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Lesões periapicais de

origem não-endodôntica

Patrícia Ruiz
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

Lesões Lesões de
endodônticas origem não-
endodônticas

• Exame clínico
• Exames complementares
Imagens (RX, TC)
Biópsia – exame histológico

Moreira et al., 2004


Lesões periapicais de
origem não-endodôntica

Reconhecer Encaminhar

Testes de vitalidade pulpar

Moreira et al., 2004


Lesões periapicais de
origem não-endodôntica

Anamnese
• Tratamento endodôntico anterior 35 (abscesso
dentoalveolar)
• Medicação sistêmica
• Exacerbação do quadro
• Rx
Lesões periapicais de
origem não-endodôntica

Exame clínico extra-oral Exame clínico intra-oral


Lesões periapicais de
origem não-endodôntica
Exame radiográfico e TC

• Biópsia
• Diagnóstico: Carcinoma metastático de provável
origem neuroendócrina
• Encaminhamento ao Hospital Dr. Luiz Antônio
Lesões periapicais de
origem não-endodôntica

• Pesquisa do tumor primário (pulmão)


• Metástases em ossos longos
• Tratamento quimioterápico
• Óbito após 1 ano e 9 meses
Diagnóstico diferencial entre lesões periapicais de origem
endodôntica e de origens diversas

Origem endodôntica Origens diversas


Lesões radiotransparentes Lesões radiotransparentes
Abscesso perirradicular Cisto nasopalatino
Granuloma perirradicular Displasia cemento-óssea periapical (fase inicial)
Cisto perirradicular Periodontite avançada
Cisto radicular lateral Cisto ósseo traumático
Osteomielite Ameloblastoma
Ceratocisto
Cisto periodontal lateral
Fibroma cemento-ossificante central (fase inicial)
Lesão central de células gigantes
Cisto odontogênico calcificante
Mixoma odontogênico
Lesões radiopacas Lesões radiopacas
Osteíte condensante Cementoblastoma benígno
Osteomielite Displasia cemento-óssea periapical
Displasia cemento-óssea florida
Fibroma cemento-ossificante central
Osteomas

Moreira et al., 2004


www.uv.es

Periodontite
avançada
Periodontite avançada

* Perda óssea até o ápice radicular www.uv.es

Características clínicas:
• Inflamação do tecido gengival
• Biofilme bacteriano, cálculo
• Bolsas periodontais profundas
Sondagem periodontal é mandatória
• Retrações
• Mobilidade
• Fístula gengival
Vitalidade pulpar
• Exceção: lesão endo-pério

Moreira et al., 2004


Periodontite avançada

Características radiográficas:
• Destruição do osso alveolar: vertical, angulada ou
horizontal
• Perda da lâmina dura

Tratamento: www.uv.es
• Periodontal
Moreira et al., 2004
Cavidade Neville et al., 1998

óssea estática (cisto


ósseo de Stafne,
defeito da cortical
lingual submandibular)
Cavidade ósse estática
(cisto ósseo de Stafne)

* Stafne, 1942
* Alteração de desenvolvimento
• Cavidade óssea que aloja tecido glandular

Características clínicas:
• Adultos
• Sexo masculino (80%)
• Assintomática
Vitalidade pulpar

Neville et al., 1998; Moreira et al., 2004


Cavidade ósse estática
(cisto ósseo de Stafne)
Características radiográficas:
• Radiotransparência bem delimitada, demarcada periferica-
mente por osso cortical
• Região posterior de mandíbula
Localização abaixo do canal mandibular
• Pode haver solução de continuidade da cortical basilar
• Unilateral
Branstetter et al., 1999

Neville et al., 1998

Neville et al., 1998; Branstetter et al., 1999; Moreira et al., 2004


Cavidade ósse estática
(cisto ósseo de Stafne)

* TC e RM
Branstetter et al., 1999

Branstetter et al., 1999

* Sialografia
Tratamento:
• Não é necessário
• Esclarecimento do paciente - laudo

Neville et al., 1998; Branstetter et al., 1999; Moreira et al., 2004


Cisto Neville et al., 1998

Nasopalatino
Cisto Nasopalatino

* Cisto de desenvolvimento – restos


epiteliais do ducto nasopalatino

Características clínicas:
• 4ª a 6ª décadas de vida
• Sexo masculino
Felix et al, 2003
• Tumefação simétrica na região
anterior de palato e/ou abaulamento
da cortical óssea vestibular
• Elementos dentários deslocados
• Dor
Vitalidade pulpar
Sapp et al., 2004

Neville et al., 1998; Felix et al, 2003; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004
Cisto Nasopalatino

Características radiográficas:

• Radiotransparência bem
circunscrita entre ou acima das
raízes dos ICs sup
• Uniloculada, esclerose óssea
periférica

Sapp et al., 2004

Neville et al., 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Cisto Nasopalatino

Características radiográficas:

• Crescimento simétrico bilateral


• “Forma de coração”
• Raízes dos ICs afastadas, raras
reabsorções
Lâmina dura preservada

Tratamento:
• Enucleação cirúrgica Neville et al., 1998

• Biópsia

Neville et al., 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Sapp et al., 2004

Cisto ósseo
traumático
Cisto ósseo traumático

* Origem controversa
Teoria trauma-hemorragia
Trauma Hemorragia Hematoma se liquefaz

Cavidade óssea
• Trauma: causa – efeito ???
? Cisto ?

Defeito nos mecanismos hemodinâmicos intra-ósseos


localizados
• Fase evolutiva de outras lesões (FCO, LCCG)

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto ósseo traumático

Características clínicas:
• 10 –20 anos
• Sexo masculino (60%)
• Mandíbula, PM e M
• Assintomático
- Inchaços indolores (20%)
- Dor e parestesia em alguns casos
Punção – negativa
Vitalidade pulpar

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto ósseo traumático

Características radiográficas:
• Radiotransparência bem definida, 1 – 10 cm
• “Dedos de luvas”
Integridade da lâmina dura

Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Cisto ósseo traumático

Tratamento:
• Exploração cirúrgica é a terapia curativa
• Biópsia
Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Cisto Sapp et al., 2004

periodontal
lateral
Cisto periodontal lateral

* Raro cisto odontogênico de desenvolvimento

* Origem:
• Restos da lâmina dentária
• Restos do epitélio reduzido do esmalte ao longo da
superfície lateral da raiz

* Região periodontal lateral – exclusão de lesão de origem


inflamatória e ceratocisto odontogênico

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto periodontal lateral

Características clínicas:
* Mais de 30 anos
* Sexo masculino
* Mandíbula, região de C e PM (65%)
* Maxila - IL
* Assintomático
Vitalidade pulpar

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto periodontal lateral

Características radiográficas:
* Radiotransparência bem circunscrita lateralmente
às raízes, circundada por halo de esclerose óssea
* Maioria < 1 cm

Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Cisto periodontal lateral

Características radiográficas:
* Afastamento ou não das raízes
* Reabsorção radicular é rara
* Ocasionalmente multilocular – cisto odontogênico
botrióide

Tratamento:
* Enucleação e curetagem
* Recorrência incomum

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto Waldron, 1998

odontogênico
calcificante
Cisto odontogênico calcificante

* Gorlin et al., 1962


* Incomum (1%)
* Comportamento clínico variável
• Cisto Tumor (não-cística, agressiva e destrutiva)
* OMS: lesão cística não-neoplásica
• Classificação – tumor benigno
Características clínicas:
* Lesão intra-óssea
• Lesão periférica (13 a 21%)
* 2ª e 3ª décadas
* Mandíbula e maxila, I e C (65%)

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto odontogênico calcificante

Características radiográficas:

* Radiotransparência unilocular
bem definida (ocasionalmente
multilocular)
* Estruturas radiopacas na lesão
(50%)
• Calcificações irregulares ou
radiopacidades semelhantes
a dentes
Waldron, 1998

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cisto odontogênico calcificante

Características radiográficas:
* Tábuas corticais finas e expandidas, muitas são perfuradas
* Associação a dente incluso, C (1/3)
* Afastamento e reabsorção radicular freqüentes

scw.asahi-u.ac.jp www.dental.mu.edu

Tratamento:
• Enucleação
• Pouca recorrência

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Sapp et al., 2004

Ceratocisto
odontogênico
Ceratocisto odontogênico

* Cisto odontogênico de desenvolvimento (10 a 12%)


* Origem: remanescentes celulares da lâmina dentária
* Agressividade local – alto índice de recidiva (30 a 40%)

Características clínicas:
* 10 a 40 anos
* Sexo masculino (5:1)
* Mandíbula (60 a 80%), região posterior e ramo
ascendente (90%)
* Assintomático
Crescimento no sentido ântero-posterior, sem
expansão óssea
Waldron, 1998; Israel et al., 2004; Moreira et al., 2004
Ceratocisto odontogênico

Características clínicas:

* Lesões grandes: dor, tumefação e drenagem


• Deslocamentos dentários
• Parestesia

Punção: líquido espesso, grumoso, de coloração branca

* Múltiplos ceratocistos (7%)  Síndrome de Gorlin

Waldron, 1998; Israel et al., 2004; Moreira et al., 2004


Ceratocisto odontogênico

Características radiográficas:
* Radiotransparência unilocular, esférica ou ovóide, bem
delimitada por halo radiopaco, margens bem definidas
* Lesões grandes - multinucleadas

Sapp et al., 2004 scw.asahi-u.ac.jp

Waldron, 1998; Israel et al., 2004; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004
Ceratocisto odontogênico

Características radiográficas:
* Associação a dente incluso (25 a 40%)
* Reabsorção radicular incomum

Waldron, 1998 Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Israel et al., 2004; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004
Ceratocisto odontogênico

Tratamento:

* Enucleação e curetagem – completa remoção é difícil


(natureza friável e espessura fina da cápsula)
* Informar ao paciente sobre o comportamento
recidivante
• Necessidade de controle periódico (5 – 10 anos)

Waldron, 1998; Israel et al., 2004; Moreira et al., 2004


Introdução
• SCNB ou Síndrome de Gorlin-Goltz: condição hereditária de
expressividade variada
– múltiplos carcinomas basocelulares da pele, desceratose
palmo-plantar, pigmentações cutâneas ou nevos, alterações renais,
anomalias do esqueleto (costelas e vértebras) e calcificações
intracranianas
- alterações no complexo maxilo-facial: múltiplos
ceratocistos odontogênicos (COs), hipertelorismo, bossa frontal e
moderado prognatismo mandibular
Amorim et al. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.2, p.55-59, abr/jun 2003

Introdução

• Múltiplos Cos – indício mais precoce da síndrome, principalmente


em pacientes mais jovens (1ª a 2ª décadas)
• Cirurgião-dentista – papel de destaque no reconhecimento inicial,
facilitando o diagnóstico preciso e correta conduta terapêutica
• CO – cisto de desenvolvimento de origem odontogênica
caracterizado pela tendência de atingir grandes proporções antes
de tornar-se clinicamente menifesto e por grande propensão à
recorrência
• Objetivo: relato de caso clínico de SCNB diagnosticado diante
das alterações faciais e orais presentes.
Amorim et al. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.2, p.55-59, abr/jun 2003

Relato do caso
• Paciente RST, 17 anos, sexo feminino, feoderma
• Queixa principal: “mal hálito causado pela presença de pus na boca”
• Anamnese: drenagem constante de secreção purulenta na cavidade
oral, o que interferia em sua vida social
• Exame clínico extra-oral:
- Hipertelorismo
- Implantação baixa do pavilhão auricular
- Manchas pigmentadas na região auricular e infra-auricular
Amorim et al. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.2, p.55-59, abr/jun 2003

Relato do caso
• Exame clínico intra-oral:
- Lesões nos 4 quadrantes, região posterior
- Expansão nas corticais ósseas
- Exudato purulento à palpação
- Áreas eritematosas na mucosa de revestimento
Amorim et al. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.2, p.55-59, abr/jun 2003

Relato do caso
• Radiografia panorâmica: lesões uniloculares nos 4 quadrantes nas
regiões posteriores dos ossos maxilares, associadas a molares
impactados
Amorim et al. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.2, p.55-59, abr/jun 2003

Relato do caso
• Biópsia incisional de duas lesões.
• Trans-cirúrgico: exudato de natureza
purulenta
• Análise histopatológica: CO
• Achados clínicos + histológico  Diagnóstico
de SCNB
• Rx de crânio (ântero-posterior e lateral) –
ausência de calcificações intracranianas
• Rx de tórax – ausência de costelas bífidas
• Cirurgia para remoção das quatro lesões
– curetagem e ostectomia periférica
- aplicação de rifocina nas cavidades
• Exame histopatológico para confirmação do diagnóstico
• Encaminhamento para outras especialidades para investigação de
outras possíveis alterações associadas à síndrome
Amorim et al. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.2, p.55-59, abr/jun 2003

Discussão

• Uma das carcterísticas mais marcantes da SCNB são múltiplos


carcinomas basocelulares, região de cabeça e pescoço – não
apresentada no caso (paciente jovem, desenvolvimento futuro)
• Ausência de anomalia nas costelas – expressividade variada da
síndrome
• Fibromas ovarianos não estavam presentes - acompanhamento
• Caso relatado:
- Focos infecciosos intra-orais + radiotransparências
uniloculares na região posterior dos maxilares associadas a dentes
inclusos  possibilidade de cisto odontogênico associado a síndrome
- Hipertelorismo + pigmentações cutâneas na região auricular
e pré-auricular + lesões orais  hipótese de SCNB
- Diagnóstico precoce de SCNB
• Importância fundamental do CD no reconhecimento das lesões orais
da SCNB para o diagnóstico precoce e conduta terapêutica adequada
Displasia
Sapp et al., 2004

cemento-óssea
periapical
Displasia cemento-óssea periapical

* Etiologia desconhecida
• Não é lesão de desenvolvimento nem neoplásica –
representa alguma forma de processo reativo ou
displásico

Características clínicas:
• 30 – 50 anos
• Sexo feminino (14:1), raça negra
• Região periapical inferior anterior
• Lesões múltiplas (71%)
• Assintomática
Vitalidade pulpar

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Displasia cemento-óssea periapical

Características radiográficas:
* Fase inicial * * Fase final *
• Radiotransparência circunscrita • Imagens radiopacas circundadas
na área apical das raízes por um halo radiotransparente

Waldron, 1998 Waldron, 1998

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Displasia cemento-óssea periapical

Características radiográficas:
* Multiplicidade de lesões em fases diferentes
* Autolimitante, não expande as corticais
Integridade da lâmina dura

Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004

Tratamento:
• Não é necessário

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Sapp et al., 2004

Displasia
cemento-óssea
florida
Displasia cemento-
óssea florida
* Alteração displásica do osso
* Variação do mesmo processo patológico da displasia cemento-
óssea periapical
Características clínicas:
* 40 anos
* Sexo feminino, raça negra (95%)
* Assintomática
• Dor fraca, fístula na mucosa alveolar
* Exposição de massas cementárias ao meio bucal  Infecção
•  volume
• Drenagem de secreção purulenta na mucosa bucal
• Calor na superfície cutânea
• Semelhante a abscesso dentoalveolar e osteomielite
Vitalidade pulpar

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Displasia cemento-
óssea florida

Características radiográficas:
* Múltiplas áreas radiopacas de tamanho e forma variados,
umas próximas às outras, circundadas e entremeadas por
áreas radiotransparentes irregulares e distribuídas nos
quatro quadrantes

Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Displasia cemento-
óssea florida

Tratamento:

* Pode ser difícil e insatisfatório


* Pacientes assintomáticos
• Exames regulares
• Profilaxia e reforço nas técnicas de higienização
* Pacientes sintomáticos
• Antibióticos
• Cauterização do osso e cemento necrosados

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Sapp et al., 2004

Granuloma
central de
células gigantes
Granuloma central de
células gigantes

* Lesão intra-óssea (OMS)

* Etiologia: incerta
• Trauma com hemorragia intramedular
• Distúrbios hormonais

Características clínicas:
*  30 anos (75%)
* Sexo feminino (2:1)
* Mandíbula (70%), porção anterior
1. Lesões não-agressivas
2. Lesões agressivas

Waldron, 1998; Franco et al., 2003; Moreira et al., 2004


Granuloma central de
células gigantes

Características clínicas:
1. Lesões não-agressivas (maioria dos casos)
* Assintomáticas
* Crescimento lento
* Expansão das tábuas ósseas corticais sem perfuração

2. Lesões agressivas
* Crescimento rápido
* Tumefação facial, dor
* Perfuração da cortical – úlcera na mucosa
* Deslocamentos dentários (50%)
* Tendência à recorrência

Waldron, 1998; Franco et al., 2003; Moreira et al., 2004


Granuloma central de
células gigantes

Características clínicas:

Franco et al., 2003

Franco et al., 2003

Punção – negativa
Vitalidade pulpar Franco et al., 2003

Waldron, 1998; Franco et al., 2003; Moreira et al., 2004


Granuloma central de
células gigantes

Características radiográficas:
* Radiotransparência uni ou multilocular bem delineada,
margens descorticadas
* 5 mm x 5 mm  10 cm
* Reabsorção radicular comum (50%) - agressivas
Sapp et al., 2004

Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Franco et al., 2003; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004
Granuloma central de
células gigantes

Tratamento:

• Remoção cirúrgica e curetagem


• Lesões agressivas – recidiva (15 a 20%)

Waldron, 1998; Franco et al., 2003; Moreira et al., 2004


patoral.umayor.cl

Ameloblastoma
Ameloblastoma

* Tumor odontogênico clinicamente mais agressivo


* Origem: epitélio odontogênico
• Remanescentes celulares do órgão do esmalte
• Revestimento epitelial de cisto odontogênico
• Células da camada basal da mucosa oral
* Localmente invasivo
* Curso benigno

• Intra-ósseo multicístico (86%)


AMELOBLASTOMA • Intra-ósseo unicístico (13%)
• Periférico (1%)

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Ameloblastoma

Características clínicas:

* 3ª e 7ª décadas - Multicístico
* 2ª década (50%) - Unicístico
* Não há predileção por sexo ou raça
* Mandíbula (85%), molares e ramo ascendente
* Assintomático
* Crescimento lento

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Duque, 2005


Ameloblastoma

Características clínicas:
* Lesões grandes
• Crescimento rápido
• Tumefação dolorosa com expansão óssea
• Deslocamentos dentários
• Sinais flogísticos
Duque, 2005

www.mercyships.org

Waldron, 1998; Queiroz et al., 2002; Moreira et al., 2004; Duque, 2005
Ameloblastoma

Características radiográficas:
* Radiotransparência bem definida
• Multilocular • Unilocular

“Bolhas de sabão”
“Favo de mel”

patoral.umayor.cl Queiroz et al., 2002

Multicístico Unicístico

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Ameloblastoma

Características radiográficas:
* Expansão da cortical óssea
* Deslocamento dentário
* Reabsorção das raízes adjacentes
* Associação a dente incluso em muitos casos
Gaião et al., 2004

Sapp et al, 2004

Waldron, 1998; Gaião et al., 2004; Moreira et al., 2004; Sapp et al, 2004
Ameloblastoma

Tratamento:
* Enucleação e curetagem  ressecção em bloco
• Ameloblastoma multicístico infiltra-se entre as trabéculas do
osso esponjoso na periferia da lesão  recidiva  ressecção 1
cm além dos limites radiográficos

Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Introdução
• Tumor odontogênico que se destaca pelo seu curso localmente
agressivo a despeito de sua natureza benigna
• Padrões clínico-radiográficos variados (multicístico, unicístico e
periférico)  controvérsia acerca da abordagem terapêutica
• Localização na região periapical pode gerar dificuldade
diagnóstica com conseqüentes implicações terapêuticas e
prognósticas
Amorim & Freitas. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.3, p.36-39, jul/set 2003

Relato do caso
• Paciente GSM, sexo masculino, 54 anos
• Exames de rotina
• Exame radiográfico: radiotransparência na região anterior da
mandíbula
• Anamnese: tratamento endodôntico no elemento 44 há 1 ano
• Exame clínico intra-oral: normalidade da mucosa oral
• Rx panorâmica: imagem radiolúcida, unilocular, circunscrita e bem
delimitada envolvendo ápice radicular do 44 (tratamento endodôntico,
reabsorção radicular externa)
Amorim & Freitas. Revista Brasileira de Patologia Oral, v.2, n.3, p.36-39, jul/set 2003

Relato do caso
• Suspeita clínica: cisto radicular
• Remoção cirúrgica e exame histopatológico
• Diagnóstico: ameloblastoma
• Proservação por 3 anos sem recidiva

Discussão
• Ameloblastomas unicísticos: lesões radiolúcidas uniloculares bem
delimitadas que quando presentes na região periapical podem
assemelhar-se a patologias de origem endodôntica
• Lesões radiolúcidas na região periapical são rotineiramente
evidenciadas na prática odontológica e muitas vezes não são
valorizadas
• Ameloblastoma e outras patologias podem mimetizar simples lesões
periapicais
• É necessário maior importância na conduta de lesões localizadas na
região periapical e realização de exame histopatológico de todas
lesões provenientes dessa região
Waldron, 1998

Mixoma
odontogênico
Mixoma odontogênico

* Tumor benigno
* Origem: ectomesêquima odontogênico

Características clínicas:
* 25 a 30 anos
* Não há predileção por sexo
* Mandíbula
* Lesões menores  assintomáticas
* Lesões maiores:
• Expansão óssea indolor
• Crescimento rápido
• Deslocamentos dentários
Serna, 2005
Vitalidade pulpar
Waldron, 1998; Serna, 2005
Mixoma odontogênico

Características radiográficas:
* Radiotransparência multilocular ou unilocular
* Margens irregulares ou festonadas
* Finas trabéculas ósseas arranjadas em ângulo reto
“degraus de escada”, “raquete de tênis”

scw.asahi-u.ac.jp Waldron, 1998

Waldron, 1998
Mixoma odontogênico

Tratamento:

* Lesões pequenas  curetagem


* Lesões maiores  ressecção
• Tende a infiltrar no osso adjacente
• Pode ser necessária ressecção mais extensa

Moreno et al., 2004 Moreno et al., 2004

* Recidiva (25%)

Waldron, 1998; Moreno et al., 2004


Fibroma
Sapp et al., 2004

cemento-
ossificante
Fibroma cemento-ossificante

Tecido fibroso
* Neoplasma odontogênico Osso
Tecido calcificado
Cemento

Características clínicas:
* 3ª e 4ª décadas
* Sexo feminino (5:1)
* Mandíbula (90%), PM e M
* Lesões pequenas – assintomáticas
* Dor e parestesia são raras
* Deslocamento dentário pode ocorrer (não é comum)

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Fibroma cemento-ossificante

Características clínicas:
* Lesões grandes: tumefação, assimetria facial sem
sintomatologia dolorosa
Sapp et al., 2004 Sapp et al., 2004

Punção – negativa
Vitalidade pulpar

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Fibroma cemento-ossificante

Características radiográficas:
* Fase inicial * * Fase final *
• Radiotransparência unilocular • Radiopacidade
abaixo das raízes • Contornos irregulares
• Limites bem definidos • Circundada por fino halo
• Circundada ou não por halo radiotransparente
radiopaco
Sapp et al., 2004

Sapp et al., 2004

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


Fibroma cemento-ossificante

Tratamento:

* Enucleação e curetagem
* Recidiva é incomum

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al., 2004


scw.asahi-u.ac.jp

Cementoblastoma
benigno
Cementoblastoma benigno

* Norberg, 1930
* Tumor odontogênico benigno

Características clínicas:
*  25 anos
* Sexo masculino
* Mandíbula, molares
* Crescimento lento
* Tumefação localizada
* Dor pode ou não estar associada

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cementoblastoma benigno

Características radiográficas:
* Massa radiopaca circundada por halo radiotransparente
de largura uniforme, associada à raiz
* 1º M inf permanente
* Contorno radicular obscurecido
scw.asahi-u.ac.jp

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Cementoblastoma benigno

Tratamento:

* Extração do dente juntamente com a massa calcificada


* Odontosecção
• Tratamento endodôntico
• Amputação da raiz
* Sem recidiva

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Sapp et al, 2005

Osteomas
Osteomas

* Tumor benigno (osso maduro compacto ou medular)


* Esqueleto craniofacial

Características clínicas:
* Adultos jovens
* Osteoma endósteo – espaço medular
• Assintomático
Sapp et al, 2005
* Osteoma periósteo – massa
polipóide séssil na superfície
da mandíbula ou maxila
• Crescimento lento
• Lesões grandes  Deformação
facial

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al, 2005


Osteomas

Características radiográficas:
* Massas escleróticas circunscritas
Osteoma periósteo - padrão esclerótico uniforme ou
periferia esclerótica com padrão trabecular central
Osteoma endósteo - semelhante a focos escleróticos de
processos inflamatórios ou escleroses idiopáticas

Sapp et al, 2005

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004; Sapp et al, 2005; Silveira et al., 2005
Osteomas

Tratamento:

* Quando não há  volume  não necessita tratamento


* Quando há  volume:
• Remoção cirúrgica total
• Aplainamento da área óssea alterada

Waldron, 1998; Moreira et al., 2004


Referências bibliográficas

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http://www.usc.edu/hsc/dental/PTHL312abc/312b/index.html
”Uma mudança importante no
paradigma da Odontologia é
considerar que o cuidado com a boca
deve envolver muito mais do que
apenas salvar dentes e sorrisos.”

Offenbacher, Beck, 2000