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Trabalho Do Livro a Cidade Antiga

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UNIP-UNIVERSIDADE PAULISTA

RESUMO DO LIVRO “A CIDADE ANTIGA” Autor: Fustel de Coulanges

São Paulo 2009

No infortúnio. na felicidade comulava-o de graças. Se ao morto cujo se descurara acontecia tornar-se um ser malfazejo. muito antes ainda de surgirem os primeiros filósofos. Não se acreditavam que o espírito era imortal. o morto necessitasse de alimento e de bebida. criam já uma segunda existência para além desta nossa vida terrena. Este fogo tinha algo de divino. Desgraçada daquela casa onde o fogo se extinguisse! O fogo só deixava de brilhar sobre o altar quando toda a família havia morrido. a alma e o corpo se encerravam-se no mesmo tumulo. Os mortos eram tidos como entes sagrados. o vinho. diziam por três vezes para sua alma: Passe bem. Acreditavam-se a alma nunca se separava do corpo. depois da vida. Diante do túmulo havia um altar para os sacrifícios igual ao que há em frente dos templos dos deuses. já poderemos reconhecer as idéias primitivas concebidas pelo homem a respeito de sua própria natureza. concebeu-se como dever dos vivos satisfazer-lhe esta sua necessidade. e ainda se verterem o leite. quando se colocava um corpo na sepultura. Com Pelias. isso demonstra a importância que os antigos atribuíam aos ritos e fórmulas de cerimônia fúnebre. a alma se tornaria perversa e atormentaria os vivos. e ate algumas vezes o sangue de uma vitima. Havia o costume de se rodear o tumulo com grandes grinaldas de plantas e de flores e se oferecerem doces. Os gregos davam de bom grado aos mortos o nome de deuses subterrâneos. considerando-se grande iniqüidade quando algum ser vivo tocasse nesta pequena provisão apenas destinada a necessidade do morto. Punia-se assim a sua própria alma. uma vez livre do corpo jamais iria animar um outro corpo. dirigindo-lhe repreensões. Encaravam a morte. vestido. O cuidado de levar aos mortos os alimentos não esteve a cargo do capricho ou dos sentimentos variáveis dos homens. sal. Davam-lhe como oferenda tudo quanto julgavam agradar a um deus. Na cidade antiga a lei pune os grandes culpados com um castigo sempre considerado terrível: a privação da sepultura. infringindo-lhe um suplício quase eterno. cujos dogmas cedo desapareceram. e alimentos para saciar a fome. . Desde os mais remotos tempos. Calígula não recebeu uma cerimônia completa. Nos ritos fúnebres. foi obrigatório. Observamos ter crido que tudo com a morte se acabasse para o homem. acreditavam-se que se metia lá alguma coisa com vida ao mesmo tempo. para a região da luz. As regras e os ritos observados a este respeito mostram-nos não ser então este entre as gentes um costume qualquer insignificante. Como. Ainda em nossos dias depois de tantos séculos passados e de tantas revoluções. não como decomposição e sim como uma simples transformação de vida. Não se acreditava que os espíritos subisse ao céu. vasos. finalmente porque ao retirarem–se tomavam grande cuidado em deixar um pouco de leite e alguns doces nos vasos. então sua alma andou errante e apareceu aos vivos até o dia que se decidiu desenterrar o corpo e sepultar novamente com os ritos. durando. Ao findar-se a cerimônia fúnebre havia um costume de chamar por três vezes a alma do morto pelo seu nome. O fogo era o próprio lar. frutas. junto ao seu corpo era necessário colocar seus objetos como: arma. Os túmulos eram os templos destas divindades. os seus ritos até o triunfo do cristianismo. para tenha uma vida feliz de baixo da terra. no entanto. os hindus continuam fazendo as suas oferendas aos antepassados. As mais antigas crenças romanas e gregas acreditavam que as almas continuariam vivendo na terra junto a dos homens. Para confortar-se a sua alma. adoravam-no. neste altar devia haver sempre restos de cinzas e brasas. aquele outro que se honrava era sempre um deus tutelar. pois a crença na metempsicose jamais criaria raízes no espírito das populações Greco-romanas. dia e noite. de sua alma e sobre o mistério da morte. surgiu a necessidade do sepultamento. O alimento que a família lhe levava destinava efetivamente ao morto. a prova de tudo quanto afirmamos que temos no fato de o leite e o vinho serem derramados sobre a terra do tumulo. para que a alma ficasse ligada ao corpo. esse pensamento é relativamente moderno. entre os antigos. prestavam-lhe verdadeiro culto. e sem receber oferendas e alimentos. conta a história dos costumes e pensamentos da Grécia e de Roma. ainda no de cavar um buraco para chegar os alimentos sólidos ate o morto. a morada celeste era apenas para os benfeitores da humanidade. Assim se estabeleceu toda esta religião da morte. o homem lastimava-se de sua miséria junto do seu lar.No livro I. deram estas crenças lugar a normas de conduta. Toda casa de grego ou de romano possuía um altar. derrubavam vinho sobre a sepultura para mitigar a sede. Era obrigação sagrada do dono de cada casa conservar o fogo.

outras para as costas do Mediterrâneo. e ao redor desse altar. a felicidade e a virtude. É preciso reparar como esta religião do lar e dos antepassados. levando-o umas até as margens do Ganges e trazendo-o. Na verdade. O direito grego e o direito romano não levavam em consideração esse sentimento. entre os homens das margens do Mediterrâneo e entre os moradores da península indiana. longe de ter sido causa primeira. O altar do fogo foi personificado. o único sucessor do pater era o primogênito. porque não se verifica uma sem a outra. Em todos os seus atos religiosos a família canta comum os hinos que seus pais lhes legaram. O culto dos mortos não o podemos de forma alguma aproximar daquele que os cristãos têm pêlos santos. Quando as tribos se separaram umas das outras. mais uma associação religiosa do que uma associação natural. encontraremos em cada casa um altar. nem hindus. pois a mulher também tomava parte no culto. estes deuses. Se nós voltarmos o pensamento para o seio dessas antigas gerações de homens. Esta religião nasceu espontaneamente no espírito humano. chamou-se-lhe Estia. Vale a pena lembrar que toda esta religião se limitava ao interior de cada casa. A religião do fogo sagrado data. aos de seu marido. Aqui repousam em comum muitas gerações de antepassados. e não há noite em que ali o não invoque ainda uma derradeira vez. Verdadeira prova da antigüidade destas crenças e destas práticas. pois o principio constitutivo da família. o princípio da família não o encontramos tão-pouco no afeto natural. a família ali se reúne para dirigir ao lar as suas primeiras orações. trouxeram consigo esse culto comum. Durante o dia. como o selvagem retém junto de si o ídolo ou o amuleto. Formouse pouco a pouco uma lenda. É a Segunda morada dessa família. e este como sacerdote não conhecia superior hierárquico. Cada manhã. Uma das primeiras regas do culto dos mortos estava no fato de este apenas poder ser prestado aos mortos de cada família que pelo sangue lhes pertencia. depois da oração e da libação. Contudo. embora não tenho os vínculos de sangue. é o intermediário do homem junto dos deuses. pois de época remota e obscura. O casamento assim era . ela mesma. conservados de seus pais e protegendo-o na vida. o divorcio só era permitido em caso de esterilidade. assim a providenciada família. não pertenceu exclusivamente ao homem. formado uma família indissolúvel. existe o túmulo. havendo apenas os arianos. hinos. nem itálicos. passa a ter na comunhão do culto alguma coisa a mais e melhor que o sangue. a morte não os separou continuam agrupados entre si nesta segunda existência e persistem. ao mesmo tempo. Ora da casa em campo vizinho. A instituição do casamento sagrado deve ser tão velha na raça indo-européia como a religião doméstica. para com ela partilhar desse seu dom. Para dar continuidade a família o celibato era proibido.O fogo do lar era. Sem dúvida não foi a religião que criou a família. a mulher assiste aos atos religiosos de seu pai. temo-la no fato de encontra-las. Não existia outro sacerdote além do pai. vai este homem tomar mulher. Figurou-se esta divindade sob a forma de uma mulher. ou unirem-se dois esposos pelo laço poderoso do mesmo culto e da mesmas crenças. sendo o seu berço a família e tendo cada família criado os seus deuses. O pai amava muito sua filha mas não podia legar-lhe aos seus bem. partilhada pela família piedosamente. depois de casada. quando ainda não existiam gregos. No livro II. transmitindo-se de varão em varão. O filho adotivo torna-se filho verdadeiro para a família. Com a autoridade paterna e marital. Esta religião não podia admitir a poligamia. Esta religião ensinou ao homem como a união conjugal é mais do que um comércio de sexos ou afeto passageiro. em vez de guardar só para si esse poder tutelar. mas seguramente foi a religião que lhe deu as regras daí resultando receber A família antiga uma constituição muito diferente da que teria tido se os sentimentos naturais dos homens tivessem sido os seus únicos causadores. Podia este realmente existir no âmago dos corações porem o direito nada representava. toda a família reunida. A família antiga é desta forma. Vesta. foi. originou-se da religião e por esta foi estabelecida: não foi. mas o mais próximo possível da casa. Mais tarde. O culto não era público. Como filha. A religião sendo o principal elemento constitutivo da família antiga. Existe estreita correspondência entre o culto do fogo sagrado e o culto dos mortos. o nome era o mesmo tanto em latim quanto em grego e foi aquele pelo qual na linguagem comum e primitiva se designou o altar. e a prometer-lhe a riqueza. junto dele permanece para a refeição. Nada de mais precioso tem o homem que esta herança. a primeira instituição estabelecida pela religião doméstica foi o casamento. efeito. ritos. porque a palavra designativa de altar era do gênero feminina.

o nascimento da filha não satisfazia ao fim do casamento. Naturalmente nasce a idéia de propriedade. O celibato era considerado uma crueldade. o direito de propriedade não desaparece. oferecia ainda à família um derradeiro recurso. nasceu espontaneamente. a lhe tirar o direito de propriedade. De forma idêntica a lei romana permanecia atenta para que não se extinguisse nenhum culto doméstico. Mesmo com a lei de Vocônia que instituía a mulher herdeira. O Direito teve sua origem na família. como meio de escapar à desgraça tão temida de sua extinção era o direito de adotar vigiando desta forma a perpetuidade da religião doméstica. pois este tinha a responsabilidade de perpetuar a religião e culto ao fogo sagrado de sua família. Uma delas é a da hereditariedade que passa de pai para filho conforme determina a religião doméstica. pelo repouso dos manes dos antepassados. A adoção era relativa à emancipação. teria que renunciar ao culto do seu pai. Na religião doméstica as pessoas tinham em suas casas o fogo sagrado e o túmulo de seus ancestrais. O homem morre. isso comprova que só a religião determinava o parentesco. Era mais fácil escravizar um homem. tanto que mesmo os filhos emancipados tornavam-se agnados. . Cabe ao filho a sucessão da propriedade. mãe. pois a terra pertencia mais a família do que a ele próprio. pois isso colocava em risco a continuidade da família bem como o culto aos seus ancestrais. para um filho adotivo ser aceito em uma nova família. a família e o direto de propriedade. sendo assim. Além disso. apto para continuar este culto. O princípio do parentesco não era dado com o nascimento e sim com o culto e só os da linha masculina. O filho esperado era sempre o homem. Havia três coisas que mostram uma forte relação entre si: a religião doméstica. Para que uma família não sofresse a temida punição de seu culto doméstico ser extinto. porém a religião impunha uma série de dificuldades. cabia-lhes um último recurso. obrigações e dívidas. porque no dia em que se casasse renunciaria à família a ao culto de seu pai. os irmãos devem partilhar a propriedade e que os irmãos adotem suas irmãs. Nos romanos esse filho jamais seria considerado membro da família nem pela religião nem pelo direito. A filha que não fosse casada tinha o direto de herdar e dar continuidade ao culto. O homem que adquiria uma dívida era punido. religião exigia que o parente mais próximo fosse o herdeiro. embora filha única. Isto levaria ao fim de sua religião e os mortos cairiam no esquecimento. mas algo superior ao pai comandava tudo. O nascimento de uma mulher não satisfazia o objeto do casamento. só que a lei não permitia que sua propriedade fosse tomada para o pagamento da dívida. O fogo sagrado jamais poderia sair de casa e os mortos do lugar onde foram enterrado. tornava-se-lhe estranha a casa paterna. e seu efeito era de unir dois seres no mesmo culto doméstico. passando a pertencer à família e a religião do marido.obrigatório. ela não está apta a dar continuidade no culto. a filha sempre estava subordinada ao irmão ou a um dos agnados da família. pois a mulher. que legava às mulheres metade da propriedade. filhos e escravos. A família era composta do pai. Adotar um filho era. passando a pertencer a religião do marido. quando se casasse. adotar é pedir à religião e a lei aquilo o que não se pode conseguir da natureza. continuidade das oferendas fúnebres. fazendo deles nascer um terceiro. Já a filha não tem direto de herdar os bens do pai. elas não têm direto à sucessão paterna. Era permitida a adoção a quem a natureza não tivesse concedido filhos. Era com efeito a religião doméstica entre os homens que constituía o parentesco. O fato de se encontrar um parente com vínculo de sangue não era suficiente para se considerar parente. era necessário ter o vínculo do culto. o culto permanece. que deviam ser cultuados. Esta mesma religião permitia substituir o marido por algum parente nos casos de impotência ou de morte prematura. O parentesco só era reconhecido pelo direito de oferecer sacrifícios ao antepassado em comum. casada ou solteira. nada mais tinha em comum com o lar onde nascera e já não podia oferecer a refeição fúnebre a seus verdadeiros antepassados. segundo os princípios antigos e suas crenças. Deste princípio nascem às regas do direito de sucessão. portanto dar continuidade à religião doméstica e pela conservação do fogo sagrado. devia ser libertado previamente de sua religião original. a religião doméstica. Admitido em nova casa. Os antigos sempre praticaram a propriedade privada. Estabelecido o culto hereditário. quando se casa deve renunciar ao culto do seu pai a se dedicar exclusivamente ao culto do esposo. Para isso era necessário que o filho adotivo renunciasse ao culto da sua família. Quando o pai morre.

o servo. uma associação política de várias famílias estranhas umas às outras. Dependendo do ato cometido não podia nem se aproximar mais de seu lar. A gens teve sua origem na religião doméstica de forma natural. a moral proibia o derramamento de sangue. Cada gens possuía seu culto. é fratria e na latina. Todavia era possível que diversas famílias. uma justiça. Várias cúrias ou fratrias se agruparam e formaram uma tribo. Outro elemento passa a fazer parte da família. A tribo possuía um tribunal e um direito de justiça sobre seus membros. uma alteração profunda introduzida pela democracia no regime da Gens. um culto. Com o passar do tempo. Do mesmo modo que as fratrias se uniram numa tribo. resgata prisioneiros. um sacerdócio. a sociedade só se desenvolveu a medida que a religião se expandiu. as famílias estabeleceram um vínculo forte entre os membros. cujo nome vinha de seus deuses. Para o homem voltar a seu culto era necessário se purificar em cerimônia religiosa. a divindade de uma família. é cúria. que fez com que se respeitassem mutuamente. tendo adquirido um grande prestígio na imaginação dos homens e parecendo poderosa proporcionalmente à prosperidade dessa família. Essa nova religião tinha outra moral. formavam um corpo de constituição inteiramente aristocrática. diversas tribos podiam associar-se entre si. As fratrias tinham suas assembleias. O homem amava sua casa como hoje ama sua igreja. o pai era um usufrutuário. casar a filha. repudiar a mulher em caso de esterilidade. Gens. Como a religião doméstica não permitia a entrada de pessoas estranha na família. assim o pai era quem respondia pelos delitos cometidos pelos membros de sua família. era o pai quem recebia. atraia o desejo de toda uma cidade no sentido de adotá-la e lhe render um culto público para obter deus favores. e alcançou todo desenvolvimento do direito privado. para que o servo pudesse entrar. como sacerdote do lar não reconhece hierarquicamente nenhum superior. os homens sempre que cometessem algum ato que não fosse aprovado pelos deuses sofria uma punição moral. Cada fratria ou cúria possui um chefe. na língua grega. um governo. Os princípios morais se baseiam na religião. Podia vender o filho. A religião e moral foram exclusivamente doméstica. se unissem ao menos para a celebração de outro culto que lhes fosse comum. sob condição de que o culto de cada uma delas fosse respeitado. nasceu a cidade. caso alguém testasse algo a ele. II . Era natural que os membros de uma mesma gens usassem o mesmo nome. uma característica evidente é que a gens possui um culto próprio como nas famílias. . demonstram uma grande solidariedade entre seus membros. pois o seu trabalho era uma fonte de renda. Os membros de uma mesma gens são unidos. suas deliberações e podia instituir decretos. normalmente um homem divinizado. sem nada sacrificar de sua religião particular. III – A justiça só existia para o pai. dessa forma transmitia-se o nome de geração em geração com o objetivo de perpetuá-lo.A propriedade era da família. A gens era uma espécie de parentesco artificial. A religião doméstica proibia que as famílias se misturassem e se fundissem. acompanham – o ao julgamento. Porém essa associação nova não se produziu sem certa expansão da idéia religiosa. Era contrário à religião reclamar de algum membro da gens ou mesmo testemunhar contra. ninguém da família contestava sua autoridade sacerdotal.O poder paterno pode ser catalogado em três categorias: I . No livro III. emancipar o filho (excluir da família e do culto). o curião ou fratriarca.O pai chefe supremo da religião doméstica. a suas crenças fortaleceram as noções de justiça. toda a gens responde pela dívida de qualquer um de seus membros. conserva a unidade que a religião lhe concedera. ele era iniciado no culto doméstico. ajudam uns aos outros nas necessidades da vida. essa religião conhece o perdão. Certo grupo de famílias formou um grupo que. No dia em que essa aliança foi feita. suas festas religiosas e seu túmulo em comum. Nela havia um deus. Tinha o direito de reconhecer ou não o filho que nascer. cuja função principal era presidir aos sacrifícios. Tudo que a mulher pudesse adquirir durante o casamento era passado para o marido. O filho nada podia adquirir.

destituídos de afeto ou benevolência. em vida. Com isso. homens. toda mácula era apagada. elevando-se acima deles um governo comum. das cúrias e das famílias. no dia marcado. O homem que não tivesse participado do ato religioso não podia mais ser um membro da cidade. O local de reunião sempre foi um templo. Esse poder do rei era hereditário. os escravos. seu deus. não tendo inicialmente o direito de intervir nos assuntos particulares de cada um desses pequenos grupos. que era o único que assistia a essa cerimônia. Todos os cidadãos. Daí ser estabelecido pelos sacerdotes. Não demorou para que as diversas cidades se reunissem numa espécie de federação. se reuniam fora dos muros. peculiar de cada cidade. Acreditava-se ser ele um ser sagrado. através de alguns rituais. O primeiro cuidado era escolher o lugar da urbe. O magistrado.Religiosamente. diferente da cidade. Cada cidade tinha seus próprios deuses. é compreensível que o calendário de uma urbe não se assemelhasse em nada ao da outro. sobretudo. acreditava-se ter seus deuses sido vencidos com ela. devemos ver um personagem que. seu templo. devendo ele realizar cerimônias religiosas. crianças. um sacerdote. Não se fazia guerra somente aos soldados. que ficava lisonjeada de possuir um morto que. que substituiu o rei foi. . Tudo que era sagrado na cidade. No rei. O exército representava a cidade. Essas confederações possuíam um fogo público comum. A religião era inteiramente local e civil. os móveis e imóveis. ainda com um importante papel das praticas religiosas. de bom grado em guerra com o homem. por isso carregava consigo um fogo-lar no qual noite e dia o fogo sagrado era conservado. subsistiu uma multidão de pequenos cultos acima dos quais se estabeleceu um culto comum. escravos. Eram deuses invejosos. era o local de reunião. a preservação de sua integridade. mas era necessário que a cidade fosse construída primeiramente. o domicílio e o santuário dessa associação. Após cada vitória oferecia-se um sacrifício. irritáveis. Não se fazia guerra apenas aos seres humanos. O vinculo de toda a sociedade estava constituído no culto. uma multidão de pequenos governos continuou a funcionar. mulheres. A fundação da urbe era um ato religioso. Acreditava-se que a salvação da cidade. mas deixava-se essa decisão para os deuses. os filhos. eram purificados através do chefe da família. O culto do fogo público era vedado aos estrangeiros. A cidade era uma confederação. A cerimônia do culto da cidade tinha que ser realizado em comum por todos os cidadãos e honra das divindades protetoras. A urbe se fundava inteira em um só dia. Todo aquele que prestara grande serviço à cidade tornava-se um deus para a mesma. fazia-se guerra a população inteira. Toda urbe o adorava. as decisões nela tomadas seriam anuladas. Para celebrar um tratado de paz era necessário um ato religioso. seu alvo sendo também os campos e as colheitas. O fundador era o homem que realizava o ato religioso sem o qual a urbe não podia existir. já que os deuses não tinham estado presentes. é o chefe do culto. se uma urbe era vencida. As mulheres. como este. davam lugar a uma festa. Se uma sessão fosse realizada num lugar que não fosse o sitio sagrado. O calendário não era outra coisa senão a sucessão das festas religiosas. suas cerimônias etc. A urbe. havia sido um homem importante. o contrario também era verídico. uma guerra podia extinguir o nome e a raça de um povo inteiro e transformar uma região fértil em num deserto. Os deuses eram temidos. toda negligência no culto reparada e a cidade ficavam então em paz com seus deuses. politicamente. pois a religião não era a mesma. Entre as cerimônias mais importantes da religião da cidade. havia uma a que se dava o nome de purificação. ao mesmo tempo em que um chefe político. e por isso tinha que respeitar a independência religiosa e civil das tribos. Durante uma guerra. O destino dessa cidade não pertencia aos homens e sim aos deuses. Por isso. e através da cerimônia. dependia da realização desse repasto público. Existiam salas destinadas aos repastos comuns.

Tinha sua origem na constituição religiosa das famílias. o governo passou à aristocracia. No livro IV. Roma era uma mistura de raças. o Código das Doze Tábuas. e assim foi introduzido o sufrágio. Tudo dependia da igreja. mas acabaram enfraquecidos. Com as revoluções em varias cidades. Também atraiu para si todos os cultos das cidades vizinhas. A realeza foi vencida. pois a religião precisava de um rei. Os antigos não conheciam nem a liberdade da vida privada. A todo o momento consultavam-se os deuses para tomar suas decisões. gregos. por isso o poder estava em suas mãos. fala sobre as desigualdades entre as classes. para a salvação da cidade. As distinções eram dos homens livres de um lado e de outro os servos ou clientes. nem a liberdade religiosa. Religião. da religião. transformou os vencidos em romanos. mas nenhuma dessas revoluções concedeu aos homens a verdadeira liberdade. aristocracia. passou a ser um ato de fé e demanda humildade. direito e governo se confundiam. Mas houve a primeira revolução. entre outra funções. foram introduzidas as leis. inferiores pelo nascimento. representava a religião. votar. sabinos e etruscos. A língua também era misto. o primogênito era o privilegiado ao culto. a isso se chamava liberdade. A religião envolve-se o mínimo possível com as coisas da terra. Alterações que foram feitas com o cristianismo. Foi a única cidade que soube aumentas sua população através da guerra. democracia. que foram se modificando conforme o pensamento. mas são as mesmas coisas. e com as transformações que ocorreram. mas próximos dos chefes por participarem do culto doméstico. A vitória do Cristianismo marca o fim da sociedade antiga. e alterados seus costumes. e a sucessão. fala sobre as novas crenças. nomear magistrados. a clientela tenta se libertar. a liberdade individual. foram pouco a pouco modificando os costumes. poder ser arconte. nem sequer impediam que seus membros guerreassem entre si. e a oração. No começo o rei era o chefe religioso da cidade. desde o o fogo sagrado que era obrigatório e que com o tempo perdeu prestígio e depois passou apenas para o culto de um hábito que aos poucos se extinguiu. mas conservada. troianos. separou a religião do governo. o homem não ofereceu mais alimento e bebida a Deus. O estado não admitia que um homem fosse indiferente aos seus interesses. No Livro V. Ter direitos políticos. As transformações ocorridas mudaram a constituição da família. nem a liberdade de educação. embora o latim predominasse. Na parte do governo do Estado. que a primeira fonte de desigualdade foi na família. uma luta entre a aristocracia e os reis. e consegue e acaba desaparecendo. . A introdução dos plebeus organização social. mas com tudo isso não foi o homem menos servo do Estado. que era comum para todos os cidadãos. primeiros latinos. O governo chamava-se alternadamente monarquia. E assim. logo depois. Com a formação da cidade. pois ela não estava incluída no povo. Anexou tudo o que conquistou.As confederações possuíam pouca ação política.

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