.034, de 3 de maio de 1995

Dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão


de ações praticadas por organizações criminosas.

Lei 10.217, de 11 de abril de 2001

Altera os arts. 1o e 2o da lei 9.034, de 3 de maio de 1995, que dispõe sobre a


utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações
praticadas por organizações criminosas.

Lei 10.744, de 9 de outubro de 2003

Dispõe sobre a assunção, pela união, de responsabilidades civis perante


terceiros no caso de atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos,
contra aeronaves de matrícula brasileira operadas por empresas brasileiras de
transporte aéreo público, excluídas as empresas de táxi aéreo.

Decreto 2.799, de 08 de outubro de 1998

Aprova o estatuto do conselho de controle de atividades financeiras (COAF).

Portaria 330, de 18 de dezembro de 1998

Aprova o regimento interno do conselho de controle de atividades financeiras


(COAF).

Portaria 350, de 16 de outubro de 2002

IN-SRF 117, de 6 de outubro de 1998

Dispõe sobre o tratamento tributário e os procedimentos de controle aduaneiro


aplicáveis aos bens de viajante.

IN-SRF 120, de 15 de outubro de 1998

Institui declarações que instruem o despacho aduaneiro de bagagem e dá outras


providências.

IN-SRF 619, de 7 de fevereiro de 2006

Institui a declaração eletrônica de porte de valores (e-DPV) e disciplina a sua


utilização na entrada e na saída de valores portados por pessoas em viagem
internacional.

127
IN-SRF 802, de 27 de dezembro de 2007

Dispõe sobre a prestação de informações de que trata o art. 5 o da lei


complementar n. 105, de 10 de janeiro de 2001.

Normas do Banco Central

Contém a Legislação referente ao tema Lavagem de Dinheiro

Circular 3.653, de 27 de março de 2013

Altera o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais


(RMCCI).

Circular 3.654, de 27 de março de 2013

Altera a Circular 3.461, de 24 de julho de 2009, que consolida as regras sobre os


procedimentos a serem adotados na prevenção e combate às atividades
relacionadas com os crimes previstos na Lei 9.613, de 3 de março de 1998.

Carta-circular 3.542, de 12 de março de 2012

Divulga relação de operações e situações que podem configurar indícios de


ocorrência dos crimes previstos na Lei 9.613, de 3 de março de 1998, passíveis
de comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Circular 3461, de 24 de julho de 2009

Consolida as regras sobre os procedimentos a serem adotados na prevenção e


combate às atividades relacionadas com os crimes previstos na Lei 9.613, de 3
de março de 1998.

Carta-circular 3.342, de 02.10.2008

Dispõe sobre a comunicação de movimentações financeiras ligadas ao


terrorismo e ao seu financiamento.

Carta-circular nº 3.151, de 03.12.2004

Divulga instruções para as comunicações previstas no art. 4º da Circular 2.852,


de 3 de dezembro de 1998, e na Carta-Circular 3.098, de 11 de junho de 2003.

128
Carta-circular 3.136, de 17.05.2004

Altera os títulos referentes ao Iraque e ao Afeganistão constantes do


Regulamento sobre Países com Disposições Cambiais Especiais da
Consolidação das Normas Cambiais-CNC.

Carta-circular 3.098 de 11.06.2003

Esclarece sobre o registro de depósitos e retiradas em espécie, bem como de


pedidos de provisionamento para saques.

Circular 3.030, de 12.04.01

Dispõe sobre a identificação e o registro de operações de depósitos em cheque


e de liquidação de cheques depositados em outra instituição financeira, bem
como de emissões de instrumentos de transferência de recursos.

Carta-circular 3430, de 11 de fevereiro de 2010

Esclarece aspectos relacionados à prevenção e combate às atividades


relacionadas com os crimes previstos na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998,
tratados na Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009.

Circular 3570, de 23 de dezembro de 2011

Estabelece a obrigatoriedade de prestação de informações relacionadas às


Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU)
incorporadas ao ordenamento jurídico brasileiro, promove alterações no
Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI) e dá
outras providências.

Circular 3583, de 12 de março de 2012

Altera a Circular 3.461, de 24 de julho de 2009, que consolida as regras sobre os


procedimentos a serem adotados na prevenção e combate às atividades
relacionadas com os crimes previstos na Lei 9.613, de 3 de março de 1998.

129
Resoluções do COAF

COAF - Resolução 002, de 13 de abril de 1999 (*) - Revogada

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas empresas de fomento


comercial (factoring) - revogada pela Resolução 12.

COAF - Resolução 003, de 2 de junho de 1999 (*)

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas entidades que


efetuem, direta ou indiretamente, distribuição de dinheiro ou quaisquer bens
móveis ou imóveis, mediante sorteio ou método assemelhado.

COAF - Resolução 004, de 2 de junho de 1999 (*)

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas físicas ou


jurídicas que comercializem joias, pedras e metais preciosos.

COAF - Resolução 005, de 2 de julho de 1999

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas jurídicas que


explorem jogos de bingo e/ou assemelhados.

COAF - Resolução 006, de 2 de julho de 1999

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas administradoras de


cartões de credenciamento ou de cartões de crédito.

COAF - Resolução 007, de 15 de setembro de 1999

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas Bolsas de


Mercadorias e corretores que nelas atuam.

130
COAF - Resolução 008, de 15 de setembro de 1999

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas físicas ou


jurídicas que comercializem objetos de arte e antiguidades.

COAF - Resolução 009, de 05 de dezembro de 2000

Dá nova redação ao art. 3º e ao item "2" do anexo à Resolução 003, de 2 de


junho de 1999, que dispõe sobre procedimentos a serem observados pelas
entidades que efetuem, direta ou indiretamente, distribuição de dinheiro ou
quaisquer bens móveis ou imóveis, mediante sorteio ou método assemelhado,
bem como aos art. 3º, 9º e 10 e aos itens 2, 3 e 4 do anexo à Resolução 005, de
2 de julho de 1999, que dispõe sobre os procedimentos a serem observados
pelas pessoas jurídicas que explorem jogos de bingo e/ou assemelhados.

COAF - Resolução 010, de 19 de novembro de 2001

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas jurídicas não


financeiras prestadoras de serviços de transferência de numerário.

COAF - Resolução 011, de 16 de março de 2005

Aprova o Código de Ética dos Servidores da Secretaria Executiva do Conselho


de Controle de Atividades Financeiras. (Coaf)

COAF - Resolução 012, de 31 de maio de 2005 - Revogada

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas empresas de fomento


comercial ou mercantil (factoring) - revogada pela Resolução 13.

COAF - Resolução 013, de 30 de setembro de 2005

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas empresas de fomento


comercial ou mercantil. (factoring)

131
COAF - Resolução 014, de 23 de outubro de 2006

Resolução COFECI 1.168 de 9 de abril de 2010

COAF - Resolução 015, de 28 de março de 2007

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas físicas e


jurídicas reguladas pelo COAF, em decorrência do contido no § 1º do art. 14 da
Lei 9.613, de 3 de março de 1998, relativamente a operações ou propostas de
operações ligadas ao terrorismo ou seu financiamento.

COAF - Resolução 016, de 28 de março de 2007

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas reguladas


pelo COAF, na forma do § 1º do artigo 14 da Lei 9.613, de 3 de março de 1998,
relativamente a operações ou propostas de operações realizadas por pessoas
politicamente expostas.

COAF - Resolução 17, de 13 de maio de 2009 - Revogada

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas jurídicas que


efetuem, direta ou indiretamente, distribuição de dinheiro ou quaisquer bens
móveis ou imóveis mediante a exploração de loterias de que trata o Decreto-Lei
204, de 27 de fevereiro de 1967.

COAF - Resolução 18, de 26 de agosto de 2009

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas jurídicas que


efetuem, direta ou indiretamente, distribuição de dinheiro ou quaisquer bens
móveis ou imóveis mediante a exploração de loterias de que trata o Decreto-Lei
204/67, de 27 de fevereiro de 1967.

COAF - Resolução nº 19, de 16 de fevereiro de 2011

Institui o Diploma de Mérito COAF e cria normas para sua concessão.


132
COAF - Resolução 020, de 29 de fevereiro de 2012 (Esta Resolução
entra em vigor em 1°/09/2012).

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas reguladas


pelo COAF, na forma do § 1º do art. 14 da Lei 9.613, de 3.3.1998.
CONSIDERANDO que os princípios e diretrizes da prevenção à lavagem de
dinheiro e ao financiamento do terrorismo aplicam-se de forma substancialmente
igual aos setores obrigados;

DELIBEROU e APROVOU a RESOLUÇÃO a seguir, em conformidade com as


normas constantes dos arts. 9º; 10, incisos I e II; 11, § 3º, e 14, caput e § 1º,
todos da Lei 9.613, de 3.3.1998.

Seção I - Do Alcance

Art. 1º A presente Resolução tem por objetivo estabelecer normas gerais de


prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, sujeitando-
se ao seu cumprimento:

I – as empresas de fomento comercial (factoring);

II - as sociedades que efetuem distribuição de dinheiro ou quaisquer bens


móveis, imóveis, mercadorias, serviços, ou, ainda, concedam descontos na sua
aquisição, mediante sorteio ou método assemelhado;

III – as filiais ou representações de entes estrangeiros que exerçam, no Brasil,


qualquer das atividades a que se refere este artigo, ainda que de forma eventual;

IV - as pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que operem no


Brasil como agentes, dirigentes, procuradoras, comissionárias ou por qualquer
forma representem interesses de ente estrangeiro que exerça qualquer das
atividades a que se refere este artigo;

V - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem jóias, pedras e metais


preciosos, objetos de arte e antiguidades;

133
VI - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo ou de alto
valor ou exerçam atividades que envolvam grande volume de recursos em
espécie, inclusive as que comercializem aeronaves, embarcações e veículos
automotores terrestres; e

VII – as pessoas jurídicas que prestem serviços de pagamento ou de


transferência de fundos mediante a utilização de meio eletrônico, magnético ou
equivalente, para as quais não exista órgão próprio fiscalizador ou regulador.

Parágrafo único. As pessoas de que trata este artigo devem observar as


disposições desta Resolução em todos os negócios e operações que realizarem,
inclusive naqueles que envolverem:

I - a compra ou venda de outros bens ou a prestação de outros serviços não


pertinentes nem vinculados à atividade principal desenvolvida; e

II – a compra ou venda de bens móveis ou imóveis que integrem seu ativo.

Seção II - Da Política de Prevenção

Art. 2º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1º devem estabelecer e


implementar política de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do
terrorismo compatível com seu porte, a qual deve abranger procedimentos
destinados:

I – à identificação e realização de devida diligência para a qualificação dos


clientes, terceiros intervenientes e demais envolvidos nas operações que
realizarem;

II - à obtenção de informações sobre o propósito e a natureza da relação de


negócios;

III - à identificação do beneficiário final das operações que realizarem;

IV - à identificação de operações ou propostas de operações suspeitas;

134
V - ao enquadramento das operações que realizarem e dos clientes em
categorias de risco de lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo,
levando em consideração, no mínimo, os seguintes critérios:

a) tipos de clientes, terceiros intervenientes e demais envolvidos nas operações


que realizam;

b) tipos de produtos e serviços negociados;

c) meios de pagamento utilizados;

d) forma de realização das operações; e

VI – à verificação periódica da eficácia da política adotada.

§ 1º A política mencionada no caput deve ser formalizada expressamente, com


aprovação pelo detentor de autoridade máxima de gestão, abrangendo, também,
procedimentos para:

I - a seleção e o treinamento de empregados;

II - a disseminação do seu conteúdo ao quadro de pessoal por processos


institucionalizados de caráter contínuo;

III - o monitoramento das atividades desenvolvidas pelos empregados; e

IV - a prevenção de conflitos entre os interesses comerciais/empresariais e os


mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do
terrorismo.

§ 2º As disposições do § 1º deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas


enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e
Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte –
SIMPLES NACIONAL.

135
Art. 3º As pessoas de que trata o art. 1º devem avaliar a existência de suspeição
nas propostas e/ou operações de seus clientes, dispensando especial atenção
àquelas que, por suas características, no que se refere a partes envolvidas,
valores, forma de realização, complexidade, atipicidade, instrumentos utilizados
ou pela falta de fundamento econômico ou legal, possam configurar indício de
crime.

Seção III - Do Cadastro de Clientes, Terceiros Intervenientes e Demais


Envolvidos

Art. 4º As pessoas de que trata o art. 1º devem manter cadastro de seus


clientes, de terceiros intervenientes e dos demais envolvidos nas operações que
realizarem, inclusive representantes e procuradores, em relação aos quais
devem constar, no mínimo:

I – a identificação e a qualificação;

II – informações que permitam aferir suas capacidades econômico-financeiras;

III – a categoria de risco na qual foi enquadrado; e

IV – os registros e as análises de que tratam os arts. 5º, 6º e 11, bem como as


correspondências de que trata o art.12.

Parágrafo único. Ato do Presidente do COAF detalhará o cumprimento das


disposições deste artigo.

Art. 5º Os elementos constantes do cadastro devem obedecer a níveis de


detalhamento diferenciados, proporcionais às categorias de risco em que se
enquadrem o cliente, o terceiro interveniente e os demais envolvidos.

§ 1º Nas categorias de risco elevado ou nas situações designadas por ato do


Presidente do COAF, deve-se:

I - adotar diligência adicional para obtenção e confirmação das informações


cadastrais; e
136
II – iniciar, dar continuidade ou concluir a operação ou o relacionamento com o
cliente, somente após o registro expresso de autorização da Diretoria.

§ 2º O cadastro deve ser objeto de atualização periódica, sem prejuízo de


atualizações circunstanciais que se fizerem necessárias, de modo a assegurar
constante fidedignidade das informações.

§ 3º As pessoas de que trata o art. 1º devem adotar procedimentos adicionais de


verificação sempre que houver dúvida quanto à fidedignidade das informações
constantes do cadastro ou quando houver suspeita da prática dos crimes
previstos na Lei 9.613, de 3.3.1998.

Art. 6º Com o objetivo de identificar o beneficiário final das operações que


realizarem, as pessoas de que trata o art. 1º devem adotar medidas adequadas
para compreenderem a composição acionária e a estrutura de controle dos
clientes pessoas jurídicas.

Parágrafo único. Quando não for possível identificar o beneficiário final, as


pessoas de que trata o art. 1º devem dispensar especial atenção à operação,
avaliando a conveniência de realizá-la ou de estabelecer a relação de negócio.

Seção IV - Do Registro das Operações

Art. 7º As pessoas de que trata o art. 1º devem manter registro de todas as


operações que realizarem, dos quais devem constar:

I – a identificação dos clientes, terceiros intervenientes e demais envolvidos; e

II – os valores, as datas e os meios e formas de pagamento envolvidos.

Parágrafo único. Ato do Presidente do COAF detalhará o cumprimento das


disposições deste artigo.

137
Seção V - Das Comunicações ao COAF

Art. 8º. As pessoas de que trata o art. 1º devem comunicar ao COAF, no prazo
de 24 (vinte e quatro) horas, abstendo-se de dar ciência aos clientes, terceiros
intervenientes e demais envolvidos, a proposta ou a realização de operações:

I – consideradas suspeitas em razão:

a) das partes, terceiros intervenientes e demais envolvidos;

b) dos valores, modo de realização e meio e forma de pagamento;

c) da falta de fundamento econômico ou legal; ou

d) de empecilho ao acesso a informações relevantes provocado pelo cliente,


terceiros intervenientes ou demais envolvidos; ou

II - definidas como de comunicação automática em ato do Presidente do COAF.

Parágrafo único. Os procedimentos para apuração de suspeição devem ser


recorrentes, inclusive, quando necessário, com a realização de outras diligências
além das expressamente previstas nesta Resolução e em atos do Presidente do
COAF.

Art. 9º. Caso não sejam identificadas, durante o semestre civil, operações ou
propostas a que se refere o art. 8º, as pessoas de que trata o art. 1º devem
declarar tal fato ao COAF no prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último dia
do respectivo semestre.

Art. 10. As comunicações devem ser encaminhadas por meio de formulário


eletrônico disponível no endereço www.coaf.fazenda.gov.br.

Parágrafo único. As informações fornecidas ao COAF são classificadas como


confidenciais, nos termos do § 3º do art. 5º do Decreto 4.553, de 27.12.2002.

138
Art. 11. As pessoas de que trata o art. 1º devem manter registro fundamentado
das decisões de proceder ou não às comunicações previstas no art. 8º, bem
como das análises de que trata o art. 3º.

Seção VI - Da Guarda e Conservação de Registros e Documentos

Art. 12. As pessoas de que trata o art. 1º devem conservar os cadastros e


registros de que tratam os arts. 4º, 5º, 6º, 7º e 11 desta Resolução, bem como as
correspondências impressas e eletrônicas que disponham sobre a realização de
operações, por, no mínimo, 5 (cinco) anos, contados:

I - do encerramento da relação contratual com o cliente, para os cadastros; e

II - da conclusão das operações, para os respectivos registros e


correspondências, e para os registros previstos no art. 5º, § 1º, inciso II, e no art.
11, ambos desta Resolução.

Seção VII - Das Disposições Finais

Art. 13. A utilização de informações cadastrais e de análises de riscos existentes


em bancos de dados de entidades públicas ou privadas não substitui nem supre
as exigências previstas nos artigos 4º, 5º, 6º, e 7º, admitido seu uso para, em
caráter complementar, confirmar dados e informações previamente coletados.

Art. 14. As pessoas de que trata o art. 1º devem cadastrar-se no COAF, por
meio de formulário eletrônico disponível no endereço
http://www.coaf.fazenda.gov.br, mantendo constante atualização do seu
cadastro.

Art. 15. As comunicações feitas de boa-fé, conforme previsto no § 2º do artigo 11


da Lei 9.613, de 3.3.1998, não acarretarão responsabilidade civil ou
administrativa.

139
Art. 16. As pessoas de que trata o art. 1º, bem como os seus administradores,
que deixarem de cumprir as obrigações desta Resolução sujeitam-se às sanções
previstas no art. 12 da Lei 9.613, de 3.3.1998.

Art. 17. Fica o Presidente do COAF autorizado a expedir as instruções


necessárias ao cumprimento desta Resolução e os atos a que se referem os
artigos 4º, 5º, 7º e 8º.

Art. 18. Esta Resolução entrará em vigor em 1º.9.2012, quando ficarão


revogadas as seguintes Resoluções do COAF:

I - nº 3, de 2.6.1999, que dispõe sobre os procedimentos a serem observados


pelas entidades que efetuem, direta ou indiretamente, distribuição de dinheiro ou
quaisquer bens móveis ou imóveis, mediante sorteio ou método assemelhado;

II – nº 4, de 2.6.1999, que dispõe sobre os procedimentos a serem observados


pelas pessoas físicas ou jurídicas que comercializem joias, pedras e metais
preciosos;

III – nº 5, de 2.7.1999, que dispõe sobre os procedimentos a serem observados


pelas pessoas jurídicas que explorem jogos de bingo e/ou assemelhados;

IV – nº 8, de 15.9.1999, que dispõe sobre os procedimentos a serem observados


pelas pessoas físicas ou jurídicas que comercializem objetos de arte e
antiguidades;

V – nº 9, de 5.12.2000, que altera as Resoluções nº 3 e nº 5;

VI – nº 10, de 19.11.2001, que dispõe sobre os procedimentos a serem


observados pelas pessoas jurídicas não financeiras prestadoras de serviços de
transferência de numerário;

VII – nº 13, de 30.9.2005, que dispõe sobre os procedimentos a serem


observados pelas empresas de fomento comercial ou mercantil (factoring);

140
VIII – nº 14, de 23.10.2006, que dispõe sobre os procedimentos a serem
observados pelas pessoas jurídicas que exerçam atividades de promoção
imobiliária ou compra e venda de imóveis; e

IX – nº 18, de 26.8.2009, que dispõe sobre os procedimentos a serem


observados pelas pessoas jurídicas que efetuem, direta ou indiretamente,
distribuição de dinheiro ou quaisquer bens móveis ou imóveis mediante a
exploração de loterias de que trata o Decreto-Lei 204, de 27.2.1967.

141
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

NOÇÕES BÁSICAS DE MATEMÁTICA


FINANCEIRA

142
Conceitos Fundamentais

Todos nós sabemos da importância da Matemática Comercial e Financeira na


vida das pessoas. Economistas, Administradores de Empresa, Professores,
Empresários, Estudantes, Candidatos a Concursos Públicos: todos precisam
estar familiarizados e atualizados com seus conceitos fundamentais.

Normalmente o que acontece na maioria dos cursos de graduação, é que


aprendemos, de forma muito rápida, a usar a máquina na obtenção das
respostas dos problemas principais e, quase sempre, não sabemos ao menos o
que estamos fazendo e os conceitos que estão envolvidos na solução do
problema.

É importante compreender o mercado financeiro brasileiro, enfocando sempre os


conceitos matemáticos envolvidos nas operações bancárias realizadas pelos
Correspondentes, sendo interessante o conhecimento e uso de calculadora
financeira (HP-12C ou equivalente).

143
Juros Simples

 Taxa de Juros: é a razão entre os juros recebidos ou pagos no fim de um


período de tempo e o capital inicialmente empregado. A taxa está sempre
relacionada com a unidade de tempo (dia, mês, trimestre, semestre, ano,
entre outros).
144
 Capitalização Simples: é aquela em que a taxa de juros incide somente sobre
o capital; não incide, pois, sobre os juros acumulados.

 Capitalização Composta: é aquela em que a taxa de juros incide sempre


sobre o capital inicial, acrescido de juros acumulados até o período anterior.
Nesse regime de capitalização, a taxa varia exponencialmente em função do
tempo.

145
O juro é a remuneração pelo empréstimo do dinheiro. Ele existe porque a
maioria das pessoas prefere o consumo imediato e está disposta a pagar um
preço por isso.

Por outro lado, quem for capaz de esperar até possuir a quantia suficiente para
adquirir um bem desejado, e neste ínterim estiver disposta a emprestar essa
quantia a alguém, menos paciente, deve ser recompensado por esta abstinência
na proporção do tempo e risco, que a operação envolver.

O tempo, o risco e a quantidade de dinheiro disponível no mercado para


empréstimos definem qual deverá ser a remuneração, mais conhecida como
taxa de juros.

146
Juros Compostos

147
148
A taxa de juros pode ser:

 Pré-fixada - quando é pactuada no momento em que você fecha o contrato,


seja de empréstimo ou de uma aplicação financeira;

 Pós-fixada - quando o rendimento nominal vai ser definido no final do


período. O investimento indexado à inflação é uma mistura de pré e pós-
fixado, pois a taxa de juros real é pré-fixada, e será acrescida da inflação
pós-fixada para se determinar o rendimento nominal.

149
Juros Pré e Pós-Fixados

Juros de Mora

Juro de mora é uma taxa percentual sobre o atraso do pagamento de


um título de crédito, em um determinado período de tempo. O juro de
mora é a pena imposta ao devedor pelo atraso no cumprimento de sua
obrigação.

150
O juro de mora funciona como uma espécie de indenização pelo
retardamento na execução do débito; os juros podem ser
convencionados entre as partes ou, na ausência de convenção, serão
aplicados os juros determinados pela lei. São acréscimos permitidos
em lei ao credor de uma dívida; é um mecanismo legal para evitar o
calote dos que estão devendo.

Taxas Proporcionais x Taxas Equivalentes

O conceito de taxas proporcionais está ligado ao regime de juros simples e o de


taxas equivalentes está diretamente ligado ao regime de juros compostos.
Assim, a diferença entre taxas equivalentes e taxas proporcionais se prende
exclusivamente ao regime de juros considerado. As taxas proporcionais se
baseiam em juros simples e as taxas equivalentes, em juros compostos.

151
Taxa Nominal x Taxa Efetiva

 Quando o período de formação e incorporação dos juros ao Capital não


coincide com aquele a que a taxa está, estamos diante de uma TAXA
NOMINAL.

 Taxas Nominais não representam os juros efetivamente pagos e precisam


ser interpretadas e devidamente convertidas para TAXAS EFETIVAS, porque
são essas que correspondem aos juros efetivamente pagos.

 E o mais importante: taxas nominais são taxas proporcionais e não


equivalentes!

152
153
Série Uniforme de Pagamentos e de Desembolsos

 SAC - é a modalidade mais comum do mercado. Pelo sistema, todo mês o


comprador amortiza uma parte igual do principal da dívida. Resultado: no
mês seguinte, como o saldo devedor é menor, os gastos com juros caem e,
consequentemente, a prestação também encolhe. Assim ocorre
sucessivamente até o final do contrato. A grande vantagem do sistema é que,
terminado o financiamento, o volume desembolsado no pagamento de juros é
menor. A desvantagem está no fato de que as prestações iniciais costumam
ficar entre 20% e 30% acima das cobradas na Tabela Price. É importante
também ressaltar que o SAC, corrigido pela TR, não pode ser utilizado em
financiamentos com prestações pré-fixadas.

 Tabela Price - as prestações são calculadas de forma a se manter


constantes ao longo dos pagamentos, embora possa ser prevista a correção
pela TR. Pelo sistema, o pagamento da quantia referente ao principal da
dívida é menor no começo do contrato. Com a amortização reduzida, o
comprador acaba desembolsando mais, no pagamento dos juros.

154
Sistemas de Amortização

Sistemas de Amortizações Constantes (SAC)

155
156
Sistema Francês ou Tabela Price

157
Cálculos com a HP 12C

158
159
FORMAÇÃO DE CORRESPONDENTES

MÓDULO I

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

NOÇÕES DE CRÉDITO

160
Intermediação Financeira

O crédito é muito importante para alavancar o crescimento econômico. Unidades


familiares buscam empréstimos para financiar as necessidades de gastos que
superem suas rendas correntes. As empresas buscam empréstimos para
financiar seus investimentos e sua produção. O governo busca empréstimos
para pagar suas dívidas e também para realizar investimentos. O instrumento
necessário para a realização desses empreendimentos será algum mecanismo
de crédito.

Por outro lado, alguém (pessoa física ou empresa) terá de adiar seu consumo
presente e aplicar seus recursos no mercado financeiro. Essa postergação do
consumo presente será compensada por uma remuneração.

O mercado financeiro é responsável por fazer o papel de intermediador desse


processo, captando o que é poupado pelas famílias e empresas de um lado, e
provendo financiamento para o investimento e consumo, de outro, por meio das
operações de crédito.

161
Conceito de Crédito

162
Classificação do Crédito

Modalidades de Crédito

163
Crédito Direto ao Consumidor

Crédito Pessoal

164
Crédito Consignado

Análise de Crédito

165
 A análise de crédito consiste em atribuir valores a um conjunto de fatores que
permitam a emissão de um parecer sobre determinada operação de crédito.
Para cada fator individual, emitimos um valor subjetivo (positivo ou negativo).

 Se o conjunto de fatores apresentar valores positivos em maior número que


os negativos, a tendência é que o parecer seja favorável à concessão do
crédito. O processo de concessão de crédito para pessoas físicas ou
jurídicas é muito parecido; todos têm um fluxo bem semelhante. A pessoa
física tem sua fonte de renda e suas despesas que podem ser de curto ou
longo prazo.

166
Processos e Ferramentas

 Analisando os fatores caráter e capacidade é possível emitir um parecer. Os


fatores possibilitam ter uma ideia do provável comportamento do cliente.
Estaremos analisando o seu passado e tentaremos prever seu
comportamento futuro.

 Tentando assim só conceder crédito aos que demonstrem maiores e


melhores chances de honrar seus compromissos. Outro fator de vital
importância são as garantias. Apesar de não devermos realizar qualquer
operação de crédito baseada somente nas garantias, estas são um fator
fundamental na análise do crédito, pois podem nos dar a certeza de que no
caso de um sinistro, nosso capital investido terá um retorno mais rápido.

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Parâmetros Básicos para o Crédito

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A Análise de Crédito da Pessoa Física

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O processo de análise de crédito para pessoa física visa a identificar os riscos
para a organização que está concedendo o crédito, evidenciar conclusões
quanto à capacidade de pagamento do tomador e fazer recomendações sobre o
melhor tipo de empréstimo a ser concedido.

Esse processo é extremamente importante para a análise de crédito efetuada


em organizações de concessão de microcrédito, principalmente devido à
simplificação e desburocratização dessa modalidade, conforme explicado
anteriormente.
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É preciso dizer, ainda, que a análise de crédito é um processo organizado para
reunir e montar todos os fatos que conduzem ao problema, determinar as
questões e suposições relevantes para a tomada de decisão, analisar e avaliar
os fatos levantados e desenvolver uma decisão, a partir das alternativas
funcionais e aceitáveis.

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Exemplo de Modelo de Credit Scoring

 O Credit Scoring consiste numa análise estatística à qualidade de crédito


(risco de crédito) de um grande número de empréstimos, correlacionando os
não cumprimentos desses empréstimos com as suas características e as dos
seus contraentes, permitindo a construção de um modelo onde cada
característica contribui para estimar a probabilidade final de
descumprimentos.

 Dessa forma, torna-se possível a um banco, seguradora, emissor de cartões


de crédito ou qualquer outra empresa de concessão de crédito, estimar a
probabilidade de um determinado proponente cumprir integralmente a dívida
que se propõe a contrair, formatando o seu perfil e as condições do crédito,
numa expressão, normalmente numérica, que serve para avaliar a sua
capacidade de cumprimento face à tabela de credit score construída com
base na análise estatística acima referida.

 De acordo com o risco dessa forma atribuído ao proponente e ao crédito que


propõe, o decisor de crédito aprova ou não a operação de financiamento e,
se aprovar, pode adequar o pricing do crédito ao risco que comporta.

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