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INTRODUÇÃO À GESTÃO

AMBIENTAL DE RESÍDUOS
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CASSIANA MAZZER
2
OSVALDO ALBUQUERQUE CAVALCANTI
1. Farmacêutica da empresa Solabia do Brasil. Rua 52.001, s/n - Zona 52 - Lote 237-C Distrito de
Floriano - CEP 87105-000 - Maringá - PR - Brasil. Endereço eletrônico:
2. Professor Departamento Farmácia e Farmacologia. Av. Colombo, 5790, Bloco P02. CEP 87020-
900 Maringá/Paraná
Autor responsável e-mail: cassianamazzer@hotmail.com

INTRODUÇÃO apresentarem boa qualidade, possuam uma linha de produ-


ção que não gera comprometimento ambiental. Esses as-
Os danos ambientais causados pelas catástrofes que pectos vêm incentivando, a cada dia, a indústria a procurar
ocuparam a mídia, nestes últimos anos, são insignificantes, sistemas eficazes que provoquem a redução de seus impac-
quando comparados aos danos cumulativos, na maioria das tos ambientais, com custo de mercado compatível (Macêdo,
vezes, imperceptíveis, provocados pela grande quantidade 2000).
de poluentes menores disponibilizados ao meio ambiente Empresas estão procurando adotar o Sistema de Ges-
de maneira constante e gradativa. tão Ambiental (SGA). Esse sistema de gestão ambiental
Vivemos num ecossistema no qual os recursos são permite à empresa controlar permanentemente os efeitos
limitados, mas cujo crescimento é ilimitado, e onde os recur- ambientais de todo o seu processo de produção, desde a
sos existentes são fortemente inter-relacionados e interde- escolha da matéria-prima até o destino final do produto e
pendentes. Uma postura exaustivamente consumista e des- dos resíduos líquidos, sólidos e gasosos, levando-a a ope-
cartável poderá inevitavelmente comprometer a qualidade rar da forma mais sustentável possível.
de vida da espécie dominante. Em um mercado globalizado, competitivo, consumi-
As descobertas dos inúmeros danos ambientais re- dores, cada vez mais exigentes e alicerçado por uma legisla-
sultantes das práticas inadequadas das disposições dos ção comprometida com os anseios sociais futuristas, a ges-
resíduos têm aumentado o conhecimento e a preocupação tão ambiental passou a ter caráter marcante e decisivo na
da população do planeta sobre esta questão. Nos últimos escolha de produtos. Empresas tecnologica e culturalmente
anos, esta preocupação tem sido manifestada e concretiza- habilitadas no efetivo controle dos seus processos, apre-
da, através da promulgação de uma série de legislações fe- sentam seus custos reduzidos, uma vez que consomem
derais, estaduais e municipais. menos matéria-prima e insumos, geram menos subprodu-
Com a legislação ambiental cada vez mais rígida, os tos, reutilizam, reciclam, lucram com seus resíduos e gastam
prejuízos advindos de seu não-cumprimento podem apre- menos com o manejo e controle da poluição e recuperação
sentar um custo muito elevado aos infratores. Paralelamen- ambiental. As empresas ganham competitividade, por meio
te, a conscientização do consumidor impulsiona-os a ad- da gestão ambiental, tanto para a sua sobrevivência no
quirir produtos que sejam considerados “verdes/limpos”, mercado internacional, quanto para controle dos aspectos
“ambientalmente corretos”, ou seja, produtos que, além de ambientais, garantindo a sustentabilidade do processo de

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desenvolvimento e, conseqüentemente, a melhoria da qua- que, por suas características de maior virulência
lidade ambiental e de vida da população. ou concentração, podem apresentar risco de in-
Neste contexto, a certificação voluntária tem sido fecção;
acreditada como instrumento capaz de referendar a credibi- • Grupo B (químicos) - resíduos contendo subs-
lidade das empresas frente ao comprometimento ambiental. tâncias químicas que apresentam risco à saúde
A aplicação deste processo tem permitido aumento na ca- pública ou ao meio ambiente, independente de
pacidade de competir no mercado tanto nacional como in- suas características de inflamabilidade, corrosi-
ternacional, um verdadeiro passaporte para os produtos. vidade, reatividade e toxicidade;
A certificação tem sido implementada como parâme- • Grupo C (rejeitos radioativos) – são considera-
tro na decisão de compra do cliente, por gerar credibilidade. dos rejeitos radioativos quaisquer materiais re-
Tem sido observada uma melhoria da qualidade dos proces- sultantes de atividades humanas que contenham
sos, produtos e da própria organização, com efetiva melho- radionuclídeos em quantidades superiores aos
ria dos processos, evitando e prevenindo a ocorrência de limites de isenção especificados na norma CNEN-
deficiências (falhas), reduzindo custos com retrabalho, per- NE-6.02 – “Licenciamento de Instalações Radia-
das, desperdícios e inspeções. Apesar desta avalanche na tivas”, e para os quais a reutilização é imprópria
busca pela certificação voluntária, compartilhamos com a ou não prevista;
argumentação que a certificação não sirva apenas como • Grupo D (resíduos comuns) – são todos os resí-
propósito publicitário, mas como mecanismo habilitado na duos gerados nos serviços abrangidos por esta
garantia e manutenção da segurança e qualidade dos pro- Resolução que, por suas características, não ne-
dutos, serviços ofertados, e compromisso ambiental (RO- cessitam de processos diferenciados relaciona-
SENBERG, 2000). dos ao acondicionamento, identificação e trata-
mento, devendo ser considerados resíduos sóli-
DESENVOLVIMENTO dos urbanos - RSU.
• Grupo E – perfurocortantes – são os objetos e
Conforme observamos, a sociedade dotada de uma instrumentos contendo cantos, bordas, pontos
consciência comprometida e voltada a garantir a manuten- ou protuberâncias rígidas e agudas, capazes de
ção da qualidade de vida das futuras gerações, tem busca- cortar ou perfurar.
do mecanismos capazes de estimularem a criação de normas Os resíduos também são classificados de acordo com
e diretrizes comprometidas com a implementação de uma o estado físico em: resíduos sólidos, efluentes líquidos e
política nacional séria, atrelada às tendências internacio- emissões gasosas.
nais e fundamentada no avanço do conhecimento técnico-
científico da humanidade. Objetivando minimizar a produ- 2. RESÍDUOS SÓLIDOS
ção de resíduos e garantindo aos resíduos obrigatoriamen-
te formados, destino seguro e adequado, permitindo prote- 2.1 Definição
ção dos recursos naturais e meio ambiente.
Iniciativas voltadas a atender estas expectativas têm Para os resíduos, a definição legal encontra-se na
sido constantemente publicadas. Especificamente, legisla- Resolução Conama 5, de 05/08/93, que se aplica aos resídu-
ção voltada à área de saúde foi recentemente publicada: a os sólidos gerados nos portos, aeroportos, terminais ferro-
Resolução RDC n°. 33, em cinco de março de 2003, sendo viários e rodoviários e estabelecimentos prestadores de
esta voltada à necessidade de prevenir e reduzir os riscos à serviço de saúde. Esta resolução serve de parâmetro ao
saúde e o meio ambiente, propondo gerenciando do desti- definir resíduo sólido como sendo: “Resíduo em estado
no correto dos resíduos dos serviços de saúde. sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comuni-
Esta norma, em seu Capítulo IV, prevê a responsabi- dade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial,
lidade dos profissionais que, devidamente habilitados, de- agrícola, de serviço e de varrição”.
verão executar as atribuições concernentes. Abaixo, estão
citados alguns conceitos básicos mencionados nesta Re- 2.2 Geração de resíduos sólidos
solução, especial atenção dos profissionais farmacêuticos
deverá recair sobre manejo dos resíduos concernentes ao Os resíduos sólidos estão entre as principais preo-
Grupo B (Químicos) B1 – resíduos de medicamentos ou in- cupações da sociedade. O crescimento da população, o de-
sumos farmacêuticos (produtos hormonais, antibacterianos, senvolvimento industrial e a urbanização acelerada, atrela-
citostáticos, antineoplásicos, imunossupressores, anti-re- dos à postura individualista da sociedade, vêm contribuin-
troviaris...): do para o aumento do uso dos recursos naturais e para a
geração dos resíduos. Na maioria das vezes, esses resíduos
1. Classificação dos resíduos do serviço de saúde, são devolvidos ao meio ambiente, de forma inadequada,
segundo a Resolução 33, de 25 de fevereiro de 2003: levando à contaminação do solo e das águas, trazendo vá-
• Grupo A (potencialmente infectantes) - resíduos rios prejuízos ambientais, sociais e econômicos.
com a possível presença de agentes biológicos O problema do volume de resíduos sólidos está liga-

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do à produção industrial de bens de consumo e intimamen- 2.5 Gestão de resíduos sólidos
te ligado ao crescimento populacional e, em todos os paí-
ses, os problemas decorrentes são semelhantes (Barros, Conforme Paulella & Scapim (1996), a gestão de resí-
2002). duos deve estar alicerçada sobre condições ambientais ade-
Jardim et al (1995) citam que o aumento da popula- quadas, em que sejam considerados todos os aspectos en-
ção mundial implica no aumento do uso das reservas do volvidos, desde a fonte geradora até a disposição segura,
planeta, da reserva de produção de bens e também da gera- assim como os aspectos de reciclagem máxima dos resídu-
ção de lixo. os, buscando, inclusive, incorporar as mudanças dos pa-
Segundo Paulella & Scapim (1996), “... tanto nos pa- drões de produção e consumo.
íses industrializados, como nos países em desenvolvimen- Na Agenda 21 (Conferência das Nações Unidas so-
to, aumenta, ano após ano, a quantidade de resíduos e de bre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Rio de Janeiro,
produtos que se tornam lixo, e apenas o Japão e a Alemanha 1992), documento elaborado por 178 países na Rio-92, a
têm diminuído a quantidade de lixo por habitante”. questão dos resíduos sólidos recebeu atenção especial pela
Trabalhos apontam o aumento do volume do lixo importância que a produção crescente de dejetos dessa
sem tratamento, no Brasil, e a elevação de seu teor tóxico. natureza vem assumindo. O capítulo 21, seção II - “Buscan-
Esta situação tem sido comparada a uma bomba relógio, do Soluções para o Problema do Lixo Sólido”, foi integral-
que poderá explodir, a qualquer momento. Os resíduos sóli- mente dedicado a esta questão.
dos têm recebido tratamento de segunda categoria e ainda A busca de soluções integradas e compatíveis com
não existe vocação e uma consciência política dos gover- os princípios básicos expressos na Agenda 21 (minimiza-
nantes, parlamentares e demais autoridades, efetivamente ção dos resíduos; reciclagem e reutilização; tratamento am-
comprometida com a implementação de políticas preventi- bientalmente seguro; disposição ambientalmente segura;
vas e corretivas (Barros, 2002). substituição de matérias-primas perigosas e transferência e
desenvolvimento de tecnologias limpas) deveria nortear, em
2.3 Separação e acondicionamento dos resíduos sólidos nível mundial, as ações governamentais, organizações e
grupos setoriais responsáveis pela gestão de resíduos.
A empresa geradora dos resíduos deve ser respon- Segundo Leite (1997), o conceito de gestão de resí-
sável pela separação entre resíduos perigosos e resíduos duos sólidos abrange atividades referentes à tomada de
comuns. Após a identificação e a sua separação, os resídu- decisões estratégicas e à organização do setor para esse
os devem ser colocados em recipientes adequados, para fim, envolvendo instituições, políticas, instrumento e mei-
que se possa ter a sua coleta, tratamento e destinação final, os. Uma vez definido um modelo de gestão de resíduos
de acordo com suas características (SIQUEIRA, 2001). sólidos, deve-se criar uma estrutura para o gerenciamento
dos resíduos.
2.4 Coleta, armazenagem e transporte
2.6 Gerenciamento de resíduos sólidos
Coleta interna
É aquela realizada, dentro do local gerador do resí- A US EPA – United States Environmental Protecti-
duo, que consiste no recolhimento do lixo da lixeira, no fe- on Agency (1989), define que um gerenciamento integrado
chamento dos recipientes e no transporte até o local deter- de resíduos sólidos é aquele que completa o uso de práticas
minado para armazenagem, até que se faça a coleta externa administrativas de resíduos, com manejo seguro e efetivo,
(Siqueira, 2001). fluxo de resíduos sólidos urbanos, com o mínimo de impac-
tos sobre a saúde pública e o ambiente. Este sistema de
Armazenagem gerenciamento integrado de resíduos deverá conter alguns
O termo armazenagem refere-se à guarda temporária dos seguintes componentes:
dos resíduos, até que seja feita a coleta externa (Siqueira, – Redução de resíduos (incluindo reuso dos pro-
2001). dutos);
– Reciclagem de materiais (incluindo composta-
Coleta externa gem);
Consiste no recolhimento do resíduo armazenado, – Recuperação de energia por resíduo combustí-
até o veículo transportador, trabalho este realizado pelo pro- vel;
fissional da empresa de coleta de lixo (Siqueira, 2001). – Disposição final (aterros sanitários).
De acordo com Barros (2002), a responsabilidade pelo
Transporte gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos é da adminis-
Os veículos utilizados para o transporte também dis- tração pública municipal, porém o gerenciamento de outros
põem de certas especificações e autorizações dos órgãos tipos de resíduos sólidos é de responsabilidade do seu ge-
competentes, inclusive com vistorias regulares, para que rador.
não haja problemas até a destinação final dos resíduos (Si- A estratégia para o gerenciamento dos resíduos in-
queira, 2001). dustriais, por exemplo, passa pela responsabilização dos

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produtores de resíduos, através da aplicação do princípio sempre fundamentadas no simples descarte, predominando
do poluidor-pagador. Este deverá adotar medidas de redu- os depósitos a céu aberto, que contribuem para a deteriora-
ção da produção de resíduos, através da introdução de tec- ção do meio ambiente.
nologias e práticas “mais limpas”. Na impossibilidade de Segundo Siqueira (2001), para solucionar ou minimi-
evitar a geração de resíduos, deve adotar medidas de valo- zar os problemas resultantes da geração do lixo, será neces-
rização (reciclagem e ou valorização energética). sário que a sociedade adote cinco princípios básicos:
Em último caso, os resíduos que não sejam possí- – Minimização da geração de resíduos;
veis de reduzir ou valorizar, deverão ter um destino adequa- – Maximização da reutilização e reciclagem ambi-
do atendendo às características de perigosidade. Os resí- ental adequadas;
duos industriais não perigosos têm um nível de perigosida- – Seleção de processos industriais de produção
de similar aos resíduos urbanos, devendo requerer meios de materiais menos agressivos ao meio ambien-
de tratamento semelhantes (triagem, acondicionamento, re- te;
colha, valorização). – Adoção de formas de destinação final ambiental-
Cabe aos produtores adotarem medidas para a corre- mente adequadas;
ta separação dos resíduos industriais perigosos e não peri- – Expansão dos serviços relacionados ao lixo para
gosos, de modo a evitar a contaminação dos resíduos não toda a população.
perigosos e possibilitar uma correta gestão tendo em consi- De uma forma geral, os sistemas atualmente adota-
deração a perigosidade para o ambiente. dos para a administração dos resíduos estão baseados no
Os resíduos industriais perigosos devem ser geri- conceito da inesgotabilidade dos recursos naturais. Esta
dos tendo em consideração as suas características, poden- visão é absolutamente equivocada e deve ser revista, den-
do estes ser incinerados, sofrer tratamento físico-químico, tro da ótica do desenvolvimento auto-sustentável.
serem depositados em aterro ou serem exportados (US EPA
– United States Environmental Protection Agency, 1989). Formas de tratamento e disposição
final para resíduos sólidos
2.7 Tratamento e disposição final para
os resíduos sólidos 2.7.1 Aterros municipais e industriais

Segundo Lizárraga (2001), o tratamento dos resídu- O aterro é uma forma de disposição de resíduos no
os sólidos é um grande problema nacional. Hoje, o Brasil solo que, fundamentada em critérios de engenharia e nor-
produz aproximadamente 200 mil toneladas de resíduos só- mas operacionais específicas, garante um confinamento
lidos, por dia. Desse total, 76% são destinados aos lixões a seguro em termos de poluição ambiental (e-meioambiente,
céu aberto, sem nenhum tipo de tratamento; 13% destinam- 2003).
se aos aterros controlados; 10% para aterros sanitários e A disposição indiscriminada de resíduos no solo
somente 1% chega a ser reciclado (Lizárraga, 2001). pode causar poluição do ar, pela exalação de odores, fuma-
Segundo estudos recentes da Cetesb (Companhia ça, gases tóxicos ou materiais particulados, poluição das
de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo), águas superficiais pelo escoamento de líquidos percolados
cerca de 10 milhões de toneladas anuais de resíduos sóli- ou carreamento de resíduos pela ação das águas de chuva e
dos, produzidos pelas indústrias, no Estado de São Paulo, poluição do solo e das águas subterrâneas pela infiltração
não são devidamente tratados ou têm destino inadequado, de líquidos percolados.
número este que chega a 47% do volume produzido pelas Estes problemas podem ser eliminados em um aterro
indústrias (Siqueira, 2001). pela adoção das seguintes medidas de proteção ambiental:
Em detrimento da legislação vigente, que coloca • Localização adequada;
como o grande responsável pelos resíduos o gerador, mui- • Elaboração de projeto criterioso;
tas vezes este acaba por não dar o devido tratamento ou • Implantação de infra-estrutura de apoio;
destinação ao lixo por falta de informação ou por não estar • Implantação de obras de controle da poluição;
devidamente amparado por um prestador de serviço res- • Adoção de regras operacionais específicas.
ponsável, seja ele público ou privado.
O equacionamento e a solução dos problemas relaci- Os aterros se classificam em:
onados com os resíduos urbanos, em todas as etapas do
processo, da geração até a disposição final, estão intrinse- Aterro comum: é a forma inadequada de disposição
camente ligados à conscientização da população envolvi- de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descar-
da, ao seu estágio de desenvolvimento aos hábitos, às con- ga de resíduos sobre o solo, sem medidas de proteção ao
dições econômicas e, naturalmente, à disponibilidade de ambiente ou à saúde pública (Jardim et al., 1995).
locais e tecnologias adequadas para tratamento e disposi- Vantagem: Processo mais barato e mais rápido para
ção final (Siqueira, 2001). Lamentavelmente, tem sido cons- sua instalação.
tatado que o tratamento e destinação final dos resíduos Desvantagem: Contamina o solo, ar, água e favore-
ainda se resumem na adoção de soluções imediatas, quase cem a sobrevivência e proliferação de insetos e roedores.

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Aterro controlado: é o aterro comum com algumas 2.7.2 Compostagem
adaptações. Os resíduos recebem diariamente uma cobertu-
ra de material inerte. Esta cobertura não resolve os proble- Kiehl (1998) define compostagem como sendo um
mas de poluição gerados pelos resíduos, pois, não são le- processo controlado de decomposição microbiana de oxi-
vados em conta os mecanismos de formação de gases e dação e oxigenação de uma massa heterogênea de matéria
líquidos (Lima, 1995). orgânica, no estado sólido e úmido. Dois estágios podem
Aterro Sanitário: de acordo com a Associação Bra- ser identificados nessa transformação:
sileira de Normas Técnicas - ABNT (1984), NBR 10004, con- 1º estágio: denominado digestão, e corresponde à
siste na técnica de disposição de resíduos sólidos no solo, fase inicial da fermentação, na qual o material alcança o
estado de bioestabilização
sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança.
2º estágio: denominado maturação. A massa em fermen-
Vantagem: causa menos impacto ao meio ambiente e
tação atinge a humificação, estado em que o composto apresenta
é uma solução economicamente viável; melhores condições como melhorador do solo e fertilizante.
Desvantagem: vida útil de curta duração, controle e Ainda segundo Kiehl (1979), a compostagem pode
manutenção constante e utilização de grandes extensões ser classificada, segundo quatro fatores: aeração, tempera-
de terra. tura, ambiente, e tipo de processamento.
Para os resíduos sólidos industriais existem os ater- Vantagem: transforma matéria orgânica em adubo ou
ros próprios, que são geralmente classificados como aterro ração animal e reduz o envio de resíduos para os aterros
classe I, aterro classe II ou aterro classe III. Desvantagem: produção de mau cheiro, insetos e roedores.

Classificação quanto à Biologia: Definição

Aeróbio Processo onde a fermentação ocorre na presença de oxigênio. Neste processo


existe o desprendimento de CO2 e vapor d'água, onde a temperatura é sempre
elevada.

Anaeróbio Processo onde a fermentação ocorre na ausência de oxigênio. Neste processo


existe o desprendimento de CH4, H2S entre outros, a temperatura nesta fase
permanece baixa.

Misto Processo onde a matéria passa pela fermentação aeróbia e depois existe uma
redução de oxigênio desenvolvendo-se assim o processo anaeróbio.

Classificação quanto a Temperatura Definição

Criofílico Processo onde a temperatura atinge uma média inferior, próxima à do ambiente.

Mesofílico Processo que ocorre entre 35 e 45 ºC. A temperatura nesses processos são
diretamente proporcionais a quantidade de microorganismos.

Termofílico Processo que ocorre em temperaturas superiores a 55 ºC, podendo alcançar


até 70 ºC. É o mais indicado, pois, as altas temperaturas podem diminuir a
sobrevivência de microorganismos patogênicos.

Classificação quanto ao ambiente Definição

Aberto Processo onde a compostagem ocorre em pátio a céu aberto.

Fechado Processo onde a compostagem ocorre em digestores, bioestabilizadores, célu-


las de fermentação , etc.

Classificação quanto ao Processamento Definição

Estático Processo onde o revolvimento da massa em fermentação é feita com intervalos.

Dinâmico Processo onde a massa em digestão é revolvida continuamente.

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2.7.3 Co-processamento em fornos de cimento Em sua tese de doutorado Leite (1997), cita as vanta-
gens e desvantagens da incineração.
Co-processamento, por definição, é a técnica que Vantagens: redução dos resíduos em até 5% do vo-
permite a queima de resíduos em fornos de cimento median- lume e 15% do peso original; bom funcionamento, indepen-
te dois critérios básicos: reaproveitamento de energia, para dentemente das condições metereológicas; possibilidade
que o material seja utilizado como substituto ao combustí- de recuperação da energia contida nos resíduos; redução
vel, ou reaproveitamento como substituto da matéria-prima, do impacto ambiental.
de forma que os resíduos a ser eliminado apresentem carac- Desvantagens: investimento elevado; alto custo de
terísticas similares às dos componentes normalmente em- operação e manutenção; exigência de mão de obra especi-
pregados na produção de clínquer (e-meioambiente, 2003). alizada na operação.
No forno de produção de clínquer, local onde os re-
síduos são destruídos, a temperatura na entrada é da ordem 2.7.5 Reciclagem
de 1200 °C, sendo que na chamada zona do maçarico a tem-
peratura chega até 2000 °C. As altas temperaturas nos for- A produção industrial e a própria sobrevivência hu-
nos, aliados ao tempo de detenção e a alta turbulência do mana no planeta terra estão baseadas no desenvolvimento
interior dos equipamentos, resultam na destruição de quase da forma academicamente conhecida como 3 erres, sendo,
toda carga orgânica. redução, reaproveitamento e reciclagem (e-meioambiente,
Pela técnica do co-processamento são proibidas as 2003).
queimas de organoclorados, lixo urbano, radioativo e hos- A redução é a introdução de novas tecnologias na
pitalar. exploração, transporte e armazenamento das matérias-pri-
mas para reduzir ou, se possível, eliminar o desperdício dos
2.7.4 Incineração recursos naturais, retirados da natureza. O reaproveitamen-
to é a reintrodução no processo produtivo, de produtos
A incineração é considerada uma forma de dispo- não mais apropriados para o consumo, visando a sua recu-
sição final, e constitui método de tratamento que se uti- peração, e recolocação no mercado, evitando assim, o seu
liza da decomposição térmica, com o objetivo de tornar encaminhamento para o lixo. Já a reciclagem constitui a rein-
um resíduo menos volumoso e menos tóxico. Os rema- trodução de um resíduo, produto usado, para que possa ser
nescentes da incineração são constituídos de gases como reelaborado gerando um novo produto.
dióxido de carbono, dióxido de enxofre, nitrogênio, oxi- Os três erres se propõem a analisar e organizar o
gênio, água, cinza e escórias. Quando a combustão é ciclo produtivo, de forma que cada vez mais o lixo seja trans-
incompleta podem aparecer monóxido de carbono e par- formado em insumo, substituindo, até o limite do possível,
ticulados, que são constituídos de carbono finamente as preciosas matérias-primas naturais, preservando nossos
dividido (Lima, 1995). Conseqüentemente se faz neces- recursos naturais e o meio ambiente.
sário que os incineradores contenham equipamentos
complementares, como filtros destinados ao tratamento 3. EFLUENTES LÍQUIDOS
de gases e agregados leves resultantes da combustão
dos resíduos (Barros, 2002). 3.1 Introdução
As unidades de incineração variam desde instala-
ções pequenas, projetadas e dimensionadas para um resí- As tecnologias para tratamento dos efluentes líqui-
duo específico, até grandes instalações de propósitos múl- dos, ou águas residuárias (esgoto), que são as águas com
tiplos, para incinerar resíduos de diferentes fontes. No caso alterações indesejáveis nas características, são classifica-
de materiais tóxicos e perigosos, estas instalações reque- das em três grupos distintos de processo:
rem equipamentos adicionais de controle de poluição do ar, • Processos biológicos;
com conseqüente demanda de maiores investimentos. Os • Processos físicos;
incineradores trabalham na faixa de 1200 a 1400 °C e o tempo • Processos químicos.
de detenção entre 0,2 a 0,5 segundos, podendo chegar em Geralmente, esses grupos não atuam isoladamente e
alguns casos até 2 segundos. As principais características o processo mais adequado ao seu efluente será definido a
dos resíduos que apresentam maior potencial para o pro- partir de alguns itens, como:
cesso de incineração são: • As características dos efluentes a ser tratado;
• Resíduos orgânicos constituídos basicamente de • O atendimento as exigências legais;
carbono, hidrogênio e/ou oxigênio; • A área disponível;
• Resíduos que contêm carbono, hidrogênio, clo- • O custo envolvido.
ro com teor inferior a 30 % em peso e/ou oxigê- Para a definição da tecnologia, que irá remover a car-
nio; e ga orgânica existente nos efluentes, é necessária a caracte-
• Resíduos que apresentam seu poder calorífico rização física e química desse efluente. Um exemplo de ca-
inferior (PCI) maior que 4.700 Kcal/Kg (não ne- racterização, que se aplica a quase todos os ramos de ativi-
cessitando de combustível auxiliar para queima). dade industrial, é realizado, através das seguintes análises:

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• Sólidos totais; em suspensão e também são utilizados para proteção de
• Temperatura; bombas, válvulas e outros equipamentos contra obstrução.
• Cor;
• Odor; Peneiras
• Turbidez; São dispositivos destinados a retenção de partícu-
• DQO ( Demanda Química de Oxigênio); las mais finas. A fim de evitar entupimento, devem ser do
• DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio); tipo rotativo. Como exemplo de sua aplicação, podemos ci-
• pH (Potencial Hidrogênionico); tar as industrias de conservas de pescado que as utiliza na
• OD (Oxigênio Dissolvido); separação de espinhas e escamas.

3.2 Processos de tratamento de efluentes Tanques de remoção de óleo e graxas


Os óleos e gorduras livres presentes nos efluentes
3.2.1 Processos químicos e físico-químicos formam uma espuma de efeito estético desagradáveis, além
de prejudicarem seriamente o tratamento biológico. Esses
Os processos químicos e físico-químicos podem ser dispositivos para remoção de óleos e graxas, provocam a
utilizados para remover material coloidal, cor e turbidez, odor, redução da velocidade da água. Enquanto os sólidos mais
ácidos, álcalis, metais pesados e óleos. Além disso, os rea- densos se depositam no fundo formando lodo, os corpos
gentes químicos são utilizados para neutralizar ácidos ou menos densos sobem á superfície formando escuma. As
álcalis (e-meioambiente, 2003). A neutralização dos efluen- leis que regem o fenômeno são análogas às que regem o
tes industriais pode ser necessária para adequar o efluente fenômeno de sedimentação de sólidos granulares, com a
a ser lançado à legislação ou como medida necessária para diferença de que se efetuam em sentido inverso, isto é, as
proteção de sistemas de tratamento posteriores. Em linha partículas maiores sobem com velocidade maior que a das
gerais, os principais reagentes químicos utilizados para neu- partículas menores.
tralização são os seguintes:
• Efluente alcalino: ácido sulfúrico (h2so4 ), ácido 3.2.3 Processos biológicos
clorídrico (hcl), dióxido de carbono (co2).
• Efluente ácido: lama de cal, calcário, carbonato
São os processos que dependem dos microorganis-
de sódio, soda caustica.
mos para a redução da carga orgânica dos efluentes (e-
meioambiente, 2003).
3.2.2 Processos Físicos
Nos processos biológicos, os microorganismos
transformam a matéria orgânica existente na forma de sóli-
São processos que abrangem a remoção de sólidos flu-
dos em suspensão e sólidos dissolvidos em compostos sim-
tuantes de dimensões relativamente grandes, de sólidos em
ples como água, gás carbônico e sais minerais.
suspensão, de areias, de óleos e gordura (e-meioambiente, 2003).
Os processos biológicos são classificados em fun-
São considerados métodos físicos:
ção da fonte de oxigênio, em aeróbios e anaeróbios, sendo
• Caixas de areia;
• Decantadores; que os microorganismos que se utilizam do oxigênio dispo-
• Grades; nível no ar são chamados de aeróbios e os que se utilizam
• Peneiras simples ou rotativas; do oxigênio presente nos compostos que serão degrada-
• Tanques de remoção de óleo e graxas. dos são chamados de anaeróbios.
Os processos biológicos aeróbios normalmente en-
Caixas de areia contrados são:
Destinam-se à retenção de areias e outros detritos • Lodos ativados;
pesados inertes, em suspensão nos efluentes. São utiliza- • Filtro biológico;
das com o objetivo de proteger bombas e tubulações contra • Lagoas aeradas;
abrasão e entupimento. • Processos anaeróbios.

Decantadores Lodos ativados


São empregados na separação dos sólidos sedimen- Nos processos biológicos, através de lodos ativa-
táveis contidos nos efluentes. Podem ser divididos em dis- dos, o esgoto é estabilizado biologicamente em um tanque
positivos que são preenchidos intermitentemente (por car- de aeração, onde o oxigênio requerido pelos microorganis-
gas) ou com fluxo constante. Os decantadores mais simples mos será fornecido através de equipamentos de aeração
são as lagoas de decantação, em que o lodo acumulado no mecânica ou ar difuso. A massa biológica resultante é sepa-
fundo pode ou não ser removido. rada do líquido em um decantador. Uma parte dos sólidos
biológicos sedimentados é continuamente recirculada e a
Grades massa remanescente é disposta, de forma a não causar im-
As grades destinam-se a remover sólidos grosseiros pacto ao meio ambiente.

Infarma, v.16, nº 11-12, 2004 73


Filtro biológico Equipamentos para controle das emissões
No processo de filtração biológica, o despejo líqui- atmosféricas/gases e vapores
do é aspergido sobre pedras e escoado através do leito
filtrante.O filtro biológico consiste de um leito filtrante de Absorvedores
meio altamente permeável onde os microrganismos são afi- São equipamentos utilizados para a absorção de ga-
xados, e através do qual o despejo líquido é percolado. O ses onde o fenômeno envolvido consiste na transferência
meio filtrante usualmente é constituído por pedras ou plás- de massa de uma fase gasosa para uma fase líquida.
ticos e a profundidade média dos filtros de pedra é de 2
metros e de 9 a 12m quando o meio é de plástico. O filtro Adsorvedores
biológico normalmente é circular, sendo o despejo líquido É um processo seletivo e bastante utilizado para a
distribuído sobre a parte superior do leito por meio de bra- remoção de gases presentes em baixas concentrações, como
ços rotativos. O efluente sai por uma camada de drenos, por exemplo, substâncias causadoras de odor. Os adsorve-
juntamente com sólidos biológicos. O material orgânico pre- dores podem também ser utilizados na recuperação de
sente no despejo é degradado por uma população de mi- solventes.As substâncias adsorventes apresentam a carac-
crorganismos afixada no meio filtrante. terística de ser um material sólido, poroso e de grande área
superficial específica.
Lagoas aeradas
Nas lagoas aeradas, é utilizada aeração mecanizada Ciclones / multiciclones
para fornecer oxigênio às bactérias. Nas lagoas fotossinté- São equipamentos utilizados para realizar a separa-
ticas aeróbias o oxigênio é fornecido pela aeração natural e ção gás/sólidos. Nos ciclones e nos multiciclones, a sepa-
pela ação fotossintética das algas. O oxigênio liberado pe- ração se dá pelo efeito da força centrífuga. Esta força é
las algas através do processo de fotossíntese é utilizado gerada pela entrada tangencial do gás no equipamento. A
pelas bactérias no processo de degradação aeróbia dos po- diferença entre o ciclone e o multiciclone, é o fato de o
luentes existentes dos efluentes. ciclone ser constituído por apenas uma unidade cilíndrica/
cônica e o multiciclone ser constituído por mais de uma
Processo anaeróbio unidade cilíndrica/cônica. As unidades do multiciclone são
Nos processos anaeróbios a decomposição da ma- ligadas em paralelo e possuem o raio menor que o raio da
téria orgânica e/ou inorgânica é conseguida na ausência de parte cilíndrica do ciclone.
oxigênio molecular. Sua principal aplicação está na digestão
de certos despejos industriais de alta carga e lodos de es- Filtros de tecido
gotos concentrados. A filtração é um dos métodos mais antigos, simples e
Os microorganismos responsáveis pela decomposi- bastante eficiente para remoção de partículas de um fluxo
ção da matéria orgânica são comumente divididos em dois gasoso, As vantagens do emprego de filtros de tecidos são
grupos, sendo que cada grupo realiza as seguintes ativida- as seguintes: alta eficiência de coleta, inclusive para partí-
des: culas finas, perda de carga não é excessiva, resistência a
• O primeiro hidroliza e fermenta compostos orgâ- corrosão.
nicos complexos para ácidos orgânicos simples;
• O segundo converte os ácidos orgânicos sim- Flares
ples em gás metano e gás carbônico. São equipamentos que estão localizados no ponto
de emissão dos poluentes e que promovem a queima destes
4. EMISSÕES GASOSAS em espaço aberto. Este equipamento é utilizado quando os
gases combustíveis estão em concentrações próximas ou
Os principais poluentes da atmosfera são aqueles acima do limite inferior de inflamabilidade
emitidos em maiores quantidades e por grande variedade
ou número de fonte, que, portanto, se apresentam sistema- Incinerador de chama direta
ticamente em áreas urbanas poluídas, em concentrações Consiste de uma câmara de combustão com paredes
próximas do limiar de efeitos perceptíveis sobre os vários revestidas com material refratário, um ou mais queimadores,
receptores (e-meioambiente, 2003). indicador-controlador de temperatura, equipamento de segu-
São eles os principais poluentes da atmosfera: rança e algumas vezes equipamento para recuperação de ca-
• Material particulado; lor. Os parâmetros básicos a serem considerados em um proje-
• Óxidos de enxofre; to de incinerador de chama direta são: temperatura alta (650 ºC
• Óxidos de nitrogênio; a 850 ºC) na câmara de combustão para que se processe a
• Monóxido de carbono. completa oxidação dos poluentes; tempo de Resistência, que
A avaliação da qualidade do ar visa monitorar as con- é definido como o tempo em que o gás permanece na câmara
centrações de poluentes na área de influência de uma organi- de combustão e varia, na prática, de décimos de segundos até
zação, visando a verificação do atendimento aos padrões de alguns segundos; velocidade na câmara de combustão, que
qualidade do ar, estabelecidos na legislação em vigor. deve ser adequada de modo a promover uma boa mistura.

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Lavadores de gás mais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou
Os lavadores podem ser utilizados tanto para remoção não, com o fim de sua diluição, transporte ou
de gases e vapores, como para remoção de material particula- disposição final.
do. A eficiência do lavador de gás esta ligada ao tipo e forma Em resumo, a indústria farmacêutica irá pagar pela
de contato do gás com o líquido, pois é esse contato que irá água que utiliza e pela quantidade de efluente lançado no
permitir a remoção dos contaminantes gasosos. recurso hídrico.
Já na Lei nº 9605, de 13 de fevereiro de 1998, dispõe
5. LEGISLAÇÃO sobre as sanções penais e administrativas derivadas de
condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Em seu
A Legislação ambiental é um poderoso instrumento Artigo 2º, responsabiliza todos que fazem parte da empresa
colocado à disposição da sociedade, a fim de que se faça pela degradação ambiental gerada pela firma.
valer o direito constitucionalmente assegurado a todo o As penas propostas pela legislação envolvem a
cidadão brasileiro de viver em condições dignas de sobre- combinação de multas, suspensão parcial ou total de ativi-
vivência, num ambiente saudável e ecologicamente equili- dades e a reclusão, por até cinco anos, dependendo da gra-
brado (Barros, 2002). vidade do crime ambiental. Essa lei tenta não permitir que a
A Constituição Federal, promulgada em 1988, garan- infração seja economicamente atraente (Macêdo, 2000).
te a necessidade da proteção ambiental, ao definir, em seu Atualmente, tem-se comentado muito sobre a Reso-
artigo 225: “Todos tem o direito ao meio ambiente ecologi- lução RDC nº 33, de 25 de fevereiro de 2003. Esta Resolução
camente equilibrado, bem de uso comum do povo e essen- está mais voltada para os resíduos provenientes de hospi-
cial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público tais, mas, de acordo com o capítulo II, também abrange in-
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservar para as dústrias farmacêuticas, drogarias e farmácias. A RDC 33
presentes e futuras gerações” (Brasil, 1995). obriga a elaboração de um plano de gerenciamento de resí-
O Código Municipal de Limpeza Urbana, promulga- duos de serviços de saúde. Sendo assim, são estabelecidos
da através da Lei Complementar nº 258/98, de 14 de dezem- procedimentos que devem ser seguidos, desde a geração
bro de 1998, apresenta diretrizes e normativas legais para do resíduo, até seu tratamento e disposição final.
gestão dos resíduos sólidos urbanos do Município de Ma- De acordo com o capítulo IV, o estabelecimento deve
ringá. Este Código tem como objetivo a preservação do ambi- dispor de um profissional habilitado, em função do tipo de
ente e a proteção da saúde pública, através do gerenciamento resíduo a ser gerenciado, para exercer a função de respon-
adequado dos resíduos e conservação do ambiente. sável pela elaboração e implantação do plano de gerencia-
A legislação contempla: classificação dos serviços mento de resíduos. Por exemplo, para serviços que gerem
de limpeza urbana, os deveres do cidadão e das empresas, exclusivamente resíduos químicos e comuns, profissional
conservação e limpeza de logradouros públicos e terrenos de nível superior com habilitação na área de química (enge-
vazios particulares, as formas de fiscalização, os procedi- nheiro químico, químico, farmacêutico, biólogo).
mentos das infrações e penalidades pelo não cumprimento De acordo com Macêdo (2000), apesar de a legisla-
do Código, formas para a educação ambiental (Barros, 2002). ção ser considerada moderna, é necessária uma fiscalização
Várias legislações envolvendo o meio ambiente têm mais rígida e com maior freqüência. Cabe ao consumidor
sido implantadas, no País, nos últimos anos. Mas as princi- escolher produtos de boa qualidade, de empresas cujas li-
pais foram sancionadas, em 1997 e 1998: a Lei 9433, de oito nhas de produção não degradem o meio ambiente.
de janeiro de 1997, e a Lei 9605, de 13 de fevereiro de 1998
(Brasil, 1997; Brasil,1998). A primeira institui a Política Naci- 6. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
onal de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Ge-
renciamento de Recursos Hídricos. Essa lei, em seu artigo A empresa que gera impactos ambientais, através de
1º, ressalta que a água é um bem de domínio público e recur- suas linhas de produção, além de infringir a legislação vi-
so natural limitado, dotado de valor econômico. gente e ter que pagar os custos desta infração, vai se des-
O capítulo IV considera como instrumento da Políti- gastar perante o público consumidor. Enquanto isso, ou-
ca Nacional de Recursos Hídricos dois aspectos que irão tras marcas estarão disponíveis no mercado, identificando-
afetar diretamente as indústrias farmacêuticas: I) a outorga se junto ao público, através de um chamado “rótulo ecoló-
dos direitos de uso de recursos hídricos; II) a cobrança pelo gico”, como proposto pela revista da ABNT, em janeiro/
uso de recursos hídricos. Em seu artigo 12º, a legislação fevereiro de 1996. Esse rótulo atesta que determinados pro-
ressalta que estão sujeitos à outorga pelo poder público os dutos são adequados ao uso e apresentam menor impacto
direitos dos seguintes usos de recursos hídricos: ambiental em relação aos seus concorrentes (Macêdo, 2000).
• captação de parcela de água existente em um cor- Diante de todas essas exigências, empresas irão utilizar o
po de água para consumo final, inclusive abasteci- SGA (Sistema de Gestão Ambiental) como uma vantagem
mento público ou insumo de processo produtivo; competitiva em vendas. Para a indústria farmacêutica, o SGA
• extração de água de aqüífero subterrâneo para con- é garantia junto ao mercado consumidor de que este encon-
sumo final ou insumo de processo produtivo; trará um fármaco de qualidade, fabricado de forma a não
• lançamento em corpo de água de esgotos e de- degradar o meio ambiente ao redor de suas instalações, con-

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tribuindo para uma melhor qualidade de vida das futuras 7. ISO 14000
gerações.
Etapas para a implantação do SGA segundo Macêdo Tendo em vista sistematizar a procura da excelência
(2000): ambiental e da sua performance, a ISO criou um conjunto de
– O uso racional da água dentro das diversas eta- normas técnicas referentes a métodos e análises, que possi-
pas da linha de produção: este procedimento visa bilitam certificar que determinado produto quando da sua
reduzir: a) os custos que envolvem o consumo produção, distribuição e descarte, não proporciona, ou re-
de água; b) o volume de efluente; c) os gastos duz ao mínimo, os danos ambientais e, além disso, está de
com a construção e/ou manutenção da ETE (Es- acordo com a legislação ambiental (e-meioaambiente, 2003).
tação de Tratamento de Esgotos). Visa também a A instituição normatizadora do País, ou outra por ela
planejar o reaproveitamento de águas dentro dos delegada, emite, então, o certificado sobre o processo de
procedimentos da linha de produção. produção ou o rótulo sobre o produto, o selo verde. A ISO
– O uso racional de detergentes e sanificantes nos 14000 é uma norma de processo e não de desempenho e a
procedimentos de higienização: envolve a escolha sua certificação é voluntária. Foi implementado, no ano de
dos produtos corretos em função da finalidade de 1996.
cada procedimento de higienização, da sua biode- Este conjunto de normas considera uma abordagem
gradabilidade, eficiência, resíduos e influência so- internacional comum ao gerenciamento ambiental, a capaci-
bre o processo escolhido para o tratamento dos eflu- dade da organização em obter e medir melhorias ambientais,
entes (Andrade & Macêdo, 1996; Macêdo, 1994). a remoção de barreiras para o comércio internacional, o au-
– Escolha do tratamento de efluentes. mento da credibilidade do comprometimento de uma orga-
– Aproveitamento tecnológico/racional do resíduo nização com a questão ambiental, o compromisso de uma
daETE. organização com a sua política ambiental e a legislação.
A implantação de Sistema de Gestão Ambiental em Portanto, com a ISO 14000, espera-se a homogenei-
uma empresa garante a redução da carga poluidora gerada, zação de sistemas de gerenciamento ambiental, facilitando
porque envolve a revisão do processo produtivo com vis- as transações técnicas e comerciais, respeitando as carac-
tas à melhoria contínua do desempenho ambiental da orga- terísticas ambientais de cada país e evitando, assim, ten-
nização, resultando em redução do consumo de matéria- denciosidade e imprecisões.
prima e insumos e das emissões de poluentes e resíduos. A Assim sendo, a exemplo da ISO 9000, a série ISO
certificação desses sistemas é um mecanismo que permite 14000 não ditará requisitos específicos de desempenho
que se formalize a internalização do sistema. ambiental. Caberá a cada organização e empresa a tarefa de
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, é desenvolver e adaptar seus negócios a um desejado de-
necessário que o País disponha de um sistema de certifica- sempenho ambiental, mas, visando a atingir a Excelência
ção voluntário que tenha credibilidade perante a comunida- Total em Meio Ambiente.
de internacional, para garantir a manutenção e ampliação Principais razões para implementar as normas de ges-
dos negócios realizados. tão ambiental - ISO 14001:
Além disso, os órgãos componentes do Sisnama • Garantir o cumprimento da legislação ambiental
devem estar atentos para que esses novos instrumentos, a aplicável à empresa;
certificação ambiental, os Sistemas de Gestão Ambiental • Assegurar uma exigência dos clientes;
das empresas e as auditorias ambientais nesses sistemas, • Satisfazer a preocupação com a reputação ambi-
sejam utilizados de forma a garantir a melhoria da qualidade ental;
ambiental através da redução dos resíduos e emissões ge- • Demonstrar a consciência ambiental e social da
rados e do controle dos aspectos ambientais significativos empresa;
das empresas potencialmente poluidoras. Nesse contexto a • Obter um trunfo em termos de marketing;
participação ativa do MMA é de suma importância, como • Reduzir custos e aumentar a produtividade;
órgão central do sistema e gestor de políticas.
O SGA torna as empresas melhor controladas e re- CONCLUSÃO
duz seus custos, porque estas:
• Utilizam menos matéria-prima Os resíduos sólidos, se descartados inadequadamen-
• Consomem menos energia te no ambiente, podem provocar alterações intensas no solo,
• Consomem menos água na água e no ar, além da possibilidade de causarem danos a
• Reduzem a produção de resíduos todas as formas de vida, trazendo problemas que podem
• Reutilizam, reciclam ou vendem resíduos comprometer as futuras gerações.
Ao reduzir seus custos, as empresas elevam sua com- Caso as autoridades públicas e a sociedade civil não
petitividade, pois podem praticar preços menores e melho- se mobilizem para que medidas necessárias e urgentes se-
rar sua imagem junto aos consumidores, cada vez mais cons- jam tomadas, o futuro reservará à humanidade sérios pro-
cientes e bem informados sobre efeitos ambientais e pro- blemas relacionados ao meio ambiente, principalmente com
cessos produtivos ambientalmente sadios. a escassez da água e o excesso de lixo.

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Tão importante quanto à destinação e os tratamen- BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil.
tos adequados, é preciso produzir cada vez menos resíduos Lei nº 9605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as
e reaproveitar cada vez mais os resíduos gerados, reduzin- sanções penais e administrativas derivadas de condu-
do o alto índice de desperdício, contribuindo, assim, para tas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
uma sociedade mais equilibrada e responsável. providências. Diário Oficial da União, Brasília, 13 de
Num mercado extremamente competitivo e com a Fevereiro 1998.
população cada vez mais conscientizada sobre aspectos BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sani-
sociais e suas responsabilidades, a proteção ambiental é tária. Resolução nº 33. Dispõe sobre o Regulamento
considerada exercício da cidadania, se faz necessário que Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços
as empresas demonstrem responsabilidades ambientais pe- de saúde. Diário Oficial da União 25.02.2003.
rante a comunidade, clientes, órgãos ambientais. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONA-
Para isso, as empresas podem optar pela implanta- MA), Resoluções do CONAMA: Dispõe sobre a desti-
ção do Sistema de Gestão Ambiental. Este sistema pode nação final de resíduos sólidos, n.05, de 05/08/93, Bra-
reduzir os impactos ambientais, assim como, melhorar a efi- sília, SEMA, 1993.
ciência operacional, identificando oportunidades de redu- E-Meioambiente, 2003, www.e-meioambiente.com.br.
ção de custos e de riscos ambientais. JARDIM, N.S. et al., 1995, Lixo Municipal: manual de ge-
O Sistema de Gestão Ambiental leva a empresa a renciamento integrado. São Paulo: Instituto de Pes-
alcançar três metas: eliminar os impactos ambientais negati- quisas Tecnológicas (IPT), e Compromisso Empresarial
vos, gerando com isso uma vantagem competitiva de mer- para Reciclagem (CEMPRE).
cado; aproveitar de maneira coerente toda a estrutura que a KIEHL, E.S. Metodologia da compostagem e ação fertilizan-
empresa já possui, procurando fazer adaptações técnicas te do composto de resíduos domiciliares. Piracicaba,
com a finalidade de redução de custos; compatibilizar a in- SP, Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiros/USP,
dústria farmacêutica com as novas legislações ambientais. 1979.
A maior penalidade que a humanidade poderá rece- KIEHL, E.S., Manual de Compostagem: maturação e quali-
ber pela inconseqüente má utilização dos recursos naturais dade do composto. Piracicaba, SP, Divisão de Bibliote-
e do tratamento inadequado dos resíduos gerados por suas ca e Documentação “Luiz de Queiros”/USP, 1998.
atividades será indubitavelmente a herança deixada às ge- LEITE, W.C.A., Estudo da gestão de resíduos sólidos: uma
rações futuras. proposta de modelo tomando a Unidade de Gerencia-
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