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Índice

Introdução.......................................................................................................................................2

Objectivo geral................................................................................................................................2

objectivo especificos.......................................................................................................................2

HISTÓRICO DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO......................................................................3

O Pensamento Geográfico Na Antiguidade Clássica.....................................................................6

A Sistematização DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA COM HUMBOLDT E RITTER......................7

O Pensamento Geográfico Na idade média..................................................................................10

O Pensamento Geografico na era Contemporânea.......................................................................11

CONCLUSÃO..............................................................................................................................15

Referencias bibliograficas.............................................................................................................16
Introdução
Nesta cadeira de técnicas e metodologia em geografia física quer dizer que toda ciência é
considerada um conjunto de teorias e modelos que visam o conhecimento, a partir da aplicação de
determinado metodologia e busca o seu contínuo processo de renovação de reflexão sobre o
conhecimento científico. Nesta cadeira vou tratar o tema que fala sobre o pensamento geográfico
( na antiguidade clássica, idade media, e idade contemporânea). Desde a antiguidade o homem
vem se preocupando em estudar o espaço em que vive. Entre os povos primitivos, aqueles que
viveram na pré-história mesmo sem conhecimentos da escrita já eram ideias geográficas.
Transmitiam os conhecimentos através da oralidade e dos manuscritos em rochas, demonstrando
ter uma concepção de mundo. Para uma melhor compreensão do avanço das técnicas no nosso
espaço de vivência e no que diz respeito ao desenvolvimento da ciência geográfica, necessitamos
conhecer as origens do pensamento geográfico, desde os tempos mais remotos quando o homem
mesmo sem o desenvolvimento da ciência já tinham ideias geográficas, perpassando por diversas
concepções filosóficas até chegarmos a sua sistematização. Pesquisar, descrever e analisar as
transformações ocorridas no espaço geográfico é de fundamental importância, destacando a
necessidade de retomarmos aos clássicos, a fim de conhecermos a sua história, bem como
refletirmos sobre as contribuições de grandes pensadores como Humboldt e Rittter para a
construção do pensamento geográfico contemporâneo. O presente trabalho tem como objetivo
descrever e analisar essas contribuições para a construção da Geografia como ciência.

Objectivo geral
 Comprender importancias das transformações ocorridas no espaço geográfico

objectivo especificos
 Descrever e as contribuições para a construção da Geografia como ciência.
 Analisar contribuições para a construção da Geografia como ciência
 Descrever o histórico do pensamento geográfico
HISTÓRICO DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO
Desde os tempos mais remotos, no período da Antiguidade, os povos viviam em grupos os quais se
deslocavam em busca de meios de subsistência e assim conheciam o espaço em que viviam.
Tinham conhecimento do mecanismo das estações do ano e, através dessas migrações, novos
caminhos eram percorridos. A partir daí, os primeiros esboços com representações da superfície
terrestre eram construídos, surgindo os primeiros mapas. O mapa mais antigo já registrado foi
encontrado na cidade de Ga Sur, na Babilônia, datado de 2500 a.C. Neste mapa havia
representações do vale de um rio que possivelmente representava o rio Eufrates acompanhado de
montanhas, assinalando os pontos cardeais. As civilizações do Egito e Mesopotâmia desenvolviam
a agricultura, e por isso, dependiam das irrigações, servindo de grande importância para o estudo
hidrológico da região.

Ainda na Antiguidade com a expansão política, comercial e marítima no Mediterrâneo, aconteceu


a construção de mapas marítimos contendo a descrição de lugares e de seus habitantes. Segundo
Andrade (1992), deve-se ressaltar a importante contribuição de Aristóteles para o desenvolvimento
do conhecimento geográfico. Este filósofo admitiu a esfericidade da Terra, mas não apenas tratou
deste tema, fez também relações aos aspectos físicos e humanos, como a variação do clima com a
latitude e a relação entre as raças humanas. Os gregos na costa do Mediterrâneo instauraram
colônias em que desenvolviam o comércio e o conhecimento dos lugares. Entre os romanos pode-
se destacar a expansão do Cristianismo, religião oficial de Roma no século IV. Neste período,
estudiosos afirmavam que os princípios religiosos sobrepunham às ideias científicas já
estabelecidas pelos gregos, como por exemplo, a negação aos estudos feitos sobre a esfericidade da
Terra, dificultando assim o avanço do conhecimento científico.

Ferreira e Simões (1994) relatam que na Idade Média a reorganização do espaço vem com a queda
do Império Romano no Ocidente, já que mudanças territoriais foram ocorrendo, pois por meio das
invasões bárbaras, guerras foram acontecendo e novas fronteiras foram sendo consolidadas. O
pensamento geográfico passa a não ser formalizado em termos científicos. “Neste ambiente, a
Igreja torna-se o maior poder, já que é o único poder central europeu. As respostas às questões
colocadas passam a ser dadas a partir de interpretações bíblicas.” (FERREIRA E SIMÕES, 1994,
p. 45).
O sistema feudal desencadeado a partir da crise romana é instaurado. Este sistema dominou a vida
dos reinos europeus do século X ao século XIII, quando o comércio havia se tornado uma
atividade de muito pouca importância. No final da Idade Média temos importantes relatos de
viagens como as Cruzadas, tendo como consequência a dinamização das relações comerciais entre
Ocidente e Oriente. Segundo Ferreira e Simões (1994), com o ressurgimento das curiosidades pelo
mundo desconhecido, há o renascimento do comércio entre a Europa e o Oriente e as
peregrinações aos lugares santos. Sendo assim, torna-se necessário o desenvolvimento dos
instrumentos de navegação, com a utilização de uma Cartografia denominada realista e não mais
uma Cartografia religiosa como no início da Idade Média quando a busca por respostas se
encontrava numa ordem religiosa.

A Cartografia foi reformulada, passando a ser produzidos os chamados portulanos, que para
Ferreira e Simões (1994, p. 52) “O nome portulano vem provavelmente da designação <<mapas de
piloto>> (do italiano portolano)”, que são os mapas que tinham a capacidade de descrever com
detalhes as rotas marítimas. Descrições de viagens entre o Ocidente e o Oriente eram feitas,
trazendo importantes informações das regiões desconhecidas. Ao mesmo tempo em que o
conhecimento do espaço geográfico vinha sendo ampliado, o relacionamento entre sociedade e
natureza era estabelecido.

Entre os séculos XV e XVIII há o aperfeiçoamento do estudo sobre o magnetismo terrestre,


estabelecendo com melhor exactidão a medida das longitudes, podendo-se fazer correcções em
antigos mapas. Para Ferreira e Simões (1994) este é um período importante para a ciência
geográfica, pois a Geografia retoma os dois rumos que vinha seguindo na Antiguidade, a Geografia
matemática e a descritiva. Através das viagens e da grande expansão das navegações ao novo
mundo, os cientistas puderam fazer observações astronómicas e descrever os lugares. Ferreira e
Simões (1994, p.53) descrevem que “A concepção geográfica do mundo mudou mais rapidamente
no primeiro quartel do século XVI do que qualquer outra época.” Correcções de mapas eram feitas;
o primeiro globo terrestre foi construído nessa época e, no século XVII por meio das observações
de estudiosos como Galileu, Copérnico e Kepler, muda-se a concepção sobre a posição da terra no
Universo, deixando de ser geocêntrica e passa a ser heliocêntrica. Ferreira e Simões (1994) relatam
que na França desenvolve-se uma cartografia de maior escala podendo atender às necessidades de
representações territoriais, como administração política, engenharia: estradas e canais; estratégias
de guerra, entre outras.
Compete a geografia descobrir quais os processos que produzem essas estruturas espaciais,
descobrir qual a sua ordem, de modo a integrar essa ordem na experiência, para que possam ser
manipulados os conhecimentos adquiridos.(FERREIRA E SIMÕES, 1994,p.10)

Portanto, a Geografia encontra-se inserida no campo científico, permitindo ao homem obter


respostas mais eficazes sobre problemas espaciais, suas respectivas estruturas e consequências.

Segundo Andrade (1992) o desenvolvimento das ciências acelerou-se nos séculos XVIII e XIX.
Com o desenvolvimento do capitalismo comercial a partir do século XV, o interesse por matérias-
primas e a conquista de territórios para a produção de alimentos pelos países europeus que eram os
detentores dos meios de produção promoveu a expansão económica e territorial desse continente.

Desde o século XVIII, os filósofos posicionavam-se em relação aos problemas e se preocupavam


com o avanço da ciência, sua classificação. Andrade (1993) descreve que a classificação das
ciências deveria ser uma tentativa de conjugar o amplo saber e a capacidade do homem em
expandi-lo, sendo isto objectos de estudos de Immanuel Kant (1724–1804), filósofo e professor de
Geografia Física na Alemanha. A sua importância para a ciência geográfica não foi pelo fato de
relatar viagens, mas, por trazer a esta ciência suas reflexões sobre a natureza do conhecimento,
pois, para Kant, o conhecimento se dava pela experiência e raciocínio. Nesta época, o
conhecimento científico vinha sendo compartimentado e, esta classificação vinha preocupando
estudiosos. Para Moreira, (2008a) Kant argumentava que, o conhecimento deveria estabelecer
relações entre natureza e homem, pois, para este filósofo,

[...] é necessário encontrar o ponto comum de pensar a natureza e


pensar o homem , seja no plano empírico trilhado pela ciência, seja
no abstrato que é característico da Filosofia. E vai buscar os pontos
de apoio na Geografia e na História. Na Geografia vai buscar os
conhecimentos empíricos concernentes à natureza. (MOREIRA,
2008a, p.14)

Para Kant, dados empíricos eram necessários, pois, a ciência vem das experiências dos homens.
Este filósofo assume uma grande e singular importância ao levantar questões sobre a natureza do
conhecimento geográfico. Segundo Moreira (2008a), Kant, mesmo não sendo geógrafo de
formação, percebe que o avanço da ciência encontra-se na interpretação da natureza, com isso, a
Geografia ganha sentido por meio do olhar humano e da descrição, gerando o registo dos lugares
de forma coreográfica.

Geografia para Kant é organizada em classificações de conhecimentos empíricos num mundo


físico, a descrição das paisagens terrestres, fazendo dela uma ampla e densa corografia, ou seja, o
estudo geográfico das diversas localidades eram realizados.

Para os geógrafos do século XIX, levantar questões sobre as características dos lugares,
distribuição no espaço e problemas de ordem espacial, eram aspectos fundamentais. Portanto, a
Geografia encontra-se inserida neste campo científico, pois a ciência consiste em dar explicações
às indagações do homem.

O Pensamento Geográfico Na Antiguidade Clássica


No início do século XIX cientistas e intelectuais preocupavam-se com a expansão da ciência
vinculada às observações e experimentações. O pensamento científico do século XIX tinha suas
bases no Positivismo, uma concepção filosófica instaurada por Auguste Comte (1798-1857),
filósofo francês, defendendo a perspectiva da observação já discutida por Immanuel Kant.

Ferreira e Simões (1994) descrevem que esta corrente filosófica está firmada em três regras ditas
como essenciais, que são Segundo Moraes (1992), a concepção filosófica em que os geógrafos do
século XIX vão buscar suas orientações é o Positivismo, no qual a Geografia Tradicional está
fundamentada. Moraes (1992, p. 21) diz que “Os postulados do positivismo (aqui entendido como
o conjunto das correntes não-dialéticas) vão ser o patamar sobre o qual se ergue o pensamento
geográfico tradicional, dando lhe unidade.” Na Geografia tradicional, a descrição, enumeração e
classificação são elementos presentes neste dado momento histórico.

Neste momento, as máximas geográficas vão sendo elaboradas e transmitidas, sendo tratadas como
elementos principais do pensamento geográfico. Eram traçados como princípios fundamentais,
como a citada por Moraes (1992, p. 23) “A Geografia é uma ciência de contato entre o domínio da
natureza e o da humanidade”. Através da leitura desta máxima geográfica, verifica-se que o
homem não está inserido nos estudos geográficos como indivíduo, apenas através de dados
numéricos como estudo populacional, sem uma visão social, mas como um elemento da paisagem.
Para Moraes (1992), a Geografia só conquista sua sistematização no início do século XIX, pois, até
então
[...] trata-se de todo um período de dispersão do conhecimento geográfico, onde é impossível falar
dessa disciplina como um todo sistematizado e particularizado. Nélson Werneck Sodré denomina
esse período de “pré-história da Geografia”. (MORAES, 1992, p.34).

No início do século XIX, a sistematização da Geografia tem seus princípios na expansão do


capitalismo, pois neste período há o desenvolvimento do capitalismo em países como a Alemanha
e a Europa estabelecia relações económicas com diversas partes do mundo, sendo uma excelente
contribuição para esta ciência. Neste momento a Terra já era toda conhecida e com o
desenvolvimento do comércio, o intercâmbio por diversos lugares do planeta aumentava.

Humboldt e Ritter, pensadores alemães, são considerados os fundadores da Geografia moderna e


vão dar à ciência geográfica um carácter sistematizado, contribuindo para a continuidade desta
ciência.

A SISTEMATIZAÇÃO DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA COM HUMBOLDT E RITTER


No século XVIII o mundo passava por uma revolução científica, uma delas, o renascimento
cultural na qual estava presente o senso crítico, permitindo ao homem observar mais atentamente
os fenómenos naturais. Segundo Gomes (2007), esta revolução científica do século XVIII tinha
uma busca epistemológica, substituindo uma visão metafísica. Nela continha o uso do método e
uma organização lógica do saber, sendo assim, duas tendências são discutidas: o humanismo e o
racionalismo.

A Geografia passa a ser interpretada através das relações entre o homem e a natureza, relacionando
os aspectos sociais ao meio ambiente. Segundo historiadores e pensadores, Alexander Von
Humboldt e Karl Ritter são os fundadores da ciência geográfica moderna. A Alemanha é o berço
das primeiras metodologias e correntes do pensamento geográfico. A partir do início do século
XIX temos a sistematização do conhecimento geográfico. O território alemão até meados do século
XIX não era unificado, e com isso, a Geografia surge para atender a duas necessidades, sendo
estas: a unificação territorial e a sua expansão de domínio. A Alemanha só vem unificar-se em
1870, considerada uma unificação tardia. Segundo Moraes (1992), devido a esta falta de
constituição de um Estado Nacional neste território, fez-se necessário uma discussão geográfica no
século XIX, fazendo com que a Geografia percorresse novos rumos.

Para Moraes (1992)


Temas como domínio e organização do espaço, apropriação do território, variação regional, entre
outros, estarão na ordem do dia e na prática da sociedade alemã. É, sem duvida, deles que se
alimentará a sistematização geográfica. (MORAES, 1992, p.46-47)

É nesta temática que irão surgir dois pensadores alemães membros da aristocracia prussiana e
estudiosos da época. Humboldt e Ritter, sendo o primeiro, naturalista e o segundo, filosófico e
historiador.

Alexander Von Humboldt (1769-1859) nasceu em Berlim, na Alemanha, dedicando-se aos estudos
da Botânica foi considerado um naturalista. Estudou Geologia, Física, Astronomia, entre outras
ciências e, por pertencer a uma família aristocrata, fez inúmeras expedições por todos os
continentes, fazendo excelentes observações na América Latina. Através dessas expedições, ele
pode observar os diferentes climas e paisagens e registrou-os em suas obras, nas quais temos ricas
informações através dos seus relatos. Para Gomes (2007), Humboldt descrevia os fenômenos, e
pela sua grande cultura, proporcionou um novo modelo à ciência geográfica, fazendo com que se
realizassem novas descobertas, descrevendo-as.

Andrade (1992,) relata que “Apesar de ser naturalista, tinha grande curiosidade pelos homens e
pela sua organização social e política, achando que esta tinha relação íntima com as condições
naturais.” Sendo assim, Humboldt fez relações entre o uso da terra e o homem, das mais diversas
formas, pois acreditava que através destas relações poderia obter os recursos disponíveis.

Segundo Gomes (2007), “Seu olhar tinha por objeto os elementos mais variados do meio físico,
mas não se limitava a eles, Humboldt observara também a sociedade local”. Através das suas
observações estabelecia relações com tudo o que estava inserido no espaço geográfico.

Este pesquisador a partir de suas viagens escreveu obras como Cosmos (1845) um livro contendo
cinco volumes, sendo que um deles foi publicado posteriormente a sua morte. Para Humboldt, a
Terra tem uma ordem estabelecida, constituída de uma totalidade de todas as coisas deste Universo
de forma ordenada; nestas obras o pesquisador descreve os fatos concretos e paisagens detalhadas.
Dessa forma, Moraes (1992) descreve que a ciência geográfica seria uma disciplina sintética
dotada de métodos, pois

Em termos de método, Humboldt propõe o “empirismo raciocinado”, isto é, a intuição a partir da


observação. O geógrafo deveria contemplar a paisagem de uma forma quase estética (daí, o título
do primeiro capítulo do Cosmos: “Dos graus de prazer que a contemplação da natureza pode
oferecer”). (MORAES, 1992, p.48)

A Geografia, como uma ciência sintética e metodológica, procurava buscar uma relação entre os
objetos observados e a razão, propondo a ideia de que tudo que é apreciável deve ser pensado e
construído pelo sujeito.

Karl Ritter (1779-1859), discípulo e amigo de Humboldt, foi um grande pesquisador e estudou
Filosofia, Matemática, História entre outros ramos do conhecimento. George et.al (1975, p. 10)
descrevem que Ritter “Propõe determinar as relações entre a Geografia e História, entre o meio e
as características originais das sociedades e das civilizações.”

A formação de Ritter é bem diferenciada da de Humboldt, mas tinham fatores comuns: são
contemporâneos e pertenceram ao seleto grupo de pesquisadores que viveram a Revolução
Francesa, contribuindo para os ideais revolucionários da época, formulando ideias de nível
intelectual e filosófico e proporcionando a busca pelo conhecimento, levando a Geografia a
conquistar sua sistematização. Pereira (1993, p.118) descreve que “Para ele, a geografia é
essencialmente uma disciplina histórica que tem o seu próprio centro no estudo das relações entre
o ambiente natural e o desenvolvimento dos povos.”

Filósofos e pensadores de diversas épocas da história da humanidade discutiam ideias e mostravam


as oposições da ciência positivista e racionalista. Humboldt tinha ideias racionalistas, ou seja,
sempre estabelecendo e propondo caminhos para alcançar determinados fins como a exploração
racional dos recursos econômicos do Novo Mundo. Já Ritter além do racionalismo, construiu uma
imagem lógica do mundo e, com ideias positivistas, sempre esclarecendo aspectos conceituais dos
métodos, ideias e descobertas da ciência, fez relações com as experiências práticas a fim de provar
hipóteses.

Humboldt e Ritter morrem em 1859, já final do século XIX. Para Morais (1992, p.51), “[...] a
Geografia seguia constituída de levantamentos empíricos e enumerações exaustivas sobre os
diferentes lugares da Terra.” Segundo Andrade (1992) a obra destes dois pensadores alemães
correspondeu ao desafio em que a Europa vivia naquele século, mais precisamente na Alemanha,
onde aspiravam à unificação nacional e política. A partir destes dois pensadores, ficou estabelecida
a metodologia da Geografia descritiva, proporcionando maior desempenho na propagação e
ampliação do conhecimento.
O Pensamento Geográfico Na idade média
A Geografia sofreu um retrocesso na idade média. o estabelecimento do feudalismo e o
fortalecimento político da igreja  católica mudaram a dinâmica dos estudos que vinham sendo feito
até então. Do ponto de vista do feudo, o espaço visível passou a ser muito reduzido, as pessoas
tinham uma limitação geográfica de seus espaços conhecidos, uma vez que, nasciam, viviam e
cresciam em função das relações feudais.

A crise dos sistema feudal impulsionou a atividade comercial na Europa. Era fundamental ampliar
os horizontes geográficos para conquistar novos mercados por meio de ofertas e de novos
produtos.  Essa necessidade, levou muitos comerciantes a investir nas expedições marítimas.
Nascia assim, o período das grandes navegações e da expansão Ibérica, o que foi fundamental para
o renascimento da geografia.
Entre os séculos II e o VI da era cristã, a representação do mapa-múndi desapareceu de cena,
retornando numa forma muito diferente e redefinido de acordo com o Cristianismo. Pelo fato da
Bíblia ter sido considerada o padrão para a reinterpretação da História e do Mundo, os mapa múndi
obedeceram à descrição do Gênesis da divisão do mundo entre os três filhos de Noé, daí três
continentes. A imagem do mundo tripartido foi a base para a representação mais comum na Idade
Média:
Os mapas num segundo período medieval (século VIII.XIII) mantiveram o seu contexto

não-geográfico e foram mais instrumentos de ilustração das enciclopédias recheadas de elementos


maravilhosos tomados de empréstimo de Plínio, Solinus e Mela

Não existe evidência de que o pensamento medieval acreditasse numa terra plana, 4 pois não havia
qualquer interesse acerca do formato da Terra, e além disso, as representações não devem ser
confundidas com as idéias a este respeito. A forma da Terra não era considerado um problema
intelectual, e sim um mistério religioso, cujo exemplo de representação é o Mapa do Salmo (1225-
1250 ?)5. A mentalidade religiosa trouxe para si a representação do mundo ecumênico como
espaço da cristandade mas como meras ilustrações de obras escritas.

Foi a partir do século XIII que o mapa deixou de ser apenas um complemento ao texto escrito e
ganhou uma liberdade para conter idéias, imagens, criaturas maravilhosas, cenas da Bíblia, povos
distantes, animais e plantas, todos sob o poder de Deus, como no mapa de Hereford 6, porém com
um objetivo didático e evangelizador, daí alguns deles serem grandes painéis expostos aos fiéis.
Não havia ainda o interesse da pesquisa empírica e da incorporação destes elementos nos mapas.
Naquela época, se há algo que poderíamos chamar de geográfico em relação ao espaço, foi o
modelo de obra literária sobre a Imagem do Mundo (Imago Mundi). Seu caráter era muito
subjetivo e regrado pela concepção religiosa. Os seus mapas eram produzidos pelos eclesiásticos
dedicados à reprodução de obras que davam importância às sedes religiosas como Roma,
Jerusalém, Egito e a lugares descritos na Bíblia, por exemplo, o Éden ou Paraíso Terrestre.

Um outro tipo de mapa produzido no período medieval, originalmente desligado do aspecto


religioso, foram as cartas portulanos, uma contrapartida gráfica .moderna. dos antigos périplos,
aqueles itinerários escritos pelos marinheiros da época clássica e elaborados a partir das
observações feitas ao longo das costas navegadas. Não eram as cartas ptolomaicas, pois não tinham
um sistema de coordenadas latitudinais e longitudinais, mas sim uma rede de loxodromas (linhas
de rumo) como uma rosa-dos-ventos. Muito práticas, elas eram usadas como cartas de navegação e
eram melhoradas através das informações obtidas dos diários de bordo e da determinação de
distâncias e posições através da leitura da bússola.

O descobrimento de novas terras trouxe uma nova imagem do mundo e novas formas de
representá-lo, e muitas vezes esta imagem foi criada como uma utopia. Pouco a pouco, mas não de
uma vez por todas, os monstros e os povos estranhos deixaram de povoar os mapas, mas não sem
antes serem transferidos de um continente para outro.

Atualmente os mapas ainda exercem uma atração sobre as pessoas: o ícone dos navegadores
(browsers), nas propagandas, até nos chocolates.

O Pensamento Geografico na era Contemporânea


Como podemos definir a ciência geográfica hoje? De um modo geral, podemos afirmar que a
Geografia é a ciência ou ramo do saber que estuda a relação entre sociedade e a natureza. Tal
relação se expressa no compromisso que a disciplina e o geógrafo têm com a sociedade. Esse
compromisso se justifica pelo fato de que a sociedade atua sobre a natureza, apropriando-se,
transformando-a, e possibilitando a formação de uma nova natureza, que não é mais idêntica a
original, embora guarde algumas de suas características originais, aglutinadas às novas qualidades.
Quando procuramos analisar as relações entre a sociedade e a natureza, temos por objetivo
identificar o seu produto final que é a organização dela resultante. Observa-se assim, que da
mesma forma que a natureza se reconstitui com outras características, a sociedade também vive em
transformações constantes e, assim vai se adequando às novas exigências impostas.

A principal dificuldade que o geógrafo atual enfrenta é analisar, de forma cartesiana, esses
processos de transformações espaciais, determinadas pela inter-relação sociedade/natureza, uma
vez que não são processos estáticos; são extremamente dinâmicos e complexos. Muitos geógrafos
consideram que aí reside a dificuldade de se estabelecer, de forma precisa, qual vem a ser a
definição e o objeto da Geografia como ciência. Daí a existência de tantas divergências entre seus
profissionais quanto a esse objeto e a essa definição.

Considerando tal momento, é necessária a existência de alguns pressupostos, que possibilitem a


compreensão do quadro atual da humanidade, esboçado ao estudioso, ao se discutir, por exemplo, a
internacionalização da economia. Ao mesmo tempo, observa-se que entre os conservadores
procura-se santificar a empresa privada, além disso, outros cientistas apresentam propostas
alternativas, no viés ante a renovação geossocial, com base em uma profunda reflexão da
realidade. Assim, devemos chamar a atenção do geógrafo para os problemas ligados ao tempo e ao
espaço.

No âmbito da ciência geográfica, Andrade (2002) chamou a atenção para a categoria “tempo”, que
vem sendo analisado como se fosse uma sucessão linear que se divide em três etapas: passado,
presente e futuro:

[...] essas etapas são apenas cronológicas, pois as instituições e


as relações existentes no passado permanecem e atuam no
presente e se projetam no futuro. Assim, a um só tempo, a
sociedade e a natureza vivem no presente também o passado,
através dos resquícios outrora dominantes, e as projeções no
futuro. (ANDRADE, 2002, p. 21).
Mesmo sendo tão contraditório quanto o tempo, o espaço, que tanto preocupou os geógrafos do
século XIX, voltou a ser um tema altamente importante nos dias atuais. As modificações que
ocorrem no espaço, transformando rapidamente as características regionais e locais, ocorrem com
grande rapidez. Os projetos de modernização aplicados de forma acelerada, para atender a
determinados grupos têm trazido problemas de difícil solução, como a salinização de áreas de
agricultura irrigada, o desmatamento visando à exploração extrativa vegetal e mineral, e a
conquista
de terras para a agricultura, a construção de grandes cidades, etc.

Nessa discussão, acrescento que “o movimento ecológico tem grande importância, pois tem se
preocupado com a destruição do planeta em conseqüência do uso indiscriminado de tecnologias
predatórias que não só dilapidam os recursos como destroem recursos naturais indispensáveis”
(ANDRADE, 2002, p. 22). Esse autor afirmou que, no caso da Amazônia, há uma campanha feita
por pessoas lúcidas, que defendem uma exploração racional, não-predatória dos recursos e das
populações indígenas, mas por outro lado, temos os grupos econômicos internacionais que se
apossam de imensos latifúndios graças aos favores obtidos através de uma política neoliberal e de
defesa da economia de mercado.

Além da Amazônia, temos o caso das florestas tropicais do mundo que estão sendo destruídas de
forma irracional, trazendo os impactos mais nocivos sobre as condições climáticas e pedológicas.
Além disso, o interesse pelas transformações sociais no mundo tropical, naturalmente leva o
geógrafo a refletir sobre problemas catalogados artificialmente como de Geografia Física, tais
como, as variações climáticas, com repercussões em toda a superfície da terra; o processo de
escoamento das águas pluviais e sua conseqüência na aceleração da erosão nas encostas, etc

A preocupação com o meio ambiente, caracterizando em cada caso, o relacionamento


sociedade/natureza, contribuirá para fazer esquecer a velha querela entre o Determinismo
Geográfico e o Ambientalismo, que ocupou tanto espaço na literatura geográfica no último século.
Também ela contribuirá para atenuar a tendência à aplicação de modelos em escala mundial,
tentando explicar os fenômenos geográficos, passando-se para uma síntese em que ocorrerá a
conciliação entre as formulações dos modelos gerais com a observação, e a experimentação de
campo, como vimos na corrente Neopositivista.
A observação da natureza leva à necessidade de explicar por que o espaço está organizado de uma
forma e não de outra. A compreensão de uma organização que está em constante processo de
reorganização das formas que se apresentam e de seu conteúdo cultural, leva o geógrafo e a
Geografia a recorrerem ao conhecimento histórico, não apenas cronológico, mas sobretudo, de
suas implicações sociais e econômicas. Daí a necessidade de uma maior aproximação entre a
Geografia e a História, porque para se explicar a organização atual do espaço, externada em grande
parte na paisagem, é necessário que se encare, de forma dinâmica, duas grandes categorias espaço
e tempo.

O paradigma da Geografia Contemporânea substituiu a dualidade homem-natureza por uma


dialética da relação homem-natureza, sociedade- natureza, emergindo da produção de sistemas
sociais que sobrevivem, apropriando-se da natureza, organizando-se. Trata-se de uma Geografia
da interação espacial, uma Geografia da relação horizontal e vertical-espaço mundo/tempo mundo.
CONCLUSÃO
No conteúdo deste trabalho podemos perceber a importância de conhecermos a história do
pensamento geográfico até mesmo antes de sua sistematização. Ao relatarmos que na Antiguidade
com a expansão política, comercial e marítima no Mediterrâneo, aconteceu a construção de mapas
marítimos contendo a descrição de lugares e de seus habitantes e na Idade Média a reorganização
do espaço vem com a queda do Império Romano no Ocidente é de total relevância pois, mesmo
sem a sistematização da Geografia como ciência, o pensamento geográfico estava inserido nestas
transformações, pois o espaço geográfico estava sendo alvo de debate. Destacamos o pensamento
de Humboldt e Ritter, pensadores alemães que através de viagens e dos seus relatos e mesmo
estabelecendo uma Geografia descritiva, faz-se necessário a realização de observações empíricas a
fim de facilitar a sistematização de conceitos, A importância de tais observações retoma à
consolidação do pensamento geográfico moderno. Tanto Ritter quanto Humboldt formularam
ideias importantes para a época, trazendo alicerces para esta
Os mapas foram símbolos complexos que representaram visões muito bem definidas. Resultantes
mais dos exercícios de teologia e literatura do que de geografia, diferentes tipos de mapa-múndi
coexistiram durante vários séculos. Antes de menosprezar os mapas medievais, devemos não só
recordar de que naquela sociedade tudo estava voltado para o objectivos religioso mas que a
estrutura dos mapas era controlada pelas autoridades do passado (Padres da Igreja) e elaborada
pela elite letrada religiosa. Assim podemos relativizá-los se os comparamos com os mapas árabes
da mesma época (Idrisi), que também tinha uma interpretação religiosa e se reflectia nestas e
noutras representações.

O paradigma da Geografia Contemporânea se delineia através da relação homem-natureza,


sociedade-natureza, e dessa relação emergem novos sistemas sociais que sobrevivem, apropriando-
se da natureza, organizando- se. Trata-se de uma Geografia da interação espacial, uma Geografia
da relação horizontal e vertical-espaço mundo/tempo mundo.
Referencias bibliograficas

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