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Tecnologia de Sistemas Construtivos 2011/2012

Sistemas de lajes mistas Aço Betão

Nome: Nuno Eduardo Santos Gonçalves Nº de aluno: 000501167

TECNOLOGIA DE SISTEMAS CONSTRUTIVOS

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Índice

1.

Introdução

1.1. Ambito

3

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1.2. Resumo

3

2. Laje Mista Aço Betão

4

2.1. Funcionamento

4

2.2. Constituição

5

2.2.1. Chapa Metálica

6

2.2.2. Armaduras

6

2.2.3. Betão

8

2.2.4. Conectores

8

3. Mercado e Soluções

11

3.1. Análise de Mercado

11

3.2. Tipo de

Soluções

12

4. Dimensionamento e Disposições Construtivas

12

5. Análise Técnico-Económica

16

5.1. Laje Maciça

17

5.2. Laje De Vigotas

17

5.3. Laje Mista

Aço-Betão

18

5.4. Conclusão Estudo Económico

18

6. Legislação

e Regulamentos

19

7. Exigências de desempenho e Marcação CE

20

8. Vantagens e Desvantagens das Lajes Mistas Aço-Betão

21

9. Conclusão

22

10. Bibliografia

23

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1.

Introdução

1.1. ÂMBITO

O trabalho desenvolvido enq uadra-se na disciplina de Tecnologias de Sistema s Construtivos, do

1º Semestre do 5º Ano do M estrado Integrado em Engenharia Civil, na opção condicionada de

Construções Civis. Trata-se d o estudo do sistema de lajes mistas Aço Betão li nacional.

mitada ao mercado

1.2. RESUMO

Pretende-se com a elaboraçã o deste trabalho que se fique a conhecer como f unciona o sistema

de laje colaborante, os seus e lementos constituintes e porque é que têm sido bastante utilizadas em algumas áreas específicas da construção civil. Serão ainda abordados algu ns aspectos normativos e boas práticas d e utilização.

No capítulo 5 será feita uma quantitativa relativamente às

análise técnico-económica para que se tenha um a comparação

outras opções existentes no mercado.

um a comparação outras opções existentes no mercado. Define-se por laje mista, uma perdida, capazes de

Define-se por laje mista, uma

perdida, capazes de suportar o peso do betão fresco, as armaduras e sobreca rgas de construção na fase construtiva. Posterior mente, as mesmas chapas combinam-se estrutu ralmente com o

betão, constituindo uma part e, ou mesmo a totalidade da armadura de tracç ão.

laje na qual se utilizam chapas metálicas perfila das como cofragem

A utilização de lajes mistas e m edifícios aumentou exponencialmente na Euro pa nos últimos 25

anos. Este facto deve-se, em grande parte, ao elevado desempenho estrutura l e economia da

solução, paralelamente com

de estruturas mistas aço-betã o.

o desenvolvimento da normalização europeia de apoio a projecto

Sendo uma solução relativam ente recente, é importante a definição de regra s de projecto, construção e segurança de a poio à sua implementação em edifícios. A facilida de de produção e

montagem, bem como a disp ensa das tradicionais cofragens assumem-se com vantagens na utilização desta solução.

o as principais

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2. Laje Mista Aço Betão

2.1.

FUNCIONAMENT O

A laje é o elemento estrutura l de uma edificação responsável por transmitir a s acções das cargas

que nela actuam para as viga s ou directamente para os pilares.

A laje mista Aço-Betão é um

tradicionais, como lajes maci ças (com e sem capiteis), lajes nervuradas, lajes

alveolares, lajes pré-fabricad as (ex: Minos e Pi), lajes pré-esforçadas entre ou tros.

Nas soluções de reabilitação a laje colaborante pode ainda concorrer com sist emas de pavimentos estruturais de m adeira.

sistema de pavimento usado em alternativa aos sistemas mais

de vigotas, lajes

usado em alternativa aos sistemas mais de vigotas, lajes Este tipo de pavimento teve industrialização. Esta

Este tipo de pavimento teve

industrialização. Esta tecnolo gia é composta por perfis metálicos perfilados a ssentes geralmente

em vigas de aço laminado (sit uação mais corrente), sobre as quais se realiza u ma camada de betão armado, comportando -se assim como uma laje unidireccional. As chap as metálicas actuam como cofragem perd ida e como armadura de momentos positivos. Ev itam-se assim, os morosos processos de desmo ntagem e manutenção das cofragens, muito ca racterístico no caso das lajes maciças.

A resistência aos momentos f lectores positivos actuantes é dada pela própria chapa perfilada de

aço, estando o betão compri mido nas suas nervuras. Nas zonas de momento

necessário incorporar eventu almente uma armadura de reforço. No entanto para que a secçã o possa funcionar como uma estrutura mista, o c onjunto aço-betão tem de apresentar uma boa c onexão entre si. Para tal, é necessário que as ch apas apresentem

um perfil particular, quanto à forma das nervuras e das reentrâncias na sua s uperfície, de modo

a existir uma certa adesão en tre o betão e as chapas, acompanhado por mec anismos de

conexão, aplicados na laje, d e modo a garantir que a secção tenha capacidad e resistente à

tensão longitudinal de corte

origem na procura de soluções construtivas com maior grau de

negativo é

solicitada na interface entre a chapa e o betão.

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TECNOLOGIA DE SISTEMAS C ONSTRUTIVOS Com esta tecnologia é possív el, em igualdade de vãos e

Com esta tecnologia é possív el, em igualdade de vãos e de sobrecargas, realiz arem-se pavimentos com menor espe ssura do que a dos pavimentos com laje contínu a de betão armado ou de vigotas pré-esforçadas e blocos de cofragem. A sua massa é assim men or do que a dos pavimentos convencionais, o que torna esta tecnologia adequada a locais ond e a distância de transporte dos materiais/pro dutos é significativa.

2.2.

CONSTITUIÇÃO

A laje colaborante é constituí da por um chapa metálica aberta de aço galvani zado, armadura de distribuição, uma camada de betão e conectores.

da por um chapa metálica aberta de aço galvani zado, armadura de distribuição, uma camada de

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2.2.1. Chapa Me tálica

As chapas perfiladas são enfo rmadas a frio e devem obedecer às especificaçõ es da parte 1.3 do Eurocódigo 3. Existem difere ntes formatos de com geometria e especificaçõe s variadas. As principais características que definem as chapas perfiladas são as seguintes:

(i) Características geométrica s:

Altura da chapa, variando en tre 40mm e 100mm

Espessura, sendo as mais com

Reentrâncias

Espaçamento entre nervuras

Área efectiva

uns: 0.7, 0.75, 0.8, 1.0, 1.2 e 1.5mm

(ii) Características resistentes :

Posição da linha neutra

Inércia efectiva da secção (cm 4 /m)

Módulo de flexão efectivo (c m 3 /m)

(iii) Outras características:

Peso por m 2

Volume de betão por m 2

Protecção contra a corrosão

por galvanização com 275g/m 2 de zinco.

2.2.2. Armadura s

As armaduras utilizadas na co nstrução de lajes mistas aço-betão, normalmen te são do tipo em malha em forma quadrada e de pequeno diâmetro, excepto em grandes vãos , onde é necessário proceder ao cálculo de uma a rmadura superior. Segundo a norma EN 10027- 1 a armadura deverá ser pelo menos de cla sse B500B.

10027- 1 a armadura deverá ser pelo menos de cla sse B500B. A armadura actua principalm

A armadura actua principalm ente na direcção normal das vigas e cumpre as s eguintes funções:

• Actua como uma armadur a transversal que impede a fissuração ao longo d o alinhamento de conectores;

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• Faz com que se obtenha uma resistência à flexão nos apoios da laje no caso da ocorrência de fogo;

• Ajuda a reduzir a fissuração nos apoios;

• O controlo a fissuração nos estados limites de serviço em lajes mista é efectuado pela chapa

perfilada. Algumas fissuras sobre as vigas e apoios da laje podem ocorrer, no entanto essa fissuração não afecta a durabilidade e o desempenho da laje. No caso de ambientes agressivos

as armaduras adicionais são imprescindíveis;

• Devem ser colocadas armaduras superiores em lajes de espessura reduzida a uma distância

de 25mm da camada superior de betão, suportadas sobre a superfície superior da chapa. Na prática, tendo em conta as sobreposições, a malha deve situa-se entre os 20 e os 45mm da face

superior da chapa. A sobreposição deve ser no mínimo de 300mm no caso de malha leve e de 400mm para malha pesada.

É necessário a colocação de armadura suplementar nos seguintes casos:

• Por resistência ao fogo, normalmente barras no fundo das nervuras;

ao fogo, normalmente barras no fundo das nervuras; • Armadura transversal na zona de conectores. Este

• Armadura transversal na zona de conectores. Este reforço é apenas utilizado quando os conectores são soldados;

• Reforço (barras adicionais) em aberturas de grande dimensão.

• Podem existir ainda armaduras para garantir a continuidade e limitar a fendilhação sobre os

apoios intermédios(momentos flectores negativos). Para vãos consecutivos não muito distintos

a armadura de continuidade deve ser prolongada para além do eixo do apoio de cerca de 30% do vão, e colocada a uma profundidade de 25 mm.

deve ser prolongada para além do eixo do apoio de cerca de 30% do vão, e

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2.2.3. Betão

Recomenda-se que o betão u sado na betonagem da laje mista seja no mínim o da classe C20/25,

o que corresponde um valor característico de rotura á compressão de 20MPa .

Outra das recomendações é

comprometa a galvanização

A dimensão dos inertes utiliz ados na produção do betão não deverá ultrapass ar o menor de:

0.4h c , b 0 /3 e 31.5 mm (NP EN

A fluidez e restante propried ades reológicas deverão ser tratadas como uma l aje maciça, e o betão deverá ser vibrado con soante estas características.

Aquando da betonagem da la je os trabalhadores deverão se localizar junto d os apoios para evitar deformadas excessivas na laje.

evitar utilizar aditivos á base de cloretos para qu e não se das chapas de aço.

1994-1-1 cl. 9.2.2(1)).

qu e não se das chapas de aço. 1994-1-1 cl. 9.2.2(1)). 2.2.4. Conector es Para que

2.2.4. Conector es

Para que exista um comporta mento eficiente, torna-se preponderante uma c orrecta interacção entre ambos os materiais aço -betão, a qual é garantida por elementos metáli cos denominados de conectores, aplicados nas vigas de suporte.

denominados de conectores, aplicados nas vigas de suporte. Os conectores podem ser cla ssificados em dois

Os conectores podem ser cla ssificados em dois tipos, flexíveis e rígidos.

Em Portugal, de uma forma g eral, são predominantemente utilizados conecto res termo- soldados ou conectores de fix ação mecânica.

Os conectores termo-soldado s, como o nome indica são soldados à mesa sup erior do perfil metálico, por meio de uma pi stola automática ligada a um equipamento de s oldagem.

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O processo é iniciado quando

perfil), quando então se aper ta o gatilho da pistola, forma-se um arco eléctric o provocando consequentemente a fusão e ntre o material base e o conector. A altura efect iva do conector é

diminuída em cerca de 5mm ao ser soldado.

se encosta a base do pino ao material base (me sa superior do

encosta a base do pino ao material base (me sa superior do De um modo geral,

De um modo geral, o s conectores soldados através das chapas são de 19mm de

diâmetro e de 75mm a 150mm de altura, com uma cabeça de aproxi

de diâmetro, sendo o

madamente 28mm

limite da tensão de ruptura do material de 450 N/mm.

Deverão ser respeita das as seguintes disposições construtivas, de ac ordo com o Eurocódigo 4:

(i)As espessuras da m esa da viga de suporte não devem ser inferiores a 7,6mm (para conectores soldados de 19mm). Este limite aumenta para diâmetros s uperiores ;

(ii) Os conectores de vem sobressair 35mm, acima da face superior da

ter um recobrimento mínimo de betão, acima do topo do conector, d e cerca de 15mm. Para impedir danos n a chapa os conectores devem ser colocados sob re linhas predeterminadas e m arcadas s obre a chapa. A distância entre o limit e do conector e o

limite da chapa, não

aconselhável usar vig as de suporte com mesas inferiores a 120mm). A

conectores não deve ser inferior a 95mm na direcção dos esforços de corte, e 76mm na

direcção perpendicul ar aos esforços de corte;

chapa e devem

deve s ser inferior a 20mm (devido a esta limitaç ão não é

distância entre

(iii)

A distância entre conectores não deve ser superior a 450mm;

(iv)

Os conectores sã o colocados normalmente nas nervuras, alternad amente, em alguns

casos aos pares em c ada nervura.

Os conectores mecân icos da Hilti X-HVB são fixos por pregos zincados aos elementos da estrutura. Este proce sso é realizado através de uma pistola que faz di sparar tiros de cartuchos de pólvora como ilustra a anterior. Este sistema é rápido e económico, por não haver a necessid ade da utilização de energia eléctrica para o seu funcionamento. Permite ainda que qu alquer trabalhador com prática seja capaz de in stalar os conectores com máxi ma segurança e confiança. Podendo ser empreg ados em condições

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adversas (chuva, nev e, condensação, etc.), pois em nenhuma circunst ância diminui a qualidade da fixação.

em nenhuma circunst ância diminui a qualidade da fixação. A Hilti apresenta dua s soluções distintas

A Hilti apresenta dua s soluções distintas para este tipo de fixação, o c onector Hilti X-HVB

e o Hilti X-ENP HVB. P ara execução da aplicação dos conectores são n ecessários a pistola, os pregos, os conectores e os cartuchos. Os conectores do tip o Hilti X-HVB são

em aço zincado de 3

µm, apresentando uma resistência mínima à tra cção de 295N/mm.

Os pregos tipo Hilti X -ENP HVB são em aço zincado 8-16 µm e apresen tam uma resistência mínima à tracção de 2.000N/mm. As propriedades geomé tricas do conector

e

dos pregos estão in dicadas na página web do fabricante.

A

escolha do tipo de

cartucho é igual ao tipo de prego e depende da e spessura da chapa

e

da qualidade do aç o da viga metálica onde se fixam os conectores.

Uma vez disparado,

é

necessário compro var que o prego está saliente entre os 8,5 e 11m m sobre o

conector.

Uma vez disparado, é necessário compro var que o prego está saliente entre os 8,5 e

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3. Mercado e Soluções

3.1. ANÁLISE DE MERCADO

A nossa análise apenas reflecte a realidade do mercado nacional. Actualmente há dezenas de

empresas a produzirem e optarem por este tipo de solução. Das mais conhecidas mencionamos

as seguintes:

Colaborante

Alaco

Perfitec

Mundiperfil

Perfilnorte

Arval

O Feliz

A evolução do mercado obedeceu ás leis básicas da oferta e da procura. Ao longo dos anos

pequenas empresas locais foram produzindo esta solução com algum sucesso e só há pouco tempo têm aparecido as empresas de distribuição nacional. Este facto deve-se á relativa simplicidade com que esta solução pode ser fabricada. No entanto apesar de haver bastantes marcas no mercado as soluções apresentadas são em todos os casos muito semelhantes, sendo os perfis apresentados muito influenciados pelos fabricantes europeus e americanos que estiveram na génese desta solução. Pensa-se que o sistema de lajes mistas aço-betão foi concebida nos anos 30 com a criação do “Steel Deck

Institute”. Ao longo dos anos os perfis foram evoluindo e foi-se dada uma crescente importância

a factores relacionados resistência ao fogo, acústica e térmica. A crescente documentação e

legislação sobre este sistema também contribui de forma vital para o crescimento do sector.

As chapas perfiladas a frio dos fabricantes portugueses têm uma espessura variável entre os

0.7mm e os 1.2mm, em termos de altura da laje estes valores variam entre os 10cm e os 25cm.

A nível de perfil cada um apresenta a sua singularidade sendo no entanto sempre muito

semelhante como já foi anteriormente referido.

cada um apresenta a sua singularidade sendo no entanto sempre muito semelhante como já foi anteriormente

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3.2. TIPO DE SOLUÇÕES

Existem genericamente 3 Tipos de lajes perfiladas:

Nervuras Abertas

Nervuras Reentrantes

Nervuras Altas

Abertas ∑ Nervuras Reentrantes ∑ Nervuras Altas No entanto as mais comuns e predominantes no mercado
Abertas ∑ Nervuras Reentrantes ∑ Nervuras Altas No entanto as mais comuns e predominantes no mercado
Abertas ∑ Nervuras Reentrantes ∑ Nervuras Altas No entanto as mais comuns e predominantes no mercado

No entanto as mais comuns e predominantes no mercado são as de nervuras abertas que correspondem a mais de 90% da cota de mercado.

4. Dimensionamento e Disposições Construtivas

Os maiores fabricantes de chapas perfiladas para o uso de lajes mistas já disponibiliza tabelas de dimensionamento directo, o que se torna bastante útil para soluções correntes. Para soluções estruturalmente mais complexas deverão ser seguidas as indicações dispostas no Eurocódigo 4. Estas tabelas simplificadas deverão ter em conta a análise da estrutura em fase definitiva e em fase provisório, ou seja antes de se proceder á betonagem. Segundo a legislação em vigor o dimensionamento de uma laje mista deve-se basear nos seguintes pressupostos:

cargas uniformemente distribuídas na fase definitiva (fase mista);

cargas permanentes na fase mista incluem apenas o peso próprio da laje sendo as restantes cargas permanentes adicionadas à sobrecarga;

as

flecha máxima admissível para a fase definitiva igual a L/300;

a fluência do betão a longo prazo é tida em conta considerando um módulo de elasticidade reduzido dado por Ecm/2;

armadura mínima de 80 mm2/m em cada direcção na face superior;

nas lajes mistas contínuas é considerada uma redistribuição máxima de momentos flectores negativos de 30%;

a armadura de continuidade em lajes mistas contínuas é constituída por Ø10 mm // 0.15

m

em aço S500;

em lajes mistas com continuidade, mas dimensionadas como simplesmente apoiadas, deve ser colocada nos apoios intermédios (na face superior) uma armadura longitudinal para controlo de fendilhação igual a 0.4% ou 0.2% da área da secção transversal de betão acima das nervuras, consoante a laje seja escorada ou não escorada na fase de construção, respectivamente. Em lajes contínuas esta armadura deve ser calculada de acordo com a cláusula 7.3 da norma EN 1992-1-1;

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os valores de m e k obtidos nos ensaios realizados com betão C25/30, são válidos para todas as classes superiores à C25/30 e também para a classe C20/25;

as almas da chapa, devido à existência das bossas e ao efeito “harmónica”, foram consideradas através de uma espessura reduzida.

Na fase construtiva as chapas são sempre consideradas como simplesmente apoiadas entre qualquer apoio ou escoramento:

as chapas foram verificadas para estados limites últimos e para estados limites de serviço; para verificação do estado limite de serviço foi considerada como limite uma flecha máxima de L/240;

na fase construtiva foram consideradas as acções indicadas na Figura 3;

a carga 1 representa o peso próprio da chapa mais o betão fresco. A carga 2 representa uma sobrecarga construtiva com uma largura máxima de actuação de 3 metros e a carga 3 representa também uma sobrecarga construtiva que deve ser aplicada, quando a largura é superior a 3 metros, na área excedente.

quando a largura é superior a 3 metros, na área excedente. Na figura abaixo está presente

Na figura abaixo está presente o exemplo de uma tabela de cálculo directo para a laje mista.

na área excedente. Na figura abaixo está presente o exemplo de uma tabela de cálculo directo

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Para o correcto funcionamento do sistema deverão ser tidos em conta as disposições construtivas presentes no EC4.

Para o correcto funcionamento do sistema deverão ser tidos em conta as disposições construtivas presentes no
Para o correcto funcionamento do sistema deverão ser tidos em conta as disposições construtivas presentes no

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5. Análise Técnico-Económica

A análise que se pretende realizar tem como objectivo perceber quais as implicações económica

resultantes da escolha de uma solução de lajes mistas quando comparadas com as restantes soluções presentes no mercado. Dos vários estudos apresentados pelos fabricantes quase todos apresentam falhas de contabilização de tarefas imprescindíveis para o correcto funcionamento

da solução.

O estudo seguinte compara 3 soluções distintas:

Laje maciça

Laje de vigotas

Lajes mista Aço-Betão

Para a comparação de custos foram incluídos desde custo de material, mão-de-obra, montagem

e transporte. Os resultados obtidos permitem avaliar os custos relativos dos diversos

componentes necessários a execução das lajes e da estrutura e o seu impacto no custo total da obra. Além disso, é possível avaliar quais as características mais competitivas de cada tipo de laje que subsidia uma decisão racional sobre a solução estrutural para lajes de edifícios em aço.

Serão adoptados os seguintes valores de referência:

Preço do betão C25/30 70€/m 3

Preço do aço A500 NR 0.80€/ml

Preço da cofragem 15€/m 2

Preço do perfil de aço laminado S275 JR 1.70€/kg

Preço de chapa perfilada PC 65 h=0.9mm 9.80€/m 2

Para isto decidimos implementar a mesma solução num edifício residencial de 8 pisos com uma malha de pilares de 6m por 6m com uma área total de 540m 2 por piso.

num edifício residencial de 8 pisos com uma malha de pilares de 6m por 6m com

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TECNOLOGIA DE SISTEMAS CONSTRUTIVOS 5.1. L AJE M ACIÇA Depois de um breve dimensionamento para esta

5.1. LAJE MACIÇA

Depois de um breve dimensionamento para esta solução serão adoptadas vigas periféricas com 0.25mx0.40m com uma densidade de 100kg/m 3 , vigas centrais com 0.25mx0.40m com uma densidade de 120kg/m 3 , a laje será de 20cm com uma densidade de 90Kg/m 3 .

Betão: 0.20x18x30=108m 3 96x0.25x0.20=4.8m 3 132x0.25x0.20=6.6m 3

Total: 8358€

Cofragem: 18x30=540m 2 96x0.4+96x0.2=57.6m 2 132x0.2x2=52.8m 2

Total: 9756€

Armadura: 108x110=11880kg

4.8x100=408kg

6.6x120=792kg

Total: 10464€

CUSTO TOTAL: 52.93€/m 2

5.2. LAJE DE VIGOTAS

Para esta solução serão adoptadas vigas periféricas com 0.25mx0.50m com uma densidade de 120kg/m 3 , vigas centrais com 0.25mx0.50m com uma densidade de 170kg/m 3 , a laje será de 25cm composto por vigota dupla DA “Pretlanti” 2V2 33x20-25 com uma densidade de 11kg/m 2 , com custo composto de 34.25€.

Betão: 0.25x0.50x96=12.0m 3

0.25x0.50x72=8.75m

0.25x0.25x60=3.75m

3

3

Total: 1715€

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Cofragem: 1.25x96=120m 2

2

1.25x72=90m

0.25x60=15m 2

Armadura: 12x120=1440kg

8.75x170=1487.5kg

3.75x60=225kg

Laje 2V2 33x20-25:

CUSTO TOTAL 45.45€/m 2

5.3. LAJE MISTA AÇO-BETÃO

Total: 3375€

Total: 2522€

Total: 16933.2€

Para esta solução serão adoptadas vigas periféricas HEA, afastadasn3.0m. A laje será do Tipo HC60 com 14 cm de altura. Nesta solução deu-se especial relevo ao preço composto da laje colaborante e das vigas metálicas que suportam a estrutura. Nas armaduras foram incluídas uma malhasol AR42 (1,20€/kg), e 1,1Kg de armadura por m 2 de laje. O preço do perfil HC60, utilizado como cofragem, tem no seu custo reflectido o valor de transporte, montagem e colocação de conectores.

Betão: 0.105x540=56.7m 3

Total: 3969€

Cofragem HC60 0.8mm: 18x540=m 2

Total: 9720€

Armadura: 1.15x540=621kg

1.1x540=594kg

Total: 1220.5€

Vigas Metálicas: IPE240 258x36.1=9313.8kg IPE300 60x42.2=2532kg

Total: 20137.9€

CUSTO TOTAL 64.90€/m 2

5.4. CONCLUSÃO ESTUDO ECONÓMICO

Como seria de esperar a solução de laje aligeirada revela-se a solução mais económica, e a laje mista a mais cara. No entanto há outros custos que não foram contabilizadas mas que tornarão esta diferença menos significativa. A leveza da laje mista vai resultar num aligeiramento de pilares e fundações. Os custos de estaleiro e de mobilização de equipamentos para a obra serão também em grande parte reduzidos devido á rapidez com que estas lajes podem ser executadas.

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6. Legislação e Regulamentos Aplicáveis.

Actualmente, o dimensionamento deste tipo de laje é previsto na norma NP EN 1994-1-1:

Projecto de Estruturas Mistas Aço-betão – Regras Gerais e Regras Para Edifícios. Neste regulamento são apresentados modelos de cálculo para a verificação da resistência à flexão, ao esforço transverso, ao punçoamento, bem como para a verificação de condições de serviço:

deformações, vibrações e fendilhação. Contudo, a verificação da resistência ao corte longitudinal, o modo de rotura mais condicionante em vãos correntes, carece da obtenção por via experimental dos parâmetros m e k. As verificações de segurança dos perfis em fase construtiva foram realizadas de acordo com a norma EN 1993-1-3 Projecto de Estruturas de Aço – Elementos e Chapas Finas Enformados a Frio. Nesta fase, a chapa metálica, eventualmente com alguns escoramentos provisórios, constitui o único elemento resistente.

Os ensaios para caracterização da conexão aço-betão devem ser realizados de acordo com o Anexo B.3 da norma NP EN 1994-1-1.

Deverá ainda ser avaliado o comportamento dinâmico (vibrações) de lajes mistas. Entende-se por estado limite de vibração, a garantia de níveis de conforto compatíveis com o tipo de utilização do piso. As acções dinâmicas consideradas nesta verificação são, exclusivamente, as acções resultantes da movimentação de pessoas durante o uso normal do pavimento.

A verificação do estado limite de vibração deve seguir a metodologia prevista em ‘Design Guide for Floor Vibrations’. Nesta metodologia utiliza-se o parâmetro OS-RMS 90(One Step Root Mean Square) correspondente à vibração harmónica induzida no pavimento pelo passo representativo da circulação de pessoas.

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7. Exigências de desempenho e Marcação CE

Os diferentes elementos de um edifício devem contribuir para a satisfação da necessidade dos utentes. A laje mista em aço e betão tem que ter a sua quota-parte nessa mesma satisfação e garantir as exigências essenciais a qualquer elemento usado na construção.

Em 1989, surge a “Directiva dos Produtos de Construção” (DPC), apresentando o conceito de exigência essencial. Estas constituem o conjunto de requisitos mínimos que qualquer obra deve ter de maneira a poderem ser consideradas aptas para o uso no seu período de vida.

A manutenção de níveis adequados de desempenho dos elementos que constituem a laje colaborante é garantida através da satisfação das seguintes exigências funcionais, propostas pela UEAtc. Estas podem-se agrupar em três classes fundamentais: exigências de segurança, exigências de habitabilidade e exigências de durabilidade.

Exigências de segurança:

Segurança estrutural – dimensionamento para combinações de acções;

Segurança contra riscos de incêndio;

Segurança contra riscos inerentes ao uso normal – acções de punçoamento e acções

de choques acidentais;

Resistência das camadas não estruturais da cobertura a outras acções – acção dos

agentes atmosféricos e variações das condições ambientais interiores.

Exigências de habitabilidade:

Estanquidade – à água, neve, poeiras e ao ar;

Conforto térmico – conforto de Inverno e de Verão;

Conforto acústico – sons aéreos e sons de percussão;

Conforto visual – iluminação natural e reflectividade da camada de protecção;

Disposição de acessórios e equipamentos;

Aspecto – Exterior e Interior.

Exigências de durabilidade:

Conservação das qualidades – conservação das resistências mecânicas e Resistência a acções decorrentes do uso normal;

Limpeza, manutenção e reparação – limpeza e manutenção e reparação;

Exigências de economia

limitação do custo global e economia de energia.

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É obrigação do fabricante ou do seu mandatário estabelecido na união Europeia por a marcação CE no próprio produto, num rótulo, nele fixado, na respectiva embalagem ou nos documentos comerciais de acompanhamento antes da colocação no mercado, nos termos dos números seguintes.

A marcação CE, constituída pelas iniciais «CE», deve ser colocada de forma visível, facilmente legível e indelével e acompanhada da informação indicada no anexo.

A aposição da marcação CE significa que os produtos de construção foram objecto de uma

declaração de conformidade CE emitida pelo fabricante e, quando aplicável, de um certificado de conformidade CE emitido por um organismo notificado e que estão de acordo com as especificações técnicas.

8. Vantagens e Desvantagens das Lajes Mistas Aço-Betão

De uma forma sumário pretendemos neste capitulo enumerar as principais vantagens e desvantagens das lajes mistas. Como vantagens:

(i) elevada rapidez de execução que resulta numa considerável economia de tempo;

(ii) as chapas são transportadas facilmente pois são leves, sendo fixadas no local por um numero

reduzido de trabalhadores;

(iii) a qualidade das chapas e dos elementos de fixação é controlada em fábrica, com tolerâncias rígidas e procedimentos de qualidade estabelecidos;

(iv) as chapas de aço depois de montadas, constituem uma excelente plataforma de trabalho, que permite a movimentação de pessoas e apoio para materiais;

(v) não necessita de escoramento para suportar a fase de endurecimento do betão, o que

simplifica em muito a execução da obra, permitindo velocidades de construção mais rápidas e

uma movimentação de pessoas e materiais nos pisos inferiores;

(vi) menor quantidade de armazenamento de material no estaleiro de obra.

(vii) possibilidade de ser combinada com todos os tipos de estrutura: metálica, betão, tijolo e madeira.

Como desvantagens:

(i) é necessário maior nível de especialização do pessoal e devem existir planos de montagem;

(ii)

necessário uma grande pormenorização dos aspectos construtivos;

(ii)

a resistência do aço sob acção do fogo. As chapas perfiladas apenas apresentam uma

resistência ao fogo de 30min.

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9.

Conclusão

No mundo da construção, as técnicas e processos construtivos estão em constante evolução, com necessidade de optimizar prazos, melhoria de aspectos técnicos de projecto de rapidez e simplificação de execução e no controle de qualidade dos materiais. As lajes mistas são assim um reflexo desses aspectos.

Num contexto geral, as razões para a sua utilização são:

(i) a cada vez maior necessidade de racionalização dos processos construtivos;

(ii)a existência de prazos muito reduzidos para a execução das estruturas;

(iii) a realização de edifícios cada vez mais altos com tecnologias cada vez mais complexas;

(iv) a possibilidade de utilizar as chapas perfiladas como base de apoio, não necessitando de cofragem para a betonagem;

(v) a não necessidade de escoramento da laje, até determinado comprimento de vãos.

É neste contexto, que as lajes mistas aço-betão são soluções interessantes, especialmente quando combinadas com estruturas metálicas.

Fazendo um balanço das vantagens desta solução com o seu peso económico diria que estamos perante uma solução eficiente e rentável para um tipo especifico de obra, em que o aspecto financeiro não seja o elemento preponderante.

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10. Bibliografia

[1] www.colaborante.pt

[2] www.alaco.pt

[3] http://www.celprom.com.br/produto12.html

[4] http://www.constructalia.com/

[5] http://www.constructalia.com/portugues_pt/products/pavimentos/laje_colaborante/

[6] http://gustavogm.blogspot.com/2011/03/lajes.html

[7] http://revista.construcaomercado.com.br/negocios-incorporacao-construcao/108/mercado-

em-formacao-uso-de-lajes-steel-deck-ainda-178014-1.asp

[8] SDI Manual of Construction with Steel Deck, 2009

[9] Design Manual for Composite Decks, Form Decks and Roof Decks No. 30, 2007

[10] WEI-WEN YU, ROGER A. LABOUBE, Cold Formed Steel Design, 2010

[11] FEMA, Techniques for the Seismic Rehabilitation of existing buildings, 2008

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