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LIVE SCN001 – Facilitador Vítor

Conteúdo da Semana 4:
O ensino por investigação:
aspectos teóricos

28/08/2020
Livro: O ensino de Ciências por investigação Org. Anna Maria Pessoa de Carvalho

Cap. 2: A problematização no ensino de Ciências. Autora: Maria Capecchi

Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Escopo da apresentação:
• Retomando alguns conceitos: Alfabetização científica, alfabetizar
cientificamente, ensino por investigação.

• Cap. 2:
- O que é problematizar?
- Cotidiano problematizado;
- Curiosidade ingênua, problematização e curiosidade epistemológica.

• Cap. 3:
- Características da comunidade científica (que podem e devem estar
presentes em sala de aula);
- Investigação; Interações discursivas; Divulgação das ideias.
- A relação desses três aspectos: a argumentação (produzir um
argumento);
- Como promover a argumentação em sala de aula: propostas e ações
pedagógicas (sala de aula); propostas e ações epistemológicas (produção
do conhecimento científico).
Relembrando alguns conceitos:

O que é alfabetização científica?


Processo que permite aos alunos discutir temas das Ciências e o modo como estes estão presentes e influenciam sua vida e a da sociedade, além de poder trazer consequ ências para o meio ambiente.
Relembrando alguns conceitos:

O que significa alfabetizar cientificamente?


Oferecer condições para que os alunos possam tomar decisões conscientes sobre problemas de sua vida e da sociedade relacionados a conhecimentos científicos.

A tomada de decisão envolve uma análise crítica da situaç ão e que, pensando no ensino de ci ência, pode resultar em um processo de investigaç ão.
O que é o ensino por investigação?

Um ensino de ciências capaz de fornecer aos alunos não somente


noções e conceitos científicos, mas também a possibilidade de
“aprender como fazer ciência” e “aprender sobre ciência”, sendo
defrontados com problemas autênticos nos quais a investigação seja
condição para resolvê-los.
O que é o ensino por investigação?

O ensino que faz com que o aluno entre em contato com as práticas
mais comuns que são empregadas no pensamento científico:

- O levantamento e o teste de hipóteses;


- Identificação das variáveis e as relações entre elas;
- Elaboração de explicações e generalizações;
- Registro e divulgação das informações;;
- Apresentação e defesa das ideias.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi

O que é problematizar?

É superar o olhar fundado no senso comum. O que envolve, de acordo com


Paulo Freire, criticizar a curiosidade ingênua por meio da possibilidade de
condições para que os estudantes aproximem-se “de forma cada vez mais
metodicamente rigorosa do objeto cognoscível” (Freire, 1996, p. 35).

No ensino de ciências, essa aproximação envolve aprender a falar e a se


expressar, sabendo identificar quais informações são relevantes para
responder as questões envolvidas no processo de investigação e quais podem
ser desprezadas.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi
Os cursos de ciências, tradicionalmente, são voltados para o acúmulo
de informações, muitas vezes consideradas uma realidade
preexistente absoluta, descoberta pelos cientistas.

Para Paulo Freire, é importante que a curiosidade ingênua,


desarmada e associada ao saber do senso comum, seja
criticizada, tornando-se curiosidade epistemológica (Freire,
1996).

Para tanto, é preciso criar condições a fim de que o cotidiano


seja problematizado em sala de aula.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi

É preciso criar condições favoráveis ao envolvimento dos


estudantes no questionamento daquilo que parece natural e
corriqueiro em sua vivência diária.

Curiosidade ingênua + problematização = curiosidade


epistemológica.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi

Essa transição não ocorre de maneira abrupta!

Envolve todo um processo de instigar os educandos, trazendo


questões científicas para a investigação, criando situações-problemas
cujas soluções envolvem um olhar científico sobre a realidade.

Podemos dizer que a problematização, no ensino de ciências, visa


construir um cenário (contexto) favorável à exploração de situações
de uma perspectiva científica.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi

Devemos ter em mente que os problemas não se apresentam por si


mesmos.

É necessário que os professores proponham a seus alunos um olhar


diferenciado às situações que costumam vivenciar no cotidiano.

A construção desse olhar envolve a apresentação de situações-


problema, desafios e até o auxílio em sua interpretação.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi
É necessário, que nós, docentes, façamos um aprofundamento na
“psicologia do erro”.

Para que o educando possa conhecer novas questões e formas de


pensar, ensaiando o uso de novas ferramentas de pensamento, é
preciso que ele tenha a oportunidade de errar, refletindo sobre suas
ações e formas de interpretação que levam a erros e acertos.

Outra necessidade é a de o professor guiar as curiosidades dos alunos,


para as questões que não são dadas a priori, tomando cuidado para
que o educando não se perca durante a busca por respostas.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi

Esse caminho pode ser o da construção discursiva na interação do


docente-aluno!

Novamente o conceito de problematizar, que é formular problemas


diferentes daqueles que os alunos estão acostumados a elaborar,
possibilitando a construção de novos conhecimentos.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi
Não basta a apresentação de um enunciado bem elaborado.

É preciso percorrer todo um processo de construção de significados,


desde a apresentação do enunciado ou um problema inicial (que seja
motivador), até a identificação de questões científicas envolvidas em
sua solução e a identificação de ferramentas necessárias para
investiga-las.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi

Para verificar um exemplo da forma de construção da problematização


em sala de aula, leia o capítulo 2 do texto-base.

Na atividade citada, é apresentada uma questão de ordem prática,


onde os estudantes controlavam as variáveis do fenômeno a ser
estudado, produzindo-o quantas vezes fosse necessário para a sua
compreensão, variando as suas ações sobre os objetos envolvidos.
Cap. 2: A problematização no ensino
de Ciências. Autora: Maria Capecchi
Os alunos verificavam o que provocava o fenômeno em questão.

Depois da resolução do problema, via experimentação, foi realizada


uma discussão com toda a classe, onde os alunos contaram como
resolveram os problemas e posteriormente por que uma solução foi a
melhor, fazendo com que eles refletissem sobre as suas próprias ações.

A atividade envolveu a criação de um ambiente propício para que as


crianças apresentem suas ideias, de modo DISCURSSIVO, visando
elaborar explicações, onde foi FUNDAMENTAL a participação do
professor!
Cap. 3: Interações discursivas e
investigação em sala de aula: o papel
do professor. Autora: Lúcia Sasseron
A autora começa o capítulo falando sobre algumas características da
comunidade científica e que podem estar presentes na sala de aula:

- Investigação;
- Interações discursivas;
- Divulgações das ideias.
Cap. 3: Interações discursivas e
investigação em sala de aula: o papel
do professor. Autora: Lúcia Sasseron
INVESTIGAÇÃO: Sinônimo de pesquisa, busca.

O mais importante da investigação não é o seu fim, mas o caminho


trilhado.

Toda investigação científica envolve um problema, o trabalho com


dados, informações e conhecimentos já existentes, o levantamento e o
teste de hipóteses, o reconhecimento das variáveis e o controle
dessas, o estabelecimento de relações entre as informações e a
construção da explicação.
Cap. 3: Interações discursivas e
investigação em sala de aula: o papel
do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Essas etapas podem ser trilhadas em sala de aula!

Não somente em aulas experimentais, mas também na leitura de


textos.

Atividades mais teóricas podem ser uma atividade investigativa tanto


quanto um experimento em laboratório.

O essencial é que haja um problema a ser resolvido!


Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Interações discursivas: É por meio de debates (interações discursivas)
que muitas vezes os conhecimentos científicos são organizados.

Em sala de aula, esses debates devem ser promovidos pelo professor,


tomando cuidado pra que o debate não se transforme em uma
conversa banal.

O objetivo da atividade deve ser claro para o professor, de modo que


ele faça perguntas, proponha problemas e questione comentários e
informações trazidas pelos estudantes, tendo como intuito o trabalho
investigativo.
A resposta dos alunos pode vir em palavras faladas ou em gestos, que
auxiliam na expressão das ideias.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Interações discursivas:

A interação discursiva demanda saber perguntar e saber ouvir.

Fazer perguntas e não ter atenção com que o aluno fala é simular um
monólogo.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron

Divulgação das ideias:

Essa divulgação pode ser uma interação discursiva também!

Mas pode ocorrer por meio de artigos escritos, apresentações orais,


relatórios, etc.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Esses três tópicos - a investigação, as interações científicas e a
comunicação das ideias – possuem similaridades, principalmente no
que diz respeito no modo como ocorrem:

Todas elas estão relacionadas com a ideia de ARGUMENTAÇÃO.

Podemos entender a ARGUMENTAÇÃO como todo e qualquer


processo, por meio do qual a análise de dados, evidências e variáveis
permite o estabelecimento de uma afirmação que relaciona uma
alegação e uma conclusão.

Ou seja: um ARGUMENTO.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron

Como promover a argumentação na sala de aula?

O professor precisa fomentar a investigação por meio de problemas a


serem resolvidos.

Ao longo da investigação, ao permitir e promover situações em que


ocorram as INTERAÇÕES DISCURSIVAS, o professor poderá oferecer
condições para que a ARGUMENTAÇÃO surja.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron

Como promover a argumentação na sala de aula?

Propósitos e ações pedagógicas e Propósitos e ações epistemológicas.

Propósitos pedagógicos: desenvolvimento de ações em sala de aula.


Propósitos epistemológicos: Construção do conhecimento científico.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
A autora aponta alguns propósitos pedagógicos que docentes podem
seguir para o fomento da argumentação:
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Planejamento da atividade/aula: Ocorre antes da aula acontecer; Ter
em mente objetivos da aula; Organização de materiais; condições de
uso; se são em número suficiente para a turma.

Organização para a atividade: Antes de iniciar a atividade, o professor


deve deixar claro como ela deve acontecer, e se for o caso, agrupar os
alunos para o trabalho coletivo; Gerenciamento do espaço escolar –
disposição das carteiras, mesas, materiais.

Ações disciplinares: Pedir atenção; informar qual atividade será


desenvolvida, repreender comportamentos inadequados; ser claro ao
que se pede e se espera dos alunos.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Motivação: Estímulo para o trabalho, que pode ser diferente pra cada
aluno. Fazer perguntas intrigantes e possíveis de responder através da
experiência, com a ajuda dos materiais envolvidos.

Essas perguntas podem ser gatilhos para a análise, mas também


podem ocorrer ao longo dela.

Outro modo de motivar os alunos é a avaliação do professor frente as


respostas dadas pelos alunos. Mas isso não significa que apenas as
respostas corretas devem ser esperadas.

A motivação pode ocorrer quando o professor oferece oportunidades


para que todos os alunos participem.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron

Cada um desses propósitos pedagógicos e as suas ações auxiliam no


desenvolvimento da argumentação, na medida em que criam
possibilidades para que os alunos realizem a investigação, interajam
discursivamente e divulguem as suas ideias (Pilares do conhecimento
científico).
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
Outro aspecto de propósitos e ações do professor para promover a
argumentação está associado à epistemologia do trabalho científico.

Esses estão intrinsecamente ligados à construção de um argumento


científico, diferentemente dos aspectos e ações pedagógicas citados
anteriormente.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron
- Retomada de ideias: Levantamento do que já se tem como alicerce
para as discussões que vão ocorrer;

- Proposição de um problema: Um gatilho para a investigação. Antes


e durante as atividades;

- Teste de ideias: pode ocorrer de maneira empírica ou hipotética. É


um incentivo para que os alunos provem ideias que eles
apresentam para a solução do problema. Aparece como condição,
do tipo “e se...”. É a manipulação as variáveis.

- Delimitação das condições: Descrição e nomeação das atividades


realizadas e efeitos obtidos. Observação das condições em torno do
fenômeno em investigação.
Cap. 3: Interações discursivas e investigação em sala de aula: o
papel do professor. Autora: Lúcia Sasseron

Para exemplos das aplicações das ações pedagógicas e


epistemológicas, leiam o capítulo 3 do texto base.

Mas vamos assistir um vídeo bem curto, que estuda apresenta essas
características, ao estudar o fenômeno da capilaridade das plantas.