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Contabilidade ambiental: um estudo sobre sua importância e aplicabilidade em indústrias estabelecidas no Espírito Santo

RESUMO

Jaqueline Moreira Martins - UVV Luciandra Ramos Bello - UVV Humberto Rosa Oliveira - UVV

A globalização da economia e a conscientização da sociedade estão cada vez mais obrigando

as indústrias a adotarem uma atitude responsável perante o meio ambiente. Implantar um Sistema de Gestão Ambiental – SGA é aliar melhoria no processo industrial com a preservação do meio ambiente. Os problemas que são causados ao meio ambiente decorrência da ação do homem tem sido objeto de vários estudos por diversas áreas do conhecimento e a contabilidade possui potencial para auxiliar os gestores no sistema de gestão ambiental, porque ela pode ser usada para demonstrar a responsabilidade ambiental das indústrias através de relatórios contábeis, onde pode ser evidenciado de forma transparente e fidedigna, todo o gasto incorrido no controle ambiental. Partindo-se desta premissa, este trabalho tem como objeto identificar e descrever a contribuição da contabilidade ao sistema de gestão ambiental em indústrias estabelecidas no Estado do Espírito Santo e conclui que a contribuição da contabilidade ao sistema de gestão ambiental das empresas situadas no Estado do Espírito Santo assim como o seu nível de desenvolvimento necessita de aprimoramento, pois conforme constatado, existem formas mais adequadas de evidenciar as informações de natureza ambiental, porque quanto maior o nível de detalhamento melhor serão as decisões tomadas.

1. Introdução

Antigamente não havia a necessidade de cuidados especiais com o meio em que as pessoas estavam inseridas, mas com o aumento gradativo da população tornou-se fundamental que o ser humano preservasse o meio em que vive.

Exaurir os recursos naturais não era problema para as gerações passadas, que não tinham a conscientização do progresso. Com a chegada das grandes indústrias e conseqüentemente aumento da população, notou-se que se não houvesse medidas mitigadoras, os recursos naturais pouco a pouco se extinguiriam.

Nota-se, portanto, que o crescimento da economia provoca perdas ambientais, ou seja, para que haja uma preservação plena do meio ambiente as atividades econômicas deveriam ser suspensas.

Várias ciências se dispuseram no sentido de colaborar de alguma maneira para a preservação

do meio ambiente e a contabilidade tem contribuído procurando demonstrar o equilíbrio entre

o crescimento da economia e a exploração dos recursos naturais, fazendo a mensuração da situação econômico-financeira da empresa com relação aos impactos por ela causados.

A contenção dos impactos faz com que as empresas tenham uma ação pró-ativa no intuito de

identificá-los, eliminando riscos de descontinuidade, muitas vezes causados por passivos vultosos.

Várias empresas já demonstram interesse e preocupação na preservação do patrimônio natural da humanidade e no Brasil a contabilidade ambiental apresenta-se como um indicador de

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vantagens, ou seja, as obrigações ambientais não estão sendo vistas como uma desvantagem financeira e sim oportunidades competitivas na preservação do meio ambiente.

Para dar continuidade ao assunto proposto é preciso ressaltar a importância da contabilidade ambiental junto às indústrias brasileiras, pois já se tem conhecimento que a legislação ambiental, cedo ou tarde tomará as medidas cabíveis para que tanto governo, empresas e sociedade, possam ter detalhadamente em forma de balanço ambiental, dados que possam ser esclarecedores e apropriados às tomadas de decisões e dessa forma, as empresas passarão a substituir seus relatórios ambientais, que atualmente atendem a uma parcela reduzida de usuários, elaborando assim o balanço ambiental propriamente dito, cujas informações nele contidas, estarão comprometidas com a continuidade e com o desenvolvimento sustentável, sendo útil para as empresas e útil para a sociedade em geral.

Diante do exposto este artigo se propõe a responder a seguinte pergunta: Como está sendo utilizada a Contabilidade Ambiental pelas industrias situadas no Estado do Espírito Santo? O objetivo deste artigo é identificar e descrever a contribuição que a contabilidade ambiental proporciona ao sistema de gestão ambiental nas indústrias situadas no Estado do Espírito Santo. Para atingir este objetivo foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o tema destacando a importância da Contabilidade Ambiental, Sistema de Gestão Ambiental, aspectos conceituais do patrimônio ambiental (ativo, passivo, custos, despesas e possíveis receitas) e uma pesquisa de campo realizada junto a empresas industriais que causam inferências ao meio ambiente situadas no Estado do Espírito Santo.

1.1 - Contabilidade Ambiental no Brasil

A biodiversidade da fauna e flora brasileira atrai a atenção de vários países, por ser uma das

maiores fortunas em recursos naturais renováveis e não renováveis.

Porém este cenário foi se transformando com a chegada da revolução industrial, onde o homem passou a explorar os recursos naturais causando a degradação do meio ambiente. A partir daí surgiram os movimentos ambientalistas que protestavam contra os impactos negativos causados pelas indústrias ao meio ambiente.

Um dos movimentos ambientalistas que marcaram o país ocorreu há 12 anos com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, denominada ECO/92. Este evento foi realizado no estado do Rio de Janeiro, reunindo mais de 170 paises, onde foram identificadas as nações que mais causavam problemas ambientais ao planeta, dentre as quais se destacava o Brasil.

Os movimentos ambientalistas que ocorreram ao longo do tempo ajudaram de certo modo, a conscientizar as empresas em relação aos cuidados especiais com o meio ambiente, prevenindo os impactos causados pelo seu crescimento e desenvolvimento, mantendo assim condições nas quais homens e natureza possam coexistir em produtiva harmonia.

Atualmente, as grandes indústrias na área de mineração, siderúrgica, produção de celulose e mesmo as grandes latifundiárias, já se conscientizaram que investir na ação pró-ativa aos impactos é melhor que pagar pelos prejuízos causados pela má utilização dos recursos naturais (passivos ambientais). No geral a sociedade brasileira tem o conhecimento das altas conseqüências que seus empreendimentos podem vir a gerar, e os órgãos competentes têm o dever de aplicar as sanções pertinentes além de ordenar que medidas mitigadoras sejam implementadas.

A degradação ambiental está de fato relacionada com o aumento da produção, e uma forma de

contê-la é estabelecer uma relação Indústria x Meio Ambiente. Backer (1995), afirma que é por isso que devemos agora assumir a responsabilidade pelo ecossistema mundial, nós,

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industriais e empresários, dispomos antes de tudo, de algumas ferramentas de diagnóstico para poder avaliar a situação, e depois de um pouco de imaginação criar uma estratégia ecológica.

Baseado nestas informações pode-se considerar que a contabilidade é uma das ferramentas de diagnóstico.

A contabilidade ambiental tem como finalidade atender a sociedade em geral, por meio das

demonstrações e relatórios, informando a atuação da empresa no que diz respeito ao meio ambiente. Através dessas informações é elaborado um relatório, chamado de “Balanço social”

que foi feito pela primeira vez nos anos 70.

A França inovou em 1977 aprovando uma lei que obrigava as empresas a informar aos

usuários o balanço social, mas a princípio os dados contidos neste balanço eram pertinentes somente das transações internas da empresa, onde fornecia informações apenas dos funcionários. Com a conscientização da responsabilidade social e a exigência do governo através de leis ambientais, as informações do balanço social passaram a conter também os aspectos sociais relativos ao meio ambiente.

No Brasil a idéia começou a ser discutida também na década de 70. Contudo, apenas nos anos 80 é que surgiram os primeiros balanços sociais de empresas. A partir da década de 90 corporações de diferentes setores passaram a publicar balanço social anualmente.

A

proposta, no entanto, só ganhou visibilidade nacional quando o sociólogo Herbert de Souza,

o

Betinho, lançou, em junho de 1997, uma campanha pela divulgação voluntária do balanço

social. Com o apoio e a participação de lideranças empresariais, a campanha decolou e vem suscitando uma série de debates através da mídia, seminários e fóruns. Hoje é possível contabilizar o sucesso desta iniciativa e afirmar que o processo de construção de uma nova

mentalidade e de novas práticas no meio empresarial está em pleno curso.

1.2 - Auxílio da contabilidade ao controle ambiental.

Sabe-se que o objeto da contabilidade é o patrimônio, pode-se definir então, como objeto de estudo da contabilidade ambiental, as informações contábeis relativas ao meio ambiente, patrimônio da humanidade. A contabilidade ambiental identifica os custos, despesas e possíveis receitas ambientais correlacionados a atividade da empresa e demonstra todo o patrimônio ambiental da mesma, ou seja, ativo e passivo. São várias as informações produzidas pela contabilidade ambiental, dentre as quais destaca- se: Análise de Riscos; A elaboração dos demonstrativos que auxiliam nas tomadas de decisões; A apuração das contingências ambientais, destacado-as nas demonstrações contábeis e Realização de atividades voltadas para sociedade com relação à preservação e conservação do meio ambiente. As demonstrações contábeis são utilizadas como subsídios para tomadas de decisões, portanto, quanto maior a riqueza de seus dados, melhor conduzirão os trabalhos direcionados

a contabilização entre o desenvolvimento econômico e manutenção da boa qualidade de vida. (RIBEIRO, 1992).

Dessa forma, a contabilidade utiliza-se de técnicas como: Escrituração, demonstração, auditoria e análise de balanço, para a correta contabilização transformando os dados obtidos em informações que servirão para atender a sociedade no que diz respeito à preservação do ambiente e principalmente a própria empresa sob futuros investimentos.

Ao utilizar essas técnicas, as indústrias estarão transmitindo para sociedade sua seriedade, através de uma conduta realizada por meios legais, conseqüentemente melhorando sua imagem e competitividade.

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A contabilidade ambiental supre então a necessidade das indústrias e sociedade, pois

demonstra monetariamente o processo de preservação ou destruição do meio ambiente causado pelas empresas, avaliando quantitativamente todas as ações desenvolvidas pelas

empresas neste processo.

2 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL

2.1 Gestão Ambiental

O termo gestão ambiental é bastante abrangente. Ele é freqüentemente usado para designar ações ambientais em determinados espaços geográficos, como por exemplo: gestão ambiental

de bacias hidrográficas; gestão ambiental de parques e reservas florestais; gestão de áreas de

proteção ambiental; gestão ambiental de reservas de biosfera e outras tantas modalidades de

gestão que incluam aspectos ambientais.

A gestão ambiental empresarial está essencialmente voltada para organizações, ou seja,

companhias, corporações, firmas, empresas ou instituições e pode ser definida como sendo um conjunto de políticas, programas e práticas administrativas e operacionais que levam em conta a saúde, a segurança das pessoas, a proteção do meio ambiente através da eliminação ou

minimização de impactos, danos ambientais decorrentes do planejamento, implantação, operação, ampliação ou desativação de empreendimentos ou atividades, incluindo-se todas as fases do ciclo de vida de um produto.

Cresce cada vez mais nas indústrias a importância da gestão ambiental, devido ao aumento

das quantidades de variados tipos de resíduos que contribuem na contaminação do ar, água e solo. A gestão ambiental pode ser entendida como um conjunto de procedimentos para gerir

ou administrar uma organização, de forma a obter o melhor relacionamento com o meio

ambiente. A Gestão Ambiental não se restringe ao cumprimento da legislação. É necessário

antecipar, prevenir e corrigir possíveis danos ambientais.

Os fundamentos, ou seja, a base de razões que levam as empresas a adotar e praticar a gestão

ambiental são vários. Podem perpassar desde procedimentos obrigatórios de atendimento da

legislação ambiental até a fixação de políticas ambientais que visem à conscientização de todo

o pessoal da organização.

A busca de procedimentos gerenciais ambientalmente corretos faz com que as indústrias

adotem um Sistema Gestão Ambiental (SGA), na verdade, encontram-se inúmeras razões que

justifiquem a sua adoção.

Devemos salientar que a empresa é a única responsável pela adoção de um SGA e de uma

política ambiental. Só após sua adoção, o cumprimento e a conformidade devem ser seguidos integralmente, pois eles adquirem configuração de “sagrados”. Portanto, ninguém é obrigado

a adotar um SGA ou Política Ambiental, porém, depois de adotados, cumpra-se o estabelecido

sob pena da empresa cair num tremendo descrédito no que se refere às questões ambientais.

Ao considerar a gestão ambiental no contexto empresarial, percebe-se de imediato que ela pode ter uma importância muito grande, inclusive estratégica. Isso ocorre porque, dependendo do grau de sensibilidade para com o meio ambiente demonstrado e adotado pela alta administração, já pode perceber e antever o potencial que existe para que uma gestão ambiental efetivamente possa ser implantada.

De qualquer modo, estando muito ou pouco vinculadas a questões ambientais, as empresas que já estão praticando a gestão ambiental ou aquelas que estão em fase de definição de diretrizes e políticas para iniciarem o seu gerenciamento ambiental devem ter em mente os princípios e os elementos de um SGA e as principais tarefas e atribuições que normalmente são exigidas para que seja possível levar a bom termo a gestão ambiental.

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2.2 – Sistema de Gestão Ambiental

O sucesso das atividades industriais, atualmente, está ligado ao fato da existência de um

Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Uma indústria preocupada com questões ambientais se torna mais lucrativa, pois possui vantagens competitivas ao se precaver contra possíveis problemas ecológicos. Um SGA deve possuir os instrumentos necessários para implementação e incorporação pela empresa da política ambiental, a qual deve atender a legislação vigente e levar em consideração o planejamento e medidas práticas para operacionalização, monitoramento e controle.

A busca permanente da qualidade ambiental é um processo de aprimoramento constante do

SGA. Há também, objetivos específicos da gestão ambiental que são definidos segundo a norma NBR-ISO 14.001 que destaca cinco pontos básicos: implementar, manter e aprimorar um Sistema de Gestão Ambiental; assegurar-se de sua conformidade com sua política ambiental definida; demonstrar tal conformidade a terceiros; buscar certificação\registro do seu Sistema de Gestão Ambiental por uma organização externa; realizar uma auto-avaliação e emitir autodeclaração de conformidade com esta norma.

A série de Normas ISO-14000, em particular a Norma para Sistema de Gestão Ambiental

ISO-14001, tem sido amplamente estudada e implementada tanto em empresas privadas como em empresas públicas. A Norma ISO-14001 foi oficialmente publicada em setembro de 1996 e até então tem conquistado as organizações, acenando com o mesmo sucesso ou talvez até maior do que a Série de Normas ISO-9000, voltadas para o Sistema de Gestão da Qualidade.

Tendo como foco a melhoria contínua, a implantação do SGA ISO-14001 segue a metodologia PDCA (Plan, Do, Check , Act), que em português podemos traduzir por Planejar, Implementar, Verificar e Analisar Criticamente.

A ISO-14001 é a mais conhecida da série, por ser a única norma certificável. É uma norma de utilização voluntária e que pode ser utilizada para implantação do SGA, quer seja na busca da certificação, reconhecimento por um órgão certificador ou simplesmente para uma autodeclaração de que possui um SGA implantado no modelo da referida norma. O intuito

da ISO-14001 é que a organização estabeleça um Sistema de Gestão Ambiental.

Um sistema de gestão ambiental bem implantado proporciona melhoras nos custos das empresas. As empresas que possuem o SGA estão comprometidas com políticas ambientais, estabelecem planos e metas de melhoria contínua do meio ambiente, elaboram uma normatização interna a respeito do gerenciamento ambiental, definem indicadores de performance facilmente verificáveis, possuem imagem aberta e investem em comunicação e relacionamentos com a comunidade e demais partes interessadas.

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AMBIENTAL.

A contabilidade ambiental estuda o patrimônio ambiental das entidades, formado por bens,

direitos e obrigações, ou seja, origens e aplicações de recursos. Os recursos financeiros aplicados à atividade da empresa são oriundos de fontes externas e internas. As fontes externas estão relacionadas com todas as obrigações assumidas pela empresa perante terceiros, que estão representadas pelo passivo exigível. Já as fontes internas são aquelas oriundas do capital dos proprietários, ou seja, patrimônio líquido. Todos estes recursos serão aplicados em bens e direitos, que irão compor o ativo. Desta forma, os componentes da contabilidade ambiental são: - Contas Patrimoniais Ambientais: Ativo Ambiental e Passivo

QUE COMPÕE O BALANÇO

ASPECTO

CONCEITUAL

DOS

ITENS

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Ambiental e Contas de Resultados Ambientais: Receita Ambiental, Despesa Ambiental e Custo Ambiental.

3.1 - Ativo Ambiental

O ativo ambiental representa os estoques dos insumos utilizados no processo de eliminação ou

redução dos resíduos poluentes; os investimentos em máquinas, equipamentos, instalações adquiridas para amenizar os impactos causados ao meio ambiente; os gastos com pesquisa visando o desenvolvimento de tecnologias modernas de médio e longo prazo, desde que constituam benefícios ou ações que vão refletir nos exercícios futuros.

Desta forma ativo ambiental se resume nos bens e direitos adquiridos pela entidade com a finalidade de controle, preservação e recuperação do meio ambiente. Segundo JUNIOR (1999), um ativo é um recurso controlado por uma empresa que surge de eventos passados e de onde são esperados futuros fluxos de benefícios econômicos diretos ou indiretos para a empresa, através de aumento da capacidade ou aumento da segurança ou eficiência de outros ativos próprios da empresa; redução ou prevenção de provável contaminação ambiental resultante de futuras operações; ou, ainda, conservação do meio ambiente.

As características dos ativos ambientais variam de uma entidade para outra, pois a diferença entre os vários processos operacionais, das distintas atividades econômicas, deve compreender todos os bens utilizados no processo de proteção, controle, conservação e preservação ambiental. Os ativos ambientais, todos decorrentes de investimentos na área do meio ambiente, deverão ser classificados em títulos contábeis específicos, identificando, de forma adequada, os estoques ambientais, o ativo permanente imobilizado ambiental e o diferido ambiental.

Os bens, cuja classificação se der no ativo permanente imobilizado ambiental e ativo

permanente diferido ambiental, exceto aqueles de vida útil inferior a 365 (trezentos e sessenta

e

cinco) dias, cujos valores serão excluídos, quando da apuração do Lucro Real, estão sujeitos

à

depreciação ou, quando for o caso, amortização.

O

Ativo Ambiental é composto de: Disponibilidades - são os recebimentos provenientes de

possíveis receitas ambientais, Realizável a Curto e Longo Prazo, composto de estoques que

estão relacionados diretamente no processo produtivo, com intuito de eliminar durante o processo operacional o surgimento de resíduos poluentes.

Os estoques também são compostos de itens utilizados no processo pós-operacional, de forma

a realizar a limpeza dos locais afetados ou a purificar os resíduos produtivos, tais como água,

os gases, os resíduos sólidos.

Provisão para as perdas: São representados pelas possíveis perdas que poderão ocorrer nos ativos ambientais.

Conforme RIBEIRO (l992), os ativos tangíveis e intangíveis, particularmente os não monetários, estão sujeitos a ação ambiental. Conseqüentemente, seus valores podem sofrer alterações por ganho ou perda do valor econômico, alterando o real potencial econômico da empresa. Permanente – é composto de: Investimento: compreende os gastos com a obtenção de bens relativos ao controle ambiental de uso da entidade, considerando-se também gastos com bens destinados à troca, transformação ou consumo enquanto esses bens ainda não forem trocados, transformados ou consumidos. Imobilizado: é composto por máquinas e equipamentos visando à eliminação ou redução de agentes poluidores no processo de obtenção de novas receitas, tais como: equipamentos da estação de tratamento de água, de resíduos, de efluentes tóxicos e filtros de ar. Diferido: são gastos com pesquisa e desenvolvimento de tecnologia a médio e longo prazo voltado para o processo do controle

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ambiental que beneficiarão exercícios futuros. Tais como: os gastos efetuados com obtenção da certificação da ISO 14001.

Além desses subgrupos, compõe também o Ativo Ambiental os Ativos Intangíveis – que são os bens e direitos acrescentados ao ativo, difíceis de serem mensurados, que valorizam a imagem da empresa.

3.2 – Passivo Ambiental

São as obrigações contraídas perante terceiros, que serão realizadas para preservação, recuperação e proteção do meio ambiente. O passivo ambiental também pode ser representado por todo dano causado ao meio ambiente, constituindo-se numa obrigação, ou responsabilidade social da empresa com aspectos ambientais, estas obrigações podem ser voluntárias e involuntárias.

Os passivos ambientais referem-se, conforme MARTINS & DE LUCA (1994), a benefícios econômicos que serão sacrificados em função de obrigação contraída perante terceiros para preservação e proteção ao meio ambiente. Têm origem em gastos relativos ao meio ambiente, que podem constituir-se em despesas do período atual ou anterior, aquisição de bens permanentes, ou na existência de riscos de esses gastos virem a se efetivar (contingências).

Ainda sobre o assunto, cita o IBRACON (1995, p.5) “uma empresa tem passivo ambiental quando ela agride, de algum modo e/ou ação, o meio ambiente, e não dispõe de nenhum projeto para sua recuperação, aprovada oficialmente ou de sua própria decisão”.

Portanto, passivos são exigibilidades incluindo-se os passivos contingentes.

Os passivos contingentes diferem-se dos passivos normais, pois são exigibilidades sem valor objetivo, ou seja, apenas uma estimativa é disponível. Não possui data de exigibilidade definida. Entende-se por passivos contingentes as obrigações advindas da probabilidade de ocorrência de determinada transação ou evento futuro, normalmente ligadas a incertezas. Neste contexto encontram-se os passivos ambientais.

O passivo se divide em capital de terceiros e capital próprio e podem também ser denominado

de origens de recursos. O Capital de terceiros é formado por: Passivo Circulante e Exigível a Longo prazo – Que por sua vez composto de: Fornecedores: São obrigações perante terceiros na aquisição de insumos utilizados no controle ambiental. Contas a Pagar: Outras obrigações adquiridas perante terceiros com relação ao meio ambiente. Empréstimos e Financiamentos:

São obrigações contraídas junto às instituições financeiras para aquisições de equipamentos e investimentos para proteção e conservação do meio ambiente. Obrigações sociais e trabalhistas: São aquelas relativas aos funcionários que trabalham de forma direta e indireta na área ambiental. Obrigações tributárias e fiscais: São aquelas provenientes de força legal, tais

como as legislações, penalidades impostas por lei etc.

3.3 – Patrimônio Líquido

É composto de reserva de contingências: Parte do capital destinado para investimentos em

meio ambiente ou pagamento de passivos ambientais, tais como as multas e indenizações.

3.4 – Receitas Ambientais

É um ingresso de recursos na entidade que geram um acréscimo no ativo oriundo da venda de

produtos elaborados a partir de sobras de insumos utilizados no processo produtivo.

3.5 – Custos e Despesas Ambientais

Despesas são os recursos consumidos, na forma de bens ou serviços necessários á produção de receitas em um dado período, independente da forma ou momento do desembolso.

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Segundo RIBEIRO (1992), estes recursos, necessários á obtenção de receitas são tradicionalmente divididos entre custos e despesas. Adotaremos o conceito genérico de que custos são aqueles relacionados ao processo de produção, enquanto despesas são aqueles relativos à administração da empresa como um todo.

Os custos ambientais representam todo empenho, todo esforço direto ou indiretamente vinculado a qualquer gasto, independentemente de desembolso, relativo a bens ou serviços que vise, única e exclusivamente a preservação do meio ambiente. Para o reconhecimento dos custos e despesas, deve-se observar dois aspectos: os gastos necessários a recuperação e reparação de danos causados ao meio ambiente, tem o seu fato gerador em momentos passados. Esses gastos devem ser contabilizados no exercício em que têm início as atividades de recuperação. É necessário trabalhar para o devido provisionamento durante o período da produção, responsável pelos danos a serem causados e os gastos para preservação, redução ou eliminação da poluição que ocorre simultaneamente ao processo produtivo, devem ser alocados como custos necessários à produção da receita do período.

Desta forma os custos ambientais classificam-se sob os seguintes aspectos (www.cfc.org.br, 2000): Custos de Preservação, destinados à redução de quantidade de poluentes expelidos no processo produtivo como os investimentos em tecnologias limpas, os Custos de Controle, destina-se a manter as agressões ambientais dentro dos limites estabelecidos anteriormente. ex: verificação periódica dos níveis de poluição, Custos de Correção, destina-se as recuperações decorrentes dos danos causados ao meio ambiente, ex: reflorestamento de áreas devastadas, Custos de Falhas, refere-se aos custos de falhas ocorridas no processo de redução, controle e correção da agressão ao meio ambiente. Ex: multas e sanções.

Os custos também podem ser considerados como: Custo Ambiental por Ação Voluntária, é quando a entidade se preocupa com as questões ambientais, efetuando gastos voluntariamente, evitando que os resíduos e efeitos de sua produção prejudique o ambiente em que está inserida. Custo Ambiental por Ação Compulsória , é quando a entidade é obrigada a realizar gasto exigido por lei ou por autoridade pública de natureza ambiental. Tais custos podem ser fixos ou variáveis dependendo do volume de produção. Custo Ambiental de Conveniência, quando o custo é destinado ao entorno, porém de interesse da entidade, ou seja, beneficia o ambiente visando melhorar a sua imagem.

3.6 – Evidenciação das Demonstrações Ambientais

Os dados relativos ao meio ambiente podem ser evidenciados nas demonstrações contábeis das seguintes formas:

1. Adicionando os dados relativos ao meio ambiente no balanço patrimonial e DRE realizado

pela empresa. Porém faz-se necessário às notas explicativas com relação à parte ambiental

quando as informações são de difícil interpretação.

2. A elaboração do balanço patrimonial e uma DRE exclusivamente ambiental, denominada

de eco-balanço. Igualmente ao balanço geral o eco-balanço também deverá ser acompanhado de notas explicativas.A evidenciação se torna necessária a partir do momento que a entidade adota posturas ambientais no sentido de preservar o meio ambiente, demonstrando claramente a sua atuação em relação ao meio a qual esta inserida. Para Ribeiro (1992), a contabilidade, enquanto instrumento de comunicação, entre empresas e sociedade, poderá estar inserida na causa ambiental. A avaliação patrimonial considerando os riscos e benefícios ambientais inerentes às peculiaridades de cada atividade econômica, bem como a sua localização, poderá conscientizar os diversos segmentos de usuários de demonstrações contábeis sobre a conduta administrativa e operacional da empresa, no que tange o empenho da empresa sobre a questão.

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3.7 – Balanço Ambiental

O Balanço Ambiental é um demonstrativo que expressa o ativo e passivo ambiental num

determinado momento. Ele evidencia os fenômenos ambientais que ocorrem num

determinado período na gestão ambiental.

O Balanço Ambiental além de permitir quantificar os itens relacionados aos impactos

ambientais cria, uma linha base, para que possa ser feito o acompanhamento da eco-eficiência de um determinado processo ao longo do tempo, através de indicadores ambientais específicos. Por meio dele também é possível quantificar, monitorar e propor melhorias para

os passivos identificados, além de identificar as oportunidades através da valorização de seus

ativos ambientais. Segundo Raupp (2002), balanço ambiental tem por principal objetivo tornar público, para fins de avaliação de desempenho, toda e qualquer atitude com ou sem finalidade lucrativa, mensurável em moeda, que a qualquer tempo, possa influenciar o meio ambiente, assegurando que os custos, ativos e passivos ambientais sejam reconhecidos a partir do momento de sua identificação, em consonância com os Princípios fundamentais da contabilidade.

3.8 – Modelo de Balanço de Ambiental Balanço Ambiental / Eco-balanço

ATIVO AMBIENTAL

 

PASSIVO AMBIENTAL

ATIVO CIRCULANTE Disponibilidades Estoques Provisões para perdas

 

PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Contas a Pagar Empréstimos e Financiamentos Obrigações Sociais e Trabalhistas Obrigações Tributárias e Fiscais Provisões Para Contingências

ATIVO

REALIZAVEL

A

L.

PRAZO Estoques Provisões para Perdas

 

PASSIVO EXIGIVEL A L. PRAZO

ATIVO PERMANENTE Investimento Imobilizado Diferido

PATRIMÔNIO LIQUIDO Reservas para Contingências

3.9 – Modelo de DRE Ambiental

Demonstração Ambiental do resultado do Exercício Receita Ambiental (-) Deduções de natureza Ambiental (=) Receita Ambiental Líquida (-) Custos Ambientais (=) Lucro Ambiental Bruto (-) Despesas de Operacionalização do Meio Ambiente (=) Resultado Ambiental

RESULTADO DA PESQUISA DE CAMPO

A pesquisa de campo foi realizada no mês de novembro de 2004 e consistiu no envio, via e-

mail de um questionário com perguntas estruturadas para o departamento de SGA - Sistema de Gestão Ambiental das indústrias listadas na Revista “150 Maiores Empresas do Espírito Santo”, que representa uma das mais importantes avaliações de desempenho econômico-

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financeiro das empresas em operação no Estado, publicada em 04 de Novembro de 2004. Destas empresas 56 são indústrias e a pesquisa foi direcionada para 20% deste total. Após o tratamento dos dados chegamos as seguintes respostas:

Questão 1 – Quantos funcionários trabalham diretamente no SGA?

Questionadas sobre a quantidade de funcionários que trabalham diretamente no SGA, 17% das indústrias afirmaram ter entre um a dez, 33% de onze a vinte e os outros 50% acima de vinte.

Quantidade de Funcionários no SGA

50% 17% 33%
50%
17%
33%

ATÉ l0 DE 11 A 20 ACIMA DE 20

Questão 2 – O SGA tem conhecimento sobre a Contabilidade Ambiental?

Das indústrias entrevistadas 67% disseram ter conhecimento sobre a Contabilidade Ambiental, enquanto 33% disseram que não tinham conhecimento. Este é um fato positivo para a pesquisa em questão.

Conhecimento Sobre contabilidade Ambiental

33% 67%

33%

67%

 

SIM

NÃO

 

Questão 3 – Dos funcionários que trabalham diretamente no SGA, algum possui nível superior em contabilidade?

Verificou-se que 83% dos funcionários que trabalham diretamente no SGA não possuem nível superior em contabilidade, somente 17% possui nível superior, esta resposta nos fornece indicadores que apesar da maioria ter conhecimento sobre a contabilidade ambiental, não se tem como critério, dentro de um SGA, admissão de profissionais da área contábil.

Nível Superior em Contabilidade

17%

83%
83%

Sim

Não

Questão 4 – Como a contabilidade contribui para o SGA?

Das indústrias pesquisadas 67% informaram que a contabilidade contribui mensurando os custos e as despesas ambientais enquanto 33% informaram que não existe uma relação direta entre a contabilidade e o SGA.

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Contribuição da Contabilidade para o SGA 33% Contribui Não Contribui 67%
Contribuição da Contabilidade para o
SGA
33%
Contribui
Não Contribui
67%

Questão 5 – Aplica-se a contabilidade ambiental no SGA?

Através desta questão, pretende-se ter uma visão de como a contabilidade contribui para o SGA nas indústrias estabelecidas no Espírito Santo. Verificou-se que 33% das indústrias não aplicam a contabilidade ambiental no SGA, enquanto que os 67% restantes aplicam, porém não evidenciam os dados ambientais de forma segregada em seus relatórios contábeis.

Aplicabilidade da Contabilidade Ambiental no SGA Aplicam 33% Não Aplicam 67%
Aplicabilidade da Contabilidade
Ambiental no SGA
Aplicam
33%
Não Aplicam
67%

Questão 6 – O SGA possui métodos de identificação dos aspectos ambientais?

Das indústrias pesquisadas, 100% responderam que possuem métodos para a identificação dos aspectos ambientais, no sentido de agir pró-ativamente para minimizar os prováveis impactos ambientais, dentre os métodos utilizados encontram-se o EIA – Estudo dos Impactos Ambientais e o RIMA – Relatório de Impacto Ambiental.

Os motivos que levam as indústrias a investirem no controle destes impactos agindo antecipadamente aos fatos é garantir o desenvolvimento sustentável e evitar passivos ambientais.

Identificação dos Aspectos Ambientais

0%

Identificação dos Aspectos Ambientais 0% 100% Sim Não

100%

Sim

Não

Questão 7 - A companhia especifica em seus relatórios contábeis quanto é investido por ano em ativos, custos e despesas ambientais?

Verificou-se que 67% das indústrias responderam que especificam, porém não detalhadamente. E os 33% restante respondeu que não.

Especificação dos Investimentos em Ativos, Custos e Despesas Ambientais 33% Sim Não 67%
Especificação dos Investimentos em
Ativos, Custos e Despesas
Ambientais
33%
Sim
Não
67%

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Questão 8 – Qual o principal instrumento usado pela contabilidade para as informações de natureza ambiental?

Das indústrias questionadas 50% informam os dados de natureza ambiental (investimentos), no Balanço Social conforme Modelo sugerido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE, 33% das indústrias informam em relatórios gerenciais, e os outros 17% através de Notas Explicativas.

Instrumento usado pela Contabilidade para Informações Ambientais

17%

17% 33%

33%

 

Balanço Social

Relatórios

50%

Gerencias

Notas

 

Explicativas

Questão 9 – O SGA mantém controle do nível de evolução dos custos, despesas, ativos e passivos ambientais?

Das indústrias questionadas 67% responderam que sim, apesar de entenderem ser controle da contabilidade acompanham de perto o desenvolvimento do setor. 33% responderam que não, por entenderem que este controle compete ao setor contábil, porém ficou evidenciado que tais indústrias possuem um sistema de informação capaz de registrar os fatos contábeis por centro de custo, desta forma no setor de contabilidade é possível obter o nível das evoluções dos custos, despesas, ativos e passivos ambientais do setor de sistema de gestão ambiental.

Controle do nível de evolução dos grupos de conta ambientais 33% SIM NÃO 67%
Controle do nível de evolução dos
grupos de conta ambientais
33%
SIM
NÃO
67%

Questão 10 – A companhia sabe, em relação ao montante dos seus gastos, qual o percentual relacionado à preservação e conservação do meio ambiente?

Das indústrias pesquisadas 100% responderam que sim, com base na resposta anterior o setor de contabilidade possui informações relativas de cada centro de custo, dessa forma o acompanhamento desses gastos podem ser mensurados, principalmente por se tratar de assuntos relevantes.

Conhecimento dos Percentuais relacionados aos gastos ambientais

0%

dos Percentuais relacionados aos gastos ambientais 0% 100% SIM NÃO Questão 11 – A companhia tem

100%

SIM

NÃO

Questão 11 – A companhia tem um controle de qual porcentagem dos seus ativos e passivos está representada por ativos e passivos ambientais?

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Das indústrias pesquisadas 83% responderam que sim, pois assim como controlam seus gastos também controlam seus ativos e passivos ambientais. 17% responderam que não, por julgar desnecessário.

Conhecimentos dos Percentuais dos Ativo e Passivos Ambientais

17%

dos Percentuais dos Ativo e Passivos Ambientais 17% 83% SIM NÃO Questão 12 – Quais as

83%

SIM

NÃO

Questão 12 – Quais as informações provenientes do SGA que são utilizadas na contabilidade?

Das Indústrias questionadas 83% responderam, que todos os fatos relacionados aos gatos incorridos no setor ambiental, passiveis de serem mensurados são informados a Contabilidade. Enquanto 17% responderam que nenhuma informação é repassada.

Informações provenientes do SGA, utilizadas na Contabilidade

17%

Informações provenientes do SGA, utilizadas na Contabilidade 17% 83% Gatos Incorridos Nenhuma Informação

83%

GatosInformações provenientes do SGA, utilizadas na Contabilidade 17% 83% Incorridos Nenhuma Informação

Incorridos

NenhumaInformações provenientes do SGA, utilizadas na Contabilidade 17% 83% Gatos Incorridos Informação

Informação

Questão 13 – Qual a maior necessidade do SGA para a companhia: Manter a boa imagem da indústria ou o equilíbrio ambiental?

Das indústrias questionadas, 100% responderam que a maior necessidade é manter o equilíbrio ambiental, pois dessa forma, automaticamente estarão zelando pela boa imagem da companhia.

Prioridade para Companhia

0%

pela boa imagem da companhia. Prioridade para Companhia 0% 100% Equilibrio Ambiental Imagem da Companhia Questão

100%

Equilibrio

Ambiental

Imagem da

Companhia

Questão 14 - Tecnicamente, qual o relatório atual usado pelo SGA para medir e informar a sociedade o equilíbrio ambiental?

Todas as indústrias questionadas, ou seja, 100% responderam que utiliza relatórios ambientais para informar a sociedade o equilíbrio ambiental, onde geralmente constam informações sobre política ambiental, certificação ambiental, indicadores de desempenho e eco-eficência, desenvolvimento sustentável, convênios e projetos especiais, premiações conquistadas, reconhecimentos do mercado financeiros entre outras informações.

CONCLUSÃO

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A sociedade em geral, além de estar mais consciente em relação à degradação ambiental, cada vez mais exige informações no que diz respeito às questões ambientais e sociais. A contabilidade não deve ficar fora desta realidade.

As indústrias atualmente estão muito preocupadas em contribuir para o desenvolvimento econômico-social da região onde estão instaladas, porém isto ainda não é suficiente, torna-se necessário divulgar de forma transparente o que se tem feito.

RIBEIRO & LISBOA (1999) dizem que, o instrumento já existe: a contabilidade. Por meio da identificação, mensuração e divulgação das referidas informações, a contabilidade pode contribuir muito.

Nesta pesquisa foi estudado a importância e a aplicabilidade da contabilidade ambiental em indústrias estabelecidas no Espírito Santo. Podemos perceber que a maior parte delas, esta cada vez mais agindo de maneira responsável com questões ambientais e conseqüentemente dando prioridade à eficiência e eficácia do sistema de gestão ambiental – SGA.

Atualmente, algumas delas divulgam seus investimentos ambientais de forma sintética, porém deveriam reconhecer e divulgar o seu passivo ambiental, evidenciar os seus ativos ambientais, os custos e despesa com preservação, proteção e controle ambiental, tornando claro para todos, o nível dos esforços que estão desenvolvendo, visando atingir seus objetivos.

Uma das formas verificada para atender este propósito é o uso da contabilidade ambiental, portanto, a contabilidade deve estar atenta ao avanço das questões que se apresentam, passando a incorporar as informações ambientais nos seus registros, na contabilizações e na divulgação aos diversos usuários.

Entretanto, observou-se que apesar da maioria das indústrias conhecerem os benefícios e a importância da utilização da contabilidade ambiental, sua contribuição é pouca, haja vista, as informações divulgadas por estas indústrias em relação aos seus indicadores ambientais.

Verificou-se que as indústrias utilizam-se de ferramentas, tais como: Balanço Social e Notas Explicativas para evidenciarem as informações de natureza ambiental, demonstrando de forma resumida apenas o montante investido no controle ambiental. Entretanto nos ensina o professor Lopes de Sá: “Pouco adianta, para fins humanos, que estejamos a apenas demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução de problemas ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos, pela reflexão, as bases lógicas de uma interação entre a célula e os seus entornos, entre a empresa e o meio em que vive, entre a instituição e a sociedade”.

Desta forma conclui-se que a contribuição da contabilidade ao sistema de gestão ambiental das empresas situadas no Estado do Espírito Santo assim como o seu nível de desenvolvimento necessita de aprimoramento, pois conforme constatado, existem formas mais adequadas de evidenciar as informações de natureza ambiental, sabe-se que quanto maior o nível de detalhamento melhor será as decisões a serem tomadas. E para que isto ocorra, as pesquisas no campo desta ciência deve ser intensificada, no sentido de se fazer entender cada vez mais sua real importância.

Referências

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Qualitymark Ed., 1995.

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1994.

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JUNIOR, Sebastião Bergamini. Contabilidade e riscos ambientais. Revista do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Rio de Janeiro – RJ. N° 11,

1999.

MARTINS, Eliseu & DE LUCA, Marcia M. Mendes. Ecologia via Contabilidade. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília: CFC, ano 23, 86, março 1994.

MARTINS, Eliseu & RIBEIRO, Maisa de Souza. A informação como instrumento de contribuição da contabilidade para a compatibilidade do desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente. Revista Contabilidade Vista e Revista. Departamento de Ciências Contábeis e Economia da UFMG, vol.6, n.1, dezembro, 1995, p. 1-7.

MOURA, Luiz Antonio Abdalla de. Qualidade e Gestão Ambiental: sugestões para

implantação das normas ISO 14000 nas empresas. São Paulo: Editora Oliveira Mendes,

1998.

RAUPP, Elena hahn. Desenvolvimento sustentável: a contabilidade num contexto de responsabilidade social de cidadania e de meio ambiente. Revista de Contabilidade Conselho Regional de São Paulo. São Paulo: n . 20, p. 04-12, junho de 2002.

RIBEIRO, Maisa de Souza. Contabilidade e meio ambiente. FEA – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – USP – Universidade de São Paulo – jul.1992. Dissertação de Mestrado.

RIBEIRO, Maisa de Souza & GRATÃO, Ângela Denise. Trabalho apresentado no VII Congresso Brasileiro de Custos; Recife – PE – 28/07 à 04/08/00.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO, Biblioteca central. Guia para normalização de referências bibliográficas: NBR 6023. 5 ed. Vitória. 2001.

www.cfc.org.br – Trabalho apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade em Goiânia – GO. Out/2000.

www.sef.rj.gov.br/legislacao/financeira/basica/leis_federais/res_cfc_750.shtml - RESOLUÇÃO CFC N.º 750/93 DE 29 DE DEZEMBRO DE 1993