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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

amor.4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos. . companheirismo. paciência. cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. E aos meus queridos e amados alunos.

As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. Aos meus avós. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. À minha querida chefe Mariane. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. Obrigada por todos os ensinamentos. À toda a minha família. À minha irmã Ariane. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe. Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. Aos meus queridos alunos. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. Pelos ensinamentos baseados em experiência. ao meu pai Walmir pelo amor. . carinho e dedicação incondicionais.5 AGRADECIMENTOS A Deus. Obrigada pelo incentivo e torcida. À minha mãe Nilsa. Por todas as brigas e reconciliações. pelos sorrisos. Dirce e Anísio. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. pela paciência e confiança a mim dedicados. Companheira e amiga. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. pelos ensinamentos. carinho e amor dedicados a mim.

.6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp. As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora.

privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral. ou seja. das 06h30min às 17h30min. legais e científicas do brincar na educação infantil. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. . A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico. concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. alunos e educadores. Palavras-chave: Educação infantil. criança e lúdico.

The work was developed based on the researcher activities in child education. setting focus on the children as the active member of their development process. that is. child. the current legislation and the main concepts of child education. . toy and playful. The source of the research are the historical records. as well as the role of playing. Key-Words: child education. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games. toys and jokes in the current child education daily activities. The methodology used was the research-action. The research universe covers two groups of children from the elementary school. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents. students and educators.8 Abstract This work intend to analyse the historical. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. The research was realized in an institution for child education with full period operation. from 06h30am to 5h30pm. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. Every child from each group participated. because to play is also to learn.

Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .2 Henri Wallon 35 2.2 Teorias do desenvolvimento 34 2.1 Jean Piaget 34 2.Referencias 88 7.4 Análise de dados 55 4. brinquedo e brincadeira 26 2.1 Infância e Educação Infantil 15 1.3.2 Brincar.3 Lev S.3. Vygotsky 36 Cap.3.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.2.Questionário dos professores 93 .2.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.Considerações Finais 86 6.3 Desenvolvimento 39 3.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.1.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.3.1 Procedimentos 41 3.1 Intervenção 68 4.2 Avaliação 77 5.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.3 Concepção de creche 23 Cap.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

já previstos na Constituição de 1988. em creches e pré-escolas. conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. baseada no princípio do direito universal à educação para todos. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. Em 1989. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16.13 Nossa Constituição (BRASIL.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. . o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade. como primeira etapa da educação básica. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil. inciso IV.1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança.

Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. . Este trabalho será apresentado em capítulos. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos. . Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. O desenvolvimento da criança.Infância e educação infantil. Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais. brinquedo e brincadeira.14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças.Definir brinquedo e brincadeira. Brincar. afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho.Identificar as características cognitivas. bem como a estrutura física e organizacional da escola. para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. sendo eles: Introdução . Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras.

A conceituação de infância que conhecemos é recente. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. por isso era representada como adulto em miniatura.15 1. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. Recorrendo-se ao seu significado literal. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. a criança era menos que o adulto. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. que constrói sua história no decorrer dos anos. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. . Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância.

Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. novos interesses e necessidades que não existiam antes. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. Ela aparece com a sociedade capitalista. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. infância e família existiram da mesma forma. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta. . conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. o consumismo e a globalização.16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia. É notável. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. de fato.1981. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. o capitalismo. A nova visão de infância possui outras características. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente.p.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

Mas. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. principalmente a pobre (KRAMMER. Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos. p. porém muitos projetos não saíram do papel. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos. Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874.2 . a pesquisadora Kramer(2003). Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. até 1930.Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. No 3° período. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância.20 1. escolar e higiênico. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930. 2003. faltava. de maneira geral. .50). Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças. associações de damas beneficentes etc. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças.).

Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. .em estreita relação com o cenário internacional . atribuídos a “concepção abstrata da infância”. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. criar leis para a proteção dos recém-nascidos. (idem. como adulto em potencial. sem vida social. SAM – 1941 e FUNABEM. p.52). como também na sua política. UNICEF em 1946. maternidade e jardins de infância. criar creches. dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. porém foi mantido por doações. p. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930. (idem. A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches .56). Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação. promover congressos. em 1909. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e.e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. CNAE em 1955. Este departamento possuía diferentes tarefas. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. Em 1908. divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. maternidades e da realização de encontros e publicações. jardins de infância. OMEP em 1969 e COEPRE em 1975. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas. no Rio de Janeiro. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil.

culturais e nutricionais. p. Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. a política de assistência social não atingiu a todos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. . Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70.107). Nota-se que a educação era fragmentada. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. jardins de infância e instituições equivalentes. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista. sendo que sua prática foi muito desigual. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista. O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau.22 Mesmo com esforços empreendidos. A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. emocional e social das crianças atendidas.

municipal e beneficente. Com a Constituição de(BRASIL. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado. Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil. A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás.23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação. os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência. 1.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. .3 . Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. a insuficiência de docentes qualificados. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória. fortes e nutridas.

Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . Normalmente essas famílias têm carências sociais. como professores. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. 2002. medidas de reorganização como jogos educativos.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. (ARANHA. redistribuição do espaço. recreacionistas. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. pedagogos. mal-assentadas. com atuação de forma compensatória. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. pois é rodeada por assistencialismo. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. p.p. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. psicólogos. instáveis. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. moral e social das famílias. suprindo a carência econômica. 2002.28) Pela primeira vez na história do país. quase sempre parcialmente constituídas.

principalmente. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo.1998. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. deve fazer parte do processo educativo das crianças. psicológico. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. em seus aspectos físico. completando a ação da família e da comunidade. intelectual e social.17). Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. primeira etapa da educação básica. p. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. Conforme visto na referida lei. as relações entre classes sociais. Envolve. . Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar. expresso pelo artigo 29: A educação infantil.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família.

Brincar vem antes do jogo que supõe regras.26 2.2002). livre e prazerosa. a criança assimila o mundo a sua maneira. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. folgar e foliar. Piaget (apud Kishimoto. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento. . A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade.1 . A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. Em comparação ao brincar da criança. brinquedo e brincadeira. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. É uma atividade lúdica. mas não o fazem por simples prazer. Mesmo que o trabalho dê alegria. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. discorre sobre o brincar: quando brinca. entra no mundo do adulto.Brincar. pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso. assim como faz o adulto. sem compromisso com a realidade. entreter-se.

Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. a criança é vista como ser que imita e brinca. no mais alto nível do desenvolvimento infantil. interpreta situações e incorpora e altera significados.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. p. que se constitui. No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE.. Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é. A ação na esfera imaginativa. p. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância. essencialmente. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas . A criança desenvolve-se. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY. três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação.] a especificidade . 1988. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar. embora transitórias. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis.” (KISNHIMOTO..117). pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas. assim. numa situação imaginária. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento. O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais. 2002.tudo aparece no brinquedo. escolares ou esforços físicos. seja pela criação . Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias.28).

a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[. 2002.. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária.31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança.28 infantil. (apud Kishimoto.2002. no primeiro o jogo expressa valores sociais.]”. com influência da biologia e do romantismo. p. (aput KISHIMOTO.. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo.. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil. O autor destaca “[. No caso da criança. o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira.. 2002. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização.p. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos.19) . no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie.] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e. p.. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto.]”. criador do objeto lúdico.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia. em conseqüência método natural de educação [.. (KISHIMOTO. Jogo. integra predominantemente elementos da realidade.

de seus pais. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. 2001. professores.p. .2001. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop. APUD WAJSKOP.31). p. pode ser um objeto namufaturado. seja a uma representação social. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE. Este paradoxo da brincadeira. Tudo. da apropriação da cultura. p. na idade escolar com seus familiares. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. do exercício da decisão e da invenção. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop.. um programa pedagógico preciso. amiguinhos. No primeiro caso.31): [.62). Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira.29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. 2001. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata. da administração da relação com outro. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. 2001.p. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto.25). com o espaço e com a cultura na qual está inserida. “Dessa forma. um objeto adaptado. a partir da brincadeira. Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira. pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças. efêmera. Não se pode organizar. ela produz também a incertitude quanto aos resultados. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil.. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. com seus pais. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão.] é o lugar da socialização.

A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. as brincadeiras tradicionais. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. mas também tenta resolver problemas do passado. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. típica do lúdico”. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está .. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente.. As crianças brincam de educação ou escolinha. tamanho e forma. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. por contar com a motivação interna. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. [. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. representam as relações familiares como papai e mamãe. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura.

“Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. 2002. A origem de tais brincadeiras é desconhecida. (KISHIMOTO. p.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe.69). modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. transformam e destroem expressando seu imaginário. 2002. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. permanecendo na memória infantil. Nesses jogos as crianças constroem. da situação imaginária”. são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. a fim de enriquecer a experiência sensorial. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas. p. das parlendas ou das formulas de seleção. .

1996. Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos. a atividade objetal e a aquisição da linguagem.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância.1. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto. As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA.124).103). “Na primeira infância. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. . Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas.p. Neste sentido MUKHINA(1996. p. (idem. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função. ou seja. Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas. passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança. que antes serviam apenas para manipulação.p. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto.3.32 2.

um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. MUKHINA(1996. . O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. p. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. Também pode controlar a sua atividade intelectual. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução. seu pensamento e sua memória. ou seja. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade.199). formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. especialmente com as da sua idade. por volta dos 6 anos. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações.

Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. além de centenas de artigos em revistas.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. Graças à conquista da percepção e dos movimentos. p.. Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos.] não se pode. . Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve. Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”. na interação com o objeto. Para ele “[.3. Vygtsky. (PIAGET. formando uma noção do eu. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses.1. Henri Wallon e Lev S.3..1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade. 1971.34 2. assinalando cada passo de suas vidas. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo. são eles: Jean Piaget. 2. com efeito.13).

Assim como Piaget. Via a escola. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. como um contexto privilegiado para o estudo da criança. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. ou seja. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. os esquemas simbólicos. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos. 2. transmissões e interações sociais. A psicologia.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. ao construir . Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana.2. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina. por sua vez.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real.3. Assim. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. mas também questões para investigação.2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. Período das Operações Concretas (7-11. Wallon focalizou os domínios afetivo. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia.

existências e pessoais. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. p. alternando afetiva e cognitivamente. Esta fase há uma retomada de questões morais. há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. apesar de sua morte prematura aos 37 anos. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. Estágio adolescência : Necessidade de nova definição da personalidade. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. Há um predomínio das relações com o meio. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. desregulada devido à ação dos hormônios.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. deixou um enorme volume de produção acadêmica. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev. 2002. 2. passando a manipular objetos e explorar espaços. (GALVÃO.3 Lev S.2. acontece por meio dos interações sociais. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra.3. .

26). “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”. p. p. Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. Para ele a criança é um ser social. como diz VYGOTSKY (1987). ou seja. 1997. E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação. preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. (OLIVEIRA. Ou seja.34). “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. a interação com o meio social. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. 1997. Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos.26).37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Os signos agem como instrumentos da atividade humana. p. ou seja. “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. que nasce inserido em um ambiente social que é a família. . (idem.

ou seja. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. 1997.38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real.63) . p. O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. ou seja. (OLIVEIRA. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”. aquilo que ela consegue fazer sozinha. uma interação social. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento.

portanto uma preocupação social. A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil. não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. onde o resultado experimentado deve ser comprovado. A pesquisa-ação é flexível.39 3 . 2004. objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. vem ao encontro com as necessidades da pesquisa.14). (THIOLLENT. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação. . Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004).Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004). através de pesquisas bibliográficas. Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores. p. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB).

Desta maneira. Nesta etapa. p. Paralelamente a esses primeiros contatos. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal.48). Segundo Thiollent (2004. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados. considerando os problemas prioritários. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT.]identificar as expectativas. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa.. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada.p.2004. dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. Para Thiollent (2004. p. Assim.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. Após o levantamento de informações. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa. para fazer . de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada.. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação. Intervenção e Avaliação. de acordo com o autor o pesquisador deve: [. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico. Segundo Thiollent (2004.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. desejados ou não”.

entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. As observações realizadas.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica. elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista. . responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino. Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. intervenção e avaliação. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru. Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. sendo uma efetiva e duas estagiarias.1 .

Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. filhos de pessoas que trabalham na região central. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. escolaridade. supermercado e posto de gasolina. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro.2 . A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. A maioria das casas são construções antigas. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. profissão e estado civil dos pais. Berçário II de 1 ano a 2 anos. comércio central. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. escritórios de advocacia. algumas aparentemente bem conservadas. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano.42 3. No ano de 2008. época da pesquisa. estacionamentos. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. situada na zona urbana da cidade. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio. Escolaridade dos Pais . escritórios de contabilidade. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. costureiro. sendo próxima ao Corpo de Bombeiros. Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio. casas residenciais. possui vizinhança em geral bem movimentada. a instituição atendia cerca de 130 alunos.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

1 cozinheira e 5 estagiárias. 1 assistente social.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica. 3 professoras. 7 auxiliares de creche. 1 auxiliar administrativo. .

Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 . Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada.46 Durante o ano da pesquisa. Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos. Quadro 2.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. Quadro 1 . em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas. ou seja.

O roteiro de observação possuía as seguintes questões: . cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos. São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? .O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. do município de Bauru. das 06h30min as 17h30 min. porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes. de fevereiro a março de 2008. para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica.3.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? . ou seja.A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde. São desenvolvidos projetos. dinâmicas e outros. tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças. sabem que todos os seus atos servem de modelo.47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica. entre as turmas do maternal II e pré. 3. Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. são discutidos textos.

Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora. Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. sem fazer movimentos bruscos. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora.A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. . Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas.Como a criança brinca? . Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. uma turma espera a outra sair para poder sair também. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras.48 . Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo.De que ela brinca? . a brincadeira e o papel do educador.Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? . Nesse tempo em que aguardam as professoras. as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila.

Desta maneira podemos . Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. jogos de encaixe. por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. passa-anel. massinha. parque. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. sendo dirigidas pelas educadoras. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. entre outras. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. brincadeiras como patinho-feio. canto de música. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. hora da história. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. pintura. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. tais como. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas.

a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. tais como patinho-feio e passa-anel. o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. Procuravam variar e diversificar as atividades. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. oralidade e criatividade. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino.50 observar que o lúdico. imaginação e fantasia infantil. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. motricidade. no caso as músicas. como por exemplo. Nas atividades lúdicas dirigidas. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis. a brinquedoteca . O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. além do uso dos fantoches. desenho e pintura como materiais diversos.o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . giz e guache. foi feitos teatros em palitos. atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças. tais como. Durante a atividade “hora do conto”. a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. dentre as quais se destacam: socialização. tais como.

panelinhas entre outros. cadernos. telefone. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. depois disso elas vão dormir na sala do pré. massinha de modelar. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. giz de cera. ou seja. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. ursos de pelúcia. carrinhos.51 períodos de tempo. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. jogo de boliche. bonecas. piscina de bolinha. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. tintas. Durante as atividades livres. baldinhos. bolas. . pazinhas. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. por exemplo. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. não jogar brinquedo pra fora do parque. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. não bater nos amigos. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. como por exemplo: jogos de encaixe. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. por exemplo.

Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. . Durante as atividades livres como parque. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. assimilada pelas crianças desde cedo. como por exemplo. por exemplo. bola. canto de músicas. assim como as educadoras do maternal II . jogo da memória. amarelinha. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. as educadoras do pré. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. observavam as crianças. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. brincadeiras com aviões de papel. piscina de bolinha. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. etc. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. quebra-cabeça. jogos de encaixe. desenhos. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia.

A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. diversos tipos de papel. ou seja.53 O parque. boliche. jogos de encaixe. jogo da memória. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. enquanto observavam as gravuras. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. pazinhas. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas. massa de modelar. pincéis. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. giz de cera e giz de lousa. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. baldinhos. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. carrinhos. guache. quebra-cabeça. ursos de pelúcia. não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. das 06h30min às 17h30min. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . não criticando e nem julgando suas regras e decisões. ou seja. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida.

realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida. tais como casinha. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. ficando o período da tarde para a recreação. jogo da memória e quebra-cabeça. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. bem como na brincadeira na . se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche. médico. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. Sintetizando as observações realizadas em campo. escolinha entre outras. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. ou seja. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. conclui-se que nas duas turmas observadas.

(WAJSKOP. social e partilhada. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças. ainda. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega. Agindo desta maneira. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo.Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil.04 morto carrinho 03 . de forma criativa. Estará. vivo. esconde. 2001. Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. criando os espaços.55 educação infantil. ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos.esconde. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais.1 .112) 4. sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré. p.

bloco lógico.chapeuzinho vermelho.etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.mamãe. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.

57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .

Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho.58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .

com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4.59 Questão 10:Quando compra um brinquedo.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. Questão 01 : Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 . você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.

quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.mamãe.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.bloco 07 08 .chapeuzinho vermelho. esconde.esconde. vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega.

Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 .61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04 : Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar. pois trabalha.

62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06 : Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.Todas Algumas Ocorrência 05 07 .

você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança.63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 . você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”.

No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem.40) com dez ocorrências. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. de representação de papéis ou sociodramática. pela oralidade” (KISHIMOTO. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. p. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. sobretudo. Questionados sobre o conhecimento . 2002. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial. incorpora a mentalidade popular.64 Ao analisar os resultados do questionário. p. também conhecida como simbólica. filiada ao folclore. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. expressando-se. p.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências.

Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. ao brincar. A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. (educadora I do pré). através de questionário estruturado. Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. também suas capacidades psicológicas. (educadora I do pré) .65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. Na pedagogia. Uma forma de estimulo a imaginação. a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. para o lazer e geralmente associada a criança. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. É o intermediário entre a criança e o brincar. um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. desenvolve situações. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . integração. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. socialização e aprendizagem. Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer.

um jogo tem sempre suas regras. por exemplo. às vezes deixo as crianças brincarem livremente. astronauta. no meu entendimento. não só com o estimulo do brinquedo.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). (eles identificam as cores nos brinquedos). boneca. a situação criada pela criança. através dos baldinhos. A criança segue regras do jogo. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. carrinhos. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. O lego também é bastante utilizado. espontânea. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos. remete a “regras”.que pra mim. enfim. etc. Também brincam no parque. sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. (educadora do maternal II). (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). Ex: escolhinha. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. o sentir. (educadora I do pré) Jogo. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um. é a fantasia. Sim. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. o imaginar. Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. chapéus (baldinho na cabeça) etc. Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. um objeto. (educadora II do pré). (educadora II do pré) . colher e pá. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. eles pode criar coisas como o bolo(com terra). Mas. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. livre. (educadora I do pré). ou seja. para o raciocínio. pelúcias. como cores e números. massinha. etc).66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. a induz ao raciocínio. participo das brincadeiras. com a rotina corrida da instituição. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. panelinhas. casinha. brincam com jogos. um sistema de regras. mas também dos colegas ou do professor. ou principalmente. da forma apresentada e questionada. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social.

Mas sempre que possível é dada a importância a tais. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. acriança traz seu brinquedo de casa). (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar.(educadora do maternal II) Sim. possibilitando de que se obtenha todos numa instituição. já que a brincadeira é um ato livre. a professora. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. os colegas. e ele é suficiente. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. Imitam os pais. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. as crianças imitam cenas de sua realidade.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. de conservar o brinquedo ou jogo. (educadora I do pré) . como por exemplo. atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. a criança ao brincar. jogos de interação (patinho-feio. é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. dando dicas sobre a realidade. outros não. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. Em alguns casos sim. o material lúdico não é suficiente. percebemos a sua realidade. (educadora I do pré) Sim. “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. corre-lenço). além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. pular corda. (educadora II do pré). ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. (educadora do maternal II) Sim.

De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica.68 Quase todas. Assim como a educadora I do pré. esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. 4. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: . A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas. na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças.

que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. Como solução para o problema. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . ocasionando brigas entre os alunos.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. socialização. afetivo e físico das crianças. era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância.

Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . passa pelo redemoinho. Então. A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré. toma sol. chega em casa e abre a porta. acorda. porém mobilizou as outras crianças da creche. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. assiste televisão e lê um livro. rega as plantas . janta.Desenvolver a coordenação motora . A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. corra da chuva. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . as crianças brincaram na amarelinha. toma banho.Interagir com os colegas .Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha. escova os dentes. dorme. juntamente com a sala. Depois.Respeitar as regras do jogo .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. entra no carro e vai para a escola.

Avaliação: Participação e registro.V. o Lobisomem e o Saci Perere.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante. durex.A. lantejoula. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos.Desenvolver a coordenação motora . Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado. crepom.Explorar a criatividade . isopor.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. cola quente. lã . Os auxiliamos durante o processo. ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:. os ajudamos na confecção. cola gliter.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche. tais como: a Kuka.Desenvolver a coordenação motora . Recursos: Garrafas pet. cola relevo. Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente.71 . Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: . barbante. cola relevo. Recursos: E.

Recursos: Peão . durex colorido.72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento. Avaliação: Participação e registro. explicando que o peão é um brinquedo antigo. ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: .Interagir com os colegas . Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo. Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos. Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento. ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: .Desenvolver a coordenação motora . Avaliação: Participação e registro. crepom.Conhecer uma brincadeira antiga . que seus pais e avós brincavam.Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude. Recursos: Sufite.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar.Desenvolver a coordenação motora . barbante. Recursos: Bolinha de gude.

Interagir com os colegas . sem se soltar dos demais colegas. Recursos: Apito . os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente.Rádio Avaliação: Portfólio e registro. Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história. tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo). que quando apitamos. Depois. Recursos: .Desenvolver a coordenação motora .Expressar-se corporalmente através da brincadeira . O primeiro da fila foi a cabeça. que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho. ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:.73 Avaliação: Portfólio e registro.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro. dançamos e convidamos uma criança por vez. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: .CD . formando o rabo da serpente.

74 Avaliação: Participação e registro. pena. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música.Explorar a criatividade Metodologia : Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse. de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos. ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:.Desenvolver a coordenação motora . durex. areia. O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram. eles andaram em volta da cadeira. Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a atenção . .Música .Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas. guache.Cadeiras Avaliação: Participação e registro.CD . Recursos:. Recursos: Bexiga.

O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou.Interagir com o grupo . água. pulseiras e fizeram bolinhas. ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:. Recursos: Venda para os olhos. guache. óleo. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas. que devia miar. Recursos: Farinha.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira.Desenvolver a coordenação motora . Avaliação: Participação e registro. relógios. onde um aluno foi escolhido para ser o gato.Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem.Desenvolver a atenção .75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. Avaliação: Participação e registro. sal. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: .Desenvolver a atenção .

Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches. . assim como canções pesquisadas pelo grupo. aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal.CD Avaliação: Participação e registro. Recursos: . Recursos: Fantoches.Recrear-se através da música .Desenvolver a coordenação motora . Recursos: anel Avaliação: Participação e registro. ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: .Rádio . CD. ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina : Artes/ Português / Educação Física Objetivos: . que deveria adivinhar com quem o anel estava.76 Metodologia : Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel.Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda. Rádio.Conhecer cantigas populares . Depois escolhemos outro. O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira. Com o retorno da pesquisa.Conhecer histórias populares .

É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. A avaliação foi feita com base .Desenvolver a identidade. -Desenvolver a coordenação motora ampla. . .77 Avaliação: Participação e registro. a coordenação motora fina. o pensamento e a ação. atenção e concentração.Explorar a imaginação. .Estimular a interação com pessoas e objetos. . ritmo e equilíbrio. autonomia. OBJETIVO GERAL . criatividade.Desenvolver a cognição e imitação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS .Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. . Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação.Explorar os movimentos corporais. independência. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança.Desenvolver noções espaciais e temporais.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. auto-estima e cooperação. diminuindo as tensões e preocupações.Desenvolver a ludicidade. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. .Explorar a linguagem. . criativas e que nos traga prazer. 4.

Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira. Do roda-vento. . Do roda-vento. (Aluno D. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem. Roda vento. No outro tem que dirigir. sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). 06 anos) Sim. (Aluno G.(Aluno C. abrir a porta.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. 05anos) Sim. Daquela lá da amarelinha. as crianças. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida. (Aluna L. quando a gente fez no papel.06 anos) Sim. (Aluna J. rodar e depois montanha-russa. 05anos.06anos) Sim. Massinha. (Aluna A. porém sabe brincar. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. pisar nas pegadas. (Aluna H. 06 anos) Sim. (Aluna B.06anos) Sim. (Aluno I. Eu gostei da amarelinha.06 anos) Sim. (Aluno E. Do roda-vento. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. Com os alunos do maternal II e do pré. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. 06anos) Sim. Do roda-vento e amarelinha.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008.(Aluna F. De massinha. (Aluna A. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). pular o rio. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim.5 anos) Sim.

(Aluna B. (Aluna L. 06 anos. . Não. (Aluno D. coloca no dedo e fica girando. (Aluno D. Não estava presente nos dias das atividades. (Aluna J. 06 anos. (Aluno G. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. pular o rio. Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. 06 anos) Não lembro. (Aluna H. (Aluna H. (Aluno E. (Aluna F. Não. escovar os dentes. 5 anos) Não lembro. 06anos) Tem que girar. . (Aluna A. 06anos. Não lembro. (Aluno I. 06anos) .79 cantar. 05anos) Você “cata”. 05anos) Não. Não. 06 anos) É de girar o “negócio”. sobre o roda-vento). 06anos) Não lembro. 06 anos). sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. só do ultimo que é de dormir. 06 anos. sobre a amarelinha). pro colega de sala. abrir a porta. sobre a massinha). (Aluno C. Brinca rodando. 06 anos) Não. 06 anos) Não. (Aluno C. (Aluno I. (Aluno I. (Aluna J. (Aluno E. 06anos). (Aluno G. 06 anos) Não. montanha-russa. (Aluna F. sobre o roda-vento). 06anos. 06anos) Não lembro. comer e dormir. depois eu não lembro. (Aluna B. mas não lembro como faz. 06anos). Não lembro. 06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. 06 anos) Sim. (Aluna L.

(Aluna H. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. boneca. (Aluno J. Com a minha mãe. 06 anos) Pais. (Aluna F. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico. pega-pega. 06 anos) Sozinho. (Aluno J.. (Aluna A. cinema. (Aluno E. 06anos). (Aluno C. 06anos) De massinha. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”. É assim. 5 anos) Patinho-feio. 06anos). Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. Em casa gosto de brincar de pipa. (Aluna H. de urso e de Barbie. (Aluna F. (Aluna B. 06 anos). 06anos). (Aluno G. (Aluna B. esconde-esconde. De pega-pega. (Aluno I. (Aluno E. 06anos) . (Aluna A. mais ou menos de barbie. (Aluno D. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. 06 anos) Com a minha mãe. (Aluno D. (Aluno C. Boneca. 05anos) Carrinho. Não respondeu. 06 anos) Não respondeu. de comidinha com meu primo. 06anos). de burica e de vídeo-game. Com meu ursinho.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. 06 anos). (Aluno I. (Aluna L. (Aluno G. 06 anos) Na creche de patinho-feio. Sozinha. ela brinca comigo. A minha vó também. 06 anos) De controle remoto. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. 06 anos) Amiga. 05anos) Com meu amigo.

(Aluna L. aquela cozinha que aperta e sai água. 06 anos) Solto pipa com meu pai. ela senta. meu pai também brinca. (Aluna H. 06anos). 06 anos). 05anos) Meu pirata. (Aluno C.( Aluna L. (Aluna L. (Aluna A. 06 anos) De futebol com meu pai. só a minha irmã brinca comigo. 06anos). Meus pais não brincam. (Aluna H. 06 anos). Minha mãe brinca de futebol. 06 anos) Vídeo-game. 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. eu amo boneca. 06 anos) Videogame. (Aluno E. mas só que a mamãe segura “nóis”. (Aluno G. Os meus ursos. Com vídeo-game mesmo. (Aluna A. se a “burica” sair eu tenho que pegar. 06 anos) Meu computador. E cozinha.81 Com a minha irmã. ela trabalha até chegar a noite. Boneca e bolsa. 06anos). (Aluno I. A minha mãe brinca. 06anos) Boneca. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra. Brinco e lutinha. De mamãe e filhinha. (Aluna B. 06 anos) Brinco com minha amiga.06anos) . (Aluno I. essas coisas.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. (Aluno C. (Aluno E. Deito a boneca. (Aluno D. Sim. (Aluna B. 5 anos) A comidinha e de restaurante. 06 anos) Carrinho. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca.(Aluno D. Eu brinco no meu quarto. (Aluno J.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. (Aluna F. depois ela acorda. (Aluno G. (Aluno J. 06anos) De escolinha com a minha irmã. (Aluna F. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. 06anos). É o boliche.

(aluno H. 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho. Gosto quando ela brinca de carteira. Sim de patinho-feio. (Aluno C.(Aluno D. (Aluna F. 05anos) Sim de vôlei. 06 anos). 03 anos) . De massinha. de massinha. (Aluna L. Gosto. (aluno E. amarelinha. 06anos). 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (aluno I.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. (Aluna A. (aluno J. (Aluno E. (Aluno I. Amarelinha. você tem que dar o recado. (aluno D. 06 anos). 02 anos e 10 meses) Sim. 03 anos) Sim. Roda-vento. 03 anos) Sim. (aluno F. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (Aluna B. (aluna B. (aluna C. História da serpente. História da serpente. Massinha. 06anos). (aluno G. De massinha. 03 anos) Sim. 03 anos) Não Sei. (Aluna H. Sim. . 06 anos) Sim de qualquer coisa. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo. (Aluno J. 03 anos) Sim. pica-pica-picolé e adoleta. 06 anos). 06anos) Sim.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. (Aluno G. 03 anos) Sim de massinha. 03 anos) Sim. 03 anos) Sim. (aluno A. História da serpente.

assim. Tem que cantar. se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. Assim (aluno E. (aluna B. 03 anos) Não respondeu. 03 anos).( aluno J. 03 anos) Não. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. Pega-pega. 03 anos. De carrinho. (aluno I. . (aluno F. 03 anos. Não respondeu. se referindo a amarelinha). (aluno A. (aluno H. (aluno D. (aluno D. 03 anos) Sim pra minha irmã. (aluno C. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. 03 anos. 03 anos) Não. Assim. ( aluno H. se referindo a amarelinha). (aluno J. (aluno G. (aluno I. (aluno F. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. (aluno A. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. 03 anos. (aluna C. 03 anos. Tem que fazer a menininha. (aluno D. 03 anos. pro meu irmão. pras minhas amigas. 03 anos. 03 anos) Não. 03 anos) Sim. 02 anos e 10 meses) Sim. 03 anos). se referindo a história da serpente). se referindo a massinha). (aluno A.(aluna B. Não respondeu (aluno C. 03 anos) Não.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. (aluna B. (aluno G. (aluno E. se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. 03 anos) Não respondeu. 03 anos). 03 anos). Tem que pular. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu.03 anos) Não. 03 anos) Não respondeu.

03 anos). (aluna G. 03 anos). 03 anos). (aluna E. (aluno E. 03 anos). Maquiagem (aluna H. 03 anos). (aluno D. 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. (aluna F. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. (aluno A. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. 03 anos) Boneca. 03 anos). 03 amos) Assim como as crianças do pré. Roda-roda (aluna I. Com meu irmão. (aluna H. (aluno D. 02 anos e 10 meses). Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. 03 anos) Boneca. Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho.(aluno I.84 Casinha (aluna E. (aluno F. (aluna B. 02 anos e 10 meses). 03 anos). 03 anos). Casinha (aluna G. (aluna B. Sozinha. Casinha (aluna J. (aluno J. Maquiagem. 03 anos). 03 anos). (aluna I. 03 anos) Amiguinhos. 03 anos) Lego. Casinha (aluna F. Boneca. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. 03 anos). Não respondeu. (aluna I. Dinossauro e carrinho. (aluna C. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . 03 anos). 03 anos) Sozinha. 03 anos) Sozinho. 03 anos). (aluna H. (aluno A. (aluno C. Boneca. Boneca.

03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. Com a minha mãe e com meu pai de casinha. (aluno G. (aluna D. só de cavalinho. (aluna C.62). Quando ela canta atirei o pau no gato. (aluno A. 03 anos). Com a mamãe de pentear a mamãe. (aluna J. 02 anos e 10 meses). Não respondeu. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. Roda. Com a mamãe de lego e o papai também. (aluna I.1997. 03 anos) Sim de roda (aluno J. Com a mamãe e o papai de ursinho. .03 anos). 03 anos) Não respondeu. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. (aluna F. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A. (aluno G. (aluna E. 03 anos). (aluno I. 03 anos). 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. 03 anos). 03 anos) Sim de história da serpente. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria. (aluno H.03 anos) Sim de trenzinho. (aluna B. (aluna F. (aluno H. (aluna D. (aluna E. provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA. 02 anos e 10 meses) Sim.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca.p.03 anos). 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. Roda-roda.85 Com meus pais de carrinho. (aluna C. 03 anos) Esconde-esconde. 03 anos) Sim. Sim.

Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. bem como dos jogos. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar.86 5. . brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. físico. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. se for livre deve ser apenas observada. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores. Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida.

porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças. . as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos.87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. De acordo com as observações realizadas. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. a instituição conta com variado material lúdico. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes.

inhttps://www. M.1999 . BRASIL. G. 2002. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. São Paulo: Loyola. 1ª ed. BRASIL. Significado e função do brinquedo na criança. A epistemologia genética. BROUGÈRE.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao.gov. SP: Alínea. São Paulo: Scipione. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais. ARIÈS. Brinquedo e Cultura. SP: Martins Fontes. K. 2 a ed. A creche em busca de identidade. São Paulo.O desaparecimento da infância . 2ªed. LEBOVICI. Desenvolvimento infantil na creche. 10ª ed. N. 1997. 5ª ed. 3ª ed. V. Rio de Janeiro: LTC. 5ªed. 2ª ed. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. OLIVEIRA. Rio de Janeiro:Vozes.br/sedh/dca/eca. PIAGET. S.htm. 1981. HADDAD. 2002. 1995. M. São Paulo: Cortez. KISHIMOTO. Brincadeira e Educação. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. MUKHINA. Rio de Janeiro: Graphia. 4ª ed. Campinas.069. 1988. S. Philippe. J.1971. História social da criança e da família.Referências bibliográficas ARANHA. Acesso em: 01 de junho de 2007. adaptada por Gisele Wajstop. São Paulo: Cortez. de 13 de julho de 1990. São Paulo. Psicologia da idade pré-escolar.mj. São Paulo: Edições Loyola. KRAMER.planalto. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. de 20 dez 1996. Lei 8. POSTMAM. SP: Cortez.88 6. n° 9394/96. S. Rio de Janeiro: Vozes. 2001. 4ª ed. 2002.html. L. GALVÃO. M.gov. 1998. PFREONM NETO. in http:///www. 1995. Brinquedo. Acesso em 01 de novembro de 2007. Porto Alegre. T.Lúcia. (org). Jogo. 2002. I.

. WAJSKOP. São Paulo: Martins Fontes. A Formação Social da Mente. 1988. 2004.89 THIOLLENT. São Paulo. SP: Cortez Editora. São Paulo: Martins Fontes. L. G. ed. M. Brincar na pré-escola.ed. 1987. S. VYGOTSKY. Pensamento e linguagem. S. São Paulo: Cortez. 2ª. (Coleção Psicologia e Pedagogia). L. Metodologia da pesquisa-ação. VYGOTSKY. 5ª. 2001.

90 Anexos .

( ) Não. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a). 06 .Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03. 08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. Desde já agradeço a colaboração.Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. blocos lógicos. Atenciosamente. Aline Fernandes Guimarães 01.Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02.Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos. fevereiro de 2008 Senhores pais. Todas ( ) Algumas . ( ) Não. 05.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana. Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada. pois trabalho.91 I-Questionário dos pais Bauru. 07.

( ) Não.Quando compra um brinquedo. 11. ( ) Não. Porque ajuda no desenvolvimento da criança. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim. ( ) Às vezes. .Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim. ( ) Não. 12. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”. ( ) Não. ( ) Às vezes. 10.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a).92 ( ) Nenhuma 09.

Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia.Questionário dos professores Bauru. desde já agradeço.93 II. Prezado Senhor (a). Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? . Atenciosamente. Para tanto conto com sua colaboração. fevereiro de 2008.

Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .94 III.BAURU 2008- .

desenfardar-se.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. reinventa a realidade. tanto no aspecto lúdico. .sentir prazer ou satisfação. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. em suma. socializadores . Segundo (Vygotsky. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. brinca com o medo e o monstruoso. exprime emoções e sensações. reproduz valores culturais. (BROUGÉRE.1988.P. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. se diverte enquanto aprende. coopera. Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados.brincar e se divertir.1997. por exemplo. fantasias) com conteúdos sociais. onde tem brincadeira existe recreação. materiais como brinquedos. distrair-se.p. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). pois através da brincadeira a criança imita o adulto. dos quais pode-se destacar alegrar. a criatividade. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança. PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. manipula valores (o bem e o mal). ao invés de numa esfera visual externa. aprende a tomar decisões. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. fantasia. desenvolve a atenção. o raciocínio. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. espaço. 1. deitar. A principal atividade da criança é brincar (recrear).109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança.70) Para brincar a criança necessita de tempo.

96 dependendo das motivações e tendências internas. coordenar esquemas. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. dons e atividades. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada. comprimento). os movimentos das mãos. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . 1983). O pensamento da criança. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. cognitivo e social). A recreação faz parte da história do homem. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. etc. Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. coordenar visão e preensão. O período sensório-motor é fundamental na recreação. dos olhos.. sendo ela ainda pré-lógica. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. é intuitivo e. no período pré-operatório. etc. a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. um suporte para o ensino. pois ele é o início de tudo.1996). A teoria froebeliana. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos. Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. no plano tridimensional (largura. ou seja. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. 1980). Com a sucção. mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. (Kishimoto.

atenção e concentração. e a fala. o pensamento e a ação. auto-estima e cooperação.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. 2. diminuindo as tensões e preocupações. * Explorar a linguagem.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. que é a mais importante manifestação da função simbólica. * Desenvolver a ludicidade. vivo ou morto. criativas e que nos traga prazer. 3. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação. criatividade. * Desenvolver a coordenação motora ampla. pegador corrente) .97 imitação diferida. 3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. ritmo e equilíbrio. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. 4-CONTEÚDOS . o brinquedo simbólico ou “faz de conta”. * Estimular a interação com pessoas e objetos. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança. independência. * Desenvolver a cognição e imitação. ajuda-ajuda. * Explorar os movimentos corporais. a coordenação motora fina. * Desenvolver noções espaciais e temporais. é a partir da fala que a representação se acentua.Atividades de corrida (pega-pega. * Desenvolver a identidade. duro ou mole. autonomia. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma.1. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança.

criar personagens.etc) . de duas mãos. C. etc.Giles.). C. . Brinquedo. Brinquedo e Cultura. 2ª. São Paulo: Martins Fontes.). cordas. arcos. dança. mesas. 2001. . S. Brincadeira e Educação. uso dos dois pés de forma alternada.Cordas . R. jacaré. Jogo. etc.ed. n. São Paulo: Cortez. pessoas. v. A Formação Social da Mente.Umuarama. bastões.).ed. KISHIMOTO.(Org).Bastão . B.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos.29-42. 4.sociais e estrutura.Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança. fazer rolamentos. COSTA. carteiras. 5-RECURSOS . São Paulo: Cortez. etc. . etc. representar histórias. salto. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais.Atividades de arremesso.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. criar novas situações. 2ª ed.Danças. .AVALIAÇÃO . Recreação em Ação: Recreação na educação infantil. Educere.1997 Cavallari.98 . 7-REFERENCIA BROUGÈRE.Bolas .(org). sucata. RIZZI..Atividades com salto (uso somente de um pé.Brinquedos (carrinho e boneca) . L. -Atividades com objetos diversos (bolas.). etc. 5. São Paulo: Ícone. M.2006.Maria. Vania. uso dos dois pés juntos.Atividades de imitação (imitar animais. corrida. arremesso com corridas. p. 2004. cantigas de roda ( atirei o pau no gato. 1988. adaptada por Gisele Wajstop. .Rádio e CD’s 6.Bambolês . VYGOTSKY. arremesso com saltos. 1. T. . A.

Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências .99 IV. BAURU 2008 .Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

que era desconhecida antes da Idade Média. Entretanto. a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. com músculos e traços semelhantes. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. quanto na participação de conversas. falavam . por exemplo: pega-pega. tanto na forma como eram vestidas. sendo então designada como uma fase “irracional”. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. A partir desse momento. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. 1. Aline Fernandes Guimarães. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. 1981). Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. geralmente em reuniões e datas comemorativas. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. brincadeiras e festas. Em sua obra História Social da Criança e da Família. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. Pelo menos não existiam relatos. jogos. atitudes e ações. as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. Por volta do século XIII. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. esconde-esconde. poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância).Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. Portanto. Segundo Áries. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. em tamanho reduzido. como raciocínio. Segundo sua pesquisa. por ser uma fase passageira.

que direciona seus relatos de modo generalizante. Através de diversos documentos históricos. 1981. e as taxas de mortalidade eram elevadas. Porém. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. em contraposição sobre algumas idéias. Entretanto. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. que defendiam a separação entre adultos e crianças. a partir do século XVII. portanto. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. 2001). era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. .101 vulgaridades na presença das crianças. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. que consentia a ida de seu filho a escola. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. Foi instituída então. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta.12). Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. nas reuniões coletivas. através das conversas com os adultos. a prática do abandono era comum. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. a higienização. a saúde. Diante da elaboração da instituição escolar. Porém. Era necessário para essa função uma criança saudável. que a criança saiu de seu antigo anonimato. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. p. (ARIÈS. 1981). Por não existir um sentimento por parte da família. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. as brincadeiras nas praças. Dentro deste contexto. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. visão construída pelas camadas dominantes. a criança exercia na família um papel utilitário. com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. Uma educação informal. As camadas populares. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. a escola (ARIÈS. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. por sua vez.

A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. sem objetivo de promoção (art. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. 2001.30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade. a sua organização em creches. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas.31). consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. 2004. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II. (SAVIANI.14) a educação não se reduz ao ensino. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no . Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos. para crianças de quatro a seis anos (art. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país.7). essa educação não era assegurada pela legislação.102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil.29). a lei se limita a indicar sua finalidade (art. ou na década de 1970. Entretanto. propiciando uma formação de qualidade para a criança. 211). que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. “neste sentido. de 1996. para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. a escola. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. configura uma situação privilegiada.394 (1996). p. no caso brasileiro. (KUHLMANN. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. material. Para Saviani (2005. De início. básico. p. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades. artigos 29 a 31). p.

Sendo assim. é a instituição responsável pela formação da infância.103 interior da prática social global”. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. influenciada pelas culturas midiáticas. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. A família desempenha um papel fundamental. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. portanto. O objetivo da educação infantil. pois. juntas. e nem no preparo para o processo de alfabetização. atualmente. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. como também em uma outra perspectiva. 2002. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. trabalhando desde cedo. políticas. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. sociais. p. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. repleto de transformações econômicas. Segundo o autor. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. 2002. ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. Uma infância em um mundo urbano. p. Entretanto. (BHERING e NEZ. Desta forma. a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. ingressando precocemente em instituições educacionais. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. A educação infantil possui características próprias. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. Criar condições.9). A escola. o envolvimento de pais na escola/creche é. 65). A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. . a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. brincando em espaços reduzidos.

) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida.70) Para brincar a criança necessita de tempo. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. brinca com o medo e o monstruoso.P. exprime emoções e sensações. materiais como brinquedos. um cabo de vassoura pode virar um foguete. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. Anteriormente. espaço. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. manipula valores (o bem e o mal). Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. reproduz valores culturais. fantasia. jogo e brinquedo. se diverte enquanto aprende. por exemplo. o raciocínio. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. (QUINTEIRO. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. porém com novos significados. Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. fantasias) com conteúdos sociais. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. tanto no aspecto lúdico. Segundo Wajskop (2001). desenvolve a atenção.. da autonomia. em suma. da formação social. a criatividade. é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. socializadores . através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. aprende a tomar decisões. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. (BROUGÉRE. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação. por exemplo. 12). de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente. de fantasia. reinventa a realidade. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização. como creches e pré-escolas. na . “(. areia com água vira comidinha de boneca..1997. por estar relacionada à construção da identidade. (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. p. Todavia. 2003. coopera. de amadurecimento”. da construção cognitiva e crítica.

. por exemplo. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. Para a autora Wajskop. isto é.( KISHIMOTO. a menina vira mãe e o menino vira pai. é o lúdico em ação ” e o jogo. 2.Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil. 1999.2001.p.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. . nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. Segundo Vygotsky(1988).21). trilha ou dominó. ao mergulhar na ação lúdica. p. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. Ainda na teoria de Vygotsky. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial.. tabuleiros. pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil. Kishimoto(2001). podendo necessitar de materiais específicos como quadras. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. etc. as pesquisadoras perceberam a desvalorização. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente.25). a criança se relaciona com o significado em questão. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos. (Oliveira. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras. (WAJSKOP. a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. ao brincar com a bola de papel amassado. como xadrez. 1997).

Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola.Objetivo Geral . Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras. socialização. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares. 3. 3. seja ela em período integral ou não. 4.2. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares.Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância. afetivo e físico das crianças. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil.Objetivos Específicos . . Objetivos 3. . .1.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil.

Fotos 6.Avaliação .Brinquedos pedagógicos . pasta. CD Room. tesoura.Sucatas . busca nas bases de dados.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7.107 5.Recursos Materiais .Brinquedos populares . periódicos. tinta. Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. giz de cera. etc) . cola.Materiais pedagógicos ( sulfite. vídeos.

Brincadeira e Educação. 1981 BHERING. Dermeval. WAJSKOP. e Pesq. Dermeval. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil. 2002. OLIVEIRA. 1988. LEBOVICI. 2001. Maringá.63-73. São Paulo: Cortez. Campinas. J. M. Significado e função do brinquedo na criança . p. SAVIANI. Brincar na pré-escola. Escola e democracia. Porto Alegre. 2002. 33ª ed. RJ:Guanabara-Koogan. Mediação. SAVIANI. . K. 8-22. 1. Moysés. São Paulo: Cortez. SP: Autores Associados. Maringá. Porto Alegre. KUHLMANN Junior.. 2ª ed. no. QUINTEIRO.ed.(org). 2000. V. 6-14 KISHIMOTO. 2001. Caderno UEM. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria.18.2001. G. . S. B. VYGOTSKY. São Paulo: Cortez. João Luiz. A Formação Social da Mente. Caderno UEM. BROUGÈRE. 9ª ed. Marta Regina e GASPARIN. p. M.108 Será realizada durante todo processo. Jogo. Philippe. A construção do “ser” criança na sociedade capitalista. 2ª.Referencias ARIÈS.Giles. SP: Autores Associados. Abr 2002.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. 9. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica . História Social da criança e da família. Campinas. In: Educação e Pesquisa.S. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. L. 4ª ed. Brinquedo. 2005.ed. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Martins Fontes. Psic. 1997. T.ed. adaptada por Gisele Wajstop.27.1997 FURLAN. E. T. 5.: Teor. e DE NEZ.1988. São Paulo: Scipione. p. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 2001.n 2. 5. vol.

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