Droga

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Cocaína.

Droga (do francês drogue, provavelmente do neerlandês droog, "seco, coisa seca"), narcótico, entorpecente ou estupefaciente são termos que denominam substâncias químicas que produzem alterações dos sentidos. Droga, em seu sentido original, é um termo que abrange uma grande quantidade de substâncias, que pode ir desde o carvão à aspirina. Contudo, há um uso corrente mais restritivo do termo (surgido após quase um século de repressão ao uso de certas substâncias), remetendo a qualquer produto alucinógeno (ácido lisérgico, mescalina etc.) que leve à dependência química e, por extensão, a qualquer substância ou produto tóxico (tal como o fumo, álcool etc.) de uso excessivo, sendo um sinônimo assim para entorpecentes.

Índice
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1 Conceito 2 Tipos de drogas 3 Uso de drogas 4 Ver também o 4.1 Drogas 5 Ligações externas 6 Bibliografia

Conceito
Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que introduzida no organismo modifica suas funções. As drogas naturais são obtidas através de determinadas plantas, de animais e de alguns minerais. Exemplo a cafeína (do café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC ou tetrahidrocanabinol (da cannabis). As drogas sintéticas são fabricadas em laboratório, exigindo para isso técnicas especiais. O termo droga, presta-se a várias interpretações, mas ao senso comum é uma substância

proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando-lhe as funções, as sensações, o humor e o comportamento. Do ponto de vista jurídico, segundo prescreve o parágrafo único do art. 1.º da Lei n.º 11.343, de 23 de agosto de 2006 (Lei de Drogas): "Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União". Isto significa dizer que as normas penais que tratam do usuário, do dependente e do traficante são consideradas normas penais em branco. Atualmente, no Brasil, são consideradas drogas todos os produtos e substâncias listados na Portaria n.º SVS/MS 344/98. As drogas estão classificadas em três categorias: as estimulantes, os depressores e os perturbadores das atividades mentais. O termo droga envolve os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranquilizantes e barbitúricos, além do álcool e substâncias voláteis. As psicotrópicas são as drogas que tem tropismo e afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento. Essas drogas podem ser absorvidas de várias formas: por injecção, por inalação, via oral ou injeção intravenosa.

Tipos de drogas
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Depressora - diminuem a atividade cerebral e podem dificultar o processamento das mensagens que são enviadas ao cérebro. Exemplos: álcool, barbitúricos, maconha, diluentes, quetamina, cloreto de etila ou lança perfume, clorofórmio, ópio, morfina, heroína, e inalantes em geral (cola de sapateiro, etc). Psicodistropticas ou alucinógenas (drogas pertubadoras) têm por característica principal a despersonalização em maior ou menor grau. Exemplos cogumelos, LSD, MDMA ou ecstasy e a Droga DMT. Psicotrópticas ou estimulantes - produzem aumento da atividade pulmonar, diminuem a fadiga, aumentam a percepção ficando os demais sentidos ativados. Exemplos: cocaína, crack, cafeína, teobromina (presentes em chocolates), GHB, metanfetamina, anfetaminas (bolinha, arrebite) etc.

Quanto à forma de produção do indivíduo no comportamento cerebral podendo atrapalhar o processamento ou não, classificam-se como:
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Naturais Semi-sintéticas Sintéticas

Uso de drogas
É comum distinguir o abuso do uso de drogas de seu consumo normal. Esta classificação refere-se à quantidade e periodicidade em que ela é usada. Outra classificação, se refere ao uso das drogas em desvio de seu uso habitual, como por exemplo o uso de cola, gasolina, benzina, éter, dentre outras substâncias químicas. Os usuários podem ser classificados em: experimentador, usuário ocasional, habitual e dependente.

Introdução A inclusão da família no tratamento de dependentes químicos tem sido consideravelmente estudada, no entanto, não existe um consenso sobre o tipo de abordagem a ser utilizado, dentre as várias propostas. A literatura tem concluído que a terapia familiar e de casal produzem melhor desfecho quando comparada com famílias que não são incluídas no tratamento1,2. Dentro deste contexto, três modelos t eóricos têm dominado a conceitualização das intervenções familiares em dependência química: o modelo da doença familiar; o sistêmico e o comportamental. O modelo de doença familiar considera o alcoolismo ou o uso nocivo de drogas como uma doença que afeta não apenas o dependente, mas também a família. Esta idéia teve origem nos Alcoólicos Anônimos, em meados de 1940, através dos livros de Black3 e Wegsheider4 que descrevem a criança que cresce em uma família que possui histórico familiar de alcoolismo e co mo as suas expectativas influenciarão seu comportamento adulto. Mais recentemente, estudos têm focado que a doença do alcoolismo manifesta sintomas específicos nas esposas e companheiros de dependentes químicos, dando origem ao conceito de codependência5,6, embora este tenha recebido críticas7,8,9. Este modelo envolve o tratamento dos familiares sem a presença do dependente (Grupos de Al-Anon), que consiste em grupos de auto-ajuda com o objetivo de entender os efeitos do consumo de álcool e drogas por parte dos dependentes nos familiares e como reparar o que a convivência com um dependente faz na família, seguindo os princípios do AA.

Até o presente, momento a produção científica é limitada neste tipo de abordagem10. No entanto, as intervenções familiares baseadas neste modelo são muito comuns em programas de tratamento em dependência química e produzem forte impacto na opinião pública. O modelo sistêmico considera a família como um sistema, em que se mantém um equilíbrio dinâmico entre o uso de substâncias e o funcionamento familiar. Em meados de 1970 a 1980, este modelo passou a exercer grande influência entre profissionais de saúde no tratamento da dependência química. Na perspectiva sistêmica, um dependente químico exerce uma importante função na família, que se organiza de modo a atingir uma homeostase dentro do sistema, mesmo que para isso a dependência química faça parte do seu funcionamento e muitas vezes, a sobriedade pode afetar tal homeostase. O terapeuta utiliza varias técnicas para clarificar o funcionamento familiar e promover mudanças de padrões e interações familiares. Pesquisas sobre esta abordagem têm mostrado efeitos benéficos na interação familiar e conseqüentemente no comportamento aditivo4,11,12,13,14,15. O modelo comportamental baseia-se na teoria da aprendizagem e assume que as interações familiares podem reforçar o comportamento de consumo de álcool e drogas. O princípio é que os comportamentos são apreendidos e mantidos dentro de um esquema de reforçamento positivo e negativo nas interações familiares. Inclui a teoria da aprendizagem social, modelo do comportamento operante e condicionamento clássico, incluindo os processos cognitivos16. Este modelo tem propiciado a observação de alguns padrões típicos observados nas famílias, tais com o: reforçamento do beber como uma maneira de obter atenção e cuidados; amparo e proteção do dependente de álcool quando relata conseqüências e experiências negativas decorrentes do hábito de beber; punição do comportamento de beber17,18. O tratamento tem como objetivo a modificação do comportamento da esposa ou das interações familiares que podem servir como um estímulo para o consumo nocivo de álcool ou desencadeadores de recaídas, melhorando a comunicação familiar, a habilidade de resolver problemas e for talecendo estratégias de enfrentamento que estimulam a sobriedade. Vários estudos referentes a este modelo descreveram desfechos melhores e redução na utilização da substância de abuso14,19,20,21,22,23,24.

Já a abordagem cognitiva-comportamental mescla técnicas da escola comportamental e da linha cognitiva. Esta abordagem reza que o afeto e o comportamento são determinados pela cognição que a família tem a cerca da dependência química, sendo esta cognição disfuncional ou não. O foco é reestruturar as cognições disfuncionais através da resolução de problemas, objetivando dotar a família de estratégias para perceber e responder as situações de forma funcional.

Características Presentes em Famílias de Dependentes Químicos
O impacto que a família sofre com o uso de drogas por um de seus membros é correspondente as reações que vão ocorrendo com o sujeito que a utiliza25. Este impacto pode ser descrito através de quatro estágios pelos quais a família progressivamente passa sob a influência das drogas e álcool: 1. Na primeira etapa, é preponderantemente o mecanismo de negação. Ocorre tensão e desentendimento e as pessoas deixam de falar sobre o que realmente pensam e sentem. 2. Em um segundo momento, a família demonstra muita preocupação com essa questão, tentando controlar o uso da droga, bem como as suas conseqüências físicas, emocionais, no campo do trabalho e no convívio social. Mentiras e cumplicidades relativas ao uso abusivo de álcool e drogas instauram um clima de segredo familiar. A regra é não falar do assun to, mantendo a ilusão de que as drogas e álcool não estão causando problemas na família. 3. Na terceira fase, a desorganização da família é enorme. Seus membros assumem papéis rígidos e previsíveis, servindo de facilitadores. As famílias assumem responsabi lidades de atos que não são seus, e assim o dependente químico perde a oportunidade de perceber as conseqüências do abuso de álcool e drogas. É comum ocorrer uma inversão de papéis e funções, como por exemplo, a esposa que passa a assumir todas as responsabilidades de casa em decorrência o alcoolismo do marido, ou a filha mais velha que passa a cuidar dos irmãos em conseqüência do uso de drogas da mãe. 4. O quarto estágio é caracterizado pela exaustão emocional, podendo surgir graves distúrbios de comportamento e de saúde em todos os membros. A situação fica insustentável, levando ao afastamento entre os membros gerando desestruturação familiar. Embora tais estágios definam um padrão da evolução do impacto das substâncias, não se pode afirmar que em todas as famílias o processo será o mesmo, mas indubitavelmente existe uma tendência dos familiares de se sentirem culpados e envergonhados por estar nesta situação. Muitas vezes, devido a estes sentimentos, a família demora muito tempo para admitir o problema e p rocurar ajuda externa e profissional, o que corrobora para agravar o desfecho do caso.

E os filhos?
Crescer em uma família que possui um dependente químico é sempre um desafio, principalmente quando falamos do contato direto de crianças e adolescentes com esta realidade. Filhos de dependentes químicos apresentam risco aumentado para transtornos psiquiátricos, desenvolvimento de problemas físico-emocionais e dificuldades escolares. Dentre os transtornos psiquiátricos, apresentam um risco aumentado para o consumo de substâncias psicoativas quando comparado com filhos de não dependentes químicos, sendo que filhos de dependentes de álcool têm um risco aumentado em 4 vezes para o desenvolvimento do alcoolismo26,27,28. No entanto, também é um grupo com maior chance para o desenvolvimento de depressão, ansiedade, transtorno de conduta e fobia social29,30,31,32. Em relação ao desenvolvimento de problemas físico-emocionais, é predominante a baixa auto-estima, dificuldade de relacionamento, ferimentos acidentais, abuso físico e sexual. Na maioria das vezes os filhos sofrem com uma interação familiar negativa e um empobrecimento na solução de problemas, uma vez que estas famílias são caracterizadas como desorganizadas e disfuncionais33. Aproximadamente um a cada três dependentes de álcool tem um histórico familiar de alcoolismo e a probabilidade de separação e divórcio entre casais é aumentada em 3 vezes quando esta união se dá com um dependente de álcool34. Fatores como falta de disciplina, falta de intimidade no relaci onamento dos pais e filhos e baixa expectativa dos pais em relação à educação e aspirações dos filhos também contribuem para o desenvolvimento de problemas emocionais, bem como o consumo de substâncias psicoativas35. Estudos sobre violência familiar retrat am altas taxas de consumo de álcool e drogas, sendo que filhos geralmente são as testemunhas da violência entre o casal e família, e por vezes alvo de abusos físicos e

sexuais36,37. Esta população também está mais freqüentemente envolvida com a polícia e com problemas legais quando comparados com filhos com ausência de pais dependentes químicos38. No que tange as dificuldades escolares, filhos de dependentes de álcool apresentam menores escores em testes que medem a cognição e habilidades verbais uma vez que a sua capacidade de expressão geralmente é prejudicada, o que pode dificultar a performance escolar, em testes de inteligência, empobrecimento nos relacionamentos e desenvolvimento de problemas comportamentais39,40,32,41. Este empobrecimento cognitivo em geral se dá pela falta de estimulação no lar, gerando dificuldades em conceitos abstratos, exigindo que estas crianças tenham explicações concretas e instruções específicas para acompanhar o andamento da sala de aula. Estudo realizado no CUIDA (Centro Utilitário de Intervenção e Apoio aos Filhos de Dependentes Químicos) 42, situado na periferia de São Paulo, detectou que na maioria das famílias o pai é o dependente químico (67%), tendo como substância de escolha o álcool (75%). 59% dos cônjuges que não eram dependentes químicos apresentaram risco aumentado para a ocorrência de transtornos em saúde mental. Nas crianças foi observado timidez e sentimento de inferioridade; depressão; conflito familiar; carência afetiva e bom nível de energia que é indicativo de equilíbrio emocional e mental. Nos adolescentes, foi observado maior índice de problemas em Desordens Psiquiátricas, Sociabilidade, Sistema Familiar e Lazer/ Recreação. Apesar de seu estado de risco, é importante salientar que grande parte dos filhos de dependentes de álcool é acentuadamente bem ajustada39, e por tal uma abordagem preventiva de caráter terapêutico e reabilitador pode ser de vital importância no desenvolvimento saudável de filhos de dependentes químicos.

Tratamento
Inicialmente a disponibilidade dos membros será um fator relevante para um bom encaminhamento, no entanto nem sempre isso é possível. Por isso algumas intervenções que antecedem este processo são favoráveis, como atendimentos individuais às esposas ou pais e/ou intervenções de orientação e suporte. É através do atendimento familiar que os membros passam a receber atenção não só para suas angústias, como também começam a receber informações fundamentais para a melhor compreensão do quadro de dependência química, e conseqüentemente melhora no relacionamento familiar. Uma avaliação familiar pode ser um grande auxiliar no planejamento do tratamento; fornece dados que corroboram com o diagnóstico do dependente químico, bem como funciona como forte indicador do tipo de intervenção mais adequado tanto à família quanto ao dependente. A American Society of Addiction Medicine propõe três fases para o tratamento de famílias de dependentes químicos, sendo que o nível de intervenção varia de acordo com a meta de tratamento estabelecida, bem como as necessidades da família. A tabela abaixo sumariza os níveis de intervenção familiar de acordo com as fases: Fase Metas Principal alvo de intervenção

Individual Fase 1. Trabalhar a negação; I 2. Interromper o consumo de substâncias Fase 1. Prevenir recaídas; II 2. Estabilizar a família, melhorando seu funcionamento. Fase 1. Aumentar a intimidade do III casal, no plano emocional e sexual. Família de origem Família de procriação Casal

A fase I tem como objetivo o dependente a atingir a abstinência. Para tal é importante auxiliar as pessoas a assumir a responsabilidade sobre seus comportamentos e sentimentos. Por vezes, alguns membros podem ser atendidos conjuntamente, enfatizando a diminuição da reatividade do impacto de um familiar nos outros. Ao pensar no modelo de doença, nesta fase é trabalhado o conceito de co-dependência. No

auxiliar o dependente em sua recuperação. tanto em grupo quanto individual. . irmãos. quanto da família de procriação. cria-se um novo espaço terapêutico que permite um rico intercâmbio a partir da solidariedade e ajuda mútua. Psicoterapia de Casal: Casais podem ser atendidos individualmente ou também em grupos. porque o par passa por situação semelhante e não é alvo de fantasias e idealizações como o terapeuta. a abordagem familiar deve ser considerada como parte integrante do tratamento e um programa bem sucedido é essencial para um desfecho favorável. O referencial comportamental trabalha com a perspectiva de visualizar comportamentos do cônjuge que reforcem o comportamento aditivo. Na fase II. evitando adiantar-se a prontidão e motivação da mesma para a mudança.referencial sistêmico. Neste sentido. Nesta fase é importante retomar rituais familiares e conforme o grau de dificuldade. Vale ressaltar que a diversidade do atendimento familiar também se refere ao processo. havendo diferenças entre as famílias que recebem psicoterapia familiar. Considerações Finais Muitos fatores de diversas etiologias contribuem para o desenvolvimento da dependência química. Daí a necessidade de se especificar o tipo de intervenção de acordo com a meta do tratamento e as necessidades e capacidades da família. A fase III é definida como uma nova fronteira no tratamento da dependência química. a organização familiar mantém uma posição de saliência no desenvolvimento e prognóstico do quadro de dependência química. gerando um efeito em rede. mães. o encaminhamento para uma psicoterapia familiar especializada pode ser realizado. Em termos de modalidades. Nesta modalidade se reúne a família e o dependente químico. alguns relacionamentos continuam desgastados. pais. cônjuges. Nesta fase o tratamento tem como meta aumentar a intimidade do casal e a participação de ambos no processo é fundamental. uma vez que o profissional tenha habilidades para conduzir as sessões sem expor particularidades que não sejam adequadas ao tema focado. almejando a substituição por comportamentos que reforcem a sobriedade. onde as famílias se convocam para ajudar a solucionar o problema de uma e de todas. daquelas que esporadicamente são atendidas dentro do tratamento do dependente químico. Todas as famílias são participantes e destinatárias de ajuda. sendo uma das áreas menos exploradas e talvez uma das mais controversas. Psicoterapia Familiar: abordagem mais especializada segundo um referencial teórico de escolha do profissional para a compreensão do padrão familiar e intervenção. Muito tempo após a cessação do consumo de substâncias. tanto na família de origem. podemos trabalhar com: o o o o Grupos de Pares: Nesta modalidade os membros da família são distribuídos em diferentes grupos de pares: dependentes químicos. Grupos de Multifamiliares: através de um encontro de famílias que compartilham da mesma problemática. no entanto. o foco centra-se na esposa definir uma posição de modo a quebrar o circulo repetitivo do funcionamento familiar e desta forma. com ou sem a presença do dependente. desde que acordado previamente entre as partes. é possível conciliar sessões abertas com sessões dirigidas. Conforme a modalidade adotada. o foco é identificar padrões disfuncionais na família como um todo. A interação entre pares é facilitadora de mudanças uma vez que escutar de um par não é o mesmo que escutar de um profissional. etc.

de ter poder e controle sobre si mesmo. Epidemiologia Os levantamentos epidemiológicos sobre o consumo de álcool e outras drogas entre os jovens no mundo e no Brasil mostram que é na passagem da infância para a adolescência que se inicia esse uso. É um momento de diferenciação em que "naturalmente" afasta -se da família e adere ao seu grupo de iguais. bNúcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (NEPAD/UERJ) a Introdução O uso de drogas é um fenômeno bastante antigo na história da humanidade e constitui um grave problema de saúde pública. Nos Estados Unidos. com sérias conseqüências pessoais e sociais no futuro dos jovens e de toda a sociedade. O encontro do adolescente com a droga é um fenômeno muito mais freqüente do 1 que se pensa e. por sua complexidade. o pressiona a usar também.2 Dryfoos3 encontrou na população jovem americana (13 a 18 anos) as seguintes taxas . estima-se que cerca de três milhões de crianças e adolescentes fumem tabaco. A adolescência é um momento especial na vida do indivíduo. sendo que 31% chega a se embriagar mensalmente. Nessa etapa. O álcool é usado pelo menos uma vez por mês por mais de 50% dos estudantes das últimas séries do que corresponde ao nosso ensino médio. pois está testando a possibilidade de ser adulto. difícil de ser abordado. Se esse grupo estiver experimentalmente usando drogas.O adolescente e o uso de drogas Ana Cecília Petta Roselli Marques a e Marcelo S Cruzb Unidade de Dependência de Drogas do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UDED/Unifesp). expõe-se também a muitos riscos. Ao entrar em contato com drogas nesse período de maior vulnerabilidade. o jovem não aceita orientações.

14 Estudo realizado em 1997 pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.6% para cocaína.4 O uso de drogas varia de acordo com o sexo e. o que faz com que os vários tipos de drogas tenham efeitos diferentes.7% e 19. Em 1997. As pesquisas neurofisiológicas sugerem que as drogas psicotrópicas usadas de forma abusiva estimulam a ação dopaminérgica em vias mesolímbicas localizadas na área tegumentar ventral e no núcleo accumbens. os estudos epidemiológicos não 8 encontravam taxas de consumo alarmantes entre estudantes.de uso de tabaco. avaliou 3. ansiedade exagerada e baixa auto -estima. o que teria papel determinante no estabelecimento de 17 dependência. o álcool e o tabaco continuam de longe a ocupar o primeiro lugar como as drogas mais utilizadas ao longo da vida e no momento atual (último mês) e com mais problemas associados.9% e 0. como por exemplo. esse uso aparece associado com mais freqüência à delinqüência. Além de agir sobre vias dopaminérgicas.5% para álcool.15 Entre os fatores que desencadeiam o uso de drogas pelos adolescentes.139 estudantes da quinta série do primeiro grau à terceira série do segundo grau de escolas públicas. 15% de bebedores pesados (cinco ou mais doses por dia em três ou mais dias dos últimos 15). os acidentes no trânsito e a violência. como depressão. o CEBRID mostrou que existe uma tendência ao aumento do consumo dos inalantes. Esses levantamentos foram realizados entre estudantes de primeiro e segundo graus em dez capitais brasileiras e também em amostras de adolescentes internados e entre meninos de rua.5-7 No Brasil. 5% fazem uso regular de maconha (20 ou mais dias no último mês). em meninos. No entanto. Até o início da década de 80.6% para tabaco. os mais importantes são as emoções e os sentimentos associados a intenso sofrimento psíquico. O estudo encontrou um consumo ao longo da vida e nos últimos 30 dias. da cocaína e de crack em determinadas capitais. se o uso traz piores conseqüências na população jovem e se existem drogas mais fortes ou piores que outras. álcool e drogas: 12% de fumantes pesados (um maço ou mais ao dia). culpa. 7. . 34. No entanto. de 77. Assim.8% para inalantes. possibilitando comparar as taxas de uso experimental ao longo da vida com as de uso habitual (últimos 30 dias).2% e 2. e 30% fazem uso freqüente de cocaína (três ou mais vezes no último mês). levantamentos realizados a partir de 1987 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre as Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (CEBRID) têm documentado uma tendência ao crescimento do consumo. cada substância age também em outros neurotransmissores. e 1.6% para tranqüilizantes. respectivamente. 9-13 da maconha.3% e 2.16 Psicofarmacologia Questões freqüentes relacionadas ao uso de álcool e drogas incluem os mecanismos de ação dessas substâncias.9% e 4. o álcool e outros depressores do sistema nervoso central. 6.0% para maconha.1% e 1. 9. o panorama mudou completamente nas últimas décadas.

O álcool age também em receptores de glicina. o uso do crack pode provocar vários problemas pulmonares. Atividades ilícitas podem constituir o modo pelo qual crianças e adolescentes que não têm meios próprios adquirem as drogas. ansiedade. como tosse. Além das lesões já descritas que podem ser provocadas por outras formas de utilização da cocaína. além de hepatite e crises convulsivas. benzina e lança-perfume incluem ampla gama de substâncias absorvidas pelos pulmões. e as hepatites B e C. A cocaína e as anfetaminas estimulam as ações dopaminérgica e noradrenérgica. O risco do desenvolvimento desses quadros não deve ser negligenciado pelos médicos. expectoração. em altas doses. O uso crônico induz a síndromes psiquiátricas semelhantes a depressão. esquizofrenia e transtornos de personalidade. provocar depressão respiratória. Também podem ocorrer lesões renais. mania. pulmonares.19 A cocaína e. Os inalantes. produzindo alterações mais duradouras e até irreversíveis. hepáticas. esmalte. como a cola de sapateiro. principalmente neuropatia periférica. podendo produzir. isquemia cardíaca e cerebral.18 Os prejuízos provocados pelas drogas podem ser agudos (durante a intoxicação ou "overdose") ou crônicos. O uso endovenoso está relacionado à transmissão de doenças como a síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS). Esses riscos ocorrem especialmente com o uso do álcool. proteína G. por tornar mais frágeis os cuidados de autopreservação. durante a intoxicação. ototoxicicidade e encefalopatia. hemoptise. Todas as substâncias psicoativas usadas de forma abusiva produzem aumento do risco de acidentes e da violência.20 . O uso de drogas por adolescentes traz riscos adicionais aos que ocorrem com adultos em função de sua vulnerabilidade. Não se sabe se esses efeitos teriam relação com o desenvolvimento de quadros como a síndrome alcoólica fetal e a neurotoxicidade no cérebro do adulto. pneumonia. podendo acontecer por asfixia ou arritmias cardíacas. AMPA e kainatos).como os benzodiazepínicos. O álcool pode causar intoxicações graves. crises convulsivas. As mortes durante intoxicações são raras. principalmente. provocando um efeito inicialmente desinibidor e posteriormente depressor. AMP cíclico e canais de cálcio. acetilcolina (nicotínicos). já enfraquecidos entre adolescentes. exaustão crônica e alterações funcionais de lobos frontais. Várias síndromes neurológicas persistentes podem ocorrer com o uso crônico. o "crack" são drogas que podem desenvolver dependência de forma rápida. pânico. O uso abusivo de benzodiazepínicos pode potencializar os efeitos do álcool e. a droga mais utilizada nessa faixa etária. solventes de tinta. Os efeitos crônicos incluem uma ação na adenil ciclase e interferem na expressão genética e de fatores neurotrópicos. glutamato (NMDA. Também provoca piora do desempenho em tarefas que exigem a integridade de funções cognitivas. bronquioespasmo e edema pulmonar. além de quadros maniformes e paranóides. cardíacas e no sistema hematopoiético. O uso crônico de benzodiazepínicos produz dependência e sua retirada abrupta pode provocar síndrome de abstinência. agem estimulando a neurotransmissão gabaérgica.

dependendo da forma de abordar o problema pelos familiares. Deve-se propiciar uma anamnese livre. quando também podem surgir outros transtornos psicológicos. Entre as psicopatologias que mais incidem na puberdade (depressão maior. dentro de uma postura ainda ambivalente. a maconha produziria a síndrome amotivacional. pois essas mudanças muitas vezes decorrem também da adolescência normal. pois essa população não busca ajuda por conta própria.21. falta de objetivos.22 Assim. O uso de drogas é um fenômeno multidimensional. dizem que "isso não é nada" e que poderão resolver tudo sozinhos. caracterizada por passividade. esse momento é muito especial e. buscando a cooperação do paciente e reforçando o sigilo das informações. minimizam ou negam as evidências e. pode 3 aumentar a ansiedade. de ambição e de interesse na comunicação. A confidencialidade e a importância da percepção por parte do adolescente de que tem um papel a assumir no processo de mudança que ali se inicia são amplamente debatidos e garantidos. o primeiro passo da intervenção com um jovem é adequar esse contato. . uma avaliação inicial cuidadosa do jovem que procura tratamento pode auxiliar o diagnóstico e melhorar o prognóstico. Esses cuidados são imprescindíveis para desenvolver um bom rapport. finalmente. Após essa avaliação global do adolescente. Quando o fazem. pensamento e mesmo de seu funcionamento orgânico com o uso dessas substâncias. sobre o comportamento e o relacionamento social e familiar. na qual o jovem responda a duas questões básicas: por que ele veio para a consulta e o que ele pensa que está errado com ele. dificultando o diagnóstico diferencial. principalmente quando estão em dificuldades 23-25 relacionadas ao uso de drogas. Diagnóstico Outro aspecto muito importante desse tema é como realizar a identificação do jovem que usa drogas e tem problemas relacionados. Entre os alucinógenos. São objetivos dessa avaliação: estabelecer o vínculo. quadros delirantes e alucinatórios aumentam o risco de acidentes. mas sua ação sobre a serotonina parece ser a mais importante. Portanto. o objetivo principal dessa primeira entrevista. sobre seu lazer. e. Portanto. estabelecendo uma história sobre o uso de drogas na vida. a resistência pode aumentar e a chance de intervir diminuir. provocando aumento do uso. Durante a intoxicação. objetiva e clara. por sua vez.Segundo Hird et al. O profissional deve conduzir esse contato tentando vencer a resistência do jovem e obtendo as informações necessárias para um diagnóstico mais preciso. por meio de uma entrevista afetiva. entre outros. sobre o uso de drogas e os problemas a ele associados. amigos ou mesmo pelo profissional. o que. comportamentais e sociais. o LSD age em vários neurotransmissores. o ajustamento escolar ou profissional. que pode acontecer durante a adolescência. Eles pouco relacionam possíveis alterações de seu comportamento. apatia. o "adolescente de risco". transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e do comportamento disruptivo) detectam-se sinais e sintomas semelhantes àqueles também observados com o uso dessas substâncias. investigar sobre a saúde física e mental. ativa. podendo levar à queda do desempenho escolar.

término ou níveis de consumo. os serviços de tratamento devem um esclarecimento legal sobre alguns problemas. com o objetivo de fundamentar o diagnóstico e o encaminhamento do caso. encontram-se os critérios diagnósticos para vários estados. Se não for possível aplicar tal estratégia. Muitas famílias também devem ser inseridas no tratamento. que podem tomar doses diárias suficientes para matar ou incapacitar usuários não tolerantes). e) abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa. entre outros. O jovem deve receber todos os resultados dessa investigação. Deve-se fazer esforços para determinar se o usuário estava realmente (ou se poderia esperar que estivesse) consciente da natureza e extensão do dano. c) um estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido.27 Para o diagnóstico. b) dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início. uso nocivo. é muito importante que se utilize questionários. com metas e critérios de sucesso esperados com o tratamento. para eles. Tratamento . Um diagnóstico de síndrome de dependência usualmente só deve ser feito se três ou mais dos seguintes requisitos estiveram presentes durante o último ano: a) um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância. Para a maioria dos jovens. d) evidência de tolerância. a despeito da evidência clara de conseqüências manifestamente nocivas.26. estado de abstinência. de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas (exemplos claros disso são encontrados em indivíduos dependentes de álcool e de opiáceos. desenvolvendo um plano de intervenção subseqüente. o suporte socioeconômico vem dos pais e. Sabe-se da importância do sistema familiar nas intervenções para prevenção e tratamento da dependência de álcool e outras drogas. Garantindo ao jovem o sigilo das informações pessoais. A seguir. realiza-se o exame físico e solicitam-se exames laboratoriais. 1992). se necessário. WHO.por meio da investigação das diversas áreas de sua vida. síndrome de dependência. No capítulo sobre transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas (F10 a 19). é melhor encaminhar o jovem para um serviço especializado. define-se a gravidade do uso de drogas e suas conseqüências. intoxicação grave e abuso sexual. e f) persistência do uso da substância. recomenda-se a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Organização Mundial da Saúde (CID-10. os pais devem saber compulsoriamente sobre risco de suicídio. síndrome de abstinência grave. Em função da complexidade da questão. sendo os mais importantes: intoxicação aguda. inventários e escalas desenvolvidos para o jovem. como evidenciado por: a síndrome de abstinência característica para a substância ou o uso a mesma substância (ou de uma substância intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência. aumento da quantidade de tempo necessária para obter ou tomar a substância ou para se recuperar de seus efeitos.

35. Cerca de 80% dos jovens com problemas associados ao uso de drogas são tratados em ambulatórios por meio de abordagens individual. Qualquer que seja o modelo teórico. Dessa forma. desencadeado e mantido por eventos e emoções específicos e. grupal. a escolha do tratamento dependeu de fatores extrínsecos.36 A Teoria do Aprendizado Social de Bandura37 é a base teórica dessa intervenção. que pode tornar possível o encontro do indivíduo com aspectos seus anteriormente inacessíveis ao seu consciente. a cognitivo-comportamental. o tratamento deve estar estruturado em três níveis: o desenvolvimento global do adolescente. utilizando o modelo Minnesota. da disponibilidade do tratamento mais adequado para o jovem (próximo ao local de sua residência e compatível com sua condição socioeconômica e com seu sistema familiar). A família é considerada parte dessa disfunção e deve ser abordada. O tratamento do adolescente deve levar em consideração também. como também de fatores intrínsecos. o recurso ao uso da substância deixa de ter a função anteriormente utilizada. a interacional e a sistêmica. Estes autores levaram em consideração algumas diferenças entre o adolescente e o adulto. isto é. uma intervenção em grupo com o 30 programa dos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. utilizando-se a psicanálise.29 Até 1974. a resolução temporária de motivações inconscientes.32. vá além das repetições inconscientes de comportamentos que impedem o desenvolvimento de sua maturidade e autonomia e permite que ele expanda o seu repertório de recursos para enfrentar as vicissitudes do dia-a-dia. a modificação do comportamento de uso de álcool ou . os adolescentes dependentes de álcool ou outras drogas recebiam tratamentos desenvolvidos originalmente para adultos. aplicando-se modelos teóricos variados. o tipo da droga utilizada e a freqüência do consumo. Outras formas de tratamento se associam à psicoterapia. Tal encontro possibilita que o indivíduo ultrapasse impasses existenciais.33 Nas abordagens psicodinâmicas são privilegiadas formas de tratamento que promovam o desenvolvimento de modos mais satisfatórios de relação consigo mesmo e com os outros. familiar ou uma combinação dessas. a terapia comportamental. portanto. como a motivação do jovem e a gravidade de seu diagnóstico como um todo. aplicando uma técnica essencialmente comportamental e diretiva. possível de ser modificado.28 Além dessa diversidade de intervenções.31 O tratamento pode ser feito em regime de internação parcial (hospital-dia) e em regime de internação integral. entre outras. ou seja. sendo o uso de drogas considerado um comportamento aprendido.34 Já o modelo mais utilizado e recomendado entre os norteamericanos e os ingleses é o da terapia cognitivocomportamental. 30 Wheeler e Malmquist propuseram o primeiro tratamento para jovens dependentes de álcool em regime de internação (28 dias).Como tratar o adolescente com problemas relacionados ao uso de álcool ou outras drogas? Os estudos de metanálise sobre a efetividade dos diversos tratamentos psicoterápicos para adolescentes conseguiram reunir em torno de 400 tipos diferentes de terapias utilizadas para adolescentes.

Conclusão A identificação do adolescente de risco em função do uso de álcool ou drogas e a definição do melhor tratamento ainda são assuntos bastante complexos e alvo de muitas discussões. social e ambiental.39 A recaída.38 Para a população adulta. Segundo Newcomb (1995). São eles: a disponibilidade das substâncias. o lazer insatisfatório. alienação. além do reajuste familiar. familiar e social são recomendados para aumentar a efetividade das 42 intervenções. baixo aproveitamento escolar. o uso de drogas ou atitudes positivas frente às drogas pela família. alienado. gerando projetos mais ajustados à realidade brasileira. os fatores de risco para o uso de drogas incluem aspectos culturais. atitude favorável em relação ao uso. o início de uso do álcool muito cedo na vida. o desejo pela droga (a "fissura"). conflitos familiares graves. Algumas características do adolescente de risco podem auxiliar os trabalhos preventivos e de triagem para minimizar esse problema. fornecendo dados e elucidando muitas questões.41 A abstinência e o redimensionamento do funcionamento escolar. o pouco envolvimento nas tarefas escolares ou no trabalho. interpessoais. rebelde). as privações econômicas extremas. início precoce do uso. as normas sociais. a literatura mostra que tratar é melhor que não tratar. Pesquisas etnográficas e epidemiológicas utilizando uma metodologia rigorosa podem fundamentar projetos e prevenção em todos os níveis. comportamento problemático (agressivo. pois os resultados ainda são pouco animadores.drogas e a resolução dos problemas associados. pois prevenir ainda é melhor que remediar! .40. as leis. O tratamento do dependente de substâncias psicoativas é bastante complexo e os estudos sobre a efetividade dos tratamentos para essa população adolescente devem ser replicados. No Brasil. pois o custo pessoal e social com a dependência nos países desenvolvidos tem sido muito maior que o gasto com a prevenção. a polidependência. susceptibilidade herdada ao uso e vulnerabilidade ao efeito de drogas. mas não existe nenhum tratamento mais efetivo até o momento. as alterações de comportamento e o envolvimento criminal são fatores que contribuem para tornar o tratamento menos efetivo. mesmo sem tradição nessa área. é preciso priorizar políticas preventivas. psicológicos e biológicos.

o álcool.Durante tratamento médico.: o antibiótico). dificuldade na fala. C) Danos ao fígado. é a droga de maior consumo e abuso contra a saúde. 4. C) Cria marginalizarão social.O Álcool é depressivo no sistema nervoso e não estimulante como se pensa.CONSEQÜÊNCIA DAS DROGAS ÁLCOOL 1. . olhos injetados. começando por crianças e adolescentes. etc. 3.Conseqüências devidas ao excesso: A) Afeta o juízo e a memória. . 2.Pode provocar vícios desde cedo.Outras conseqüências sociais: A) Diminui a produtividade d o trabalho. perda de controle de suas ações e abandono dos hábitos de higiene. estômago. D) Acidente de trânsito (motorista bêbado) . D) Causa dependência e leva ao alcoolismo.Os efeitos aumentam quanto maior for a quantidade ingerida. conhaque. torna a pessoa repressiva pelo mal hábito. . vinho. nervos e outros órgãos. 5. 6. B) Causa mal desempenho escolar. transformando-as em alcoolatas em potencial. o álcool altera ou anula o efeito dos remédios (ex. Uisque. no mundo moderno.A maior parte dos alcoolatas começam a beber na adolescência. cachaça..Em demasia. B) Doenças mentais.Sob a forma de cerveja. pâncreas.

Sistema Nervoso: O uso contínuo da maconha causam transformações na química do cérebro. . capacidade de memorização. confusões mentais e pode levar a psicoses incuráveis.O álcool é responsável por problemas de esterilidade e impotência. O coração necessita de oxigênio.Problemas Visuais: Causa embrulhamento. . reduzindo a quantidade de oxigênio que chega ao coração. . . e retardamento do arco-reflexo. Essa droga inibe os neuro transmissores de acetilcolina. geralmente o dependente tem problemas de sinusite.Sistema Respiratório: Prejudica os pulmões diminuindo sua capacidade imunológica. laringite. causando dor de garganta e tosse crônica. daí a distribuição para outros órgãos através da corrente sangüínea. diminui acentuadamente a vontade de estudar. através da corrente sangüínea. Devido aos efeitos adversos do THC (tetrahidrocanabinol) nas várias funções do cérebro. Pressão Cardíaca: Aumenta o trabalho do coração. inflamações nos brônquios e traquéia. tendo o viciado facilidade em adquirir doenças pulmonares. mas os pulmões cheios de fumaça de maconha aumenta o teor de monóxido de carbono no sangue. trabalhar. Enfraquece sua coordenação motora. mensageiros químicos que transmitem informações de uma célula nervosa para outra. geralmente os olhos ficam avermelhados e sensíveis à luz solar. As mudanças ocorridas nesse órgão e o aumento da pressão arterial durante o efeito da droga assemelha-se ao quadro cardiovascular de uma pessoa com STRESS. A maconha sendo uma droga desmotivante. Substâncias existentes na fumaça da maconha são irritantes para a mucosa pulmonar. inicialmente indo para o sistema respiratório. relacionamento familiar. ..Provoca a morte por intoxicação ao de primir o centro do cérebro que controla a respiração e os movimentos cardíacos. perturba o senso de espaço e tempo. MACONHA "Maconha em seu corpo" Ela é fumada como cigarro. bem como desinteresse por tudo que o rodeia . Além disso provoca ansiedade.No caso da mulher grávida afeta o desenvolvimento do feto. percepção visual irregular.

pode ser aspirada. derivado das folhas secas da planta conhecida por coca. Na mulher perturba o ciclo menstrual e altera o metabolismo da ovulação. 3) O primeiro efeito é a sensação de falsa euforia. destrói a mucosa interna do nariz. devido ao alto custo na aquisição da droga. injetada na veia ou fumada como "crack". causando dores de cabeça. corre-se o risco da contaminação. . nariz escorrendo e hemorragias nasais. Análises feitas com espermas de homens dependentes revelam menor número de espermatozóides e maior número de defeitos genéticos. e) Quando injetada. b) Desintegração das relações pessoais. na companhia de usuários com AIDS. pois alteram a forma de seus cromossomos.Aparelho Reprodutor: O uso da maconha afeta a produção de espermatozóides e óvulos (células reprodutivas). COCAÍNA E CRACK 1) A cocaína é um pó branco. e o organismo exige doses cada vez maiores tentando obter os resultados iniciais. d) A cocaína.. c) "Roubo financeiro" nas economias familiares. f) Cria-se dependência e tolerância rapidamente. aspirada. 4) A seguir. químico. surgem os seguintes sintomas: a) Depressão b) Ansiedade c) Agressividade d) Desconfiança e) Alucinações f) Perda de controle 5) Outras conseqüências na vida do usuário ou dependente: a) Quebra do desempenho profissional. resultando períodos imprevisíveis de infertilidade. familiares e sociais. Filhos de dependentes podem nascer com defeitos congênitos. 2) Consumida sob a forma de pó.

preparam e refinam drogas e distribuem para os postos de venda instalados em vários países consumidores. o alto custo do vício). a qualquer preço. insistentemente combatido por Allan Kardec em suas obras. aos poderes constituídos. E muitos não contentes com o que têm e não conseguindo alcançar o paraíso terrestres. Como a droga leva. A vida é o maior bem e temos que preservá-lo. impiedoso. A droga é adquirida e consumida a qualquer custo. Quadrilhas organizadas e armadas. TÓXICOS por EURÍPEDES KUHL A DROGA NÃO LIBERTA.g) Para manter o vício. Quem tem recursos adquire-a e quem não tem rouba para adquirí-la. o seu consumo é compulsório. O materialismo enfraquece a vontade. buscam o reino fantástico através da imaginação distorcida. o furto ou o roubo. familiar. Os gozadores movimentam e sofisticam os seus instintos para melhor aproveitamento de tudo aquilo que o mundo oferece. mostrando em todos eles. Natalino D'Olivo 1 . O problema se agrava com a necessidade premente que o dependente sente. Aqui. pelos terríveis maléficios que causam ao indivíduo. oblitera a mente e conspurca os sentimentos da criatura humana. à família e à sociedade. de trabalho. ao vício e à dependência. de forma abusiva e prepotente. mostrando suas grandes perspectivas. Tudo isto que está ocorrendo no mundo inteiro é fruto do materialismo grosseiro. alienando-a da realidade da existência. professores. às lei s vigentes. com a sua valorização no presente. independentemente da situação de cada um. porque possibilita um comércio rendoso e clandestino.USO . médicos e autoridades. sem qualquer escrúpulo e sem o menor respeito à vida. começa um processo de desintegração social. No enfoque espírita damos um novo conceito de vida. podendo chegar ao extremo do homicídio (mata para conseguir dinheiro para sustentar. geralmente. escravizante e destruidor. cultivam plantas entorpecentes. usando a mentira. com consequências indesejáveis. em virtude dos inúmeros problemas naturais decorrentes da própria existência. que se impõe à força. apresentamos também o enfoque espírita. ESCRAVIZA I . as desvantagens do uso de drogas pelo desconforto que causam ao organismo e à mente.INTRODUÇÃO O uso de entorpecentes constitui um grande problema atual que preocupa pais. por ser o verdadeiro ópio do povo.

Muitos venenos são tremendos tóxicos. conhecida na Índia há 2 mil anos a. Colômbia. Basta dizer que a maconha era conhecida pelos gregos há 5 mil anos e usada na China há 4 mil anos. cocaína. a anfetamina e a cocaína. foi transportada para o Oriente Médio. quando o indivíduo não usa a . mudando tudo aquilo que os nossos sentimentos captam. mas não alteram a normalidade da mente. solventes de tintas. Até hoje. em casos extremos. heroína. Chile. Turquia. álcool. Também atuam no sistema nervoso central e diminuem a sua atividade mental e deprimem as tensões emocionais. o arsênico. lança-perfume. A maconha. tornando-se indispensável ao indivíduo e a psíquica. São também chamados de depressores ou psicoléticos. Sumatra. 7 . para provocar euforia nas orgias ou êxtase ou alucinações nos rituais religiosos. produz efeitos maléficos. o que não ocorre com alguns tóxicos. Estados Unidos. Os efeitos desagradáveis decorrem da dependência física e psíquica que elas provocam. etc. cola de sapateiro. clorofórmio. Nas civilizações antigas. China e Ásia Menor). tabaco (Cuba. Não aceleram nem diminuem a atividade do cérebro. Índia. morfina. sedativos.. Os estimulantes aceleram o funcionamento do sistema nervoso central. embora inicialmente possam dar uma sensação de bem-estar.O uso das drogas vem de um passado remoto. E também os inalantes: éter. etc. vegetal ou mineral. que introduzida em quantidade suficiente num organismo vivo. mescalina e psilocibina. Brasil).. cocaína (Bolívia. Turquia e Ásia Menor). Laos. São os seguintes: maconha. sendo posteriormente. cujo uso foi difundido por todo o mundo de forma abusiva. Os entorpecentes mais conhecidos são: ópio. Líbano. por exemplo: a formicida tatu. introduzida no Norte da África através das invasões árabes nos séculos IX e XII. denominados de perturbadores e psicodiléticos porque causam alucinações e despersonalização. STP. gasolina.CULTIVO As drogas atualmente são cultivadas em vários países do mundo: ópio (Irã. Os alucinógenos.TIPOS Temos vários tipos de drogas: estimulantes. 6 . como.EFEITOS GERAIS Os efeitos das drogas são desagradáveis. a estricnina. Os entorpecentes são os tranquilizantes. Brasil.O QUE É TÓXICO? "Tóxico" é qualquer substância de origem animal. peiote. Argentina.DIVULGAÇÃO A cocaína foi introduzida na Europa a partir do século XIX.TÓXICO E PSICOTRÓPICO Qual a diferença entre tóxico e psicotrópico? Todo o psicotrópico tem uma atuação na mente e no organismo. 5 . Equador. barbitúricos. codeína.C.. como a cafeína. Brasil). como as da Índia. A droga era usada para acalmar a dor. maconha (México. Colômbia. Peru. podendo ocasionar a morte. Marrocos. 4 . 2 . Java. encontramos referências sobre o uso do ópio. A dependência física altera a química do organismo. 3 . China. Pérsia e Egito. nas comunidades primitivas é usada com essa finalidade. os anestésicos e os soníferos. cuja dose mínima chega a provocar a morte. entorpecentes e alucinógenos. Índia. LSD-25.

que deve ser tratado. medicamentos que aliviam os sintomas decorrentes da ausência da droga e dão oportunidade a que se faça concomitantemente. se for dada a um animal em estado de gestação. inclina a afirmar que tomar entorpecentes durante a gestação é perigoso. E com a tolerância do organismo. por sua vez. pelo estudo e pela vida. a maconha fumada durante a gravidez poderá ter efeitos adversos sobre o feto. qualquer viciado pode tornar-se violento para conseguir uma dose da droga e livrar-se dos sofrimentos da síndrome de abstinência. 12 . 11 . hoje porém. por influência indireta da droga. na maioria dos casos.TOLERÂNCIA A fase chamada de tolerância é aquela em que o organismo se adapta. O vício é propagado principalmente pelos próprios traficantes. Busca-a no desespero da fome ou da sede.O ABUSO DE TÓXICOS DEIXA EFEITOS NO FETO? "Crianças nascidas de mães dependentes de heroína mostram sintomas de dependência da droga. O vício em narcótico não é uma doença incurável. Com o uso de LSD. que induz . Este porém. estende-se assim a rede de distribuidores. Muitos afirmam que o LSD em si é capaz de causar anormalidades congênitas no feto.É O VICIADO UM INDIVÍDUO PERIGOSO? "Em decorrência da dependência física. Com a arma de chantagem. A tolerância leva à dependência e daí a busca desesperada da droga.QUANDO O PROBLEMA É DA POLÍCIA "Frequentemente. o sujeito pode tornar-se violento. desânimo e fossa. é tão cruel quanto ineficaz.droga. camundongos e coelhos) já se registraram tais danos. abatimento. assim. É óbvio que ainda se precisa de muitos dados para que se possa fazer um julgamento definitivo. na ânsia de obter recursos para adquirir a droga. passando a reagir com exigência da substância tornando-se dependente. é capaz de criar certa dependência à droga já no feto. conquistar novos adeptos. sofrendo os efeitos da síndrome de abstinência. Existem. A prática de encerrar um toxicômano numa cela e deixá-lo sem assistência. O problema. 9 . deixa em lastimável estado de depressão.DROGADO É UM DOENTE "A Organização Mundial da Saúde considera o viciado em narcótico um doente. Estudos feitos indicam que a maconha. Assim. Conclusão: é importante salientar que as drogas podem causar danos cromossomais ou dano ao feto sem anormalidade cromossomal. um tratamento psicológico que leva o indivíduo a reintegrar-se na sociedade". perdendo o interesse pelo trabalho. tem de ser abordado de dois ângulos: tratamento dos que são viciados e esforços para impedir a propagação do vício". A maconha vem sendo estudada: há indícios de que causa danos cromossomais no feto porque em animais de laboratório (em ratos. O passo seguinte é usar o novo viciado para. não é o caso da cocaína. atravessa a placenta. um número respeitável de cientistas reporta fragmentação cromossomal tanto em animais como no homem. É por causa deste aspecto que o problema cai no âmbito policial. 10 . sob a pena de não receber sua quota de droga. portanto. que procuram ganhar a confiança de pessoas imaturas ou desajustadas para induzi -las ao uso de drogas. A grande maioria de médicos. o viciado aumenta a dose provocando sua morte. A mescalina (cujo uso toma vulto no Brasil) produziu anormalidades fatais em cobaias. hoje. A respeito de outras drogas há ainda controvérsia no campo da genética. 8 . o viciado comete atos criminosos.

rádios ou canais de televisão. para que ela seja absorvida pela mucosa que reveste as fossas nasais.Outras drogas: cola de sapateiro. Portanto. simpatina. A ela se deve a imagem do viciado como um sujeito agressivo. tabaco). todos os dias os jornais. euforia. Geralmente o viciado inala cocaína como o rapé. na qual o indivíduo acredita que está sendo continuamente perseguido. que só é aliviada por nova dose. Tóxico vem da palavra grega "toxicon" (veneno) e significa todo e qualquer veneno celular. etc. alucinações. dexedrina. fenacetina. frequentemente se tornam assassinos. com uma sensação eufórica de grande poder físico e mental.CLASSIFICAÇÃO DOS TÓXICOS A . se tornando um dependente ou mesmo como vulgarmente denominado um "viciado". o sujeito fica agitado e excitado. E . insônia. II . Para se defender. frequentemente.Aminas psicoanaléticas ou anfetaminas: psico-estimulantes. veiculam substâncias que modificam nossas funções orgânicas. A cocaína provoca dilatação das pupilas. etc. dicodid. Segundo a Organização Mundial de Saúde. maconha e suas variedades. morfina). redução do cansaço. neludar. aceleração do pulso. polamidon.. ou marijuana. spaltina. pode modificar uma ou mais funções. benzodiazepínicos. que introduzida no organismo vivo. como o crescimento.. Sob sua influência.Morfina e seus derivados: heroína. andam muitas vezes armados e sob a influência de suas alucinações.AS DROGAS QUE CAUSAM DEPENDÊNCIA 1 . 13 . anfetaminas. acreditam que estão sendo perseguidos.O TÓXICO: O assunto é extremamente atual. haxixe. ópio. cocaína. o metabolismo e a reprodução. Essas alucinações assemelham-se muito aos delírios que formam o quadro de uma doença mental grave.. Embora não produza dependência física. a dimensão do problema envolve verbas de 150 bilhões de dólares por ano e atinge milhões de pessoas em todo o mundo. colantina. pois a euforia que provoca é imediatamente seguida por profunda depressão.Hipnóticos e analgésicos: barbitúricos. que interrompa as funções normais das células. propisamin. B . veiculam notícias sobre drogas. saridon. a esquizofrenia paranóide.Alucinógenos ou psicomiméticos ou psicodélicos: ácido lisérgico ou LSD. para defender-se pode tornar-se perigoso.. de modo que não atenua a fome e a sede. Existem drogas que podem ser usadas para alterar as sensações e percepções orgânicas e que levam o indivíduo ao hábito de consumí-las. etc. nem toda a droga é tóxico.. mescalina. e nem todo o tóxico é droga. a vida média e a atividade específica. Dependência psíquica é um sentimento de satisfação e impulso que requer a administração periódica ou continuada da droga. Tomada por boca produz anestesia local da mucosa do estômago. 2 . C .diretamente o indivíduo à violência. Desta forma.DEPENDÊNCIA PSÍQUICA E FÍSICA: As drogas que causam dependência são classificadas em dois tipos: A-as que causam psíquica (exemplo: cocaína. D . causando alterações circulatórias e hemodinâmicas. doriden. B.e as que causam dependência física (exemplo: álcool. Os viciados em cocaína são medrosos e. a cocaína condiciona rapidamente intensa dependência psíquica. droga é toda substância natural ou sintética. pronto a cometer um crime a qualquer provocação. etc. optalidon. dromeran. pervitin. uma simples aspirina ou um "cafézinho". maconha. álcool.Opiáceos e seus equivalentes sintéticos. .. heptalgin. dilaudid. F .

hedonismo (busca do prazer). a necessidade de se aumentar a dose da droga para se obter o mesmo efeito. cria atritos. ansiedade. estado de abandono. Vemos também consequências familiares. além de ansiedade e agitação psíquica intensa. para o equilíbrio do orçamento. traz inúmeros problemas para a família e para a sociedade. ou seja um conjunto de sinais e sintomas que aparecem quando o dependente deixa de usar a droga. fraqueza moral. Além de não poder contar com ele para nada. Se o dependente é estudante. ociosidade. Disto decore o grande risco da overdose. busca desesperadamente o dinheiro para comprar a droga e quando não consegue. desunião da família. levando o usuário habitual a consumir doses letais para obter os mesmos efeitos psíquicos e/ou orgânicos. onde o alcoólatra que pára de beber. resultando na síndrome de alcoolismo fetal. diarréia. falta às aulas. ou seja. Dependência física é um estado de adaptação do organismo ao uso de drogas e que quando suspensas causam uma série de perturbações que chamamos "síndrome de abstinência". O problema da sobrevivência é agravado com os desequilíbrios naturais e inevitáveis decorrentes da preocupação com o dependente. comércio ilegal. fuga. temerosa e inquieta. São característicos para cada droga e incluem sintomas como vômitos. Este é o motivo deste assunto estar sendo discutido. Cabe ressaltar que toda dependência física é precedida ou antecipada pela dependência psicológica. A família fica angustiada. pois ele constantemente está desempregado. O dependente precisa de um médico.MOTIVOS: Diversos são os motivos que levam uma pessoa a consumir drogas e se tornar toxicômano: curiosidade. inibição. E se estiver numa fase crônica. a violência. alterações na pele. busca outras formas de vício. III . mau exemplo dos pais. além de estar física e mentalmente prejudicado. . que exige da família constantes cuidados.DROGA: UM PROBLEMA SOCIAL 1 . solidão. moda. num verdadeiro desafio à lei e às autoridades constituídas. Um caso clássico vemos no alcoolismo. nas primeiras semanas apresenta intensos sintomas orgânicos pela ausência do álcool. uma dose excessivamente alta e que resulta na morte do dependente em geral de parada cardio-respiratória.para produzir prazer ou evitar desconforto. que existe sempre a1ª. ou seja. 2 . A família dificilmente conta ele. nem trabalhar pode. alucinógenos. ainda tem os imprevistos desagradáveis de sua dependência. parte para o roubo gerando. convulsões. depressão. Além dos aspectos clínicos que se desenvolvem nos dependentes. um problema social para a família e para a comunidade. o aumento do número de acidentes nas estradas e no trabalho. devemos analisar as graves consequências sociais do uso das drogas que são: a criminalidade. Outro aspecto extremamente importante é o fato de que certas drogas desenvolvem o fenômeno da tolerância. não se interessando pela escola. microencefalia em 93% dos casos e defeitos cardíacos em 49% dos casos. que causa deficiência mental ou atraso de desenvolvimento em 89% dos casos.FAMÍLIA: O dependente de drogas. porque envolve outras pessoas forçando a interferência da polícia. 3 . se a gestante for uma alcoólatra. pois ela é o passaporte para o inferno das drogas. encrencas e provoca brigas. como o abandono do lar e o mau exemplo para os filhos. levando em muitos casos a lesões deformantes e encapacitantes para o resto da vida. contestação. aventuras.OS EFEITOS DO ALCOOLISMO: O alcoolismo pode ainda causar lesões no feto que se desenvolve. se for adulto. dose. preocupada. para que sirva de alerta para toda juventude. sem dúvida. e máfia organizada e criminosa que se impõe pelo poder do dinheiro e das armas poderosas e sofisticadas. exemplo: opiáceos. influência do grupo. de apoio e de um acompanhamento permanente para evitar que o mesmo se complique e não cometa suicídio ou homicídio. personalidade psicopática.

de seus valores. ou entorpecentes. a multa. Criaturas cristalizadas no vício da luxúria chegam ao ponto de perder o bom -senso. a vida não representa muita coisa. destrói o organismo e mata em pouco tempo. preocupando pais. como criatura humana. Basta ver a violência desencadeada no mundo da máfia. E por esta razão a mercadoria se torna cara.DROGAS: UMA OPÇÃO PARA A MORTE: A droga vicia. Diante de um problema tão grave. o consumo é obrigatório. ou a fiança. fabricação. As estatísticas sobre a difusão e o uso de drogas são alarmantes. 4 . que nunca foi tão intensa como nos tempos atuais. 5 . não sabendo mais distinguir o que é certo e o que é errado. Eles sabem que o faturamento mesmo vem com a dependência. conforme a regularidade do consumo e a dose. a vergonha e o caráter. Perdem a consciência de seus valores como gente. o comércio clandestino continua. Quando não se tem consciência de si. A ambição pelo dinheiro e pela riqueza fácil. à custa da miséria moral de milhares de criaturas. diante de tantas perspectivas de vida e de realização tenha optado pelas drogas. através de intermediários menores. distribuindo até de graça para que se torne dependente sem qualquer despesas. Em consequência os problemas triplicam.TRAFICANTES: A responsabilidade maior é dos traficantes que procuram. lamentavelmente. de laboratórios e a prisão de muitos chefões da máfia.3 . . a destruição de plantas. Milhares de jovens morreram em consequência do seu uso. não podem substituir a pena de reclusão e o confisco dos bens. professores e autoridades. É lamentável que a grande parte de nossa juventude. A opção pela morte é sintoma de desintegração da própria personalidade. razão pela qual o problema "droga" se tornou social . transporte e comércio. principalmente a cocaina e de maconha. conscientizar a população jovem. tornando inafiançável o crime de produção. A nosso ver.POPULAÇÃO DROGADA: A população drogada está crescendo e o consumo aumentando. pela morte. através de órgãos já criados. Não obstante a apreensão de drogas. Viver ou morrer é simplesmente uma opção casual. resta-nos apelar para as autoridades para que adotem mecanismos mais rígidos de controle e fiscalização. ou melhor dizendo. exigindo dos poderes públicos leis mais severas e uma atuação conjunta mais intensa.

Drogas e prevenção 1. Conclusão. 18. Introdução ± Drogas e Prevenção O que é uma droga? Informar não é educar A Educação ± Tarefa Educativa A família e a Prevenção O mundo das drogas Conceito básico de Prevenção Metodologia da Prevenção Orientações Técnicas em Educação e Prevenção. 7. 12. Avaliação da Prevenção de Recaída. Prevenção Educativa Rede Preventiva Metodologia da Intervenção Comunitária. 9. 8. 11. 16. 13. 5. Bibliografía . 17. Educação para a Saúde Estratégias Específicas. 10. 14. Prevenção de Recaída. 3. 4. 15. 2. 6.

a educação brinda um caminho para uma intervenção e um tratamento com êxito. e a falta de consciência sobre a magnitude do problema dos estupefacientes. Para aquelas pessoas que se iniciaram no uso indevido de drogas. e lhes ajuda a deixar seu uso.INTRODUÇÃO O uso ilícito de drogas nos últimos anos tem aumentado num ritmo alarmante e tem ultrapassado todas as fronteiras sociais. Os problemas do uso indevido de drogas têm sido descritos como um excesso de consciência nos jovens e uma falta de consciência entre os adultos. econômicas. Esse aumento pode ser atribuído a vários fatores. entre os que figuram a falta de informação fidedigna sobre os perigos a longo e curto prazo do consumo de drogas. . políticas e nacionais. ao caráter limitado das atividades preventivas (quase que inexistentes em nosso país). para sensibilizálas sobre os riscos e perigos do uso indevido e continuado de drogas. A prevenção do uso indevido de drogas ± mediante a sensibilização. a educação e a ação ± é fundamental para lograr deter o uso indevido de drogas e a criminalidade associada à mesma.

O que é um adito? O que significa adição? Se uma pessoa orienta sua vida ao redor de determinada droga. desde heroína ao álcool. este grupo. crendo que é o resultado de suas falhas pessoais e uma experiência vergonhosa e exclusiva. se terminaria com o uso das bebidas alcoólicas. exerce uma poderosa atração para os potenciais usuários. 3) O abuso do álcool. nesse tema que nos reúne. experimentarão a tragédia em silencio. ao ser usado pelo indivíduo. alteram seu estado de consciência". Quarto. existem muitos dependentes de drogas que parecem "seguir em frente". O resultado direto da droga se apresenta no cérebro do usuário. O QUE É UMA DROGA? As drogas que nos interessam. supostamente. Agora perguntamos: Por que um perigo de tamanha magnitude comumente é ignorado? As respostas não são fáceis. retardada e não tão comum. ocorrem depois de muito tempo de usar drogas. um estado mental alterado e. Se todos os usuários de cocaína tivessem uma sobredose fatal com pouco tempo de uso da droga. líquidas ou gasosas que. aparentemente sem efeitos negativos. tais como acidentes automobilísticos ou mortes por sobredose. Se qualquer bebedor (alcoólatra) sofresse uma cirrose do fígado em poucas semanas de haver começado a beber. especialmente a comunidade intelectual. têm escrito sobre o problema das drogas como um assunto social curioso que deve ser relegado ao setor direitista de nossa sociedade. estes problemas são incertos e imprevisíveis. fez uma pesquisa e pediu aos adolescentes que mencionasse qual era a principal ameaça para sua geração. o uso de drogas é tão comum que é difícil assimilar a devastação que está causando. a maioria dos milhares de famílias que terão problemas por primeira vez este ano. É um problema que pode acontecer com o outro. A resposta foi a seguinte: 1) O abuso de drogas . não conosco. Terceiro.Nos Estados Unidos da América. em muitos casos. os problemas causados pela droga. Usam drogas. desde a perspectiva do usuário. a cocaína desapareceria. George Gallup. para o usuário de cocaína ou outra droga. 2) O desemprego -16%. Segundo muitas das principais opiniões médicas e políticas de nosso país. 4) A pressão dos amigos.35% . "agradável". Quinto: Por último. sustentam a esperança de uma "viagem segura". Porém. sólidas. O QUE É UM ADITO OU DEPENDENTE? Hoje há diferentes classificações para designar a um "adito". visto que temos a tendência de perder o medo a qualquer coisa que vemos diariamente. Quer seja que estes indivíduos representem a maioria ou uma pequena minoria de todos os usuários. se . Nos acostumamos. Primeiro. A mesma coisa com respeito à cirrose. Além disso. uma morte por sobredose é imprevisível. "são quaisquer substancias químicas. aparentemente invulnerável. produz uma intoxicação.

INFORMANDO Uma das melhores maneiras de prevenir o uso de drogas é assegurando-se de que a população esteja bem informada sobre o assunto. A EDUCAÇÃO (TAREFA EDUCATIVA) Os programas tradicionais de prevenção estavam centralizados. as campanhas costumam ser ações isoladas e fora do contexto. Nestes programas a educação se centralizou na informação sobre os riscos que as drogas apresentam. cujo objetivo era e é transmitir informação a fim de produzir mudanças nas atitudes e comportamentos das pessoas. (. Este tipo de ações costuma ter uma eficácia limitada já que seu impacto é de escassa duração. Mas como se sabe. Tal relação supõe que o incremento da informação sobre as substancias e seus efeitos negativos. mesmo conhecendo os sérios efeitos físicos ou psicológicos e o dano extremo que resulta nas relações pessoais e no sistema de valores da pessoa. principalmente no que se refere ao hábito de consumir drogas. Até agora tem sido muitos os modelos de prevenção que têm colocado muito ênfase na informação e a mudança de atitudes. Pensar que a conduta responde à racionalidade e que a pessoa simplesmente ao conhecer os riscos e seus custos mudará de atitude. nossa maior preocupação é de como conseguir que as pessoas ± os grupos e as comunidades ± adotem comportamentos saudáveis. já que implica na coordenação dos recursos teóricos e empíricos de diferentes disciplinas e profissionais e. expectativa pessoais e sociais. Atualmente..Sanitária. portando. tem-se que pensar em articular estratégias de intervenção mista: 1) as destinadas à limitação da disponibilidade das drogas e 2) as destinadas a reduzir a demanda das mesmas. sobre tudo. exclusivamente. conduzirá ao fortalecimento das atitudes e. Se. Diferentes organismos internacionais afirmam que se queremos diminuir progressivamente o número de afetados. com uma grande mobilização de meios publicitários. propagandisticos e orçamentários. com o qual não cumpriam adequadamente sua função preventiva. partindo de uma relação simplista e ingênua. Os cidadãos não estabelecem relações causa-efeito e as mensagens correm o risco ± por estar fora do contexto ± de não ser efetivas.. etc. fica uma lacuna entre o informado e o que o público necessita saber sobre o tema.) Podemos dizer que. a informação por si só não conduz à mudança de conduta. dirigidas a uma população heterogênea e realizadas à margem dos grupos organizados da comunidade. as campanhas se limitam a dar informação simplistas do tipo negativo como: "Não à droga " ou " A droga mata ". história de aprendizagem. A tarefa não é fácil. é o tipo de droga e o ambiente onde se usa. além disso. em virtude dos problemas sociais que está causando. na Educação. é como omitir outros aspectos chaves que influenciam sobre o comportamento. a adoção de mudanças políticas e sociais. poderia ser classificado como um adito. Às vezes não é suficiente. com um planejamento e direção centralizada.sente que não pode viver sem ela. tais como: nível emocional. e se sofre sintomas físicos quando a droga lhe é retirada. O que diferencia a vítima. . INFORMAR NÃO É EDUCAR Lamentavelmente. a adição é uma compulsão irresistível de usar uma droga cada vez com mais freqüência e em quantidades maiores. das condutas positivas.

a Educação para a Saúde não deveria ser apenas a de "fazer palestras". primos e avós. que reduziu o contato com a família. tios. Uma existência tóxica é uma vida contaminada. E.) A FAMILIA EM RELAÇÃO ÀS DROGAS O estudo das famílias é de fundamental importância para compreender por que uma pessoa toma drogas e com que propósito. (. num consumidor de drogas. como geralmente vem sendo feito em nosso país. o ódio. e o numero reduzido de crianças. um ou mais filhos. sempre foi muito mais complexa do que sugere o modelo apresentado. A chave para controlar o tráfico e o abuso de drogas. como se defender. mas que o ambiente onde vivemos fomenta tais opções. o maior numero de mulheres que necessitam trabalhar fora do lar. caracterizado pelos modelos de interação orientados por uma ideologia que o Dr.. A realidade da vida familiar. Desta primeira "rede humana" aprende o amor. Dizemos que todo dependente de droga é um ser que de uma forma lenta ou rápida se autodestrói.Se aceitarmos que a opção de consumir drogas não é uma opção exclusivamente individual. Apesar de que cada situação familiar é única. Também deveria aplicar-se determinadas técnicas pedagógicas ou psicológicas orientadas ao individuo ou ao grupo. Mas. a ternura. com ou sem tias. as pessoas que se preocupam pelo seu crescimento até a adolescência e que vivem sob o mesmo teto. Definimos a família como a pessoa ou pessoas que normalmente vive com as crianças e está relacionada com sua educação. a agressão. etc. geralmente se desenvolvem a partir de transtorno oriundos das relações familiares do individuo. .. Os adolescentes. A FAMILIA E A PREVENÇÃO A "placenta familiar" é o meio vincular onde o filho se humaniza e cresce satisfazendo suas necessidades possuindo um continente físico efetivo que se converte no metabolisador emocional de suas angustias e emoções. o que permitiria que fosse mais fácil fazer opções saudáveis. é reduzir a demanda. com quem identificar-se e como se sobrepor às frustrações. portanto a prevenção e a educação devem ser os pilares principais neste trabalho. incluindo psicólogos ou psiquiatras. quase todas as crianças vivem com adultos que se preocupam por eles. Todos os sintomas tanto primitivos como recentes. dizendo: "Tenho um problema com as drogas e necessito ajuda". Kalina denomina: " a existência tóxica". Em suma. A Educação para a Saúde teria que ser uma tarefa de reestruturação ambiental e pessoal. o aumento do índice de divórcios e novo casamento. sua razão de ser um adito. rara vez se apresentam a seus pais ou a outro adulto. O padrão que até hoje domina em nossa cultura é a Família Nuclear de dois pais. Algumas mudanças que complicam este retrato são a mobilidade geográfica. uma forma de viver que para sustentarse necessita nutrir-se daquilo que a destrói. Estas são importantes e servirão como antecedentes a fim de sensibilizálos para uma mudança de atitude. Nosso ponto de vista central é que a personalidade aditiva emerge dentro de um contexto familiar e social. hoje em nosso país há um padrão comum dos problemas que enfrentam pais e adolescente: o abuso de drogas e suas conseqüências.

Portanto. Se você é jovem. RESUMO. podemos falar de uma configuração familiar pré-aditiva. . A teoria psicosocial e as psicoterapias modernas sustentam que para curar um problema. temos que destacar o fato de que na atualidade. ainda que nos propomos a fortalecer os vínculos que devem existir entre os membros de uma família. certamente desata uma síndrome de alarme na família. Dizem. e em outros casos a parentes e amigos que participam da vida grupal. organizada e comunicada com papeis bem definidos. Ainda que no caso do uso de drogas os dois sejam tratados simultaneamente. porém não pensam em revisar toda a cultura enferma que há por trás da conduta aditiva e que envolve a toda família. quando lhes provê atividades esportivas. Animo-me a dizer que essa ultima é a modalidade que muitos preferem. e o "tire das drogas". que quando ela está unida. nas mais patológicas. você está ajudando a prevenir o problema das drogas antes que aconteça.). geralmente o expulsam da casa. Há famílias que fecham filas em volta do adito. Se você trabalha com adolescentes. se aproximam para consultar a um médico ou a um centro de atenção de adições para que " cure o seu filho ". você passa mais tempo para escutar. mostrar interesse e estar perto de seus filhos. Por isso ± desde a prevenção ± é que se tenta trabalhar no fortalecimento da família (. que querem que seu filho se cure. porém isso é uma verdade parcial.. é comum que os pais. Podemos dizer que um dos aspectos positivos da prevenção é o fato de que você certamente já tenha começado esse processo. não terá soluções reais se no processo não for incluído os pais e irmãos. enriquecedoras. encontramos a uma grande maioria de jovens com famílias desestruturadas ou diretamente abandonadas.. você está prevenindo o abuso das drogas. continua sendo o ponto principal do tratamento. Ao descobrir a adição do seu filho adolescente. à luz das estatísticas. sem que isso nos leve a desconhecer os elementos particulares de cada situação clínica. a causa. Como Pai. quando você ajuda a seus amigos a superar-se nos momentos difíceis através de bons conselhos e compreensão. FORTALECENDO A FAMILIA O ponto de vista da família como instituição. Quando você faz isso. A descoberta desencadeia certas mudanças no sistema com características próprias em cada grupo familiar. primeiro deve ser tratada a causa. sadias. porque simplesmente o que desejam é que seu filho deixe de usar drogas. A Prevenção está ao alcance de todos. e de cada contexto socioeconômico. Descobrir a adição do filho. é uma fonte de proteção dos filhos para evitar condutas distorcidas. e a sociedade em geral. O tratamento de adolescentes e jovens com problemas de dependência de drogas. Também é certo que. nos mostra. depois de alguma tentativa frustrada para que o mesmo deixe as drogas. Juntemos nossas forças e: "VAMOS PREVENIR. muito mais que os sintomas. o estar ajudando a evadir as drogas. nem sua etiologia sócio-político. em nosso país. tanto por famílias como por escolas.

o apoio social (ou a falta dele) e os complicados processos biológicos e psicológicos influenciam na " seleção da droga". os padrões eram relativamente constantes e previsíveis. Finalmente. os padrões contemporâneos do abuso de drogas mudaram tão dramaticamente e se estenderam tanto que. com o tempo a tendência é a de especializar-se em uma ou duas classes de drogas. um usuário regular de maconha que tem dificuldade para deixar o seu uso. se sente mal. O termo dependência tem substituído ao de adição que. A maioria da classe media se confinava a drogas tradicionais alteradoras da disposição ou psicotrópicas. como um criminoso e não como um paciente. e insistir que o abuso de drogas acontece unicamente na cultura juvenil. A perspectiva da sociedade concernente ao abuso das drogas também deve mudar. Também descreve a conduta de consumir continuamente a droga. o usuário de grandes doses deve tomar mais e mais para lograr o efeito desejado. agressivo. apesar da grande variedade. álcool e certos fármacos receitados. enquanto que os sintomas são influenciados pela dose de droga utilizada. Com freqüência. Existe três termos que freqüentemente são utilizados e que devemos definir. a freqüência e duração de tal uso. é dependente da droga. na atualidade. Entretanto. geralmente. O usuário individual das drogas passou a ser visto por muita gente através de uma mistura de educação deficiente e confiança puritana sempre presente na justiça. que se refere às complexas adaptações biológicas ao uso prolongado das drogas. A mais complexa é que a disponibilidade..Adaylton de Almeida Conceição O MUNDO DAS DROGAS No mundo do uso e abuso das drogas. "Tolerância" a uma droga significa que quanto mais quantidade se tome. onde o usuário habitual sente um efeito muito leve ou quase nenhum com uma cerveja. as palavras chaves são "mudanças dramáticas". sente uma necessidade maior de usá-la. tais como cigarros. Quando tenta fazê-lo. Isso porque com o tempo o corpo se adapta à presença da droga. Por que? A resposta mais simples é: "ninguém sabe". menos efeitos se logram a cada dose. com insônia (sintomas de abstinência). étnicas e filosóficas. e pelas características individuais do usuário. poucos usuários utilizam todas e inclusive aqueles que as provam. quando alguém olha o padrão dos últimos anos. o único que podemos prognosticar com segurança referente à cena dos fármacos é que continuará mudando para pior. Se não o faz. A "dependência". se aplicava unicamente à dependência de drogas opiáceas como a heroína. Assim sendo. No mundo das drogas. Esta atitude afasta cada vez mais os jovens que ingressam na cultura das drogas. Já não é aceitável catalogar as substancias suavemente psicoativas tais como o álcool e a nicotina como "não drogas". Os sintomas precisos de abstinência diferem com o tipo de drogas. a dependência implica na dor da abstinência que o usuário experimenta quando tenta deixar de usá-la. As drogas "ilegais" se limitavam a determinadas minorias raciais. Antes. estas estavam submersas dentro dos guetos urbanos. Isto se vê claramente com o álcool. que se manifestam como a ansiedade do usuário por continuar usando-a. a ordem e o castigo para regular a moral. . porém o usuário primário obterá um efeito relativamente forte ao beber a mesma quantidade. o padrão geral de tais sintomas é comum a todas as drogas de nossa classificação.

ADOLESCENTES. e considerado como mais uma atividade de ócio (processo de normalização social do uso de drogas com fins recreativos). tem levado a que o uso de certas drogas (principalmente o álcool) se tenha convertido numa referencia obrigatória da cultura juvenil. e junto com ele ( ou em outras palavras. geralmente. que encontraram nele um autentico filão onde pode conseguir grandes benefícios econômicos. JOVENS E DROGAS As pesquisas feitas em nosso país para conhecer os hábitos da população juvenis com relação às drogas. num componente essencial de seu ócio ou tempo livre.Estas três palavras. Por outro lado. notamos que cada vez mais. A razão pela qual os usuários de drogas se tornam dependentes de uma droga em particular é uma pergunta interessante e que ainda não tem resposta. São muitos os objetivos da prevenção que podem trabalhar-se desde o jogo ou o esporte. da mesma maneira que muitos adultos saem compulsivamente nos fins de semana. . abrindo caminho às buzinadas para aproveitar até o último minuto de seus dias livres. Os usuários nesta faixa se relacionam com consumos ocasionais. concentrados no fim de semana. nem aos preocupados membros de sua família ou a seus terapeutas. a festa e a companhia de outros jovens. realizados em grupos e em lugares públicos. o ócio tem se convertido num mercado muito fértil para muitas empresas e organizações. aceito socialmente. em alguns casos produzindo tremendos engarrafamentos em nossas estradas metropolitanas. O consumo de álcool e outras drogas têm se configurado como uma atividade fundamental no ócio de nossos jovens. Assim que. associados a contextos lúdicos. se incluem muitos aspectos relacionados com a prevenção. particularmente nos fins de semana. entre as obrigações do trabalho ou os estudos. que progressivamente tem si afirmado entre vários seguimentos juvenis. indicam que um numero considerável de adolescentes e jovens tem tido contato com drogas. Muitos adolescentes passam a semana na escola esperando ansiosamente a chegada do fim de semana para poder "ficar livres" e "soltarse ". abstinência e tolerância. aparecem vários problemas pessoais. com maior intensidade. o consumo de drogas "recreativas" passou a converter-se num elemento chave da diversão junto com a música. familiares e sociais vinculados a este tipo de pratica. Muitos educadores sabem que este tempo brinda grandes possibilidades para a educação e a formação. as pessoas dispomos de mais temp para o ócio. O ócio tem se convertido num espaço tremendamente consumista e passivo. dependência. responder a esta pergunta não ajudará ao usuário. vivemos numa sociedade que estabelece uma diferenciação drástica entre o tempo de ócio e o tempo de "negócio". Assim que. e o "tempo livre". o consumo de drogas com fins recreativos está se convertendo num ato cotidiano. Em nossa experiência. A associação entre drogas e diversão. por isso). PREVENÇÃO E O TEMPO LIVRE (O ÓCIO) Uma das conseqüências mais importantes que a chamada "sociedade de bem estar" trouxe consigo é que. são importantes para entender a experiência das drogas. Entre os valores e recursos a serem desenvolvidos na tarefa de educar no tempo livre. ou seja.

culturais. Assim que. encarregados de orientar e dar dinamismo às intervenções e ações programadas para desenvolver um processo permanente de PREVENÇÃO EDUCATIVA COMUNITARIA. Por um lado. a lograr a máxima integração ecológica em seus ambientes.. ou seja. CONCEITO BASICO DA PREVENÇÃO A prevenção em Patologia social é um processo ativo de implementação de ações e programas tendentes a modificar e melhorar a formação integral e a qualidade de vida das pessoas numa Ação Antecipatória para evitar riscos e/ou reduzir a freqüência das "enfermidades sociais" (alcoolismo-violencia-uso de drogas. A meta da prevenção primaria é "imunizar" aos indivíduos e ao público em geral e criar ambientes sociais e físicos que sejam positivos para erradicar o problema antes que aconteça.). educativos.. evitando o desenvolvimento de problemas com álcool e drogas antes que aconteça. os programas e estratégias de prevenção do abuso de álcool e drogas estão orientados a influenciar o comportamento das pessoas e os fatores sociais relacionados com o consumo de drogas antes que seu inicio. O fenômeno destas situações é de etiologia multifatorial onde as variantes pessoais (biologia e psicologia) dos sujeitos interagem com as características da sociedade que habitam (social-culturais). sanitários. bairro. é encaminhada para diminuir ao máximo a possibilidade de que os jovens consumam drogas.. Para a orientação. a cada curso.). c. a cada bairro. As estratégias. b. se propõe uma estratégia de intervenção dupla: o o Tentar mudar os fatores determinantes que perturbam o pleno desenvolvimento psicosocial (fatores econômicos. 1. Tentar mudanças nos indivíduos e nos seus contextos (família. PREVENÇÃO PRIMARIA: Encontra-se na promoção de ambientes estilos de vida saudáveis. Desta maneira. Primaria: Tende a reduzir a incidência. orientadas ao desenvolvimento dos jovens e adolescentes. novos casos numa determinada etapa.O conhecimento dos critérios que hoje se manejam no âmbito da prevenção pode nos ajudar a programar atividades com sentido. .. a cada grau. planificação e organização de projetos o trabalho deve começar a partir de uma primeira rede de apoio político-diretivo fomentando a capacitação de agentes preventivos. os métodos e os meios de um Programa de Prevenção devem adaptar-se a cada região. Níveis de Prevenção a. Quaternárias: Relacionada com as ações de Integração (socialização). a cada escola. Secundário: Destinada ao diagnóstico e tratamento precoce do grupo populacional em situação de risco. escola. Terciária: Refere-se às ações do tipo reabilitadoras (tratamento) d. e por outro lado. Pode ser não específica (Promoção da Saúde) ou específica (Proteção a determinadas patologias).AIDS -etc).

das festinhas. Assim que.1. PREVENÇÃO SECUNDARIA: Trata de identificar os novos consumidores de álcool e drogas que correm o risco de ter problemas de abuso e ajudá-los a minimizar ou eliminar os riscos. pode derivar-se de crises pessoais que levam ao individuo a buscar ajuda por primeira vez. é o tratamento atual de pessoas que abusam de álcool e drogas. mas de uma produção que em elaborações sucessivas se assume como projeto próprio do . dos encontros casuais nas escolas. Pode envolver-se na identificação antecipada do abuso de drogas ou. PREVENÇÃO TERCIARIA: Orienta-se. na reabilitação e reintegração dos indivíduos que já apresentas disfunções sociais ou individuais pela dependência da droga. onde a ação informativa e educativa é prioritária. Um. METODOLOGIA DA PREVENÇÃO Não se trata de uma transmissão vertical de conhecimentos. vemos que a Prevenção é um processo sistemático e continuo (e não ações pontuais) que se utiliza para administrar problemas em níveis diferentes com o objetivo de influenciar positivamente nos comportamentos da população e que levará a cabo por meio de programas de prevenção primaria e de âmbito local. Os programas de prevenção serão de âmbito local e seu funcionamento deverá ir acompanhado no conjunto de obrigações e princípios dos Serviços Sociais. O outro pode ser qualificado de reabilitação preventiva. Esses novos consumidores são os consumidores ocasionais de fins de semana. Há dois pontos a destacar: o o A identificação precoce destas pessoas e a colocação em marcha da intervenção adequada. em muitos casos. Às vezes a prevenção secundaria é interpretada como "intervenção mais cedo". A meta da prevenção secundaria é interromper o uso de drogas antes que comece a ser um problema crônico. Reduzir a incidência do consumo antes que este se converta em adição. atitudes e valores. Esta provê serviços de apoio a alcoólatras e dependentes de drogas em recuperação para prevenir que voltem a seu estilo de vida disfuncional. Nestes dois níveis a tarefa de prevenção é de promoção e proteção da saúde. 2. aplicando modalidades de tratamento para cada caso. Há dois tipos de enfoques: 1. É um trabalho interdisciplinar. 1. principalmente.

por mais que durante sua preparação tenha considerado as particularidades da comunidade a que se dirige. para ajudar-lhes a reformular suas condições de trabalho no sentido preventivo. penais. a Educação é um processo continuo que acompanha o homem em todos seus tempos (nas diferentes fases evolutivas). Escutar atentamente e trabalhar tal demanda é o papel que se espera do profissional. para seguir diante em sua linha de trabalho. se dá através de diferentes meios (linguagens verbais-paraverbais-visuais) e em diferentes âmbitos (recrativos-religiosos-educativos-etc). mas a de companheiros de outros agentes na busca de novas ações preventivas que estão ancoradas na realidade local (Caupert y Sarton). restituição que nos deve levar a uma posição não de especialistas. Sua função normalmente não consistirá em apresentar um programa previamente elaborado à comunidade. a prevenção pode ser visto como uma tarefa de apoio a outros profissionais. sem que isso signifique que as aceitem sem ponderar ou analisá-las. Trata-se de um papel complexo. em gerar protagonismo permanente por parte de todos os participantes sociais. Promove-se a ação reflexiva. O PAPEL DO PROFISSIONAL NA PREVENÇÃO Vemos que o profissional da prevenção vai desenvolver seu trabalho de uma forma mui peculiar. pelo que escutam as demandas que formulam em matéria preventiva. Nos últimos anos se tem concedido um espaço privilegiado à educação em toda ação preventiva sem esquecermos que se complementa com medidas imprescindíveis de prevenção não educacionais: policiais. a conhecer suas limitações e a encarar um processo que deverá exercer influência sobre os fatores de risco. uma reflexão. entendemos a primeira como aquelas intervenções centralizadas diretamente no tema "adições" (Prevenção Educativa). Este processo levará à comunidade a gerar seus meios. É necessário que existam especialistas em prevenção. sanitárias e medidas de caráter econômico ± político relacionadas com os fatores sociais que favorecem as condutas destorcidas. grupos. e. enquanto que a segunda aponta ao desenvolvimento de atitudes e melhoria global das condições da vida (Educação para a Saúde). buscando favorecer atitudes comprometidas para a resolução do complexo fenômeno. Referir-se ao educativo como campo prioritário da prevenção implica ressaltar um amplo espaço de atuação.grupo. visto que. porém seu papel não dever ser entendido como o de profissionais que impõem seu saber a outros profissionais ou à sociedade. (nem que não tenhamos um saber) permite que os demais membros da comunidade se convertam em membros ativos. dos âmbitos mais variados. uns encontros. De certa forma. Privilegia-se o formativo sobre o informativo. . Isto não anula nosso saber. para proporcionar conhecimentos técnicos e experiências em tarefas preventivas. Muito mais que um trabalho na primeira linha. legais. O ideal será que espere que a demanda surja por parte da comunidade ou de algum grupo que a integre. e facilitar-lhes quando seja necessário. O profissional deve existir para garantir que o processo seja possível. nosso trabalho consiste em "nos compenetremos num trabalho de restituição de conhecimentos aos integrantes do campo social. associações. Os objetivos da Prevenção desde esta ótica se centraliza. a elaboração do material ou dos instrumentos necessários. muito mais que responder automaticamente com uma programação. em grau menor. Estas reflexões sobre as varias tendências nas modalidades preventivas nos permitem introduzir os conceitos de Prevenção especifica e não específica.

A prevenção é. etc. saibam como lograr a saúde e procurem ajuda quando a necessitem". actitudes. Obviamente existem aspectos parciais que poderão ser alcançados com mais facilidade. Suas variações devem acompanhar. tanto consigo mesmo como com os demais. Ao processo educativo formal e suas instituições (escolas) se soma a intervenção preventiva em outros contextos. necessariamente.A responsabilidade da prevenção não é apenas dos profissionais. EDUCAÇÃO PARA A SAUDE Definição: "Qualquer combinação de atividades de informação e educação que leva a uma situação que as pessoas desejem estar sã. . jovens e posteriormente nos adultos. responsável e solidária. porém a idéia a transmitir é que nos encontramos diante de um trabalho de longo prazo. valores e habilidades orientadas para uma melhor qualidade de vida e desenvolvendo aptidões e conhecimentos para um crescimento autônomo capaz de resistir as pressões grupais. potencializar e recriar estratégias próprias e eficazes para complementar a ação educativa. Tem como objetivo favorecer e potencializar desde os âmbitos escolares. A PREVENÇÃO EDUCATIVA é a estratégia fundamental para os programas de ação. consegue-se optimizar as "defesas psicológicas" das pessoas.) e também nos contextos não formais: família. ORIENTAÇÕES TECNICAS EM EDUCAÇÃO E PREVENÇÃO Por PREVENÇÃO EM EDUCAÇÃO entendo que é um processo cujo objetivo é facilitar modificações de conduta para uma melhor qualidade de vida englobando as atividades de PENSAR. A PREVENÇÃO DA DEMANDA é uma alternativa prioritária que pode melhorar o problema das dependências de drogas. apoiando-se numa paternidade responsável que se levanta no primeiro modelo de aprendizagem social dos filhos. SENTIR e ATUAR PARA FORMAR CIDADÃOS CAPAZES de modelar UMA sociedade melhor. as situações estressantes e conduzir-se da forma mais "sadia" possível concernente aos fatores de risco que expõem ao abuso de substancias tóxicas em crianças. mas da própria comunidade. fomentando e consolidando a aquisição de hábitos. (36º Assembléia Mundial da Saúde ± 1983). atitudes e valores que provoquem mudanças ou contribuam à construção de estilos de vida positivos a partir do conhecimento. que decide seguir ± ou não seguir ± adiante de uma ou outra forma. Seu objetivo é promover condutas. comunitários e familiares o desenvolvimento da uma qualidade de vida que garanta um equilíbrio físico-psiquico-sociocultural das pessoas através de sua intervenção autônoma. A Prevenção Educativa pode realizar-se dentro do sistema formal escolar (currículo. um trabalho de médio e longo prazo. Este fim em longo prazo começa na família. aula. Quando se realiza no inicio. A PREVENÇÃO DA OFERTA e suas conseqüências. capacitação e reflexão. bairro e através dos meios de comunicação. Durante todo seu desenvolvimento um individuo pode "educar-se" em prevenção.

Um líder ou instituição demanda por problemas específicos. Há um grande perigo quando a iniciativa fica apenas no oferecimento do SERVIÇO e que a intervenção comunitária não se realiza. Psicologia social. onde há uma relativa modificação ou possibilidade de mudança de conduta e atitudes apesar de um conhecimento maior . conscientização. . assessores de intervenção. Haverá alguns objetivos de intervenção que envolve de forma ativa a toda a comunidade e outros (Saúde Publica) que apesar de ser motorizado por uma parte da comunidade. ESTRATÉGIAS ESPECÍFICAS . Psicologia. 4. Com rigor cientifico se utilizam os modelos e metodologias que ofertam as ciências da Saúde (Pedagogia.A Educação Para a Saúde tem que ver com muitos dos fatores associados ao uso de drogas que são comuns a outros problemas de saúde e também considera características especificas dos problemas. e a conseqüente satisfação pessoal. Pesquisa da realidade de temas preocupantes por: 3. Contato com líderes para obter informação. Promove comportamentos saudáveis. É necessário que os demandantes sejam competentes e representativos. etc. são efetivos em mudar normas de condutas de uma proporção significativa da população. a) entrevista. Este sistema tem mostrado suas limitações visto que tem sido mais usado nas campanhas e planos preventivos e nas avaliações. alem de realizar uma experiência de aprendizagem e de diversão. Participação comunitária imprescindível. 5. uma percepção de controle ambiental. consultórios. Questiona valores e normas que propõe nosso sistema social consumista. Permite chegar aos recursos da própria comunidade. b) outro meio. É importante despertar nas pessoas o desejo de participação. Um alto nível de compromisso ativo pode provocar nos membros da comunidade uma motivação ativa. A participação da comunidade pode dar-se de varias maneiras: 1. Os programas têm de ser respeitosos com os valores individuais e comunitários. e através destes se descobre líderes que podem ser capacitados e resultar em promotores além de permitir a presença constante dos técnicos na comunidade. 6.). Frente de entrada: provisão de serviços à comunidade por parte dos pesquisadores. Escola de confecção. escola para Pais. programas de alfabetização. 2. transformando-se em Estratégia fundamental de Prevenção.COGNITIVAS: Propõe programas centralizados na informação concernente aos efeitos e riscos do abuso de álcool e drogas. Características: o o o o o o o É um processo de aprendizagem continuo Proporciona informações básicas para uma analises critico dos problemas de saúde e como recurso para tomar decisões. convidando a formar parte de conselhos.

PREVENÇÃO EDUCATIVA Utiliza a educação como técnica de prevenção no sentido de desenvolver ou fortalecer a capacidade de autodefesas psicológicas dos indivíduos e grupos diante do risco das enfermidades psicosociais. Os conhecimentos sobre drogas e álcool (exposição objetiva) são só uma parte do processo de tomada de decisões e se for utilizado em forma isolada não parece incidir favoravelmente na diminuição do consumo. Trabalha sobre o desenvolvimento de habilidades sociais e interpessoais. da sua família e a comunidade.AFETIVAS: Estão destinadas ao desenvolvimento e crescimento pessoal e estão dirigidos a desenvolver a autoestima dos participantes. Considera o grupo como AGENTE SOCIALIZADOR e se orienta a apoiar um desenvolvimento social integrado e positivo. É a série de métodos. Em outras oportunidades. Fundamentam-se nos princípios de que a carência afetiva. No que concerne às patologias psicosociais (droga ± álcool ± AIDS ± violência).sobre as drogas.CONSTRUTIVAS: Desenvolve-se em programas cujos objetivos são o apoio do desenvolvimento juvenil ou populacional através de Promoção da Saúde e Estilos de Vida Saudáveis. reforçando a capacidade para resistir às pressões. pensamos que todo Projeto tem que apresentar uma Área de Informação básica sobre a problemática que permita um impacto (sensibilização) e a possibilidade de reflexão e mudança (efeito positivo da prevenção). a explorar e expressar sentimentos e a definir valores. Capacitam-se lideres naturais como multiplicadores tendo sido demonstrado grande eficácia quando se logra "inserir" nas redes comunitárias o tema da Prevenção. a sobre-informação pode ter efeitos antipreventivos. Apesar disso. resolver problemas e pedir ajuda. até a execução e avaliação das atividades e programas que conduzem a um grau mais alto de saúde e de prevenção.APRENDIZAGEM SOCIAL: Baseiam-se em eu as pessoas tem a tendência de limitar o comportamento de outros pares (desenvolvimento social ou influência social). a baixo autoestima e o escasso desenvolvimento pessoal estão operando como fatores de risco associados ao consumo de drogas e álcool. . . desocupados) se enfatizam desenvolvimento de competências básicas. . Apontam ao estabelecimento de medidas protetoras em saúde. PARCIPAÇÃO ESCOLAR E A EDUCAÇÃO PREVENTIVA A instituição escolar inicialmente é o cenário privilegiado para o desenvolvimento dos Programas de Prevenção das Enfermidades Psicosociais visto que permite um tempo prolongado de ação (população "cativa") e oferece uma estrutura funcional que facilita . A avaliação de programas centralizados na "entrega de conhecimentos" demonstra eu tem uma influência muito limitada na modificação de condutas. Em grupos de alto risco (marginalização. envolvendo-se desde a detenção de seus problemas (diagnóstico) e seleção de suas prioridades. meios e técnicas dirigidas a obter a amplia e ativa participação dos membros da comunidade para atuar em beneficio de sua própria saúde. afrontamento de riscos e tomada de decisões. enriquecem o processo de analises de problemas.

ética. esta realidade. A solidez de uma estrutura de personalidade se articula com certos nutriente: afetos. Os programas não devem enfatizar apenas a redução dos fatores de risco destas problemáticas atuais. A criança da rua mostra. Educação materna e paterna. Ao nomeá-lo o inclui numa rede de relações simbólicas que o diferenciam como pessoa. Este processo é uma orientação. Quando a comunidade se responsabiliza e se compromete na participação e socialização do conhecimento científico. O rumo da criança tem na educação inicial uma meta. mas enfatizar comportamentos que incrementem o potencial de saúde (melhor qualidade de vida) das pessoas fomentando o bom desenvolvimento. um caminho . O homem e a criança vagabundeiam. Uma política global de prevenção que integre todas as iniciativas. PARTICIPAÇÃO COMUNITARIA É a BASE DO ÊXITO DA PREVENÇÃO. pode chegar a mudar os comportamentos e os hábitos para melhorar as condições de saúde e estabelecer redes de apoio sociais efetivas. socialização e orientação. A família é escola. Uma escola que o inclui numa historia e uma senda onde andar. se faz imprescindível lembrar a importância do espaço e o tempo familiar.o desenvolvimento continuo de programas. É imprescindível para que a intervenção comunitária seja eficaz. o peregrinar desde uma senda se transforma num perambular sem rumo fixo. as competências e as habilidades pessoais. Este marco afetivo-ético-informativo e socializador o denomina como sujeito. mais além do nome próprio que cada um de nós temos. A EDUCAÇÃO PREVENTIVA A educação tem que ver com o crescer. balbuciar. inclui os diversos níveis (crianças-paisdocentes-auxiliares-vizinhos) e dispõe do ecossistema adequada sendo a principal fonte de socialização da criança. não é que seu problema esteja exatamente na rua . precisamente.A vida é um caminho peregrinante. uma senda. orientar seus movimentos básicos. Quando tudo isto falha. tanto públicas como privadas através da educação contínua e a consciência da população sobre a necessidade de compartilhar a responsabilidade social diante das causas que prejudicam o bem estar individual e coletivo . informação. Nunca como nos dias de hoje diante do fenômeno da marginalização social e ética e o abandono afetivo de grandes núcleos de população infantil. .

Este espaço-tempo familiar hoje nos chega alterado. etc. A educação preventiva deve distinguir entre grupos sociais de maior risco e grupos de menor risco. Inexistência do grupo familiar. O esporte nas suas varias manifestações. A finalidade do trabalho será diferenciar estas duas realidades para permitir uma abordagem melhor tendo em vista diferentes variantes e problemática. A educação preventiva no âmbito escolar privilegia ao docente como agente preventivo multiplicador e à escola como um fator onde se deve ter a qualidade de sua vida institucional. formas veladas ou manifestas de pederastia. o o o o o o Pai e/ou mãe ausentes. distorcido por diferentes estruturas de dispersão. Fenômenos de transcultural onde o sujeito em crescimento perdeu referencia de identidade. violência crescente. com vista nos aspectos empresariais. violências. . transtornos disciplinares. Vida laboral. Dissolução do grupo familiar. a rede preventiva deve atuar em quatro níveis de inserção: o o o o Educação formal nos seus diferentes aspectos Vida Municipal ou das comunidades. caso não seja incluído em um programa global de desenvolvimento afetivo e familiar do educando dentro de um contexto sócio-cultural onde a procura da substancia ilícita encontre um sentido e uma compreensão para lograr uma mudança interior e de comportamento benéfico. A educação preventiva deve partir de certos fatos que são patentes e salta à luz: y y A crise da instituição escolar em nosso país e na sociedade tecnológica em geral. Perversões dos pais: sadismos. REDE PREVENTIVA A REDE é um conceito chave em qualquer programa moderno de prevenção e tratamento. como instrumento de transmissão cultural. Em nosso país. A rede parte de um principio essencial: a complementação e organização dos recursos. Pobreza extrema e riqueza extrema com perversões associadas e freqüentes abandono. O pronunciado declive da função do docente e do prestigio de sua palavra assim como a queda de ideais identificadores tão necessários para um sujeito em crescimento como resultado do deterioro da figura do professor como pai substituto social. pois permite a instrumentação orgânica dos recursos educativos. A educação preventiva deve partir de uma concepção onde a informação sobre o uso indevido de drogas se torna insuficiente e inclusive indutiva em certos alunos. pouca participação docente-aluno. de bairro. sanitários públicos e privados com a finalidade de proteger as populações não afetadas pelo consumo de drogas lícitas e ilícitas e ao mesmo tempo reduzir o consumo nas populações afetadas e brindar-lhes uma ajuda terapêutica estruturado. bem como na gestão sindical. bem como a de sua patologia que se manifestará em diferentes sintomas: falta de motivação docente. institucionais.

O problema se complica mais ainda na escola de ensino Médio onde o nível de abandono é bem maior. Drogas estimulantes de um flash ou drogas narcóticas isolantes. o prestigio que para a criança e o adolescente tem sua mensagem. b. c. A explosão da matricula educativa em algumas áreas geográficas eu não foi acompanhada por um desenvolvimento de infra-estrutura e dos recursos humanos adequados. surge um adolescente pobremente estruturado em suas capacidades afetivas e como representante da realidade. Droga: Os diferentes tipos e efeitos assim como a diferença entre uso.y y y y y A incorporação da comunicação televisiva como meio educativo informativo muito mais penetrante que o discurso escolar ao mesmo tempo. O primeiro módulo capacita ao docente em quatro tópicos fundamentais: o o o Pessoa: Deve-se tomar o desenvolvimento evolutivo normal e patológico. abuso e adição. Contexto: a. e converte a este grupo desertor como de risco psicosocial. Familiar: Deve-se analisar a dinâmica dos círculos de parentes e fraternais em seus aspectos. O problema de abandono escolar no ensino Fundamental é muito grande. sem escola. A informação deve centrar-se em módulos de ação específica com o nível de maior profundeza em cada um deles. Social: neste caso o impacto tecnológico e suas incidências nos seus usos e costumes. A educação preventiva deve passar por diferentes setores: o o o o o O agente preventivo docente O jovem ou criança em crescimento A família da criança A estrutura curricular do ensino A estrutura institucional escolar O agente preventivo necessita capacitação no campo que produz a informação e a sua própria identidade afetiva para conter e orientar um processo educativo. A droga se incorpora a esse mundo irreal. Uma realidade para a qual o sujeito não esta preparado para assumir não tem nem o recursos nem suporte suficiente para sustentarse nela. O paradigma é a fuga da realidade. O nível de abandono escolar em algumas regiões do país que fará que o programa preventivo organize formas de capacitação desta população crítica cativa. Institucional: O homem se realiza num contexto social e legal institucional. . de desencontros e vazio. Dá no mesmo. Quando falham os recursos educativos familiares e institucionais.

A cultura do trabalho tem especificamente no álcool e a droga seu maior inimigo. numa transformação da família e da escola como instituição (melhoria da qualidade de vida institucional). déficit ambientais sociais e econômicos. O segundo módulo deve incorporar aspectos formativos mais específicos sobre o primeiro módulo e capacita ao docente para a criação dos Centros Preventivos Escolares e sua participação efetiva no mesmo. uma população de risco para o consumo de drogas. políticos. a estrutura curricular do ensino e a estrutura institucional escolar jogam um papel onde a capacidade de holding da escola e dos pais se converte no principal elemento preventivo. Isto levará a ações que por um lado promovem o desenvolvimento e a promoção comunitária tanto nos aspectos educativos. A capacitação de agentes. . orientação e tratamento individual e familiar. jovens) se unem dentro do município com o fim de organizar ações preventivas. institucionais. escola. em resumo. Portanto. faltas no trabalho (a media de falta de um trabalhador não adito é de 10 dias por ano. atendendo especialmente às populações de risco e por ouro lado ações assistenciais primarias onde o consumidor de drogas encontre uma equipe médico-psicológico mínima de escuta. Sobre este aspecto. sua família e para a própria vida social. por si mesmo. como sujeito. reconhecimento da criança como pessoa. A família da criança. carências na vida familiar. e a adequação de uma política laboral e assistencial são as metas deste plano preventivo específico. sociedade em geral) onde a utopia se conjugue com a ética do viver. pais. Esta população é. familiares. É a célula política de contenção primaria onde os vários representantes da comunidade (docente. Na REDE REVENTIVA a vida municipal ocupa um lugar preponderante. sua necessidade de ser contido. a escola e a política escolar devem promover ações de cuidado e apoio a aqueles educandos com problemas de atraso na aprendizagem. não anônimo nem inexistente. isto dá lugar aos jovens aposentados por incapacidade. Duplo conhecimento de suas demandas. transtorno de conduta. um projeto preventivo supera o marco da pura informação sobre os efeitos do uso indevido de drogas. O jovem ou criança em crescimento deve ser sustentado por um projeto adulto (pais.o Prevenção escolar: a realização de uma escola participativa com utilização criativa do tempo livre e que supere a simples informação intelectual. ou seja. O projeto preventivo implica. gerando desta maneira um freio a processos de internação que podem ser prejudiciais para o paciente. etc. Um bom sistema preventivo laboral fomenta a detenção precoce do alcoolismo e as adições em geral. enquanto que a de um adito é de quaro vezes mais). Esta utopia ética deve partir de um reconhecimento (um duplo conhecimento) da criança que cresce. numero maior de acidentes de trabalho. religiosos. violência. O plano preventivo deve incorporar à vida laboral como um elemento fundamental. transtornos familiares (principalmente com os filhos). a criação de Centros Preventivos laborais. orientado e limitado.

Comunidades terapêuticas profissionais = Ênfases em certos aspectos terapêuticos (psicoterapias. tornam necessário um cuidado especializado. A rede assistencial deve partir do Centro Preventivo Assistencial que é o primeiro módulo de ação terapêutica. etc. 1.O plano preventivo deve-se acompanhar de uma política nos meios de comunicação social que tende a: o o o o o Limitar o uso de imagens que incitem ao uso de drogas e ao alcoolismo. que devem ter três tipos de modalidades. O problema clínico que o adito tem a fim de eu seja detectado e tratado clinicamente: hepatite. O Centro Preventivo Assistencial incorpora às noções clássicas ligadas às ciências médicas e psicológicas um conceito psicosocial e pedagógico visto que geralmente o consumidor de drogas necessita de um enfoque integral. Fomentar um estilo de vida sadia e baseada em valores de educação para a saúde. Comunidades de Vida = Esta cobre essencialmente as necessidades daqueles pacientes sem possibilidade de reintegração social porque seu estado psicológico esta mui deteriorado ou por escassa contenção familiar. familiares e grupais. falta ou carência desses vínculos. etc. Formar jornalistas especializados sobre o tema. de confrontação de condutas. Romper com a imagem social que se transforma num estereotipo de adito=delinqüente já que isto predispõe a criar a noção de incurabilidade ou impossibilidade de tratamento e de pânico social. neurológicos. transtornos cardíacos. A partir daí a rede tem no Centro de Desintoxicação a unidade seguinte de complexidade assistencial. terapia familiar. de reflexão. quer seja pela ausência. geralmente sua escolaridade e todas as suas aprendizagens sociais e familiares sofreram sérios impactos. Para isso utilizará uma serie de ferramentas operativas como as psicoterapias individuais. sociais e pessoais que o levou ao uso e abuso de drogas. educativos. A Unidade de Desintoxicação também cumpre uma tarefa educativa e de orientação ao paciente para que possa continuar outra fase do tratamento que lhe permita vislumbrar as diferentes crises familiares. Alimentar na população a possibilidade de uma compreensão diferente do fenômeno das adições e de sua cura ou tratamento. Outro nível de complexidade passa estruturação de COMUNIDADES TERAPEUTICAS. Este centro assistencial está voltado para a síndrome de abstinência e o prepara para um sistema de atenção comunitária mais complexo a fim de seu tratamento e posterior reintegração social. etc. que requer um acompanhamento mui particular bem como as mudanças na dieta alimentar e na vida cotidiana. Comunidades Terapêuticas sócio-pedagógicas = Enfatizam o aspecto educativo e de socialização primaria 3. . bem como grupos.) 2. grupos terapêuticos. Atualmente se soma a complicação pelos problemas da incidência do vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

tabaco e medicamentos) é o que apresenta menos problemas. SER OU NÃO SER ESPECÍFICO. associações culturais. fazer-lhes conscientes de como exercem a autoridade ou a liderança. porém que muitas vezes utiliza instrumentos emprestados. é menos conflitante. Pelo contrario. A mesma situação já é menos clara no que concerne ao álcool em nosso país.. que exige que o tema da droga seja abordado juntamente com outras temáticas. falar de suas concepções sobre as drogas e outros temas conflitantes da adolescência. os profissionais aceitam estas demandas sem trabalhá-las. . mas de utilizar os que já existem (política juvenil. Isto pode ser visto claramente no caso da prevenção comunitária. No campo da prevenção somos propensos a dar soluções ou explicações do estado da situação de forma parcial. promoção da saúde. através dos meios de comunicação ou outros meios. outras atuações extras e específicas sobre o tema. educativa e laboral. criando uma situação e fazendo uma análise totalmente centralizada no produto. sem decifrá-las. e isso permite que os diversos programas preventivos que atualmente se realizam com estas drogas. A falta de especificidade da abordagem da prevenção das dependências de drogas se refere especialmente ao enfoque global. é importante que no processo de Prevenção a conscientização do mesmo esteja sempre presente. sua capacidade preventiva não consistirá em acrescentar à sua lista de atividades com os jovens. O caso das drogas legais (álcool. Muitas vezes. podemos dizer que existe um pensamento próprio da prevenção. A atitude das pessoas concernente a elas. cuja função será possibilitar o acesso à vida comunitária através de uma aprendizagem social. Entendemos que não se trata de criar uma rede paralela de atuações na comunidade.). tenha uma eficácia provada.. contribuem mais a criar o problema que a aclará-lo. Pode-se chegar a pensar que o tratamento e o tipo de atenção política que as drogas recebem nos meios de comunicação. tem a tendência de ver o problema das drogas de uma maneira alarmista. porem dentro deste marco geral cabem atuações especificas. Nesta mesma linha de pensamento vemos como a sociedade abertamente reclama programas antidroga. política do tempo livre. O especialista em ciências sociais tende a angustiar-se por não compreender tudo o que ocorre em sua volta e se crer no dever de dar uma resposta.. isso em virtude da imensidade da tarefa e pelas amplas lacunas existentes no conhecimento do tema. sem compará-las o suficiente a luz de nossos conhecimentos. pois suas conotações as diferenciam das ilegais. A sociedade. O que a prevenção faz é dotar às atuações ordinárias das diversas áreas de uma reestruturação ou enriquecimento das tarefas a realizar. estudar como entendem o desenvolvimento do seu meio e sua forma de relacionar-se com o grupo. ainda que cheia de ambivalências. principalmente no caso do tabaco.O último elo da rede assistencial é o Centro de Reintegração social.. como acontece com o crack e a cocaína.Algo similar nos ocorrerá nas outras áreas. onde goza de um amplo prestigio entre jovens e adultos. Apesar de que tudo isso nos fala de Tratamento. como fórmula contro-fóbica de lutar contra os medos despertados entre nós pela presença das drogas.. Se tratarmos com monitores de tempo livre. nosso trabalho com eles consistirá em revisar suas atitudes com os jovens. logo depois do processo de reabilitarão. De certa forma.. porém sem deixar de trabalhar com os instrumentos específicos da área. dotando-as de capacidade preventiva.

etc). mas deve promover encontros. É por isso que a aproximação metodológica poderá variar segundo a infra-estrutura. para não interferir no posicionamento ativo das outras pessoas que intervém. Igreja. e que não são profissionais. ideologia. O profissional deve intervir para utilizar esta posição de saber em que se encontra para. Ao mesmo tempo. há uma tendência de delegar nos profissionais o trabalho de programas as intervenções. levaremos em consideração como o regionalismo e a necessidade de um contato direto com os protagonistas e com toda a dinâmica comunitária. onde um grupo amplo reflexione sobre o que se pode fazer. em definitiva a colocação em marcha e desenvolvimento do programa. podemos ir funcionando mantendo reuniões informais. será conveniente e prático criar um grupo estável que assuma uma série de responsabilidades concretas que permitam a colocação em marcha e assegurem a continuidade do programa. longe de pretender dar uma normativa universal. reformular a demanda. a um plano secundário. de compromisso e de dedicação existente em cada comunidade. pode fazer perder a perspectiva necessária para tratar de conseguir uns objetivos e buscar uma metodologia adequada. que se chegue a um compromisso com a Associação ou responsável administrativos do setor de onde surgiu a demanda. é exatamente nesta variedade onde radica a riqueza e a criatividade das atuações comunitárias. desenvolvimento e continuidade do programa. às vezes tem que passar. gestão e desenvolvimento do programa. propor soluções.METODOLOGIA DA INTERVENÇÃO COMUNITARIA A realização de programas de intervenção comunitária adota uma grande variedade devido às diversidades de enfoques e áreas que conformam uma comunidade. sem cair na armadilha. para poder assegurar a gestão. Em linhas gerais. o profissional ou grupo que leve adiante qualquer programa fará bem em atender o que lhe oferecem as peculiaridades locais. É fundamental analisar e averiguar o que é o que esperam não só do programa. Por isso. não é prioritário sua constituição oficial e é bom esperar até que sua formação se dê de forma natural. Por outro lado. se torna muito mais fácil conseguir o envolvimento de muitos mais setores da comunidade se for possível contar com um apoio político e administrativo. venha de onde venha a demanda (Assistente Social. nossa proposta metodológica pode resumir-se nas seguintes frases: a. O saber técnico do profissional. Porém. b. . Criação do Grupo de Intervenção comunitária ou uma Comissão Municipal: Para a materialização. De todos modos. pelo menos aparentemente. mas também da equipe de profissionais ou técnicos. Associações. e caso seja necessário. explicito e latente. É Comum acontecer que depois de feita a demanda. Detenção e análise da demanda: Supõe valorizar quem é o demandante e quais as parcelas de implicação e continuidade que podem ser asseguradas. Pretendemos. Também se supõe analisar a demanda nos seus dois níveis. de passar a explicar aos outros o que tem que fazer. Enquanto isso. Desta forma será possível formular as respostas adequadas. nível de preparação.

que logo vai ser impossível de realizar e que venha a produzir desanimo. com assessoramento dos profissionais. c. planejará as fases e metodologia para lográ-lo. Clubes esportivos. b. b. dados sócio-demográficos. Entretanto é importante considerar que um grupo muito grande pode ser uma dificuldade para trabalhar. Também é importante que valorizemos a capacidade de ação do grupo. etc. O grupo. em forma de seminários permanentes. Professores e Organizações que existam na área. sempre com o cuidado de não interferir com o papel ativo que esperamos dos demais componentes do grupo. coordenação. Assistente Social. como já dissemos. se distribuirão tarefas e responsabilidades concretas para cada um dos membros do grupo. promover e administrar o programa. principalmente no inicio. o numero de integrantes desta comissão respeitará os critérios da operação do projeto. e através do labor continuo de assessoria. etc) e de dados subjetivos (opiniões dos profissionais da área. Investigação e conhecimento do meio: Uma vez formado o grupo de intervenção comunitária. demandas. O objetivo em médio prazo é conseguir que este grupo progressivamente se encarregue de coordenar. etc. etc.) a. fracassam recursos que estavam previstos e aparecem outras possibilidades que não haviam sido levados em conta. Identificando as necessidades e problemas existentes. através de dados objetivos (indicadores sanitários. inquietudes e preocupações de setores determinados. Associações de Pais de alunos.O ideal seria que esse grupo estivesse formado por representantes das forças vivas da comunidade (Chefes de Setor. quantos. portanto se sintam responsáveis do funcionamento do mesmo. . reorganizará os recursos humanos e materiais existentes. Surgem novos problemas. Em todo momento. A equipe de profissionais se encarregará de dirigir ou dar supervisão na formação técnica necessária deste grupo. funcionamento. Programação: Depois de analisar os dados reunidos na fase anterior. pesquisas epidemiológicas. definirá os objetivos almejados. com assessoria dos profissionais. o grupo formado. Execução do programa: É o momento de tomar contato com a realidade programada. Em definitiva. Identificando os recursos existentes (quais. Igreja. elaborarão um programa de intervenção comunitária especifico para o bairro ou município em questão.). É importante que o grupo sinta que é parte integrante do programa e. médicos. a. esta formação sempre estará vinculada à evolução do grupo. deverá ir solucionando estas questões e também deverá buscar alternativas quando seja necessário. evitando que se sobrecarregue com um excesso de tarefas. Porém. etc.). através de cursos. os profissionais manterão reuniões periódicas com o grupo com a finalidade de pesquisar e estudar a comunidade sobre a qual se vai intervir.

e assim avançar. Para que um programa de prevenção ou de promoção da saúde seja avaliável de uma forma experimental. determinará os objetivos que devem ser avaliados. Centros recreativos Centro de saúde Sindicatos. Já esclarecemos que os agentes preventivos não são apenas os profissionais da prevenção de drogas. em virtude do alto custo econômico e pessoal das avaliações que reúnem as características experimentais. Industrias. É necessário que todos os programas disponham de algum sistema de avaliação ou seguimento que permita saber se a maioria dos objetivos foram alcançados. c. se houve algum efeito contrapreventivos. fundações. O grupo de intervenção comunitária. Lista de recursos comunitários que podem ajudar no trabalho de prevenção comunitária das dependências de drogas e outras em atuações em Promoção de Saúde. Estes profissionais devem tentar converter em protagonistas a maior quantidade possível de indivíduos da comunidade. monitores. pois isto é o que nos permite refletir. como o apoio técnico dos profissionais. Universidade. Partidos Políticos Empresas. Porém. a equipe de profissionais se encarregará da supervisão da formação específica do pessoal necessário para a execução do programa (professores. Famílias. Serviços sociais Organizações ou grupos musicais Grupos Ecológicos Administração da Justiça Centros esportivos Organizações religiosas Meios de comunicação Governo Câmara Municipal Organizações de voluntários Cursos Etc PREVENÇÃO DE RECAIDA (REINCIDENTE) .) Todo este pessoal que se formou será o encarregado de intervir nos programas preventivos de diversas índole que se coloque em marcha. também podemos estabelecer critérios menos ambiciosos. deve ter sido previsto desde o primeiro passo.Mais uma vez. Avaliação do programa. etc. e desenharão as estratégias de avaliação oportunas. voluntários.Passemos a ver alguns exemplos: o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o Escolas. pais. etc. Associações culturais. conhecimento das dificuldades encontradas. sobre o trabalho realizado.

Assim que. muitos pacientes adictos não superarão estas primeiras crises e voltarão. pensamentos e sentimentos depois de um período de abstinência". primeiro. 5. 4. a "pendurar-se" nas drogas. porem com um estilo de vida diferente ao de adito ou usuário. mas como uma falta que pode ser corrigida mediante um exame e mudando os fatores de risco individuais. O desenvolvimento de seus próprios recursos pessoais (intervenção individual). álcool e tabaco aconteciam dentro dos três primeiros . 2. Este período de abstinência pode variar consideravelmente. especialistas como Hunt. substituir uma conduta aditiva por outra poderia considerar-se como um sinal potencial de deslize ou recaída. e depois se dar inicio ao consumo de drogas.Depois que um dependente de drogas conseguiu manter-se abstêmio entre um e três meses. Como o uso diário durante um número especifico de dias. como uma indicação da motivação que se tem. porem. psicológicos e sociais. Como um processo que de forma insidiosa conduz novamente ao consumo.. desafortunadamente. psicológicos e sociais que requerem uma avaliação mais detalhada. Por fim. a recaída nas adições pode manifestar-se de diferentes formas: algumas vezes como o retorno ao estilo de vida antiga. constata que o intento de superação da adição é um processo longo e complexo. necessariamente. mesmo que. Bernett e Branch descobriram que aproximadamente sessenta por cento (60%) das recaídas em adição a heroína. em grande parte. Em alguns casos de observa que muda. A contribuição especifica de cada um destes fatores num individuo certamente dependerá de sua historia de aprendizagem. Recaída ou reincidência se define como qualquer retorno ao comportamento aditivo ou ao estilo de vida anterior. Como um evento discreto que se inicia com a volta ao consumo de drogas. 3. é o consumo esporádico. a recaída implica na interação de fatores biológicos. outras na forma de consumo de drogas substitutas e/ou atividades de jogos de azar e risco ou sexualidade compulsiva. Como uma conseqüência do uso de substancias. oura vez. Litman e outros especialistas no tema. a não ser que ocorra freqüentemente ou desencadeie num retorno prolongado à pauta de conduta aditiva. geralmente. Estes deslizes podem aportar sinais sobre os fatores biológicos. outras vezes. A recaída não deve considerar-se. Como o retorno ao consumo de drogas com a mesma intensidade. sugere que a recaída pode ser considerada de cinco maneiras diferentes: 1. sua predisposição psicológica e seu ambiente. seu funcionamento físico. a característica mais importante consiste em voltar a consumir de forma regular a droga característica de abuso.. Estas manifestações de recaída podem dar-se de forma independente e/ou conjunta. depois de um período inicial de abstinência e de mudanças de estilo de vida (no mínimo entre um e três meses). Num estudo clássico. o estilo de vida. Um retorno breve à conduta aditiva não deve considerar-se como uma recaída. onde logo surgirão as primeiras crises. a pressão social da família (intervenção familiar) e o grupo de dependentes de drogas (intervenção grupal) lhe permitem. poder confrontar e resolver as primeiras crises. Talvez a definição mais operativa do que é uma recaída é a que nos propõe Chiauzi: " Recaída é o restabelecimento de uma conduta aditiva. De uma forma empírica se tem demonstrado que os estudos de acompanhamento realizados com dependentes de drogas põe de manifesto a elevada taxa de recaídas depois de finalizado o tratamento.

com uma aceleração negativa nas taxas de recaída até os 6 meses. No caso de um dependente de drogas. operante e. Esta última fase se caracteriza pela aplicação dos procedimentos de intervenção cognitivo de conduta característicos do modelo de prevenção de recaídas. ou que as respostas necessárias estejam inibidas devido a níveis elevados de medo ou ansiedade.meses de acompanhamento. o tratamento implica na extinção das condutas aditivas aprendidas que voltam a ressurgir durante o acompanhamento. alcançando uma estabilidade dentro de um ano. Assumir o compromisso de que o individuo quer mudar. desenvolvido de forma extensa por Marlatt y Gordon nos anos 80 no manual intitulado Relapse Prevention. é possível que o processo que o levou a voltar a consumir se caracterize pela ausência de respostas de afrontamento. Estes aspectos vão diminuindo bastante o nível de auto. Assim que. e 3. que se baseiam em sua história previa do uso das drogas. mas que também é a que se caracteriza por um numero maior de crises. Ou seja. As expectativas desempenham um papel central no modelo de prevenção de recaídas. Manter a mudança alcançada. ao mesmo tempo em que descarta os efeitos negativos a longo prazo. o processo de mudança ocorre em três fases: 1. se na hora de enfrentar uma situação de alto risco for capaz de manejá-la com eficiência. bem como as expectativas de resultado de manejar com êxito uma próxima situação que implique dificuldade. Assim que. considera as adições como um hábito adquirido que pode eliminar-se e/ou modificar-se aplicando os princípios de aprendizagem (aprendizagem clássica. dão lugar a uma recaída completa. sentimentos ou condutas que. Também é possível que a situação não seja percebida como de alto risco. O modelo de prevenção de recaídas. se produz um aumento da auto-eficácia pessoal e diminui a possibilidade de recaída. Para estes profissionais. ou que o processo de mudança tenha ido se deteriorando de forma gradual. Podemos dizer que uma recaída pode ter inicio com a tomada de uma decisão aparentemente irrelevante (TDAI).suficiência do adito em diferentes situações de alto risco. Segundo este modelo. materializando-se inicialmente num simples deslize. Levar a cabo a mudança. MARCO TEÓRICO DA PREVENÇÃO DE RECAÍDAS Marlatt define a prevenção de recaídas como Um programa de autocontrole desenhado com a finalidade de ajudar aos indivíduos a antecipar e a enfrentar os problemas de recaída na mudança das condutas aditivas. No caso de que um individuo em tratamento tenha uma recaída. 2. quando um paciente adota . fundamentalmente. estes dados representam o processo de extinção que tem lugar à medida que a nova aprendizagem começa a decair ao longo do tempo. Nossa concepção de prevenção de recaída consiste em manter e melhorar o processo terapêutico alcançado nas duas primeiras fases. uma recaída pode começar na forma de pensamentos. aprendizagem social). e não é só o mais longo e mais difícil. A recuperação se considera como uma tarefa de aprendizagem onde o adito assume um papel ativo e responsável para alcançar o autocontrole. A recaída é mais provável se o dependente antecipa alguns efeitos positivos para o consumo da substancia.

se o individuo permanece na situação de alto risco por um período de tempo mais longo. e como se seus pensamentos e sentimentos o estivessem colocando uma espécie de armadilha nessa situação. o impulso de continuar consumindo o supera. no caso de não se fazer nada. ao mesmo tempo. vai começar a raciocinar o dilema de voltar a consumir depois de 5 meses com os seguintes pensamentos: "por tentar uma única vez não vai acontecer nada". desde que analise a situação de forma racional e dê uma resposta adequada de afrontamento. Uma vez que tenha consumido a primeira dose. Ao passar de uma decisão aparentemente irrelevante a ver-se numa situação de alto risco. está incrementando sua vulnerabilidade à recaída. Estas mudanças o colocam no próximo passo no seu processo de recaída. Este efeito tem alguns elementos cognitivos como a geração de uma dissonância cognitiva e de uma auto-imagem negativa. Ao passar por esse novo lugar pensa no "aviãozinho" que lhe vendia e onde costumava consumir. ao voltar do trabalho muda seu caminho habitual e decide passar por um dos lugares onde comprava droga e consumia quando era um dependente de droga. Se for assim. experimenta pensamentos débeis sobre os efeitos prazerosos do consumo ao mesmo tempo em que nota como a palma de suas mãos começa a suar e o coração bate mais rápido. como seja. o colocou diante de uma situação de alto risco (que são situações de natureza intrapessoal e interpessoal que torna mais provável que um individuo em tratamento volta a consumir). um individuo que já leva 5 meses em tratamento e em abstinência. a escolha de um novo caminho é uma TDAI. como o desejo reforçado por voltar a consumir. o mais provável é que oculte e negue o acontecido. Porém. sentir que tem cada vez um controle menor sobre sua conduta. Além disso. com muita energia e vitalidade. um dia. o individuo vai consumir cocaína. Se a partir dai não se produz uma intervenção. e comece a consumir de forma contínua. bem como a atribuição de uma incapacidade pessoal para superar a dependência da adição. ainda está em tempo de corrigi-la se é consciente do que lhe está sucedendo e adota uma resposta de afrontamento. o de esperar obter uns efeitos positivos com o consumo e. Esta decisão. quer seja por iniciativa do próprio paciente ou pedindo ajuda a seu terapeuta. Neste momento reconhece o risco e a iminência da recaída. E mais. voltando a tomar o caminho habitual. sem ser consciente do que está fazendo. Neste caso esta se produzindo o que Marlatt definiu como o "Efeito de Violação da Abstinência". se produziu uma mudança ambiental considerável no processo de recaída. Também começa a antecipar os efeitos positivos da substancia e pensa que se volta a cheirar de novo vai se sentir muito bem.uma decisão desta classe. Por exemplo. também vai aprender que a iminência da recaída pode ser modificada. Aqui também acaba de produzir uma grande mudança. Também tem outros aspectos. Pensa que já não tem controle sobre sua conduta. sem ser consciente. neste caso. o O primeiro componente é a dissonância cognitiva que gera o voltar . o desejo de consumir é cada vez mais intenso. no caso de ser descoberto. "me sentirei melhor comigo mesmo se não cedo à tentação". vai notar um sentido geral de auto-suficiência que faz com que o tratamento que está realizando seja mais eficaz ainda. Entretanto. Neste caso.

o tom da voz. Geralmente. A. o sujeito. Neste sentido. desenvolvendo um plano específico de atuação. pode estar sendo levado por um reforço negativo (consumir para evitar estados emocionais negativos). Uma vez que a recaída tenha acontecido. evitando assumir responsabilidades pelo fato acontecido e. atribua a causa da mesma à falta de força de vontade ou â fraqueza pessoal. Também é possível que o individuo tente reduzir a dissonância associada com o primeiro deslize alterando de forma cognitiva a nova auto-imagem (abstinente) para colocá-la em consonância com a nova conduta (consumir de novo). se o deslize for considerado como uma falha pessoal. a técnica mais importante para abordar um deslize ou uma recaída é a confrontação. Este conflito interno tem um caráter motivador e faz que se empreendam condutas (ou cognições) que eliminem ou reduzam a reação de dissonância.a consumir. etc. . numa intenção por reduzir os sentimentos de culpabilidade. a olhada.. Na confrontação a presença da família é importante. Estes três componentes se combinam para completar uma recaída completa. A reação inicial do paciente costuma ser a negação ou o encobrimento. Quer dizer que. B. falta de objetos na casa. caso continue consumindo. atribuirá seu fracasso a causas internas ou pessoais. A terapia de grupo está orientada à solução de problemas e à realização de tarefas para lograr a abstinência e a mudança do estilo de vida do dependente. a expectativa do individuo de que vai continuar fracassando seguirá aumentando. costuma atribuí-lo à causas externas. Segundo este ponto de vista. para que possa aportar informação objetiva sobre os fatos que puderam ter dado lugar à recaída. o O segundo componente é o efeito de auto-atribuição mediante o qual o sujeito atribui a causa da recaída ao fracasso pessoal ou a suas fraquezas pessoais. e isto faz com que possa confrontar com mais facilidade a negação e argumentação daqueles que caíram. GRUPAL E FAMILIAR Na terapia individual os procedimentos de avaliação e de intervenção se ajustam às necessidades de cada paciente. Prevenção de recaída em terapia de grupo. Nesta seqüência existem muitos pontos de intervenção. mesmo depois de reconhecer o deslize ou a recaída. DESENVOLVIMENTO DA PREVENÇÃO DE RECAÍDAS NO CONTEXTO DA TERAPIA INDIVIDUAL. o O terceiro componente é o desejo reforçado pela volta ao consumo. alguns pacientes no grupo de dependentes de drogas assimilaram interiormente mais que outros o processo pessoal de deixar a droga. Prevenção de recaída em terapia individual . O sujeito experimenta a dissonância resultante em forma de conflito ou culpabilidade pelo que acaba de fazer. por ex. descobrindo mudanças que acontecem na forma de comportar-se como. atitudes e motivos quando observa sua própria conduta. Freqüentemente as pessoas fazem conclusões sobre seus próprios traços de personalidade. O papel fundamental da família também consiste em antecipar o aparecimento de deslizes e recaídas. Na terapia de grupo se analisam as situações e as condutas de cada um de seus membros de maneira que o deslize ou recaída de cada um deles pode servir para antecipar-se à dos demais. É possível que em vez de considerar a recaída como uma simples resposta circunstancial.

Ao mesmo tempo. tipo de droga consumida e a quantidade. O objetivo consiste em ensinar aos pais. etc. c) cada vez que aconteça um consumo da principal droga de abuso e/ou outras relacionadas. perda do emprego. Para obter estas informações. Uma das formas de procedimento é a seguinte: a) se pede a cada individuo que faça um registro cada vez que tenha um forte desejo de consumir. a recaída acontece por uma serie de acontecimentos vitais que tem lugar na vida do paciente (por ex. serve para reafirmar o processo terapêutico daqueles que servem de modelo para os demais. a distinguir sinais que antecedem uma recaída e quais as condutas que são características da preparação e incubação da mesma. b) se o paciente tiver dificuldade para fazer o registro (por ex. C.: separação. a avaliação das circunstancias de alto risco implica realizar uma mostra suficientemente ampla de situações susceptíveis de desencadear um deslize ou uma recaída al longo do processo de recuperação terapêutica. em grupo. podendo. Prevenção de recaída em terapia familiar Geralmente. e d) análise da história previa de recaída. conforme as situações. adaptar o treinamento em estratégias de afrontamento. AVALIAÇÃO DA PREVENÇÃO DE RECAIDA 1. analisa-se a situação que o motivou. especificando se havia outras pessoas presentes e se estas escavam consumindo. no caso de um nível educativo muito baixo).). não tem tanta facilidade em distinguir os sinais que levam um individuo a cometer deslizes ocasionais e a recair. A identificação de situação de alto risco pode realizar-se a partir do momento em que o paciente tenha um mês de abstinência. O resumo. se pede ao paciente que responda as seguintes perguntas: o o o Qual o principal motivo que o levou a voltar a usar droga Mencionar quais os pensamentos e os sentimentos que tinha nesse momento e que desencadearam a necessidade ou o desejo de voltar a consumir. Se recomendam levar em consideração estes . A avaliação destas situações pode ser feita preenchendo um registro sobre o dia e hora em que ocorre cada episódio de consumo de droga. Para o modelo de prevenção de recaídas é fundamental a identificação das situações de alto risco.. Descrever qualquer circunstância ou conjunto de situações que te sucederam e que desencadearam a necessidade e/ou o desejo de consumir. mesmo que este seja mínimo. os pais com filhos dependentes de droga. Em muitos casos. Uma análise pelo profissional permite determinar a natureza das situações de alto risco e sua evolução ao longo do tratamento. o terapeuta durante as sessões de terapia individual realiza uma pesquisa sobre possíveis situações de alto risco que tenha acontecido ao longo da semana e vai anotando numa lista sobre "situações de alto risco". Avaliação das situações de alto risco. segundo as características deste tipo de circunstancias. circunstancia em eu aconteceu.

geralmente durante os dois primeiros meses de abstinência. mudar as relações interpessoais é um objetivo terapêutico prioritário. Atividades de ócio com consumidores de drogas conhecidos. sentimento negativo ou. e o mais provável é que inicialmente se produza um deslize e. Nas situações onde o paciente movimente suficiente dinheiro como para adquirir droga para consumo. é muito provável que com o passar do tempo volte a cair.: a) Atitudes negativas. grupal. Existe também uma serie de pensamentos e atitudes negativas que dão lugar à recaída. Uma vez que um dependente de droga que tem uma historia crônica de abuso de drogas deixa de consumir. Consumo de outras drogas. O consumo habitual de álcool e tabaco. neste período encontra difícil admitir que as dificuldades vão surgir novamente. Fatores de risco e sinais de aviso. inclusive. Por exemplo: Comportar-se como um individuo que não consome drogas e pensar como um dependente de droga. certamente seu nível de desejo aumenta de forma considerável. Geralmente um adito necessita que passe muitos meses antes de que possa movimentá-lo sem necessidade de pensar na droga. a recaída e o abandono do tratamento será uma questão de tempo. Se uma pessoa passa por um lugar de venda de droga e tem dinheiro suficiente como para adquiri-la. mais fácil será adotar as medidas terapêuticas apropriadas e interromper a cadeia de eventos que certamente dão lugar a uma recaída. mentir e enganar para obter o dinheiro) desapareceram. f. uma recaída. Pautas de pensamento e atitudes de recaída. Esta conduta de buscar alternativa dos efeitos da droga deve confrontar-se nas diferentes modalidades de tratamento que se propõe (terapia individual. 2. é muito provável que as características da adição se mantenham inalteradas. Nesta espécie de "lua de mel". Neste caso. Os fatores de risco e sinais de aviso aparecem sempre antes que o paciente recaia. assim como de outros fármaco psicoativos. e. prevenção de recaída e terapia familiar).determinantes como possíveis fatores desencadeantes de uma recaída durante o tratamento ou no acompanhamento. determina outros fatores de risco mais importantes. Movimento de dinheiro. a possibilidade de recair. substituindo a droga de abuso por outras até alcançar efeitos similares. O adito pode manter a abstinência durante um mês ou mais. caso não haja uma intervenção. Em Prevenção de recaídas é muito importante observar algumas situações de alto risco característico dos indivíduos em tratamento. porém se suas relações interpessoais se dá com habituais consumidores de drogas . Neste caso. Uma vez que todos os problemas relacionados com a obtenção da droga (roubar.Quanto mais cedo forem detectados e colocados de manifesto. experimenta uma serie de conseqüências positivas antes de que os problemas e o estresse da vida diária o afetem em cheio. Vejamos alguns: d. Enquanto o paciente procure a sensação de "estar situado". o individuo nega a existência de qualquer problema. o pensamento aditivo representa uma .

"Vejo que minha recuperação é muito lenta". "Manter a abstinência durante estes 3 meses não tem sido tão fácil como eu pensava". mesmo que não consuma drogas. depressão. frustrados pela lentidão do programa de recuperação recai com facilidade". de certa forma. Quando um adito está neste estado pode crer que. o o o Ter dúvidas sobre o processo de recuperação. de forma seletiva. A situação de recaída aumenta se o paciente continua idealizando os efeitos que a droga lhe produzia e. Vejamos uma série de atitudes e pensamentos relativos com este aspecto. Sentimentos crônicos não resolvidos de tédio. Se um paciente se caracteriza por esta atitude. Os pacientes que consideram que a vida não tem sentido para eles costumam recusar qualquer tipo de apoio e/ou conselho. Esta atitude se caracteriza por uma série de expectativas relacionadas com a recuperação terapêutica no dia a dia. Esta atitude gera um ambiente favorável para a recaída. ou num estado de ânimo positivo um pouco exagerado. ira. solidão. Como controlar tudo isso. sente e atua de forma aditiva. e. Impaciência. gera um falso sentimento de segurança sobre o processo de recuperação. Compaixão de si mesmo. o paciente costuma responder: "Este não é meu caso". "Este tipo de pacientes que se sentem. ignorando os seus. tristeza. é fácil controlar um consumo esporádico sem necessariamente de perder o controle. é possível que ainda continue submergido no mundo da dependência de droga. só se lembra dos agradáveis (este efeito também se conhece como "lembrança eufórica"). Está comprovado que no caso de consumidores de cocaína que não tinham relações sexuais sem usar drogas durante um período muito longo. Problemas sexuais e de relações. para ele. Manter uma atitude negativa e de insatisfação crônica. "Por que eu tenho que ter este problema?". Estado de animo positivos. Deixar de consumir produz um vazio no individuo que dá lugar a sentimentos contraditórios e a uma alteração do estado de animo. deve ser motivo de abordagem no programa de intervenção individual ou grupal.continuação do estilo de vida de dependência de droga. Idealizar o efeito da droga "estar situado". ejaculação . "Creio que já superei o problema que eu tinha com a cocaína". Não só os sentimentos e estados de animo negativos desencadeiam a recaída. Sentimentos e estado de animo negativos . bem como lembranças traumáticas. "A partir de agora eu já posso controlar-me". que podem dar lugar a uma impotência transitória. infelicidade. ansiedade e culpa. 3. o paciente pensa. e o único que lhes produz satisfação é criticar as falhas e defeitos dos outros. "Não seria melhor que eu me esquecesse do problema das drogas e fizesse minha vida de forma normal"?. são precursores da recaída. 2. Os problemas sexuais não resolvidos podem ser um fator que contribua para as recaídas. ou seja. "Tudo me sai errado". 1. A possibilidade de que tente mudar é muito pequena e está sempre na iminência da recaída. 3. mas também o sentir-se muito bem. costumam ter reações de medo e de ansiedade. Quando esse tema é tratado na terapia.

o terapeuta tem que realizar uma avaliação contínua dos seguintes aspectos:     Estado anímico negativo (depressão. etc. mudança no estilo de vida. O terapeuta deve registrar todas estas possíveis variáveis à medida que vão aparecendo e desenhar estratégias de atuação adequadas para prevenir possíveis deslizes ou uma recaída completa. culpabilidade. Diz respeito a mudanças importantes.). o mais provável é que volte a cair. por experiências passadas. Assim que. perda do trabalho. o círculo familiar ou de amigos facilita a recaída do paciente ao relaxar as normas de convivência e ignorar os possíveis sinais de recaída que tem lugar na conduta do adito. mas que existem com anterioridade ao mesmo. ao longo do programa de intervenção na conduta. Por exemplo. insatisfação. Caso estes problemas não sejam tratados. ira. solidão.) Outros fatores de alto risco (acontecimentos vitais importantes. Permissividade familiar. perder uma relação íntima significativa. etc. por exemplo. o estado de animo do paciente e sua forma de comportar-se. Se o individuo sabe. CONCLUSÃO. morte de um ser querido. sonhos. frustração. uma promoção no trabalho que implique mais responsabilidades. é possível que alterem a forma de pensar.). que sempre que ocorre uma recaída os demais o apoiarão sem aplicar nenhum tipo de sanção. o inicio de uma nova relação. de naturezas negativas e inesperadas. que desencadeiam uma reação de estresses exagerada e costuma dar lugar a uma recaída. Atitudes. Eventos vitais. Em resumo. pensamentos e sentimentos que desencadeiam uma recaída (desejo de consumir. d. Neste caso.precoce ou um fracasso em chagar ao orgasmo. transtornos mentais. Também pode ser de natureza positiva como. confiança excessiva. f. e. Condutas de recaída (tomar decisões precipitadas. No caso de um individuo adito à heroína ou à cocaína pode coexistir mais de um transtorno mental. etc. cansaço). para prevenir a recaída é importante que estes indivíduos aprendam a desfrutar os sentimentos relacionados com a sexualidade e a intimidade sem necessidade de consumir drogas. tédio. não é difícil que se encontre transtorno de ansiedade e de animo que não são apenas conseqüências do problema aditivo. problemas econômicos. nascimento de um filho. Em muitos casos. impaciência. A estratégia geral da prevenção de recaídas consiste em ajudar aos . Presença de outros transtornos mentais. Outros fatores de alto risco Existem umas séries de fatores que afetam os pacientes que estão num programa de tratamento e é necessário analisar para prevenir possíveis recaídas. desejo de colocar-se à prova. as conseqüências da influência destes fatores costuma ser uma recaída.

porém nunca desaparece por completo. familiar. Ao longo dos anos de recuperação. Não se deve nunca perder de vista a possibilidade de recaída que tem estes indivíduos. a conseguir uma aceitação interior do problema que lhes afeta e de suas implicações em diferentes níveis (pessoal. Como indica alguns autores. etc.casadia. independente dos procedimentos de avaliação e intervenção em prevenção de recaídas se mantém o objetivo de alcançar uma mudança significativa no estilo de vida.br/scielo.htm.starmedia. facilita a abertura e a possibilidade de utilizar as estratégias da prevenção de recaída com a finalidade de alcançar um maior compromisso por manter a abstinência e logros terapêuticos. acedido em 23 de Maio de 2011 as 18h04. No fundo.com/~uhp/consequencia.htm.dependentes de drogas em situação de crise a ir mais além de um simples raciocínio intelectual de recaída. http://www. Referencias bibliográficas http://adroga. acedida em 23 de Maio de 2011 as 17h50. nos valores. nas atitudes. não importa quanto tempo tenham estado em abstinência. quão motivados estejam e quão estáveis parece ser seu processo de recuperação. e como afrontar e solucionar os problemas no seu dia a dia. pelo paciente. a vulnerabilidade à recaída diminui de forma gradual. http://orbita. na forma de pensar em si mesmo e no mundo.). cujo êxito na sua execução pode ser determinante para que as estratégias de avaliação e de intervenção cheguem a incidir no processo de recuperação de cada paciente. circular ou em espiral. e sim é fragmentado.scielo. acedida em 23 de Maio de 2011 as 18h00.org/codependencia/codependencia_tratamento_familia_dependencia. a recuperação terapêutica de um dependente de drogas quase nunca segue um processo linear. . produzindo mudanças duradouras e estáveis em seu processo de abstinência e de mudança de estilo de vida.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600009. A aceitação dos deslizes ou recaídas. interpessoal. Esta é uma tarefa difícil.

http://br.monografias.com/trabalhos/drogas-prevencao/drogas-prevencao.shtml. acedido em 23 de Maio de 2011 .

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