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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “Júlio de Mesquita Filho” FACULDADE DE CIÊNCIAS Licenciatura em Pedagogia UNESP-BAURU

ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-UNESP, como prérequisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, orientado pela Profª. Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes.

BAURU-SP 2008

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ALINE FERNANDES GUIMARÃES

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO COTIDIANO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia submetida à Comissão Examinadora designada pelo Curso de Graduação em 01/11/2008 como requisito para obtenção do grau de Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Orientador: Profª Ms. Cinthia Magda Ariosi Fernandes Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Marcia Cristina Argenti Perez Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura: Nome: Profª Dra. Thais Cristina Rodrigues Tezani Instituição: UNESP, Campus de Bauru. Assinatura:

Data de aprovação: 11 de novembro de 2008.

companheirismo. E aos meus queridos e amados alunos. paciência. amor. dedicação e confiança não me permitiram desistir de muitos sonhos. cujos sorrisos e gestos me fizeram seguir a cada dia. .4 Dedico este trabalho aos meus pais cujo carinho.

Dirce e Anísio. carinho e dedicação incondicionais.5 AGRADECIMENTOS A Deus. Principalmente por me ensinarem a ter fé e acreditar em mim. Obrigada pelo incentivo e apoio desde a época do cursinho. Obrigada a todos pelos ensinamentos e conhecimentos oportunizados. ao meu pai Walmir pelo amor. Obrigada por todos os ensinamentos. À minha mãe Nilsa. Aos meus padrinhos Regina e Paranhos por torcerem por mim mesmo que de muito longe. Aos meus avós. À minha irmã Ariane. . Aos meus queridos alunos. As amigas Caroline e Kéthlen por não me deixarem desistir. Obrigada pelo incentivo e torcida. À todos os funcionários da instituição na qual foi realizada a pesquisa e onde trabalhei por dois anos. À toda a minha família. incentivo e por toda lição de vida que presenciei durante os meus vinte e dois anos de existência. pelos ensinamentos. À minha tia-madrinha Marli e ao meu tio Marisvaldo. À minha querida chefe Mariane. por ter me concedido está maravilhosa oportunidade de no decorrer desses quatro anos conviver com tantas pessoas especiais. pelos momentos de alegria e tristeza juntos compartilhados que nos ajudaram a construir pontes indestrutíveis no caminho da amizade. carinho e amor dedicados a mim. pela paciência e confiança a mim dedicados. Pelos ensinamentos baseados em experiência. Companheira e amiga. pelos sorrisos. por todas às vezes em que brincamos de escolinha e que ela foi minha “aluninha”. Obrigada por respeitar minhas decisões e acreditar em minha capacidade. Por todas as brigas e reconciliações.

. As professoras Thaís Tezani e Márcia Cristina Argenti Perez pelas contribuições enquanto banca examinadora.6 Ao professor Antonio Francisco Marques pelo exemplo a ser seguido. À todas as pessoas que passaram e permanecem em meu caminho durante esses quatro anos de Unesp.

alunos e educadores. das 06h30min às 17h30min. O estudo qualitativo utilizou a metodologia do tipo descritivo e contou com a participação de pais. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a pesquisa semi-estruturada e observações participantes.7 Resumo Este trabalho analisou as bases históricas. . concluí-se que a brincadeira também é uma forma de proporcionar o aprendizado. legais e científicas do brincar na educação infantil. ou seja. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. assim como a aplicação de uma intervenção que promoveu o resgate da concepção de infância por meio de brincadeiras. criança e lúdico. Palavras-chave: Educação infantil. sendo sujeitos da pesquisa todos os alunos de ambas as salas. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação. a legislação e as principais concepções da criança de educação infantil e o papel do brincar. do brinquedo e da brincadeira no cotidiano das crianças da educação infantil atual. O universo da pesquisa abrangeu uma classe do Maternal II e outra do Pré da Educação Infantil. A pesquisa empírica foi realizada em uma instituição de educação infantil com funcionamento em período integral. O trabalho foi formulado a partir da prática da pesquisadora na educação infantil. O estudo demonstrou a importância do brincar para o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança que foi comprovado pela literatura consultada e os resultados ao final da intervenção realizada propiciou um novo olhar para a educação infantil abandonando uma rotina sistematizada que deixa o lúdico em segundo plano. A base teórica da pesquisa buscou nos textos disponíveis o histórico.

that is. The instruments used for data collection were the semi-structured research and participative observations. The research universe covers two groups of children from the elementary school. dismissing the systematized routine which leaves the ludic in second plan. the current legislation and the main concepts of child education. toy and playful. Every child from each group participated. toys and jokes in the current child education daily activities. as well as the role of playing. The study demonstrated the importance of playing for the socio-cognitive development of the child and was proven by the literature. The acquired results at the end of the intervention held a new way of seeing the child education. child. The qualitative study use descriptive methodology and counted with the participation of the parents. from 06h30am to 5h30pm. The methodology used was the research-action. The source of the research are the historical records. . The research was realized in an institution for child education with full period operation. setting focus on the children as the active member of their development process. Key-Words: child education. students and educators. because to play is also to learn. The work was developed based on the researcher activities in child education. legal and scientific basis of playing during the child education and execute an intervention for the rescue of the childness conception by means of games.8 Abstract This work intend to analyse the historical.

1 Procedimentos 41 3.3 Desenvolvimento 39 3.3 O brincar no cotidiano 47 Cap.Anexos 90 I-Questionário dos pais 91 II .2.2 Caracterização da instituição pesquisada 42 3.4 Análise de dados 55 4.2 Teorias do desenvolvimento 34 2.1.1 Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos 17 1.3 Concepção de creche 23 Cap.3.2 Henri Wallon 35 2.3.Questionário dos professores 93 .2 Avaliação 77 5.Considerações Finais 86 6.3 Lev S. brinquedo e brincadeira 26 2.2 Brincar.1 Intervenção 68 4.2.1 Infância e Educação Infantil 15 1.1 Jean Piaget 34 2.3. Vygotsky 36 Cap.9 SUMÁRIO Introdução 11 Cap.2 Educação Infantil no Brasil 20 1.1 O Desenvolvimento da Criança 32 2.Referencias 88 7.3.

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III - Projeto “A Importância da recreação para o desenvolvimento sócio-cognitivo de crianças no maternal” 94 IV - Projeto “O resgate da infância por meio do brinquedo e da brincadeira na educação infantil” 99

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Introdução Desde o nascimento as crianças são inseridas em um contexto social, seu primeiro contato social se dá pela interação com os pais. Nos primeiros meses de vida a criança entra em contato com o mundo da brincadeira por meio das brincadeiras de esconder o rosto e em seqüência aparecem às brincadeiras cantadas. Os adultos muitas vezes não percebem a importância desse tipo de brincadeira, por meio dela transmite-se muitas características da cultura folclórica. Primeiro a criança brinca sozinha, depois procura companheiros para brincadeiras paralelas e com brinquedos. Só então ela incorpora o sentimento de socialização, descobrindo os prazeres e dissabores do brincar em conjunto. Conforme as crianças vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se caracteriza como o período que antecede a idade adulta, Postman(1999) em seu livro O Desaparecimento da Infância, se refere a infância como um artefato social e não uma categoria biológica. Isso significa que infância é uma fase específica da vida, que tem variações históricas e sociais. Por exemplo, uma criança que trabalha desde cedo nos fornos quentes das cerâmicas, não tem o sentido de infância, pois ela não teve direito a educação, a brincar, ao cuidado, etc. Segundo este autor, a idéia de infância é uma invenção da Renascença. No livro A História Social da Infância o pesquisador Áries (1986), destaca que o sentimento de infância começa a existir no final do século XVI, perpetuando-se no final do século XVII. Antes disso a criança era tratada como adulto em miniatura sendo ignorada pela sociedade. A visão trazida pelo romantismo sobre a infância trata as crianças como futuro da nação, um ser frágil, inocente e em desenvolvimento cabendo a educação transformá-las em homens educados.

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Algumas mudanças como a expansão do mercado de trabalho para as mulheres, a mudança da estrutura familiar, antigamente o modelo de família nuclear na qual o pai/homem era responsável por manter financeiramente a casa e a mãe/mulher era responsável apenas pela educação dos filhos, nos dias de hoje os arranjos familiares tendo a mulher como provedora da casa, a intensa urbanização e a preocupação da sociedade com a escolarização das crianças culminaram na expansão do ensino no Brasil e no mundo, sendo os principais fatores para a entrada cada vez mais cedo de crianças nas instituições de ensino. Principalmente as de período integral, anteriormente tratada como creche. Foi criada em 1959, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interação social, cultural e até financeiro conforme o caso, dandolhes condições de sobrevivência até a sua adolescência. Tendo como base e fundamento os direitos a liberdade, estudos, brincar e convívio social das criança que devem ser respeitados e preconizadas em dez princípios. Destacando o princípio VII no qual se afirma que : “A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito”. Neste mesmo princípio se afirma que: ”A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares (...)”. As mudanças sociais ocorridas no Brasil e no Mundo fizeram com que grande parte da sociedade civil e órgãos governamentais se engajassem em um grande movimento para que o atendimento educacional de crianças de 0 a 6 anos e a infância fossem reconhecidos na Constituição Federal de 1988, o que se concretiza em vários de seus artigos. A partir de então a educação infantil em creches e pré-escolas foi legalizada (artigo 208) e um direito de todos e dever do estado e da família (artigo 205).

1988) demonstra que já havia um interesse por parte dos brasileiros com relação à mudança nos direitos da criança.Tem por objetivo possibilitar aos sistemas de ensino a aplicação dos princípios educacionais constantes da Constituição Federal. promulgado pelo então presidente Fernando Collor de Melo com o objetivo de estipular os direitos e responsabilidades das crianças e adolescentes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN) disciplina o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. avançou no direito das pessoas ao explicitar os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta. baseada no princípio do direito universal à educação para todos. trouxe diversas mudanças em relação a lei anterior entre elas a inclusão da educação infantil. o que fez com que o Brasil se tornasse o primeiro país a adequar a legislação interna aos princípios consagrados pela Convenção das Nações Unidas. A atual LDB (Lei 9394/96) sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 1989. Sendo um dos direitos fundamentais da criança é o direito de brincar presente no artigo 16. Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antes de tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização. inciso IV. como primeira etapa da educação básica. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). já previstos na Constituição de 1988.13 Nossa Constituição (BRASIL. portanto toda vez que se promulga a Constituição é necessário a elaboração de uma nova LDB. em creches e pré-escolas. . conseqüência do direito da criança à educação e não direito da mulher trabalhadora . que elevou a criança e o adolescente a preocupação central da sociedade.

sendo eles: Introdução . . Sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de estudo do trabalho.Definir brinquedo e brincadeira. Pesquisar junto aos pais e dos alunos e educadores a concepção deles sobre brinquedo e brincadeiras.Infância e educação infantil. Contextualizar a realidade estudada no cenário municipal. brinquedo e brincadeira. para essa faixa etária tanto a organização pedagógica e filosófica das atividades desenvolvidas. . bem como a estrutura física e organizacional da escola.14 Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessas crianças. Observar a realidade identificando os tipos de atividades lúdicas e os recursos disponíveis para o desenvolvimento das mesmas. Brincar. O desenvolvimento da criança. afetivas e psico-sociais da criança de 2 à 6 anos. Aspirou analisar o papel do educador diante da questão do brinquedo e da brincadeira no desenvolvimento de seus alunos. Os objetivos específicos da pesquisa foram: . a presente pesquisa almejou analisar a importância do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. Relacionar os dados obtidos através de questionários com dados obtidos nas observações. Este trabalho será apresentado em capítulos. Caracterizar o funcionamento da escola de período integral. Desenvolvimento da pesquisa e Considerações Finais.Identificar as características cognitivas.

a criança era menos que o adulto. deixando a antiga idéia de adultos em tamanho reduzido. Recorrendo-se ao seu significado literal. Por se tratar de uma construção histórica nos séculos X-XI havia profundo desinteresse pela infância. por isso era representada como adulto em miniatura.Infância e Educação Infantil O homem é um ser histórico social. O terceiro modelo de criança é a representação da criança nua. que constrói sua história no decorrer dos anos. sendo considerada como um período de transição sem nenhuma lembrança ou importância para a vida adulta. . pois se considerava que antes dos sete anos a criança era incapaz de falar e expressar seus pensamentos e desejos. No primeiro as crianças as crianças aparecem na forma de anjos. a palavra infância oriunda do latim infantia significa “incapacidade de falar”. A partir desse pressuposto a noção ou sentimento de infância foi construído ao longo da história. está ligada a noção de família e ao desenvolvimento escolar no século XVII. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo”. No século XIV surgem novos modelos para representar a infância. Desde a antiguidade a palavra infância estava atrelada a incapacidade. A conceituação de infância que conhecemos é recente. nessa época a idéia de infância estava ligada a Maria.15 1. Nos registros da arte Medieval não se encontra nenhum relato sobre o tema até o meio do século XII. O segundo modelo de criança seria a imagem da criança sagrada representada pelo Menino Jesus ou por Nossa Senhora Menina. Segundo o historiador Phillipe Áries em seu livro História Social da Criança e da Família (1981) no qual elaborou estudos sobre a infância na Europa “É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade.

p.23) No século XVII passou-se a conservar a imagem da infância pela arte. novos olhares e algumas rupturas com o modelo de infância concebido até então. .16 No século a densidade demográfica da época explica a indiferença com relação às crianças. essas necessidades estão atreladas ao novo sistema vigente. o consumismo e a globalização. para a sociedade burguesa a criança deve ser amparada e escolarizada. porém a valorização da imagem da criança permaneceu e consolidou-se então a noção de família. Segundo a pesquisadora Kramer (2003) “entende-se comumente. novos interesses e necessidades que não existiam antes. “criança” por oposição ao adulto: oposição estabelecida pela falta de idade ou de “maturidade” e “de adequação integração social”. de fato. já que a possibilidade de perda das mesmas era muito alta. Todas essas características demonstram que nem sempre escola. No século XIX substitui-se a pintura pela fotografia. É notável. infância e família existiram da mesma forma. Ela aparece com a sociedade capitalista. A nova visão de infância possui outras características. conforme ocorrem as mudanças na relação social da criança. O gosto novo pelo retrato indicava que as crianças começaram a sair do anonimato em que sua pouca possibilidade de sobreviver as mantinha. A criança passou a ser representada sozinhas sendo modelos favoritos dos pintores da época. As crianças começaram a sair do anonimato quando os adultos iniciaram o gosto pelo retrato. historicamente de acordo com a modificação nas formas de organização da sociedade. que nessa época de desperdício demográfico se tenha sentido o desejo de fixar os traços de uma criança que continuaria a viver ou uma criança morta.1981. o capitalismo. A visão contemporânea de infância se depara com uma série de mudanças. Se para a sociedade feudal a criança se tornaria adulta assim que a mesma ultrapassasse o período de alta mortalidade e já pudesse trabalhar. a fim de conservar sua lembrança” (ARIÉS. Para a pesquisadora Kramer (2003) a idéia de infância não existiu sempre e foi modificada com o passar do tempo.

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Por muitos anos a escola e a família eram os grandes responsáveis pela socialização e interação da criança com o mundo, nos dias de hoje outras mídias como a televisão e a internet responsáveis por essa função. Segundo Pfron Neto as crianças tem interesse pela televisão a partir dos 6 meses de vida , passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos 2 a 3 anos de idade. Outro fator que convém ressaltar na mudança da concepção de infância está ligada a nova característica da sociedade contemporânea, a individualização das pessoas. Os pais presos a sua rotina estressante profissional, deixam seus filhos aprisionados em suas casas, permanecendo sozinhos por um longo tempo. Com isso a televisão por sua vez invade a vida das crianças pregando determinado estilo de vida, com modismos e ideais, ditando regras, brincadeiras, formas de ver o mundo. Estimulando a consumir casa vez mais, transformando as crianças em consumidores desenfreados. Nesse sentido a mídia altera a noção de infância construída até os dias de hoje, reduzindo a criança a um sujeito-consumidor,
Ser criança é ter corpo que consome coisa de criança. Que coisas são essas? Primeiro coisas que a mídia define como tendo sido feitas para o corpo da criança. Segundo coisas que ela define como sendo próprias do corpo da criança. Respectivamente, por um lado bolachas, danoninhos, sucos, roupas, aparatos para jogos, etc, por outro gesto, comportamento, posturas corporais, expressões, etc. Ser criança é algo definido pela mídia na medida em que é um corpo-que-consomecorpo (GHIRALDELLI JR. 1996, p. 38).

Nesse aspecto a mídia constrói um significado diferente de infância, deixando de ser uma fase natural da vida, pois sendo então objeto de manipulação, construído, ditado, instruído pela mídia. Diferentemente da visão que prega a criança feliz, protegida, educada, segura. Ou seja, o que vemos hoje é a simulação da noção de infância. 1.2 - Educação Infantil na Europa e nos Estados Unidos

Assim como o conceito de infância, a escola infantil do modo como a conhecemos é muito recente e sua concepção se confunde com a concepção de infância . A percepção de

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escolarização em tempos passados se resumia ao convívio das crianças em grupos adultos e como eles aprendiam a se tornar membros desse grupo. Sem que houvesse a percepção de que a infância é uma fase distinta da vida, que como tal tem suas próprias características, especificidade e necessidades. Na Idade Média ao completar sete anos de idade, a criança entrava em outra família para aprender os afazeres domésticos e costumes, adquirindo conhecimento e experiência prática. Apenas os clérigos de todas as idades, principalmente do sexo masculino é que podiam freqüentar os colégios existentes na época dirigidos pela Igreja Católica. Nas famílias em que os meninos estudavam as meninas não aprendiam nada. Nessa época não havia trajes para diferenciar as crianças dos adultos, os trajes eram diferentes apenas para as classes sociais, sendo assim serviam apenas para perpetuar as diferenças de classes. Áries (1981) explica que a idade Média vestia indiferentemente todas as classes de idade, preocupando-se apenas em manter visíveis através da roupa os degraus da hierarquia social. Nada, no traje medieval, separava a criança do adulto. Segundo Áries:
Essa função demográfica da escola não surgiu imediatamente como uma necessidade. Ao contrário, durante muito tempo a escola indiferente à repartição e à distinção das idades, pois seu objetivo essencial não era a educação da infância. (ÁRIES, 1981, p.124)

Na Idade Moderna, o crescimento da população urbana, a Revolução Industrial e o Iluminismo proporcionaram uma nova etapa à educação infantil, a ruptura de paradigmas considerados arcaicos trouxe modificações sociais e intelectuais a criança. Surgem as primeiras propostas de educação dissociando o desenvolvimento social do desenvolvimento da educação. A obrigatoriedade da escola foi bastante discutida entre os séculos XVIII e XIX, nesta época questionava-se a eficácia das escolas mistas. A disciplina na idade escolar era rigorosa e efetiva, por considerar a criança frágil e incompleta. A Reforma Protestante trouxe a idéia da universalização da escola, surge então uma nova perspectiva sobre a educação infantil levando em consideração como ensinar.

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As idéias de Pestalozzi e Froebel deram origem ao conceito de educação compensatória, seguidas por Montessori e Mc Milam no final do século XIX e sua aplicação efetivamente ocorreu no século XX. A educação pré-escolar era encarada de forma a compensar a pobreza, miséria e a carência das famílias.
A educação pré-escolar começou a ser reconhecida como necessária tanto na Europa quanto nos Estados Unidos durante a depressão de 30. Seu principal objetivo era o de garantir emprego a professores, enfermeiros e outros profissionais e, simultaneamente, fornecer nutrição, proteção e um ambiente saudável e emocionalmente estável para crianças carentes de dois a cinco anos de idade. (KRAMER, 2003, p.23)

Com a Segunda Guerra Mundial o atendimento pré-escolar tomou novo rumo, passando a atender os filhos de mães que trabalhavam na indústria bélica e daquelas que substituíam o trabalho masculino. Por ter caráter de urgência a necessidade desse tipo de atendimento teve índices elevados e culminou com duas medidas importantes para o âmbito da educação pré-escolar. Por um lado a educação pré-escolar assumiu caráter assistencialista de grande importância para a comunidade, já que a partir de então as mães poderiam trabalhar. Por outro lado despertou interesse por novas formas de pensar a educação de crianças, surgiu então à preocupação com as necessidades sociais e afetivas das crianças. Nesse momento aumentaram os estudos sobre a as teorias do desenvolvimento da criança e sobre psicanálise no âmbito pré-escolar. Na década de 60 as pesquisas na educação pré-escolar seguiam a linha do pensamento sobre o pensamento da criança e sobre a influência da linguagem no desenvolvimento escolar. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre testes de inteligência indicavam que as crianças que freqüentaram a jardins de infância ou creche eram melhores do que as que não freqüentaram nenhum tipo de instituição escolar. Atualmente os objetivos da educação na Europa têm sido o desenvolvimento integral do indivíduo e a aprendizagem de diversos meios de expressão para o ensino básico.

20 1. Podemos observar que a assistência às crianças pequenas era praticada por médicos sanitaristas e associações de damas beneficentes sendo deixada de lado pelos órgãos públicos. .Educação Infantil no Brasil Ao analisar o histórico da Educação Infantil. 2º período de 1874 até 1889 e o 3º período de 1889 até 1930. de maneira geral. Para estudar alguns aspectos históricos ligados à história da educação no Brasil. Os poucos projetos que se concretizaram durante este período segregavam as crianças negras filhas de escravos das crianças da elite filhas dos senhores. porém muitos projetos não saíram do papel. a pesquisadora Kramer(2003). associações de damas beneficentes etc. Neste período predominou o desejo de alguns grupos em diminuir o desinteresse do governo em relação às políticas para as crianças.divide a história em três períodos sendo eles: 1º período vai desde o descobrimento até 1874. a criança já estava sendo assistida por diversas leis e instituições que principalmente durante as duas primeiras décadas prestavam atendimento médico. interesse da administração pública pelas condições da criança brasileira. até 1930. faltava.2 . p. No 3° período. se existiam algumas alternativas provenientes de grupos privados (conjuntos de médicos. 2003. Mas. Nesse período havia apenas casas para os abandonados de primeira idade e uma escola para os abandonados com mais de doze anos. Segundo Kramer (2003) do período do descobrimento até 1874. escolar e higiênico. Já no 2° período de 1874 até 1889 há registros de projetos assistencialistas elaborados por alguns grupos especialmente médicos.).50). devemos considerar que sua construção está ligada à concepção histórico-social de instituições como a família e da infância. principalmente a pobre (KRAMMER. no Brasil não se pensava na infância tanto do aspecto jurídico quando do atendimento as crianças.

Neste breve estudo do contexto educacional da educação Infantil no Brasil pré 1930 percebemos que a educação da criança pequena se baseou no assistencialismo médico e na psicologização da educação. A década de 30 é considerada aqui como limite pelas modificações políticas.56). (idem. econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional . porém foi mantido por doações. jardins de infância. teve inicio a “primeira creche popular cientificamente dirigida” a filhos de operários até dois anos e.em estreita relação com o cenário internacional .e que se refletiriam na configuração das instituições voltadas às questões de educação e saúde. A fundação do instituto foi contemporânea a uma certa movimentação em torno da criação de creches . criar leis para a proteção dos recém-nascidos. Dentre os órgãos criados pelo governo se destaca: o Departamento Nacional da Criança em 1940. divulgar boletins e uniformizar as estatísticas brasileiras sobre a mortalidade infantil. promover iniciativas de amparo à criança e mulher grávida pobre. Em 1919 inicialmente sob responsabilidade do Estado foi criado o Departamento da criança no Brasil. como também na sua política. promover congressos. OMEP em 1969 e COEPRE em 1975. O Estado cria vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância afirmando a política de valorização da criança. atribuídos a “concepção abstrata da infância”. Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar em 1953. p. sem vida social. dentre as quais: monitorar a proteção da infância no Brasil. . como adulto em potencial. SAM – 1941 e FUNABEM. UNICEF em 1946. Em 1908. A valorização da criança pelo Estado ocorreria gradativamente pós 1930. maternidades e da realização de encontros e publicações. criar creches. CNAE em 1955.52). p. foi inaugurado o Jardim de Infância Campos Salles. no Rio de Janeiro. com o objetivo de privilegiar as necessidade das crianças pobres e as crianças com necessidades de algum cuidados. (idem. Surgiu então o Estado autoritário preocupado com as crianças consideradas não aproveitadas. Legião Brasileira de Assistência em 1942 e Projeto Casulo. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1972.21 Em 1899 foi criado o Instituto de Proteção e Assistência a Infância do Brasil para receber menores de oito anos. Este departamento possuía diferentes tarefas. em 1909. maternidade e jardins de infância.

A crença na pré-escola e na educação compensatória como solução para os problemas sociais pressupõe uma dada posição perante o mundo e a sociedade. O segundo sugere o estimulo para que as empresas instalem instituições de ensino para os filhos das mães trabalhadoras. p. essa carência existia porque os pais das famílias pobres não conseguiam proporcionar oportunidades para um bom desenvolvimento escolar. culturais e nutricionais. . O primeiro é dedicado à educação de crianças até sete anos em escolas maternais. Acentuando assim os problemas de desigualdade social já existentes na sociedade. Sendo assim a maioria das creches e préescolas públicas tinham essa função assistencialista.22 Mesmo com esforços empreendidos. Enquanto as instituições particulares caminhavam na direção contraria visando o desenvolvimento cognitivo. sendo regulamentada por vários órgãos e continuava a ser vista como assistencialista.107). Com caráter compensatório que visava suprir a falta de condições sociais. emocional e social das crianças atendidas. O fracasso dos programas nela fundamentados pode significar um retrocesso na medida em que sirva para justificar uma pretensa inferioridade das crianças (idem. com recursos escassos e atendimento voltado mais para os problemas de saúde do que para os da educação propriamente ditos. a política de assistência social não atingiu a todos. sendo que sua prática foi muito desigual. que faria com que seus filhos repetissem o ano letivo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961) discorre dois artigos sobre a educação pré-escolar. A pré-escola serviria para suprir a carência educacional e suprir os requisitos básicos que não foram anteriormente transmitidos por seu meio social para garantia do sucesso escolar. A educação pré-escolar (educação compensatória) foi instituída para amenizar a evasão escolar e alta taxa de repetência no 1ª sério do 1º grau entre as crianças carentes nos anos 70. Nota-se que a educação era fragmentada. Neste sentido a educação compensatória visava preencher o “vazio” cultural que atingia as crianças carentes antes que entrassem no 1º grau. jardins de infância e instituições equivalentes.

3 . A partir de então a educação pré-escolar passou a seguir uma concepção pedagógica que completava a ação da família deixando a atuação assistencialista para trás. Deveria ser integrada ao sistema de ensino. municipal e beneficente. No entanto a educação compensatória é vista como solução para o problema da educação e sociedade brasileiras. Retirando a responsabilidade de o Estado atuar sobre os programas de educação infantil. fortes e nutridas. Essa visão pedagógica tinha a criança como ser histórico e social. Contudo o direito a educação pré-escolar até os 5 anos está longe de ser concretizado para a boa parte das crianças das camadas populares. Com a Constituição de(BRASIL. a insuficiência de docentes qualificados. Seu reconhecimento começa a ser notado nos documentos oficiais e em pronunciamentos. Em 1990 com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente. bem como nas ações desenvolvidas por iniciativas estadual. escassez de recursos e ações concretas para sua viabilização. pertencentes a uma determinada classe cultural e social tornando obsoleta a prática da educação compensatória. a urbanização e a necessidade de mão-deobra formada por pessoas sadias. fragmentação dos programas educacionais e de saúde e ausência de uma política integrada para a educação. 1. os municípios se tornaram responsáveis pela infância e adolescência.Concepção de creche A pesquisadora Haddad (2002) nos revela que segundo estudos históricos as creches surgiram nos países europeus e norte-americanos no século XIX e no Brasil no inicio do século XX com a estruturação do capitalismo. .23 Nos anos 80 a educação pré-escolar passou por problemas dentre os quais o caráter assistencialista da educação. 1988) a educação pré-escolar passou a se vista como um direito da criança e dever do Estado.

28) Pela primeira vez na história do país. A creche não surgiu como necessidade da mulher trabalhadora. Aranha define creche como: Creche é uma instituição social. psicólogos. pois deveria prevenir e evitar a desestruturação familiar. a creche passou a ser vista com a ajuda de pesquisas . ou ainda para as mães consideradas incapazes de criar seus filhos. recreacionistas. instáveis. Normalmente essas famílias têm carências sociais.07) Sendo assim a necessidade da creche apenas se justifica para atender as viúvas ou abandonadas que tenham a necessidade de trabalhar para manter a casa. o atendimento de crianças em creches e préescolas é dever do Estado. pois é rodeada por assistencialismo. A creche é procurada por pais que trabalham em período integral e necessitam deixar seus filhos sob o cuidado de terceiros. Sendo uma instituição social cuja finalidade é prestar atendimento a famílias desamparadas e/ou desestruturadas. moral e social das famílias. com atuação de forma compensatória. esperando preencher ou completar os espaços vazios causados pela sua própria insuficiência de recursos. cujo objetivo é prestar atendimento às famílias.p. Essa concepção passa a ser revista apenas na década de 60.24 A creche foi por muito tempo alvo de discriminação por algumas pessoas. Essas duas novas conquistas são importantes para a história da educação e do cuidado das crianças. 2002. p. diminuição do tempo de espera da criança e ênfase na sua autonomia e independência (HADDAD. financeiras e emocionais e procuram a Creche para deixar os seus filhos enquanto trabalham. quase sempre parcialmente constituídas. Vista como medida de emergência e último lugar a ser procurado pelas famílias. medidas de reorganização como jogos educativos. Alterações significativas são introduzidas no funcionamento das creches visando ao treino de habilidades específicas: novas categorias profissionais. redistribuição do espaço. demonstrando interesse e preocupação da sociedade com essa etapa de ensino das crianças. pedagogos. Na década de 60 observa-se a entrada de outra corrente de pensamento nas creches. mal-assentadas. na maior parte dos casos como decorrência da corrente migratória. como professores. com a introdução dos discursos pedagógicos baseados nas teorias de privação cultural. Neste contexto a idéia inicial de creche é caracterizada pela iniciativa privada com caráter filantrópico e assistencialista. suprindo a carência econômica. A creche passa a ser vista como um lugar privilegiado para compensar deficiências bio-psico-culturais apresentadas no desenvolvimento da criança. (ARANHA. 2002.

psicológico. Podemos notar que a construção da concepção de creche ao longo do tempo tem interesses políticos e econômicos dependendo do contexto histórico. deve fazer parte do processo educativo das crianças. primeira etapa da educação básica. . privilegiando a importância dessa fase na formação integral do individuo. Porém salvo algumas exceções a creche ainda possui caráter assistência. as relações entre classes sociais.1998. as responsabilidades da sociedade e o papel do estado diante das crianças pequenas (BRASIL. intelectual e social. assumir as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância. pois é um espaço onde ocorre inumeras interações sociais. mesmo que implicitamente a creche não pode ser vista como substituta da mãe ou da família. Os objetivos da creche estão explícitos na referida Lei. e o papel do educador da creche só terá efeito se culminar com a parceria da família e da comunidade e que o tempo que a criança permanece nessa instituição de ensino terá fins de socialização e não como substituta da família no processo educativo. principalmente. tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até os cinco anos de idade.17). A legislação em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) reconhece a importância de profissionais qualificados para o trabalho com as crianças. Envolve. p. expresso pelo artigo 29: A educação infantil. com profissionais despreparados para o exercício da profissão que privilegiam o ato de cuidar em detrimento ao ato de educar.25 recentes como local de grande importância para o desenvolvimento infantil. Conforme visto na referida lei. em seus aspectos físico. completando a ação da família e da comunidade. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) decorre sobre a necessidade de mudança desse paradigma educacional no país: Modificar essa concepção de educação assistencialista significa atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais.

É uma atividade lúdica. assim como faz o adulto. Em comparação ao brincar da criança. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando. acredita-se que a criança brinque apenas por prazer. pois muitas vezes as crianças ficam muito envolvidas sendo difícil tirá-la de determinada brincadeira mesmo que ela esteja cansada ou então não esteja obtendo sucesso. Piaget (apud Kishimoto. esses fatos são exemplos de que a criança não brinca por prazer e sim por necessidade. A importância do brincar para a criança é uma construção histórica. Os adultos trabalham para obter dinheiro para seu sustento.1 .26 2. quando brinca a criança experimenta sensações antes desconhecidas. Mesmo que o trabalho dê alegria. discorre sobre o brincar: quando brinca. pois sua interação com o objeto mas da função que a criança atribui.2002). entreter-se. Brincar possui vários significados dentre os quais: divertir-se infantilmente.Brincar. Para a pesquisadora Wajskop(2001) a criança que brinca pode adentrar o mundo do trabalho pela via da representação. sem compromisso com a realidade. . a criança assimila o mundo a sua maneira. A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. livre e prazerosa. compensação e um sentido a vida ele também causa estresse e cansaço. entra no mundo do adulto. mas não o fazem por simples prazer. folgar e foliar. reproduz as relações sociais e de trabalho de forma lúdica e se apropria do mundo em seu processo de construção como sujeito histórico-social. Quando uma criança não alcança o objeto que quer pegar ou se cansa antes de atingir o objetivo da brincadeira. brinquedo e brincadeira. Brincar vem antes do jogo que supõe regras. Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto.

. numa situação imaginária. Kishimoto (2002) explica que dentro do Romantismo a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento com características próprias. A ação na esfera imaginativa. No século XVIII Rousseau inicia a perspectiva genética em sua obra ÉMILE.] a especificidade . p.27 Segundo Vygotsky (1998) o brincar cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança.” (KISNHIMOTO.117). três concepções estabeleciam essas relações: o uso do jogo para recreação. É nesse contexto que o jogo aparece como típico da criança. interpreta situações e incorpora e altera significados. a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas . no mais alto nível do desenvolvimento infantil. Só a partir do Renascimento é que o jogo ganha importância.. escolares ou esforços físicos. o uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares e diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis. contrariando a visão da criança como adulto em miniatura ressaltando “[. A criança desenvolve-se. 1988. Com o brinquedo a criança ultrapassa limites que lhe são preestabelecidos. que se constitui. através da atividade do brinquedo (VYGOSTKY. seja pela criação . embora transitórias. Na idade Média o jogo foi considerado “não-sério” por estar associado ao azar. apropriando-se assim em larga escala a sua cultura. p. 2002. assim. a criança é vista como ser que imita e brinca.tudo aparece no brinquedo. Sobre as relações entre jogo e educação Kishimoto (2002) acredita que antes da revolução romântica. Salienta ainda que no brinquedo a criança comporta-se de maneira mais avançada do que é normalmente é. A nova concepção do jogo está relacionada à consciência de infância que nasceu com o Renascimento. “O Renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. essencialmente.28). O jogo desde a antigüidade greco-romana foi visto como recreação sendo necessário para aqueles que exerciam atividades intelectuais. pela imitação ou ainda pela definição de regras específicas.

31) Para a autora alguns teóricos freudianos como Melanie Klein a brincadeira infantil é o meio para estudar e perceber os comportamentos da criança. Claparède citado por Kishimoto (2002)recorreu à psicologia da criança para conceituar pedagogicamente a brincadeira..]”. O autor destaca “[..28 infantil.19) Com o surgimento da psicologia no século XIX fortemente influenciada pela biologia.2002. demonstrando falta de conceituação neste campo de estudo. no primeiro o jogo expressa valores sociais. O brinquedo difere-se do jogo por sua indeterminação enquanto ao uso e pela ausência de regras que estabelecem sua utilização. No caso da criança. 2002. integra predominantemente elementos da realidade. em conseqüência método natural de educação [. Para Kisnhimoto (2002) o jogo pode ter três significados distintos. no segundo o jogo é um sistema de regras e o terceiro caso refere-se ao jogo como um objeto. criador do objeto lúdico. Jogo.]”. 2002. O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto. Já outros teóricos como Vygostky e Bruner focalizam o contexto sociocultural e a estrutura da linguagem para subsidiar o estudo da brincadeira. brinquedo e brincadeira ainda são indistintos no Brasil. E possui variações em seu imaginário e varia de acordo com cada faixa etária.. Nesse campo de estudo o jogo por Gross foi considerado necessidade da espécie. (KISHIMOTO. (apud Kishimoto.. está carregando de animismo: de 5 a 6 anos. com influência da biologia e do romantismo.p. p.19) . o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos. p.. (aput KISHIMOTO.] que o jogo infantil desempenha papel importante como o motor do autodesenvolvimento e. a criança como portadora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida[. os estudos com animais foram transpostos para o campo infantil..

um programa pedagógico preciso. de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. que só tenha valor para o tempo da brincadeira. Tudo. na idade escolar com seus familiares. com o espaço e com a cultura na qual está inserida. efêmera. Reiterando as idéias de Brougère (apud Wajskop. 2001. De onde a impossibilidade de assentar de forma precisa às aprendizagens na brincadeira. professores. pois desde cedo elas aprendem com as experiências que tem com o mundo dos adultos e das pessoas ao seu redor. 2001. espaço de aprendizagem fabuloso e incerto (BROUGÈRE. No primeiro caso. com seus pais. Pode ser o objeto comprado ou um objeto criado pela própria criança que às vezes usa esse objeto para essa específica brincadeira. Neste contexto a brincadeira da criança encontra papel fundamental na educação infantil. Aquele que brinca pode sempre evitar aquilo que não gosta. um objeto fabricado por aquele que brinca uma sucata. . pode ser um objeto namufaturado. p. amiguinhos.25). a partir da brincadeira. pois as crianças se desenvolvem e conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças.] é o lugar da socialização. Mas tudo isso se faz segundo o ritmo da criança e possui um aspecto aleatório e incerto.. Este paradoxo da brincadeira. o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira. com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais ou de aprendizagem. A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais. a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos” (Wajskop. da administração da relação com outro.p.31). “Dessa forma.31): [. p. APUD WAJSKOP. 2001. da apropriação da cultura. de seus pais. nesse sentido se torna brinquedo e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura (BROUGÈRE. Se a liberdade caracteriza as aprendizagens efetuadas na brincadeira.2001. Não se pode organizar. um objeto adaptado.. Atividade essa que a criança faz para recrear-se ou por diversão.62). Os brinquedos podem ser definidos das seguintes maneiras: seja em relação à brincadeira. ela produz também a incertitude quanto aos resultados. seja a uma representação social. A criança desde seu nascimento está inserida em um contexto social.p. do exercício da decisão e da invenção.29 Brougère afirma que o brinquedo é um objeto com características peculiares àquele que brinca.

tamanho e forma. mãe e filho entres outros papéis que representam as pessoas de seu meio social. Brincar de boneca permite-lhe representar seus sentimentos ambivalentes. Os brinquedos educativos surgiram nos tempos do Renascimento. Nas brincadeiras de faz-de-conta ou jogo simbólico os temas são comuns dentro de uma mesma cultura. mas também tenta resolver problemas do passado. brinquedos de encaixe que trabalham a noção de seqüência. As crianças brincam de educação ou escolinha. as brincadeiras tradicionais. Porém a utilização desse material pedagógico exige a ajuda de parceiros e a sistematização de conceitos. Segundo Kishimoto (2002) “a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento.. brinquedos de tabuleiro que servem para ensinar números e operações matemáticas. Alguns exemplos desse tipo de brinquedo são: o quebra-cabeça: cuja função é ensinar formas e cores. que deixa evidente a presença da situação imaginativa tais como brincar de escolinha. Esses brinquedos são entendidos como recursos para se educar de forma prazerosa. típica do lúdico”. de médico ou de casinha são considerados por Piaget (1971) como jogo simbólico. brincadeiras de faz-de-conta e as brincadeiras de construção. ao mesmo tempo que se projeta para o futuro. mas também projetando o futuro como reitera Kishimoto. representam as relações familiares como papai e mamãe. [.30 Alguns tipos de brincadeiras mais comuns na educação infantil são os brinquedos educativos. como o amor pela mãe e os ciúmes do irmãozinho que recebe os cuidados maternos. O jogo simbólico surge aos 2/3 anos na medida em que a criança se apropria da linguagem e da representação. As brincadeiras que representam papéis sociais ou jogo sociodramático. Brincar com bonecas numa infinidade de formas está . As representações no faz-de-conta podem ser experimentadas não só no passado.] o brincar da criança não está somente ancorado no presente. porém só ganhou força com a expansão da educação infantil.. por contar com a motivação interna. A menina que brinca com bonecas antecipa sua possível maternidade e tenta enfrentar as pressões emocionais do presente.

p. são transmitidas oralmente e possuem características de anonimato. privilegiando o desenvolvimento afetivo e intelectual infantil. .69). 2002. ninguém conhece a origem da amarelinha ou do pião.31 intimamente ligado à relação da menina com a mãe. p. “Por permanecer à categoria de experiências transmitidas espontaneamente conforme motivações internas da criança. permanecendo na memória infantil. A origem de tais brincadeiras é desconhecida. (BETTELHEIM apud KISHIMOTO. 2002. As brincadeiras tradicionais infantis são brincadeiras passadas de geração a geração.39) Os jogos de construção foram desenvolvidos por Froëbel. Essas brincadeiras são filiadas ao folclore e incorporam a cultura popular. desenvolver capacidades da criança e estimular a criatividade. (KISHIMOTO. Nesses jogos as crianças constroem. transformam e destroem expressando seu imaginário. das parlendas ou das formulas de seleção. a fim de enriquecer a experiência sensorial. modificadas com o passar do tempo ou podem permanecer da mesma forma. a brincadeira tradicional infantil garante a presença do lúdico. da situação imaginária”. Tais jogos mantêm uma estreita relação com os jogos de faz-de-conta à medida que as crianças constroem casas e cenários para as brincadeiras simbólicas.

a atividade objetal e a aquisição da linguagem.124).103). O ato de andar permite a criança maior contato com os objetos e maior contato com o mundo externo.3. ou seja. p. 1996. pois a partir de então a criança passa por mudanças na forma de comunicação com o adulto. . As transformações quantitativas que a criança experimenta nos três primeiros de anos de vida são tão notáveis que certos psicólogos consideram que o desenvolvimento do homem pode ser dividido em duas metades: do nascimento até os 3 anos e dessa idade pelo resto da vida (MUKHINA. Nessa fase a criança absorve novas e grandes conquistas. Os avanços mais importantes adquiridos pelas crianças ao final da primeira infância são: o andar ereto. os objetos passam a ser vistos de acordo com sua função. (idem.O Desenvolvimento da Criança Primeira Infância A criança de três anos encontra-se no fim de uma fase considerada pelos pesquisadores de suma importância para o desenvolvimento do homem: a primeira infância. Neste sentido MUKHINA(1996. que antes serviam apenas para manipulação.1.p. Nessa fase a criança adquire nova concepção em relação aos objetos. “Na primeira infância.32 2.43) salienta que a experiência social é a fonte do desenvolvimento psíquico da criança. a linguagem progride por duas causas: porque a criança aperfeiçoa sua compreensão da linguagem do adulto e porque desenvolve sua linguagem ativa própria”. E suas interações com o adulto bem como a mediação feita por ele são fontes importantes para o seu aprendizado. passam a ser vistos com a sua determinada finalidade.p. O desenvolvimento da linguagem é de extrema importância para a criança. Alguns pesquisadores acreditam que as aquisições adquiridas nesse período da vida são tão importantes que dividem o desenvolvimento humano em duas etapas.

Para que a integração com seu meio social possa acontecer a criança precisa dominar a linguagem. aumente os limites das relações familiares e estabelece comunicação com maior número de pessoas. p. A criança em idade pré-escolar conhece mais pessoas e torna-se mais independente. Pois nessas atividades formam-se as primeiras noções sociais e hierarquia das motivações. por volta dos 6 anos. seu pensamento e sua memória. Por exemplo “um menino de três anos que joga migalhas para as galinhas faz isso para vê-las reunir-se e bicar. O pré-escolar está se preparando para a entrada na escola. está bem mais consciente de seus atos e desejos e em muitas vezes demonstra essa consciência em atos concretos. os jogos e atividades produtivas influenciam nessa preparação.199). um menino de seis anos considera que presta ajuda à mãe”. O pré-escolar já consegue controlar sua percepção. especialmente com as da sua idade. O trabalho educativo no jardim-de-infância é de suma importância para essa preparação. A criança pode se lembrar de determinada atividade que lhe foi solicitada ou ainda se lembrar de música ou poesia que gosta. Também pode controlar a sua atividade intelectual. assim as crianças incorporam conhecimentos generalizados e sistematizados e conseguem se orientar na nova realidade. formam-se também a inteligência e a percepção e se desenvolve habilidades sociais. Nesta fase a criança já está apta a controlar os processos de memorização e reprodução. ou seja. Podemos perceber que o mesmo comportamento em crianças com idades diferentes se difere em relação a intencionalidade.33 Pré-escolar A criança pré-escolar maior. . MUKHINA(1996.

Henri Wallon e Lev S. p. formando uma noção do eu. são eles: Jean Piaget. assinalando cada passo de suas vidas.3. 1971. sendo seu maior foco o desenvolvimento intelectual da criança. na interação com o objeto. (PIAGET.3. Aprofundou os conhecimentos sobre os esquemas mentais da criança através de entrevistas que fazia com as mesmas. abordaremos alguns pressupostos básicos das teorias de desenvolvimento de três importantes teóricos. mostra ainda como o conhecimento se desenvolve.. senão indagar se toda informação cognitiva emana dos objetos e vem de fora informar o sujeito”. além de centenas de artigos em revistas.34 2. Em 70 anos publicou mais de cinqüenta livros e teses. Em sua teoria epistemológica Piaget discorre sobre as relações do sujeito e do objeto no processo de construção do conhecimento. Nesse processo cada indivíduo é um sujeito ativo de seu desenvolvimento cognitivo.1 Jean Piaget Jean Piaget formou-se em Biologia e especializou-se nos estudos do conhecimento humano em todas as disciplinas e toda a história da humanidade. Vygtsky. Graças à conquista da percepção e dos movimentos. 2.1 Teorias do desenvolvimento Para ilustrar as fases do desenvolvimento infantil. ..1.] não se pode. Piaget passou a observar o desenvolvimento dos próprios filhos. com efeito. Esquemas são estruturas mentais pelos quais os indivíduos organizam o meio intelectualmente. Diante da teoria psicogenética Piaget dividiu o equilíbrio em vários períodos: Período Sensório-motor (0 a 24 meses): Ao final deste período o sujeito será capaz de se diferenciar dos objetos. Para ele “[.13). Nessa abordagem interacionista Piaget procurou entender quais os mecanismos que o sujeito utiliza para compreender o mundo ao seu redor.

Assim como Piaget. meio peculiar à infância e “obra fundamental da sociedade contemporânea”. cognitivo e motor do desenvolvimento em suas diferentes etapas e vínculos. Torna-se consciente do seu próprio pensamento e adquire noção espacial e temporal. Via a escola. Seu estudo não apenas privilegiou a compreensão do desenvolvimento do psiquismo infantil. os esquemas simbólicos.3. a pedagogia oferecia campo de observação à psicologia. Adquire capacidade para conhecer e criticar suas regras e leis. pois através dela é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos. como um contexto privilegiado para o estudo da criança.2 Henri Wallon Contemporâneo de Piaget.35 Período Pré-Operatório (2-7anos): Ocorre progresso da inteligência pré-verbal e inicia-se o período da imitação em representações onde o sujeito representa uma coisa pela outra. Período das Operações Formais (12 anos em diante): Neste período o sujeito será capaz de formar operações abstratas que lhe permite ultrapassar o real. Nessa fase o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio de acordo com a teoria Piagetiana. Wallon focalizou os domínios afetivo. mas também contribui com a educação formando uma relação dialética entre psicologia e pedagogia. A criança nessa fase percebe-se como individuo um ser no universo que pouco a pouco se estrutura pela razão. O pensamento egocêntrico passa a ser estruturado pela razão. Assim. Wallon considera que o sujeito constrói-se nas interações com o meio. ao construir . A psicologia. como nos esclarece Galvão: Considerava que entre a psicologia e a pedagogia deveria haver uma relação de contribuição recíproca. ou seja. Período das Operações Concretas (7-11. 2. seu interesse pela psicologia da criança o levou a tentar compreender o psiquismo humano. Wallon formou-se em Filosofia e em seguida Medicina.2. mas também questões para investigação. por sua vez.12 anos): Período onde há um equilíbrio acentuando nas operações lógicas. Condições necessárias para a aquisição da linguagem. transmissões e interações sociais.

apesar de sua morte prematura aos 37 anos. passando a manipular objetos e explorar espaços.23) Wallon concebe o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva onde as fases ocorrem uma após a outra. p. Vygotsky Estudioso de literatura e psicólogo. Na obra de Vygostky não consta relatos detalhados de seus trabalhos científicos. . há interesse pelo mundo exterior fortalecendo as relações com o meio. Estágio categorial: Nesta fase a criança consolida a função simbólica e obtém avanços na inteligência e personalidade com relação à fase anterior. As idéias se difundiram nas mãos de seus colaboradores. existências e pessoais. Esta fase há uma retomada de questões morais.3. Para melhor ilustrar a teoria psicogenética Walloniana descreveremos as características dos estágios propostos por ele. Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos): Nesta fase a criança consegue autonomia. desregulada devido à ação dos hormônios. alternando afetiva e cognitivamente.36 conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da prática pedagógica. 2.3 Lev S. Estágio adolescência : Necessidade de nova definição da personalidade. Estágio do personalismo (3 a 6): Fase em que a personalidade da criança se forma e ela toma consciência de si. (GALVÃO. dos quais se destacam Alexander Romanovich Luria e Alexei Leontiev. nem uma concepção formulada do desenvolvimento humano. Há um predomínio das relações com o meio.2. 2002. deixou um enorme volume de produção acadêmica. porém suas idéias não se limitaram a uma construção individual. Estágio Impulsivo-emocional (primeiro ano de vida): Nesta fase a emoção é o instrumento de interação da criança com o meio. acontece por meio dos interações sociais.

1997. p. Por volta dos dois anos a fala da criança torna-se intelectual e generalizante com função simbólica. Os signos agem como instrumentos da atividade humana. “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. a interação com o meio social. Sendo assim a presença de um mediador é de suma importância para as relações do organismo com o meio. “Mediação é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação”. com indivíduos de maior cultura propicia maior desenvolvimento para a linguagem verbal da criança. Para Vygotsky ao longo da evolução do indivíduo ocorrem duas mudanças significativas: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos.37 Vygotsky privilegiou em seus estudos as “funções psicológicas superiores ou processos mentais superiores” (OLIVEIRA. Os elementos que auxiliam as relações mediadas são os signos e os instrumentos.34). como diz VYGOTSKY (1987). . preocupou-se em compreender s mecanismos psicológicos mais complexos da natureza humana. “A utilização de marcas externas vai se transformar em processos internos de medição esse mecanismo é considerado por Vygotsky processo de internalização”.26). Ou seja. Durante o desenvolvimento do individuo as relações mediadas se sobressairão sobre as relações diretas. Nas relações entre pensamento e linguagem os significados das palavras mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. p. p. ou seja. (idem. 1997. Os instrumentos por sua vez são elementos externos aos indivíduos. ou seja. Para ele a criança é um ser social. que nasce inserido em um ambiente social que é a família.26). E é nela que acontecem as primeiras interações com o meio físico e social através da aquisição da linguagem e da mediação. (OLIVEIRA.

O nível de desenvolvimento real refere-se às etapas já alcançadas pela criança. uma interação social. a função da escola só será adequada se conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos. Nessa perspectiva a imitação “não é a mera cópia de um modelo. sendo assim formulou um conceito especifico em sua teoria: os níveis de desenvolvimento. (OLIVEIRA. p. O nível de desenvolvimento potencial é o intervalo entre o nível de desenvolvimento proximal e o nível de desenvolvimento real. aquilo que ela consegue fazer sozinha. pois o aprendizado incentiva o desenvolvimento.38 Para Vygotsky a aprendizagem e o desenvolvimento humano só ocorrem quando o individuo interage com o meio social. ou seja. 1997. dirigir o ensino não para as etapas já alcançadas pelo indivíduo e sim para as etapas em que ele ainda não incorporou. ou seja. Dentro da teoria de Vygostky a instituição escolar tem função fundamental no desenvolvimento dos indivíduos.63) . O nível de desenvolvimento proximal é a capacidade que o indivíduo possui para fazer determinada atividade com a ajuda do outro. mas a reconstrução individual daquilo que é observado nos outros”.

Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciaram o resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil. p.14). objetivou analisar de um modo geral como se encontra a relação do brincar no cotidiano de crianças na educação infantil. portanto uma preocupação social. . A coleta de dados foi feita a partir da observação do contexto educacional e de pesquisas com pais e professores.39 3 . Foi utilizada para o desenvolvimento deste projeto a pesquisa-ação com base em Thiollent (2004). vem ao encontro com as necessidades da pesquisa. não se limitando a uma simples reprodução de acontecimentos e situações já estudadas. Segundo o autor: A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. O método em questão não perde a legitimidade científica pelo fato de incorporar raciocínios subjetivos e argumentativos em sua investigação.Desenvolvimento O trabalho se estruturou metodologicamente por meio da Pesquisa-Ação. 2004. Desta forma a metodologia apresentada por Thiollent (2004). A pesquisa-ação é flexível. através de pesquisas bibliográficas. pois sendo a pesquisa-ação de base social não trabalha apenas com dados quantitativos muito comuns em pesquisa nas áreas exatas. pois sabemos o quanto os brinquedos e brincadeiras influenciam no desenvolvimento infantil. Desta forma foi necessário um embasamento teórico sobre o tema. onde o resultado experimentado deve ser comprovado. (THIOLLENT. Na pesquisa–ação o papel dos participantes é ativo no que diz respeito ao equacionamento e acompanhamento dos problemas levantados e também quanto ao acompanhamento e avaliação das ações desencadeadas no processo. assim como na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB). A escolha da metodologia da Pesquisa-Ação deu-se pelo fato de que o objeto de pesquisa que vem a ser a o brincar infantil.

dos problemas prioritários e das eventuais ações do campo de pesquisa.51) “um tema que não interessa a população não poderá ser tratado de modo participativo”. Para Thiollent (2004. Assim. desejados ou não”. Após o levantamento de informações. Paralelamente a esses primeiros contatos. O Diagnóstico consiste em estabelecer o levantamento da situação.2004. estabelece-se uma problemática através da colocação dos problemas que se pretende resolver em um campo teórico e prático.p.. p. o campo de observação e os sujeitos que estarão focalizados no processo de investigação. Segundo Thiollent (2004.40 A Pesquisa-Ação se divide em Diagnóstico. Nesta etapa. na Pesquisa-Ação é necessário que haja uma relação entre o saber formal e o saber informal.]identificar as expectativas. de forma que pesquisadores e participantes evoluam no processo de aprendizagem através da intervenção realizada. A etapa final da Pesquisa-Ação é a Avaliação. p.70) “a ação corresponde ao que precisa ser feito (ou transformado) para realizar a solução de determinado problema”. os problemas da situação as características da população e outros aspectos que fazem parte do que é chamado diagnóstico. Segundo Thiollent (2004. A Intervenção é a fase na qual o pesquisador formula hipóteses a respeito de possíveis soluções para o problema colocado na pesquisa. p57) “Tratase de hipóteses sobre o modo de alcançar determinados objetivos. o pesquisador estabelece os objetivos da pesquisa. sobre os meios de tornar a ação mais eficiente e sobre a avaliação dos possíveis efeitos. para fazer .. O tema da pesquisa deve ser definido de acordo com o problema prático e a área do conhecimento a ser abordados.48). de acordo com o autor o pesquisador deve: [. que consiste na concretização da pesquisa através da realização de uma ação planejada. considerando os problemas prioritários. Deve haver o retorno da informação aos grupos envolvidos na pesquisa. a equipe de pesquisa coleta todas as informações disponíveis(THIOLLENT. Intervenção e Avaliação. Desta maneira.

A intervenção foi realizada em uma Escola de Educação Infantil que funciona em período integral na cidade de Bauru.41 conhecer os resultados da pesquisa e contribuir para a tomada de consciência sobre o tema pesquisado. . responsáveis pelo Maternal II e pelo Pré. As observações realizadas.1 . intervenção e avaliação. Pesquisa-Ação Diagnóstico Intervenção Avaliação 3. entrevista e intervenção realizadas na instituição de ensino foram realizadas tendo como orientação um roteiro especifico elaborado de acordo com as questões que caracterizam o problema da pesquisa. elaborado pela pesquisadora juntamente com mais duas alunas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista. posteriormente realizada a entrevista semi-estruturada com as educadoras e com os pais das crianças das turmas observadas. sendo observada as ações pedagógicas de três educadoras da instituição de ensino.Procedimentos Para esse estudo foram utilizados os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica que sustentou a fundamentação teórica. Para a intervenção foi utilizada a observação do contexto educacional. entrevistas estruturadas e a realização de um projeto de intervenção de estágio curricular intitulado “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras”. sendo uma efetiva e duas estagiarias.

profissão e estado civil dos pais. escritórios de advocacia. época da pesquisa. casas residenciais. recebendo alunos de vários bairros distantes da cidade. escolaridade. Maternal I de 2 anos a 2 anos e meio. estacionamentos. comércio central. possui vizinhança em geral bem movimentada. No ano de 2008. escritórios de contabilidade. As pessoas que moram ao redor da instituição são pessoas com um nível sócioeconômico relativamente bom e moram a um bom tempo na região. sendo que em 2008 ano da pesquisa será o último ano a ter sala de pré na instituição devido a revisão da emenda Constitucional que altera a idade para o término da educação infantil para cinco anos. Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade. distribuídos por faixa etária: Berçário I dos 04 meses a 1 ano.2 . a instituição atendia cerca de 130 alunos. sendo que em seu regulamento interno consta que a instituição deveria atender a 112 criança. Por ser uma das únicas creches instaladas no centro da cidade a instituição é bastante procurada. A maioria das casas são construções antigas. Berçário II de 1 ano a 2 anos. alguns fazem o trajeto de ônibus urbano ou com a perua escolar. Maternal II de 02 anos e meio a 03 anos e meio.Caracterização da instituição pesquisada A instituição está localizada na região central do município de Bauru. filhos de pessoas que trabalham na região central. supermercado e posto de gasolina. situada na zona urbana da cidade. A instituição apresenta em seu projeto político pedagógico uma pesquisa detalhada sobre as características socioeconômica. Jardim II de 4 anos e meio a 5 anos e meio e Pré de 5 anos e meio a 6 anos. algumas aparentemente bem conservadas. Jardim I de 03 anos e meio a 4 anos e meio. A maioria dos alunos faz o trajeto de casa para a escola e vice-versa de carro. costureiro. Escolaridade dos Pais . sendo próxima ao Corpo de Bombeiros.42 3.

43 Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Profissões dos Pais Profissão Segurança Operador de Máquinas Garçon Auxiliar Adminstrativo Agente Penitenciário Pedreiro Pintor Eletricista Salgadeiro Técnico em Laboratório Serralheiro Truqueiro Moto Táxi Auxiliar de Cobrança Auxiliar de Limpeza Marceneiro Técnico em Radiologia Encanador Coletor de Lixo Ajudante Geral Entregador de Água Técnico em Eletrônica Micro empresário Contabilista Auxiliar de Produção Instrutor de Dança Quantidade de Pais 04 04 02 05 02 16 08 01 01 01 03 01 01 02 01 01 01 02 01 14 02 01 02 01 03 01 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 .

44 Professor de Informática Aposentado Funileiro Mecânico Motorista Auxiliar de Cozinha Vendedor Porteiro Balanceiro Repositor Auxiliar de Enfermagem Dentista Desempregado Profissões das Mães Profissão Assistente Social Berçarista Professora Enfermeira Operadora de Caixa Atendente de rouparia Empregada Doméstica Vendedora Auxiliar Administrativo Secretária Atendente de Telefonia Aposentada Manicure Cozinheira Escriturária Auxiliar de Limpeza Cabelereira Auxiliar de Enfermagem Auxiliar de Cobrança Copeira Funcionária Pública Técnica em Informática Operadora de Telemarketing Auxiliar de Dentista Estudante Desempregada Estado Civil dos Pais Estado Civil Casado União Estável 01 02 02 02 02 01 16 01 01 02 01 01 05 Quantidade de Mães 01 01 01 01 04 02 13 21 09 10 07 01 02 03 02 06 03 09 03 02 02 01 03 02 01 11 Quantidade de Pais 51 23 .

26 21 Quantidade de Mães 51 23 26 21 Quantidade de Pais 38 32 23 23 01 04 Quantidade das Mães 13 12 68 13 07 08 Quantidade 09 22 35 48 07 *As tabelas foram extraídas do Projeto Político Pedagógico da instituição de Educação Infantil pesquisada nesta O quadro de funcionários da creche é composto por: 1 coordenadora pedagógica. 1 cozinheira e 5 estagiárias. 7 auxiliares de creche. 1 assistente social.45 Divorciado Solteiro Estado Civil das Mães Estado Civil Casada União Estável Divorciada Solteira Escolaridade dos Pais Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Escolaridade das Mães Escolaridade Fundamental Completo Fundamental Incompleto Médio Completo Médio Incompleto Superior Completo Superior Incompleto Renda Familiar Salário 1 Salário 2 Salários 3 Salários 4 Salários S/ Renda (c/ auxílio de outros) pesquisa. 3 professoras. 1 auxiliar administrativo. .

46 Durante o ano da pesquisa. Brinquedos Jogos de encaixe Boneca Bola Carrinho Números de borracha Pelúcia Ocorrências 6 1 1 1 2 1 Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no pré quatorze levaram baldinho e doze levaram brinquedos pedagógicos. Quadro 2. dezessete levaram baldinho e apenas doze levaram brinquedos pedagógicos. ou seja. Quadro 1 . Das vinte e uma crianças regularmente matriculadas no maternal II. A freqüência oscilava entre 14 a 18 crianças por dia em cada sala pesquisada. em 2008 a instituição contava com uma sala de maternal II com 24 crianças matriculadas e uma de pré com 22 crianças matriculadas.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do maternal II. Na lista de material escolar tanto do maternal II quanto do pré foi pedido um brinquedo pedagógico e um baldinho para brincar na areia do playgraund. Sendo que 02 crianças do maternal II foram transferidas.Demonstrativo dos brinquedos enviados pelos pais do pré Jogos de encaixe Bola Carrinho Quebra-cabeça Boneca 5 1 1 4 1 .

para refletir sobre os princípios norteadores da prática pedagógica. Todos os profissionais da instituição são conscientes de seu papel na educação das crianças.3. Todos os funcionários são abertos a cursos de capacitação oferecidos por diversos órgãos da cidade. sabem que todos os seus atos servem de modelo. das 06h30min as 17h30 min. entre as turmas do maternal II e pré.O brincar no cotidiano Observações em campo As observações aconteceram em uma Escola de Educação Infantil com funcionamento em período integral. de fevereiro a março de 2008.Participa ativamente das brincadeiras das crianças? Como? -Propicia a criança atividades lúdicas que estimulem o seu desenvolvimento? . tais como a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Cultura. do município de Bauru. São desenvolvidos projetos. 3. cada dia uma das turmas era observada nos diferentes períodos.A instituição possui espaços adequados para a realização das brincadeiras? . ou seja. os professores são livres para assumir a metodologia ou teoria pedagógica que achar melhor. dinâmicas e outros. Para que as atividades semanais e diárias fossem contempladas durante a observação. O roteiro de observação possuía as seguintes questões: .47 Em geral a escola não impõe nenhuma concepção pedagógica.Respeita a criatividade e espontaneidade das crianças? . São realizadas uma vez por bimestre reuniões pedagógicas. são discutidos textos. Enquanto educadora da instituição a pesquisadora pode alternar os períodos da manhã e da tarde.De que maneira o educador observa e intervem nas brincadeiras? . porém a maioria utiliza os pontos positivos das diversas teorias existentes.

.48 . as crianças interagem com alunos de outras turmas e principalmente com irmãos ou amigos mais próximos. uma turma espera a outra sair para poder sair também. As crianças aguardam ansiosas pela chegada da professora.De que ela brinca? . Desde a entrada até a saída as crianças se encontram em um ambiente favorável ao aprendizado. Como as crianças sentem muita vontade de se movimentar ao ouvirem a professora chamar eles saem correndo até a porta para formar a fila. tendo como objetivo de pesquisa o brinquedo. Nesse tempo em que aguardam as professoras. Em seguida vão para a sala de aula ainda em fila. sem fazer movimentos bruscos. sem deixar de privilegiar a criança e o educador como sujeitos desta pesquisa. lá as crianças permanecem até as 08 horas e assistem a filmes infantis e tomam café da manhã enquanto aguardam a entrada das professoras. Inicialmente serão relatadas as impressões e observações relativas à turma do Maternal II. a brincadeira e o papel do educador. logo em seguida guardam as mochilas nos ganchos separados por turma e vão para o refeitório que devido a falta de espaço é também a sala de TV e DVD. sendo esta formada por vinte e uma crianças de dois a três anos. Na hora da entrada das 06h30 às 08h00 as crianças são levadas pelos pais e recepcionadas no segundo portão pelas auxiliares de creche e coordenadora. Como o maternal não possui sala de aula as crianças permanecem no refeitório.Permite que a criança explore diversos materiais enquanto brinca? .A criança consegue interagir plenamente com outras crianças através da brincadeira? Logo a seguir será feito um relato individual das turmas com base nas observações. Devido à falta de espaço é necessário que as crianças permaneçam quietas.Como a criança brinca? .

brincadeiras como patinho-feio. Desta maneira podemos . por isso a coordenadora instituiu o “dia do brinquedo”. a turma do maternal tem o direito de brincar no parque as terças e quintas-feiras. Depois do almoço as crianças escovam os dentes para dormir. Nesse momento as crianças cantavam músicas referentes a “trenzinho”. Entre as 11h00 e as 13h00 acontece o repouso das crianças pois acordam muito cedo. Depois das 10h15min da manhã as crianças lavam as mãos para entrar no refeitório e almoçar. foram proporcionadas e realizadas atividades diversas. as crianças seguiam em forma de “trenzinho”. jogos de encaixe. pintura. massinha. Para evitar acidentes por excesso de criança é feito o rodízio do parque. entrega os cadernos para cada um dos alunos e pede que todos fiquem com as mãos embaixo da mesa para não estragar o caderno. no início do ano letivo às sextasfeiras eram livres para outras atividades. onde toda criança leva o seu brinquedo favorito para a escola. esse é o horário de almoço da maior parte das funcionárias. passa-anel. entre outras. sendo dirigidas pelas educadoras. Depois da atividade as crianças vão para o parque ou brincam no fundo da escola. tanque de areia com baldinhos e pazinhas. hora da história. geralmente as crianças ficavam o dia todo no parque e não tomavam banho. Durante o percurso de um espaço para outro já que o maternal não possui sala de aula. parque.49 No refeitório as crianças do maternal esperam os bebês do berçário tomar café da manhã para depois iniciar suas atividades. porém houve muita reclamação dos pais que diziam que as crianças voltavam muito sujas pra casa. Após a saída dos bebês a auxiliar do maternal faz chamada e inicia as atividades. canto de música. No período de observação as crianças tiveram acesso a deferentes e variados materiais para o desenvolvimento das atividades lúdicas propostas. tais como. Antes de servir o almoço é feita uma oração simples e em seguida as educadoras servem o almoço.

no caso as músicas. A educadora fazia as mediações necessárias para que as crianças desenvolvessem suas capacidades e habilidades durante a realização de atividades em sala de aula. visto que é difícil manter a atenção dos alunos por longos . o desenvolvimento e o progresso de cada aluno. desenho e pintura como materiais diversos.50 observar que o lúdico. imaginação e fantasia infantil. giz e guache. além do uso dos fantoches. mesmo quando não havia necessidade de fazer intervenções ou mediações. tais como. A educadora observava a realização de todas as atividades lúdicas propostas. As atividades propostas pela educadora aconteciam nos diferentes espaços possíveis. tendo como único recurso disponível além do livro era um palco e um Kit de fantoches. tais como. Nas atividades lúdicas dirigidas. como por exemplo. O tempo destinado para a realização de cada atividade lúdica era de aproximadamente trinta minutos. Nas atividades lúdicas propostas pela educadora era perceptível a preocupação com o desenvolvimento global das crianças. motricidade. estava presente até mesmo quando as crianças dessa turma sem movimentavam pela instituição de ensino. atendendo as diversas áreas do desenvolvimento. a educadora explicava as regras da brincadeira às crianças e participava brincando com elas. tais como patinho-feio e passa-anel. oralidade e criatividade. a brinquedoteca .o parque e tanque de areia e o pequeno pátio da frente . a educadora do maternal II utilizava de criatividade para contar as historias e despertar o interesse das crianças. dentre as quais se destacam: socialização. Durante a atividade “hora do conto”. foi feitos teatros em palitos. Ficou evidente a preocupação da educadora com relação à estimulação da criatividade. Tentava motivar todas as crianças a efetuarem as atividades propostas e evidenciava a produção. Procuravam variar e diversificar as atividades.

Os alunos que terminam primeiro suas atividades vão primeiro para o parque. tintas. como parque e tanque de areia e o “Dia do brinquedo”. bolas. como por exemplo: jogos de encaixe. ao sair do refeitório nos dias de calor as crianças tiram o excesso de roupa e depois vão para a sala de aula. giz de cera. não pegar o brinquedo do colega sem pedir e não correr. As 10h45min as crianças do pré começam a lavar a mão pra entrar no refeitório para o almoço. bonecas. por exemplo. nessa turma as educadoras atuam em períodos alternados sendo que a Professora trabalha no período da manhã e a estagiária no período da tarde. no que diz respeito ao cumprimento de regras que estabeleciam como. massinha de modelar. pelo fato de os mesmos serem muito pequenos e ainda não conseguirem se concentrar. a educadora observava as crianças fazendo intervenções relacionadas ao cuidado físico das crianças. pazinhas. Essa rotina só é alterada nos dias de chuva. piscina de bolinha. A professora entrega os cadernos e inicia as atividades que nessa faixa etária visa a alfabetização de português e matemática. panelinhas entre outros. depois disso elas vão dormir na sala do pré. As crianças da turma do maternal II tiveram acesso a diversos materiais. jogo de boliche. cadernos. carrinhos. A educadora fazia também intervenções e mediações que propiciassem às crianças o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades enquanto brincavam. A rotina do pré é um pouco diferente da rotina do maternal. telefone. baldinhos. para tomarem cuidado para não se machucar enquanto brincavam também se preocupava com a interação social das crianças. enquanto realizavam suas brincadeiras e atividades lúdicas. Assim que terminam de almoçar as crianças também escovam os dentes sozinhas sobre o olhar da professora.51 períodos de tempo. ou seja. A turma do pré formada por vinte e uma crianças de cinco a seis anos. Durante as atividades livres. não jogar brinquedo pra fora do parque. não bater nos amigos. . ursos de pelúcia. por exemplo.

como por exemplo. Geralmente as crianças do pré permaneciam na sala de aula para as atividades voltadas para a alfabetização por volta de uma hora e meia. assimilada pelas crianças desde cedo. bola. brincadeiras com aviões de papel. amarelinha.52 As 13h30min as crianças acordam e voltam para o refeitório para tomar o “lanchinho” depois disso as crianças do pré vão para o fundo brincar e ficam aos cuidados da estagiária e as do maternal vão para o parque enquanto esperam para tomar banho. Para a turma do pré foram proporcionadas as mesmas atividades lúdicas que a turma do maternal II. desenhos. por exemplo. O banho é separado entre meninos e meninas e as crianças maiores das menores. jogo da memória. Também fazia parte da rotina das crianças ficar mais ou menos por uma hora e meia no parque após o término das atividades em sala de aula até o horário do almoço. etc. jogos de encaixe. fazendo intervenções relacionadas tanto ao cuidado físico das crianças quanto as mediações necessárias ao desenvolvimento das capacidades e habilidades das crianças enquanto brincavam. . canto de músicas. narração de histórias e brincadeiras dirigidas diversas. Bem como a maioria das instituições de ensino a creche também segue uma rotina sistemática. As 17:00 horas as poucas crianças que ainda não foram embora voltam para o refeitório para assistir a um DVD que elas trazem de casa com o desenho favorito para esperar os pais. E em seguida voltam para o fundo para atividades variadas como a “hora do conto”. observavam as crianças. parque e tanque de areia com baldinhos e pazinhas. Depois disso as crianças brincam um pouco mais até que as 15:30 horas voltam para o refeitório para jantar. Durante as atividades livres como parque. piscina de bolinha. as educadoras do pré. assim como as educadoras do maternal II . quebra-cabeça.

baldinhos. As crianças do pré diferentemente das crianças do maternal II. Muitas vezes as crianças não queriam para suas brincadeiras. as crianças sentavam em roda e as crianças permaneciam sentadas ouvindo a leitura do livro infantil. boliche. diversos tipos de papel. era privilégio daquelas crianças que se comportavam. Nas duas turmas foi possível observar que mesmo enquanto participavam ativamente das brincadeiras das crianças a educadora tanto do maternal II quanto as do pré. respeitavam a espontaneidade e criatividade das mesmas. A narração de histórias era feita pela professora de forma tradicional. sendo importante considerar que por ter funcionamento em período integral. pazinhas. massa de modelar. ou seja. Apenas participavam motivando o acontecimento do faz-de-conta. o período da manhã está dividido de maneira a privilegiar as atividades . não formavam “trenzinho” para se locomover pela instituição. jogo da memória. guache. das 06h30min às 17h30min. enquanto observavam as gravuras. Já a estagiaria ora contava as histórias de forma tradicional ora usava materiais lúdicos para este fim e ao final da atividade pedia que os alunos desenhassem a parte que mais gostaram da história contada. mas era necessário devido ao horário e para que a rotina estabelecida fosse cumprida. giz de cera e giz de lousa. jogos de encaixe. As crianças indisciplinadas apenas observavam as outras brincando como castigo para seu mau comportamento. ou seja. As crianças dessa turma tiveram acesso a materiais e brinquedos tais como: bola. ursos de pelúcia. quebra-cabeça.53 O parque. Normalmente as crianças permaneciam em silêncio ouvindo atentamente enquanto a história estava sendo contada. Assim como toda instituição de educação infantil a instituição observada na presente pesquisa segue uma rotina com horários pré-estabelecidos. a atividade lúdica que as crianças mais gostam. carrinhos. não criticando e nem julgando suas regras e decisões. pincéis.

jogo da memória e quebra-cabeça. Como discorre a pesquisadora Wajskop e como observamos na instituição o professor deve ocupar lugar central na educação das crianças. O tempo destinado às atividades lúdicas variou de acordo com a turma. Os materiais que as crianças das duas turmas tiveram acesso são praticamente os mesmos.54 pedagógicas no caso do maternal II de coordenação motora e no caso do pré exercícios para a alfabetização. já no caso das meninas era bonecas e maquiagens. Sendo que o pré permanecia por maior tempo no parque. Por diversas vezes as turmas mesmo que contrariadas tiveram que parar a brincadeira por conta do horário e para que a rotina fosse seguida. Os brinquedos levados pelas crianças no “Dia do brinquedo” em sua maioria era bonecos de lutinha ou personagens de filmes e carrinhos no caso dos meninos. o maternal II e o pré há muita semelhança entre a prática dos educadores responsáveis tanto em relação às atividades lúdicas quanto a rotina que seguem. Alguns pais preferem não deixar as crianças levarem brinquedo para a escola já que podem estragar ou perder. ficando o período da tarde para a recreação. ocasionando desentendimentos entre os mesmos. realizada pelas educadoras ora de forma tradicional ora de forma lúdica e prazerosa. Outra atividade lúdica comum as duas turmas era a “hora do conto” ou narração de história. médico. tais como casinha. Porém algumas crianças principalmente do maternal II por serem menores se esqueciam de levar o brinquedo para a escola. Sintetizando as observações realizadas em campo. A maioria das brincadeiras livres das crianças são as de jogo simbólico. escolinha entre outras. ou seja. bem como na brincadeira na . conclui-se que nas duas turmas observadas. se diferindo apenas em relação ao pré que por ter maior idade também tinha acesso a brinquedos como boliche.

p. social e partilhada. (WAJSKOP. transmitindo valores e uma imagem da cultura como produção e não apenas consumo. Considerando que a brincadeira deva ocupar um espaço central na educação infantil.112) 4.1 .Análise de dados O Diagnóstico foi realizado a partir das observações e pesquisa qualitativa com o objetivo de analisar a prática dos educadores e dos pais em relação ao brincar no desenvolvimento infantil. Agindo desta maneira. vivo. 2001. entendo que o professor é figura fundamental para que isso aconteça.04 morto carrinho 03 . ele estará possibilitando às mesmas uma forma de aceder às culturas e modos de vida adultos. de forma criativa. Questão 01: Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 07 05 0 01 Questão 02: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Ocorrência Pega-pega.55 educação infantil.esconde. Quadro 3 com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Maternal II. já que a educação infantil é um lugar privilegiado para esse tipo de interação. criando os espaços. Estará. Foram entrevistados 26 em um total de 39 pais. sendo 13 pais de alunos matriculados no Maternal II e 13 deles pais de alunos matriculados no Pré. A entrevista foi realizada no mês de fevereiro do ano de 2008. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças. ainda. esconde.

bloco lógico.mamãe.56 Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.bichão) Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego. quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Futebol Não respondeu 02 02 01 03 01 03 01 02 01 02 02 02 02 Questão 03: Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos de construção(lego.etc) Faz-de-conta Brincadeiras de roda Não respondeu Ocorrência 01 10 06 08 0 .chapeuzinho vermelho.

57 Questão 04: Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1a3 4a6 Não brinca Ocorrência 04 09 0 Questão 05:Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança. Resposta Passa anel Amarelinha Pega-pega Esconde-esconde Casinha Corda Poponeta Roda Cabra-cega Peão Morto-vivo Salada-mista Pega-bandeira Bola Abstenção Ocorrência 01 06 07 06 04 03 01 05 02 01 03 02 02 08 01 .

58 Questão 06:Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 10 0 02 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 07 0 05 .Todas Algumas Nenhuma Ocorrência 01 11 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho.

59 Questão 10:Quando compra um brinquedo. Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. Questão 01 : Quantos filhos menores de 10 anos você tem? Resposta 1 2 3 Não respondeu Ocorrência 08 05 0 0 .com os resultados da pesquisa realizada com os pais dos alunos do Pré.Porque ajuda no desenvolvimento da 12 criança. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 10 02 Quadro 4. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 04 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.

mamãe.esconde.bichão) 05 06 02 03 12 Histórias Brincadeiras de Roda Jogos educativos (lego.chapeuzinho vermelho.60 Questão 2: Quais brincadeiras eles costumam brincar? Resposta Pega-pega. esconde. vivo-morto Ocorrência 10 carrinho Boneca/casinha Pipa Baldinho Faz-de-conta (papai.bloco 07 08 . quebra-cabeça) Bola Assistir filmes Pular Bicicleta/Motoca Não respondeu 03 07 04 06 01 03 05 01 Questão 03: Que tipo de brincadeira seu filho brinca em casa? Resposta Vídeo-game Brinquedos lógico.etc) Faz-de-conta de Ocorrência 05 construção(lego.

pois trabalha.61 Brincadeiras de roda Não respondeu 01 0 Questão 04 : Com que freqüência você brinca com seu filho? Resposta 1 a 3 vezes por semana 4 a 6 vezes por semana Não tem tempo para brincar. Ocorrência 06 06 01 Questão 05: Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança: Resposta Passa anel Amarelinha Corda Esconde-esconde Pega-pega Elástico Patinho-feio Roda Casinha Dama Bola Boneca Escolinha Ocorrência 01 05 05 11 04 03 01 06 02 01 10 04 03 .

Todas Algumas Ocorrência 05 07 .62 Bicicleta Quebra-cabeça Mamãe da rua Vídeo-game Taco Pipa Abstenção 02 01 01 02 03 01 01 Questão 06 : Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu filho? Resposta Sim Não Não respondeu Ocorrência 12 01 0 Questão 07 :Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu filho? Resposta Ocorrência Sim Não Não respondeu 13 0 0 Questão 08: Você conhece as brincadeiras que seu filho aprende na escola? Resposta Sim.

63 Nenhuma 01 Questão 09: Quando compra um brinquedo para o seu filho. onde as crianças levam seu brinquedo favorito pra escola toda sexta-feira? Resposta Ocorrência Sim Não 13 0 . Não 0 Questão 12: Você considera importante o “Dia do brinquedo”. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 10 01 02 Questão 11 : Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? Resposta Ocorrência Sim.Porque ajuda no desenvolvimento da 13 criança. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? Resposta Ocorrência Sim Não Ás vezes 08 0 05 Questão 10: Quando compra um brinquedo.

Quando questionados sobre as brincadeiras da sua infância notamos que a maior parte dos pais entrevistados se lembra dos jogos tradicionais como pega-pega e escondeesconde tanto para os pais dos alunos do maternal II quanto para os pais dos alunos do pré.64 Ao analisar os resultados do questionário. 2002. filiada ao folclore. podemos observar uma contradição já que os pais responderam quando questionados sobre o tipo de brincadeira que os mesmos desenvolvem com seus filhos em casa são os brinquedos de construção “Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a experiência sensorial. Questionados sobre o conhecimento . sobretudo.38) e as que ocorrem com menor freqüência são os jogos educativos para o maternal II. incorpora a mentalidade popular. O questionário revela que a maior parte dos pais participa em torno de quatro a seis vezes por semana da brincadeira de seus filhos. A maior parte dos pais afirma que ensinou alguma das brincadeiras de sua infância para seus filhos no caso do maternal II temos dez ocorrências e no caso dos pais do pré temos treze ocorrências. também conhecida como simbólica. p. esconde-esconde e vivo-morto com quatro ocorrências para o maternal II “A brincadeira tradicional infantil. de representação de papéis ou sociodramática. As brincadeiras mais freqüentes no cotidiano das crianças em casa são as brincadeiras tradicionais como pega-pega. p.40) com dez ocorrências. Os pais entrevistados são unânimes aos afirmar que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seus filhos. já que as crianças passam a maior parte do tempo na instituição de ensino. p. No caso do pré as brincadeiras favoritas das crianças segundo seus pais são as brincadeiras de faz-de-conta “A brincadeira de faz-de-conta. estimular a criatividade e desenvolver habilidades da criança” (idem. é a que deixa mais evidente a situação imaginária” (idem. podemos constatar que a maior parte dos pais do maternal II e do pré tem um ou dois filhos. expressando-se.39) com doze ocorrências e as brincadeiras tradicionais com sete ocorrências. pela oralidade” (KISHIMOTO.

um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar que enquanto diverte ensina. (educadora I do pré). Quando o assunto é a compra de brinquedos a maior parte respondeu que leva em consideração o fato de que o brinquedo estimula o desenvolvimento infantil. Na pedagogia. a professora e a estagiaria do pré da instituição pesquisada. (educadora I do pré) Brinquedo é o objeto através do qual a criança. É o intermediário entre a criança e o brincar. A maioria dos pais está atenta à faixa etária indicada na embalagem do brinquedo. também suas capacidades psicológicas. ao brincar. socialização e aprendizagem. Uma forma de estimulo a imaginação. através de questionário estruturado.65 das brincadeiras que os filhos aprendem na escola os pais responderam que conhecem algumas atividades lúdicas desenvolvidas por seus filhos. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brincadeira? Brincadeiras são atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado. de forma criativa através de fantasiar situações ajudam também a estimular o raciocínio. porém dois pais do maternal II não concordam com o projeto da instituição de ensino pesquisada sobre o “dia do brinquedo”. Foram entrevistadas a educadora (estagiária) do maternal II . (educadora do maternal II) É o que a criança faz por livre e espontânea vontade e aprende sem perceber através do brincar. toda atividade lúdica que proporcione ao individuo momentos de lazer. Segue abaixo os resultados da pesquisa realizada com as educadoras da instituição. Brincar no meu entendimento é uma maneira da criança desenvolver além de suas capacidades motoras. Pesquisadora: O que você entende por brincar? Entendo por brincar. Os pais entrevistados são unânimes ao afirmar que acredita que a utilização dos brinquedos seja importante no cotidiano escolar. desenvolve situações. para o lazer e geralmente associada a criança. integração. (educadora do maternal II) É um objeto ou uma atividade lúdica. onde uma vez por semana a criança leva seu brinquedo favorito para a escola. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é brinquedo? Brinquedos são instrumentos/objetos usados no brincar. (educadora I do pré) .

ou seja. para o raciocínio. participo das brincadeiras. astronauta. etc). (educadora I do pré). a situação criada pela criança. ou até mesmo pedaços de outros brinquedos). através dos baldinhos. da forma apresentada e questionada. chapéus (baldinho na cabeça) etc. remete a “regras”.(educadora II do pré) Pesquisadora: De que seus alunos brincam? Brincam de atividades de imitação (jogo simbólico). livre. por exemplo. o sentir. um objeto. sempre que possível faço intervenções durante as brincadeiras. espontânea. (educadora do maternal II) Acredito que o educador deve mediar à brincadeira quando nela esta inserida regra. mas também dos colegas ou do professor. Brincar (brincadeira) é uma atividade paradoxal. (educadora do maternal II) Utilizo com eles todo tipo de atividade lúdica que possa ser considerada brincadeira. O lego também é bastante utilizado. a induz ao raciocínio. com a rotina corrida da instituição. massinha. diferente do brinquedo que é utilizado para estimular a imaginação da criança. Ex: escolhinha. (educadora do maternal II) O jogo pode ser visto como: o resultado de um sistema lingüístico dentro de um contexto social. Para que atividade seja considerada brincadeira e não alienação ela deve estar conectada com a realidade. e às vezes faço ou as utilizo como “gancho” para lembrar das atividades feitas. sendo assim quando alguém joga está desenvolvendo uma atividade lúdica. Sim. (educadora II do pré). Mas. brincam com jogos. como cores e números. (educadora do maternal II). um jogo tem sempre suas regras. panelinhas. não só com o estimulo do brinquedo. a brincadeira quando livre deve ser apenas observada. (educadora I do pré) Jogo.que pra mim. boneca. no meu entendimento.66 Brincadeira é o resultado da junção do brinquedo com o brincar. o imaginar. por isso é bastante utilizado o brinquedo (carrinho. Tudo de acordo com o grau de raciocínio de cada um. ou principalmente. é a fantasia. enfim. pelúcias. colher e pá. casinha. Pesquisadora: Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? Sim. eles pode criar coisas como o bolo(com terra). mas ao mesmo tempo regulamenta (possuí regras). (educadora II do pré) . (eles identificam as cores nos brinquedos). A criança segue regras do jogo. é intermediário muito importante entre a criança e esse imaginário. etc. carrinhos. Também brincam no parque. aviãozinho e com brinquedos que trazem para o dia do brinquedo: bonecas. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é jogo? São atividades lúdicas que proporcionam o aprendizado através de suas regras. às vezes deixo as crianças brincarem livremente. um sistema de regras.(educadora I do pré) Pela idade deles (dois anos e meio a três anos) é trabalhado o estimulo. que leva a criança a seguir de forma mecânica e também. não só o “pronto” (industrializado) mas também o imaginário (que eles criam através de outros objetos.

possibilitando de que se obtenha todos numa instituição. brincadeiras cantadas (pica-pica-picolé) entre outras. (educadora II do pré). Pesquisadora: Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? Na mediação.(educadora do maternal II) Sim. acriança traz seu brinquedo de casa). o material lúdico não é suficiente. outros não. “Não se pode fazer isso” ou “você deve fazer aquilo”. já que a brincadeira é um ato livre. jogos de interação (patinho-feio. além de que existem atualmente tantos materiais lúdicos e eles em boa parte são bem caros. (educadora I do pré) Sim. pular corda.67 Pesquisadora: Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? Não. que essa mediação deve existir quando a situação ou a brincadeira nos propicia a isso. atividades físicas através da brincadeira (amarelinha. (educadora II do pré) Pesquisadora: O que é possível perceber durante a brincadeira da criança? Durante as brincadeiras. a criança ao brincar. até mesmo pela preferência por tal brinquedo. e ele é suficiente. a professora. é capaz de fazer mais do que ela pode compreender e é justamente essa ação que permite que a criança possa compreender o que move sua ação. (educadora I do pré) Acredito que não há um momento exato. também por conta do cuidado (nem todos tem cuidado. (educadora I do pré) . Imitam os pais. o professor deve procurar intervir sem dar respostas prontas para as crianças. como por exemplo. dando dicas sobre a realidade. ou no caso do dia do brinquedo (que ocorre toda sexta-feira. corre-lenço). (educadora I do pré) Depende da turma e da faixa etária. (educadora II do pré) Pesquisadora: Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? O jogo simbólico. de conservar o brinquedo ou jogo. Mas sempre que possível é dada a importância a tais. (educadora do maternal II) Quando por si só elas se sentem perdidas sem vontade de criar. percebemos a sua realidade. porém poderia ser mais rico na questão da diversidade. As mediações devem ser feitas sempre que houver a oportunidade de desenvolver as capacidades e habilidades dos alunos. (educadora do maternal II) Sim. esconde-esconde) e brincadeiras antigas como roda. as crianças imitam cenas de sua realidade. os alunos) com o material disponível apesar de estimulado pelos professores. os colegas. Em alguns casos sim.

na observação verificamos que esta educadora geralmente apenas observa a brincadeira das crianças. A educadora I do pré afirma que procura mediar as brincadeiras. verificamos que essa educadora realiza intervenções não apenas referentes ao cuidado com relação a integridade física das crianças. Conforme dito pela educadora do maternal II “as intervenções devem ser realizadas quando a brincadeiras nos propicia a isso”. Quanto a mediação a educadora do maternal II afirma mediar as brincadeiras de modo a resgatar conteúdos apresentados para os alunos em atividades pedagógicas. Já a educadora II do pré acredita que as brincadeiras só devem ser mediadas se as crianças se sentirem perdidas.68 Quase todas. (educadora II do pré) Analisaremos o conteúdo das entrevistas realizadas juntamente com os dados obtidos nas observações feitas em campo para que seja possível verificar se o discurso e a ação pedagógica das educadoras estão de acordo. essa afirmação pode ser comprovada quando verificamos nas observações a educadora brinca com as crianças quando a rotina sistematizada da instituição permite. Assim como a educadora I do pré. 4. A educadora II do pré afirma que só é necessário haver mediação quando a brincadeira apresentar regras e conforme seu discurso. pois em cada brinquedo (brincadeira) sempre se esconde uma relação educativa.2 Intervenção Na intervenção do presente estudos. esta só faz mediações quando alguma criança transgride as regras da brincadeira. a criança quando brinca aprende a se expressar no mundo. mas também interage nas brincadeiras como patinho-feio e “história da serpente”. De uma maneira geral a coerência entre o discurso do professor e sua prática pedagógica. (educadora do maternal II) Toda e qualquer brincadeira é importante no desenvolvimento cognitivo. foram realizadas as seguintes ações no período de fevereiro a agosto de 2008: .

Pois aquela criança que ao levará o brinquedo queria tomar o brinquedo da outra para não ficar sem o brinquedo. pois eles sempre se lembravam de levar o brinquedo favorito para a escola. Para a maioria das crianças do pré a iniciativa deu certo. Este projeto de intervenção foi desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância. A maioria das crianças do maternal II sempre se esquecia de levar o brinquedo. para que estes não esqueçam que toda sexta-feira deve ser levar brinquedo na escola. Vou enviado bilhete comunicando aos pais o fato estabelecido. socialização. Como solução para o problema. ocasionando brigas entre os alunos. Porém como nesse dia não havia banho as mães reclamaram que as crianças iam embora muitos sujas devia ao fato de ficar o dia todo na areia. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. a coordenação juntamente com a assistente social e os educadores resolveram que seria implantado o “dia do brinquedo”. Foram realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. afetivo e físico das crianças. A atividade mais praticada era a ida ao playgrand. b-) Projeto de intervenção “ O Resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. onde toda criança deveria levar seu brinquedo favorito para a escola.69 a-) Implementação do “Dia do brinquedo” Toda a sexta-feira a rotina da instituição mudava. O presente projeto é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru . era o dia sem banho e sem atividades pedagógicas dentro da sala da de aula. Neste sentido a escola necessita contar com a participação dos pais.

Então.70 As atividades foram desenvolvidas com as crianças do maternal II e do pré.Desenvolver a coordenação motora . passa pelo redemoinho. montamos mais uma história para ser representada na amarelinha. Atividade 1: AMARELINHA DIVERTIDA Série: Pré Disciplina: Artes/ Educação Física Objetivos: . entra no carro e vai para a escola. porém mobilizou as outras crianças da creche. A história montada pelas crianças seguiu a seguinte seqüência: está chovendo. Recursos: Giz colorido Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 2: DEDOCHE Série: Pré e Maternal Disciplina: Artes Objetivos: . janta. que é composta por várias casas de diferentes formas e cada casa representa uma história. A atividade foi planejada pensando nas turmas do maternal II e do pré. dorme. as crianças brincaram na amarelinha.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Montamos a amarelinha. O projeto foi desenvolvido no período de fevereiro a junho de 2008. chega em casa e abre a porta.Expressar-se corporalmente através da brincadeira .Interagir com os colegas . toma banho. Depois. Contamos as histórias presentes na amarelinha para as crianças e explicamos que ao pular nas casinhas das amarelinhas elas deveriam representar a história que está desenhada na casinha. rega as plantas . toma sol.Respeitar as regras do jogo . juntamente com a sala. corra da chuva. assiste televisão e lê um livro. escova os dentes. acorda.

Avaliação: Participação e registro. cola quente. lã . Depois entregamos materiais para que enfeitassem seus personagens e deixamos que brincassem com o brinquedo confeccionado.V. durex. cola relevo.71 . o Lobisomem e o Saci Perere. Depois os auxiliamos a prender uma bolinha de isopor ao barbante.Desenvolver a coordenação motora . cola relevo.Desenvolver a coordenação motora . isopor. cola gliter. os ajudamos na confecção.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . Depois entregamos material para que cada um enfeitasse seu bilboquê e brincasse livremente. ATIVIDADE 3: BOLBOQUÊ Série: Pré Disciplinas: Artes / Educação Física Objetivos:.Explorar a criatividade . Recursos: Garrafas pet.A. Recursos: E. tais como: a Kuka. Para essa atividade usamos os personagens folclóricos.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Entregamos a garrafa pet já cortada e um pedaço de barbante para que prendessem na garrafa. barbante. Entregamos os materiais prépreparados para que cada criança confeccione o seu dedoche. lantejoula. crepom. Os auxiliamos durante o processo.Explorar a criatividade Desenvolvimento: Realizamos uma oficina de dedoches. Avaliação: Participação e registro ATIVIDADE 4: RODA VENTO Série: Pré Disciplinas: Artes/ Educação Física Objetivos: .

Avaliação: Participação e registro. ATIVIDADE 5: BOLINHA DE GUDE Série: Pré Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Depois entregamos barbante para que amarrassem a bola de papel e tiras de crepom para que colassem no roda-vento.Respeitar as regras do jogo Desenvolvimento: Dividimos a sala em grupos e os ensinamos a brincar de bola de gude. ATIVIDADE 6: PEÃO Série: Pré e maternal Disciplinas: Educação Física Objetivos: . Deixamos que brincassem livremente com o brinquedo que confeccionaram em um espaço amplo. explicando que o peão é um brinquedo antigo.72 Desenvolvimento: Entregamos para cada criança uma folha sulfite para que amassassem e fizessem a base do roda-vento.Conhecer uma brincadeira antiga Desenvolvimento: Entregamos um peão para cada aluno e os ensinamos a brincar. crepom. Recursos: Sufite.Conhecer uma brincadeira antiga . Avaliação: Participação e registro. Depois deixamos as crianças brincando e os supervisionamos. barbante.Desenvolver a coordenação motora .Interagir com os colegas . que seus pais e avós brincavam. Recursos: Peão . Recursos: Bolinha de gude.Desenvolver a coordenação motora . durex colorido.

Explorar a criatividade Desenvolvimento: Iniciamos a atividade contando para a sala a história de uma serpente que foi visitar sua tia e perdeu parte do seu rabo no morro. ATIVIDADE 8: CABEÇA PEGA RABO Disciplina: Educação Física Série: Pré Objetivos:. Depois. O primeiro da fila foi a cabeça. os sentamos em roda e ao som da música História da Serpente. ATIVIDADE 7: HISTÓRIA DA SERPENTE Série: Pré e Maternal Disciplinas: Educação Física/ Artes Objetivos: .Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos os alunos na formação de trenzinho.73 Avaliação: Portfólio e registro. sem se soltar dos demais colegas. Recursos: . Recursos: Apito . tentaria pegar o ultimo da fila ( o rabo).Desenvolver a coordenação motora . formando o rabo da serpente.Rádio Avaliação: Portfólio e registro.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . que deveria passar por baixo das pernas de quem estava dançando e juntar-se ao grupo. que quando apitamos. Ao término pedimos para que os alunos do pré registrassem através de desenhos a história.CD .Interagir com os colegas . dançamos e convidamos uma criança por vez.

de modo que o número de cadeiras fosse um número menor do que o número de alunos. Recursos:. Os alunos formaram um círculo em volta das cadeiras quando soltamos à música. ATIVIDADE 9: DANÇA DAS CADEIRAS Série: Pré Disciplina: Educação Física Objetivos:. durex.Música . O aluno que ficou em pé saiu da brincadeira.74 Avaliação: Participação e registro.Respeitar as regras da brincadeira Desenvolvimento: Colocamos as cadeiras dispostas em filas.Desenvolver a coordenação motora . areia. guache. eles andaram em volta da cadeira.CD . pena.Expressar-se corporalmente através da brincadeira . .Cadeiras Avaliação: Participação e registro. Avaliação: Participação e registro. ATIVIDADE 10: PETECA Série: Maternal Disciplina: Artes/Educação Física Objetivos:. Quando os alunos estivessem andando paramos a música e eles se sentaram. Recursos: Bexiga.Desenvolver a atenção .Explorar a criatividade Metodologia : Entregamos uma peteca confeccionada com materiais acessíveis para que cada criança enfeitasse e brincasse.

óleo.Desenvolver a atenção . Avaliação: Participação e registro.Desenvolver a atenção . guache.75 ATIVIDADE 11: MASSINHA Série: Maternal Disciplinas: Artes Objetivos:. Recursos: Venda para os olhos. água. Recursos: Farinha.Interagir com o grupo Desenvolvimento: Dispomos a sala em roda e explicamos a brincadeira. As crianças tanto do maternal II quanto do pré montaram cobrinhas. sal. Avaliação: Participação e registro. ATIVIDADE 13: PASSA ANEL Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos:.Interagir com o grupo . onde um aluno foi escolhido para ser o gato. pulseiras e fizeram bolinhas. que devia miar. ATIVIDADE 12: MIA GATO Série: Maternal Disciplina: Educação Física Objetivos: .Desenvolver a coordenação motora .Explorar a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Entregamos massinha colorida para que os alunos manuseassem e montassem o que quisessem. relógios. O aluno de olhos vedados deveria adivinhar quem miou.

assim como canções pesquisadas pelo grupo. Recursos: . Recursos: Fantoches. Com o retorno da pesquisa.Conhecer histórias populares . que deveria adivinhar com quem o anel estava. CD.Rádio . O aluno que estava com o anel continuava a brincadeira.Desenvolver a oralidade e a atenção Desenvolvimento: Foi feita uma pesquisa com os pais sobre cantigas de roda e brincadeiras de roda.Recrear-se através da música . ATIVIDADE 14: CANTIGAS DE RODA Série: Maternal Disciplina : Artes/ Português / Educação Física Objetivos: . . ATIVIDADE 15: ATIVIDADE DE ENCERRAMENTO: Contador de histórias Série: Maternal e Pré Objetivos: .Desenvolver a coordenação motora . aplicamos estas canções e brincadeiras no cotidiano do maternal.CD Avaliação: Participação e registro. Recursos: anel Avaliação: Participação e registro. Rádio.Conhecer cantigas populares .76 Metodologia : Dispomos a sala em roda e escolhemos um aluno para passar o anel. Depois escolhemos outro.Desenvolver a criatividade e a ludicidade Desenvolvimento: Apresentamos para ambas as turmas a história “O menino e o pinto do menino” em teatro de fantoches.

criatividade. .Desenvolver a cognição e imitação. É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. independência. . . criativas e que nos traga prazer.3 Avaliação Segundo o método da pesquisa-ação a avaliação é o terceiro passo da metodologia e consiste em avaliar os resultados obtidos com a intervenção. OBJETIVO GERAL .Estimular a interação com pessoas e objetos. c-) Projeto Recreação O projeto sobre Recreação foi elaborado para o ano letivo de 2008 a fim de fundamentar teoricamente as práticas desenvolvidas com as crianças na área de recreação.Explorar os movimentos corporais.Desenvolver noções espaciais e temporais.Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. ritmo e equilíbrio. . visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. . OBJETIVOS ESPECÍFICOS .Explorar a linguagem. -Desenvolver a coordenação motora ampla. . Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. A avaliação foi feita com base . atenção e concentração. auto-estima e cooperação. o pensamento e a ação. autonomia.Explorar a imaginação. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. a coordenação motora fina.77 Avaliação: Participação e registro. diminuindo as tensões e preocupações. .Desenvolver a identidade. Foi elaborado pela pesquisadora juntamente com outra funcionária da instituição.Desenvolver a ludicidade. 4.

(Aluna A.Segue abaixo as entrevistas do pré e em seguida as entrevistas do maternal II. pular o rio. Na avaliação da pesquisa nada mais importante do que entrevistar os mais beneficiados com o projeto sobre brinquedo e brincadeira.5 anos) Sim. 06anos) Sim.06 anos) Sim. pisar nas pegadas. (Aluno G. A maior parte das crianças gostaram da brincadeira do roda-vento e da amarelinha divertida.06anos) Sim. Massinha. Do roda-vento. porém sabe brincar.06 anos) Sim.06anos) Sim. (Aluno I. rodar e depois montanha-russa. Com os alunos do maternal II e do pré.(Aluna F. 06 anos) Sim. Roda vento. (Aluno D. De massinha. (Aluno E. . Eu gostei da amarelinha. (Aluna A. Foram entrevistadas 11 crianças do pré e doze crianças do maternal II. Daquela lá da amarelinha. Pesquisadora: Como se brinca? Roda. Eu gostei daquele que roda (roda-vento). sobre o roda-vento) Um tem que fazer assim e assim (gesticulando com os braços). (Aluna J. 06anos) Quando questionados sobre como se desenvolve a brincadeira a maioria não soube explicar muito bem. quando a gente fez no papel. Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. (Aluna H. 05anos) Sim. (Aluna B. 06 anos) Não estava presente nos dias das atividades. Do roda-vento. (Aluna L. 05anos. Do roda-vento. abrir a porta. as crianças.78 nas entrevistas semi-estruturadas no mês de junho de 2008. No outro tem que dirigir. Do roda-vento e amarelinha.(Aluno C. 06 anos) Sim.

06anos) A maioria das crianças não ensinou a brincadeira para outras crianças pois não se lembra muito bem de como se brinca. 06anos) Tem que girar. (Aluno I. só do ultimo que é de dormir. escovar os dentes. (Aluno C. Não. sobre o roda-vento). (Aluno I. 06anos) Não lembro. sobre a massinha). 06anos) Não lembro. (Aluno C. coloca no dedo e fica girando. 06 anos. 06anos). (Aluno D. .79 cantar. (Aluna F. 06 anos) É de girar o “negócio”. Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Não. (Aluno I. 06anos. (Aluna A. depois eu não lembro. pular o rio. 06anos). 06 anos) Não. (Aluno E. Não estava presente nos dias das atividades. 05anos) Você “cata”. 06 anos) Não. sobre a amarelinha). abrir a porta. 06 anos. Não lembro. (Aluna H. Brinca rodando. (Aluno G. Não lembro. Não. montanha-russa. (Aluna J. 06 anos) Sim. sobre o roda-vento). (Aluna L. 06 anos). mas não lembro como faz. (Aluna B. (Aluna F. 06 anos. 06anos) . (Aluna J. 05anos) Não. Pra fazer você amassa o papel e coloca fita colorida. 5 anos) Não lembro. sobre o roda vento e a amarelinha) Eu fiz um relógio. 06anos. (Aluna L. (Aluno D. 06 anos) Não. . pro colega de sala. Não. 06 anos) Não lembro. (Aluna H. (Aluna B. (Aluno G. (Aluno E. comer e dormir.

cinema. 06 anos). (Aluno G. Com a minha mãe. 06 anos) Gosto de brincar de futebol. 06anos). 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. Em casa gosto de brincar de pipa. (Aluna H.. esconde-esconde. 06anos). É assim. 06 anos) De controle remoto. 5 anos) Patinho-feio. 05anos) Com meu amigo. 06 anos). ela brinca comigo. 06 anos) Amiga. 06anos) . 06anos). (Aluno I. (Aluna F. 06 anos) Sozinho. (Aluno D. (Aluna L. De pega-pega. (Aluna A. Boneca. (Aluno I. de urso e de Barbie. 06 anos) Na creche de patinho-feio. 06 anos) Com a minha mãe. Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? De boneca. pega-pega. 06anos) De massinha. (Aluna A. 06 anos) Pais. (Aluno C. de comidinha com meu primo. (Aluno J. (Aluno C. Sozinha. (Aluno D. de burica e de vídeo-game. Não respondeu. 06anos). A minha vó também. (Aluno G. 06 anos) Não respondeu. Com meu ursinho. 05anos) Carrinho. mais ou menos de barbie. (Aluna F. (Aluna B. 06anos) Pesquisadora: Com quem você brinca? Eu brinco com a minha mãe. (Aluno E. (Aluna B. (Aluno E. visita outra ai visita outra e você vê que uma amiga “ta” grávida e tem que ir ao médico.80 Como podemos observar a maior parte das crianças gosta de brincar de boneca no caso das meninas e no caso dos meninos o carrinho foi bastante citado. (Aluno J. boneca. (Aluna H. bem como foi relatado nas observações esses são os brinquedos que as crianças mais levaram no “dia do brinquedo”.

Com vídeo-game mesmo. 06 anos). E cozinha. 06 anos) Meu computador. 06anos) De escolinha com a minha irmã. 06 anos). 06anos) Boneca. 06 anos) Solto pipa com meu pai. 06 anos) Vídeo-game. meu pai também brinca. 06anos). ela senta. 06anos). (Aluno G. aquela cozinha que aperta e sai água. (Aluno I.( Aluna L. Brinco e lutinha.81 Com a minha irmã. essas coisas. (Aluna B. Boneca e bolsa. Meus pais não brincam. 06 anos) Eu brinco de colocar a “burica” em roda e jogo a outra.06anos) Pesquisadora: Como você brinca em casa? Eu arrumo as coisas. (Aluno G. 06anos) Pesquisadora: Qual seu brinquedo favorito? Boneca. 06 anos) Carrinho. (Aluno C. (Aluna A. (Aluna L. (Aluno C. 06 anos) Brinco com minha amiga. Eu brinco no meu quarto. 06anos). depois ela acorda. 5 anos) A comidinha e de restaurante. 06 anos) De futebol com meu pai. 5 anos) Com todas as coisas que eu disse. Sim. só a minha irmã brinca comigo. (Aluno J. (Aluno I. Deito a boneca. Não por que ela (a mãe) tem que trabalhar. mas só que a mamãe segura “nóis”.Meu pai brinca comigo de jogar futebol. (Aluno E. De mamãe e filhinha. 06 anos) Videogame. (Aluno E. Os meus ursos. (Aluna H. (Aluno J. (Aluna L. (Aluna A. Minha mãe brinca de futebol. (Aluna B. 06anos). 05anos) Brinco com meu pai e minha mãe. É o boliche. (Aluna H. (Aluno D.06anos) . eu amo boneca.(Aluno D. se a “burica” sair eu tenho que pegar. ela trabalha até chegar a noite. (Aluna F. A minha mãe brinca. 05anos) Meu pirata. (Aluna F.

03 anos) Sim. (aluno H. 02 anos e 10 meses) Sim. (Aluno I. (aluno I. Massinha. (aluna B. História da serpente. 03 anos) Sim. Amarelinha. Roda-vento. (aluno G. (Aluna H. História da serpente. 06 anos). (aluno A. 03 anos) Sim. 03 anos) . Sim de patinho-feio. 06anos). História da serpente. Gosto. Gosto quando ela brinca de carteira. (Aluna F. 03 anos) Sim. 05anos) Sim de vôlei. De massinha.82 Como podemos concluir até as crianças acreditam que a intervenção dos professores é fundamental para o desenvolvimento das atividades e para a aprendizagem deles. 06anos) Sim. 06 anos). (Aluno E. De massinha. Gosto quando ela brinca de patinho-feio. (Aluna B. (aluno E. (aluno D. (Aluna L. 06 anos) Eu gosto quando ela brinca de carrinho.(Aluno D. 06 anos) Sim de qualquer coisa. 03 anos) Sim. 03 anos) Sim. (aluna C. amarelinha. pica-pica-picolé e adoleta. Sim. (Aluno G. 06anos). 03 anos) Não Sei.06anos) Entrevista com as crianças do maternal II Pesquisadora: Você lembra do projeto sobre brincadeira? Qual atividade você mais gostou? Sim. 06 anos). de massinha. (Aluno J. 5 anos) Gosto quando ela brinca de patinho-feio. . (aluno F. (Aluna A. 03 anos) Sim de massinha. (Aluno C. você tem que dar o recado. (aluno J. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Não tem nenhuma professora que brinca comigo.

03 anos. 03 anos.(aluna B. Tem que fazer a menininha. (aluno F. Porém a maioria não ensinou a atividade para outra criança. pras minhas amigas. 03 anos). (aluna B. 03 anos) Não. Pega-pega. 03 anos). se referindo a amarelinha). assim. Assim. 03 anos) Não. Assim (aluno E.83 Grande parte das crianças do maternal II se lembra do desenvolvimento das atividades propostas no projeto. 03 anos) Não respondeu. se referindo a massinha). 03 anos) Não. pro meu irmão. 02 anos e 10 meses) Sim. 03 anos. (aluno E. se referindo a massinha) Pesquisadora: Você ensinou como se brinca pra alguém? Sim pra um coleguinha de sala. 02 anos e 10 meses) Rodando o brinquedo. Tem que pular. 03 anos) Sim pra minha irmã.( aluno J. Tem que cantar. 03 anos) Não respondeu. (aluna B. (aluno A. Não respondeu (aluno C. (aluno D. (aluno A. (aluno A. se referindo a história da serpente). (aluno H. ( aluno H. se referendo a massinha) Tem que pular e rodar. 03 anos). (aluno D. (aluno C. 03 anos). (aluno J. (aluno G. (aluna C. 03 anos. 03 anos. Pesquisadora: Como se brinca? Amassa e brinca. (aluno I. (aluno F. Não respondeu. 03 anos. 03 anos) Pesquisadora: Do que você mais gosta de brincar? Não respondeu. 03 anos) Sim. . (aluno D. se referindo a amarelinha). (aluno G. De carrinho. se referindo ao roda-vento) Tem que amassar. 03 anos. (aluno I. 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Não.03 anos) Não.

(aluno D.(aluno I.03 anos). 03 anos). Dinossauro e carrinho. 03 anos) Lego. (aluna H. 03 anos) Sozinha. Boneca. (aluno D. Boneca. (aluna C. Casinha (aluna G. 02 anos e 10 meses) Não respondeu. (aluna E. 03 anos) Boneca. 02 anos e 10 meses). Pesquisadora: Qual é o seu brinquedo favorito? Carrinho. 03 anos). 03 anos). (aluno A. (aluno J. Com meu irmão. (aluna H. 03 anos) Boneca. 03 anos). 03 anos). (aluna B. 03 anos). 03 anos). (aluna I. (aluno C.84 Casinha (aluna E. (aluno A. (aluna F. (aluno F. 03 anos). 03 anos) Amiguinhos. 03 anos). Casinha (aluna J. 02 anos e 10 meses). (aluna I. Maquiagem (aluna H. (aluno E. 03 anos). Sozinha. Pesquisadora: Como você brinca em casa? Você brinca com seus pais? . Pesquisadora: Com quem você brinca? Com meu irmão. 03 anos) Com a minha mãe e com meu pai. a maioria das crianças pesquisadas respondeu que o brinquedo favorito é carrinho para os meninos e boneca para as meninas. Boneca. 03 anos) Sozinho. 03 anos). (aluna G. 03 anos). (aluna B. Casinha (aluna F. 03 anos) Com meus amiguinhos de sala e com a minha irmã. Roda-roda (aluna I. Maquiagem. 03 amos) Assim como as crianças do pré. Não respondeu.

Com a minha mãe e com meu pai de casinha. 03 anos) Sim.62). 03 anos). 03 anos) Esconde-esconde. só de cavalinho.03 anos). 03 anos). (aluno H. 03 anos). provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA.03 anos). 02 anos e 10 meses) Sim. (aluno I.p. Roda. Com a mamãe de pentear a mamãe. (aluna D.03 anos) Sim de trenzinho. (aluno A. Quando ela canta atirei o pau no gato.1997. (aluna C. Com a mamãe de lego e o papai também. (aluna C. 02 anos e 10 meses). 03 anos) Sim minha mãe brinca de boneca. atuar nas ações que a criança não consegue desenvolver por si própria.03 anos) Sim minha mãe brinca comigo de boneca. 03 anos) Sim de trenzinho (aluna B. (aluna E. Pesquisadora: Você gosta quando a sua professora brinca com você? Sim de caminhão (aluno A. (aluna F. . Roda-roda. Oliveira (1997) nos esclarece que segundo sua pesquisa sobre a teoria de Vygotsky “ O professor tem papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos. 03 anos) Meu pai não sabe brincar de boneca. (aluna E. Com a mamãe e o papai de ursinho. 03 anos) A maioria das crianças respondem que gostam quando a professora brinca com eles. 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Sim de história da serpente. (aluna D. 03 anos) Não respondeu. 03 anos) Sim de roda (aluno J. 03 anos).85 Com meus pais de carrinho. (aluno G. (aluna F. (aluno H. (aluno G. Não respondeu. sendo assim observamos que esse é o papel da intervenção do educador no desenvolvimento do brincar infantil. (aluna B. (aluna I. Sim. (aluna J.

86 5. tais como a implantação do “dia do brinquedo” e o projeto “O resgate da infância por meio dos brinquedos e brincadeiras na educação infantil” são atitudes positivas que valorizam e respeitam a infância e o desenvolvimento infantil. Se a brincadeira possuir regras pode ser mediada. físico. Quanto às condições propicias para a realização do brincar na instituição infantil notamos que a falta de espaço físico e o tempo são fatores que dificultam a realização do brincar. as ações desenvolvidas na instituição no decorrer da pesquisa. bem como dos jogos. Verificamos também nas observações realizadas em campo assim como na visão dos educadores que a mediação deve acontecer de acordo com a intenção da brincadeira. Sendo assim as concepções apresentadas pelas educadoras não se baseiam no senso comum. o ato de brincar deve ser valorizado e estimulado educadores. Quanto à percepção dos pais dos alunos verificamos que a mesmo partindo do senso comum a maioria compreender a importância do brinquedo e da brincadeira para o desenvolvimento das crianças. . Para as educadoras o ato de brincar é inerente à infância e é a forma que a criança possui para incorporar as relações sociais e a cultura do meio em que esta inserida. A maior parte dos pais entrevistados participa ativamente das brincadeiras no cotidiano de seus filhos. se for livre deve ser apenas observada. As educadoras possuem concepções claras sobre a importância do ato de brincar.Considerações Finais A escola de educação infantil é um lugar privilegiado para a ocorrência de jogos e brincadeiras características da infância. brinquedos e brincadeiras para o desenvolvimento social. afetivo e cognitivo das crianças que puderam ser confirmadas por diversos teóricos. na medida em que as crianças passam a maior parte de seu tempo dentro das instituições de ensino.

De acordo com as observações realizadas. porém não existe a conservação dos materiais lúdicos por parte dos alunos mesmo com estimulo dos professores. a educadora do maternal II acredita que eles sejam suficientes. porém deveria existir mais materiais lúdicos para que as atividades sejam mais diversificadas propiciam o desenvolvimento integral das crianças. os pais e os professores privilegiem a importância do ato de brincar para o desenvolvimento global das crianças. . as educadoras possuem visões diferentes quanto a disponibilidade dos mesmos. a instituição conta com variado material lúdico.87 Quanto a questão dos materiais lúdicos disponíveis na instituição. uma das educadoras do pré alega que deveria haver maior diversidade. Para as educadoras do pré o material lúdico existente na instituição não é suficiente. Ressaltamos que é extremamente importante que as pessoas envolvidas no cotidiano das crianças.

BROUGÈRE.069.88 6. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. BRASIL. 1988. Rio de Janeiro: LTC. 2ª ed. 10ª ed. OLIVEIRA. S. SP: Martins Fontes. PFREONM NETO.mj. Acesso em 01 de novembro de 2007. Rio de Janeiro:Vozes.1971. SP: Cortez. 1ª ed.O desaparecimento da infância . S. São Paulo. HADDAD. 2ªed. São Paulo: Cortez. 1995.planalto. GALVÃO. K. adaptada por Gisele Wajstop. T. 2002.Referências bibliográficas ARANHA. KRAMER. Jogo.br/sedh/dca/eca. (org). CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. M. J. S. 5ªed.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%E7ao. V. 2002. Psicologia da idade pré-escolar.gov. BRASIL. M. São Paulo: Scipione. 5ª ed. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. n° 9394/96. São Paulo: Loyola.Lúcia. São Paulo. 1998. L. 1981. MUKHINA. Significado e função do brinquedo na criança. 4ª ed. Rio de Janeiro: Vozes. PIAGET. N. G.gov. Brinquedo.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. 2001. 2002. SP: Alínea. KISHIMOTO. Desenvolvimento infantil na creche. Brincadeira e Educação. Campinas. in http:///www. I. Porto Alegre. Brinquedo e Cultura. Leis Diretrizes e Bases da Educação Nacionais. A creche em busca de identidade. Acesso em: 01 de junho de 2007. História social da criança e da família. A epistemologia genética. 2 a ed. de 20 dez 1996. POSTMAM. Philippe. M. de 13 de julho de 1990. São Paulo: Cortez. inhttps://www. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. ARIÈS. 3ª ed. 1997. 4ª ed. 1995. Rio de Janeiro: Graphia.html.1999 . LEBOVICI. Lei 8.htm. São Paulo: Edições Loyola. 2002.

L. VYGOTSKY. ed. 1988. G.89 THIOLLENT. 5ª.ed. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes. Pensamento e linguagem. Metodologia da pesquisa-ação. VYGOTSKY. S. São Paulo. S. 2004. Brincar na pré-escola. São Paulo: Martins Fontes. M. 2001. . (Coleção Psicologia e Pedagogia). 2ª. SP: Cortez Editora. L. 1987. São Paulo: Cortez. WAJSKOP.

90 Anexos .

08-Você conhece as brincadeiras que seu(sua) filho (a) aprende na escola? ( ) Sim. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. fevereiro de 2008 Senhores pais.Quantos filhos menores de 10 anos você tem? 02. ( ) Não tenho tempo para brincar com meu filho(a). Lembrando o que o questionário tem fins estatísticos e sua identidade bem como a de seu filho(a) não será revelada. Aline Fernandes Guimarães 01. ( ) Não. pois trabalho. 05. Atenciosamente.Cite algumas brincadeiras que você brincava quando criança.Quais brincadeiras eles costumam brincar? 03. ( ) Não. blocos lógicos. 07. etc) ( ) Não tem tempo para brincar com o filho 04-Com que freqüência você brinca com seu filho (a) ? ( ) De 01 a 03 vezes pro semana. Todas ( ) Algumas . 06 .Que tipo de brincadeira você brinca com seus filhos em casa? ( ) Vídeo-game ou jogos no computador ( ) Brinquedos de construção (legos. etc) ( ) Brincadeiras de faz-de-conta ( ) Brincadeiras de roda ( ciranda-cirandinha.Você já ensinou alguma das brincadeiras citadas no item anterior a seu(sua) filho (a)? ( ) Sim.Você considera que os brinquedos e brincadeiras sejam importantes para o desenvolvimento de seu(sua) filho(a)? ( ) Sim.91 I-Questionário dos pais Bauru. ( ) De 04 a 06 vezes por semana. Desde já agradeço a colaboração.

92 ( ) Nenhuma 09. 12. ( ) Não. ( ) Não. onde as crianças levam seu brinquedo favorito toda sexta-feira? ( ) Sim.Quando compra um brinquedo.Você considera importante o “ Dia Internacional do brinquedo”. ( ) Às vezes. . ( ) Às vezes. 11. ( ) Não. 10. Porque ajuda no desenvolvimento da criança. você presta atenção na faixa etária indicada por ele? ( ) Sim.Você acha importante a utilização de brinquedos no cotidiano escolar? ( ) Sim. ( ) Não. você leva em consideração o fato do brinquedo estimular o desenvolvimento da criança? ( ) Sim.Quando compra um brinquedo para o seu (sua) filho (a).

Para tanto conto com sua colaboração. Prezado Senhor (a).93 II. Sou aluna concluinte do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus Bauru e estou realizando um trabalho com o objetivo de colaborar para com as pesquisas no âmbito da pedagogia. Aline Fernandes Guimarães 1-)O que você entende por brincar? 2-)O que é brinquedo? 3-) O que é brincadeira? 4-) O que é jogo? 5-)De que seus alunos brincam? 6-)Você enquanto educador faz a mediação necessária para que a criança desenvolva as suas capacidades e habilidades durante a brincadeira? 7-) Você acredita que o material lúdico disponível na sua instituição de ensino seja suficiente? 8-) Como e quando deve haver mediação pedagógica no brincar das crianças? 9-) Enquanto as crianças brincam. é possível perceber a realidade na qual estão inseridos? 10-) Quais brincadeiras você considera importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças? . desde já agradeço. Atenciosamente. fevereiro de 2008.Questionário dos professores Bauru.

Projeto da instituição “A IMPORTÂNCIA DA RECREAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-COGNITIVO DE CRIANÇAS NO MATERNAL” ALINE FERNANDES GUIMARÃES RENATA PLETI TARCINALLI .BAURU 2008- .94 III.

deitar. fantasias) com conteúdos sociais. a criatividade.1997. materiais como brinquedos. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. Segundo (Vygotsky.INTRODUÇÃO A palavra latina recreação em sua primeira definição significa ato de recrear-se e na segunda definição significa ocupação agradável para um descanso de um trabalho e recuperação de forças para sua continuação. dos quais pode-se destacar alegrar. se diverte enquanto aprende. ao invés de numa esfera visual externa. socializadores . .brincar e se divertir. aprende a tomar decisões. o raciocínio. pois através da brincadeira a criança imita o adulto.70) Para brincar a criança necessita de tempo.P.109) é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. distrair-se.95 TEMA: Recreação ALUNOS ENVOLVIDOS: Maternal I (faixa etária de 1 ano e 6 meses a 2 anos e 6 meses )e Maternal II(faixa etária de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses). PERÍODO DE REALIZAÇÃO: ano letivo de 2008. espaço.1988. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento.desenfardar-se. por exemplo. (BROUGÉRE. onde tem brincadeira existe recreação. manipula valores (o bem e o mal). brinca com o medo e o monstruoso. A principal atividade da criança é brincar (recrear). exprime emoções e sensações. 1. desenvolve a atenção. Neste contexto o objeto ou brinquedo oferecido pelos adultos tem a função de ajudar a compreender as propriedades e o uso social dos objetos e estabelecer as funções sociais destes no grupo social em que a criança esta inserida. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. coopera. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. reproduz valores culturais. reinventa a realidade. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto.p. tanto no aspecto lúdico. A brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psico-social da criança. fantasia. em suma.sentir prazer ou satisfação. Por sua vez o verbo recrear está embutido por diversos significados.

Com a sucção. Sendo estimulada a partir de objetos concretos. estão descobrindo o mundo e o universo que as cerca. O período pré-operatório abrange a primeira infância (aproximadamente dos dois aos sete anos) e é anterior ao aparecimento das operações propriamente ditas.1996). A teoria froebeliana. comprimento). a criança pode recrear-se a partir da exploração do seu sensório-motor. Ela passa a interiorizar os esquemas de ação (o que faz na ação passa a fazer também em pensamento) e a fazer uso da função simbólica. ao considerar o brincar como atividade livre e espontânea da criança e. coordenar visão e preensão. pois ele é o início de tudo. Os períodos ocorrem de maneira espiral sendo que cada período engloba o período anterior. é intuitivo e. 1983). O pensamento da criança.. mas prolonga os mecanismo de assimilação e a construção do real própria ao período sensório-motor anterior (Piaget. suas respostas são apoiadas basicamente na percepção. (Kishimoto. no plano tridimensional (largura. além das sensações ocorre um aumento gradativo na capacidade do bebê em adquirir hábitos. dos olhos. cognitivo e social). etc. Estágios de desenvolvimento segundo Jean Piaget Para Jean Piaget os estágios e períodos de desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras de a criança interagir com a realidade. dons e atividades. porém para elas o jogar e o brincar são momentos que vão além da diversão. permite a variação do brincar ora como atividade livre ora orientada.96 dependendo das motivações e tendências internas. no período pré-operatório. 1980). sendo ela ainda pré-lógica. e não por incentivos fornecidos por objetos externos. Quando as crianças brincam não estão interessadas no resultado da brincadeira em si. pois elas aprendem o que ninguém pode lhes ensinar. um suporte para o ensino. os movimentos das mãos. A recreação faz parte da história do homem. para a aquisição de conhecimentos que ajudaram na resolução de situações ao longo da vida. etc. ou seja. coordenar esquemas. Existem três manifestações importantes da função simbólica: a . O período sensório-motor é fundamental na recreação. de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação. descobrir novos meios e solucionar alguns pequenos problemas (PIAGET. Nos espaços livres e áreas de lazer o homem sempre busca novas formas para se recrear. O período sensório-motor (do nascimento até dois anos de vida) caracteriza-se pelas sensações e pelas atividades motoras. A recreação pode ser desenvolvida em prol do desenvolvimento pleno (motor afetivo.

ajuda-ajuda.97 imitação diferida.1. atenção e concentração. o brinquedo simbólico ou “faz de conta”. * Explorar os movimentos corporais. Portanto as atividades recreativas devem ser espontâneas. * Desenvolver a cognição e imitação. criativas e que nos traga prazer. vivo ou morto. diminuindo as tensões e preocupações. autonomia. e a fala. * Desenvolver a ludicidade. pois uma única palavra pode substituir representar uma diversidade de ações antes efetuadas na prática pela criança. quando a criança é capaz de imitar uma determinada situação ou pessoa sem a presença da mesma. duro ou mole. independência. 3-OBJETIVO GERAL * Despertar as crianças para a importância e o potencial educativo das atividades lúdicas e recreativas como elementos contribuintes no processo ensino/aprendizagem dentro do ambiente escolar. criatividade. visto que a recreação é muito importante para o ser humano não só para a criança. ritmo e equilíbrio. * Desenvolver noções espaciais e temporais. * Desenvolver a coordenação motora ampla. que é a mais importante manifestação da função simbólica. * Estimular a interação com pessoas e objetos. pegador corrente) . o pensamento e a ação. * Explorar a linguagem. é a partir da fala que a representação se acentua. Todos nós precisamos dos nossos momentos de lazer. a coordenação motora fina. 2.OBJETIVOS ESPECÍFICOS * Explorar a imaginação. auto-estima e cooperação. 4-CONTEÚDOS .Atividades de corrida (pega-pega. * Desenvolver a identidade.JUSTIFICATIVA É de fundamental importância a existência de atividades recreativas durante o processo pedagógico. 3. quando a criança passa a imaginar suas brincadeiras e interage em sua imaginação.

. 2001. KISHIMOTO. São Paulo: Martins Fontes. criar novas situações. 2ª ed. de duas mãos.Cordas . p. A.Atividades de arremesso. Jogo. L.).Giles. São Paulo: Cortez. adaptada por Gisele Wajstop.). n. Brinquedo.Umuarama. .Maria. fazer rolamentos. 2004.98 . arcos. etc. São Paulo: Ícone.Brinquedos (carrinho e boneca) . sucata. arremesso com saltos.2006. 4. dança.Bolas . Educere. corrida. representar histórias.). .ed.Bambolês . uso dos dois pés de forma alternada. M.(org).Danças. mesas.. T.Atividades com brinquedos pedagógicos e outros. 1. S. v.Ocorrerá de modo contínuo valorizando e respeitando o desenvolvimento e aprendizado da criança. 5-RECURSOS . São Paulo: Cortez. A Formação Social da Mente. 7-REFERENCIA BROUGÈRE.).etc) . 1988.ed. jacaré. cantigas de roda ( atirei o pau no gato.Bastão . salto. RIZZI. . Recreação em Ação: Recreação na educação infantil. 2ª. 5. etc.Atividades de arremessos (uso de uma das mãos.Rádio e CD’s 6. O Período de desenvolvimento das operações formais na perspectiva piagetiana: aspectos mentais. etc. COSTA. VYGOTSKY. pessoas.Atividades de imitação (imitar animais. Brinquedo e Cultura. -Atividades com objetos diversos (bolas. etc. uso dos dois pés juntos. Brincadeira e Educação. C. criar personagens. B. bastões. arremesso com corridas.29-42. etc. . C.(Org).AVALIAÇÃO . .Atividades com salto (uso somente de um pé. Vania.sociais e estrutura. carteiras.1997 Cavallari. cordas. R.

Projeto de intervenção desenvolvido na instituição UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências .Campus Bauru Licenciatura em Pedagogia Projeto de Intervenção ALINE FERNANDES GUIMARÃES CAROLINE PETIT DE ARAGÃO KÉTHLEN DAYANE RODRIGUES TERECIANI O RESGATE DA INFÂNCIA POR MEIO DA BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. BAURU 2008 .99 IV.

quanto na participação de conversas. como raciocínio. assim que a criança desenvolvia um conjunto de habilidades. poderia ser considerada como adulto (em contraposição a infância). as representações estéticas (as pinturas) mostravam uma criança semelhante a um adulto. O presente pesquisa é resultante dos Trabalhos de Conclusão de Curso das alunas do Curso de Pedagogia da UNESP Bauru. jogos. A partir desse momento. e não demonstrava ainda os comportamentos esperados pelos adultos. o pesquisador francês Philippe Ariès retrata a construção histórica do conceito da infância. Portanto. Muitos brinquedos e brincadeiras pertencentes ao universo infantil atual (como. pois em determinados momentos históricos a visão que a sociedade tinha em relação à criança era bem diferente da visão moderna. Pelo menos não existiam relatos. sendo então designada como uma fase “irracional”. tanto na forma como eram vestidas. bonecas e marionetes) eram compartilhados entre adultos e crianças. Em sua obra História Social da Criança e da Família. que era desconhecida antes da Idade Média. documentos ou pinturas que registravam ou retratavam algum conceito sobre a infância (ARIÉS. Planeja-se realizar essa pesquisa em um instituição pública de educação infantil do município de Bauru. é necessário verificar como a questão da infância era tratada no passado. a infância era vista como a fase na qual a criança ainda não dominava a fala. 1. Aline Fernandes Guimarães. Por volta do século XIII. privilegiando a criança como um agente ativo no seu processo de desenvolvimento. Segundo Áries. Caroline Petit de Aragão e Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani. em tamanho reduzido. com músculos e traços semelhantes. atitudes e ações. por exemplo: pega-pega.100 Resumo Este projeto de intervenção tem como objetivo resgatar a concepção de infância através de brincadeiras. Os adultos não tinham a menor preocupação sobre a preservação de certos assuntos. Segundo sua pesquisa. Entretanto. as crianças eram tratadas como adultos em miniatura. 1981). não existia ainda uma atenção afetiva por parte dos homens que justificasse a necessidade de se preocupar com a infância. por ser uma fase passageira.Introdução A concepção da infância na atualidade é o resultado de transformações históricas e sociais. esconde-esconde. brincadeiras e festas. geralmente em reuniões e datas comemorativas. falavam .

portanto. Era necessário para essa função uma criança saudável. visão construída pelas camadas dominantes. a saúde. As camadas populares. 2001). Através de diversos documentos históricos. cumprindo funções que contribuíssem com a sociedade. surgiu um sentimento de afeição e cuidado por parte da família. 1981.12). . mas principalmente retratando a construção da infância em camadas abastadas. nas reuniões coletivas. e as taxas de mortalidade eram elevadas. Porém. é possível dizer que existia infância dentro das camadas pobres. As contribuições de Ariès foram extremamente importantes em relação à história da criança. por sua vez. que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes. Por não existir um sentimento por parte da família. houve uma transformação realizada pela Igreja e pelos órgãos públicos. Kuhlmann aponta o caráter unilateral da pesquisa de Ariès. por ser “natural” e também por desconhecer a inocência e a diferença entre a infância e a fase adulta. recebendo uma preocupação com seu bem-estar. que direciona seus relatos de modo generalizante. e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. porém existente na vida dessas crianças (KUHLMANN. supondo então que a educação e o sentimento da infância surgem primeiramente dentro dessas famílias. em sua obra Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica analisa e reinterpreta algumas concepções. (ARIÈS. que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem uma enorme dor. as brincadeiras nas praças. a partir do século XVII. Dentro deste contexto.101 vulgaridades na presença das crianças. Entretanto. A criança deixa de ser uma utilidade para o trabalho familiar. através das conversas com os adultos. o pesquisador Moysés Kuhlmann Jr. a prática do abandono era comum. preocupandose com o seu desempenho durante o processo de aprendizagem. Não existiam cuidados específicos que garantiam uma sobrevivência efetiva durante essa fase. Diante da elaboração da instituição escolar. a higienização. que consentia a ida de seu filho a escola. Porém. que a criança saiu de seu antigo anonimato. 1981). com auxílio dos poderes públicos e também pela própria família (resultados de uma transformação cultural): A família começou então a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância. o autor constata que havia uma preocupação com a infância em épocas posteriores e o sentimento de infância era existente durante a Idade Média. como também a preocupação com a educação e o cuidado com os pequenos. que defendiam a separação entre adultos e crianças. a escola (ARIÈS. a criança exercia na família um papel utilitário. eram consideradas “livres” e “sem-modos”. Uma educação informal. Foi instituída então. era “normal” que ocorressem eventuais fatalidades. p. em contraposição sobre algumas idéias.

para caracterizar as instituições educacionais pré-escolares. artigos 29 a 31). propiciando uma formação de qualidade para a criança. já que sua natureza se encontra na produção do trabalho não-material. ou na década de 1970. de 1996. essa educação não era assegurada pela legislação. o atendimento prestado a crianças de 0 a 6 anos era visto apenas como assistencialismo. para crianças de quatro a seis anos (art. que sustenta a dinâmica transformadora do que pode ser definido como um novo momento na história da educação infantil. no caso brasileiro. Essa expansão quantitativa é um elemento fundamental. que deverá garantir a todas crianças o acesso e a permanência escolar. mas para que este direito seja garantido será necessário que haja legislação e recursos específicos. dificultando a expansão qualitativa para este nível de ensino. material. p. 2004. abarcando o atendimento dos 0 aos 6 anos de idade. sem muita preocupação com o desenvolvimento infantil e suas especificidades.31). 211). a lei se limita a indicar sua finalidade (art. sem objetivo de promoção (art. 2001. De início. Kuhlmann (2001) relata o processo de expansão das creches e pré-escolas no Brasil: As creches e pré-escolas têm vivido um amplo processo de expansão desde o final da década de 1960 na Europa e América do Norte. estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional. consagrada nas disposições expressas na Constituição de1988. Lei nº 9. Saviani (2004) esclarece sobre o que a Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional define para educação infantil: No que diz respeito à educação infantil (Seção II.29).102 Ao abordarmos o tema proposto no referido projeto será necessário analisar a história e a evolução da educação de crianças de 0 a 6 anos no Brasil. A própria expressão educação infantil foi adotada recentemente em nosso país. (SAVIANI. para crianças de até três anos de idade e em pré-escolas. Para Saviani (2005. A Nova Carta Constitucional (1988) reconhece o dever do Estado de garantir creches e pré-escolas para todas as crianças de 0 a 6 anos. (KUHLMANN.14) a educação não se reduz ao ensino. p.7). processo acompanhado da ampliação das pesquisas sobre o tema. A partir da década de setenta a educação de crianças pequenas começa a ser reconhecida através da ampliação das políticas governamentais de atendimento para esta faixa etária. a escola. assim como na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a sua organização em creches. Na atualidade verificamos um processo de expansão do atendimento à criança de 0 a 6 anos. p. configura uma situação privilegiada. básico. Entretanto. a partir da qual pode-se detectar a dimensão pedagógica que subsiste no .394 (1996).30) e que a avaliação será feita pelo acompanhamento e registro do desenvolvimento infantil. “neste sentido.

A educação infantil possui características próprias. Bhering e Nez (2002) definem a importância da relação família e creche nos primeiros anos de aprendizagem da criança. brincando em espaços reduzidos. pois. possui uma linguagem própria que deverá ser aperfeiçoada no processo de ensino aprendizagem. A criança desta faixa etária conhece o mundo diferentemente do adulto. A família e a escola dividem e partilham suas responsabilidades no que diz respeito à educação e a socialização das crianças. a institucionalização da escola como meio de difusão do saber sistematizado afirma a especificidade da educação. considerado um componente importante e necessário para o sucesso das crianças.103 interior da prática social global”. p. ambientes e atividades favoráveis para o desenvolvimento da criança é um dos objetivos (e desejos) de ambas as instituições. (BHERING e NEZ. Criar condições. não se fundamenta na compensação de deficiências sociais. A creche é um dos contextos onde um número bastante expressivo de crianças pequenas passa grande parte de seu tempo. Uma infância em um mundo urbano. . juntas. Entretanto. afirmando que: A importância do envolvimento de pais nesta fase é então auto-explicativa: a família e escola/creche. A relação com o adulto nesta fase do desenvolvimento será essencial para a efetivação desse processo infantil de conhecimento do mundo. como também em uma outra perspectiva. com uma trajetória escolar caracterizada por imprevistos. a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola ao passo que tem como objetivo primeiro tornar os alunos cidadãos críticos. portanto. a qualidade de seus serviços e o atendimento às comunidades carentes é cada vez mais discutido. Apesar de haver diferenças distintas entre as obrigações da família e da escola. é através dela que a criança será inserida ao mundo ao seu redor. trabalhando desde cedo. Segundo o autor. A família desempenha um papel fundamental. é a instituição responsável pela formação da infância. sociais.9). a criança de hoje está inserida em um novo contexto: dentro de um mundo globalizado e capitalista. políticas. Desta forma. 2002. Sendo assim. 65). influenciada pelas culturas midiáticas. fruto da desigualdade social vigente na atualidade. e nem no preparo para o processo de alfabetização. p. atualmente. A escola. podem promover situações complementares e significativas de aprendizagem e convivência que realmente vão de encontro às necessidades e demandas das crianças e de ambas as instituições. repleto de transformações econômicas. o envolvimento de pais na escola/creche é. há também responsabilidades e objetivos incomuns entre elas. O objetivo da educação infantil. substituindo as brincadeiras populares por brinquedos eletrônicos. 2002. conseqüência da terceira revolução industrial (FURLAN e GASPARIN. ingressando precocemente em instituições educacionais. A criança encontra-se atualmente em um cenário pós-industrial ou pós-moderno.

de construção e socialização têm percentuais de 4% a 35% nas instituições pesquisadas. Atualmente as crianças entram cada vez mais cedo nas instituições de educação infantil. desenvolve a atenção.. 2003. se diverte enquanto aprende. socializadores . da autonomia. a criatividade. podendo na maioria das vezes precisar também da intervenção de outras crianças ou até mesmo de um adulto.1997. reproduz valores culturais. Porém a brincadeira traz consigo inúmeros significados para a formação psicosocial da criança. p. Admite-se que a infância é uma fase importante na vida da criança. porém com novos significados.. coopera. de amadurecimento”. por exemplo. Todavia. Por meio de tal brincadeira a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária. um papel amassado se transforma em uma bola de futebol. jogo e brinquedo. um cabo de vassoura pode virar um foguete. 12). (2001) revela que os brinquedos destinados às atividades simbólicas. lazer e diversão quanto no aspecto da aprendizagem e do desenvolvimento. através da comunicação que estes desenvolvem entre as crianças. aprende a tomar decisões. Na brincadeira de faz-de-conta ou jogo simbólico a criança utiliza-se da imaginação. a infância atualmente aparece como um momento em que a criança pode ser ela mesma. fantasias) com conteúdos sociais. Em sua pesquisa sobre Brinquedos e materiais pedagógicos na educação Infantil a pesquisadora Kishimoto. Segundo a mesma pesquisa a maioria dos materiais são de jogos geométricos e alfabetização.P. preenche as pulsões e os comportamentos individuais (comportamentos motores. brinca com o medo e o monstruoso. da formação social. (BROUGÉRE. é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças pequenas.104 A imagem de um adulto em miniatura surge novamente.70) Para brincar a criança necessita de tempo. por exemplo. Sendo um dos poucos lugares na área da educação onde o lúdico é tratado como natural ou apropriado. fantasia. a brincadeira era geralmente considerada como fuga ou recreação.) um intervalo no dia e não como um período peculiar da vida. areia com água vira comidinha de boneca. manipula valores (o bem e o mal). em suma. Segundo Wajskop (2001). materiais como brinquedos. (QUINTEIRO. de fantasia. “(. tanto no aspecto lúdico. Anteriormente. reinventa a realidade. espaço. como creches e pré-escolas. o raciocínio. pois através da brincadeira a criança imita o adulto. da construção cognitiva e crítica. na . por estar relacionada à construção da identidade. exprime emoções e sensações.

a criança se relaciona com o significado em questão.105 brincadeira de escolinha: a criança imita o papel do professor e dos alunos. Portanto o papel amassado serve de representação para uma realidade ausente. Alguns pesquisadores diferenciam brinquedo. O conceito central na teoria de Vygotsky é o da Zona de Desenvolvimento Proximal. o brinquedo também cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. bolas e outros acessórios enquanto a brincadeira é mais livre podendo existir regra ou não.Justificativa Com base nas experiências realizadas durante o período de estágio em escolas de educação infantil. a idéia da bola de futebol e não com o objeto que tem nas mãos. nível em que a criança precisa da ajuda do adulto para desempenhar determinadas tarefas. trilha ou dominó. 2.. Kishimoto(2001). ao mergulhar na ação lúdica. a menina vira mãe e o menino vira pai. (WAJSKOP. isto é. . p. (Oliveira. que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material. etc. Mas para brincar a criança precisa de espaço dentro do cotidiano das instituições de educação infantil.2001. podendo necessitar de materiais específicos como quadras. por exemplo. Ainda na teoria de Vygotsky. 1997). Segundo Lebovici (1988) brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o trabalho para o adulto. é o lúdico em ação ” e o jogo.p. Para a autora Wajskop. 1999. a distância entre o nível real em que a criança é capaz de fazer determinada atividade sozinha e o nível de desenvolvimento potencial. brincadeira e jogo e mostram a importância deles para o desenvolvimento e aprendizado das crianças. por parte do sistema educativo do ato de brincar na educação de crianças de 0 a 6 anos.25). as pesquisadoras perceberam a desvalorização. A diferença fundamental entre jogo e brincadeira é que o jogo delimita regras. Segundo Vygotsky(1988).21). pois brincando a criança vai além do que está acostumada a fazer. tabuleiros. (1999) “a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se em um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-cultural dos adultos”.( KISHIMOTO.. ao brincar com a bola de papel amassado. como xadrez. faz a distinção entre a brincadeira – entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo.

é antes de tudo promover a socialização das crianças e o brinquedo e a brincadeira são as formas mais precisas para essa socialização.1. por meio de intervenções pedagógicas que privilegiem a criança como sujeito ativo durante seu processo de desenvolvimento. em que o lúdico esteja presente como característica própria da infância.Reconhecer a brincadeira enquanto uma característica fundamental à infância.2.Metodologia Este projeto de intervenção pretende ser desenvolvido em uma instituição pública de Educação Infantil do Município de Bauru. socialização. Serão realizadas intervenções pedagógicas através de atividades que propiciem momentos de recreação. seja ela em período integral ou não. que atende crianças no período integral na faixa etária de 0-6 anos. .Objetivos Específicos . . Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. 3. Tendo em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças o presente trabalho pretende resgatar a concepção do conceito de infância através do brinquedo e da brincadeira na educação infantil. 4. buscando em referências bibliográficas e outras bases de dados a teoria necessária para fundamentar teoricamente o trabalho. Investigação do material para atividades lúdicas disponíveis na escola. Objetivos 3. estruturados de forma a resultarem no desenvolvimento cognitivo.106 Sendo que o papel da escola de educação infantil. afetivo e físico das crianças. 3.Promover o resgate do conceito de infância através da vivência de brincadeiras populares.Conhecer as diversas formas de brincadeiras populares. com a finalidade de identificar a qualidade e a diversidade de recursos disponíveis para as atividades cotidianas das crianças na instituição. Observação do contexto educacional: observação das crianças em situações de brincadeiras.Objetivo Geral . . Para a realização do presente trabalho será feita revisão de literatura.Explorar a ludicidade através de brinquedos e brincadeiras.

pasta. tinta. etc) . CD Room.Brinquedos populares .Avaliação .107 5. busca nas bases de dados.Recursos Humanos Professora orientadora: Marcia Cristina Argenti Perez Professora avaliadora: Vera Lucia Messias Capellini Fialho Pesquisadoras: Aline Fernandes Guimarães Caroline Petit de Aragão Kéthlen Dayane Rodrigues Tereciani Público em geral: Crianças de 0 a 6 anos 7.Sucatas . giz de cera. periódicos.Fotos 6. tesoura.Cronograma ETAPAS Levantamento Bibliográfico: Fichamento de livros. cola. Elaboração dos instrumentos de pesquisa Observação Elaboração relatório parcial Análise dos dados /Avaliação Redação e revisão para entrega do relatório final D E Z X J A N F E V M A R X X X X X X 8.Recursos Materiais . vídeos.Materiais pedagógicos ( sulfite.Brinquedos pedagógicos .

n 2. 1988. G. Maringá.Referencias ARIÈS. M. KUHLMANN Junior. João Luiz. 4ª ed. Caderno UEM. LEBOVICI. Maringá. 2ª. 1. p. 1981 BHERING. A emergência de uma sociologia da infância no Brasil. 2002. adaptada por Gisele Wajstop. Brincar na pré-escola. . BROUGÈRE. WAJSKOP. V. Jogo.(org). 2001. 2001. e Pesq. B. Mediação. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica . São Paulo: Cortez.1988. A construção do “ser” criança na sociedade capitalista.Giles. 2ª ed. K.1997 FURLAN. Brincadeira e Educação. In: Educação e Pesquisa. VYGOTSKY.: Teor. Significado e função do brinquedo na criança . S. 5. História Social da criança e da família. sendo seu ponto principal a elaboração de um portfólio da aprendizagem contendo o registro de todas as etapas do projeto através de fotos registro realizados pelos os alunos. São Paulo: Cortez. São Paulo: Martins Fontes.ed. 2001. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. . SP: Autores Associados. Moysés.63-73. Marta Regina e GASPARIN. Campinas. T. SAVIANI. 2000. E. 2005. 9. p. Dermeval. SP: Autores Associados. 6-14 KISHIMOTO. 1997. 2002. 33ª ed. São Paulo: Scipione. Brinquedo. OLIVEIRA. SAVIANI.27.ed. Porto Alegre.S. 9ª ed. Abr 2002. Dermeval. 8-22. São Paulo: Cortez. Porto Alegre. Envolvimento de pais em creche: possibilidades e dificuldades de parceria. L. Psic. p.. QUINTEIRO. Philippe. 5.ed. Campinas. Escola e democracia. T.108 Será realizada durante todo processo. e DE NEZ. vol.Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sóciohistórico. M. RJ:Guanabara-Koogan. no. Brinquedo e Cultura. J. __________ Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis. Caderno UEM.18. A Formação Social da Mente.2001.

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