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VOTO OBRIGATÓRIO E VOTO FACULTATIVO

Considerando o voto obrigatório, dessa forma, o Estado é o tutor da consciência


das pessoas, impondo sua vontade a vontade do cidadão até mesmo para obrigá-lo a exercer sua
cidadania, sendo que a nossa Carta Magna deixa claro a soberania e a supremacia do Povo sobre
o Estado, pois é do Povo que emana o poder e só o Povo é soberano.

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Para alguns doutrinadores o voto seria um dever que cada um tem para com a coletividade.

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Coo a maioria dos eleitores vota, sua legitimidade é inconteste. Isso é muito importante em
democracias ainda não inteiramente consolidadas como a nossa.

 

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Isso torna o eleitor ativo, a sua omissão agravaria o atraso sócio-econômico das áreas pobres do
país.

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Como a sociedade brasileira ainda é bastante injusta na divisão da riqueza nacional, o voto
constitui nessas circunstâncias, um forte instrumento para que essa coletividade de excluídos
manifeste sua vontade política.

Com o voto facultativo os eleitores bem informados e de melhor nível de escolaridade


tenderiam a não comparecer as urnas, preferindo aproveitar o feriado para viagens de lazer.

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Os países da América Latina, mais importantes em termos de população e riqueza, adotam o


voto obrigatório desde que instituíram o voto direto, secreto e universal. No Brasil essa tradição
vem desde 1932.

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O voto obrigatório trata-se de uma imposição estatal bem assimilada pela população.

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Esse direito deve compreender a liberdade do cidadão abster-se de votar sem sofrer sanção do
estado.

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O fato de não obrigarem seus cidadãos a irem às urnas não os torna frágeis.

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O voto dado espontaneamente é mais vantajoso para a definição da verdade eleitoral. O eleitor
que comparece às urnas contra a vontade, apenas para fugir de sanções previstas pela lei, não
está praticando um ato de consciência; podendo votar em um candidato que não conhece, ou em
quem lhe comprar o voto.

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Um número elevado de eleitores vota em branco ou anula seu voto deliberadamente, como
protesto, ou por dificuldade de exercer o ato de votar por limitações intelectuais.

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Não será o voto obrigatório que transformará o homem, não será obrigando-o a votar que ele
reconhecerá seu poder de intervenção na sociedade.

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Hoje 80% da população brasileira vivem nas cidades e é fácil o acesso à informação.

Se a consciência política de um povo ainda não está evoluída suficientemente em razão do


subdesenvolvimento econômico e de seus mútuos reflexos nos níveis educacionais, não é
tornando o voto obrigatório que se obterá a transformação da sociedade.

De modo geral, podemos afirmar que os regimes autoritários têm preferência pelo voto
obrigatório porque assim o controle do Estado sobre a sociedade é mais forte.

REFERÊNCIa

SOARES, Paulo Henrique. Vantagens e desvantagens do voto obrigatório e do voto facultativo.


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   . Brasília, a. 41 n. 161 jan/mar. 2004. Disponível em: http://
www.senado.gov.br/web/cegraf/ril/principal.htm. Acesso em: 03/05/2009.


    
   
     
 

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Fonte: http://www.webartigos.com/articles/33362/1/Voto-Obrigatorio-e-Voto-
Facultativo/pagina1.html#ixzz1JMVhNztW

Senadores opinam sobre voto facultativo e reeleição


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Ao chegarem para as reuniões das comissões permanentes, vários senadores se manifestaram, na


manhã desta quinta-feira (17), sobre o que esperam da comissão que trabalha no Senado pela
realização de uma reforma política. Eles comentaram, sobretudo, os institutos da reeleição e do
voto obrigatório, que serão debatidos nesta tarde.
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O senador Humberto Costa (PT-PE), que integra a Comissão de Reforma Política, defendeu o
voto obrigatório e recomendou uma modificação no tempo do mandato, a fim de acabar com a
reeleição.

- Minha posição em relação aos dois temas é muito clara. O voto facultativo, apesar de ser visto
como um procedimento democrático, diminui a representatividade dos candidatos. É
fundamental para o fortalecimento da democracia que ele continue sendo obrigatório. A questão
da reeleição, eu entendo que deveria ser excluída do processo eleitoral, mas que houvesse uma
modificação para aumento do tempo de mandato - afirmou Humberto Costa.

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O líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), também se posicionou contra a reeleição, mas a favor do
voto facultativo, por considerar que o fim da obrigatoriedade do voto pode conferir ao eleitor
uma maior liberdade de escolha.

- Meu voto é contrário à reeleição porque, como temos observado nas últimas eleições, a
reeleição não tem trazido boas experiências ao Brasil. Isso demonstra que ainda estamos em um
processo de amadurecimento político e que o uso da máquina pública está condenando este tipo
de ação. Sobre a questão do voto facultativo, eu sou favorável a sua implantação e inclusive
possuo uma proposta de emenda à Constituição [PEC 14/2003] tramitando na Casa e tratando
deste assunto - disse Alvaro Dias.





Integrante da Comissão de Reforma Política, o senador Pedro Taques (PDT-MT) manifestou-se


contrário à reeleição e ao voto facultativo, argumentando que isso serve para que os candidatos
que estão no poder façam uso da máquina pública para permanecer no cargo, conseguindo
inúmeras vantagens sobre o adversário na corrida eleitoral.

- Todas as nossas Constituições foram contra a reeleição e, em 1996, houve a Emenda que
possibilitou a utilização deste mecanismo que, a meu ver, propicia o abuso de poder por parte
daqueles que querem se manter no cargo.

Sobre o voto facultativo, Taques disse que ele enfraquece as minorias e por isso é, a princípio,
contrário à proposta.

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Ex-prefeito de Porto Velho (RO) e ex-governador de Rondônia, o senador Ivo Cassol (PP-RO)
manifestou-se também contrário à reeleição.

- Apesar de ter feito o uso da reeleição, eu sou contrário a este mecanismo. Eu sou a favor de
uma ampliação do mandato para cinco ou seis anos porque o período de quatro anos é muito
pouco para o mandato - disse ele, que foi reeleito para o governo de seu estado.

Na mesma linha de raciocínio, o senador João Pedro (PT-AM) alegou que o prazo dos mandatos
deveria ser ampliado e que o voto deve continuar sendo de caráter obrigatório.
- Eu sou contra o voto facultativo por considerar que a questão da obrigatoriedade fortalece a
representatividade que nós tanto queremos. O cidadão já possui o poder de escolha, podendo
votar em branco, nulo ou no candidato que lhe for conveniente - explicou.

Também integrante da Comissão de Reforma Política o senador Eduardo Braga (PMDB-AM)


disse ser a favor do voto facultativo, mas afirmou ainda estar indefinido em relação ao instituto
da reeleição.

- Eu sou a favor do voto facultativo por considerar que hoje o eleitor já pode escolher em quem
vai votar, ou votar em branco ou nulo. Com relação à reeleição, apesar de ter sido governador
reeleito do Amazonas, eu acho que ela é uma ameaça ao estado democrático de direito. Mas eu
entendo que, acabando a reeleição, é necessária uma ampliação do mandato, mas como é um
ponto de difícil consenso entre os parlamentares, minha posição sobre o tema ainda não foi
definida.

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Suplente da Comissão de Reforma Política, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) se disse
contrária ao voto facultativo e defendeu revisão no instituto da reeleição.

- Eu sou contra o voto facultativo e também acho que devemos fazer uma revisão sobre a
reeleição, porque ela acabou propiciando alguns excessos por falta de limites na lei. Podemos
observar que, nas últimas eleições, houve casos de abuso de poder, provocando distorções no
resultado do pleito - afirmou ela.

Da Redação / Agência Senado


(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)



 
   
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öuarta, 06/04/2011 Agência Brasil

A Comissão de Reforma Política do Senado aprovou ontem (5) proposta de financiamento


público para campanhas eleitorais. Por 12 votos a 5, os senadores entenderam que as
candidaturas recebam exclusivamente verbas públicas durante o período eleitoral, ficando
vetado qualquer tipo de doação privada às campanhas.

O líder do PT na Senado, Humberto Costa (PE), disse que, com a instituição do voto em lista
fechada, que já foi aprovado pela comissão, as campanhas ficarão mais baratas e poderão ser
financiadas com o fundo partidário que existe hoje. Além disso, para o senador, o financiamento
público trará mais transparência.

³öuem financia campanha hoje? São empreiteiras de obras públicas, prestadores de serviços
para o governo, bancos. Empresas que têm interesse no relacionamento com o setor público.
Fica difícil garantir a isenção´, afirmou Costa.

O líder também alegou que, atualmente, os candidatos que têm militância política e atuação
social têm dificuldade em conseguir financiamento privado. ³Por outro lado, pessoas que nunca
tiveram qualquer atuação política podem injetar dinheiro na campanha e nos partidos, e
praticamente comprar um mandato´.
A proposta que foi derrotada previa a manutenção do sistema atual, com financiamento público
e privado. Entre os que defendem o modelo misto está o presidente da comissão, senador
Francisco Dornelles (PP-RJ) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Eles alegam que é possível
manter as doações privadas desde que seja estabelecido um teto para os doadores e para os
candidatos.

A comissão discutiu, também, a candidatura avulsa na reunião de hoje, mas não houve
consenso. Novas reuniões devem ocorrer hoje (6) e amanhã (7). O presidente da comissão quer
deliberar ainda sobre fidelidade partidária, cláusula de desempenho e domicílio eleitoral.
Dornelles espera concluir a apreciação da comissão sobre todos os temas previstos até o fim
desta semana.

³Nós vamos cumprir o prazo e apreciar todas as matérias para apresentar ao senador [José]
Sarney um relatório na quinta-feira´, afirmou o presidente da comissão.

A expectativa de Dornelles é que até o fim deste mês um relatório detalhado possa ser
apresentado e votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Se o cronograma for
mantido, um substitutivo do projeto estará pronto para ir a plenário no começo de maio. Até lá,
novas emendas poderão ser propostas.

„inanciamento público de campanhas


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Entende-se por   


(
   a criação de um fundo de recursos
públicos destinado a partidos políticos, de acordo com sua representação no Congresso
Nacional, para estes produzirem suas campanhas eleitorais.[1]

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No Brasil, já existe o fundo partidário, no entanto o valor destinado a este representa apenas
uma pequena parcela do valor total das campanhas políticas, sendo o excedente complementado
pelas contribuições dos membros o partido, bem como por doações de pessoas físicas e
jurídicas. A reforma política atualmente em discussão propõe que todas estas doações de
campanha passem a ser proibidas, sendo o fundo partidário a única fonte de recursos para as
campanhas. Esta proposta ganhou força após o Escândalo do Mensalão, em 2005, quando
denúncias apontaram que houve o uso de caixa-dois em campanhas políticas nas eleições
anteriores. Tal prática, como se pode observar posteriormente, seria na verdade muito mais
antiga, e seria feita por políticos da situação como da oposição.

Èeditar] Defesa

Defensores do financiamento exclusivamente público afirmam que as doações de campanha


(prática aceita pelo direito eleitoral brasileiro, desde que sejam declaradas), são fontes de
corrupção, uma vez que o político que recebe doações de empresas ao ser eleito ficaria obrigado
a beneficiá-las de alguma forma.[2][3] Um exemplo de doação de campanha considerada lícita
seria uma construtora apoiar um candidato, financiando-lhe a campanha, por acreditar que ele
fará obras de infra-estrutura importantes, onde ela seria contratada, porém, dentro da legalidade.
Um exemplo de doação que implicaria corrupção seria uma construtora financiar a campanha
esperando que o candidato lhe beneficiasse em contratos públicos e mesmo em licitações, de
alguma forma.
Èeditar] Críticas

Já os críticos da proposta dizem que se o financiamento for exclusivamente público, o poder dos
grandes partidos provavelmente se fortalecerá, uma vez que eles seriam os únicos a receberem
alguma forma de financiamento de campanha, não havendo possibilidade de agremiações
partidárias menores crescerem. Alguns também entendem que não é democrático impedir que
particulares possam colaborar com instituições que realmente acreditam, se estiverem bem-
intencionados. Outros afirmam também que o financiamento público não acaba com a
corrupção, pois os financiamentos particulares que atualmente são lícitos continuariam a ser
feitos, da mesma forma que atualmente ocorre a prática do caixa-dois.

Ainda o PSTU[4] e os libertários entendem que é moralmente condenável obrigar as pessoas a


financiarem, sob a forma de impostos, instituições com as quais não acreditam.

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De forma absolutamente desastrada pretende-se trazer à baila, neste instante, a reforma política
com a inclusão de temas como o financiamento público de campanha, a votação em lista
fechada e a fidelidade partidária.

öuem esquece o passado deverá vivenciar os erros cometidos, novamente. Sobre financiamento
público de campanha há um esquecimento do passado.

A legislação vigente em períodos anteriores, sobre financiamento de campanhas políticas,


permitia utilização de recursos próprios e recebimento de doação de pessoas físicas com
determinado limite percentual. Era totalmente vedada a doação feita por pessoas jurídicas.Não
havia prestação de contas para a Justiça Eleitoral. Conforme a lei, no período que se seguia ao
pleito os partidos interessados, inclusive o PT, compareciam em local determinando,
normalmente na sede da Assembléia Legislativa, no caso de São Paulo e prestavam-se contas
mutuamente, no sistema do ³ não queira ver a minha senão eu vou querer ver a tua ³. Uma
grande mentira!
Com o problema das ³sobras de campanha´ do PC Farias, eleição do Presidente Collor, os
legisladores houveram por bem pretender uma prestação de contas mais correta. Começaram
por exigir a declaração dos valores recebidos das pessoas jurídicas, estabelecendo limites, o que
acabou com as doações feitas pelo Caixa 2 . Segundo determinaram que essas contas fossem
públicas. E tão públicas são que há site na Internet que põe as contas de todos os candidatos,
eleitos ou não, de todos os estados, totalmente às claras permitindo que todos conheçamos os
candidatos e seus doadores.

Outra providência tomada foi fazer com que as contas fossem prestadas à Justiça Eleitoral em
período anterior à diplomação. Justiça Eleitoral que se socorre, autorizada por lei, de auditores
dos Tribunais de Contas para suprir eventual falta de conhecimento específico. E, neste último
pleito houve mais. Todos os candidatos foram identificados por CNPJ em alentado convênio
feito entre a Justiça Eleitoral e a Receita Federal, de forma a minimizar eventuais sonegações. E
o Caixa 2? Por certo não deixou de estar presente em algumas campanhas.

Certamente como fruto desse trabalho de pente fino, ano a ano mais aperfeiçoado, aconteceram
várias cassações de deputados, federais e estaduais, aqui no Estado de São Paulo. Sem falar
sobre a justiça ou não dessas cassações, até porque envolvidos profissionalmente com algumas
delas, podemos afirmar que houve um susto geral a assombrar esses parlamentares.

Somam-se as circunstâncias. Soma-se o Valdomiro e Sto. André com o Ministro José Dirceu,
soma-se a vontade de usar recursos públicos, já de si tão escassos e necessários em outras áreas,
para fazer campanhas eleitorais, em valor que se imagina ser superior a 800 milhões de reais,
soma-se a vontade de reeleger-se sem campanha eleitoral, através das listas fechadas, que irão
criar, no dizer do líder do governo Deputado Miro Teixeira a figura do deputado biônico, e
teremos o caldo de cultura para essa reforma estapafúrdia e despropositada.

As campanhas eleitorais não mais receberão dinheiro dos bingos. Provável! Mas continuarão a
receber dinheiro dos bancos, das construtoras, das empresas de lixo, das empresas de ônibus.
Para acabar com o desvio de recursos nas campanhas eleitorais fechem-se as bancas e os
bancos, o lixo dos bingos e o lixo das ruas, as construtoras de obras públicas e de ilusões.

Ao fim de tudo isso lá estarão, com financiamento público ou sem ele, as doações feitas pelo
Caixa 2, agora, mais do que antes, sonegadas do conhecimento público, desvestidas de qualquer
transparência.

De volta ao passado e à sonegação desbragada. É o que nos reservam as campanhas eleitorais do


futuro.

     


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Começa logo mais às 14h reunião da Comissão de Reforma Política. Em pauta, o fim da
reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos e a instituição do voto
facultativo no Brasil. Na terça-feira (15), a comissão realizou a primeira reunião de debates e
tomou decisões sobre regras para escolha de suplente de senador e data da posse de cargos no
Executivo.

Ambos os temas causam polêmica. No caso da reeleição, os críticos alegam que dois mandatos
consecutivos para presidente, governadores e prefeitos favorecem o uso da máquina
governamental por parte do governante que busca mais quatro anos no cargo. Já os defensores
alegam que o tempo de um mandato é pouco para implementação de um projeto de governo. Em
relação à obrigatoriedade do voto no Brasil, muitos senadores defendem o voto compulsório por
assegurar uma maior participação de brasileiros nas eleições. Os que querem o voto facultativo
argumentam que ele favorece uma participação política mais consciente.

A Comissão da Reforma Política deve concluir as discussões até o início de abril.

öuinta-feira, 17 de Março de 2011 ± 12:39 hs. Deixe um comentário.

|eforma política: suplência, posse, voto


facultativo e reeleição serão discutidos nesta...
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Em reuniões marcadas para terça-feira (15) e quinta-feira (17), ambas às 14h, a Comissão de
Reforma Política vai analisar quatro temas: suplência de senador; data da posse de chefes do
Executivo; adoção do voto facultativo; e reeleição de prefeitos, governadores e presidente da
República. Serão os dois primeiros debates de uma série de sete encontros agendados até o
início de abril, conforme cronograma aprovado pelo grupo.

Os integrantes da comissão acreditam que, após cada reunião, será possível chegar a uma
decisão sobre os temas em exame, definindo as propostas do grupo para os itens tratados no dia.
öuando não houver consenso, poderá haver votação, prevalecendo a posição da maioria
simples.

Os senadores também poderão deixar para os dois últimos encontros a decisão sobre temas mais
polêmicos. Já a inclusão de novos itens depende de aprovação da comissão, após a apresentação
dos pedidos por escrito. O presidente da comissão, senador Francisco Dornelles (PP-RJ),
pretende concluir até o dia 8 de abril o anteprojeto de reforma política a ser submetido ao
conjunto de senadores.

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Primeiro item da agenda, as regras para escolha de suplentes de senador têm sido muito
questionadas, inclusive pelos próprios senadores. A principal crítica recai sobre o fato de o
eleitor desconhecer os inscritos como suplentes, quando vota no seu candidato a senador.
öuando o titular precisa ser substituído, dizem os críticos, é esse "desconhecido" que assume no
lugar daquele que recebeu os votos.

As sugestões de mudança nas regras buscam dar legitimidade aos suplentes. Wellington Dias
(PT-PI), por exemplo, defende que seja suplente de senador o primeiro mais votado entre os não
eleitos. A proposta foi rejeitada quando do exame do assunto pela Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ), entre 2007 e 2008, e deve mobilizar o primeiro dia de debates da
Reforma Política.

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Já a necessidade de mudança do dia de posse de governadores e presidente da República-
segundo tema a ser discutido na terça-feira - é consenso entre os integrantes da comissão. Todos
concordam que a posse no dia 1º de janeiro, após a celebração do Ano Novo, dificulta a
presença de autoridades brasileiras e estrangeiras. A definição da nova data, no entanto, ainda
divide os senadores.

Tramita no Senado a Proposta de Emenda à Constituição PEC 1/11, que altera para 10 de
janeiro a data da posse do presidente da República e para o dia 5 do mesmo mês as posses dos
governadores. A proposta tem como primeiro signatário o presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP). Já Wellington Dias (PT-PI) defende duas datas: 31 de dezembro ou 2 de janeiro.

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Na quinta-feira, a comissão inicia os trabalhos discutindo se o voto deve ou não continuar sendo
obrigatório no Brasil. Os senadores decidirão se querem manter a regra vigente de voto
compulsório ou se vão propor o voto facultativo.

Para a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), o eleitor deve ter o direito de escolher se quer ou não
votar. A senadora considera que esse é o caminho para a construção do voto consciente. Mas o
assunto divide opiniões. O senador Pedro Taques (PDT-MT) acredita que o país deveria
conviver mais algum tempo com o voto obrigatório. Esta também é a opinião de Wellington
Dias. Para ele, a regra em vigor promove grande participação dos eleitores, dando maior
legitimidade aos eleitos.

- Tenho muito orgulho de ver o meu país entre os países do mundo nos quais as eleições contam
com a participação de cerca de 80% da população em idade de votar - disse.

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Também polêmica deve ser a discussão sobre mudanças nas regras de reeleição para cargos de
presidente, governadores e prefeitos - segundo tema na agenda de quinta-feira. O Congresso
alterou a Constituição federal, em 1997, para incluir a possibilidade de dois mandatos
consecutivos para esses cargos e, desde então, têm sido recorrentes as manifestações contrárias
à regra.

Os críticos alegam que a reeleição não faz parte da tradição brasileira e que favorece uso da
máquina governamental por parte do governante que busca mais quatro anos no cargo.

Tramitam na Casa duas propostas de emenda à Constituição que tratam do tema. Uma delas
(PEC 98/07), que tem como primeiro signatário o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), veda a
possibilidade de um segundo mandato. A outra (PEC 65/07), encabeçada pelo senador Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE), mantém a reeleição, mas impõe aos chefes do Executivo a
obrigatoriedade de, até seis meses antes do pleito, licenciarem-se para concorrer a novo
mandato.


 Agência Senado
Léo Lince
öui, 14 de Maio de 2009 10:33

O cidadão que observa com senso crítico os acontecimentos da política sabe que o
financiamento de campanhas, no formato atual, é fator incontrolável de corrupção. A enorme
fieira de grandes escândalos das últimas décadas se origina, sem sombra de dúvidas, na lógica
do financiamento eleitoral privado. Provas? Basta puxar pela memória, em qualquer dos casos,
para dar de cara com as figuras tristemente famosas dos tesoureiros de campanha: Delúbios,
Valérios, PCs Farias e afins.

Por conta de tais antecedentes, esse mesmo cidadão tem razões de sobra para se espantar com o
que leu nos jornais da semana. No momento em que se anuncia a entrada na pauta de votação do
Congresso Nacional de uma proposta de mudança no financiamento de campanha, os dois
maiores jornais de circulação nacional (FSP e O Globo) abriram editoriais defendendo a
manutenção do formato atual. Estranhíssima defesa, ancorada em argumentos fracos e ênfase
demasiada. Difícil entender, inevitável desconfiar, impossível concordar com tal suspeitosa
feição.

As campanhas eleitorais no Brasil estão entre as mais caras do mundo. E cada eleição é mais
cara do que a anterior do mesmo gênero. Um custo altíssimo que, depois de passear por
empreiteiros, banqueiros, "petequeiros" e tesoureiros, termina por sangrar o erário público.
Basta seguir o dinheiro para saber quem, no final, paga a conta. O doador só é generoso porque
mama em dobro nas tetas do Tesouro.

Além de caras, as campanhas se organizam de sorte a tornar impossível a fiscalização. Há


milhares de candidaturas individuais, que arrecadam e gastam. Um caos que ninguém controla.
A Justiça Eleitoral só acompanha, e mal fiscaliza, os gastos declarados do "caixa um". O caixa
"um e meio", a chamada doação oculta que se avoluma a cada pleito, torna ainda mais opaco o
processo e mais difícil a fiscalização. Do caixa dois, então, nem se fala: só quando estoura
escândalo dos grossos é que se vê o tamanho do prejuízo.

Embora precários e parciais, por se limitar ao declarado, os dados da Justiça Eleitoral permitem
definir outra peculiaridade brasileira. No Brasil, mais do que em qualquer outro país do mundo,
o financiamento privado de campanha é fundamentalmente bancado por "pessoas jurídicas", ou
seja, por corporações empresariais. A chamada contribuição cidadã, de pessoas físicas, tem um
peso apenas residual. Resultado: o "mercado" do financiamento eleitoral é amplamente
dominado por reduzidíssimo grupo de grandes corporações empresariais: banqueiros,
empreiteiros, fornecedores e, mais recentemente, os novos barões do setor privatizado.

Por suposto, a manutenção do formato atual de financiamento interessa muito a este seleto e
poderoso grupo, não por acaso também grande anunciante nos jornais. Mantido tal formato,
ficam assegurados os vínculos de dependência entre as máquinas eleitorais acoitadas nos
aparatos de governo, as elites políticas da ordem dominante e os interesses empresariais das
grandes corporações. Ao mesmo tempo em que se estabelecem obstáculos para que outros
interesses sociais, novos valores e projetos políticos possam emergir nos processos da disputa.

Aliás, neste sentido, as duas últimas eleições foram bastante reveladoras. A eleição
presidencial foi a mais cara da história do Brasil e o vitorioso arrecadou de montão, até depois
de passado o pleito. Os candidatos de opinião, de qualquer posição (esquerda, direita, centro),
tiveram seus espaços reduzidos (votações menores e alguns, como Delfim Neto, não eleitos).
Enquanto isso, por outro lado, ficou escancarada a formação de bancadas das grandes
corporações no Parlamento. O mesmo diapasão operou no pleito municipal, tanto na eleição de
vereadores quanto na de prefeitos. Nas capitais, e não apenas nelas, foram eleitos aqueles que
arrecadaram mais e gastaram mais dinheiro nas campanhas. E quem ocupou o segundo lugar
em votos também foi o segundo no quesito gastos, confirmando o poder do dinheiro e a
progressiva mercantilização do processo eleitoral.

O financiamento público não é panacéia universal, nem elimina por mágica a corrupção
eleitoral. Mas quebra o círculo vicioso atual e pode abrir espaços para corrigir distorções. Para
tanto, é fundamental que ele seja exclusivo e defina punição rigorosa para os transgressores:
candidatos, partidos e financiadores. Vai baratear as campanhas e facilitar o trabalho de
fiscalização, na medida em que estabeleça teto de gastos para cada cargo em disputa e, ao
mesmo tempo, estruture um rigoroso aparato de fiscalização sobre o uso do fundo público
eleitoral.

O direito de votar, assegurado de maneira igualitária ao cidadão, só produzirá eficácia plena


quando o "direito de ser votado" deixar de sofrer, como acontece agora, a interferência indevida
do poder econômico. Esse é o sentido maior da luta em defesa do financiamento publico de
campanha.

Rio, maio de 2009.

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RELATÓRIO

O financiamento público de campanha é uma realidade típica de quem rege uma vida política, e
que tem como princípio básico da sua existência, a conquista do poder.
Diante desse paradigma político, o qual resulta nossa democracia, os investimentos requeridos
pelos partidos para sua campanha eleitoral competem a dois fatores importantes: Financiamento
Público ou Privado. Destarte, o acesso de empreiteiras nos aspectos eleitorais desvirtua a gestão
pública, tornando-a subjacente desses grupos de pressão, disseminando a democracia para longe
de sua essência.
A corrupção política, atualmente, sendo manchetes de vários jornais, faz surgir no povo uma
ideologia ressentida. Assim, não seria justo, ver o dinheiro público sendo transformado em
campanhas maquiavélicas e logo em seguida, gestões depravadas. De fato, percebemos que essa
visão do contexto social, seria uma simples mensagem subliminar da nossa mídia
contemporânea. Contudo, essa oposição por parte de alguns, traduz eminentemente um
equivoco. Esse, cometido principalmente pelo povo, pois através do sufrágio, a eles se permite a
escolha dos seus parlamentares. Dizer que os membros ali compostos são corruptos, é também
se auto-denominar corrupto, de maneira indireta, obviamente. O que não está claro, é que não se
faz democracia dessa forma, não se deve confundir muito menos generalizar alguns
parlamentares com o sistema parlamentar por inteiro. A democracia deve ser tratada como um
ente evolutivo, e não estável e uniforme, pois as circunstâncias geradas a cada momento
interferem na coletividade e, assim, iremos de face aos efeitos causados por essas ilicitudes.
Não é de agora que, notoriamente, vinculam-se também nos jornais os chamados ³caixa dois´,
prática antiga de campanha eleitoral frente aos partidos políticos, os quais, investem-se de
subsídios para suas campanhas eleitorais sem o necessário registro no Tribunal Eleitoral. Tal
prática reiterada consiste na atual forma de financiamento de campanha, hoje bancada por
grandes corporações econômicas. Essa promiscuidade de financiadores privados interfere
ativamente na esfera pública e, ao contrário do que muitos pensam, os programas de
investimento na saúde, educação, habitação, entre outros, ficam afetados, em segundo plano,
sendo subalternos aos domínios privados que se fazem superiores devido às peculiaridades da
atual maneira organizacional de financiamento.
Nota-se também, que a maneira como vem sendo administrada o Sistema Eleitoral, sem
fiscalização e registro de gastos, analisados apenas o ³CAIXA UM´ e deixando-o passar por
despercebido o ³CAIXA DOIS´, tendo o conhecimento público deste apenas em situações
escandalosas que nem sempre vêm à tona, gera uma política desmerecedora de crédito, longe da
ética. Além de serem caras, os financiamentos privados trilham o caminho do caos. São
milhares de candidaturas individuais, todos com o mesmo objetivo de atingir o poder, fazendo
assim, gastos excessivos e descontrolados na sua campanha; mais tarde sendo obrigados a
ressarcir as empresas contribuintes com a sua eleição. Políticos conservadores e interesses
empresariais são de natureza dessa situação, haja vista que estes não mais terão compromisso
com a população, e sim com o poder econômico. Portanto, esse desequilíbrio estrutural, impede
um somatório de benefícios para a sociedade, indo a contraponto ao surgimento de novos
valores e interesses sociais, tornando a democracia imobilizada, o que não seria racional e nem
derivado de justiça e igualdade.
Após o breve relato exposto anteriormente, em que fizemos um intróito sobre o financiamento
público de campanha, para finalizar este tópico inicial, não podemos renunciar em comentar no
que tange à igualdade política nas eleições. Como se sabe, ficariam proibidas doações tanto de
pessoas jurídicas, quanto físicas. Por cada eleitor seria destinado um valor X para o
financiamento público de campanha, incluídos na lei orçamentária, de acordo com a eleição
anterior. Os recursos seriam distribuídos entre os partidos com o estatuto registrado no TSE.
Nada mais justo admitirmos, que o financiamento público mobiliza a democracia vislumbrando
novos preceitos políticos, renegando posições conservadoras, e também, reproduz os interesses
sociais, elevando-se do patamar econômico, emergindo uma verdadeira igualdade eleitoral.

APRECIAÇÃO DE MÉRITO

Analisemos agora, de uma maneira mais aprofundada, os fundamentos expressos que envolvem
os efeitos negativos causados pelo financiamento privado de campanha, e anexado ao mesmo
suas possíveis mudanças, todas contrárias a este sistema.
Sabemos que a corrupção, a priori, se destaca nessa esfera política e os maiores prejudicados se
revelam na sociedade. Uma empresa privada que financia uma campanha, nada mais óbvio,
requerer um benefício em troca do investimento feito, essa é a lei do mercado, a famosa ³troca
de favores´ é inevitável. Porém, essa ascensão econômica afeta diretamente a gestão pública,
assim, o que poderia ser investido na educação, saúde, lazer, é transferido para as contas de
grandes empresários ou, esses, são alocados nas funções públicas, se auto promovendo e
mantendo um conservadorismo social, o que não podemos qualificar como uma eminência
política. Esse intermédio econômico, no Código Eleitoral Brasileiro, com razão, vem sendo
limitado, como prescreve o Art. 237:

³A interferência do poder econômico e o desvio ou abuso do poder de autoridade, em desfavor


da liberdade do voto, serão coibidos e punidos´.

O legislador, percebendo o desequilíbrio estrutural causado pelo poder econômico, revela o


conhecimento deste como fator principal das desigualdades nas eleições. O ponto fundamental
dessa conjuntura seria à liberdade e igualdade dos partidos políticos, assim, dizia Aristóteles:
"Se é verdade, como muitos imaginam, que a liberdade e a igualdade constituem essencialmente
a democracia, elas, no entanto, só podem aí encontrar-se em toda a sua pureza, enquanto
gozarem os cidadãos da mais perfeita igualdade política"

As conseqüências desse desequilíbrio são as principais notíciais dos jornais diariamente. A


corrupção, um dos principais efeitos dessa natureza estrutural política, traz consigo várias outras
premissas, destacando-se entre elas o CAIXA DOIS. Esse, refere-se a recursos financeiros não
contabilizados e não declarados aos órgãos de fiscalização competente, ou seja, é um dos
instrumentos realizados para sonegação fiscal e também lavagem de dinheiro, que são crimes,
no Brasil, com pena prevista na lei número 7.492 de 16 de junho de 1986, sendo relativo a
reclusão de um a cinco anos, e multa.
³Art. 9º Fraudar a fiscalização ou o investidor, inserindo ou fazendo inserir, em documento
comprobatório de investimento em títulos ou valores mobiliários, declaração falsa ou diversa da
que dele deveria constar´.

Não podemos pensar em justiça sem que antes façamos a nossa parte, uma reflexão sobre o
financiamento público de campanha, acabaria com grande parte desse dúbio político, sustentado
também pelo povo. A Constituição de 1988 no seu Art. 14 § 9º (Lei complementar) faz
referências também ao caso em questão, resguardando de maneira plausível a igualdade
eleitoral, coibindo o poder econômico e o abuso de exercício de função.

³§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua


cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a
influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na
administração direta ou indireta.´

Assim, a igualdade partidária traria benefícios diretamente para sociedade, um desenvolvimento


cada vez mais justo, ético e democrático. De contrapartida com a corrupção, desde 1998 vem
transitando um projeto de Lei no Senado Federal. O Ministro Mário Carlos Velloso, um dos
defensores do financiamento publico diz que o principio da igualdade na Constituição Federal
de 1988 é defendido constante e reiteradamente. Assim, conclui que não há democracia, muito
menos republica, sem uma igualdade:
³Entretanto, não haverá nem democracia nem república sem a igualdade. Esta é inerente à
democracia e à república. De modo que é por isso mesmo que a Constituição várias vezes
proclama o princípio da igualdade. Penso que o abuso do poder econômico, justamente,
realizando o desequilíbrio entre os candidatos, torna irreal o princípio isonômico, assim
tornando ilegítima a pugna eleitoral.´

O Ministro Mário Carlos Velloso nessa mesma ocasião, explana que os financiadores privados
poderiam ter uma compreensão maior por parte do Estado, porque esses financiadores prestam
serviço ao mesmo, contanto que, sejam identificados e registrados, a fim de não pretenderem
retorno financeiro posteriormente. Ao contrário dessa tese, porém, com o mesmo objetivo de
igualdade eleitoral, os Senadores Edson Lobão e Pedro Simon deram autoria a outra corrente, as
campanhas eleitorais seriam custeadas, exclusivamente, por recursos orçamentários da União.
Essa teoria, reformulada mais tarde, converteu-se em Projeto de Lei relatada pelo Senador José
Eduardo Dutra e aprovada por unanimidade pela comissão. A proposta de lei proíbe a doação de
recursos financeiros por partes de pessoas jurídicas, físicas e também de recursos próprios,
sendo o financiamento público de campanha exclusivo para os partidos políticos. Por cada
eleitor seriam destinados R$ 7 para o financiamento das campanhas. Se esse sistema fosse
adotado nas eleições passadas, por exemplo, considerando-se o eleitorado de 115 milhões de
pessoas, o valor destinado à campanha teria sido de R$ 805 milhões. O dinheiro seria
distribuído aos diretórios nacionais dos partidos, observando-se o seguinte critério: 1% em
parcelas iguais para todos os partidos políticos existentes e 99% para os partidos com
representação na Câmara dos Deputados, proporcionalmente ao número de integrantes das
bancadas. Segue abaixo alguns artigos do Projeto de Lei:
Art. 1° Nos anos em que se realizarem eleições, as dotações orçamentárias de que trata o art. 38,
inciso IV, da Lei n° 9.096, de 19 de setembro de 1995, terão como base o valor de R$ 7,00 (sete
reais), por eleitor alistado pela Justiça Eleitoral até 31 de dezembro do ano anterior.

§ 2° A previsão orçamentária dos recursos mencionados no parágrafo anterior deverá ser


consignada, no anexo do Poder Judiciário, ao Tribunal Superior Eleitoral.

Art. 2º Os recursos serão distribuídos, na sua totalidade, aos diretórios nacionais dos partidos
políticos com representação na Câmara dos Deputados, na proporção de suas bancadas.

Art. 8° A prestação de contas da aplicação dos recursos financeiros nas campanhas eleitorais
será feita em conformidade com a legislação em vigor.

"Art. 20. O candidato a cargo eletivo fará, diretamente ou por intermédio de pessoa por ele
designada, a administração financeira de sua campanha, usando recursos repassados pelo
comitê, na forma da lei."
"Art. 24. É vedado a partido e candidato receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou
estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, proveniente de
pessoa física ou jurídica."

Este é o preço que pagamos por adotarmos um financiamento privado de campanha, haja vista
que o poder econômico exercerá sempre o domínio e influenciará de maneira ativa as funções
estatais e investimentos sociais. O poder público sofrerá sempre as conseqüências, e com isso,
será submetido de maneira passiva na relação poder econômico e gestão política, retirando dos
cofres públicos os dinheiros que podiam ser investidos em benefícios, e assim, prejudicando a
população como um todo, nos seus aspectos sociais, volitivos e evolutivos.

PROPOSTA

Observa-se então, que a mudança tem que ser feita desde já, pois envolve diversos fatores
relevantes no contexto social. Se não pararmos agora e analisarmos nossa situação, deixaremos
nas mãos de antiéticos e oportunistas nosso futuro. Imaginemos sempre uma realidade superior
a que nós vivemos. Uma visão perceptível mais avançada e atualizada, um passo a frente para o
crescimento político e democrático. Já não suportamos mais tanta mesmice no cenário político,
tanto conservadorismo e tanta impunidade. Propomos uma reforma política e inovadora no
aspecto eleitoral, através do Projeto de Lei de 1998, visando atingir os benefícios a todos e não
somente a uma parte corrupta do sistema, acabando de vez com o suborno do poder econômico
e seus efeitos colaterais, como o CAIXA DOIS. Grupos políticos e movimentos sociais, também
devem investir na divulgação do verdadeiro sentido do financiamento público, o descaso com a
Educação, Saúde, Lazer, Habitação, entre outros setores, é de fato, constante também pela má
utilização da informação jornalística em que muitos se revelam sensacionalistas e esquecem de
transmitir para a população a notícia real. Portanto, o povo tem consciência que possuem
instrumento de maior referência para o alcance democrático, o voto. É preciso apenas uma
análise minuciosa do sistema e assim concluírem: ³SOMOS A MUDANÇA´

É o parecer.

Aracaju, 29 de novembro de 2007.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

‡ DESEMPREGO ZERO. O Povo e o Financiamento Público das Campanhas. Disponível em:


capturado em 27 de novembro de 2007.
‡ BEZERRA, Eron. Financiamento Público de Campanha e Poder Econômico. Disponível em:
http://www.vermelho.org.br/diario/2005/0816/eron_0816.asp?nome=Eron%20Bezerra&cod=47
93 capturado em 27 de novembro de 2007.
‡ LINCE, Leo. CORREIO DA CIDADANIA. Em defesa do Financiamento Público. Disponível
em: < http://www.correiocidadania.com.br/content/view/146/82/> capturado em 27 de
novembro de 2007.
‡ JUNIOR, Jair Barbosa. INESC. O Enigma da Reforma Política. Disponível em: <
http://www.inesc.org.br/equipe/jairb/noticias-do-inesc/maio-2007/o-enigma-da-reforma-
politica/> capturado em 27 de novembro de 2007.
‡ POLITICA VOZ. Financiamento Público de Campanhas. Disponível em: <
http://www.politicavoz.com.br/reformapolitica/artigo_05.asp> capturado em 27 de novembro de
2007.
‡ SENADO FEDERAL. Financiamento de Campanha. Disponível em: <
http://www.senado.gov.br/web/relatorios/CEsp/RefPol/relat14.htm> capturado em 27 de
novembro de 2007.
‡ TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL. SANTA CATARINA. Disponível em:
http://www.tre-sc.gov.br/site/noticias/news/noticia/arquivo/2007/setembro/artigos/prezotto-
defende-financiamento-publico-de-campanha/index.html capturado em 27 de novembro de 2007
‡ UNIVERSO JURÍDICO. Reforma política financiamento público de campanha. Disponível
em: capturado em: 27 de novembro de 2007
‡ DEMOCRACIA SOCIALISTA. O Poder dos Corruptos na Democracia. Disponível em: <
http://www.democraciasocialista.org.br/ds/index.php?option=content&task=view&id=262>
capturado em 27 de novembro de 2007
‡ JUS NAVEGANDI. Abuso do poder econômico e financiamento das campanhas eleitorais.
Disponível em: capturado em 27 de novembro de 2007

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Estudante de Direito e Letras/Português.

Aracaju/SE

s desafios da reforma política


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Por % + %





O atual sistema partidário brasileiro não é compatível com a nova república democrática
brasileira. Muitos partidos foram implantados no período de crise da ditadura e de transição para
a democracia. Muitos surgiram sem fundamentos ideológicos. Infelizmente, nenhum governo
pós-ditadura pôde elaborar um projeto de reforma política, muitas vezes por falta de maioria e
outras vezes por falta de vontade política. Todavia, a democracia brasileira já esperou tempo
demais. A nova Presidenta do Brasil Dilma Rousseff insistiu durante sua campanha sobre a
urgência desta reforma e é provável que o tema continue sendo uma prioridade em seu governo.

Hoje, temos aberrações que permitem toda deriva republicana. Atualmente segundo o Tribunal
Superior Eleitoral existem registros de 27 partidos! Muitos não têm nenhuma base filosófica e
política: são legendas de aluguel. É a nociva prática do ³é dando que se recebe´ ² e o pior é
que esses políticos contribuem para a permanência do vírus maléfico da corrupção política.
Impunemente, eles abusam do poder político para nomeações de afiliados, usam do
apadrinhamento na distribuição de cargos. Estes políticos fisiológicos defendem interesses
paroquiais em detrimento do interesse nacional. Para eles, tudo isto é normal. Eles sempre
repetem: ³faz parte do jogo político´!

Em razão desta realidade, só uma boa reforma do sistema político pode provocar um choque de
seriedade junto à opinião pública. Ela contribuirá sem dúvidas na melhora da imagem do
Parlamento brasileiro, hoje completamente deteriorada.

Além disso, a pulverização do sistema partidário no Brasil dificulta a formação de maiorias nas
assembléias estaduais e no Congresso Nacional. Impossível, dentro do atual sistema, travar uma
discussão séria sobre a fidelidade partidária. öuem sabe, as listas fechadas partidárias sejam o
melhor caminho.

Não devemos esquecer que temos nossa parte de responsabilidade em certos desvios
republicanos, pelo fato de não exercermos nossa cidadania política, nem exigir que a casa do
povo seja mais bem representada. O deputado não é eleito para me oferecer um emprego ou
bolsa de estudo para meu filho, nem para defender seus interesses privados ² mas para zelar
pela coisa pública, pelo interesse coletivo e não individual.
O exercício de um cargo eletivo não deve ser nem ³individualista´, nem ³carreirista´. A política
não é uma profissão, nem é vitalícia, nem hereditária. Como indagava a filósofa Hannah Arendt,
qual o sentido da política, quando os homens políticos ² eles mesmos ² perderam o sentido
político?

Daí urge aprofundar este debate com a sociedade brasileira. O ideal seria realizar fóruns
populares e convidar os deputados federais e senadores a participarem do debate sobre a
reforma política. No final de cada fórum, os cidadãos seriam convidados a escolher, entre as
medidas sugeridas, a que considerassem mais importante. Deputados e senadores assinariam
uma carta, estabelecendo os compromissos que se comprometeriam a defender. De certeza o
parlamento brasileiro ganharia maior credibilidade, pois os representantes do povo estariam à
escuta do povo. Basta vontade política para elaborar uma verdadeira reforma do sistema
político.

Temos hoje no Brasil uma sociedade civil organizada, principalmente representada por
movimentos sociais, ONGs de desenvolvimento, mundo associativo, centrais sindicais. Estes já
participaram de vários embates que levaram a democratização do país. Há anos eles vêm
lutando pela reforma do sistema político e não perderam a esperança, apesar das decepções.

A Abong, o órgão representativo das ONGs de desenvolvimento, reivindica, junto com outros
movimentos e organizações sociais, cinco pilares da reforma do sistema político:
o fortalecimento da democracia direta; o fortalecimento da democracia participativa; o
aprimoramento da democracia representativa por meio do sistema eleitoral e dos partidos
políticos; a democratização da informação e da comunicação; e a democratização do Poder
Judiciário. Chegou a hora de se investir a fundo nessa mobilização.

Se quisermos um melhor funcionamento da governabilidade democrática, e, uma reforma do


sistema e o funcionamento das instituições políticas, é hora de selar uma parceria entre
democracia participativa e democracia representativa para elaborar uma verdadeira reforma do
sistema político e evitar a privatização da política. Temos que reencontrar o sentido nobre da
política, que permite a uma comunidade agir sobre si mesma, sem perder a visão do interesse
geral. Esta reforma política deve favorecer um novo comportamento republicano. Só assim a
política será escrita com letras maiúsculas e ganhará credibilidade e sustentabilidade.

#   


 (    
   

Os parlamentares devem ter um real compromisso partidário, privilegiar o interesse geral e zelar
pela coisa pública. Uma democracia só é dinâmica quando não perde a capacidade de se inovar.
O ideal seria estabelecer uma rotatividade de mandatos e limitá-los ao máximo de duas
legislaturas. Os quadros políticos devem ser renovados. A rotatividade pode ser a solução para
levar os jovens a se interessarem na política partidária. Por exemplo, um vereador pode ser
candidatar a prefeito; o prefeito, a deputado estadual; o deputado estadual, a deputado federal; o
senador, a governador; o deputado federal, a senador. Se esta regra fosse votada teríamos uma
renovação completa do corpo partidário. É uma rica experiência poder subir na esfera da
legitimação da representatividade popular. Assim como é importante que quadros políticos
possam ser renovados.

Um segundo mandato é talvez interessante, devido à experiência e amadurecimento político


acumulados. Cabe aos eleitores avaliar, no pleito seguinte, se a ação do representante foi
pertinente; que projetos elaborou; que propostas interessantes contaram com o seu voto; qual a
sua postura ética durante o mandato. Diante do constato da ação política, eles votarão ou não a
confiança para um segundo mandato. Brigar por um terceiro mandato consecutivo impede a
ascensão de novos candidatos. Impossível renovar os quadros políticos, revigorar a democracia
se não aceitamos dividir ou delegar o poder.
$   
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Outra questão que merece um debate nacional envolve o significado da sustentabilidade política
hoje no Brasil. A palavra é usada aqui fora da esfera do jargão politiqueiro: projeta-se no do real
significado do senso político. Os representantes do povo, além de assumir o compromisso de
defender os interesses públicos, devem estimular e facilitar a inclusão da participação social no
poder político. Essa inclusão da cidadania política efetivará uma mudança estrutural nas
relações com o poder e dará melhor sustentabilidade para uma governabilidade democrática
mais participativa.

O eleitor considerado de ³cabresto´ torna-se um eleitor-cidadão consciente e crítico que terá a


capacidade de interagir na sociedade denunciando e reivindicando ações junto aos órgãos
públicos competentes para que a qualidade de vida atinja todas as camadas sociais. Para que
uma verdadeira política de desenvolvimento integrado e solidário seja posta em prática em todo
território nacional e modifique completamente a malha de funcionamento dos poderes locais. Os
coronéis, os clientelistas, desaparecerão por completo da paisagem política brasileira. O modo
de fazer política forjará uma nova relação entre o Estado e a sociedade civil. Os políticos agirão
localmente e pensarão o global, ou melhor,` (global e local) e, de modo sistêmico
planejarão o Brasil de hoje e do futuro.

Logicamente cabe aos parlamentares e juristas analisarem uma reforma do sistema político mais
adaptado ao avanço da democracia brasileira. Ao expor minha análise política da questão, estou
aqui apenas cumprindo com minha cidadania política.

±
% + %

 é Doutora em Economia (Sorbonne), especialista em
desenvolvimento territorial integrado, solidário e sustentável.Voto facultativo
p 
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Liberdade é uma palavra que sempre me seduziu. öual o seu significado exato e aplicação
prática são questões a que, desde cedo, devotei o melhor do meu espírito. Essa dedicação foi,
cada vez mais, consolidando minhas convicções liberais. Ao longo dos anos fui sabendo de
muitos ex socialistas. De ex comunistas então nem se fala, tem um montão. Mas instigando o
querido leitor: conhece algum ex liberal, um só ? Encontrei muitas definições - longas e curtas -
de liberdade, mas a que mais me tocou foi a de Ortega e Gasset no seu célebre "Reflexões sobre
a técnica". Lá está livre, leve e solta: "liberdade é a ausência de coerção". E mais não diz nem é
preciso. Assim como o capitalismo é a liberdade no campo econômico, a democracia também o
é no político. O voto obrigatório no Brasil, além de ser uma agressão à liberdade individual, é
uma contradição completa. Na verdade, ninguém é obrigado a votar, é somente forçado a
comparecer à uma seção eleitoral, faça chuva ou faça sol, queira ou não queira. Resultado, de 86
para cá, a abstenção somada aos votos nulos e em branco, superam os votos válidos para
deputados federais. Dos 81 senadores, somente 3 ultrapassaram essa barreira da indiferença
eleitoral. O processo eleitoral deveria ser a antesala do aprendizado democrático, e foi para isso
que os jovens de 16 anos ganharam o direito de votar. Certíssimo. Por que não estender essa
prerrogativa aos demais eleitores ? Votar sim, mas por dever e por prazer, jamais por coerção.
De notar: nas democracias mais consolidadas do mundo o voto é facultativo e, mesmo na
eventualidade de baixo comparecimento, isso não afeta a legitimidade dos eleitos. Vou mais
longe, até a eleição indireta é mais saudável do que esta falácia eleitoral com uma enxurrada de
votos inúteis. Já temos o voto eletrônico e, daqui a pouco, o voto será via internet, então até
quando teremos que sair de casa para votarmos contrariados ?
Congresso discute suplência, posse, voto facultativo e reeleição

Nesta semana, a Comissão de Reforma Política do Senado vai analisar quatro temas: suplência
de senador; data da posse de chefes do Executivo; adoção do voto facultativo; e reeleição de
prefeitos, governadores e presidente da República. Serão os dois primeiros debates, na terça-
feira e na quinta-feira, de uma série de sete encontros agendados até o início de abril, conforme
cronograma aprovado pelo grupo.

Os integrantes da comissão acreditam que, após cada reunião, será possível chegar a uma
decisão sobre os temas em exame, definindo as propostas do grupo para os itens tratados no dia.
öuando não houver consenso, poderá haver votação, prevalecendo a posição da maioria
simples.

Os senadores também poderão deixar para os dois últimos encontros a decisão sobre temas mais
polêmicos. Já a inclusão de novos itens depende de aprovação da comissão, após a apresentação
dos pedidos por escrito. O presidente da comissão, senador Francisco Dornelles (PP-RJ),
pretende concluir até o dia 8 de abril o anteprojeto de reforma política a ser submetido ao
conjunto de senadores.

Suplente de senador

Primeiro item da agenda, as regras para escolha de suplentes de senador têm sido muito
questionadas, inclusive pelos próprios senadores. A principal crítica recai sobre o fato de o
eleitor desconhecer os inscritos como suplentes, quando vota no seu candidato a senador.
öuando o titular precisa ser substituído, dizem os críticos, é esse "desconhecido" que assume no
lugar daquele que recebeu os votos.

As sugestões de mudança nas regras buscam dar legitimidade aos suplentes. Wellington Dias
(PT-PI), por exemplo, defende que seja suplente de senador o primeiro mais votado entre os não
eleitos. A proposta foi rejeitada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), entre
2007 e 2008, e deve mobilizar o primeiro dia de debates da Reforma Política.

Posse de presidente e governadores

A necessidade de mudança do dia de posse de governadores e presidente da República -


segundo tema a ser discutido na terça-feira - é consenso entre os integrantes da comissão. Todos
concordam que a posse no dia 1º de janeiro, após a celebração do Ano Novo, dificulta a
presença de autoridades brasileiras e estrangeiras. A definição da nova data, no entanto, ainda
divide os senadores.

Voto obrigatório ou facultativo

Na quinta-feira, a comissão inicia os trabalhos discutindo se o voto deve ou não continuar sendo
obrigatório no Brasil. Os senadores decidirão se querem manter a regra vigente de voto
compulsório ou se vão propor o voto facultativo.

Reeleição

Também polêmica deve ser a discussão sobre mudanças nas regras de reeleição para cargos de
presidente, governadores e prefeitos - segundo tema na agenda de quinta-feira. O Congresso
alterou a Constituição federal, em 1997, para incluir a possibilidade de dois mandatos
consecutivos para esses cargos e, desde então, têm sido recorrentes as manifestações contrárias
à regra.
Os críticos alegam que a reeleição não faz parte da tradição brasileira e que favorece uso da
máquina governamental por parte do governante que busca mais quatro anos no cargo.

Fonte: Agência Senado

|eforma política: suplência, posse, voto facultativo e reeleição serão discutidos


nesta semana
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Em reuniões marcadas para terça-feira (15) e quinta-feira (17), ambas às 14h, a Comissão de
Reforma Política vai analisar quatro temas: suplência de senador; data da posse de chefes do
Executivo; adoção do voto facultativo; e reeleição de prefeitos, governadores e presidente da
República. Serão os dois primeiros debates de uma série de sete encontros agendados até o
início de abril, conforme cronograma aprovado pelo grupo.

Os integrantes da comissão acreditam que, após cada reunião, será possível chegar a uma
decisão sobre os temas em exame, definindo as propostas do grupo para os itens tratados no dia.
öuando não houver consenso, poderá haver votação, prevalecendo a posição da maioria
simples.

Os senadores também poderão deixar para os dois últimos encontros a decisão sobre temas mais
polêmicos. Já a inclusão de novos itens depende de aprovação da comissão, após a apresentação
dos pedidos por escrito. O presidente da comissão, senador Francisco Dornelles (PP-RJ),
pretende concluir até o dia 8 de abril o anteprojeto de reforma política a ser submetido ao
conjunto de senadores.

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Primeiro item da agenda, as regras para escolha de suplentes de senador têm sido muito
questionadas, inclusive pelos próprios senadores. A principal crítica recai sobre o fato de o
eleitor desconhecer os inscritos como suplentes, quando vota no seu candidato a senador.
öuando o titular precisa ser substituído, dizem os críticos, é esse ³desconhecido´ que assume no
lugar daquele que recebeu os votos.

As sugestões de mudança nas regras buscam dar legitimidade aos suplentes. Wellington Dias
(PT-PI), por exemplo, defende que seja suplente de senador o primeiro mais votado entre os não
eleitos. A proposta foi rejeitada quando do exame do assunto pela Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ), entre 2007 e 2008, e deve mobilizar o primeiro dia de debates da
Reforma Política.

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Já a necessidade de mudança do dia de posse de governadores e presidente da República ±


segundo tema a ser discutido na terça-feira ± é consenso entre os integrantes da comissão. Todos
concordam que a posse no dia 1º de janeiro, após a celebração do Ano Novo, dificulta a
presença de autoridades brasileiras e estrangeiras. A definição da nova data, no entanto, ainda
divide os senadores.

Tramita no Senado a Proposta de Emenda à Constituição PEC 1/11, que altera para 10 de
janeiro a data da posse do presidente da República e para o dia 5 do mesmo mês as posses dos
governadores. A proposta tem como primeiro signatário o presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP). Já Wellington Dias (PT-PI) defende duas datas: 31 de dezembro ou 2 de janeiro.

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Na quinta-feira, a comissão inicia os trabalhos discutindo se o voto deve ou não continuar sendo
obrigatório no Brasil. Os senadores decidirão se querem manter a regravigente de voto
compulsório ou se vão propor o voto facultativo.

Para a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), o eleitor deve ter o direito de escolher se quer ou não
votar. A senadora considera que esse é o caminho para a construção do voto consciente. Mas o
assunto divide opiniões. O senador Pedro Taques (PDT-MT) acredita que o país deveria
conviver mais algum tempo com o voto obrigatório. Esta também é a opinião de Wellington
Dias. Para ele, a regra em vigor promove grande participação dos eleitores, dando maior
legitimidade aos eleitos.

- Tenho muito orgulho de ver o meu país entre os países do mundo nos quais as eleições contam
com a participação de cerca de 80% da população em idade de votar ± disse.

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Também polêmica deve ser a discussão sobre mudanças nas regras de reeleição para cargos de
presidente, governadores e prefeitos ± segundo tema na agenda de quinta-feira. O Congresso
alterou a Constituição federal, em 1997, para incluir a possibilidade de dois mandatos
consecutivos para esses cargos e, desde então, têm sido recorrentes as manifestações contrárias
à regra.

Os críticos alegam que a reeleição não faz parte da tradição brasileira e que favorece uso da
máquina governamental por parte do governante que busca mais quatro anos no cargo.

Tramitam na Casa duas propostas de emenda à Constituição que tratam do tema. Uma delas
(PEC 98/07), que tem como primeiro signatário o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), veda a
possibilidade de um segundo mandato. A outra (PEC 65/07), encabeçada pelo senador Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE), mantém a reeleição, mas impõe aos chefes do Executivo a
obrigatoriedade de, até seis meses antes do pleito, licenciarem-se para concorrer a novo
mandato.

Iara Guimarães Altafin / Agência Senado


D D 

„icha limpa, |eforma Política e o financiamento público de campanha

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados

Ontem, o Supremo Tribunal Federal tomou uma decisão que frustrou violentamente a
expectativa de milhões de brasileiros. Refiro-me à emenda popular trazida das ruas, com mais
de 1 milhão e 200 mil assinaturas, que ganhou o respaldo de centenas de Deputados e foi
aprovada por unanimidade no Congresso Nacional. Pois vejam que o Supremo Tribunal
Federal, baseado em uma decisão de tecnicalidade jurídica ² porque ética não tem prazo de
validade ² decidiu que a Lei da Ficha Limpa valerá para as eleições de 2012.
Com o placar de 6 votos a 5, a Corte proibiu a aplicação imediata da regra. Lamentavelmente, o
mais novo ministro do STF, Luiz Fux, foi o responsável por desempatar a votação e impedir que
a lei tivesse aplicação imediata.
Desde o início, o PSOL defendeu o projeto e foi às ruas por sua aprovação, em nome do
interesse público. Nossa decepção é, portanto, enorme. Perdeu o processo democrático, que
garantiu, depois de anos a fio, a aprovação de uma lei de iniciativa popular no Congresso;
perdeu o Judiciário, que seguirá sendo visto pela população como um Poder a serviço das elites
políticas e econômicas; perdeu o Congresso, que receberá em suas cadeiras na Câmara e no
Senado nomes que já lesaram o erário público; perdemos todos.

E aqui aproveito para fazer uma homenagem à nossa senadora eleita pelo Pará, Marinor Brito,
que de qualquer lugar seguirá na luta por melhorias na vida dos brasileiros.

A decisão do STF é também mais um exemplo de quão dura é a batalha por transformações na
cultura política do país e no jogo de poder e interesses que move os ³representantes do povo´.
Neste último final de semana, por exemplo, uma reportagem do jornalista Eduardo Bresciani, do
jornal O Estado de S.Paulo, mostrou que, mais uma vez, nessa nova legislatura que se inicia, o
que conduzirá a atuação de grande parte dos parlamentares da Casa será o interesse privado das
empresas que financiaram suas campanhas. Analisando a formação das comissões, chegou-se à
conclusão de que as presidências das mesmas foram entregues a deputados que receberam
doações de empresas que atuam em áreas correlatas.

Na Comissão de Minas e Energia, por exemplo, pelo menos 19 dos 30 deputados titulares
receberam doações de empresas do setor: metalúrgicas, mineradoras, construtoras, usinas e
postos de combustíveis. As empresas que mais fizeram doações para deputados da comissão de
Minas e Energia são a geradora de energia Tractebel e construtora Camargo Corrêa, que já teve
diretores investigados pela Polícia Federal justamente por doações eleitorais. A Camargo Corrêa
financiou a campanha de deputados de 3 grandes partidos diferentes que integram a Comissão.
A Tractebel, de quatro.

Na comissão de Viação e Transportes, a maioria dos 30 titulares recebeu recursos de


construtoras, transportadoras, fabricantes e distribuidoras de veículos. A presidência da
Comissão de Seguridade Social e Família, que tem entre suas atribuições decidir sobre projetos
na área de saúde, ficou com um parlamentar que tem hospitais, laboratórios e indústrias
farmacêuticas entre seus doadores. O mesmo se repete na comissão de Agricultura.

Esses dados não são coincidências, senhor Presidente. Com o poder econômico se mostrando
cada vez mais determinante nos processos eleitorais, para o financiamento de campanhas
milionárias, é claro que a empresa que viabiliza uma eleição depois vai botar argola no pescoço
do candidato eleito. Isso, claramente, tira a soberania dos mandatos e é a raiz da corrupção no
Brasil.

Daí a urgência de garantirmos a aprovação do financiamento público e exclusivo de campanha


na Reforma Política que começa a ser debatida nesta Casa. Em 2006, votamos a reforma
eleitoral, que proibiu até usar bottons, mas não proibiu contratar milhares de cabos eleitorais e
não estabeleceu um teto de campanha. Na época, foi acordado entre todos os líderes dos
partidos que, logo após, votaríamos a lei do teto eleitoral. E o que fizeram os partidos? Foi todo
mundo pra casa, garantiu o financiamento privado de suas campanhas e o PSOL ficou sozinho
na defesa da pauta. Na última campanha, muitos partidos defenderam o financiamento público
retoricamente, mas não deixaram de arrecadar milhões junto às empresas para seus candidatos.

O desgaste inicial pode existir. As pessoas pensam: os políticos já são corruptos e você ainda
vai fazer financiamento público de campanha? Mas se considerarmos os recursos desviados a
posteriori com a corrupção, o financiamento público é benéfico aos cofres do país. O que
precisamos fazer, além de garantir o real comprometimento dos partidos com a questão, é uma
campanha pública, com mobilização popular e apoio da mídia, para instituir um sistema de
financiamento público de campanhas, com regras rígidas de controle, fiscalização e punição
para quem o descumprir.

Além do combate à corrupção, o financiamento público de campanha permitiria uma mínima


igualdade de condições de disputa nos processos eleitorais, algo fundamental para a democracia.
É por isso que o PSOL colocaráeste ponto como central da Reforma Política.

öue tenhamos então, senhoras e senhoras Deputados, coragem para aprovar a Reforma Política
necessária à democracia brasileira. E que o combate à corrupção seja um compromisso real de
todos os partidos, e não apenas uma promessa vazia feita em tempos de campanha eleitoral.

Muito obrigado.

Deputado Federal Ivan Valente


PSOL/SP

|eforma leitoral em foco

Â+  $Â Advogada e ex-juíza do TRE/RS

Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente da Comissão criada e nomeada
em junho de 2010 pelo Senado, para a elaboração do anteprojeto de reforma da legislação
eleitoral, disse que a Justiça Eleitoral brasileira é exemplo para o mundo, porém pode e deve ser
aperfeiçoada.
O exemplo, que extrapola as fronteiras nacionais, vem embasado nas normas existentes,
constitucionais e infraconstitucionais, constituídas do Código Eleitoral (1965), Lei das
Inelegibilidades (1990), Lei dos Partidos Políticos (1995) e Lei das Eleições (1997), dentre
outras, fundamentando as inúmeras decisões proferidas pela Justiça Eleitoral do país.
Até 1996, em cada pleito surgiram normas editadas que vigoravam até o encerramento das
eleições. Com a vigência da Lei 9.504/97, conhecida como Lei das Eleições, a então
temporariedade deixou de existir, prevalecendo essa em caráter permanente. Por delegação
expressa do Código Eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral estabelece, por meio de Resoluções,
normas específicas a regrar o comportamento eleitoral em cada pleito.
É evidente que tais normas, elaboradas em diferentes momentos históricos brasileiros, reclamam
urgente reformulação, inclusive com a consolidação e o aperfeiçoamento dessas.
O questionamento levantado e do qual não se pode fugir é sobre a conveniência e oportunidade
da edição de um novo Código Eleitoral, ou se a simples consolidação das normas existentes já
atingiria o objetivo pretendido, tendo sempre presente a ideia já fixada e externada pelo
presidente da Comissão nomeada pela Justiça Eleitoral. Soma-se que o processo eleitoral é
muito dinâmico e a eventual unificação pode engessar questões que venham a necessitar de
adequação em curto espaço de tempo, prejudicando o processo.
Aperfeiçoamento, adequação à rea- lidade, exclusão de tópicos inócuos ou a criação de
institutos necessários podem ser introduzidos nas normas existentes, inclusive por meio de
consolidação, sem a necessidade de criação de nova codificação, em que se evidenciaria uma
quebra nos regramentos existentes, como se o mencionado exemplo mundial inexistisse.
Objetivando sistematizar, facilitar e agilizar o trabalho, a comissão de juristas dividiu a reforma
em quatro subrrelatórios - administração e organização da eleições, direito penal eleitoral e
direito processual penal eleitoral, direito processual eleitoral não penal e direito material
eleitoral não penal.
O momento é de elaboração do anteprojeto pela respectiva Comissão, já tendo sido encerrada a
fase de rea- lização de audiências públicas onde foram coletadas propostas. O prazo inicial, de
120 dias para a conclusão da tarefa, foi prorrogado, sendo que o anteprojeto deverá ser
apresentado em abril deste ano, quando, então, será submetido, primeiramente, à análise do
Senado. Aprovado o projeto, nas duas casas legislativas e sancionado pela Presidente da
República, ainda em 2011, as eleições de 2012 já serão regradas por essas normas. É grande a
expectativa dos operadores do direito nessa Justiça Especializada, os quais estão aguardando o
instrumento a ser criado para, então, anali-sar pontualmente as modificações, externando
considerações e agregando opiniões reformistas.


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Aceito o risco de parecer repetitivo. Diante das grandes questões que preocupam mais no nosso país, a
originalidade do articulista fica em segundo lugar. Estamos atravessando dias pesados, um ambiente de
insatisfações e sombras. Os mais jovens sentem-se angustiados diante das incertezas do futuro, da
ameaça de desemprego, de falta de horizontes.

O público exprime sua perplexidade naquela conhecida anedota de como Deus, tendo presenteado
nossa geografia com uma abundância de vantagens materiais, colocou no Brasil, como contrapeso, um
"povinho ruim". Essa autodepreciação está errada. O trabalhador brasileiro, ainda que subinstruído, é
diligente e flexível, como as empresas estrangeiras são as primeiras a reconhecer.

Os engenheiros e gerentes especializados têm em alguns casos nível bastante alto. Somos a 8ª
economia do mundo e temos conseguido adaptar-nos a mudanças tecnológicas complexas. Falta-nos
reduzir os excessivos contrastes em matéria de educação, informação e saúde - demanda social justa,
mas não um impedimento real ao nosso desenvolvimento tecnológico ou industrial.

A verdade é que nosso grave subdesenvolvimento não é só econômico ou tecnológico. É político.


Somos um gigante preso por alguns medrosos dentro de estruturas disfuncionais. A máquina político-
administrativa que rege hoje nossos destinos é uma fábrica de absurdas distorções cumulativas.

O regime presidencialista e o voto puramente proporcional, cada um dos quais, já de si, dificilmente
funcionam bem, transformam-se, quando combinados, numa crise quase ininterrupta. O
presidencialismo americano, que nos serviu de modelo, é um pouco diferente porque é conjugado ao
voto distrital.

Não é que os políticos só pensem em si ou sejam "corruptos" de nascença. Essa é uma visão popular
deformada. A maioria é dedicada e séria. Mas o deputado, o senador, o prefeito, o governador e,
obviamente, o presidente têm de ser eleitos, ponto de partida do qual não há escapatória.

Nas eleições proporcionais de hoje, os deputados são obrigados a catar votos por todo o Estado,
garimpando aqui e ali - um processo caro e tremendamente incerto, porque eleitor em geral não sabe
como discriminar entre dezenas de representantes eleitos. Como é que o eleitor médio vai se lembrar de
quem propôs medidas ou leis, para poder avaliar quem merece o seu voto?

Um americano ou um inglês pode falar no "seu" deputado: sabe exatamente quem ele elegeu e tem
como cobrar respostas ao representante do "seu" distrito. O alemão, com um sistema misto, tem o "seu"
deputado distrital e também o da lista do seu partido. E, como o regime é parlamentarista, pode cobrar
de ambos.
No Brasil, cobrar o quê, de quem? Mal acaba de ser eleito por um partido, o deputado ou senador se
sente à vontade para mudar de partido. Não existe sanção. A eleição presidencial então é sempre um
trauma violento, agravado pela percepção de que o vencedor passará a controlar a máquina pública, os
mecanismos de dar ou negar favores.

Gerir a coisa pública é, entre nós, um contínuo varejo. Dá para estranhar que, desde o início da
República, raros tenham sido os governos que não se envolveram em conflitos com o Congresso, com
riscos de descontinuidade institucional? Contra um sistema tão ruim, tanto faz se os políticos são santos
ou bandidos. Num ônibus sem freios, o perigo de desastre é o mesmo para todos.

O mundo está cansado de esperar pelas "reformas" brasileiras. E de ouvir lamentações sobre a nossa
pobreza. Há muito, exceto em regiões desérticas da África ou gravemente sobrepovoadas da Ásia, a
pobreza deixou de ser uma fatalidade. É um acidente histórico de povos que preferem externalizar a
culpa ao invés de fabricar seu próprio destino.

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http://pensadoresbrasileiros.home.comcast.net/RobertoCampos/