O Dragão e o Cavaleiro
Em um reino distante, onde as montanhas tocavam o céu e os rios dançavam entre os
vales, havia uma criatura lendária que todos temiam e reverenciavam. Seu nome era Azoth,
um dragão colossal cujas escamas eram feitas de ouro brilhante e cujos olhos ardiam com o
fogo da criação. Ele habitava uma caverna profunda nas Montanhas da Névoa, onde
ninguém ousava se aproximar, pois seu rugido podia fazer a terra tremer e seus sopros
destruíam tudo em seu caminho.
Mas Azoth não era apenas um dragão de força imensa e poder incompreensível. Ele
carregava uma tristeza profunda em seu coração. Há muito tempo, ele havia sido encantado
por uma feiticeira que lhe concedera um desejo: se algum dia ele desejasse, poderia se
transformar em humano, para viver entre os mortais. Azoth, cansado de sua solidão e de
sua natureza feroz, sonhava em entender o amor e a amizade dos humanos, mas jamais
teve coragem de abandonar sua forma imponente.
Até que, um dia, o destino lhe deu uma razão para mudar.
Um cavaleiro chamado Edgar, jovem e destemido, atravessava as terras em uma missão
sagrada para derrotar o dragão que atormentava o reino. Ele vinha de uma linhagem de
guerreiros valorosos, mas, ao contrário dos outros cavaleiros que o precederam, Edgar não
sentia raiva do dragão. Ele sabia que a fera não era um monstro, mas uma alma perdida,
atormentada pela solidão.
Quando Edgar finalmente chegou à caverna de Azoth, encontrou o dragão descansando.
Sem sua espada, sem seu escudo, ele se aproximou, decidido a falar ao invés de lutar.
— Eu sei quem você é, disse Edgar em voz firme. Mas também sei que você não quer
ser o inimigo. Não precisa lutar. Eu vejo em seus olhos o cansaço de um ser que só
deseja compreensão.
Azoth, surpreso por ouvir palavras tão gentis, olhou para o cavaleiro com um olhar que
refletia sua solidão. E então, pela primeira vez, ele usou a magia da feiticeira e, com um
profundo suspiro, se transformou. Suas enormes asas desapareceram, suas escamas
deram lugar a pele humana, e o fogo em seus olhos se suavizou. Azoth agora era um
homem, com a aparência de um guerreiro imponente, mas com a alma de um dragão.
Edgar, maravilhado e sem medo, deu um passo à frente.
— Você é... humano agora, disse Edgar com uma voz suave, como se tentasse entender o
que acabara de acontecer. Mas continua sendo a mesma criatura por dentro, não é?
Azoth, agora em sua forma humana, sorriu triste. Ele sentiu o calor das emoções humanas
pela primeira vez, e entre elas, algo novo e inesperado floresceu: o amor.
Nos dias que seguiram, Edgar e Azoth passaram a se conhecer, trocando histórias de seus
passados e sonhos de um futuro possível. O cavaleiro, com sua bondade, ensinava a Azoth
a beleza das relações humanas, enquanto o dragão, com sua sabedoria e coragem,
mostrava a Edgar o que significava ser livre e viver sem medo.
Com o tempo, algo mais profundo cresceu entre eles, algo que ambos não haviam
antecipado: o amor. Azoth, que antes era uma fera indomada, agora amava Edgar com a
paixão de mil estrelas. E Edgar, que sempre buscava um propósito em suas batalhas,
encontrou em Azoth algo que nunca imaginou: um companheiro para toda a vida.
Porém, a magia da transformação de Azoth tinha um preço. A cada dia que passava em sua
forma humana, o dragão perdia um pouco de seu poder ancestral. Ele sabia que, em breve,
seria forçado a escolher entre sua forma humana e sua verdadeira essência.
E assim, com o coração pesado, Azoth fez a única escolha que podia fazer: permanecer
humano, ao lado de Edgar, o cavaleiro que havia conquistado seu coração.
Juntos, os dois viajavam pelas terras, enfrentando desafios e vivendo aventuras, mas
sempre com o peso de saber que, eventualmente, Azoth teria que decidir. Poderia ele
permanecer humano, ou seria forçado a retornar à sua forma original e viver separado de
Edgar, o amor de sua vida?
A resposta, porém, não estava nas escolhas que ele fazia, mas no amor incondicional que
ambos compartilhavam — um amor tão forte que poderia desafiar até mesmo os deuses e
as estrelas.