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TCC PÓS

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CONTRIBUIÇÕES DOS GÊNEROS TEXTUAIS PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Laís S. Lemos1 RESUMO O presente artigo tem como objetivos discutir como o uso dos gêneros textuais viabiliza o ensino de língua portuguesa e apresentar uma proposta de atividade voltada para as 8ª séries do ensino fundamental, contemplando o ensino de Língua Portuguesa, proporcionando a aquisição e a fixação de competências lingüísticas através dos gêneros textuais “bula de remédio” e “manual de orientação sexual”. Para tal, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, a fim de descrever o percurso histórico dos gêneros textuais e buscar orientações práticas que ajudem o professor a desenvolver aulas utilizando gêneros, a partir de contribuições de alguns importantes teóricos, como Mikhail Bakhtin Dolz e Schneuwly, Motta Roth e Marcuschi, além dos pressupostos estabelecidos nos parâmetros curriculares nacionais (PCN). Busca-se, com isso, fomentar a reflexão sobre a importância da adoção dos gêneros textuais na sua prática pedagógica, favorecendo um ensino de língua portuguesa engajado em fornecer as competências linguisticas necessárias ao indivíduo para o processo de interação social. Palavras-chave: Gêneros Textuais; Ensino; Língua Portuguesa.
1. INTRODUÇÃO

A linguagem é uma ferramenta essencial para a comunicação entre os indivíduos. Sem ela não haveria qualquer interação social e a humanidade estaria fadada ao isolamento. Na intenção de realizar suas vontades e necessidades, o ser humano utiliza o código lingüístico, que se adéqua a cada situação linguística a depender de múltiplos fatores condicionantes, entre eles a finalidade pretendida e o contexto em que o discurso se insere. Falar, escrever, ouvir, utilizar a língua como um instrumento implica em conhecer e saber manejar as partituras que regem a linguagem. Todavia, o que se percebe, na maioria das escolas é um ensino estruturalista, que não contempla as multiplicidades da linguagem como ferramenta de interação social. Os textos são trabalhados de forma fragmentada, como pretexto para ensinar regras gramaticais, não sendo
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Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz e Pós-graduando em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira pela FATEC/Facinter.

baseada nos gêneros textuais “bula de remédio” e “manual de orientação sexual” na finalidade de fornecer subsídios para o desenvolvimento da competência lingüístico-discursiva do aluno de modo interdisciplinar. Marcuschi. analisando a sua funcionalidade. este artigo trata sobre as contribuições dos gêneros textuais para o ensino de língua portuguesa. Dolz e Schneuwly e Motta Roth. a idéia de gêneros surgiu com Platão. . que buscou embasar e caracterizar as produções literárias a partir das propostas e repercussões contidas nas mesmas. Em meio às diversas dificuldades enfrentadas pelo ensino de língua portuguesa na garantia de competências lingüísticas necessárias à cidadania. Os gêneros dividiam-se conforme a representação poética presente na obra e foram conhecidos como gêneros literários. trabalhando apenas aspectos estruturais da língua. e com base nos pressupostos estabelecidos pelos parâmetros curriculares nacionais (PCN). Estes moldes. O aluno precisa de modelos que ilustrem o uso do instrumento linguagem nas diversas modalidades da atividade humana. que os dividia em gênero épico.estudado num todo. que refletem a linguagem utilizada nos mais diversos ambientes lingüísticos. Desta forma. por sua vez partem da observação das práticas de uso da língua pelo ser humano ao longo do tempo e são retratados pelos gêneros textuais. Além disso. com base nas sequências didáticas. na literatura e na oratória. como também nas contribuições de teóricos como Bakhtin. No quesito artístico-literário. I. o ensino é realizado de forma desvinculada da realidade do aluno e não garante a ele qualquer competência comunicativa. UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO DOS GÊNEROS TEXTUAIS A primeira referência ocidental do termo gênero foi encontrada na antiguidade clássica em dois ramos de atividade sócio-culturais. o porquê da presença de cada palavra no cumprimento da finalidade do discurso e diversos outros aspectos. apresenta comentários de uma proposta de ensino de língua portuguesa destinada a estudantes da 8ª série do ensino fundamental da rede pública de Ilhéus. Eram estudados e classificados por elementos diferenciadores dentro do campo da literatura.

a acusação ou a defesa referente a um fato passado. Consoante Bakhtin (1997. focando diferentes sentidos. que definiu os gêneros do discurso como “tipos relativamente estáveis de enunciado”. que focou os gêneros relacionados às atividades políticas. os gêneros literários sempre foram estudados pela perspectiva da arte e de acordo com suas especificidades (elementos capazes de diferenciar um gênero do outro). enquanto os gêneros retóricos. sendo excluídos os descendentes de estrangeiros. A partir dessa percepção. p.dramático e lírico. por isso as especificidades do gênero retórico estavam voltadas para múltiplas questões em torno do enunciado. O primeiro estudioso a empregar a palavra gêneros em um sentido mais amplo em situações cotidianas da comunicação foi Mikhail Mikhailovich Bakhtin. deliberativo e epidítico. tendo por objetivo. também estudados na antiguidade. o aconselhar ou desaconselhar referente a um fato futuro. A retórica é apresentada como uma técnica que tem como finalidade persuadir o outro. portanto. 2006). respectivamente. lingüista russo. seus princípios constituintes e a relação com o interlocutor. e o louvar ou repreender referente a interesse presente. cabe salientar que mesmo o contexto histórico ateniense fosse dito como de completa democracia. os gêneros retóricos foram divididos em jurídico. 2006). (PALMA. tendo no uso da palavra um meio para exercício da cidadania do indivíduo na conquista do poder. 281). Entretanto. O estudo acerca da oratória fazia da fala pública um instrumento de deliberação e persuasão jurídica e política. considerando as condições específicas e . os metecos. as mulheres e os escravos. davam mais atenção a questões como a natureza verbal do enunciado. (PALMA. como o acabamento verbal e a relação com o ouvinte. Muitos são os estudos acerca dos gêneros textuais. Toda esta técnica tinha como alvo a formação do cidadão no contexto da democracia ateniense e acreditava-se que para atingir esta finalidade o domínio dos gêneros textuais seria uma ferramenta essencial para adquirir a adesão do outro/ do público ao ponto de vista defendido. não eram todos que podiam participar de tais atividades políticas. Os gêneros retóricos surgiram com Aristóteles. tal conhecimento era restrito às classes dominantes.

ao se tornarem componentes dos gêneros secundários. A partir disso.279). Bakhtin diferenciou os gêneros em primários (simples) e secundários (complexos). p. fator este devido à origem dos gêneros secundários convergir em gêneros primários. gêneros que incluem dentro de si características próprias de outros gêneros. A concepção acerca deste processo é fundamental no estudo da língua enquanto entidade viva e penetrante na dinâmica social. 1997. também apresentam características comuns. conforme assegura Bakhtin ao dizer que Ignorar a natureza do enunciado e as particularidades do gênero que assinalam a variedade do discurso em qualquer área do estudo . p. 282). Bakhtin observou em seus estudos que existiam gêneros mais evoluídos do que outros. Esta inter-relação entre os gêneros do discurso cotidiano e o processo de formação dos gêneros secundários a partir dos gêneros primários acarreta o estudo das características do enunciado e da variedade dos gêneros nos diversos contextos de atividade humana. um gênero que apresenta dentro dele diversos outros gêneros menos complexos como o diálogo entre os personagens.as finalidades dos gêneros no processo de interação verbal entre os seres humanos em diversos contextos. Bakhtin defendia que a utilização da língua está relacionada e depende das esferas da atividade humana. já que exige maior elaboração linguística do que na conversa. pois os diversos gêneros textuais apesar de possuírem características próprias. esses gêneros secundários absorvem e transmutam os gêneros primários (simples) de todas as espécies. como o romance. o que representa um discurso mais simples. com base na seguinte consideração: Durante o processo de sua formação. transformam-se dentro destes e adquirem uma característica particular: perdem sua relação imediata com a realidade existente e com a realidade dos enunciados alheios (BAKHTIN. (BAKHTIN: 2000. apresentando elementos da comunicação verbal espontânea. que atinge diferentes níveis de complexidade. Os gêneros primários. que se constituíram em circunstâncias de uma comunicação verbal espontânea. ficando os gêneros mais complexos à medida que uma esfera social demanda maior complexidade no uso da língua. Isto quer dizer que um gênero como o discurso político é mais complexo do que uma conversa informal.

com a proliferação dos meios de comunicação surgem novas formas de linguagem tanto na oralidade como na escrita. a linguagem tende a moldar-se de acordo com a peculiaridade de cada gênero.lingüístico leva ao formalismo e à abstração. que contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do diaa-dia. que evoluem junto com as sociedades. A visão baktiniana considera o texto como um todo. presenciamos uma explosão de novos gêneros e novas formas de . por exemplo. etc. o modo composicional (a estrutura) e o estilo (usos específicos da língua). que situa os gêneros textuais histórico-socialmente. caracterizando-os como textos materializados encontrados no dia-a-dia. os gêneros acompanham as transformações que ocorrem nas sociedades. o rádio. os gêneros textuais são determinados de acordo com a necessidade e os objetivos dos falantes e da natureza do tópico tratado. a Internet. a TV e. o gravador. um conjunto de elementos indispensáveis para a sua apreensão e utilização em meio às atividades humanas. orais ou escritas. apresentam um conjunto de características relativamente estáveis. Produtos sociais. 1997. que podem ser caracterizados por três aspectos básicos coexistentes: o tema. p. Fundamentam-se em critérios de ordem externa e interna. o tipo de situação. o conteúdo vinculado. em plena fase da denominada cultura eletrônica. Isto pode ser comprovado quando Marcuschi retrata que Hoje. advindas da necessidade criada pelo próprio contexto social. na medida em que os meios (email. internet e outros) vão evoluindo. pois têm como fundamento a compreensão dos gêneros textuais como fenômenos históricos profundamente vinculados à vida cultural e social. Segundo esta visão. Tal perspectiva sociointeracionista também é adotada por Marcuschi (2005). enfraquece o vínculo existente entre a língua e a vida (BAKHTIN. enquanto entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa. todas as produções textuais. com o telefone. desvirtua a historicidade do estudo. o nível de linguagem. telefone móvel. e se adéquam a depender de diversos aspectos. Essas características configuram diferentes gêneros textuais. Sendo assim. particularmente o computador pessoal e sua aplicação mais notável. 283) Segundo o linguista russo. como a natureza da informação.

p. Através dos gêneros textuais. as reais situações comunicativas são representadas. necessária na práxis do indivíduo enquanto pertencente a um conjunto social. 2005. II. Cada época e cada contexto social apresentam gêneros textuais predominantes. 19). os gêneros representam a língua real. a depender da situação em que estejam inseridos. Os gêneros textuais realizam um processo de ficcionalização da realidade. que descrevem os gêneros como uma heterogeneidade integrada.136). podem ser um recurso para o ensino de língua portuguesa. estão e sempre estarão presentes no contexto linguístico das sociedades. Assim. definidos de modo empírico e instrumentos semióticos para a ação de linguagem. imprescindíveis para a concretização das diversas finalidades por meio da linguagem. os gêneros textuais ao representarem as diversidades de textos encontrados e utilizados nos diversos ambientes de discurso na sociedade. ao longo do tempo. . acreditam Dolz e Schneuwly (2004. usual. pois os gêneros reúnem os diversos aspectos necessários à construção da linguagem articulada. atingindo diferentes níveis de complexidade. em que interage através da linguagem na busca pela realização de suas vontades e precisões. Por estarem presentes nas várias esferas da atividade humana. produtos sócio-históricos. tanto na oralidade como na escrita (MARCUSCHI. já que se revela por especificidades próprias pré-concebidas socialmente. os gêneros textuais estavam. como também exigindo o cumprimento do uso de um conjunto de fatores condicionantes empregados para cada momento de uso da língua. Desde a antiguidade clássica até os dias atuais. atuando como mediador da práxis humana da linguagem. OS GÊNEROS TEXTUAIS E O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA Consagrados historicamente como um produto social. Visivelmente. os gêneros textuais apresentam e representam o exercício da linguagem pelo homem nas diversas práticas sociais. o gênero assume o papel de mediador entre o texto e o leitor. p.comunicação.

oracionais. Sendo os gêneros textuais. haja vista que não existe texto desvinculado de um propósito. uma vez que o processo de “ficcionalização” de um momento já vivenciado ou apto de sê-lo pode ser capaz de aconchegar o aluno. Não à toa. ao se trabalhar a língua por meio dos gêneros textuais. este conjunto de múltiplos elementos lingüísticos articulados percebe-se a importância de sua utilização no processo de ensino de língua.. talvez possamos dizer também. Os gêneros textuais ao recriarem realidades já vivenciadas e/ou próximas do meio do aluno trabalham inclusive com o aspecto emocional deste indivíduo. Essa materialização é fato. textuais. de um contexto. atingindo o domínio do conteúdo. ao mandar um aviso via email sobre determinado acontecimento ao chefe pede uma formatação e cuidados para a mediação deste processo comunicativo bastantes diferente de quando o mesmo acontecimento será relatado aos colegas de trabalho. tal materialização lingüística passa pelo processo de institucionalização social. Neste viés. tudo isto permite que o discente atue de maneira mais segura. consegue-se transpor os limites impostos pela perspectiva normativa. semânticos. ao refletir sobre como deve se estabelecer o estudo da língua.181): [. como advoga Antunes (2005. uma proposta de ensino viabilizada por textos comuns à realidade do aluno pode favorecer o processo de ensino-aprendizagem. lexicais. p. como assegura Motta-Roth (2005.Essa mediação das práticas humanas realizada pela linguagem acaba então por formatar modelos de textos. uma vez que através destas variedades de entradas textuais. Por exemplo. sintáticos. . discursivos e.].. pragmáticos. que diferem entre si a depender do contexto em que estejam inseridos. a linguagem se materializa dentro do contexto social. [e] que são socialmente compartilhados” [..] um gênero textual é uma combinação entre elementos lingüísticos de diferentes naturezas – fonológicos.. a noção lexical. morfológicos. participativa e motivada dentro da aula. p. o reconhecimento das estruturas pré-concebidas. porque de alguma forma o aprendiz já está inserido no assunto: seu conhecimento de mundo. ideológicos – que se articulam “na linguagem usada em contextos recorrentes da experiência humana. de uma estrutura categórica. permitindoo transpor elementos como timidez e insegurança durante a interação em sala de aula. 28). Portanto.

mais especificamente com relação à disciplina de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II. A exploração dos aspectos lingüísticos de estruturação do texto deve ser feita a partir da análise linguística.contribuindo para que o aluno passe a utilizar a língua de maneira consciente. Deste modo. explorando o conhecimento prévio do aluno. O objetivo do ensino de língua materna é. 2004). Portanto. Desta maneira. conhecer e compreender acerca dos gêneros textuais é extremamente relevante. percebe-se que as orientações curriculares giram em torno da relação entre o domínio da língua com a participação social do individuo. Esta reflexão permite o desenvolvimento da competência lingüístico-discursiva nos alunos. o trabalho com temas pertinentes à realidade-discente. desenvolver a competência discursiva do discente. portanto. que considera a gramática da língua de maneira contextual. para capacitálo a realizar este processo de transição pelas diversas situações comunicativas. pois eles podem servir como uma ferramenta que possibilita ao aluno atuar linguisticamente nos diferentes textos presentes na sua realidade e necessários para sua inserção social. necessários para o exercício da cidadania. refletindo acerca da mesma. Tais considerações podem ser reforçadas com o texto dos PCN. O ensino de língua deve se processar. ampliando de um lado as capacidades individuais do usuário da língua e do outro ampliando seu conhecimento a respeito do objeto sobre o qual a ferramenta é utilizada (SCHNEUWLY. o ensino de língua portuguesa deve estar voltado para o desenvolvimento da competência discursiva e lingüístico-gramatical. impreterivelmente. No que concerne à linguagem. devendo a escola ser capaz de garantir os saberes lingüísticos. . favorecendo-os em suas práticas sociais. a progressão temática. tendo como parâmetros direcionadores da prática pedagógica o conhecimento dos gêneros textuais (estrutura. de modo contextualizado com a realidade social. como modo de intervenção no mundo. funcional. funcionalidade e intencionalidade). acredita-se que o ensino de língua portuguesa deve ser feito de modo a explorar e desenvolver a competência do aluno. a criatividade etc. Os PCN enunciam que o projeto educativo do ensino de língua deve estar comprometido com a democratização social. a coerência.

assuntos capazes de estimular o uso da linguagem na construção de uma visão crítica e reflexiva perante as diversas questões sociais próximas do mundo destes educandos. obriga à revisão substantiva dos métodos de ensino e à constituição de práticas possibilitem ao aluno ampliar sua competência discursiva na interlocução. O objetivo da área de linguagem definido no PCN pauta-se no entendimento e na capacidade da produção do texto como fenômeno social. não é possível tomar como unidades básicas do processo de ensino as que decorrem de uma análise de estratos. a unidade básica do ensino só pode ser o texto. indivíduo e meio-social. Por isso. Para atender a tal necessidade. descontextualizados. Dentro desse marco. o texto deve estar contextualizado com o mundo do aluno. frases que. palavras. motivador e. fornecedor de competências ao estudante. destaca que: A necessidade de atender a essa demanda. isto é. ser interessante. como produto de práticas sociais que colocam a leitura e a produção de textos numa complexa teia de relações. com fins específicos dentro do mundo real. sílabas. Os PCN (BRASIL. 1998. (BRASIL. 1998. Os parâmetros atrelam a importância da linguagem às necessidades sociais. sintagmas. p. para que através da língua eles possam participar conscientemente enquanto sujeitos destes processos de interação entre língua. 23) Além disso. para produzir diferentes efeitos de sentido e adequar o texto a diferentes situações de interlocução oral e escrita. afirma que todo texto se insere em um determinado gênero. principalmente. são normalmente tomados como exemplos de estudo gramatical e pouco têm a ver com a competência discursiva. É necessário considerar a formação competente deste sujeito com base na sua realidade. p. Nessa perspectiva. ao dizer que: . devendo o ensino contribuir para a ampliação da competência lingüística do aluno. que são determinadas historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. 23) colocam que o ensino de Língua Portuguesa deve estar comprometido com criar condições para que o aluno seja capaz de utilizar a língua de modo variado. letras/fonemas.possibilitando-lhe a aquisição de habilidades que envolvam a língua(gem) em práticas sociais. visando construir um indivíduo apto a apropriar-se da língua na finalidade de atingir seus objetivos em meio às práticas sociais. abordando temáticas de interesse comum aos alunos.

pois estão presentes através de aula expositiva. a partir de suas necessidades reais. para que o trabalho com os gêneros textuais tenha resultados positivos. constitutiva do texto. 1998. o trabalho com um gênero em sala de aula é o resultado de uma decisão didática que visa proporcionar ao aluno conhecê-lo melhor. é necessário que o professor explique passo a passo sobre o gênero em estudo. p. (BRASIL. precisa ser tomada como objeto de ensino. vale ressaltar que o trabalho com os gêneros propicia aos alunos um envolvimento concreto em situações reais de uso da linguagem. à medida que a sociedade necessita novos gêneros são criados e aparecem na formatação oral ou escrita. seminário.80). Sob esse ponto de vista. dentre outros. artigo de opinião. Atualmente podemos observar que esses gêneros já fazem parte da prática educacional. São ilimitados. dentro ou fora da escola. de maneira que possam escolher meios adequados aos fins que se almeja alcançar na produção de gêneros. bem como produzi-los. Diante disso. os gêneros textuais são realizações sociais. que servem para construir discursos dentro de uma forma estável. entrevista. pois. sejam elas. e-mail. o ensino de Língua Portuguesa deve contemplar os diferentes gêneros textuais. apreciá-lo ou compreendê-lo para que ele se torne capaz de produzi-lo na escola ou fora dela. Assim. carta pessoal. buscando fornecer ao aluno condições de ler e entender os tipos de discursos. 23) Nessa perspectiva. crônica. Mas. De acordo com Bernard Schneuwly e Joaquim Dolz (2004. blog. históricas e culturais. o que pode significar o estabelecimento de condições significativas de melhoria do ensino e . a noção de gênero. p. mas não definida. composicional e estilística. que circulam socialmente e determinam a formatação do texto. Desse modo. que os caracterizam como pertencentes a este ou aquele gênero. palestra.Os textos organizam-se sempre dentro de certas restrições de natureza temática. o professor estará preparando o aluno para atividades futuras. O ensino dos gêneros textuais é uma atividade que tem modificado a metodologia de ensino de língua portuguesa.

adotando como base o ensino de gêneros como instrumento de comunicação e a seqüência didática como metodologia de ensino. que consoante Dolz. o destinatário e os demais elementos necessários para que os alunos construam uma representação da situação comunicativa. Em suma. o objetivo a ser atingido..aprendizagem de língua. 97) “[. Noverraz e Schneuwly (2004. p.] é um conjunto de atividades escolares organizadas de maneira sistemática. acompanhada da produção. que conduziu a discussão deste trabalho. Para que isso ocorra. a forma de produção. uma sequência didática fundamentase na apresentação da situação. é preciso saber escolher os gêneros e como ensiná-los. o problema a ser resolvido. Na apresentação da situação cabe ao professor detalhar a tarefa proposta. III.. é bastante aconselhável seguir uma sequência didática. o uso de gêneros textuais. . porém. UMA PROPOSTA DE ENSINO ATRAVÉS DOS GÊNEROS TEXTUAIS Escolhido o gênero que se quer ensinar. Segundo esses autores. mas como meios de desvelar os valores e ideologias que estão subjacentes às diferentes práticas sociais. que é realizada em módulos que separam a produção inicial da final e ensinam o gênero e preparam o aluno para a prática da produção textual. como ferramentas norteadoras de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa. Nessa perspectiva e levando em consideração a concepção teórica de gêneros textuais. definir o gênero. é preciso acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem desde a primeira escrita e primeiras leituras. fornecendo-lhe competências que permitam transitar de modo confiante no universo pertencente a esta entrada textual. representam um procedimento sistemático que engloba cada etapa da atividade a ser desenvolvida e pode ajudar o aluno a dominar por partes um todo de um determinado gênero. Para que este acompanhamento possa contemplar todo o processo a ser desenvolvido a partir da escolha de um gênero textual. em torno de um gênero textual oral ou escrito”. possibilita aos professores levarem para a sala de aula não só atividades gramaticais com a língua e a linguagem por si mesmas.

Isto definirá para os alunos as capacidades que eles devem desenvolver para dominar o gênero demandado e para o professor esta primeira produção serve de parâmetro para identificar as dificuldades a serem trabalhadas. os alunos desenvolvem uma primeira produção a ser avaliada com discussões em sala. com o objetivo de trabalhar os diversos aspectos da língua a partir de gêneros textuais. Em resumo. devendo-se diversificar as atividades e exercícios. as sequências didáticas representam o procedimento adequado para se trabalhar o ensino de língua através de gêneros textuais. Com isso. Em sequência. é preciso preparar os conteúdos que serão produzidos para que os alunos partam para a produção a partir da compreensão da importância dos possíveis conteúdos e de como eles devem ser trabalhados. a finalidade de trabalhar com seqüências didáticas é proporcionar ao aluno um procedimento de realizar todas as tarefas e etapas para a produção de um gênero. acumular aquisições técnicas sobre o gênero e então por tudo isso em prática na produção final. Em . fornecendo-lhes orientações mais precisas para sua intervenção didática e também reconhecer o dever da aprendizagem de ir ao encontro das representações de linguagem dos aprendizes e corresponder a modos sociais e socialmente reconhecidos de apreensão dos fenômenos de linguagem. Dolz e Schneuwly (2004. p. apresentamos a seguir uma proposta de atividade voltada para a 8ª série do ensino fundamental. a atividade inicia-se com a leitura e análise lingüística dos gêneros textuais “bula de métodos contraceptivos” (preservativo e anticoncepcional) e “manual de orientação sexual” (DSTs e prevenção). Sendo assim. antes e durante sua realização. Destarte. que não sejam tão abstratos a ponto de se tornarem inacessíveis à atividade consciente”. troca dos textos e outros meios. levando em consideração o desempenho dos produtores.Em seguida. Em vista disso. 136) sugerem que “somente uma proposta de ensino-aprendizagem organizada a partir de gêneros textuais permite ao professor a observação e a avaliação das capacidades dos alunos. a produção será dividida em módulos que devem trabalhar com problemas de diferentes níveis.

seguida. . estar ligado à realidade do aprendiz. devendo tocar as mais diversas abordagens que contemplem o mundo do aluno. enquanto jovens cidadãos. interdisciplinar. Visto isso. Motivado nesta crença é que este trabalho opta por ensinar a língua materna através dos gêneros associados ao tema transversal sexualidade. um tema transversal. viabilizada pelos mecanismos da linguagem. E por fim. encarte de preservativo e cartilha de métodos preventivos. propõe-se a re-textualização dos textos lidos e analisados para a criação de uma “receita da prevenção”. que deve. Tal temática vem a ser trabalhada com a finalidade de promover o desenvolvimento da competência lingüístico-discursiva de maneira interdisciplinar. que é bastante pertinente ao contexto em que os alunos estão inseridos: orientação sexual. a oralidade será contemplada com a produção final de oficina informativa apresentada pelos alunos no pátio da escola. Através desta atividade. visando à construção de práticas conscientes quanto à atividade sexual e à prevenção de doenças por parte dos adolescentes. Acredita-se na prática pedagógica interdisciplinar porque entendemos o ensino de língua como algo extremamente significativo. Atrela-se ao ensino de língua portuguesa um trabalho de orientação sexual. temática pertinente à realidade de alunos de 8ª série. reflexiva e educativa que promova a saúde das crianças e dos adolescentes. Parte-se então da leitura dos textos de bula de remédio anticoncepcional. de modo contextualizado com os interesses necessários para a vida destes indivíduos. já que este é pertinente à realidade adolescente. toma-se como elemento fomentador desta proposta de ensino. uma vez que a esta instituição compete tratar de questões de políticas públicas. considerando seus interesses e participações sociais. impreterivelmente. tendo em vista o desenvolvimento de uma ação crítica. esta elaborada em projeto de extensão pelo departamento de ciências da saúde da Universidade Estadual de Santa Cruz. defende-se que é papel da escola abordar temas transversais. Para tanto. enquanto sujeitos capazes de fazer bom uso da língua em meio às suas práticas sociais. explorando o conhecimento prévio dos alunos sobre a estrutura de uma receita. passa-se à análise dos elementos textuais que constroem o texto para que este cumpra seu papel. no intuito de contribuir para a formação deles.

como ratificam os fragmentos: “Nenhum preservativo é 100%” e “Os sintomas podem ocorrer.. por exemplo.DST). é possível estudar o lócus adequado a cada informação.. Enquanto texto instrutivo. Na entrada textual “bula de remédio”. as bulas constroem seus textos utilizando o tempo verbal no presente. Além disso. Os verbos ainda são utilizados para expressar possibilidade. desenvolve-se a proposta didática representada a seguir: DESVENDANDO A BULA DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E MANUAIS E DE ORIENTAÇÃO SEXUAL: EM BUSCA DA COMPETÊNCIA DISCENTE LINGUISTICO-DISCURSIVA PÚBLICO ALVO: 8ª série do ensino fundamental TEMPO ESTIMADO: 3 semanas OBJETIVOS: • Aproximar o aluno dos textos de orientação sexual e contracepção. E por esse viés. instruir. aconselhar. . uma vez que fala das condições atuais do medicamento.. a questão da temporalidade presente e a recorrência dos verbos no imperativo.”. tudo isso atrelado à função deste gênero textual no cotidiano. não cabendo uso de tempo passado ou futuro. tais como o verbo dever em “[. existe uma predominância de certos verbos cuja função é a de recomendar. verificar os aspectos tipológicos e tipográficos dos textos a fim de que o aluno compreenda como realizar a leitura para fins específicos. Provocar uma discussão reflexiva sobre a apreensão destas informações e da atual realidade sexual entre os adolescentes (gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis..”.. através de estratégias.] deverá ser iniciado” e evitar em “Evite contato com anti-sépticos.compete ao professor identificar junto ao aluno a composição comum a estes gêneros.. • • Identificar de que maneira a informação trazida por estes textos é captada pelo aluno. visto que os medicamentos podem não ser totalmente eficientes.

Vide exemplo: “O preservativo é o método anticoncepcional natural (não medicamentoso) mais seguro que se conhece”. Mostrar a importância da linguagem no contexto social e suas manifestações engajadas sempre de acordo com o propósito que visam cumprir. saber a quem recorrer no momento de buscar informações e quem são os profissionais autorizados a prestar tais informações. levantando questões como. • • • • AULA 02 . a fim de observar a estrutura destes gêneros textuais. Identificar relações de dependência entre as orações dentro dos textos lidos a fim de perceber o sentido das mesmas e também relacionar esta observação com os assuntos estudados anteriormente em sala de aula. “manual de orientação”. bem como. como em postos de saúde. constatar com que frequência eles são lidos pelos adolescentes e relacioná-la com os altos índices atuais de gravidez e DSTs na adolescência. quanto à temporalidade em que os textos se apresentam e à relação disto com o propósito destas entradas textuais. coletado pelos alunos. prevenção sexual. os especialistas da área etc.• Desenvolver a percepção das especificidades linguísticas e discursivas próprias dos gêneros “bula de remédio”. a preponderância da coesão textual para atender a proposta informacional destes textos. encarte de preservativo e cartilha de proteção). a relação entre as orações. locuções verbais. Em grupo de 4 a 6 alunos. com o objetivo de obter informações e de entender o texto. por exemplo. previamente solicitado pelo professor a fim de que os discentes aprendam onde encontrar este material. • • AULA 01 • Trazer material sobre DSTs. Verificar a organização textual oral e escrita. “receita” e “oficina”. considerando as suas especificidades linguísticas e discursivas. tais como questões da temporalidade adequada ao propósito destas entradas textuais. “encarte de preservativo”. Cada grupo fica encarregado da leitura de um texto. a importância do uso adequado das conjunções. realizar a leitura dos textos sobre métodos contraceptivos (bula de anticoncepcional. como os textos se desenvolvem nestas modalidades e as relações existentes entre o oral e o escrito. Confirmar a importância destes textos em discussão em sala. Socializar para os outros grupos os aspectos comuns aos textos.

que apresentam opinião de pessoas nas ruas com relação às DSTs. especificidades da fala dos apresentadores a fim de estabelecer relações entre os textos orais produzidos pelo narrador no vídeo de educação sexual e pelas pessoas nas ruas. 4. Transmissão. • Assistir aos vídeos e conversar sobre as informações: o que os alunos já sabiam. Refletir também sobre as diferenças com relação ao texto escrito dos manuais de instrução. Definição. AULA 03 • Verificar em debate os aspectos comuns entre os textos estudados nas aulas 01 e 02. discutir a linguagem empregada nos filmes. nos curtas do Ministério da Saúde. • Objetivos: • • • Socializar as informações obtidas para os demais grupos como troca de conhecimentos. o modo como são apresentadas as informações. 5. direção de Sérgio Baldassarini. contento os seguintes itens: 1. AULA 05 .• Distribuir a sala em 5 grupos para que cada grupo pesquise sobre uma DST. Cada grupo deverá desenvolver um esquema sobre a doença estudada. 4. AULA 04 • Vídeos educativos sobre DSTs e prevenção: . Refletir sobre a fidelidade das informações e a importância de se pesquisar em local apropriado.gonorréia). que será escolhida por sorteio (1. 2. quais equívocos foram corrigidos? Após a discussão das informações. Manifestações possíveis. 2. atentando para a escolha dos termos linguísticos utilizados.AIDS. percebendo as semelhanças e a relação de condicionalidade entre os textos de contracepção e os manuais de orientação sobre DSTs.herpes. 3. Verificar dentro dos textos a questão da sinonímia no desenvolvimento textual. o que foi informação nova.Educação sexual: DST/AIDS. 3. .sífilis.Curtas do Ministério da Saúde: DST. Prevenção. AIDS e prevenção.hepatite b.

AULA 09 • Avaliação crítico-reflexiva oral sobre o desenvolvimento do trabalho. A utilização dos gêneros textuais no ensino de Língua Portuguesa é de extrema importância.• Trabalho de produção: criar uma “receita de prevenção”. o aprendizado obtido e a relação da proposta seguida com o estudo de língua portuguesa. visto que eles permitem explorar o texto em sua forma viva. ou seja. Retextualização. • AULA 08 • Apresentação da oficina educativa aberta para o público das outras salas. considerando o conhecimento adquirido pelas informações das aulas anteriores e da noção da estrutura de uma receita culinária. como circula . os aspectos positivos e negativos. com base na questão da oralidade (a fala pública planejada) trabalhada na observação do vídeo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo teve como objetivo discutir sobre as contribuições dos gêneros textuais para o ensino de Língua Portuguesa. AULA 07 • Desenvolver uma oficina para apresentação do conhecimento obtido. Anexar as receitas de prevenção em um varal de leitura para acesso de todos no corredor e no pátio da escola. • AULA 06 • Entrega final e leitura das “receitas de prevenção” elaboradas pelos alunos. organizando o texto oral.

2ªed. 71-128. M.socialmente possibilitando ao educando participar como ser ativo do processo de interação verbal no mundo. além dos pressupostos estabelecidos pelo PCN de língua portuguesa do ensino fundamental no tocante ao ensino através dos gêneros. sendo pertinente a adoção destes recursos à prática pedagógica. possibilitam aos professores levarem para a sala de aula os formatos de textos presentes no cotidiano do aluno para se fazer um trabalho com a linguagem a partir deles. 2004. 1998. Noverraz. 2005 BAKHTIN. B. REFERÊNCIAS ANTUNES. Lutar com Palavras: coesão e coerência. Tradução de Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Secretaria de Educação Fundamental. & SCHNEWLY. O uso de gêneros textuais. J. In: DIONISIO. Anna Rachel e BEZERRA. p. a fim de contribuir com o ensino de Língua Portuguesa. Maria . In: Estética da criação verbal. Mikhail M. Campinas. Schneuwly. Luiz Antônio. NOVERRAZ. Gêneros Orais e Escritos na Escola. Angela Paiva. Baktin e Marcuschi. BRASIL. São Paulo: Parábola. Irandé.. neste artigo foi exposto o percurso histórico dos gêneros textuais. Martins Fontes: São Paulo. como ferramentas norteadoras de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental. Constatou-se que a utilização dos gêneros textuais pode trazer diversas contribuições para o ensino de língua portuguesa. In: ______. Os gêneros do discurso. MARCUSCHI. Dolz. abordamos através de sequências didáticas e propostas de atividades. DOLZ. Para este entendimento. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Gêneros orais e escritos na escola. MACHADO. estudos de teóricos como Motta Roth. 1997. Dieli Palma. O estudo da língua. p.. Irandé Antunes. que nesse caso. 279-326. SP: Mercado das Letras. Brasília: MEC/SEF. espera-se que este artigo reforce a importância da utilização dos gêneros textuais na prática de ensino e possibilite a reflexão sobre como se deve utilizar tal recurso. Deste modo. fornecendo aos estudantes as necessárias competências lingüísticas para que possam atuar em meio as suas práticas sociais.

In: Gêneros orais e escritos na escola. PALMA. . Acesso em: 09 abr. Dieli V. ROTH. p. Palavra e ficcionalização: um caminho para o ensino da linguagem oral. Acesso em: 08 abr. SP: Mercado das Letras. Disponível em: <http://www. Gêneros textuais e sua relação com o passado e o presente.unisul. 2005. Campinas. 2004.htm>. 19-36. 07:10. 2010. Gêneros textuais e ensino.Auxiliadora (org. 129146. Rio de Janeiro: Editora Lucena.br/pos/lgport/downloads/publicacao_docentes/generos_textu ais_Dieli.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0603/07. Bernard. 2010.pdf>. In: Linguagem em (Dis)curso.pucsp. 3ª ed. O ensino de produção textual com base em atividades sociais e gêneros textuais. SCHNEUWLY. Disponível em: <://www3. p. Tradução de Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro.). Désirée M. 07:24.

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