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Etica e Trabalho

Etica e Trabalho

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ÉTICA ~

TRABALHO

SENAC - Serviço Nacional

de Aprendizagem

Comercial

Conselho Nacional
Antonio Oliveira Santos

Presidente

Departamento
Roberto

Nacional

Régnier

Diretor-Geral

Editores Responsáveis
Maria Helena Barreto Gonçalves

Editoração
Marília Pessoa

Centro Técnico-Pedagógico/DFP
Sonia Kritz

Centro de Produção de Material Impresso/DMM

Coordenadoria

de Tecnologia Projeto Gráfico e Execução Ampersand Comunicação Gráfica
Viviane &

Educacional/DFP

Pesquisa e Tratamento do Conteúdo
Maria Helena Barreto Gonçalves

Claudia Fleury, Carlos Henrique Raquel Teixeira

Nely Wyse

Ilustração Ampersand Comunicação Gráfica

Sistematização Metodológica
Maria Helena

e Redação

Luiz Baltar

Barreto

Gonçalves

Revisão
Maria Elisa Sankuevitz

SENAC.DN. Ética e trabalho'; Nely Wyse. Rio de Janeiro: 96 p. 11. Inclui bibliografia. Ética; Comportamento; vimento; empresas.

Maria H.B. Gonçalves; SENAC/DN/DFP, 1996.

Trabalho;

Histórico;

Desenvolde

Relaçôes de trabalho;

Administração

© SENAC / DN 1996 SENAC / Departamento Nacional Rua Dona Mariana, 48 Botafogo Rio de Janeiro RJ CEP 22280-020

ISBN 85-85746-21-1

APRESENTAÇÃO

-I
~

A É lUGAR

COMUM

DI~ER O QUANTO AS CRIANÇAS SÃO CURIOSAS. QUALQUER UM DE CAUSADO POR UMA OU

NOS TERA UMA HISTORIA A CONTAR SOBRE O EMBARAÇO ESTÁ SEMPRE QUERENDO

OUTRA PERGUNTA INFANTIL. A CRIANÇA QUE NOSSA IMPACIÊNCIA

SABER MAIS E MAIS, ATÉ A FAZ DESISTIR.

OU NOSSO ABORRECIMENTO

ANTE A INSISTÊNCIA

PARA NÓS É TUDO TÃO ÓBVIO ... É ISSO MESMO, TEMOS TANTAS CERTEZAS! ESTAMOS CERCADOS DE COISAS, VIVEMOS AS

FENÔMENOS, ACONTECIMENTOS, RUAS PELAS QUAIS TRAFEGAMOS,

EMOÇÔES. AS EDIFICAÇÔES DA CIDADE ONDE MORAMOS, OS UTENSíLIOS DE QUE DISPOMOS

NO NOSSO DIA-A-DIA, POR QUE SÃO

TUDO NOS PARECE TÃO SÓLIDO, TÃO FAMILIAR QUE NEM NOS PERGUNTAMOS DESSE JEITO E NÃO DE OUTRO. A MISÉRIA, A VIOLÊNCIA, DE UM AMIGO TRISTEZA. PROVOCAM EM NÓS AS MAIS VARIADAS PARECEM MUITO

A INJUSTiÇA, A MÁ-FÉ, A INFIDELIDADE REAÇÔES: DE INDIGNAÇÃO, MAS NÃO REVOLTA, DE

ESSAS REAÇÕES

NATURAIS.

SERÁ O CASO

PERGUNTARMOS DEMONSTRAR

QUAL O SEU SIGNIFICADO?

O QUE ELAS REPRESENTAM? O QUE NOS LEVA A

INSATISFAÇÃO

COM AÇÕES DESSE TIPO? POR QUE NÃO NOS SÃO INDIFERENTES? DO TRABALHO, ONDE PASSAMOS GRANDE PARTE DE O QUE

O MESMO ACONTECE COM O MUNDO NOSSA VIDA. ISSO SE TORNA

TÃO ROTINEIRO

QUE JÁ NÃO NOS PERGUNTAMOS

REPRESENTA PARA NÓS. SERÁ QUE É ISSO MESMO QUE QUEREMOS? 'IlOSSO TEMPO DE MANEIRA ,<aSSAS VIDAS? DIFERENTE?

POR QUE NÃO USAMOS DO TRABALHO EM

ENFIM, QUAL O SIGNIFICADO

ESSAS E OUTRAS QUESTÕES PERTENCEM À ORDEM DOS VALORES DO COMPORTAMENTO HUMANO EM SOCIEDADE - A ORDEM DA ÉTICA - E CONSTITUEM MATÉRIA DESTE LIVRO. NELE,

MUITO MAIS DO QUE RESPOSTAS PRONTAS A ESSAS QUESTÕES, VOCÊ ENCONTRARÁ ELEMENTOS DE REFLEXÃO, QUE ESPERAMOS POSSAM CONTRIBUIR PARA REAVIVAR AQUELA CURIOSIDADE PERDIDA. ÉTICA E TRABALHO NUMA SÃO DIMENSÕES CONCRETA, DE ORDEM PRÁTICA. ISSO SIGNIFICA QUE SE

MANIFESTAM PRECISAMOS, DE MUNDO

AÇÃO

TRANSFORMADORA

DO MUNDO

E DA REALIDADE. DE UMA VISÃO

POIS, CONSIDERÁ-LAS

PRODUTOS DE UMA ÉPOCA HISTÓRICA,

DETERMINADA

PELA POLÍTICA, PELA ECONOMIA

E PELA CULTURA DAS SOCIEDADES

ONDE SE DÃO. ENTENDER O MUNDO DO TRABALHO EM SUAS MÚLTIPLAS FACETAS, BEM COMO PERCEBERPARTICIPANDO, AUTORIZANDO E RECUSANDO TANTO EM

SE PARTE DESSA TOTALIDADE,

CONTRIBUINDO,

DIFERENTES PRÁTICAS SOCIAIS É A EXIGÊNCIA SUA VIDA PROFISSIONAL CERTAMENTE COMPORTAMENTOS BEM COMO QUANTO

FEITA AO TRABALHADOR-CIDADÃO,

NA PRÓPRIA CONSTITUiÇÃO NEM MODISMO

DE SUA IDENTIDADE. DA SOCIEDADE POR

NÃO É COINCIDÊNCIA ÉTICOS. A EXIGÊNCIA UNÃNIME

A DEMANDA

DE ÉTICA NA POLíTICA,

NA MEDICINA,

NO DIREITO,

A REJEiÇÃO

DA CORRUPÇÃO

EM SUAS DIFERENTES MODALIDADES PELA FORMAÇÃO PAUTADA POR

SIGNIFICAM A BUSCA DE QUALIDADE ÉTICA DOS INDiVíDUOS

DE VIDA, PASSANDO NECESSARIAMENTE POR UMA SOCIEDADE

E, CONSEQÜENTEMENTE,

COMPORTAMENTOS

ÉTICOS.

E O QUE NOS PARECE MAIS IMPORTANTE: ESSA PROCURA É TÃO NECESSÁRIA, TÃO LEGíTIMA, TÃO BEM-VINDA, QUE NÃO PRECISA SER IMPOSTA POR ALGUM TIPO DE AUTORIDADE. ELA

COINCIDE COM O NOSSO DESEJO E COM A NOSSA RAZÃO, ALÉM DE REFLETIR O DESEJO E A RAZÃO DE TODA A SOCIEDADE. ESTE É O CONVITE PROFISSIONAL E CIDADÃO QUE ESTAMOS FAZENDO A VOCÊ - NOSSO ALUNO, INDIVíDUO,

-, PARA QUEM ESTE LIVRO FOI PRODUZIDO .

••••
~

I

SUMÁRIO

ÉTICA: EIS A QUESTÃO

9
16

EXERCíCIOS

ÉTICA: UM BREVE HISTÓRICO Antiguidade: a associação entre Ética e Política

19
19 21 23

Sociedade medieval: a ética da interioridade Sociedade moderna: a ética do trabalho
EXERCíCIOS

27

A

EVOLUÇÃO DO MUNDO DO TRABALHO Das manufaturas A administração

30
30 33 35

à industrialização
científica da produção e flexibilização do processo produtivo

Evolução tecnológica
EXERCíCIOS

39

M

Á

A

CRISE DOS VALORES NA MODERNIDADE

42
45 52

Repensando os valores da modernidade
EXERCíCIOS

A

DIMENSÃO

ÉTICA NA EMPRESA

56
com a comunidade 58 60

Da responsabilidade Compromissos
EXERCíCIOS

e do compromisso

e responsabilidades

do administrador

69

GABARITO

DOS EXERCíCIOS

73

BIBLIOGRAFIA

90

,

ETICA:
EIS A QUESTÃO

No

ESTUDO

DESTE CAPíTULO

você terá oportunidade

de delimitar a questão

ética, relacionando-a à produção e ao domínio das normas e valores que regulam a sociabilidade ou a convivência dos homens em sociedade.

o

homem é um ser social, pois vive em sociedade.

Mas o que é sociedade? Você já parou para pensar sobre isso? Num sentido mais amplo, sociedade em grupo. formam Assim, as abelhas formam é a reunião de seres que vivem uma sociedade; os homens

uma sociedade. de pessoas que vi-

Num sentido mais restrito, sociedade é o conjunto vem em determinada

faixa de tempo e de espaço - seguindo normas code consciência do grupo. Como

muns - e que são unidas pelo sentimento

exemplos, podemos citar a sociedade medieval, a sociedade moderna. Pois bem. A partir da constatação de que vivemos em sociedade, en-

contramos regras, leis e normas que regulam as relações entre os homens. E por que existem essas regras, leis e normas? Quem as elabora? Elas são necessárias porque a sociabilidade humana - a convivência

dos homens em sociedade - precisa acontecer dentro de uma certa ordem.

É

T

I

C

A

TRABALHO

É importante
por exemplo,

considerar a ordem

que a ordem humana não é natural como é, na comunidade das formigas ou das

existente

abelhas. Essas comunidades de reação e adaptação

desenvolvem

uma série de comportamentos

à natureza. Assim criam uma ordem que permaporque é produzida pelos comportamentos e passados de geração a geração. Ela é artificial. O homem não a re-

nece ao longo do tempo, naturais,

herdados geneticamente

A ordem humana é bem diferente.

cebe pronta, como herança genética. Ele tem que inventá-Ia, construí-Ia e reconstruí-Ia; dar-lhe uma forma satisfatória ao atendimento de suas ne-

cessidades e aspirações, que mudam ao longo da história. Por isso mesmo, na sociedade atual, a ordem é tão diferente daquela vivida pelos homens da antiguidade.

POR ORDEM

HUMANA

ENTENDE-SE

O CONJUNTO -

DE NORMAS,

REGRAS,

LEIS,

os

VALO-

RES, OS MODOS AMIGOS.

DE RELACIONAMENTO

SEJA NO TRABALHO,

NA FAMíLIA

OU ENTRE

E, depois de inventada

uma certa ordem,

reconhecida

como justa e

verdadeira para uma determinada próprios comportamentos

época, são os homens que julgam seus

- e o do outro - avaliam se estão de acordo ou

contra o que está estabelecido.

É

T

I

C

A:

E

I

5

A

QUE

5

T

É importante esferas.

compreender

que esse julgamento

se dá em diferentes

Uma das esferas de julgamento leis jurídicas, de caráter objetivo da ordem fazem corresponder,

do comportamento

humano é a das

ou positivo, porque a cada perturbação concretamente, uma sanção ou punição.

Consideremos, por exemplo, o homicídio. Trata-sede um comportamento que causa repulsa e indignação. E a ele corresponde uma punição, objetivamen-

te determinada pela legislação, que varia apenas em função dos motivos e
da sociedade onde se dá o crime. Estamos no campo do Direito. Uma outra esfera de julgamento subjetiva. do comportamento individual, humano é de ordem

Nesse caso, é o sujeito

sua consciência

moral

que atribui valores aos atos humanos,

pronunciando-se

sobre a correção

ou a incorreção da atitude tomada em determinada

situação.

CONSCIÊNCIA AO CERTO

MORAL E AO

É A CAPACIDADE
A CAPACIDADE MUITO VITAL

INTERNA

QUE

o

INDiVíDUO ENTRE DIREITO.

TEM O BEM ELAS

DE REAGIR E O MAL. DESEMPE-

ERRADO,

DE DISTINGUIR AO

As

NORMAS UMA

MORAIS FUNÇÃO

SÃO SOCIAL

ANTERIORES E SÃO CUMPRIDAS JURíDICAS NÃO

NHAM

POR CONViCÇÃO IMPOSiÇÃO

íNTIMA,

POR

ADESÃO.

DIFERENTEMENTE, SÃO CUMPRIDAS

AS NORMAS MESMO

SÃO UMA ESTAMOS

DO ESTADO DE QUE

E, POR ISSO, SEJAM

QUANDO

CONVENCIDOS

JUSTAS.

Para exemplificar,

tomemos o caso da mentira. Trata-se de um comporindigno, mas a ele não corresponde nenhu-

tamento também considerado

ma punição objetiva, a não ser o desmerecimento

ou descrédito do indivíé resultado do julgado indivíduo.

duo no grupo a que pertence. E esse desmerecimento mento do grupo em relação ao comportamento Estamos aqui nos referindo a um julgamento

inadequado

subjetivo, ditado pelo sujeito,

por sua consciência moral. Estamos no campo da Ética. Falar sobre Ética é falar sobre valores e virtudes. sua vez, se referem a comportamento constituído, humano. Valor e virtude, por

Então, o campo ético é

de um lado, por comportamentos

e, de outro, por juízos de

valor, pela apreciação sobre esses comportamentos.

É

T

C

A

TRABAlr

Pinóquio é um personage~ literatura clássica mfam, i,

::a

criado pelo italiano Ele personifica portanto,

Car,o Caoa.

um bo~ecQ e.

não tem co~sc:ênc;a moral. do nar'z ce PH,óquio pe!io autor

O crescimento

foi o recurso utilizado da história cometida

para s!na;;za' a falta pelo boneco - a mentira. corre a

O nariz funcionaria consciência

moral co personagem,

como o juiz de súa fata ou transgressão.

A reflexão ética passa justamente

por essa questão: o estabelecimento

de juízos de valor para o que está conforme ou contrário às normas de
convivência dos homens em sociedade. Daí serem tão comuns as expressões ético e antiético, quando nos referimos a certas atitudes dos indivíduos em sociedade.

Secretaria de Obras do município suborno da empresa responsável pel Consultado sobre o episódio, o revoltante esse tipo de expediente ramo.

alina recebe proposta de ção do açude na cidade. rio declarou considerar do por muitas firmas do

Se você leu essa notícia com atenção, deve ter observado que a primeira afirmação cimento, expressa um juízo de fato, juízo que se refere a um acontea uma situação ocorrida concretamente. Já a segunda expressa

um juízo de valor, uma apreciação, uma avaliação sobre o acontecimento. A Ética, enquanto estudo dos juízos de apreciação da conduta hudiante do conflito

mana - os juízos de valor -, encontra-se freqüentemente
de ter de decidir entre o que é o Bem e o que é o Mal.

E como fazer essa distinção? De que critérios ou parâmetros dispomos para decidir sobre o Bem e o Mal?

É

T

I

C

A:

E

I

5

A

QUE

5

T

Essa questão, se considerarmos

de solução aparentemente a própria natureza humana.

difícil, pode ser esclarecida

E o que queremos dizer com isso? Queremos dizer que os indivíduos possuem algumas características que são próprias de todos os homens. E quando refletimos terísticas, podemos compreender maneira ou de outra. Vamos agora parar para refletir sobre dois casos reais que ficaram sobre essas caracde uma

melhor porque ele se comporta

famosos na época em que aconteceram. Um deles é sobre um rapaz norte-americano Esse caso causou repugnância para comer as vítimas!!! condenado que congelava cadáveres. Matar e

às pessoas. Comer carne humana?!

Um horror!

O fato é que o rapaz foi julgado

à prisão perpétua. de um desastre aéreo. Encomiam carne humana. Ao

O outro caso aconteceu com sobreviventes quanto aguardavam tomarem resgate, os sobreviventes

conhecimento

desse fato, as pessoas sentiram pena, discutiram

sobre a situação, mas ninguém condenou os sobreviventes do desastre. A atitude deles era justificável em nome do instinto de sobrevivência, carac-

terística natural do ser humano. O assassino norte-americano

foi condenado

porque seu motivo era outro: perversão, inversão total de valores. Ora, o homem se mostra, por natureza, um ser dividido: é racional,

mas também é animal; é consciente, mas também é inconsciente; é público, mas também tem uma dimensão privada, particular. A questão ética apresenta-se, assim, como um conflito entre o que ele deve fazer e o que

quer fazer.
Por outro lado, esse ser contraditório básica estar extremamente insatisfeito - o homem - tem como condição com sua situação. Ele convive e

vive muito mais com o que deve ser do que com o que ele é de fato. E justamente porque desejamos realizar um projeto de vida diferente

- a busca daquilo que queremos ser - é que recusamos a realidade de nossas imperfeições, bem como as imperfeições do sistema em que vivemos. de um

Por isso contemplamos homem idealizado,

o universo ético, o universo da construção

bem como de uma sociedade ideal, mais humana, na

I
~

É

T

I

C

A

TRABALHO

qual igualdade e liberdade

prevaleçam como valores supremos.

EXIST~NCIA

ÉTICA É, SEMPRE,

UM DESAFIO,

UM CONVITE MAIS

PARA

REALIZARMOS

O PROJETO DE NOS TORNARMOS

HUMANOS.

É porque queremos nos tornar mais humanos que buscamos construir
uma sociedade possível, melhor do que a sociedade real. Por isso a diprivada, mensão moral do homem compreende, além da esfera individual,

a esfera pública, a vida social, a ação do cidadão. Pode-se concluir, então, que é somente na relação com os outros homens que os comportamentos tuosos ou não-virtuosos individuais podem ser avaliados como vir-

- como éticos ou não-éticos.

~

MBORA

A CONSCIÊNCIA

MORAL

SEJA DE ORDEM NUMA

INDIVIDUAL,

É APENAS EM GRUPO,

EM SOCIEDADE, HOMENS

ORGANIZAÇÃO,

NA RELAÇÃO COM OUTROS ÉTICO OU AÉTICO.

QUE SE PODE SER

Logo, para pensar a origem da ética tem-se que pensar tanto a ordem racional como a ordem política e social. Isso significa que a dimensão ética, apesar de orientada vida pública dos homens. A prática ética deve, portanto, coletivo, fazer coincidir o plano do individual e do a ação deve visar o bem copela razão individual, está sempre voltada para a

uma vez que, para ser virtuosa,

mum, indo ao encontro Entretanto, a

do interesse da coletividade.

sociedade ocidental contemporânea tende a pensar a

ética apenas na dimensão do indivíduo particular.

FALAMOS REPRESENTA OUTRAS EXEMPLO FORMA

DE

SOCIEDADE

OCIDENTAL

CONTEMPORÂNEA O MODO OU

PORQUE COMO NOS

ESSA

SOCIEDADE

NOSSO

PADRÂO -

DE CULTURA,

RELACIONAMOS. ORIENTE, POR

SOCIEDADES - POSSUEM

AS INDíGENAS,

AFRICANAS

DO EXTREMO

OUTROS PADRÕES DE COMPORTAMENTO, COM A PRODUÇÂO

OUTROS VALORES,

OUTRA

DE SE RELACIONAR

DE BENS E DE SERViÇOS.

É

T

I

C

A:

E

I

5

A

QUE

5

T

É disso que falamos
humanistas:

quando

nos referimos

à crise dos valores
hu-

uma sociedade marcada pelo egoísmo das relações sociais, pela ausência de solidariedade

pela valorização do "tirar vantagem", mana, pela indiferença

para com a miséria alheia e pela tolerância

com a

corrupção e a impunidade. Mas será que foi sempre assim? Não, os valores se modificam no tempo e sofrem influência das relações

de poder existentes na sociedade. É isso que você verá a seguir, no capítulo 2, num breve percurso pela história das idéias éticas.

EXERCíCIOS

1

LEIA,

COM ATENÇÃO,

A AFIRMAÇÃO

A SEGUIR:

No mundo animal, à semelhança do que acontece no mundo humano, as ações de cada um dos membros de uma comunidade segundo A uma certa ordem em direção aos objetivos se desenvolvem perseguidos.

diferença entre uma e outra ordem é que, no mundo animal ela é

natural, e, no mundo humano, é artificial.
EXPLIQUE O QUE CARACTERIZA A NATURALIDADE DA ORDEM ANIMAL E A ARTIFICIALlDADE

DA ORDEM HUMANA.

2

TANTO

A CONSCIÊNCIA

MORAL

COMO AS LEIS JURíDICAS SÃO ESFERAS DE JULGAMENTO

DO

COMPORTAMENTO

HUMANO

EM SOCIEDADE. MORAL E A JURíDICA, INDICANDO

ESTABELEÇA A DISTINÇÃO AS CARACTERíSTICAS

ENTRE A ESFERA DE JULGAMENTO UMA.

DE CADA

3

REFLITA SOBRE ESSA SITUAÇÃO:

Isolado numa ilha deserta,

sem qualquer

contato

com a civilização, como

Alfredo viveu, durante anos, do que a natureza lhe proporcionou meio de subsistência, até ser resgatado pela tripulação

de uma em-

barcação de pesquisa oceanográfica.
AGORA DURANTE VIVENCIAR CONDiÇÕES ÉTICOS? JUSTIFIQUE SUA OPINIÃO. RESPONDA: O TEMPO EM QUE PASSOU POR ESSA EXPERIÊNCIA, A DIMENSÃO ÉTICA DOS SERIA POSSíVEL A ALFREDO HOMENS? TERIA ELE TIDO

O QUE CONSIDERAMOS DE MANIFESTAR

VALORES, COMPORTAMENTOS

QUE POSSAM SER CONSIDERADOS

4

LEIA COM ATENÇÃO

O TRECHO A SEGUIR:

Cansado e abatido, após ser liberado da prisão em Castela, na Espanha, onde esteve em conseqüência colonização do fracasso das primeiras tentativas de

espanhola do Novo Mundo, Colombo encontra-se com um

dos conselheiros da rainha, que sempre tramou contra seus projetos de conquista. Mal disfarçando o rancor, o conselheiro o aborda, ini-

ciando-se o seguinte diálogo: - Não és nada, diz o conselheiro da rainha. Não passas de um simples sonhador.

- Olha para fora, responde Colombo.

O que vês?

- Vejo torres, igrejas, palácios, edifícios tão altos que quase encontram o céu. A civilização! - Essas coisas que vês, diz Colombo, não existiriam não fossem pessoas iguais a mim. A diferença entre nós é apenas uma: eu sonhei, eu fiz. E tu? Que fizestes?
(Trecho de cena do filme "1492 - A conquista do Paraíso", que relata, de forma romanceada, a descoberta da América)

O

DIÁLOGO

ENTRE

COLOMBO

E O CONSELHEIRO AO EXERCíCIO

DA

RAINHA DA

FAZ REFERÊNCIA ÉTICA.

A UM PARTIR

DOS DO

TRAÇOS DIÁLOGO,

HUMANOS IDENTIFIQUE

FUNDAMENTAIS QUE TRAÇO

DIMENSÃO

A

É ESSE.

5

MUITO QUE

FREQÜENTEMENTE NÃO CORRESPONDEM,

TOMAMOS

CERTAS ATITUDES, AOS NOSSOS

DESENVOLVEMOS DESEJOS,

COMPORTAMENTOS

EXATAMENTE,

IMPt;lSOS

to SATISFAÇÃO

MOMENTÂNEA. PENSE SOBRE ISSO E DEPOIS RESPONDA: TÃO COMUM ENTRE OS HOMENS?

POR QUE ESSE É UM TIPO OS LEVARIA A AGIR DESSA

DE COMPORTAMENTO FORMA?

O

QUE

,

ETICA:
UM BREVE HISTÓRICO

ESTE CAPíTULO

PROPORCIONARÁ

a você um breve percurso pela história das

idéias éticas, oportunidade

em que você poderá perceber a estreita relação e o mundo das

existente entre a evolução do mundo material (econômico) idéias e valores da sociedade.

ANTIGUIDADE:
A ASSOCIAÇÃO ENTRE ÉTICA E POlÍTICA A Grécia antiga, onde se originaram as reflexões éticas, acentua o caráter público das questões relativas aos valores. Os gregos entendiam que os juízos sobre o bem, a verdade, a justiça eram ditados pela consciência moral (individual), mas decididos de maneira livre e racional em praça pública, na pólis.

A

PÓLlS ERA,

PARA

os

GREGOS,

O LUGAR

ONDE

os

HOMENS,

POR MEIO

DO DEBATE, DECI-

DO DIÁLOGO, DIAM NO, TUDO

PELO USO DA PALAVRA COMUM:

EXERCITAVAM A MELHOR

SUA CIDADANIA, LEI, A MELHOR FORMA

OU SEJA, FORMA

SOBRE O DESTINO SE A CIDADE

QUAL

DE GOVERENFIM,

DEVE IR À GUERRA,

QUAL

A MELHOR

DE COMÉRCIO,

QUE DIZ RESPEITO À COISA

PÚBLICA,

AO BEM COMUM.

I

É

T

C

A

R

A

B

A

L

H

O

Para os gregos, portanto, da racionalidade

o mundo ético - dos valores - era o mundo que se realizam plenamente ainda, que a condição na pólis,

e da liberdade,

pela prática política. Consideravam,

para o pleno

exercício da cidadania é que o diálogo fosse travado entre homens livres e iguais. Isso quer dizer que um comportamento livre de qualquer constrangimento, só pode ser ético quando

necessidade ou determinação.

A

GRÉCIA ANTIGA

CARACTERIZAVA-SE

COMO UMA SOCIEDADE ESCRAVISTA.

NESSE TI-

PO DE SOCIEDADE

AS RELAÇÕES DE PODER ERAM POLARIZADAS

ENTRE SENHORES E

ESCRAVOS. Aos PRIMEIROS, RESPONSÁVEIS PELO PENSAR, PELO TRABALHO INTELECTUAL, ESTAVA RESERVADO O DIREITO À CIDADANIA, COMUM. NUAL, O DIREITO AO JULGAMENTO DO DESTINO MA-

OS ESCRAVOS, AS MULHERES E CRIANÇAS, NÃO PARTICIPAVAM

A QUEM CABIA O TRABALHO

DO ESPAÇO PÚBLICO DAS DECISÕES, FICANDO-LHES

RESER-

VADO O UNIVERSO DO PRIVADO QUE REPRESENTAVA O ESPAÇO DO CONSTRANGIMENTO, DA OBEDIÊNCIA, DA OBRIGAÇÃO.

É

T

I

C

A:

U

M

B

R

E

V

E

SOCIEDADE MEDIEVAL:
A ÉTICA DA INTERIORIDADE Na Idade Média, os princípios mudança. Em função do poder exercido pela Igreja, as normas de convivência social da Idade Média passam a ser reguladas pelos princípios do cristianismo. Ora, as duas virtudes que se traduzem capitais do cristianismo são a fé e a caridade, internas, de orda ética antiga sofrem uma significativa

em sentimentos

e intenções, virtudes

dem privada dos indivíduos. Desse modo, a dimensão ética já não se manifesta na ação, no comportamento, no agir social, mas nas boas intenções

e no desejo de alcançar o bem para atender à vontade divina. Se antes os valores éticos deveriam nortear busca do bem comum, na Ética cristã a finalidade encaminhar as relações humanas em da prática dos valores é

as relações dos indivíduos para com Deus, supremo juiz das

ações humanas: é Ele que pode observar a consciência e saber as intenções dos homens. Desse modo, o que passa a ser avaliado é a interioridade, consciência. Para controlar funcionaria a interioridade, cria-se a idéia de culpa pessoal. A culpa que sabe quando a fé foi insuficiente, a

como um juiz particular

a adesão não-sincera. É esse juiz, implacável na avaliação, que tira a paz dos indivíduos, faltas. Essa mudança de finalidade marca o rompimento do vínculo entre Ética fazendo com que eles paguem, desde agora, por suas

e Política. E a conduta ética, que era decorrente da vontade, livre e racional (crítica), apresenta-se, agora, como capacidade de obediência à lei divina,

à ordem dada, à determinação
Com a vigência deliberação sabilidade determinado sibilidade humanas. pessoal.

da autoridade. desvaloriza-se a autonomia e a

desses princípios,

Dá-se a decadência

e a fragilização

da respon-

Isso porque

se acreditamos superior, divina,

que tudo já está prelimitamos nossa poscomo vamos

por uma ordem

de escolha,

de decisão.

E se não escolhemos,

nos responsabilizar?

A

R

A

A

A

IDADE

MÉDIA

SE ORGANIZA SOCIAIS

SEGUNDO

O MODELO

DE PRODUÇÃO

FEUDAL.

NESSE OS

MODELO SENHORES VAM. çÃO

AS RELAÇÕES -

CARACTERIZAM-SE -

POR RíGIDA -

HIERARQUIA QUE

ENTRE

PROPRIETÁRIOS

DAS TERRAS EM TROCA

E OS SERVOS DO TRABALHO, OS SERVOS

AQUELES APENAS

AS CULTIVA-

A

ESSES ÚLTIMOS

CABIA,

A PARTE DA PRODUOBEDIÊNCIA AOS SE-

NECESSÁRIA MAS,

À SUBSISTÊNCIA DIFERENTEMENTE EM CASO

FAMILIAR. DOS

DEVIAM

NHORES, çÃO DOS

ESCRAVOS,

POSSUíAM

DIREITO

À VIDA

E PROTECOMPE-

SENHORES

DE GUERRA.

À

IGREJA,

DETENTORA

DO SABER,

TIA A MANUTENÇÃO

DOS PRINCíPIOS

DE OBEDIÊNCIA

QUE REGULAVAM

ESSAS RELAÇÕES.

Na passagem da Idade Média para o período correspondente dernidade ocorreram cio, o descobrimento duziram mudanças grandes transformações (a intensificação

à mo-

do comér-

de novas terras, importantes radicais na ordem econômica

invenções) que introe, conseqüentemente,

na ordem das idéias e valores da sociedade.

CONSIDERA-SE REFERÊNCIA

O TEMPO PARA INDICAR

DECORRIDO O PERíODO

ENTRE

O SÉCULO

XIII

E O SÉCULO

XVI

COMO FEUDAL.

DE DESAGREGAÇÃO

DA ANTIGA

ORDEM

Com a intensificação

do comércio,

os servos libertos saem do campo

para os burgos, onde passam a dedicar-se à atividade comercial. No desenvolvimento dessa atividade, fundadas eles começam a estabelecer relações mais

igualitárias empenhada.

nos valores do trabalho,

da honestidade,

da palavra assim

Surge então uma nova classe social - a dos burgueses,

chamados porque viviam nos burgos.

OS BURGOS, POR SERVOS

NA IDADE QUE

MÉDIA,

ERAM DO

PEQUENAS SENHOR DELAS

VILAS

FUNDADAS ESSAS

À BEIRA DAS ESTRADAS
TINHAM SUA BASE

ESCAPAVAM

FEUDAL. VIERAM

VILAS

ECONÔMICA

NO COMÉRCIO CLASSE SOCIAL -

E MUITAS NASCIDA DETENTORA

A TRANSFORMAR-SE COM DE XX, O TEMPO PRODUÇÃO COMO

EM CIDADES.

A

BURGUESIA, ALTA

A PARTIR DAí, DOS MEIOS

VEIO A DIVERSIFICARE EM MÉDIA. MÉDIA E

SE EM PEQUENA

BURGUESIA

BURGUESIAS

DESIGNADAS,

NO SÉCULO

CLASSE

Novas relações

econômicas

e sociais têm origem,

favorecendo

a

E

T

I

C

A:

U

M

B

R

E

V

E

passagem da antiga ordem feudal para o capitalismo se uma nova ética.

moderno.

Instaura-

CAPITALISMO DOS MEIOS SISTEMA,

É O SISTEMA
DE PRODUÇÃO -

SOCIOECONÔMICO MATÉRIA-PRIMA

CENTRADO

NA

PROPRIEDADE DE TRABALHO.

PRIVADA NESSE OU DE

E INSTRUMENTOS ENTRE AQUELES DE TRABALHO,

A PRODUÇÃO

ESTÁ ORGANIZADA E OS INSTRUMENTOS SUA FORÇA

QUE DETÊM E OS QUE,

O CAPITAL, EM TROCA

SEJA, A MATÉRIA-PRIMA SALÁRIO, EMPREGAM

DE TRABALHO

PARA IMPULSIONAR

A PRODUÇÃO.

SOCIEDADE MODERNA:
A ÉTICA DO TRABALHO Ao surgimento corresponde e fortalecimento de uma nova classe social - a burguesia de uma nova ordem de valores, que passa

o desenvolvimento

a nortear as relações entre os homens. Os interesses dessa nova classe, dependentes produção e da expansão do comércio, exigiam do desenvolvimento mão-de-obra a produtividade da

livre e
e de

dedicação ao trabalho capazes de aumentar
contribuir para a prosperidade dos negócios.

A nova classe em ascensão tem como características as virtudes de laboriosidade, honradez, puritanismo, amor à pátria e à liberdade, em contraposição aos vícios da aristocracia - desprezo ao trabalho, ociosidade, libertinagem. O trabalho, na modernidade, passa a ser reconhecido como fato social determinante da própria humanização do homem (fator que o distingue do animal) e elemento capaz de modificar as condições de existência da própria sociedade.

ANTES, PALAVRA

O TRABALHO TRABALHO MESMO

SEMPRE VEM

FOI VISTO

DE FORMA

NEGATIVA.

NA

SUA

ORIGEM,

A

DO LATIM BíBLIA

TRIPALlUM, O TRABALHO BíBLICOS,

QUE SIGNIFICAVA É PROPOSTO O HOMEM

UM

INSTRUMENTO CASTIGO PELA

DE TORTURA. CULPA LHAR NADA DE ADÃO

NA

COMO

E EVA (NOS

TERMOS

É CONDENADO A MULHER MÉDIA,

A TRABACONDEÉ DESVA-

E A GANHAR AO TRABALHO

O PÃO COM DE PARTO).

O SUOR DO SEU ROSTO, NA GRÉCIA ANTIGA

FICANDO E NA IDADE SERVOS.

LORIZADO

POR ESTAR RESERVADO

AOS

ESCRAVOS

E AOS

I
enfim,

,

!

C

A

TRABALHO

A sociedade moderna declara o trabalho

uma expressão de liberdade,

uma vez que, por meio dele (seja pela força física, pela ciência, pelas artes) o homem modifica a natureza, inventa a técnica, cria nova realidade, a si próprio e a sociedade

altera o curso das coisas, alterando

onde ele vive.

Identifica-se o trabalho como fator econômico, salário, poder aquisitivo, mas também determina o como necessidade psicológica da humanidade, pertencer já que

status de uma pessoa, fazendo-a
pessoal e social.

a um grupo, permitindo-

levando-a a estabelecer laços comunitários lhe realização e felicidade

e de solidariedade,

Com base no papel atribuído à atividade humana, a sociedade moderna desenvolve uma ética do trabalho.

~

ÉTICA DA

DO

TRABALHO -

CONSISTE FATOR

EM

ENTENDER

ESSA

ATIVIDADE

O TRABALHO IDENTIDADE

COMO

FUNDAMENTAL PESSOAL ORDEM SOCIAL, NA

À CONSTRUÇÃO

E DA

REALIZAÇÃO DE UMA

E AO ONDE NA

ESTABELECIMENTO PREVALEÇAM E NA

RELAÇÕES IGUALDADE

FUNDADAS ENTRE

DIGNIDADE,

LIBERDADE

OS HOMENS.

É

T

I

C

A:

U

M

B

R

E

V

E

Paralelamente relacionados outros

a essa valores,

visão como

idealizada, disciplina,

ao

trabalho

são

ainda

subordinação,

aplicação o espírito do

e segurança pessoal. Esses são os valores capitalismo. se contrapõem solidariedade sociedade. Ao lado igualdade humana, do valor POSitiVO do trabalho, entre os homens fatores necessários Como você pode observar,

que manifestam

eles são diferentes

e até mesmo criação, e da

às idéias de trabalho e princípio

como expressão do

de liberdade, próprio homem

de transformação

a modernidade próprias

afirma

que

a

e a liberdade consideradas

são condições

da natureza da ética

ao pleno desenvolvimento

do trabalho.

NESSECONTEXTO, CRIAM-SEOS DIREITOSCIVIL, POLíTICOE SOCIAL. O DIREITOCIVIL TEM COMO REGRAMÁXIMA o PRINCíPIODE QUE TODOS SÃO IGUAIS PERANTEA LEI; O DIREITOPOLíTICODETERMINAO PLURALISMOPARTIDÁRIOE AS ELEiÇÕESLIVRES; O DIREITOSOCIALASSEGURAO TRABALHOREMUNERADO,A PREVIDÊNCIA SOCIAL, SAÚDE E EDUCAÇÃO.

Mas será que,

por natureza, percebemos.

os homens Os homens força

são realmente naturalmente desejos,

iguais

entre

si? Não é isso que diferenças Para firmar

apresentam aspirações, etc.

- de sexo, raça, estatura, uma postura

física,

ética basta-nos

promover

a igualdade

de direitos natural. natural?

entre os homens,

sem, entretanto, o homem afirmar

deixar de reconhecer moderno afirma

a diferença como

E por que, então, Isso acontece

a igualdade da liberdade

porque

a naturalidade moderna.

e da igualdade

é útil aos interesses

da sociedade

COMO VOCÊ JÁ SABE, A SOCIEDADEHUMANA

É

ARTIFICIAL,

É

CRIADA PELOHOMEM

PARA ESTABELECER UMA CERTAORDEM QUE RESPONDE SEUSINTERESSES. A

Na defesa teoria

desses

interesses, - que

o homem utiliza

moderno

lança

mão

de uma e de

- a teoria natural

liberal

os conceitos social;sua

de igualdade ordem

liberdade

para justificar

sua prática

econômica

É

T

I

C

A

TRABALHO

e, inclusive, a forma de organização

do Estado moderno. você conhecerá os princípios da

Para entender melhor esse movimento, teoria liberal e seus desdobramentos da sociedade moderna.

práticos na ordem econômica e política

Segundo os princípios da teoria liberal, a economia é regulada por leis próprias, leis naturais que garantem o equilíbrio das relações e meca-

nismos de mercado. Assim, as relações econômicas deveriam desenvolverse livremente, sem controle ou intervenção do Estado ou de qualquer e do desen-

outra ordem, para garantia volvimento da sociedade.

do seu próprio desenvolvimento

Segundo essa teoria, o Estado ideal deve ser mínimo, tendo sua função limitada a recolher impostos e dar amplas diretrizes para a economia. Ao Estado liberal não cabe intervir nos preços das mercadorias, nem nos alu-

guéis, nem nas mensalidades escolares ou em qualquer outro serviço que possa ser prestado pela iniciativa particular. Os princípios da teoria liberal servem, assim, para justificar, por exemplo, as relações de mercado, que seriam reguladas pela liberdade entre as liberdade seria equili-

partes interessadas, uma vez que cada uma teria, teoricamente, para comprar e vender. A questão do valor (preços) também brada devido a esse princípio básico.

O mesmo raciocínio é aplicado para justificar os contratos de trabalho: estes seriam justos, se firmados entre homens livres e iguais que podem, por isso, fazer escolhas, decidir sobre a ordem social e política, sobre salários etc.

I

ENTRETANTO, SÃO

A REALIDADE EM

NÃO

É BEM ASSIM.

COMO

OS CONTRATOS DESIGUAIS, A

DE TRABALHO LIBERDADE DO

ESTABELECIDOS

CONDiÇÕES

ECONÕMICAS

CANDIDATO

É RELATIVA:

OU ACEITA AS CONDiÇÕES

PROPOSTAS OU FICA DESEMPREGADO.

Vale perguntar, de concretizar

então, até que ponto a sociedade moderna foi capaz

a proposta contida na ética do trabalho. sob o sistema capitalista dessa questão.

A análise da evolução do mundo do trabalho, de produção, fornece elementos

para o entendimento

Você verá, a seguir, no capítulo 3, como se deu essa evolução.

EXERCíCIOS

1 A

SOCIEDADE

DOS ANTIGOS PRIVADO.

GREGOS

ESTABELECIA

RIGOROSA

DISTINÇÃO

ENTRE O ESPAÇO

PÚBLICO EXPLIQUE

E O ESPAÇO

EM QUE CONSISTE

ESSA DISTINÇÃO.

2 Os

VALORES

DOMINANTES

NA GRÉCIA

ANTIGA

NÃO

PERMITIAM

QUE SE DISSOCIASSE

ÉTICA

DE POLíTICA. INDIQUE OS VALORES DA SOCIEDADE GREGA QUE JUSTIFICAM ESSA LIGAÇÃO.

É

T

I

(

A

TRABALHO

3

POR QUE SE AFIRMA E DA DELIBERAÇÃO

QUE A ÉTICA HUMANAS?

CRISTÃ

TERIA

MARCADO

A DECADÊNCIA

DA AUTONOMIA

4 As

MUDANÇAS

QUE SE OPERAM

NA ORDEM

ECONÔMICA

SÃO FATORES QUE INFLUENCIAM

A

ORDEM DÊ

DAS IDÉIAS

E OS VALORES

DA SOCIEDADE. ESSA AFIRMAÇÃO.

EXEMPLOS

HISTÓRICOS

QUE ILUSTREM

5

LEIA

O TEXTO

A SEGUIR:

"As mais insignificantes vem ser consideradas.

ações que afetam o crédito de um homem deO som de teu martelo às cinco da manhã, ou às seis meses a

oito da noite, ouvido por um credor o fará conceder-te

mais de crédito; ele procurará, porém, por seu dinheiro no dia seguinte, se te vir em uma mesa de bilhar ou escutar tua voz, em uma taverna, quando deverias estar no trabalho; dispor dele. Isto mostra, além do mais, que estás consciente do que possuis; fará com que pareças um homem tão cuidadoso quanto honesto e isto ainda aumentará mais o teu crédito."
(Retrato da Cultura Americana, Benjamin Franklin)

exigi-Io-á de ti antes de que possas

VocÊ

PODE

PERCEBER

QUE

O TEXTO

MANIFESTA RESPONDA:

VALORES

QUE

O AUTOR

ATRIBUI

AO

TRABALHO. A QUAIS

Após

ESSA CONSTATAÇÃO,

SÃO ESSES VALORES?

B

ATÉ

QUE

PONTO

ESSES VALORES (ÉTICA

SÃO COMPATíVEIS

COM

AQUELES

PROPOSTOS

PELA ÉTICA

DA MODERNIDADE

DO TRABALHO)?

6

NA

SOCIEDADE

MODERNA

DÁ-SE

UMA

MUDANÇA

RADICAL

NO

MODO

DE ENTENDER

A

ATIVIDADE CEDERAM, NA

PRODUTIVA: É SUBSTITUíDA

A VISÃO

NEGATIVA, VISÃO

PREDOMINANTE POSITIVA

NAS SOCIEDADES

QUE A ANTE-

POR UMA

DO TRABALHO. ATRIBUíDA AO TRABALHO LIVRE

SUA OPINIÃO,

O QUE JUSTIFICARIA

A IMPORTÃNCIA

NA MODERNIDADE?

7 EM

TODO

LUGAR, DE SEXO,

OBSERVA-SE RAÇA,

UM TRATAMENTO SOCIAL,

DIFERENCIADO ETC. A

ENTRE AS PESSOAS, HUMANA

SEJA POR SOFRE

RAZÕES

CLASSE PARTE.

LIBERDADE

TAMBÉM

CERCEAMENTO COM

POR TODA

BASE NESSA CONSTATAÇÃO, ENTRE OS HOMENS PROCURE

EXPLIQUE COMO

POR QUE A MODERNIDADE CONDiÇÕES PRÓPRIAS QUE

AFIRMA

A IGUALDADE HUMANA. BUSCAVAM

E A LIBERDADE (NA SUA

DA NATUREZA ESSES VALORES

RESPOSTA )

IDENTIFICAR

OS INTERESSES

JUSTIFICAR.

A
MUNDO

EVOLUÇÃO DO DO TRABALHO

As

IDÉIAS

QUE COMPÕEM

este capítulo permitirão

que você acompanhe as

mudanças ocorridas na organização favorecer sua compreensão

do processo de produção, de modo a

das diferentes formas de organização do mun-

do do trabalho e do valor atribuído a essa atividade, ao longo da história.

DAS MANUFATURAS À INDUSTRIALIZAÇÃO
Como você viu no capítulo anterior, a desintegração moderno. do sistema feudal

deu lugar à ordem econômica do capitalismo No início do período correspondente dos antigos servos, agora dedicados nizada em torno das corporações

à sociedade moderna, a produção à atividade comercial, esteve orga-

e manufaturas.

As

MANUFATURAS SEM EM

CORRESPONDEM RECURSO ÀS

AO

ESTÁGIO NELAS, ONDE

EM

QUE

A PRODUÇÃO

ERA FEITA ORGANIREPASSAREALIZADA COMUNS.

À MÃO, ZAVAM-SE DAS

o

MÁQUINAS. DE OFíCIOS,

OS TRABALHADORES AS HABILIDADES DA PRODUÇÃO DOS ERAM ERA

CORPORAÇÕES

DE UM

TRABALHADOR E ONDE

A OUTRO,

A EXECUÇÃO

COOPERATIVAMENTE

SE DESENVOLVIA

A DEFESA

INTERESSES

Nessessistemas domésticos de produção, o trabalhador mantinha familiaridade com o produto de seu trabalho - ele era proprietário dos instrumentos de produção e participava de todas as suas etapas, desde a concepção do projeto até sua execução e colocação no mercado. Ao mesmo tempo em que se desenvolviaa produção manufatureira, no entanto,
a; comerciantespromoviam o estímulo à navegação,em busca de novos mercados.

As viagens, além da esperada conquista de mercados, favoreceram o contato com importantes invenções, possibilitando a ampliação do conhecimento, o aperfeiçoamento das técnicas e a acumulação de capital. E isso permitiu a compra de matéria-prima e de máquinas, logo introduzidas no processo de produção. Era o início do sistema fabril de produção. Ao emprego de maquinário correspondeu o aparecimento das futuras fábricas, o que provocou mudanças fundamentais na ordem econômica e nos valores da sociedade. Em que consistiram essas mudanças?

A utilização de máquinas - inicialmente o tear mecânico - proporcionou a agilização da produção. Isso fez com que muitas famílias dedicadas ao trabalho doméstico nas antigas coorporações e manufaturas fossem agora obrigadas, para sobreviver, a dispor de seus instrumentos balho e a vender de trasua

força de trabalho. Com a implantação do sistema fabril dá-se a organização do capitalismo propriamente balhadores dito: os trajá não dis-

põem da matéria-prima nem dos instrumentos de trabalho. Ficainstituída a

divisão social do trabalho,
com ritmo e horários preestabelecidos.

É

T

C

A

R

A

B

A

o

ENTENDE-SE

POR DIVISÃO DE ACORDO NECESSÁRIOS

SOCIAL COM

DO TRABALHO AS DIFERENÇAS

A DISTRIBUiÇÃO DE

DAS TAREFAS

PRÓPRIAS E

À PRODUÇÃO
FORÇA SE FAZ FíSICA

CONHECIMENTO,

HABILIDADE MODERNA,

À SUA EXECUÇÃO. DA

ESSA

DIVISÃO, ENTRE

NA SOCIEDADE O FAZER

SEGUNDO ENTRE

O PRINCíPIO

DIFERENCIAÇÃO QUE

E O PENSAR, QUE EXECUTAM

DA A

DISTINÇÃO PRODUÇÃO.

OS TRABALHADORES

CONCEBEM

E AQUELES

Tem origem, assim, uma nova classe social: o proletariado.

PROLETÁRIO, APENAS QUE PELA

VEM PROLE,

DO

LATIM

PROLETARIU,

QUE

SIGNIFICA" DAí

CIDADÃO O TERMO

POBRE,

ÚTIL

ISTO É, PELOS FILHOS SOCIAL

QUE GERAVA".

PROLETARIADO, POR

SIGNIFICA

A CAMADA PERMANENTE

FORMADA

POR INDiVíDUOS

CARACTERIZADOS DE VIDA,

SUA QUALIDADE E REAÇÕES

DE ASSALARIADOS SITUAÇÃO.

E POR SEUS MODOS

ATITUDES

DECORRENTES

DE TAL

A introdução

dessa divisão social do trabalho igualmente,

modificou

radicalmente

as relações de produção, alterando, dor com o produto de seu trabalho.

a vinculação do trabalha-

Por ter sua atividade limitada à execuficou excluído de qualquer

ção de tarefas bem específicas, o trabalhador participação

nas decisões referentes ao processo de trabalho. do século XVIII ocorreram novas modificações a reorganização na ordem

Na Inglaterra

econômica, o que, mais uma vez, determinou produtivo.

do processo

A utilização da máquina a vapor promove a mecanização da increscimento da produção do se-

dústria têxtil e, por causa disso, um extraordinário

da indústria de tecidos acontece. Dá-se, também, o desenvolvimento tor de metalurgia. Nesse período, o peso da economia

se desloca do se-

tor primário (agricultura) Revolução Industrial.

para o setor secundário (indústria).

É a chamada

Ao grande progresso material que se seguiu a essa revolução não correspondiam condições dignas de trabalho. A questão social manifesta-

va-se nas jornadas de 16 a 18 horas de trabalho por dia; na falta de direito a férias ou a qualquer outro benefício; na utilização de mulheres e crianças como mão-de-obra barata; e nas condições insalubres de trabalho.

A

EVOLUÇÃO

Ao processo de industrialização revolução pós-industrial, passam a compreender

seguiu-se o fenômeno

conhecido como

caracterizada

pela ampliação dos serviços, que da economia. Essa ampliação, direta tanto da

o setor terciário

iniciada em meados do século XIX, é uma decorrência evolução tecnológica como da própria complexidade

das organizações

industriais, cujas atividades passam a depender, cada vez mais, das técnicas de informação e comunicação.

A ADMINISTRAÇÃO CIENTíFICA DA PRODUÇÃO
Quando, no princípio do século XX, Henry Ford introduziu de linha de montagem, na indústria

automobilística modificações

o sistema

têm início novas

no processo produtivo. passa a ser administrada cientificamente,

Nesse sistema, a produção

com base em teoria elaborada por Frederick Taylor. Para Taylor, o trabalhador é preguiçoso e usa inadequadamente os

movimentos - fatores responsáveis pelo desperdício de tempo e, portanto, pela diminuição da produtividade nas empresas. Para ele, assim, o controle seria absolutamente necessário para

racional do processo de produção garantir essa produtividade.

I

É

T

I

C

A

TRABALHO

Partindo desses princípios, Taylor propõe o controle dos tempos e movimentos necessários à fabricação de unidades de produtos, garantindo,

desse modo, o aumento

da produtividade,

porque assim se evita o desdesne-

perdício de tempo, de movimentos, cessários à execução das tarefas. Conhecido como modelo

de gestos e comportamentos

taylorista-fordista

- numa referência

ao

autor da teoria e ao empresário que primeiramente de gerenciamento do trabalho.

a adotou - esse sistema da divisão social

da produção provoca a intensificação

Tal fato se caracteriza por rigorosa separação entre as fases de concepção e execução do processo produtivo, e extremo ferenciados controle e burocratização, rígida hierarquia funcional

gerando dois níveis bastante dique apenas exe-

de trabalhadores:

de um lado, os operários,

cutam a produção; do outro, os gerentes, responsáveis pelo planejamento e especializados em treinar e fiscalizar o desempenho das tarefas neces-

sárias à execução da produção. Em função disso, o modelo taylorista-fordista vorecer a desqualificação do trabalhador, de produção acaba por faa um autômato,

reduzindo-o

repetidor de gestos mecânicos e rotineiros. Retira-lhe a possibilidade de acesso ao conhecimento -

que fica restrito aos níveis de gerência -, a

criatividade, o sentimento, a emoção, o desejo e, portanto, a perspecpes-

tiva de realização

soal pela atividade produtiva. E essa mudança contribui decisivamente para o desmoronamento da crença nos valores que caracterizam a ética do trabalho.

A

EVOLUÇÃO

A organização

científica do trabalho corresponde - a produção

a uma etapa do capiem série - era

talismo em que a quantidade

padronizada

tida como fator de competitividade, acumulação capitalista.

ou seja, de conquista de mercado, de

EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E FLEXIBILIZAÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO

o

avanço científico-tecnológico,

que se acentuou

a partir da década de que

70, veio alterar os padrões de concorrência

das empresas, permitindo da produção.

fossem repensadas as formas de organização Sem alterar os custos e a produtividade base microeletrônica atendimento permite produzir fracionadas

das empresas, a tecnologia

de

menor quantidade ou individualizadas,

de artigos para conforme as

a demandas

exigências do consumidor. titividade

Ao invés da quantidade,

o padrão de compea despadronização,

passa a ser, a partir de então, a qualidade, da produção. mais competitivas,

a personalização Para se tornarem

as empresas se organizam em blocomo o/igopo/ização de

cos, dando origem aos fenômenos mercados e g/oba/ização mas de gerenciamento

conhecidos

da economia. ou administração

Assim passam a buscar novas forda produção.

CARACTERIZA-SE BEM ASSOCIAM-SE NO MERCADO.

UM

OLIGOPÓLIO

QUANDO ÚNICA,

EMPRESAS VISANDO

PRODUTORAS

DE UM

MESMO PREÇO OUTRO DA E, POR QUE MAIS

EM OPERAÇÃO É COM É O

A OBTENÇÃO

DE MELHOR NO BRASIL.

ASSIM

A INDÚSTRIA FENÔMENO VIZINHOS

AUTOMOBILíSTICA CONHECIDO COMO

EXEMPLO ECONOMIA: MEIO

DE OLIGOPÓLIO PAíSES -

GLOBALlZAÇÃO EM BLOCOS, VANTAGENS DE MODO

GERALMENTE ESPECIAIS, DE

SE ORGANIZAM PREÇOS NO

DE ACORDOS A

ESTABELECEM SEUS

E OUTRAS MERCADO ESTÃO

FAVOREÇAM COMPETITIVO. QUE

COLOCAÇÃO EXEMPLOS OS

PRODUTOS DA

DE GLOBALlZAÇÃO DO BRASIL,

ECONOMIA

NO

MERCOSUL URUGUAI E

REÚNE

MERCADOS -

ARGENTINA,

PARAGUAI,

POSSIVELMENTE

O CHILE

E NA UNIÃO

EUROPÉIA.

I

É

T

I

C

A

TRABALHO

A exigência de uma nova forma de gerenciamento, vações tecnológicas delo taylorista-fordista uso da informação e da globalização de produção

decorrente

das inoo mo-

da economia, vem substituir por uma administração

baseada no

e na flexibilização

dos processos de trabalho.

Essa nova forma de administração fundamentais à reorganização

da produção introduz dois aspectos a redução da dirígida de ele-

do mundo do trabalho:

visão social do trabalho

- que, como você viu, era extremamente taylorista-fordista - e a. exigência

no modelo de administração vação da qualificação

do trabalhador.

São esses dois aspectos do atual modelo de produção flexível que dão margem a interpretações otimistas quanto às possibilidades de revalo-

rização do trabalho

e do trabalhador. afirma-se que uma economia baseada

No âmbito dessas interpretações, na automação e orientada

no sentido de alcançar a qualidadejdespadro-

nização da produção passa a necessitar de uma mão-de-obra crítica e criativa, com aptidão para o trabalho em equipe e capacidade para executar a

tarefas variadas e de responsabilidade.

Isso reduziria significativamente

separação entre o fazer e o pensar, como também o controle e a burocracia do processo de produção. Por outro lado, a automatização trabalho necessária à produção provocaria a diminuição da força de

direta, criando uma crescente demanda

por múltiplos

serviços que passariam a absorver recursos humanos com científica e tecnológica.

alta qualificação

Também não se pode perder de vista que o alto índice de automação tende a transformar as tarefas manuais de execução em tarefas de infortarefas complexas que exigem do trabalhador o

mação e comunicação, desenvolvimento diagnosticar

da capacidade de abstração para ler e interpretar

dados,

problemas e apontar soluções. científico e tecnológico - que no modelo de

Assim, o conhecimento

produção em série era dispensável para a grande maioria dos trabalhadores - torna-se fundamental numa economia baseada na automação. flexível torna-se funda-

Do mesmo modo, no modelo de administração mentai uma maior participação do trabalhador

no processo de produção,

A

EVOLUÇÃO

o que lhe permitiria recuperar sua autonomia, sua iniciativa e criatividade balho e do trabalhador. Paralelamente às interpretações

sua força de coesão social, à dignidade do tra-

- valores fundamentais

antes referidas, desenvolvem-se análises

pessimistas, muitas vezes alarmantes, sobre a nova organização do mundo do trabalho. Essas análises partem da constatação cessos de trabalho de que a flexibilização dos prode uma

impõe às empresas a introdução

de um conjunto configurariam

medidas que, longe de valorizar a atividade produtiva, crise da sociedade do trabalho. Para reduzir custos e garantir competitividade presas têm sido levadas à adaptação da jornada

e produtividade, de trabalho

as em-

a situações

específicas, à realização de trabalho em tempo parcial e ao estabelecimento de contratos de duração determinada e a e curta. São também levadas a en-

xugar sua estrutura constituem

terceirizar um conjunto de atividades que não

o objetivo específico de seu negócio.

A

PRÁTICA

DA TERCEIRIZAÇÃO

CONSISTE

EM DELEGAR ATIVIDADES NAS

A PESSOAS QUE NÃO PERTENCEM NECESSÁRIAS

AO QUADRO MAS

FIXO DA EMPRESA (TERCEIROS) SÃO SEU OBJETIVO A TERCEIRIZAÇÃO ESSE

À ORGANIZAÇÃO,
É COMUM,

QUE NÃO

PRINCIPAL.

EMPRESAS

MODERNAS

POR EXEMPLO, ENTRE

DE SERViÇOS TEM (DE

DE LIMPEZA,

VIGilÂNCIA, PARA ÚlTIMAS

ESCRITURAÇÃO, EXTRAORDINÁRIO

OUTROS.

ESQUEMA

CONTRIBUíDO SERViÇOS) NAS

o

CRESCIMENTO

DO SETOR TERCIÁRIO

DÉCADAS.

(...) nA indústriafoitiovamente uma das principais responsáveis pelo maior número de des.empregados ..As empresas desse segmento da economia dispensaram 138 mil empregados em janeiro, o que correspondeu a uma queda de 7,6% sobre a mão~de-obra do mesmo período de 1995. A área de serviços contraton 169 mil trabalhadores, com alta de 5,1%, e o comércio admítiu 20 mil pessoas, com crescimento de 1,6%. 'Está havendo uma transferência de pessoas da indústria para os serviços. Mas isso representa uma diminuição na renda, pois mnitos trabalhavam antes em empresas e com carteira assinada' (...)" - Jornal do Brasil, 27/02/96

É

T

I

C

A

TRABALHO

Pelo que você leu na notícia, deve ter observado associadas à crise econômica, desemprego muito têm contribuído

que essas medidas, para o aumento do de tra-

e para tornar mais informais

as relações contratuais aumentando,

balho: vários postos de trabalho

são eliminados,

considera-

velmente, a massa de trabalhadores trabalhadores em tempo

sem carteira assinada, subempregados, atividades

parcial e pessoas que desenvolvem

por conta própria. Hoje, além da flexibilização dos processos de trabalho, já se fala em discutido

flexibilização dos direitos trabalhistas.

Esse processo, amplamente

na imprensa, consistiria em reduzir a folha de pagamento mediante a exclusão do pagamento

das empresas como 13º a

de direitos já adquiridos,

salário, férias, repouso semanal remunerado. oferta de emprego.

Tudo isso para aumentar

"Um trabalhador com carteira assímlda de seu salário, como dizem os das férias e do abono de férias, e realmente pagamento a mais. (...) Qu não deixa de empregar porque os contrata. Mas que diferença fari ser contratado se ele não tiv salário, Fundo de Garantia e P um contrato de trabalho?

Ao acompanhar

as diferentes .fases da organização

do mundo do tra-

balho, podemos concluir que o estágio atual da economia capitalista, além das exigências de reorganização de ordem interna e externa às empresas,

traz grandes desafios para os governos e para a sociedade em geral. E quais seriam esses desafios?

li

RATA-SE DE BUSCAR FORMAS SOCIAL, DE REDIMENSIONAR

ALTERNATIVAS UMA

DE CONVIVÊNCIA

ÉTICA DO TRABALHO

E OS PRÓPRIOS VALORES DA MODERNIDADE.

EXERCíCIOS

1 Ao

EMPREGO DO MAQUINÁRIO TANTO AS NA ORDEM

NO PROCESSO DE PRODUÇÃO ECONÔMICA MAIS COMO

CORRESPONDEM

IMPORTANTES

MUDANÇAS, DIGA QUAIS

NOS VALORES DA SOCIEDADE. OCORRIDAS NESSE ESTÁGIO DE DE-

MUDANÇAS ECONÔMICO:

IMPORTANTES

SENVOLVIMENTO A

NA ORDEM ECONÔMICA:

B

NA ORDEM DOS VALORES.

2

INDIQUE

AS CARACTERíSTICAS

DO MODELO

TAYLORISTA-FORDISTA

DE PRODUÇÃO.

I
3
NA DÉCADA DE ESSAS MUDANÇAS DE ADMINISTRAÇÃO PARTINDO ESGOTAMENTO

A

A

A

o

70,

INICIA-SE

UMA MUDANÇA

RADICAL

NOS PADRÕES DE COMPETITIVIDADE E ADMINISTRAÇÃO DAS EMPRESAS. FLEXíVEL

E, CONSEQÜENTEMENTE,

NOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO O MODELO

SUBSTITUEM

TAYLORISTA-FORDISTA

PELO MODELO

DA PRODUÇÃO. AFIRMAÇÃO, APONTE OS FATORES QUE CONTRIBUíRAM PARA O

DESSA

DO MODELO

TAYLORISTA-FORDISTA

DE PRODUÇÃO.

4

A

NOVA

CONFIGURAÇÃO

DO

MUNDO

DO

TRABALHO,

DECORRENTE

DA

EVOLUÇÃO

TECNOLÓGICA DA PRODUÇÃO COM

E DA GLOBALlZAÇÃO BASEADA

DA ECONOMIA,

PASSA A EXIGIR UMA

ADMINISTRAÇÃO

NA FLEXIBILIZAÇÃO

DO PROCESSO DE TRABALHO. AS CONSEQÜÊNCIAS AS VANTAGENS DO MODELO E AS FLEXíVEL

BASE NESSA CONSTATAÇÃO, DA

DIGA QUAIS

DE ADMINISTRAÇÃO DESSE FENÕMENO

PRODUÇÃO,

INDICANDO

DESVANTAGENS

PARA O TRABALHO

E O TRABALHADOR.

5

NA ATUAL FASE DA ECONOMIA E COMPETITIVIDADE, A

CAPITALISTA,

AS EMPRESAS, PARA GARANTIR UM CONJUNTO CONSTITUEM DE MEDIDAS,

PRODUTIVIDADE ENTRE AS QUAIS DE SEUS

SÃO LEVADAS A TOMAR DE SERViÇOS QUE NÃO

TERCEIRIZAÇÃO

O OBJETIVO

PRINCIPAL

NEGÓCIOS. RELACIONE AS CONSEQÜÊNCIAS QUE ESSA MEDIDA ACARRETA PARA O TRABALHO E PARA O

TRABALHADOR.

o

6 A

EVOLUÇÃO

TECNOLÓGICA

E A GLOBALlZAÇÃO DE TRABALHO.

DA ECONOMIA HOJE

AVANÇAM

PARA ALÉM

DA DOS

FLEXIBILIZAÇÃO PRÓPRIOS

DOS PROCESSOS TRABALHISTAS.

JÁ SE DISCUTE

A FLEXIBILIZAÇÃO

DIREITOS

"O mInIstro do Trabalho trabalhistas (como o FGTS e com dois anos de duração, Jornal do Brasil, 11/2/96

a redução de encargos em contratos de trabalho o desemprego."

MANIFESTE

SUA OPINIÃO

SOBRE ESSA QUESTÃO.

I
A
CRISE DOS VALORES NA MODERNIDADE

No

DECORRER

DO ESTUDO

DESTE

capítulo,

você encontrará contribuíram

elementos

de

reflexão sobre os fatores que, na modernidade, lorização do trabalho e do trabalhador;

para a desva-

poderá, pela análise da chamada

crise da sociedade e da ética do trabalho, caracterizar suas conseqüências, assim como identificar ração dessa crise. possibilidades apontadas como alternativas de supe-

Não resta dúvida de que, no decorrer da história moderna, mente ao final do século XIX, os trabalhadores alcançaram

especial-

importantes

conquistas sociais: direito à previdência, a férias, ao repouso remunerado, ao adicional por insalubridade, ses direitos, entretanto, à educação, entre outros. A conquista desda des-

não se compara às perdas decorrentes no período.

valorização do trabalho

A evolução do processo produtivo sa desvalorização, principalmente

é um exemplo claro da história desque os princípios da ordem ecodos homens. impediu que

quando se constata

da ética do trabalho, nômica,

embora muito úteis à consolidação a se integrar à prática concreta

nunca chegaram

A crescente separação entre trabalho manual e intelectual

o trabalhador

tivesse acesso ao conhecimento, da solidariedade

excluindo-lhe

a autonomia,

o desenvolvimento

e a expressão da liberdade indispena onda de desemprego

sável ao exercício da cidadania. Mais recentemente, e o desmoronamento das relações contratuais

decorrentes da globalização

da economia e da flexibilização crise da sociedade do trabalho.

do processo de produção anunciam uma

Essa crise caracteriza-se pelo declínio da ética do trabalho, na descrença de que a atividade produtiva dignidade e de realização social.

manifestado

seja fonte de justiça social, de

PESQUISAS JÁ NÃO VALORES CAÇÃO MENOS

TÊM DEMONSTRADO

QUE A PROFISSÃO

E O CONFLITO

DE INTERESSES SOCIAIS TAMBÉM, QUE OS APLICOM

FAZEM

PARTE DAS PREOCUPAÇÕES AO TRABALHO, SALARIAL,

DOS JOVENS.

MOSTRAM,

RELACIONADOS E SEGURANÇA DE

TAIS COMO

DISCIPLINA,

SUBORDINAÇÃO,

VÊM SENDO NOVOS,

SUBSTITUíDOS, COMO

PELOS EMPREGADOS

35

ANOS,

POR VALORES

AUTO-REALIZAÇÃO,

CRIATIVIDADE,

AUTONOMIA

E LIBERDADE

DE DECISÃO.

Mas, ao refletir sobre a chamada crise da sociedade do trabalho, se pode pensá-Ia isoladamente.

não

Ela se inscreve numa situação mais geral

de crise dos próprios valores da modernidade. Na sociedade em que vivemos, torna-se nítida a falência dos valores cristãos-capitalistas e a ausência de verdades e modelos que orientem a

visão de mundo, tanto dos indivíduos como da sociedade. Esse momento do vem sendo nome genérico ficar ausência de ruptura da ordem de valores que estamos vivenestudado e avaliado denominação e modelos e até já recebeu o

amplamente

de pós-modernidade, de valores, verdades

usada para signie orien-

que unifiquem

tem nossa visão de mundo. E como explicar esse estado de falência dos valores da modernidade? Para entender essa questão é preciso refletir sobre as bases teóricas que deram sustentação e modelaram as relações sociais no mundo moderno. Vivendo sob a ordem econômica capitalista, lucro, os homens da modernidade regida pela lei do máximo

cultivaram a tendência a acumular bens,

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TRABALHO

gerar.do uma mora: própria, acima dos princípios estabelecidos.
de eco~amla favoreceu o desenvolvimento

Esse tipo

do espírito de posse, o egoísmo

e o :!"!o:vldualismo exacerbado. Por outro lado, a ética da modernidade ceito de liberdade privada, transformando-o herdou do cristianismo em liberdade o con-

econômica.

E isso retira da idéia de liberdade sua dimensão filosófica

mais autêntica.

FILOSOFICAMENTE, DO HOMEM

O CONCEITO

DE LIBERDADE

ENCERRA

A IDÉIA

DE QUE

É PRÓPRIA IN-

A POSSIBILIDADE

DE ESCOLHER

SEM COAÇÃO

OU CONSTRANGIMENTO COMO

TERNO OU EXTERNO. DE MUDAR AO QUE O CURSO PARECIA CRIADA

E

NESSE SENTIDO,

A LIBERDADE OUTRO

É ENTENDIDA RUMO; UMA

A CAPACIDADE NOVO SENTIDO EM NOVA

DAS COISAS,

DAR-LHE

PROMOVER SITUAÇÃO HUMANA.

FATALIDADE,

TRANSFORMANDO

DADA

REALIDADE,

PELO CONHECIMENTO

E PELA AÇÃO

o Estado

moderno que, como você viu no capítulo 3, organizou-se com

base nos princípios da teoria liberal, lançou mão do conceito de liberdade para justificar modernidade a ordem econômica. Assim, a liberdade de que fala a

é a liberdade de comprar e de vender, de estabelecer con-

tratos e preços de mercadorias e salários. Desse modo, quando manifestada berdade indivíduo passou a ser encarada na vida concreta dos homens, a lide cada um, do

como característica

com sua consciência autônoma,

em defesa de sua seguran-

ça pessoal, de sua propriedade Orientada fenômeno segundo

e dos seus direitos à livre negociação. a prática social deu lugar a um possessivo, comportamento

esses princípios,

conhecido como individualismo

que exalta a ordem do privado, dos direitos individuais e da liberdade pessoal, muitas vezes utilizado contra o interesse do bem público, do exercício da cidadania, do comprometimento social.

Mais uma vez (isso já tinha ocorrido na sociedade medieval), a ética desviou-se do que lhe é mais próprio: a dimensão pública, comum, social das normas e regras que norteiam as relações entre os homens em sociedade. Retomar a questão ética na sua dimensão pública apresenta-se, hoje, como um caminho

como o grande desafio dos homens da modernidade;

possível para o estabelecimento

de formas mais humanas de convivência da participação e, desse modo,

social, uma vez que favoreceria o exercício da cidadania, nas decisões que afetam propiciaria a consolidação os interesses da comunidade

de valores como a liberdade e a solidariedade

entre os homens.

REPENSANDO OS VALORES DA MODERNIDADE
A proposta de que a questão ética seja retomada na sua dimensão pública impõe o reconhecimento consciência de que o ser humano é capaz de exercer sua pelos seus atos. Isso significa

moral e de responsabilizar-se

entender que o homem é capaz de fazer um juízo crítico da realidade, ou seja, é capaz de avaliar a situação, consultar as normas estabelecidas pela sociedade, interiorizar algumas como suas, rejeitar outras, enfim, de pelas escolhas

decidir, de fazer escolhas e de assumir responsabilidade feitas. Nesse sentido, a consciência moral se confunde

com a liberdade. moral e,

Mas não podemos esquecer que o exercício da consciência portanto, da liberdade não é uma função preestabelecida,

natural da espéPelo contrário,

cie humana, como é, por exemplo, a função reprodutora.

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TRABALHO

esse exercício pressupõe determinadas

condições, que precisam ser com-

preendidas e observadas na nossa prática cotidiana. E quais seriam essas condições? Quais seriam os pressupostos básicos ao exercício da consciência moral, ao exercício da liberdade? Para que possamos exercer a liberdade, precisamos reconhecer nossas limitações imposição e possibilidades; de força interna precisamos não sofrer qualquer ou externa; coação,

é necessário

crer na solução

democrática. Essas são as condições necessárias ao exercício da consciência moral. Você vai ver a seguir, detalhada mente, a significação de cada uma delas.

o CONHECIMENTO o pressuposto básico
mem ignorante,

que orienta a consciência moral e, portanto,

o exer-

cício da liberdade é o conhecimento. dotado

Com isso queremos dizer que o hoingênua, imediatista e sim-

de uma consciência

ples age determinado

por necessidades particulares. Ele não problematiza,

não põe em questão a realidade à sua volta. Logo, não exercita sua liberdade de escolha, de decisão.

o

TERMO IGNORÂNCIA

É AQUI USADO PARA INDICAR AUSÊNCIA DE DADOS QUE PERMITAM AO

DE CONHECIMENTO, TOMAR UMA

FALTA DE INFORMAÇÕES,

INDiVíDUO

POSIÇÂO COERENTE COM A SITUAÇÂO

COM A QUAL SE DEPARA.

Mas é importante dos biológica modificar

saber que, se por um lado somos seres já determinapor outro podemos decidir, fazer escolhas,

e socialmente,

o já existente. com essa situação, que parece tão con-

E como é que convivemos traditória? Com clareza, identificamos

certas determinações

vindas do nosso próNão

prio corpo. Ele exige que suas privações e carências sejam atendidas. podemos, por exemplo, nos privar de comer, respirar, reproduzir, transmitir características genéticas.

herdar e

Do mesmo modo, é irrecusável o fato de que nascemos numa certa época histórica, numa cultura (com seus valores e crenças), num país (com suas circunstâncias política e econômica), numa família. Somos todos

ocidentais, fazendo a passagem para o terceiro milênio, vivendo a revolução tecnológica. Some-se a isso a herança das culturas índia e negra, o fato de - mas parte do terceiro a uma

que vivemos num país em fase de desenvolvimento mundo -, moramos numa metrópole família pobre ou de classe média. Essa primeira ordem de conhecimento liberdade. Somente o homem consciente

ou no interior e pertencemos

é fundamental

ao exercício da (limita-

de suas determinações

ções, obstáculos) modificar

pode exercer sua consciência

crítica e, por meio dela,

a ordem existente, escolher viver não da forma que está posta,

mas de outra. Veja só: por natureza o homem não tem asas, mas isso não o impede de voar; não tem nadadeiras como os peixes, mas nada; não tem a força do leão, mas levanta pesos imensos. Tudo isso não é natural, construído: é o mundo do conhecimento, tudo isso foi

das idéias, das representações,

da ação transformadora Pense, exemplo ainda, no

do homem sobre a natureza.

do bacilo da que até a

tuberculose,

década de 50 matava as pessoas. Quando o bacilo foi identificado, quando se conheceu a causa da doença pôdese combatê-Ia, liber-

tando milhares de pessoas da morte. Assim

será com a AIDS, com o câncer e outras moléstias que hoje nos

ameaçam.

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TRABALHO

desafio da liberdade diante da natureza passa sempre pelo conheci· (daquilo que é uma limitação, um obstáculo).

mento da determinação

Isso significa que podemos mudar a realidade ou nos submeter a ela, mas qualquer dessas opções é um ato de consciência crítica, de exercício da liberdade e, portanto, ·de cidadania.

É também pelo conhecimento

que podemos

exercer nossa responsaa natureza ou as conpor elas. Por isso, moral.

bilidade moral: aquele que ignora as circunstâncias,

seqüências de suas ações não pode ser responsabilizado

a ignorância é um fator que isenta o indivíduo de responsabilidade Pensemos num acontecimento

recente que abalou o país: o caso do

césio 137, elemento radioativo que provoca danos muito graves - às vezes fatais - quando espalhado no meio ambiente. Recolhido em um ferro-

velho na cidade de Goiânia, estado de Goiás, provocou perdas irreparáveis naqueles que estiveram sob seu efeito. Isso caracterizou proporções ainda não completamente uma tragédia de

avaliadas, já que a radioatividade a substância despertou homem simples que

produz efeitos a longo prazo. A cápsula contendo a curiosidade de um trabalhador do ferro-velho,

desconhecia completamente atribuir-lhe a responsabilidade

o material com que estava lidando. Podemos pela tragédia? Não seria mais apropriado, da clínica de

nesse caso, procurar os responsáveis entre os proprietários

onde se originaram as cápsulas? Ou procurar as entidades a quem compete fiscalizar a utilização e o manuseio desse tipo de material? Aqui vale lembrar que a clínica usava o césio no desenvolvimento ninguém teve o cuidado de providenciar de seu trabalho, mas

o acondicionamento

adequado. de

É importante
e conseqüências. nossa ignorância,

destacar que para nos eximirmos da responsabilidade

nossos atos não basta afirmar nossa ignorância a respeito de sua natureza

É preciso comprovar

que não somos responsáveis por

ou seja, que não podíamos e não tínhamos a obrigação

de conhecer aquele fato, aquela norma ou regra. Assim, enguiçado por exemplo, um motorista que se choca com um carro

numa curva de rodovia poderia alegar não tê-lo visto (ignorava

a sua presença), porque a luz de seus faróis era muito fraca. Essa desculpa não é moralmente aceitável, uma vez que ele poderia e deveria, como é

obrigação providenciar

moral

de quem

vai fazer

uma viagem

rodoviária

à noite,

a revisão dos faróis de seu carro. Nesse caso, o motorista

podia e devia não ignorar.

A

RECUSA DA VIOLÊNCIA

Um outro princípio que fundamenta

uma ordem ética (conforme

o bem

comum, a justiça, a verdade) é o da recusa da violência. condição para que se possa responsabilizar

Essa é a segunda

uma pessoa por seus atos: cera uma

tificar-se de que, ao praticar uma ação, ela não esteja submetida coação externa. Não se pode responsabilizar

alguém por uma ação co-

metida sob força ou ameaça externa, logo, executada contra sua vontade. Esse é o verdadeiro critério para pautar as relações humanas que, diferentemente do mundo animal, não precisam ser reguladas pela força física, pelo poder do mais forte. Entende-se como violência uma agressão à integridade física ou psíquica de alguém. Uma violência acontece quando subjugamos uma pessoa, quando a obrigamos a fazer alguma coisa que lhe causa danos físicos ou morais. Assim, por exemplo, a injustiça social, bem como o roubo, a tortura, sassinato, o seqüestro, o estupro são violências em qualquer cultura. o as-

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TRABALHO

No mundo humano, estabelecidas

onde existe a linguagem,

as relações sociais são os

num processo comunicativo,

onde cabem a negociação,

acordos, os consensos que são estabelecidos, pela capacidade de argumentação

não pela força física, mas

dos sujeitos envolvidos.

AQuI SEUS

VALE

LEMBRAR

A

IMPORTÃNCIA DESENVOLVER FATORES

DE QUE SUA QUE

o

TRABALHADOR DE

BUSQUE

AMPLIAR DE DAS UMA

CONHECIMENTOS,

CAPACIDADE CONTRIBUEM

COMUNICAÇÃO,

ARGUMENTAÇÃO, RELAÇÕES

DE DIÁLOGO, DOS

PARA A QUALIDADE MAS TAMBÉM DO PARA

E A MELHORIA MAIS

PROCESSOS NAS

DE TRABALHO, A

PARTICIPAÇÃO

EFETIVA

NEGOCIAÇÕES. DE ORDEM

HUMANIZAÇÃO

TRABALHO

ESTÁ RELACIONAD.A PRODUÇÃO, MAS

ÀS QUESTÕES PASSA TAMBÉM

ECONÔMICA

E AO PRÓPRIO PROCESSO DE DO TRABALHADOR.

PELA MELHOR

FORMAÇÃO

A

CRENÇA NA SOLUÇÃO DEMOCRÁTICA

A terceira condição de restabelecimento

de uma existência ética, nas so-

ciedades modernas, é a crença na solução democrática. Numa sociedade complexa como a nossa, o engajamento de direitos humanos, a ampliação do processo participativo, das aspirações da maioria - principalmente excluídos - são fundamentais para uma dos numa política a agregação

existência ética. A concretização dos direitos hu-

manos - os clássicos direitos à vida, à liberdade,

à busca da felicidade
da pessoa humana

e à

valorização do trabalho como fonte de realização - não

será possível sem o pleno exercício da cidadania e o conseqüente fortalecimento da sociedade civil. Uma via possível de instauração de uma ética fundada nos valores de justiça social é, sem dúvida, o deslocamento - hoje concentradas na vida privada, de

nossa atenção e energia

afetiva,

particular

- para a vida comunitária,

a associação de classe, o sindicato, o

partido político. As recentes iniciativas da sociedade civil - campanhas contra a fome e a miséria, organizações de apoio à pequena e à média empresas, campa-

nhas de preservação da natureza, esforços de grupos de empresários para uma melhor qualificação do trabalhador, não-reeleição de candidatos en-

volvidos com corrupção - são indicadores da existência de um movimento de construção de uma sociedade pautada por novos valores.

Pode-se dizer que o esforço de repensar os valores da modernidade torna-se, hoje, condição exigir a participação tecido social. E qual a contribuição das organizações e do próprio trabalhador, nesse de sobrevivência da própria sociedade e está a que compõem o

de todos os grupos e instituições

esforço de construção de novos valores que possam nortear uma sociedade ética? É o que você vai ver a seguir, no capítulo 5.

I

EXERCíCIOS

1 No

DECORRER

DA

HISTÓRIA

DA

SOCIEDADE

CAPITALISTA

MODERNA, NO

AS

PERDAS

DOS COM

TRABALHADORES

FORAM

SUPERIORES IDENTIFICA-SE, DE UMA ESGOTADO

ÀS CONQUISTAS HOJE,

ALCANÇADAS

PERíODO.

BASE NESSA OBSERVAÇÃO, MANIFESTAM QUE VALORES A EXISTÊNCIA SE TERIAM

O ESGOTAMENTO

DE CERTOS VALORES QUE
DO TRABALHO. CRISE DA ÉTICA DO

CRISE DA SOCIEDADE DE MODO

E DA ÉTICA UMA

A CARACTERIZAR

TRABALHO?

2 A

CHAMADA

CRISE DA ÉTICA ENTRE

DO TRABALHO

DECORRE, NESSA

SEGUNDO ÉTICA

ANALISTAS

DO ASSUNTO, QUE, NA

DE UM PRÁTICA,

CONFLITO ORIENTAM

OS VALORES

CONTIDOS

E OS PRINCíPIOS

AS RELAÇÕES

SOCIAIS

DO HOMEM

MODERNO.

o

JUSTIFIQUE A ÉTICA

ESSA AFIRMAÇÃO,

IDENTIFICANDO CONCRETA

OS FATORES GERADORES DOS HOMENS

DO CONFLITO

ENTRE

DO TRABALHO

E A PRÁTICA

DA MODERNIDADE.

3

HOJE,

É CADA

VEZ MAIS GENERALIZADA NAS MAIS VARIADAS

A INDIGNAÇÃO

COM COMPORTAMENTOS SOCIAL. NACIONAL

ANTIÉTICOS,

MANIFESTADA

FORMAS

DE ATUAÇÃO

EXEMPLOS

DE ACONTECIMENTOS, ESSA AFIRMAÇÃO. SELECIONE COM

NO ÃMBITO

INTERNACIONAL,

OU REGIONAL,

QUE CONFIRMEM (ALGUMAS SUA VOLTA

SUGESTÕES: E DEBATA ÉTICO

NOTíCIAS

DE JORNAIS, OU

RÁDIO,

TELEVISÃO; DE AULA,

PESQUISE SOBRE

À O

SEU GRUPO

DE TRABALHO,

EM SALA DESPERTADO

SIGNIFICADO

DE CADA

ACONTECIMENTO

QUE TENHA

SUA ATENÇÃO.)

4

SE TORNOU

USUAL

EM

NOSSO

PAís,

NOS

PERíODOS

QUE ANTECEDEM ÓCULOS,

AS CAMPANHAS ESCOLAR,

ELEITORAIS, DINHEIRO, REFLITA

O OFERECIMENTO ETC.) EM TROCA

DE BENS MATERIAIS DE VOTOS, MENCIONADA

(ALIMENTOS,

MATERIAL

ESPECIALMENTE E MANIFESTE

NAS REGiÕES SUA OPINIÃO,

DO INTERIOR. RESPONDENDO ÀS

SOBRE A SITUAÇÃO QUESTÕES:

SEGUINTES A QUAIS

AS IMPLICAÇÕES

ÉTICAS

DESSA

PRÁTICA?

B

QUE

CIRCUNSTÃNCIAS

A FAVORECEM?

I
c No CASO ELEITOR), A QUEM

A

A

A

o

DE DEFINIR

RESPONSABILIDADE

MORAL

DAS PESSOAS

ENVOLVIDAS POR QUÊ?

(CANDIDATO

E

VOCÊ ATRIBUIRIA

TAL RESPONSABILIDADE?

5

SECRETÁRIA FUNÇÃO,

COMPROVADAMENTE

COMPETENTE CUMPRIMENTO DE COSTUME,

NO QUE DO ANTES Ao

SE REFERE AO MARLUCE

CONHECIMENTO RECEBE FAZ UMA A

DA COR-

À DEDICAÇÃO
DIÁRIA

E AO E, COMO

DEVER,

RESPONDÊNCIA PARA DEFINIR

DE REPASSÁ-LA, FINAL O

SELEÇÃO

A PRIORIDADE EXTREMAMENTE

DE LEITURA EXALTADO,

DO CHEFE.

DO EXPEDIENTE, DE TER

É POR ELE
UMA QUE O CARÁTER A

CHAMADA.

COBRA-LHE

FATO

ABERTO

CORRESPONDÊNCIA CORRESPONDÊNCIA DO DOCUMENTO. IRRITADO, ALEGANDO AVALIE

CONFIDENCIAL. NÃO CONTINHA

MARLUCE NENHUMA

DESCULPA-SE, INDICAÇÃO QUE

EXPLICANDO INFORMASSE

O CHEFE ENCAMINHA INDISCRiÇÃO.

A DISPENSA

DE MARLUCE

AO DEPARTAMENTO

DE PESSOAL,

A RESPONSABILIDADE

MORAL

DE MARLUCE

NA SITUAÇÃO

DESCRITA.

6

A

INSTAURAÇÃO ENTRE

DE UMA OUTROS

ORDEM

DE VALORES DA

QUE GARANTA DOS

O EXERCíCIO

DA CIDADANIA EXPRESSÃO

DEPENDE, DEPENDE, JUSTIFIQUE

FATORES,

LIBERDADE

INDiVíDUOS,

CUJA

POR SUA VEZ,

DO CONHECIMENTO.

ESSA AFIRMAÇÃO.

o

7 O

NOTICIÁRIO

DA IMPRENSA

NOS TEM CONTEMPLADO DO CONGRESSO DE QUESTÕES UMA IMAGEM BÁSICAS

COM FEDERAL,

NOTíCIAS DURANTE

ACERCA VOTAÇÃO

DE AGRESSÕES DE MEDIDAS

FíSICAS

OCORRIDAS

NO PLENÁRIO

ESSENCIAIS

À REGULAMENTAÇÃO CRIA

DO INTERESSE

DA NAÇÃO. NEGATIVA DA ÉTICA DO CONGRESSO NA SUA DIMENSÃO E

ESSE COMPORTAMENTO CONTRARIA PÚBLICA. INDIQUE A QUE UMA DAS

ABSOLUTAMENTE AO EXERCíCIO

CONDiÇÕES

CONDiÇÃO

NOS

REFERIMOS PÚBLICA

E JUSTIFIQUE

SUA

IMPORTÂNCIA

PARA

O

DESENVOLVIMENTO

DA DIMENSÃO

DA ÉTICA.

I
A
DIMENSÃO ÉTICA

NA EMPRESA

o ESTUDO DESTE CAPíTULO
empresarial, comprometida

proporcionará

a você uma visão geral das expec-

tativas sociais hoje criadas em torno da empresa moderna, a partir do que será possível identificar os compromissos e responsabilidades da organização assim como dos trabalhadores, com a humanização na construção de uma ética

do mundo do trabalho.

Você já sabe que a face atual da economia

capitalista

criou um clima

favorável ao surgimento de inúmeras interpretações

- tanto otimistas como

pessimistas - quanto ao futuro da sociedade do trabalho. Sabe, também, que o conhecimento e, portanto, é uma condição indispensável ao Por isso não podemos

exercício da liberdade

da cidadania.

desconhecer que a possibilidade

de estendê-lo à grande massa dos traba-

lhadores (durante tanto tempo excluídos de seu acesso) cria perspectivas de que se venha a resgatar o valor do trabalho. E isso permite instituir uma

nova ética nas empresas e na sociedade como um todo.

É hoje uma tendência cada vez mais constante na organização das fábricas
a tomada de consciência sobre a importância de que o trabalho seja estruturado a partir de tarefas globais. Elas seriam executadas por equipes de profissio-

A

DIMENSÃO

ÉTICA

NA

nais suficientemente qualificados para dar conta de um máximo de atividades e para assumir responsabilidades com autonomia e criatividade.

Essaforma de estruturação do trabalho não só representa o rompimento com o taylorismo, como também anuncia uma nova orientação relativa à e ao nas or-

política de recursos humanos. Tal política visa à autodeterminação crescimento ganizações. de todos os envolvidos no processo de trabalho

Mas seria ingênuo acreditar que a revalorização e o futuro da sociedade do trabalho dependeriam exclusivamente de uma política de recursos

humanos voltada para a qualifificação

do trabalhador. com um processo de produe

Sabe-se que, numa economia globalizada, ção flexível, a qualificação nem o cria. No entanto, do trabalhador

não é garantia de emprego

não resta dúvida de que, no atual quadro econômais qua-

mico, os novos empregos passarão a absorver os trabalhadores lificados. Nessas circunstâncias,

uma reflexão sobre a dimensão ética nas empre-

sas deverá passar necessariamente pelo resgate da qualificação profissional, mas incluirá outros aspectos organizacionais, fundamentais ao resgate da

dimensão pública da ética e, conseqüentemente,

ao resgate da cidadania.

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TRABALHO

DA RESPONSABILIDADE E DO COMPROMISSO COM A COMUNIDADE
Para pensar a questão ética nas organizações empresariais é necessário,

antes de tudo, definir o objetivo desse tipo de organização. Uma organiz.ação empresarial, utilizando determinada tecnologia,

produz algum bem ou serviço, para ser comercializado dimento a demandas da sociedade. com qualidade

em função do aten-

Cabe à empresa desempenhar Assim, por exemplo, profissional do futuro;

sua missão específica. que ela prepare o

espera-se de uma universidade

de um hospital, que cuide da doença; de uma inque produza bons carros; de um restaurante, que

dústria automobilística, ofereça boa comida. Por outro objetivo

lado, esse desempenho

não pode estar dissociado

de seu

principal, que é a obtenção de lucro.

LUCRO É O PERCENTUAL QUE EXCEDE AS DESPESAS COM MATÉRIÁ-PRIMA, SALÁRIOS E QUE SE FAZ EMBUTIR NO PREÇO FINAL DO PRODUTO.

TECNOLOGIA,

Mas não se pode perder de vista que uma organização está localizada numa comunidade. paga impostos e a tecnologia comunidade. Ela oferece emprego

empresarial

aos moradores,

que utiliza causa algum impacto sobre essa

Logo, ao refletir sobre a dimensão ética na empresa, precisamos compreender que, além dos compromissos relativos ao seu funcionamento in-

terno, a organização empresarial possui compromissos externos, de ordem social. E quais são esses compromissos? Vamos analisar, inicialmente, Essa, que parece uma questão também importantes Como honrá-los?

a questão do lucro, seu objetivo primeiro. de interesse exclusivo da empresa, tem

repercussões sociais. de uma empresa é apresentar um bom

A primeira desempenho

responsabilidade econômico,

de forma a cobrir custos e acumular capital. A

A

DIMENSÃO

É

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I C A

N A

conseqüência do seu sucesso econômico tende a se desdobrar socialmente em empregos, melhores salários e arrecadação de impostos, preços mais

adequados ao consumidor,

e qualidade dos serviços - fatores relacionados

à justiça social.
O objetivo de obter lucro é, portanto, que uma empresa falida, comunidade não-lucrativa absolutamente legítimo. Isso pormalvista na

é má empregadora,

e não gera capital para a criação de empregos futuros. social da empresa se expressa, ainda, no seu ende interesse da comu-

O comprometimento gajamento

com programas culturais e filantrópicos

nidade, nos seus projetos de preservação ambiental, especialmente porque, nesse último caso, a tecnologia sobre o meio ambiente. Na medida em que no mundo contemporâneo dominantemente organizada a economia está prepor ela utilizada costuma causar impactos

com base na iniciativa privada, torna-se inamplo das organizações com as questões escapam do âmbito do governo, empresariais e não-go-

dispensável o comprometimento

sociais. Hoje, política social e ambiental tornando-se vernamentais. responsabilidade

de organizações

O compromisso das organizações empresariais do que a própria relação empregado-empregador:

é, hoje, muito mais amplo
ele envolve questões do meio ambiente,

raciais, de sexo, de distribuição

de renda, manutenção

enfim, os problemas mais gerais que afligem a sociedade.

A ÉTICA DA DIGNIDADE TIPO DE DISCRIMINAÇÃO

DA PESSOA HUMANA POR UMA VISÃO

IMPEDIRÁ

A EMPRESA DE FAZER QUALQUER DE RAÇA A EMPRESA NESSAS OU DE SEXO.

PRECONCEITUOSA DA PESSOA,

ATUANDO POR

COM BASE NO VALOR UMA POLíTICA SEXUAL

DA DIGNIDADE SALARIAL

NÃO DEFINIRÁ, DIFERENÇAS. A

EXEMPLO,

FUNDAMENTADA UMA

QUESTÃO

DO ASSÉDIO

SERÁ TAMBÉM

PREOCUPAÇÃO

SUA.

Hoje, o que se põe em questão é o desenvolvimento

de uma prática

coerente com uma ética pública, em que fiquem preservados os interesses da organização, sem comprometimento das ações que contribuam para

o bem-estar e o desenvolvimento

da sociedade como um todo.

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A

TRABALHO

t

f

Para abordar os demais compromissos assumir de modo a ser conceituada

que uma organização

precisa

como ética é necessário pensarmos aqueles que fazem a de sua política e Nesse caso, estacomo o admi-

nos atores ou agentes do processo organizacional, empresa, que são responsáveis

pelo desenvolvimento

das atividades necessárias ao alcance de seus objetivos. mos falando de empregadores nistrador) e empregados.

(que passamos a identificar

COMPROMISSOS E RESPONSABILIDADES DO ADMINISTRADOR
As rQsponsabilidadQs responde da Qmpresa passam pelo sUjeito humano que

pela organização:

o administrador.

É nessa função que estão

concentrados

os compromissos éticos, e é sobre esse indivíduo (ou grupo

de indivíduos) que se tem expectativas

éticas.
a seguinte questão: qual é o

A qualquer ação empresarial corresponde âmbito de responsabilidade A resposta a essa questão

da administração? implica compreender o âmbito e principais de atuaatribuies-

ção do administrador,

saber quais as suas funções

ções. É o que você vai ver a seguir. sas funções separada e atribuições

E para facilitar

sua análise,

serão apresentadas,

sempre

que possível,

hierarquicamente.

PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

A primeira

função/atribuição

da administração

de uma empresa

é a

elaboração de um bom planejamento. O planejamento tanto, é um instrumento de trabalho fundamental. minucioso Pordo um

sua elaboração econômico da realidade

deve ser precedida

de um estudo

momento cenário

e social, para que a empresa onde atua e, assim, definir

possa construir prioridades

de in-

vestimento. Pelo planejamento, poderão ser traçadas as metas a atingir, definida a

A

DIMENSÃO

ÉTICA

NA

estrutura a tornar

necessária para sua execução e distribuídas as tarefas, de m~o
"

o trabalho

mais produtivo

e o trabalhador

mais realizado

e'

empreendedor.

a

planejamento

pressupõe, enfim, uma ordenação

lógica do trabalho.

E uma empresa preocupada com as relações de trabalho buscará estruturálo de m.odo a torná-lo mais produtivo a satisfação do trabalhador vidade. No contexto das empresas modernas, onde a flexibilização produtivo já é realidade e necessidade, a estratégia utilizada do processo no sentido e satisfatório ao trabalhador. Aliás,

é hoje entendida como condição de produti-

de associar produtividade

e satisfação ao trabalho tem consistido na reunião de tarefas afins, de modo que se

de várias operações ou no agrupamento possa realizá-Ias em equipe. A implantação

dessa estratégia de trabalho

baseia-se na compreensão repe-

da dinâmica da atividade.

Esta parte do princípio de que trabalhos

titivos produzem fadiga e resistência e, portanto,

qualquer pessoa trabalha

melhor se todo o corpo - músculos, sentidos e mente - estiver empenhado na tarefa. A diversidade de tarefas executadas com liberdade e segundo o ritmo determinado dutividade. Essa idéia de diversidade compatível de tarefas e de ritmo de trabalho é mais pela equipe passa, assim, a ser considerada fator de pro-

com o exercício da liberdade, indispensável

ao desenvolvi-

mento da iniciativa, competência

hoje exigida do trabalhador.

A

CONCEPÇÃO DO TRABALHO

Um outro trabalho

aspecto fundamental

da administração

é a concepção

de

proposta pela empresa. pode ser visto como lugar de auto-realização do homem, espaço de criatividade, onde ele fala de si, presta um

a trabalho

extensão de sua per?onalidade,

mostra-se diante do seu grupo social, expressa sua identidade, serviço social e contribui para o bem comum. Mas também

pode ser en-

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A

TRABALHO

carado como uma maldição, lugar de tortura, do salário ao final do mês.

suportado

pela necessidade

É claro que uma empresa na qual circule a primeira concepção de trabalho tem uma cultura muito mais positiva e estimulante As culturas que valorizam o trabalho e o trabalhador para a produção. criam no sujeito

uma dimensão social da atividade produtiva,

inferior apenas à da família. relações interpessoais e

Nelas são criados vínculos sociais e comunitários, afetivas fundamentais

à vida das pessoas.

A

QUESTÃO SALARIAL

A questão salarial deve receber do administrador Além de ser o fundamento próprio valor do trabalhador.

uma atenção especial. o salário reflete o

de sua vida econômica,

a

item salário é uma variável extremamente funcionando

importante

dentro

das

organizações,

como um dos fatores de motivação

e parti-

cipação, determinantes Consciente

da produtividade. existente entre salário e produtividade nas

da relação

A

DIMENSÃO

ÉTICA

NA

empresas, uma política salarial tem de partir do princípio básico de que o salário deve ser capaz de garantir condições dignas de vida ao trabalhador. Nas sociedades desenvolvidas, obter lucros mediante sabe-se o quanto custa caro à empresa

um salário vil. É por isso que nessas sociedades a

diferença entre o menor e o maior salário pagos pelas empresas é de um para quatro. Essa política diminui rivalidades, favorece o trabalho reduz a injustiça social. partici-

pativo e, principalmente,

A existência de grandes diferenças salariais, como no caso da maioria das empresas brasileiras, provoca ou divisão entre os grupos de trabalhadores ou união de grupos contra o sistema de administração do trabalho. e organização

~ ~ '" o
I

o <1. z

a: Q

Uma das estratégias

mais utilizadas

para minimizar

as questões

de-

correntes de grandes diferenças salariais consistiu, durante muito tempo, em recorrer ao salário como mecanismo de um sistema de prêmio e castigo. Hoje, no entanto, essa estratégia é completamente condenável. de maior pressão O salário, aí, era

No sistema de prêmio e castigo, um dos instrumentos era o medo - principalmente utilizado como recompensa. o de perder o emprego.

I

É

T

I

C

A

TRABALHO

Sabe-se, hoje, que o medo só produz resistência e que ninguém aprende melhor a sabotar a produção do que o trabalhador Por outro lado, o incentivo econômico, ameaçado. utilizado a título

originalmente

de recompensa, torna-se, com o passar de certo tempo, direito incorporado, perdendo a força de instrumento administrativo de estímulo à motivação.

Uma postura ética das empresas com relação à questão salarial é, sem dúvida, a implantação instrumento totalidade de um plano de cargos e salários. A adoção desse

propicia uma decisão mais justa sobre um assunto sensível à dos que estão envolvidos com os trabalhos da empresa. Por são justapara a

meio de um plano criteriosa mente elaborado, mente recompensados melhoria

os trabalhadores

com promoções sistemáticas. Isso contribui e, conseqüentemente,

do desempenho

para a maior produti-

vidade da organização. Um outro tipo de motivação consiste na oferta dos chamados "salários indiretos". Subsídio das cotas de pagamento de planos de saúde, auxílio-

alimentação, Ainda

bolsas de estudo são apenas alguns exemplos. econômicos eticamente recomendáveis para funcionários pelo mercado de

no rol dos benefícios

destaca-se a implantação demitidos, trabalho. como forma

de projetos de viabilizar

de treinamento sua reabsorção

Da mesma forma,

o direito dado ao ex-funcionário,

de menor

salário, de receber cesta básica até ter resolvida sua situação funcional.

A

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Como já vimos, as empresas capitalistas passam por uma reestruturação profunda no que diz respeito às relações hierárquicas e trabalhistas e à reformulação das técnicas gerenciais e de gestão. Essa mudança é o que tem permitido transformar o trabalhador - antes passivo, cumpridor de tarefas rotinei-

ras e monótonas - em sujeito ativo e participante das decisões empresariais. As exigências de maior responsabilidade lhador no controle dos produtos, e comprometimento da qualidade do trabae na intropro-

na verificação

dução de aperfeiçoamentos porcionam

e correções

no processo de produção nas empresas.

uma nova dimensão ao treinamento

A

DiMENSÃO

ÉTICA

NA

A política de recursos humanos volvida com vistas à formação pecíficas de uma ocupação,

nas empresas, habitualmente

desen-

para o desenvolvimento hoje se mostra

das habilidades esem oferecer

preocupada

educação geral e mais abrangente A mudança de direcionamento

aos trabalhadores. da formação do trabalhador, seja no aponta possa

interior das empresas, seja nas entidades de formação profissional, para a perspectiva de que o trabalho, ser retomado como local privilegiado do trabalhador, no atual contexto empresarial, ao desenvolvimento

da subjetividade de sua identidade

isto é, como local de desenvolvimento

e realização pessoal.

o

TRABALHADOR

A construção de uma cultura, de crenças e valores propícios à consolidação da dimensão ética na empresa e na sociedade como um todo passa pela reflexão sobre o papel do próprio trabalhador. Se a própria dinâmica do capitalismo cria espaços de maior participação do trabalhador, buscando cabe a este levar às últimas conseqüências crescente nas decisões, tal tendência,

uma participação

nos processos de

I

Ê

T

I

C

A

TRABALHO

negociação, de modo a viabilizar salários mais dignos, a qualificação todos e, enfim, a humanização Para enfrentar bases científicas esse desafio, e tecnológicas do mundo do trabalho. caberá ao trabalhador de sua ocupação, apropriar-se

para

das

desenvolver

as com-

petências comunicativas

básicas que lhe permitam

negociar os interesses

individuais e coletivos, dentro e fora do mundo do trabalho.

É importante
quanto

destacar que a participação

do trabalhador

é tanto maior de seus come com

maior for a consciência

de sua responsabilidade,

promissos com os objetivos da organização, a qualidade dos serviços oferecidos. Para um exercício profissional competência confiabilidade pares. Esse tipo de relação, entretanto, empresa preencha as condições balhador técnica.

com sua produtividade

ético não basta, entretanto, o estabelecimento

apenas a

É fundamental

de relações de

entre o trabalhador

e a gerência e também entre ele e seus

não se dá num vazio: é preciso que a do trade

mínimas de respeito à dignidade integrado

para que ele se sinta efetivamente

ao ambiente

trabalho e confiante

nos propósitos de sua administração.

Com isso quereéticas nas

mos dizer que não se pode esperar posturas individualmente empresas não-éticas. A seriedade e a responsabilidade profissional são decorrentes

da satis-

fação, da realização pessoal, o que não será conseguido mesmo vaidade pessoal pelo trabalho onde ele é feito. desenvolvido

sem orgulho ou

e pela organização

Por isso, pode-se dizer que a cultura ética das organizações uma certa compreensão do trabalho, pela compreensão

passa por

de que este é um sua

modo de o homem viver em sociedade, humanidade. compreensão

de exercer sua cidadania,

E a condição para a construção é apenas a da integridade,

de relações baseadas nessa empre-

tanto da administração

sarial como do trabalhador. A empresa que tem o hábito de enganar, de mentir ou roubar, de não cumprir sua palavra, que trata seus clientes com desprezo ou seus funcionários de maneira injusta dificilmente terá um corpo funcional ético.

A

DIMENSÃO

ÉTICA

NA

Também terá menores chances de ser bem-sucedida. A consciência dessa situação faz com que a questão da ética venha-se tornando, cada vez mais, uma preocupação no meio empresarial.

Os estudos realizados a respeito dão conta de que ter uma conduta ética é, atualmente, do interesse de toda empresa que pretenda alcançar Tal interesse surge da constatação as melhores fontes de

o objetivo de aumentar seu patrimônio. de que os melhores funcionários financiamento

e fornecedores,

tendem a preferir aqueles que levam em conta os direitos Também os clientes que têm critérios e que

humanos mínimos instituídos. sabem escolher dificilmente

serão leais a um produto de menor qualidade

ou a um serviço pouco eficiente. Como em qualquer questão ética, não existe uma fórmula, empresariais. regra ou

modelo a ser adotado nas organizações nas organizações, fundamentalmente proposição

Mas, a rigor, a ética do trabalhador, é

embora dependa do comportamento de responsabilidade dos dirigentes,

a quem cabe a

e a manutenção de todos.

de um código de valores que precisa ser do

conhecimento

É importante

lembrar que a ética empresarial não deve diferir dos prina dimensão pública da ética: não roubar, não trapa-

cípios que orientam

cear, não receber nem propor suborno são dimensões da ética em geral e, antes de tudo, empregadores. dimensões do indivíduo e do cidadão, empregados e

São esses os princípios válidos, na empresa e fora dela. que não leva em conta os direitos do setor de compras, ou afins, de um

Assim como é indigno um dirigente mínimos do trabalhador, por exemplo,

também o é um funcionário

usar seu cargo para privilegiar

seus dependentes

ou deixar vazar informações concorrente

técnicas e comerciais

em benefício

da empresa onde trabalha. ética de uma empresa não deve ser confundida com uma

A estrutura

listagem de conceitos emoldurados

na parede dos executivos. A estrutura

ética é, antes de tudo, fruto da convicção coletiva, isto é, das diretrizes resultantes de ampla discussão entre as lideranças e consolidadas junto a todos os que dela fazem parte, para que se tornem políticas organizacionais. fonte de todas as

I

É

T

C

A

T

R

A

B

o

Finalmente,

vale destacar que, muito mais do que uma listagem

de

regras, de procedimentos,

quando se fala em definir uma ordem ética nas

empresas fala-se da realização de um projeto, de um desejo. A realização desse projeto supõe resposta a uma pergunta prévia: que mundo se

deseja? Um mundo repartido mundo de rendas e felicidade

em bolsões de riqueza e miséria? Ou um bem distribuídas? oposto ao sofrimento - é um dos valores da

Ora, a felicidade - sentimento

éticos por excelência, na medida em que sua busca é uma constante humanidade, e não se pode pensá-Ia numa ordem medo, injustiça social. empresarial dependerá, portanto,

onde predominem

relações de desigualdade, A estrutura projeto

ética do ambiente

do

ou do desejo da organização.

No caso de uma opção pela ética

da felicidade, o executivo (ou executivos, no caso de uma direção colegiada) precisa desejá-Ia, precisa acreditar princípios e valores que contribuam empresa e da comunidade. na possibilidade de que dela derivem da

para a saúde, inclusive financeira,

EXERCíCIOS

1

POR

LOCALIZAR-SE

EM UMA

COMUNIDADE

COM

A QUAL

ESTÁ,

NECESSARIAMENTE,

EM

PERMANENTE INTERAÇÃO,

A ORGANIZAÇÃO

EMPRESARIAL TEM UM PAPEL SOCIAL A CUMPRIR. E APRESENTA UM BOM DESEMPENHO

A

EMPRESA QUE OFERECE UM SERViÇO DE QUALIDADE TERÁ PREENCHIDO, PLENAMENTE,

FINANCEIRO

ESSE PAPEL. INDIQUE OUTRAS ATRIBUiÇÕES NECESSÁRIAS EMPRESARIAL SOCIALMENTE

SE VOCÊ NÃO CONCORDA COM ESSA AFIRMAÇÃO, PARA QUE SE POSSA CONSIDERAR UMA

ORGANIZAÇÃO

RESPONSÁVEL.

2

ESTABELEÇA

A RELAÇÃO

EXISTENTE ENTRE O CRESCIMENTO

PATRIMONIAL

DE UMA

EMPRESA

E SUA POSTURA ÉTICA.

I
3
QUAIS ORGANIZAÇÃO

A

A

A

o

AS SITUAÇ~

MAIS

COMUNS

QUE PODEM SER CONSIDERADAS

NÃO-ÉTICAS,

NUMA

EMPRESARIAL?

4

PENSE

NUMA

SITUAÇÃO

-

REAL

OU

IMAGINÁRIA

-

E CITE-A

COMO

EXEMPLO

DE

COMPORTAMENTO

ÉTICO DE UMA

EMPRESA.

5

Nos

ÚLTIMOS

DOIS ANOS, EMPRESAS

NOSSO

PAis

FOI SACUDIDO DO GOVERNO.

POR DENÚNCIAS CHEGAMOS

DE CORRUPÇÃO A TER UM

ENVOLVENDO

E MEMBROS

MESMO

PRESIDENTE QUE PERDEU O MANDATO. NA SUA OPINIÃO, QUAL A SIGNIFICAÇÃO DESSES ACONTECIMENTOS PARA A SOCIEDADE

BRASILEIRA?

O

QUE ELES ESTARIAM

SINALIZANDO?

6 O

OBJETIVO

DE OBTER LUCRO É MUITAS

VEZES IDE.NTIFICADO

COMO

FATOR RESPONSÁVEL

POR UMA VOCÊ

PRÁTICA ANTI ÉTICA DAS EMPRESAS. COM ESSA AFIRMAÇÃO? JUSTIFIQUE SUA RESPOSTA.

CONCORDA

7 EMBORAOSCOMPROM'SSOSEX':CTAT':ASÉ:CAS :ECA'AMlJ:NTA':ENTE 'E
A ADMINISTRAÇÃO NA CONSTRUÇÃO ÉTICA DA EMPRESA, DE UMA O TRABALHADOR DE CRENÇAS TEM SUA PARCELA E VALORES QUE CULTURA, ONDE REFLITAM DA ORGANIZAÇÃO TRABALHA. E RESPONSABILIDADES ÉTICA. DO TRABALHADOR QUE

;SO~
A DIMENSÃO

DE RESPONSABILIDADE

INDIQUE UMA

OS COMPROMISSOS PROFISSIONAL

EXPRESSEM

CONDUTA

GABARITO

DOS EXERCíCIOS

AQUI

VOCÊ ENCONTRA

AS

respostas dos exercícios deste livro. Com certeza

elas não estão registradas do mesmo modo como você fez, mas isso não é motivo para preocupação. Certifique-se apenas de que as idéias con-

templadas - aqui e nas suas respostas - sejam as mesmas. Para auxiliálo nessa auto-avaliação, guns comentários tar, aprofundar incluímos, quando consideramos necessário, al-

após as respostas. Eles têm o sentido de complemen-

e enriquecer os assuntos que você estudou neste livro.

CAPíTULO
A ORDEM

1
ANIMAL É NATURAL PORQUE NUM OS COMPORTAMENTOS REPERTÓRIO GENÉTICO DOS REPRESENTANTES DE RESPOSTAS FIXAS

DE CADA

ESPÉCIE ESTÃO PREVISTOS QUE GARANTE

E REPETITIVAS, A ORDEM

A PERPETUAÇÃO É ARTIFICIAL

DO COMPORTAMENTO. PORQUE TODOS OS COMPORTAMENDE FAZER VIVIDO.

HUMANA,

AO CONTRÁRIO, DA DECISÃO

TOS PASSAM ESCOLHAS

PELO CRIVO

DOS HOMENS, E INTERESSES

DE SUA CAPACIDADE DO MOMENTO HISTÓRICO

SEGUNDO

AS NECESSIDADES

O comportamento

humano é imprevisível, não está predeterminado

co-

mo o dos animais. Por isso, diferentemente

destes, a cada problema no-

I
2
As

É

T

I

A

R

A

L

H

O

vo que se apresenta o homem produz uma nova resposta, de modo a garantir a conservação da ordem, apesar das mudanças. A construção e a reconstrução das leis indicam essa transformação dentro da mesma ordem.

NORMAS

MORAIS

NÃO SÃO ESCRITAS OU CODIFICADAS É DE ORDEM INTERNA,

OFICIALMENTE.

A COAÇÃO DO SUJEITO E,

QUE DELAS DECORRE POR ISSO,

PARTE DA INTERIORIDADE UMA ADESÃO, UMA

SEU CUMPRIMENTO As NORMAS

MANIFESTA JURíDICAS,

CONViCÇÃO

íNTIMA

DO INDiVíDUO. EM C6DIGOS

POR SUA VEZ,

SÃO EXPRESSAS POR COAÇÃO

OFICIALMENTE EXTERNA IN-

ESCRITOS,

E SEU

CUMPRIMENTO íNTIMA DO

SE DÁ SUJEITO.

DEPENDENTEMENTE

DA ADESÃO

Pelo fato de as leis jurídicas não dependerem íntima dos indivíduos, o comportamento

da adesão ou da conviccão legal é uma imposição "de

fora": em face das leis jurídicas o sujeito não tem escolha, deve cumprilas, respeitá-Ias, ainda que não esteja convencido de que sejam justas. Já o ato moral só tem existência quando o indivíduo está intimamente convencido de que deve atuar de acordo com as normas.
É importante

perceber como a esfera moral é mais ampla do que a Assim, por exemplo, a crimi-

jurídica. Ela abrange todos os tipos de relações entre os homens, além de suas várias formas de comportamento. na lida de, a malandragem, portamentos a sinceridade, ilegais e moralmente a solidariedade moral. etc. caem nas duas esferas - são comreprováveis. A verdade, a lealdade, não são objeto de regulamentação

jurídica, mas somente

3

NÃo,

PORQUE COM

O EXERcíCIO O OUTRO.

DA DIMENSÃO

ÉTICA

DEPENDE

FUNDAMENTALMENTE MORAL s6

DA SE

RELAÇÃO MANIFESTA

EMBORA NUMA

SEJA INDIVIDUAL,

A CONSCIÊNCIA

EM GRUPO,

ORGANIZAÇÃO,

NA CONVIVÊNCIA

ENTRE OS HOMENS.

Nas condições nalidade, desenvolver

em que viveu, Alfredo

não recebeu

educação

ética,

não interagiu socialmente,' não aprendeu

não pôde exercer plenamente

sua raciosua

a avaliar o Bem e o Mal, não teve como enfim, não desenvolveu ficaram restritos às

a noção de bem comum,

consciência moral. Seus valores, provavelmente, formas de manutenção de sua subsistência,

dimensão mais primitiva

GABARITO

005

do homem, quase em nível da escala animal, e seus comportamentos não podiam ser dirigidos aos outros homens; ele não vivenciou a como também alheio, o situação de ser aprovado ou reprovado moralmente, não teve oportunidade que significa que não desenvolveu 4 O

de avaliar e julgar o comportamento uma dimensão ética.

TRAÇO

SINALIZADO PROJETOS

NO DIÁLOGO DE! CONSTRUÇÃO ACABADA.

É O DA UTOPIA, DE UMA

DA POSSIBILIDADE DIFERENTE,

HUMANA MELHOR

DE QUE

ELABORAR

REALIDADE

A REALIDADE

JÁ DADA,

Esse sonhar a que se refere Colombo reflete o desejo de viver numa realidade mais perfeita, mais racional, mais confortável e mais bonita: a realidade como ela deveria ser. É esse projeto, esse sonho de se tornar um homem da sociedade. como idéia, conquistado, mais perfeito, de viver uma sociedade mais justa que leva às transformações, como sonho, tanto da ordem material quanto dos valores se o propomos como objetivo a ser

Só se pode realizar um projeto se antes o visualizamos construído, recusando e superando a realidade como um

fato dado e absoluto. 5

ESCOLHEMOS CONTRA PROJETO

CONTRA

A NOSSA VONTADE EFÊMERA, LONGO

IMEDIATA, TEMOS QUE

CONTRA

O PRAZER MOMENTÂNEO, DE REALIZAR ALÉM DE UM UM BEM

A SATISFAÇÃO MAIOR UM A

PORQUE PRAZO,

A DIMENSÃO CONTEMPLE,

MAIS

PARTICULAR,

BEM COMUM.

Quem está decidindo de fato é a nossa consciência moral. Orientada pela razão, necessidades ela consegue negociar com nossa vontade, nossas

e paixões um adiamento de sua satisfação, oferecendona medida em que

lhe um bem maior, um ganho mais duradouro, atinge outras pessoas e objetivos mais amplos.

CAPíTULO

2
GREGO, O ESPAÇO PÚBLICO DA CIDADANIA. ERA O DA LIBERDADE ESPAÇO PRIVADO E DA RACIONALIDADE, ERA O DO CONSTRAN-

No
DA

MUNDO

MANIFESTAÇÃO

O

É

T

C

A

R

A

B

A

L

H

O

GIMENTO,

DA OBRIGAÇÃO,

DA OBEDIÊNCIA.

A distinção entre espaço público e privado deve-se à concepção ninguém,

que a

se tem de liberdade. Só o homem livre, que não está subordinado Por outro lado, apenas entre iguais (outros homens exercer a racionalidade, já que, nessas condições, para a discussão. Como na esfera privada as pessoas são diferentes senhor/servo, e aquele que é dominado. da liberdade, conforme A desigualdade - homem/mulher,

que não tem medo de punição pode expressar suas idéias. livres) pode-se há interlocutores

pai/filho - as relações se dão entre alguém que domina entre as pessoas produz como condição necessária que não permitem o exercício

relações de obrigação, de compromisso,

esta é concebida,

para o exercício da racionalidade e da cidadania.
O

2

AGIR

CORRETAMENTE, E DA JUSTiÇA

SEGUNDO -

OS PRINCíPIOS ÉTICO SERIA,

DA VERDADE, PARA

DA BONDADE,

DA

PRUDÊNCIA MENTO

o

AGIR

OS GREGOS,

COMPORTALIBERDADE E

PRÓPRIO

DO HOMEM PARA DECIDIR

PÚBLICO,

DAQUELE

QUE

FAZ USO DE SUA

RACIONALIDADE

SOBRE O BEM COMUM.

As normas e o julgamento sobre o comportamento

moral, o pronunciamento público dos homens,

a respeito do e

Bem e do Mal, do certo e do errado, do justo e do injusto recaem sobre as decisões escolhas destinadas à regularização da convivência social, daquilo que diz respeito ao bem comum. No mundo grego, a correspondência entre ética e vida política era tão completa que essas práticas chegavam a se confundir, uma vez que a condição exigida para o grego ter vida política era ser ético, ao mesmo tempo que ele era ético enquanto participava da política, da vida pública. O escravo, por exemplo, não poderia ser ético. Ele não tinha liberdade, não exercitava a racionalidade e o diálogo; portanto, 3 A não era capaz de julgar.

RIGOR,

NUMA

SOCIEDADE

CUJA

ORDEM

JÁ ESTÁ NÃO

POSTA EXISTE

E DECIDIDA A

POR

UMA DE

VONTADE

DIFERENTE,

SUPERIOR

E ABSOLUTA, OU

POSSIBILIDADE TIPO

DISCORDÃNCIA,

DE QUESTIONAMENTO

DE DÚVIDA.

NESSE

DE SOCIEDADE

GABARITO

DOS

NÃO

HÁ,

PORTANTO,

ESPAÇO

PARA A AUTONOMIA

E A DELIBERAÇÃO

HUMANAS.

Uma classificação estabelecida por Piaget, em estudos sobre o desenvolvimento da inteligência humana, mostra a existência de três graus de consciência maturidade moral, correspondentes, cada um, ao estágio de do ser humano: a anomia, que seria o estágio mais pri-

mitivo de consciência moral e que é próprio da criança bem pequena, até mais ou menos dois anos; num grau intermediário o homem viveria o estágio da heteronomia, as leis e normas finalmente moral, quando correspondente à fase em que recebemos pai ou professor; para de fora, de uma autoridade,

atingimos a autonomia, internalizamos

o grau mais alto de consciência e avaliações morais.

as normas e a elas recorremos

decidir sobre nossos comportamentos 4

NA COM

SOCIEDADE

ANTIGA,

COM

RELAÇÕES PÚBLICO

DE PRODUÇÃO E PRIVADO,

ESCRAVISTA,

JUSTIFICA-SE, DA LIBERDADE - O ESCRAVO A IDÉIA DE

OS CONCEITOS DO SENHOR,

DE ESPAÇO BEM COMO

A LEGITIMIDADE

E O ÓCIO -,

A LEGITIMIDADE DA MESMA

DE UM SER INFERIOR NA IDADE SOCIAL. DA MÉDIA NA

PELA SUA DIVINA

IRRACIONALlDADE. INVIABILlZA

FORMA,

ORDEM

A MOBILIDADE LIBERAL PROPÕE

E A ASCENSÃO QUE

NOSSA

ÉPOCA, E DA AS

O SISTEMA LIBERDADE RELAÇÕES

ECONÔMICO SEJAM

OS VALORES OS

IGUALDADE DE TRABALHO,

NATURAIS

PARA

JUSTIFICAR

CONTRATOS

ENTRE EMPREGADOS ENFIM, TODA

E EMPREGADORES, A ORDEM ECONÕMICA

A NÃO-INTERVENÇÃO E SOCIAL VIGENTE.

DO ESTADO

NA ECONOMIA,

Existe uma implicação íntima entre a ordem econômica

e as idéias, uma

entre as relações de produção e os valores que norteiam as sociedades, de modo que a cada mudança da ordem econômica corresponde mudança de valores. Isso acontece porque nossas idéias e, portanto, os valores, não surgem do nada. Eles são construídos na convivência social, na relação entre os homens etc.) e, por isso, refletem justificam. (relações de trabalho, familiares, tempo que as princípios, sempre essas relações, ao mesmo

Assim, um pai autoritário encontrará

razões para justificar a intransigência com os filhos. No caso das idéias sociais, dá-se mais ou menos a mesma coisa: as idéias ou os valores dominantes são construídos socialmente, com a particularidade de que

A

A

o

a tendência

é a predominância
mais fortes.

das idéias pertencentes

aos grupos

economicamente

5

NESSE

TEXTO,

O PRIMEIRO

VALOR

ATRIBUíDO

AO

TRABALHO

É O ECONÔMICO. A LISURA,

A
A

SEGUNDA

CONSIDERAÇÃO DE ALGUÉM QUE CULTIVA

A SER FEITA É QUE A MEDIDA É SER OU A DISCIPLINA, COMO INDICA NÃO TRABALHADOR,

PARA AVALIAR

HONESTIDADE TAL AQUELE UMA ÉTICA

ENTENDENDO-SE

COMO PROPÕE ESTÁ EM DOS

A APLICAÇÃO. O ÚLTIMO

O

TEXTO

TAMBÉM O QUE

DA APARÊNCIA,

PARÁGRAFO: HONESTO,

QUESTÃO DEVERES,

NÃO

É QUE O HOMEM

SEJA, MAS

QUE PAREÇA

CUMPRIDOR

CUIDADOSO,

CONSCIENTE.

Na ética do trabalho,

menos

que disciplina,

aplicação,

segurança

financeira, a atividade produtiva

é concebida como fonte de satisfação e, portanto,
de criação, de trans-

pessoal, de expressão da liberdade formação, tanto individual

como social.

6

COM

O DESENVOLVIMENTO

DA PRODUÇÃO

E A EXPANSÃO AO TRABALHO, A PROSPERIDADE

DO COMÉRCIO FATORES

PRECISA-SE PARA

DE MÃO-DE-OBRA AUMENTAR

LIVRE E DE DEDICAÇÃO E PERMITIR

ESSENCIAIS

A PRODUTIVIDADE

NOS NEGÓCIOS.

A modernidade,

com o sistema capitalista e a ciência, amplia a produção
na história, além de Para atender a essa os bens não-essenciais.

de bens essenciais numa escala sem precedentes começar produção a produzir

é necessária mão-de-obra qualificada,
dos bens produzidos.

operários, bem como O trabalho livre é, na

um mercado consumidor

verdade, uma exigência da nova relação de produção significativamente servilismo igualdade superior às formas anteriores

que se apresenta - escravismo

e

- embora não se tenha conseguido

encarnar os valores da se apresentando como

e da liberdade

que continuam

desafios, utopias a serem construídas pelos homens.

7 Ao

AFIRMAR

QUE A IGUALDADE MODERNA

E A LIBERDADE

SÃO PRÓPRIAS

DA NATUREZA TODOS

HUMANA TERIAM

A SOCIEDADE

BUSCA JUSTIFICAR CONDiÇÕES

AS RELAÇÕES ECONÔMICAS: DE COMPRAR JUSTOS, E DE VENDER, PORQUE

ORIGINARIAMENTE CAPITAL;

AS MESMAS

DE ACUMULAR ENTRE

OS CONTRATOS

DE TRABALHO

SERIAM

REALIZADOS

GABARITO

DOS

IGUAIS,

CAPAZES, DE UM

PORTANTO, ESTADO

DE

FAZER

ESCOLHAS

LIVRES;

DEFENDE-SE

A

OR-

GANIZAÇÃO ECONÔMICAS IGUAIS

NÃO-INTERVENCIONISTA, CRENÇA DE QUE TODOS

NÃO-REGULADOR SÃO

DAS FUNÇÕES LIVRES E

E SOCIAIS.

A

NATURALMENTE ATRIBUíDAS

PERMITE

QUE AS DESIGUALDADES FALTA

SOCIAIS

SEJAM OU DE

AOS SUJEITOS PARA O TRA-

INDIVIDUAIS, BALHO.

À SUA

DE COMPETÊNCIA

DISPOSiÇÃO

Com base nessa crença, mascara-se a realidade de que as oportunidades não são iguacispara todos; de que vivemos numa sociedade que as pessoas não têm, por exemplo, igualdade de conhecimento entre as opções existentes.
em

e

igualdade econômica - condições necessárias à deliberação, à escolha Longe de serem atributos naturais, a liberdade e a igualdade entre os homens são conquistas democráticas. Para entender isso, basta ficar atento à história, que nos mostra a luta

a ser enfrentada
belecidos, irrestrita aplicação.

na conquista

dos direitos civis que, embora estapara garantia. de sua ampla e

precisam

ser defendidos

CAPíTULO

3
ECONÕMICA: A UTILIZAÇÃO DE MÁQUINAS PROPORCIONA A AGILIZAÇÃO DITO,

NA ORDEM

DA PRODUÇÃO, JÁ QUE

FAVORECENDO

A INSTITUiÇÃO DE DISPOR

DO CAPITALISMO DOS

PROPRIAMENTE DE

O TRABALHADOR A VENDER A

DEIXA

INSTRUMENTOS

PRODUÇÃO, DESTACARITMO E

PASSANDO SE,

SUA FORÇA DE TRABALHO DA DIVISÃO

EM TROCA SOCIAL DO

DE UM SALÁRIO. TRABALHO, COM COMO

TAMBÉM,

INSTITUiÇÃO

HORÁRIOS

PREESTABELECIDOS,

DANDO

ORIGEM

AO PROLETARIADO

UMA

NOVA

CLASSE SOCIAL.

B· NA ORDEM DETERMINA PRODUÇÃO. ELA DEIXA

DOS VALORES: O SEU RITMO,

O TRABALHADOR NEM MAIS DÁ DA

JÁ NÃO DAS

DISPÕE

DO SEU TEMPO, DO PROCESSO

NÃO DE

PARTICIPA

DECISÕES

Isso,

EVIDENTEMENTE,

A ATIVIDADE

PRODUTIVA

UM VALOR DIFERENTE SOLIDARIEDADE,

DE SER O ESPAÇO NO ESTÁGIO

PARTICIPAÇÃO,

COOPERAÇÃO,

COMO

ACONTECIA

MANUFATUREIRO

DE PRODUÇÃO.

Essas características do sistema de produção fabril criam no trabalhador

R

A

B

A

L

H

O

um sentimento

de alheamento,

de estranhamento

com relação ao

produto de seu trabalho. Isso significa que, cada vez menos, ele se reconhece como agente, como autor ou sujeito dos bens que produz, os quais, quando colocados no mercado, se tornam mesmo inacessíveis aos recursos de que ele, trabalhador, dispõe. 2

FRAGMENTAÇÃO

OU PARCELAMENTO E EXECUÇÃO

DO TRABALHO, DO PROCESSO

RIGOROSA PRODUTIVO,

SEPARAÇÃO RíGIDA

ENTRE AS

FASES DE CONCEPÇÃO FUNCIONAL, CONTROLE

HIERARQUIA

E BUROCRATIZAÇÃO.

3 O

MODELO

TAYlORISTA-FORDISTA NA INDÚSTRIA, MUDANÇA

DE PRODUÇÃO DA DOS

TEM

SEU ESGOTAMENTO DE BASE

MARCADO

PELA

INTRODUÇÃO, DE RADICAL

TECNOLOGIA PADRÕES DE

MICROELETRÓNICA, E PRODU-

SEGUIDA TIVIDADE

COMPETITIVIDADE CAPITALISTA.

DAS EMPRESAS,

NA ATUAL

ORDEM

ECÓNOMICA

Com efeito, a utilização da microeletrônica de fábrica" (o trabalho mecânico) informação facilmente e de comunicação. controlável

torna o trabalho "de chão do processo

menos determinante

produtivo e introduz tarefas mais complexas, como as de controle, de Esse tipo de trabalho já não é mais anteriormente vigentes. Ele pelos esquemas

exige um trabalhador mais bem qualificado e com acesso aos próprios controles, já que as informações passam a circular mais democraticamente. Por outro lado, essa tecnologia permite produzir, sem grande alteração de custos, produtos de melhor qualidade para atendimento
a um mercado globalizado,

não-local e, portanto, mais exigente. Nada de uma nova forma dos processos de pela flexibilidade

mais natural, nesse quadro, do que a necessidade de administração caracterizada produção e das relações de trabalho. 4

VANTAGENS: RIGOROSA

MENOR SEPARAÇÃO

RIGIDEZ ENTRE

NA DIVISÃO

SOCIAL

DO TRABALHO ELEVAÇÃO

(JÁ

NÃO

HÁ UMA

O FAZER E O PENSAR); DE SUA DOS

DA QUALIFICAÇÃO CRIATIVIDADE, E DA

DOS TRABALHADORES RESPONSABILIDADE BUROCRATIZAÇÃO.

E, CONSEQÜENTEMENTE, E AUTONOMIA; REDUÇÃO

CRITICIDADE, NíVEIS

HIERÁRQUICOS

GABARITO

DOS

DESVANTAGENS: DESEMPREGO; DECORRENTE

ELIMINAÇÃO

DE DAS

POSTOS

DE

TRABALHO CONTRATUAIS

E CONSEQÜENTE DE TRABALHO E

IN FORMALIZAÇÃO
PERDA DE DIREITOS

RELAÇÕES

TRABALHISTAS.

5

EM

CONSEQÜÊNCIA AUMENTA

DA

TERCEIRIZAÇÃO, O NÚMERO DE

MUITOS

POSTOS SEM

DE

TRABALHO ASSINADA, ATIVIDADE CADA

SÃO O POR

ELIMINADOS, SUBEMPREGO CONTA

DE EMPREGADOS PESSOAS QUE

CARTEIRA

E A QUANTIDADE ESSA MEDIDA

DESENVOLVEM

PRÓPRIA.

CONTRIBUI

PARA O CRESCIMENTO,

VEZ MAIOR,

DO SETOR TERCIÁRIO

DA ECONOMIA.

Não se pode deixar de observar que a terceirização encargos poderiam sacias. Em defesa dessa medida, alega-se

é uma medida que estando as empresas e, portanto,

destinada a enxugar o quadro das empresas, com vistas a reduzir seus liberadas dos tradicionais compromissos trabalhistas,

absorver maior contingente

de mão-de-obra

reduzir o índice de desemprego economia capitalista. 6

que vem aumentando

na atual fase da

ESTA

RESPOSTA

É ABSOLUTAMENTE MAS,

PESSOAL

E SUA NA SUA

OPINIÃO,

SEM

DÚVIDA,

SERÁ

DIFERENTE MOS,

DA NOSSA.

PARA AJUDÁ-LO ALGUNS

AUTO-AVALIAÇÃO,

FORNECE-

NOS COMENTÁRIOS

A SEGUIR,

INDICADORES.

A proposta feita por empresários e setores do governo é, no mínimo polêmica. Não se tem qualquer garantia de aumento de emprego em função de sua implantação, trabalho não acontece subdesenvolvida, alarmante, transparente importante desenvolvida, até porque a eliminação de postos de devido ao peso dos encargos sociais, mas em e subemprego uma avaliação já é mais

decorrência da evolução tecnológica. Na nossa realidade de economia onde o nível de desemprego desejável, pelo menos, de trabalho, torna-se

do mercado um planejamento

bem como

um painel do
É também

significado dos encargos sociais na folha de pagamento.

de como isso poderia se desdobrar em a maneira de resolver o

novos postos de trabalho. Nessa situação, nos países de economia como a alemã, por exemplo, problema é diminuir a carga horária do trabalhador para seis horas,

I

T

I

C

A

TRABALHO

oferecer férias coletivas, enfim, buscar alternativas de modo a garantir
o emprego e ao mesmo tempo socializar o prejuízo de salários menores

para todos. Por outro lado, não se pode esquecer que os direitos trabalhistas representam vitórias históricas da classe trabalhadora, no sentido de garantir condições dignas de vida: o direito à saúde, à aposentadoria, ao 13º salário, a férias remuneradas micamente sígnifica a possibilidade de contimaterial, de poder nuar vivo e com dignidade, quando o trabalhador já não é mais econoprodutivo. A garantia de manutenção pagar as contas, comprar alimentos alguma coisa de alienável. Pode-se aínda argumentar contra acordos desse tipo, recorrendo à história, não tão antiga e nem tão passada, a qual nos sugere que a perda dos direitos trabalhistas deve reverter muito mais num ganho para os donos do capital do que na ampliação do mercado de trabalho. e remédios não nos parece ser

CAPíTULO

4
PELO DESCRÉDITO JUSTIÇA E DE DE QUE A ATIVIDADE REALIZAÇÃO PESSOAL PRODUTIVA E SOCIAL. SEJA ESSE SEJAM DA

ESSA CRISE CARACTERIZA-SE FONTE DE DIGNIDADE, DECORRE DE

DESCRÉDITO ALCANÇADOS CIDADANIA,

DA AUSÊNCIA

DE PERSPECTIVA

DE QUE,

PELO TRABALHO,

A AUTONOMIA, VALORES

A SOLIDARIEDADE, NA ÉTICA

A LIBERDADE

E O EXERCíCIO

PRESENTES

DA MODERNIDADE.

Acreditou-se na possibilidade de construir uma sociedade mais perfeita, com mais racionalidade, mais ordem, regida por valores humanistas. Acreditou-se na liberdade política como condição de possibilidade de cidadania, de construção de uma sociedade que, independentemente do poder do Estado, pudesse ter maturidade para se auto-regular e se desenvolver de uma forma mais harmônica, onde todos ganhariam. E todas as nossas crenças era o valor, o poder e a - os o que sustentava

dignidade do trabalho. Mas, apesar das inúmeras conquistas sociais dos trabalhadores direitos civis, políticos e sociais - não se chegou a promover menor de-

GABARITO

DOS

sigualdade social ou uma sociedade mais justa. Isso aconteceu porque a lógica das relações econômicas não é a mesma dos nossos desejose crenças: o valor balizador da sociedade ocidental é o valor econômico e o valor do indivíduo, e não o valor ético ou o valor do trabalho. Portanto, o que está em questão não é o que o homem faz ou quem ele é, mas o que ele tem em termos materiais, de propriedades, poder individual. A história nos mostra, entretanto, jamento consciente, uma postura que a dimensão do trabalho como atenta e crítica e uma responcidadãos e homens,
f, certamente,

de

valor é uma dimensão coletiva, o que supõe um compromisso de engasabilidade moral pelos nossos atos e pelas nossas omissões. Enquanto trabalhadores podemos e agentes de mudança, enquanto criticar o modelo econômico, a estrutura da sociedade, bem nos

como a dimensão perversa do projeto proposto. cabe inventar a realidade do mundo que queremos. 2 À

FALTA

DE VALORES,

VERDADES

E MODELOS ATUAL TENDE

QUE

UNIFIQUEM

E ORIENTEM

SUA OS O

VISÃO

DE MUNDO, QUE

A SOCIEDADE REGULAM A

A INCORPORAR COMO, CRIA

A

SUA POR

PRÁTICA EXEMPLO,

PRINCíPIOS ACÚMULO PAUTADA

ECONOMIA

CAPITALISTA, DESSE PELO MODO, EGoíSMO NESSES

DE BENS E O CONSUMISMO. PELO EspíRITO UMA DE POSSE,

UMA

MORAL

PRÓPRIA,

E PELO VALORES,

INDIVIDUALISMO ESSA SOCIEDADE ACIMA DOS

EXACERBADO. COLOCA

COM

PRÁTICA

BASEADA INDIVIDUAIS,

OS INTERESSES PÚBLICOS,

PRIVADOS,

A LIBERDADE SOCIAL,

PESSOAL

INTERESSES

DO COMPROMETIMENTO

DO EXERCíCIO

DA CIDADANIA.

Não é demais lembrar que no mundo humano nada é natural. Bem ao contrário, novas concepções de homem, novos valores são criados conforme se criam novas relações de produção. A valoração do indivíduo, da consciência de cada um, o elogio da liberdade privada, dos direitos individuais é extremamente conduta predominante útil para a consolidação de uma forma de na sociedade moderna. física,

Na história recente do Brasil, pode-se observar, nas novelas e comerciais de televisão, o culto ao corpo, à beleza pessoal, à apresentação como aquilo que melhor manifesta o que o homem é. Os desejos, a

I
3
ESTA RESPOSTA

A

A

A

o

vontade, as crenças e os valores são produzidos numa grande indústria. Cria-se, assim, aquilo que deve ser consumido servando-se a dominação mais competente desejo interno e legítimo. por esse desejo, conpossível de massas, porque

não é reconhecida como tal, mas é vivenciada como satisfação de um

VAI

DEPENDER

DO MATERIAL

QUE VOCÊ

SELECIONOU.

Qualquer que seja esse material, ele certamente

será valioso para que

você possa avançar na discussão da questão ética na sociedade e no trabalho. Debata com os colegas, com o orientador; procurem, juntos, as causas do problema, suas conseqüências, possíveis soluções; procure avaliar a responsabilidade 4 moral dos envolvidos.

A· ESSA

É UMA

PRÁTICA

MORALMENTE O VALOR

CONDENÁVEL. DE UMA DE SUA

ATRIBUI

AO VOTO RETIRA DO

UM

VALOR A DE DE

MERAMENTE CONDiÇÃO EXPRESSÃO EXERCíCIO

ECONÔMICO, MAIS

MERCADORIA. CIDADANIA,

SUJEITO

REPRESENTATIVA

DE

SUA

LIBERDADE

E DE DECISÃO DA CONSCIÊNCIA

SOBRE A COISA MORAL.

PÚBLICA,

RETIRA-LHE

A POSSIBILIDADE

B· As

CIRCUNSTÂNCIAS A IGNORÂNCIA,

QUE FAVORECEM CONDiÇÕES MORAL.

ESSE COMPORTAMENTO CONTRÁRIAS OU MESMO

SÃO A POBREZA, IMPEDITIVAS

A AO

MISÉRIA, EXERCíCIO

DA CONSCIÊNCIA

c· A

RESPONSABILIDADE POIS NÃO

MORAL EXISTE O

PODE

SER SEM

ATRIBuíDA

A AMBAS

AS

PARTES QUE O AO

ENVOLVIDAS, PROPÕE

SUBORNO RECEBE. ELAS -

O CONSENTIMENTO CASO, EXISTEM

DAQUELE ATENUANTES -

E DAQUElE

QUE

NESSE

COMPORTAMENTO FUNCIONA ELEMENTOS COMO PARA

DO ELEITOR. COAÇÃO UMA

SÃO, OU

JUSTAMENTE, A IGNORÂNCIA,

SUA MISÉRIA QUE NÃO

FATOR QUE

EXTERNA

LHE FORNECE

AVALIAÇÃO

E DECISÃO

CONSCIENTES.

5

MARLUCE

NÃO PODE SER RESPONSABILIZADA SUA ROTINA IGNORAVA FUNCIONAL

POR INDISCRiÇÃO,

UMA

VEZ QUE SEGUIU DESTINADA DEVE

NORMALMENTE AO CHEFE. ELA

AO ABRIR A CORRESPONDÊNCIA QUE,

O TEOR DA CORRESPONDÊNCIA

NESSES CASOS,

GABARITO

DOS

VIR

ASSINALADA

DE ALGUMA

FORMA,

DE

MODO

A

SER

POSSíVEL

DISTINGUI-LA

CLARAMENTE

DE UMA

CORRESPONDÊNCIA

NORMAL.

A inviolabilidade da correspondência correspondência mediante autorização

é um direito de todos. Abrir a

de alguém, como no caso de Marluce, só é admitido para que isso seja feito. Na verdade, pode-se

afirmar que o ato de Marluce deve ser considerado como cumprimento de sua função. Na situação não há nada que caracterize um ato nãomoral por parte da secretária, moralmente radicalidade de sua decisão, 6 No
OU

Por outro lado, pode-se

questionar

a contradiçã'o contida na ordem do chefe, bem como a

EXERCíCIO REJEITAMOS

DA CIDADANIA A ORDEM

FAZEMOS

ESCOLHAS,

DECIDIMOS, PARA

NOS

SUBMETEMOS UMA OU

DOS ACONTECIMENTOS. CONHECÊ-LA, LIMITAÇÕES A TENSÃO NOSSO

ESCOLHER DE SUAS

ENTRE

OUTRA

SITUAÇÃO, ASSIM

É NECESSÁRIO COMO UMA

SABER

CAUSAS

E CONSEÉ OU

QÜÊNCIAS,

DE NOSSAS QUE, SOB

E POSSIBILIDADES. DO MEDO, DA

A

LIBERDADE

INDISPENSÁVEL, QUALQUER TIPO

VEZ

NECESSIDADE

DE PRESSÃO

DESAPARECE

PODER

DE DECISÃO.

Uma situação desconhecida conhecimento

pode ser temerosa, apavorante mesmo. O dá-lhe independência, tornando-o

liberta o sujeito,

"senhor" da situação. A função de libertação exercida pelo conhecimento atinge tanto os indivíduos como os grupos humanos. É por isso que as nações desenvolvidas conhecimento, chamado dependência 7 terceiro mundo são justamente aquelas que detêm cultural é garantia o de a tecnologia, não-transferível - a dependência econômica e política. aos países periféricos do

CERTAMENTE

VOCÊ

INDICOU

A RECUSA

DA VIOLÊNCIA.

ESSA

É UMA SABEMOS SUAS

DAS CONDiÇÕES QUE, DIFERENSUAS DO

BÁSICAS AO EXERCíCIO TEMENTE DO MUNDO POR

DA ÉTICA NA SUA DIMENSÃO ANIMAL, MEIO DO O MUNDO DIÁLOGO, HUMANO DA

PÚBLICA. RESOLVE

QUESTÕES, DO ACORDO,

DIFICULDADES CONSENSO.

ARGUMENTAÇÃO,

A recusa da violência é uma atitude ética por excelência. É uma demonstração de nossa civilidade, da vitória de nossa racionalidade sobre

I
esse dilema: conscientes,

A

A

A

o

nossa animalidade.

Lembra-se? Nossa condição humana nos impõe ao mesmo tempo, conscientes e innatu-

o de sermos, desejos,

racionais e irracionais, generosos tendências

e egoístas. Temos ape-

tites, impulsos,

que são comportamentos

rais, às vezes mais fortes do que a razão. A postura ética, o cumprimento do dever, da norma, consiste, justamente, a racionalidade. em fazer prevalecer

CAPíTULO

5
DE UM SERViÇO DE QUALIDADE E O BOM PARA DESEMPENHO QUE CUMPRAM MUITAS FINANCEIRO SEU PAPEL OUTRAS

o OFERECIMENTO
SOCIAL, NO

SÃO INDISPENSÁVEIS

À ORGANIZAÇÃO AS

EMPRESARIAL. PRECISAM

ENTANTO, ENTRE

EMPRESAS

PREENCHER

CONDiÇÕES, CENTRADO À

AS QUAIS

SE DESTACAM: DE TRABALHO DO

REALIZAÇÃO

DE UM

PLANEJAMENTO ALIADA COM AS

NUMA

CONCEPÇÃO

QUE FAVOREÇA A PRODUTIVIDADE TRABALHADOR; EXTERNA AO PREOCUPAÇÃO

SATISFAÇÃO,

À AUTO-REALIZAÇÃO
E OUTRAS, SALARIAL DE UMA

QUESTÕES PRÁTICA

AMBIENTAIS DE UMA

DE ORDEM

SEU FUNCIONAMENTO; DE VIDA DIGNA AO

POLíTICA

QUE GARANTA POLíTICA

CONDiÇÕES

TRABALHADOR;

PROMOÇÃO

DE QUALIFICAÇÃO

DO TRABALHADOR.

Com o estatuto

de pessoa jurídica, é direito e dever da organização com todos os aspectos da vida comunicom compromIssos que de suas limitações e de suas possibilidades,

empresarial comprometer-se tária, sempre lembrando não poderá cumprir. 2 A

de modo a não extrapolar suas atribuições

EMPRESA

QUE LEVA EM CONTA

OS DIREITOS

HUMANOS PARA

MíNIMOS UMA

DE RESPEITO POSITIVA

AO DE

TRABALHADOR INTEGRIDADE.

E AOS SEUS CLIENTES

CONTRIBUIRÁ

IMAGEM

Isso,

SEM DÚVIDA,

AUMENTA

SUAS CHANCES

DE SER BEM-SUCEDIDA.

A palavra de ordem da organização a ela uma imagem social altamente

moderna é ser ética. Ser ética dá significativa: será referência, por seus não e credibilidade;

modelo para as outras empresas; será citada e recomendada clientes; terá internamente um clima de confiança

contará com a boa vontade de credores, quando eventualmente

GABARITO

005

puder cumprir em dia seus compromissos; feita pela comunidade

terá o apoio moral e a defesa

sempre que tiver seus interesses ameaçados. vantajoso.

Ser ético é, em qualquer instância, moral e economicamente

3

ENTRE

TANTAS

OUTRAS

SITUAÇÕES, PATRIMONIAL

VOCÊ

PODERÁ

CITAR:

A NÃO-CORRESPONDÊNCIA PRATICADA PElA EM-

ENTRE O CRESCIMENTO PRESA;

E A POlíTICA

SALARIAL

o

DESCUMPRIMENTO COM

DE ClÁUSULAS AS QUESTÕES

CONTRATUAIS DE ORDEM

DE TRABALHO; EXTERNA,

A FALTA

DE COMPROMETIMENTO AQUELAS DEQUADO CIDOS; RELACIONADAS

ESPECIALMENTE INAOFERE-

À PRESERVAÇÃO

DO MEIO COM

AMBIENTE;

O TRATAMENTO DOS SERViÇOS

DO CONSUMIDOR;

o

DESCASO

A QUALIDADE

A DISCRIMINAÇÃO

DECORRENTE

DAS DIFERENÇAS

DE SEXO,

RAÇA E RELIGIÃO.

As situações

mais comuns são de empresas ou até mesmo roubando,

que não cumprem falsificando

sua

palavra, mentindo

documentos,

fazendo caixa dois, por exemplo. injusta os funcionários tuação antiética, um produto muito

Também é comum tratar de forma os clientes. praticada, Uma outra si-

ou, com desprezo, freqüentemente

é a de oferecer
na divulgação.

que não corresponda

ao que é proposto

Vender uma imagem que não corresponde fé

ao produto caracteriza mánas organizações

e desrespeito ao consumidor.
freqüente

Uma situação lastimavelmente considerar seus trabalhadores uma relação autoritária,

é a de não
com eles

como parceiros, estabelecendo

vendo-os como adversários

e não como co-

responsáveis pelas conquistas

e sucessos da empresa.

4

ESTA

RESPOSTA

DEPENDERÁ

DO EXEMPLO

QUE VOCÊ

SELECIONAR.

Com certeza seu exemplo vai confirmar

a tendência cada vez maior de
ético. E hoje essa tendência

as empresas adotarem um comportamento

já não é tão restrita aos países mais desenvolvidos. Converse sobre isso com os participantes com o seu orientador enriquecedora. de aprendizagem. do seu grupo de trabalho, Essa experiência será muito

5

ESSES ACONTECIMENTOS

SIGNIFICAM

QUE COMEÇA

A SE FORTALECER

NA SOCIEDADE


..
UM SENTIMENTO\DE INTOLERÂNCIA

A

A

o

PARA

COM

A CORRUPÇÂO, SOCIAL

A MAIS

IMPUNIDADE, JUSTA E DIGNA.

A

\'
TRANSGRESSÃO ELES SINALIZAM DO CIDADÃO DOS VALORES BÁSICOS A UMA ORDEM

PARA A RECUPERAÇÃO

DA CONSCIÊNCIA SOCIAL

DO DIREITO

À PARTICIPAÇÃO PARA O

NA CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE

DA ORDEM CIVIL,

E, CONSEQÜENTEMENTE,

FORTALECIMENTO

DA CIDADANIA.

É importante

destacar que esse não é um fenômeno

exclusivamente em outros

nacional. Hoje, as notícias sobre movimentos paises são cada vez mais freqüentes. grupo de estudo ou de trabalho. 6

semelhantes

Fique atento, comente-as no seu

NÃo.

UMA

ORGANIZAÇÃO FINANCEIRO DE EMPREGOS,

EMPRESARIAL LHE PERMITE A PRÁTICA

NÃO HONRAR DE

PODE

SER DEFICITÁRIA.

UM

BOM A O

DESEMPENHO GERAÇÃO

COMPROMISSOS POLíTICA

SOCIAIS,

COMO DIGNA,

UMA

SALARIAL

CUMPRIMENTO

DE SEUS DEVERES

PARA COM

O FISCO ETC.

Mesmo numa economia capitalista, onde com certeza o maior valor é o capital, torna-se importante o reconhecimento bém econômicos - como a produtividade, de outros valores tama criatividade, a participação

qualificada do trabalhador no processo de produção. Hoje em dia todos os empresários têm consciência de que é lucrativo ser ético e, ao contrário do que se poderia dizer acerca do capitalismo selvagem, não há qualquer incompatibilidade
7

entre ética e lucro.

CABE

AO TRABALHADOR

ESTABELECER RELAÇÕES COMPROMETER-SE E COM COM

DE CONFIABILlDADE

COM A GERÊNCIA COM DE

E A ADMINISTRAÇÃO, SUA PRODUTIVIDADE

OS OBJETIVOS DOS SERViÇOS.

DA ORGANIZAÇÃO, TAMBÉM

A QUALIDADE

FAZ PARTE

SUAS RESPONSABILIDADES MELHORES PRINCIPAL SALÁRIOS

PARTICIPAR

DAS NEGOCIAÇÕES

E DECISÕES

PARA VIABILIZAR ÉTICO

E MAIOR

QUALIFICAÇÃO O MUNDO

PARA TODOS.

O

COMPROMISSO

É O DE HUMANIZAR

DO TRABALHO.

A nova organização

do mundo do trabalho tem como característica

principal a participação de todos os envolvidos no sentido de um objetivo comum. A participação do trabalhador começa com uma compreensão da necessidade de uma nova postura diante do trabalho, do mundo e de si mesmo. Na medida em que o trabalho é vivenciado como uma

,
das dimensões de sua existência, onde se rea"Nza como indivíduo e-

I

como cidadão, ele incorpora a atividade produtiva ao mundo da vida, onde produz, pode estabelecer boas relações e ser mais feliz.

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