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O ANEL

Antnio Torrado
escreveu e Cristina Malaquias ilustrou

A madrinha tinha-lhe dado um anel. No seria grande


coisa, um enfeite apenas, mas a Ldia gostava muito do seu anelinho. De uma vez que ela estava a fazer bolas de sabo, beira de um lavadoiro pblico, o anel escorregou-lhe do dedo e caiu gua. H que dizer que o tanque era fundo. Por perto, nenhuma pessoa crescida. Que fazer? A Ldia experimentou com uma cana, mas como a gua estava turva, no deu com o anel. Ento, e s ento, a Ldia chorou. Um senhor que ia a passar, viu-a nesta desolao e perguntou-lhe o que sucedera. Ela contou. Vamos l ver se eu resolvo a situao disse o senhor, tirando o casaco. 1
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Arregaou a manga da camisa e enfiou o brao na gua. Tacteia aqui, tacteia ali, encontrou o anel. C est ele exclamou, mostrando um rico anel de diamantes. Mas a Ldia disse que no era aquele o anel que ela perdera. Quem lhe dera! O anel dela era pobre, com uma pedrinha verde, a fingir uma esmeralda. Ser este? perguntou o senhor, trazendo ao de cima um magnfico anel, com uma esmeralda autntica. Realmente, o que se perde a lavar a roupa... Aquele lavadoiro pblico era uma joalharia. Que no senhor, que aquele anel tambm no lhe pertencia, respondeu a Ldia, com olhos de inocente. terceira o senhor achou o anel da Ldia, que ficou muito feliz. Agradeceu e dali partiu, aos saltinhos. Depois, foi contar sua amiga Elisa o que se passara. E o senhor ainda ficou onde o deixaste? E os outros anis? perguntou a Elisa, com olhos de cobia. Nem esperou pela resposta. Foi a correr para o p do lavadoiro e ps-se a chorar, numa grande gritaria. O senhor, que devia ser mgico ou algo parecido, no tardou em aparecer. Quando perguntou a razo da choradeira, a menina Elisa contou que tinha acabado de perder dois anis, um de diamantes e outro de esmeraldas, dois anis valorosssimos que a madrinha, uma senhora riqussima, lhe tinha dado pelos anos... Enquanto ouvia, o senhor fingia-se muito condodo. Fez-lhe mais perguntas. Pediu mais pormenores e, no fim, disse: 2
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Estou to interessado no que a menina me conta, porque soube, ainda agora, que esses anis foram roubados. O melhor irmos esquadra da polcia, para que se esclarea bem tudo o que aconteceu. E, de caminho, passamos por casa da sua madrinha. Qual caminho nem meio caminho! Ouvindo isto, a Elisa desatou a fugir, nem que viesse um esquadro de polcias, a correr atrs dela. O tal senhor, esse ria, ria a bom rir.

FIM

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