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Efésios 2.

19-22
Introdução
→ Já observaram o comportamento de uma criança?
Quando os seus pais estão perto elas se enchem de coragem
E o mundo não é mais tão assustador

Leitura – Efésios 2.19-22


Elucidação
→ A carta aos Efésios
a. Paulo lançou da igreja em Éfeso
i. Lá pregou durante 2 anos [At 19]
ii. Desenvolveu ministério custoso mais amoroso [At 20]
iii. Lá montou importante centro de evangelismo
b. Escreveu a carta de sua prisão em Roma [At 28]
i. Foi escrito entre 60 e 62 d.C.
ii. Dez anos depois de ter pregado lá
iii. No mesmo período da carta aos colossenses
c. Propósito da carta
i. Não estava lidando com nenhuma controvérsia local
ii. Trata-se de uma estivo ao gozo das bênçãos da graça
1. As bênçãos transformaram a vida os efésios
2. Elas devem ser reconhecidas em suas riquezas
3. Elas devem implicar uma vida de gratidão e alegria
4. A grande bênção é a união com Cristo e com a igreja
d. Nessa porção do livro, o cronista trata
i. Paulo saúda os efésios [1.1-2]
ii. Louva a Deus pelas bênçãos derramadas sobre eles [1.3-14]
iii. Pede a Deus que lhes conceda compreendê-las [1.15-23]
iv. Passa então a explica-las
1. Deus lhes deu vida em Cristo [2.1-10]
2. Deus os aproximou em Cristo [2.11-22]
Proposição
Ainda sobre a presença do Senhor entre nós, Deus nos aproxima dele e de três
maneiras ilustra essa proximidade.
(1) Como cidadãos de Seu Reino
(2) Como membros de Sua Família
(2) Como santuário para Sua Habitação

Primeiro Ponto: Como cidadãos de Seu Reino e membros da Família [v. 19]
→ Paulo está falando a uma igreja predominantemente gentílica
– Os povos gentios não faziam parte do povo antes eleito por Deus
– Não tinham acesso a todas as bênçãos que Deus concedeu a Israel
Paulo lhes lembra isso no v. 12
→ Essas mesmas pessoas foram alcançadas pela graça
– É no v. 13 que Paulo diz que Deus os quer aproximar
– Como Deus fez isso?
Aboliu a lei dos mandamentos [ordenanças de pureza ritual]
Criou uma nova humanidade [nem judeu nem gentio]
Reconciliou a humanidade com Deus
Pregou a paz [evangelizou]
– Agora, eles estão próximos a Deus [“Assim já”]
– Aqui ele desenvolve o tema das bênçãos
“riqueza da glória da sua herança nos santos” [1.18] e da “suprema grandeza do
seu poder para os que cremos” [1.19]
→ Para que entendam os termos dessa proximidade, duas imagens iniciais
(1) Os crentes de Éfeso são concidadãos do Reino!
– No v. 13, os gentios estavam separados da “politeias”
– Trata-se de uma instituição política, e tem mesmo que ver com
poder
– Entendamos isso com a história de Paulo em Atos 22.25-29
“Quando o estavam amarrando com correias, disse Paulo ao centurião presente:
Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?
Ouvindo isto, o centurião procurou o comandante e lhe disse: Que estás para
fazer? Porque este homem é cidadão romano. Vindo o comandante, perguntou a
Paulo: Dize-me: és tu romano? Ele disse: Sou. Respondeu-lhe o comandante: A
mim me custou grande soma de dinheiro este título de cidadão [politeian]. Disse
Paulo: Pois eu o tenho por direito de nascimento. Imediatamente, se afastaram os
que estavam para o inquirir com açoites. O próprio comandante sentiu-se receoso
quando soube que Paulo era romano, porque o mandara amarrar.” [1.19]
– O que os efésios se tornaram? [sympolitai] concidadãos
Antes, “sem Deus no mundo” [v. 12].
Agora, debaixo da proteção da Aliança, de Deus
Sob a guarnição de Deus que dispensa seu poder sobre a igreja
– Paulo não menciona aqui o Reino de Deus, mas é disso que se trata
Junto com os judeus, e sem distinção [nem judeu nem grego]
Sob a mesma autoridade, com os mesmos privilégios
No gozo da plena identidade com o povo de Deus
– Não por natureza, mas pela conquista de Cristo Jesus
– O primeiro efeito da proximidade de Deus: vislumbre do seu poder
(2) Os crentes de Éfeso são Família de Deus!
– É preciso notar que esta nova imagem não está ao lado da anterior
O raciocínio de Paulo avança no mesmo tema
Os efésios são trazidos ainda mais para perto
Pois o espaço da cidade se torna o da casa [oikeioi]
– Uma tradução que eu preferiria seria “lar”
A palavra usada se refere a casa
Mas não no sentido de prédio
E sim no sentido de sua dinâmica, de sua função, de quem abriga
“house is made of stone, home is made of love”
– Os privilégios do lar são mais amplos e ricos que os da cidade
A proximidade se torna intimidade
Se conhecer a Deus como quem mora com você
As relações rei-súdito se tornam relações pai-filho
Quem é o pai cujo filho pede pão e ele lhe dá pedra?
A proteção se torna aconchego
O pardal encontrou casa e a andorinha, ninho para si...
Aplicações:
(1) Devemos esperar, enxergar e recorrer a proteção do Rei
– Em nossas expectativas, ponderamos nossa cidadania celestial?
– Em momentos de angústia, ela nos conforta?
– Quando abençoados, nos menores detalhes, contemplamos seu
poder?
– Enquanto oramos, estamos plenamente cientes dela?
(2) Nesse Reino, não há classes ou categorias de pessoas
– Não podemos nos sentir maiores ou menores que ninguém
Os judeus se achavam porque conheciam mais, oravam mais etc.
(3) A igreja é despenseira, no mundo, dessa graça de Deus
– Precisamos ser cidade, abrigo e casa uns para os outros
– Às vezes, parece que andamos dispersos demais para sermos família

Segundo Ponto: Como santuário para sua habitação [vv. 20-22]


→ A terceira imagem usada por Paulo é a do templo
– Diferentemente das outras, ele descreve melhor esta imagem
→ Ele menciona o seu fundamento: “apóstolos e profetas”
– Não se trata de uma referência ao Antigo e ao Novo Testamentos
Nessa mesma carta [3.5], Paulo diz que “agora” lhe foi revelado
Em [4.11], eles foram comissionados pelo Cristo exaltado
Esta é a linguagem do próprio Jesus [Mt 16.18]
E confirmada pelo apóstolo João [Ap 21.14]
– O testemunho autorizado deles é o fundamento
“esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora
anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio” [Rm 15.20]
– uma nova humanidade, um novo reino, uma nova família
Um novo fundamento, sobre o qual se sustenta a igreja!
→ Ele menciona a estrutura: “Cristo Jesus, a pedra angular”
– A pedra angular é a pedra de alicerce que fica nos cantos do edifício
É essa pedra que constitui o “gabarito” da construção
Ela delimita e define toda a estrutura
Não apenas suporta o prédio, mas orienta sua forma
A partir dela o prédio pode ser edificado e crescer
– Cristo aplicou esta metáfora a si mesmo
“Ainda não lestes esta Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram, essa
veio a ser a principal pedra, angular” [Mc 12.10, cf. Sl 118.22]
A igreja, tem proclamado este importante artigo de fé
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra
angular” [At 4.11, pregação de Pedro]
Essa confissão nos lembra o valor de Cristo como fundamento
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para
com Deus eleita e preciosa” [1Pe 2.4]
→ Ele menciona o seu propósito: “santuário dedicado ao Senhor”
– Na linguagem de Paulo, santuário [naon] é usado com esta função
Designar a igreja, comunidade dos santos, como templo
O templo verdadeiro do Deus vivo
Isso em oposição a tudo que não pode conter a presença divina
→ Por fim, o ponto central do uso da imagem: “vós estais sendo
edificados”
– Lloyd-Jones, expondo este texto, é enfático
Aqui, Paulo continua desenvolvendo o raciocínio
É aqui o clímax de seu pensamento
É esta imagem que mais revela a proximidade de Deus
– Segundo ele, alguém poderia estranhar
Onde poderia haver maior proximidade que em um lar?
A resposta é esta: em um santuário
– Comparemos as três imagens
Na primeira, Deus nos aproxima nos fazendo entrar na cidade
Na segunda, nos fazendo entrar em sua casa
Aqui, é Deus quem adentra o nosso meio!
Mais íntimo que ESTARMOS NA casa de Deus
É SERMOS A habitação do Senhor
Constituindo, em nossas reuniões
O único lugar na Terra onde Deus deseja estar!
Paulo diz “vós sois este lugar”, “vós quando vos juntais”
E fazeis parte do que está sendo construído
Como “pedras vivas” [1Pe 2.5], para habitação de Deus
Aplicações:
(1) Precisamos manter a fidelidade ao fundamento
– Esse é um tempo de assédio à sadia doutrina
Nos assediam outras doutrinas, estranhas às Escrituras
Como sempre, também nos assediam outros fundamentos
A palavra de algum líder, nossa experiência pessoal
A tradição dos homens, o movimento das maiorias
(2) Não basta a fidelidade ao verdadeiro fundamento
– A nossa vida individual precisa estar “bem ajustada” a Cristo
– Nossa vida comunitária precisa estar “bem ajustada” a Cristo
– Ubi Christus ibi Ecclesia
(3) O edifício não está pronto
– Em primeiro lugar, o Espírito é quem edifica
– Em segundo lugar, somos instrumentos de Sua obra
(4) O edifício precisa crescer, não apenas aumentar
– crescer, aqui, é um movimento orgânico e não mecânico
– crescemos pelo discipulado piedoso, não pela reprodução
desenfreada
(5) A igreja não existe para si mesma, mas para ser dedicada a Deus
– A consciência de que quando nos reunimos Deus habita entre nós
– Ela tem de transformar nossas reuniões, louvor, oração, ensino etc.
Discriminação:
Ao crente,
Você tem conseguido notar a proximidade de Deus
Que Ele está perto é indubitável, porque a Palavra testifica
Mas você tem percebido? Tem aproveitado?
Tem vivido no gozo e na alegria, nas bênçãos de sua intimidade?
Ao descrente,
Será que você foi levado a desejar essa “riqueza da glória”
Não, você não a tem conhecido, mas ela é acessível
O que o testemunho dos apóstolos diz é isto
Efésios 2.1-10!