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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. . amor. E aos meus queridos e amados alunos.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. companheirismo. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos. paciência.

Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. . À minha querida chefe Mariane. À minha irmã Ariane. Obrigada pelo incentivo e torcida. Companheira e amiga. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais.5 AGRADECIMENTOS A Deus. pela paciência e confiança a mim dedicados. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. carinho e amor dedicados a mim. pelos ensinamentos. Dirce e Anísio. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. Obrigada por todos os ensinamentos. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. Pelos ensinamentos baseados em experiência. Aos meus avós. À toda a minha família. À minha mãe Nilsa. Aos meus queridos alunos. Por todas as brigas e reconciliações. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. ao meu pai Walmir pelo amor. pelos sorrisos. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. carinho e dedicação incondicionais. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”.

6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora. . À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp.

sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. ou seja. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. alunos e educadores. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. das 06h30min às 17h30min. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. . legais e científicas do brincar na educação infantil. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. criança e lúdico. Palavras-chave: Educação infantil. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral.

because to play is also to learn. The work was developed based on the researcher activities in child education. The research universe covers two groups of children from the elementary school. Key-Words: child education. from 06h30am to 5h30pm. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. setting focus on the children as the active member of their development process.8 Abstract This work intend to analyse the historical. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents. The source of the research are the historical records. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. as well as the role of playing. . The research was realized in an institution for child education with full period operation. toy and playful. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education. toys and jokes in the current child education daily activities. the current legislation and the main concepts of child education. Every child from each group participated. students and educators. child. that is. The methodology used was the research-action.

Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .1 Infância e Educação Infantil 15 1.Referencias 88 7.3.1 Procedimentos 41 3.2 Brincar.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.2.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2. brinquedo e brincadeira 26 2.1.3.3 Concepção de creche 23 Cap.2 Henri Wallon 35 2.2 Avaliação 77 5.2.Questionário dos professores 93 .4 Análise de dados 55 4.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.3. Vygotsky 36 Cap.1 Intervenção 68 4.3 Lev S.3 Desenvolvimento 39 3.1 Jean Piaget 34 2.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.Considerações Finais 86 6.2 Teorias do desenvolvimento 34 2.3.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

inciso IV. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição.13 Nossa Constituição (BRASIL. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. Em 1989. em creches e pré-escolas. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. baseada no princípio do direito universal à educação para todos.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . . trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil. já previstos na Constituição de 1988. como primeira etapa da educação básica. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento.

Os objetivos específicos da pesquisa foram: . Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas.Definir brinquedo e brincadeira. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras.14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças. Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. Este trabalho será apresentado em capítulos. . afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. O desenvolvimento da criança.Identificar as características cognitivas. bem como a estrutura física e organizacional da escola. Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho. a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. brinquedo e brincadeira. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal.Infância e educação infantil. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos. sendo eles: Introdução . Brincar. Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. .

15 1. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. que constrói sua história no decorrer dos anos. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. a criança era menos que o adulto. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. por isso era representada como adulto em miniatura. .Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. A conceituação de infância que conhecemos é recente. Recorrendo-se ao seu significado literal.

historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. .p. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. A nova visão de infância possui outras características. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. Ela aparece com a sociedade capitalista. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. novos interesses e necessidades que não existiam antes. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. de fato. conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. o consumismo e a globalização. É notável. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente. infância e família existiram da mesma forma. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. o capitalismo.1981.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

a pesquisadora Kramer(2003). Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. 2003. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. associações de damas beneficentes etc. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. . de maneira geral. devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância.50). Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos.2 . principalmente a pobre (KRAMMER. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. Mas. escolar e higiênico. No 3° período. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930. faltava. Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças.).Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. p. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. até 1930. porém muitos projetos não saíram do papel.20 1.

divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. criar creches.e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. p. como adulto em potencial. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930. em 1909. como também na sua política. (idem.em estreita relação com o cenário internacional .52). dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação. jardins de infância. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. maternidades e da realização de encontros e publicações. sem vida social. CNAE em 1955. Este departamento possuía diferentes tarefas. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. (idem. no Rio de Janeiro. OMEP em 1969 e COEPRE em 1975. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972. atribuídos a “concepção abstrata da infância”. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. . A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . SAM – 1941 e FUNABEM. porém foi mantido por doações. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. promover congressos. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940. p. Em 1908. UNICEF em 1946. maternidade e jardins de infância. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas.56).

. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. emocional e social das crianças atendidas. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo. Nota-se que a educação era fragmentada. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. p.107). A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70. sendo que sua prática foi muito desigual. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau. a política de assistência social não atingiu a todos.22 Mesmo com esforços empreendidos. jardins de infância e instituições equivalentes. A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. culturais e nutricionais. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras.

a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. a insuficiência de docentes qualificados. fortes e nutridas. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil. . municipal e beneficente. Com a Constituição de(BRASIL. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado.3 .23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. 1. os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória.

2002. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. (ARANHA.28) Pela primeira vez na história do país. pedagogos. instáveis. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. com atuação de forma compensatória. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. quase sempre parcialmente constituídas. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. moral e social das famílias.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. redistribuição do espaço. 2002. mal-assentadas. Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. suprindo a carência econômica. Normalmente essas famílias têm carências sociais. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. recreacionistas. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros. como professores. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. pois é rodeada por assistencialismo. medidas de reorganização como jogos educativos. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar.p. psicólogos. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. p.

deve fazer parte do processo educativo das crianças. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. . em seus aspectos físico. Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. psicológico. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. intelectual e social. completando a ação da família e da comunidade. expresso pelo artigo 29: A educação infantil. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. Conforme visto na referida lei.1998. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar. tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. as relações entre classes sociais. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. primeira etapa da educação básica. Envolve. p. principalmente.17).

reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. Em comparação ao brincar da criança.26 2. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. brinquedo e brincadeira. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. a criança assimila o mundo a sua maneira. Mesmo que o trabalho dê alegria. Brincar vem antes do jogo que supõe regras. entra no mundo do adulto. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento. Piaget (apud Kishimoto. mas não o fazem por simples prazer. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. livre e prazerosa. É uma atividade lúdica. folgar e foliar.Brincar. sem compromisso com a realidade.2002).1 . A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. entreter-se. assim como faz o adulto. discorre sobre o brincar: quando brinca. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. . pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação.

apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. p. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis.117). A ação na esfera imaginativa. numa situação imaginária. Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é. A criança desenvolve-se. a criança é vista como ser que imita e brinca. 2002.. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas .” (KISNHIMOTO. p. 1988. que se constitui. seja pela criação .28). Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos. essencialmente. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. interpreta situações e incorpora e altera significados. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar. no mais alto nível do desenvolvimento infantil. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais. pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas. assim. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[. Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação. embora transitórias.] a especificidade .27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança.. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento.tudo aparece no brinquedo. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY. escolares ou esforços físicos. No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE.

p.. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. (apud Kishimoto. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. No caso da criança. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira. p.. (KISHIMOTO.] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e.]”. em conseqüência método natural de educação [. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização.. no primeiro o jogo expressa valores sociais.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia. O autor destaca “[.31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil.28 infantil. 2002.. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos. integra predominantemente elementos da realidade. (aput KISHIMOTO. p.2002.19) . a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie. criador do objeto lúdico.]”. Jogo. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil. 2002. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto... com influência da biologia e do romantismo.

2001. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil. pode ser um objeto namufaturado. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão.31). APUD WAJSKOP. Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira. um programa pedagógico preciso. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira. p. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira.2001.25). Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira. Tudo. com o espaço e com a cultura na qual está inserida.. “Dessa forma.62). p.] é o lugar da socialização. com seus pais. de seus pais. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem.29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. na idade escolar com seus familiares. um objeto adaptado. 2001. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata.. 2001. da apropriação da cultura. do exercício da decisão e da invenção. ela produz também a incertitude quanto aos resultados. efêmera. seja a uma representação social. da administração da relação com outro. Não se pode organizar. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. . Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop.p. No primeiro caso. amiguinhos. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. a partir da brincadeira. professores. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. Este paradoxo da brincadeira. pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças.p. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais.31): [.

Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura.. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. tamanho e forma. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. as brincadeiras tradicionais. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. As crianças brincam de educação ou escolinha. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente.. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. típica do lúdico”. de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. por contar com a motivação interna. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está . [. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. mas também tenta resolver problemas do passado. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. representam as relações familiares como papai e mamãe.

69). são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe. p.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. 2002. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião. A origem de tais brincadeiras é desconhecida. Nesses jogos as crianças constroem. da situação imaginária”. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. 2002. transformam e destroem expressando seu imaginário. das parlendas ou das formulas de seleção. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. p. permanecendo na memória infantil. a fim de enriquecer a experiência sensorial. (KISHIMOTO. . “Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade.

3. a atividade objetal e a aquisição da linguagem. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto. “Na primeira infância. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função. (idem. . O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança.103).43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança.124). ou seja. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas.p.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância. Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos. p.32 2. Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas. 1996. O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo. Neste sentido MUKHINA(1996. passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.p. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA.1. que antes serviam apenas para manipulação. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto.

assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. MUKHINA(1996. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem. A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta.199). .33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. Também pode controlar a sua atividade intelectual. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. por volta dos 6 anos. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. seu pensamento e sua memória. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. ou seja. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. p. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução. um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. especialmente com as da sua idade. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade.

Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor. com efeito. além de centenas de artigos em revistas. p.3. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. na interação com o objeto. são eles: Jean Piaget. . Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos.34 2. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade. Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos. Henri Wallon e Lev S.. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança.. Graças à conquista da percepção e dos movimentos.1. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve.13). senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”.3. 1971. formando uma noção do eu.] não se pode.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses. 2. Vygtsky. Para ele “[. (PIAGET. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. assinalando cada passo de suas vidas.

como um contexto privilegiado para o estudo da criança. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas.2. Via a escola. Assim como Piaget. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. ou seja. os esquemas simbólicos. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real. Wallon focalizou os domínios afetivo. transmissões e interações sociais.3. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. 2. Período das Operações Concretas (7-11. Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. ao construir . seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. mas também questões para investigação. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia. por sua vez. A psicologia. Assim.2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget.

alternando afetiva e cognitivamente.3. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual. passando a manipular objetos e explorar espaços. deixou um enorme volume de produção acadêmica. . p.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra.3 Lev S. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo. Estágio adolescência : Necessidade de nova definição da personalidade. Há um predomínio das relações com o meio. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si.2. Esta fase há uma retomada de questões morais. acontece por meio dos interações sociais.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev. desregulada devido à ação dos hormônios. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. (GALVÃO. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. 2002. 2. existências e pessoais. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. apesar de sua morte prematura aos 37 anos.

(OLIVEIRA. 1997. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. 1997.37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. Os signos agem como instrumentos da atividade humana.26). ou seja. p. Ou seja. que nasce inserido em um ambiente social que é a família. Para ele a criança é um ser social.26). a interação com o meio social. p. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”.34). . Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. ou seja. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos. p. como diz VYGOTSKY (1987). Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos. (idem.

a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”. dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. uma interação social. ou seja. 1997. ou seja. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento.63) . O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. aquilo que ela consegue fazer sozinha. p.38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento. (OLIVEIRA.

pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas. Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004).Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. A pesquisa-ação é flexível.14). Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. vem ao encontro com as necessidades da pesquisa. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. . onde o resultado experimentado deve ser comprovado. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação. Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004). A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. p.39 3 . portanto uma preocupação social. (THIOLLENT. 2004. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB). através de pesquisas bibliográficas.

Nesta etapa.p.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. de acordo com o autor o pesquisador deve: [. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. p. Paralelamente a esses primeiros contatos. Para Thiollent (2004.. Segundo Thiollent (2004. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico.48).]identificar as expectativas. Segundo Thiollent (2004. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT. p. Intervenção e Avaliação. desejados ou não”. Desta maneira. para fazer . O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa. Após o levantamento de informações. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa.2004. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada. Assim. considerando os problemas prioritários..

entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. As observações realizadas. A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru. sendo uma efetiva e duas estagiarias. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas.1 . elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista. . intervenção e avaliação.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica.

Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. comércio central. filhos de pessoas que trabalham na região central. costureiro. Berçário II de 1 ano a 2 anos. supermercado e posto de gasolina. situada na zona urbana da cidade. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. estacionamentos. Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. profissão e estado civil dos pais. No ano de 2008.42 3. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade. algumas aparentemente bem conservadas.2 . Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. possui vizinhança em geral bem movimentada. escolaridade. época da pesquisa. Escolaridade dos Pais . alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano. casas residenciais. escritórios de contabilidade. a instituição atendia cerca de 130 alunos. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. A maioria das casas são construções antigas.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. escritórios de advocacia.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 assistente social. 3 professoras. 7 auxiliares de creche.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica. . 1 cozinheira e 5 estagiárias. 1 auxiliar administrativo.

ou seja. Quadro 2.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 .Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos. A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada. Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos. Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. Quadro 1 . em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas.46 Durante o ano da pesquisa.

os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. São desenvolvidos projetos. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde. de fevereiro a março de 2008.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? . Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças. dinâmicas e outros. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes.A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? . tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas. Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade.47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica. 3.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. sabem que todos os seus atos servem de modelo. são discutidos textos. do município de Bauru. das 06h30min as 17h30 min.3. ou seja. Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. entre as turmas do maternal II e pré. O roteiro de observação possuía as seguintes questões: . cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos.

Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila.Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? . Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. .48 .Como a criança brinca? . lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora. as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos.A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. Nesse tempo em que aguardam as professoras. Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas. Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado. Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório. uma turma espera a outra sair para poder sair também.De que ela brinca? . Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora. logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. sem fazer movimentos bruscos. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila. a brincadeira e o papel do educador. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos.

brincadeiras como patinho-feio. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. Desta maneira podemos . geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. tais como. parque. entre outras. hora da história. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. pintura. canto de música. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. sendo dirigidas pelas educadoras. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. massinha. passa-anel. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. jogos de encaixe. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo.

Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças. estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. Nas atividades lúdicas dirigidas. Procuravam variar e diversificar as atividades. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. imaginação e fantasia infantil. tais como. Durante a atividade “hora do conto”. foi feitos teatros em palitos.50 observar que o lúdico. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. além do uso dos fantoches. tais como patinho-feio e passa-anel. motricidade. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. oralidade e criatividade. giz e guache. no caso as músicas. a brinquedoteca . tais como. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. como por exemplo.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . desenho e pintura como materiais diversos. dentre as quais se destacam: socialização. atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis.

cadernos. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. carrinhos. massinha de modelar. pazinhas. Durante as atividades livres. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. telefone. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. giz de cera. baldinhos. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. jogo de boliche. panelinhas entre outros. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. por exemplo. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. por exemplo. tintas. não bater nos amigos. piscina de bolinha. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. depois disso elas vão dormir na sala do pré. ou seja.51 períodos de tempo. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. como por exemplo: jogos de encaixe. não jogar brinquedo pra fora do parque. bonecas. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. ursos de pelúcia. bolas. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. .

jogo da memória. piscina de bolinha. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. amarelinha. desenhos. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia. etc. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. assim como as educadoras do maternal II . canto de músicas. observavam as crianças. as educadoras do pré. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. assimilada pelas crianças desde cedo. bola. quebra-cabeça. brincadeiras com aviões de papel. . parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. Durante as atividades livres como parque. como por exemplo. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. por exemplo. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. jogos de encaixe.

não criticando e nem julgando suas regras e decisões. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . quebra-cabeça. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. giz de cera e giz de lousa. ou seja. pincéis. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. enquanto observavam as gravuras. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. jogo da memória. carrinhos. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. diversos tipos de papel. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. massa de modelar. pazinhas. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. guache. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. jogos de encaixe. boliche. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas.53 O parque. ursos de pelúcia. baldinhos. das 06h30min às 17h30min. ou seja.

Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. Sintetizando as observações realizadas em campo. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. ou seja. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. bem como na brincadeira na . já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. escolinha entre outras. tais como casinha. se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos. jogo da memória e quebra-cabeça. Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. ficando o período da tarde para a recreação. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. conclui-se que nas duas turmas observadas. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. médico. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa.

de forma criativa. ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. (WAJSKOP.esconde. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega. Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. 2001. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças.1 . Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação.04 morto carrinho 03 . sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré.112) 4. esconde. p. vivo. Estará. ainda. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. criando os espaços. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo. Agindo desta maneira.55 educação infantil. social e partilhada.

56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.mamãe.chapeuzinho vermelho.bloco lógico.

Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança.

Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.

com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4. Questão 01 : Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 . Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança.59 Questão 10:Quando compra um brinquedo.

chapeuzinho vermelho.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego.esconde.mamãe. esconde. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.bloco 07 08 . vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.

pois trabalha.61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04 : Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar. Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 .

Todas Algumas Ocorrência 05 07 .62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06 : Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.

Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo.63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 .

Questionados sobre o conhecimento . No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. pela oralidade” (KISHIMOTO. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. p. 2002. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. expressando-se. de representação de papéis ou sociodramática. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos.64 Ao analisar os resultados do questionário. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial. p.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências.40) com dez ocorrências. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. p. sobretudo. também conhecida como simbólica. filiada ao folclore.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré. incorpora a mentalidade popular.

Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. integração. (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. para o lazer e geralmente associada a criança. a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. ao brincar. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. através de questionário estruturado. toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. desenvolve situações. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. Uma forma de estimulo a imaginação.65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. (educadora I do pré) . Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . também suas capacidades psicológicas. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. socialização e aprendizagem. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar. A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. Na pedagogia. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. É o intermediário entre a criança e o brincar. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. (educadora I do pré).

ou seja. pelúcias. massinha. participo das brincadeiras. não só com o estimulo do brinquedo. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. casinha. A criança segue regras do jogo. livre. Também brincam no parque. (educadora II do pré) . remete a “regras”. brincam com jogos. etc). Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. um sistema de regras. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um. espontânea. mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). um objeto. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. da forma apresentada e questionada. mas também dos colegas ou do professor. por exemplo. panelinhas. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos. astronauta.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. (educadora I do pré). às vezes deixo as crianças brincarem livremente. Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. (eles identificam as cores nos brinquedos). o imaginar. colher e pá. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. chapéus (baldinho na cabeça) etc. a induz ao raciocínio. (educadora do maternal II). boneca. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. O lego também é bastante utilizado. enfim. (educadora II do pré). no meu entendimento. o sentir. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. eles pode criar coisas como o bolo(com terra). Mas. (educadora I do pré) Jogo. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). a situação criada pela criança. através dos baldinhos. carrinhos.que pra mim. como cores e números. um jogo tem sempre suas regras. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. Sim. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. é a fantasia. Ex: escolhinha.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). etc. para o raciocínio. com a rotina corrida da instituição. (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. ou principalmente.

é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. Imitam os pais. (educadora II do pré). os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. (educadora I do pré) . corre-lenço). As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. (educadora do maternal II) Sim. acriança traz seu brinquedo de casa). dando dicas sobre a realidade. o material lúdico não é suficiente. Em alguns casos sim. já que a brincadeira é um ato livre. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. outros não. “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. pular corda. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. a professora. as crianças imitam cenas de sua realidade. Mas sempre que possível é dada a importância a tais. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato.(educadora do maternal II) Sim. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. percebemos a sua realidade. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição. os colegas. ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. como por exemplo. jogos de interação (patinho-feio. de conservar o brinquedo ou jogo. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. a criança ao brincar. e ele é suficiente. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. (educadora I do pré) Sim.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não.

esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas. De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite.68 Quase todas. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. Assim como a educadora I do pré. na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. 4.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa.

que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. afetivo e físico das crianças. socialização. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. Como solução para o problema. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. ocasionando brigas entre os alunos. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”.

Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . chega em casa e abre a porta. montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. toma banho. as crianças brincaram na amarelinha. Depois. escova os dentes.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. toma sol. corra da chuva.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha.Desenvolver a coordenação motora . entra no carro e vai para a escola. janta. passa pelo redemoinho. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré.Interagir com os colegas . porém mobilizou as outras crianças da creche.Respeitar as regras do jogo . Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . juntamente com a sala. O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. assiste televisão e lê um livro. rega as plantas .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . dorme. acorda. Então. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história.

isopor. lantejoula. Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente. cola relevo.Desenvolver a coordenação motora . cola quente. os ajudamos na confecção. cola gliter. durex. Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche. barbante. crepom. Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches.V.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. Recursos: E.A. lã .Desenvolver a coordenação motora .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . o Lobisomem e o Saci Perere. ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos. Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: . Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante.Explorar a criatividade . Recursos: Garrafas pet. cola relevo. Os auxiliamos durante o processo. tais como: a Kuka. Avaliação: Participação e registro.71 .

durex colorido.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar. Recursos: Bolinha de gude. Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a coordenação motora . Recursos: Peão . Recursos: Sufite. que seus pais e avós brincavam. ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: .72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento.Conhecer uma brincadeira antiga . Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento. crepom.Desenvolver a coordenação motora . Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos.Interagir com os colegas . barbante. ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo. Avaliação: Participação e registro. explicando que o peão é um brinquedo antigo.Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude.

CD . os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo). ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:. Recursos: . Depois. dançamos e convidamos uma criança por vez.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro. que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . O primeiro da fila foi a cabeça. Recursos: Apito .Interagir com os colegas . Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: . sem se soltar dos demais colegas.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho. formando o rabo da serpente.Desenvolver a coordenação motora .73 Avaliação: Portfólio e registro.Rádio Avaliação: Portfólio e registro. que quando apitamos.

Avaliação: Participação e registro. durex. Recursos: Bexiga. areia. guache. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música.Explorar a criatividade Metodologia : Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse. .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . pena. ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:.74 Avaliação: Participação e registro. O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira.Música .Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas.Cadeiras Avaliação: Participação e registro. eles andaram em volta da cadeira. de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos.CD .Desenvolver a atenção .Desenvolver a coordenação motora . ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:. Recursos:. Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram.

Desenvolver a coordenação motora .Interagir com o grupo . que devia miar.75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. óleo. Avaliação: Participação e registro. relógios. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: .Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira. Recursos: Venda para os olhos. pulseiras e fizeram bolinhas.Desenvolver a atenção .Desenvolver a atenção . guache. onde um aluno foi escolhido para ser o gato. ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:. Avaliação: Participação e registro.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem. O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou. água. Recursos: Farinha. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas. sal.

assim como canções pesquisadas pelo grupo. Rádio.Desenvolver a coordenação motora .Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda.Rádio . aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal. CD. ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina : Artes/ Português / Educação Física Objetivos: . Com o retorno da pesquisa.CD Avaliação: Participação e registro. .Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches.Conhecer cantigas populares .76 Metodologia : Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel. ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: . Recursos: Fantoches.Recrear-se através da música . O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira. Recursos: anel Avaliação: Participação e registro.Conhecer histórias populares . Depois escolhemos outro. que deveria adivinhar com quem o anel estava. Recursos: .

diminuindo as tensões e preocupações. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. . A avaliação foi feita com base . auto-estima e cooperação. atenção e concentração. autonomia. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. . -Desenvolver a coordenação motora ampla.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção.Estimular a interação com pessoas e objetos. criativas e que nos traga prazer.Desenvolver noções espaciais e temporais. OBJETIVOS ESPECÍFICOS . o pensamento e a ação.Desenvolver a identidade. 4. . É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação. . independência. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança.Explorar a imaginação.77 Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a cognição e imitação.Explorar a linguagem.Desenvolver a ludicidade. OBJETIVO GERAL .Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. . . . a coordenação motora fina.Explorar os movimentos corporais. ritmo e equilíbrio. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição. criatividade.

Do roda-vento. (Aluno I. (Aluno E. Do roda-vento e amarelinha. 06 anos) Sim.5 anos) Sim. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). abrir a porta. Roda vento. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira. pisar nas pegadas. Massinha. Do roda-vento.06anos) Sim.06 anos) Sim.06anos) Sim. pular o rio. (Aluna B. (Aluna A. rodar e depois montanha-russa.06 anos) Sim. Do roda-vento.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. quando a gente fez no papel.(Aluno C. No outro tem que dirigir. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem. (Aluna J. porém sabe brincar. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. 06anos) Sim. as crianças. (Aluna L. (Aluno G. De massinha. Daquela lá da amarelinha. 05anos) Sim. 05anos. Eu gostei da amarelinha. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. (Aluna H. Com os alunos do maternal II e do pré. . A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. Pesquisadora: Como se brinca? Roda.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. (Aluna A. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. 06 anos) Sim.(Aluna F. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). (Aluno D.

06 anos) Não. 06anos) Não lembro. (Aluna J. Não estava presente nos dias das atividades. Não lembro. escovar os dentes. . 06anos) . coloca no dedo e fica girando. Não. Não. sobre a amarelinha). (Aluno E. 06 anos) Não. (Aluna J. mas não lembro como faz. 06anos) Não lembro. (Aluno I. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. 06 anos) Não lembro. comer e dormir. (Aluna L. Não. (Aluna B. (Aluno D. Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. . (Aluno E. só do ultimo que é de dormir. sobre o roda-vento). 06 anos). sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio.79 cantar. 06 anos. 06 anos. 06 anos. Brinca rodando. (Aluno G. 05anos) Não. pular o rio. (Aluna H. 06 anos) Não. 06anos) Tem que girar. depois eu não lembro. (Aluna H. (Aluno I. (Aluna F. sobre o roda-vento). montanha-russa. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. (Aluno C. (Aluno G. (Aluno D. 05anos) Você “cata”. 06anos). (Aluno C. (Aluna L. 06anos. pro colega de sala. sobre a massinha). (Aluna A. 06anos. abrir a porta. (Aluna B. 06 anos) Sim. Não lembro. 06 anos) É de girar o “negócio”. (Aluno I. 5 anos) Não lembro. (Aluna F. 06anos).

de urso e de Barbie.. 06 anos).80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. 06 anos) Pais. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. 06anos). 06 anos) Não respondeu. 06 anos). Sozinha. cinema. de comidinha com meu primo. 06 anos) Com a minha mãe. É assim. Com a minha mãe. De pega-pega. 06 anos) Sozinho. (Aluno E. 5 anos) Patinho-feio. A minha vó também. (Aluna H. esconde-esconde. 06 anos) De controle remoto. Boneca. (Aluno E. 06anos). 05anos) Carrinho. 06 anos) Amiga. (Aluno I. (Aluna H. de burica e de vídeo-game. (Aluno J. 06anos). (Aluno J. (Aluno C. 06anos) De massinha. (Aluno G. 06 anos) Na creche de patinho-feio. (Aluno C. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. (Aluno G. Com meu ursinho. (Aluna A. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. (Aluna B. Em casa gosto de brincar de pipa. (Aluno I. 05anos) Com meu amigo. (Aluno D. (Aluna A. (Aluna F. ela brinca comigo. (Aluna B. mais ou menos de barbie. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. Não respondeu. 06anos). boneca. (Aluna F. 06anos) . Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. pega-pega. (Aluno D. (Aluna L.

06anos) . 06 anos) Vídeo-game. (Aluno I. Boneca e bolsa. 06 anos) Videogame. 06 anos).( Aluna L. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. 06 anos) Solto pipa com meu pai. (Aluno J. aquela cozinha que aperta e sai água. (Aluna F. (Aluno C. (Aluna H. depois ela acorda. Meus pais não brincam. ela senta. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. (Aluno G. se a “burica” sair eu tenho que pegar. 06anos).06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas.81 Com a minha irmã. (Aluna L. (Aluna A. 06anos). (Aluno I. (Aluno E. 06anos). (Aluna B. 05anos) Meu pirata. (Aluna F. De mamãe e filhinha. (Aluna L. Minha mãe brinca de futebol. eu amo boneca. Brinco e lutinha. 5 anos) A comidinha e de restaurante. ela trabalha até chegar a noite. (Aluno E. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. 06anos) De escolinha com a minha irmã. Os meus ursos. 06 anos) Brinco com minha amiga. (Aluno J. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. (Aluna A. (Aluna H. meu pai também brinca. 06 anos) De futebol com meu pai. 06 anos) Carrinho. 06 anos). E cozinha. 06 anos) Meu computador. A minha mãe brinca. (Aluno C. (Aluno D. (Aluno G. Deito a boneca. Com vídeo-game mesmo.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. mas só que a mamãe segura “nóis”. 06anos). 06anos) Boneca. Eu brinco no meu quarto. É o boliche.(Aluno D. (Aluna B. Sim. só a minha irmã brinca comigo. essas coisas.

Amarelinha. (Aluno G. Sim. História da serpente. (Aluno E. (aluna C. (Aluna F. 06 anos) Sim de qualquer coisa. 06anos) Sim. amarelinha. 06anos). Roda-vento. 03 anos) Sim. História da serpente. 02 anos e 10 meses) Sim. (Aluna L.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. (aluno D. (aluno E. (aluno H. 03 anos) Sim. Massinha. 03 anos) Sim. (Aluna A. (Aluno J. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. 03 anos) Sim.(Aluno D. (aluna B. . 06 anos). Sim de patinho-feio. de massinha. 03 anos) Sim. Gosto. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (Aluno I. História da serpente. 06 anos). De massinha. 03 anos) . 06anos). (Aluna H. (aluno J.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. 03 anos) Sim. 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. 06 anos). 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. De massinha. 03 anos) Sim de massinha. 05anos) Sim de vôlei. pica-pica-picolé e adoleta. (aluno A. (Aluno C. (aluno F. (aluno I. você tem que dar o recado. (aluno G. 03 anos) Não Sei. (Aluna B. Gosto quando ela brinca de carteira.

Tem que fazer a menininha. 03 anos) Sim pra minha irmã. (aluno A. (aluna B. 03 anos) Sim. (aluna C. Não respondeu (aluno C. 03 anos. pras minhas amigas. (aluno F. ( aluno H. Tem que cantar. 03 anos) Não. 03 anos) Não respondeu. se referindo a história da serpente). (aluno C. Pega-pega. (aluno G. se referindo a amarelinha). 03 anos) Não. se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. 03 anos. Assim. 03 anos) Não respondeu. (aluno G.( aluno J. (aluno A. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. 03 anos) Não respondeu. (aluno E. (aluna B. 03 anos. Não respondeu. De carrinho. 03 anos. Assim (aluno E. 03 anos) Não. pro meu irmão. (aluno A. Tem que pular.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. assim. 03 anos) Não. se referindo a massinha). se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. 03 anos. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança.03 anos) Não. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu. (aluno D. 03 anos). (aluno J. 03 anos). (aluno D. (aluno I. 03 anos.(aluna B. 02 anos e 10 meses) Sim. (aluno I. 03 anos. 03 anos). se referindo a amarelinha). (aluno D. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. (aluno F. . (aluno H. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. 03 anos).

03 anos). 03 anos) Boneca. 03 anos). 03 anos). (aluno F. (aluna B. (aluno J. 03 anos). (aluna C. 03 anos) Boneca. 03 amos) Assim como as crianças do pré. Roda-roda (aluna I. 03 anos). (aluna B. Casinha (aluna G. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. Maquiagem (aluna H. (aluna I. 02 anos e 10 meses). Boneca. 03 anos). Boneca. (aluna I. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. 03 anos) Amiguinhos. Maquiagem.84 Casinha (aluna E. (aluna H. (aluno E. Não respondeu. Com meu irmão. (aluna E. Boneca. Dinossauro e carrinho.03 anos). 03 anos). (aluno D. Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. 03 anos) Sozinha. (aluna G. Casinha (aluna F. (aluno A. (aluna F. 03 anos) Lego. (aluno D. 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. (aluna H. (aluno A.(aluno I. 03 anos). 02 anos e 10 meses). 03 anos) Sozinho. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. 03 anos). 03 anos). Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. (aluno C. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . Sozinha. 03 anos). 03 anos). Casinha (aluna J.

Sim. (aluna C. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A. Não respondeu. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. (aluno H. 03 anos). (aluna D. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. 03 anos) Sim de história da serpente. (aluna E. Quando ela canta atirei o pau no gato.85 Com meus pais de carrinho. 03 anos). Com a mamãe e o papai de ursinho.p. (aluna C. (aluna F. (aluna I.03 anos).03 anos) Sim de trenzinho. 02 anos e 10 meses) Sim. Com a mamãe de pentear a mamãe. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. (aluna B. (aluno G. 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Esconde-esconde. . 03 anos) Sim. (aluno I. 03 anos) Não respondeu. 02 anos e 10 meses).03 anos). (aluna E. 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca. Roda. Com a mamãe de lego e o papai também. 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B.62). (aluno G. (aluno A. (aluno H. 03 anos). 03 anos). 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. (aluna D.1997.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca. Roda-roda. (aluna F. só de cavalinho. 03 anos) Sim de roda (aluno J. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. (aluna J.

Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. físico. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. . As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar.86 5. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar. bem como dos jogos. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. se for livre deve ser apenas observada.

87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes. . a instituição conta com variado material lúdico. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. De acordo com as observações realizadas. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos.

M. K. São Paulo. I. 2002. n° 9394/96. 1995. Rio de Janeiro: Vozes. 2ªed. MUKHINA. HADDAD. SP: Alínea. Acesso em: 01 de junho de 2007. Brincadeira e Educação. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 10ª ed.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao.planalto. Brinquedo. 4ª ed. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais. Philippe. São Paulo: Cortez.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. 2ª ed. 1998. adaptada por Gisele Wajstop. PFREONM NETO. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. (org). 2002. 2002. 5ª ed. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. V. Acesso em 01 de novembro de 2007. Jogo. L. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil.br/sedh/dca/eca. POSTMAM. SP: Cortez.mj. 4ª ed. KISHIMOTO.069. GALVÃO. 2002. Porto Alegre. Significado e função do brinquedo na criança. ARIÈS. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC. Campinas. 1ª ed. 1988. G. São Paulo: Edições Loyola. 1981. M. 2001. LEBOVICI. Brinquedo e Cultura. de 13 de julho de 1990. S. 2 a ed. inhttps://www. M. BROUGÈRE. Rio de Janeiro: Graphia.Referências bibliográficas ARANHA.html. KRAMER.htm. São Paulo. SP: Martins Fontes. de 20 dez 1996. S. Psicologia da idade pré-escolar.gov.Lúcia. J. São Paulo: Loyola. 1997. A creche em busca de identidade. São Paulo: Cortez. S.1999 . PIAGET. OLIVEIRA. in http:///www. BRASIL. N. A epistemologia genética. BRASIL. São Paulo: Scipione.88 6. Rio de Janeiro:Vozes. T.gov. 1995. 5ªed. Desenvolvimento infantil na creche.1971. Lei 8. 3ª ed.O desaparecimento da infância . CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

São Paulo: Martins Fontes. VYGOTSKY. São Paulo: Cortez. Metodologia da pesquisa-ação.89 THIOLLENT. . L. 2001. VYGOTSKY. Pensamento e linguagem. Brincar na pré-escola. WAJSKOP. São Paulo. M. G. S. 2ª. A Formação Social da Mente. 2004. L. 1987. SP: Cortez Editora. S. São Paulo: Martins Fontes.ed. (Coleção Psicologia e Pedagogia). 1988. ed. 5ª.

90 Anexos .

Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. 07. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha. Todas ( ) Algumas .Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim.Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03. Atenciosamente. ( ) Não. blocos lógicos. ( ) Não. Desde já agradeço a colaboração. 05. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a). pois trabalho. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana.Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim.Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada.91 I-Questionário dos pais Bauru. 06 . Aline Fernandes Guimarães 01. fevereiro de 2008 Senhores pais. ( ) De 04 a 06 vezes por semana.

( ) Não. 10. ( ) Não.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim. ( ) Às vezes. . ( ) Não.Quando compra um brinquedo.92 ( ) Nenhuma 09. 12. ( ) Às vezes. ( ) Não. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. Porque ajuda no desenvolvimento da criança.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a). 11.

Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam.93 II. fevereiro de 2008. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Para tanto conto com sua colaboração. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? . desde já agradeço. Atenciosamente.Questionário dos professores Bauru. Prezado Senhor (a).

94 III.BAURU 2008- .Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .

por exemplo. brinca com o medo e o monstruoso. tanto no aspecto lúdico. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento.1988. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. . fantasias) com conteúdos sociais. Segundo (Vygotsky.70) Para brincar a criança necessita de tempo. desenvolve a atenção. deitar.sentir prazer ou satisfação. distrair-se. reproduz valores culturais. onde tem brincadeira existe recreação. ao invés de numa esfera visual externa. aprende a tomar decisões. (BROUGÉRE. A principal atividade da criança é brincar (recrear). materiais como brinquedos. exprime emoções e sensações. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. em suma. a criatividade. o raciocínio. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. socializadores . Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados. 1. se diverte enquanto aprende. espaço. coopera. reinventa a realidade.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto.p. manipula valores (o bem e o mal). dos quais pode-se destacar alegrar.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação.1997.brincar e se divertir.P.desenfardar-se.109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. fantasia.

etc. pois ele é o início de tudo. etc. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. A recreação faz parte da história do homem. cognitivo e social). a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. um suporte para o ensino. 1983). mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si.1996). coordenar visão e preensão. no período pré-operatório. comprimento). A teoria froebeliana. os movimentos das mãos. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. 1980). ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. (Kishimoto. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. é intuitivo e. Com a sucção. dos olhos. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. coordenar esquemas. Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. ou seja. Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. no plano tridimensional (largura. dons e atividades.96 dependendo das motivações e tendências internas.. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. O pensamento da criança. sendo ela ainda pré-lógica. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . O período sensório-motor é fundamental na recreação.

duro ou mole. e a fala. 3. 4-CONTEÚDOS .OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. * Explorar a linguagem. vivo ou morto. autonomia. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. criativas e que nos traga prazer. ajuda-ajuda. independência. diminuindo as tensões e preocupações.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. atenção e concentração. a coordenação motora fina. é a partir da fala que a representação se acentua. 3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. * Desenvolver noções espaciais e temporais. 2. auto-estima e cooperação. * Desenvolver a cognição e imitação. o pensamento e a ação. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. pegador corrente) .1.Atividades de corrida (pega-pega. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma. * Explorar os movimentos corporais. que é a mais importante manifestação da função simbólica. * Estimular a interação com pessoas e objetos. ritmo e equilíbrio. * Desenvolver a ludicidade. * Desenvolver a identidade. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”.97 imitação diferida. criatividade. * Desenvolver a coordenação motora ampla.

Brincadeira e Educação. Jogo. arremesso com corridas. etc.2006. 5. etc. salto.).Umuarama. 7-REFERENCIA BROUGÈRE. L. São Paulo: Martins Fontes. uso dos dois pés juntos.29-42.).Atividades de imitação (imitar animais. 2004.Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança.Bolas . KISHIMOTO.98 . de duas mãos. uso dos dois pés de forma alternada.etc) . Brinquedo e Cultura. 2ª ed.Bastão .Rádio e CD’s 6. v. representar histórias. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais.sociais e estrutura.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. criar personagens. C. pessoas. 5-RECURSOS .Giles. . 1988. etc. -Atividades com objetos diversos (bolas.AVALIAÇÃO . VYGOTSKY. n. carteiras.Bambolês . p.). 2ª. R.Cordas .(org). RIZZI. . 2001. São Paulo: Cortez. S.Maria.1997 Cavallari. . 4.). São Paulo: Cortez. . C. Recreação em Ação: Recreação na educação infantil. Educere. .Atividades de arremesso. mesas. B. bastões. São Paulo: Ícone. etc. cordas. COSTA. . sucata.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos.ed.ed. Brinquedo. arremesso com saltos. M. jacaré. Vania. A. adaptada por Gisele Wajstop. A Formação Social da Mente. etc. arcos. T. cantigas de roda ( atirei o pau no gato. fazer rolamentos.. corrida. dança.Atividades com salto (uso somente de um pé. 1. criar novas situações.Danças.(Org).Brinquedos (carrinho e boneca) .

Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. BAURU 2008 .99 IV.Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências .

a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. como raciocínio. por exemplo: pega-pega. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. 1981). A partir desse momento. 1.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. Segundo sua pesquisa. esconde-esconde. tanto na forma como eram vestidas. jogos. brincadeiras e festas. em tamanho reduzido. Portanto. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. com músculos e traços semelhantes. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. falavam . e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. que era desconhecida antes da Idade Média. Por volta do século XIII. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. por ser uma fase passageira. Entretanto. Segundo Áries. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. sendo então designada como uma fase “irracional”. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. quanto na participação de conversas. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. geralmente em reuniões e datas comemorativas. Aline Fernandes Guimarães. Em sua obra História Social da Criança e da Família. atitudes e ações. Pelo menos não existiam relatos. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância).

em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. que consentia a ida de seu filho a escola. que direciona seus relatos de modo generalizante. nas reuniões coletivas. Era necessário para essa função uma criança saudável. visão construída pelas camadas dominantes. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. Por não existir um sentimento por parte da família. Foi instituída então. Entretanto. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. a saúde. a prática do abandono era comum. portanto. a partir do século XVII. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. que defendiam a separação entre adultos e crianças. 1981). houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. Diante da elaboração da instituição escolar. Dentro deste contexto. que a criança saiu de seu antigo anonimato. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. Porém.101 vulgaridades na presença das crianças. as brincadeiras nas praças. (ARIÈS. Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase.12). 2001). p. e as taxas de mortalidade eram elevadas. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. a criança exercia na família um papel utilitário. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. Uma educação informal. em contraposição sobre algumas idéias. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. As camadas populares. Através de diversos documentos históricos. com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. por sua vez. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. através das conversas com os adultos. a higienização. Porém. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. . 1981. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. a escola (ARIÈS. mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média.

Para Saviani (2005. ou na década de 1970. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. Entretanto. de 1996. p. configura uma situação privilegiada. material. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar.29). A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos.30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil.102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. (SAVIANI. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . 2001. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade.14) a educação não se reduz ao ensino. no caso brasileiro. 2004. a sua organização em creches.394 (1996). sem objetivo de promoção (art. De início. básico. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. a lei se limita a indicar sua finalidade (art. “neste sentido.31). Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país. Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos. para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas. Lei nº 9. essa educação não era assegurada pela legislação.7). 211). p. artigos 29 a 31). que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II. propiciando uma formação de qualidade para a criança. a escola. p. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. para crianças de quatro a seis anos (art. (KUHLMANN.

O objetivo da educação infantil. a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. como também em uma outra perspectiva.103 interior da prática social global”. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. (BHERING e NEZ. Segundo o autor. Sendo assim. p. 65). 2002. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. influenciada pelas culturas midiáticas. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. pois. trabalhando desde cedo. ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. Criar condições. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. portanto. p. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. A educação infantil possui características próprias. ingressando precocemente em instituições educacionais. o envolvimento de pais na escola/creche é. A família desempenha um papel fundamental. políticas. e nem no preparo para o processo de alfabetização. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. Desta forma. juntas. a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. A escola. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. atualmente. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. 2002. repleto de transformações econômicas. brincando em espaços reduzidos. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. é a instituição responsável pela formação da infância. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas.9). Entretanto. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. . sociais. Uma infância em um mundo urbano.

Segundo Wajskop (2001). da autonomia. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização. materiais como brinquedos.. porém com novos significados.) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. 2003.P. de fantasia. p. na .1997. reproduz valores culturais.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. brinca com o medo e o monstruoso. desenvolve a atenção. (QUINTEIRO.. (BROUGÉRE. se diverte enquanto aprende. reinventa a realidade. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. por estar relacionada à construção da identidade.70) Para brincar a criança necessita de tempo. “(. Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. aprende a tomar decisões. areia com água vira comidinha de boneca. coopera. tanto no aspecto lúdico. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. a criatividade. Todavia. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. socializadores . Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. fantasia. por exemplo. um cabo de vassoura pode virar um foguete. exprime emoções e sensações. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. em suma. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. como creches e pré-escolas. da construção cognitiva e crítica. de amadurecimento”. de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. o raciocínio. é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. fantasias) com conteúdos sociais. espaço. Anteriormente. por exemplo. 12). jogo e brinquedo. da formação social. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação. manipula valores (o bem e o mal).

Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. (WAJSKOP. as pesquisadoras perceberam a desvalorização. trilha ou dominó. 2. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. Segundo Vygotsky(1988). podendo necessitar de materiais específicos como quadras. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. isto é.p. a criança se relaciona com o significado em questão. 1997). .. 1999. Kishimoto(2001).. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. p. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras. por exemplo.25). Ainda na teoria de Vygotsky. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. como xadrez. etc. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. é o lúdico em ação ” e o jogo. a menina vira mãe e o menino vira pai. tabuleiros. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente.21).Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil.( KISHIMOTO.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos.2001. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos. (Oliveira. ao brincar com a bola de papel amassado. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”. Para a autora Wajskop. ao mergulhar na ação lúdica. a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos.

Objetivo Geral . socialização. . . Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos.2. Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. seja ela em período integral ou não.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares. afetivo e físico das crianças. 3. por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. .Objetivos Específicos . Objetivos 3. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil.Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras. 4.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho.1. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. 3.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares.

giz de cera.107 5.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. tesoura.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7. etc) . tinta. pasta.Fotos 6.Materiais pedagógicos ( sulfite.Brinquedos pedagógicos . vídeos.Avaliação . cola.Brinquedos populares . Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Sucatas .Recursos Materiais . busca nas bases de dados. periódicos. CD Room.

A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. In: Educação e Pesquisa.. 5. 6-14 KISHIMOTO.27. 2002.: Teor. M. 5. no. OLIVEIRA. Brinquedo e Cultura. S.S.Giles. Dermeval. Marta Regina e GASPARIN. Porto Alegre. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. 2005. Brincar na pré-escola.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. Maringá. Psic. João Luiz. e Pesq.1988. Mediação. Porto Alegre. 2001. e DE NEZ.n 2. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria.ed. 2002.ed.63-73. p. 1997. São Paulo: Cortez.ed. Brinquedo.108 Será realizada durante todo processo. Escola e democracia. RJ:Guanabara-Koogan. Dermeval. J. São Paulo: Cortez. 9. T.(org). L. 2001. p. K. Campinas.2001. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações.Referencias ARIÈS. Caderno UEM. 1. E. SAVIANI. 2000. . LEBOVICI. vol. BROUGÈRE. 8-22. T. São Paulo: Martins Fontes. WAJSKOP. São Paulo: Scipione. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica . KUHLMANN Junior. VYGOTSKY. Brincadeira e Educação.1997 FURLAN. História Social da criança e da família. 1988. . Significado e função do brinquedo na criança . p. Jogo. G. 1981 BHERING. Maringá. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. M. SP: Autores Associados. 2001. Caderno UEM. SP: Autores Associados. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil.18. 2ª ed. Abr 2002. Philippe. 4ª ed. QUINTEIRO. A Formação Social da Mente. SAVIANI. 2ª. Campinas. B. V. adaptada por Gisele Wajstop. Moysés. São Paulo: Cortez. 9ª ed. 33ª ed.

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