METODO DE LAVRA

Como se sabe a seleção de um método de lavra depende de inúmeros critérios. Dentre eles destacam-se: • • • • • • •

Geometria do corpo (dip, potência, plunge, extensão em profundidade, teor e etc. ); Competência da rocha hospedeira, do hanging wall, foot wall e grau de fraturamento das rochas; Recuperação e diluição consideradas; Taxa de desenvolvimento e de produção requerida; Custos de infra-estrutura e operacionais; Investimentos; Resultados da analise financeira.

1.1 – DILUIÇÃO

O fator mais importante é evidentemente lavrar o minério com a menor diluição possível. Este fato pode parecer muito óbvio, porém na prática nem sempre as coisas ocorrem dessa maneira. Quando os veios são mais estreitos que a largura mínima dos realces, um certo grau de diluição é certamente inevitável. Entretanto, uma diluição adicional também ocorre devido ao desmoronamento das paredes laterais, o que determina cuidados especiais no controle do desmonte de forma a evitar a sobre-escavação.

Outro fator freqüentemente responsável pelo aumento da diluição é a falta de precisão na perfuração. Furos corretamente posicionados em relação ao plano de fogo original, e perfurados nas profundidades e ângulos corretos são absolutamente essenciais ao bom resultado final.

É claro que a precisão está intimamente ligada ao fato de o operador ter um posicionamento adequado em relação à frente de trabalho, de forma a ter sempre uma visão desobstruída do equipamento de perfuração, em especial no embocamento dos furos.

Furos desalinhados fazem com que as minas adjacentes não sejam capazes de trabalhar corretamente durante a detonação, acarretando sobre-escavação com o conseqüente aumento da diluição.

Métodos de lavra

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o controle da fragmentação de forma a propiciar o melhor aproveitamento possível para o equipamento de carga/transporte. por outro lado. com diâmetros da ordem de 38 mm.1. em minas exploradas pelo método de desmonte em subníveis. em vez dos populares 51 mm. em torno de 38 a 45 mm. qualquer que seja a razão primordial.3 – PESSOAL Métodos de lavra 2 . decorre principalmente do fato de que. bem como facilitará a carga seletiva do minério mesmo diante da ocorrência de qualquer desmoronamento da capa. Importante é também uma constante supervisão das paredes da capa e da lapa de forma a não apenas assegurar condições estáveis e seguras para o trabalho na área. Outra consideração interessante diz respeito às dimensões dos furos utilizados para o desmonte. de outro lado as minas simplesmente não estão acostumadas a pensar em termos de diâmetros menores que os usuais 51 mm para as perfurações mais longas. freqüentemente utilizados nas perfurações de produção com furos longos. foram alcançados com a utilização de pequenos diâmetros. se de um lado os equipamentos de extensão não estão ainda padronizados nessa dimensões. A não utilização de menores diâmetros de perfuração entretanto. Recentes testes efetuados na Suécia indicaram que os melhores resultados obtidos na lavra de veios estreitos em minas que trabalham com o método de desmonte em subníveis. serão provavelmente mais e mais factíveis e indicadas no futuro! 1. o certo é que as perfurações de produção. Contudo. Uma constatação bastante interessante foi a de que os índices de diluição caíram significativamente quando da utilização destes furos de menor diâmetro. De grande importância é. A “limpeza” praticamente completa do realce a cada detonação ajudará a garantir uma boa recuperação. Fogos curtos durante o desenvolvimento podem reduzir a diluição. mas também reduzir consideravelmente os riscos do desmoronamento que aumentariam a diluição.2 – CONTROLE DA DETONAÇÃO Um adequado controle da detonação é tão importante quanto o controle da perfuração. porém estes avanços curtos irão sempre resultar em redução da performance final.

É difícil acrescentar algo mais objetivo a este depoimento. porque a unidade de concentração necessita minério e não apenas rocha!”. contendo informações com respeito a inclinação e profundidade de cada furo é também uma prática altamente recomendável. informações importantes com relação ao comportamento do corpo mineralizado devem ser coletadas por ocasião do desenvolvimento das galerias dos subníveis.5 – PLANEJAMENTO Ao se promover a mecanização de uma mina já em operação não é apenas suficiente efetuar a aquisição de um conjunto de equipamentos para então tentar a sua adequação às condições existentes. Em outras palavras: conhecer em detalhes o corpo mineralizado é realmente essencial e um profundo conhecimento da geologia do mesmo é de fundamental importância. a qualidade da mão de obra é de longe o fator mais importante em qualquer operação de mineração.Uma máxima é irrefutável: As pessoas fazem o trabalho! Assim. a forma exata do corpo entre os subníveis é evidentemente desconhecida. Por exemplo. O estabelecimento de um plano de fogo para cada desmonte. Uma vez que os corpos mineralizados freqüentemente tem um comportamento irregular em termos de potência. Para ser realmente efetivo. etc. os custos de produção e a produtividade serão de imediato negativamente afetados. De acordo com a opinião de um experiente minerador “A competência de todo o pessoal envolvido tem que ser alta. Se este não for o caso. Esta mensagem tem que estar clara e ser reforçada e enfatizada em cada reunião com as equipes de operação. mergulho.4 – CONHECIMENTO GEOLÓGICO Conforme já mencionado por diversas vezes. porém uma idéia bastante aproximada pode ser conseguida interpretando as informações coletadas por ocasião daquele desenvolvimento. a diluição é o fator decisivo para uma lucrativa de veios minerais estreitos. em uma operação pelo método de desmonte em subníveis. Um acompanhamento “de perto” de suas características locais é a única maneira de garantir a manutenção da diluição dentro dos níveis planejados. 1. 1. O importante é medir a produção em toneladas de minério e não de rocha. o processo de mecanização irá requerer Métodos de lavra 3 . Cada operador no sistema tem que ser absolutamente competente no desempenho de sua função. independentemente do teor do minério. do grau de sofisticação dos equipamentos ou dos métodos de lavra empregados.

Baixo custo por tonelada desmontada.uma mudança de filosofia e talvez até do método de lavra. As operações cíclicas de desenvolvimento. preferencialmente acima de 50º. 3. perfuração de produção. Vantagens: Boa recuperação de minério e moderada diluição. As galerias de transporte devem ser convenientemente dimensionadas de acordo com a nova realidade. isto é. carregamento. detonação. auto-sustentável. Métodos de lavra 4 . Excelente produtividade. melhores condições de aplicabilidade do método. uma vez que o objetivo principal deve ser a concentração da produção em um menor número de realces com uma conseqüente utilização de menos pessoal. possam ser deslocadas livremente de um realce a outro sem paradas improdutivas. portanto. O maciço rochoso tem que ser competente. Maior segurança nos serviços mineiros. Quanto maior a potência do corpo. carga e transporte devem ser. as carregadeiras LHD. Critérios essenciais: O dip tem que ser maior que o angulo de repouso do mineiro desmontado. Os novos equipamentos devem ser considerados como parte da nova equipe e as práticas de projeto de desenvolvimento e operação convenientemente adequados à sua utilização. ilustra o método.2) Sublevel stoping ( blasthole stoping ) É um metodo de abertura de open stoping. aplicado em corpos confinados e onde as encaixantes e o corpo de minério requerem pouco suporte durante as atividades de mineração e é caracterizado por alto desenvolvimento que é compensado pelo fato que a maioria do desenvolvimento secundário ser no minério. O desenho esquemático anexo. etc. de forma tal que os jumbos de perfuração. planejadas de forma a se obter a máxima produtividade com o menor custo possível. Os contatos com as encaixantes tem que estar bem definidos. Excelente condições de ventilação.

Em furos de maior extensão tende a maiores desvios. Modera flexibilidade operacional. Vantagens: Alta recuperação e baixa diluição. Alto grau do dip é requerido. O desenho esquemático anexo ilustra o método. Em rochas de baixa competência mecânica. Val D`or. Saskatchevan. em caso de veios estreitos. Timmins. tende a ter maior diluição. Este método de lavra é aplicado nas seguintes mina operadas e visitadas por nós: Mina de João Belo e Itapicuru . pois os custos operacionais tendem a ser elevados. Sigma Mine-Placer Dome.Permite alta mecanização na operação. Canada 3. A aplicação mais comum deste metodo é em corpos de moderado dip. Brasil Dome Mine. Custos de detonação secundário elevado. Desenvolvimento secundário no minério Desvantagens: Alto desenvolvimento requerido. Permite taxas de produção maiores. dip tem que ser moderado. Ontario. Canada. Flin-Flon Mine – Flin Flon. Métodos de lavra 5 . BA.3) Corte e aterro ( Cut and Fill ) O metodo de corte e aterro consiste no corte de fatias de minério que é preenchida posteriormente por estéril para permitir o corte de nova fatia. Canada. Alta mecanização. O teor deve ser maior que a media. Jacobina. Quebec. Critérios básicos: Tem que avaliada uma fonte segura de fill ( mecânico ou hidráulico ). permitindo uma alta recuperação do minério de maneira bem seletiva. onde as paredes de contato são relativamente fracas.

Desvantagens: Altos custos de enchimento.Oferece boas condições de trabalho. onde o minério e as paredes são competentes através de pequenos suportes. Canada Sigma Mine-Placer Dome. Canada 3. Este método de lavra é aplicado nas seguintes mina operadas e visitadas por nós: Mina Grande.4) Recalque ( Shrinkage stoping ) O metodo consiste no desmonte de tiras de minério. Critérios básicos: O dip tem que ser superior ao angulo de repouso do minério. Cuiabá. Placas de estéril pode ser toleradas como o resultado de diluição. Saskatchevan. O ciclo de enchimento torna a lavra mais lenta. Trout Lake Mine. sendo extraído somente o minério equivalente ao empolamento. O metodo de recalque é aplicado usualmente em veios de elevado dip. Baixo grau de fraturamento das encaixantes. Tende a baixa produtividade. Val D`or . O desenho esquemático anexo ilustra o método. Brasil. Ontario. Requer fonte de fornecimento de fill disponível e segura. mas trazem sérios problemas nos chutes de extração. Stall Lake Mine– Flin Flon. Alta flexibilidade. Canada. Flin-Flon Mine. MG e Serra Grande. para permitir o novo piso do novo desmonte. Boas condições de ventilação. Vantagens: Alta recuperação e baixa diluição. As paredes e o minério tem que ser competentes. Crixás. preferencialmente acima de 50º. Necessita de desenvolvimento lateral. Sudbury. Raposos. Métodos de lavra 6 . Quebec. GO. Strathcona Mine-Falconbrigde.

MG. Este método de lavra é aplicado nas seguintes mina operadas e visitadas por nós: Mina de Cuiabá.Canada. permitindo selecionar o minério de alto teor. Maior investimento durante a fase de desmonte. alargando-se convenientemente o realce de maneira a permitir a acomodação dos equipamentos de perfuração. Alto controle da retirada de minério nos chutes. Ocasiona engavetamentos nos dos chutes de extração. Brasil Dome Mine. Brasil Mina de Itapicuru. Canadá. carga e transporte. Este método de lavra é aplicado nas seguintes mina operadas e visitadas por nós: Mina de Cuiabá.Oferece boas condições de segurança de trabalho. Fácil operação. Desenvolvimento menor Desvantagens: Estoque de minério desmontado dentro do realce. O estéril é utilizado como aterro e não rara vezes se torna necessário importar estéril para completar o aterro. Na primeira etapa é efetuada o desmonte somente no minério sendo que após a limpeza é efetuado o desmonte do estéril. Jacobina. implicando em desmonte secundário. corpo Balancao. Ontario. Alto custo na fase de desmonte. Este metodo é altamente seletivo. BA. corpo Balancao ( lavra experimental ). Sabará. Não requer enchimento. Baixa mecanização. 3. Sigma Mine-Placer Dome. Val D`or. Sabará. MG. Brasil. onde o desmonte é realizado em duas etapas. Baixa produtividade.5) Corte Seletivo e Aterro ( Resuing Mining ) É uma variante do tradicional método de lavra corte e aterro. Timmins. Permite flexibilidade. Boas condições de ventilação.Quebec. Métodos de lavra 7 . Baixos custos de produção.

Estes parâmetros serão avaliados levantados na próxima fase do estudo que definirá o método de lavra ótimo a ser aplicado. Especificar e selecionar os equipamentos corretos. sempre que possível. • • • • • • Promover a perfeita adequação entre o método de lavra e o equipamento envolvido. Informar todo o pessoal envolvido a respeito de suas metas e responsabilidades. Manter a diluição sob controle: a idéia é produzir minério e não estéril! Perfurar e desmontar com a máxima precisão possível. qualquer um dos métodos selecionados é aplicável aos corpos citados. Métodos de lavra 8 .4) CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO Para o estudo conceitual. Resultados da análise financeira. Equipamentos Quadro de Pessoal Custos operacionais. e em especial no caso de uma lavra de veios estreitos. 2 – CONCLUSÃO Para concluir. mantendo sempre o equilíbrio entre o investimento e a produtividade. toda a operação e não apenas os ciclos de perfuração e carga/transporte. motivar o pessoal. Taxa de desenvolvimento e de produção requerida. vamos voltar aos pontos que devem ser considerados como de fundamental importância na implantação de um processo produtivo de lavra em geral. Investimentos. A determinação do método de lavra ótimo a ser aplicado dependerá da análise dos seguintes parâmetros: • • • • • • • Recuperação e diluição consideradas. Mecanizar.

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