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turismo ›› santa catarina por Milu Leite / fotos Felipe Obrer 3 ilha se contrapõe
turismo ›› santa catarina
por Milu Leite / fotos Felipe Obrer
3
ilha se contrapõe aos relatos de
um tal Zé Perry que esteve no
Campecheumasdezvezesegos-
tava de comer peixe e conversar
com um pescador em especial,
o seu Deca (Manoel Rafael Iná-
cio), à época um curioso rapazola
de 20 anos, que gostava de tocar
sanfona e papear.
E é aí que começa toda a ce-
leuma que, ao menos em Floria-
nópolis, vem pincelar com tons
sombrios a aquarela de cores
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vibrantes pintada este ano para
as relações entre os governos
francês e brasileiro. Embora se-
ja indiscutível a assimilação de
Saint-Ex pela cultura local, há
a floripa de zé perry
Uma viagem pela Florianópolis
qUe encantoU o escritor Francês
antoine de saint-exUpéry, Um
visitante até hoje polêmico
Poressarazão,estásendolem-
a ntoinedeSaint-Exupéry
é um dos grandes ho-
menageados do Ano da
Ommy nulland
iamcon vel iniam
verit dit lor sit
alit eugueri ureet,
vullam zzrilit
pratie dolorem
quate dolor suscilit
França no Brasil. Entre os even-
tos programados, há exposições,
espetáculos e lançamentos de li-
vros acerca da obra e do autor de
“O Pequeno Príncipe”.
Saint-Ex, como era chamado
pelos amigos, foi não só um escri-
tor afamado como também um
dos jovens pilotos que se aventu-
raram pelos ares nos primórdios
da aviação, na década de 1920.
brado numa grande mostra que
percorre desde março algumas
capitais,comfotosedocumentos
sobre a companhia de correios
Aéropostale em cidades como
Rio, Natal e Florianópolis.
Na capital catarinense, en-
tretanto, algo ocorreu naqueles
tempos que torna Saint-Exu-
péry ligado à cidade, apesar das
controvérsiasarespeitodassuas
passagens pela ilha.
Por um acordo entre a neces-
sidade e a conveniência, Floripa
acabou entrando para o hall das
poucas cidades brasileiras a re-
ceber os aviões da Aéropostale
entre 1927 e 1931. E, por exten-
são, uma parte de seus morado-
res conviveu com os estrangei-
ros que transportavam cartas e
encomendas de outros países.
No caso, franceses que pousa-
vam na ilha para abastecer e rea-
lizar pequenos reparos nas aero-
naves sempre que faziam a rota
Rio de Janeiro-Buenos Aires.
Saint-Exupéry não estava
oficialmente nesse grupo, mas
como diretor de exploração da
companhia Aeroposta Argen-
tina (cargo que assumiu em
1929, com 29 anos) teria dado
seuspulinhosaFlorianópolispa-
ra visitar os amigos e inspecionar
a linha aérea ao longo de 1930.
Provavelmente o fizesse sem
alarde, já que o único registro
comprovado de sua estada na

24 [ REVISTA DA FOLHA ] 9 DE AgOSTO DE 2009

turismo RS
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RS

PR

SC

Florianópolis

QUEM LEVA

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davidadeGetúlioManoelInácio, um dos 14 filhos de seu Deca. Ao ingressar na Aeronáutica, o her- deiro ouviu da boca do pai histó- rias como essa: “Papai dizia que ele [Exupéry] gostava de comer peixeebiju.Obiju,esperavaficar pronto do lado do fogão”. De acordo com Getúlio, Exu- péry avisava pelo rádio que esta- va prestes a pousar a fim de que seu Deca fosse preparando um peixe fresco. Então, o comeriam juntos e, algumas vezes, passea- riam em seguida. As opções eram simples, típi- cas da vida de uma pequena vila de pescadores: caçar, papear de- fronte o mar, conhecer alguns lugares bonitos –lagoa Pequena, lagoa do Peri, o morro do Lam- pião (campo de pouso usado pelos franceses e sinalizado com lampiões à noite). “No começo

eles se comunicavam por mími- ca”, afirma Getúlio. Formado em Pedagogia, subo- ficial aposentado da Aeronáuti- ca, o pescador e músico Getúlio publicou em 2001 “Deca e Zé Perry”, um pequeno livro em que fala do pai, do Campeche e da

relação do pescador com o escri- tor. “Se esse Mosimann tivesse conhecido papai, saberia que ele

nunca ia inventar uma mentira”, afirma Getúlio. Mônica Cristina Corrêa, pós- doutoranda em Literatura Com- parada pela USP e estudiosa do assunto, faz coro à indignação

de Getúlio. “A desconfiança é preconceituosa. Ele só acha que é invenção porque a história é contada por um pescador.”

A atuação de Mônica trouxe

novos elementos ao debate. O úl-

timodeleséumacarta-lembran-

ça escrita por um dos melhores amigos de Saint-Ex, Léon-Paul Fargue, depois da sua morte em

1944,emquesãomencionadasas

vindasaFlorianópolis.“Quantas noites também passei a esperá- lo, nervoso e tenso, não que ele estivesse sempre atrasado, mas porque eu sabia que estava em Florianópolis ou na Ciranaica, e que o rádio nada dizia sobre o re- gime de seu motor”, diz a carta.

Resposta dos sobrinhos Mônicaacabouporaproximarda história os descendentes de Exu- péry,entreelesFrançoiseOlivier

d’Agay, respectivamente sobri- nho e sobrinho neto do escritor. No final de março, informados sobre o teor sarcástico de um ar- tigo publicado por Moisemann no “Diário Catarinense”, ironi- zando a participação de ambos os franceses num evento come- morativo na ilha em outubro do ano passado, eles responderam à altura. “A liberdade de pensa- mento existe, é uma liberdade fundamental, com o respeito ao pensamento dos outros.”

A elucidação da passagem de

Exupéry por Florianópolis é ta-

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refa longa e apaixonante. Exige leitura, entrevistas e, como um bomromancedetetivesco,busca deevidências.Todoessetrabalho se dá à margem do cotidiano dos moradores do bairro do Campe- che, que há muito incorporaram Saint-Ex e “O Pequeno Príncipe” à paisagem urbana. O turista de primeira de via- gem que desconfiar do nome de uma pousada (Zé Perry) será logo avisado de que se trata do apelido dado a Saint-Exupéry por seu amigo pescador e de que pode visitar ali mesmo uma

mostra com painéis sobre a vida do escritor. As placas de rua, de cafés e até de um salão de beleza que home- nageiam “O Pequeno Príncipe” deixam claro que o escritor é es- timado por essas bandas. Numa delas, inclusive, o prín- cipe de cabelos loiros trocou a ca- pa azul por um avental vermelho e ganhou um ornamento inusi- tado: uma bandeja nas mãos, de modo a esclarecer que se está diante de um restaurante. O tu- rista pode então parar e comer. Nem precisa saber do resto.

Ommy nulland iamcon vel iniam verit dit lor sit alit eugueri ureet, vullam zzrilit pratie dolorem quate dolor suscilit

ureet, vullam zzrilit pratie dolorem quate dolor suscilit uma pequena corrente de defen- sores da ideia

uma pequena corrente de defen-

sores da ideia de que o escritor não esteve na ilha como creem muitos moradores.

À frente dessa corrente está

o engenheiro aposentado João Carlos Mosimann, estudioso do tema há mais de 20 anos. “Não há nenhum documento que prove que Saint-Exupéry tenha esta- do aqui tantas vezes. No dia que

houver, acredito nessa história.”

A busca por respostas que po-

nham por terra essa dúvida ocu- pa há 16 anos um espaço precioso

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