P. 1
RINT_-_Apostila_2011

RINT_-_Apostila_2011

|Views: 6.738|Likes:
Apostila de Relações Internacionais
Apostila de Relações Internacionais

More info:

Categories:Types, School Work
Published by: Jeniffer Schiling Martins on Apr 14, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/14/2013

pdf

text

original

Thomas S. Kuhn inaugurou o uso da expressão paradigma no estudo dos
fenômenos científicos, a partir de sua obra A estrutura das revoluções científicas,
em 1962. Ele se referia às suposições fundamentais que os especialistas fazem
sobre o fenômenos que estão estudando .
Um paradigma das Relações Internacionais é portanto, uma visão, uma
interpretação, uma perspectiva dos fenômenos internacionais ou mundiais,
amparada em algum método, cuja pretensão é explicar e dar sentido para os fatos
que estão se desenrolando no cenário internacional.
Assim, o termo paradigma (de origem grega, com o significado de modelo,
padrão) quando aplicado ao campo de estudo das Relações Internacionais, tem o
sentido de modelo mais adequado à compreensão da realidade internacional que
está sendo analisada.

Entre as décadas de 1970 e 1980, quando a discussão dos paradigmas
das Relações Internacionais foi objeto de diversas publicações, emergiram alguns
modelos de classificação das relações internacionais.

7

7

Modelo Idealista

O período idealista das Relações Internacionais situa-se entre os dois

grandes conflitos mundiais.

Este modelo ficou conhecido como idealista porque buscava introduzir
projetos inspirados em regras éticas e que, transformadas em princípios jurídicos,
serviriam como padrões às Relações Internacionais. Caracterizava-se por um
conjunto de princípios universais que defendia a necessidade de estruturar o
mundo buscando o entendimento, através de condutas pacifistas, onde a
confiança e a boa vontade sejam os motores que movimentam a História.

Foram destaque do período idealista as ações do presidente Woodrow
Wilson, dos EUA e o surgimento da Liga das Nações.
A eclosão da Segunda Guerra Mundial representou o fim do paradigma
idealista e deu lugar ao Modelo Realista.

Modelo Realista

O Realismo político consolidou-se com o início da Guerra Fria a partir de
1947 e tem suas raízes nos pensamentos de Nicolau Maquiavel (1532) em sua
obra O Príncipe, e de Thomas Hobbes (1615), em Leviatã.
Os historiadores das Relações Internacionais consideram o tratado de
Vestfália, em 1648, que estabeleceu o Sistema Europeu de Estados e criou um
equilíbrio de poder entre as potências da época, como o ponto de partida das
relações internacionais modernas segundo os padrões do realismo político.
Hans Morgenthau (conhecido como o novo Maquiavel) consolidou nos EUA
a teoria do realismo político em sua obra Política entre as nações.

Características principais:

a) A política interna e a política externa são consideradas duas áreas distintas e
independentes entre si.

b) Reconhece como único ator internacional relevante o Estado.

c) O poder e o uso da força constituem o traço forte do paradigma realista.

d) A cooperação internacional é problemática.

e) A ordem é imposta ou é resultado de acordo entre as grandes potências.

f) O surgimento de novas potências tende a perturbar a ordem estabelecida.

8

8

Modelo da Dependência

Com a criação da CEPAL, na década de 1960, a intelectualidade latino-
americana começou a produzir a partir de uma visão autóctone, teorias a respeito
do desenvolvimento econômico. Desse esforço surgiu aquela que viria a ser a
maior contribuição do chamado Terceiro Mundo para a disciplina Relações
Internacionais: a Teoria da Dependência.
Esse novo modelo centra sua atenção nas relações econômicas
internacionais e observa que entre elas se estabelecem termos de desigualdade e
dominação, de natureza desequilibrada e injusta do sistema internacional, de
dependência entre muitos Estados que são explorados por poucos.
O Paradigma da Dependência (de inspiração estruturalista ou neomarxista)
defende também que os Estados são atores importantes do sistema, mas não são
os únicos. Organizações Internacionais, empresas multinacionais e movimentos
de libertação nacional são reconhecidos, e tidos como de extrema importância.
Passou-se a utilizar os termos centro para designar os países ricos e periferia para
referir-se a países pobres.

A CEPAL inspirou vários pensadores a analisar a problemática do
subdesenvolvimento dos países sul-americanos buscando ir além da visão
puramente econômica. Dentre estes, destacam-se os cientistas sociais brasileiros
Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso e Helio Jaguaribe e o uruguaio
Eduardo Galeano.

Este paradigma é pessimista em relação à possibilidade de convivência
harmônica entre os atores internacionais, permanecendo a idéia de haver sempre
no jogo internacional um ganhador e um perdedor.

Modelo Neo-Realista

Durante os anos 1980, inspirados pela política externa do presidente
Ronald Reagan, os autores realistas ressurgiram, agregando novas características
ao modelo, o que lhes conferiu a possibilidade de adaptar-se aos novos fatores
das Relações Internacionais. Esta nova versão do paradigma realista incorporou
métodos científicos e matemáticos de análise, dando mais credibilidade à visão
realista.

Em 1983, Kenneth Waltz, publicou a Teoria das relações internacionais
onde procurou estabelecer uma verdadeira teoria geral sobre a política
internacional.

O neo-realismo buscou restabelecer a primazia do Estado e de seu poder
de força militar nas Relações Internacionais dentro de um contexto agora
globalizado, mantendo o papel de subordinação dos atores não-estatais.

9

9

Modelo Interdependente

Surgiu no final dos anos sessenta juntamente com o modelo dependente,
em consequência da insatisfação intelectual estabelecida face ao paradigma
realista. É também denominado paradigma do Transnacionalismo, do
Multicentrismo ou do pluralismo, ou ainda sociedade global ou mundial.
Este paradigma passa a analisar a importância da dimensão econômica
mundial. Segundo a tese de Marshall McLuhan, em sua obra O Meio é a
Mensagem, de 1967, os meios de transporte e de comunicação em massa vieram
transformar o mundo numa imensa aldeia global. Este fato motivou as bases
desse novo paradigma, pois os fenômenos internacionais não poderiam mais ser
interpretados na visão dos modelos realista ou dependente, pois o planeta havia
entrado em uma nova era de globalização da economia.
As bases desse paradigma não são novas. Alcançam reflexos no
pensamento dos estóicos, evoluindo às formulações de Kant. O que traz de novo
é o modo de ver a realidade global de nossos dias, diferente daquela que originou
o desenvolvimento do paradigma realista, que se apegou ao princípio da
segurança nacional, além das influências diplomáticas e das forças militares,
pressupostos agora inúteis em face da proliferação dos organismos internacionais,
surgimento da interdependência, dos atores não-estatais e das corporações
transnacionais.

Fontes:

1. OLIVEIRA,Odete Maria de. Relações Internacionais: estudos de introdução.
2.ed. Curitiba: Juruá, 2004.

2. PECEQUILO, Cristina Soreanu. Introdução às Relações Internacionais:
temas, atores e visões.
Petrópolis. Vozes, 2004.

3. RODRIGUES, Gilberto M. A. O que são relações internacionais. São Paulo:
Brasiliense, 2001.

10

10

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->