Bricar Talvez

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

E aos meus queridos e amados alunos. . cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. paciência.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. companheirismo. amor. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos.

. Aos meus queridos alunos. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. À minha querida chefe Mariane. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. À minha mãe Nilsa. pelos ensinamentos. À toda a minha família. pela paciência e confiança a mim dedicados. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. Pelos ensinamentos baseados em experiência. Dirce e Anísio. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. pelos sorrisos. ao meu pai Walmir pelo amor. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade. Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. Aos meus avós. Por todas as brigas e reconciliações.5 AGRADECIMENTOS A Deus. Companheira e amiga. Obrigada pelo incentivo e torcida. carinho e dedicação incondicionais. Obrigada por todos os ensinamentos. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. carinho e amor dedicados a mim. À minha irmã Ariane. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe.

As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora. À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp.6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. .

assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. Palavras-chave: Educação infantil.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral. criança e lúdico. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. ou seja. das 06h30min às 17h30min. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. . alunos e educadores. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. legais e científicas do brincar na educação infantil. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico.

toy and playful. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. that is.8 Abstract This work intend to analyse the historical. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. The methodology used was the research-action. . from 06h30am to 5h30pm. child. Every child from each group participated. as well as the role of playing. Key-Words: child education. The source of the research are the historical records. students and educators. The research universe covers two groups of children from the elementary school. The research was realized in an institution for child education with full period operation. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. toys and jokes in the current child education daily activities. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. setting focus on the children as the active member of their development process. because to play is also to learn. the current legislation and the main concepts of child education. The work was developed based on the researcher activities in child education. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education.

4 Análise de dados 55 4.2 Henri Wallon 35 2.Referencias 88 7.Questionário dos professores 93 . brinquedo e brincadeira 26 2.1 Infância e Educação Infantil 15 1.3.2.3.3.Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .3.Considerações Finais 86 6.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.1 Intervenção 68 4.3 Desenvolvimento 39 3.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.3 Lev S.2 Teorias do desenvolvimento 34 2. Vygotsky 36 Cap.1.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.2 Avaliação 77 5.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.1 Jean Piaget 34 2.2 Brincar.1 Procedimentos 41 3.2.3 Concepção de creche 23 Cap.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil. Em 1989. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16. inciso IV. já previstos na Constituição de 1988. baseada no princípio do direito universal à educação para todos. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. . em creches e pré-escolas. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).13 Nossa Constituição (BRASIL. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança. como primeira etapa da educação básica. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.

sendo eles: Introdução . O desenvolvimento da criança. . Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. .14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças.Definir brinquedo e brincadeira. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. bem como a estrutura física e organizacional da escola. Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras.Infância e educação infantil. a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos.Identificar as características cognitivas. brinquedo e brincadeira. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. Este trabalho será apresentado em capítulos. Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais. Brincar.

que constrói sua história no decorrer dos anos. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. . Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. Recorrendo-se ao seu significado literal. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. A conceituação de infância que conhecemos é recente. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. por isso era representada como adulto em miniatura. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social.15 1. a criança era menos que o adulto. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII.

conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças.1981. . Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. de fato.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. o capitalismo. novos interesses e necessidades que não existiam antes. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente.p. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. Ela aparece com a sociedade capitalista. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha. infância e família existiram da mesma forma. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. É notável. o consumismo e a globalização. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia. A nova visão de infância possui outras características. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças.50).). até 1930. devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância. Mas. associações de damas beneficentes etc. a pesquisadora Kramer(2003).20 1. porém muitos projetos não saíram do papel. faltava.2 . Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças.Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. principalmente a pobre (KRAMMER. p. de maneira geral. escolar e higiênico. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. . 2003. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. No 3° período. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930. Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874. Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos.

56). p. porém foi mantido por doações. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil. promover congressos. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972. em 1909. criar creches. como adulto em potencial. (idem. (idem. atribuídos a “concepção abstrata da infância”. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. Em 1908.52). dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação. Este departamento possuía diferentes tarefas. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930.em estreita relação com o cenário internacional . divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940. p. A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . jardins de infância. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. UNICEF em 1946. como também na sua política. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . OMEP em 1969 e COEPRE em 1975.e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. maternidade e jardins de infância. . SAM – 1941 e FUNABEM. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. CNAE em 1955. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. maternidades e da realização de encontros e publicações. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e. sem vida social. no Rio de Janeiro. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953.

107). que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. emocional e social das crianças atendidas. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. a política de assistência social não atingiu a todos. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70. culturais e nutricionais. . com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais.22 Mesmo com esforços empreendidos. Nota-se que a educação era fragmentada. jardins de infância e instituições equivalentes. sendo que sua prática foi muito desigual. p. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade.

23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação. No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. fortes e nutridas. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. Com a Constituição de(BRASIL. a insuficiência de docentes qualificados. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. .3 . Deveria ser integrada ao sistema de ensino. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória. 1. municipal e beneficente. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás.

financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. como professores.p.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. recreacionistas. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. 2002. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. redistribuição do espaço. (ARANHA. suprindo a carência econômica. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . quase sempre parcialmente constituídas.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. mal-assentadas. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros. moral e social das famílias. Normalmente essas famílias têm carências sociais. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. 2002. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. instáveis. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. medidas de reorganização como jogos educativos.28) Pela primeira vez na história do país. pedagogos. pois é rodeada por assistencialismo. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. psicólogos. com atuação de forma compensatória. p.

Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. primeira etapa da educação básica. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar.17). p. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. Envolve. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. psicológico. Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. expresso pelo artigo 29: A educação infantil. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. Conforme visto na referida lei. principalmente. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. completando a ação da família e da comunidade. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. as relações entre classes sociais. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. intelectual e social.1998. deve fazer parte do processo educativo das crianças. . tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. em seus aspectos físico.

reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. entreter-se. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. . É uma atividade lúdica. discorre sobre o brincar: quando brinca. Piaget (apud Kishimoto.1 . livre e prazerosa. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira.Brincar. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. sem compromisso com a realidade. mas não o fazem por simples prazer. Mesmo que o trabalho dê alegria. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. Brincar vem antes do jogo que supõe regras.2002). assim como faz o adulto.26 2. folgar e foliar. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. a criança assimila o mundo a sua maneira. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento. brinquedo e brincadeira. entra no mundo do adulto. Em comparação ao brincar da criança.

“O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo.. A criança desenvolve-se. interpreta situações e incorpora e altera significados. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. p. escolares ou esforços físicos.117). que se constitui. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis.” (KISNHIMOTO. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[.. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância. No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE. essencialmente. três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação. Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento. embora transitórias. 1988. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas . É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. numa situação imaginária.tudo aparece no brinquedo.28). 2002. no mais alto nível do desenvolvimento infantil. pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas. seja pela criação . A ação na esfera imaginativa. Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. p. Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é.] a especificidade . Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar. a criança é vista como ser que imita e brinca. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. assim.

criador do objeto lúdico.28 infantil.. integra predominantemente elementos da realidade. (KISHIMOTO. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária.31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança. Jogo. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. com influência da biologia e do romantismo. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos.2002. O autor destaca “[..19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia.]”.. 2002.. a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[.. p. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira. no primeiro o jogo expressa valores sociais. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto.. (aput KISHIMOTO. No caso da criança.p.] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos. (apud Kishimoto. p. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie. em conseqüência método natural de educação [.19) .]”. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização. 2002.

Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor.62). que só tenha valor para o tempo da brincadeira. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira. Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop. um objeto adaptado.. da apropriação da cultura. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira. com seus pais. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. No primeiro caso.. 2001. na idade escolar com seus familiares. seja a uma representação social. p. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira. com o espaço e com a cultura na qual está inserida. do exercício da decisão e da invenção.31): [. professores. “Dessa forma. Este paradoxo da brincadeira. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil. Tudo. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar.2001. de seus pais.25). amiguinhos. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata. um programa pedagógico preciso. a partir da brincadeira. efêmera. Não se pode organizar. pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem.31).29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. . Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira. APUD WAJSKOP. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira.p. da administração da relação com outro.p. p. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE.] é o lugar da socialização. pode ser um objeto namufaturado. 2001. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. 2001. ela produz também a incertitude quanto aos resultados.

brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. típica do lúdico”. mas também tenta resolver problemas do passado. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. por contar com a motivação interna. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha. representam as relações familiares como papai e mamãe.. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. As crianças brincam de educação ou escolinha. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. as brincadeiras tradicionais. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. [. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. tamanho e forma. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está .. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento.

“Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. Nesses jogos as crianças constroem.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe. a fim de enriquecer a experiência sensorial. 2002. A origem de tais brincadeiras é desconhecida. 2002.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. permanecendo na memória infantil. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas. das parlendas ou das formulas de seleção. da situação imaginária”. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião. (KISHIMOTO. p. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. p.69). transformam e destroem expressando seu imaginário. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. . privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil.

1996. p.3.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança.103). Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas. ou seja.124). O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto.p.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função. Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas. (idem.p.32 2. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto. que antes serviam apenas para manipulação. Neste sentido MUKHINA(1996. a atividade objetal e a aquisição da linguagem. “Na primeira infância.1. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. . E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.

Também pode controlar a sua atividade intelectual. A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade. . O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. especialmente com as da sua idade. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. p.199). seu pensamento e sua memória. assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. ou seja. por volta dos 6 anos. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. MUKHINA(1996. Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente.

mostra ainda como o conhecimento se desenvolve. Henri Wallon e Lev S. assinalando cada passo de suas vidas.] não se pode.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”. Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor. Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo. Vygtsky.13). 2.1.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade.34 2. com efeito. na interação com o objeto. (PIAGET. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. . 1971.. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança.3..3. Para ele “[. formando uma noção do eu. além de centenas de artigos em revistas. Graças à conquista da percepção e dos movimentos. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. são eles: Jean Piaget. Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. p.

O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. mas também questões para investigação. 2. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil.2.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas. Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. A psicologia. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. ou seja. Via a escola.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. como um contexto privilegiado para o estudo da criança. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. Wallon focalizou os domínios afetivo. Assim como Piaget. Assim. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. os esquemas simbólicos.3. ao construir .2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget. por sua vez. Período das Operações Concretas (7-11. transmissões e interações sociais.

36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. Há um predomínio das relações com o meio. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. desregulada devido à ação dos hormônios. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio. . apesar de sua morte prematura aos 37 anos. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra. existências e pessoais. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. deixou um enorme volume de produção acadêmica. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores.3. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. (GALVÃO.3 Lev S. Esta fase há uma retomada de questões morais. passando a manipular objetos e explorar espaços. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo. 2002. acontece por meio dos interações sociais.2. p. 2. Estágio adolescência : Necessidade de nova definição da personalidade. alternando afetiva e cognitivamente.

34).37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. . como diz VYGOTSKY (1987). E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação.26). p. que nasce inserido em um ambiente social que é a família. 1997. Para ele a criança é um ser social. ou seja. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo.26). 1997. preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. p. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos. p. Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas. “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. ou seja. Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. a interação com o meio social. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. (OLIVEIRA. Ou seja. (idem. Os signos agem como instrumentos da atividade humana. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”.

aquilo que ela consegue fazer sozinha. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. (OLIVEIRA.63) . O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. uma interação social. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. p. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento. ou seja. ou seja.38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. 1997.

A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. (THIOLLENT. através de pesquisas bibliográficas. 2004. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB).Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação.14). A pesquisa-ação é flexível. . portanto uma preocupação social. Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004). p. vem ao encontro com as necessidades da pesquisa. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil.39 3 . Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação. Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004). Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. onde o resultado experimentado deve ser comprovado.

2004. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação. desejados ou não”. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa.48).]identificar as expectativas. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. Segundo Thiollent (2004.. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada. para fazer .70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. considerando os problemas prioritários. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. Para Thiollent (2004.. Desta maneira. de acordo com o autor o pesquisador deve: [. p.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. Paralelamente a esses primeiros contatos. Após o levantamento de informações. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa.p. Segundo Thiollent (2004. p. Intervenção e Avaliação. Assim. Nesta etapa.

A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru. . sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. intervenção e avaliação. Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. As observações realizadas. sendo uma efetiva e duas estagiarias.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica. elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista.1 .

No ano de 2008. Escolaridade dos Pais . algumas aparentemente bem conservadas. A maioria das casas são construções antigas. filhos de pessoas que trabalham na região central.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. supermercado e posto de gasolina. Berçário II de 1 ano a 2 anos. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. profissão e estado civil dos pais. sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio.2 . escritórios de advocacia. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade. escritórios de contabilidade. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. possui vizinhança em geral bem movimentada. comércio central. estacionamentos. situada na zona urbana da cidade. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. escolaridade. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. época da pesquisa. costureiro. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade.42 3. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. casas residenciais. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. a instituição atendia cerca de 130 alunos.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 assistente social. 1 auxiliar administrativo. . 3 professoras. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 7 auxiliares de creche. 1 cozinheira e 5 estagiárias.

Quadro 2.46 Durante o ano da pesquisa. Quadro 1 .Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos. ou seja. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 . Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada. em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas.

Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. dinâmicas e outros. os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. São desenvolvidos projetos.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? .3. entre as turmas do maternal II e pré. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes. do município de Bauru. das 06h30min as 17h30 min.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? .A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . 3. para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica. sabem que todos os seus atos servem de modelo. de fevereiro a março de 2008. Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde. ou seja. O roteiro de observação possuía as seguintes questões: .47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica. Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura. cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas. são discutidos textos.

Como a criança brinca? . Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório.A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila. .48 . logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. uma turma espera a outra sair para poder sair também. Nesse tempo em que aguardam as professoras. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. a brincadeira e o papel do educador. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora. Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas. sem fazer movimentos bruscos. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos. as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado.Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? . Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila.De que ela brinca? .

parque. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. massinha. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo. sendo dirigidas pelas educadoras. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. Desta maneira podemos . Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. jogos de encaixe. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. hora da história. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. passa-anel. canto de música. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. entre outras. brincadeiras como patinho-feio. pintura. tais como.

Procuravam variar e diversificar as atividades.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . além do uso dos fantoches.50 observar que o lúdico. estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. motricidade. como por exemplo. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. tais como. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças. foi feitos teatros em palitos. giz e guache. dentre as quais se destacam: socialização. tais como. a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. imaginação e fantasia infantil. Nas atividades lúdicas dirigidas. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. a brinquedoteca . no caso as músicas. desenho e pintura como materiais diversos. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. tais como patinho-feio e passa-anel. oralidade e criatividade. Durante a atividade “hora do conto”.

jogo de boliche. . bolas. não jogar brinquedo pra fora do parque. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. giz de cera. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. cadernos. carrinhos. tintas. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. como por exemplo: jogos de encaixe.51 períodos de tempo. por exemplo. por exemplo. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. ou seja. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. panelinhas entre outros. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. massinha de modelar. Durante as atividades livres. baldinhos. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. ursos de pelúcia. depois disso elas vão dormir na sala do pré. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. bonecas. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. telefone. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. piscina de bolinha. não bater nos amigos. pazinhas.

assim como as educadoras do maternal II . quebra-cabeça. brincadeiras com aviões de papel. etc. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. Durante as atividades livres como parque. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. observavam as crianças. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. amarelinha. assimilada pelas crianças desde cedo. piscina de bolinha. desenhos. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. . Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. canto de músicas. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. bola. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. por exemplo. as educadoras do pré. como por exemplo. jogos de encaixe. jogo da memória. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores.

não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. guache. enquanto observavam as gravuras. jogos de encaixe. giz de cera e giz de lousa. jogo da memória. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . baldinhos. boliche. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. ou seja. pincéis. não criticando e nem julgando suas regras e decisões. A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. massa de modelar. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. pazinhas.53 O parque. das 06h30min às 17h30min. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. carrinhos. quebra-cabeça. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas. ou seja. ursos de pelúcia. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. diversos tipos de papel. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras.

O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. ficando o período da tarde para a recreação. tais como casinha. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. escolinha entre outras. se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche. Sintetizando as observações realizadas em campo. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. bem como na brincadeira na .54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. jogo da memória e quebra-cabeça. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos. conclui-se que nas duas turmas observadas. Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. médico. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. ou seja. Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa.

ainda. vivo.04 morto carrinho 03 . Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. (WAJSKOP. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. de forma criativa. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. esconde. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais. criando os espaços.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega. p. 2001. Estará. Agindo desta maneira. social e partilhada.112) 4. sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré.esconde.1 . ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos.55 educação infantil. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças.

etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 . quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.mamãe.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.bloco lógico.bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.chapeuzinho vermelho.

Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança.

Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.

você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança.59 Questão 10:Quando compra um brinquedo. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. Questão 01 : Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 .com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré.

bloco 07 08 . quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego.esconde.chapeuzinho vermelho. vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.mamãe. esconde.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.

pois trabalha. Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 .61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04 : Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar.

62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06 : Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Ocorrência 05 07 .

onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 . Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”.63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo.

podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. também conhecida como simbólica. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. de representação de papéis ou sociodramática. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial.40) com dez ocorrências. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem. No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. p.64 Ao analisar os resultados do questionário. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. pela oralidade” (KISHIMOTO. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências. filiada ao folclore. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. sobretudo. p. p. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. 2002.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. expressando-se. Questionados sobre o conhecimento .38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. incorpora a mentalidade popular.

toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. ao brincar. desenvolve situações. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. (educadora I do pré). A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. Na pedagogia. através de questionário estruturado. para o lazer e geralmente associada a criança. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. também suas capacidades psicológicas. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. É o intermediário entre a criança e o brincar.65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. integração. Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar. socialização e aprendizagem. Uma forma de estimulo a imaginação. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. (educadora I do pré) . (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar.

que pra mim. um objeto. casinha. etc. chapéus (baldinho na cabeça) etc. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. um jogo tem sempre suas regras. O lego também é bastante utilizado. Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. como cores e números. (educadora do maternal II). às vezes deixo as crianças brincarem livremente. carrinhos. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. boneca. da forma apresentada e questionada. para o raciocínio. Ex: escolhinha.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. pelúcias. com a rotina corrida da instituição. Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um. Sim. remete a “regras”. (educadora II do pré) . a situação criada pela criança. participo das brincadeiras. (educadora I do pré). (educadora II do pré). sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. ou principalmente. etc). ou seja. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. enfim. o imaginar. astronauta. (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. A criança segue regras do jogo. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. livre.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. a induz ao raciocínio. não só com o estimulo do brinquedo. mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). (eles identificam as cores nos brinquedos). eles pode criar coisas como o bolo(com terra). aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. Também brincam no parque. Mas. por exemplo. sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos. panelinhas. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também. espontânea. é a fantasia. um sistema de regras. no meu entendimento. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. mas também dos colegas ou do professor. o sentir. massinha. colher e pá. brincam com jogos. (educadora I do pré) Jogo. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). através dos baldinhos.

é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. (educadora II do pré). “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. o material lúdico não é suficiente. e ele é suficiente.(educadora do maternal II) Sim. Em alguns casos sim. Imitam os pais. a criança ao brincar. acriança traz seu brinquedo de casa). pular corda. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. como por exemplo. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. dando dicas sobre a realidade. outros não. os colegas. (educadora I do pré) . jogos de interação (patinho-feio. já que a brincadeira é um ato livre. os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. (educadora do maternal II) Sim. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. as crianças imitam cenas de sua realidade. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. (educadora I do pré) Sim. Mas sempre que possível é dada a importância a tais. percebemos a sua realidade. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. a professora. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. de conservar o brinquedo ou jogo. (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. corre-lenço). atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos.

De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo.68 Quase todas. Assim como a educadora I do pré. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. 4. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças.

Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. afetivo e físico das crianças. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. socialização. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru .69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. Como solução para o problema. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. ocasionando brigas entre os alunos.

assiste televisão e lê um livro. porém mobilizou as outras crianças da creche.Desenvolver a coordenação motora . Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . janta. O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. passa pelo redemoinho. as crianças brincaram na amarelinha. corra da chuva. entra no carro e vai para a escola. toma sol.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Interagir com os colegas . Então. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. chega em casa e abre a porta. acorda. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . Depois. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. juntamente com a sala. montamos mais uma história para ser representada na amarelinha.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha. A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. escova os dentes.Respeitar as regras do jogo . dorme.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. toma banho. rega as plantas .

Expressar-se corporalmente através da brincadeira .A. Recursos: E. cola relevo. cola quente. cola gliter. crepom. os ajudamos na confecção. Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante. durex. Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. lã . cola relevo. lantejoula. barbante.71 . Avaliação: Participação e registro. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. Os auxiliamos durante o processo. Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: .V. Recursos: Garrafas pet. tais como: a Kuka.Desenvolver a coordenação motora . o Lobisomem e o Saci Perere. Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche.Explorar a criatividade .Desenvolver a coordenação motora . Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado. isopor. ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:.

ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . que seus pais e avós brincavam. durex colorido. Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento. ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: .Desenvolver a coordenação motora . Avaliação: Participação e registro.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar. Recursos: Peão . explicando que o peão é um brinquedo antigo.Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude. Avaliação: Participação e registro. Recursos: Sufite. barbante. Recursos: Bolinha de gude.72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento. crepom. Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos.Desenvolver a coordenação motora . Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo.Interagir com os colegas .Conhecer uma brincadeira antiga .

tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo). O primeiro da fila foi a cabeça. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: . Recursos: . que quando apitamos. sem se soltar dos demais colegas.Rádio Avaliação: Portfólio e registro. Recursos: Apito .Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho. Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história. formando o rabo da serpente.73 Avaliação: Portfólio e registro. Depois.Interagir com os colegas . dançamos e convidamos uma criança por vez. ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:.Desenvolver a coordenação motora .CD .Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro. os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .

de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos.CD . Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música. O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira. Recursos: Bexiga. Recursos:. durex. areia. pena.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Explorar a criatividade Metodologia : Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse. eles andaram em volta da cadeira. .Desenvolver a atenção . ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:. guache.74 Avaliação: Participação e registro.Música .Desenvolver a coordenação motora .Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:.Cadeiras Avaliação: Participação e registro. Avaliação: Participação e registro.

Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a coordenação motora . relógios.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem. água. sal. que devia miar. guache. Recursos: Farinha.Desenvolver a atenção . O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou.Interagir com o grupo . pulseiras e fizeram bolinhas. Avaliação: Participação e registro. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas.75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. onde um aluno foi escolhido para ser o gato. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: . Recursos: Venda para os olhos.Desenvolver a atenção .Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira. ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:. óleo.

Depois escolhemos outro. aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal. CD.Conhecer cantigas populares . Rádio.Recrear-se através da música . ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina : Artes/ Português / Educação Física Objetivos: . Com o retorno da pesquisa.Desenvolver a coordenação motora . Recursos: anel Avaliação: Participação e registro.Rádio .Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda. O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira. ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: .Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches.76 Metodologia : Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel. .Conhecer histórias populares .CD Avaliação: Participação e registro. assim como canções pesquisadas pelo grupo. Recursos: Fantoches. que deveria adivinhar com quem o anel estava. Recursos: .

criatividade.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção.Desenvolver a identidade. A avaliação foi feita com base .77 Avaliação: Participação e registro. auto-estima e cooperação. .Desenvolver a ludicidade. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição. autonomia. o pensamento e a ação. .Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. .Explorar os movimentos corporais. atenção e concentração. -Desenvolver a coordenação motora ampla. 4. independência. OBJETIVO GERAL . a coordenação motora fina. .Desenvolver noções espaciais e temporais. criativas e que nos traga prazer. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. .Desenvolver a cognição e imitação. diminuindo as tensões e preocupações. OBJETIVOS ESPECÍFICOS . É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. . ritmo e equilíbrio.Explorar a imaginação.Estimular a interação com pessoas e objetos. . visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas.Explorar a linguagem.

06anos) Sim.(Aluna F.06anos) Sim. De massinha. 06 anos) Sim. 06 anos) Sim. Do roda-vento e amarelinha. (Aluna A.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. (Aluno I. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. Do roda-vento.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. porém sabe brincar. 05anos) Sim. Roda vento. pisar nas pegadas. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). abrir a porta. (Aluna B. Com os alunos do maternal II e do pré. pular o rio. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. (Aluna H. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). Eu gostei da amarelinha. quando a gente fez no papel. as crianças. Do roda-vento.06anos) Sim.5 anos) Sim. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem. (Aluno G.06 anos) Sim. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. 05anos. Do roda-vento. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. (Aluna J. (Aluna A. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira. (Aluna L.(Aluno C. Massinha. rodar e depois montanha-russa. .06 anos) Sim. (Aluno E. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. Daquela lá da amarelinha. No outro tem que dirigir. (Aluno D.

(Aluno D. 06anos). abrir a porta. 06 anos. comer e dormir. (Aluno D. Não lembro. Brinca rodando. sobre a amarelinha). Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. 06anos) Não lembro. pular o rio. 06anos). Não estava presente nos dias das atividades. coloca no dedo e fica girando. (Aluno C. (Aluna A. 06 anos. só do ultimo que é de dormir. pro colega de sala. 06 anos) Sim. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. 06anos) . Não. mas não lembro como faz. 05anos) Não. 06anos. (Aluna L. (Aluno E. sobre o roda-vento). (Aluna H. (Aluna L. sobre a massinha). . (Aluna F. (Aluno G. (Aluno E. Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. 06anos) Não lembro. 06 anos) Não lembro. (Aluna B. Não lembro. (Aluno I. 06 anos) Não. montanha-russa. depois eu não lembro. 5 anos) Não lembro. . escovar os dentes. (Aluna J. 06 anos) É de girar o “negócio”. 06 anos) Não. 06 anos. 06 anos) Não. (Aluna B. (Aluno C. 06anos. sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. Não. (Aluno G. (Aluna H.79 cantar. 06 anos). 06anos) Tem que girar. (Aluno I. (Aluna F. Não. (Aluna J. sobre o roda-vento). 05anos) Você “cata”. (Aluno I.

Sozinha. (Aluna F. (Aluna B. Com meu ursinho. (Aluno D. (Aluno E. (Aluno J. 06anos) De massinha. 5 anos) Patinho-feio. pega-pega. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. (Aluna L. (Aluna A. (Aluna B. (Aluno I. ela brinca comigo. (Aluna A. 05anos) Com meu amigo. De pega-pega. boneca.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. Não respondeu. (Aluna H. (Aluno G. Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. de urso e de Barbie. (Aluno C. 06anos). Em casa gosto de brincar de pipa. (Aluno J. 05anos) Carrinho. 06anos). (Aluno I. (Aluna H. A minha vó também. Boneca. esconde-esconde. (Aluna F. 06 anos) Amiga. 06 anos) Sozinho. mais ou menos de barbie. de comidinha com meu primo. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. (Aluno G. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. (Aluno E. de burica e de vídeo-game. 06anos). 06anos). 06 anos) Pais. cinema. 06 anos) De controle remoto. (Aluno C. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. 06 anos) Não respondeu. 06anos) . 06 anos) Com a minha mãe. 06 anos). 5 anos) Com todas as coisas que eu disse.. 06 anos) Na creche de patinho-feio. (Aluno D. Com a minha mãe. 06 anos). É assim.

06 anos) Brinco com minha amiga. (Aluna B. Com vídeo-game mesmo. 5 anos) A comidinha e de restaurante. (Aluna F. 06 anos) De futebol com meu pai. Minha mãe brinca de futebol. ela senta. Sim. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. 06 anos). (Aluno C. mas só que a mamãe segura “nóis”. A minha mãe brinca.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. se a “burica” sair eu tenho que pegar. 06anos). 06anos) De escolinha com a minha irmã. (Aluno I. 06anos). (Aluna L. 06 anos) Videogame. 06 anos).( Aluna L. 06 anos) Solto pipa com meu pai. Brinco e lutinha. (Aluna A. (Aluna A. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. 06 anos) Vídeo-game. meu pai também brinca. De mamãe e filhinha. (Aluna F. (Aluno G. Deito a boneca. (Aluno D. Boneca e bolsa. aquela cozinha que aperta e sai água.81 Com a minha irmã. É o boliche. (Aluno J.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. depois ela acorda. 06 anos) Carrinho. ela trabalha até chegar a noite. (Aluno G. Meus pais não brincam. (Aluno C. (Aluna H. (Aluno I. só a minha irmã brinca comigo. 06anos). Eu brinco no meu quarto. 05anos) Meu pirata. essas coisas.(Aluno D. (Aluna L. 06anos) Boneca. E cozinha. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. (Aluna H.06anos) . 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. (Aluno E. 06anos). (Aluna B. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. Os meus ursos. eu amo boneca. (Aluno J. 06 anos) Meu computador. (Aluno E.

05anos) Sim de vôlei. 03 anos) Sim. (aluna C. 06anos). 06 anos). (Aluno J. História da serpente. De massinha. 06 anos). (Aluno I. De massinha. você tem que dar o recado. Massinha. 02 anos e 10 meses) Sim. Sim.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. (aluno E. Gosto quando ela brinca de carteira. Amarelinha. 06 anos) Sim de qualquer coisa. (Aluno G. 03 anos) Não Sei.(Aluno D. (aluno I. 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. 03 anos) Sim. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. . 03 anos) Sim de massinha. (aluno J. (aluno F. (Aluno C. 06anos) Sim. História da serpente. 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. 03 anos) Sim. (aluno A. (Aluna A. (Aluna B. (aluno D. História da serpente. de massinha. 06 anos). 03 anos) Sim. (Aluna H. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. 03 anos) . (Aluna L. 03 anos) Sim. 06anos). Gosto. (aluna B. pica-pica-picolé e adoleta. (aluno G. 03 anos) Sim. (Aluno E. (Aluna F. amarelinha. (aluno H. Sim de patinho-feio. Roda-vento.

(aluno H. Assim. (aluno F. (aluna B. 03 anos. (aluno A. (aluno G. Tem que pular. 03 anos. (aluno F. . 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu. (aluno G. 03 anos. De carrinho. pras minhas amigas. 03 anos) Sim pra minha irmã. 03 anos) Não respondeu. (aluno D. Assim (aluno E. (aluno A. Tem que fazer a menininha. 03 anos. ( aluno H. se referindo a massinha). Tem que cantar. Não respondeu. 03 anos) Não. 03 anos) Não. (aluna B. 03 anos). 03 anos. 03 anos). se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. (aluno D. 03 anos. (aluno C. 03 anos) Sim.03 anos) Não. 03 anos. 02 anos e 10 meses) Sim. assim. 03 anos). se referindo a história da serpente). se referindo a amarelinha). Pega-pega. 03 anos) Não. 03 anos) Não respondeu. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. (aluno D. se referindo a amarelinha).( aluno J. (aluno E. 03 anos). se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. (aluno A. pro meu irmão.(aluna B. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. (aluno J. (aluna C. (aluno I.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. 03 anos) Não respondeu. Não respondeu (aluno C. 03 anos) Não. (aluno I. se referindo ao roda-vento) Tem que amassar.

(aluno D. 03 anos). Maquiagem (aluna H. 03 anos) Lego. Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. 03 anos). (aluno A. 02 anos e 10 meses). 03 anos). (aluno J. Boneca. (aluna B. (aluna C. 03 anos). 03 anos) Sozinha. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. 03 anos). Não respondeu. 03 anos). 03 anos). Maquiagem. (aluna I. (aluno F. (aluna H. Sozinha. 02 anos e 10 meses) Não respondeu.03 anos). (aluno C. 03 anos) Sozinho. (aluno A.84 Casinha (aluna E. Casinha (aluna G. 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. 03 anos) Boneca.(aluno I. (aluna E. 03 anos) Boneca. 03 anos). 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. Casinha (aluna J. (aluno D. (aluna F. (aluna G. 02 anos e 10 meses). Boneca. 03 anos). Roda-roda (aluna I. 03 anos). (aluna I. Dinossauro e carrinho. (aluna B. Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . Com meu irmão. Boneca. 03 anos) Amiguinhos. 03 amos) Assim como as crianças do pré. 03 anos). Casinha (aluna F. (aluno E. 03 anos). (aluna H.

03 anos) Não respondeu.85 Com meus pais de carrinho. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. 03 anos) Sim de roda (aluno J. 03 anos).03 anos). (aluna B. 03 anos). 02 anos e 10 meses) Sim. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A. (aluno G. (aluno G. (aluna E. (aluna C. (aluna F. (aluna D.03 anos). Sim. . Com a mamãe de pentear a mamãe. 03 anos). (aluna F. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. (aluna I.03 anos) Sim de trenzinho.62).p. Roda-roda. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. 03 anos). Roda. Não respondeu. 03 anos) Não respondeu. (aluno H. Quando ela canta atirei o pau no gato. (aluna J. 03 anos) Sim de história da serpente. (aluno I. 03 anos) Sim.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca. Com a mamãe de lego e o papai também. (aluna C. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. 02 anos e 10 meses). 03 anos) Esconde-esconde. (aluna E. 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca. Com a mamãe e o papai de ursinho. (aluno A. (aluno H. (aluna D.1997. só de cavalinho.

Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar. . bem como dos jogos. brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. se for livre deve ser apenas observada.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças.86 5. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. físico. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores.

uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores.87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. a instituição conta com variado material lúdico. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos. . Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes. De acordo com as observações realizadas.

Rio de Janeiro: Graphia. 2002.069.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao. 2002. PFREONM NETO. J. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. in http:///www. Desenvolvimento infantil na creche. (org). 5ª ed. Porto Alegre. T.br/sedh/dca/eca. Psicologia da idade pré-escolar. HADDAD. Acesso em: 01 de junho de 2007.mj. São Paulo: Cortez. Brinquedo.Referências bibliográficas ARANHA. SP: Martins Fontes. 5ªed.88 6. S. São Paulo. São Paulo. 2001. Rio de Janeiro:Vozes. Jogo. História social da criança e da família.1999 . ARIÈS. Rio de Janeiro: LTC. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce.O desaparecimento da infância . inhttps://www. 2002. BRASIL. M. 1995. 1998. A epistemologia genética. adaptada por Gisele Wajstop. Acesso em 01 de novembro de 2007. Significado e função do brinquedo na criança. S. BRASIL. SP: Alínea. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais. 4ª ed. 1988. 2ªed. 10ª ed.Lúcia. KRAMER. K. 2 a ed. 4ª ed. n° 9394/96. Rio de Janeiro: Vozes. de 20 dez 1996. LEBOVICI. CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. de 13 de julho de 1990. POSTMAM. 2ª ed.htm. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. A creche em busca de identidade. Campinas. N. 1995.planalto. São Paulo: Cortez. 1997. V. BROUGÈRE. 2002.html. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. Philippe. L. 3ª ed.gov. Brincadeira e Educação. I. G. 1981. São Paulo: Scipione.gov. M. OLIVEIRA.1971. São Paulo: Loyola. Lei 8. SP: Cortez. São Paulo: Edições Loyola. PIAGET.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. MUKHINA. 1ª ed. M. S. Brinquedo e Cultura. KISHIMOTO. GALVÃO.

VYGOTSKY. São Paulo: Martins Fontes. ed. 1987. VYGOTSKY. São Paulo: Cortez. 2ª. . São Paulo: Martins Fontes. 2001. A Formação Social da Mente. Pensamento e linguagem. WAJSKOP. 1988. SP: Cortez Editora.ed. (Coleção Psicologia e Pedagogia). M. Metodologia da pesquisa-ação. Brincar na pré-escola. G. 5ª. São Paulo. 2004. L. S.89 THIOLLENT. L. S.

90 Anexos .

etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada. blocos lógicos. Aline Fernandes Guimarães 01. 07. ( ) Não. 06 . Todas ( ) Algumas . etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia.91 I-Questionário dos pais Bauru.Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a). ( ) Não. pois trabalho.Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos.Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. fevereiro de 2008 Senhores pais. 05. Desde já agradeço a colaboração.Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim. Atenciosamente.

10. ( ) Às vezes. ( ) Não.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”.92 ( ) Nenhuma 09.Quando compra um brinquedo. 12.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. . ( ) Não. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a). 11. ( ) Não. ( ) Às vezes. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. Porque ajuda no desenvolvimento da criança. ( ) Não.

Prezado Senhor (a).93 II.Questionário dos professores Bauru. desde já agradeço. fevereiro de 2008. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Atenciosamente. Para tanto conto com sua colaboração. Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? .

94 III.Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .BAURU 2008- .

fantasias) com conteúdos sociais. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança. brinca com o medo e o monstruoso. aprende a tomar decisões. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008.P. exprime emoções e sensações. materiais como brinquedos. Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados. deitar.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). fantasia.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. A principal atividade da criança é brincar (recrear).109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. 1. onde tem brincadeira existe recreação. se diverte enquanto aprende. a criatividade. dos quais pode-se destacar alegrar. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. em suma.sentir prazer ou satisfação. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva.p. por exemplo. Segundo (Vygotsky. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. . desenvolve a atenção. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. distrair-se. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. reproduz valores culturais. o raciocínio. manipula valores (o bem e o mal).brincar e se divertir. reinventa a realidade.desenfardar-se.1997. coopera. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. espaço. ao invés de numa esfera visual externa. tanto no aspecto lúdico.70) Para brincar a criança necessita de tempo. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. socializadores .1988. (BROUGÉRE.

Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. A teoria froebeliana. O período sensório-motor é fundamental na recreação. pois ele é o início de tudo. coordenar visão e preensão. mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. dons e atividades.1996). Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. comprimento). além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos.. (Kishimoto. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. um suporte para o ensino. 1980). porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo.96 dependendo das motivações e tendências internas. ou seja. dos olhos. 1983). O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. sendo ela ainda pré-lógica. os movimentos das mãos. é intuitivo e. no plano tridimensional (largura. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. etc. coordenar esquemas. cognitivo e social). no período pré-operatório. A recreação faz parte da história do homem. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. etc. O pensamento da criança. Com a sucção. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção.

3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. 2. diminuindo as tensões e preocupações. autonomia.97 imitação diferida. o pensamento e a ação. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. auto-estima e cooperação. * Explorar os movimentos corporais. é a partir da fala que a representação se acentua. * Estimular a interação com pessoas e objetos.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. * Desenvolver a ludicidade. 3. criativas e que nos traga prazer. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma. atenção e concentração. * Explorar a linguagem. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. * Desenvolver a identidade. pegador corrente) . 4-CONTEÚDOS . * Desenvolver a coordenação motora ampla. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. vivo ou morto. a coordenação motora fina. ajuda-ajuda. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança.1. * Desenvolver a cognição e imitação. e a fala. duro ou mole. criatividade. * Desenvolver noções espaciais e temporais. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança.Atividades de corrida (pega-pega. ritmo e equilíbrio. independência. que é a mais importante manifestação da função simbólica.

Atividades de arremesso. VYGOTSKY.etc) .Atividades com salto (uso somente de um pé. COSTA. B. R. adaptada por Gisele Wajstop. etc.29-42.Atividades de imitação (imitar animais. cantigas de roda ( atirei o pau no gato. uso dos dois pés juntos. C. S. jacaré. etc. etc.).(Org). uso dos dois pés de forma alternada.2006. . C..ed. Brinquedo. bastões. salto. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais.Maria. de duas mãos.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros.Bolas . v. arcos. pessoas. -Atividades com objetos diversos (bolas.ed. mesas. A. 2ª. L.). 1988. etc. arremesso com saltos. p.). Brincadeira e Educação.Bambolês .Bastão . São Paulo: Ícone. Recreação em Ação: Recreação na educação infantil. São Paulo: Cortez.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos. Brinquedo e Cultura.Giles. M. representar histórias.Brinquedos (carrinho e boneca) .1997 Cavallari.AVALIAÇÃO . 4. sucata. 2001. arremesso com corridas.Umuarama.98 . criar novas situações. KISHIMOTO.Danças. 5. 1. corrida.Rádio e CD’s 6. Jogo. Vania. 7-REFERENCIA BROUGÈRE. carteiras. RIZZI. 2004. Educere. fazer rolamentos. . dança. . criar personagens. cordas.Cordas .sociais e estrutura. São Paulo: Cortez. T. etc. São Paulo: Martins Fontes.(org).). A Formação Social da Mente. . n. . 5-RECURSOS . 2ª ed. .Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança.

99 IV. BAURU 2008 .Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências .

Em sua obra História Social da Criança e da Família. Pelo menos não existiam relatos. em tamanho reduzido. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. esconde-esconde. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. 1. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. falavam . é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância). bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. quanto na participação de conversas. 1981). a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. atitudes e ações. tanto na forma como eram vestidas. que era desconhecida antes da Idade Média. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. Aline Fernandes Guimarães. Segundo sua pesquisa. como raciocínio. por ser uma fase passageira. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. jogos. Entretanto.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. Segundo Áries. as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. A partir desse momento. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. brincadeiras e festas. com músculos e traços semelhantes.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. geralmente em reuniões e datas comemorativas. sendo então designada como uma fase “irracional”. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. por exemplo: pega-pega. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. Por volta do século XIII. não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. Portanto.

o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. que direciona seus relatos de modo generalizante. Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. Porém. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. Foi instituída então. as brincadeiras nas praças. que defendiam a separação entre adultos e crianças. com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. e as taxas de mortalidade eram elevadas. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. portanto. Entretanto. a escola (ARIÈS. visão construída pelas camadas dominantes. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. Era necessário para essa função uma criança saudável. a saúde. que a criança saiu de seu antigo anonimato. através das conversas com os adultos. nas reuniões coletivas. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. 1981). Por não existir um sentimento por parte da família. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. a higienização. . supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. Diante da elaboração da instituição escolar. As camadas populares. Porém. Dentro deste contexto. por sua vez. (ARIÈS. recebendo uma preocupação com seu bem-estar.101 vulgaridades na presença das crianças. a criança exercia na família um papel utilitário. a partir do século XVII. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. 2001). era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. a prática do abandono era comum. 1981. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. em contraposição sobre algumas idéias. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. Uma educação informal. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. Através de diversos documentos históricos. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. p. que consentia a ida de seu filho a escola.12).

2001. a sua organização em creches. no caso brasileiro.30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. p. configura uma situação privilegiada. A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. a lei se limita a indicar sua finalidade (art. material. p. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. Lei nº 9. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . essa educação não era assegurada pela legislação.7). propiciando uma formação de qualidade para a criança. básico. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. De início.31). p. Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos. 2004. artigos 29 a 31).29). A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país. de 1996. a escola. (KUHLMANN. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. 211).394 (1996). (SAVIANI. Para Saviani (2005. para crianças de quatro a seis anos (art. sem objetivo de promoção (art. ou na década de 1970. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional.102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. Entretanto. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas. “neste sentido.14) a educação não se reduz ao ensino. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar.

Segundo o autor. ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. Sendo assim. repleto de transformações econômicas. atualmente. A família desempenha um papel fundamental.103 interior da prática social global”. Desta forma. (BHERING e NEZ. ingressando precocemente em instituições educacionais. p. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. p. brincando em espaços reduzidos. juntas. Uma infância em um mundo urbano. trabalhando desde cedo. sociais. influenciada pelas culturas midiáticas. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. . podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. 2002. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. como também em uma outra perspectiva. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. A escola. 65). A educação infantil possui características próprias. Criar condições. O objetivo da educação infantil. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. políticas. o envolvimento de pais na escola/creche é. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. portanto. é a instituição responsável pela formação da infância.9). a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. pois. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. e nem no preparo para o processo de alfabetização. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. 2002. Entretanto. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN.

. de amadurecimento”. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. na .P. manipula valores (o bem e o mal). Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança.70) Para brincar a criança necessita de tempo. em suma.1997. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. p. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação. fantasias) com conteúdos sociais. por exemplo. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. fantasia. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. da formação social. desenvolve a atenção. se diverte enquanto aprende. Anteriormente. 12). brinca com o medo e o monstruoso. a criatividade. exprime emoções e sensações. Segundo Wajskop (2001). areia com água vira comidinha de boneca. o raciocínio. como creches e pré-escolas. aprende a tomar decisões. reinventa a realidade. espaço. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização. Todavia. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. da autonomia. “(. socializadores . é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. tanto no aspecto lúdico. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. porém com novos significados. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. (BROUGÉRE. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação.. reproduz valores culturais. de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. (QUINTEIRO. da construção cognitiva e crítica. jogo e brinquedo.) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. por estar relacionada à construção da identidade. por exemplo. 2003. de fantasia. um cabo de vassoura pode virar um foguete. coopera. materiais como brinquedos. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto.

Para a autora Wajskop. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial.. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não.( KISHIMOTO. a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. as pesquisadoras perceberam a desvalorização.2001.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. como xadrez. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. Ainda na teoria de Vygotsky. Kishimoto(2001). a menina vira mãe e o menino vira pai. (Oliveira. ao mergulhar na ação lúdica. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo.. 1997).p.25). Segundo Vygotsky(1988). etc. p. 1999. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. tabuleiros. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. a criança se relaciona com o significado em questão. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. isto é. por exemplo.21). . trilha ou dominó. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos. podendo necessitar de materiais específicos como quadras. ao brincar com a bola de papel amassado. é o lúdico em ação ” e o jogo.Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. (WAJSKOP. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. 2.

Objetivos 3.2. Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura. .1.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares.Objetivo Geral . por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil. afetivo e físico das crianças. seja ela em período integral ou não.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares.Objetivos Específicos .Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância. .Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras. . é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. socialização. 3. 3. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. 4. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição.

busca nas bases de dados.Brinquedos pedagógicos . periódicos. Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Materiais pedagógicos ( sulfite. cola.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7.Sucatas . tesoura. giz de cera. pasta. etc) . CD Room.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros.Brinquedos populares .Recursos Materiais . tinta.107 5. vídeos.Avaliação .Fotos 6.

Brinquedo e Cultura. Porto Alegre. 5.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. SAVIANI. vol. VYGOTSKY. Brincadeira e Educação. Porto Alegre. 2ª ed. 1981 BHERING. adaptada por Gisele Wajstop. Dermeval. SP: Autores Associados. 5. 6-14 KISHIMOTO. G. 4ª ed.1988. 1997. T. Mediação. Caderno UEM. p.18. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. 9ª ed. .(org).. 1988. 2001. Campinas. 8-22. QUINTEIRO. Significado e função do brinquedo na criança . Brincar na pré-escola. p. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica . BROUGÈRE. Psic. RJ:Guanabara-Koogan. São Paulo: Cortez.1997 FURLAN. 33ª ed.Giles. 2001. 2002. E. 2001. p.27. 9. Dermeval. São Paulo: Martins Fontes. no. São Paulo: Cortez. Marta Regina e GASPARIN. A Formação Social da Mente. e Pesq. Philippe.ed. L. São Paulo: Scipione. SP: Autores Associados.ed. . Abr 2002. 2005. KUHLMANN Junior.n 2. Maringá. M. LEBOVICI.63-73. Jogo. OLIVEIRA. 2002. Escola e democracia. e DE NEZ.Referencias ARIÈS. História Social da criança e da família. B. J. 2000. 2ª. 1. M. Moysés. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. Brinquedo.ed. Caderno UEM. A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. Maringá. São Paulo: Cortez. S.2001. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Campinas. SAVIANI. WAJSKOP.S. T.108 Será realizada durante todo processo. V. João Luiz.: Teor. K. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil. In: Educação e Pesquisa.

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