Você está na página 1de 28

HUMANIZAÇÃO em SAÚDE

Profa. Dda. Renata Guilherme


Humanizar é tornar humano
(Aurélio)
Humanização e cuidado são indissociáveis.
Entende-se por humano a natureza
humana, bondosa, humanitária, que tem o
mesmo sentido de humanidade, no qual
se incluiu benevolência, clemência,
compaixão. (Ferreira, ABH; 1986)
Humanizar é a prática do humano. Logo,
como humanos o que realizamos é
humano, sendo, portanto, próprio ao ser
humano visar o bem-estar da
humanidade, tanto individual como
coletivamente, isso é o verdadeiro sentido
de humanizar.
(Ferreira, ABH; 1986)
A desumanização acontece pelo
comportamento, quando a visão é
ofuscada pelo ter, assumindo uma postura
– e esta é tornada em ação – contrária a
essa natureza (que é a do SER)
... E dessa forma vamos nos tornando
desumanos (desnaturados e cruéis)
(Ferreira, 1986)
“No desequilíbrio entre ser e ter perde-se o
cuidado”

O cuidado (instrumento de trabalho da


Enfermagem) “se caracteriza como uma
relação de ajuda, cuja essência constitui-
se em uma atitude humanizada”
(RIZZOTO, 2002)
O que somos?
Humanização é:
Um processo vivencial que permeia toda a atividade
do local e das pessoas que ali trabalham, dando ao
paciente o tratamento que merece como pessoa
humana, dentro das circunstâncias peculiares em
que cada um se encontra no momento de sua
internação.

SOUZA, POSSARI e MUGAVAR 1985


Só é possível humanizar... partindo da
nossa própria humanização

Drª Maria Julia Paes da Silva


Como podemos nos humanizar

Ser mais inteiro e íntegro


Ser autêntico (crer e praticar)
Reconhecer e aprender com os erros
Mudar o que pode ser mudado
Auto - cuidado
Ser feliz
Por que Humanizar?
É possível humanizar as
pessoas?
Como Humanizar...

Ambiente
Paciente
Família
Equipe
Ambiente

Iluminação – luz natural


Controle do ruído (45 – 55 decibéis)
Ajuste de alarmes
Temperatura (20 – 23ºC)
Decoração – painel personalizado
Privacidade durante os procedimentos
Facilitar atividades que possam ser executadas durante
a internação (música, filmes, tv, leitura, atividade
manual...)
Desperdício x zelo
Paciente

Personalização (tratar pelo nome)


Privacidade
Tocar o paciente
Valorizar necessidade de expressão e de
informação
Valorizar pequenas atitudes, falas e desejos
Controle da dor
Apoio psicológico / espiritual
Fragmentos de entrevistas que demonstram
o tratamento ético que é dispensado aos
pacientes sob a ótica dos mesmos:

“quando me chamaram pelo meu nome,


tive a certeza que sabiam o que estavam
fazendo, isso me deixou mais tranquila”
“fui recebida com bom dia, mas depois me
deixaram sozinha em uma sala e eu só
ouvia conversas no corredor, senti medo,
foi muito ruim, eu estava angustiada e as
moças ficaram discutindo preço de
celular”
“o paciente tem direito a ser identificado
pelo nome e sobrenome. Não deve ser
chamado pelo nome da doença ou do
agravo à saúde, ou ainda de forma
genérica ou quaisquer outras formas
imprórias, desrespeitosas ou
preconceituosas” (São Paulo,1999)
“O paciente é levado até a sala de cirurgia
de forma fria, sem se estabelecer um
diálogo ou mesmo uma relação de
confiança profissional. (BEDIN, Eliana. et
al, 2005)
Família

Extensão do paciente
Acesso ao paciente
Rigor no horário de visitas
1ª visita acompanhada
Folheto ou manual explicativo
Satisfazer necessidades da família
Informação, conforto e segurança
Reuniões com equipe multidisciplinar
Boletim médico / enfermagem
Equipe

Conversar com paciente sobre os procedimentos antes de


sua realização
Falar a verdade
Nossas rotinas internas
Postura individual e profissional
Choque de personalidades
Trocar frustrações ou limitações
Apoio psicológico / grupos de
discussão
Possíveis barreiras encontradas na relação
enfermagem – paciente

Aparência desleixada;
Falha em sua identificação com o paciente;
Pronúncia errada ou troca do nome do paciente;
Demonstração de desinteresse pela história pessoal do
paciente e por suas experiências de vida;
Discussão de problemas pessoais, fofocas, com outros
profissionais;
Utilização de linguagem rude ou ofensiva;
Desatenção às necessidades do paciente;
Abandono do paciente em situações estressantes ou
dolorosas;
Falha em cumprir promessas feitas.
É possível sistematizar a
humanização?
As propostas de humanização em saúde
também envolvem repensar o processo de
formação dos profissionais ainda
centrado, predominantemente, no
aprendizado técnico, racional e
individualizado, com
tentativas muitas vezes
isoladas de exercício
da crítica, criatividade
e sensibilidade.
Humanizar a relação com o doente
realmente exige que o trabalhador valorize
a afetividade e a sensibilidade como
elementos necessários ao cuidar. Porém,
compreendemos que tal relação não
supõe um ato de caridade exercido por
profissionais abnegados e já portadores
de qualidades humanas essenciais, mas
um encontro entre sujeitos, pessoas
humanas, que podem construir uma
relação saudável, compartilhando saber,
poder e experiência vivida.
Como a humanização é a prática do
humano, falar em praticar o humano é
evidenciar que o momento em que
vivemos é de profunda desumanização, a
ponto de ter de tomar o substantivo
“humanização” como verbo.