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4 AAS BASES DA FORMAGAO FEMININA ! 3% ‘Todo 0 nosso sistema educacional esti, hii décadas, num © crise. Clamouse € clamase ainda por reformas, ¢ fazem-se reformas, mas mesmo que dessa confusio cadtica de tendéncias, algur IAs mestras, tem-se a sensacio de que ainda cnvolvimento trangiiilo ¢ bem fun- 1m experiéncias preparatérias de » tentando hoje tratar dela & parte, no podemos cor lacos que a ligam 4 problematica mais geral; aos nos 4 especial que ilusteari, 20 ido pela primeira vex numa palestra dian- de Educagio da Associagio Alema de Mu cas, em Berndorf, em 8.11. 1930. 135, L.A 1DéIA DA FORMAGAO * Procurando a causa da crise que abalou o sistema anti- g0, deparamo-nos certamente com 0 conceito de formagao ‘em que o sistema antigo se bascou ¢ que consideramos hoje como fatho.A "escola antiga’ é essencialmente uma fi Tuminismo, (Lembro, por exemplo, a escola fundament 0s institutos pedagogi i para mogas, também os liceus de hoje; finalmen- nbém os novos caminhos de acesso a vocou criticas cada vez mais contundentes ©, uma verdadcira tempestade de contestagdes; ¢,em um ou outro canto, uma edicula recém-erguida. Sera possivel remover tudo isso para erguer em bases firmes um novo edificio segundo um plano uniforme? Essa aspiracao existe; ha anos futase por um novo conceito de formagio que €, no fundo, um conceito muito antigo. 20s pensamentos que seguem receberam um tratamento ‘mais detalhado numa palestra sobre a idéia da formagio.O. texto dessa palestra fara parte de um volume postesior das obras de Edith Stein, 136 bogar 0 objetive para 0 esforgos.A formacito nao \ecimentos ¢, sim, @ forma que 1a assume sob a influéncta de miit- entio 0 processo dessa mol vente acrescentado de fora 1a do ambiente espiritual, do bens de que deve alimentarsc. dagem fundamental processa-se de den- 4 semente possui em si uma forma in- ivel que faz com que aqui nasca um pi- que se aproxima, em cego determinismo utura que € a personalidade madura, total vida, uma personalidade de carateristicas in- mios de formadores humanos. Para que pri o seu destino, crianga depende dos nutrien- devem ser fornecidos ao seu corpo e sua alma para desenvolver-se, de alimentos que podem ser diges- 10s, saudveis ou téxicos. Uma parte essencial © processo de desenvolvimento refere-se & forma- dos Orgios de que tanto © corpo como a alma necessi- ssimilar sua alimentagao. Uma das pe- les dos Grgaos da alma (aqui nos limitamos a falar © fato de s6 poderem formar-se quando ativados em apropriado: os sentidos por meio da atengao, da dis- omparacio de cores e formas, sons € ruidos, etc.,a igéncia por meio da tarefa pensar ¢ conhecer,a vontade 137 por atos volitives (opgio, decisio, rentincia, etc.), a afetivi dade pelas emogoes, le tarefas que vém de fora, que contribui para a formagao das for ‘No material disponivel a partir das aptidées naturai muita coisa que poderia atrapalhar 0 proceso de desenvol- vimento previsto pela dinamica interna, se crescesse ¢ pros- perasse de modo desimpedido. A mao formadora que inter. vyém de fora para aparar os rebentos nocivos ou para cortar- Ihes a nutrigao esta a servico dessa formagio. Ao lado das intervengies sistemticas de fora ocorrem as influéncias aleatorias do ambiente, S6 aquilo que € capaz de penetrar do mundo de fora para o interior da alma, nto sendo apenas registrado pelos sentidos © pela inteligéncia, realmente @ alma como material de formagéo. Na medida em que se transforma em material formativo assimilado alma deixa de ser um mero m: proprio como elemento formador ¢ modclador que ajuda a dar a alma sua forma prevista. As forcas formadoras do ambiente espiritual, as maos humanas formadoras sio condicionadas nio apenas pela for- magio primaria de dentro, elas se véem confrontadas com mais uma forca formadora interna.A crianga € entregue as maos dos formadores humanos. O adolescente que desperta para a liberdade do espirito € entregue a si proprio. Gracas cle mesmo pode trabalhar em sua forma- f livremente suas forgas € cuidar de seu de- senvolvimento, pode abrir-se as influéncias formadoras ou recusilas. Como as forgas que vém de fora, também cle esta condicionado ao material preexistente nele ¢ 4 forga forma- dora que the € inerente: ninguém pode fazer com que scja algo que nao esteja nele por natureza. 86 existe wma forca formadora que, a0 contririo das mencionadas até agora, nao € limitada pela naturcza poden- do transformar até mesmo a forma interna a partir de seu in- terior: € a forga da graga. 138 IL NATUREZA E VOCAGAO DA MULHER trabalho de formacio que vem de fora deve ata. Por iss0, 0 slogan dos reforma- da crianga!” E por tratarse de escola de trabalho!” Se quisermos colocar os 's de um sistema saudavel ¢ duradouro da formagio feminina, precisamos perguntar-nos: 1. Qual é a natureza da mulber € qual € 0 objetivo de formagao que ela indica; com que forcas formadoras inter- nas devemos contar? 2. Como a formacio externa pode colaborar com 0 pro- cesso interno? Qu: za da mulher como tal {to & primeira questio, gostaria de limitarme & na Nao pretendo negar a existén- dade, No nosso contexto importa, sobretudo, destacar as ba- ses peculiares da formacao feminina. 3 Reflexdes complementares encontrum-se na palestra proferida em Salzburgo que teata do Ethos das profissdes femininas. Ver p.55 ss, do presente volume. 139 9 companheirismo da alma fo restritas aos limites da con- dicao fisica de esposa c mie, estendendo-se a todos os seres hhumanos que entram no campo de visio da mulher apagadas por vendavais; cla as sementinhas frigeis no se para que as crvas daninhas vazia de si para que a outra vida tenha lu- inalmente,senbora de si ¢ de seu corpo para que sua personalidade esteja preparada para atender a qualquer chamado. Essa € a imagem ideal da alma feminina. Nesse sentido tinha sido formada a alma da primeira mulher e assim deve- mos imaginar a alma de Nossa Senhora, Em todas as outras mulheres encontra-se, desde a queda, um germe desse desen- volvimento, mas exige-sc vigilancia e cuidado para que nio venha a ser sufocado pela erva daninha abundante. Dissemos que a alma da mulher deve ser ampla, que nada do que € humano he seja estranho. Parece que ela est4 predispos- ta a isso: seu interesse costuma concentrarse na pessoa € na con dicio humana. Normalmente, essa tendéncia natural, quando en- 140 tregue a si mesma, costuma manifestarse de uma maneita pouco bjtva Mita vezes.o interes inicio asst de criosie, 1e70 descjo de conhecer as pessoas € suas condigdes de ser uma vertadeira avidez formal de invadir ndo se cede simplesmente a esse impuk ‘out pessoa ganha nada com isso. Ea sai, de si mesma e para diante dos fatos que encontra 10 temor,sabendo que as almas humanas io que podemos nos aproximar delas 86 quando Jéncio porque a vida de que cla € 86 fala em vor baixa: se a propria aprender tio bem e tornam até mestras:as mulheres nas quais nos re- apurado para as vores mais suaves ¢ frigeis. depois que outras condigies tiverem sido preenchidas: quando a alma estiver vazia ¢ fechada em si mes- 141 ‘ma. Sim, quando 0 proprio eu barulhento tiver completamente se afastado, entio haveri espaco e silencio para que outros pos sam encontrar lugar € manifestarse. Mas, ninguém € assim por natureza, nem homem nem mulher. "Senhor Deus, tireme de ‘mim e me entregue totalmente a ti", diz uma antiga oragi ale ma, Nés mesmos nao somos capazes disso, é Deus que precisa fazé-4o, Mas para a mulher é por natureza mais ficil falar assim com Ele do que para o homem, porque nela vive o desejo natu- ‘completamente ao outro, Uma vez. convenci cus € capaz dle foméla totalmente paca sie de tades que a acuavam vindas ccurar fi fora aquilo que pudess uma chama trangiiila que aquece e ilumina: tudo se transforma entiio em luz, fica puro ¢ claro. Pois nem a clareza se manifes- {a originalmente como dom natural,a alma feminina parece an- tes sombria € obscura, sem transparéncia nem para si mesma ‘nem para os outros. $6.0 amor divino a torna luminosa e clara Assim, tudo indica na mesma diregio: 0 que a mulher deveria ser por vocagio original s6 pode ser alcangado 142 rural se acrescenta a formagio interior devera estar no centro de toda a forma- a, a formacao religiosa. III. FoRMAGAO EXTERNA possibilidade de ajudar de fora as for- vém de dentro; essa é a condicao prévia ibalho de formago. Cabe ao trabalho -cer a oportunidade de desenvolver as fisicos e espirituais, providen- necessariamente 0 corpo. is competentes deduzir da formagio;o que jetalhes, além de uma exposi- dos valores que explicasse a : (0 € A aletividade, bem cooperigio entre ambos, nesse processo. 143 dios pelo interior da alma chamamos de bens, ¢ aquilo que os do, acessivel aos valores terrestres mais elevados que, indizi veis, aderem ao proprio ser da alma, Po: ra certamente para as matérias for- erature, arte, historia, Tenho a im- pressio de que naquele tempo as mocas mais talentosas dos colégios femininos, tantas vezes desprezados, adquiriam real- mente uma boa porcio de formagio. Naturalmente, nao basta a recepcao do material de for: macio, é necessario também que seja assimilado de maneira adequada para que possa contribuir para a formacio da alma. Essa assimilacio abedece aos principios da razdo. De acordo com a estruturacio do mundo externo ¢ a escala dos valores ¢ bens, cabethes um lugar racionalmente definido na Nio adianta levé-a a um entusiasmo indefinido, a um estado de exaltacio. 0 que ela, realmente, precisa é uma sensibilida- de apurada ¢ um juizo perspicaz. Pressupée-se, portanto, um intelecto bem. treinado. ‘Mesmo que © trabalho intelectual abstrato no seja 0 forte da média das mulheres © que a as nao constitua a formagio verdadeira, € fecto funciona como chave do reino espi do espirito que permite a entrada da luz na escuridio da alma, Na palestra sobre a vocacdo da mulher que ela profe iu em Graz, Oda Schneider afirmou que a mulher basta imar ¢ que cla no fica perguntando:0 qué para que. Nes- a atitude se esconde 0 grande risco do desvio, da desorien- tacio, Aquela palestra serviu para realgar a necessidade da orientacdo masculina. Mas isso nao significa a supressio do 144 lependéncig. O intelecto existe funcionar. Quanto mais vivo que a formagio do intelecto etivie ransformar 0 meio em fim, Nao é bom judo o que € recomendvel 3 formagio melhor tentar obter o miximo de da razio tee iéria se ve con- diversas tarefas, Por isso, € sumamente forca para a vida posterior, ¢ esse ‘em atribuigdes concretas, € no maneira de proceder vem 20 rientada mais para 0 con- do que para o abstrato. Ela inclui, a0 mesmo tempo, o igem resultados cons- 4 formagio correta da afetividade. em que as conviccbes € disposighes rmem em acao, revela-se a autenticidade do entu- .¢ a pessoa prefere realmente 0 que € ele também a atuar ¢ a agir sobre seu meio. | Wz parte essencial do processo de formacio @ as capacidades priticas e criativas. Eda maio- heres se exige competéncia pritica na vida diaria. $6 conseguiremos educar mulheres competentes, enérgieas, abne- gadas, se as deixarmos agir jé durante o tempo de escola, Para um plano de formagdo ja destacam-se, entéo, cer- tas linhas basicas exigidas tanto pela natureza quanto pela mente da idéia de que a escola deve transmitir um extrato compendioso de todas as areas do saber de nosso tempo. Mais vale a tentativa de educar pessoas que sejam suficiente- 145 oportunidades suficientes para desenvolverse, 0 que niio dispensa o raciocinio abstrato, Dependendo do talento indi- vidual poderia ser usado para esse fim 0 recurso as linguas clissicas ou 3 “A fungio propriamente dita da escola consistiria em Ie var as Mogas a conhecer ¢ entender o mundo ¢ o ser humano nam possiveis a partir de uma relagao correta com o Criador. ‘Voltamos entio a conviegio de que a parte mais tante da formagio é a formacio religiosa.A missio principal € ade facultar a crianga 0 acesso a Deus. Poderiamos formu sa significa ter uma fé viva.Ter uma fé vi conhecer Deus, amé-Lo e servi. Quem conhece Deus (no sentido ¢ na medida em que 0 conhecimento de Deus é possivel pela luz natural e sobrena- tural) 86 pode amé-Lo € quem O ama s6 pode servi-Lo.Assim, a fé viva depende da razio € do coragio, da vontade © da agio. Quem quiser despertéla, tera de treinar todas as foreas. E86 € possivel desperti-la pela conclamacao de todas as for- ‘gas que nao se fazem nem por uma ensino érido do intelec- 1.€ sim por meio da instrucio religiosa que, partindo da plenitude da propria vida rcligiosa, leva para as profundezas da divindade e que sabe apresentar ile, que acende o amor exigindo sua também pelo proprio instrutor. Quando a alma esta acesa, cla propria exige ago e abraca avidamente as formas priticas da 146 ual sobre-humano e, com ele, Je material formador que nela Desta maneira chego a exigéncia de uma instituigao de magio em que se viva com Deus € os seres humanos ¢ em que estio 4 frente de uma economia domésti- im administri-la de modo racional, con- ral do povo. Deseja'se que clas preparem 0 ca- 1. Hii necessidade, portanto, de mulheres que ida de modo inabalivel em Deus. De onde poderi vir is bases nao tiverem sido langadas na juventude? Nio faltam tentativas nese scatido, Os érgios puiblicos ram em grande parte a metodologia dos pedagogos re- is exigem aulas educativas ¢, como meio para esse método ativo.A Baviera deu inicio a uma nova ordem sino para as escolas fundamentais realizando uma adap- 147 tagio correspondente nos curri se, nos iiltimos anos, também nos cursos colegiais, uma liber- dade de autodeterminagio mais ampla de profes ment: fa com enormes empecilhios com a sobrecarga de matérias nos curticulos € nos sistemas de avaliagio € qualificacéo cada vez mais complexos. Acho que uma reforma ‘educacional s6 pode ser implementada adeq mente no contexto de uma regulamentacio sistematica do sistema profissional. Essa regulamentacio me parece ser uma das grandes necessidades do presente, mais importante até do que a reforma educacional, uma vez que, hoje, vemos um sem néimero de pessoas colocadas diante da questio da op¢o pro- fissional ¢ no ha quase ninguém que consiga aconselhdas, ‘Quase todas as carreiras sto desaconselhadas por haver super- ‘agao.Além disso, dé-se a exclusdo de pessoas bastante aptas para profissées essencialmente priticas porque se fizem exi- géncias exageradas de qualificagio tedrica. Para superar essa situacio realmei des de reduzir © niimero de candidatos pela c quisitos de admissio de dificil cumprimento ou uma certa vaidade de alguns grupos profissionais que no querem ficar atris das exigéncias de formagdo de outros, mesmo que as necessidades objetivas indiquem outros caminhos. formacio da juventude, ou melhor: estas deveriam se giadas ao sistema para que analisassem ¢ selecionassem 148 jovens conforme seus dons individuais, de modo que as ap- 's fossem descobertas 0 mais cedo possivel ¢ pudessem tura definida com antecedéncia. Tudo isso pressupée naturalmente uma grande liberda- Gio. Fico imaginando um tipo de sistema Montessori que abranja todas as faixas etarias desde o jardim até o limiar das escolas propriamente profissionais. Nas escolas para mocas, 0 niicleo fixo deveria ser cons: tituido por uma formagio geral exigida segundo a natureza ¢ a vocacio da mulher: uma cuidadosa formagao religiosa na medida e nas formas adequadas & respectivafuixa etéria 20 . nfo. em forma de experi ¢,sim, pela solugio de tarefs real eriam agregadas de forma fle rocedendo-se a selecto i, por um bom tempo, uma necessidade econdmica, Além disso, parece tratarse de uma questio ligada & formacio da personalidade. Predisposic&es individuais € energias acumu: que o individuo se integre na sociedade ou the confere uma funcio que the cabe cumprit no organismo social.A tare! pecial da mulher profissionalmente ativa consiste em fundir 149 sua vocacio feminina com sua profissio especifica, de modo que a profissio receba uma feigio feminina ‘Uma tal mudanca no pode ser decretada de cima e de uma 86 vez, Em primeiro lugar haveria falta de professores qualificados para sua execugio. Depois apareceriam todos haques infantis de um sistema novo como uma epide- mia que se alastra pelo pais inteiro; as conseqiiéncias pode- riam ser tio devastadoras que as pessoas sentiriam saudades dos "bons tempos de antigamente',a ponto de os principios saudiveis serem fejeitados juntamente com os erros. ‘Todas as medidas de reforma precisam ser experimenta- plementagio generalizada pelas autoridades edi Um bom ponto de partida para a refor feminina seria algui para erguer uma escola desse tipo desde 0 ini zet parte do projeto também um grupo de pais com bastan- te coragem para confiarem seus filhos a essa escola, além de um grupo de patrocinadores para financiar o projeto. As au- toridades educacionais peditia, por enquanto, apenas que, reduzindo a matéria ¢ ampliando a liberdade de ago, criem © cspaco necessirio para os professores que possam € quei- ram trabalhar na linha do novo conceito de formacio.Além disso, que procedam a uma revisio profunda do sistema de avaliagio © autorizagio © preparem a regulamentagio de todo o sistema profissional. De propésito, coloquei no centro de minhas explana- ‘ges a formagio feminina. Suponho ter dado énfase suficicn: te a0 fato de que tanto as mulheres quanto os homens sio se- 150 res individuais cuja.individualidade deve ser respcitada.no _processo de formacao. Mas, para evitar mal-entendidos, talvez seja conveniente realgar que mulheres ¢ homens tém, como ivo educacional comum:“Sede per- éu € perfeito!” Esse ideal educacio- € apresentado de forma conereta na pessoa de Jesus de todos nés é tornarmo-nos semethantes le todos n6s consiste em sermos formados por Ele proprio, juntandonos como membros organicamen- te a Ele como cabe¢a. Mas o material de partida é diverso. | Deus criou 0 ser humano como homem © mulher € deu a 4io especial no organismo da humanidade. natureza masculina quanto a feminina de- -raram. No alto-forno do formador divino, ambos podem cr livrados dessa ese6ria, Quem se abandonar incondicional- -magao nio s6 veré restabelecida a pureza na- o cresceri mais até se tornar um alter Christus no no existitio barreiras, pois estaro unidos nele os va- ivos do homem e da mulher. Mas todo trabalho de humano deve partir da base natural. sn, 12.1.1932" alestra de Berndorf, em novembro de 1930, sobre s da formagao feminina, procurei esbocat a 1 alma feminina como cla deveria ser de acordo (cs atributos: larga, ampla, vazia de si mesma, quente ara, Agora me pedem para dizer algo sobre a maneira de obter essas qualidades. * Repassando os manuscritos deixados pela aut ‘encontradas as seguintes paginas que contém plementares 4 palestrt impressa acima. O leitor encontra aqui essas reflexdes posteriores, 151 Acho que no se trata de uma variedade de qualidades que possam ser visadas ¢ trabalhadas isoladamente; antes, tratase de um simples estado total da alma que € visto nes- graga, O que podemos € devemos fazer é:abrirnos a graga, renunciando, completamente, 2 nossa propria vontade ¢ co: tregando-a ao dominio da vontade divina, colocando toda a nossa alma receptiva € mak as maos de Deus, Isso tem a ver em primeiro lugar com esvaziamento € aquictamento. Por natureza,a alma esta cheia de varicdades, to cheia que tem sempre uma coisa deslocando a outra, € cla esté sempre em movimento, frequentemente até cheia de tormenta ¢ tumulto, Mal acordamos de manhi e jé nos vemos assaltados por deveres e preocupacées do dia (quando ja nao afugentaram antes 0 sossego da noite), Surge, entio,a pergunta inquictan- te: Como abarcar tudo isso num tinico dia? Quando farei isto a esse ou aquele empreendimen- ostariamos de sair correndo. Nese momento devemos tomar as rédeas nas mos para dizer: calma! Nada disso me deve atingir agora. Minha primeira hora da manha € do ¢ Ble me dara a forga para real sim irei ao altar de Deus. Aqui nao se trata de mim ¢ de minhas preocupacdes mintisculas ¢, sim, do grande sacti- ficio de reconeiliacto. Posso partcipar dele, purificarme © mentos. E quando o S hi, posso perguntarihe: °O que deseja de mim, Senhor?” (Sta. Teresa) E aquilo que em didlogo silencioso se me apre- sentar como a proxima tarefa, aquilo comecarci a fazer. Iniciando depois da celebracio matutina o meu dia de trabalho, reinaré em mim uma quietude solene, alma estari vazia de tudo 0 que me pretendia assal 152 de uma santa alegria, de cor porque saiu de si entrando na nela qual chama quieta acesa 1¢ impelida a praticar 0 amor € a itros:flammescat igne caritas, accendat ar- © proximo trechinho do caminho fica claro 3 ‘nga muito longe, mas sabe que, uma 10 Momento o horizonte termi- Ima nova visio, balho do dia, Talvez scjam aulas - 4 sirio estar concentrada, no se que se pretendia, talvez em terrupedes imprevistas, falta tas, temores. Ou 0 trabalho no res € colegas desagradaveis, reivindicagées nao correspondi- humanas, talvez também di- -ga 0 meiodia. Chega em casa esgotada, exausta.Talvez idando novos aborrecimentos. Onde ficou aquela ina da alma? Novamente brotam as inquicta- dlesgosto,atrependimento. E ainda falta tanto a ser Anoite. Nao € necessirio continuar correndo? Nao an- de recotherse a um momento de quictude. Cada qual pre- cerse a si mesma para saber onde € como encontrar idade.O methor € despejar novamente todas as preo- cupagées, durante uns breves instantes, diante do tabernaculo, se for possivel. Quem nao tiver essi oportunidad ou precisar de um breve descanso fisico, respire um pouco no proprio quarto. E se no houver nenhuma possibilidade de trangiiilida- de externa, se nao tiver comodo em que possa recolherse, se res inadlveis impedirem uma horinha de silencio, entio se pelo menos durante uns instantes contra tudo 0 que vem de fora € refugiese no Senhor. Ele esta presente ¢, num breve momento, pode dar-nos 0 que precisamos, 153 ‘| E assim continuaré durante 0 resto do dia, talvez com muito cansaco ¢ dificuldades, mas em paz. Quando chega a\, noite ¢ o retrospecto mostra que tudo nao passou de obi e do que se planejara ficou sem to, sc tanta coisa nos causa vergonha ¢ arrependiment te tudo como €, ponha-o nas maos de Deus ¢ confie tudo a Ele. Assim seri possivel descansar nele com trangiiilidade aguardando © novo dia como 0 comego de uma nova vida. Esta é uma sugestio pritica para enfrentar 0 dia de tal ma- neira que haja espago para a graca divina, Cada uma sabera qual a melhor maneira de adaptéta as suas proprias condigies de vida. Além disso € necessitio mostrar que © domingo deve- ria ser como um grande porto pelo qual a vida celeste pode entrar no nosso diaa-dia, trazendo forga para enfrentar 0 traba- Iho de toda a semana, O mesmo vale também para as grandes festas, as cclebragécs ¢ os periodos de peniténcia que, vividos no espirito da Igreja, fazem com que a alma, ano apés ano, ama durega cada vez mais para 0 eterno descanso sal ‘Uma das tarefas principais de cada uma deve consistir na reflexio sobre a programagio de seu diaadia e do ano todo de acordo com suas aptidées ¢ as circunstincias con- cretas de sua vida, para assim poder preparar os caminhos do Senhor. O programa hi de ser diferente para cada pessoa, adaptando se com flexiblidade as mudangas que ocorrem no decorrer do tempo. Também a situagio psiquica varia de pes- soa para pessoa ¢ de tempo para tempo. Os recursos de que dispomos para criar, manter ou reavivar sas eternas - como, por exemplo, meditacio, ‘tual, participacio da liturgia, de devocdes pop! importante descobrir e aproveitar 0 método mais efi- ccaz para cada circunstincia, Para conhecer 0 que the convém ¢, sobretudo, antes de fazer modificagdes num roteiro com- provado, é recomendavel procurara experiencia do conselho. 154