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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

paciência. companheirismo.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. amor. . dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos. cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. E aos meus queridos e amados alunos.

Companheira e amiga. Pelos ensinamentos baseados em experiência. carinho e dedicação incondicionais. À toda a minha família. Aos meus avós. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. Obrigada pelo incentivo e torcida. Dirce e Anísio. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. À minha mãe Nilsa. Obrigada por todos os ensinamentos.5 AGRADECIMENTOS A Deus. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. ao meu pai Walmir pelo amor. Por todas as brigas e reconciliações. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. pela paciência e confiança a mim dedicados. À minha querida chefe Mariane. pelos sorrisos. carinho e amor dedicados a mim. Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. À minha irmã Ariane. . pelos ensinamentos. Aos meus queridos alunos. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade.

As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora. .6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp.

O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes. a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. Palavras-chave: Educação infantil. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. ou seja. . sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. das 06h30min às 17h30min. criança e lúdico. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. alunos e educadores. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. legais e científicas do brincar na educação infantil.

toy and playful. Every child from each group participated. as well as the role of playing. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. The source of the research are the historical records. setting focus on the children as the active member of their development process. toys and jokes in the current child education daily activities. child. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. that is. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. The research was realized in an institution for child education with full period operation. students and educators. The methodology used was the research-action. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents.8 Abstract This work intend to analyse the historical. from 06h30am to 5h30pm. because to play is also to learn. The research universe covers two groups of children from the elementary school. The work was developed based on the researcher activities in child education. the current legislation and the main concepts of child education. . Key-Words: child education.

brinquedo e brincadeira 26 2.2 Brincar.2.2 Teorias do desenvolvimento 34 2.3 Lev S.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.1 Procedimentos 41 3.2 Avaliação 77 5.3 Concepção de creche 23 Cap.3. Vygotsky 36 Cap.4 Análise de dados 55 4.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.Considerações Finais 86 6.1 Intervenção 68 4.2 Henri Wallon 35 2.1 Jean Piaget 34 2.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.2.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.Referencias 88 7.3.3.1.1 Infância e Educação Infantil 15 1.Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .3 Desenvolvimento 39 3.Questionário dos professores 93 .3.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

em creches e pré-escolas. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil. conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança. baseada no princípio do direito universal à educação para todos. o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. já previstos na Constituição de 1988. Em 1989. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16.13 Nossa Constituição (BRASIL. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). inciso IV. que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. como primeira etapa da educação básica. .Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal.

sendo eles: Introdução . Brincar. brinquedo e brincadeira. . Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. bem como a estrutura física e organizacional da escola. a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. .14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças.Infância e educação infantil. para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho. Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais.Identificar as características cognitivas. O desenvolvimento da criança. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras. Este trabalho será apresentado em capítulos. Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos.Definir brinquedo e brincadeira.

nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade.15 1. Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. que constrói sua história no decorrer dos anos. . A conceituação de infância que conhecemos é recente. por isso era representada como adulto em miniatura. Recorrendo-se ao seu significado literal. a criança era menos que o adulto. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII.

Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente. infância e família existiram da mesma forma.p. conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. de fato. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. novos interesses e necessidades que não existiam antes. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. É notável. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. Ela aparece com a sociedade capitalista. o capitalismo. . Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. o consumismo e a globalização.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. A nova visão de infância possui outras características.1981.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

Mas.2 . devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância.). 2003.20 1. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. associações de damas beneficentes etc. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. porém muitos projetos não saíram do papel. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos.50). no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças. p. de maneira geral.Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. a pesquisadora Kramer(2003).divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. No 3° período. . Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos. até 1930. principalmente a pobre (KRAMMER. escolar e higiênico. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos. Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. faltava. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930.

sem vida social. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. (idem.52). OMEP em 1969 e COEPRE em 1975. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940. UNICEF em 1946. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas. jardins de infância. CNAE em 1955. maternidade e jardins de infância. divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. p. p. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . em 1909. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. como adulto em potencial. maternidades e da realização de encontros e publicações. criar creches. no Rio de Janeiro.56). . Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação. porém foi mantido por doações. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. Em 1908. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972.em estreita relação com o cenário internacional .21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . atribuídos a “concepção abstrata da infância”. SAM – 1941 e FUNABEM. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil.e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. promover congressos. como também na sua política. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930. Este departamento possuía diferentes tarefas. (idem.

O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. a política de assistência social não atingiu a todos. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem.22 Mesmo com esforços empreendidos. A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo. que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo.107). Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. jardins de infância e instituições equivalentes. p. . emocional e social das crianças atendidas. culturais e nutricionais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. Nota-se que a educação era fragmentada. sendo que sua prática foi muito desigual. O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70.

os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. fortes e nutridas. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. a insuficiência de docentes qualificados. . escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás.23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação.3 . 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. Com a Constituição de(BRASIL. No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação. 1. municipal e beneficente. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória.

com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. quase sempre parcialmente constituídas. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. Normalmente essas famílias têm carências sociais. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. redistribuição do espaço. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. como professores. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. (ARANHA. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. com atuação de forma compensatória. suprindo a carência econômica. p. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. pedagogos. instáveis. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. psicólogos. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. 2002. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado.28) Pela primeira vez na história do país. pois é rodeada por assistencialismo.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. recreacionistas. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60. medidas de reorganização como jogos educativos. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. 2002. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. mal-assentadas.p. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. moral e social das famílias.

deve fazer parte do processo educativo das crianças. principalmente. Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. . assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. expresso pelo artigo 29: A educação infantil.17). as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. Envolve. tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. primeira etapa da educação básica. as relações entre classes sociais.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar. Conforme visto na referida lei. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. intelectual e social. p. psicológico.1998. em seus aspectos físico. completando a ação da família e da comunidade. Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência.

Brincar vem antes do jogo que supõe regras. folgar e foliar. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. Em comparação ao brincar da criança. . Piaget (apud Kishimoto. brinquedo e brincadeira. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. mas não o fazem por simples prazer. entra no mundo do adulto. a criança assimila o mundo a sua maneira.2002). A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. sem compromisso com a realidade.1 . pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso.26 2. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. discorre sobre o brincar: quando brinca. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. livre e prazerosa. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação.Brincar. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento. É uma atividade lúdica. entreter-se. Mesmo que o trabalho dê alegria. assim como faz o adulto. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas.

assim. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY. que se constitui. A ação na esfera imaginativa. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento.. no mais alto nível do desenvolvimento infantil. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis.. p. três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação. embora transitórias. escolares ou esforços físicos. essencialmente. Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[.] a especificidade .28). Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. numa situação imaginária. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância. No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é.tudo aparece no brinquedo. 2002. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais. pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas. interpreta situações e incorpora e altera significados. a criança é vista como ser que imita e brinca. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança.” (KISNHIMOTO. A criança desenvolve-se. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. seja pela criação .117). a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas . 1988. p. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar.

com influência da biologia e do romantismo. (KISHIMOTO. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos.31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. 2002.2002. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira. criador do objeto lúdico. Jogo.]”. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos.19) ...p. 2002. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. p. (apud Kishimoto.. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos.]”.. a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[. em conseqüência método natural de educação [. no primeiro o jogo expressa valores sociais..] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e. (aput KISHIMOTO. p.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia.28 infantil. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização.. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil. O autor destaca “[. integra predominantemente elementos da realidade. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto. No caso da criança.

professores. de seus pais. 2001. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. “Dessa forma.31). nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE. Não se pode organizar. um programa pedagógico preciso. Tudo. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil. ela produz também a incertitude quanto aos resultados. p. 2001. do exercício da decisão e da invenção. p. .] é o lugar da socialização. da administração da relação com outro. um objeto adaptado. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão. Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop.. na idade escolar com seus familiares. pode ser um objeto namufaturado. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira.p. amiguinhos. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. com seus pais. efêmera..25). pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. APUD WAJSKOP.62). seja a uma representação social. com o espaço e com a cultura na qual está inserida. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. No primeiro caso. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. Este paradoxo da brincadeira.p. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop.2001.31): [.29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. a partir da brincadeira. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira. da apropriação da cultura. 2001. Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira.

tamanho e forma. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. por contar com a motivação interna. [. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. típica do lúdico”.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil.. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento.. representam as relações familiares como papai e mamãe. mas também tenta resolver problemas do passado. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. as brincadeiras tradicionais. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. As crianças brincam de educação ou escolinha. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está . As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos.

desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. A origem de tais brincadeiras é desconhecida. transformam e destroem expressando seu imaginário. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião. da situação imaginária”. p. p. (KISHIMOTO. 2002. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. a fim de enriquecer a experiência sensorial. . Nesses jogos as crianças constroem. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. “Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança.69). 2002. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. permanecendo na memória infantil. das parlendas ou das formulas de seleção.

(idem.1. Neste sentido MUKHINA(1996. que antes serviam apenas para manipulação. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância. Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA. p. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança. “Na primeira infância.32 2.124). Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas. O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo.p. 1996. ou seja.103). a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança.3. . a atividade objetal e a aquisição da linguagem. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas. passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.p.

aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. Também pode controlar a sua atividade intelectual. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução.199). A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. seu pensamento e sua memória. ou seja. um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. MUKHINA(1996.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. especialmente com as da sua idade. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. p. . Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. por volta dos 6 anos.

além de centenas de artigos em revistas. p. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança. Graças à conquista da percepção e dos movimentos.3. (PIAGET.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade. com efeito. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses. Vygtsky. 2.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos.13). são eles: Jean Piaget. 1971.3. Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor. Henri Wallon e Lev S. formando uma noção do eu.. Para ele “[. . Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos.34 2..] não se pode.1. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”. assinalando cada passo de suas vidas. na interação com o objeto.

como um contexto privilegiado para o estudo da criança. Assim. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real. transmissões e interações sociais. os esquemas simbólicos. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos. Via a escola. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. Período das Operações Concretas (7-11. Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia.2. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. Assim como Piaget. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. A psicologia. 2. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. por sua vez.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. Wallon focalizou os domínios afetivo. ao construir .2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget. ou seja. Condições necessárias para a aquisição da linguagem.3. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. mas também questões para investigação. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas.

. acontece por meio dos interações sociais. desregulada devido à ação dos hormônios. Estágio adolescência : Necessidade de nova definição da personalidade. alternando afetiva e cognitivamente. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos.3 Lev S. Há um predomínio das relações com o meio. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. existências e pessoais. (GALVÃO. deixou um enorme volume de produção acadêmica. apesar de sua morte prematura aos 37 anos. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. 2. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. p.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. passando a manipular objetos e explorar espaços. 2002. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio.3. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. Esta fase há uma retomada de questões morais.2. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual.

“é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. 1997. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. p. Para ele a criança é um ser social.37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Ou seja. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. Os signos agem como instrumentos da atividade humana. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. como diz VYGOTSKY (1987).34). ou seja. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. que nasce inserido em um ambiente social que é a família. . Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação. a interação com o meio social. (OLIVEIRA. (idem. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas.26). Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. p. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos.26). 1997. p. ou seja. preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos.

38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. ou seja. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. aquilo que ela consegue fazer sozinha. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento. ou seja. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. p. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. (OLIVEIRA.63) . dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. 1997. O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. uma interação social.

39 3 . vem ao encontro com as necessidades da pesquisa. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil. portanto uma preocupação social. p. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB). Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004). (THIOLLENT. A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores.14).Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004). Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. A pesquisa-ação é flexível. 2004. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. através de pesquisas bibliográficas. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. onde o resultado experimentado deve ser comprovado. . não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação.

A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa. de acordo com o autor o pesquisador deve: [. considerando os problemas prioritários. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada. p. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico.p. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal. Segundo Thiollent (2004. Paralelamente a esses primeiros contatos.2004. Desta maneira.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. para fazer . Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa.. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. Após o levantamento de informações. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados. p. Segundo Thiollent (2004. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”.]identificar as expectativas. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação.48). desejados ou não”.. Assim. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. Para Thiollent (2004. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. Nesta etapa. Intervenção e Avaliação.

. sendo uma efetiva e duas estagiarias. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino.1 . Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. As observações realizadas. entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas. responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. intervenção e avaliação. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica.

2 . Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio. escolaridade. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. época da pesquisa. profissão e estado civil dos pais. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. comércio central. Escolaridade dos Pais . A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. Berçário II de 1 ano a 2 anos. situada na zona urbana da cidade. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade.42 3. filhos de pessoas que trabalham na região central. escritórios de contabilidade. casas residenciais. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano. algumas aparentemente bem conservadas. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. supermercado e posto de gasolina.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. A maioria das casas são construções antigas. escritórios de advocacia. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. estacionamentos. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. costureiro. possui vizinhança em geral bem movimentada. No ano de 2008. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. a instituição atendia cerca de 130 alunos.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 assistente social. 3 professoras. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 1 cozinheira e 5 estagiárias. 7 auxiliares de creche. . 1 auxiliar administrativo.

Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 . Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos.46 Durante o ano da pesquisa. em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas. A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada. Quadro 1 . dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos. Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. ou seja. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. Quadro 2.

cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos. de fevereiro a março de 2008. São desenvolvidos projetos. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde.A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura.3. Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. O roteiro de observação possuía as seguintes questões: .Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? .47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica. dinâmicas e outros. para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica. São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? . Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. são discutidos textos. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes. entre as turmas do maternal II e pré. Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças. 3. sabem que todos os seus atos servem de modelo. do município de Bauru.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . ou seja. das 06h30min as 17h30 min.

logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila.De que ela brinca? . tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. Nesse tempo em que aguardam as professoras. sem fazer movimentos bruscos. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora.A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. a brincadeira e o papel do educador. Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas. uma turma espera a outra sair para poder sair também. Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado. .Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? .Como a criança brinca? .48 . Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos. Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila.

onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. massinha. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. sendo dirigidas pelas educadoras. entre outras. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. brincadeiras como patinho-feio. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. canto de música. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. passa-anel. Desta maneira podemos . pintura. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. tais como. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. parque. jogos de encaixe. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. hora da história. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. tanque de areia com baldinhos e pazinhas.

A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. a brinquedoteca . Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. imaginação e fantasia infantil. a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis.50 observar que o lúdico. tais como. a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. oralidade e criatividade. O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . no caso as músicas. dentre as quais se destacam: socialização. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. tais como. como por exemplo. estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. Durante a atividade “hora do conto”. giz e guache. Procuravam variar e diversificar as atividades. Nas atividades lúdicas dirigidas. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. motricidade. foi feitos teatros em palitos. além do uso dos fantoches. tais como patinho-feio e passa-anel. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. desenho e pintura como materiais diversos.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . atendendo as diversas áreas do desenvolvimento.

51 períodos de tempo. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. depois disso elas vão dormir na sala do pré. carrinhos. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. giz de cera. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. jogo de boliche. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. pazinhas. por exemplo. ursos de pelúcia. baldinhos. piscina de bolinha. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. Durante as atividades livres. . para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. massinha de modelar. bonecas. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. como por exemplo: jogos de encaixe. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. tintas. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. por exemplo. cadernos. panelinhas entre outros. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. não jogar brinquedo pra fora do parque. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. telefone. bolas. não bater nos amigos. ou seja. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço.

O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. canto de músicas. quebra-cabeça. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. como por exemplo. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. bola. etc. amarelinha. assim como as educadoras do maternal II . Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. observavam as crianças. brincadeiras com aviões de papel. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. . Durante as atividades livres como parque. as educadoras do pré. jogo da memória. assimilada pelas crianças desde cedo. jogos de encaixe. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. desenhos. piscina de bolinha. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. por exemplo.

jogos de encaixe. guache. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. ou seja. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . das 06h30min às 17h30min. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas. A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. diversos tipos de papel. baldinhos. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. pazinhas. boliche. enquanto observavam as gravuras. quebra-cabeça. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. carrinhos. pincéis. ursos de pelúcia. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. massa de modelar. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. não criticando e nem julgando suas regras e decisões. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. ou seja. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. giz de cera e giz de lousa. não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. jogo da memória. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola.53 O parque.

ficando o período da tarde para a recreação. jogo da memória e quebra-cabeça. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. Sintetizando as observações realizadas em campo. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. conclui-se que nas duas turmas observadas. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. tais como casinha. Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. bem como na brincadeira na . escolinha entre outras. ou seja. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa. médico. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos.

Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega. esconde. de forma criativa. Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças.esconde. vivo. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. Agindo desta maneira. ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. social e partilhada. sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré. ainda. criando os espaços. (WAJSKOP.55 educação infantil.04 morto carrinho 03 . p. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. 2001. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. Estará. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais.1 .112) 4.

etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .bloco lógico.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.chapeuzinho vermelho. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.mamãe.

Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança.

58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .

onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. Questão 01 : Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 .59 Questão 10:Quando compra um brinquedo.com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.

mamãe.chapeuzinho vermelho.esconde.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.bloco 07 08 . esconde.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico. vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.

Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 . pois trabalha.61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04 : Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar.

62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06 : Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Ocorrência 05 07 .

você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo.63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”.Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 .

podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial.40) com dez ocorrências. incorpora a mentalidade popular. p.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré.64 Ao analisar os resultados do questionário. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. expressando-se. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. sobretudo. p. também conhecida como simbólica. No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. pela oralidade” (KISHIMOTO. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. 2002. p. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências. de representação de papéis ou sociodramática. Questionados sobre o conhecimento . filiada ao folclore.

A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. (educadora I do pré) . a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar.65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. ao brincar. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. socialização e aprendizagem. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. para o lazer e geralmente associada a criança. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. desenvolve situações. Na pedagogia. integração. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. também suas capacidades psicológicas. Uma forma de estimulo a imaginação. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . através de questionário estruturado. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. É o intermediário entre a criança e o brincar. (educadora I do pré).

panelinhas. não só com o estimulo do brinquedo. ou principalmente. o sentir. livre. como cores e números. (educadora do maternal II). sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. (educadora II do pré). pelúcias. um jogo tem sempre suas regras. chapéus (baldinho na cabeça) etc. no meu entendimento. o imaginar. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. um objeto. através dos baldinhos. às vezes deixo as crianças brincarem livremente. A criança segue regras do jogo. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). Ex: escolhinha. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. ou seja. etc). Mas. eles pode criar coisas como o bolo(com terra). astronauta.que pra mim. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. remete a “regras”. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também. mas também dos colegas ou do professor. da forma apresentada e questionada. com a rotina corrida da instituição.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. um sistema de regras. enfim. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. carrinhos. brincam com jogos. etc. boneca. a situação criada pela criança. Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. participo das brincadeiras. por exemplo. para o raciocínio. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. (educadora II do pré) . mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. casinha. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. Também brincam no parque. massinha. (eles identificam as cores nos brinquedos). Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. colher e pá. a induz ao raciocínio. Sim. (educadora I do pré). Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. é a fantasia. espontânea. O lego também é bastante utilizado. (educadora I do pré) Jogo. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos.

(educadora I do pré) Sim.(educadora do maternal II) Sim. é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. (educadora II do pré). já que a brincadeira é um ato livre. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. Em alguns casos sim. as crianças imitam cenas de sua realidade. Mas sempre que possível é dada a importância a tais. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. (educadora I do pré) . como por exemplo. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. o material lúdico não é suficiente. (educadora do maternal II) Sim. a professora. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. pular corda. “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. outros não. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. a criança ao brincar. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. os colegas. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. e ele é suficiente. dando dicas sobre a realidade. Imitam os pais. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. acriança traz seu brinquedo de casa). jogos de interação (patinho-feio. (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. percebemos a sua realidade.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. de conservar o brinquedo ou jogo. corre-lenço). também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição. até mesmo pela preferência por tal brinquedo.

esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. Assim como a educadora I do pré. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . 4. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas.68 Quase todas. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas.

Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. socialização. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. Como solução para o problema. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. ocasionando brigas entre os alunos. afetivo e físico das crianças. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo.

A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. acorda. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. assiste televisão e lê um livro.Desenvolver a coordenação motora . escova os dentes.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha. toma sol.Respeitar as regras do jogo . as crianças brincaram na amarelinha. corra da chuva. montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. rega as plantas . porém mobilizou as outras crianças da creche. dorme. toma banho. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . passa pelo redemoinho. entra no carro e vai para a escola. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. Depois.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. janta. juntamente com a sala. Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . Então.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Interagir com os colegas . chega em casa e abre a porta.

ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:.V. Recursos: E. barbante. lantejoula. os ajudamos na confecção.71 . crepom. cola gliter. isopor. Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. cola relevo. tais como: a Kuka. cola quente.Desenvolver a coordenação motora . cola relevo. Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: . durex. Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante.Explorar a criatividade . Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado. lã . Avaliação: Participação e registro. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos.A.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. Os auxiliamos durante o processo. Recursos: Garrafas pet.Desenvolver a coordenação motora . o Lobisomem e o Saci Perere.

Desenvolver a coordenação motora .Conhecer uma brincadeira antiga . que seus pais e avós brincavam.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar. ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: . explicando que o peão é um brinquedo antigo.Interagir com os colegas .Desenvolver a coordenação motora . ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento. Recursos: Bolinha de gude. barbante. Recursos: Sufite.Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude.72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento. Avaliação: Participação e registro. Avaliação: Participação e registro. durex colorido. Recursos: Peão . Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos. crepom. Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo.

Rádio Avaliação: Portfólio e registro.Desenvolver a coordenação motora . que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo. sem se soltar dos demais colegas. tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo). Depois.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: . Recursos: Apito . O primeiro da fila foi a cabeça. os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:. Recursos: . formando o rabo da serpente.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .CD . dançamos e convidamos uma criança por vez.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro.Interagir com os colegas . Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história.73 Avaliação: Portfólio e registro. que quando apitamos.

de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos. guache. Recursos:. areia.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas.Música .Cadeiras Avaliação: Participação e registro. Recursos: Bexiga. Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram. .Desenvolver a coordenação motora . O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira.Desenvolver a atenção . pena. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:. eles andaram em volta da cadeira. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música.74 Avaliação: Participação e registro. Avaliação: Participação e registro.Explorar a criatividade Metodologia : Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse.CD . durex. ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:.

Desenvolver a coordenação motora .75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. onde um aluno foi escolhido para ser o gato. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas. Avaliação: Participação e registro. relógios. Recursos: Venda para os olhos. O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou.Desenvolver a atenção . que devia miar. óleo. água.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira. pulseiras e fizeram bolinhas.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem. sal.Interagir com o grupo . Avaliação: Participação e registro. ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: . Recursos: Farinha. guache.Desenvolver a atenção .

aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal. Depois escolhemos outro.76 Metodologia : Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel. Rádio.Desenvolver a coordenação motora . Recursos: .CD Avaliação: Participação e registro. CD. Com o retorno da pesquisa. ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina : Artes/ Português / Educação Física Objetivos: .Rádio .Conhecer histórias populares . ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: . que deveria adivinhar com quem o anel estava. .Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda. O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira. Recursos: anel Avaliação: Participação e registro. Recursos: Fantoches.Recrear-se através da música .Conhecer cantigas populares .Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches. assim como canções pesquisadas pelo grupo.

Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer.Desenvolver a identidade. OBJETIVO GERAL .Desenvolver a ludicidade. . . OBJETIVOS ESPECÍFICOS . 4.77 Avaliação: Participação e registro. autonomia.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação. A avaliação foi feita com base . criativas e que nos traga prazer. independência. . a coordenação motora fina.Explorar a imaginação. -Desenvolver a coordenação motora ampla. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. auto-estima e cooperação. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. . o pensamento e a ação. . . É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição. .Explorar os movimentos corporais.Explorar a linguagem. atenção e concentração.Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar.Desenvolver a cognição e imitação.Estimular a interação com pessoas e objetos. ritmo e equilíbrio. diminuindo as tensões e preocupações. criatividade.Desenvolver noções espaciais e temporais.

06 anos) Sim. abrir a porta. De massinha. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem. (Aluno G. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. (Aluno I. (Aluna J. Massinha. Eu gostei da amarelinha. Do roda-vento e amarelinha. 06anos) Sim. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. (Aluno E. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. 06 anos) Sim. (Aluna A. rodar e depois montanha-russa.(Aluna F. No outro tem que dirigir. (Aluna A. 05anos) Sim.06anos) Sim. .(Aluno C.06anos) Sim. Do roda-vento. pular o rio. Roda vento. Do roda-vento. Daquela lá da amarelinha.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. porém sabe brincar. quando a gente fez no papel. (Aluno D. Do roda-vento. 06 anos) Sim. 05anos. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. (Aluna B. as crianças. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). pisar nas pegadas. Com os alunos do maternal II e do pré. (Aluna L.5 anos) Sim. Eu gostei daquele que roda (roda-vento).Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II.06 anos) Sim. (Aluna H. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira.

. 05anos) Você “cata”. comer e dormir. 06anos) . (Aluno E. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. 06 anos) Não lembro. (Aluno D. Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. 06 anos) Sim. (Aluno G. 06anos) Não lembro. pular o rio. escovar os dentes. (Aluna F. (Aluna A. 06anos) Tem que girar. 06 anos. (Aluna L. Não. mas não lembro como faz. 06 anos. montanha-russa. 06 anos). (Aluna H. sobre o roda-vento). Não lembro. (Aluno D. (Aluna J. 05anos) Não. Não. Não lembro. . 06 anos) Não. só do ultimo que é de dormir. sobre a massinha). (Aluno E. 06 anos) É de girar o “negócio”.79 cantar. (Aluno C. 5 anos) Não lembro. (Aluna J. Não. (Aluno I. (Aluno I. abrir a porta. (Aluna B. 06anos. (Aluno I. (Aluna B. 06 anos. sobre a amarelinha). 06 anos) Não. 06anos). (Aluna F. (Aluna H. 06anos) Não lembro. 06anos. coloca no dedo e fica girando. sobre o roda-vento). Não estava presente nos dias das atividades. depois eu não lembro. (Aluna L. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. pro colega de sala. (Aluno C. (Aluno G. Brinca rodando. 06 anos) Não. 06anos).

(Aluna A. (Aluna F. (Aluno I. de urso e de Barbie. 06anos) . 06anos). 06 anos). 05anos) Com meu amigo. cinema. 06 anos) De controle remoto. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. mais ou menos de barbie. É assim. (Aluna H. 06anos). 06anos). (Aluno J.. pega-pega. De pega-pega. Com a minha mãe. 06 anos) Com a minha mãe. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. 06 anos) Não respondeu. de burica e de vídeo-game. 06anos). (Aluno D. A minha vó também. 06 anos) Sozinho. de comidinha com meu primo. 5 anos) Patinho-feio. (Aluna B. Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. ela brinca comigo. (Aluno D. (Aluno G. (Aluno J. (Aluno E.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. (Aluna L. Não respondeu. (Aluna H. (Aluno C. 06 anos) Na creche de patinho-feio. (Aluna B. (Aluno E. 06anos) De massinha. Com meu ursinho. Em casa gosto de brincar de pipa. 05anos) Carrinho. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. 06 anos) Pais. Boneca. (Aluno C. (Aluna A. 06 anos). Sozinha. (Aluno I. (Aluna F. esconde-esconde. (Aluno G. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. 06 anos) Amiga. boneca.

Minha mãe brinca de futebol. 06 anos) Brinco com minha amiga.( Aluna L. 06anos) De escolinha com a minha irmã.(Aluno D. depois ela acorda. 06 anos) De futebol com meu pai. (Aluna F. Meus pais não brincam. (Aluno G. (Aluna B. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. (Aluno E. (Aluna H. Com vídeo-game mesmo. eu amo boneca. Os meus ursos. (Aluno C. Boneca e bolsa. (Aluna A. Eu brinco no meu quarto. De mamãe e filhinha. (Aluna H.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. 06 anos) Solto pipa com meu pai. (Aluno C. (Aluno I. (Aluno G. 06 anos) Meu computador. 06anos). Brinco e lutinha. 06anos). (Aluna F. (Aluno D. (Aluno J. 06 anos).81 Com a minha irmã. (Aluno I. 06 anos) Carrinho. 06 anos).06anos) . (Aluna L. ela trabalha até chegar a noite. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. E cozinha. 06 anos) Videogame. só a minha irmã brinca comigo. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. aquela cozinha que aperta e sai água. essas coisas. mas só que a mamãe segura “nóis”. É o boliche. (Aluna L. (Aluno E. Sim. (Aluna B. 06anos) Boneca. se a “burica” sair eu tenho que pegar. 05anos) Meu pirata. Deito a boneca. 5 anos) A comidinha e de restaurante. meu pai também brinca. 06anos). 06 anos) Vídeo-game. ela senta. (Aluno J. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. A minha mãe brinca.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. (Aluna A. 06anos).

(Aluna H. Roda-vento. 03 anos) Sim. você tem que dar o recado.(Aluno D. História da serpente. (Aluno I. (aluno I. 03 anos) Sim de massinha. (Aluna F. (Aluna L. (Aluno C. Sim de patinho-feio. de massinha. (aluno H.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. História da serpente. 06 anos). (Aluno J. 03 anos) Sim. 06anos) Sim. 03 anos) Sim. amarelinha. (aluna B. História da serpente. 03 anos) Sim. 02 anos e 10 meses) Sim. (Aluna B. (aluno J. 03 anos) . Gosto. 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. 03 anos) Sim. (aluno G. (aluna C.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. 06 anos). 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. (aluno F. . De massinha. (Aluno G. 06anos). Amarelinha. Sim. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (aluno D. (aluno A. (Aluna A. De massinha. Gosto quando ela brinca de carteira. 06anos). 03 anos) Não Sei. 06 anos). (aluno E. 05anos) Sim de vôlei. pica-pica-picolé e adoleta. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. Massinha. 03 anos) Sim. (Aluno E. 06 anos) Sim de qualquer coisa.

03 anos. (aluno A. (aluno F. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. 03 anos) Não.(aluna B. Não respondeu. (aluno C. se referindo a amarelinha). (aluno A. 03 anos). pras minhas amigas. (aluno D. (aluno H. 02 anos e 10 meses) Sim. Assim (aluno E. Não respondeu (aluno C. 03 anos. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu. 03 anos). (aluno G.( aluno J. (aluno J. (aluno G. 03 anos. 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Não. (aluno I. (aluna C. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. (aluno A. se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. De carrinho. pro meu irmão. (aluno F. Tem que fazer a menininha. 03 anos) Não respondeu. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo.03 anos) Não. se referindo a história da serpente). 03 anos) Não. . se referindo a massinha). (aluna B. 03 anos. Tem que cantar.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. 03 anos. 03 anos). 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Sim. Assim. (aluno D. ( aluno H. 03 anos) Sim pra minha irmã. 03 anos) Não. (aluno E. (aluna B. 03 anos. se referindo a amarelinha). (aluno D. (aluno I. Tem que pular. 03 anos). se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. 03 anos. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. Pega-pega. assim.

03 anos) Boneca. 03 anos). (aluna B. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. (aluno D. (aluna G. Casinha (aluna G. 03 anos) Sozinha. 03 anos). (aluna E. (aluna F. Boneca. 03 amos) Assim como as crianças do pré. 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. (aluna C. 03 anos). Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . (aluno A. 03 anos). 02 anos e 10 meses). (aluno F. Casinha (aluna F. Boneca. 03 anos) Boneca. (aluna H. 02 anos e 10 meses). (aluno D. 03 anos). 03 anos). Boneca. Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. 03 anos) Amiguinhos. Casinha (aluna J. (aluna H. Roda-roda (aluna I. (aluno J. 03 anos) Sozinho. Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. 03 anos) Lego. (aluno C. Com meu irmão. (aluna B. 03 anos). 03 anos). Dinossauro e carrinho. (aluna I. Maquiagem (aluna H.03 anos).84 Casinha (aluna E. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. 03 anos). 03 anos).(aluno I. 03 anos). Sozinha. (aluno A. 03 anos). Não respondeu. Maquiagem. (aluno E. (aluna I.

(aluna E. 03 anos) Não respondeu. Roda-roda. 03 anos). Com a mamãe de pentear a mamãe. (aluno G. (aluna F. 03 anos) Esconde-esconde. . (aluna E. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. Sim. 03 anos) Sim de roda (aluno J. Não respondeu. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos.03 anos). (aluna D. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. (aluna D. só de cavalinho.03 anos) Sim de trenzinho. 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca.p. 03 anos). Quando ela canta atirei o pau no gato. (aluno A. 03 anos) Não respondeu. (aluna B. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. 02 anos e 10 meses) Sim. 03 anos) Sim.62). Com a mamãe de lego e o papai também. 03 anos) Sim de história da serpente. 03 anos). (aluno I. 03 anos). (aluna J. 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. (aluno H.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca. (aluno H. (aluna F. (aluno G. (aluna I. Roda. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca.1997. Com a mamãe e o papai de ursinho. (aluna C. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A.85 Com meus pais de carrinho.03 anos). (aluna C. 02 anos e 10 meses).

Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. físico.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância.86 5. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar. brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. bem como dos jogos. se for livre deve ser apenas observada. Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores. .

De acordo com as observações realizadas.87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças. . as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. a instituição conta com variado material lúdico. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade.

Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais.069. Rio de Janeiro: LTC. PIAGET. São Paulo: Cortez. 4ª ed. São Paulo: Loyola. KISHIMOTO.gov. de 13 de julho de 1990.1999 . in http:///www.html. POSTMAM. Acesso em 01 de novembro de 2007. MUKHINA. História social da criança e da família.1971. Acesso em: 01 de junho de 2007.Lúcia. 1998. S. CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. (org). V. inhttps://www. São Paulo. BROUGÈRE. 2ª ed. 1997. 4ª ed.htm. 1ª ed.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. LEBOVICI. Brinquedo. K. 1988. I. São Paulo: Edições Loyola. BRASIL. M. Rio de Janeiro:Vozes.planalto. 5ª ed. ARIÈS. Significado e função do brinquedo na criança. São Paulo. Philippe. A creche em busca de identidade. n° 9394/96. M. Lei 8. KRAMER. Desenvolvimento infantil na creche. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. 2002. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. J. N.mj. G. S.O desaparecimento da infância . Brincadeira e Educação. PFREONM NETO. SP: Martins Fontes. 1981.gov. 1995. São Paulo: Scipione. Rio de Janeiro: Graphia. de 20 dez 1996. 2002. Campinas. 1995. 2 a ed. Psicologia da idade pré-escolar. GALVÃO. OLIVEIRA. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. Porto Alegre. M. 2ªed. Jogo. SP: Alínea. BRASIL. 10ª ed.Referências bibliográficas ARANHA. Rio de Janeiro: Vozes. S. 2001. 5ªed. A epistemologia genética. Brinquedo e Cultura.br/sedh/dca/eca. 3ª ed. T. 2002. São Paulo: Cortez.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao. 2002. SP: Cortez.88 6. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. L. HADDAD. adaptada por Gisele Wajstop.

L. VYGOTSKY. S. 2004. . Brincar na pré-escola. São Paulo: Martins Fontes. G. São Paulo: Cortez. VYGOTSKY. 2001. S. A Formação Social da Mente. Pensamento e linguagem.89 THIOLLENT. 5ª. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Martins Fontes.ed. L. 1987. M. 2ª. SP: Cortez Editora. 1988. São Paulo. WAJSKOP. ed. (Coleção Psicologia e Pedagogia).

90 Anexos .

Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha. pois trabalho. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. ( ) Não. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a). Desde já agradeço a colaboração.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim.Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. fevereiro de 2008 Senhores pais.91 I-Questionário dos pais Bauru. Atenciosamente. 05. 06 .Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos. blocos lógicos. Aline Fernandes Guimarães 01.Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim. ( ) Não. 07. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim. Todas ( ) Algumas .

.92 ( ) Nenhuma 09. Porque ajuda no desenvolvimento da criança. ( ) Não. 12. 11. ( ) Às vezes. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. ( ) Às vezes. ( ) Não.Quando compra um brinquedo. 10. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim. ( ) Não.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a). ( ) Não.

93 II. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? . Atenciosamente. Para tanto conto com sua colaboração. fevereiro de 2008. desde já agradeço. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam.Questionário dos professores Bauru. Prezado Senhor (a).

BAURU 2008- .Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .94 III.

espaço.brincar e se divertir. A principal atividade da criança é brincar (recrear). Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. dos quais pode-se destacar alegrar. fantasia.70) Para brincar a criança necessita de tempo. aprende a tomar decisões.P. desenvolve a atenção.desenfardar-se.109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. .95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). pois através da brincadeira a criança imita o adulto. Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados. tanto no aspecto lúdico. reinventa a realidade. onde tem brincadeira existe recreação. deitar. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. materiais como brinquedos. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. coopera. brinca com o medo e o monstruoso. por exemplo.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. fantasias) com conteúdos sociais. distrair-se. manipula valores (o bem e o mal).sentir prazer ou satisfação. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. (BROUGÉRE. a criatividade. 1. reproduz valores culturais. ao invés de numa esfera visual externa. o raciocínio.p.1997. Segundo (Vygotsky. socializadores . em suma. exprime emoções e sensações.1988. se diverte enquanto aprende. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança.

A teoria froebeliana. no plano tridimensional (largura. é intuitivo e. cognitivo e social). O pensamento da criança. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. dos olhos. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. Com a sucção. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo. Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. coordenar esquemas. a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. ou seja. ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. etc. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. (Kishimoto. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. coordenar visão e preensão. um suporte para o ensino. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos. 1980). A recreação faz parte da história do homem. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. O período sensório-motor é fundamental na recreação. comprimento). etc.1996). mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. dons e atividades. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . os movimentos das mãos. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação.96 dependendo das motivações e tendências internas. pois ele é o início de tudo. 1983).. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. sendo ela ainda pré-lógica. no período pré-operatório.

diminuindo as tensões e preocupações.Atividades de corrida (pega-pega. ritmo e equilíbrio. 3. independência. criativas e que nos traga prazer. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”. 3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. autonomia.97 imitação diferida. ajuda-ajuda. auto-estima e cooperação. * Desenvolver a identidade. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma.1. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. é a partir da fala que a representação se acentua. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. * Explorar os movimentos corporais. o pensamento e a ação. 2.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. vivo ou morto. criatividade. duro ou mole.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. a coordenação motora fina. * Desenvolver a ludicidade. * Estimular a interação com pessoas e objetos. * Desenvolver noções espaciais e temporais. 4-CONTEÚDOS . visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança. e a fala. que é a mais importante manifestação da função simbólica. pegador corrente) . * Desenvolver a coordenação motora ampla. atenção e concentração. * Explorar a linguagem. * Desenvolver a cognição e imitação.

.Atividades com salto (uso somente de um pé. B. Educere. fazer rolamentos.Maria. 4. uso dos dois pés de forma alternada. etc.Brinquedos (carrinho e boneca) .Bambolês . p.etc) . KISHIMOTO.). arcos. mesas. etc. VYGOTSKY. 7-REFERENCIA BROUGÈRE. representar histórias.2006. de duas mãos.sociais e estrutura.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. Brinquedo.Atividades de arremesso. carteiras. RIZZI. 1.ed.ed. . v.Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança. . criar personagens.). sucata. adaptada por Gisele Wajstop. . etc. R. 5. Brincadeira e Educação. São Paulo: Ícone. Jogo. -Atividades com objetos diversos (bolas.Cordas . arremesso com corridas. arremesso com saltos. São Paulo: Martins Fontes. etc.Bolas .Umuarama. 2ª. Vania.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos. cantigas de roda ( atirei o pau no gato. L. pessoas. 1988. A Formação Social da Mente. COSTA.1997 Cavallari.AVALIAÇÃO . C. 2004. M. criar novas situações. corrida.98 . n.). jacaré.Bastão . São Paulo: Cortez. etc.). cordas. salto. São Paulo: Cortez. Recreação em Ação: Recreação na educação infantil. S. 2001. 2ª ed. .Danças.. A. bastões. Brinquedo e Cultura. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais.(Org). . dança.Rádio e CD’s 6. C.29-42. uso dos dois pés juntos.(org). T.Giles. 5-RECURSOS .Atividades de imitação (imitar animais.

99 IV.Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências . BAURU 2008 .

100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. Segundo Áries. que era desconhecida antes da Idade Média. brincadeiras e festas. jogos. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. 1. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. tanto na forma como eram vestidas. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. sendo então designada como uma fase “irracional”. em tamanho reduzido. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. Aline Fernandes Guimarães. 1981). poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância). Por volta do século XIII. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. com músculos e traços semelhantes. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. por exemplo: pega-pega. como raciocínio. Portanto. por ser uma fase passageira. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. falavam . as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. quanto na participação de conversas. Segundo sua pesquisa. a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. A partir desse momento. Entretanto. Em sua obra História Social da Criança e da Família. Pelo menos não existiam relatos. geralmente em reuniões e datas comemorativas. atitudes e ações. esconde-esconde. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças.

(ARIÈS. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. 1981. 1981). a prática do abandono era comum. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. e as taxas de mortalidade eram elevadas. nas reuniões coletivas. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. a higienização. a criança exercia na família um papel utilitário. através das conversas com os adultos. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. Porém. que consentia a ida de seu filho a escola. Foi instituída então. Através de diversos documentos históricos.101 vulgaridades na presença das crianças. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. p. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. portanto. a escola (ARIÈS. em contraposição sobre algumas idéias. As camadas populares. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. a saúde. a partir do século XVII. com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. que a criança saiu de seu antigo anonimato. Diante da elaboração da instituição escolar. era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. Era necessário para essa função uma criança saudável. 2001). Porém. que defendiam a separação entre adultos e crianças.12). visão construída pelas camadas dominantes. . Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. Dentro deste contexto. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. Uma educação informal. que direciona seus relatos de modo generalizante. por sua vez. as brincadeiras nas praças. Entretanto. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. Por não existir um sentimento por parte da família. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos.

que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a sua organização em creches. “neste sentido. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar. Lei nº 9. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. no caso brasileiro. para crianças de quatro a seis anos (art. (SAVIANI.14) a educação não se reduz ao ensino. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. propiciando uma formação de qualidade para a criança. a lei se limita a indicar sua finalidade (art. 2004. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos.102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. De início. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II.7). p. ou na década de 1970. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. p. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. essa educação não era assegurada pela legislação.29). (KUHLMANN. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema.30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país.394 (1996). configura uma situação privilegiada. Entretanto. A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. artigos 29 a 31). para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. de 1996. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. p. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. 211).31). A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas. básico. 2001. sem objetivo de promoção (art. a escola. material. Para Saviani (2005.

o envolvimento de pais na escola/creche é. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. Desta forma. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. repleto de transformações econômicas. atualmente. O objetivo da educação infantil. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. é a instituição responsável pela formação da infância. (BHERING e NEZ. 2002. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. 2002. Uma infância em um mundo urbano. pois. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. p. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. Sendo assim. . há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. juntas. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. 65). A educação infantil possui características próprias. influenciada pelas culturas midiáticas. sociais.103 interior da prática social global”. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto. fruto da desigualdade social vigente na atualidade.9). ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. ingressando precocemente em instituições educacionais. políticas. como também em uma outra perspectiva. Criar condições. portanto. brincando em espaços reduzidos. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. e nem no preparo para o processo de alfabetização. A escola. Segundo o autor. trabalhando desde cedo. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. Entretanto. A família desempenha um papel fundamental. p.

por estar relacionada à construção da identidade. é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. em suma.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. “(.1997. Todavia. da formação social. porém com novos significados..70) Para brincar a criança necessita de tempo. exprime emoções e sensações. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto.) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida. manipula valores (o bem e o mal).P. de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. 2003. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. por exemplo. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação.. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. desenvolve a atenção. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. p. areia com água vira comidinha de boneca. fantasia. fantasias) com conteúdos sociais. tanto no aspecto lúdico. na . da construção cognitiva e crítica. (QUINTEIRO. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. materiais como brinquedos. por exemplo. a criatividade. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. de amadurecimento”. da autonomia. Anteriormente. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. coopera. reinventa a realidade. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. jogo e brinquedo. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. socializadores . reproduz valores culturais. se diverte enquanto aprende. um cabo de vassoura pode virar um foguete. o raciocínio. Segundo Wajskop (2001). de fantasia. aprende a tomar decisões. espaço. 12). brinca com o medo e o monstruoso. como creches e pré-escolas. (BROUGÉRE. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização.

( KISHIMOTO. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”.2001. 1999.. 1997). p. etc. a criança se relaciona com o significado em questão. a menina vira mãe e o menino vira pai. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. trilha ou dominó. podendo necessitar de materiais específicos como quadras. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente.21). 2. é o lúdico em ação ” e o jogo. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras.p. as pesquisadoras perceberam a desvalorização. Ainda na teoria de Vygotsky. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. (WAJSKOP. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não.. por exemplo. a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. Para a autora Wajskop. ao mergulhar na ação lúdica. ao brincar com a bola de papel amassado. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos.Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial. (Oliveira. tabuleiros. Segundo Vygotsky(1988). isto é. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. Kishimoto(2001). como xadrez. .105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos.25).

Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho. seja ela em período integral ou não.2. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. Objetivos 3. Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. .Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância.Objetivos Específicos . 3. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. 3. socialização. Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura. . afetivo e físico das crianças. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares. . 4.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras.Objetivo Geral .1.

Recursos Materiais .Brinquedos populares . cola.Brinquedos pedagógicos . tinta.107 5.Fotos 6.Avaliação . busca nas bases de dados. etc) . vídeos.Materiais pedagógicos ( sulfite. periódicos. giz de cera. Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Sucatas . CD Room.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. tesoura. pasta.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7.

(org). A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. E. SAVIANI. .1997 FURLAN. Maringá. T. J. OLIVEIRA. 5. Dermeval.63-73. 2002. Brincadeira e Educação.. 1997. Abr 2002. M.1988. Campinas.2001. LEBOVICI. 9ª ed. 2001.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. vol. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil. . WAJSKOP.: Teor. A Formação Social da Mente. Escola e democracia. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. 2000. QUINTEIRO. Porto Alegre. 33ª ed. L.18. In: Educação e Pesquisa.27. 1988.n 2. 2ª ed.ed. 5. Marta Regina e GASPARIN. Psic. 2002. São Paulo: Cortez. V. p. São Paulo: Cortez. Caderno UEM. SP: Autores Associados. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica . 2005. KUHLMANN Junior. Brincar na pré-escola.Referencias ARIÈS. Jogo. São Paulo: Martins Fontes. 8-22. VYGOTSKY. no. Brinquedo. 1. K. T. G. 2001. Dermeval. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. Philippe. SAVIANI.108 Será realizada durante todo processo. e Pesq. Moysés.S. 2001. Significado e função do brinquedo na criança . e DE NEZ. 4ª ed. João Luiz. São Paulo: Cortez. B. M. Mediação. p.Giles. BROUGÈRE. 2ª. Porto Alegre. 6-14 KISHIMOTO. p. S. SP: Autores Associados. RJ:Guanabara-Koogan.ed. Maringá.ed. História Social da criança e da família. 9. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Scipione. 1981 BHERING. Campinas. adaptada por Gisele Wajstop. Caderno UEM.

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