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06/15/2011

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Sistema Bimetálico X Padrão Ouro (1870 – 1913

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Frederico Matias Bacic Introdução: Este trabalho ambiciona descrever e comparar as principais características do sistema bimetálico e do padrão-ouro (1870-1914). Para isso, contamos com pelo menos duas interpretações. Por fim, discutirei qual sistema é mais estável. Para um melhor entendimento, divimos o trabalho em três partes. A primeira tem por objetivo apresentar as características mais importantes do bimetalismo e suas dificuldades em se manter como o padrão do sistema monetário. Já na segunda parte destacamos as características do Padrão Ouro e seus mecanismos de ajuste. Por fim, comparamos as teorias, anteriormente expostas por Eichengreen com as conclusões de Triffin a respeito do padrão-ouro. Veremos que Eichengreen ira dizer que o padrão ouro era estável. No entanto, Trifin argumentava que este sistema somente alcançava a estabilidade em nações já desenvolvidas (centro) e não nos países em desenvolvimento (periferia). Isso contradiz a tese de Eichengreen, na qual afirma que a estabilidade era alcançada através do mecanismo de ajuste automático de Humme. Eichengreen também defendia que a taxa de redesconto controlava o fluxo de ouro, ou seja, através da taxa de redesconto o Banco da Inglaterra controlava a estabilidade do sistema. A conclusão final que chegaremos é que o padrão-ouro era instável, mas a Inglaterra mantinha a sensação de estabilidade devido a sua importância no cenário mundial. Com a mudança no cenário e a queda da hegemonia inglesa o sistema acaba se ruindo, consequência direta do início da Primeira Guerra Mundial. O padrão mundial durou de 1870 a 1914, contudo sua estabilidade foi uma mera sensação.

Sistema Bimetálico Segundo Eichengreen, no início do século XIX, somente a Grã-Bretanha havia adotado plenamente o padrão ouro. Os países que haviam adotado os padrões

Dessa forma. simplificava o comércio. de outro. Entretanto. uma vez que havia vantagens na manutenção dos arranjos monetários internacionais adotados por outros países. de um lado. ser possível cunhar moedas em um ou outro metal a uma taxa de câmbio fixa operava no sentido de dar sustentação à circulação simultânea tanto do ouro como da prata. permitia não apenas recuperar o investimento como também obter uma quantia adicional de prata (ou ouro). pois os governos cobravam uma comissão nominal (brassage) para cunhar moedas a partir de lingotes de ouro. Ademais. além de que havia custos de transporte e de seguros. o autor afirma que não era fácil manter a circulação simultânea de moedas de ouro e de prata. Entretanto. Portanto. no qual o dinheiro ruim (no exemplo. o bimetalismo foi mantido por 2/3 do século XIX devida a externalidades em rede. como a França. um padrão monetário comum facilitava a tomada de empréstimos no exterior. o padrão prata. Desse modo. a arbitragem levava tempo para ser concluída. o padrão ouro e. Eichengreen afirma que com a disseminação da Revolução Industrial. Ou seja. a operação do sistema bimetálico francês reduziria o suprimento de prata disponível para o resto do mundo e aumentaria os estoques de ouro.bimetálicos faziam o papel de ligação entre os blocos de nações que praticavam. o que por sua vez levaria o sistema a instabilidade. mantendo a circulação de ambos na França. prata) expulsa o dinheiro bom (ouro). os especuladores importariam prata e exportariam ouro até que todas as moedas de ouro no país tivessem sido exportadas. era necessário que a diferença entre as proporções de mercado e de cunhagem fosse superior a esse custo para que a arbitragem fosse lucrativa. Ao absorver prata e liberar ouro. a prata seria importada para a França para ser cunhada e o ouro seria exportado. Se a oferta mundial de prata crescesse e seu preço relativo caísse. uma vez que se ocorresse uma alta no preço internacional do ouro em relação à prata (ou vice-versa). Ou seja. Dando margem ao equilíbrio. O fato de em alguns países. geraria incentivos à arbitragem. a circulação simultânea de moedas de ouro e de prata não era ameaçada por pequenos desvios entre as proporções de mercado e de cunhagem. Visto que. minimizava a confusão provocada pela circulação interna de moedas cunhadas em países vizinhos e facilitava as transações correntes. que teve como conseqüência a industrialização da Inglaterra e transformou-a . Entretanto. Esse movimento é descrito pela Lei de Gresham. A parcela de moedas de prata em circulação na França cresceria.

a Inglaterra encabeçava a lista dos principais países. devido ao grande fluxo de ouro e libra. Adotando a premissa que só havia a circulação de moedas de ouro num ambiente no qual o papel dos bancos centrais era nulo. que segundo o modelo deveriam existir. . Por volta de 1870. Assim como no sistema bimetálico. mas na realidade não existiam. Vale ressaltar que esse modelo apresentava duas falhas: não levava em consideração os fluxos de capitais internacionais e as remessas internacionais de ouro. Logo o equilíbrio comercial seria atingido. dessa forma. diminuiria a quantidade de moeda em circulação. Entre os países que passam a adotar o padrão ouro estão a França. a adoção do Padrão Ouro pela Inglaterra e depois pela Alemanha em 1871 gerou uma reação em cadeia por parte das outras nações que tinham o interesse em manter relações comerciais e financeiras com estes países. o efeito conhecido como externalidades em rede foi o responsável pela disseminação de um padrão baseado em taxas de câmbio fixas. a Alemanha e os EUA. Em conseqüência geraria a queda dos preços dos produtos domésticos e. estas representavam apenas 38% das reservas de ouro. cuja atuação se dava no sentido de acelerar o processo de ajuste obtendo o equilíbrio sem que haja saída de ouro. o modelo mais simples que ilustra o mecanismo do Padrão Ouro é o modelo de fluxo de moedas metálicas de David Humme. o governo tinha um compromisso de manter a paridade da moeda estável. sofrendo perda de ouro. no qual pressupunha a prioridade dos governos em conservar a conversibilidade da moeda em ouro (a partir de taxas de câmbio fixas). no qual sua existência passou a ser comprometida. por sua influência nos grandes centros comerciais e financeiros. É nesse aspecto que se dá a influência dos bancos centrais. e com a rivalidade internacional que culminou com a Guerra Franco – Prussiana. o modelo era o seguinte: um país com déficit comercial.na grande potência econômica mundial e de onde provinham os financiamentos. Desse modo. Primeiro Período do Padrão Ouro (1870 – 1913) Segundo Eichengreen. foram os responsáveis pelos abalos crescentes de tensões no sistema bimetálico. A manipulação do crédito e conseqüentemente das saídas de ouro eram feitas a partir da taxa de redesconto (juros cobrados junto aos bancos mediante o adiantamento do dinheiro por parte do banco central). Desse modo. e “obrigava” a adoção do padrão-ouro. uma vantagem competitiva que aumentaria as exportações desses produtos.

possuía déficit com a Grã – Bretanha e superávit com o resto do mundo. Desse modo. uma vez que facilitaram as exportações de matérias – primas e alimentos para os ingleses. forneciam estabilidade ao Padrão Ouro. tendo como finalidade preservar a harmonização das políticas a qual era essencial. em outras palavras. A Inglaterra tem um papel de destaque no funcionamento desse sistema. os EUA podem ser considerados como os grandes desestabilizadores do sistema. seu sistema bancário era completamente descentralizado e pouco organizado – inexistência de um Banco Central – sendo assim. Ademais. uma vez que todo ouro encontrado em suas minas eram comercializados na Inglaterra. eram os “protetores” da taxa de desconto). O Banco da Inglaterra era o banco central mais influente na época. Além disso. Segundo o autor. O sistema financeiro francês possuía uma liquidez maior que o sistema inglês. os países deveriam agir conforme as “regras do jogo”. maior seria a taxa de juros de capitais que visavam remunerações no curto prazo.A taxa de redesconto tinha influência direta nas taxas de juros. esse é outro ponto de grande importância no funcionamento do Padrão Ouro: a importância se dá no sentido de que o fluxo de capitais se dava de forma estabilizadora. Esses empréstimos faziam com que o ouro fluísse da França para a Inglaterra e isso foi possível graças aos Rothschild (intermediários entre a prata e o ouro. havia uma valorização automática da taxa de câmbio. o fluxo de dinheiro em direção aos EUA deveria ser compensado . Uma vez que. e tornaram-se os maiores exportadores agrícolas e produtores industriais do mundo. assim quanto maior a taxa de redesconto. o dinheiro provindo das exportações ficava dissipado pelo sistema e retido dentro do país. entretanto isso não era um problema. pois o sistema gozava de grande credibilidade garantindo que no longo prazo todas as regras seriam respeitadas. Outro papel importante desempenhado pelo Banco da Inglaterra era sua posição de emprestador de última instância. denominada de jóia da coroa britânica. permitindo ao segundo adquirir empréstimos junto ao primeiro. A Índia. Já a África do Sul contribuiu para dar estabilidade ao sistema. Eichengreen afirma que a França. Os EUA passaram por um período de grande expansão no fim do século XIX. Era a maior economia credora do mundo e a libra era a moeda chave para as transações internacionais. por sua vez. assim como a Índia e a África do Sul. Em contraposição a estes países. pois determinava e conduzia a taxa de redesconto que os demais bancos centrais deveriam seguir.

uma vez que será compensado pela transferência de capital do país superavitário. Triffin. e não uma divergência. O autor argumenta também que o mercado de descontos de Londres financiava as exportações dos países menos desenvolvidos. gerando problemas para as contas inglesas. haverá um ajustamento no Balanço de Pagamentos no país deficitário. tem como principal critica o mecanismo de ajuste automático de Humme (equilíbrio no Balanço de Pagamentos). a qual era “emprestador em última instância”. o paralelismo entre as variáveis preço. Desse modo. tem – se um mecanismo automático. ao criticar o mecanismo de Humme. a aparição de um déficit comercial acontece quando há mais importações e menos exportações do país deficitário para o superavitário. e também de como aconteceu o sucesso da manutenção da conversibilidade da moeda (estabilização do câmbio). Para provar seus argumentos. Mas os países que possuíam déficit e se financiavam com a conta capital. que causava estabilidade nos países centrais e instabilidade nos países periféricos. o qual se dá pelo ajuste deflacionário. Partindo de um equilíbrio no Balanço de Pagamentos. o que levava ao ajuste no Balanço de Pagamentos. argumenta que outros fatos mais complexos devem ser levados em consideração para explicar o ajuste do Balanço de Pagamentos e que isso não acontece automaticamente. este mecanismo automático funcionava somente nos países mais desenvolvidos (centro) e não nos países em desenvolvimento (periferia). podendo assim haver déficits em conta corrente que não necessariamente iriam se ajustar automaticamente. Entretanto. Para Triffin. Triffin. eram instáveis. Triffin observa através de dados que há um paralelismo na variação entre as importações e exportações e dos preços dos países deficitários e superavitários.pela Inglaterra. através do aumento da conta capital. importação e exportação entre os países não é válida para todos eles. Portanto. Desse modo. Desta forma. esse déficit se não neutralizado pela economia nacional. . por sua vez. leva a uma redução dos preços e salários do país deficitário e um aumento dos mesmos no país superavitário. pois havia um influxo de capitais nas épocas de prosperidade e saída de capitais nas épocas difíceis. Os livres movimentos de capitais também ajudaram a balançar o equilíbrio. o autor reinterpreta este mecanismo através da mudança na configuração cíclica dos movimentos de capitais.

por não dar conta completa dos fatores complexos do crescimento econômico. estas mudanças contribuíram para a manutenção de taxas altas e expansão monetária. com a colaboração dos bancos centrais em manter essa paridade. e pela flexibilidade e rápida adaptação das instituições bancárias e monetárias. os preços não eram estáveis. depois das considerações acima expostas. que entre o bimetalismo e o padrão-ouro . fora o fato de existirem mecanismos de ajustamento do sistema. uma vez que não abre margem alguma para a arbitragem. A expansão de crédito pelo Banco Central foi limitada devido aos déficits e perda de ouro para o exterior. pois a emissão de papel – moeda era feita internamente. o Padrão Ouro era um desestabilizador do sistema monetário internacional. A estabilidade do câmbio decorrente dos aumentos de papel – moeda nesta época pode ser explicada pela harmonização das taxas nacionais de expansão monetária e creditícia. Considerações finais Concluo. Já em relação à conversibilidade. Porém. Em suma. mas também pela perda de ouro internamente causada pela transferência para os bancos comerciais. Segundo Cassel. para Triffin. o ajuste se dava ex ante e não ex post. contando ainda para isso (manutenção da taxa de câmbio). De início. Mas Triffin argumenta que este paralelismo entre preço e descoberta de ouro era falho. Portanto. a evolução lenta do sistema monetária internacional aos requisitos de crescimento econômico foi brutalmente interrompida pela Primeira Guerra Mundial. portanto. uma vez que só era estável nos países centrais e não nos países periféricos. “Muitas vezes credita-se o Padrão Ouro como tendo conciliado em grau sem precedentes a estabilidade de preços com uma alta taxa de crescimento econômica no decorrer do século XIX”.O processo de ajustamento não tinha como objetivo o equilíbrio do Balanço de Pagamentos. os preços seguiam a descoberta de novas minas de ouro e. pois os déficits ou superávits grandes eram compensados pela conta capital e havia também a política monetária e de crédito dos bancos centrais que preservava a taxa de câmbio fixa do Padrão Ouro. os bancos precisavam ter altas reservas de ouro para mantê-la e poderem ser negociadas com o exterior. já que o câmbio era fixo. como: a taxa .este último e o que apresenta mais estabilidade.

contudo sua estabilidade foi uma mera sensação. o Padrão Ouro era um desestabilizador do sistema monetário internacional. O padrão mundial durou de 1870 a 1914. consequência direta do início da Primeira Guerra Mundial. mas a Inglaterra mantinha a sensação de estabilidade devido a sua importância no cenário mundial. uma vez que só era estável nos países centrais e não nos países periféricos. esta conclusão. . A conclusão final que chegamo é que o padrão-ouro era instável. Entretanto.de redesconto e o mecanismo de ajuste automático de Humme. ou seja. Com a mudança no cenário e a queda da hegemonia inglesa o sistema acaba se ruindo. era limitada as nações já desenvolvidas (centro) e não aos países em desenvolvimento (periferia). como observamos em Triffin.

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