A CIDADANIA NO BRASIL A história da cidadania no Brasil está diretamente ligada ao estudo histórico da evolução constitucional do País.

A Constituição imperial de 1824 e a primeira Constituição republicana de 1891 consagravam a expressão cidadania. Mas, a partir de 1930, observa Wilba Bernardes, ocorre uma nítida distinção nos conceitos de cidadania, nacionalidade e naturalidade. Desde então, nacionalidade refere-se à qualidade de quem é membro do Estado brasileiro, e o termo cidadania tem sido empregado para definir a condição daqueles que, como nacionais, exercem direitos políticos. A história da cidadania no Brasil é praticamente inseparável da história das lutas pelos direitos fundamentais da pessoa: lutas marcadas por massacres, violência, exclusão e outras variáveis que caracterizam o Brasil desde os tempos da colonização. Há um longo caminho ainda a percorrer: a questão indígena, a questão agrária, posse e uso da terra, concentração da renda nacional, desigualdades e exclusão social, desemprego, miséria, analfabetismo, etc. Entretanto, sobre a cidadania propriamente dita, dir-se-ia que esta ainda engatinha, é incipiente. Passos importantes já foram dados. A segunda metade do século XX foi marcada por avanços sócio-políticos importantes: o processo de transição democrática, a volta de eleições diretas, a promulgação da Constituição de 1988 “batizada” pelo então presidente da constituinte Ulysses Guimarães de a “Constituição Cidadã”. Mas há muito que ser feito. E não se pode esperar que ninguém o faça senão os próprios brasileiros. A começar pela correção da visão míope e desvirtuada que se tem em ralação a conceitos, valores, concepções. Deixar de ser uma nação nanica de consciência, uma sociedade artificializada nos seus gostos e preferências, onde o que vale não vale a pena, ou a mediocridade transgride em seu conteúdo pelo arrastão dos acéfalos. Tem-se aqui uma Constituição cidadã, mas falta uma “Ágora” onde se possa praticar a cidadania, e tornar-se, cada brasileiro em um ombudsman de sua Pátria. É inegável que o Brasil é um País injusto, ou melhor, a sociedade brasileira é extremamente desigual. Basta ver os números do IBGE para indagarmos os motivos de tantos contrastes, de tão perversos desequilíbrios. E o que é pior: a cada pesquisa, as diferenças aumentam, a situação de ricos e pobres que parecem migrar para extremos opostos... nessa escala de aprofundamento das injustiças sociais, ao contrário do que desejava Ulysses Guimarães em seu discurso na Constituinte em 27 de julho de 1988:

Querer participar do processo de construção dos destinos da própria . de efeitos estruturais e capazes de mudar os rumos das tendências sócio-econômicas da sociedade brasileira não se podem vislumbrar. pacífico. se este é um País democrático? Será que se atribui muita importância.. povo capaz de reagir rápida e inteligentemente. ou se respeitam demais as chamadas minorias? As elites? As questões são mais profundas. reclamam e se incomodam com esta triste realidade. As soluções demandam “garimpagem” com muito tino e sabedoria. ainda. generoso. Assim. que passam logo e deixam a população ainda mais frustrada. requerem grande esforço social conjunto.. mas. “ Cidadão é o usuário de bens e serviços do desenvolvimento. objetivos e sem a essência obrigatória do curto prazo. comprometendo-se com os seus eleitos. sensível ante os problemas alheios. ante a situações adversas. meios e finalidades claros. Por que tudo isso continua? Falta vontade dos governos? Ao que parece. ações consistentes. porque recuperará como cidadãos milhões de brasileiros. mais descrente. sim. Há que se pensar algo mais racional. segregados nos guetos da perseguição social”. apontando o que aprova e o que não aprova das suas ações. falta a cidadania. Povo alegre. todos se preocupam. por que não fazer valer esse desejo da maioria. Isso hoje não acontece com milhões de brasileiros. Isto supõe uma consciência de pertencimento à vida política do país. É vontade geral manifesta que haja um mínimo de justiça social. é uma qualidade da qual não prescinde um povo que se diz democrático. vão sentir-se cidadãos.“essa será a Constituição cidadã. vítimas da pior das discriminações: a miséria”. Não servem aqueles apelos carregados de emoção em busca de respostas emergentes e imediatas. Entretanto. Porém. solidário. Para que haja democracia é necessário que governados queiram escolher seus governantes. A outra condição para uma democracia sólida é a cidadania. construir a cidadania dos brasileiros. Alain Touraine1[16] vê a liberdade como a primeira das condições necessárias e suficientes à sustentação democrática. profundo e que tenha começo. criativo. Esta. Por falar em começo. Fala-se tanto das qualidades incomuns dos pátrios. queiram participar da vida democrática. que tal pensar-se em construir uma verdadeira cidadania? Aliás.

o Estado. ou seja. com capacidade crítica e comportamento de verdadeiro “também sócio” do seu país. enfim. História e análise da cidadania no Brasil O historiador José Murilo de Carvalho define cidadania como o exercício pleno dos direitos políticos. Este precisa de sustentação para o exercício do poder que requer múltiplas decisões. Estes não podem dar as costas para o seu governante apenas e principalmente porque ele exerceu a difícil tarefa de tomar uma atitude impopular. o governante executa negócios que. sobretudo na França e nas colônias inglesas na América do Norte. próprio de cidadão consciente. como um bem ou um valor pessoal. por assim dizer. o bem comum. razoável no cumprimento das suas finalidades e intransigente em relação aos seus princípios constitucionais.Nação. direitos civis. em muitos momentos. Neste sentido. desde que necessárias. talvez inatingível. em oposição a parasitas ou a pretensos parasitas sociais”. à igualdade de direitos. numa sociedade de bem-estar social. É nessas ocasiões que se faz necessário o discernimento. estas têm de ser levadas a cabo e com a cumplicidade dos cidadãos. Esta cidadania naturalizada é a liberdade dos modernos. nesta circunstância e contexto. a nação. mas necessária. o termo cidadão designa. Cidadania pressupõe também deveres. que este seja coerente com os seus fundamentos. o habitante da cidade "no cumprimento de seus simples deveres. É interessar-se pelo bom andamento das atividades do Estado."[8] A origem desta carta remonta das revoluções burguesas no final do século XVIII. em 1948: "toda pessoa tem direito à vida. Mas. à propriedade. pois. individual e. intransferível. O cidadão tem de ser cônscio das suas responsabilidades enquanto parte integrante de um grande e complexo organismo que é a coletividade. aprovada na Assembléia Geral das Nações Unidas.[7] Carvalho entende que esta categoria de liberdade consciente é imperfeita numa sociedade igualmente imperfeita. portanto. Ser cidadão é ter consciência de que é sujeito de direitos. Ser cidadão é sentir-se responsável pelo bom funcionamento das instituições. civis e sociais. à liberdade e à segurança pessoal. utópica. Mas este é um dos lados da moeda. a cidadania ideal é naturalizada pelo cotidiano das pessoas. políticos e sociais. Agradáveis ou não. como estabelece o artigo III da Declaração Universal dos Direitos Humanos. à liberdade. escolher um governante não basta. coletivo: a justiça em seu sentido mais amplo. com postura de cidadão.[9] . Direitos à vida. exigindo. O exercício do voto é um ato de cidadania. parecem estranhos aos interesses sociais. Somente assim se chega ao objetivo final. uma liberdade completa que combina igualdade e participação numa sociedade ideal. embora absolutamente indispensáveis. para cujo bom funcionamento todos têm de dar sua parcela de contribuição.

"expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo (. liberdade e segurança. Com a reconfiguração do Estado a partir de 1822. através de uma lei. fundamenta-se na concessão do Estado das garantias individuais de vida.[10] indivíduo de ação estabelecido na cidade moderna. prevalecendo o segundo para designar aquele indivíduo detentor dos privilégios da cidade na sociedade de corte.[16] portanto. este o divisor (monarquia-república) não significa no Brasil uma nova ordem onde a cidadania tem um papel na construção de sociedade justa e igualitária. O longo caminho inferido por José Murilo de Carvalho refere-se a isto: uma cidadania no papel e outra cidadania cotidiana. mas agir na cidade. o fidalgo é o detentor dos deveres e obrigações na cidade portuguesa. no exercício da vida prática. O habitante da cidade no cumprimento dos seus deveres é um sujeito da ação. tal é que ainda hoje discute-se nas altas esferas da jurisprudência brasileira se o cidadão negro é ou não é injustiçado pela história da nação.A etimologia da palavra cidadania vem do latim civitas. ou seja.[17] Considere-se que na perspectiva de uma cidadania plena. em contraposição ao sujeito de contemplação. cidade. não basta estar na cidade. Este aspecto é bem pronunciado na cidadania brasileira: estas garantias individuais jamais foram concedidas. povos. opinião pública. não haveria de persistir por tanto tempo tal dúvida. nos léxicos da língua portuguesa que circularam no início do século XIX. cidadão e cidadania entram no vocabulário dos discursos políticos. diz muito sobre o verbete.716 de 5 de janeiro de 1989[15] é um prolongamento da luta pela cidadania dos "homens de cor".)”. assim como os termos Brasil. conquistadas e/ou exercidas plena e simultaneamente em circunstâncias democráticas.[12] Neste contexto.. conquistada no dia-adia. conquistas e derrotas do cidadão brasileiro ao longo da história nacional. refere-se à qualidade de cidadão. brasileiros. O significado moderno da palavra é.[11] A rigor. anterior à independência política do Brasil. Neste sentido. neste contexto. escravista e centralizador. observa-se bem a distinção entre os termos cidadão (em português arcaico. portanto. a cidade e os problemas da cidade dizem respeito a todos os cidadãos. em oposição a brasílicos. incompatível com o regime monárquico. o cidadão é uma maneira genérica de designar a origem e o trânsito dos vassalos do rei nas cidades do vasto império português. vários conceitos políticos passaram por um processo de resignificação. América. É o caso da cidadania dos brasileiros negros: a recente Lei nº 7. um século para garantir. nação.ou indivíduo-Estado -. cidadam) e o fidalgo. a começar da história republicana. na medida em que esta ideia moderna. ou seja. cidade. cujo marco histórico formal é a Lei Áurea de 1888. omisso e absorvido por si e para si mesmo.[13] A partir disso. a relação indivíduo-cidade -. cidadania não combina com individualismo e com omissões individuais frente aos problemas da cidade.[14] Em outros termos. há uma cidadania no papel e outra cidadania cotidiana. o termo cidadania pode ser compreendido racionalmente pelas lutas. . tal como cidadão (ciudadano ou vecino no espanhol. de estado de direito político ou de bem-estar social. a palavra-raiz. citoyen em francês). americanos. Por exemplo: povo. No entanto. história. equilibrada e consciente. A cidadania. ciutadan em provençal. No Brasil. entre outros. a cidadania civil de metade da população brasileira. se os números do ultimo censo demográfico estão corretos..

seu direito de ir e vir sem ser agredida ou maltratada. ao nacionalismo. não é difícil encontrar nas manchetes e notícias dos jornais diários brasileiros práticas que contradizem as leis e subvertem o estado do direito. negado a sociedade. os direitos humanos contemplam também os infratores. inferido por José Murilo de Carvalho. agricultores sem-terra. em geral. deficientes mentais. conforme mencionamos. conquistado através de um "código eleitoral provisório" em 1932. a democracia e ao patriotismo do cidadão-comum.[27] o direito de votar e ser votado --[28] talvez o mais elementar da democracia moderna. homossexuais.[21] ampliando a conquista da liberdade civil de outra metade da população brasileira. o exercício diário destas conquistas com o objetivo exemplar de ampliar estes direitos na sociedade. No caso da mulher. existe também uma longa história de lutas cotidianas para conquistar estes direitos: o direito à liberdade de expressão. Embora existam leis que visam reparar injustiças. no percurso de sua história e. a chamada "Lei Maria da Penha". de reparações a injustiças sociais. crianças. garantir sua liberdade civil. Neste sentido. à liberdade e à segurança pessoal”. civis e políticas.O mesmo se pode dizer da cidadania da mulher brasileira: a Lei 11. como forma de compensação. mas também contra trabalhadores assalariados. ratificado em 1946. na já longa história da cidadania brasileira. o direito de votar.[29] É esta luta cotidiana por direitos elementares que define a cidadania brasileira e não os apelos ao pertencimento. por exemplo. criou mecanismos "para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher". em contrapartida. aposentados. idosos.[24] o direito de organizar e participar de associações comunitárias.[25] o direito a um salário justo.[22] São exemplos de como a cidadania é conquistada. a prática efetiva e consciente.340 de 7 de Agosto de 2006[18]. etc. presente e futuro da nação. a lei chega com atraso.[19] A lei do divórcio obtida em 1977. Este é o caminho longo e cheio de incertezas.por assim dizer --. a custa de esgotamentos e longas negociações políticas. Neste contexto. portanto.[20] ratificada recentemente pela chamada Nova Lei do Divórcio.[26] o direito a um pedaço de terra para plantar e colher. na forma da lei. . indígenas. a lei torna-se o último recurso da cidadania. a uma renda mínima e a condições para sobreviver. Ou seja. a rigor. “toda pessoa tem direito à vida. adolescentes. que a cidadania brasileira é a soma de conquistas cotidianas. deficientes físicos. para exercer a cidadania brasileira em sua plenitude torna-se absolutamente necessário a percepção da dimensão histórica destas conquistas no percurso entre passado. praticada no cotidiano. uma vez que. aquela cidadania desejada.[23] Um caso prático para ilustrar esta realidade cotidiana é a superlotação dos presídios e casas de custódia. sindicatos trabalhistas e partidos políticos. não apenas contra negros e mulheres. Esta é a originalidade e especificidade da cidadania brasileira. como retificação de várias injustiças históricas com o gênero. de forma dramática -. Pode-se entender.

Cidadania não tem idade Escrito por Margarida Simplicio | 30 Outubro 2009 .

respeitar e ouvir o idoso são obrigações de toda a sociedade. O Dia Nacional do Idoso foi estabelecido em 1999 pela Comissão de Educação do Senado Federal e serve para refletir a respeito da situação dos idosos no país. Afinal. abandono da família. destacando a família. . os gestores públicos. Portanto. Trata-se de um modelo que deve ser seguido em todo o país. ainda há muita desinformação sobre as particularidades do envelhecimento e muito preconceito e desrespeito em relação às pessoas idosas.º 10. são muitos os problemas enfrentados pelos idosos em seu dia-a-dia: a perda de contato com a força de trabalho. com um processo de envelhecimento assegurado e com as formas de garantir Políticas Públicas em que se possibilite envelhecer com dignidade e justiça social.741. O avanço da medicina e a melhora na qualidade de vida são as principais razões desta elevação da expectativa de vida em todo o mundo. E não podemos esquecer de dizer que o Dia 27 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Idoso e o dia 1º de Outubro o Dia Internacional do Idoso. dos movimentos sociais de defesa dos Direitos das Pessoas Idosas. falta de projetos e de atividades de lazer. desvalorização de aposentadorias e pensões. do governo. depressão. participação efetiva na sociedade e seja protagonista da sua própria história.O Estatuto do Idoso constitui um instrumento de cidadania a serviço das pessoas que tenham idade igual ou superior a 60 anos. lazer e atendimento prioritário para os idosos. pela primeira vez na história. Fruto de luta dos movimentos sociais de idosos. esses direitos se materializem. apresentando-se como um meio de garantia de Direitos Fundamentais à Pessoa Idosa. A população no mundo está ficando cada vez mais velha e. de 01 de outubro de 2003. dando ao idoso condições de buscar sua autonomia. a aprovação do Estatuto do Idoso foi uma forma de instrumentalizar a sociedade brasileira. transporte. além do difícil acesso a planos de saúde são os principais. segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). que representam 8% de sua população. Apesar disso. principalmente nos países pobres ou em desenvolvimento. haverá mais idosos do que crianças no planeta. para que de fato. Por esta razão. por volta de 2025. No Brasil. e em especial a Pessoa Idosa em uma perspectiva de garantir seus Direitos Fundamentais. é necessário torná-lo acessível a todos/as. que já foi celebrado como o país dos jovens. tem hoje cerca de 13.5 milhões de idosos. como processo de garantir os direitos desta população. Nosso país tem hoje o Estatuto do Idoso. o país será o sexto no mundo com o maior número de pessoas idosas. O Estatuto veio assegurar um envelhecimento digno e com qualidade de vida. que regulamenta os direitos das pessoas com mais de 60 anos em temas como saúde. O Brasil. Em 20 anos. buscando um sistema novo de seguridade econômica e social para uma sociedade que envelhece. seus direitos e dificuldades. Lei n. que é modelo seguido em todos os países. Esta Lei demonstra uma preocupação e compromisso dos gestores públicos.

polissêmico. conforme promovam ou se distanciem do bem-comum da sociedade. divergente. um movimento pluralista. Vamos tentar definir em primeiro lugar.EXERCÍCIO DA CIDADANIA E DEFESA DE VALORES O exercício da cidadania. que se mostram indispensáveis para a otimização do convívio social. liberdade. oferece aos cidadãos. o gozo atual de direitos e a obrigação do cumprimento de deveres. por todos os meios a que tenham acesso. efetivada. polêmico. A cidadania. b) contratos . no Estado democrático de direito. que. na elaboração da legislação positiva em consonância com a lei natural. com a política de assimilação e não de dominação dos povos conquistados). b) para os demais cidadãos. representa a defesa dos valores fundamentais da civilização ocidental. O que é educação para a cidadania? A palavra é tão usada que acaba se desgastando e perdendo a sua força e o seu significado. devemos reconhecer como fontes últimas de todos os direitos: a) natureza .todos os demais direitos. Se a paz social é fruto da justiça e esta é dar a cada um o seu direito. e. aliás o único movimento que tenha uma linguagem. mas um movimento histórico concreto. que é o fim buscado por todo ordenamento jurídico (alcançado inicialmente pelos romanos. fruto da convenção (democracia) entre os homens Nesse sentido. que só gera tensões). de sua aprovação ou reprovação a políticas públicas. uma abrangência. Daí a necessidade de uma volta às origens e raízes (sair do subjetivismo moral. etc).direitos humanos fundamentais. por descompasso com a lei natural e a legítima vontade da comunidade. resumidamente. podem ser assim apresentados: exercício de direitos fundamentais e participação. Sabendo-se que todo cidadão tem sua existência acompanhada do exercício de direitos fundamentais e do direito de participação. é importante ressaltar que a educação para a cidadania se insere num movimento amplo de luta pelos direitos humanos no mundo inteiro. na manifestação. o exercício da cidadania se manifesta: a) para os políticos. é acompanhado do respeito aos deveres de contribuir para o progresso social e de acatar e respeitar o resultado final obtido em cada consulta coletiva. não outorgados. nos tempos atuais e em nossa sociedade. mas reconhecidos (vida. vário. uma . sem uma matriz objetiva e sustentável isso não é possível. os deveres de colaboração e solidariedade. No entanto. como iguais condições de existência. igualdade. O exercício de todos os direitos inerentes ao Estado democrático e do direito de participação. propriedade.

Bases para uma cultura de direitos humanos”.[9] . e através da criação de uma disciplina sobre direitos humanos”. através do sistema de ‘temas transversais’ nas disciplinas curriculares. uma vez que uma formação integral não pode se restringir à formação profissional. “ética e cidadania” pode ser o novo nome dado ao que antigamente se chamava de “educação moral e cívica”. Neste sentido. tema que foi retirado dos currículos escolares. no capítulo relativo à “Educação e Cidadania. mas tem que incluir a formação à cidadania. uma organização que supera as fronteiras estaduais. tanto horizontalmente (as redes) como verticalmente (do bairro às Nações Unidas). segundo e terceiro grau. atualmente adotados pelo Ministério da Educação e do Desporto. mas que deixou um vazio na formação dos alunos.articulação. o seguinte: “Criar e fortalecer programas de educação para o respeito aos direitos humanos nas escolas de primeiro. O “Programa Nacional de direitos humanos” (PNDH) prevê.

ao mesmo tempo. 2005.p 41). A educação é um meio de construção e reconstrução de valores e normas que dignificam as pessoas e as tornam mais humanas. a adesão a valores. de respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos. Não pode. "Numa educação ética. econômicas. de respeito às diferenças de crenças. Bóbbio (2002) . A preocupação com a educação para a cidadania. abordando aspetos tais como a educação das crianças. políticas e culturais. Delors A formação do ser humano começa na família. Isso exige uma reflexão que possibilite compreender as raízes históricas da situação de miséria e exclusão em que vive boa parte da população. remonta à Constituiçao de 1823. jovens e adultos para uma nova cultura dos direitos humanos e da paz e a reflexão e sistematização da prática educativa em direitos humanos. Começa na relação interindividual. de fraternidade. acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si. a escola e culmina no Estado. A educação formal e informal. a aquisição de conhecimentos e a aprendizagem de práticas na vida pública. ser considerada como neutra do ponto de vista ideológico". tem início um processo de humanização e libertação.A educação para a cidadania constitui um conjunto complexo que abraça. que tem no universo escolar um espaço privilegiado. deve propor caminhos para mudar as situações de opressão "A democracia não se refere só à ordem do poder público do Estado. é preciso resgatar e incorporar os valores solidariedade. devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido. culturas e conhecimentos. e bem cedo à escola participa desse processo. pois. entidades públicas."Aristóteles A educação para a cidadania pretende fazer de cada pessoa um agente de transformação. é um caminho que busca fazer da criança um ser civilizado. movimentos sociais. mas devem existir em todas as relações sociais. "A democracia surgiu quando. Uma sociedade democrática é aquela que vai conseguindo democratizar todas as suas instituições e práticas". passa pela família. A formação política. no Brasil." (Siegel. valores morais e éticos. Ali.

. * Co-responsabilidade pela vida social. étnicas. culturais. da complementaridade entre a representação política tradicional e a participação popular no espaço público. respeito mútuo nas relações interpessoais. etc. organizados ou não. públicas e privadas. repúdio à discriminação de qualquer tipo. isto é. compreendendo que não se trata de uma sociedade homogênea e sim marcada por diferenças de classe. que implica no respeito aos direitos humanos. de gênero. etárias. * Participação. traz a noção de cidadania ativa. a responsabilidade pelos destinos da vida coletiva. isto é. religiosas. religiosas. Para tanto há que se considerar o princípio da eqüidade.*Dignidade da pessoa humana.) e desigualdades (socioeconômicas) que necessitam ser levadas em conta para que a igualdade seja efetivamente alcançada. que como princípio democrático. regionais. * Igualdade de direitos que refere-se à necessidade de garantir que todos tenham a mesma dignidade e possibilidade de exercício da cidadania. acesso a condições de uma vida digna. que implica em partilhar com os poderes públicos e diferentes grupos sociais. que existam diferenças (éticas. etc.

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