DOUTO JUÍZO DA 1ª VARA CIVEL DA COMARCA DE
CANOINHAS/SC.
XXXXXX e XXXXXXXX, brasileiros, casados entre si, pelo
regime deXXXXXXX, ele chapeador, portador da RG nºxxxxx,
inscrito no CPF sob nºxxxxxx, residente e domiciliado na
localidade de Rua xxxx, ela do lar, portadora da RG nºxxxxx,
inscrita no CPF sob o nºxxxxxxx, residente e domiciliada na Rua
xxxxx, por sua advogada infra-assinada, vêm, perante Vossa
Excelência, com espeque nos artigos 1.571 e ss, do Código Civil,
e na Lei n. 6.515/77, propor a presente AÇÃO DE DIVÓRCIO
CONSENSUAL, consubstanciada no § 6º do artigo 226 da
Constituição Federal, pelos fatos e fundamentos a seguir
elencados:
Inicialmente, vale destacar que o casal proponente da
presente ação de divórcio consensual é casado pelo regime de
xxxxxxxxx, desde o dia xxxxxxxxxxxxxx, sendo que dessa união
nasceram três filhos e constituíram patrimônio. (doc. anexos)
Contudo, não possuem mais ânimo em continuar a vida
conjugal ante o término da afetividade recíproca, razão pela qual
propõem a presente demanda objetivando o divórcio do casal
sob as seguintes ressalvas.
I - DO NOME DE SOLTEIRA:
Acordam os Requerentes que a cônjuge varoa voltará a
usar seu nome de solteira, qual seja, xxxxxxxxxxxxxxx, tudo de
acordo com o permissivo § 2º do artigo 1.578 do Código Civil.
II – DOS FILHOS COMUM.
Da união do casal, nasceram três filhos:
1.xxxxxxxxx, brasileiro, menor impúbere com 12 (doze) anos de
idade, nascida em xxxxxxxxxxxx, certidão de nascimento
nºxxxxxxxxxxxxxxxx, do Cartório de Registro de Pessoas
Naturais da Comatca de Canoinmhs - SC. (doc. em apartado).
2.xxxxxxxxx, brasileiro, menor púbere com 17 (dezesete) anos
de idade, nascida em xxxxxxxxxxxx, certidão de nascimento
nºxxxxxxxxxxxxxxxx, do Cartório de Registro de Pessoas
Naturais da Comatca de Canoinmhs - SC. (doc. em apartado).
2.1 - DA GUARDA E PENSÃO ALIMENTÍCIA DOS FILHOS
MENORES.
Desde a separação de fato do casal, que se deu xxxxx, os
genitores estão de fato exercendo a guarda compartilhada dos
menores, ou seja, o tempo de convívio com os filhos vem sendo
dividido de forma equilibrada entre os pais, tendo em vista as
condições fáticas e os interesses dos menores, em consonância
com o § 2º do artigo 1.583 do Código Civil .
Ainda, cada genitor vem arcando com os custos dos
menores no período em que estão com a posse e
responsabilidade dos adolescentes, não havendo prestação
alimentar um para com o outro.
Nesse viés, visando o melhor desenvolvimento dos
adolescentes, mormente pelo maior convívio com ambos os
genitores, e, encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer
o poder familiar, os requerentes acordaram, amigavelmente, em
exercerem a guarda dos adolescentes na modalidade de guarda
compartilhada.
Outrossim, informa que o lar de referência do menor xxxx
(12 anos), será o do genitor e o lar de referência do menor xxx
(17) será o da genitora.
III - DOS ALIMENTOS.
O casal divorciando dispensa reciprocamente o pagamento
de alimentos, considerando que ambos possuem condições de
auto se sustentarem.
IV - DOS BENS E SUA PARTILHA.
Durante a convivência em comum, houve aquisição dos
seguintes bens:
a) O terreno urbano com área de xxxxxx (xxxxxxxxx), situado
no lugar denominadoxxxxxx, demarcado dentro das
confrontações constantes na matrícula de número
xxxxxx do Cartório de Registro de Imóveis desta comarca,
cuja cópia segue em apartado, que ficará na proporção
de 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge.
A casa edificada sob o terreno acima descrito (não
averbada) ficará na totalidade para a divorcianda.
b) Quanto aos bens móveis que guarnecem a residência, já
foram divididos amigavelmente entre as partes.
Com a presente partilha dos bens adquiridos na constância do
casamento, as partes se dão justas, combinadas e contratadas,
nada mais tendo a reclamar uma com a outra, seja a que título
for.
V- DO DIREITO.
É cediço que a Emenda Constitucional nº 66, publicada no
dia 14 de julho de 2010, deu nova redação ao § 6º do art. 226 da
Constituição Federal, que dispõe sobre a dissolubilidade do
casamento civil pelo divórcio, suprimindo o requisito de prévia
separação judicial por mais de 01 (um) ano ou de comprovada
separação de fato por mais de 02 (dois) anos.
Destarte, a nova redação do parágrafo 6º do art. 226 da CF
dispõe:
Art. 1º: O § 6º do art. 226 da Constituição Federal passa a vigorar com
a seguinte redação:
"Art. 226_.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio." .
Com a alteração, fica definitivamente banida do sistema a
separação de direito, seja ela judicial (arts. 1571 e segs. do CC)
ou extrajudicial (lei 11.441/07).
Doutro norte, quanto a guarda dos menores, vale
mencionar a Carta Magna, que assegura: “os pais têm o dever
de assistir, criar e educar os filhos menores [...]” (CF, art. 229).
Outrossim, o art. 21 da Lei 8069/90 (Estatuto da Criança e
do Adolescente), estabelece:
Art. 21. O poder familiar será exercido, em igualdade de
condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a
legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de em
caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária
competente para a solução da divergência. (grifo meu)
Por sua vez, o Código Civil determina:
Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada
[....]
§ 2o Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com
os filhos deve ser dividido de forma equilibrada com a
mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições
fáticas e os interesses dos filhos. (grifo meu)
Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser:
II – decretada pelo juiz, em atenção a necessidades
específicas do filho, ou em razão da distribuição de
tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a
mãe.
§ 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à
guarda do filho, encontrando-se ambos os genitores aptos
a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda
compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao
magistrado que não deseja a guarda do menor. (grifo meu)
[...]
Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a
sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que
consiste em, quanto aos filhos:
I - dirigir-lhes a criação e a educação;
II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos
termos do art. 1.584; (grifo meu)
No presente caso, ambos os genitores tem plena
capacidade de exercer o poder familiar, e, têm possibilidade de
flexibilizar suas rotinas para que o convívio com seus filhos se dê
de forma equilibrada e igualitária entre os pais.
Assim, pretendem os requerentes, consensualmente, o
exercício da guarda na modalidade de GUARDA
COMPARTILHADA, com espeque na Lei 13.058/2014, visto que
esta modalidade atende os melhores interesses dos
adolescentes.
Dessa forma pede-se que seja deferido o pedido de guarda
compartilhada, tendo em vista que ambos os requerentes
encontram-se aptos a exercer o poder familiar.
VI - DOS PEDIDOS.
Diante de todo o exposto, pugnam a Vossa Excelência a
homologação da presente Ação de Divórcio em todos os seus
termos, especialmente para:
a) deferir o pedido de alteração do nome da autora para aquele
de solteira, qual seja, xxxxxxxxxxxxx, de acordo com o § 2º do
art. 1.578 do Código Civil;
b) deferir a guarda dos filhos menores para ambos os genitores
na modalidade de GUARDA COMPARTILHADA.
d) expedir o competente ofício para averbar a
homologação desta ação de divórcio na Certidão de
Casamento dos Requerentes, lavrada sob o nº
xxxxxxxxxxxxxxxxx do Cartório de Registro de Pessoas Naturais
desta comarca.
e) expedir a competente carta de sentença endereçada ao
Cartório de Registro de Imóveis para constar o divórcio do
casal na matrícula número xxxxxxx bem como a partilha
acordada na proporção de 50% (cinquenta por cento para cada
divorciando)
f) a intervenção do ilustre representante do Ministério Público no
presente feito;
Protestam pela juntada de todos os documentos anexados
para a comprovação dos fatos ora alegados e por eventuais
outros que Vossa Excelência entenda como necessários à
homologação desta.
Dá a causa, somente para efeitos fiscais, o valor de R$
xxxxxxxxxx (xxxxxxxxxxxxxxxxx).
Nestes termos,
Pedem e esperam deferimento.