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4 Relagao terapéutica Bernard Rangé Uma relagio terapéutica & algo que se refere as ualidades pessoais de um terapeuta, as qualidades pes- seais de um paciente e & interagdo entre ambos (Beit- ‘man, 1989). A hist6rica contribuigo de Carl Rogers (1957), tornou um trufsmo referir-se as caracteristicas Positivas de um terapeuta como “interesse genuino, ca- ‘or humano © compreensio empitica” € & presenga, na situagao terapéutica, de um clima de “congruéncia, visio incondicional positiva e empatia”. Esta atitude se tornou "Go generalizada e estendeu-se até a propria terapia com- Portamental, Em seus primérdios, entretanto, a abordagem com- Portamental em psicoterapia ficou conhecida como uma Proposta terapéutica que enfatizava sobretudo as técni- 4S € 1a qual a relagdo terapéutica teria um papel menor ® tespecifieo, As outras principais abordagens — psica- nlitica © humanista — a0 contrério, a encaravam como © Principal ingrediente da mudanca terapéutica. Os pré- ries terapeutas comportamentais contribufram, no inf- Gio, para disseminar esta imagem. Hoje isto € compreen- Sivel pelo fato de que ela, ao se originar de uma insatis- fsG0 com as alternativas da época e de uma fundamen- ‘2530 em princfpios experimentalmente testados ¢ vali- ‘os, procurou um caminho diferente daquelejétrilha- do. em que a derivagao de procedimentos testiveis ba- "dos naqueles prinefpios era 0 foco principal de inte- Tene Petseguia-se a “utopia” de fazer da interven¢io ‘€enica 0 tinico fator de mudanga e chegava-se a buscar meios (e testé-los) de conseguir uma mudanca sem a Participagio de nenhum terapeuta (ver Bandura, 1969). Mesmo longe destes radicalismos, a idéia prevalente era a de que as caracteristicas do terapeuta e de scus com- pportamentos eram irrelevantes, na medida em que “usas- sem a técnica certa para 0 problema certo”. Falava-se ‘mais de “modificag%o de comportamento” como uma tecnologia de mudanga do que inserir esta em um con- texto clinico. Quando muito havia vagas referéncias (Wolpe, 1958) de que a melhora dos pacientes ocorria em uma “relacao positiva’. O desenvolvimento de estu. dos sistematicos e empiricos sobre este problema ficou, assim, adiado por longo tempo, bloqueado que foi por discussbes apenas ideol6gicas S6 depois de se estabelecer como uma escola tera: Péutica influente € que mais atenco veio a ser dada a esta questo. Em parte, houve uma progressiva insergao da terapia comportamental no “mercado”. Isto a afastou do modelo rigoroso de pesquisa que vigora no mundo académico, Naquele ambiente, o papel da relacio tera. éutica era negligenciado em comparagao com a énfase na verificagao da efetividade das técnicas. Primeiro, isto ocorria, j4 foi visto, pela insatisfago com os modelos disponfveis em psicoterapia e pelo frisson causado pelas possibilidades de um modo de atuago mais tecnol6gico Segundo, 0 uso de técnicas tornava mais simples e repli. cével 0 controle das varidveis experimentais. Terceiro, isto se enquadrava no modelo de evolugso das cigncias. “ progresso desde a anilise em um nivel mais elementar 316 © ataque a problemas progressivamente mais com- plexos. Trabalhar ne mercado também conduziv 0s pro~ fissionais a lidar com a complexidade de pessoas reais. com seus miiltiplos problemas e necessidades, em vez de anilogos psicopatoldgicos (como “fobias de cobra em estudantes universitiries” Em outra vertente, houve também o desenvolvi- mento e a disseminagdo da terapia cogntiva, oriunda do Ambito mais propriamente clinico, portanto, a partir de modelos de tratamento que enfatizavam a importincia, da relagio terapéutica, O avango da psicologia social pars e aplicada também veio demonstrar que o compor- ‘amento também pode ser modificado por fatores inter- ppessoais. além das técnicas derivadas das pesquisas so- bre aprendizagem (em geral animal). Em meados da década de "60, E. L. Shostrom (1966) produziu filmes em que Carl Rogers. Fritz Petls «Albert Ellis entrevistavam o mesmo paciente. Estes filmes ficaram famosos pelo aspecto controvertido de que, pela primeira vez, representantes destacados de abordagens terapéuticas diferentes mostravam seu modo de trabalhar. Juntamente com outros filmes que foram produzidos adiante pelo proprio Shostrom (1977) (comparando Rogers, Lazarus ¢ ele mesmo), ou {ros procedimentos de pesquisa sobre andlise do com- portamento terapéutico como comparar transcrigbes (Wolpe, Rogers ¢ Fagan, Mahrer e cols., 1984), videos (Schaap e Suntjes, 1986) ou dudios (Brunink e Schroc- der, 1979) de sessdes, geraram consideravel quantidade de pesquisa que permitiram distinguir as caracter 4a agdo terapéutica em cada abordagem. Por exemplo,, Rogers fot avaliado como mostrando infnimos suportes,, pardfrases, imterpretagies e clarificagoes: Perls como usando primariamente diretivas, dando informagdes € usando confrontagoes, interpretagbes e afirmagbes; Ellis mostrou-se mais ativo, mostrando mais claificago, die reivas, interpretagbes e reformulagdes. Ha comporta- rmentos comuns entre as vérias abordagens como espe- Ihar, interpretar, dar suporte emocional e mostrar calor Ihumano que s40 muito frequentes, independentemente da orientagio. Os resultados indicaram também que a terapia comportamental tem um estilo carncteristico di ferente de outras escolas. E, surpreendentemente, estes cestudos indicaram que terapeutas comportamentais cram avaliados mais positivamente por pacientes como tendo mais empatia, congruéncia € visio incondicional positiva do que Gestalt-terapeutas ow psicanalistas, ra, estes dados claramente contradizem 0 esterestipo tradicional de que terapeutas comportamentais so frios e mecanicistas Berard Rang rd Range (oy, Um aova 4 suse epsinen yy importincia da relaglo terapéuticw no processo ge, danga se abriu, permitindo uma melhor compeegs do processo terapéutico e dos meios de aumeniar Soe Nor enedee M deneestnan see zc desta varidvel (Swan © McDonald, 1978; Licweliyn = dens Vgtn De Vopoee Bec, 1978 Roseanne on de ob; Scone cls, 1993; Onna aoe Pane er Wagh evi 199: Newman ieee vo eanlvinentfuedatanpncon ge eran! Neat pedeao sn Fog aerate contre a igen « ‘ugar oie mls ple as epes ee Sten mas cnce Test ne psctoexapens tml vig de doh mis come caso de nang ose dicta por inerengtes eaten Meade tino tm gedit apace cn 8 mesmo Ca santa no ean, quae aad! e conperansae Mims to nents toilencs pas Canaan's Shelia tptuicn Nese capo Seb tamil {poste las binning do papel dave ocean erate e eves Spee cm We nos estudos experimentais j4 desenvolvidos revisados, osu a por Kafer Schl (1988), Shc “as colege (1988), Oris, Growe © Pas (980 por Wg e Davis 1985), com o evo dense Boma dee tor cfr tapas Processos terapéuticos usuais € comuns a varias abordagens Hé muitos processos comuns nas diversas abords ‘gens psicoteraputicas. Uma forma de definir padres de interago satisfarios & buscar elementos comuns em estilo diversos de atuaglo que tenam se mostrado ef tivos, seja experimentalmente,seja pelo consenso emp 8) Experimentar emogbes. Nao & concebivel Pm cesso terapéutico em que pacientes 180 €xPe Fienciem emogdes. processo intelectual de anslise acompanha © decorre da experiénct ‘emocional. Safran © Segal (1990) distingve™ emogées primrias, aquelas que expressat encontco “auténtico” que se dé no aguie-a80" a relagdo terapéutica, das emopdes sect rias, que slo obsticulos & soluglo de prble mas ¢ que costumam ser as que motivaram 0 paciente a buscar ajuda, como raiva, ans Psicoterapia comportamental e cognitiva, depressao etc, Pela andlise destas pode-se alcan- gar aquelas, Hé varias atitudes que favorecem isto: por comunicar interesse, aceitagao e con- fianga, um terapeuta incentiva sentimentos e fa- Yorece a aprendizagem de que sio legitimos ¢ que pode ser vantajoso e benéfico compartilhé- los; por incentivar, por meio de métodos diver- S0s, a sentir suas emogdes e néo apenas a falar delas etc. b) Experiéncia emocional corretiva. © objetivo da terapia € provocar experiéncias deste tipo e nto aumentar as defesas do paciente, Para que ela ossa ser propiciada, sao necessérias uma rela- a0 terapéutica que produza um senso de segu- ranga, uma experienciagdo emocional no aqui- e-agora, empatia e condutas diferentes das ex- pectativas do paciente, Em vez de encontrar hostilidade para expressio de raiva, encontrar comnpreensio; em ver de reprovagio e critica, valorizagao; em vez de repreensio ou conse- thos, abertura para examinar alternativas etc ©) Expansdo da visdo de mundo de pacientes. Um dos aspectos importantes de uma psicoterapia & © de ajudar os pacientes a encarar seus proble- ‘mas por uma perspectiva nova ou diferente da- ‘quela estabelecida em seus esquemas. A maior parte das interagbes sociais favorece isso em graus maiores ou menores, na medida em que confronta visées de mundo diferentes. Uma psicoterapia, por suas préprias caracteristicas instigadoras, o faz de uma forma mais sistemé- Lica, A terapia cognitivo-comportamental alme ‘ja exatamente isto ao examinar ¢ contestar es- ‘quemas disfuncionais ¢ examinar alternativas de enfrentamento mais eficazes do que as estra- tégias usualmente utilizadas pelos pacientes. 4) Exame de conflitos. Pacientes costumam se comportar em relagio ao terapeuta como apren- deram a se comportar em relagao a outras pes- soas significativas de suas vidas. Foi o que Freud denominou transferéncia ¢, na aborda- gem comportamental, chamamos de generaliza- ‘cdo. O desafio do terapeuta é conseguir com- portar-se de mode nio complementar a esta proposta, evitando responder no modelo espe- rado pelo paciente. O terapeuta néo poderd ser um céimplice dos outros significativos da vida dele reforgando seus padres de interagao dis- funcionais. O terapeuta precisa estar atento para o fato de que os pacientes nao falam para ele apenas por falar, mas que esto tentando re- 45 criar os mesmos conflitos que o levaram a pro- curar ajuda, Neste sentido, & importante que aponte 0 que esté acontecendo na interacio, oferecendo feedbacks sobre 0 que esté se pas- sando com afirmagSes que expressem o aspecto subjetivo de sua experiéncia especifica, mais do que denunciar (acusatoriamente) © comporta- ‘mento do paciente ©) Aumento nas expectativas positivas. Uma tera- pia € mais efetiva quanto mais as expectativas so favorveis. Mesmo intervengdes “placebo” podem ser efetivas em até 30% dos casos, com qualquer tipo de tratamento, seja médico ou psicol6gico. Este aumento nas expectativas po- sitivas pode ser alcangado pelos processos de estruturagdo, que envolve esclarecimentos so- bre 0 processo, de informagdo sobre seu pro- blema e sobre como seri tratado, de definicao de metas realistas, de motivagao, por meio do fortalecimento do senso de responsabilidade do paciente e de sua participagao ativa, de alivio rapido de sintomas. ) Influéncia social, Toda terapia envolve uma certa quantidade de influéncia social. Seja pot condicionamento operante dos comportamentos desejaveis, seja por modelagio, quando 0 pré- prio comportamento do terapeuta serve de mo- delo para 0 paciente, a influéncia social estard sempre presente. 2) Incentivo a aquisigao de novas habilidades. Se a terapia é concebida como mudanga de hébitos (modelo sociopsicolégico) © néo como cura (modelo médico), ela envolve necessariamente aquisigao ou reformulagio de habilidades mais cefetivas de enfrentamento de situagdes novas ou recorrentes da vida dos pacientes. Isto se 4 por exercicio e treinamento nas sessdes ¢ pelo esta- belecimento de tarefas para casa que reforga a aprendizagem e facilitam a goneralizaglo. Al- ‘gumas formas de terapia fazem isso de modo menos explicito do que a terapia cognitivo- comportamental, mas, se novas habilidades de cenfrentamento so necessérias, 0 melhor é dedi- cat atengdo ¢ treino especifico a este objetivo. Modelos interpessoais aplicados ‘ao proceso terapéutico ‘Uma psicoterapia pode ser definida como um pro- ccesso cognitivo, emocional, comportamental € social 46 complexo que ocorre num contexto interpessoal (Kanter Schefft, 1988), Constitu-se num uso apropriado de processos de influéncia social como condigdes para que tama aprendizagem ou mudanga comportamental possa ocorrerna diregdo de determinadas metas preesabeleci- 4as. Os paradigmas do condicionamento de aprendiza- gem social ¢ cognitivos sio relevantes para uma parte essencial do tratamento mas nfo sho suficientes parae5- tabelecer um programa de mudanga, uma vez que saber utilizar principios de aprendizagem nfo é 0 mesmo que saber eriar as condigSes favordveis em que eles possam Bordin (1979) props um modelo conceitual que integra futores de relacionamento gers, téenicas tera péuticas © 0 processo de interaglo. Segundo ele hé tés componentes de interagio numa trapia: © vinculo emo: clonal entre paciente e erapeuta, a concordincia do pa- ciente com as atividades que fazem parte do tratamento 0 mesmo acordo quanto aos objetives € metas a serem aleangados. Para ele, o vinculo afta o grau de concor- ancia que, reciprocamente, afeta também a qualidade do vinculo emocional. Assim, os fatores técnicos e de relagio seriam partes interdependentes de um processo tinico (Safran e cols, 1990). Kiesler (1983) procurou deserever o cireulo inter- pessoal por meio de uma taxonomia ¢ definiu duas di Imensbes que, supostamente, caracterizam as transap0es interpessoais: controle e afiiagSo. Controle se refere 29 frau em que uma conversagdo € ativamente dirigida © aliliaglo refere-se ao grau de busca de expressio emo- ional calorosa, © grav de ajuste entre paciente « tert puta & chamado complementaridade, Um ajuste com- plementar ocorre quando: (1) existe reciprocidade 0 controle (a domingncia de um & seguida pela submissi0 do outro e vice-versa) e (2) correspondéncia na afiliago (ina amigSveisseguidos por outros sinais amigéveis) CComplementaridade postiva ocorre quando existem tr0- cas amigiveis, autOnomas e estimulantes; complementa- tidade negativa ocorre quando hi tocas controladoras © hosts; comunicago mista e ambgua ocorre quando a ‘mensagens envolvem interagbespositivas negativas Modelos como estes somente podem ser considera- os como suficientes, precisose rutferos se permitirem 4 deducio de rera espetcas sobre como 0 terapeta es comporar em sages een. ees "io procurarparadigmas que permitam a operacionaiza- Go de erates de inci soil este que de. fnam os pap complemen de pacemes ep ifiquem as fases do processo terapeutico € ‘ue definam as condigées em que scorer ies em que a aprendizagem possa Berard Range (Or, iio a Sr a enw a social o referencial tedrico que possa sustentar eee preendimento. Hoje, muitas conttibuigses podem ay Titeste onan # cat da ones eee (Thibaut e Kelly, 1959), a teoria do poder social (Stony Grane 1d sodas Goats opel me tinge 984) tea do ete ee Ney tenn de abigao Rater, 196). Ota pre {avatar Arlo Roc um Gora Sata eta tendo find pstaop cine ee tina conrbule de verddeas pls vera die du ptotgi soci! (Rodgus, 1985; ver tebe Varin 1970. Ce isa Sestoem enamine com Sintec trp vardvs do paces aril detenpeus ea arves anbienas, Te nds Camara propor de Kaho cole tater eG, 1980, Refer e Sh 198 re eenien cout qe freee tes re ee ruin gs evan en plelogi socal ae fetncls sv om aan cones do poe Ee eaten Sepund do proces erect Meade nes sac prea guns neces wes stn terpenes a fe come ere alee Ue um eps de par Fase 1: Obtengio de informagies, defini péis e desenvolvimento da alianga |A primeira meta desta fase € o estabelecimento de ‘uma relagio de confianga, Isto € uma pré-condigio pa 1 ocorréncia de influéncia social. O terapeuta tent nes obter informagées e entrar na dtica do paciene 1a visio da realidade. O fo: verais ta fase, sobre seu mundo, aceitando su: paciente usaré de virios meios de expres {seu discurso), ndo-verbais (sua postura¢ mica) cionais etc. Considerdvel atengio deve ser dada s#% tusualmente repetidas no significado, expressées ™ ficas: por esta decodificamos 0 que no est sendo di ‘Aceitando 0 que € mostrado ¢ revelando cempatica daquilo que € expresso, a confianga = Cort Yolve e toma-se possivel 8 necessria divisso de ww . do processo: 0 terapeuta seri reconhecido no su Mt fe papel de perito (Corrigan e cols, 1980) ¢ 0 cies derd assumir sua posigio ‘A incerteza do paciente sobre seu rnuida com instrugdes claras sobre as aoe relago, sobre as formas espectticas de comU T , sobre 0 processo das sessies (Barkham © 1986) O terapeuta no deve defini demnais 1° Pio pois isto pode suprimir parte da liberdade ¢ resiras Pricoterapia comportamental ecogniiva 4a espontaneidade do comportamento do paciente nas sessdes. E esclarecido entlo que a cle caberé responsa- bilidade e participagio ativa, Nesta Fase, éevidentemen- te accitivel que 0 terapeuta faga muitas perguntas, jé ‘que precisa de informasdes. Estas deverio ser prefervel mente abertas ¢ sucessivas (no fazer virias perguntas 20 ‘mesmo tempo) (Hill, Carter e O'Farrel, 1983). O terapeuta deverd buscar expressar empati, parafrasear €refletirex- pressSes para gerar sentimentas no paciente de que esté send compreendido. Deve-se evitar, nesta fase, qualquer tipo de avaliago negativa, interpretago, controntagso € cific. A aceitago sem julgamento da visio de mundo de um paciente € a condigo indispensivel para que ele possa ‘experimentar compreensio e confanga. Fase 2: Gerar expectativas © compromisso com a mudanga AA tarefa do terapeuta agora € desenvolver a co fianga do paciente em suas prOprias capacidades, isto é, fonalecer suas expectativas de auto-eftcScia (Bandura, 1977), Isto pode ser alcangado ajudando-o a tomar-se responsivel por sua mudanga, ajudando-o a deixar de responsabilizar © mundo em sua volta por suas desgra- sas. Sua incapacidade de controlar © mundo a ua volta © leva a este comportamenta inapropriado aos seus inte- esses. Assim, a “doenga” ansiedade pode impedi-lo de sairde-casa ou falar em plblico; a depressio “nao per- mite” que ajam; a “bebida” ow as “drogas” estragam. além do controle dele mesmo: o “mari Iher”, 0s “filhos”, os “pais”, a sua “histéria" ‘empregada", a “falta de dinheiro”, 0 seu “karma, 0 “chef” so os seus mais costumeiros algozes. Enquanto continuar a encarar as coisas assim, pouca mudanca ‘ocotrerd, até mesmo pelo fato de que quem esté ai é 0 Paciente e nfo os seus algozes. Pelo destaque daquilo ‘que esta “dando certo” em sua vida e pelo reforsamento de comportamentos efetivos em tentativas pessoais de mudanga pode-se comegar a alterar este quadro. ‘Oestabelecimento de metas € outro fator que cola- bora neste objetivo. Apesar de variarem ée acordo com «8 problematica de cada paciente, algumas metas sto ‘mais ou menos constantes. Desenvolver um senso de responsabilidad foi visto acima. Aumentar 0 senso de auto-eficéciacostuma ser outra meta usual. O meio bési- 0 de alcangar isto € prover experiéncias de sucesso. Para iso & importante distinguir entre orientar-se para 2 desempenho (em que © foco fica em cima do julga- ‘mento dos ovtros) ¢ ovientar-se para a mestria (quando © foco fica em transformar desaffos em oportunidades o {de aprendizagem e de desenvolvimento de mais, vas € aperfeigoadas habilidades), Kanfere Shefft (1988) suge~ tem “regras de pensar” para aumentar 0 senso de auto- ficdcia peresbida: 1. Pense comportamento 2. Pense solugio 3. Pense positivo. 4. Pense passos pequenos. 5, Pense futur. “Twompson (1991) propde um Huxograma que ju- de terapeutas a deseavolveresimatvas de controle 30- bre acontecmenos conforme a Figura 1 Encorajar pacientes a enfentarsitusGes ansiogé- nies € ora meta regular de psicterapias. Todo pa- conte fem seus medos desenvolveextatépiae que 0 impedem de enfrenlos. Exta evitagio imposiiita auc sas Fantasias se clariiquem ou que seus tomores fundados na realidade posi see mais bem avaiados, ‘mpedindo também que ele posta eiaborar estates tras efetivas de entretamento, Por meio de expoisao, texte da realidad, intensSo paradonal ercnguadamen- to estas ansiedads podem desaparecr, endo subsiet- das por auto-efcécia aumentada Ellis (1962) € um dos que mais tem chamado a tengo pars 0 aspecto de desenvolver a capaciade d= aceitagto da reaidae ede tlerncia 8 frstrago, Ten- do em visa o carter de hedonism responsivel de seu sistema, nio ésupreendene que também lute para des+ tocar ela espace em seus pacientes. Or, 36 0 qe conta € a substtuio de” showlds", “oughts”¢ “mats” (devo controlar os outros “tenho qu fazer tudo per- fevament”) por “wishes” ow "wante” "quero publicae re liv de pocsas";“gostaria de deixar uma marca em minha passagem pela vids"), um grau adequado de toleénca frasrago € um coroéro inevtével. Como 6 possvel regular vida por descos sem que haj ae taplo? E também pelo incentive dadesio «metas pes soaisna vida, plo estimalo da detrminacio em alca- las, qu a gerasto de expectativas postivas © com- promisso com a mudanga podem ser atingidos. Elis também e, mais recememente, Beck sous colaboradores (1979, 1985, 1990) t8m charade aaten- ‘0 sobre a necessidade de ajudar os pacientes em refor- mularconcepgGesertoneas Oferecer apoio, neste momento da teapi. & um os melhores meios de conseguir ajudar 0 paciente a acrediar que poss as habilidadesnecessrias para efe- tuar a mudanga ea descobrr que as que ainda no pos- sui, ov qe and no estejam adequadamente desenvol- Bernard Rangg 48 (0m, Tdentficar at metas do paciente v Ts metas sto alcanciveis? “ y sim Nao t L © paciente possut Tdentificar tehabihdades metas necessérias? alternatives e y sim Nao £ 4 © paciente Ensinar reconhece suas habitidades com habilidades? erica puiada “ y y ‘Avaliar® motivacao do Sim Nae paciente. L 4 ‘Avaliar Ensinar 0 paciente motivasio do 2 reconhecer paciente habitidades. Z ‘Avaliar a motivacio do paciente Figura 1. Passos para aumentar a auto-eficécia (Thompson, 1991). Vidas, serio objeto de atengo durante 0 proceso. J4 se demonstrou que 0 apoio € visto positivamente por pa- Cientes, sendo avaliado como empético e auxiliador (El- liot, 1986) e associado com uma visio positiva do tera- Peuta e da sesso (Fuller e Hill, 1985), Fase 3: Andlise comportamental Depois de obter muitas informages sobre sua sin- tomatologia e sua vida, o terapeuta comega fazer sua ané- lise comportamental em que sio levantadas hipéteses so- bre as condigées que operam no controle de todos estes aspectos. Modelos explanatérios so entio sucessiv ‘mente gerados. O paciente é solicitado a participar des processo também para que aprenda a fazer andlises fu cionais sobre seus comportamentos, uma vez que, “ rante a terapia eno futur, isto poderd ser extemanet itil para a obtengZo e a futura manutengio dos res! dos. E aqui que os pacientes comegardo a se deslocat Passo a passo de scu quadro de referéncia para 0 do peuta (Strong e Claiborn, 1982). A importincia dest processo de (re)formulagao € permitir ao paciente ™ Paicoterapia comportamental e cognitiva... reenquadramento dos problemas de um modo que the possbilitevislumbrar solugdes a0 seu alcance e assim impulsioné-lo a trabalhardiretamente sobre seus sinto- mas. AS respostas do terapeuta aserem enfatizadas nesta fase so as explicagdes © as interpretacies, Sio Vistas or pacientes como respostas das mais positivas que um terapeutaapresenta nesta fase (Eliot, 1986). Explicar og imerpretar significa desrever um estado de coisas em ou- tos termos. Neste caso, dentro da ica da teria da apren- dizagem. Fase 4: O programa de tratamento ‘Ao final da anslise comportamental, é construido ‘um modelo final provissrio dos problemas do paciente. Esta seré a formulagio de seus problemas. Pode-se defi- nir uma formulago como uma hipétese ou “teoria” que ‘elacione todas as queixas do paciente entre si de uma forma légica © significativa; que busque explicar por uc 0 individuo desenvolveu estas dificuldades e 0 que as mantém; € que possbilite 0 desenvolvimento de um plano de tratamento, Uma formulagao também possibili- ta que se fortalega a alianga terapéutica ¢ a adesio a0 tratamento pela maior confianga no terapeuta decorrente 4a compreensio que o paciente passa ater do que acon- tece com cle e pela esperanga de mudanga que se estabe- lece a partir dela. Para testar a formulaeio, o terapeuta estabelece certos “experimentos clinicos” que vio testar as hipdteses formuladas sobre 0 caso, Baseado nessas informag8es, & proposta uma metodologia de mudanca, baseada no conhecimento ja experimentalmente valida do, mas espectfica para cada paciente. A intervensao te~ ‘ap@utica deve prever objetivos especificos em termos. de mudangas mensuréveis, que permitam uma avaliago dos progressos alcangados. Para o andamento do proces- 0, portant, é importante que este modelo seja conside- ‘ado plausivel e aceito pelo paciente. E s6 poders sé-lo se for adequado a seu caso especitico. A énfase é, por- ‘anco, numa abordagem idiografica, nunce nomotética Fase 5: Condugo do tratamento Esta fase se caracteri2a por um declinio em expres- Ses empaticas ¢ por um aumento em ovientagdes. Por meio destas so apresentadas as propostas e téenicas de ‘mdanga de forma gradual, dentro do nivel de tolerancia os pacientes, sem que sejama muito difces (ou muito £4- Preocupagto e cui. Critcou, ridicularizou ou reproveu 0 comportamesta do paciente? Foi fro, distante ou desinteressado? Foi cfusivo, possessivo ou superenvolvido? Reagiu com humor eo exibiu quando apropriado? Resumisy com preciso © que 0 paciente efetivamene disse? Espelhou com precisio os sentimentos mesmo que suis do paciente? ‘0 terapeuta foi empstico? Comunicou por seu comper tamento verbal endo-verbal que compreendia e aceitava (os sentimentos do paciente? (© tom de vor. o comportamento transmitiam conin-