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Bricar Talvez

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  • Introdução
  • 2.3.1 Teorias do desenvolvimento
  • 2.3.2.3 Lev S. Vygotsky
  • 3 - Desenvolvimento
  • 4.1 - Análise de dados
  • 5- Considerações Finais
  • I-Questionário dos pais
  • II- Questionário dos professores

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

. amor.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. companheirismo. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos. paciência. E aos meus queridos e amados alunos. cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia.

Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. À minha mãe Nilsa. pela paciência e confiança a mim dedicados. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. Obrigada por todos os ensinamentos. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. Pelos ensinamentos baseados em experiência. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. Por todas as brigas e reconciliações. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. pelos ensinamentos. carinho e dedicação incondicionais. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. . À minha irmã Ariane. À minha querida chefe Mariane. ao meu pai Walmir pelo amor. À toda a minha família. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade. Aos meus avós. Companheira e amiga. Obrigada pelo incentivo e torcida. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. pelos sorrisos. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. carinho e amor dedicados a mim. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe.5 AGRADECIMENTOS A Deus. Aos meus queridos alunos. Dirce e Anísio.

As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora.6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp. .

A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. alunos e educadores. Palavras-chave: Educação infantil. . a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral. legais e científicas do brincar na educação infantil. das 06h30min às 17h30min. sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. ou seja. criança e lúdico. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras.

toy and playful. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. The methodology used was the research-action. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. students and educators. . child. as well as the role of playing. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education. the current legislation and the main concepts of child education. Every child from each group participated. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. setting focus on the children as the active member of their development process. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents. The research was realized in an institution for child education with full period operation. that is. Key-Words: child education. because to play is also to learn. The source of the research are the historical records. from 06h30am to 5h30pm. The research universe covers two groups of children from the elementary school. The work was developed based on the researcher activities in child education.8 Abstract This work intend to analyse the historical. toys and jokes in the current child education daily activities.

2 Teorias do desenvolvimento 34 2.2.2 Avaliação 77 5.3.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.3.3.3. brinquedo e brincadeira 26 2.3 Concepção de creche 23 Cap.2 Brincar.Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .3 Desenvolvimento 39 3.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.1 Infância e Educação Infantil 15 1.Questionário dos professores 93 . Vygotsky 36 Cap.Referencias 88 7.1.2.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.1 Jean Piaget 34 2.1 Procedimentos 41 3.2 Henri Wallon 35 2.4 Análise de dados 55 4.Considerações Finais 86 6.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.3 Lev S.1 Intervenção 68 4.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil.13 Nossa Constituição (BRASIL. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança. que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade. Em 1989. em creches e pré-escolas. o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. como primeira etapa da educação básica. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. inciso IV. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. já previstos na Constituição de 1988. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). baseada no princípio do direito universal à educação para todos.

Identificar as características cognitivas.Definir brinquedo e brincadeira. Este trabalho será apresentado em capítulos. bem como a estrutura física e organizacional da escola.Infância e educação infantil. . brinquedo e brincadeira. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . sendo eles: Introdução . Brincar. Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais. a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil.14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças. Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. . para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras. O desenvolvimento da criança. afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos.

. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. Recorrendo-se ao seu significado literal.15 1. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. por isso era representada como adulto em miniatura. Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. que constrói sua história no decorrer dos anos. a criança era menos que o adulto. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. A conceituação de infância que conhecemos é recente.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância.

23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. Ela aparece com a sociedade capitalista. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. o capitalismo. Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. É notável. infância e família existiram da mesma forma. . As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. A nova visão de infância possui outras características. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”.1981. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha.p. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. o consumismo e a globalização. novos interesses e necessidades que não existiam antes. Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. de fato. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

faltava. a pesquisadora Kramer(2003). até 1930. devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância.Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos. p. Mas.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos. principalmente a pobre (KRAMMER. de maneira geral. . Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. No 3° período. associações de damas beneficentes etc.).50). 2003. porém muitos projetos não saíram do papel. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. escolar e higiênico. Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874.2 .20 1.

Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. (idem. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972. sem vida social. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. p. jardins de infância. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e. (idem. Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação.52). Em 1908. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas.em estreita relação com o cenário internacional . p. no Rio de Janeiro. criar creches. em 1909. UNICEF em 1946. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940.e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. como também na sua política.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. Este departamento possuía diferentes tarefas. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . maternidades e da realização de encontros e publicações. divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. atribuídos a “concepção abstrata da infância”. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. OMEP em 1969 e COEPRE em 1975.56). SAM – 1941 e FUNABEM. CNAE em 1955. . foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. maternidade e jardins de infância. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil. A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . porém foi mantido por doações. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. como adulto em potencial. promover congressos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. sendo que sua prática foi muito desigual. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. culturais e nutricionais. jardins de infância e instituições equivalentes. a política de assistência social não atingiu a todos. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70. emocional e social das crianças atendidas. p. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. Nota-se que a educação era fragmentada. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. .22 Mesmo com esforços empreendidos.107). que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar.

os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. municipal e beneficente. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. 1. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. a insuficiência de docentes qualificados.3 . Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil.23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. fortes e nutridas. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. Com a Constituição de(BRASIL. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. . pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória.

Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. mal-assentadas. psicólogos. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. recreacionistas. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. pois é rodeada por assistencialismo. quase sempre parcialmente constituídas. como professores. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros. Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. instáveis. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. Normalmente essas famílias têm carências sociais.28) Pela primeira vez na história do país. moral e social das famílias. 2002. com atuação de forma compensatória. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado. p. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . medidas de reorganização como jogos educativos. suprindo a carência econômica.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60.p. 2002. (ARANHA. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. redistribuição do espaço. pedagogos. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais.

em seus aspectos físico. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei.1998. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais.17). . tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. Conforme visto na referida lei. psicológico. p. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. deve fazer parte do processo educativo das crianças. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. expresso pelo artigo 29: A educação infantil. principalmente. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. as relações entre classes sociais. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. primeira etapa da educação básica.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. completando a ação da família e da comunidade. Envolve. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. intelectual e social.

livre e prazerosa.Brincar. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. Piaget (apud Kishimoto. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. brinquedo e brincadeira. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento. sem compromisso com a realidade.1 . Brincar vem antes do jogo que supõe regras. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. mas não o fazem por simples prazer. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. Mesmo que o trabalho dê alegria. folgar e foliar. . É uma atividade lúdica. reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. entra no mundo do adulto. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica.26 2. discorre sobre o brincar: quando brinca. assim como faz o adulto. pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso.2002). Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. entreter-se. A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. a criança assimila o mundo a sua maneira. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. Em comparação ao brincar da criança.

três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação. Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos. essencialmente. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis.tudo aparece no brinquedo. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar.. a criança é vista como ser que imita e brinca. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. p. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. escolares ou esforços físicos.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY. A criança desenvolve-se. seja pela criação . 1988. interpreta situações e incorpora e altera significados. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas .” (KISNHIMOTO. Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. numa situação imaginária.28). Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é. que se constitui. pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[.. embora transitórias. No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE. A ação na esfera imaginativa. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento. no mais alto nível do desenvolvimento infantil.117). 2002.] a especificidade . Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância. assim. p.

os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil. p. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil.]”. em conseqüência método natural de educação [. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização..p.]”.2002. (KISHIMOTO.28 infantil. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto. O autor destaca “[. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos. no primeiro o jogo expressa valores sociais. (aput KISHIMOTO. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie. p. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos.. No caso da criança. Jogo.19) . está carregando de animismo: de 5 a 6 anos. a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira.. (apud Kishimoto. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. 2002..31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança. com influência da biologia e do romantismo.. integra predominantemente elementos da realidade. 2002. criador do objeto lúdico..] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia.

da apropriação da cultura.25). Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira. p. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira.29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. efêmera. 2001. professores. a partir da brincadeira. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão. de seus pais. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem. pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. 2001. do exercício da decisão e da invenção. um programa pedagógico preciso. . Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata.. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop.31): [. com seus pais. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira.p. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social..62). com o espaço e com a cultura na qual está inserida. “Dessa forma. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE.2001.p. APUD WAJSKOP. No primeiro caso. ela produz também a incertitude quanto aos resultados. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. 2001. um objeto adaptado. amiguinhos. na idade escolar com seus familiares. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. pode ser um objeto namufaturado. Tudo. Não se pode organizar.31). Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. da administração da relação com outro. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil.] é o lugar da socialização. seja a uma representação social. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. p. Este paradoxo da brincadeira.

de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. típica do lúdico”. [. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está . Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. por contar com a motivação interna. mas também tenta resolver problemas do passado. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente.. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha.. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. representam as relações familiares como papai e mamãe. as brincadeiras tradicionais. tamanho e forma. As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. As crianças brincam de educação ou escolinha.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto.

da situação imaginária”. . Nesses jogos as crianças constroem. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. permanecendo na memória infantil.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe. p.69). Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. 2002. transformam e destroem expressando seu imaginário.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. “Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. 2002. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. das parlendas ou das formulas de seleção. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. p. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. a fim de enriquecer a experiência sensorial. são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. (KISHIMOTO. A origem de tais brincadeiras é desconhecida.

. Neste sentido MUKHINA(1996. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função.124).p. a atividade objetal e a aquisição da linguagem. “Na primeira infância. Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas.103). passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância. Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos.32 2. 1996. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança.p. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto. que antes serviam apenas para manipulação. O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo. p. ou seja.3. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. (idem.1.

A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. por volta dos 6 anos. p. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. seu pensamento e sua memória. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção.199). ou seja. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. MUKHINA(1996. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. . Também pode controlar a sua atividade intelectual. Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. especialmente com as da sua idade. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade.

Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor.1. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”.34 2.3. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses. com efeito.. além de centenas de artigos em revistas. Henri Wallon e Lev S..1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo. assinalando cada passo de suas vidas. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos. são eles: Jean Piaget. Graças à conquista da percepção e dos movimentos. Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. p. 2. Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. (PIAGET. Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança.] não se pode. .3. formando uma noção do eu.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade.13). abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. Vygtsky. Para ele “[. na interação com o objeto. 1971.

Via a escola. mas também questões para investigação. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. Assim. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal.2. Período das Operações Concretas (7-11. transmissões e interações sociais. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia. ao construir . ou seja. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. os esquemas simbólicos. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. como um contexto privilegiado para o estudo da criança.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas.3. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. por sua vez. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. Assim como Piaget.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos. 2. Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. A psicologia.2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. Wallon focalizou os domínios afetivo.

. p. desregulada devido à ação dos hormônios. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. acontece por meio dos interações sociais. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. Estágio adolescência : Necessidade de nova definição da personalidade. apesar de sua morte prematura aos 37 anos. Há um predomínio das relações com o meio.3. (GALVÃO. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev. existências e pessoais. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra. 2002. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo.2. passando a manipular objetos e explorar espaços. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. Esta fase há uma retomada de questões morais. 2.3 Lev S. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual. deixou um enorme volume de produção acadêmica.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. alternando afetiva e cognitivamente.

como diz VYGOTSKY (1987). Os signos agem como instrumentos da atividade humana. ou seja. Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação. p. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança.34). preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. ou seja. (idem. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. Para ele a criança é um ser social. Ou seja. p. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos. Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos.26). “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”.37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. 1997. 1997. . a interação com o meio social. p. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas.26). (OLIVEIRA. que nasce inserido em um ambiente social que é a família.

Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”.38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. ou seja. 1997.63) . (OLIVEIRA. uma interação social. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. ou seja. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. aquilo que ela consegue fazer sozinha. dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. p. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento.

onde o resultado experimentado deve ser comprovado. 2004. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. .Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil.14). Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004). pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores. Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004). portanto uma preocupação social. através de pesquisas bibliográficas. não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas. vem ao encontro com as necessidades da pesquisa. A pesquisa-ação é flexível. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB). Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação. (THIOLLENT. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema.39 3 . Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. p.

]identificar as expectativas. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT. p. p. Intervenção e Avaliação. desejados ou não”.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação.p.. Desta maneira. Segundo Thiollent (2004. para fazer . p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico. considerando os problemas prioritários. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa. Para Thiollent (2004. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico.48).. de acordo com o autor o pesquisador deve: [. Após o levantamento de informações. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada. Segundo Thiollent (2004.2004. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa. Assim. Nesta etapa. Paralelamente a esses primeiros contatos. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa.

Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. intervenção e avaliação. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas. sendo uma efetiva e duas estagiarias.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. As observações realizadas. elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica. . Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”.1 . responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino.

Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. supermercado e posto de gasolina. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. possui vizinhança em geral bem movimentada. profissão e estado civil dos pais. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. A maioria das casas são construções antigas. algumas aparentemente bem conservadas. casas residenciais. situada na zona urbana da cidade. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. filhos de pessoas que trabalham na região central. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. escolaridade. comércio central. Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. No ano de 2008.2 . sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. época da pesquisa. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. estacionamentos.42 3. costureiro. escritórios de contabilidade. a instituição atendia cerca de 130 alunos. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano. Berçário II de 1 ano a 2 anos. escritórios de advocacia. Escolaridade dos Pais . sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 auxiliar administrativo. 7 auxiliares de creche. 3 professoras. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 1 assistente social. 1 cozinheira e 5 estagiárias. .

Quadro 1 . Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas. ou seja. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos. A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. Quadro 2.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 . em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas. Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II.46 Durante o ano da pesquisa.

São desenvolvidos projetos. ou seja. Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. de fevereiro a março de 2008.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? . os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. são discutidos textos. do município de Bauru. 3.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? . Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes. das 06h30min as 17h30 min. São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas. sabem que todos os seus atos servem de modelo. tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? .A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde. Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças. O roteiro de observação possuía as seguintes questões: . entre as turmas do maternal II e pré.47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica.3. dinâmicas e outros. para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica.

Nesse tempo em que aguardam as professoras. logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. . a brincadeira e o papel do educador.48 . as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila. Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório. uma turma espera a outra sair para poder sair também. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila.A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações.Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? . sem fazer movimentos bruscos. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado.De que ela brinca? .Como a criança brinca? . Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas.

49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. canto de música. entre outras. massinha. sendo dirigidas pelas educadoras. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. jogos de encaixe. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. pintura. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. Desta maneira podemos . Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. passa-anel. hora da história. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. parque. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. brincadeiras como patinho-feio. tais como. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque.

estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade.50 observar que o lúdico. motricidade. a brinquedoteca . tais como patinho-feio e passa-anel. além do uso dos fantoches. no caso as músicas. Nas atividades lúdicas dirigidas. foi feitos teatros em palitos. oralidade e criatividade. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis. imaginação e fantasia infantil. Procuravam variar e diversificar as atividades. desenho e pintura como materiais diversos. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. tais como. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. Durante a atividade “hora do conto”. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças. como por exemplo. tais como. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . dentre as quais se destacam: socialização. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. giz e guache.

A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. cadernos. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. não bater nos amigos. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. bolas. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. carrinhos. por exemplo. massinha de modelar. por exemplo. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. . telefone. tintas. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. depois disso elas vão dormir na sala do pré. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. bonecas. Durante as atividades livres. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. panelinhas entre outros. jogo de boliche. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. pazinhas. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. giz de cera. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. piscina de bolinha. ursos de pelúcia. como por exemplo: jogos de encaixe. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. ou seja. baldinhos.51 períodos de tempo. não jogar brinquedo pra fora do parque.

piscina de bolinha. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia. jogos de encaixe. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. assim como as educadoras do maternal II . assimilada pelas crianças desde cedo. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. .52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. canto de músicas. Durante as atividades livres como parque. amarelinha. como por exemplo. bola. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. as educadoras do pré. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. brincadeiras com aviões de papel. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. etc. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. por exemplo. quebra-cabeça. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. desenhos. observavam as crianças. jogo da memória.

As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. diversos tipos de papel. jogos de encaixe. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. não criticando e nem julgando suas regras e decisões. baldinhos. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. jogo da memória. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. ou seja. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. pincéis. A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. massa de modelar. das 06h30min às 17h30min. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil.53 O parque. quebra-cabeça. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. ou seja. giz de cera e giz de lousa. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. carrinhos. boliche. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas. ursos de pelúcia. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . guache. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. pazinhas. enquanto observavam as gravuras. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta.

Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. Sintetizando as observações realizadas em campo. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. ou seja. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. jogo da memória e quebra-cabeça. bem como na brincadeira na . ficando o período da tarde para a recreação. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. médico. tais como casinha. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche. conclui-se que nas duas turmas observadas. escolinha entre outras. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa.

oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças. ainda. criando os espaços. Agindo desta maneira.1 . Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. (WAJSKOP. sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo. p.esconde. social e partilhada. de forma criativa. Estará. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais.04 morto carrinho 03 . 2001. ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos.55 educação infantil. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega.112) 4. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. vivo. esconde.

mamãe. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.chapeuzinho vermelho.etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .bloco lógico.

Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança.

você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho.

onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”.com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança.59 Questão 10:Quando compra um brinquedo. Questão 01 : Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 .

60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.mamãe.esconde. esconde. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.chapeuzinho vermelho.bloco 07 08 . vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.

61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04 : Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar. Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 . pois trabalha.

Todas Algumas Ocorrência 05 07 .62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06 : Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.

Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”.63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 . você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.

já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. 2002. expressando-se. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. incorpora a mentalidade popular. p. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. filiada ao folclore. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. de representação de papéis ou sociodramática. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem.40) com dez ocorrências.64 Ao analisar os resultados do questionário. p. também conhecida como simbólica. pela oralidade” (KISHIMOTO. p. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. Questionados sobre o conhecimento . sobretudo. No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências.

para o lazer e geralmente associada a criança. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. ao brincar. (educadora I do pré) .65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. É o intermediário entre a criança e o brincar. desenvolve situações. socialização e aprendizagem. um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. também suas capacidades psicológicas. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. através de questionário estruturado. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. integração. Uma forma de estimulo a imaginação. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. Na pedagogia. (educadora I do pré). (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar.

etc). com a rotina corrida da instituição. às vezes deixo as crianças brincarem livremente. A criança segue regras do jogo. mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). pelúcias. enfim. livre. o sentir. não só com o estimulo do brinquedo.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). para o raciocínio.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. (educadora do maternal II). etc. como cores e números. Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um. um sistema de regras. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. a situação criada pela criança. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. carrinhos. da forma apresentada e questionada. Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. ou seja. massinha. brincam com jogos. um objeto. participo das brincadeiras. o imaginar. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. (educadora I do pré) Jogo. casinha. um jogo tem sempre suas regras. a induz ao raciocínio. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. Ex: escolhinha. astronauta. mas também dos colegas ou do professor. (educadora II do pré). espontânea. por exemplo. (educadora I do pré). sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. (eles identificam as cores nos brinquedos). panelinhas. Mas. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). eles pode criar coisas como o bolo(com terra). no meu entendimento. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos. é a fantasia. através dos baldinhos. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. remete a “regras”. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. chapéus (baldinho na cabeça) etc. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. ou principalmente. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. (educadora II do pré) .que pra mim. Sim. colher e pá. boneca. Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. Também brincam no parque. O lego também é bastante utilizado.

(educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. acriança traz seu brinquedo de casa). o material lúdico não é suficiente. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. as crianças imitam cenas de sua realidade.(educadora do maternal II) Sim. corre-lenço). ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. pular corda. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. Imitam os pais. a criança ao brincar. dando dicas sobre a realidade. (educadora do maternal II) Sim. (educadora I do pré) . outros não. Mas sempre que possível é dada a importância a tais.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. percebemos a sua realidade. já que a brincadeira é um ato livre. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. Em alguns casos sim. é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. os colegas. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. (educadora II do pré). jogos de interação (patinho-feio. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. como por exemplo. (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. e ele é suficiente. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. de conservar o brinquedo ou jogo. a professora. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. (educadora I do pré) Sim.

Assim como a educadora I do pré. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite.68 Quase todas. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. 4.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças. De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica.

Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. afetivo e físico das crianças.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. Como solução para o problema. Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. ocasionando brigas entre os alunos. socialização. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos.

A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. toma banho. dorme. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. corra da chuva.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. toma sol. Então. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . entra no carro e vai para a escola. porém mobilizou as outras crianças da creche. Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: .Respeitar as regras do jogo . acorda. as crianças brincaram na amarelinha. Depois. rega as plantas . montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. janta. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. assiste televisão e lê um livro. passa pelo redemoinho.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. escova os dentes.Interagir com os colegas . chega em casa e abre a porta.Desenvolver a coordenação motora .Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha. juntamente com a sala. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha.

o Lobisomem e o Saci Perere. lã . Recursos: Garrafas pet.A. barbante. cola relevo.Desenvolver a coordenação motora .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Recursos: E. Os auxiliamos durante o processo. os ajudamos na confecção. lantejoula.Explorar a criatividade . crepom. durex.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: .71 . ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:. tais como: a Kuka. Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos. Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado. Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente. cola relevo.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. cola gliter. Avaliação: Participação e registro. isopor. Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche. cola quente.Desenvolver a coordenação motora .V.

Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar.Interagir com os colegas . ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento. explicando que o peão é um brinquedo antigo. Avaliação: Participação e registro. que seus pais e avós brincavam. Recursos: Sufite. durex colorido. Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo. Avaliação: Participação e registro. Recursos: Peão . barbante.72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento. Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos.Desenvolver a coordenação motora . crepom.Desenvolver a coordenação motora .Conhecer uma brincadeira antiga . Recursos: Bolinha de gude.

CD .Rádio Avaliação: Portfólio e registro.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro. que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: . que quando apitamos. O primeiro da fila foi a cabeça. os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. Recursos: Apito . sem se soltar dos demais colegas.Interagir com os colegas . tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo). ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:. Depois. dançamos e convidamos uma criança por vez. Recursos: . Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho. formando o rabo da serpente.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Desenvolver a coordenação motora .73 Avaliação: Portfólio e registro.

CD . Recursos: Bexiga. pena.Música .Explorar a criatividade Metodologia : Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:. eles andaram em volta da cadeira. durex. guache.Desenvolver a atenção . ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:.Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas. . de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos.Cadeiras Avaliação: Participação e registro. Avaliação: Participação e registro.74 Avaliação: Participação e registro. O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira.Desenvolver a coordenação motora . areia. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Recursos:. Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram.

pulseiras e fizeram bolinhas. óleo. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: . Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a atenção .Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas. sal. Avaliação: Participação e registro. O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou. relógios. Recursos: Venda para os olhos.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem.Desenvolver a atenção . água.75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. que devia miar. Recursos: Farinha.Desenvolver a coordenação motora .Interagir com o grupo . ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:. onde um aluno foi escolhido para ser o gato. guache.

Recursos: anel Avaliação: Participação e registro. CD.Recrear-se através da música .Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches. Recursos: . que deveria adivinhar com quem o anel estava.Conhecer cantigas populares . Rádio.Rádio . O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira.Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda. assim como canções pesquisadas pelo grupo. . ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: . Com o retorno da pesquisa. aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal.CD Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a coordenação motora . ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina : Artes/ Português / Educação Física Objetivos: .Conhecer histórias populares . Depois escolhemos outro.76 Metodologia : Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel. Recursos: Fantoches.

c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação.Explorar a imaginação. criativas e que nos traga prazer.Desenvolver a ludicidade.77 Avaliação: Participação e registro. atenção e concentração. autonomia. auto-estima e cooperação.Explorar os movimentos corporais.Desenvolver noções espaciais e temporais. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição.Explorar a linguagem. . .Desenvolver a identidade. É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. . Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. . a coordenação motora fina. 4. . . criatividade. OBJETIVOS ESPECÍFICOS . Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção. OBJETIVO GERAL .Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. ritmo e equilíbrio.Estimular a interação com pessoas e objetos. independência. o pensamento e a ação. A avaliação foi feita com base .Desenvolver a cognição e imitação. -Desenvolver a coordenação motora ampla. diminuindo as tensões e preocupações. .

as crianças.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. (Aluna J.(Aluno C. (Aluna L. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II.06anos) Sim. rodar e depois montanha-russa.06anos) Sim. 06anos) Sim. Do roda-vento.06 anos) Sim. 06 anos) Sim. 05anos. Massinha. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. Daquela lá da amarelinha.06 anos) Sim. No outro tem que dirigir.(Aluna F. (Aluna A. Do roda-vento. quando a gente fez no papel. (Aluna A. 06 anos) Sim. . 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades.5 anos) Sim. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. abrir a porta. pisar nas pegadas. Roda vento. Do roda-vento. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). (Aluna H. Com os alunos do maternal II e do pré. De massinha. (Aluno I. Eu gostei da amarelinha. (Aluno E. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira. 05anos) Sim. (Aluna B.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. Do roda-vento e amarelinha. (Aluno G. pular o rio. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). porém sabe brincar. (Aluno D.

(Aluna B. 06anos). mas não lembro como faz. (Aluna F. (Aluna A. (Aluno C. (Aluna L. (Aluno I. (Aluna H. (Aluno E. (Aluno I. 06 anos) Não. pro colega de sala. (Aluno I. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. Não lembro. 06 anos) Não. 06 anos. (Aluno G. Não lembro. 06 anos) Não lembro. (Aluno C. comer e dormir. (Aluna H. (Aluna B. 06anos) Tem que girar. (Aluno D. Não estava presente nos dias das atividades.79 cantar. (Aluno D. (Aluno G. (Aluna L. 06 anos. pular o rio. coloca no dedo e fica girando. sobre o roda-vento). 05anos) Não. sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. Não. (Aluna J. (Aluna F. 06anos. 06anos). sobre a amarelinha). (Aluno E. 06anos) Não lembro. 06 anos. 05anos) Você “cata”. 06anos) Não lembro. 06anos. sobre o roda-vento). Não. . (Aluna J. montanha-russa. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. abrir a porta. só do ultimo que é de dormir. Não. 06 anos). Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. sobre a massinha). depois eu não lembro. . Brinca rodando. 06anos) . 5 anos) Não lembro. 06 anos) Sim. 06 anos) É de girar o “negócio”. escovar os dentes. 06 anos) Não.

(Aluno E. esconde-esconde. de urso e de Barbie. (Aluna L. de comidinha com meu primo. 06 anos) Na creche de patinho-feio. 06 anos) De controle remoto. Não respondeu. (Aluno G. (Aluno E. (Aluno D. ela brinca comigo. 06anos) . (Aluno I. Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. (Aluno G. pega-pega. (Aluna H. Com meu ursinho. 06anos). (Aluna B. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. mais ou menos de barbie. Sozinha. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. A minha vó também. 06anos). 05anos) Com meu amigo. (Aluna F.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. Em casa gosto de brincar de pipa. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. 06 anos) Pais. 06anos). (Aluna A. 05anos) Carrinho. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. Boneca. (Aluno D. 06 anos) Não respondeu. 06 anos). 06anos) De massinha. de burica e de vídeo-game. (Aluna F. 06 anos) Amiga. Com a minha mãe. (Aluno C. 06 anos) Com a minha mãe.. 06 anos). (Aluna B. (Aluno J. (Aluna A. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. (Aluno J. 5 anos) Patinho-feio. 06 anos) Sozinho. cinema. É assim. De pega-pega. (Aluna H. (Aluno C. 06anos). boneca. (Aluno I.

06 anos). ela senta. (Aluna F. Deito a boneca. E cozinha.06anos) . (Aluna A. se a “burica” sair eu tenho que pegar. 06 anos) De futebol com meu pai. Meus pais não brincam. essas coisas. 06 anos) Vídeo-game. 06 anos) Carrinho. (Aluna A. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. (Aluna L. 06 anos) Brinco com minha amiga. Eu brinco no meu quarto. (Aluna L. 06 anos). 06anos). (Aluno C.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. (Aluna H. A minha mãe brinca. só a minha irmã brinca comigo. meu pai também brinca. depois ela acorda. (Aluna B. 06anos). Brinco e lutinha. eu amo boneca. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. (Aluno E. Minha mãe brinca de futebol. 06anos). 5 anos) A comidinha e de restaurante. (Aluno J. 06anos). 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. 06 anos) Solto pipa com meu pai.( Aluna L. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. (Aluno D. Com vídeo-game mesmo. Sim. De mamãe e filhinha. (Aluno J. (Aluno E. (Aluno G. 06 anos) Videogame. (Aluna B. mas só que a mamãe segura “nóis”. (Aluno I. ela trabalha até chegar a noite.(Aluno D. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. Boneca e bolsa. 06 anos) Meu computador. 06anos) De escolinha com a minha irmã. É o boliche. 06anos) Boneca. (Aluno I. Os meus ursos. (Aluna H. 05anos) Meu pirata. (Aluna F.81 Com a minha irmã.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. (Aluno G. aquela cozinha que aperta e sai água. (Aluno C.

(Aluno G. (aluna C. (Aluno J. (aluno H. De massinha. Amarelinha. 06 anos) Sim de qualquer coisa. (aluno A. você tem que dar o recado. 03 anos) Não Sei. 03 anos) Sim. Massinha. História da serpente. 03 anos) Sim.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. (Aluna A. (Aluna H. Gosto quando ela brinca de carteira. 06anos). 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. 02 anos e 10 meses) Sim. 05anos) Sim de vôlei. De massinha.(Aluno D. (Aluno E. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. 03 anos) . 03 anos) Sim. Sim. Gosto. . 03 anos) Sim. 06 anos). (aluno I. (Aluno C. (Aluna F. de massinha. História da serpente. (Aluno I. 06 anos). amarelinha. 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. 03 anos) Sim. 03 anos) Sim de massinha. pica-pica-picolé e adoleta. (aluno E. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. 06anos). Sim de patinho-feio. (aluno G. (aluno F.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. Roda-vento. (aluna B. (aluno D. 06anos) Sim. 06 anos). (aluno J. História da serpente. (Aluna B. 03 anos) Sim. (Aluna L.

Assim (aluno E. Tem que cantar. (aluno F. (aluno I. (aluno D. (aluna B. De carrinho. 03 anos) Sim. Não respondeu. (aluno E. 03 anos) Não respondeu. 03 anos. 03 anos) Não respondeu. 03 anos. 03 anos. (aluno F. 03 anos). ( aluno H. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu. 03 anos) Não. 03 anos) Não. (aluno A. assim. pro meu irmão.(aluna B. 03 anos). 03 anos. 03 anos) Não. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. (aluno A. se referindo a amarelinha). Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca.03 anos) Não. (aluno G. Assim. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. . se referindo a massinha). 03 anos.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. (aluno H. 03 anos). 03 anos. pras minhas amigas.( aluno J. (aluno J. (aluno I. Não respondeu (aluno C. Tem que pular. 03 anos) Não. se referindo a amarelinha). (aluno D. (aluno D. Pega-pega. 02 anos e 10 meses) Sim. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. 03 anos) Não respondeu. (aluno G. (aluna C. (aluno C. 03 anos) Sim pra minha irmã. 03 anos. 03 anos). (aluna B. se referindo a história da serpente). (aluno A. Tem que fazer a menininha.

Com meu irmão. 03 anos) Lego. 03 anos). 03 anos). (aluno A. (aluna H. (aluna I. 02 anos e 10 meses). (aluno E. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. 03 anos). (aluno D. (aluna I. (aluno F. (aluna C. 03 anos). 03 amos) Assim como as crianças do pré. Maquiagem. 03 anos). (aluno D. (aluno A. 03 anos) Sozinha. 03 anos). (aluna B. Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. 03 anos). Casinha (aluna G. Maquiagem (aluna H. Boneca. 03 anos) Boneca. Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. Roda-roda (aluna I. 03 anos). Não respondeu. Casinha (aluna F.03 anos). 03 anos). (aluna F. 03 anos). 03 anos). (aluna G. 03 anos). Sozinha. Casinha (aluna J. Boneca. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. (aluna B. 03 anos) Amiguinhos. 03 anos) Boneca. Dinossauro e carrinho. (aluno C. 03 anos) Sozinho. (aluna E. 02 anos e 10 meses).(aluno I. Boneca.84 Casinha (aluna E. (aluno J. (aluna H. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai.

02 anos e 10 meses) Sim. 03 anos). Com a mamãe de pentear a mamãe. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. 03 anos). (aluna B. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. (aluno G. (aluna C. (aluna D. Com a mamãe de lego e o papai também. (aluna I. .p. 03 anos) Sim. (aluna D. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. (aluna E. (aluna E. 03 anos) Sim de história da serpente. Quando ela canta atirei o pau no gato. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. (aluno H. (aluno A. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. só de cavalinho. (aluna J. Sim. Roda. 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca.1997.85 Com meus pais de carrinho. 03 anos) Esconde-esconde. (aluno H.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. 03 anos) Não respondeu. 02 anos e 10 meses).62).03 anos). Roda-roda. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. (aluna F. 03 anos) Não respondeu. 03 anos). (aluno G. 03 anos). Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A. (aluna F. Não respondeu. Com a mamãe e o papai de ursinho. (aluno I. 03 anos) Sim de roda (aluno J.03 anos) Sim de trenzinho. (aluna C.03 anos).

brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. . Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. se for livre deve ser apenas observada. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar. físico. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar. bem como dos jogos.86 5. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores.

Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. De acordo com as observações realizadas. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes.87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. . a instituição conta com variado material lúdico.

SP: Alínea. S. São Paulo. Jogo. 1997. A epistemologia genética. adaptada por Gisele Wajstop. São Paulo: Cortez. Philippe. GALVÃO. L.88 6. 3ª ed. 1ª ed. inhttps://www. POSTMAM. K. 1981. A creche em busca de identidade. KISHIMOTO. CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. (org). 1998. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. Rio de Janeiro:Vozes. Brincadeira e Educação. I. 2002.gov. São Paulo. V. Rio de Janeiro: LTC. n° 9394/96. MUKHINA. 2002. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais.gov. de 20 dez 1996.Lúcia. Acesso em: 01 de junho de 2007. 2001. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. 1988. São Paulo: Scipione.1971.Referências bibliográficas ARANHA. OLIVEIRA. Lei 8. S. BROUGÈRE. de 13 de julho de 1990. Acesso em 01 de novembro de 2007. 5ªed. KRAMER.mj. in http:///www. Campinas. Rio de Janeiro: Graphia. SP: Martins Fontes. São Paulo: Edições Loyola. G. 2002. M. Significado e função do brinquedo na criança. 1995. 2ªed. J. N. BRASIL. 10ª ed. SP: Cortez.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. M. PFREONM NETO. 4ª ed. 4ª ed.br/sedh/dca/eca. T.planalto. Brinquedo. 2ª ed.htm. Psicologia da idade pré-escolar. Rio de Janeiro: Vozes. 1995.1999 . Porto Alegre.html. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Brinquedo e Cultura. LEBOVICI. M. História social da criança e da família. 2002.O desaparecimento da infância . 2 a ed. São Paulo: Loyola. ARIÈS. PIAGET. HADDAD. São Paulo: Cortez. S. Desenvolvimento infantil na creche. BRASIL.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao.069. 5ª ed.

L. WAJSKOP.ed. 2001. . VYGOTSKY. VYGOTSKY. S. Metodologia da pesquisa-ação. Brincar na pré-escola. 1987. 2ª. São Paulo: Cortez. SP: Cortez Editora.89 THIOLLENT. L. São Paulo: Martins Fontes. M. (Coleção Psicologia e Pedagogia). 1988. São Paulo. ed. Pensamento e linguagem. G. S. São Paulo: Martins Fontes. 5ª. 2004. A Formação Social da Mente.

90 Anexos .

Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. 06 . ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a).Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim. Desde já agradeço a colaboração. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. 05. Todas ( ) Algumas . ( ) Não. pois trabalho. Aline Fernandes Guimarães 01. Atenciosamente. ( ) Não. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha.Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim.91 I-Questionário dos pais Bauru. 07. fevereiro de 2008 Senhores pais. blocos lógicos. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana.Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03.

( ) Não.Quando compra um brinquedo. 11.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”.92 ( ) Nenhuma 09. ( ) Às vezes. 10. ( ) Não. 12. ( ) Não. ( ) Não. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. . Porque ajuda no desenvolvimento da criança.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a). ( ) Às vezes.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim.

Para tanto conto com sua colaboração. Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam. Prezado Senhor (a). Atenciosamente. desde já agradeço. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? .Questionário dos professores Bauru. fevereiro de 2008.93 II.

BAURU 2008- .94 III.Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .

aprende a tomar decisões. manipula valores (o bem e o mal). se diverte enquanto aprende. deitar. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. o raciocínio. materiais como brinquedos. Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária.brincar e se divertir. onde tem brincadeira existe recreação. Segundo (Vygotsky.1997. socializadores . 1. (BROUGÉRE. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). em suma. a criatividade. brinca com o medo e o monstruoso. ao invés de numa esfera visual externa.p. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. . reproduz valores culturais. exprime emoções e sensações.1988. coopera. fantasia. pois através da brincadeira a criança imita o adulto.sentir prazer ou satisfação. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. A principal atividade da criança é brincar (recrear). desenvolve a atenção. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. espaço.P.109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. por exemplo.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. distrair-se. dos quais pode-se destacar alegrar. reinventa a realidade. tanto no aspecto lúdico. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. fantasias) com conteúdos sociais.70) Para brincar a criança necessita de tempo. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva.desenfardar-se.

Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. A teoria froebeliana. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. 1983). etc. cognitivo e social). Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. dons e atividades.96 dependendo das motivações e tendências internas. um suporte para o ensino. os movimentos das mãos. sendo ela ainda pré-lógica. pois ele é o início de tudo. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo. etc. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. 1980). A recreação faz parte da história do homem. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. coordenar esquemas. coordenar visão e preensão. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. comprimento). é intuitivo e. O período sensório-motor é fundamental na recreação. Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. no plano tridimensional (largura. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET.1996). no período pré-operatório. (Kishimoto. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. ou seja. O pensamento da criança. Com a sucção. a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos.. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. dos olhos. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação.

ritmo e equilíbrio. pegador corrente) . * Desenvolver noções espaciais e temporais. criatividade.97 imitação diferida.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança.Atividades de corrida (pega-pega. o pensamento e a ação. 2. autonomia. * Desenvolver a identidade. criativas e que nos traga prazer. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”. auto-estima e cooperação. e a fala. 3. * Desenvolver a cognição e imitação. é a partir da fala que a representação se acentua. a coordenação motora fina. ajuda-ajuda.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. diminuindo as tensões e preocupações. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. * Explorar a linguagem. * Explorar os movimentos corporais. independência. * Desenvolver a coordenação motora ampla. 3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. que é a mais importante manifestação da função simbólica. 4-CONTEÚDOS . quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. atenção e concentração. * Estimular a interação com pessoas e objetos.1. duro ou mole. vivo ou morto. * Desenvolver a ludicidade. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas.

dança. 1. etc. 1988. S.Giles. etc. jacaré. cantigas de roda ( atirei o pau no gato.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos. São Paulo: Ícone. representar histórias. 2004.. etc.).1997 Cavallari.Brinquedos (carrinho e boneca) .(Org). 2ª ed. n.AVALIAÇÃO . 2001. 4. .ed.Bastão .(org). etc. Recreação em Ação: Recreação na educação infantil.Danças.Cordas .).2006.29-42. Educere. pessoas. salto.sociais e estrutura. M. 5. sucata. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais. São Paulo: Cortez.Umuarama. KISHIMOTO.).Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança. fazer rolamentos.etc) . de duas mãos.Atividades de arremesso. B. criar personagens.Atividades com salto (uso somente de um pé.98 . arremesso com saltos. C. . Brincadeira e Educação. -Atividades com objetos diversos (bolas. VYGOTSKY. cordas. bastões.Bolas . Jogo. 7-REFERENCIA BROUGÈRE. A Formação Social da Mente.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. 2ª. arcos. etc. São Paulo: Cortez. v. Vania.Maria. carteiras. arremesso com corridas. . R.Rádio e CD’s 6. p. uso dos dois pés de forma alternada.).ed. 5-RECURSOS . A. Brinquedo.Atividades de imitação (imitar animais. Brinquedo e Cultura. mesas. uso dos dois pés juntos. criar novas situações. . adaptada por Gisele Wajstop. COSTA.Bambolês . C. L. RIZZI. corrida. São Paulo: Martins Fontes. . . T.

99 IV.Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências . BAURU 2008 .

que era desconhecida antes da Idade Média. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. Aline Fernandes Guimarães. A partir desse momento. falavam . Segundo Áries. sendo então designada como uma fase “irracional”. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. esconde-esconde. como raciocínio. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. brincadeiras e festas.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. tanto na forma como eram vestidas. a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. em tamanho reduzido. jogos. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. com músculos e traços semelhantes. 1981). documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. Entretanto. Portanto. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. por ser uma fase passageira. poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância). 1. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. por exemplo: pega-pega. Pelo menos não existiam relatos. quanto na participação de conversas. atitudes e ações.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. Segundo sua pesquisa. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. geralmente em reuniões e datas comemorativas. Por volta do século XIII. Em sua obra História Social da Criança e da Família.

Uma educação informal. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. Porém. e as taxas de mortalidade eram elevadas. . 1981). que direciona seus relatos de modo generalizante. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. a criança exercia na família um papel utilitário. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. a partir do século XVII. que consentia a ida de seu filho a escola. mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. Foi instituída então. Por não existir um sentimento por parte da família. que a criança saiu de seu antigo anonimato. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. a prática do abandono era comum. Porém. era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. 1981. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. as brincadeiras nas praças. nas reuniões coletivas. portanto. p. Através de diversos documentos históricos. As camadas populares. Era necessário para essa função uma criança saudável. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. que defendiam a separação entre adultos e crianças. (ARIÈS. Entretanto. em contraposição sobre algumas idéias.12). o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. através das conversas com os adultos. visão construída pelas camadas dominantes. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. Diante da elaboração da instituição escolar. por sua vez. Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. a escola (ARIÈS. Dentro deste contexto. a saúde. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. 2001). com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès.101 vulgaridades na presença das crianças. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. a higienização.

p.394 (1996).31). Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. (KUHLMANN. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas.29). já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. De início. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. Lei nº 9. ou na década de 1970. 211). Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos. para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988.7).102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. básico. essa educação não era assegurada pela legislação. sem objetivo de promoção (art. a escola. de 1996. material. a lei se limita a indicar sua finalidade (art. p. configura uma situação privilegiada. no caso brasileiro. para crianças de quatro a seis anos (art. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade. propiciando uma formação de qualidade para a criança. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. 2004. que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. artigos 29 a 31).30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil. p. (SAVIANI. a sua organização em creches. Para Saviani (2005. “neste sentido. Entretanto.14) a educação não se reduz ao ensino. 2001.

substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. p. ingressando precocemente em instituições educacionais. . ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. juntas. p.103 interior da prática social global”.9). atualmente. a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. sociais. trabalhando desde cedo. Sendo assim. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. A educação infantil possui características próprias. brincando em espaços reduzidos. influenciada pelas culturas midiáticas. A escola. Entretanto. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. Desta forma. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. e nem no preparo para o processo de alfabetização. Criar condições. Segundo o autor. repleto de transformações econômicas. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. políticas. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. O objetivo da educação infantil. 2002. 65). é a instituição responsável pela formação da infância. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. Uma infância em um mundo urbano. portanto. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. pois. (BHERING e NEZ. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. o envolvimento de pais na escola/creche é. como também em uma outra perspectiva. 2002. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. A família desempenha um papel fundamental. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto.

por estar relacionada à construção da identidade. (QUINTEIRO. da construção cognitiva e crítica. Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. um cabo de vassoura pode virar um foguete. “(.1997.70) Para brincar a criança necessita de tempo. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. se diverte enquanto aprende. Segundo Wajskop (2001). exprime emoções e sensações. materiais como brinquedos. por exemplo. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. da formação social. é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. por exemplo. reproduz valores culturais. manipula valores (o bem e o mal).104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. (BROUGÉRE. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação.) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. como creches e pré-escolas. espaço. a criatividade. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização. 2003. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. de fantasia.. Anteriormente. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. tanto no aspecto lúdico. areia com água vira comidinha de boneca. reinventa a realidade. p. aprende a tomar decisões. o raciocínio. coopera.P. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. de amadurecimento”. fantasia. da autonomia.. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. jogo e brinquedo. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. brinca com o medo e o monstruoso. na . porém com novos significados. Todavia. 12). socializadores . em suma. de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. desenvolve a atenção. fantasias) com conteúdos sociais.

Segundo Vygotsky(1988). A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras.25). Para a autora Wajskop. Ainda na teoria de Vygotsky. a criança se relaciona com o significado em questão.. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente. etc.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos. (WAJSKOP. ao mergulhar na ação lúdica. as pesquisadoras perceberam a desvalorização. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. podendo necessitar de materiais específicos como quadras.Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. trilha ou dominó.( KISHIMOTO. é o lúdico em ação ” e o jogo. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. 1997). a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. como xadrez. (Oliveira. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não. a menina vira mãe e o menino vira pai. isto é. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. tabuleiros.21). Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto.p. 1999. p. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. ao brincar com a bola de papel amassado. por exemplo. . 2.2001. Kishimoto(2001)..

Objetivos 3.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil.1. . estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. 3.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras. Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância.Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru.2. por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. seja ela em período integral ou não. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação.Objetivos Específicos . .Objetivo Geral . Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. 4. afetivo e físico das crianças. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. . é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. 3.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares. Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura. socialização.

Avaliação . giz de cera.Materiais pedagógicos ( sulfite. pasta. tesoura. busca nas bases de dados. periódicos. Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Brinquedos populares . vídeos.Fotos 6. CD Room.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7. cola.Sucatas . tinta.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. etc) .107 5.Recursos Materiais .Brinquedos pedagógicos .

BROUGÈRE. LEBOVICI. VYGOTSKY. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Porto Alegre. J. T.: Teor. Campinas.Referencias ARIÈS.18. 9. Jogo. SP: Autores Associados. L. RJ:Guanabara-Koogan. E. SAVIANI. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil. São Paulo: Scipione.ed. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. Dermeval. Escola e democracia.63-73. São Paulo: Cortez.S. Moysés. M. V. 2005.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico.108 Será realizada durante todo processo. e DE NEZ. SAVIANI. 4ª ed. Mediação. 2001. 5. G. São Paulo: Martins Fontes. Abr 2002. OLIVEIRA. Psic. 2ª ed. 1988. QUINTEIRO. A Formação Social da Mente. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. e Pesq.ed. adaptada por Gisele Wajstop. 2ª. João Luiz.27. In: Educação e Pesquisa. p. História Social da criança e da família. K.1997 FURLAN. 2000. p. Caderno UEM.ed. Marta Regina e GASPARIN.Giles. Brinquedo. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica . M. Brincadeira e Educação. 8-22. São Paulo: Cortez. 1997. 2001. Maringá. Significado e função do brinquedo na criança . Caderno UEM.1988. p. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. no. . 1. 2001. Dermeval. São Paulo: Cortez. KUHLMANN Junior. 2002.n 2. S. WAJSKOP.. vol. B. Campinas. Philippe. 1981 BHERING. 33ª ed. Brincar na pré-escola. 9ª ed. 6-14 KISHIMOTO. T.2001. SP: Autores Associados.(org). . Brinquedo e Cultura. Porto Alegre. Maringá. 2002. A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. 5.

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