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Arquitectura Moderna e pós-moderna

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Published by: Jorge Fernandes on Apr 04, 2011
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Arquitectura Moderna e pósmoderna

Um novo conceito de arquitectura
• • • A arquitectura moderna surgiu na segunda metade do século XIX, associados a dois novos materiais – aço e cimento. As estruturas metálicas e o elevador tornaram possível construir, nos Estados Unidos, os primeiros arranha-céus. No entanto, seria nos inícios do século XX, quando os arquitectos souberam aproveitar todas as potencialidades dos novos materiais como o ferro, o aço, o vidro, o alumínio, mas sobretudo o betão, que foi possível criar novas formas e testar todo o conjunto de experiências construtivas que caracterizam a arquitectura desse século.

o crescimento urbano mais intenso. . a destruição causada pela 1ª Guerra Mundial. nos inícios do século XX. pelo aparecimento de uma nova arquitectura e à necessidade de reconstruir as cidades e de alojar condignamente os cidadãos: – – – – as exigências da sociedade industrial.Factores para o aparecimento de uma nova arquitectura • São vários os factores responsáveis. a aceleração da vida quotidiana.

tornou-se imperioso impor um tipo de construção simples e barata. • . mas com condições de habitabilidade. e aí percebeu-se a desadequação da arquitectura burguesa tradicional face às novas realidades. a par da redefinição do planeamento urbano.As novas correntes arquitectónicas • Por esses motivos foi necessária a adopção de novas soluções urbanísticas. nasceu o funcionalismo racionalista (levando ao chamado Estilo Internacional) em torno dos arquitectos alemães Peter Behrens e Walter Gropius e do suíço Le Corbusier e o organicismo. em torno do norte-americano Frank Lloyd Wright e do finlandês Alvar Aalto. Pelos motivos atrás expostos.

Amplas janelas. geralmente transformadas em terraços. Coberturas planas. .Características fundamentais I • • • • • • Relação íntima entre arquitectura e urbanismo. Paredes lisas e. Corte radical com o passado: abolição da forma natural. eliminando tudo aquilo que se oponha à arte pura. sólidos geométricos. brancas. ou fachadas-cortina em vidro. em fita. abolindo-se a decoração e realçando-se a estrutura do edifício. geometrização das formas: predomínio das linhas rectas. geralmente. Simplificação dos volumes.

Interligação com as artes ditas menores. marcenaria. betão.Características fundamentais II • • • • • Elevação do edifício sobre pilares (pilotis). Nascimento do design industrial. cerâmica. ou aplicadas: escultura. pré-fabricados: aço. abertura de espaços interiores – a planta livre. tecelagem. dando a ideia de estar suspenso. vidro. Renovação do espaço – casa prática e funcional. . Utilização de novos materiais. metalurgia.

1909 • Para muitos. este último na cobertura do telhado. Nele foram utilizados racionalmente o vidro e o aço. este edifício marca o início do funcionalismo racionalista. O autor procura uma arquitectura racional que pretendia ser. Berlim. A estrutura metálica possibilitou a abertura. prática. antes de tudo. limpa e social. . de enormes janelas tapadas com painéis de vidro de caixilharia em aço. a Fábrica AEG é bem representativa da arquitectura funcionalista que então despontava. De volumes simples e sem ornamentos.Peter Behrens Fábrica de Turbinas da AEG. nas fachadas em betão.

. a arquitectura devia adaptar-se ao mundo das máquinas e da velocidade e a função de um edifício deveria ser imediatamente reconhecível através das suas formas. o ferro e o vidro. sobretudo.Walter Gropius Fábrica Fagus. expressando com nitidez os seus modernos interesses artísticos e funcionais. • Para o autor. • Nesta obra utiliza o ladrilho e. 1910 • Esta fábrica é um exemplo da utilização criativa e funcional dos novos materiais. Alfeld an der Leine.

na cobertura. O espaço central é iluminado de cima por tijolos de vidro. Beeston. colunas de betão em forma de cogumelo e interiores de grande vão. que empregou paredes panorâmicas envidraçadas.Evan Owen Williams • Uns dos edifícios ingleses mais importantes do período. Compridas faixas horizontais acentuam o seu aspecto industrial e moderno. Fábrica de botas. 1930-32 . GrãBretanha.

Partia do princípio que as belas-artes e as artes aplicadas.A Bauhaus e o sonho de unidade da arte • A Staatliches Bauhaus (literalmente. cuja conclusão seria a arquitectura. sofás. Pretendia conseguir a integração de todos os géneros artísticos e artesanais.. Daí que tenha implementado o design. dando-lhes possibilidade de conhecerem e utilizarem diversos materiais. cinzeiros. mais conhecida simplesmente por Bauhaus) foi uma escola de design. A escola foi fundada por Walter Gropius em 25 de Abril de 1919. etc. • • • . electrodomésticos. vista como arte integradora. casa estatal de construção. Pretendia dar aos alunos uma boa preparação num ofício. artes plásticas e arquitectura de vanguarda que funcionou entre 1919 e 1933 na Alemanha. atribuindo valor estético a objectos de uso comum e produzidos em massa – cadeiras. candeeiros. a teoria e a prática deviam ser integradas numa criação comum. que formariam um todo no conjunto do edifício.

ofuscante..).. cada parte do edifício definida pela sua função e volumetricamente quase independente das restantes. revelando abertamente a leve estrutura de aço (. as janelas altas de vidro.) delineada em toda a sua transparência pela grelha de ferro da estrutura exterior. • . de todas as paredes (.. predominância das linhas rectas...) irradiando uma luz branca..A escola Bauhaus A parede de janelas foi descrita por um visitante como “um gigantesco cubo de luz (. articulações dos volumes segundo uma linha quebrada.” Exemplo prático do funcionalismo arquitectónico: (Nelly Schwalacher) decomposição dos volumes.

Nitidez das formas e pureza das superfícies (linhas direitas. tradicional desde o período do Renascimento). Materiais prefabricados. formas elementares austeras e lisas. Assimetria equilibrada (em vez da simetria. são considerados nobres e profusamente utilizados. considerados secundários. . ângulos rectos.Características fundamentais I • • • • • Ausência de elementos decorativos. coberturas planas). como o betão. o aço e o vidro. Edifícios quase sempre paralelepipédicos e rebocados de branco.

que garantem ampla luminosidade e a ligação entre o interior e o exterior do edifício. • • .Características fundamentais II • Bandas de janelas que estruturam a fachada ou fachadas-cortina em vidro. A estrutura da casa torna-se visível do exterior: a função e a construção deviam formar uma unidade. Pilotis (estacas sobre as quais as casas parecem pairar acima do solo).

A planta era livre. a fachada sem ornamentos. . separadas do solo e assentes sobre pilares finos (os pilotis). • Este estratagema permitia que o espaço verde se introduzisse por entre os pilares que sustentavam a casa. dando uma sensação de grande leveza ao edifício em suspensão. em fita.O Funcionalismo Racionalista (Estilo Internacional) • Ao mesmo tempo que se desenvolviam as experiências da Bauhaus. • Criou construções inspiradas no cubismo. retomando a ideia de que a casa deveria ser concebida como uma «máquina de habitar». Charles-Édouard Jeanneret. um arquitecto suíço. os telhados planos e ajardinados e as janelas sobre o comprido. muitas vezes recuados. conhecido por Le Corbusier (1887-1965) desenvolvia as ideias do funcionalismo estético.

os graves problemas de alojamento com que se debatiam as cidades europeias no período entre as duas guerras mundiais. . grandes edifícios destinados a alojar um grande número de pessoas resolvendo. que se revela nas suas «unidades de habitação». assim. a mais célebre das quais se localiza em Marselha.Le Corbusier • Teve também uma grande preocupação pelo urbanismo.

• • A grande difusão deste estilo. um pouco por todo o mundo industrializado. bem aceites por aqueles que se tornaram seus habitantes. não foram. demasiado frias e impessoais na sua racionalidade. . sendo também alvo de fortes críticas por parte de arquitectos como Lloyd Wright e dos adeptos da arquitectura orgânica e do conceito da casa-refúgio. conduziria ao chamado Estilo Internacional. As suas habitações. praticamente sem variantes. de um modo geral.

Casa-Máquina de habitar (1923) I Le Corbusier • Casa em série Citrohan (para não dizer Citroen). É necessário reagir contra a antiga casa e o seu sentido de espaço.. é necessário considerar a casa como uma «máquina de habitar» ou como uma ferramenta. Uma casa como um automóvel.] Até hoje. As necessidades actuais de habitação podem precisar-se e exigem uma solução. . Actualmente. Nas salas havia sempre espaço a mais ou a menos.. concebida e planeada como um autocarro ou uma cabina de navio. [. [. uma casa era um conjunto pouco coerente de inúmeras grandes salas.]...

um problema de técnicos.] Uma vez que o preço da construção quadruplicou.. A beleza? • . modifica-se totalmente um estado de espírito.. desde logo.Casa-Máquina de habitar (1923) II Le Corbusier • As dimensões das janelas e das portas devem ser rectificadas. É. utilizam-se os progressos da indústria. Os comboios e os automóveis demonstraram que o homem pode passar por aberturas pequenas e que se pode calcular o espaço ao centímetro quadrado [. é necessário reduzir para metade as antigas pretensões arquitectónicas.

Mas. apenas ao arquitecto! [. por ter paredes lisas com placas de chapa..] Não há que envergonhar-se por viver numa casa sem telhado pontiagudo..Escala Modulor • Existe quando existe a proporção. A proporção não custa nada ao proprietário. do que se pode estar orgulhoso é de ter uma casa prática como uma máquina de escrever. janelas semelhantes às das fábricas. Criada por Le Corbusier entre 1942 e 1948: o Homem é a escala da nova arquitectura Le Corbusier • .

Villa Savoye Poissy-sur-Seine 1928-1929 .

com janelas em correnteza. Um sistema de escadas e rampas. formas curvilíneas e uma rampa ao centro. enquanto o rés-do-chão abriga o vestíbulo e as áreas de serviço. na forma cúbica horizontal. apoiada em pilotis. com uma planta quase quadrada. A fachada não tem ornamentos e o telhado é plano. é um dos trabalhos germinais da arquitectura do século XX. . Outra rampa parte do jardim-terraço para o telhado. As salas de estar. revelando influências cubistas.• • • A villa. também abrem para um jardim-terraço. sendo o primeiro ligado às áreas de convívio por grandes janelas e paredes envidraçadas deslizantes. saindo do vestíbulo. liga os diferentes níveis.

Novas tendências em Le Corbusier • Após a Segunda Grande Guerra. . usando betão em superfícies exteriores de aparência inacabada e/ou grosseira. antecipando o brutalismo. Le Corbusier deslocou a sua atenção para construções mais expressivas. tendência que se definia pelo uso despojado e sóbrio do betão armado associado ao aço.

como o aço e o vidro. Foi professor da Bauhaus e um dos criadores do International style. • .Mies van der Rohe • Ludwig Mies van der Rohe foi um arquitecto alemão. sendo geralmente colocado no mesmo nível de Le Corbusier ou de Frank Lloyd Wright. definindo espaços austeros mas que transmitem uma determinada concepção de elegância e cosmopolitismo. dos aforismos. considerado um dos principais nomes da arquitectura do século XX. É famoso pela sua interpretação pessoal. less is more e "God is in the details“. que não são da sua autoria. patente na sua obra concreta. onde deixou a marca de uma arquitectura que prima pela clareza e aparente simplicidade. Os edifícios da sua maturidade criativa fazem uso de materiais representativos da era industrial.

. Utiliza uma forma e materiais extravagantes tal como o mármore e o tufo calcário. 1929 • • Este magnífico pavilhão foi construído para receber a exposição internacional de Barcelona em 1929.Pavilhão Alemão. Barcelona.

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