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Elaboração do Resumo: Tecgª Renata Pinto, 2011. Estágio Docência do Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo UFPB

Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo – UFPB RESUMO Aula nº Disciplina: Química e

RESUMO Aula nº

Disciplina: Química e Fertilidade do Solo Professor: Dr. Cícero Antônio

SOLOS AFETADOS POR SAIS

(DIAS, N.S. et. al., 2003)

Todas as águas utilizadas na irrigação contêm sais, embora em quantidades variáveis, que se acumulam no solo afetando o

crescimento e o desenvolvimento das plantas, dependendo das condições edafoclimáticas da região e das técnicas de manejo das áreas.

Dentre os problemas causados pelo acúmulo de sais no solo, a diminuição da disponibilidade de água para as plantas e o

encharcamento do solo, são os que mais se destacam. Ainda que não se disponha de dados exatos sobre a extensão desses problemas

no mundo, estimativas da FAO, segundo Szabolcs (1985) mostram que aproximadamente metade da área irrigada apresenta problemas

sérios de salinidade.

Os efeitos negativos da salinidade poderão ser observados no “stand”, no crescimento e rendimento das plantas e, em casos

extremos, na perda total da cultura. Devido a esses problemas, cerca de 10 milhões de hectares são abandonados a cada ano (Szabolcs,

1985). Portanto, o estudo de prevenção, o manejo e recuperação dos solos afetados por sais são indispensáveis para o sucesso e

sustentação da agricultura irrigada. Para melhor compreensão do problema, apresentam-se, também, informações sucintas referentes à

origem, extensão e efeitos da salinidade.

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ORIGEM DA SALINIDADE

A origem dos problemas de salinidade se confunde com a própria formação do solo, que é um produto da intemperização das rochas, envolvendo processos físicos, químicos e biológicos, mediante a ação de fatores como clima, relevo, organismos vivos e o tempo. Durante a intemperização, os diversos constituintes das rochas são liberados na forma de compostos simples. Observa-se, na Tabela 1, que o oxigênio, o silício e o alumínio, constituem mais de 80 % dos elementos existentes na crosta terrestre. O silício pode ser substituído de forma isomorfa por alumínio e este por magnésio, dando origem às livres cargas elétricas negativas das partículas de argila. Ainda em relação à Tabela 1, embora o sódio, cálcio, magnésio, potássio, cloro, enxofre e o carbono estejam presentes em proporções relativamente menores, poderão ser acumulados no solo em grandes quantidades, em virtude desses elementos estarem retidos pela rocha com menores coeficientes de energia (Tabela 2) e, conseqüentemente, apresentarem alta solubilidade e mobilidade em relação ao silício, alumínio e ferro (FAO/UNESCO, 1973). Portanto, o acúmulo de elementos no solo não depende somente do seu teor na rocha mas, também, do coeficiente de energia com que é retido, da sua mobilidade e solubilidade. Deste modo, os sais solúveis acumulados no solo são constituídos principalmente dos íons cloreto, cálcio, magnésio, sódio, sulfato e bicarbonato e, às vezes, de potássio, carbonato e nitrato (Whitemore, 1975). Os sais liberados durante o processo de intemperização das rochas, dependendo da geomorfologia da região, podem ser carreados para horizontes inferiores mediante percolação ou levados a lugares distantes por escoamento superficial, conforme as condições de relevo, fluxo de água etc; no primeiro caso, os sais são depositados nas águas sub-superficiais podendo, por capilaridade, acumular-se na superfície do solo a medida em que a água for evaporada ou consumida pela planta, e o segundo fenômeno é responsável pela deposição e acumulação de sais em rios, mares, açudes e lagoas. Em regiões úmidas e por se tratar de zonas com

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precipitações elevadas, os sais são lixiviados até os lençóis freáticos ou eliminados através das águas superficiais, com maior freqüência. Enquanto, em regiões de clima árido e semi-árido, por apresentarem déficit hídrico na maior parte do ano e, na maioria das vezes, os solos serem rasos ou apresentarem camadas impermeáveis, a água, que contém sais, fica sujeita aos processos de evaporação ou evapotranspiração, podendo atingir, com o tempo, níveis comprometedores para o crescimento e desenvolvimento das plantas (Pizarro, 1978; Richards, 1970).

Tabela 1 Porcentagem dos elementos mais comuns na crosta terrestre (FAO/UNESCO, 1973)

Elementos

Porcentagem (%)

Oxigênio Silício Alumínio Ferro Cálcio Magnésio Potássio Hidrogênio Titânio Carbono Cloro Fósforo Enxofre Manganês Outros (cerca de 70 elementos)

49,13

26,00

7,47

4,20

3,25

2,40

2,35

2,35

1,00

0,61

0,35

0,20

0,12

0,10

0,39

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Tabela 2 Seqüência de liberação dos íons baseada em seus coeficientes de energia (Ce) durante o processo de intemperização (FAO/UNESCO, 1973)

Seqüência de liberação

I

II

III

IV

ÍON

Ce

ÍON

Ce

ÍON

Ce

ÍON

Ce

Cl - e Br - NO 3 -

0,23

Na -

0,45

SiO 3 2- Al 3+

2,75

Fe 2+

5,15

0,18

K +

0,36

4,25

SO 4 2- CO 3 2-

0,66

Ca 2+

1,75

0,78

Mg 2+

2,10

Processo de salinização e sodificação

As cargas negativas das partículas coloidais de argila, originadas pela substituição isomórfica e arestas expostas dos cristais, são neutralizadas pela adsorção de outros cátions presentes na solução do solo. Assim, a composição dos sais solúveis na solução afeta a proporção de cátions adsorvidos ou trocáveis na micela. Em solos de regiões úmidas, devido à eliminação das bases (sais de Ca, Mg, Na e K) liberadas durante a intemperização das rochas, o hidrogênio e o alumínio predominam no complexo. Por outro lado, em solos de regiões áridas ou semi-áridas, quando se tem boa drenagem predominam, no complexo, os cátions de cálcio e magnésio mas, quando se tem solos com drenagem inadequada ou o lençol freático se encontra próximo à superfície, esses cátions, durante o processo de concentração dos sais pela evaporação ou evapotranspiração, são precipitados na forma de carbonato de cálcio e magnésio ou de sulfato de cálcio, visto serem os compostos de menor solubilidade entre os acumulados aumentando, deste modo, a proporção relativa de sódio solúvel na solução do solo. Quando o sódio solúvel atinge concentração relativa superior a 50 % na solução, o mesmo passa a ser adsorvido pela micela em proporções suficientes para promover a dispersão reduzindo, assim, a permeabilidade do solo. Enquanto o fenômeno de acumulação de sais solúveis no solo é denominado salinização, ao aumento gradual de sódio trocável se denomina

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sodificação; trata-se de um processo posterior à salinização, porém pode ocorrer simultaneamente quando se tem, na solução do solo, sais exclusivos ou predominantemente de sódio (difícil de ocorrer, pois a rocha em geral contém um conjunto de compostos químicos).

Principais fontes de sais que provocam a salinização

Embora a fonte principal e direta de todos os sais presentes no solo seja a intemperização das rochas (Richards, 1954) são raros os exemplos em que esta fonte de sais tenha provocado diretamente problemas relacionados com a salinidade do solo. A salinização do solo por este fenômeno é denominada salinização primária. Os problemas de salinidade têm sido associados à água utilizada na irrigação, à drenagem deficiente e à presença de águas sub-superficiais, ricas em sais solúveis, a pouca profundidade; nos casos em que a salinização resultante devida à ação antrópica a mesma é conhecida como salinização secundária. Além disso, a salinização pode ser causada pela ação dos ventos, das chuvas e das inundações marítimas.

Água utilizada na irrigação Toda e qualquer água utilizada na irrigação contém sais, embora sua qualidade possa variar de acordo com o tipo e a quantidade de sais presentes. Por exemplo, enquanto a água do Rio São Francisco tem concentração salina equivalente a 64 mg L -1 , uma água proveniente de um poço localizado na região do Cariri ou no Sertão da Paraíba, poderá conter teores de sais acima de 3200 mg L -1 ; uma água de chuva, dependendo do local e da época do ano, poderá ter sua concentração salina entre 30 e 60 mg L -1 . Os sais presentes na água são incorporados ao solo, em função de sua concentração ou condutividade elétrica. Observa-se que, quando se aplica uma lâmina de 100 mm, com teor de sais relativamente baixo, em torno de 320 mg L -1 , são incorporados ao solo 320

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kg ha -1 de sais, sendo que a cada evento de irrigação ou lâmina adicional irá aumentar gradativamente a quantidade desses sais no solo, caso não sejam lixiviados, precipitados e retirados pelas plantas 1 . Nem todos os sais incorporados pelas águas ficam no solo, mesmo em regiões áridas ou semi-áridas, pois uma parte pode ser eliminada por percolação, por meio de sucessivas lâminas de irrigação ou chuvas ou, ainda, tornar-se insolúvel mediante a precipitação, quer por reações químicas ou por atingir limites de solubilidade na solução do solo. Além disso, outra parte, embora em quantidade pequena, é absorvida pelas plantas para atender às suas necessidades; contudo, o acúmulo de sais no solo em determinado local, pode atingir um equilíbrio (Figura 1). Para que a agricultura irrigada seja sustentável, o nível de concentração de sais no solo, nas condições de equilíbrio, deverá ser inferior ao limite de tolerância das culturas à salinidade.

Água do lençol freático Freqüentemente, os problemas de salinidade na agricultura têm ocorrido devido à elevação do nível do lençol freático. Neste caso, a água, em razão do movimento ascendente por capilaridade, atinge a zona radicular e, a medida em que ela é evaporada ou evapotranspirada, os sais ficam acumulados na superfície. Nas regiões áridas e nos trópicos úmidos, a profundidade crítica do lençol sujeita a ascensão capilar, varia entre 2,0 a 2,5 m, dependendo da textura do solo, do clima, da concentração de sais e do manejo da irrigação. Salienta-se que em solos siltoso a água pode atingir a superfície do solo de uma profundidade de 6 m mediante esse fenômeno. A Figura 2 mostra um perfil de salinidade provocado por nível freático elevado. Esta forma de salinização é um processo rápido em áreas irrigadas em clima quente, principalmente quando o solo permanece em repouso por longos períodos. A Figura 3 indica a relação entre o fluxo capilar e a profundidade do nível freático para solos de diferentes texturas.

1 1 mg L -1 = 1 ppm. Uma lâmina de 100 mm equivale a 1000.000 L ha -1 . Para uma concentração de sais de 320 mg L -1 , a quantidade de sais incorporados ao solo será: (320 mg L -1 ) x (1000.000 L ha -1 ) = 320 kg ha -1

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Inundações pelas águas do mar Os mares e oceanos se constituem em depósitos naturais de sais, que são carreados pelas águas escoadas da superfície terrestre até os pontos mais baixos do relevo, acumulando-se progressivamente. A Tabela 4 apresenta a composição química média da água do mar. Por ser excessivamente salina (aproximadamente 30 g L -1 ou 3 %) é provável que ela tenha sido a fonte principal de sais em solos provenientes de depósitos marinhos que se assentaram em períodos antigos. As inundações periódicas pelas águas do mar, devido ao fenômeno de marés altas, constituem a principal fonte de sais em áreas de cota baixa; outra fonte de salinização pelas águas do mar são as pororocas, quando as águas do mar invadem os leitos dos rios, às vezes até 20 - 30 km de distância, transbordando suas margens. Quando as marés retrocedem, a água transbordada não acompanha a volta, ficando depositada em depressões, aumentando a concentração salina em áreas localizadas nas margens desses rios.

EXTENSÃO DO PROBLEMA DE SALINIDADE

Solos afetados por sais ocupam extensas áreas em várias partes do mundo (Figura 4). Observa-se que a maior extensão dessas áreas está localizada em regiões áridas e semi-áridas, tais como: Oeste dos Estados Unidos; Altiplanos do México; Sul do Peru e Chile; Nordeste do Brasil; Norte da África; Sudoeste da África; Ásia e Oriente Médio; no entanto, nas regiões úmidas há pequenas extensões, principalmente na Hungria, Romênia, Canadá e nos países mediterrâneos.

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Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo – UFPB Figura 4 Distribuição geográfica das áreas

Figura 4 Distribuição geográfica das áreas afetadas por sais no mundo (Szabolcs, 1985)

A por sua vez, apresenta a situação do avanço da salinidade no mundo, no final da década de setenta. Verifica-se que 954

milhões de hectares de terras no mundo são afetados por sais e que aproximadamente 4,5 milhões dessas terras estão localizados no Brasil, sendo que as regiões da Austrália, Ásia Central e América do Sul lideram em termos de área, com solos afetados por sais.

Considerando-se a área do globo terrestre como sendo de 14,63 bilhões de hectares (Shantz, 1956) estima-se que o problema de salinidade afeta aproximadamente 6,5 % da superfície. Estima-se, ainda, que cerca de 1000 000 de ha de terras são perdidos anualmente, em conseqüência da salinização secundária devido, sobretudo, às atividades antrópicas relacionadas à agricultura irrigada.

As áreas salinizadas vêm aumentando anualmente, em função tanto da influência climática quanto do manejo inadequado da

irrigação.

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No Brasil, estas áreas estão localizadas sobretudo no semi-árido nordestino, cujos solos apresentam reação alcalinas. A Tabela 6 mostra a extensão das áreas, com solos afetados por sais em vários estados do Nordeste. A diferença em extensão de salinidade, nesse estudo e no anterior (Kovda, 1977) talvez seja devido à escala de elaboração dos mapas, bem como à época de realização do estudo.

Um estudo de levantamento de solos afetados por sais, realizado pelo Departamento de Engenharia Agrícola da UFPB, utilizando as imagens do “Landsat” mostrou que na parte Noroeste do estado da Paraíba, abrangendo o Perímetro Irrigado de São Gonçalo, aproximadamente 18 % da área têm problemas de salinidade (Santos, 1986). Embora não se tenha levantamentos detalhados nos diversos perímetros irrigados do Nordeste, cerca de 25 a 30 % das áreas irrigadas apresentam problemas de salinidade (Goes, 1978). Uma avaliação no Perímetro Irrigado de São Gonçalo, PB, revela que 40 % da área são afetados por sais (Figura 5) (Cordeiro et al., 1988).com severas restrições ao desenvolvimento das plantas, já no Perímetro Irrigado de Sumé, PB, a avaliação indica que 26 % das áreas irrigadas são afetados por sais (Figura 6) (Gheyi, 1983).

Extensão das áreas, em km 2 , de solos afetados por sais em vários estados da região Nordeste (Pereira, 1983)

 

Estados

Solo

CE

RN

PB

PE

AL

SE

BA

Total

Planossolo Sódico Solonetez Solodizado Solonchack Solonético Holomófico Outros

12.708

3.690

944

5.165

3.370

2.098

30.516

58.491

8.436

4.064

2.769

2.654

393

1.013

5.161

24.490

450

837

-

-

-

-

-

1.287

18

-

-

-

-

-

-

18

1.645

-

-

-

-

-

-

1.645

Total

23.257

8.951

3.713

7.819

3.763

3.111

35.677

85.931

Porcentagem (%)

27

10

4,3

9,1

4,4

3,6

41,5

100

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Nos Perímetros Irrigados do Vale do São Francisco, embora não se disponha de dados de levantamentos de todo o vale, estudos realizados por Almeida (1994) revelam que 30 % das áreas da Ilha de Assunção, PE, estão afetados por sais; convém lembrar que, devido ao fato da salinização ser um processo dinâmico, os estudos de levantamento das áreas devem ser realizados freqüentemente.

Extensão das áreas afetadas por sais em Perímetros Irrigados do Nordeste (DNOCS, 1991)

Diretoria Regional (DR) (Unidade/Federação/Perímetro)

Superfície Agrícola

Superfície

Superfície Salinizada

 

Útil (ha)

Desativada (ha)

Extensão (ha)

Percentual

Total 1 a DR/PI Caldeirão Fidalgo Lagoas do Piauí Gurgéia 2 a DR/CE Morada Nova Quixabinha Iço/Lima Campos Curu-Paraipaba Curu (Recup.) Vázea do Boi Forquilha Ayres de Souza Jaguarema Ema REG. 3 a DIR. 3 a DR/PB Sumé Eng. Arco-Verde São Gonçalo 3 a DR/RN Cruzeta Itans-Sabuji

26377

3268

2054

7,8

3064

260

92

3,0

388

30

7,7

308

121

20

6,5

469

82

42

9,0

1899

57

-

-

10938

1773

564

5,2

3611

625

274

7,6

113

-

3

2,7

2712

397

122

4,5

2033

25

1068

134

66

6,2

326

20

30

9,2

218

58

20

9,2

615

469

32

5,2

200

45

15

7,5

42

-

2

5,0

8723

675

1059

12,0

2934

158

627

21,4

272

62

82

30,1

281

79

22

7,8

2381

17

523

22,0

1215

403

61

5,0

138

-

9

6,5

490

96

25

5,1

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Pau dos Ferros 3 a DR/PE Boa Vista Custódia Moxotó Cachoeira II 4 a DR/BA Vaza Barris Jucurici Brumado

587

307

27

4,6

4574

114

371

8,1

86

-

2

2,3

263

48

22

8,4

3939

47

328

8,3

239

19

19

7,9

3652

560

339

9,3

1052

542

309

29,4

130

18

30

23,1

2470

-

-

-

Identificação do solo afetado por sais

A identificação dos solos salinos e sódicos baseia-se em uma série de observações e estudos da área, incluindo características visuais de campo e diversas análises químicas feitas em laboratório.

Identificação visual

Solos salinos

Esses solos correspondem ao tipo descrito por Hilgard (1907) como solos “alcali branco” e “solonchaks”, pelos autores

russos.

Solos salinos podem ser identificados pela presença de crosta branca de sal precipitado em sua superfície, devido ao movimento ascendente da solução salina e à intensa evaporação do solo. O excesso de sais nesses solos torna-os floculados, não apresentando qualquer problema de permeabilidade verificando-se, no entanto, manchas desnudas.

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As manchas desnudas e as crostas de sais visíveis obviamente indicam acumulação de sais na superfície do solo, porém não evidenciam a salinidade na zona radicular, pois esta acumulação de sais afeta apenas a germinação e o desenvolvimento das plântulas e as manchas desnudas mostram nas áreas de produção, apenas que o excesso de sais ocorre na superfície do solo, não indicando excesso de sais na zona radicular, porém o vigor das plantas (altura, crescimento e desenvolvimento) próximo às manchas desnudas é um bom indicador do excesso de sais na zona radicular. As plantas em solos salinos apresentam crescimento desuniforme e folhas de coloração verde-azulado, relativamente grossas, cerosas e, dependendo da concentração de sais existente no solo, apresentam queimaduras marginais. As observações visuais das áreas não têm caráter conclusivo para identificar problemas de solos salinos. Por exemplo, solos com excesso de sais solúveis podem reduzir a produção em até 25% sem apresentar sintomas visuais. Por outro lado, as características visuais observadas nas plantas podem induzir a uma falsa identificação, uma vez que elas não são exclusivas de solos salinos, pois problemas de fertilidade e de caráter morfológico, desequilíbrio nutricional e déficit hídrico, também provocam sintomas semelhantes; já no solo, minerais de cálcio como, por exemplo, o gesso, contendo elementos essenciais (cálcio e enxofre) para o desenvolvimento das plantas, podem formar uma crosta que também é confundida com os sintomas visuais dos sais solúveis potencialmente nocivos.

Solos sódicos

Esses solos correspondem ao tipo descrito por Hilgard (1906) como solos “alcali negro” e “solonetz”, pelos autores russos. A condição estrutural e as alterações da superfície do solo podem ser usadas para identificar problemas causados pela sodicidade. Solos sódicos são fracamente agregados; adensados e compactos quando secos, e pegajosos e plásticos quando úmidos. Devido a esses fatos, os mesmos apresentam baixa permeabilidade, são pegajosos e difícil de serem trabalhados. A camada superficial apresenta textura grossa e quebradiça, com rachaduras de 1 a 2 cm de espessura e profundidade variável, dando uma falsa impressão de

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que o solo não apresenta problema de permeabilidade. Uma outra característica visual desses solos é a presença de manchas escuras na superfície, decorrentes da solubilidade da matéria orgânica em meio alcalino, que se deposita em conseqüência da evaporação; além disso, sua baixa permeabilidade impede a germinação das sementes e o crescimento das plantas, por falta de aeração, com um sistema radicular muito restrito e pouco desenvolvido. Embora as características visuais do solo e da planta permitam a identificação das áreas afetadas por sais, na falta de quantificação as mesmas não são suficientes para o técnico indicar um programa de manejo ou recuperação da área. Portanto, é indispensável que o solo seja caracterizado por meio de análises de laboratório. Além disso, quando se deseja recuperar os solos afetados por sais é imprescindível que se conheçam as principais causas de ocorrência da salinização, visando à recomendação de práticas de recuperação adequadas a tais solos.

Identificação por análise de laboratório e suas determinações

Diversas medidas de laboratório são usadas para se identificar os solos afetados por sais, sendo as mais importantes o pH da pasta de saturação do solo (pH ps ), condutividade elétrica do extrato de saturação (CE es ) e a porcentagem de sódio trocável (PST) (Raij, 1991). No entanto, para recuperação e recomendação de práticas adequadas de manejo desses solos, deve-se realizar uma análise mais completa das propriedades físicas (textura, densidade, constantes hídricas, infiltração e condutividade hidráulica) e químicas (cátions trocáveis, tipo de sais solúveis, teor de carbonato de cálcio, gesso e matéria orgânica).

pH da pasta de saturação do solo

O pH de uma solução aquosa é o logaritmo negativo da atividade do íon hidrogênio, podendo ser expresso pela equação:

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pH log H

(1)

em que:

pH Potencial de hidrogênio

Produto entre a concentração de íons hidrogênio e o coeficiente de atividade. Assim, quanto menor for a concentração

dos íons hidrogênio, maior será o pH; sua determinação também pode ser feita a partir de uma solução aquosa usando-se um potenciômetro, ou colorimetricamente, mediante o uso de indicadores ou fitas de papéis especiais que mudam de cor conforme a atividade do íon hidrogênio. O pH da pasta de saturação do solo é determinado quando o solo se encontra em forma saturada, ou seja, todos os espaços porosos disponíveis são ocupados pela água destilada; na análise de rotina, sua determinação é feita na suspensão 1:2,5 e, normalmente, esses valores são ligeiramente maiores que os da pasta saturada, quando o solo apresenta caráter salino. O pH do solo é influenciado pela composição e natureza dos cátions trocáveis, composição e concentração de sais solúveis e a presença ou ausência do gesso e carbonato de cálcio e magnésio. Ele serve para indicar a possibilidade de ocorrência de íons tóxicos de alumínio, ferro e manganês no solo, como também o aumento ou a diminuição da disponibilidade de nutrientes para as plantas.

H

Condutividade elétrica do extrato de saturação (CE es ) do solo

A condutividade elétrica do extrato de saturação (CE es ) do solo expressa a concentração total de sais solúveis no solo, pelo fato de estar intimamente relacionada com a concentração total de eletrólitos dissolvidos na solução.

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A CE es é afetada pela temperatura da amostra, mobilidade, valência e concentração relativa dos íons contidos na solução

(Rhoades, 1994). A temperatura padrão para medição da CE es é 25º C e sua unidade de medida é dada em milimho por centímetro

(mmho cm -1 ) ou em deciSiemens por metro (dS m -1 ) ambas numericamente equivalentes.

A concentração total de sais solúveis no solo também pode ser expressa em total de sólidos dissolvidos (TSD), porém o uso

da CE es é preferível, pois a concentração de sais varia inversamente com o teor de umidade do solo. Por exemplo, 0,1 % de sais solúveis para um solo de textura argilosa, com capacidade de campo igual a 30 %, corresponde a uma concentração efetiva na solução do solo de 0,33 %, enquanto para um solo de textura arenosa, com capacidade de campo igual a 10 %, esta concentração será 3 vezes maior (1 %). Essa diferença devido à textura do solo desaparece quando se expressa a concentração total de sais em termos de CE es.

A conversão da CE es é dada pela seguinte expressão:

em que:

CE (25º C )

es

CE

es

CE es convertido para temperatura padrão (25 ºC)

ft Fator de correção da temperatura

CE

es

(t )

Temperatura em que se mediu a CE es

Percentagem de sódio trocável (PST)

(25º C )

ft

CE

es

(t )

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Na identificação de solos afetados por sais é importante se conhecer a percentagem que o sódio representa em relação à soma de cátions adsorvidos. Esta percentagem denomina-se percentagem de sódio trocável e seu valor é determinado pela seguinte equação:

em que:

PST

Na

t

CTC

100

PST = Percentagem de sódio trocável

Na

t = Sódio trocável ou adsorvido, mmol c kg -1

(6)

CTC = Capacidade de troca de cátions do solo ou a soma dos cátions trocáveis (Ca, Mg, Na, K, Al e H), mmol c kg -1*

O sódio trocável em excesso causa dispersão das partículas de argila, tornando o solo menos permeável, dificultando ou impedindo a lixiviação dos sais. A aeração e as condições físicas do solo tornam-se deficientes, podendo reduzir o crescimento e o desenvolvimento das plantas, sobretudo do sistema radicular. Além da PST existe outro indicador que pode ser utilizado para expressar a proporção relativa de sódio trocável em relação aos outros cátions como, por exemplo, a relação de sódio trocável (RST) que é a relação entre o sódio trocável e os demais cátions e pode ser expressa pela equação:

RST

Na

t

CTC Na

t

* mmol c kg -1 = 10 meq (100 g) -1 ; Cmol c kg -1 = meq (100 g) -1 e mmol c kg -1 = 10 Cmol c kg -1 .

Elaboração do Resumo: Tecgª Renata Pinto, 2011. Estágio Docência do Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo UFPB

Substituindo-se o valor de Na t obtido a partir da Eq (7), na Eq (6) pode-se estabelecer uma relação matemática entre RST e PST.

PST

RST

1 RST

100

Na t

RST CTC

1 RST

Técnicas de recuperação de solos afetados por sais

Diversas técnicas são empregadas no processo de recuperação de solos afetados por sais e, entre elas, duas são consideradas fundamentais: a lavagem dos sais e a aplicação de melhoradores químicos, por atuarem diretamente na eliminação ou correção dos problemas de salinização; entretanto, existem ainda técnicas auxiliares, tais como: aração profunda, subsolagem e aplicação de resíduos orgânicos, entre outras, que têm a função não exatamente de recuperar os solos mas de agirem indiretamente sobre algumas propriedades do solo, que tornam mais eficiente as técnicas fundamentais de recuperação. Raramente se consegue a recuperação dos solos afetados por sais utilizando-se um método isoladamente mas, combinado-se várias dessas técnicas, simultaneamente. O método ou técnica utilizada na recuperação desses solos vai depender do diagnóstico, uma vez que se tem causas de salinização diferente. Convém lembrar que o estudo de drenabilidade do solo é indispensável antes de se iniciar os trabalhos de recuperação.

Técnicas fundamentais

Elaboração do Resumo: Tecgª Renata Pinto, 2011. Estágio Docência do Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo UFPB

Lavagem

A lavagem é a técnica mais prática de se eliminar os sais do solo, e consiste em se fazer passar, através do perfil do solo, certa quantidade de água que, por sua vez, arrasta os sais solúveis. Esta técnica pode ser realizada com duas finalidades: a) reduzir a alta salinidade inicial do solo até níveis toleráveis pelas culturas, denominada lavagem de recuperação; b) impedir a salinização de solos irrigados não afetados, denominada lavagem de manutenção.

Melhoramento químico

Em se tratando de solos salinos, o procedimento de lavagem é suficiente para sua recuperação, uma vez que os sais se encontram dissolvidos na solução do solo, sendo facilmente arrastados pela lâmina de lavagem; entretanto em solos sódicos o uso de melhoradores ou corretivos químicos se faz necessário para retirar, mediante a adição de substâncias que contenham, preferencialmente, cálcio. Deste modo, o uso de corretivos tem a finalidade de fornecer elementos como o cálcio, ou liberá-lo, quando presente no solo, para substituir o sódio trocável, pois o cálcio desloca o sódio do complexo de troca, deixando-o na solução do solo, em condições de ser lavado. Deve-se ressaltar que, como o cálcio tem maior seletividade (força de atração pelas partículas de argila) mesmo estando presente em menor proporção em relação ao sódio, o mesmo consegue substituir o sódio, porém se o sódio substituído não for removido mediante o processo de drenagem, o solo pode tornar-se sódico; daí a importância da drenagem no processo de recuperação.

Elaboração do Resumo: Tecgª Renata Pinto, 2011. Estágio Docência do Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo UFPB

Literatura Consultada:

Texto extraído da apostila Serie Didática: Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais. DIAS, N.S. et. al., 2003. Departamento de Engenharia Rural, ESALQ/USP, Piracicaba, SP.