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Rachel Carson

Um dos livros que marcaram o século XX

Ao ser introduzido para uso no combate a pragas, o DDT — o mais poderoso pesticida que o mundo já
conhecera — terminou por mostrar que a natureza é vulnerável à intervenção humana. A maior parte dos
pesticidas é efetiva contra um ou outro tipo de insetos, mas o DDT era capaz de destruir de imediato
centenas de espécies diferentes de insetos. O DDT, cujo inventor recebeu o Prêmio Nobel, tornou-se
conhecido durante a II Guerra Mundial, quando foi usado pelas tropas americanas contra insetos
causadores da malária. Ao mesmo tempo, na Europa, começou a ser usado sob a forma de pó, eficiente
contra pulgas e outros pequenos insetos.

No livro Silent Spring (A Primavera Silenciosa), lançado em 1962, Rachel Carson mostrou como o DDT
penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem
(chegou a ser detectada a presença de DDT até no leite humano!), com o risco de causar câncer e dano
genético.

A grande polêmica movida pelo instigante e provocativo livro é que não só ele expunha os perigos do
DDT, mas questionava de forma eloqüente a confiança cega da humanidade no progresso tecnológico.
Dessa forma, o livro ajudou a abrir espaço para o movimento ambientalista que se seguiu. Juntamente
com o biólogo René Dubos, Rachel Carson foi uma das pioneiras da conscientização de que os homens e
os animais estão em interação constante com o meio em que vivem.

Quando o DDT se tornou disponível para uso também por civis, poucas pessoas desconfiavam do
miraculoso produto, talvez apenas aquelas que eram ligadas a temas da natureza. Uma dessas pessoas
foi o escritor E. W. Teale, que advertia: "Um spray que atua de forma tão indiscriminada como o DDT,
pode perturbar a economia da natureza tanto quanto uma revolução perturba a economia social. Noventa
por cento dos insetos são benéficos e, se são eliminados, as coisas em pouco tempo fogem do controle."
Outra dessas pessoas foi Rachel Carson, que propôs um artigo para o Reader's Digest falando sobre a
série de testes que estavam sendo feitos com o DDT próximo a onde ela vivia, em Maryland. A idéia foi
rejeitada.
Treze anos mais tarde, em 1958, a idéia de Rachel de escrever sobre os perigos do DDT, teve um novo
alento, quando ela soube da grande mortandade de pássaros em Cape Cod, causada pelas pulverizações
de DDT. Porém seu uso tinha aumentado tanto desde 1945, que Rachel não conseguiu convencer
nenhuma revista a publicar sua opinião sobre os efeitos adversos do DDT. Ainda que Rachel já fosse uma
pesquisadora e escritora reconhecida, sua visão do assunto soava como uma heresia.
Então, ela decidiu abordar o assunto em um livro.

A Primavera Silenciosa levou quatro anos para ser terminado. Além da penetração do DDT na cadeia
alimentar, e de seu acúmulo nos tecidos dos animais e do homem, Rachel mostrou que uma única
aplicação de DDT em uma lavoura matava insetos durante semanas e meses e, não só atingia as pragas,
mas um número incontável de outras espécies, permanecendo tóxico no ambiente mesmo com sua
diluição pela chuva.
Rachel concluía que o DDT e outros pesticidas prejudicavam irremediavelmente os pássaros e outros
animais, e deixavam contaminado todo o suprimento mundial de alimentos. O mais contundente capítulo
do livro, intitulado "uma fábula para o amanhã", descrevia uma cidade americana anônima na qual toda
vida — desde os peixes, os pássaros, até as crianças — tinham sido silenciadas pelos efeitos insidiosos
do DDT.

O livro causou alarme entre os leitores americanos. Como era de se esperar, provocou a indignação da
indústria de pesticidas. Reações extremadas chegaram a questionar a integridade, e até a sanidade, de
Rachel Carson.
Porém, além de ela estar cuidadosamente munida de evidências a seu favor, cientistas eminentes vieram
em sua defesa e quando o Presidente John Kennedy ordenou ao comitê científico de seu governo que
investigasse as questões levantadas pelo livro, os relatórios apresentados foram favoráveis ao livro e à
autora. Como resultado, o governo passou a supervisionar o uso do DDT e este terminou sendo banido.

A visão sobre o uso de pesticidas foi ampliada e a conscientização do público e dos usuários começou a
acontecer. Logo, já não se perguntava mais "será que os pesticidas podem ser realmente perigosos?",
mas sim "quais pesticidas são perigosos?"
Então, em vez dos defensores da natureza terem de provar que os produtos eram prejudiciais, foram os
fabricantes que passaram a ter a obrigação de provar que seus produtos são seguros.

A maior contribuição de A Primavera Silenciosa foi a conscientização pública de que a natureza é


vulnerável à intervenção humana. Poucas pessoas até então se preocupavam com problemas de
conservação, a maior parte pouco se importava se algumas ou muitas espécies estavam sendo extintas.
Mas o alerta de Rachel Carson era assustador demais para ser ignorado: a contaminação de alimentos,
os riscos de câncer, de alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira vez, a
necessidade de regulamentar a produção industrial de modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita.

Clássico: Primavera Silenciosa de Rachel Carson é reeditado no Brasil

Da Redação - 01/06/10 - 18:32


“Quarenta anos atrás, esta obra aplicou um choque galvânico na
consciência pública e, como resultado, infundiu ao movimento
ambientalista uma nova substância e significado”, segundo Edward O.

Wilson.

Para quem não sabe ou nunca ouviu falar, o planeta Terra deve muito a Rachel
Carson, uma cientista norte-americana que, no início da década de 1960, publicou
Primavera silenciosa, obra que, mesmo tendo no título uma expressão poética, foi o
estopim que deu forma a um novo e poderoso movimento social que alterou o
curso da História.

Carson, pesquisadora rigorosa com talento de romancista, causou uma verdadeira


revolução em defesa do meio ambiente a partir do lançamento de seu livro, em
1962. A obra, escrita em pouco mais de quatro anos, apresenta inúmeros
documentos científicos de diferentes fontes, comprovando as afirmações da autora
que desencadearam uma investigação no governo Kennedy. De imediato, inspirou a
rede de tevê CBS a produzir um documentário, assistido por 15 milhões de
telespectadores, que mostrava os efeitos nocivos do DDT à saúde, fato que poderia,
inclusive, alcançar mais de uma geração, uma vez que resíduos dessa substância
tóxica podem ser encontrados no leite humano.

Revolução

O clamor que se seguiu à publicação de Primavera silenciosa forçou o governo a


proibir o uso de DDT e instigou mudanças revolucionárias nas leis que preservam o
ar, a terra e a água, com a criação, em 1970, da Agência de Proteção Ambiental
Norte-Americana. A paixão de Rachel Carson pela questão do futuro do planeta
refletiu poderosamente por todo mundo e seu livro foi determinante para o
lançamento do movimento ambientalista.

Esta edição apresentada pela Editora Gaia inclui um posfácio do escritor e cientista
Edward O. Wilson e uma introdução da biógrafa Linda Lear, que discorre sobre a
história corajosa de Carson na defesa de suas convicções diante do ataque
impiedoso e covarde da indústria química logo após a publicação deste seu livro e
antes de sua morte prematura, em 1964.

Em 2000, a Escola de Jornalismo de Nova York consagrou Primavera silenciosa


como uma das maiores reportagens investigativas do século XX. Em dezembro de
2006, premiando a memória e o legado de Rachel Carson, o jornal britânico The
Guardian conferiu a ela o primeiro lugar na lista das cem pessoas que mais
contribuíram para a defesa do meio ambiente de todos os tempos.

Páginas/Preço: 328 / R$ 49,00

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A Carta do Cacique Seattle, em 1855

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington,


enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois
de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território
ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo
do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

"O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa
terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência.
Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa
amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o
fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande
chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma
certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das
estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha.
Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então
comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda
esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de
areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os
insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver.
Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que
vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã,
nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo
de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece
os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e
deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do
homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um
selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se
possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos
insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades
é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o
homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no
brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho
d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com
aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os
seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o
homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é
insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar
os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo
que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas
pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados
do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de
ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos
apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os
animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão
espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os
homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros
sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em
ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes.
Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles
não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum
dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado
em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos,
um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir:
o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da
mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus
de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao
branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo
pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa
do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer,
uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último
bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas
federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que
falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido
embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o
começo pela luta pela sobrevivência.
Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se
soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de
inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os
desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem
branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso
próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que
nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como
desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua
lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias,
a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as
amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te
vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós
a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E
com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os
seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o
nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o
homem branco pode evitar o nosso destino comum."

Breve Histórico da Educação Ambiental

Acontecimentos internacionais que influenciaram a Educação Ambiental mundial.

Ano
Anos 1960
1962 Publicação de Primavera Silenciosa, por Rachel Carlson
1965 Utilizada a expressão Educação Ambiental (Environmental Education) na
Conferência de Educação da Universidade de Keele, Grã-Bretanha
1966 Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos - Assembléia Geral da
1968 ONU
Fundação do Clube de Roma
Anos 1970
1972 Publicação do Relatório Os Limites do Crescimento - Clube de Roma
Conferência de Estocolmo - discussão do desenvolvimento e ambiente,
conceito de ecodesenvolvimento; Recomendação 96 - Educação e Meio
1973 Ambiente
1974 RegistroMundial de Programas em Educação Ambiental, EUA
Seminário de Educação Ambiental em Jammi, Finlândia - Educação
1975 Ambiental é reconhecida como educação integral e permanente
Congresso de Belgrado - Carta de Belgrado - estabelece as metas e
princípios da Educação Ambiental
1976 Programa Internacional de Educação Ambiental - PIEA - UNESCO
Reunião Sub-regional de Educação Ambiental para o Ensino Secundário,
Chosica, Peru - discussão sobre as questões ambientais na América Latina
estarem ligadas as necessidades de sobrevivência e aos direitos humanos
Congresso de Educação Ambiental - Brazzaville, África - reconhece a
1977 pobreza como maior problema ambiental
Conferência de Tbilisi, Geórgia - estabelece os princípios orientadores da
1979 EA e enfatiza se caráter interdisciplinar, critico, ético e transformador
Encontro Regional de Educação Ambiental para América Latina em San
José, Costa Rica

Anos 1980
1980 Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental para Europa e
América do Norte - assinala a importância do intercâmbio de informações
e experiências
Seminário Regional sobre Educação Ambiental nos Estados Árabes,
Manama, Barein - UNESCO/PNUMA
1987 Primeira Conferência Asiática sobre Educação Ambiental Nova Delhi,
Índia
Divulgação do relatório da Comissão Brundtland - Nosso Futuro Comum
Congresso Internacional da UNESCO/PNUMA sobre Educação e
Formação Ambiental - Moscou - realiza a avaliação dos avanços desde
1988 Tbilisi, reafirma os princípios de Educação Ambiental e assinala a
importância e necessidade de pesquisa e da formação em Educação
1989 Ambiental
Declaração de Caracas - ORPAL/PNUMA - sobre Gestão Ambientalna
América - denuncia a necessidade de mudar o modelo de
desenvolvimento
Primeiro Seminário sobre Materiais para a Educação Ambiental
ORLEAC/UNESCO/PIEA, Santiago, Chile
Declaração de Haia, preparatório da Rio-92 - aponta a importância da
cooperação internacional nas questões ambientais

Anos 1990
1990 Conferência Mundial sobre Ensino para Todos - Satisfação das
Necessidades Básicas de Aprendizagem, Jomtien, Tailândia - destaca o
conceito de analfabetismo ambiental
ONU declara o ano 1990 como o Ano Internacional do Meio Ambiente
1991 Reuniões preparatórias para a Rio-92
1992 Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, UNCED, Rio-
92
Criação da Agenda 21
Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, Fórum das
1993 ONGs
Carta Brasileira de Educação Ambiental, MEC
1994 Congresso Sul-Americano, Argentina - continuidade Rio-92
Conferência dos Direitos Humanos, Viena
1995 Conferência Mundial de População, Cairo
I Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, Guadalajara,
México
Conferência para o Desenvolvimento Social, Copenhague - criação de um
1996 ambiente econômico-político-social-cultural e jurídico que permita o
1997 desenvolvimento social
Conferência Mundial da Mulher, Pequim
Conferência Mundial do Clima, Berlim
Conferência Hábitat II, Istambul
II Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, Guadalajara,
México
Conferência sobre Educação Ambiental, Nova Delhi, Índia
Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e
Conscientização Pública para a Sustentabilidade, Thessaloniki, Grécia

Tabela II: Acontecimentos no Brasil que influenciaram a EA

ANO
Anos 1970
1971 Cria-se no Rio Grande do Sul a Associação Gaúcha de Proteção ao
Ambiente Natural (AGAPAN)
1972 A Delegação Brasileira na Conferência de Estocolmo declara que o país
está "aberto à poluição, porque o que precisa é dólares,
desenvolvimento e empregos" - apesar disso, contraditoriamente, o
Brasil lidera os países do Terceiro Mundo para não aceitar a Teoria do
Crescimento Zero proposta pelo Clube de Roma
1973 Cria-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente, SEMA, no âmbito do
Ministério do Interior, que, entre outras atividades, contempla a
Educação Ambiental
1977 SEMA constitui um grupo de trabalho para a elaboração de um
documento sobre a Educação Ambiental, definindo o seu papel no
contexto brasileiro
Seminários, Encontros e debates preparatórios à Conferência de Tbilisi
são realizados pela FEEMA, RJ
1978 A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul desenvolve o Projeto
Natureza (1978 -1985)
Criação de cursos voltados às questões ambientais em várias
universidades brasileiras

Anos 1980
1984 O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) apresenta uma
resolução, estabelecendo diretrizes para a Educação Ambiental
1986 A SEMA e a Universidade de Brasília organizam o primeiro Curso de
Especialização em Educação Ambiental (1986-1988)
I Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente
Seminário Internacional de Desenvolvimento Sustentado e Conservação
de Regiões Estuarinas - Lagunares (Manguezais), São Paulo
O MEC aprova o Parecer nº 226/87, do conselheiro Arnaldo Niskier -
1987 inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1º e 2º
graus
II Seminário Universidade e Meio Ambiente, Belém, Pará
A Constituição Brasileira de 1988, art. 225 no capítulo VI - Do Meio
1988 Ambiente, inciso VI - destaca a necessidade de promover a Educação
Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública
para a preservação do meio ambiente. Para cumprimento dos preceitos
constitucionais, leis federais, decretos, constituições estaduais e leis
municipais determinam a obrigatoriedade da Educação Ambiental
Fundação Getúlio Vargas traduz e publica o relatório Brundtland, Nosso
Futuro Comum
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo e a CETESB
publicam a edição-piloto do livro Educação Ambiental - Guia para
Professores de 1º e 2º graus
I Fórum de Educação Ambiental - São Paulo
Criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (IBAMA), pela fusão da SEMA, SUDEPE,
1989 SUDHEVEA e IBDF, onde funciona a Divisão de Educação Ambiental
Programa de Educação Ambiental da Universidade Aberta da Fundação
Demócrito Rocha, por meio de encartes nos jornais de Recife e
Fortaleza
Primeiro Encontro Nacional sobre Educação Ambiental no Ensino
Formal, IBAMA - UFRPE, Recife
Cria-se o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) no Ministério do
Meio Ambiente (MMA), apoiando projetos que incluem a Educação
Ambiental
III Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente, Cuiabá,
Mato Grosso
Anos 1990
1990 I Curso Latino-Americano de Especialização em Educação Ambiental,
PNUMA - IBAMA -CNPq -CAPES - UFMT, Cuiabá, Mato Grosso
(1990 -1994)
IV Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente,
Florianópolis, Santa Catarina
1991 MEC, Portaria nº 678 (14/05/91) institui que todos os currículos nos
diversos níveis de ensino deverão contemplar conteúdos de Educação
Ambiental
Projeto de Informações sobre Educação Ambiental, IBAMA - MEC
Grupo de Trabalho para Educação Ambiental coordenado pelo MEC,
preparatório à Conferência Rio-92
Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para Educação
Ambiental, MEC-IBAMA-Secretaria do Meio Ambiente da Presidência
da República - UNESCO-Embaixada do Canadá
II Fórum de Educação Ambiental - São Paulo
1992 Criação dos Núcleos Estaduais de Educação Ambiental do IBAMA
(NEAs)
Participação das ONGs do Brasil no Fórum de ONGs e na redação do
Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis
O MEC promove no CIAC do Rio das Pedras em Jacarepaguá, Rio de
Janeiro, o Whoskshop sobre Educação Ambiental , cujo resultado se
encontra na Carta Brasileira de Educação Ambiental
1993 Publicação dos livros Amazônia: uma proposta interdisciplinar de
Educação Ambiental (Temas básicos) e Amazônia: uma proposta
interdisciplinar de Educação Ambiental (Documentos Metodológicos),
Brasília, 1992-1994 (IBAMA - Universidades e SEDUCs da região)
Criação dos Centros de Educação Ambiental do MEC, com a finalidade
de criar e difundir metodologias em Educação Ambiental
1994 Aprovação do Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA),
com a participação do MMA-IBAMA-MEC-MCT-MINC
Publicação em português da Agenda 21, feita por crianças e jovens,
UNICEF
III Fórum de Educação Ambiental, São Paulo
1996 Criação da Câmara Técnica de Educação Ambiental, CONAMA
Novos Parâmetros Curriculares do MEC que incluem a Educação
Ambiental como tema transversal do currículo
Cursos de Capacitação em Educação Ambiental para os técnicos das
SEDUCs e DEMECs nos estados, para orientar a implantação dos
Parâmetros Curriculares - convênio UNESCO-MEC
Criação da Comissão Interministerial de Educação Ambiental, MMA
1997 Criação da Comissão de Educação Ambiental do MMA
Cursos de Educação Ambiental organizados pelo MEC - Coordenação
de Educação Ambiental para as escolas técnicas e segunda etapa de
capacitação das SEDUCs e DEMECs - convênio UNESCO-MEC
I Teleconferência Nacional de Educação Ambiental, MEC
IV Fórum de Educação Ambiental e I Encontro da Rede de Educadores
Ambientais, Vitória
I Conferência Nacional de Educação Ambiental, Brasília
Tabelas compiladas do livro: Educação Ambiental caminhos trilhados no Brasil, org.
Suzana M. Padua e Marlene F. Tabanez, Brasília, 1997; p. 265-269 Artigo Breve
Histórico da Educação Ambiental por Naná Mininni Medina.

Os problemas ambientais gerados em decorrência da industrialização geram a indignação da


sociedade civil, que, em busca de qualidade de vida e harmonia com a natureza, desenvolvem
estudos e críticas ao modelo de produção e a consequente degradação ambiental. Alguns fatos
importantes em diferentes décadas contribuíram para o surgimento e fortalecimento da Educação
Ambiental.

Evento Ambiental realizado no Rio de Janeiro, Brasil

1950 - 1960 – Poluição atmosférica de origem industrial provocou muitas mortes em Londres e Nova
Iorque.

1960 – 1970 – Nesse período, grande parte dos conhecimentos atuais dos sistemas ambientais do
planeta foi desenvolvido.

1972 – Conferência de Estocolmo, discussão do desenvolvimento e ambiente, conceito de eco-


desenvolvimento.

1973 – Foi criada, no Brasil, a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA).

1975 – A UNESCO, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente, criou o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), em Belgrado.

1977 - Ocorreu um dos eventos mais importantes para a Educação Ambiental em nível mundial: a
Conferência Intergovernamental em Educação Ambiental, em Tblisi na Geórgia.

1983 – Brasil, o Decreto n° 88.351/83, que regulamenta a Lei n° 226/87, determinou a necessidade
da inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1° e 2° graus.

1987 – Realizou-se o Congresso Internacional sobre Educação Ambiental e Formação Relativas ao


Meio Ambiente, em Moscou, capital da Rússia.

1992 – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, ECO-92,
realizada no Rio de Janeiro, Brasil.

1994 – I Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, realizado na cidade mexicana de


Guadalajara.

1997 – Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Conscientização


Pública para a Sustentabilidade, Grécia.

2002 - Em agosto / setembro de 2002 realizou-se em Johanesburgo, África do Sul, o


Encontro da Terra, também denominado Rio+10, que teve a finalidade de avaliar as decisões
tomadas na Conferência do Rio, em 1992.

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A Educação Ambiental na Escola

Rosimari A. Viveiro Ruy


Mestranda em Educação/Educação Ambiental - UNESP de Rio Claro

Nas últimas décadas, vêm se intensificando as preocupações inerentes à


temática ambiental e, concomitantemente, as iniciativas dos variados setores
da sociedade para o desenvolvimento de atividades, projetos e congêneres no
intuito de educar as comunidades, procurando sensibilizá-las para as questões
ambientais, e mobilizá-las para a modificação de atitudes nocivas e a
apropriação de posturas benéficas ao equilíbrio ambiental.

As idéias ligadas à temática ambiental não surgiram de um dia para outro.


Numerosos fatos de âmbito internacional foram delineando o que conhecemos
hoje por Educação Ambiental (EA). Ilustrativamente, podemos citar alguns
desses acontecimentos:

• Considerado um clássico na história do movimento ambientalista


mundial, o livro “Primavera Silenciosa”, lançado em 1962 pela jornalista
Rachel Carson, alertava para a crescente perda da qualidade de vida
produzida pelo uso indiscriminado e excessivo dos produtos químicos e
os efeitos dessa utilização sobre os recursos ambientais (DIAS, 1992) –
esse livro teve grande repercussão, favorecendo o crescimento dos
movimentos ambientalistas mundiais;
• A Carta de Belgrado (1975) preconizou que as fundações de um
programa mundial de Educação Ambiental fossem lançadas;
• A Declaração da Conferência Intergovernamental de Tbilisi sobre
Educação Ambiental (1977) atentou para o fato de que, nos últimos
decênios, o homem, utilizando o poder de transformar o meio ambiente,
modificou rapidamente o equilíbrio da natureza. Como resultado, as
espécies ficaram freqüentemente expostas a perigos que poderiam ser
irreversíveis (DIAS, 1992);
• No Congresso de Moscou (1987), chegou-se à concordância de que a
EA deveria objetivar modificações comportamentais nos campos
cognitivos e afetivos (DIAS, 1992).
A jornalista e bióloga Rachel Carson e sua obra mais importante, o livro
"Primavera Silenciosa".

Segundo VASCONCELLOS (1997), a presença, em todas as práticas


educativas, da reflexão sobre as relações dos seres entre si, do ser humano
com ele mesmo e do ser humano com seus semelhantes é condição
imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra. Dentro desse contexto,
sobressaem-se as escolas, como espaços privilegiados na implementação de
atividades que propiciem essa reflexão, pois isso necessita de atividades de
sala de aula e atividades de campo, com ações orientadas em projetos e em
processos de participação que levem à autoconfiança, à atitudes positivas e ao
comprometimento pessoal com a proteção ambiental implementados de modo
interdisciplinar (DIAS, 1992).
A escola se apresenta como o melhor ambiente para implementar a
consciência de preservação do meio.
Entretanto, não raramente a escola atua como mantenedora e reprodutora de
uma cultura que é predatória ao ambiente. Nesse caso, as reflexões que dão
início à implementação da Educação Ambiental devem contemplar aspectos
que não apenas possam gerar alternativas para a superação desse quadro,
mas que o invertam, de modo a produzir conseqüências benéficas (ANDRADE,
2000), favorecendo a paulatina compreensão global da fundamental
importância de todas as formas de vida coexistentes em nosso planeta, do
meio em que estão inseridas, e o desenvolvimento do respeito mútuo entre
todos os diferentes membros de nossa espécie (CURRIE, 1998).

Esse processo de sensibilização da comunidade escolar pode fomentar


iniciativas que transcendam o ambiente escolar, atingindo tanto o bairro no qual
a escola está inserida como comunidades mais afastadas nas quais residam
alunos, professores e funcionários, potenciais multiplicadores de informações e
atividades relacionadas à Educação Ambiental implementada na escola.
SOUZA (2000) afirma, inclusive, que o estreitamento das relações intra e extra-
escolar é bastante útil na conservação do ambiente, principalmente o ambiente
da escola. Os participantes do Encontro Nacional de Políticas e Metodologias
para a EA (MEC/SEMAM, 1991) sugeriram, entre outras propostas, que os
trabalhos relacionados à EA na escola devem ter, como objetivos, a
sensibilização e a conscientização; buscar uma mudança comportamental;
formar um cidadão mais atuante; (...) sensibilizar o professor, principal agente
promotor da EA; (...) criar condições para que, no ensino formal, a EA seja um
processo contínuo e permanente, através de ações interdisciplinares
globalizantes e da instrumentação dos professores; procurar a integração entre
escola e comunidade, objetivando a proteção ambiental em harmonia com o
desenvolvimento sustentado... (DIAS, 1992).
O objetivo de qualquer iniciativa de conscientização ambiental é atingir a toda
comunidade.

Implementar a Educação Ambiental nas escolas tem se mostrado uma tarefa


exaustiva. Existem grandes dificuldades nas atividades de sensibilização e
formação, na implantação de atividades e projetos e, principalmente, na
manutenção e continuidade dos já existentes. Segundo ANDRADE (2000), “...
fatores como o tamanho da escola, número de alunos e de professores,
predisposição destes professores em passar por um processo de treinamento,
vontade da diretoria de realmente implementar um projeto ambiental que vá
alterar a rotina na escola, etc, além de fatores resultantes da integração dos
acima citados e ainda outros, podem servir como obstáculos à implementação
da Educação Ambiental”. Dado que a Educação Ambiental não se dá por
atividades pontuais, mas por toda uma mudança de paradigmas que exige uma
contínua reflexão e apropriação dos valores que remetem a ela, as dificuldades
enfrentadas assumem características ainda mais contundentes. A Conferência
de Tbilisi (1977) já demonstrava as preocupações existentes a esse respeito,
mencionando, em um dos pontos da recomendação nº 21, que deveriam ser
efetuadas pesquisas sobre os obstáculos, inerentes ao comportamento
ambiental, que se opõem às modificações dos conceitos, valores e atitudes das
pessoas (DIAS, 1992).

Diante de tantas pistas para uma implementação efetiva da EA nas escolas,


evidentemente, “posicionamo-nos por um processo de implementação que não
seja hierárquico, agressivo, competitivo e exclusivista, mas que seja levado
adiante fundamentado pela cooperação, participação e pela geração de
autonomia dos atores envolvidos” (ANDRADE, 2000). Projetos impostos por
pequenos grupos ou atividades isoladas, gerenciadas por apenas alguns
indivíduos da comunidade escolar – como um projeto de coleta seletiva no qual
a única participação dos discentes seja jogar o lixo em latões separados,
envolvendo apenas um professor coordenador – não são capazes de produzir
a mudança de mentalidade necessária para que a atitude de reduzir o
consumo, reutilizar e reciclar resíduos sólidos se estabeleça e transcenda para
além do ambiente escolar. Portanto, deve-se buscar alternativas que
promovam uma contínua reflexão que culmine na metanóia (mudança de
mentalidade); apenas dessa forma, conseguiremos implementar, em nossas
escolas, a verdadeira Educação Ambiental, com atividades e projetos não
meramente ilustrativos, mas fruto da ânsia de toda a comunidade escolar em
construir um futuro no qual possamos viver em um ambiente equilibrado, em
harmonia com o meio, com os outros seres vivos e com nossos semelhantes.

Bibliografia

• ANDRADE, D. F. Implementação da Educação Ambiental em escolas:


uma reflexão. In: Fundação Universidade Federal do Rio Grande.
Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v.
4.out/nov/dez 2000.
• CURRIE, K. L. Meio ambiente, interdisplinaridade na prática. Campinas,
Papirus, 1998.
• DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo, Gaia,
1992.
• GUERRA, R. T. GUSMÃO, C. R. C. A implantação da Educação
Ambiental numa escola pública de Ensino Fundamental: teoria versus
prática. João Pessoa, Anais do Encontro Paraibano de Educação
Ambiental 2000 – Novos Tempos. 08-10 nov 2000.
• SATO, M. Educação Ambiental. São Carlos, Rima, 2002.
• SOUZA, A. K. A relação escola-comunidade e a conservação ambiental.
Monografia. João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba, 2000.
• VASCONCELLOS, H. S. R. A pesquisa-ação em projetos de Educação
Ambiental. In: PEDRINI, A. G. (org). Educação Ambiental: reflexões e
práticas contemporâneas. Petrópolis, Vozes, 1997.

© Revista Eletrônica de Ciências - Número 26 - Maio de 2004.

Artigos

UM HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL E NO MUNDO

*Carlos Alberto Alves Quintino

As décadas de 70/80 marcaram o início das lutas sociais organizadas em nível mundial,
dentre as quais o movimento Hippie, a luta dos negros americanos pela cidadania, as lutas das
mulheres pela igualdade de direitos com os homens, entre outras. No bojo desses
acontecimentos, tiveram início os movimentos de defesa da ecologia e do meio ambiente, cujo
marco foi a publicação do livro “Primavera Silenciosa” (1962), da americana Raquel Carson.

A partir dessa publicação, que repercutiu no mundo inteiro, os militantes dos movimentos
ambientalistas e a Organização das Nações Unidas (ONU) realizaram vários eventos internacionais
que abordaram a questão da preservação e da educação ambiental.

O primeiro evento foi a Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente (1972),
conhecida como Conferência de Estocolmo. Com a participação de 113 países, esse evento, que
denunciou a devastação da natureza que ocorria naquele momento, deliberou que o crescimento
humano precisaria ser repensado imediatamente (Pedrini: 1998, p. 26). Nesse encontro, foram
elaborados dois documentos: a “Declaração Sobre Meio Ambiente Humano” e o “Plano de Ação
Mundial”.

A principal recomendação dessa conferência foi a de que deveria ser dada ênfase à educação
ambiental como forma de se criticar e combater os problemas ambientais existentes na época
(Dias: 2000, p. 79). É importante lembrar que nesse evento os países subdesenvolvidos não
pouparam críticas aos países ricos, por acreditarem que estes queriam limitar o desenvolvimento
econômico dos países pobres “usando políticas ambientais de controle da poluição como meio de
inibir a competição no mercado internacional” (Dias: 2000, p.79).

Em função da Conferência de Estocolmo, o governo brasileiro, pressionado pelo Banco


Mundial, criou a Secretaria Especial do Meio Ambiente, com o objetivo de implementar uma
gestão integrada do meio ambiente. Esse órgão possuía apenas três funcionários, o que mostrava
o descaso da ditadura militar com as questões ambientais em nosso país. De acordo com Perini
(1998), o plano de ação dessa conferência sugeria a capacitação dos professores, assim como
uma metodologia de ação para a educação ambiental em nível mundial. Tendo em vista essa
política, foram realizadas mais três conferências internacionais sobre educação ambiental entre as
décadas de 70/80.

A primeira foi a Conferência de Belgrado (Yuguslávia), realizada em 1975, com a participação


de pesquisadores e cientistas de 65 países. Esse encontro resultou em um documento
denominado “Carta de Belgrado”, que preconizava uma nova ética para promover a erradicação
da pobreza, do analfabetismo, da fome, da poluição, da exploração e de todas as formas de
dominação humana. Outra deliberação importante dessa conferência foi a elaboração dos
princípios e diretrizes para o programa internacional de educação ambiental, de caráter contínuo
e multidisciplinar, que levava em conta as diferenças regionais e os interesses nacionais.

Com base nessa estratégia, a UNESCO criou o Programa Internacional de Educação Ambiental
(PIEA), com relevante atuação internacional, cujo objetivo era o de editar publicações relatando
as experiências mundiais de preservação e educação ambiental. Além disso, esse programa criou
uma base de dados que, no início da década de 80, contava com informações sobre 900
instituições que atuavam com educação ambiental e 140 projetos voltados à preservação do meio
ambiente.

No que diz respeito ao Brasil, as deliberações da conferência de Belgrado, principalmente


aquelas voltadas à educação ambiental, passaram despercebidas pelos órgãos educacionais tanto
na esfera federal quanto na estadual, dada a conjuntura política que o país vivia naquele
momento.

A partir de 1975, alguns órgãos estaduais brasileiros voltados ao meio ambiente iniciaram os
primeiros programas de educação ambiental em parceria com as Secretarias de Estado da
Educação. Ao mesmo tempo, incentivados por instituições internacionais “disseminava-se no país
o ecologismo, deformação de abordagem que circunscrevia a importância da educação ambiental
à flora e a fauna, à apologia do “verde pelo verde”, sem que nossas mazelas socioeconômicas
fossem consideradas nas análises” (Dias: 2000, p. 81). Esse conceito não levava em conta a
crítica à pobreza, ao analfabetismo, às injustiças sociais etc., um dos temas centrais da
Conferência de Belgrado.

Em 1977, a Unesco e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente realizaram a 1ª
Conferência Intergovernamental Sobre Educação Ambiental, em Tbilisi, na Geórgia, antiga União
Soviética. Nesse evento, os especialistas de todo o mundo definiram os princípios e objetivos da
educação ambiental, além de formular as recomendações à atuação internacional e regional sobre
o tema. Segundo Dias (2000, p. 82), foi recomendado nessa reunião que se considerassem na
questão ambiental não somente a fauna e a flora, mas “os aspectos sociais, econômicos,
científicos, tecnológicos, culturais, ecológicos e éticos”. Além dessa questão, foi deliberado
também que a educação ambiental deveria ser multidisplinar, possibilitando uma visão integrada
do ambiente.

A disseminação da educação ambiental deveria se dar via educação formal e informal,


atingindo a todas as faixas etárias. Tendo em vista essa diretriz, caberia a cada país implementar
sua política nacional de educação ambiental por meio dos órgãos educacionais e de controle
ambiental.
No Brasil, essa política foi implementada pelo Ministério da educação, a partir do documento
denominado “Ecologia: uma proposta para o ensino de 1º e 2º graus”. Essa proposta, simplista e
contrária à s deliberações da Conferência de Tbilisi, tratava a educação ambiental no âmbito das
ciências biológicas, como queriam os países desenvolvidos, sem tocar na questão cultural, social e
política (Dias: 2000, p. 84).

Cabe destacar que as resoluções da Conferência de Tbilisi não conseguiram por em prática
seus objetivos e princípios, de forma a implementar um amplo programa de educação ambiental
em nível internacional.

A Terceira Conferência Internacional sobre Educação Ambiental aconteceu em 1987, em


Moscou (URSS), reunindo educadores ambientais de cem países vinculados às organizações não
governamentais. Esse encontro reforçou os princípios e objetivos traçados em Tbilisi, na qual a
educação ambiental deveria formar os indivíduos, desenvolver habilidades e disseminar valores e
princípios que permitissem à sociedade elaborar propostas para a solução dos problemas
ambientais. Para tanto, acordou-se que deveria haver uma reorientação da política de educação
ambiental a partir de um plano de ação para a década de 90, com base nas seguintes diretrizes:
a) implementação de um modelo curricular constituído a partir da troca de experiências mundiais;
b) capacitação de educadores que atuassem com projetos de educação ambiental; c) utilização
das áreas de conservação ambiental como pólo de pesquisa e formação docente; d) intensificação
e melhoraria da qualidade das informações ambientais veiculadas na mídia internacional (Pedrini:
1998, 29-30). O governo brasileiro não apresentou nenhum projeto nesse encontro, provocando
reações negativas por parte da comunidade internacional e do Banco Mundial. Com o objetivo de
amenizar o problema, o Conselho Federal de Educação aprovou o parecer 226/87 que incluiu o
tema educação ambiental, aos moldes da Conferência de Tbilisi, na proposta curricular do ensino
básico e médio em nosso país.

Em função da pressão do movimento ambientalista, nacional e internacional, a Constituição


promulgada em 1988 criou um capítulo sobre o meio ambiente, no qual a educação ambiental,
em todos os níveis de ensino, passou a ser dever do Estado.
Em 1989, o governo federal criou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis
(IBAMA), com o objetivo de formular e coordenar a execução da política nacional de meio
ambiente, além de incentivar as ações voltadas à educação ambiental.
No ano de 1992, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência de Cúpula da Terra, conhecida
como Rio-92. Essa reunião, que congregou representantes de 182 países, aprovou cinco acordos
de extrema relevância para o mundo: a) a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento; b) a Agenda 21 e suas formas de implementação; c) a Convenção Sobre
Mudanças Climáticas; d) a Convenção sobre Diversidade Biológica; e) a Declaração de Florestas.
Em um evento paralelo à Rio-92, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), foi aprovada a
“Carta Brasileira para a Educação Ambiental”, que enfocou o papel do Estado enquanto promotor
da educação ambiental em nível nacional.

Concomitante à Rio-92, houve uma reunião de aproximadamente dez mil ONGs mundiais, na
qual foi dada ênfase à educação ambiental “como referencial a ser considerado, reforçando-os
como marco metodológico no ensino formal e informal” (Pedrini: 1998, p.31).

Segundo Dias (2000, p. 171), a Rio-92 reafirmou a tese da Conferência de Tbilisi,


principalmente aquela que dizia respeito à interdisciplinaridade da educação ambiental,
priorizando três metas: a) reorientar a educação ambiental para o desenvolvimento sustentável;
b) proporcionar informações sobre o meio ambiente, de forma a conscientizar a população sobre
os problemas que estavam ocorrendo no planeta; c) promover a formação de professores na área
de educação ambiental.

Outra deliberação importante da Rio-92 foi a reafirmação das teses da “Conferência de


Educação para Todos”, ocorrida na Tailândia, em 1992, principalmente aquela que trata sobre o
analfabetismo ambiental.

Tendo em vista os documentos aprovados na Rio-92, o Ministério da Educação e Cultura


instituiu um grupo de trabalho para implementar as bases da educação ambiental no ensino
básico, médio e universitário em nosso país. Com o objetivo de elaborar uma proposta nacional
sobre o tema, esse grupo realizou diversos encontros com os órgãos responsáveis pela educação
estadual e municipal em nosso país. No entanto, dado o despreparo e a falta de informações dos
órgãos educacionais, não se conseguiu elaborar um documento que expressasse os objetivos da
educação ambiental em nosso país.

Finalmente, as ações efetivas no campo da educação ambiental só foram implementadas em


1994, quando o Ministério da Educação e Cultura, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da
Ciência e Tecnologia editaram o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), que
resultou na edição da Lei 9.975, de 24 de abril de 1999, criando a Política Nacional de Educação
Ambiental. De acordo com Dias (2000, p. 92), A partir daí, tem-se os instrumentos necessários
para impor um ritmo mais intenso ao desenvolvimento da educação ambiental no Brasil.

No próximo capítulo comentaremos sobre os objetivos e os principais itens dessa Lei.

BIBLIOGRAFIA

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 20000.
PEDRINI, Alexandre de Gusmão. Educação Ambiental: reflexões e práticas contemporâneas. Rio
de Janeiro: Vozes, 1998.

QUINTINO, Carlos Alberto Alves. A Educação Ambiental no Brasil. Mauá – São Paulo: Prefeitura do
Município de Mauá. Mimeo, 2006.

Lei no 9.795, de 27/04/ 1999. In: .


Acesso em 03/09/2006.

SITES

http://ww.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm - Acesso em 03/09/2006.


http://www.mma.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm - Acesso em 21/09/2006.
Acesso em 03/09/2006.

Acesso em 21/09/2006.

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*Economista e mestre em Administração de Empresas. Ex-assessor da Secretaria de Meio
Ambiente da Prefeitura Municipal de Mauá (SP). Professor do Unifai.