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INTERNAÇÃO

PSIQUIÁTRICA
Comissão Municipal de Saúde Mental de Curitiba –
Conselho Municipal de Saúde

Autoria: Aline da Cruz Wudarski - JOCUM – Jovens Com Uma Missão


Aline Ramos dos Santos – Associação de Moradores Profeta
Elias da Vila Lindóia
Data: 05/12/2012
TIPOS DE INTERNAÇÃO
PSIQUIÁTRICA
INTERNAÇÃO

VOLUNTÁRIA INVOLUNTÁRIA COMPULSÓRIA

Sem o
Com consentimento consentimento do Determinada pela
do usuário usuário Justiça
A pedido de terceiro
DIREITOS EM SAÚDE
MENTAL
 Acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde

 Tratamento com humanidade e respeito


 recuperação pela inserção na família, no trabalho e na
comunidade

 Direito à presença médica


 Esclarecimento sobre a necessidade ou não da
hospitalização involuntária.
DIREITOS EM SAÚDE
MENTAL

Insuficiência dos recursos extra-


hospitalares
Laudo médico
circunstanciado
Com caracterização dos
motivos

Internação
(BRASIL, Lei N° 10.216/2001)
(Art. 4°)
INTERNAÇÃO
VOLUNTÁRIA
INTERNAÇÃO
VOLUNTÁRIA
 Solicitação voluntária ou consentimento (Art.7°,
Lei N° 10.216/2001)

Laudo Médico

Fundamentação do procedimento Informação


ao usuário
INTERNAÇÃO
VOLUNTÁRIA
Término da internação

○ Solicitação escrita do paciente

○ Determinação do médico assistente


(BRASIL, Lei N° 10.216, 2001)
Voluntária Involuntária

Termo de Comunicação de Internação Involuntária

ao Ministério Público
INTERNAÇÃO
INVOLUNTÁRIA
INTERNAÇÃO
INVOLUNTÁRIA
 Sem o consentimento do usuário

 Comunicação da Internação Involuntária e Alta


ao Ministério Público Estadual: 72 horas

(BRASIL, lei N°10.216/2001)

 Papel do Ministério Público nas Internações


Involuntárias
JUSTIFICATIVAS MAIS FREQUENTES
PARA INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA
INVOLUNTÁRIA

TRANSTORNOS MENTAIS SINTOMAS

Transtornos Psicóticos Agressividade


Mania Risco Suicida
Depressão Grave Promiscuidade sexual
Anorexia Gastos excessivos
Demência Intoxicação com risco de morte
Dependência Química Recusa Alimentar
Síndrome de Abstinência Não adesão ao tratamento

(BARROS; SERAFIM, 2009)


Comissão Revisora das
Internações Psiquiátricas
Involuntárias

Representantes de Associações de direitos


humanos ouou
Psiquiatra declínico
Profissional
Representanteusuários
de nível doscom
dogeral serviços
Ministério
superior de de saúde
habilitação
Público
saúde
mental e familiares
emEstadual
mental
psiquiatria

(BRASIL, Portaria N.º 2391/GM de 26/12/2002)


INTERNAÇÃO
INVOLUNTÁRIA
 Término da Internação Psiquiátrica Involuntária

 solicitação escrita:

○ familiar, responsável legal ou especialista


responsável pelo tratamento.
INTERNAÇÃO
INVOLUNTÁRIA
 DIREITOS DO USUÁRIO:
Indenização por danos morais e materiais
causados por IPI irregular

“Habeas corpus para assegurar o pleno exercício


do direito fundamental de ir e vir
○ Internação sem consentimento

Desconformidade com o devido processo legal

Violação a direitos constitucionais


INTERNAÇÃO
COMPULSÓRIA
SUPERVENIÊNCIA DE
DOENÇA MENTAL
 Art. 41 - O condenado a quem sobrevém
doença mental deve ser recolhido a
hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico ou, à falta, a outro
estabelecimento adequado.

(CÓDIGO PENAL, 1940)


INTERNAÇÃO
COMPULSÓRIA
 Decreto nº. 14.831, de 25 de maio de 1921
Aprova o regulamento do manicômio judiciário

Manicômio Judiciário

Acusados Condenados Delinqüentes


MEDIDAS DE SEGURANÇA
 Diferença entre pena e medidas de
segurança:
 A pena é dividida entre privativa de
liberdade e restritiva de direito e tem o
caráter principal de punir o agente da
infração penal, tendo como
conseqüência a prevenção que o
agente cometa novamente o ato ilícito.
 A medida de segurança não possui o
caráter de punir o agente do ato ilícito,
MEDIDAS DE SEGURANÇA
Art. 96. As medidas de segurança são:
I - Internação em hospital de custódia e
tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro
estabelecimento adequado;

II - sujeição a tratamento ambulatorial.

Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz


INIMPUTABILIDADE
 CÓDIGO PENAL 1940
Art. 26
-Discorre sobre a isenção de pena para
o agente com doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou
retardado;
-Redução da pena para o agente com
perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou
INIMPUTABILIDADE
 CÓDIGO PENAL 1940
Art. 26

Embriaguez - voluntária ou culposa, pelo


álcool ou substância de efeitos análogos.

§ 1º - Isenção de pena - embriaguez


completa; inteiramente incapaz de entender
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
MEDIDAS DE SEGURANÇA
 Prazo
§ 1º - A internação, ou tratamento
ambulatorial, será por tempo indeterminado,
perdurando enquanto não for averiguada,
mediante perícia médica, a cessação de
periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de
1 (um) a 3 (três) anos.
(CÓDIGO PENAL, 1940)
Duração das medidas de
segurança
Código Penal – Indefinida - Mínimo 1 a 3 anos

Supremo Tribunal Federal – Máximo 30 anos (art.


75, Código Penal)

Duração do máximo em abstrato previsto para o


crime que deu origem à medida de segurança
MEDIDAS DE SEGURANÇA

Perícia médica
MEDIDAS DE SEGURANÇA
Desinternação ou liberação

CONDICIONAL

Reestabeler a situação anterior


MEDIDAS DE SEGURANÇA

Tratamento ambulatorial

Internação

Fins Curativos???
INTERNAÇÃO
COMPULSÓRIA
 Insatisfação com o julgamento do processo:
Possibilidade de recorrer à segunda instância

Jurisdição Federal

(ZIMMER, 2011)
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do Conselho
Nacional de política Criminal e Penitenciária:

1. O tratamento aos portadores de transtornos


mentais considerados inimputáveis “visará, como
finalidade permanente, a reinserção social do
paciente em seu meio” (art. 4º, § 1° da Lei nº
10.216/01), tendo como princípios norteadores o
respeito aos direitos humanos, a desospitalização
e a superação do modelo tutelar.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 2. A atenção prestada aos pacientes
inimputáveis deverá seguir um
programa individualizado de tratamento,
concebido por equipe multidisciplinar
que contemple ações referentes às
áreas de trabalho, moradia e educação
e seja voltado para a reintegração sócio
familiar.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 6. A atenção deverá incluir ações
dirigidas aos familiares e comprometer-
se com a construção de projetos
voltados ao desenvolvimento da
cidadania e à geração de renda,
respeitando as possibilidades
individuais.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:

7. Os Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico deverão estar


integrados à rede de cuidados do SUS, adequando-se aos padrões de
atendimento previstos no Programa Nacional de Avaliação dos Serviços
Hospitalares - PNASH/ Psiquiatria e aos princípios de integralidade,
gratuidade, eqüidade e controle social.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 10. A conversão do tratamento
ambulatorial em internação só será
feita com base em critérios clínicos,
não sendo bastante para justificá-la a
ausência de suporte sócio-familiar ou
comportamento visto como
inadequado.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 11. A medida de segurança só
poderá ser restabelecida em caso de
novo delito e após sentença judicial.
Os casos de reagudização de
sintomatologia deverão ser tratados
no serviço de referência local.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
12. A medida de segurança deve ser
aplicada de forma progressiva, por meio
de saídas terapêuticas, evoluindo para
regime de hospital-dia ou hospital-noite
e outros serviços de atenção diária tão
logo o quadro clínico do paciente assim
o indique. A regressão para regime
anterior só se justificará com base em
avaliação clínica.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
13. A fim de garantir o acesso dos
egressos dos hospitais de custódia
aos serviços residenciais
terapêuticos, deverão ser
estabelecidas cotas específicas
para estes pacientes nos novos
serviços que forem sendo criados
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 14. Como forma de superar as
dificuldades de (re)inserção dos
egressos nos serviços de saúde
mental da rede, os gestores de saúde
locais devem ser convocados, desde
o início da medida, para participarem
do tratamento, realizando busca
ativa de familiares e preparando a
família e a comunidade para o retorno
do paciente.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 15. Após a desinternação, desde o
primeiro ano, o paciente deve ser
assistido no serviço local de saúde
mental, paralelamente ao tratamento
ambulatorial previsto em lei, com o
objetivo de construir laços
terapêuticos em sua comunidade.
Resolução nº. 05, de 4 de maio de 2004 do
Conselho Nacional de política Criminal e
Penitenciária:
 18. Em caso de falta às consultas ou
abandono de tratamento, os serviços
locais de saúde deverão realizar
visitas domiciliares com o fim de
avaliar a situação e estimular o
retorno do paciente ao tratamento.
DECLARAÇÃO DE
CARACAS
Declaração de Caracas x Internação
Involuntária ou Compulsória

3 Recursos, cuidados e tratamentos dados


devem:
a) salvaguardar, invariavelmente, a
dignidade pessoal e os direitos humanos e civis;
b) estar baseados em critérios racionais e
tecnicamente adequados;
PORTARIA
INTERMINISTERIAL N°
Resultados e Metas:628/02
 Programas de Atendimento Psicossocial nas
unidades prisionais
prevenção e redução dos agravos psicossociais
decorrentes da situação de confinamento
40% no 1º ano, 60% no 2º ano, 80% no 3º ano
e 100% no 4º ano;
PORTARIA
INTERMINISTERIAL N°
 628/02de grave prejuízo à
Atendimento de situações
saúde decorrente do uso de álcool e drogas
40% no 1º ano, 60% no 2º ano, 80% no 3ºº ano
e 100% no 4º ano;

HOSPITAIS DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO


 Estruturas intermediárias que beneficiem a
reintegração dos portadores de distúrbios
psíquicos
40% no 1o ano, 60% no 2º ano, 80% no 3o ano
PLANO NACIONAL DE
SAÚDE NO SISTEMA

PENITENCIÁRIO
Instituído pela Portaria Interministerial nº.
1777/2003, de 9 de setembro de 2003.
“ações de prevenção dos agravos psicossociais
decorrentes do confinamento”

 Complementado pela Portaria nº. 268, de 17


de setembro de 2003, que determina a
criação de serviço de saúde nas unidades
prisionais com população acima de 100
pessoas
INTERNAÇÃO
COMPULSÓRIA
DADOS:
 Internações compulsórias com duração 28
vezes maior do que as não compulsórias –
Hospital Adauto Botelho/ES.

 “[...] O hospital, por sua vez, apresenta-se


impotente frente às determinações de
internação, visto que não pode recusá-las por
implicações de pena de lei [...]”
REFERÊNCIAS
 BARROS, D.M.; SERAFIM, A.D.P.
Parâmetros legais para a internação
involuntária no Brasil. Rev Psiq Clín.,
v.36, n.4, p.175-177, 2009.
Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rpc/v36n4/a0
8v36n4.pdf. Acesso em: 15/09/2012.

 BRASIL. DECRETO-LEI N° 2.848,


 BRASIL. RESOLUÇÃO N.º 05, de 04 de
maio de 2004. Dispõe a respeito das
Diretrizes para o cumprimento das
Medidas de Segurança, adequando-as à
previsão contida na Lei nº 10.216 de 06
de abril de 2001. Disponível em:
http://www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal
/cao_civel/cadeias/pe_legislacao/2004res
olu05.pdf. Acesso em: 15/09/2012.

 BRITTO, R.C. A Internação Psiquiátrica


Involuntária e a Lei 10.216/01.
 PINHEIRO, G.H.de.A. O Devido Processo Legal de Internação
Involuntária na Ordem Jurídica Constitucional Brasileira. RDisan, São
Paulo, v. 12, n. 3, p. 125-138 Nov.2011/Fev.2012. Disponível em:
http://jus.com.br/revista/texto/20292/o-devido-processo-legal-de-
internacao-psiquiatrica-involuntaria-na-ordem-juridica-constitucional-
brasileira. Acesso em: 15/09/2012.

 ZIMMER, F. Internação Compulsória: Uma Nova porta de Entrada


Legal para o Asilo. Dissertação de Mestrado em Psicologia Institucional.
Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2011. Disponível em: <
http://www.ufes.br/ppgpsi/files/dissertacoes/DISSERTACAO_FERNANDA
_ZIMMER.pdf> Acesso em: 10/09/2012
Obrigada!

aline.wudarski@gmail.com

ali.ramos.to@gmail.com
 Organização das Internações Involuntárias em Curitiba
 Comissão Revisora das Internações Involuntárias no
Paraná
 Direitos da população em situação de rua
 Programas de Atendimento Psicossocial nas unidades
prisionais
 Atendimento de situações de grave prejuízo à saúde
decorrente do uso de álcool e drogas, na perspectiva de
redução de danos
 Estruturas intermediárias que beneficiem a reintegração
dos portadores de distúrbios psíquicos, segundo
reorientação do modelo de atenção nos Hospitais de
Custódia e Tratamento Psiquiátrico
 Programas Permanentes de Reintegração Social nos