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Marcèlle Caroline Dalla Pozza 1

BLOCOS ECONÔMICOS

INTRODUÇÃO

Com a economia mundial globalizada, a tendência comercial é a formação de blocos


econômicos. Estes são criados com a finalidade de facilitar o comércio entre os países
membros. Adotam redução ou isenção de impostos ou de tarifas alfandegárias e buscam
soluções em comum para problemas comerciais.

Em tese, o comércio entre os países constituintes de um bloco econômico aumenta e


gera crescimento econômico para os países. Geralmente estes blocos são formados por
países vizinhos ou que possuam afinidades culturais ou comerciais. Esta é a nova
tendência mundial, pois cada vez mais o comércio entre blocos econômicos cresce.
Economistas afirmam que ficar de fora de um bloco econômico é viver isolado do
mundo comercial.

UNIÃO EUROPÉIA

A União Européia (UE) foi oficializada no ano de 1992, através do Tratado de


Maastricht. Este bloco possui uma moeda única que é o EURO, um sistema financeiro e
bancário comum. Os cidadãos dos países membros são também cidadãos da União
Européia e, portanto, podem circular e estabelecer residência livremente pelos países da
União Européia.

A União Européia também possui políticas trabalhistas, de defesa, de combate ao crime


e de imigração em comum. A UE possui os seguintes órgãos: Comissão Européia,
Parlamento Europeu e Conselho de Ministros.

NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio)

O NAFTA é um instrumento de integração entre a economia dos EUA, do Canadá e do


México. O primeiro passo para sua criação é o tratado de livre comércio assinado por
norte-americanos e canadenses em 1988, ao qual os mexicanos aderem em 1992.

A ratificação do NAFTA, em 1993, vem para consolidar o intenso comércio regional já


existente na América do Norte e para enfrentar a concorrência representada pela União
Européia. Entra em vigor em 1994, estabelecendo o prazo de 15 anos para a total
eliminação das barreiras alfandegárias entre os três países. Seu mais importante
resultado até hoje é a ajuda financeira prestada pelos EUA ao México durante a crise
cambial de 1994, que teve grande repercussão na economia global.

MERCOSUL (Mercado Comum do Sul)

Países sul-americanos que adotam políticas de integração econômica e aduaneira. A


origem do MERCOSUL está nos acordos comerciais entre Brasil e Argentina
elaborados em meados dos anos 80.

A partir do início da década de 90, o ingresso do Paraguai e do Uruguai torna a proposta


de integração mais abrangente. Em 1995 instala-se uma zona de livre comércio.
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Cerca de 90% das mercadorias fabricadas nos países-membros podem ser


comercializadas internamente sem tarifa de importação. Alguns setores, porém, mantém
barreiras tarifárias temporárias, que deverão ser reduzidas gradualmente. Além da
extinção de tarifas internas, o MERCOSUL estipula a união aduaneira, com a
padronização das tarifas externas para diversos itens.

Ou seja: os países-membros comprometem-se a manter a mesma alíquota de importação


para determinados produtos.

APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico)

A APEC, Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, foi criada no ano de 1989 na


Austrália, como um fórum de conversação entre os países membros da ASEAN
(Associação das Nações do Sudeste Asiático) e seis parceiros econômicos da região do
Pacífico, como EUA e Japão. Porém, apenas no ano de 1994 adquiriu características de
um bloco econômico na Conferência de Seattle, quando os membros se comprometeram
a transformar o Pacífico em uma área de livre comércio.

A criação da APEC surgiu em decorrência de um intenso desenvolvimento econômico


ocorrido na região da Ásia e do Pacífico, propiciando um abertura de mercado entre 20
países mais Hong Kong (China), além da transformação da área do sudeste asiático em
uma área de livre comércio nos anos que antecederam a criação da APEC, causando um
grande impacto na economia mundial.

Um aspecto estratégico da aliança é aproximar a economia norte-americana dos países


do Pacífico, a para contrabalançar com as economias do Japão e de Hong Kong.

Entre os aspectos positivos da criação da APEC estão o desenvolvimento das economias


dos países membros que expandiram seus mercados, sendo que hoje em dia, além de
produzirem sua mercadoria, correspondem a 46% das exportações mundiais, além da
aproximação entre a economia norte americana e os países do Pacífico e o crescimento
da Austrália como exportadora de matérias primas para outros países membros do
bloco.

Como aspectos negativos, pode-se salientar que um dos maiores problemas da APEC,
senão o maior é a grande dificuldade em coincidir os diferentes interesses dos países
membros e daqueles que estão ligados ao bloco, como Peru, Nova Zelândia, Filipinas e
Canadá. Além disso, o bloco tem pouco valor em relação a Organização Mundial do
Comércio, mesmo sendo responsável por grande movimentação no comércio mundial.

ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas)

Surge em 1994 com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países


americanos (exceto Cuba).

Os EUA são os maiores interessados em fechar o acordo. O país participa de vários


blocos comerciais e registrou em 2000 um déficit comercial de quase 480 bilhões de
dólares. Precisa, portanto, exportar mais para gerar saldo em sua balança comercial.
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Com uma área livre de impostos de importação, os norte-americanos poderiam suprir as


demais nações da América com suas mercadorias.

ASEAN - A Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) surge em 1967, na


Tailândia, com o objetivo de assegurar a estabilidade política e de acelerar o processo
de desenvolvimento da região.

TIGRES ASIÁTICOS

Este bloco asiático, movido pelo potente Japão, está tentando erguer os outros países
para que se torne um bloco que tenha competição na economia mundial e que ocupe
parte dela, como o Japão já está fazendo e conseguindo à algum tempo e neste momento
querendo ajudar seus vizinhos para formar um bloco onde investidores de
multinacionais apliquem seu dinheiro e façam um bom proveito de toda esta estrutura
que está sendo montada para este objetivo.

A partir da década de 70, o direcionamento da indústria eletrônica para a exportação de


produtos baratos traz prosperidade econômica crescente e rápida para alguns países da
Ásia. Coréia do Sul, Formosa (Taiwan), Hong Kong e Cingapura são os primeiros
destaques. Dez anos depois, Malásia, Tailândia e Indonésia integram o grupo de países
chamados Tigres Asiáticos.

As indústrias e exportações concentram-se em produtos têxteis e eletrônicos. Os Tigres


beneficiam-se da transferência de tecnologia obtida através de investimentos
estrangeiros associados a grupos nacionais. Os Estados Unidos e o Japão são os
principais parceiros econômicos e investidores. Com exceção de Cingapura, as
economias dos Tigres Asiáticos dispõem de mão-de-obra barata: as organizações
sindicais são incipientes e as legislações trabalhistas forçam a submissão dos
trabalhadores

Os regimes fortes e centralizadores da Indonésia, Cingapura e Malásia, garantem a


estabilidade política necessária para sustentar o desenvolvimento industrial e atrair
investimentos estrangeiros.

COMO FUNCIONAM O NAFTA, O MERCOSUL E A UE

Origem do processo

A formação de blocos econômicos regionais em modalidades semelhantes às existentes


no mundo atual ocorreu, pela primeira vez, próximo ao final da 2ª Guerra Mundial, com
a criação do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Após a guerra, a idéia de
integração econômica baseada em uma economia supranacional começou a ganhar força
na Europa Ocidental.
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Modalidades de integração regional

Os blocos econômicos existentes no mundo são classificados a partir dos acordos


estabelecidos entre eles, e podem ser agrupados em:

 Zona de preferência tarifária - é o processo mais simples de integração em


que os países pertencentes ao bloco gozam de tarifas mais baixas do que as
tarifas aplicadas a outros que não possuem acordo preferencial.
 Zona de livre comércio - reúne os países através de acordos comerciais que
visam exclusivamente à redução ou eliminação de tarifas aduaneiras entre os
países-membros do bloco. Só é considerada uma Zona de Livre Comércio
quando pelo menos 80% dos bens são comercializados sem taxas alfandegárias.
 União aduaneira - é um estágio mais avançado de integração. Além dos países
eliminarem as tarifas aduaneiras entre si, estabelecem as mesmas tarifas de
exportação e importação TEC (Tarifa Externa Comum) para o comércio
internacional fora do bloco. A união aduaneira exige que pelo menos 85% das
trocas comerciais estejam totalmente livres de taxas de exportação e importação
entre os países-membros. Apesar de abrir as fronteiras para mercadorias, capitais
e serviços, não permite a livre circulação de trabalhadores.
 Mercado comum - visa à livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e
serviços. O único exemplo é a União Européia, que, além de eliminar as tarifas
aduaneiras internas e adotar tarifas comuns para o mercado fora do bloco,
permite a livre circulação de pessoas, mão-de-obra, capitais e todo tipo de
serviços entre os países-membros.
 União econômica e monetária - é formada pelos países da União Européia que
adotaram o euro como moeda única.

Vantagens e desvantagens

Em todas as modalidades de integração supranacional, ocorre a redução ou eliminação


das tarifas ou impostos de importação entre os países-membros. Por isso, os países que
integram esses blocos (zona de livre comércio, união aduaneira, mercado comum ou
união econômica e monetária) adotam, logo de início, a redução das tarifas de
importação de várias mercadorias.

Neste sentido, os acordos de integração econômica trazem uma série de conseqüências


para as empresas e a população dos países que integram estes blocos. Os consumidores
podem se beneficiar dos produtos mais baratos que entram no país. No entanto, muitos
desses consumidores podem ser prejudicados com o desemprego, em virtude da falência
ou diminuição da produção das empresas nas quais trabalhavam, pois muitas delas não
conseguem concorrer com os produtos mais baratos que vêm dos outros países com os
quais são mantidas alianças.

Apesar dessas implicações, os blocos econômicos, de modo geral, têm atuado sem que
haja maior participação da sociedade nas decisões. Estas são tomadas pelos governantes
e pela elite econômica.