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HUMANISMO EM PORTUGAL séc XV d.C.

( transição entre a Idade Média e o Renascimento )

• Separação entre poesia e música - poesia palaciana • Início da prosa historiográfica - Fernão Lopes • Teatro popular - Gil Vicente

    .    Predomínio da mentalidade teocêntrica. Teatro que oferece um retrato impiedosamente satírico da sociedade de seu tempo. a burguesia. sem esquecer de nenhuma classe social: a fidalguia. Oscila entre temas medievais e aqueles ligados ao presente imediato das transformações produzidas pelo Humanismo. mas poupa as instituições. o clero e a plebe. tipos sociais ou alegóricos. Personagens sem desenvolvimento psicológico. A linguagem é um dos principais recursos utilizados para caracterização das personagens. Critica as pessoas.  Transformação e fusão de gêneros do teatro medieval Textos bilingues. escritos em versos.Características importantes do teatro vicentino.

O auto da barca do inferno Gil Vicente e as origens do teatro português .

Lisboa painel anônimo .Inferno – Museu de Arte Antiga .

* Faz uma alegoria do juízo final para revelar características da sociedade portuguesa do começo do século XVI * Poema dramático escrito em redondilhas maiores e dividido em estrofes de oito versos cada uma. * Divisão em 11 cenas praticamente independentes .* Classificada como Auto por sua forte intenção moralizante.

sus! que fazes tu? Despeja todo esse leito! COMPANHEIRO.Feito. e atesa aquele palanco e despeja aquele banco. louvores a Berzebu! Ora. A B B A A C C A A B B A A C C A CENA 01 À barca. à barca. houlá! que temos gentil maré! Ora venha o carro a ré! COMPANHEIRO. que tempo de partir.DIABO- À barca. pera a gente que virá.Em boa hora! Feito. feito! DIABOAbaixa aramá esse cu! . feito! Bem está! DIABOVai tu muitieramá. hu-u! Asinha. que se quer ir! Oh. à barca.

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é a personagem que fica mais tempo em cena. É condenado e humilhado pelo demônio. . Arrepende-se do que fez. o que o torna uma personagem mais interessante. Traz um pajem para carregar a cadeira para ele.CENA 2 – O fidalgo       Dentre os passantes. O pajem não é aceito na mesma barca e nem a cadeira. O manto e a cadeira são símbolos de sua futilidade e arrogância. que supostamente esteve na igreja.

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Santa Joana de Valdês! Cá é vossa senhoria? FIDALGO. terrenos. fidalgo.Dá ò demo a cortesia! DIABOOuvis? Falai vós cortês! Vós. cuidareis que estais na vossa pousada? Dar-vos-ei tanta pancada com um remo que renegueis! . portanto. * Completamente apegado a valores materiais e.CENA 3 – O onzeneiro * É o segundo personagem entre os passantes. * Pede licença para retornar ao mundo para buscar seu dinheiro * Fica admirado ao encontrar o fidalgo dentro da barca ONZENEIRO.

. Pêro Vinagre.. por nunca ter errado por maldade.Ò Inferno?. aguardai.Ao porto de Lucifer. PARVO... quando entende quem ele é. huhá! Sapateiro da Candosa! Antrecosto de carrapato! Hiu! Hiu! Caga no sapato... beiçudo. . Hiu! Hiu! Barca do cornudo.Eramá. rachador d'Alverca. houlá! E onde havemos nós d'ir ter? DIABO. DIABO.Aguardai.Ó Inferno! Entra cá! PARVO. • É aceito pelo anjo na barca do céu. filho da grande aleivosa! Tua mulher é tinhosa e há-de parir um sapo chantado no guardanapo! Neto de cagarrinhosa! CENA 4 – O parvo • É ingênuo e puro de coração • Xinga o diabo.PARVO.Ha-á-a.