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Dolo No Direito Civil (1)

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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR PRESIDENTE TANCREDO DE ALMEIDA NEVES – IPTAN

ANDRÉA DE PAULA IARA LIMA NAYARA CRISTINA S. R. DE CARVALHO

O DOLO NO DIREITO CIVIL

SÃO JOÃO DEL-REI 2011

1

São João Del-Rei SUMÁRIO 2 . R.ANDRÉA DE PAULA IARA LIMA NAYARA CRISTINA S.406/02 Trabalho de disciplina do curso de Direito do Instituto de Ensino Superior “Pres. tendo como orientador o Prof. DE CARVALHO O DOLO NO DIREITO CIVIL Artigos 145 a 150 da Lei 10. Wellinton. Tancredo de Almeida Neves” valendo nota parcial.

5.ART. CONCEITO DE DOLO DOLO ESSENCIA OU PRINCIPAL . 9. 6. 3 . 149 DOLO DE AMBAS AS PARTES – ART 150 CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA 05 06 06 07 08 09 10 10 11 2. 11.1. SUMÁRIO 04 03 2. INTRODUÇÃO 3.ART. 146 DOLO NEGATIVO OU OMISSIVO . 147 DOLO DE TERCEIRO . 10. 7.ART. 4. 148 DOLO DO REPRESENTANTE . 145 DOLO ACIDENTAL OU INCIDENTE .ART. INTRODUÇÃO.ART. 8.

conforme assevera os arts 186 a 188 do CC. estado de perigo. dolo. é necessário: agente capaz. CONCEITO DE DOLO 4 . transferem ou extinguem direitos. Porém. O ordenamento jurídico impõe a eles efeitos jurídicos não desejados pelo agente. lesão e fraude contra credores. produzem efeitos jurídico voluntários. tendo em vista que tais atos repercutem na esfera jurídica. Os fatos jurídicos são classificados em fatos naturais ou Strictu Sensu – quando decorrem de acontecimentos provocados pela ação da natureza e fatos humanos ou Latu Sensu que são decorrentes das ações humanas que criam. e forma prescrita ou não defesa em lei. por exemplo. obrigações. diz que para um negócio jurídico ter validade. 3. efeitos negativos. dividem-se em atos lícitos (aqueles praticados em conformidade com o ordenamento jurídico. Sendo eles: erro. 104. acarretam efeito jurídico” (2011. p. modificam. no art. o negócio jurídico é anulável se for viciado por qualquer defeito indicado nos artigos 138 a 165 do CC. ou seja. queridos pelo agente) e atos ilícitos (atos humanos praticados em desacordo com o que prescreve o ordenamento jurídico. portanto. possível. objeto lícito. coação. de forma direta ou indireta. eventos que. o invés de direitos acaba criando deveres. como. possuindo. a indenização por danos morais e materiais). determinado ou determinável. 329).Venosa define que os “fatos jurídicos são todos os acontecimentos. O Código Civil de 2002.

(2010. ao dizer: Parece-nos contudo que a razão está com Clóvis. boas qualidades da mercadoria. Para Venosa o dolo vicia o negócio jurídico tendo em vista que para se ter um ato jurídico legítimo. Já Maria Helena Diniz tem a mesma idéia de Dolo definida de Beviláqua. não induz anulabilidade. 5 . 145. p. restringindo apenas o art. 3. O dolo civil é aquele pelo qual a parte usa de um artifício para enganar alguém. um prejuízo moral pelo simples fato de alguém ser induzido a efetivar negócio jurídico por manobras maliciosas que afetaram sua vontade”. dissimulações de defeitos. há.Não existe uma definição de dolo na lei – 10. dizer: “São os negócios jurídicos anuláveis por dolo. virtualmente. quando este for a sua causa”. Clóvis Beviláqua define Dolo como “o emprego de um artifício ou expediente astucioso. acarretando perturbações na segurança das relações mercantis. é um comportamento lícito e tolerado. 477). ocorre uma correspondência entre a vantagem auferida pelo autor do dolo e um prejuízo patrimonial sofrido pela outra parte.1.406/02. freqüentemente empregado no comércio e cuja repressão seria mais prejudicial do que benéfica. na prática. pois além de que. O dolo civil difere do penal. já que neste a pessoa pratica o crime querendo o resultado e assumindo o risco de produzi-lo. usado para induzir alguém à prática de um ato que prejudica e aproveita ao autor do dolo ou a terceiro”.1 Tipos de dolo 3. Consiste em exageros nas vantagens. é necessária vontade das partes.1 Dolus bônus É aquele dolo tolerável.

ou seja.2 Dolus malus É aquele que emprega manobras astuciosas destinadas a prejudicar efetivamente alguém. tornando-o anulável. ao garantir que o veículo nunca se envolvera em acidente de trânsito grave. por preço baixo. É oportuno salientar que o Código de Defesa do Consumidor no seu artigo 37.1.Ex. "o mais econômico" etc. DOLO ESSENCIAL OU PRINCIPAL . previsto no art. através de algumas expressões como "o melhor produto". veda a propaganda enganosa. "o mais eficiente".: A atitude do comerciante que elogia exageradamente sua mercadoria em detrimento dos concorrentes. 145 do Código Civil. O dolo principal ou essencial torna o ato anulável. porque este mentiu. quinhão hereditário relativamente valioso. cria-se de uma idéia para negociar. Esse tipo de dolo é que refere o nosso código civil. afirmando que o relógio é de ouro. sem o ser. 4. suscetível de induzir em erro o consumidor.ART. Ex¹. 6 . Portanto. 3. por ser capaz de viciar o negócio. ocorrendo por induzimento. Ex²: Enganar o contratante sobre determinada qualidade do objeto do negócio. só é considerado legal quando não tiver a capacidade de induzir o consumidor em erro. o dolus bonus não “dá salvo-conduto para o exagero”. Pois tal artifício consegue enganar até mesmo as pessoas mais cautelosas e instruídas. 145 É o dolo que se constitui em causa determinante do negócio.: Alguém muito pobre que é dolosamente induzido a vender. Ex³: Pedro adquire de João automóvel usado.

6. b) Silencio sobre circunstancia desconhecida pela outra parte. omitindo moléstia grave. Ex¹. embora por outro modo. O dolo acidental não acarreta a anulação do negócio jurídico.5. d) Omissão do próprio contraente e não de terceiro. constato que fui enganado pelo vendedor ao verificar que a cor é básica e não metálica. induzindo-o a erro. não pretendendo desistir do negócio.ART. poderei exigir compensação por perdas e danos. Neste caso. DOLO ACIDENTAL OU INCIDENTE .: Se alguém fizer seguro de vida. 146 É acidental o dolo. DOLO NEGATIVO OU OMISSIVO .: Quero a adquiriu um carro. Requisito do dolo negativo como ensina VENOSA: a) Intenção de levar o outro contratante a se desviar de sua real vontade.ART. e vier a falecer poucos meses depois. Ao recebê-lo. porém obriga o autor do dolo a satisfazer perdas e danos da vítima. quando o seu despeito o ato se teria praticado. traduz a abstenção maliciosa juridicamente relevante. c) Relação de essencialidade entre a omissão dolosa intencional e a declaração de vontade. Ex. escolhendo-o com a cor metálica. trata-se de manobra maliciosa por omissão. em que houve intenção de prejudicar a seguradora e de beneficiar os sucessores 7 . 147 É fruto de uma omissão.

Ex¹. Ex. 8 . por exemplo. O terceiro e o contratante serão autores do dolo O dolo de terceiro somente é capaz de anular o negócio jurídico. sou cúmplice no dolo.1 Dolo Positivo ou Comissivo Dolo positivo ou comissivo traduz-se por expedientes enganatórios. Entretanto. 148 É o dolo provocado por terceira pessoa a mando de um dos contratantes ou com o concurso direto deste.: O fabricante de objeto com aspecto de “antigüidade” para vendê-lo como se antigo fosse. que o imóvel é objeto de declaração de utilidade pública e consegue vendê-lo. então. 7. 6. oculta.Ex².: Tenho um relógio para vender e um terceiro anuncia que o relógio é de ouro mesmo não sendo. DOLO DE TERCEIRO . e eu me calo para conseguir vender o relógio.ART. ou deveria saber que existiu o dolo do terceiro. se a parte contratante sabia do dolo e se silenciou. diante das vantagens aferidas da vítima. no caso de por causa de terceira pessoa eu conseguir vender um relógio de bijuteria pelo preço do de ouro. ainda poderá ser motivo de anulação se eu deveria desconfiar deste dolo.: Se alguém quer vender um imóvel e não encontra comprador que lhe pague o preço pretendido por estar o terreno sujeito a desapropriação pela Municipalidade. verbais ou de outra natureza que podem importar em série de atos e perfazer uma conduta.

” Quando o pai. Ex. Se for do representante convencional (procurador. 149 do CC.: O representado (incapaz) não pode administrar os bens. Norteia o art. DOLO DO REPRESENTANTE . mas o terceiro responderá pelos danos causados 8. Entretanto. curador atuam com malícia na vida jurídica é injusto culpar os representados de atitudes que não são suas e de que não concorreram. mãe. tratando-se de representação convencional o representado escolhe o representante.ART.O negócio jurídico não pode ser anulado pelo dolo nos casos em que o contratante não sabia ou não tinha como saber do dolo de terceiro. Porém se o representado teve vantagens econômicas. “O dolo do representante de uma das partes obriga apenas o representante a responder civilmente ate a importância do proveito que teve. 149 O dolo do representante legal (pai. aceitando todos os riscos que assim corre. o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. neste caso o negócio continuara válido. no limite das vantagens (dos benefícios) que ele teve. por ter escolhido mal o mandatário. mãe. terá que reparar os danos contra o terceiro que celebrou o contrato com o representante do incapaz. tutor. mandatário). Se o representante celebrar um contrato com terceiro e praticar dolo contra este terceiro (instigando-o) o representado não será obrigado a reparar nada. então quem administra é o representante. tutor ou curador) de uma das partes só obriga o representado a responder até a importância do proveito que teve. 9 .

150. nenhuma pode alegá-lo para anular o ato. pois ninguém por dolo seu pode melhorar sua própria condição. ou reclamar indenização. Ex. Além da anulação do negócio jurídico é possível pedir. e não se permite a anulação do negocio jurídico. um tentando enganar o outro. é possível pleitear a anulação do negócio jurídico quando a vontade de uma das partes tiver sido viciada pelo dolo da outra. também.: João e Maria querem permutar imóveis. Sendo que o dolo é bilateral. 10. por isso que o dolo se distingue da fraude e da simulação. CONCLUSÃO Concluímos que de acordo com o código civil. “Art. com a coação. DOLO DE AMBAS AS PARTES – ART 150 Ocorre quando o dolo provém das duas partes contratantes. Que para configurar o dolo é necessário que a vítima participe da celebração do negócio jurídico. e tão somente. O dolo não se confunde. Neste caso então nenhuma das partes poderá pedir anulação. 10 . vez que não há ameaça pelo autor do dolo para que o negócio jurídico se realize. ambas as partes respondem pelo ilícito. Se ambas as partes procederam com dolo.9. que aquele que agiu com dolo indenize a vítima por perdas e danos decorrentes do comportamento astucioso. pois nestes a vítima não participa. também. João omite informações essenciais a Maria instigando-a no negócio e Maria por sua vez faz o mesmo com João. mas.

Direito Civil: parte geral. ed. São Paulo: Saraiva. VENOSA. 11° ed. 11 . BIBLIOGRAFIA DINIZ. 11. Teoria Geral do Direito. 2011. 2011. Maria Helena. São Paulo: Atlas. 27ª. Curso de direito civil brasileiro. Silvio de Salvo.grande inteligência por parte daquele que somente com palavras consegue enganar a vítima.

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