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Introducao Aos Metodos Espectroscopicos

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Introdução aos métodos espectrofotométricos

Apontamentos de apoio às aulas práticas e teórico-práticas de Métodos de Análise Química

Eduarda Bastos Henriques dos Santos

Eduarda B. H. Santos

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isto é. Eduarda B. ou moléculas está “quantizada”. Segundo a teoria quântica. Para que uma dessas partículas absorva um fotão de radiação. absorção é um processo em que uma espécie química num meio transparente atenua (decresce a intensidade de) certas frequências da radiação electromagnética. devida à absorção por uma ou mais espécies em solução A transmitância e a absorvância são duas grandezas que podem ser usadas para exprimir quantitativamente a atenuação da radiação. iões. de concentração C P0 = potência do feixe incidente P = potência do feixe após atenuação Figura 1 – Atenuação do feixe de radiação incidente. no percurso óptico de radiação com essa frequência (ver figura 2). Santos 2 . b P0 P Solução da espécie absorvente. a radiação que atravessa a solução sofre atenuação. a energia dos átomos.1. Absorção de radiação pela matéria. é necessário que a energia desse fotão coincida com a diferença de energia entre dois dos níveis de energia (E1 e E0) da partícula: hν = Ε1−Ε0 (1) Se se colocar uma solução de uma espécie química que absorve radiação de frequência ν. só lhe são permitidos determinados valores. H. espectrofotometria Em espectroscopia.

Alterações na energia dos electrões requerem radiação mais energética do que alterações na energia vibracional ou rotacional. ver equação 1). Então. H. a qual é mais energética (de maior frequência). constituída por numerosas riscas muito próximas (absorção de radiação com Eduarda B. em função do comprimento de onda (ou da frequência). a alteração da energia dos electrões requer radiação da zona do visível e ultravioleta. Mas a alteração de energia electrónica das moléculas pode ser acompanhada de alteração da energia vibracional e rotacional: se imaginarmos um grande número de moléculas que estão no nível de energia electrónica e vibracional mais baixo e que passam para um estado electrónico excitado. vibracional e rotacional.Transmitância. Por isso. enquanto a absorção de radiação da zona do infravermelho pode originar alterações na energia vibracional das moléculas. A absorção de radiação pertencente à região UV-Visível (200 a 800 nm) por uma espécie molecular resulta geralmente na excitação de electrões ligantes: o valor do comprimento de onda ao qual ocorrem os picos de absorção pode assim ser relacionado com os vários tipos de ligações nas espécies em estudo. a variação da energia total dessas moléculas não é exactamente a mesma para todas elas. T: T= P P0 Absorvância. Assim. a espectroscopia pode ser usada em análise qualitativa (identificação de analitos). A A = − log10 T = log P0 P O espectro de absorção de uma amostra (por exemplo da solução representada na figura 2) é um gráfico da absorvância. umas poderão ficar com mais energia vibracional do que outras após excitação. umas terão de absorver fotões com um pouco mais de energia do que outras. Assim. Santos 3 . Cada espécie química tem um espectro de absorção cararcterístico. pois só absorve determinadas frequências (as que correspondem à diferença de energia entre dois níveis energéticos dessa espécie. embora a alteração da energia electrónica tenha sido a mesma para todas. Por isso uma dada transição electrónica dá origem a uma banda de absorção. ou da transmitância. As moléculas têm três tipos de energia “quantizada”: energia electrónica.

os espectros das moléculas e dos iões moleculares são espectros de bandas. A radiação policromática entra através de uma fenda. Recorde-se que a energia voibracional.frequências muito próximas). onde é colocada a célula com a solução amostra Figura 2 – Diagrama de blocos representativo de um espectrofotómetro de absorção molecular no UV-visível O monocromador é um selector de comprimento de onda (Figura 4).. Espectrofotometria de absorção molecular no ultravioleta-visível 2. por exemplo numa molécula diatómica. O elemento dispersor dispersa a radiação policromática proveniente da fonte separando-a nos feixes de vários comprimentos de onda que a constituem (efeito idêntico ao da dispersão da luz branca do sol. os espectros dos átomos são espectros de riscas. dando origem às cores do arco-iris). Assim. H. Assim. Espectrofotómetro de ultravioleta-visível Um espectrofotómetro de UV-visível é um instrumento que permite medir a absorvância de uma amostra em função do comprimento de onda. Uma fenda de saída do monocromador permite Eduarda B. Os constituintes principais de um espectrofotómetro de UV-visível estão indicados esquematicamente no diagrama de blocos da Figura 3. Santos 4 .1. corresponde à energia com que os núcleos vibram (alteram a distância internuclear) em torno de uma posição de equilíbrio. Fonte Monocro mador Detector Processador de sinal/registador Compartimento da amostra. Átomos isolados no estado gasoso apenas possuem energia electrónica quantizada. 2.

Análise quantitativa.b. Note-se que nenhum monocromador é capaz de seleccionar um único comprimento de onda.C (2) Eduarda B.2. A lei de Beer A aplicação de espectroscopia em análise quantitativa. é possível variar o comprimento de onda que incide na amostra. baseia-se na lei de Beer. Desta forma.seleccionar “o comprimento de onda” que incide na amostra. Segundo a lei de Beer. H. Pela fenda de saída do monocromador sai uma banda estreita de comprimentos de onda Espelhos côncavos Fenda de entrada Elemento dispersor Fenda de saída Figura 3 – Esquema de um monocromador 2. O espectrofotómetro tem um dispositivo que permite rodar o elemento dispersor e variar assim “o comprimento de onda” que é focado na fenda de saída do monocromador. a absorvância de uma solução a um dado comprimento de onda é dada por A= ε. Santos 5 .

H. ε praticamente não varia com pequenas variações do comprimento de onda. o comprimento (cm) da célula que contem a amostra (percurso óptico.em que C é a concentração da espécie absorvente (mol/dm3). Nessa zona. consegue-se o máximo de sensibilidade (pequenas variações de concentração entre amostras dão maior variação da absorvância ao comprimento de onda correspondente ao máximo da banda de absorção. Para minimizar o facto de o feixe incidente na amostra não ser absolutamente monocromático. embora bastante mais estreita do que a banda de absorção do analito. Seria melhor ajustar o monocromador de forma a seleccionar a banda A. o valor de ε praticamente não varia com o comprimento de onda. Por outro lado. A lei de Beer é válida em soluções diluídas e em condições de radiação incidente monocromática (note-se que ε varia com o comprimento de onda). b. para fazer as leituras de absorvância de várias soluções padrão. sempre na mesma célula de quartzo (b constante) obtem-se uma recta de calibração que pode ser usada para determinar a concentração de analito na amostra a partir do valor da absorvância desta (ver apontamentos sobre calibração). fora do máximo da banda de absorção. Na Figura 4 está representada uma banda de absorção de um analito. Eduarda B. do que a outro comprimento de onda desviado do máximo). a qual é característica da espécie absorvente. poderia não se obter uma recta ao representar a absorvância em função da concentração (lei de Beer não era obedecida). ver figura 1) e ε representa a absortividade molar a um dado comprimento de onda. Medindo as absorvâncias de uma série de soluções padrão do analito. Santos 6 . pois nessa situação. não é absolutamente monocromático. Se se ajustasse o monocromador do espectrofotómetro de forma a seleccionar a banda B de comprimentos de onda. Esses desvios à lei de Beer devem-se ao facto de ε do analito variar com o comprimento de onda na gama de comprimentos de onda seleccionada pela fenda de saída do monocromador. deve trabalhar-se ao valor de comprimento de onda correspondente ao máximo da banda de absorção. seleccionado pelo monocromador. Note-se que o feixe incidente na amostra. mas sim uma banda.

Santos 7 . H.comprimento de Figura 4 – Vantagens de fazer as leituras de absorvância ao máximo da banda de absorção do analito Eduarda B.

a espectroscopia atómica é muito utilizada como técnica analítica na indústria e em laboratórios de análises químicas. Espectroscopia de absorção atómica 3. Desta forma a amostra líquida é aspirada e pulverizada em pequenas gotas. Santos 8 . O fluxo de oxidante. Devido à sua sensibilidade e à facilidade com que pode analisar-se um grande número de amostras. Na Figura pode ver-se uma representação esquemática de um espectrofotómetro de absorção atómica com atomização por chama. chama fonte acetileno ar capilar Nebulizador-queimador Copo com amostra Monocromador Detector “Chopper” Processador de sinal/registador A amostra (solução) é arrastada para o nebulizador-queimador pelo fluxo rápido do oxidante que passa numa ponta de um capilar que tem a outra ponta mergulhada na amostra. combustível e gotículas de amostra passa por um sistema que promove a mistura e rejeita as gotas de maior tamanho que se acumulam na parte de baixo da câmara de nebulização e são escoadas Eduarda B.1.3. H. Fundamentos da espectroscopia de absorção atómica Em espectroscopia atómica as amostras são vaporizadas a uma temperatura bastante elevada. A absorção ou emissão de radiação aos comprimentos de onda característicos desses átomos pode então ser medida. decompondo-se em átomos. formando um aerossol.

seja diferente. Se a chama for rica em combustível. a calibração pelo método de adição de padrão é mais adequada do que a calibração com padrões externos. e consequentemente a concentração de átomos na chama. a presença de agentes tensioactivos numa amostra faz com que a tensão superficial desta seja menor do que a de uma solução padrão com a mesma concentração de analito mas sem agente tensioactivo. A chama é. simultaneamente. o sinal de absorção atómica é diminuído. A amostra e a solução padrão dariam absorvâncias diferentes. a fonte de energia que permite a atomização dos componentes da amostra e é. o compartimento da amostra. Por exemplo. As gotículas de menor tamanho são arrastadas para a chama. Neste caso. A absorvância medida é proporcional à concentração de átomos na chama e esta é proporcional à concentração do elemento na amostra líquida. a qual emite radiação aos comprimentos de onda a que absorvem os átomos do elemento a analisar. se esta for introduzida na chama a uma velocidade estável e reprodutível. Uma chama de ar-acetileno atinge uma temperatura no intervalo 2125-2400 ºC. apesar de ambas as soluções terem a mesma concentração de analito. H. a radiação. devido ao facto de alterarem o caudal de aspiração. A chama deve estar alinhada com o feixe de radiação proveniente da fonte. é parcialmente absorvida por esses átomos. Após evaporação do solvente os solutos são volatilizados e dissociados dando origem a átomos. conduziria a um resultado errado. ao passar na chama. Diversas propriedades físicas da amostra podem afectar a absorvância medida. as gotículas de aerosol que se formam na câmara de nebulização durante a aspiração da amostra terão tamanho diferente das que se formam durante a aspiração da solução padrão. portanto. Assim. o excesso de Eduarda B. provocando a transição dos mesmos do estado fundamental para um estado excitado. Uma vez que as moléculas não têm os mesmos espectros que os átomos constituintes. Diferenças significativas entre as propriedades físicas da amostra e dos padrões de calibração podem conduzir a erros na análise. uma análise dessa amostra feita usando padrões de calibração onde o agente tensioactivo não está presente. Em consequência disso. Muitos elementos formam óxidos e hidróxidos na chama.por um dreno. Assim. A mistura oxidante/combustível mais usada é ar/acetileno (mistura que vai ser usada nas aulas práticas). Santos 9 . fazendo com que a quantidade de solução que chega à chama por unidade de tempo.

no estado gasoso.espécies contendo carbono tende a reduzir os óxidos e hidróxidos aumentando a sensibilidade. deve consultar o manual de métodos analíticos que acompanha o aparelho. aumentando a temperatura da chama de forma a decompor os óxidos e hidróxidos formados. por vezes. Normalmente. antes de efectuar a análise. ou quartzo. o elemento a analisar na amostra não se encontra nessa forma. Uma delas é o compartimento da amostra. ser conseguido. pelo que o compartimento da amostra inclui Eduarda B. Comparação entre um espectrofotómetro de absorção atómica e um espectrofotómetro de UV-visível (para estudar depois de dar esta matéria na aula teórica) Existem três diferenças fundamentais entre um espectrofotómetro para espectroscopia de absorção atómica e um espectrofotómetro para espectroscopia de absorção molecular. As espécies absorventes são moléculas ou iões que se encontram na solução. Santos 10 . Compartimento da amostra Num espectrofotómetro de absorção molecular no UV-visível. o compartimento da amostra é apenas uma cavidade onde se introduz a célula contendo a amostra. H. Para cada elemento é recomendada uma determinada mistura combustível/oxidante e uma chama mais ou menos rica. a amostra é introduzida numa célula de vidro. O mesmo pode. 3. As outras duas são o tipo de fonte de radiação e a necessidade de um método de correcção de fundo. Em espectroscopia de absorção atómica mede-se a absorção de radiação por átomos neutros do elemento a analisar. Por esse motivo. Ora. onde estão indicados os caudais e tipo de combustível e oxidante que deve usar e o tipo de chama para o elemento a analisar. a qual é encaixada num suporte adequado no compartimento da amostra. no caso da espectroscopia atómica.2. O contrário de uma chama rica é uma chama pobre (“lean”) que contém um excesso de oxidante e é mais quente. o que pode ser conseguido alterando a composição da mistura combustível/oxidante.

os quais vão absorver a radiação da fonte Tipo de fonte A lei de Beer só se aplica a radiação monocromática. Necessidade de correcção de fundo Num espectrofotómetro de absorção atómica. Nas aulas práticas vai usar-se como fonte uma lâmpada de cátodo oco de magnésio. é necessário eliminar interferências devidas à emissão de radiação pela chama. A fonte usada em espectroscopia de absorção atómica emite riscas com largura inferior e o mesmo comprimento de onda das riscas de absorção do elemento a analisar na amostra. a fonte de radiação não pode ser contínua (emitir todos os comprimentos de onda de uma dada gama). Se pretendesse analisar ferro numa amostra teria de trocar a lâmpada por outra que emitisse as riscas características do ferro. Santos 11 . mas há sempre radiação emitida pelos átomos e moléculas na chama que passa para o detector. H. É na chama que o elemento a analisar passa ao estado de átomos neutros. resultante do decaimento de moléculas e átomos excitados para um estado de menor energia. como acontece nos espectrofotómetros para espectroscopia molecular. Para eliminar os efeitos da emissão da chama é necessário modular o sinal de saída da fonte de tal forma que a Eduarda B. Em termos práticos. No caso de um espectrofotómetro de absorção atómica com atomização por chama.um acessório para fazer a atomização. o compartimento da amostra inclui o nebulizador-queimador que permite aspirar a solução amostra para a chama. isso implica que a banda de radiação que chega ao detector (seleccionada pelo monocromador) deve ser bastante mais estreita do que a banda de absorção da amostra. a qual provoca a volatilização do solvente e a dissociação dos solutos em átomos. eliminando outras riscas emitidas pela fonte. O monocromador permite isolar a risca pretendida. Como os espectros atómicos são constituídos por riscas estreitas (largura ≈ 10-4 nm) e o monocromador não tem uma resolução tão elevada. Muita da radiação emitida é removida pelo monocromador.

O “chopper” não permite corrigir interferências espectrais devidas à presença de produtos de combustão moleculares que absorvam ao comprimento de onda do analito nem interferências devidas à presença de produtos particulados que dispersem a radiação. Santos 12 . O aparelho que vai utilizar possui um Eduarda B. H. provocando a interrupção do sinal da fonte à frequência desejada Num espectrofotómetro de feixe duplo os quadrantes não abertos são espelhados: quando a radiação incide nos quadrantes abertos passa pela chama. Essa modulação pode ser conseguida por meio de um “chopper” ou interruptor de sinal. Ambas as interferências provocam diminuição da intensidade do feixe transmitido e dão origem a erros positivos. O sinal contínuo pode ser filtrado por um dispositivo adequado e apenas o sinal alternado é amplificado. O “chopper” é um disco em que quadrantes alternados são removidos e que roda a uma velocidade constante. posicionado entre a fonte e a chama. O detector recebe assim dois tipos de sinal: um sinal contínuo proveniente da chama e um sinal alternado proveniente da fonte.sua intensidade flutue a uma frequência constante. quando incide nos quadrantes espelhados é relectida e encaminhada para o monocromador e detector sem passar na chama.

A= ε. 3.5 ppm. H. o qual permite corrigir este tipo de interferências. No caso do magnésio o limite máximo das concentrações para as quais se observa resposta linear é de 0. Santos 13 .sistema de correcção de lâmpada de deutério. conforme está indicado no manual de métodos que acompanha o aparelho que vai usar nas aulas práticas Eduarda B.C (1) No entanto.b. para muitos elementos não se observa uma relação linear em toda a gama de concentrações.3 do trabalho nº 5). Análise quantitativa A análise quantitativa por espectrofotometria de absorção atómica baseia-se na lei de Beer que prevê que a absorvência é proporcional à concentração do analito (ver secção 2.3.

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