Você está na página 1de 9

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Ciências Econômicas com Ênfase em Comercio Internacional

Thamires de Freitas Silva

Rússia e União Soviética na Crise de 29

Barueri
2010
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Ciências Econômicas com Ênfase em Comercio Internacional

Thamires de Freitas Silva

Rússia e União Soviética na Crise de 29

Trabalho, voltado a apresentação da


Crise de 29 e sob seus efeitos na
Rússia e URSS sob orientação da
Profª Mariana, para obtenção de nota
parcial.

Barueri
2010
Rússia e União Soviética na Crise de 29

Introdução

A Crise de 29
A Crise de 29, também conhecida como a Grande Depressão, teve início em 1929 arrastando-se
por todo o século 30 e só teve fim com a segunda guerra mundial. Considerado o pior período de
recessão economia do século 20, causando altas taxas de desemprego, e uma queda drástica do
PIB “Produto Interno Bruto”, quedas drásticas da produtividade fabril, causando assim grande
quedas nas ações. E no dia 29 de outubro de 1929, houve o “big crash” ou grande quebra, que
também ficou conhecido como “Black Tuesday” ou Terça-feira Negra, onde a bolsa de Nova
Yorque quebrou fazendo com que empresários literalmente do dia para a noite perdessem tudo,
causando calamidade e pânico geral, período onde muitos cometeram suicídio. Em um cenário de
uma Europa devastada pela primeira guerra mundial, e um U.S.A em constante ascensão e
prosperidade econômica, a solução foi a importação de máquinas, alimentos, roupas. Com esse
grande fluxo de exportação, se instala no consciente americano um estilo de vida de muito luxo e
gastos desmedidos. Esse estilo de vida logo passa a ser chamado de “American way of life”.
Porém, a Europa vem se reconstruindo aos poucos, e passa a importar cada vez menos, e os
produtos americanos passam a ter uma queda brusca nos preços, muita oferta e pouca demanda,
tendo ai o inicio da crise de 29 e o fim do “American way of life”.

A grande depressão surtiu efeito em todo o mundo capitalista, porém sua repercussão variou de
país para país. A Rússia, ao contrario da maioria dos países que caíram com a crise, por estar
sofrendo mudanças internas e por ser um país 100% socialista, estava fechado e retrogrado para
este mundo e praticamente não sofreu nenhuma influência negativa e nem positiva da Crise de
1929.
A Rússia Czarista

É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de


"imperialização" da Rússia. Os Czares tratavam-se de monarcas autocráticos, com poderes
ilimitado, cuja monarquia se pautava bi direito divino, legitimado pela Igreja Ortodoxa. Pedro, o
Grande ou Pedro I da Rússia, foi o primeiro Czar, derrotou a Suécia e na Grande Guerra do Norte
forçou o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria que se forma uma nova capital:
São Petersburgo (nome em homenagem a Pedro). Com as idéias do Oeste Europeu, Pedro I faz
evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho
para o auge do país.
O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o
estreito que separa a América da Ásia: o atual Estreito de Bering, nascendo assim o maior
império da história da Rússia.
A czarina Catarina, a Grande, continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polônia e anexando a
Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino
da Geórgia de modo a evitar invasões do império turco - a Geórgia passa a ser protegida
militarmente pela Rússia.
Em 1812, a grande armada de Napoleão entra em Moscovo, mas vê-se forçada a abandoná-la,
pois ao chegar a esta cidade, esta estava vazia. Os russos tinham preparado uma armadilha contra
o imperador francês. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas
francesas. Durante o regresso de Napoleão a Paris, os russos perseguiram-no e dominaram Paris
trazendo para o império as idéias liberais que estavam em marcha na França e na Europa
Ocidental. Ainda devido à perseguição sobre Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a
Polônia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados os
austro-húngaros e os prussianos venceram a armada de Napoleão na batalha de Leipzig.
Sucessivas guerras e conflitos vão acompanhando a Rússia até ao fim da era czarista. Sai
derrotada na Guerra da Crimeia que durou entre 1853 e 1856. Mais tarde, vence a Guerra Russo-
Turca (1877-1878) e obriga o Império Otomano a reconhecer a independência da Romênia, da
antiga Sérvia e a autonomia da Bulgária. A ascensão de Nicolau I (1825-1855) trava o
desenvolvimento da Rússia nos fins do século XIX. A lei da servidão obrigava os camponeses a
lavrar as terras sem poder as possuir. O sucessor, Alexandre II (1855-1881), ao ver o atraso da
Rússia em relação à Europa, cria reformas que vão fazer com que a Rússia consiga um maior
desenvolvimento. Porém, as sucessivas derrotas da Rússia ao longo do século XIX e durante a o
início do século XX levaram à instabilidade e ao descrédito em relação ao poder do czar na
época. Os custos da guerra começavam a avultados e a população era quem suportava os custos
dos soldados nas campanhas ao enviarem tudo o que produziam nos seus terrenos agrícolas.

O fim da era Czarista na Rússia.

Apesar da Rússia, na época, ser um dos países mais poderosos do mundo em termos militares,
apenas uma fina parte da população (os nobres) tinha boas condições de vida. Os camponeses
eram terrivelmente pobres e trabalhavam de sol-a-sol em terrenos sem poder possuí-los. As
sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a Primeira Guerra Mundial e o
descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a
deteriorar-se. A instabilidade e a pobreza tiveram como conseqüência a Revolução Bolchevique.
Esta revolução ocorreu em duas datas significativas, 1905 e 1917.
A Revolta de 1905 é considerada como o marco inicial das mudanças sociais que culminaram
com a Revolução de 1917. O desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-
japonesa (1904 - 1905) intensificou essas contradições e precipitou os acontecimentos, sendo essa
derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905, cujo estopim foi o episódio
conhecido como "Domingo Sangrento".
A impopularidade crescente de Nicolau II, fez com que este fosse obrigado a convocar a Duma,
na época, uma espécie rudimentar de legislativo. Estas medidas surtiram escasso efeito, visto que
os partidos eram sistematicamente vigiados e a Duma era controlada pela aristocracia e pelo czar,
que podia dissolvê-la a qualquer momento. Até 1905, o sistema político da Rússia czarista não
possuía partidos políticos, com todo o poder concentrado nas mãos do imperador. Destaca-se que
estas mudanças, embora significativas sob o ponto de vista político, não alteravam o quadro
social da maior parte da população russa. Nesta ocasião, emergem com força os Sovietes e o
Partido Operário Social-Democrata Russo (POSD-fundado em 1898), dividido entre
Mencheviques (análogo a minoria em Russo - меньшеви́к) e Bolcheviques (análogo a maioria
em Russo - большеви́к), o qual assumiu a árdua tarefa de promover a luta pela justiça social,
incentivando os trabalhadores a revoltas e manifestações contra o governo.
Este quadro político-social foi profundamente alterado pela deflagração da Primeira Guerra
Mundial.
A Revolução de Fevereiro de 1917 caracterizou a primeira fase da Revolução Russa de 1917. A
conseqüência imediata foi a abdicação do Czar Nicolau II. Ela ocorreu como resultado da
insatisfação popular com a autocracia czarista e com a participação negativa do país na Primeira
Guerra Mundial. Ela levou a transferência de poder do Czar para um regime republicano, surgido
da aliança entre liberais e socialistas que pretendiam conduzir reformas políticas.
As mudanças propostas pelos Mencheviques (líderes da Revolução de Fevereiro) não
modificaram o quadro social, pois o país continuava a sofrer forte perdas em função da
participação na Guerra. A insatisfação social, aliada a atuação dos Bolcheviques fez eclodir a
Revolução de Outubro (Outubro no Calendário Juliano e Novembro no Calendário Gregoriano).
O marco desta revolução foi a invasão do Palácio de Inverno (hoje o Museu do Hermitage) pelos
revolucionários. Esta liderada por Vladimir Lênin e se tornou a primeira revolução Comunista
marxista do século XX.
A retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial, o desejo da volta do poder da então elite russa
e o medo de que o ideário comunista propaga-se para a Europa e eventualmente para o mundo,
fez eclodir a Guerra Civil Russa, que contou com a participação de diversas nações. O então
primeiro-ministro francês, George Clemenceau, criou a expressão Cordão Sanitário, com o
intuito de isolar a Rússia bolchevique do restante do mundo. O idealismo dos bolcheviques
propagado para a população mais pobre foi o fator decisivo para a vitória dos partidários de
Lênin.
Com a vitória bolchevique na Guerra Civil Russa, foi fundada, em 1922, a União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS).

URSS

Com a criação da então União Soviética Vladimir Lênin torna-se o primeiro ministro da então
recém formada União. Com muitos ideais e poucos recursos, visto que vinha de uma Rússia já
quebrada pelas sucessivas derrotas o novo governo passa por um período difícil, após a retirada
da Primeira Guerra mundial a antiga Rússia foi isolada do resto do mundo, para que a sua crise
não afetasse os outros paises. Lênin implementou a Nova Política Econômica (NEP), que
recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. Desta
forma, o PC russo e o governo Soviético pretendiam reconstruir a economia russa devastada pela
invasão estrangeira e pela resistência das classes proprietárias a perda de seus incomensuráveis
privilégios. A NEP, segundo Lênin, consistia num recuo tático caracterizado pelo
restabelecimento da livre iniciativa e da pequena propriedade privada, admitindo o apoio de
financiamentos estrangeiros. Lênin teria dito: "Um passo atrás para dar dois à frente".Passando
por uma época turbulenta a então União Soviética vê a morte de seu líder maior, Vladimir Lênin
em 1924, passando assim o poder para Josef Stalin. Já com o poder nas mãos de Stalin ele faz o
então socialismo moderado passar a ser um socialismo opressivo, matando assim todos os
aqueles que eram seus opositores, tendo como mártir maior Leon Trotski.

4.1 – O Plano de Governo Soviético – Qüinqüenal

Os planos Qüinqüenais para a economia nacional Soviética, foram uma série de projetos
nacionais centralizados no rápido desenvolvimento econômico da União Soviética. Os projetos
foram desenvolvidos pelo Gosplan baseado na “Teoria das forças produtivas” que era parte da
diretriz geral do Partido Comunista para o desenvolvimento econômico. A realização do plano
chegou a ser a insígnia da burocracia soviética.
Estes planos consistiam no planejamento da economia a cada cinco anos. Vários planos
qüinqüenais não se levaram a cabo em sua totalidade no período de tempo atribuídos para eles
(uns satisfatoriamente foram completados antes do esperado, enquanto outros fracassaram e
foram abandonados).
Os planos qüinqüenais iniciais foram criados para ajudar na rápida industrialização da União
Soviética, por tanto concentraram os esforços na indústria pesada. Ao todo, tinha 13 projetos de
cinco anos. O primeiro foi aceito em 1928, para o qüinqüênio de 1929 a 1933, e completado em
um ano dantes do previsto. O último plano qüinqüenal, o décimo terceiro, foi durante o período
desde 1991 até 1995 e não foi completado, devido à dissolução da União Soviética em 1991.
De 1922 a 1945 decretaram-se três planos: 1922 á 1932, 1933 á 1937 e 1938 á 1941. Este último
viu-se interrompido pela invasão alemã, mas após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
voltaram-se a elaborar.
4.1.1 – O Primeiro Qüinqüênio – 1929 á “1933” (1932)

O objetivo do primeiro plano qüinqüenal (1928-1932) era levantar a indústria pesada da URSS
sem recorrer à ajuda dos países estrangeiros. Mas a URSS continuava sendo um país agrário.
A coletividade da terra, previa a formação de granjas coletivas que seriam consideradas
propriedade dos camponeses. Esta coletividade provocou conflitos entre o estado e os
camponeses proprietários especialmente, proprietários médios (kulaks), mas ao final o estado
impôs-se mediante a violência. Milhares de kulaks foram assassinados ou foram deportados a
campos de trabalho.
Apesar de tudo, a agricultura foi durante muito tempo o setor mais débil da economia soviética.
Paralelamente a coletividade da terra, teve um rápido processo de industrialização, previsto
também no plano.

5 – Conclusão

A antiga Rússia e nova URSS (a partir de 1922), não foi afetada pela crise, visto que havia sido
isolada após sua retirada da primeira guerra, e a partir de então, teve um plano de governo
totalmente fechado, sem o apoio financeiro de outros paises, tornou-se um pais totalmente
independente do capitalismo e suas crises como por exemplo a crise de 29, tornando assim o
sistema socialista mais difundido no mundo, tendo vários paises após a primeira grande guerra
mundial, rachando o mundo ao meio com a guerra fria e a Cortina de Ferro soviética, tendo seu
fim apenas em 1991 com a queda do Muro de Berlin ou Muro da Vergonha como era conhecido.