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Argumentum

E-ISSN: 2176-9575
revistaargumentum@yahoo.com.br
Universidade Federal do Espírito Santo
Brasil

Mascarenhas TORRES, Mabel; Bettiol LANZA, Liria Maria


Serviço Social: exercício profissional do Assistente Social na gestão de políticas públicas
Argumentum, vol. 5, núm. 1, enero-junio, 2013, pp. 197-215
Universidade Federal do Espírito Santo
Vitória, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=475547478013

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ARTIGO

Serviço Social: exercício profissional do Assistente Social


na gestão de políticas públicas

Social Services: professional practice of Social Workers


in the management of public policies

Mabel Mascarenhas TORRES1


Liria Maria Bettiol LANZA2

Resumo: O assistente social é um dos profissionais requisitados a atuar na gestão das políticas públi-
cas. Trata-se de um dos campos profissionais que exerce função de planejamento e avaliação de pro-
gramas, projetos e serviços das políticas públicas. Este artigo aponta referências sobre o trabalho do
assistente social na gestão, partindo da bibliografia sobre o Serviço Social e seu estatuto teórico-
prático. Indica também a necessidade de analisar a profissão e as relações construídas entre o projeto
eticopolítico e o exercício profissional nesse campo. Conclui-se que esse exercício requer do profissio-
nal um conjunto de saberes que o possibilita reconhecer as determinações constitutivas desse campo
profissional, dentre elas: a identificação do modo como opera a relação teoria e prática; os conheci-
mentos que a orientam e a interpretação dos desafios da gestão social como possibilidade de
(re)construir e qualificar as respostas profissionais.
Palavras-chaves: Serviço Social. Trabalho Profissional. Gestão de Políticas Públicas. Exercício Profis-
sional.

Summary: The social worker is professionals required to act in the management of public policies.
This is one of the professional fields in which it exercises planning function and evaluation of
programs, projects and services of public policies. This article points out references to this work based
on the literature on social work and its theoretical status and practical. Indicates the need to examine
the profession and the relationships built between the ethical-political project, professional practice
and its dimensions. We conclude that this exercise requires a set of knowledge that allows the
recognition of this professional field determinations constituent among them, identify how the
relationship operates theory and practice, the knowledge that guide it, the interpretation of the
challenges of corporate management as a possibility (re) construct and qualify professional responses.
Keywords: Social Service. Professional Work. Management of Public Policies. Professional Practice.

Submetido em: 13/4/2012. Correções 3/9/2012. Aceito em: 21/3/2013.

1 Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica São Paulo (PUC-SP, Brasil). Profes-
sora da Universidade Estadual de Londrina (UEL, Brasil). E-mail: <mmtorres@uel.br>.
2 Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica São Paulo (PUC-SP, Brasil). Profes-

sora da Universidade Estadual de Londrina (UEL, Brasil. E-mail: <liriabettiol@uel.br>.


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Mabel Mascarenhas TORRES; Liria Maria Bettiol LANZA

Introdução to de prevenção dos males sociais com


vistas ao alcance do bem-estar social.

E
ste artigo apresenta uma discus- Em síntese, entende-se que o início do
são sobre o exercício profissio- Serviço Social se articula às relações de
nal desenvolvido pelo assistente ajuda, com enfoque assistencialista e
social na gestão de políticas públicas. sob influência da Igreja Católica, em
O Serviço Social é uma profissão inscri- especial do humanismo cristão, como
ta na divisão sociotécnica do trabalho, um ‚braço da ação católica‛. Verdes-
regulamentada pela Lei nº 8662/93, de Leroux(1986) indica, em sua análise,
7 de junho de 1993, com alterações que o Serviço Social decorre da ‚pro-
determinadas pelas resoluções CFESS fissionalização‛ da ajuda que acompa-
nº 290/94 e nº 293/94 e balizada pelo nha a complexificação da natureza dos
Código de Ética, aprovado por meio da fenômenos e de sua manifestação na
resolução CFESS nº 273/93, de 13 de realidade sócio-histórica. Em ambas as
março de 1993. posições as respostas profissionais
recaem sobre a vida dos usuários, e o
A análise sobre a origem do Serviço profissional é reconhecido como
Social como profissão decorre dos
estudos desenvolvidos por vários [...] profissional da ajuda, do auxílio, da
autores e tem sido discutida sob diver- assistência, desenvolvendo uma ação
pedagógica, distribuindo recursos mate-
sos pontos de vista teóricos e filosófi-
riais, atestando carências, realizando tri-
cos. agens, conferindo méritos, orientando e
esclarecendo a população quanto aos
O início da profissão data do fim do seus direitos, aos serviços, aos benefícios
século XIX na Europa e nos EUA, e da disponíveis, administrando recursos ins-
titucionais, numa mediação da relação
década de 1930 no Brasil. Para Vieira
Estado, instituição e classes subalternas
(1980), o reconhecimento da profissão (YASBEK, 1999, p. 95).
passa pela necessidade de dotar as
práticas de filantropia de um caráter As atividades eram dirigidas às pesso-
técnico e científico. Nesse sentido, o as que enfrentavam, de forma tempo-
Serviço Social era identificado como rária ou permanente, dificuldades
profissão de ajuda, como um processo econômicas, de relacionamento, entre
de ajuste moral de comportamentos outras, por meio da atenção psicosso-
dos indivíduos, desenvolvendo suas cial, visando reconhecer os comporta-
potencialidades a fim de ajustá-los à mentos humanos, adequando-os aos
sociedade em que viviam. A ajuda era padrões estabelecidos e aceitos social-
compreendida sob dois aspectos fun- mente. Esse modo de ação visava à
damentais: ajuda material, dirigida à manutenção e à permanência da
subsistência humana e ajuda de caráter tura social vigente, um ajuste moral à
assistencial, preventivo, corretivo e ordem social estabelecida naquele
promocional, necessária para o ajusta- período histórico. Esse modo de en-
mento do indivíduo, como instrumen-
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Serviço Social

tender as origens da profissão de al- tolado social. Em outras palavras, o


guma forma contribuiu para tornar processo de legitimação e instituciona-
pouco clara a diferença entre o exercí- lização do Serviço Social brasileiro na
cio profissional realizado, tendo como década de 19403 é tributário da criação
fundamento o campo empírico, o cam- de grandes instituições no período
po do conhecimento científico e os Vargas, em especial, durante o cha-
processos de ajuda identificados como mado Estado Novo (1937-1945). O
parte do acervo identitário da história Estado define medidas de política
do Serviço Social. social, bem como a legislação (especi-
almente a trabalhista), com o objetivo
Outra parcela de profissionais, como de minorar os problemas sociais de-
Iamamoto e Carvalho (1983), Netto correntes da ordem monopólica, da
(1991) e Montaño (2007), entende que questão social e de suas sequelas, fun-
a profissão se constrói e/ou decorre do damentalmente a pobreza e o desem-
desenvolvimento do modo de produ- prego. Iamamoto e Carvalho (1983, p.
ção capitalista. Os autores citados, em 315) afirmam que ‚a profissão de as-
especial Montaño (2007), analisam a sistente social apenas pode se consoli-
origem da profissão como dar e romper o estreito quadro de
origem no bloco católico a partir e no
[...] produto da síntese dos projetos polí- mercado de trabalho que se abre com
tico-econômicos que operam no desen- aquelas entidades‛.
volvimento histórico, onde se reproduz
material e ideologicamente a fração da
classe hegemônica, quando no contexto O Estado opera para propiciar um
do capitalismo na sua idade monopolis- conjunto de condições necessárias à
ta, o Estado toma para si as respostas à acumulação e valorização do capital
‚questão social‛ (MONTAÑO, 2007, p. monopolista por meio da preservação
30).
e do controle contínuo da força de
trabalho ocupada e excedente. Para
Sob essa ótica, os agentes da assistên-
Netto (1992), o Estado cria as condi-
cia social são absorvidos pelo Estado
ções para atender também às deman-
no aparato burocrático e institucional,
das das classes subalternas. O autor
a fim de atender aos interesses do
afirma ser esse um processo
desenvolvimento do modo de produ-
ção em sua fase monopólica. Como
afirmam Iamamoto e Carvalho (1983,
p. 315), ‚[...] o processo de surgimento
e desenvolvimento das grandes enti-
3 Na década de 1940, outra influência é deter-
minante no Serviço Social brasileiro: o pragma-
dades assistenciais – estatais, autár-
tismo e o tecnicismo norte-americano, desta-
quicas ou privadas – é também o pro- cando as obras de Mary Richmond, Gordon
cesso de legitimação e institucionali- Hamilton e Gisela Konopka. Esse período é
zação do Serviço Social‛, que permite marcado pelo Serviço Social de caso, grupo e
a perda gradativa do caráter de apos- comunidade, amplamente utilizados pelos
assistentes sociais brasileiros.
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[...] todo ele tensionado, não só pelas e- lada à lógica do mercado, em que o
xigências da ordem monopólica, mas pe- assistente social se inscreve como um
los conflitos que esta faz dimanar em
profissional assalariado. Sob essa pers-
toda escala societária. É somente nestas
condições que as sequelas da ‘questão pectiva, não é o Serviço Social que cria
social’ tornam *...+ objeto de uma inter- um novo espaço de trabalho, mas é
venção contínua e sistemática por parte ‚[...] a existência de um espaço na rede
do Estado (NETTO, 1992, p. 25). sócio-organizacional que leva à consti-
tuição da profissional‛ (NETTO, 1992,
Netto (1992) sinaliza que uma análise p. 69). O autor reconhece que o Serviço
descolada desse contexto reforça uma Social se inscreve na divisão sociotéc-
visão linear, até então dominante entre nica do trabalho, e ‚[...] tem sua base
os profissionais, qual seja a visão da nas modalidades através das quais o
incorporação da filantropia e das ‚*...+ Estado burguês se enfrenta com a
atividades filantrópicas já ‘organiza- ‘questão social’, tipificadas nas políti-
das’, de parâmetros teórico-científicos cas sociais [...]‛ (NETTO, 1992, p. 70).
e no afinamento de um instrumental
operativo de natureza técnica; em Tendo como base a matriz crítica que
suma, das protoformas do Serviço faz presente no Serviço Social a partir
Social‛ (NETTO, 1992, p. 66). do Movimento de Reconceituação,
Iamamoto e Carvalho (1983) também
Em termos de concepção da profissão, se debruçam no estudo sobre as con-
Netto (1992) traz para o debate a dis- cepções de profissão presentes no
cussão sobre o que fundamenta e legi- Serviço Social. Afirmam que o Serviço
tima a profissionalidade do Serviço Social
Social. De pronto, afirma que essa
profissionalidade e legitimidade estão [...] se gesta e se desenvolve como pro-
localizadas nos aportes e embasamen- fissão reconhecida na divisão social do
to teóricos presentes no exercício pro- trabalho, tendo por pano de fundo o de-
fissional. Resta saber, diz ele, se senvolvimento capitalista industrial e a
expansão urbana, processo esses aqui
apreendidos sob o ângulo das novas
[...] a nosso juízo, constitui o efetivo
classes sociais emergentes [...]. Afirma-se
fundamento profissional do Serviço So-
como um tipo de especialização do tra-
cial: a criação de um espaço sócio-
balho coletivo, ao ser expressão de ne-
ocupacional onde o agente técnico se
cessidades sociais derivadas da prática
movimenta – mais exatamente, o estabe-
histórica das classes sociais no ato de
lecimento das condições histórico-sociais
produzir e reproduzir os meios de vida
que demandas este agente, configuradas
e de trabalho de forma socialmente de-
na emersão do mercado de trabalho
terminada (IAMAMOTO; CARVALHO,
(NETTO, 1992, p. 66).
1983, p. 77).

Essa análise aponta o Serviço Social Dessa forma, ao se examinar as bases


como uma profissão que se constitui fundantes da profissão, questionaram
no processo das relações sociais, vincu- também sua forma de atuação, tensio-
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Serviço Social

nada na reflexão do trabalho desen-


volvido por esses profissionais. To- O exercício profissional do assistente
mando como ponto de partida a com- social ocorre mediante a explicitação
preensão da profissão como resultante dos elementos e condições socialmente
de modificações históricas, políticas, determinados que lhe garantem iden-
sociais e econômicas por que passou a tidade, visibilidade, concreticidade e
sociedade capitalista, o debate propos- impulsionam sua direção. Além disso,
to sobre o trabalho profissional pre- é balizado pela resolução presente na
tende conjugar as compreensões cons- Lei 8662/93, Artigo 4, que determina as
truídas pela categoria profissional competências do assistente social, bem
sobre a temática, bem como apontar como pelo Artigo 5, que determina
indicativos de reflexão sobre a configu- suas atribuições privativas. Importante
ração da ação profissional no âmbito acrescentar que o modo como o profis-
da gestão das políticas sociais. sional analisa e interpreta essa lei inter-
fere no exercício profissional, podendo
comprometer ou não a construção do
1 A Renovação do Serviço Social seu exercício profissional. Essa cons-
brasileiro: as dimensões constitutivas trução dá-se de várias formas, em
do exercício profissional do Assisten- especial por reconhecer o assistente
te Social social como um sujeito que, para exer-
cer a profissão, coloca em movimento
A partir do Movimento de Reconceitu- seu acervo de saberes, ‚[...] ao atuar na
ação, o Serviço Social assenta-se majo- intermediação entre as demandas da
ritariamente 4 em duas perspectivas população usuária e o acesso aos servi-
para a construção do seu exercício ços sociais [...]‛ (IAMAMOTO, 2009, p.
profissional: a perspectiva conservado- 357).
ra e a perspectiva crítica. Ambas de-
marcam a renovação pela qual passou A profissão consolida-se também a
a profissão, seus avanços e permanên- partir de três direções: teórica e meto-
cias. Um dos avanços reconhecidos dológica; ética e política e técnica e
nesse período é a valorização da práti- operativa. Essas direções, em articu-
ca política dos profissionais, enten- ção, balizam as dimensões analítica,
dendo que esta reforça a possibilidade interventiva, ética e política.6 É uma
de construção de um projeto de socie- profissão regulamentada por meio da
dade articulado a um projeto profis- Lei 8662, de maio de 1993, que estabe-
sional com direção ética e política.5 lece as competências e atribuições
privativas. Além dessa lei, o Código de
4 Ao dizer majoritariamente, reconhecemos Ética de 1993, bem como as Diretrizes
que há outras perspectivas, mas essas são – do curriculares de 1996 constituem-se
nosso ponto de vista – as mais expressivas.
5 Essa questão será abordada ao longo do

artigo, em especial quando se trata da dimen- 6 Essas dimensões serão explicitadas ainda
são eticopolítica constitutiva do Serviço Social. neste artigo.
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como o tripé que consolida um projeto diferentes circunstâncias e condições


para essa profissão (CONSELHO FE- da vida social, além da exploração do
DERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 1993). trabalho (ex.: a condição do idoso, de
mulher, de negro, etc)‛.
É possível dizer que o assistente social
se defronta cotidianamente com ques- Da mesma forma, ainda vivendo sob
tões como a pobreza e a exclusão social condições adversas, essa classe reivin-
vivenciadas pela classe subalterna. dica sua inserção nos serviços manti-
Tanto a pobreza como a exclusão são dos pela rede de proteção social como
identificadas como resultantes da uma das formas de enfrentamento
questão social, a qual pode ser enten- para suprir suas carências e necessida-
dida como des, ao mesmo tempo em que eviden-
cia o projeto societário dessa classe
[...] o conjunto das expressões das desi- com vistas a consolidar uma sociedade
gualdades da sociedade capitalista ma- para além do capital. Nesse sentido,
dura [...] o desenvolvimento nesta socie-
reforça-se a necessidade de se pensar a
dade redunda uma enorme possibilida-
de de o homem ter acesso à natureza, à questão social não somente como cená-
cultura, à ciência, enfim, desenvolver as rio no qual o exercício profissional do
forças produtivas do trabalho social [...] assistente social se materializa, mas
na sua contra-face, faz crescer a distân- também nela própria e em suas expres-
cia entre a concentração/acumulação de
sões como dimensões constitutivas
capital e a produção crescente da misé-
ria, da pauperização que atinge a maio- desse exercício. O objeto de interven-
ria da população (IAMAMOTO, 1998, p. ção do Serviço Social é historicamente
27-28). determinado e sua análise deriva da
perspectiva histórica e política assumi-
Ao analisar o modo como a sociedade da pelo assistente social a partir dos
capitalista se constitui, o assistente determinantes do projeto eticopolítico
social reconhece que a questão social profissional. Uma forma de entender o
expressa as desigualdades entre o objeto é a de que este pode ser
capital e o trabalho; a desigualdade construído pelos profissionais a partir
entre as classes. Assim, firma um pro- das determinações decorrentes da
jeto profissional que evidencia as ne- correlação de forças entre conjuntura,
cessidades da classe subalterna com a contexto institucional, demandas
qual atua nos espaços ocupacionais. apresentadas pelos usuários,
Nessa perspectiva, entende-se que essa demandas organizacionais e o projeto
classe é subalterna na medida em que eticopolítico construído pelos
vive em condição de dominação e profissionais e pelos saberes
exclusão, não só política, mas também produzidos pelo conjunto desses
social. Yasbek (1999, p. 95) analisa que profissionais atuantes no Serviço Soci-
‚[...] a subalternidade é aqui entendida al.
como resultante direta das relações de Outra forma de entendê-lo relaciona-se
poder na sociedade e se expressa em aos que concebem que para o Serviço
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Serviço Social

Social construir respostas profissionais várias possibilidades e envolve vários


é preciso fortalecer as atribuições de- atores. A dimensão interventiva de
terminadas pela organização. Ambas maior visibilidade para o assistente
as formas de construção das respostas social (principalmente aquele que se
profissionais incidem no modo como reconhece como profissional da práti-
essa profissão constitui-se e institui-se ca) é a realizada diretamente com o
nos espaços sócio-ocupacionais. usuário, a partir da efetivação dos
atendimentos sociais realizados pelo
Nesse sentido, as análises sobre o tra- assistente social.
balho profissional partem da identifi-
cação e da existência de múltiplas A dimensão interventiva presente no
dimensões presentes no exercício pro- exercício profissional mantém estreita
fissional do assistente social, a saber: relação com a realidade social, com as
condições objetivas de vida do usuário
1. Dimensão interventiva é aquela que se e com os determinantes presentes no
explicita não somente na construção, espaço sócio-organizacional. A maté-
mas também na efetivação das ações ria-prima com a qual o assistente social
desenvolvidas pelo assistente social. atua na intervenção profissional ‚[...] é
Compreende a intervenção propria- composta de múltiplas determinações,
mente dita, o conhecimento das ten- heterogêneas e contraditórias, que se
dências teórico-metodológicas, a ins- movimentam, se alteram e se conver-
trumentalidade, os instrumentos técni- tem em outras‛ (GUERRA, 1995, p.
co-operativos e o campo das habilida- 157). O reconhecimento desse ‚espaço‛
des, os componentes éticos e os com- de trabalho do assistente social amplia
ponentes políticos, o conhecimento das suas possibilidades interventivas, na
condições objetivas de vida do usuário medida em que ultrapassa as possibi-
e o reconhecimento da realidade social. lidades estabelecidas na própria orga-
nização que contrata o assistente social.
A intervenção pressupõe que o profis-
sional consiga planejar suas ações A intervenção engloba também o cam-
fundamentadas em referenciais que po das habilidades profissionais. Essas
são constitutivos do exercício profis- habilidades são percebidas no modo e
sional. Intervir significa também co- na direção que o assistente social dá ao
nhecer, planejar, executar e analisar seu exercício profissional. A postura
ações profissionais do ponto de vista assumida revela, inclusive, a compre-
do próprio profissional, da organiza- ensão acerca do protagonismo do usu-
ção, do usuário e da realidade social. A ário no trato interventivo. Reconhecer
intervenção é o momento do exercício esse protagonismo pode ser uma via
profissional no qual o profissional de superação do paternalismo que
coloca em movimento seus saberes, ainda se faz presente no exercício pro-
incluindo aí aqueles que envolvem a fissional de parcela dos assistentes
instrumentalidade. Ocorre mediante sociais, como se os usuários precisas-
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sem ser ouvidos somente por suas que possibilitará ao profissional reco-
queixas e não por sua capacidade e lher informações que favoreçam a
autonomia de decisão. Garantir condi- construção da análise e da intervenção,
ções de expressão aos usuários signifi- cujo resultado esperado é que essas
ca também defender seus interesses, ações de fato interfiram – positivamen-
explicitar seu projeto societário e aju- te – na vida do usuário.
dá-los a desenvolver a autopercepção
acerca de suas condições objetivas de A partir desse modo de entender a
vida e de sua própria concepção de relação entre teoria e prática, o usuário
mundo. Trata-se de uma posição usuá- ocupa um lugar diferenciado, ou seja,
rio-centrada,7 ou seja, o usuário é co- tem seu ponto de vista ouvido e refe-
partícipe do processo de trabalho e renciado como elemento fundamental
suas necessidades devem orienta-lo na construção da intervenção. Dar
(MEHRY, 2002; CAMPOS, 2003). Deve- visibilidade ao conhecimento que o
se frisar que não se trata de ‚empode- usuário tem e construir de forma con-
ramento‛ desse sujeito, ao contrário, junta as alternativas de intervenção
reconhece-se o potencial de interven- pode ser um dos caminhos para a
ção que ele, enquanto sujeito social, concretização de uma prática
detém sobre sua própria vida. No profissional que alcance a explicitação
Código de Ética de 1993, a relação dos direitos sociais.
entre assistente social e usuário foi
consolidada na perspectiva do direito, Esse conjunto de elementos e caracte-
quando estabelece no Artigo 5 como rísticas do processo interventivo refor-
um dos deveres do assistente social ça a visão de que o exercício profissio-
‚democratizar as informações e o aces- nal não é autoexplicável, ou ainda,
so aos programas disponíveis no espa- autorreferenciado. Intervir, orientar
ço institucional, como um dos meca- significa construir uma opinião profis-
nismos indispensáveis à participação sional, uma resposta socioprofissional
dos usuários‛ (CONSELHO FEDERAL a respeito da questão apresentada,
DE SERVIÇO SOCIAL, 1993, p. 45). levando-se em consideração o modo
Nessa perspectiva, a linguagem e a como o usuário entende a questão
escuta são instrumentos largamente tratada, uma vez que é vivida por ele.
utilizados pelo profissional no trato
interventivo e na construção relacional No espaço da gestão das políticas pú-
entre o assistente social e o usuário. blicas, essa compreensão do exercício
Acolher o usuário significa deixá-lo à profissional do assistente social tem-se
vontade para falar, expor suas ideias, o configurado como um esforço no sen-
tido de garantir espaços democráticos
na gestão social. O controle social tem
7 A perspectiva usuário-centrada tem sido
sido uma das defesas mais radicais da
utilizada na saúde em referência à mudança do
modelo de atenção. Para saber mais, consultar: profissão e por ele são expressas as
Mehry (2002) e Campos (2003). necessidades coletivas dos cidadãos
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Serviço Social

brasileiros, tanto no arcabouço jurídico atividades e reconhece suas competên-


em se que tem os Conselhos de Direi- cias, atribuições e autonomia profis-
tos, as Conferências e outros mecanis- sional, entendendo que essa autonomia
mos previstos legalmente, como nas é relativa. Por autonomia compreende-
formas ‚populares‛ de intervenção nas se a capacidade e a competência do
políticas públicas, como os conselhos profissional de tomar decisões, deter-
populares, os movimentos sociais, os minar seu exercício profissional, dar
fóruns de debates, entre outras tantas. direção ao que faz, sempre assentada
em uma realidade concreta. Por isso,
2. Dimensão investigativa compreende a essa autonomia é sempre relativa na
produção do conhecimento, a elabora- medida em que é mediada pelos obje-
ção de pesquisas e os aspectos analíti- tivos e determinantes presentes na
cos que dão suporte e qualificam a organização. Além disso, ressalta-se
ação interventiva. Contribui para con- que o objeto da intervenção profissio-
solidar a coerência, a consistência teó- nal não é transformado por meio da
rica e argumentativa, e, para além vontade do profissional, mas carrega-
disso, são as formas concretas do agir do de determinações e fincado na rea-
profissional. Essa dimensão contribui lidade concreta que o determina e por
também para entender a profissão ‚*...+ ela é determinado.
a partir de conhecimentos teóricos e
técnicos, valores, finalidades *...+‛ 4. Dimensão ideopolítica está relacionada
(GUERRA, 2009, p. 80), produzidos ao significado social que a prática
pelos assistentes sociais e/ou apropria- profissional do assistente social vem
dos por eles com vistas a interpretar e assumindo. Essa dimensão reflete a
analisar a realidade social. necessária articulação do exercício
profissional vinculado ao projeto eti-
3. Dimensão analítica decorre da capaci- copolítico e à defesa do projeto societá-
dade analítica que o assistente social rio de uma dada classe social. O proje-
tem para desenvolver ao longo de sua to eticopolítico é fruto de um longo e
trajetória profissional, que ganha visi- permanente debate entre os assistentes
bilidade por meio da construção de sociais. Reflete o movimento sócio-
mediações que possibilitam a ultrapas- histórico, suas refrações e descompas-
sagem da visão simplista, imediatista sos decorrentes do modo como a reali-
identificada no exercício profissional dade social é constituída. Esse projeto
de parcela da categoria, para a de aná- profissional implica ao assistente social
lise social, com base na interpretação a construção de um ponto de vista
sócio-histórica. Esse é o momento em analítico, uma tomada de posição
que o profissional (re)conhece o seu frente às contradições da realidade
espaço de trabalho, realiza a análise social. Requer também entender a
organizacional, explicita seu conheci- categoria profissional na sua heteroge-
mento sobre o espaço organizacional neidade, como uma categoria plural,
no qual o assistente social realiza suas que interpreta, analisa e intervém
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nessa sociedade. Desse modo, o projeto organicidade e que, portanto, incidem


eticopolítico é expressão da autoima- sobre a vida em sociedade. Dessa for-
gem da profissão, ao orientar para a ma, o contexto de crise capitalista com
construção da direção social para a as mudanças no mundo do trabalho e
profissão e ao emanar uma concepção na relação entre Estado e sociedade
de Serviço Social, seus limites e possi- civil, nos marcos da sociedade demo-
bilidades, bem como a imagem da crática, interfere diretamente na atua-
profissão que os assistentes sociais ção profissional, tanto no formato das
constroem por meio do seu trabalho políticas sociais nas quais os profissio-
cotidiano. nais são inseridos, redefinindo os pro-
cessos de trabalho e o quadro atual,
A direção social construída por uma tensionando a defesa dos direitos soci-
profissão é fruto da sua organização ais universais em detrimento das polí-
coletiva e está presente no exercício ticas focalizadas quanto na maneira
profissional do assistente social, sendo como essas relações macrodeterminan-
assimilada de forma heterogênea a tes afetam a vida dos trabalhadores,
partir do modo como os profissionais incluindo o assistente social, em suas
entendem e avaliam sua importância situações de carecimentos e necessida-
para a conformação do Serviço Social. des sociais, quer seja por melhores
A direção social configura também a condições de trabalho quer por quali-
visibilidade, a consistência e a coerên- dade do acesso a esses direitos sociais,
cia teórica e argumentativa que o assis- por vezes fracionados, fragilizados,
tente social deve demonstrar quando quando não, violados.
realiza seu exercício profissional. Ou-
tra observação importante é que, mes- 5. Dimensão ética permite ao profissio-
mo regulamentada como profissão de nal explicitar o entendimento que tem
caráter liberal, majoritariamente, os acumulado acerca dos hábitos, costu-
assistentes sociais trabalham como mes, moral, dinâmica social e contradi-
profissionais assalariados, prestando ções que estão presentes nas relações
serviços em diferentes áreas – saúde, estabelecidas entre os homens, dos
educação, assistência social, habitação, homens com eles mesmos e dos ho-
docência, entre outros, o que incide mens com a natureza.
diretamente em sua autonomia e pos-
sibilidade de construir respostas pro- Em síntese, essas múltiplas dimensões
fissionais. ganham materialidade à medida em
que são compreendidas em relação, em
Outro aspecto que é evidenciado por processualidade, numa relação de
meio da dimensão política é o reconhe- interdependência. Pensar a profissão
cimento de que a realidade social é sob esse ponto de vista requer do pro-
constitutiva do exercício profissional fissional o reconhecimento do crivo
do assistente social. É entendida a teórico, analítico, eticopolítico e inter-
partir dos determinantes que lhes dão ventivo demandado. Referenda-se
206
Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Serviço Social

ainda que o assistente social é requeri- planos, programas e projetos na área de


do a sistematizar e operacionalizar Serviço Social;
II - planejar, organizar e administrar
‚[...] respostas às necessidades sociais
programas e projetos em Unidade de
que chegam como demandas profis- Serviço Social; (CONSELHO FEDERAL
sionais‛ (GUERRA, 2009, p. 80). Para DE SERVIÇO SOCIAL, 1993, p. 36-37).
fins deste artigo, analisaremos o exer-
cício profissional do assistente social Os incisos dispostos na lei estabelecem
na gestão das políticas públicas. que é prerrogativa do assistente social
realizar ações características do plane-
1.1 O exercício profissional do Assis- jamento e da gestão dos serviços vin-
tente Social na gestão das políticas culados às políticas públicas, o que
sociais será aprofundado ao longo deste arti-
go.
A gestão social das políticas públicas é
um dos principais campos de trabalho O outro ponto refere-se ao início da
do assistente social. Para tanto, o co- profissão. Segundo Netto (1992), as
nhecimento sobre esse campo profis- políticas públicas e sociais estão imbri-
sional pode interferir e qualificar o cadas com o trabalho desenvolvido
exercício profissional. Dois pontos pelo assistente social desde o início da
serão destacados para enfatizar a im- profissão no Brasil.
portância desse conhecimento para o
assistente social: as prerrogativas esta- [...] a profissionalização do Serviço Soci-
belecidas na Lei de Regulamentação da al tem sua base nas modalidades através
das quais o Estado burguês se enfrenta
Profissão e as discussões relativas às
com a ‚questão social‛, tipificada nas
origens da profissão no Brasil. Quanto políticas sociais [...] requerem, portanto,
à Lei de regulamentação, no Artigo 4 agentes técnicos em dois planos: o da
estabelece: sua formulação e o da sua implementa-
ção. Neste último, onde a natureza da
prática técnica é essencialmente executi-
I - elaborar, implementar, executar e a-
va, põe-se a demanda de atores da mais
valiar políticas sociais junto a órgãos da
variada ordem, entre os quais aqueles
administração pública, direta ou indire-
que se alocam prioritariamente no pa-
ta, empresas, entidades e organizações
tamar terminal da ação executiva [...].
populares;
Neste âmbito está posto o mercado de
II - elaborar, coordenar, executar e avali-
trabalho para o assistente social: ele é
ar planos, programas e projetos que se-
investido como um dos agentes executo-
jam do âmbito de atuação do Serviço So-
res das políticas sociais (NETTO, 1992,
cial com participação da sociedade civil;
p. 70-71).
(CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO
SOCIAL, 1993, p. 36-37).
Para o autor, o assistente social é reco-
E no Artigo 5: nhecido como o ‚executor terminal‛,
operando serviços e gestionando pro-
I - coordenar, elaborar, executar, super- gramas e projetos implementados por
visionar e avaliar estudos, pesquisas, meio das políticas, reproduzindo as
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Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Mabel Mascarenhas TORRES; Liria Maria Bettiol LANZA

determinações estabelecidas pelo Esta- [...] é o Estado que produz, direta ou in-
do. diretamente, esses serviços fundamen-
tais ao cotidiano do trabalhador [...] O
Estado, pela própria historicização das
Na contemporaneidade, no que se necessidades sociais, passa a assumir
refere ao papel desempenhado pelos novos encargos frente à sociedade. Tor-
assistentes sociais na gestão de políti- na-se cada vez mais, um agente
cas públicas, identifica-se um avanço: o produtor e organizador das desi-
gualdades e do espaço de confronto. [...]
assistente social é chamado a ser plane-
O Estado com seus programas e agentes
jador do processo da gestão, a executar institucionais, que deles dão conta,
a gestão das políticas sociais. Esse principalmente os dirigentes, terminam
avanço é percebido prioritariamente sendo um foco para onde se canalizam
nas seguintes políticas: seguridade os conflitos e pressões pelos serviços
coletivos enquanto espaço de
social (assistência social, saúde e pre-
atendimento às necessidades que se
vidência), habitação e educação. A colocam no cotidiano da força de
realização de atividades de planeja- trabalho (SPOSATI et al., 2003, p. 63-64).
mento e implantação de programas
sociais, a elaboração e prestação de Assim, a discussão sobre a gestão das
serviços, o estabelecimento de sistemas políticas sociais é matéria de debate
de monitoramento e avaliação da ges- constante entre os profissionais. Esse
tão social têm demandado do assisten- debate abarca não somente as questões
te social saberes que o qualificam a teóricas que lhe dão direção, mas tam-
exercer a função de gestor. bém as possibilidades de construção de
estratégias e respostas profissionais
Para Carvalho (1999, p. 12), ‚[...] a que alavanquem outras discussões
gestão social é, em realidade, a gestão para além da mera reprodução dos
das demandas e necessidades dos serviços previamente determinados
cidadãos. A política social, os progra- pelos gestores que respondem tecni-
mas sociais, os projetos são não apenas camente pela gestão. Sob essa lógica, o
canais dessas necessidades e deman- assistente social tem sido acionado
das, mas também respostas a ela *...+‛. para contribuir com seus conhecimen-
O assistente social tem sido reconheci- tos na formulação dos sistemas de
do como o profissional cuja formação proteção social, direcionados majorita-
aborda aspectos que o possibilitam riamente à população que vive em
reconhecer, analisar e dar significado condição de vulnerabilidade social.
às necessidades sociais apresentadas Esses sistemas vinculam-se às políticas
pelos usuários que demandam ações públicas e sociais, sendo os sistemas
de análise, planejamento e intervenção. mais conhecidos aqueles desenvolvi-
Discutir política pública e social impli- dos via seguridade social, a saber, o
ca reconhecer os diversos papéis que o Sistema Único da Saúde (SUS), o Sis-
Estado assume, principalmente o papel tema Único da Assistência Social (SU-
regulador da vida em sociedade. AS) e o Sistema Previdenciário. Esses
sistemas indicam como necessário o
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Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Serviço Social

caráter universalista, democrático, as exigências e determinações e ‚rear-


cujas ações são submetidas ao controle ranjar‛ as atividades para proceder à
social exercido pelo poder público e operacionalização dos programas,
pela sociedade civil organizada. acompanhar o desenvolvimento do
usuário e sua adesão à proposta de
Nesse sentido, merece destaque a iden- trabalho estabelecida e avaliar o pro-
tificação das políticas públicas como cesso, comparando os objetivos previ-
‚arenas de disputas‛ entre sujeitos e amente estabelecidos pelos gestores
projetos diferenciados. A construção públicos e as metas atingidas. Ou seja,
das políticas e sua materialização no ‚[...] o desenho das políticas sociais
processo da gestão indicam sempre brasileiras deixa longe dos critérios de
confirmação ou negação e a constante uniformização, universalização e unifi-
necessidade de negociação dos pactos cação em que se pautam [...] em con-
originários destas. Sendo assim, a traposição à universalização utilizarão,
função da gestão social ultrapassa a sim, mecanismos seletivos como forma
dimensão técnica e alcança as dimen- de ingresso das demandas sociais‛
sões políticas, em que se tem na agen- (SPOSATI et al., 2003, p. 23).
da pública a configuração de determi-
nado padrão de proteção social no qual Com relação à inclusão dos usuários
o pacto civilizatório estabelecido no nos serviços prestados pela rede de
país define as métricas de justiça e atendimento, normalmente, o assisten-
solidariedade. A gestão das políticas te social é o profissional convocado a
públicas ocorre mediante a operaciona- proceder não somente à inclusão, mas
lização de programas, projetos sociais e também a interpretar para a população
serviços apensos às diversas esferas os critérios necessários para que essa
governamentais, cabendo a esses pro- inclusão ocorra, a preencher os formu-
gramas e serviços a materialização lários e a colaborar na ‚seleção‛ dos
desse sistema de proteção social. que vão ser ou não atendidos. Aqui se
Quanto a eles, as determinações e apresenta aos assistentes sociais algu-
proposituras são estabelecidas pela mas ambiguidades enfrentadas no
esfera federal e a execução é de res- cotidiano profissional: o descompasso
ponsabilidade do município. Assim, as entre o acesso ao direito e os critérios
determinações quanto à meta de aten- seletivistas; o enquadramento das
dimento, às metas a ser atingidas pelos necessidades dos usuários às determi-
usuários e aos aspectos a ser avaliados nações de inclusão nos serviços; a
e monitorados são previamente deter- responsabilização dos usuários pelo
minadas e nem sempre passam pelo não cumprimento de condicionalida-
crivo de quem as executa. des que dependem também da ação do
poder público,8 no sentido de viabilizar
A execução da gestão cabe ao assisten-
te social: organizar e realizar o proces- 8 Como, por exemplo, no Programa Bolsa
so de inclusão do usuário, interpretar Família, a pesagem das crianças.
209
Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Mabel Mascarenhas TORRES; Liria Maria Bettiol LANZA

os serviços necessários para este fim e mo elemento que orienta o conjunto


o cumprimento de metas que se rela- de ações profissionais desencadeadas
cionam diretamente ao financiamento no cotidiano.
público dos serviços.
[...] as condições institucionais introdu-
Esse processo já deixa claro que há zem poderosas formas de seletividade
que contribuem para reproduzir a desi-
uma incompatibilidade entre o que
gualdade social por meio de um duplo
está estabelecido na legislação social, mecanismo: de um lado, a exclusão da
as necessidades apresentadas pelo maioria da demanda e, de outro, o esva-
usuário e os recursos disponíveis para necer de seu sentido político, na medida
seu atendimento. Acrescenta-se, aqui, em que a exclusão aparece apenas como
o fazer técnico profissional (SPOSATI et
que esse ‚descompasso‛ evidente-
al., 2003, p. 69).
mente não é provocado pelo assistente
social, mas é dele a responsabilidade
O poder público realiza a gestão finan-
de responder e construir alternativas
ceira dos recursos e canaliza suas ações
para o atendimento dessa população
ao repasse e ao controle dos gastos do
usuária. O assistente social é reconhe-
dinheiro público. Referenda a impor-
cido como o profissional que realiza a
tância da parceria com a sociedade
prestação de serviços via operaciona-
civil organizada – por meio das enti-
lização das políticas sociais. Os profis-
dades sociais –, que se submete a essa
sionais supõem que no exercício da
vinculação e estabelece com o poder
profissão o acesso ao direito está pre-
público uma relação de receptora do
visto em lei, portanto, não é prerroga-
recurso financeiro. Essas entidades, em
tiva de uma determinada profissão.
conjunto com os demais serviços, for-
Porém, cabe ao assistente social a de-
mam a rede de atendimento a qual a
fesa para a garantia da efetivação dos
população recorre para ter atendidas
direitos sociais e do acesso aos servi-
suas necessidades. Outro aspecto im-
ços prestados na área social, o que
portante a ser ressaltado refere-se ao
inclui assistência social, saúde, educa-
fomento à formação da rede de aten-
ção, habitação, trabalho, cultura e
dimento e prestação de serviços socio-
lazer, entre outros. A questão do aces-
assistenciais. Essa rede compreende os
so ao direito está explicitada no Códi-
serviços realizados nas diversas áreas
go de Ética de 1993, nos princípios que
que se relacionam às políticas sociais:
afirmam o posicionamento do assis-
assistência social, saúde, educação,
tente social, ou seja, a ‚garantia dos
trabalho, previdência social, habitação,
direitos civis sociais e políticos‛.
entre outras. Abrange os serviços pres-
tro princípio que norteia o exercício
tados tanto pelo poder público como
profissional do assistente social em
pela sociedade civil organizada. En-
qualquer espaço de atuação, mas que
volve também a participação dos con-
fortalece seu papel na gestão social é o
selhos e das autoridades do poder
‚compromisso com a qualidade dos
judiciário, dos gestores da área públi-
serviços prestados a população‛, co-
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Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Serviço Social

ca. Entendemos que essa rede deveria bem como os ‚arranjos organizacio-
envolver também a participação dos nais‛ das equipes de referência e do
representantes dos movimentos sociais matriciamento têm demandado a pre-
organizados, uma vez que são sujeitos sença do profissional para auxiliar no
desse processo. O assistente social é âmbito da gestão dessas propostas em
um dos profissionais que consegue não curso. Esses desafios atuais da gestão
somente construir essa rede, mas tam- da política de saúde corroboram com o
bém mantê-la atuante e fortalecida. O histórico compromisso que os assisten-
atendimento à população usuária, tes sociais trabalhadores da saúde têm
quando ocorre via rede, tende a ser com os usuários dos serviços. Assim,
otimizado e alcança resultados mais ao trazer para dentro da gestão os
expressivos. Outro aspecto fundamen- cidadãos, vistos como parte integrante
tal para entender a gestão social está do processo de trabalho em saúde, é
apenso à descentralização prevista na permitido aos profissionais avançar na
legislação. consolidação de sua intervenção nesse
campo.
Um exame da política de saúde brasi-
leira demonstra a contribuição dos A partir do ano de 2003, na área da
assistentes sociais na efetivação do assistência social, a discussão da gestão
direito à saúde universal, pública e de social ganha força, uma vez que o
qualidade. Com o alargamento do Ministério do Desenvolvimento Social
conceito de saúde e o princípio da (MDS) passa a discutir a gestão no
integralidade garantido pelo SUS, o âmbito federal, com vistas à implanta-
reconhecimento dos determinantes ção do Sistema Único da Assistência
sociais da saúde tem ampliado o espa- Social (SUAS). A ideia de gestão im-
ço de trabalho profissional nesse cam- plementada volta-se ao desenvolvi-
po. Além das ações construídas e legi- mento do trabalho articulado às de-
timadas socialmente, os assistentes mandas e necessidades identificadas
sociais são chamados a compor equi- junto à população usuária ou não dos
pes multiprofissionais para inovar suas serviços prestados à rede de atendi-
práticas relacionadas à produção do mento. Por meio de um conjunto arti-
cuidado. Aspectos como a territoriali- culado de políticas sociais, programas
zação dos serviços de saúde, em que as e serviços sociais, busca-se a constru-
práticas terapêuticas são vinculadas ao ção de respostas concretas a essas
modo como os usuários vivem e necessidades. Sob essa perspectiva, as
lham; a educação permanente em necessidades dos cidadãos são vistas
quipe como forma de qualificar as sob a ótica dos direitos, e não da soli-
equipes de saúde pelo e no trabalho dariedade e da tutela social. O trabalho
cotidiano; a crescente busca pela hu- social parte da realidade local para se
manização nos serviços com claros construir e se constituir. Ao assistente
espaços de escuta, acolhimento e com- social é demandado um conjunto de
promisso entre usuários e equipes, conhecimentos, a saber: conhecimentos
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Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Mabel Mascarenhas TORRES; Liria Maria Bettiol LANZA

sobre território no qual se efetivam os ramento, entre outros, como forma de


serviços ofertados à população; moni- legitimar observações e qualificar os
toramento e avaliação dos programas, dados previamente quantificados.
projetos e serviços; estruturação e
trabalho em rede, capaz de articular Finalizando, o conhecimento sobre
diferentes políticas setoriais a fim de gestão social requer do assistente social
ofertar um atendimento integrado e abertura para busca de outros conhe-
totalizante. O foco das ações direciona- cimentos que fortaleçam sua capacida-
se para a reinserção da população que de analítica, produção de conhecimen-
vive em condição de vulnerabilidade e to e alternativas de intervenção. Parale-
exposição social, e as ações são canali- lamente, cabe ao profissional – até por
zadas prioritariamente para aqueles sua formação acadêmica – aproximar-
que vivem em condição de pobreza e se do conjunto organizado da socieda-
miserabilidade. Esse tipo de gestão de civil, incluindo aí os movimentos
favorece a construção de parcerias com sociais, com o objetivo de dar visibili-
órgãos consultivos e deliberativos, tais dade e fortalecer seu papel no poder
como os conselhos municipais, pois local. Desse modo, o assistente social é
tem aí fortalecido seu papel articula- um agente no processo e na construção
dor, deliberativo, fiscalizador das a- dessa correlação de forças, de modo a
ções implementadas; a identificação não favorecer apenas o papel do Esta-
das diferenças socioespaciais das cida- do, mas também dar visibilidade aos
des, bem como suas interfaces com sujeitos que integram o poder local.
projetos de intervenção. A gestão dessa Outra característica da gestão atual é a
natureza – de cunho democrático – capacidade de estabelecer diálogos
explicita a municipalização e a descen- interdisciplinares que se traduzem em
tralização das ações sociais e colabora mecanismos de gestão mais completos
para o enfraquecimento de ações clien- e qualificados, na medida em que são
telistas. possuidores da diversidade de contri-
buições e olhares sobre a realidade
A gestão democrática implica a cons- social.
trução de programas e projetos que
tenham por objetivo a inclusão social e
que se traduzam em ações concretas e
visíveis no caminho da melhoria das Considerações Finais
condições objetivas de vida do usuário.
Ainda nessa perspectiva, o trabalho do O Serviço Social é uma profissão mar-
assistente social toma outro rumo, o cadamente interventiva, exigindo do
que exige do profissional abertura para profissional uma ação competente,
se apropriar de outros conhecimentos, com consistência teórica e argumenta-
como aqueles relativos à montagem de tiva. Por sua vez, o assistente social é
banco de dados, de informatização, do reconhecido como o profissional que
controle do financiamento, de monito- operacionaliza programas, projetos e
212
Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Serviço Social

serviços diretamente relacionados às bitos de gestão, sustentando a perspec-


políticas sociais, conforme estabelecido tiva da cogestão ou da gestão partici-
no Artigo 4 da Lei de Regulamentação pativa, ampliando o poder dos traba-
da Profissão: ‚[...] elaborar, implemen- lhadores de inferir no cotidiano das
tar, executar e avaliar políticas sociais organizações em que trabalham (SAN-
junto a órgãos da administração públi- TOS FILHO; BARROS, 2007), de pro-
ca, direta ou indireta, empresas, enti- duzir um plano de educação perma-
dades e organizações populares‛ nente e continuada frente às novas e
(CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO emergentes necessidades técnicas e
SOCIAL, 1993, p. 36). Por ser um pro- intelectivas que as políticas sociais tem
fissional que atua nas organizações imprimido aos seus trabalhadores. Um
públicas de natureza estatal, exemplo é o uso das tecnologias de
nadas pelo Estado, é o responsável informação para monitoramento e
também por planejar e operacionalizar avaliação das políticas públicas e a
as ações que serão desenvolvidas – necessidade de definir competências
junto aos usuários – por meio das de forma articulada com outras profis-
políticas sociais. sões, superando o impasse da frag-
mentação do trabalho social, que tem
Nesse sentido, ganham materialidade se configurado como um dos maiores
aquelas demandas profissionais oriun- impasses da gestão das políticas soci-
das dos mecanismos de gestão das ais.
políticas sociais na atualidade. Se, por
um lado, parte majoritária da profissão Todavia, mesmo considerando que o
atesta em seu trabalho a defesa intran- assistente social se insere em diversas
sigente e radical dos direitos sociais, áreas de trabalho, o exercício profis-
por outro, é desafiada a conjugar a sional é majoritariamente desenvolvi-
ampliação de acesso aos direitos (via do junto à população que vive em
serviços públicos) com maior condição de vulnerabilidade social,
qualidade dos serviços prestados. mediante a realização de atividades
voltadas à inclusão dessa população
A gestão das políticas sociais tem desa- ‚*...+ que assegure universalidade de
fiado seus trabalhadores – entre estes, acesso aos bens e serviços relativos aos
o assistente social – a incorporar novos programas e políticas sociais, bem
saberes, no sentido de aprimorar a como sua gestão democrática‛ (CON-
gestão democrática, como os conselhos SELHO FEDERAL DE SERVIÇO SO-
locais de gestão nas diferentes políticas CIAL, 1993, p. 43).
e a capacidade de tomar o espaço de
trabalho como lócus privilegiado para No decorrer do exercício profissional, é
aprender e ensinar tantas outras aqui- comum observar que os assistentes
sições em diferentes sentidos, capazes sociais – principalmente aqueles que se
de promover a capacitação gerencial reconhecem como profissionais da
desses trabalhadores em todos os âm- prática – têm dificuldade em explicitar
213
Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
Mabel Mascarenhas TORRES; Liria Maria Bettiol LANZA

suas atribuições e reconhecer o signifi- perpassam pelo modo como o profis-


cado social de sua profissão. Identifica- sional entende a importância da teoria,
se que essas questões interferem não das tendências teórico-metodológicas
somente na clarificação do papel pro- como possibilidade de construir e
fissional do assistente social, mas, qualificar as respostas profissionais,
sobretudo, no modo como ele entende além de identificar o modo como esses
e organiza sua ação profissional. Para profissionais entendem o projeto éti-
tornar clara essa questão, estudos fo- copolítico da profissão.
ram realizados (TORRES, 2006) para
conhecer como os assistentes sociais Referências
identificam as ações que desenvolvem
e por onde passa essa identificação. CAMPOS, Gastão Wagner S. Saúde
Paidéia. São Paulo: HUCITEC, 2003.
É possível afirmar que essa identifica-
ção perpassa pela construção do pró- CARVALHO, Maria do Carmo Brant
prio exercício profissional; pela leitura de. Introdução à temática da gestão
de realidade realizada pelo assistente social. In: ÁVILA, Célia M. de (Coord.).
social, que se explicita no modo como Gestão de Projetos Sociais. São Paulo:
evidencia sua visão de homem, de AAPCS, 1999, p. 11-15.
mundo e de prática profissional; pelo
conhecimento acerca do usuário, dos CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO
serviços e das demandas por estes SOCIAL (Brasil). Código de Ética
apresentadas e pela análise da questão Profissional do Assistente Social .
social – não como pano de fundo e/ou Brasília: CFESS, 1993.
cenário da ação, mas como lócus e
objeto da ação do Serviço Social. As CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO
questões levantadas anteriormente SOCIAL (Brasil). Lei 8662/93, de 7 de
estão intimamente relacionadas ao junho de 1993 que regulamenta a
conhecimento que os assistentes sociais profissão de assistente social, 1993.
têm do papel assumido por essa pro- Brasília: CFESS, 1993.
fissão ao longo da sua história e ao
reconhecimento que têm de ser prota- GUERRA, Yolanda. A instrumentali-
gonistas do processo de construção dade do Serviço Social. São Paulo:
desse fazer. Cortez, 1995.

A compreensão do exercício profissio- GUERRA, Yolanda. O conhecimento


nal do assistente social perpassa pelo crítico na reconstrução das demandas
fazer desse profissional, as condições profissionais contemporâneas. In:
nas quais esse fazer se efetiva e os BAPTISTA, Myriam Veras; BATTINI,
elementos que são constitutivos desse Odaria (Org.). A prática profissional
fazer. Essa compreensão é carregada do assistente social: teoria, ação, cons-
de determinações que, muitas vezes,
214
Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.
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Argumentum, Vitória (ES), v. 5, n.1, p. 197-215, jan./jun. 2013.