A FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA

Eduardo Bruno Santana Teixeira Dirce Bordinhon Lemes Geraldo Augusto Alves Rosa Michelle Cárita Silva Nathália Leão Santos Oliveira Wanessa Maria de Lima Neres1 Resumo: O direito tem se levado por uma tendência de prestigiar a família como organismo social, como instituição, e como núcleo fundamental da sociedade. Tal tema é importante por trata-se da célula primária da sociedade. O objetivo deste trabalho é entender qual a função social da família moderna. Para tanto foram traçados os seguintes objetivos específicos: definir família, conceituar família, analisar sua origem e importância histórica e identificar a importância de sua função social. Consiste este trabalho de uma pesquisa bibliográfica. A família atual tem levado em consideração os vínculos afetivos, em detrimento dos sanguíneos. Tem-se grande dificuldade de se definir família, que pode ser sintetizada como o conjunto de pessoas que descendem de tronco ancestral comum. Faz-se necessário ter uma visão pluralista da família, abrigando os mais diversos arranjos familiares, devendo-se buscar a identificação do elemento que permita enlaçar no conceito de entidade familiar todos os relacionamentos que têm origem em um elo de afetividade, independente de sua conformação. A Constituição Federal de 1988 alargou o conceito de família, passando a integrá-lo as relações monoparentais e homoafetivas, o que afastou da ideia de família o pressuposto de casamento. Sempre se atribuiu à família, ao longo da história, funções variadas, de acordo com a evolução que sofreu, a saber, religiosa. Sintetizando-se como organização que servirá de matriz para o indivíduo adulto. Conclui-se que a família tem como função social preparar o indivíduo, para a vida em comum cumprindo seu papel como cidadão, contribuindo para evolução da sociedade. Palavras chave: Família. Função social da família. Direito de família.

INTRODUÇÃO

A família sofreu, nas últimas décadas, profundas mudanças de função, natureza, composição e, conseqüentemente, de concepção, sobretudo após o advento do Estado social. Merecendo cada vez mais atenção do legislador pátrio no sentido de disciplinar suas relações. Atualmente a família parte de princípios básicos, de conteúdo mutante: a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a afetividade. A família patriarcal sofreu mudanças dando origem a um novo tipo familiar baseado nas relações de afeto. O objetivo deste trabalho é entender qual a função social da família moderna. Para tanto foram traçados os seguintes objetivos específicos: definir família, conceituar família,
Artigo desenvolvido pelos acadêmicos do 6º período do curso de Direito do ILES ULBRA Itumbiara – GO.
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e como núcleo fundamental da sociedade desborda do direito legislado e alcança os doutrinadores. FAMÍLIA – CONCEITO A nova tendência de prestigiar a família como organismo social. 2005). e consequentemente acharse investida da condição de pessoa moral (DINIZ. Sempre se atribuiu à família. sendo a principal delas a função de unidade da sociedade a célula-mãe. as famílias monoparentais e mais recentemente as famílias homoafetivas. funcionando como unidade em que todo indivíduo deve estar inserido para formação de seu caráter e construção do seu eu social.analisar sua origem e importância histórica e identificar a importância de sua função social. há aqueles que entendem a relação homoafetiva como um tipo familiar baseado no afeto e não proibido no ordenamento jurídico brasileiro podendo assim gerar os mesmos efeitos jurídicos da família. conclui-se que a família constitui a base da sociedade contemporânea. Existindo diferentes correntes doutrinárias para definir o que vem a ser família e ainda a colocação de cada tipo familiar dentro do ordenamento jurídico. seja em decorrência do instinto de perpetuação da espécie. No ordenamento jurídico brasileiro a Constituição Federal alargou o conceito de família. política. . Consiste este trabalho de uma pesquisa bibliográfica. Atualmente identifica-se família pela presença de um vínculo afetivo. afastando a idéia de família da necessidade do casamento. por exemplo. formação de caráter e preparação para a vida social. passando a integrá-lo as relações monoparentais: de um pai com os seus filhos. O acasalamento sempre existiu entre os seres vivos. funções variadas. tendo mesmo inspirado toda uma corrente que sustenta hoje a sua personalidade jurídica. como instituição. Vínculos afetivos não são uma prerrogativa da espécie humana. com autonomia em relação aos seus membros. ao longo da história. É complicado realizar uma conceituação do que vem a ser família. Há. Entendendo-se atualmente que a família não tem apenas uma função financeira de sustentação do indivíduo. a saber. aqueles que reconhecem essa relação como um contrato jurídico. Por fim. mas de sustentação criação. econômica e procracional. no entanto. pois a evolução social aliada à Constituição Federal de 1988 criou novas conformações familiares admitindo a união estável. Foi Savatier quem sustentou basicamente a idéia de ser a família sujeito de direitos. de acordo com a evolução que sofreu. religiosa.

valores e se sentir. aventando a tese da promiscuidade entre os homens e mulheres. entre os dialetos do Lácio.. Após essa posição inicial. por isso. lembra o autor. nos primevos. tendo poderes ilimitados sobre os membros da família. da língua ariana. predominou a organização familiar sob forma monogâmica. assim. fez nascer. com a criação .] Assim. Difícil encontrar uma definição de família de forma a dimensionar o que. famelia [. aparecendo outros que. os civilistas enxergam mais a figura da romana Gens ou da grega Genos do que da família propriamente dita (2005). como se existisse um setor da felicidade ao qual o sujeito sozinho não tem acesso. formou o primeiro grupo familiar patriarcal poligâmico.. estabelecer. depois. Etimologicamente é importante saber que tal palavra: [. destaque-se a diversificação. indicam a constituição da família baseada na monogamia (um homem e uma mulher). E. Não importa a posição que o indivíduo ocupa na família. convivendo. acrescenta-se o cônjuge. o vocábulo faama.] parece-nos clara a idéia que o homem mais forte.] Da palavra famel derivou famulus. em sânscrito. polígamo polígino. se insere nesse conceito. significa casa. No tocante ao termo família. É mais ou menos intuitivo identificar família com a noção de casamento. Tanto é assim. com a transformação do dh em f. Em sentido genérico e biológico. que há outra teoria que nega peremptoriamente a existência da família nos primórdios da humanidade. um homem com várias mulheres e prole. Ainda neste plano geral. remotamente. por sua vez. é estar naquele idealizado lugar onde é possível integrar sentimentos. para depois ser monogâmico [. aditam-se os filhos do cônjuge (enteados). em fam [.. 2005). de agnática e patrilinear a cognática (AZEVEDO.. donde surgiu famel (o servo).. na companhia da esposa. que se transformou. a palavra dhaman. esperanças. ou seja. Desta forma. com o crescente reconhecimento dos direitos da mulher. que significa pôr. existe muito mais razão para se pensar tenho sido o homem. Outrossim. mas: Analisando essas teorias. que. do radical dha. o que importa é pertencer ao seu âmago. noras e netos (DIAS). os cônjuges dos filhos (genros e noras). Na largueza desta noção. Pereira dispõe: Ao conceituar a família. que se considera natural a idéia de que a felicidade só pode ser encontrada a dois. no contexto social dos dias de hoje. considera-se família o conjunto de pessoas que descendem de tronco ancestral comum.. a caminho da realização de seu projeto de felicidade (DIAS.seja pela verdadeira aversão que todas as pessoas têm à solidão. genros. como preceitua Álvaro Villaça Azevedo (1999) há aqueles que afirmam a fundamentação da família no sistema poligâmico (um homem e várias mulheres). na passagem ao osco. unido pelo vínculo do matrimônio.. os cônjuges dos irmãos e os irmãos do cônjuge (cunhados). como é o caso do osco. 1999). e rodeados de filhos..] origina-se. um conjunto de pessoas ligadas a um casal. sendo o pai a figura central. sob organização familiar em forma de patriarcado poligâmico. Também vem à mente a imagem da família patriarcal. ou qual a espécie de grupamento familiar a que ele pertence. apossando-se de suas mulheres e prole.

gerando comprometimento mútuo. o que identifica a família não é nem a celebração do casamento nem a diferença de sexo do par ou o envolvimento de caráter sexual. b) ampla. no grego. no latim. O desafio dos dias de hoje é achar o toque identificador das estruturas interpessoais que permita nominá-las como família (DIAS. a ideia de família se afasta da estrutura do casamento. O vocábulo família apresenta três acepções: a) restrita. c) amplíssima. As relações extramatrimoniais já dispõem de reconhecimento constitucional e não se pode deixar de albergar. 1999). provavelmente. noras e os cunhados (VIANA. 16.. 2006). Aqui. constituindo essa proteção um direito subjetivo público. A proteção do Estado à família é. tendo direito todas as demais entidades familiares socialmente constituídas.” Desse dispositivo defluem conclusões evidentes: a) família não é só aquela constituída pelo casamento. Fundada em bases aparentemente tão frágeis. insistem em não lhes emprestar visibilidade (DIAS. casamento. independente de sua conformação. donde derivou. Cada vez mais. famulia [. 2001). assegura às pessoas humanas o “direito de fundar uma família”. Caiu o mito da virgindade e agora sexo até pelas mulheres .. construir (AZEVEDO. que a coloca sob o manto da juridicidade. e o casamento deixou de ser o único reduto da conjugalidade. o cônjuge. genros. 1 b) a família não é célula do Estado (domínio da . Agora. que esse radical dha tenha dado origem às palavras: domus (casa). também. A concepção não mais decorre exclusivamente do contato sexual. A Declaração Universal dos Direitos do Homem.se pratica fora e antes do casamento. a família atual passou a ter a proteção do Estado. forma primitiva ou arcaica de famulus. por puro conservadorismo. oponível ao próprio Estado e à sociedade. O movimento de mulheres.intermediária de famul. pelo visto.] Tudo mostra.3: “A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. que descendem do mesmo tronco ancestral. estabelecendo o art. as relações homoafetivas. O elemento distintivo da família. apesar de posturas discriminatórias e preconceituosas que. sexo e procriação. enteados. a disseminação dos métodos contraceptivos e os resultados da evolução da engenharia genética fizeram com que esse tríplice pressuposto deixasse de servir para balizar o conceito de família. votada pela ONU em 10 de dezembro de 1948. e domos (casa). radical esse que significa unir. A família de hoje já não se condiciona aos paradigmas originários. Em sentido amplíssimo a família envolve o conjunto de pessoas ligadas pelo vínculo de consanguinidade. abrigando os mais diversos arranjos familiares. 2005). no âmbito do direito das famílias. devendo-se buscar a identificação do elemento que permita enlaçar no conceito de entidade familiar todos os relacionamentos que têm origem em um elo de afetividade. independentemente do sistema político ou ideológico. é a presença de um vínculo afetivo a unir as pessoas com identidade de projetos de vida e propósitos comuns. hoje. quais sejam. Faz-se necessário ter uma visão pluralista da família. princípio universalmente aceito e adotado nas Constituições da maioria dos países.

pela análise efetuada. mas da sociedade civil. 2004). em consonância com o pensamento que se estratifica no plano internacional (VIANA. Com o advento da Constituição Federal de 1988. que reclamou dos tribunais solução que atendesse ao novo quadro. ampliando-se este último para abranger. O individualismo perde terreno (VIANA. Compreende-se a exclusividade do casamento civil. além do matrimônio. O caudal de novos valores refletiu-se expressivamente no tráfico social. ainda que resumida. alterando-se o papel atribuído às entidades familiares e o conceito de unidade familiar. Evidencia-se. pois os republicanos desejavam concretizar a política de secularização da vida privada. A FAMÍLIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO As constituições brasileiras reproduzem as fases históricas que o país viveu. desafogando uma área de turbulência. Na Constituição de 1891 há um único dispositivo (art. por exemplo. A dignidade da pessoa humana merece destaque. mantida sob controle da igreja oficial e do direito canônico durante a Colônia e o Império (LÔBO. a família é concebida como espaço de realização da dignidade das pessoas humanas (LÔBO. solucionando os reflexos de ordem patrimonial que se estabeleciam com o fim do relacionamento. foi ficando distante da nova realidade social. As Constituições de 1824 e 1891 são marcadamente liberais e individualistas. buscaram na noção de sociedade de fato o alicerce para definir esse tipo de relação. não podendo o Estado tratá-la como parte sua. O Direito. no trânsito do Estado liberal para o Estado social. que a orientação imprimida pela Constituição Federal encontra-se no território das conquistas mais significativas a respeito do tema. 2001). § 4º). É o que se dava com a união estável. 2004). não tutelando as relações familiares. em relação à família. e a busca de uma visão mais social da vida é marcante. Exigiam tegumento jurídico. com o seguinte enunciado: “A República só reconhece o casamento civil. Evidenciamos esses pontos anteriormente (VIANA. Situações prénormativas desafiavam a disciplina legal. cuja celebração será gratuita”. plasmado na norma. 72. sobreveio radical mudança nas normas que disciplinavam as relações de família. Doutrina e jurisprudência erigiram suportes conceituais. . 2002). a união estável e a família monoparental (AMIN. 2001).política). A Constituição Federal soube captar as significativas transformações ocorridas na sociedade brasileira. 2001).

ou pela mãe e o filho. 2001). subtrai de sua finalidade a proliferação (DIAS. Isso permite concluir que ela pode ser estabelecida desde sua origem. 2007). Para sua configuração. fungi). o que. Nesse diapasão é possível que ela se estabeleça porque a mãe teve um filho. a saber. bem como também o são os pais ou responsáveis pelas crianças e filhos no âmbito da família (ALMEIDA. religiosa. ou decorre de adoção por mulher ou homem solteiro.) deve desempenhar. dada a função social que o próprio Direito (representado pelo juiz. ou seja. seja classificada como for. destinatário da norma constitucional. Esse redimensionamento. 2007). consequentemente. Importante destacar. Sempre se atribuiu à família. Nesse conceito está inserida qualquer situação em que um adulto seja responsável por um ou vários menores. ou decorre do fim de uma família constituída pelo casamento.A Constituição Federal de 1988 alargou o conceito de família. A mãe solteira submete-se à inseminação artificial. A função social da família constitui. ou resultar da separação judicial ou do divórcio. não decorra de congresso sexual. 2004). sendo que nos exemplos há o vínculo biológico. advogado. calcado na realidade que se impôs. de acordo com a evolução que sofreu. cumprir uma finalidade. A FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA A ideia de função social como instrumento procede da própria etimologia do termo função. desempenhar um dever ou tarefa. Nada impede que o vínculo biológico que une os membros dessa família. deixou de ser exigida a necessidade de existência de um par. econômica e procracional (LÔBO. A Constituição Federal limita-se a dizer que se reconhece como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. assim. etc. mas resulte de procriação artificial. ou porque houve adoção. não sabendo quem seja o doador (VIANA. via de mão dupla: volta-se para o próprio Estado. ainda mais quando se vislumbra que a função social é comando determinado pela Constituição Federal. o que inibe o intérprete. opera como instrumento para que o jurista interprete e aplique o Direito segundo valores éticos e sociais. acabou afastando da ideia de família o pressuposto de casamento. ao longo da história. funcionalizar (ALMEIDA. passando a integrálo as relações monoparentais: de um pai com os seus filhos. mas a paternidade não foi apurada. . ainda. política. Não faz qualquer distinção. cujo significado remete a cumprir algo. a palavra functio derivava do verbo fungor (functus sem. Em latim. ao acompanhar as transformações ocorridas no seio da sociedade. funções variadas. 2006). Nessa linha temos a família monoparental formada pelo pai e o filho. que a função social.

a socialidade também deve ser aplicada aos institutos do Direito de Família. 226 a 230 à categoria de fundamentais. No tocante à mútua assistência afetiva da união homoafetiva. até porque o art.. funcionar a modo de um instrumento. qual seja. GUERRA. 2007). Então o questionamento . e principalmente. as relações familiares devem ser analisadas dentro do contexto social e diante das diferenças regionais de cada localidade.] porque o legislador entendia que aquele modelo fechado [família patriarcal. como ocorria antes do advento da Constituição de 1988. Afinal. 2004). Tendo em vista esses princípios. As funções religiosa e política praticamente não deixaram traços na família atual. ideal e primordial na formação do corpo social. isso sim.. a frase ainda serve como luva no atual contexto. Sem dúvida. mantendo apenas interesse histórico. A Instituição Familiar já não possui essa função diversificada. caput. a família contemporânea já não pode ser concebida como um fim em si mesma. assim como ocorre com outros ramos do Direito Civil (TARTUCE. nas antigas aulas de Educação Moral e Cívica.]” (GAMA.Há algum tempo se afirmava. Apesar de as aulas serem herança do período militar ditatorial. Passamos por uma transição na função social da família que englobava diversas funções. nuclear] era o único correto” (ALVES. as entidades familiares não servem apenas à assistência para fins patrimoniais. 2006). assistencial. Deve. desempenhando a “função de locus de afetividade e da tutela da realização da personalidade das pessoas que as integram” (LÔBO. portanto.. que “a família é a célula mater da sociedade”. na medida em que a rígida estrutura hierárquica era substituída pela coordenação e pela comunhão de interesses e de vida (LÔBO. já é absolutamente certa a presença do elemento volitivo e psíquico idêntico àquele da união heterossexual. para dar efetividade à função social da família. mas. como a educacional. operar como unidade. que a concebia “como um instituto em prol da própria família [. 2007)... 226. dos princípios fundamentais da República. 2007). sendo a finalidade dessa instituição apenas a de sobrevivência genética. inicial. derivando. principalmente quando envolvem direitos das crianças e dos adolescentes [. 2002). Assim. A função social da família. e etc. da Constituição Federal de 1988 dispõe que a família é a base da sociedade. concentrando atualmente apenas as funções biológica e afetiva (SILVA. “é um parâmetro que eleva alguns direitos elencados entre os arts. acima de tudo o da dignidade da pessoa humana. 2006). tendo especial proteção do Estado (TARTUCE.

A função procracional. que cumpre a sua função social. faz com que se atribua um papel secundário à verdade biológica (dias). A família. também foi desmentida pelo grande número de casais sem filhos. O direito contempla essas uniões familiares. para a qual a procriação não é imprescindível. 2006). Nessa direção. 1995). ou em razão da primazia da vida profissional. A necessidade de manter a estabilidade da família. por livre escolha. para as quais a procriação não é essencial. Pode servir também para afastar a discussão desnecessária da culpa em alguns processos de separação. cozinha). 2006). reconhece a necessidade de interpretação dos institutos privados de acordo com o contexto social (TARTUCE. não reconhecer função social à família e à interpretação do ramo jurídico que a estuda é como não reconhecer função social à própria sociedade (TARTUCE. A título de exemplo. remodela sua morada. A função social da família é então de organizar o que servirá de matriz para o indivíduo adulto (DUARTE. Acompanha esta mudança do modelo familiar. ainda. para a admissão de outros motivos para a separação-sanção em algumas situações práticas. fortemente influenciada pela tradição religiosa. valorizando a intimidade. a família se altera e o Direito deve acompanhar essas transformações (TARTUCE. CONCLUSÃO Do exposto. ou em razão de infertilidade. culminando em divisão da mesma em espaço para visitas (salas e varandas) e o espaço familiar (quartos. 2006). Pode servir. por diversas vezes. Em suma. A jurisprudência. encaminha-se a crescente aceitação da natureza familiar das uniões homossexuais. Isso tudo porque a sociedade muda. O favorecimento constitucional da adoção fortalece a natureza socioafetiva da família. a socialidade pode servir para fundamentar o parentesco civil decorrente da paternidade socioafetiva. . funcionando como unidade em que todo indivíduo deve estar inserido para formação de seu caráter e construção do seu eu social.não incide sobre o porquê de conferir à união homoafetiva status familiar. conclui-se que a família constitui a base da sociedade contemporânea. uma mudança significativa na relação dada entre o público e o privado. mas sobre porque de não conferi-lo. agora privatizada. ou pela nova união da mulher madura.

por se tornar ponto chave do início de qualquer relação familiar.340/2006 (Lei Maria da Penha). da Lei nº 11. O sentimento passa a ser considerado algo mais importante nas relações humanas. criação e educação da criança. 2002. e desta nova conformação surge este novo princípio. trabalhador. da função social. . independente de que âmbito esteja inserido. In RIBEIRO. atual. se entre amigos. Trabalho de conclusão de Curso (Graduação em Direito) – Centro Universitário Eurípides de Marília .ed. 1995. irmão. Lara Oleques de. estudante. A função social da família e a ética do afeto: transformações jurídicas no Direito de Família. DUARTE. São Paulo: Loyola. 39. Posteriormente tem-se uma fase de desenvolvimento. se na escola. ed. portanto que a família tem sim uma função dentro da sociedade e esta é a de formar cidadãos conscientes e aptos para a convivência social. Maria Berenice. DIAS. Maria Helena. se profissional. rev. Constituição da República Federativa do Brasil. dez../jan.). 17. Marília. São Paulo: Saraiva. 2007. São Paulo: Revista dos Tribunais. razão pela qual passa-se a admitir novas formas de formação familiar como a família monoparental e a homoafetiva. 2000. Síntese/IBDFAM. 3. II. destaca-se que a principal função social da família é o acolhimento do indivíduo formando-o como cidadão capaz de representar seu papel na sociedade como filho. considerando com menor importância as relações consangüíneas. entre outros. e ampl. Luis Fernando Dias. Ana Clara.Deve se considerar que a família moderna rege-se pelo princípio da afetividade. ALVES. SP: 2007. Porto Alegre. O reconhecimento legal do conceito moderno de família: o artigo 5º. Ivete & RIBEIRO.Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha. BRASIL. Revista Brasileira de Direito de Família. (Orgs. onde se prepara para a vida em sociedade estabelecendo relações de afetividade e trabalho. 2006. A família adquire importância na vida do indivíduo a partir de seu nascimento em virtude de seu dever de guarda. Horizontes do indivíduo e da ética no crepúsculo da família. Famílias em processos contemporâneos: inovações culturais na sociedade brasileira. parágrafo único. n. Tais princípios surgem de uma mudança na sociedade uma evolução onde se passa a privilegiar as relações sentimentais e afetivas. Disto. Curso de Direito Civil Brasileiro. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA. Manual de Direito das Famílias. DINIZ. Leonardo Barreto Moreira. Direito de Família. São Paulo: Saraiva. Conclui-se.

Direito de Família. Renata de Lima. Maíra Santos Antunes da. 2001. ano 6. atual. Silvio. 1999. 2007.uol. Direito de Família. São Paulo: Atlas. 27.br/doutrina/texto. As tendências do Direito Civil brasileiro na pósmodernidade. VIANA. 2002.br/doutrina/texto. Função social no Direito Civil. revista. ed.br/doutrina/texto. Simone Clós Cesar. Princípios fundamentais orientadores do direito de família. de 10-1-2002). Função social da família. RODRIGUES. VENOSA. Orlando. Paulo Luiz Netto. 2008. 1069. Disponível em: <http://jus2. 655. Del Rey. n. TARTUCE.406. Guilherme Calmon Nogueira da (Coord. Leandro dos Santos. ed. GOMES.. Rodrigo da Cunha (Coord.ed. Teresina. 12ª ed. 2006. 2004. O novo direito de família: Curso de Direito Civil Brasileiro.Curso de direito Civil. Função social no Direito Civil. 1990.com. 2007. 2005. São Paulo: Saraiva. Disponível em: http://www. Sílvio de Salvo. Guilherme Calmon Nogueira da (Coord. com anotações sobre o Novo Código Civil (Lei 10.. Jus Navigandi. WALD. ano 9. por Francisco José Cahali. ano 10.GAMA. Direito Civil: Direito de Família. Acesso em: 29 mar.com.asp?id=3192>. 2002. ago. 2007. GUERRA.com.asp?id=6617>. n. Belo Horizonte: Del Rey. 1999. atualizada e ampliada. Acesso em: 05 nov. n. 5 jun. O novo Direito de Família e a paternidade socioafetiva.direitonet. In: GAMA. PEREIRA. São Paulo: RT. Rio de Janeiro: Forense. In: GAMA. PEREIRA. Direito Civil . 23 abr. . 2006. Novos princípios do Direito de Família brasileiro . ANDRIOTTI. Caio Mário da Silva. Do poder familiar.br/artigos/x/37/48/3748/. LÔBO. Breves notas históricas da função social no Direito Civil. Caroline Dias. In: DIAS. Instituições de Direito Civil.). 3. Disponível em: <http://jus2. Disponível em: <http://jus2. Guilherme Calmon Nogueira da. Vol. ______. Flávio.asp?id=8468>. PEREIRA.. São Paulo: Atlas. Marco Aurélio S. Acesso em: 29 mar.com. 7. Jus Navigandi.uol. revista e atualizada. São Paulo: Atlas.). RIBEIRO.uol. SILVA. Teresina. Rodrigo da Cunha. RODRIGUES. Rio de Janeiro: Forense.). 11ª ed. Arnoldo. As inovações constitucionais no Direito de Família . Teresina. 2007. Jus Navigandi. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM. Belo Horizonte. 2007. Acesso em: 05 de novembro de 2008. Direito de Família e o Novo Código Civil. 2007. Maria Berenice. 2. 58.

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