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ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011 w w w.revistaideanews.com.

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editorial
Ricardo Pinto

expediente
ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011 w w w.revistaideanews.com.br

expediente

PROATIVIDADE
Um ventríloquo estava se apresentando na escola, rodeado de crianças, dizendo que conversava com os animais. Num certo momento, ao lado da vaca, o ventríloquo lhe perguntou: - Com quem a senhora faz amor? Ele mesmo, com a voz da vaca, respondeu: - Muuuu, com o touro, claro. Depois ele perguntou para a galinha: - E a senhora, Dona galinha, com quem faz amor? Do mesmo modo, com voz de galinha, ele respondeu: - Cocoricó, lógico que com o galo. Em seguida, chegou perto da cabra e também perguntou: - E a senhora, Dona cabra, com quem ... Muito rapidamente, o joãozinho, lá do fundo da turma, gritou: - Sr. Ventríloquo, não acredite no que esta cabra diz, porque ela é muito mentirosa. De uma coisa não podemos acusar o esperto Joãozinho: de falta de proatividade. Ele previu o que podia lhe acontecer e rapidamente tomou a iniciativa, antecedendo-se a uma situação que poderia lhe prejudicar caso a cabra “falasse” algo que não devia. Desta forma, podemos entender que proatividade é a competência pessoal de saber agir antecipadamente para lidar com uma esperada dificuldade. Mas não significa somente tomar a iniciativa, como muitos pensam. Afinal, por si só, a iniciativa é uma reação e não uma ação. Quando adicionamos à iniciativa um questionamento positivo, além do planejamento, aí sim chegamos à proatividade. A pessoa proativa assume a responsabilidade que ela tem sobre sua própria vida. Seu comportamento é fruto das decisões que toma e não das condições externas. Ela consegue subordinar seus sentimentos aos seus valores, com iniciativa e responsabilidade suficientes para fazer com que as coisas aconteçam. Os proativos costumam ser determinados, inovadores e obstinados, buscando aprender continuamente com a vivência diária e com a troca de experiências com outras pessoas. No mundo corporativo, muitos dizem que o funcionário proativo constantemente procurado pelas empresas, já que lhes agrega muito valor - é aquele que sempre “se vira”, agindo rapidamente e com inteligência após ter identificado a origem de cada problema. Assim, ele sempre busca “cortar o mal pela raiz”, mantendo-se ligado, sendo veloz e colocando-se disponível. Contudo, contrariamente aos raros funcionários proativos, há muitos que são reativos. Estes são completamente afetados pelo ambiente ao seu redor. Levados por circunstâncias, sentimentos, estímulos e condições ambientais, sociais, físicas e psicológicas, eles costumam reagir constantemente, ficando na defensiva. É bom saber que a proatividade pode ser desenvolvida. Basta que o candidato a proativo treine sempre analisar o contexto das situações que se apresentem para ele, identificando e selecionando alternativas para elas, bem como imaginando os resultados de cada cenário vislumbrado. Obviamente, nunca há certeza de que os cenários imaginados ocorrerão, mas com o exercício constante do planejamento, as chances de sucesso vão crescendo.
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Diretor Geral Ricardo Soares de Arruda Pinto ricardo@revistaideanews.com.br Editora Diana Nascimento Jornalista Responsável - Mtb 30.867 redacao@revistaideanews.com.br Gerente Financeira Patrícia Nogueira Díaz Alves patricia@revistaideanews.com.br Gerente Comercial Paula Menta paula@revistaideanews.com.br fone: (82) 3313-9258, (82) 9956-1536 (82) 3272-1005 Gerente de Marketing Marlei Euripa 8127-0984, 3237-4249 marlei@revistaideanews.com.br fone: (16) 9191-6824, 81270984,3237-4249 Executivos de Contas Karine Arruda karine.arruda@revistaideanews. com.br Marina Jardim marina.jardim@revistaideanews. com.br Maycon Monsoy maycon@revistaideanews.com.br R. Risso risso@revistaideanews.com.br Redação Diana Nascimento redacao@revistaideanews.com.br Natália Cherubin natalia@revistaideanews.com.br Fotografia Diana Nascimento Rogério Soares de Arruda Pinto Projeto Gráfico Rogério Pinto fone: 11 5686-9044 rogerio@revistaideanews.com.br Diagramação Fernando A. Ribeiro fernando@revistaideanews.com.br Administração Carolina Gil carolina@revistaideanews.com.br Camila Garbino marketing@revistaideanews.com.br Assinaturas Mikeli Silva mikeli.silva@revistaideanews.com.br IDEANews é lida mensalmente por aproximadamente 35.000 executivos, profissionais e empresários ligados à agroindústria da cana-de-açúcar do Brasil. CTP e Impressão Gráfica e Editora Modelo ISSN 1679-5288 CONSELHO EDITORIAL Ailton António Casagrande Alexandre Ismael Elias António Carlos Fernandes António Celso Cavalcanti António Vicente Golfeto Celso Procknor Egyno Trento Filho Geraldo Majela de Andrade Silva Guilherme Menezes de Faria Henrique Vianna de Amorim João Carlos de Figueiredo Ferraz José Ovídio Alves Bessa José Pessoa de Queiroz Bisneto José Velloso Dias Cardoso Luiz Custódio da Cot ta Mar tins Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo Luiz Chaves Ximenes Filho Manoel Carlos Azevedo Or tolan Marcos António Françóia Marcos Guimarães Landell Maurilio Biagi Filho Osvaldo Alonso Paulo Adalber to Zanet ti Ricardo Soares de Arruda Pinto Rogério António Pereira Tomaz Caetano Cannavam Rípoli

“Exemplos movem mais do que as palavras.” Ditado latino “O sucesso tem muitos pais, mas o fracasso é órfão.” John Fitzgerald Kennedy “O estado da sua vida nada mais é do que o reflexo do estado da sua mente.” Wayne Dyer “Não tenha medo de dar o seu melhor naquilo que parecem ser pequenas tarefas. De cada vez que conquista uma, fica mais forte. Se faz os pequenos trabalhos bem, os grandes tendem a cuidar de si mesmos.” Dale Carnegie “O que se passa dentro, manifesta-se fora.” Earl Nightingale

ANO 11 - NÚMERO 133 NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011

ESPECIAL
Irrigação é sinônimo de cana hidratada e produtiva

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FÓRUM
Quando o Brasil voltará a ser um grande exportador de etanol?

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TECNOLOGIA INDUSTRIAL
Construção e montagem de um campo energético chamado usina sucroalcooleira

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TECNOLOGIA AGRÍCOLA
Importância e funções dos micronutrientes em cana Fardo a peso de ouro

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POR DENTRO DA USINA GESTÃO
Gestão de risco

DICAS E NOVIDADES ATUALIDADES JURÍDICAS EXECUTIVO
Vida marcada por pioneirismo e sonhos realizados

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DROPES

Assinatura anual (12 edições): R$ 120,00 - Número avulso: R$ 14,00. Pedidos devem ser enviados ao endereço abaixo, acompanhados de cheque nominal à RICARDO PINTO E ASSOCIADOS CONSULTORIA AGRO INDUSTRIAL LTDA IDEANews não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos ar tigos assinados. Matérias não solicitadas, fotografias e ar tes não serão devolvidas. É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte

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especial
específico da cana-de-açúcar, faz-se muito mais importante ainda, por tratar-se de cultura interanual, mais sujeita e propensa a variabilidade climática, notadamente da precipitação pluviométrica, nas principais regiões produtoras do País. Logicamente, nas regiões onde o período chuvoso for insuficiente e/ou irregular, como no caso da região Nordeste, a adoção da irrigação é condição primordial para a obtenção de produtividades satisfatórias”, atesta. Cada vez mais as expansões, ou seja, as novas usinas se dão em áreas chamadas de fronteira, nas quais o déficit hídrico é bem maior do que nas tradicionais regiões de cana, principalmente as do Centro-Sul. De acordo com um estudo dos consultores da RPA Consultoria, Ricardo Pinto, Alexandre Elias e Egyno Trento, projeta-se que as novas usinas e destilarias serão construídas, em sua grande maioria, nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. Assim, as novas unidades deverão surgir principalmente em solos de Cerrado que, via de regra, são menos férteis do que onde a maioria dos canaviais paulistas está instalada. “Nestas novas áreas, a irrigação é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Em algumas regiões, caso não Segundo a Wikipédia, hidroterapia é o tratamento pela água sob suas diversas formas e a temperaturas variáveis. Em nós, humanos, promove sensação de relaxamento e bem estar, alívio de dores e até do estresse. Que a água é um líquido precioso todo mundo sabe. Imaginar o planeta sem água é tortura, algo angustiante. Se estamos com sede, ela é a única que resolve o problema. Plantas também têm sede e sua necessidade de água. A cana-de-açúcar, por exemplo, adora uma aguinha fresca, ela é adepta da hidrocanaterapia! Neologismo à parte, quando a água não chega até a planta, é preciso levar a água até ela. Algo que a irrigação pode fazer, e muito bem. A cana-de-açúcar é uma planta semi6

especial

Cana irrigada por pivô linear

Outro aspecto que deve ser considerado é a irrigação de cana soca, se a estratégia de alcançar os níveis de produção de cana-de-açúcar necessários para atender ao crescente mercado de álcool combustível, for a de insistir no plantio de variedades de sequeiro, a área necessária deveria ser incrementada em mais 4 ou 5 milhões de ha nos próximos nove anos. “Se as usinas passassem a irrigar suas canas socas, este incremento de área de plantio poderia ser reduzido para 1,5 a 2 milhões de ha. Ressaltando que aproximadamente apenas 2% dos canaviais brasileiros são irrigados atualmente e se subirmos este número para 15%, poderíamos deixar de plantar em cerca de 3 milhões de ha, obtendo a mesma produção. Existem outros benefícios de se introduzir a prática de irrigação na cultura da cana-de-açúcar, como aumento da longevidade dos canaviais, redução dos custos de plantio mecanizado , melhor conservação dos solos, pois plantando-se no período seco, o stand de plantas já estará formado na época das chuvas, protegendo assim os solos, entre muitas outras vantagens”, enumera. Marcelo Borges Lopes, diretor-presidente da Valmont, esclarece que, ao analisar a cultura canavieira como um todo, a irrigação ainda é incipiente. “Porém em regiões como o Nordeste, a irrigação é fundamental para o setor. Ela viabilizou a atividade naquela região. Além disso, a irrigação vem crescendo com a expansão das lavouras canavieiras para o Centro-Oeste do País.” "Junto com a adoção de outras tecno-

logias, a irrigação tem demonstrado ser primordial ao crescimento vertical da produtividade no canavial, reduzindo a necessidade de incorporação de novas áreas de fronteira agrícola, contribuindo para a preservação ambiental e reduzindo os custos totais de produção", afirma Antonio Alfredo Teixeira Mendes, gerente geral da NaanDanJain Brasil. “Se considerarmos que estamos com uma demanda maior do que nossa capacidade atual de produção de cana e, consequentemente, de etanol e de açúcar, se considerarmos que esta situação deve se perdurar pelo próximos anos e também se considerarmos que as outras tecnologias para forte incremento de produção da cadeia sucroenergética somente estarão em largo uso comercial no final desta década, como cana transgênica e etanol de bagaço, resta dizer que somente a irrigação poderá incrementar em muito a produção nos próximos anos, além de se plantar muita cana”, sintetiza Ricardo.

-tropical perene e sensível as influências climáticas no decorrer do ano, ao contrário de outras culturas. “Por este motivo, alcançamos uma melhor produção quando temos uma temperatura média anual em torno de 21°C, e como condições hídricas para o seu cultivo uma distribuição de água uniforme ao longo do ciclo vegetativo, e não com a precipitação total durante o ano”, explica Marcelo Pedrozo, engenheiro agrícola da IrrigaBrasil. Aderson Soares de Andrade Junior, engenheiro agrônomo e pesquisador em Irrigação da Embrapa Meio-Norte, diz que a irrigação tem importância fundamental para o sucesso de qualquer cultura agrícola, em regiões onde a oferta hídrica, via precipitação, for insuficiente para atender as suas necessidades hídricas. “No caso

seja feito pelo menos a irrigação de salvamento, não será possível a produção da cultura”, ressalta Sérgio Veronez de Sousa, consultor em irrigação e fertirrigação em cana-de-açúcar. Para Marcelo Ferrero, engenheiro agrônomo e diretor Comercial da Raesa Brasil, a irrigação de cana-de-açúcar passará a ser um assunto estratégico para as unidades sucroalcooleiras brasileiras em dois aspectos. Primeiro pela necessidade urgente de plantio nos próximos anos. “Os canaviais estão envelhecidos e isto resultou em pioras expressivas nas produtividades, o excesso de chuvas nos meses tradicionais de plantio vem impedindo que as unidades cumpram seus cronogramas e a alternativa seria plantar nos meses de seca e, neste caso, a irrigação é indispensável”, diz.

IRRIGAÇÃO SUSTENTÁVEL
Ao contrário do que muita gente pensa, a irrigação pode sim ser sustentável. Andrade Júnior explica que para que isso ocorra, é necessário que a irrigação seja efetuada obedecendo aos critérios técnicos, notadamente, os referentes ao adequado manejo da água de irrigação, de forma a fazer a aplicação da lâmina de irrigação que propicie o máximo retorno econômico, sem aplicação excessiva de água. “Dessa forma, os impactos ambientais decorrentes da irrigação são minimizados e/ou mes7

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mo eliminados. Para tanto, estudos visando a definição da função de produção ou função de resposta da cultura à água nas diferentes regiões produtoras do Brasil é fundamental”, esclarece. Com a ajuda da irrigação, o País pode expandir a sua produção na medida em que precisa de mais etanol e açúcar. Para que o País consiga aumentar sua produção de açúcar e álcool faz-se necessário expandir as áreas de produção para regiões de expansão como a região dos Cerrados (Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais), região Meio-Norte (Piauí e Maranhão) e Estado do Tocantins. “Nessas regiões, devido aos períodos de longa estiagem, a produção de cana-de-açúcar só é viabilizada com o uso da irrigação, quer seja ela em caráter suplementar (quando apenas fração da lâmina de irrigação necessária é aplicada) ou total (quando toda a lâmina requerida é aplicada)”, completa Andrade Júnior. Pedrozo afirma que a irrigação pode ser um fator determinante para a produção. Nos últimos anos a área plantada teve crescimento em torno de 20%, mas a produção avançou em apenas 12,5%. “Com a técnica da irrigação, podemos ter um melhor aproveitamento dos recursos hídricos para aumento da produção com a preservação do meio ambiente, alcançando um melhor rendimento dentro da mesma área cultivada, evitando assim maiores gastos com tratos culturais, arrendamentos e transporte. Na maioria das regiões produtoras, há abundância em chuvas, mas elas são mal distribuídas ao longo do ano. É comum também épocas de altas temperaturas e incidência de insolação com poucas chuvas. Com o uso da irrigação, temos um cenário totalmente favorável para ótimas produções”, defende. vantar dados consistentes sobre a irrigação em cana-de-açúcar no Brasil. “Segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, a cana-de-açúcar estaria em sexto lugar dentre as culturas mais irrigadas do ponto de vista da área ocupada no Brasil. As cinco primeiras culturas são: arroz, soja, milho, feijão e café”, informa Ricardo Pinto. Mendes confirma que também não há estatísticas oficiais precisas sobre os sistemas mais empregados, porém sabe-se que todos eles apresentam clara tendência de crescimento, na medida em que se ampliam os projetos de novas usinas no País. Sousa conta que tempos atrás, o que se fazia era a irrigação de salvamento, principalmente no Nordeste e também em algumas regiões do Centro-Oeste. “Neste caso o mais usado é o autopropelido. A irrigação no período crítico (usando pivôs rebocáveis), ou a irrigação plena (pivô ou gotejamento) na cana-de-açúcar é algo mais novo”, esclarece. Considerando que os principais métodos de irrigação utilizados na cultura da cana-de-açúcar hoje são a aspersão (alas móveis, carretel enrolador e pivots circular e móvel) e a localizada (gotejamento), pode-se afirmar que cada um dos métodos citados tem a sua utilidade, tanto em nível agronômico, como financeiro. “Mas sempre devemos ter em mente que os critérios para a escolha de um ou outro sistema não são avaliados somente pelo que ocorre do solo para cima, ou seja, o investidor estará cometendo um erro grave se não analisar primeiro o que ocorre com a água depois

Sex to lugar
Segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, a cana-de-açúcar estaria em sex to lugar dentre as culturas mais irrigadas do ponto de vista da área ocupada no Brasil. As cinco primeiras culturas são: arroz, soja, milho, feijão e café.

de aplicada ao solo. Se a umidade desejada não permanecer disponível para o sistema radicular das plantas, significa que o sistema foi escolhido de maneira errônea”, observa Ferrero. Ele orienta que antes da escolha do equipamento, é preciso proceder a um estudo profundo das características dos solos e clima da região, conhecer a velocidade de infiltração de cada solo, colher amostras de solo para determinar a curva de retenção de água. Desta forma, é possível implantar baterias de tensiômetros para observar o teor de umidade nas diferentes profundidades de solo e o fazer o balanço hídrico entre outros levantamentos de informações extremamente importantes e úteis para definir a escolha do sistema de irrigação a ser implantado. “Isto significa que um determinado equipamento pode ser utilizado em uma área, mas não em outra se as estruturas físicas dos solos forem diferentes. Portanto, não há uma receita de bolo”, desmitifica Ferrero. Lopes esclarece que o método de irrigação será definido em função do ambiente de produção e da disponibilidade de água, ou seja é uma decisão técnica. “O primeiro passo para implantar uma lavoura irrigada é fazer o projeto, analisar qual o método de irrigação mais adequado para cada situação. Analisando o solo, relevo, áreas de preservação, sistema viário, rede elétrica, o regime de chuvas, a disponibilidade hídrica e a condução da lavoura, os técnicos têm condições de indicar a melhor alternativa para irrigar o campo”, diz. Feito isso, ainda é possível encontrar situações onde a decisão entre um ou outro método de irrigação é econômica e por vezes até subjetiva, de acordo com a linha de pensamento da empresa e seus técnicos, mas a decisão não deve começar por critérios subjetivos ou comparações de custo/benefício entre os diversos sistemas de irrigação. “Via de regra não existe um único sistema de irrigação capaz de atender a todas as demandas e diferentes situações encontradas em culturas de larga escala como a cana. Uma
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SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO
É difícil quantificar quantos hectares de cana irrigados há no Brasil, pois não existem estatísticas e as informações são bastante limitadas. Inclusive esse é um dos objetivos do Projeto Cana Pede Água – le8

especial
mistura de métodos de irrigação é a melhor resposta, cada um se adapta melhor a determinadas condições”, analisa. Sousa explica as principais tecnologias de irrigação aplicadas na cultura, de cana-de-açúcar. “Há a irrigação de salvação, feita após o plantio da cana, somente com o objetivo de garantir a brotação da muda em condições de longo período sem chuva. Pode ser feita também na soqueira para garantir boa brotação após o corte. Temos a irrigação suplementar, ou no período crítico, feita com diferentes lâminas nas épocas mais críticas do desenvolvimento, para atenuar os déficits hídricos nas regiões nos quais os mesmos são acentuados; e a irrigação plena feita ao longo de todo o ciclo, repondo total ou parcialmente a deficiência hídrica proporcionada pela falta ou insuficiência de chuva”, resume. Ricardo enumera os nove sistemas de irrigação de cana usados no Brasil: pivot fixo, pivot rebocável, sistema linear (pivot linear), aspersão com alas móveis, aspersão convencional com canhão, aspersão convencional com carretel enrolador (rolão), gotejamento superficial, gotejamento subterrâneo (enterrado) e sulco de infiltração (inundação). “Como cada sistema de irrigação foi desenvolvido para situações específicas, eu não diria que há prós e contras de cada um, mas sim características específicas para a recomendação de cada um, como solo, clima, fase fenológica da cana etc”, avalia. Dentre as ações estabelecidas pelo Projeto Cana pede Água está a de efetivamente conhecer como, quando e onde é feita a irrigação de cana no País. “Por isso que, há dois meses foi iniciada uma pesquisa junto a todas as usinas do Brasil sobre o assunto. Acreditamos que em mais dois meses teremos os resultados deste profundo levantamento que vem contando com a preciosa colaboração das usinas, que receberão um detalhado relatório deste estudo. Preliminarmente, posso adiantar que, pelos números obtidos até aqui, o sistema de irrigação por rolão (carretéis) vem se
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seja de plantio, como de cana soca e com de parede variáveis, conforme definido no projeto estratégico. "Também dispõe de cintas de gotejamento com emissor tipo labirinto contínuo com vazões, espaçamentos entre saídas d’água e espessuras de parede variáveis", salienta Mendes. No setor sucroalcooleiro, costuma-se empregar/avaliar o método de irrigação conforme a lâmina que se deseja aplicar na cultura, sempre levando em consideração a relação de custo benefício e eficiência de cada sistema. Há inclusive uma tabela para este caso :
De acordo com Lopes, a irrigação vem crescendo com a expansão das lavouras canavieiras para o Centro-Oeste do País

Fronteiras com déficit hídrico
Cada vez mais as expansões, ou seja, as novas usinas se dão em áreas chamadas de fronteira, nas quais o déficit hídrico é bem maior do que nas tradicionais regiões de cana, principalmente as do Centro-Sul.

resultados excelentes", descreve Ferrero. A Valmont oferece os Pivôs Centrais (fixos e rebocáveis) e Lineares. Lopes explica que esses equipamentos são bastante eficientes e flexíveis, cobrindo necessidades desde lâminas menores até a irrigação plena em áreas de grande déficit hídrico. “São sistemas que trabalham com pressões baixas e alta uniformidade de distribuição. Com isso o custo operacional é baixo e a qualidade da irrigação alta. Oferecemos ainda os sistemas de automação para esses

destacando dos demais”, afirma Ricardo.

equipamentos reduzindo a necessidade de mão de obra e disponibilizando uma forma de monitoramento da operação bastante simples e confiável. Associados a esses produtos oferecemos – em parceria com a Irriger – serviços de gestão e manejo da irrigação, auxiliando o produtor a definir quando e quanto irrigar. Com isso queremos garantir o bom uso dos nossos equipamentos.” A IrrigaBrasil fabrica vários modelos de Carretel Enrolador Turbomaq (comprimento de mangueira de 150 a 500 m), motobombas diesel e elétrica, tubos e acessórios em aço zincado ou alumínio, variada linha de aspersores, carreta para transporte de tubos e carretas de vivência. O sistema de aspersão por carretel enrolador permite a irrigação e a fertirrigação com vinhaça ou outros resíduos industriais, além do esterco suíno e bovino diluído, nas mais variadas culturas e fases de desenvolvimento. Segundo Pedrozo, as principais vantagens são: mobilidade e versatilidade, facilidade de operação, menor quantidade de tubos e acessórios, não exige sistematização da área a ser irrigada, me, nor perda de áreas com canais, menor quantidade de mudanças, transporte do equipamento e motobomba, vida útil do sistema e da mangueira PEMD (polietileno de média densidade) e necessidade de apenas dois operadores e de um trator de média potência. “O sistema de carretel enrolador tem

- Irrigação de salvação: entre 40 a 120 mm/ ano; - Complementar: 250 a 400 mm/ano; - Irrigação Plena: 500 a 800 mm/ano. Além de empresas especializadas, empresas de tubos também têm o seu espaço no mercado de irrigação. A Tigre, por exemplo, atende a todas as tecnologias como pivô central, gotejamento, carretel e aspersão. “Somos um complemento de todos os sistemas. No caso de cana, onde se tem muita adução e distribuição, há muitos casos em que somos o principal insumo”, diz Ronaldo Chaquib Assef Filho, gerente Nacional de Irrigação e Indústria da Tigre. Ele salienta que na maioria dos casos é muito mais fácil realizar investimentos em irrigação do que fazer a compra ou ampliar áreas e comprar maiores terrenos. “O

SOLUÇÕES EM IRRIGAÇÃO
As várias empresas especializadas em irrigação oferecem soluções para acabar com a sede da cana. A Raesa desenvolveu um sistema de irrigação denominado Alas Móveis de Aspersão Convencional. Este sistema apresenta um baixo investimento inicial e não necessita de mão de obra especializada, visto que a carência de pessoal especializado é o grande buraco negro da agricultura brasileira atualmente. O sistema também é móvel e pode ser deslocado para irrigação em áreas distintas durante uma única safra. Ferrero considera o sistema ideal para irrigação de plantios de cana, para áreas recortadas e com declividade, para solos com baixa velocidade de infiltração de água, pois o sistema de alas móveis possibilita a aplicação de lâminas de irrigação baixas (4 mm a 5 mm por hora), semelhante a uma chuva fina e persistente, que para muitos é considerada a ideal por não produzir encharcamentos ou erosões de solos. É indicada ainda para fornecedores de cana pela facilidade de manejo e baixo investimento inicial. Outro ponto positivo a ser destacado em é que como a intensidade de aplicação é baixa, torna-se ideal para solos com textura arenosa, normalmente mais porosos. "O sistema de Alas Móveis foi apresentado ao mercado em 2010 e, apesar do pouco tempo, já foi utilizado em aproximadamente 20 mil ha de irrigação,

Para Ferr er o, a irrigação de cana-de-açúcar passará a ser um assunto estratégico para as unidades sucroalcooleiras brasileiras

como principal limitação a maior sensibilidade ao vento, porém podemos amenizar este efeito com o uso de espaçamentos menores entre os hidrantes.” Ele frisa que o desempenho de cada sistema de irrigação está diretamente relacionado ao projeto específico para determinada área, ou ainda, com um Plano Diretor de Irrigação. A NaanDanJain dispõe de completa linha de tubogotejadores para utilização em projetos de gotejamento enterrado, incluindo tubogotejadores de parede delgada com gotejadores planos não-compensantes, autocompensantes, como dispositivos anti-sifão e anti-drenante; e vazões, espaçamentos entre gotejadores e espessuras

que percebo é que com a entrada de grupos profissionalizados, é perceptível que a irrigação já é levada em consideração.” Assef cita que o grande diferencial está no fato da Tigre ser uma empresa que oferece todos os produtos: tubos e conexões de PVC, RPVC e tubos polietileno de média densidade, utilizados nos sistemas de irrigação das usinas.

IRRIGAÇÃO MERECE ATENÇÃO E INVESTIMENTO
A irrigação é estratégica para o setor, segundo Sousa, visto que o ganho de produtividade nas áreas já cultivadas e principalmente nas novas áreas de expansão

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será fundamental para o sucesso dos projetos das usinas como um todo. “Cada vez mais, as usinas estão em busca de cana, e a irrigação pode suprir esta demanda, tanto aumentando a produtividade dos canaviais existentes e também possibilitando a exploração de áreas em que a instalação de usinas sem irrigação do canavial não é viável”, acrescenta. Lopes concorda. “Hoje irrigamos apenas 4,5 milhões de ha, mas temos um potencial irrigável de 30 milhões. Esses números mostram o potencial de crescimento da agricultura irrigada. Apesar de apenas 7% da área ser irrigada, a produção nessas áreas representa 20% do total e 43% do valor da produção. Fica claro com esses números o potencial de aumento da produtividade física e econômica com o uso da irrigação. De certa forma é isso que se pode esperar da irrigação na lavoura canavieira. Já temos casos de sucesso e experimentos apontando a grande elevação do ATR/ha nas áreas irrigadas. Além disso, existem benefícios indiretos como melhor uso da frota de máquinas e veículos e redução do custo de gestão das lavouras com menos área explorada”, pontua. Sousa diz que os investimentos são muito variáveis, pois vai depender do tipo de irrigação (salvamento, período crítico ou plena) da forma e da distância da captação até o projeto. “Ou seja, para cada caso teremos um investimento, que pode variar de R$ 1 mil até R$ 8 mil por ha.” “Cada caso de canavial irrigado demandará um sistema específico de irrigação com seu investimento respectivo. Pode-se dizer que implantar um projeto de irrigação em cana varia entre R$ 800/ha a até R$ 6 mil por ha. Também o custo operacional da irrigação será variável conforme o sistema adotado e sua taxa e frequência de uso. Como estimativa, é possível considerar que o custo variará entre R$ 300 e R$ 900 por ha por ano, conforme a lâmina aplicada varie de 50 a 800 mm irrigados ao ano”, salienta Ricardo. Apesar de todas as vantagens, a irriga12

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va de crescimento rápido da sua produção de cana, que está enfrentando forte quebra no Centro-Sul nesta safra e, as pessoas que acham que há produtos mais nobres para no assunto. Tanto que, com a reestruturação do Ministério da Integração Nacional, foi anunciada a criação da Secretaria Nacional de Irrigação - Senir, com políticas específicas para este setor. A Senir tem como principal objetivo configurar um sistema de gestão para a agricultura irrigada, articulando os vários órgãos que interagem no setor, apoiando sobremaneira a iniciativa privada e otimizando as áreas públicas como instrumentos de desenvolvimento de regiões menos favorecidas. Além disso, visa promover a irrigação como instrumento de eficiência na produção agrícola e para erradicar a pobreza com a geração de emprego e renda. A ideia da nova Secretaria surgiu durante reunião com a presidente Dilma Rousseff, em que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, ressaltou a necessidade de reforçar a agricultura irrigada no País. Ainda integram a SeA irrigação pode incrementar a produção de cana no País

Irrigar é preciso
Segundo o consultor e diretor da RPA Consultoria, Ricardo Pinto, ao considerar que as outras tecnologias para for te incremento de produção da cadeia sucroenergética somente estarão em largo uso comercial no final desta década, como cana transgênica e etanol de bagaço, resta dizer que somente a irrigação poderá incrementar a produção nos próximos anos, além de se plantar muita cana.

serem irrigados do que a cana. Sousa destaca que até hoje, no Brasil, não foi desenvolvida uma variedade de cana para irrigação. Todos os programas de melhoramento, trabalharam justamente o contrário, ou seja, a resistência a seca. “Na minha opinião, nas novas áreas de cana, onde a irrigação será fundamental, seria interessante ter uma variedade desenvolvida para irrigação.O conceito é bem simples, se vamos ter que irrigar para produzir em certas regiões, o melhor seria irrigar uma variedade desenvolvida para ser irrigada do que uma que foi desenvolvida para ser tolerante a seca”, afirma. Ferrero defende que a irrigação deve-

nir o Departamento de Irrigação Pública e o Departamento de Política de Irrigação. Ricardo comenta que o governo federal está implantando o PAC 2 com investimentos voltados à irrigação do Semiárido, mas também prepara o PISAB – Programa Nacional de Irrigação Pública para o Semiárido Brasileiro. “Ambos os programas almejam aplicar R$ 3,2 bilhões em diversos perímetros irrigados no Semiárido dos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e

Rio Grande do Norte. Como o governo, no passado, implantou 58.528 ha de perímetros irrigados e, destes, hoje há 20.346 ha ociosos, houve a pressão por uma mudança no modelo de implantação destes perímetros. Até então, a sistemática era de desapropriar as terras, implantar a infraestrutura de irrigação de uso comum, alienar os lotes agrícolas para os produtores e transferir a operação e manutenção do perímetro para o Distrito de Irrigação, gerenciado pelos produtores. Agora, com

ção ainda encontra entraves. Andrade Júnior enumera que os principais entraves dizem respeito à carência de estudos locais para subsidiar um sistema de produção de cana-de-açúcar sob irrigação, tais como cultivares mais adaptadas e com potencial de produção sob irrigação e que também apresentem arquitetura adequada para colheita mecanizada, estudos de demanda hídrica (como forma de definir coeficientes de cultivo locais para a cultura), nos diferentes sistemas de irrigação em operação nas áreas de produção, estudos de definição de manejo de irrigação e fertirrigação (no caso de irrigação por gotejamento subsuperficial), dentre outros. Ricardo, por sua vez, diz que é necessária a adequada conscientização de diversos públicos, como, por exemplo os técnicos que acreditam que cana irrigada é inviável economicamente; os leigos que pensam que se irrigarmos cana no Brasil faltará água para outros usos e os órgãos outorgantes que acham não haver necessidade de irrigação para se produzir cana no Brasil. Ele cita ainda os ambientalistas que creem que irrigar cana não seja sustentável, os executivos de usinas que ainda desconsideram a irrigação como alternati-

ria ser tratada como tema prioritário pelos governantes brasileiros, principalmente porque as mudanças climáticas estão afetando de maneira significativa o manejo das culturas, sejam elas commodities (como a cana-de-açúcar) ou alimentares. “Está chovendo em demasia em certos meses e não chovendo nada nos outros e isto vem impactando sobre as produtividades. Os agricultores sabem que adquirindo um sistema de irrigação e, principalmente, obtendo licenças para o uso da água, podem diminuir de maneira expressiva o risco de plantios em épocas de seca, podendo, desta forma, sentirem-se mais seguros em investir. Isto é questão de segurança alimentar e, não poderíamos deixar de dizer, de segurança econômica, pois o Brasil é exportador de commodities agrícolas, sendo que as exportações de soja, café e açúcar são itens fundamentais no equilíbrio da balança comercial brasileira.” Para ele, este tema, irrigação, deveria estar presente em praticamente todos os ministérios do governo brasileiro, sem dizer na mesa da presidente Dilma, “pois alimento barato impacta seriamente sobre a inflação.” O governo já deu sinais de que pensa

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PROJETO CANA PEDE ÁGUA
Ricardo esclarece que caso o Brasil pretenda atender às demandas doméstica e internacional projetadas para até 2020 de etanol e açúcar, terá duas alternativas. “Ou continua produzindo cana de sequeiro e aumenta seus canaviais em cerca de mais 6 milhões de ha ou, se irrigar apenas 15% de sua cana, poderá diminuir em mais de 50% a incorporação de novas áreas para plantio de cana. Isso porque estimase que o Brasil irrigue hoje menos de 2% de seus canaviais, ao passo que os demais países produtores de cana que formam com o Brasil o clube dos dez maiores do mundo irrigam em média 30% de seus canaviais”, observa. Ele completa dizendo que justamente devido a magnitude que a irrigação de cana passa a ter para o Brasil neste momento, um grupo de empresas fabricantes de equipamentos para irrigação resolveu montar o Cana pede Água, um projeto sem fins lucrativos com o objetivo único de difundir os benefícios da irrigação da cana no País dentre os agentes do setor sucroenergético e da cadeia produtiva da cana, mostrando aos tomadores de decisão que ela é uma impor tante alternativa tecnológica para incrementar a produção de cana-de-açúcar do Brasil de forma sustentável. Gerenciado pela Consultoria RPA e patrocinado pelas empresas IrrigaBrasil, NaanDanJain, Raesa, Tigre e Valmont, que formam seu comitê gestor, o Projeto Cana pede Água, atuará através de uma agenda positiva com múltiplas ações para fomentar o uso sustentável de irrigação de cana com água no Brasil.
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o PISAB, pretende-se que haja a concessão patrocinada ou administrativa (PPP) da infraestrutura dos perímetros para o setor privado por 25 anos, que será remunerado pela tarifa de irrigação (ganhará a menor em cada licitação de perímetro) e também pela contraprestação pública”, explica. Também deverá haver a Concessão do Direito Real de Uso (CDRU) de 50 a 100 anos das terras do perímetro através de licitação. Exige-se como contrapartida a ocupação de toda a área produtiva do perímetro com, no mínimo, 25% do perímetro sendo para pequenos produtores. Assim, criou-se o conceito de uma empresa-âncora que pode candidatar-se na licitação a ocupar o perímetro. Como ainda existem 20.346 ha a serem ocupados nos perímetros já implantados no Semiárido, bem como 70.475 ha em peárido, , rímetros em fase de conclusão e 116.598 ha em perímetros a serem implantados, a agroindústria canavieira é uma fortíssima candidata para viabilizar este novo modelo do governo federal. “A experiência de sucesso da Agrovale, única usina brasileira com 100% de seus canaviais irrigados de forma plena, que ocupa praticamente 95% do perímetro Tourão, em Juazeiro, na Bahia, onde chove somente 400 mm por ano, sugere esta estratégia. Penso que, desta vez, o Brasil poderá colocar seu Semiárido como uma das regiões de maior produtividade de cana do mundo”, vislumbra Ricardo. Ao avaliar os prós e contras do PAC da Irrigação, Ricardo acredita que a necessidade de se ter 25% de terras para pequenos produtores pode ser um empecilho, afinal as áreas disponíveis em cada projeto não são tão grandes quanto demanda hoje a escala de uma nova usina. “As novas usinas costumam ser projetadas para processarem de 3 a 4 milhões de t por ano. Se há perímetros irrigados que totalizam 20mil ha para uma usina licitar e se devemos separar 25% desta área para pequenos produtores, que nem sempre são comprometidos com as metas de produção

da usina, uma usina com 15 mil ha úteis produziria ao ano por volta de 1,5 milhão de t de cana por ano, inviabilizando sua construção por falta de escala.” Ele também acha que as usinas que se arrojarem a se instalar nos perímetros irrigados demandarão um padrão de financiamento muito diferenciado dos atuais, haja vista que farão um investimento em irrigação em montante quase igual ao da aquisição da indústria, fato que em outras regiões do País inexiste. Ferrero atenta que somente um aspecto deixa-o preocupado: quais critérios que serão utilizados para a escolha dos sistemas de irrigação a serem implantados e quem serão as empresas responsáveis pela elaboração dos projetos, sejam eles hidráulicos, de solos ou de viabilidade econômica. “Minha opinião é a de que a partir do momento em que se efetivamente decidir pelo plantio de cana na região do semiárido brasileiro, toárido das as obras de infraestrutura (irrigação e energia elétrica, principalmente) deverão estar devidamente instaladas, assim como os estudos dos solos para definição dos sistemas de irrigação mais apropriados. É de fundamental importância que os critérios a serem utilizados para a escolha dos sistemas de irrigação sejam de conhecimento público para que haja transparência e, com isso possa ser devidamente discutido e analisado para que o sucesso do empreendimento seja garantido”, ressalta. Segundo Lopes, o projeto deve ter como ponto principal o uso de áreas que hoje estão paradas, com infraestrutura hídrica instalada. “Isso é um custo muito grande para o Brasil, as obras foram feitas e por diversos problemas de gestão não conseguimos explorar economicamente as áreas que têm um enorme potencial produtivo. O que se deve buscar é um novo modelo de gestão desses perímetros públicos para que a sociedade receba os benefícios dos investimentos que foram feitos”, finaliza.
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fórum

EM MEADOS DE 2020
“Dado o momento atual de quebra de safra de cana do Centro-Sul e sua recuperação morosa, que demandará pelo meRicardo Pinto, diretor da RPA Consultoria

SEM EXCEDENTES SUFICIENTES
“Grande exportador capaz de aproveitar todas as oportunidades que estão surgindo seja no mercado americano, seja no restante do mundo, infelizmente vai
Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA

nos mais três anos, acredito que o Brasil deverá atingir o patamar de 3 bilhões de l anuais de exportação de etanol somente entre 2015 e 2016, patamar este que já tinha ultrapassado em 2006. Creio que este volume crescerá consistentemente até um patamar próximo a 9 bilhões de l anuais em 2020, quando então o País terá consolidado seu domínio nesta commodity. Vale lembrar que o recorde de exportações brasileiras de etanol, de 5,1 bilhões de l, alcançado em 2008, pelas nossas projeções somente será batido em 2018.”

demorar um pouco em função da forma como conseguimos expandir a produção. Vamos perder um tempo recuperando nossas áreas agrícolas. Os investimentos em expansão de unidades existentes já estão começando a acontecer, porém novos projetos greenfield, que tem maturação longa, ainda carecem de um cenário de longo prazo mais claro que dê mais segurança aos empreendedores. Portanto, a oferta deve continuar correndo atrás da demanda por vários anos, não gerando excedentes suficientes para tornar o Brasil novamente um grande exportador de etanol, mas temos muita esperança que isto volte a acontecer no longo prazo.“

FROTA FLEX É GR ANDE CONSUMIDOR A
“Acredito que em 2020, quando estiver
Plínio Nastari, consultor e diretor da Datagro

FOCO NO MERCADO INTERNO
“A exportação de etanol do Brasil é residual. Temos um mercado interno muito mais importante. Devido a falta total de transparência do governo, o setor não
Arnaldo Correa, diretor da Archer Consulting

sobrando etanol. Acho que não sobra antes porque a frota flex vai absorver boa parte do etanol produzido no País.”

cresce e está tendo que importar etanol. Então, eu não vejo a exportação como um objetivo agora, o foco é o mercado interno.”

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PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL.
Plateau : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável.
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A BASF apoia iniciativas voltadas à preservação do meio ambiente e da sustentabilidade, como:

Para atender o mercado de açúcar e etanol nos próximos anos serão necessárias novas usinas. Uma usina sucroenergética apresenta grandes dimensões, e seu processo de montagem e estrutura merece atenção como qualquer outra construção. Que o diga o pessoal do Grupo Jalles Machado que investiu na implantação de uma nova unidade. A Unidade Otávio Lage/Codora, inaugurada em setembro deste ano, em Goianésia, GO, difere-se das demais por possuir particularidades industriais através da utilização de tecnologias de última geração. Entre elas, a instalação de desfibrador de cana vertical alimentado por esteira de borracha e não metálica; sistema de descarregamento de cana preparado para limpeza a seco sem mesa alimentadora de 45 graus; fermentação contínua preparada para limpeza sem interrupção do processo, além de utilização de sistema inteligente de hibernar fermento; pré-evaporação com multirreboilers a placas e processo 100% automatizado. A Unidade Otávio Lage tem capacidade de moagem de 1,5 milhão de t de cana por safra na primeira fase (357 tc/h), podendo chegar até 2,5 milhões na segunda fase (600 tc/h). A capacidade de produção de álcool hidratado instalada é de 125 mil m³/safra.

A Codora Energia conta com uma capacidade total instalada de 48 MW e geração de energia na safra de 147 mil MWh/safra na segunda fase. O processo de implantação de um empreendimento do porte de uma unidade sucroenergética, segundo o consultor Tércio Dalla Vecchia, da Reunion Engenharia, deve seguir os mesmos passos de qualquer projeto de grande porte, como etapa de pré-implantação, etapa de implantação, etapa pré-operacional e operação. A etapa de pré-implantação implica no projeto conceitual e estudos de pré-viabilidade, definição do local de implantação, licenças ambientais e legais e projetos básicos e validação dos estudos de viabilidade. “Durante esta etapa, todas as dúvidas e alternativas de investimentos devem ser criteriosamente avaliadas e os recursos necessários devem estar bem estabelecidos e suas fontes garantidas. A ânsia de ser rápido nesta fase inicial levou ao insucesso de muitas implantações no passado. Custos estourados por terem sido mal estudados, fontes de recursos duvidosos que não se concretizaram ou definição incorreta do processo de produção são as maiores causas do insucesso”, alerta.

Mais de 650 mil mudas plantadas.

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tecnologia industrial
Segundo Carvalho, o processo de montagem de uma usina inicia-se com o estudo do local para aquisição da área a ser construída e áreas próximas para o plantio de canaviais.
Na etapa de implantação deve constar o projeto detalhado, que envolve todas as disciplinas de engenharia, inicia-se na decisão de levar o projeto em frente e corre durante praticamente toda a implantação do empreendimento. A aquisição de equipamentos é uma fase que precisa ser bem planejada, pois o prazo de entrega e montagem de alguns equipamentos é crítico. “O planejamento das aquisições deve seguir um cronograma físico financeiro adequado para evitar gastos excessivos antecipados e para não adiar aquisições que podem estar no caminho crítico da implantação”, observa. A etapa de implantação contempla o canteiro de obras, terraplanagem e acessos, fundações, obras civis e de infraestrutura, execução dos edifícios industriais, montagem das estruturas metálicas, montagens mecânicas dos equipamentos, montagem das interligações, montagens elétricas e de automação, construção das edificações auxiliares (escritórios, refeitórios, ambulatório etc), acabamentos e pavimentação e paisagismo. A etapa pré-operacional engloba treinamentos, comissionamento, testes pré-operacionais, sopragem de linhas e testes com água ou em branco e testes com produtos. Já a operação posta em marcha acusa a aceitação do projeto. Todo projeto (no sentido de empreendimento) tem sempre um começo, um meio e um fim. Depois de aceito, ou seja, após cumprir os requisitos de desempenho, o projeto é considerado terminado e inicia-se a atividade operacional. Durante toda a implantação são necessárias numerosas atividades que envolvem logística, inspeções, armazenamento, segurança pessoal, patrimonial, ambiental, acompanhamento financeiro e departamento de recursos humanos ágil e competente. Marcelo de Carvalho, gerente de Projetos da MJG Engenharia, lembra que o processo inicia-se com estudo do local para aquisição da área a ser construída e áreas próximas de plantio de canaviais. “Depois vem o projeto básico executivo que deve ser apresentado aos órgãos federais e estaduais para que possa ser concedida a licença ambiental para instalação da nova indústria. Após a liberação dos órgãos competentes dá-se início aos processos de engenharia e projeto nos âmbitos das construções civis, mecânica, elétrica e instrumentação necessária para início das obras”, explica. No entanto, é necessário dar atenção especial a apresentação do projeto junto aos órgãos competentes de licença ambiental, e também estudar sobre a viabilidade do local onde a usina será
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tecnologia industrial
Sem traumas
O consultor Dalla Vecchia defende que é necessário, na etapa dos projetos conceituais e básicos, esgotar todas as alternativas, usando-se o tempo que for necessário para definir as Bases do Projeto, na qual a alternativa definitiva será eleita. Isso serve para que não ocorra mudanças traumáticas no projeto.

entrou, a Petrobrás entrou, a Shell e outras.”
Unidade Otávio Lage e Codora Energia apresentam par ticularidades industriais com tecnologias de última geração

Geralmente quando se faz modificação na planta original, no processo, é porque não houve um bom planejamento, um bom acompanhamento”, lembra Surjus. “Após o início das obras o projeto inicial pode sofrer várias modificações para atender as necessidades da obra. Quando da mesma em operação poderá sofrer modificação para aumento de produtividade sendo realizados ampliações nos diversos setores do processo”, pontua Carvalho. No entanto, Dalla Vecchia defende que não deve haver mudanças. “Se for imprescindível fazê-las, o empreendimento, com certeza, será prejudicado em custo, prazo e, eventualmente, em qualidade. Por isso é necessário que, na etapa dos proje-

AMPLIAÇÕES
Em qualquer estágio pode-se modificar a estrutura de uma usina, ampliando-a ou diminuindo-a, entrar com novos equipamentos, mudar processos. “Normalmente isso ocorre, mas a tendência é que ocorra cada vez mais quando o planejamento não é bem feito. O que acontece é que muitas vezes você tem que casar equipamentos fabricados por fornecedores diferentes e não há uma boa sinergia entre essas empresas e existe dificuldade de montagem no campo, as ligações entre elas não são de acordo. Aí começam os retrabalhos por falta de planejamento.

implantada. “Esse é o primeiro passo a ser dado”, menciona. Para Renê Fernando Surjus, diretor da Camoi, é imprescindível ter um bom planejamento da montagem e construção de uma usina para não ser pego de surpresa no decorrer da obra. “Quando eu falo bom planejamento é fazer uma boa análise de solo, para fazer as previsões adequadas de solicitação de peso e de carga que vão exigir fundações mais fortes ou não. E isso em todas as etapas. Um bom planejamento é essencial e evita retrabalho, que é quando se começa a perder tempo e a atrasar a obra e começa a perder dinheiro”, destaca. Esse cuidado não deve ser ignorado, pois o mercado promete. Especificamente em usina de açúcar e álcool existe uma demanda crescente muito grande, por conta da queda da barreira comercial americana, no fato de que os EUA provavelmente são um comprador do etanol brasileiro no futuro, o que indica que teremos que aumentar a produção de etanol que hoje está voltada para o mercado interno. Sem falar no açúcar que está com valor crescente no mercado. “Existem alguns estudos, sem citar fontes, que até 2020 são necessárias mais de 100 usinas, fora melhoria do processo produtivo no campo e aumento de produtividade. Na parte de açúcar e álcool, as perspectivas são muito grandes. O que a gente está sentindo na Camoi é falta de recurso financeiro por parte das empresas e dos empresários para fazer as ampliações, não só em usinas, mas no geral. Parece que o dinheiro está escasso, o juro está alto. O governo vai ter que dar algum plano de auxílio para baixar juro e voltar a injetar dinheiro no mercado”, reitera Surjus. Ele salienta ainda que os grandes players vão continuar a vir para o Brasil. “Há seis anos, as usinas que estavam nas mãos de grupos estrangeiros eram muito poucas. Acho que hoje, em termos de moagem, cerca de 50% estão nas mãos de estrangeiros e a tendência é continuar, as empresas se unindo, vindo empresas estrangeiras e principalmente as empresas de petróleo. Elas estão entrando forte, a BP (British Petroleum)

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tecnologia industrial
tos conceituais e básicos, se esgotem todas as alternativas, usando-se o tempo que for necessário para definir as Bases do Projeto, na qual a alternativa definitiva será eleita. Daí para frente, as mudanças serão sempre traumáticas”, argumenta. De acordo com Surjus, o tempo de montagem de uma usina depende do recurso financeiro. “É possível montar uma usina no campo, com todos os equipamentos, em um prazo de seis meses com bastante recurso financeiro. Mas um prazo seguro é entre nove e 12 meses”, diz. Carvalho complementa dizendo que pode levar de 12 a 16 meses , dependendo do porte da usina. O consultor da Reunion destaca que existem alguns prazos essenciais em um empreendimento deste porte. “As licenças ambientais, sem as quais não se começa nenhuma intervenção no terreno, podem demorar mais de um ano, dependendo do Estado, do local, das exigências do meio ambiente e outros fatores. Depois das licenças obtidas e dos recursos garantidos, o prazo normal é de 24 meses. Considerando apenas as obras, já tivemos casos de usinas que concluíram todo o trabalho (da terraplenagem ao primeiro litro de álcool produzido) em menos de um ano”, esclarece. Geralmente, a montagem de uma usina se dá fora do perímetro urbano da cidade. Sendo assim, a logística para a entrega de materiais e equipamentos é um problema bastante sério porque muitas usinas são instaladas em locais bastante afastados dos centros produtores de equipamentos. Muitas vezes os acessos são por estradas de terra de pouca qualidade. “O risco de um equipamento ser danificado durante o transporte é alto e, às vezes, pode comprometer a implantação quando se tratar de um equipamento chave, como um turbo gerador. Apenas o seguro do frete não resolve, pois o atraso causa um prejuízo muito maior do que o valor do equipamento. Daí a importância de ter transportadoras absolutamente confiáveis para os equipamentos mais caros e importantes. Um bom almoxarifado bem organizado, seguro e protegido de intempéries e um ótimo planejamento de suprimentos são essenciais. Já vi várias vezes um avião decolar rumo a Piracicaba ou Sertãozinho, em SP, para trazer peças que faltaram em algum lugar crítico”, afirma Dalla Vecchia. Surjus lembra que os equipamentos são muito caros e pesados. As dificuldades, segundo ele, estão nas movimentações
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tecnologia industrial
verticais e horizontais, na execução dos trabalhos, na execução das soldas, das inspeções dos serviços, nos alinhamentos de todos os equipamentos. “Isso é um grande somatório. Se para cada um você tiver um pequeno erro, é complicado. Na somatória não se pode ter um erro muiusina é durante a fase de planejamento e projeto. Esta fase deve ser levada a cabo por gente experiente e competente. "Alguns investidores trazem empresas de projetos e planejamento fora do setor, acreditando que, pelas suas dimensões, elas darão conta do recado, o que não é verdade. Na prática, se vê aumento desnecessário de custos e duvidosa credibilidade nos resultados", lembra. Carvalho acredita que é preciso levar em conta a sustentabilidade do local, tais como área de plantio, local para descarte de efluentes, transporte dos produtos instalando-se perto de hidrovias, ferrovias e rodovias de fácil escoamento do produto ao mercado. Dalla Vecchia atenta que a seleção dos equipamentos deve ser feita sempre em base econômica. “Os equipamentos principais devem ser definidos logo no início do projeto, pois, do tipo escolhido, dependerão todos os balanços materiais e energéticos e, portanto, todos os demais itens. Entretanto, há muita paixão na escolha destes itens. A escolha é influenciada pela experiência anterior dos técnicos envolvidos no projeto, incluindo relacionamento com fornecedores de equipamentos. O ideal é que a escolha seja feita numa comparação realista de custos, o que muitas vezes não é fácil”, sugere. Vários profissionais são envolvidos para a montagem de uma usina. As equipes são multidisciplinares e alternam-se ao longo da montagem da usina, como também o contingente de pessoas segue uma curva que aumenta aos poucos no começo da obra, chega a um pico, e depois cai lentamente no decorrer dos últimos serviços. “Em épocas de pico pode-se chegar a ter mais de mil pessoas trabalhando na obra”, enfatiza Dalla Vecchia. Operários da construção civil, montadores mecânicos, soldadores, operadores de máquinas e guindastes, topógrafos e engenheiros são encontrados na obra. As equipes de apoio, que se encarregam da alimentação, hospedagem, segurança patrimonial e pessoal, serviços sociais e assistência médica, permanecem na obra desde o início até o final. O pessoal de recursos humanos, administradores, facilitadores e outros também ficam perto da obra. “Equipes de engenharia de campo e de escritório estão sempre presentes. Geólogos, biólogos, engenheiros de todas as modalidades, arquitetos e advogados são envolvidos na implantação em alguma fase da mesma”, finaliza.

Escolha racional de equipamentos
Os equipamentos principais devem ser definidos logo no início do projeto, pois, do tipo escolhido, dependerão todos os balanços materiais e energéticos e, por tanto, todos os demais itens. Entretanto, há muita paixão na escolha destes itens. A escolha é influenciada pela experiência anterior dos técnicos envolvidos no projeto, incluindo relacionamento com fornecedores de equipamentos. O ideal é que a escolha seja feita numa comparação realista de custos, o que muitas vezes não é fácil.

to grande.”

CRONOGR AMA
O cronograma, de acordo com Dalla Vecchia, é peça fundamental no controle de todas as atividades da implantação do projeto. Para ele, os seguintes passos são fundamentais: - Elaboração de um cronograma realista e exequível: é comum os cronogramas serem apertados apenas para atenderem uma demanda imposta, mesmo sabendo que é inexequível; - Comprometimento de todos os envolvidos no cumprimento do cronograma: as pessoas precisam acreditar, concordar e se comprometer com as datas e eventos assumidos; - Ações antecipativas: é necessário dispor de uma análise diária do crono-

grama com medições objetivas (metros instalados, quilos entregues, etc.) do andamento das atividades e poder (recursos) para adotar medidas para corrigir os rumos antes que se faça tarde demais. Muitas vezes, a falha é detectada, mas a equipe não tem poder para tomar atitudes que possam recolocar a obra nos prazos e, aí, não adianta nada; - Evitar retrabalhos: fazer da primeira vez de forma correta é a melhor maneira de evitar atrasos na implantação da usina. Refazer é ineficiente, caro e normalmente o resultado não é adequado. Embora muito se fale sobre o aumento de canaviais, o mercado de montagem e estrutura de usinas deve acompanhar o crescimento dos canaviais. Não há sentido investir no parque industrial se não há cana. “Desta forma, os planejamentos - agrícola e industrial - devem correr juntos, sendo que o industrial sempre deve ter um atraso em relação ao agrícola. Hoje há uma busca pela recomposição dos canaviais e assim espera-se um grande número de instalações (implantações e ampliações que, na nossa linguagem, são chamados de “greenfields” e “revamps”)”, afirma Dalla Vecchia. Vale salientar que o principal cuidado ao montar uma

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-de-açúcar, observa-se acúmulo no palmito em quantidades muito maiores que nos demais órgãos. Evans, 1916, citado por Malavolta (1980) mostrou que naquele tecido existe atividade muito alta de polifenoloxidase, uma enzima ativada pelo Cobre. Manganês (Mn): O manganês tem grande importância na fotossíntese, por estar envolvido na estrutura, funcionamento e multiplicação de cloroplastos, além de realizar o transporte eletrônico. Realiza também a ativação enzimática de
Otávio Zurk

tecnologia agrícola
mentar a eficiência da nutrição nitrogenada e a produção de sacarose. É essencial para o metabolismo do nitrogênio em plantas que utilizam como fonte deste nutriente o nitrato do solo e/ou nitrogênio atmosférico proveniente da chamada fixação biológica por bactérias dizotróficas associadas à planta. A cana-de-açúcar, devido à possibilidade de recebimento das duas fontes de N, conclui-se que o Mo é fator de produção desta cultura, pois o seu fornecimento adequado é necessário para que a elevada demanda de N seja atendida. mente no palmito. Este elemento concentra-se principalmente nos tecidos meristemáticos. Molibdênio (Mo): responsável por au-

algumas desidrogenases, descarboxilases, quinases, oxidases e pelismo de carboidratos e transporte de açúcares através de membranas; síntese de ácidos nucléicos (DNA e RNA) e de fitohormônios; formação de paredes celulares e divisão celular. Zinco (Zn): O zinco potencializa a produção do hormônio de crescimento (auxina) devido à sua função na ativação das enzimas sintetase do triptofano e metabolismo de triptamina. É constituinte da álcooldesidrogenase, desidrogenase glutâmica, anidrase carbônica etc. Se concentra nas zonas de crescimento devido à maior concentração auxínica. roxidases. Nota-se grande quantidade de manganês nas zonas de crescimento da planta, principal-

DEFICIÊNCIAS
Boro (B): os sintomas leves de deficiência deste micronutriente mostram pequenas estrias cloróticas e aquosas no espaço internerval das folhas

Em razão dos baixos teores no solo de práticas culturais que diminuem a sua disponibilidade e importância na nutrição da cana, o fornecimento adequado de micronutrientes tornou-se fundamental para o aumento de produtividade. As funções que os micronutrientes desempenham justificam esse aumento de produtividade. Isso porque participam de funções vitais no metabolismo das plantas, principalmente como ativadores enzimáticos de processos metabólicos e/ou fenológicos, indutores de resistência a pragas e doenças e na qualidade de matéria-prima.

FUNÇÕES
Boro (B): O boro é responsável pelo desenvolvimento de raízes e transporte de açúcares. A função fisiológica do boro difere dos outros micronutrientes, pois este ânion não foi identificado em nenhum composto ou enzima específica. Entre as principais funções atribuídas a este micronutriente está o metaboCobre (Cu): O cobre é elemento importante na fotossíntese, atuando no transporte eletrônico via plastocianina. Na respiração, atua na oxidação terminal pela oxidase do citrocromo. Também aumenta a resistência às doenças e age na síntese protéica. Na distribuição do cobre nos diversos órgãos da cana-

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jovens. As áreas cloróticas podem evoluir para a necrose e o crescimento irregular do limbo foliar tende a causar enrugamento em algumas bandas. Nos casos mais severos, os sintomas evoluem para a necrose das folhas, encurtamento do limbo foliar e necrose do tecido meristemático intercalar, causando os sintomas de necrose interna de espiral no caule, próximo ao meristema apical. Têm-se também folhas torcidas; lesões translúcidas; plantas novas com muitos perfilhos; folhas tendem a ficar quebradiças; folhas do cartucho podem ficar cloróticas e mais tarde necróticas; sintoma da deficiência semelhante ao dano causado por herbicidas; clorose nas pontas e margens das folhas novas progredindo da base para a ponta da lâmina foliar; por fim, a clorose estende-se às folhas mais velhas, e torna-se necrose; pontas das folhas podem ficar severamente queimadas. Zinco (Zn): Em solos deficientes em zinco, as plantas de cana-de-açúcar ao germinarem apresentam pequeno alongamento do palmito, com tendência das folhas saírem todas do vértice foliar na Cobre (Cu): Pequeno desenvolvimento da planta, encurtamento dos entrenós, folhas cloróticas e difícil aparecimento de folhas novas; folhas se curvam para o solo “topo-caído”, pois colmos e meristemas perdem a turgidez, e em casos mais agudos ocorre clorose foliar dividida em pequenos retângulos (não confundir com mesma altura, formando o sintoma de “leque”. Em plantas com mais de seis meses, observa-se ligeiro encurtamento nos entrenós, clorose internerval e amarelecimento mais acentuado da margem para a nervura central, quando junto a ela normalmente a lâmina se mantém verde. Formam-se estrias cloróticas na lâmina foliar, e uma faixa larga de tecido clorótico de cada lado da nervura central, mas não se estendendo à margem da folha, exceto em casos severos de deficiência.

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sintoma de mosaico da cana). Nas áreas deficientes, com frequência formam-se reboleiras de área variável, com folhas verticiladas, formando o sintoma de leque e a presença de manchas verdes nas folhas. Quando a deficiência é severa, as folhas descoloridas se tornam mais finas e enroladas. Manganês (Mn): as plantas deficientes desse elemento apresentam clorose internerval convergente com a nervura central. As áreas cloróticas podem evoluir para estrias necróticas. A clorose tende a atingir apenas parte do limbo foliar, localizando-se no ápice ou base da folha, e a lâmina foliar tende a ser mais estreita. Molibdênio (Mo): ocorrem pequenas estrias cloróticas longitudinais, começando no terço apical da folha. As folhas mais velhas secam prematuramente do meio

para as pontas.

FORNECIMENTO ADEQUADO DE MICRONUTRIENTES
Os micronutrientes podem ser fornecidos de maneiras diversas, mas a aplicação via solo na formulação sólida N - P2O5 - K2O tem vantagem por ter maior efeito residual dos micronutrientes, com exceção do B, o qual deve ser aplicado anualmente, em função de seus teores no solo.

FATORES ASSOCIADOS À DEFICIÊNCIA
Tem-se verificado aumento na ocorrência de deficiência de micronutrientes pelos seguintes motivos principais: - baixo teor original destes nos solos; em destaque, solos derivados de arenitos e também com baixos teores de matéria orgânica. - práticas corretivas: Calagem e adubação fosfatada diminuem a disponibilidade dos micro metálicos, já gessagem de MoO42-. - aumento da colheita de cana crua, aumentando a palhada, e consequentemente a matéria orgânica, a qual forma complexos estáveis com o cobre. - uso de novas variedades com alto potencial de produtividade e maior extração de micronutrientes.

CANA PLANTA
A - Via Solo a1 - Adubação Sólida É importante ressaltar que os micronutrientes devem estar agregados à fonte de P2O5, ou revestindo todos os grânulos N - P2O5 - K2O. Isso garante maior uniformidade na aplicação dos micronutrientes, e maior solubilidade dos mesmos. Na tabela 2 é possível perceber os resultados da aplicação de zinco na cana-de-açúcar. As quantidades fornecidas de Zn e Cu são suficientes para cerca de cinco cortes, não sendo necessário a sua aplicação em cana soca, pois esses nutrientes têm contato com a raiz por difusão (fixação). Quanto ao B, o mesmo deve ser aplicado em todo o corte, uma vez que o mecanismo é por fluxo de massa (alta absorção e lixiviação), principalmente quando o solo estiver com teores menores do que 0,6 mg/ dm3. a2 - Via solo - adubação fluída No caso de unidades que produzem

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te o boro, devido ao seu mecanismo de contato com a raiz ser por fluxo de massa (altamente móvel no solo), sendo uma das opções conjuntamente com o herbicida na dosagem de 0,75 kg/ha de B, equivalente a 4,5 kg/ha de ácido bórico. adubos fluidos, os micronutrientes podem ser adicionados às formas de macronutrientes. Utilizando para B, deve-se usar ácido bórico, e para micros metálicos sais de sulfato, produtos quelatizados, fosfitos, ácidos húmicos e fúlvicos. B) Via folha Quando for aplicado N via foliar, o Mo deve acompanhá-lo em virtude da participação de dois sistemas enzimáticos (nitrogenase e redutase do nitrato), diretamente ligados ao metabolismo do N. A dosagem de N é na faixa de 15 a 20 kg/ha e a de Mo na faixa de 150 a 200 g/ ha, podendo-se sugerir, por exemplo, a formulação 26-00-00 + 0,26% Mo. Geralmente essas aplicações são realizadas na produção de mudas ou quando o canavial possui alto potencial produtivo, em seu fechamento (meses de novembro/dezembro). C) Via muda (tolete) É possível realizar a aplicação conjunta com defensivos (desde que haja a compatibilidade destes, com as fontes de micronutrientes na operação de cobrição da muda. As dosagens e fontes normalmente utilizadas são de 300 a 350 g/ha de B (ácido bórico), 750 g/ha de Zn e 400 g/ha de Cu (sais, quelatos, ácidos húmicos e fúlvicos ou fosfitos). D) Via Herbicida Em cana soca aplicar principalmenensaios entre os anos de 2006 e 2008, utilizando doses mais elevadas, que seriam suficientes para três a quatro anos, aplicando fontes solúveis dos micronutrientes. Os ensaios foram montados em diferentes ambientes de produção das regiões canavieiras do Estado de São Paulo. Para os micronutrientes cobre, manganês e zinco foram utilizados como fonte sulfatos, para o boro foi utilizado bórax e para o molibdênio,
Segundo Zurk, os micronutrientes par ticipam de funções vitais no metabolismo das plantas

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e 12%, respectivamente. A aplicação de zinco no sulco de plantio proporcionou, em média, lucro de R$ 567 por ha na primeira safra. Com a agregação do processo industrial, o incremento de receita foi de R$ 2455 em açúcar ou de R$ 953 em etanol por ha de cana plantada. Considerando os ganhos nos próximos cortes, o retorno econômico será ainda mais elevado. Em relação aos tratamentos de cobre e molibdênio, o aumento de produtividade de cana-planta não apresentou grande lucratividade. Quando o incremento é estimando a produção de açúcar e etanol, mostra-se mais vantajoso em relação à testemunha. O estudo afirma a necessidade de mais estudos com os micronutrientes em cana-de-açúcar que possibilitem estabelecer recomendações de adubação mais pre-

PARÂMETROS PAR A RECOMENDAÇÃO DE MICRONUTRIENTES
Os principais parâmetros para recomendação de micronutrientes na cana-de-açúcar são diagnose visual (sintoma de deficiência), diagnose foliar (teor de nutrientes na folha), análise de solo (estoque de nutrientes no solo) e potencial de produtividade (necessidades da planta). A adubação começa com as análises de solo e de folha, continua com as práticas corretivas (calagem, gessagem, fosfatagem), práticas conservacionistas (adubação verde, manejo do mato), utilização de co-produtos de indústria, quando disponíveis, e termina com a aplicação do fertilizante mineral, sendo a aplicação de micronutrientes a última etapa do processo produtivo. Assim, o uso adequado de micronutrientes potencializa a produtividade, a qualidade e resistência à pragas e doenças.

molibdato de amônio. Os ganhos mais expressivos de produtividade em cana-planta foram para o zinco, molibdênio e manganês. Para o zinco, proporcionou ganho de produtividade de 17% em média em relação ao tratamento que não houve aplicação dos micronutrientes, e para o molibdênio e manganês, proporcionaram ganhos médios de 14%

APLICAÇÃO DE MICRONUTRIEN-TES EM USINAS
O Laboratório do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), após analisar um grande número de solos de áreas produtoras de cana-de-açúcar, concluiu que esses canaviais possuíam teores extremamente baixos de micronutrientes. Associado à baixa produtividade do canavial, esse fato motivou o início de “Micronutrientes em Cana-de-Açúcar”. O projeto foi coordenado pelos pesquisadores José A. Quaggio e Estevão V. Mellis, do Centro de Solos e Recursos Ambientes do IAC, com apoio financeiro da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo), junto com 13 unidades produtoras de açúcar e álcool do Estado de São Paulo: Usina Branco Peres, Usina Moema, Usina Batatais, Usina São João, Usina da Pedra, Usina Nova América, Usina Cocal, Usina Guaíra, Usina Colorado, Grupo Virgolino Oliveira (Unidades José Bonifácio e Itapira), Usina Guarani, Usina Vista Alegre e Grupo Cosan (Unidade Costa Pinto). O objetivo do projeto foi avaliar a resposta da cana-de-açúcar à adubação com micronutrientes em solos de baixa fertilidade. Foram instalados 15 um projeto o qual recebeu o nome de

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cisas para esses nutrientes. O ganho de produtividade proporcionado pela aplicação dos micronutrientes é de importância maior do que a rentabilidade da cultura, pois a demanda elevada por etanol leva ao aumento das áreas

ocupadas pela cana-de-açúcar. O uso dos micronutrientes elevando a produtividade da cana-de-açúcar pode ser uma alternativa para diminuir a expansão na busca de suprir a demanda de etanol. A aplicação dessa tecnologia também proporciona

maior eficiência logística de transporte por unidade de produção.
* Graduando de Engenharia Agronômica na Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz da Universidade de São Paulo) e estagiário do Gape (Grupo de Apoio à Pesquisa e Ex tensão).

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O que significa mais palha nos canaviais. No entanto, ela sai da posição de resíduo incômodo para a posição de resíduo ouro e traz a possibilidade de aumento de capacidade e eficiência energética nas usinas. Hoje, de toda biomassa produzida por um canavial, a palha representa 39%. De acordo com o professor titular da Esalq/ USP (Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz, da Universidade de São Paulo), Tomaz Caetano Cannavam Ripoli, em média, 1 ha de cana fornece de 18 a 32 t/ ha de palhiço (base peso úmido) ou de 6 a 11 t/ha com base em peso seco (cerca de dez dias após colheita mecânica). “Uma tonelada de palhiço (peso seco) tem um equivalente energético da ordem de 1,2 a 2,1 barris de petróleo. Então seria um absurdo não aproveitar tal potencial. Há mais de 15 anos preconizo o uso da palha da cana como agregação de valor. O palhiço é uma das melhores biomassas para cogeração, se comparado com outros resíduos de colheita de outras culturas (palhas de grãos em geral). Sem dúvida, será um enorme fator de agregação de valor. E não apenas para cogeração. Com a chegada do etanol de segunda geração, será uma matéria-prima importantíssima, se não for a principal”, enfatiza. José Guilherme Perticarrari, coordenador de Engenharia Agrícola do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) e Marcelo Almeida Pierossi, especialista em Tecnologia Agroindustrial da Coordenadoria de Engenharia Agrícola do CTC, explicam que a quantidade de energia em um colmo de cana-de-açúcar está disponibilizada da seguinte maneira: aproximadamente 1/3 encontra-se no caldo (convertido em açúcar ou etanol), 1/3 encontra-se no baga-

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ço (convertido em energia térmica para o processo e/ou geração de energia elétrica) e 1/3 encontra-se nas folhas que são deixadas no campo após a colheita ou queimadas para a colheita manual. “Por isso ao utilizarmos a palha estaremos disponibilizando uma energia adicional que poderá ser convertida em energia elétrica sem necessidade de alterações nas caldeiras atuais de bagaço, necessitando somente de um processamento para a adequação do tamanho da partícula”, afirmam.

PALHA X BAGAÇO
Muito ainda se discute a respeito da cogeração através do palhiço. Alguns ainda acreditam que acertos deverão ser feitos a fim de que esta matéria-prima tenha a mesma eficiência que o bagaço da cana. Perticarrari e Pierossi explicam que o

O mercado já oferece ao setor sucroenergético novas tecnologias para enfardamento da palha da cana-de-açúcar, uma das melhores biomassas para cogeração de energia. As máquinas trazem o conceito de tornar o processo muito mais eficiente e produtivo, garantindo aumento da capacidade energética das usinas

O avanço da colheita mecanizada, propiciada pela proibição da queima da cana, causou mudanças não só no cenário social, com o fim do corte manual, como também nos canaviais, com o aumento da quantidade de palha disponível no solo. Isso poderia ser um grande problema ao contribuir com o aumento de algumas espécies de pragas, se não fosse a sua utilização para a cogeração de energia.

A atividade de recuperação do palhiço da cana não é algo novo. Vem crescendo nos últimos anos e deve continuar com um crescimento exponencial, segundo alguns especialistas. Em outros estados brasileiros, onde projetos de expansão no setor estão se intensificando, as secretarias ambientais passaram a exigir, como um dos requisitos para aprovação dos mesmos, que as plantas contemplem 100% de colheita mecanizada.

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bagaço queimado atualmente nas caldeiras chega a custo zero para as usinas e por isso não pode ser comparado à palha. Entretanto, caso a usina necessite de bagaço adicional, que às vezes precisa ser buscado no mercado, é necessário um estudo individual para verificar qual opção é a mais viável economicamente. “Neste estudo deve ser considerado o custo do bagaço, o seu frete e o poder calorífico da palha que, por ser seca em condições de campo, possui uma umidade em torno de 15%, conferindo um poder calorífico de 3.100 kcal/kg contra 1.700 kcal/kg do bagaço com 50% de umidade”, salientam. Ripoli diz que tem visto nas usinas que o palhiço é misturado ao bagaço (meio a meio), a fim de ocorrer melhor eficiência de queima e evitar contrafogo na caldeira. “Tanto no bagaço como no palhiço, predomina a celulose, assim, quimicamente eles são muito parecidos. O importante é compatibilizar a caldeira para receber tais materiais.” Falando em números, o engenheiro agrônomo e responsável por Produtos da Kuhn, Jean-Sébastien Salaud, diz que o custo do bagaço na entrada da caldeira se torna teoricamente mais barato que o palhiço, passando pelo recolhimento a campo e o transporte até a usina. “Porém, o palhiço possui um teor de umidade baixo, o que lhe confere um poder calorífico superior. Além disso, a retirada da palha traz uma série de vantagens.” Samir Fagundes, especialista em Marketing da New Holland, acredita que as fontes são diferentes, mas uma não anula a outra. Dentro do estudo feito pela New Holland em parceria com o CTC, o custo para produzir um MW/h com a palha da cana-de-açúcar é de R$ 45 a R$ 60, variando de acordo com a distância entre o canavial e a usina. “Queremos abaixar para um valor em torno de R$ 42. De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o processo de geração de bioeletricidade, por exemplo, é R$16,65/MW/h. Mais barato do que a produção de energia hidrelétrica.” Hoje a quantidade de palha restante no solo por conta da colheita mecânica é, em média, de 15 t por ha, um grande potencial que pode ser utilizado pelas usinas. Mas quanto poderia ser retirado de palha para cogerar? Ripoli recomenda que se retire 50%, para que o restante fique sobre o solo a fim de: - Melhorar a relação C:N do solo; -Diminuir a amplitude térmica do solo (noite e dia); - Diminuir a evaporação de água; - Controlar parcialmente ervas daninhas (menor uso de herbicidas); - Servir de alimento a biota do solo (macro e micro); - Controlar parcialmente o ataque de cigarrinhas. “Basta ver o resultado da figura 1. O gráfico mostra a diferença de atividade microbiológica em solo de mata natural e em solo com cana. Com cana, observamos que há pelo menos quatro vezes menos atividade. A baixa atividade microbiológica dificulta a absorção do fertilizante pela
Pierossi acredita que o aumento da utilização da palha de cana-de-açúcar na cogeração de energia depende exclusivamente das condições do mercado de energia elétrica, visto que a solução proposta tem viabilidade técnica e econômica
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cultura”, explica. Perticarrari e Pierossi acreditam que ao se determinar a quantidade de palha a ser recolhida ou deixada no campo, devem-se levar em conta os aspectos de clima e solo presentes em cada região. “O CTC vem desenvolvendo estudos agronômicos e fitossanitários nesta área desde a década de 90. Atualmente temos refinado mais estas pesquisas, uma vez que o interesse econômico para o aproveitamento energético da palha pressiona bastante a retirada da palha do solo”, salientam. De acordo com Fagundes é indicado recolher entre 25% e 50% do total da palha gerada. A quantidade varia em função das condições climáticas e do solo, visto que a palha da cana é de suma importância para a cultura. “Locais mais secos precisam de mais palha no solo, para manter a umidade da terra. Solos com menos matéria orgânica também. Em outros casos, no inverno, muita palha pode atrapalhar o crescimento da cana.” Salaud diz que, de acordo com as condições climáticas e o tipo de solo, pode se retirar de 50% até 80% do palhiço disponível após a colheita mecanizada. “As usinas retiram o máximo visando uma operação de cultivo após o enfardamento entre ruas, porém quanto maior a quantidade de palha recolhida, maior será o teor de impurezas minerais, as quais poderão gerar problemas interiores na caldeira. Recolher uma quantidade entre 60% e 70% beneficia não só a cogeração, como também preserva as vantagens do palhiço no campo (garante umidade do solo, diminui o crescimento das plantas daninhas etc).” o processo de produção de energia através da palha mais eficiente e rentável. A New Holland, empresa especializada em tratores e colhedoras para grãos desenvolveu seu primeiro projeto de biomassa em parceira com o CTC. Segundo Fagundes, as pesquisas estão sendo realizadas há mais de um ano e meio. “Com o CTC, estamos desenvolvendo um conceito, que passa pela parte agrícola de transporte e de geração de energia. A New Holland participa do projeto no desenvolvimento do processo de enfardamento da palha e o CTC desenvolve, em parceria com outras empresas, um caminhão para transportar os fardos de palha e ainda um sistema de processamento nas caldeiras produtoras de energia elétrica de biomassa nas usinas”, explica. Perticarrari e Pierossi contam que a parceria surgiu após o CTC realizar testes preliminares que mostraram resultados promissores que poderiam ser obtidos, desde que fosse desenvolvido um sistema para o recolhimento da palha de cana através do enfardamento. Entretanto, este desenvolvimento deveria ser realizado em parceria com uma empresa que dominasse as operações de campo de fenação e forragem, diminuindo assim os custos e tempo
Figura 1

de desenvolvimento. “Esta parceria conta com forte sinergia, visto que o CTC possui domínio da tecnologia canavieira e a New Holland o domínio de tecnologia de fenação e forragem. Coube ao CTC os ensaios de campo e desenvolvimento de soluções para o transporte e processamento de fardos e à New Holland o desenvolvimento dos equipamentos agrícolas presentes na operação (aleiradora, enfardadora de fardos retan-

gulares e carreta recolhedora de fardos).” Fagundes diz que além da perspectiva contínua do aumento da produção de alimentos no Brasil, gerada pela crescente demanda no planeta, o País desponta no quesito geração de energia. “Com uma nova marca, a “Clean Energy Leader”, desenvolvemos este conceito visando a utilização da BB9080 no processo de enfardamento da palha da cana. O projeto tem um viés de grande importância econômi-

DE OLHO NA PRODUÇÃO DE ENERGIA
As fabricantes de máquinas e equipamentos não estiveram somente focadas na mecanização do plantio e corte de cana. Também têm se mostrado preocupadas em oferecer ao mercado, soluções para tornar

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informe publicitário

Grupo DASA/PR: retomando o crescimento
Como muitas outras empresas, em 2007, 2008 e 2009, a DASA - Destilaria Americana S.A. - de Nova América da Colina, PR, pelo volume de investimentos realizados visando produzir em escala de mercado, sofreu os impactos da baixa dos preços do etanol e da crise mundial de crédito, que reduziu a capacidade de financiamento do setor. No entanto, para sair da crise, a DASA buscou aprimorar ainda mais sua organização. Assessorada por plano de recuperação judicial, largamente elogiado por todos os credores, nas negociações realizadas e, principalmente, pela credibilidade que emprestou à DASA e à ANA, garantindo a seriedade e veracidade das informações com que estávamos trabalhando este processo”. Hoje a empresa possui sistemas informatizados para os controles Administrativos e Áreas Agrícola e Industrial desenvolvidos com o apoio da MBF Agribusiness, o que os aprimora e permite maior agilidade e confiabilidade das operações da Cia. Com capacidade para moer 1 milhão de t de cana, a empresa deve processar nessa safra de da Área de aproximadamente 800 mil t até 22 de dezembro, quando a safra deve ser encerrada. Situada em uma região com solo que é considerado um dos mais férteis do País e com condições edafoclimáticas ideais para o cultivo da cana-de-açúcar, a DASA atinge uma produtividade média de 95 t de cana por ha em canaviais com longevidade muito acima da média nacional. A empresa fabrica etanol e xarope, com uma produção de 59.564 mil m³ e 17.290 t, respectivamente. Mas a DASA está de olho no futuro e, para isso, estuda a construção de uma fábrica de açúcar, bem como iniciar o processo de cogeração de energia, tornado-a uma empresa ainda mais competitiva.

ca dentro das usinas, pois se trata de uma matriz com menor custo por geração de MWh. O usineiro completa o ciclo produtivo da cadeia, pois tem aproveitamento de resíduos, podendo inclusive tornar-se autossuficiente em energia elétrica e até mesmo lucrar com o excedente”, destaca. O Grupo Kuhn lançou, em 2006, o projeto Kuhn Bioenergy visando oferecer uma linha de equipamentos voltados ao setor energético mundial. O Grupo atende as unidades de produção de biogás e bioelectricidade. Segundo Salaud, a Kuhn do Brasil passou a oferecer, em 2010, a linha de enfardadoras para o recolhimento da biomassa como o palhiço de cana. Guilherme Bellardo, gerente de Produtos Forrageiros para a América Latina da AGCO, grupo fabricante dos produtos Massey Ferguson e Valtra, diz que a busca pela sustentabilidade e o aproveitamento integral de todos os produtos e subprodutos nas lavouras pressupõe que o mercado esteja atento para a tendência da cogeração de energia como forma de aumentar seus rendimentos. “Estes motivos somados ao nosso know-how para soluções no campo e experiências positivas em outros países onde a marca atua, nos inspiram a projetar uma grande procura pela enfardadora.”

tos envolvidos devem trabalhar juntos. Cerca de sete a dez dias após a colheita da cana-de-açúcar a palha já se encontra com a umidade adequada para o enfardamento (entre 10% a 15%). Pierossi explica que a primeira operação realizada para retirada de palha é o aleiramento, que consiste na formação de leiras que serão recolhidas pela enfardadora. “Nas condições dos nossos canaviais, a largura do aleiramento utilizado é de 7,5 m, que possibilita uma quantidade adequada de biomassa para o processamento da enfardadora.” Para Salaud, o aleiramento é a chave do sucesso do enfardamento. “De fato, a qualidade de trabalho deste equipamento deve responder a dois parâmetros essenciais: respeitar a quantidade de material a ser recolhido e juntar o mínimo de impureza mineral possível.” Ele diz que a empresa tem trabalhado em diversos projetos voltados ao recolhimento do palhiço e que, até o momento, oferece três grandes tipos de aleiradores. A AGCO também oferece ao mercado seu modelo de enleirador, o MF5130 Heavy Duty para palha de cana. Com a leira pronta, a enfardadora entra para recolher a biomassa transformando-a em fardos retangulares. Fagundes explica que a enfardadora New Holland é equipada com o sistema de recolhimento Super Sweep, o que garante boa remoção do material. “A eficiência é garantida pelos dedos recolhedores

curvos com pequenos espaçamentos que, combinados com as rodas limitadoras, ajudam a limpar o campo mesmo em altas velocidades. A enfardadora produz fardos de 120 cm de largura, 90 cm de altura e até 250 cm de comprimento, que chegam a 480 kg de palha.” A máquina possui ainda, sistema de amarração dupla, que possibilita uma maior densidade de fardo, menor esforço sobre o sistema de amarração e maior confiabilidade nos nós. “Além dos nós duplos, seis fios mantêm a integridade do fardo, mesmo ao produzir fardos de alta densidade. São equipadas com o monitor colorido IntelliView III TM, que possibilita visualizar informações completas da máquina, bem como controlar o sistema de lubrificação automática de dentro da cabine, fornecendo informações detalhadas das condições da colheita, evitando o processamento de material que ainda não está pronto”, explica Fagundes. Os modelos oferecidos pela Kuhn, de acordo com Salaud, apresentam o exclusivo sistema de Rotor Integral para grandes capacidades de recolhimento. “O Rotor Integral garante que a alimentação da enfardadora seja constante com todos os tipos de produtos. O sistema possui um rotor agressivo com grades sem fins de alta resistência no mesmo eixo, diminuindo os riscos de embuchamento e reduzindo os custos com a manutenção.” O design da câmara de pré-compac-

empresas de destaque no setor, passou a analisar ainda melhor sua atividade agroindustrial, planejando suas ações de maneira mais eficaz e adotando correções, visando antecipar-se aos problemas. Investiu no aprimoramento

Controladoria, implementando indicadores de avaliação de performance e qualidade diários e, em alguns casos até on line, nas áreas operacionais e administrativas, o que gera números consistentes para reuniões semanais entre os gestores das áreas e a diretoria, para análise e correção do planejamento da safra. Essas reuniões passaram a ter o suporte de informações muito mais detalhadas e aprofundadas para cada um dos segmentos envolvidos. Uma das empresas que assessorou a DASA neste processo foi a MBF Agribusiness, de Sertãozinho, SP O papel da consultoria foi introduzir uma política de . governança corporativa, preparando os profissionais da DASA para produzirem e criticarem os resultados projetados e auferidos. Além disso, a consultoria implantou a política orçamentária e de custos, gestão contábil e planejamento financeiro. O resultado do trabalho foi tão positivo que, quando a DASA entrou em recuperação judicial no início do ano, os principais credores indicaram a MBF para acompanhar o Grupo durante a aplicação e execução do plano de recuperação judicial, aprovado em outubro, com alto índice de aceitação, durante assembleia. O diretor da DASA, Wilson Baggio Jr. explica que a consultoria “atuou no aperfeiçoamento das operações de gestão, na preparação e acompanhamento do

TECNOLOGIAS PAR A O ENFARDAMENTO
Para que se consiga alcançar maior eficiência deste processo, todos os equipamen-

Controles administrativos, agrícolas e industriais desenvolvidos com o apoio da MBF.

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tação Power Density garante a formação de leiras compactas, de alta densidade e uniformes produzindo sistematicamente fardos de formato uniforme em todas as condições. Isto atende a necessidade de colocar o máximo de palhiço no menor volume possível, visando uma redução do custo de logística. “Os fardos compactados serão atados através do simples, mas confiável, sistema Twin-Step. A concepção simples e resistente das máquinas propors ciona um menor número de peças em movimento, um incomparável fluxo de produto, bom desempenho e confiabilidade”, salienta Salaud. “Os primeiros trabalhos e o dia-dia, mostraram que a enfardadora LSB Power Density da empresa produz fardos de 420 kg a 450 kg por minuto com umidade entre 12% a 15%, ou seja, uma densidade média de 175-180 kg/m (dimensões do fardo
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empilhando-se em pilhas de 2 x 6 fardos que são transportadas até o carreador onde são descarregadas. “Utilizando-se um sistema de carregamento frontal montado em um trator, os fardos são transferidos ao equipamento rodoviário que os transporta até a usina”, enfatiza Pierossi. Para Salaud, a agilidade da máquina para recolher os fardos e a sua concepção estrutural para reduzir o pisoteio são condições elementares para os projetos voltados ao setor sucroenergético. desgaste e, por consequência, menos paradas para manutenção do equipamento. Dependendo da quantidade de palha, chegamos a produzir um fardo entre 700 kg e 750 kg por minuto com tratores entre 180 cv e 200 cv para palha de cana.” Com a bandeira Valtra, o Grupo AGCO também lançou outra opção de enfardadora, que atua tanto em palha de cana, quanto em feno e forragem. Bellardo, que também responde pela Valtra, diz que a máquina tem um sistema de nós duplos, que faz dois nós - um que termina o fardo anterior e outro que inicia o próximo fardo, alcançando índices de densidade que ultrapassam os 400 kg por fardo. Outros diferenciais estão também no sistema de gerenciamento que mede a carga nos sensores dos pistões e ajusta automaticamente a pressão hidráulica nas paredes laterais e no trilho superior, proporcionando fardos homogêneos e simétricos. “Além disso, a LB34B possui um sistema de ventilação para a limpeza do mecanismo de nós que garante menor desgaste e menos paradas para manutenção do equipamento. Ela produz um fardo gigante por minuto a 4km/h e recolhe, por dia, entre 490 a 500 fardos de 320 Kg cada (120 t a 130 t por dia), totalizando 9 t/ha (28 fardos). Fardos prontos é hora de uma carreta recolhedora fazer a sua parte através de uma pinça localizada na lateral da carreta, Fagundes diz que os outros equipamentos envolvidos no processo estão sendo desenvolvidos em parceria com as pesquisas que a empresa está fazendo com o CTC, mas não será vendido pela empresa. “O fornecimento da recolhedora está sendo desenvolvido por outra empresa, em parceria com o CTC. Dentro deste projeto, a New Holland oferece o trator e a enfardadora da série BB9000, que acaba sendo o coração do processo, que se divide em uma série de etapas, começando pelo acúmulo da palha gerada após a colheita mecanizada da cana-de-açúcar.” “Em parceria com o CTC também estamos estudando o tipo de fio adequado para a amarração do fardo, pois um fio inadequado pode arrebentar e, se for muito forte, pode dificultar a trituração do material antes da queima nas caldeiras”, destaca Fagundes. Ao chegarem na usina, os fardos são descarregados e desenfardados, operação que faz uma pré-trituração facilitando a separação das impurezas minerais (terra) da palha em uma peneira rotativa. Perticarrari e Pierossi explicam que após esta limpeza, a palha já desenfardada é levada ao triturador onde, após sua trituração, encontra-se do tamanho ideal para a queima nas caldeiras de bagaço sem a necessidade de alteração das caldeiras atuais. E da palha faz-se energia. Ripoli alerta sobre outra opção de recolhimento de palhiço: a colheita inte-

quadrado 1,2 x 0,9 x 2,20 m). A potência do trator que pode ser utilizado é de 150 cv, uma das menores potências do mercancias do, a qual autoriza um custo de óleo diesel reduzido”, conta. A Massey Ferguson também lançou em 2011, a enfardadora MF 2170, que atua em forragem, feno e palha de cana e milho. De acordo com Bellardo, um dos grandes diferenciais está na capacidade de alimentação de palha de forma homogênea, gerando um produto final uniforme. Outro ponto forte e diferencial da máquina é a alta capacidade de processamento e enfardamento, aumentando a eficiência de campo e trazendo ganhos de ordem operacionais e econômicos. “O sistema de amarração dos fardos de nó duplo é também muito avançado. Esse sistema possibilita que em uma mesma operação mecânica seja finalizada a amarração do primeiro fardo e iniciado a do segundo fardo. Além dessa vantagem, a limpeza do sistema de nós duplos tem um conceito tipo turbina acionado hidraulicamente garantindo maior limpeza, menor

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tecnologia agrícola
possam integrar o papel multifuncional da agricultura brasileira e global”, opina. Usinas da região de Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, já estão utilizando a enfardadora Valtra e produzindo até um fardo por minuto, segundo Bellardo. “A enfardadora Challenger LB34B está sendo comercializada nas concessionárias Valtra. Já temos muitas máquinas vendidas, o produto tem tido uma boa aceitação no mercado. A expectatiFigura 2 (Ripoli & Molina Jr. (1998))

va quanto ao crescimento nas vendas é son já comercializa a enfardadora MF 2170 em sua rede de concessionárias. “Como se trata da primeira investida da marca no segmento, uma expectativa de vendas em um número exato não expressaria nossa capacidade de suprir a demanda atual do mercado. Mesmo assim, temos metas otimistas e acreditamos no crescimento contínuo de interesse nesta máquina. Já temos uma máquina Massey Ferguson operando em um cliente e o desempenho tem sido muito satisfatório.” Salaud afirma que a empresa já tem mais de 20 máquinas trabalhando com biomassa no Brasil. Os produtos que estão sendo recolhidos são o palhiço de cana, palha de bracharia, resíduos de cereais e miscanthus, entre outros. “Vale ressaltar que o Grupo Kuhn levou suas enfardadoras LSB em alguns países do continente Africano para recolher o palhiço de cana. De acordo com nossos clientes e parceiros dos projetos voltados a produção de bioenergia, o desempenho das enfardadoras está de acordo com as necessidades do campo e cada vez mais adaptadas às condições de trabalhos difíceis e intensivas.” A expectativa do mercado é muito boa, segundo Salaud. “Hoje em dia, a procura por energia renovável é uma vontade das sociedades de consumo. No entanto, o preço da energia deverá ser revisto para que todos os grandes projetos de bioenergia grande, justamente pelo crescimento da produção de biomassa.”

gral (sistemas de limpeza desligados da colhedora). “O que exige uma estação de pré-limpeza a seco (a Equipav e a Quatá já possuem). Apesar de se diminuir, em média, 10% a densidade de carga, a colheita integral tem a vantagem de levar duas matérias-primas de uma só vez, eliminando custos de aleiramento, enfardamento, carregamento, transporte e descarregamento dos fardos, na usina. É uma opção viável, mas dependerá do grau de envolvimento da usina com a agregação de valor via palhiço.”

FUTURO DA PALHA NA COGER AÇÃO
A bioeletricidade traz uma série de vantagens. Isso é fato. Além de ser um recurso renovável, que polui menos, tem risco e prazo de execução menor e maior facilidade de estimativa de energia a ser gerada, diversificando, mais ainda, a matriz energética nacional. No entanto, a produção e comercialização de bioenergia ainda dependem de alguns fatores. Pierossi acredita que o aumento da utilização da palha de cana-de-açúcar na cogeração de energia depende exclusivamente das condições do mercado de energia elétrica, visto que a solução proposta tem viabilidade técnica e econômica “O Brasil hoje é um ator no palco internacional em fornecer alimentos e possui o potencial para se tornar o grande elo mundial da cadeia produtiva de bioenergia através da palha de cana. A necessidade de desenvolver equipamentos voltados à cogeração de energia se inscreve diretamente neste papel multifuncional da agricultura brasileira, onde a proteção do meio ambiente e novas práticas agrícolas representam os pilares de um novo ciclo do agronegócio”, conclui Salaud.

MERCADO
Fagundes conta que a empresa tem feito testes há mais de um ano e meio em usinas com a participação do CTC e garante: “os resultados são economicamente viáveis.” A expectativa é de que até 2020/2021 quase 100% da palha da cana-de-açúcar apta para retirada já esteja sendo utilizada, em função da proibição da queima da cana-de-açúcar e necessidade da mecanização da colheita. “Os projetos continuam em desenvolvimento e sabemos que a palha poderá ainda ser utilizada para produção de etanol de segunda geração ou mesmo de gases. Além disso, a New Holland desenvolve outros projetos para aproveitamento de outros materiais, como as biomassas florestais e de palha de arroz”, diz Fagundes. Bellardo explica que a Massey Fergu-

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por dentro da usina
com a empresa, com a entrada da Ibiralcool, a Infinity atingirá

por dentro da usina
uma capacidade total de moagem de 9,7 milhões de t de cana em todas as usinas do grupo.

RENUK A INVESTE EM CAPACITAÇÃO
Na primeira quinzena do mês de outubro, o Grupo Renuka do Brasil deu início ao Programa de Capacitação RenovAção, em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar). Os cursos oferecidos aos colaboradores das unidades Equipav e Revati são: Motorista Canavieiro, Eletricista de Manutenção e Mecânico de Manutenção Automotiva. Na primeira semana de aulas, os resultados se mostraram surpreendentes. O colaborador Henrique Meirelles, da Equipav, está estudando para atuar como Eletricista. “As continhas me lembraram a quar ta série. O professor é muito atencioso, discute os assuntos em sala e tem paciência. Estou adorando”, disse. Para os colaboradores da unidade Revati, o curso de Motorista Canavieiro aborda assuntos de interesse geral como liderança, trabalho em equipe e ética. “Gostei

USINA PRODUZIRÁ ETANOL CELULÓSICO NO BR ASIL
O etanol celulósico poderá se tornar uma realidade no Brasil. Isto porque, a primeira planta a ser instalada no País para produzir o chamado etanol de segunda geração, deve entrar em operação em 2013. O projeto, estimado em US$ 75 milhões, é resultado de uma parceria entre a brasileira GraalBio e a Chemtex, empresa que faz parte do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G). Para Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da Unica, a novidade anunciada é peculiar porque pode acelerar o processo da fabricação do etanol celulósico a partir do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. Neste sistema, enzimas são utilizadas para transformar a celulose em açúcares, que depois passam por fermentação e são convertidos em etanol. “Caso as projeções de produção do etanol derivado do uso de biomassa se concretizem, o País poderá ser um dos primeiros no mundo a operar esse tipo de tecnologia em escala comercial,” destaca o consultor da Unica. Segundo Szwarc, esse tipo de tecnologia pode aumentar a produtividade média de uma unidade produtora de etanol convencional em 30% a 40%, em função da disponibilidade da matéria-prima.

MAIS DE 100 USINAS BR ASILEIR AS JÁ PODEM EXPORTAR ETANOL
Desde o início de outubro, 107 usinas sucroenergéticas brasileiras já conseguiram o registro necessário junto à Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency - EPA) dos EUA, para exportar etanol para aquele País. O cadastramento e aprovação de usinas que pretendem exporColaboradores em sala de aula

tar seu produto para os EUA faz parte das exigências do Renewable Fuel Standard (RFS), um conjunto de normas que regula a produção e a utilização de biocombustíveis no território americano. “A EPA já reconhece o etanol brasileiro como um biocombustível avançado, por reduzir em até 91% a emissão de gases que causam o efeito estufa. Este reconhecimento faz do etanol produzido a partir da cana, um produto demandado no mercado americano, o que torna importante que as usinas brasileiras estejam prontas para esta oportunidade,” afirma Leticia Phillips, representante da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) na América do Norte.

da iniciativa da empresa! Quando meu líder me ofereceu, pensei: não posso perder essa oportunidade”, afirma Fábio Leandro Cardoso, da Equipe 11. De acordo com Claudinéia Frioli da Silva, instrutora do Senai, a matéria em sala de aula foca as atividades do negócio, explorando processos desde o plantio até o produto final.
(direta e indireta) de 32,5% na agropecuária. Com a operação, a São Martinho elevou em cerca de 1,5 milhão de t sua capacidade de moagem em São Paulo, um caminho já percorrido no objetivo de agregar entre 5 milhões a 6 milhões de t em sua moagem paulista nos próximos anos. "Nosso desafio de crescer em São Paulo significa aquisições e não é possível determinar o tempo em que isso vai acontecer", diz o presidente da Companhia, Fábio Venturelli. A Santa Cruz, que tem 90% de cana própria, sendo 42% em terras próprias, tem capacidade para moer 4 milhões de t de cana-de-açúcar por safra e uma flexibilidade industrial que permite destinar até 60% do caldo da cana para produzir açúcar ou etanol. A unidade também tem cogeração de 240 mil MWh, dos quais 175 mil MWh já foram vendidos em contratos de 15 anos ao valor de R$ 169 por MWh.

USINAS OBTÊM BONSUCRO
A Copersucar, comercializadora de açúcar e etanol, obteve a certificação Bonsucro para cinco de suas usinas associadas. O selo internacional é uma exigência da União Europeia para exportações dos produtos. Ele garante que o processo de produção cumpre normas de sustentabilidade indispensáveis no mundo corporativo de hoje - critérios ambientais, sociais e trabalhistas. Foram certificadas parte da produção das usinas Quatá, São Manoel, Santa Adélia, Barra Grande e São José, todas no interior paulista. Juntas, elas somam 7,8 milhões de t de cana-de-açúcar certificada, sendo 470 mil t de açúcar e 345 milhões de l de etanol. Trata-se do maior volume já certificado no País. Segundo Paulo Roberto de Souza, presidente-executivo da Copersucar, não foram necessários investimentos nessas unidades para adequação às normas. Para a safra 2012/13, outras 12 usinas associadas deverão ganhar a certificação, o que elevaria o total de cana certificada do grupo para 14 milhões de t, sendo 900 mil t de açúcar.

INFINIT Y-BIOENERGY INICIA OPER AÇÃO
A Infinity-Bioenergy, empresa em recuperação judicial, começou no final de outubro, a operação de processamento de cana-de-açúcar na usina Ibirálcool (Destilaria de Álcool Ibirapuã), localizada em Ibirapuã, no Sul da Bahia. A empresa informou que foram investidos R$ 150 milhões nessa nova unidade, que vai moer na primeira fase 1,2 milhão de t de cana por safra. O plano da empresa, pertencente ao grupo Bertin, prevê a aplicação de mais R$ 400 milhões para triplicar a capacidade de moagem nos próximos quatro anos. A Infinity pretende implantar ainda na unidade baiana, a operação de cogeração de energia com bagaço de cana. De acordo
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SÃO MARTINHO COMPR A 32% DA SANTA CRUZ
O grupo São Martinho anunciou um significativo passo que poderá atender sua meta de aumentar a moagem de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. A empresa comprou por R$ 187,4 milhões uma participação de 32,1% das ações da Santa Cruz Açúcar e Álcool e de 17,9% das ações da Agropecuária Boa Vista, ambas localizadas em Américo Brasiliense, SP. Como a Santa Cruz tem ações da Boa Vista, a São Martinho passou a deter uma participação total
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gestão

gestão

Rodrigo Thadeu de Araújo

Sabemos que risco faz parte de nossas vidas. Existe um grande número de definições e entendimentos para esta palavra, porém para este texto elegemos a definição com base em um dos padrões mais antigos e aceitos no âmbito do gerenciamento de risco que é a norma AS/ NZS 4360, que fundamentou a ISO 31000 que versa sobre Gerenciamento de Riscos. Antes de explanarmos gerenciamento de riscos, é importante reconhecer onde ele está inserido no campo da boa administração, relembrando alguns princípios fundamentais: • realizar um bom negócio - incluindo a gestão de áreas como relações com o cliente, finanças transparente, recursos e gestão de pessoal; • resultados de qualidade - assegurando que os produtos desenvolvidos ou os serviços prestados pela empresa sejam de alta qualidade e padrão; • conformidade - garantindo que o negócio esteja em conformidade com todos os regulamentos necessários (legislação e normas em uma base contínua); • gestão de riscos - proteger o negócio de possíveis ocorrências negativas, bem como reconhecer as oportunidades e capitalizá-las quando surgirem.
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DEFINIÇÃO E GESTÃO DE RISCOS
Qualquer coisa que tenha o risco é inerente à vida. Tudo o que fazemos envolve riscos. Qualquer alteração nos objetivos propostos pela instituição pode ser considerada como risco. Um executivo opta por assumir riscos todos os dias. Muitas vezes, contam com experiência e intuição para gerir o risco. No entanto, quanto mais complexo o negócio, mais importante torna-se a identificação dos riscos que podem impedir uma empresa de realizar seu potencial, a fim de minimizar os resultados adversos e maximizar os resultados positivos. Conforme a padronização neozeolandesa e australiana AS/NZS 4360, que fundamentou a ISO 31000, risco é definido como a possibilidade de alteração ou impacto nos objetivos propostos. Riscos podem ter resultados positivos ou negativos, culminando na falta de uma oportunidade ou em uma perda para um negócio. A gerência de riscos através de ferramentas objetivas e subjetivas fornece elementos ao executivo em sua tomada de decisão nas condições que envolvam diminuição de risco, assunção de riscos, transferência de riscos ou mesmo, quando possível, na eliminação dos mesmos. Existem situações que não são passíveis de controle, por exemplo, acontecimentos naturais como descargas atmosféricas, tornados nas regiões interiores do Brasil, enchentes de proporções não esperadas, baixa umidade do ar, entre outros. São exemplos de riscos que, mesmo se sabendo que não há como ter influência direta em não deixá-los acontecer, é possível que haja condição de ter ciência dos efeitos adversos e estar preparado para tais efeitos, evitando assim o fator surpresa. A análise das ameaças é trabalhosa e é preciso analisar fatos de relevante impacto ao negócio. Com isso, pode-se deixar de lado decisões corriqueiras, para evitar cair no velho paradigma da estagnação por análise, ou seja, analisa, analisa, analisa e quando vai tomar a decisão sobre a ameaça, já ocorreu ou a oportunidade deixou de existir O entendimento da harmonia entre risco, controle e a performance do negócio é importante para a tomada de decisão no
Araújo: “Um executivo op ta por assumir riscos todos os dias”

momento certo, pois decisões sobre alto risco são tomadas visando maiores ganhos, ou então não há propósito na assunção destes riscos. Ao utilizar o gerenciamento de riscos para avaliar quais serão assumidos, transferidos, diminuídos ou mesmo eliminados, tem-se um controle maior sobre as decisões. Cada organização, independente do segmento, cultura ou forma pela qual é dirigida, deve definir sua estratégia para lidar com os riscos.

TIPOS DE RISCO
Cada risco tem sua própria característica distinta, que requer uma gestão específica ou análise. A maioria das pessoas irá reconhecer o óbvio, ou mais evidente: o risco que eles estão enfrentando. Um conceito emergente na gestão de risco é que existem três tipos de riscos: • Risco baseado na incerteza; • Risco baseado na oportunidade; • Risco baseado no perigo.

OPORTUNIDADE BASEADA EM RISCO
Há dois aspectos principais na oportunidade baseada em riscos. O primeiro aspecto é relacionado a não aceitar uma oportunidade e o segundo é relacionado com aceitação de uma oportunidade. Este último é uma decisão consciente para aceitar os riscos identificados associados com uma oportunidade e, em seguida, para implementar processos para minimizar os impactos negativos e maximizar os ganhos.
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gestão
Oportunidades baseadas em risco podem ou não ser visíveis ou fisicamente aparentes. São muitas vezes aspectos financeiros, que podem ter um resultado positivo ou negativo, de curto e longo prazo. • melhora na qualidade do produto ou serviço; • maior eficiência e produtividade;

dicas e novidades

CESTARI E WEG ANUNCIAM JOINT VENTURE
A Cestari e a WEG anunciaram em outubro, a assinatura do acordo para a formação de joint venture para o desenvolvimento, a fabricação e comercialização de redutores e motorredutores. A joint venture entre as empresas vai combinar as soluções de motores elétricos e sistemas de automação industrial oferecidas pela Weg e os redutores de velocidade e motorredutores desenvolvidos pela Cestari em pacotes de soluções integradas. As soluções Power Transmission, que integram motor elétrico, inversor de frequência e redutor de velocidade, são cada vez mais demandadas pelo mercado. “Acreditamos que a joint venture com a Cestari, por sua tradição e reconhecimento de marca, irá contribuir significativamente para nosso crescimento no segmento de Power Transmission”, afirmou o diretor Superintendente da WEG Motores, Siegfried Kreutzfeld. Segundo Alcides Cestari Neto, diretor Superintendente da Cestari, “com a união das duas empresas, teremos um player muito forte no mercado de Power Transmission. Esta joint venture vai permitir aumentar nossa presença de mercado, com a rede de representantes e distribuição da WEG, ampliando nossos canais de venda.”

Três tipos de risco
Cada risco tem sua própria característica distinta, que requer uma gestão específica ou análise. A maioria das pessoas irá reconhecer o óbvio, ou mais evidente: o risco que eles estão enfrentando. Um conceito emergente na gestão de risco é que existem três tipos de riscos: risco baseado na incer teza; risco baseado na opor tunidade; risco baseado no perigo.

• adequação de orçamento para riscos conhecidos; • maior transparência na gestão financeira; • a confiança pessoal é reforçada em um ambiente de trabalho seguro e protegido; • a proteção dos ativos e da viabilidade de longo prazo do negócio; • alinhamento às legislações.

INCERTEZA BASEADA EM RISCO
A incerteza baseada em risco está associada a eventos desconhecidos, inesperados e extremamente difíceis de quantificar. Está intimamente ligada a eventos naturais em que não se tem controle direto ou influência, esperando com isso o desenvolvimento de planos de emergências e planos de continuidade de negócios. Como exemplo desta categoria, tem-se os efeitos sobre os empreendimentos na região serrana no Estado do Rio de Janeiro. Pela sua própria natureza, o desastre e o inesperado são imprevisíveis. Espera-se de um executivo ações de planejamento adequado para minimizar as perdas e garantir a continuidade do negócio.

PROJETO FOCO

LIMITAÇÕES DA GESTÃO DE RISCOS
As limitações da gestão de risco, como em qualquer processo de gestão, devem ser claramente reconhecidas pelos executivos e suas equipes. Não cabe à gestão de risco a tomada de decisão no negócio. Ela é uma ferramenta. Pode ajudar um executivo a tomar decisões. No

Tão importante quanto iniciar um projeto cultural é consideno Museu de Arte Moderna de São Paulo, a terceira e última edição de 2011 do Projeto Foco, idealizado pela Santiago & Cintra. Depois do sucesso das duas primeiras etapas, o projeto foi enescolhidos a dedo para discorrer sobre o assunto, de acordo com

rar que ele precisa ser concluído com êxito, por isso, aconteceu

cerrado com o tema “Precisão”. Especialistas de mercado foram sua área de atuação. A palestra que abriu o evento foi ministra-

da pelo empresário Victor Campanelli, que iniciou o programa com uma introdução ao conceito de “Agricultura de Precisão” e o impacto desta forma de produção na economia e na vida co-

acontecimento. Após isso, torna-se mais eficaz a confecção de políticas de segurança, protocolos, normas para se minimizar ou excluir tais riscos.

entanto, essas decisões serão limitadas pela profundidade da pesquisa e análise de risco, pelos indivíduos envolvidos na avaliação de risco, levando em consideração a técnica e a experiência, pelas mudanças rápidas e inesperadas de cenários, entre outros. A gestão de riscos não garante que os acidentes não acontecerão. Errar é humano e onde os seres humanos estão envolvidos há sempre a possibilidade de acontecimentos adversos. Cabe minimizar estas possibilidades de falha. O gerenciamento de riscos através da análise deve tentar identificar todos os riscos significativos, mas será limitado pelos recursos disponíveis, incluindo as informações em mãos, o envolvimento das partes interessadas, tempo e orçamento. Como explanado acima, um bom sistema de gerenciamento de risco é dependente de um grande volume de informações de diversos setores do negócio, informações e análise do ambiente interno empresarial e também do ambiente externo.
* Oficial do Corpo de Bombeiros e Professor Mestre na Disciplina Gestão de Riscos da Uniseb COC (caprodrigoaraujo@uol.com.br)

tidiana, a partir de sua experiência com geotecnologias no País. jornalista, crítico de gastronomia e também apresentador do pro-

RISCO BASEADO NO PERIGO
É relacionado com uma fonte de perigo potencial ou uma situação com potencial para causar danos. Este é o mais comum associado com gestão de riscos empresariais, sendo tratado pelos departamentos de Saúde, Meio Ambiente e Segurança. Nessa categoria, encontra-se: • Riscos de fogo/explosão; • Riscos de emergências químicas; • Riscos de acidentes ambientais; • Riscos patrimoniais, como invasões, roubos, fraudes, desvios, entre outros; • Riscos ergonômicos; • Riscos de atividades perigosas, como trabalhos em espaços confinados, alta tensão, abastecimento de inflamáveis; • Riscos jurídicos, como o crescimento de passivos trabalhistas, entre outros. Tais riscos podem ser matriciados com maior facilidade, levando em consideração o impacto financeiro e a probabilidade de

A terceira edição foi marcada pela participação especial do

POR QUE GERENCIAR RISCOS?
A gestão de riscos possui vários benefícios transcritos a seguir: • melhoria das relações com as partes interessadas, como acionistas, clientes, colaboradores, fornecedores e governo; • maior planejamento de negócios, alinhado à realização de objetivos ; • maior vantagem competitiva;

BONFIGLIOLI JÁ ATENDE TODO O PAÍS COM CENTROS DE SERVIÇOS AUTORIZ ADOS
A unidade brasileira do Grupo Bonfiglioli dá mais um passo ao firmar parcerias estratégicas com as empresas Transmiservice e Comambor/Mecanizza para a execução dos serviços de assistência técnica de toda a linha de redutores de velocidade da marca. Os dois Centros de Serviços Autorizados estão capacitados para atendimento 24 horas em todo o Território Nacional. Na sede da TransmiService, em Sertãozinho, SP, são realizados serviços completos como, desmontagem dos redutores, avaliação dos componentes, substituição das peças, pintura, entre outros. Os clientes também podem ser atendidos em campo, onde são feitos laudos e peritagem de equipamentos, acompanhamento de start-up, testes de funcionamento e ensaios não destrutivos dos produtos. E no Centro de Serviço Comanbor/Mecanizza, os técnicos executam o monitoramento de fluído, ou seja, o controle de contaminação em sistema de óleo hidráulico, com aparelhos de avançada tecnologia como o contador de partículas a laser, utilizados nos produtos Trasmital Mobile da Bonfiglioli. Técnicos da Transmiservice e da Comanbor/Mecanizza já participaram de um treinamento com a equipe da Bonfiglioli do Brasil para conhecer todas as especificações dos produtos.

grama O Guia, do canal National Geographic, Josimar Melo, que

abordou a relação entre comida e cultura partindo da culinária

contemporânea de alta precisão, a chamada “cozinha molecular”. a importância da cultivação. Ono contou um pouco da sua hisde precisão com a terra.

O evento encerrou com o agricultor Hatsu Ono, que falou sobre tória de pequeno agricultor, para em seguida abordar a relação

SHINER AY ANUNCIA MOTOS FLEX
A montadora chinesa Shineray Motorcycles promete disputar com a Honda o mercado nacional de motocicletas flex fuel a partir de 2013, quando concluir a construção de uma fábrica no Complexo Portuário de Suape, PE. A novidade foi anunciada oficialmente pela montadora durante a 11ª edição do Salão Duas Rodas, realizado em São Paulo no mês de outubro. “O Brasil representa uma oportunidade de negócio sustentável no segmento de duas rodas, já que atualmente cerca de metade das motos vendidas no País são flex. E a chegada de mais uma marca ilustra bem este quadro,” comenta o consultor de Emissões e Tecnologia da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Alfred Szwarc.

Minimizar adversidades, maximizar pontos positivos
Quanto mais complexo o negócio, mais impor tante torna-se a identificação dos riscos que podem impedir uma empresa de realizar seu potencial, a fim de minimizar os resultados adversos e ma ximizar os resultados positivos.

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dicas e novidades

dicas e novidades
ESPECIALISTAS DEBATEM QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA
Cerca de 120 profissionais do setor sucroenergético se reuniram no início do mês de novembro na cidade de Ribeirão Preto, SP, a convite da DuPont. A companhia patrocinou a vinda de especialistas para tratar da produção de matéria-prima de qualidade nas lavouras de cana-de-açúcar. O evento contou com a presença do consultor Luis Carlos Corrêa de Carvalho (Caio), da Canaplan. Ele coordenou uma apresentação intitulada "Perspectivas, ameaças e oportunidades ao setor sucroenergético". O especialista Rudimar Cherubim, da empresa Fermentec, focalizou a qualidade da matéria-prima cana-de-açúcar tendo em vista as projeções para o setor sucroenergético na safra 2012/13, com ênfase principal no processo produtivo de açúcar, etanol e energia em "Qualidade da matéria-prima e impacto no processo industrial na safra 2012/13". Já o professor da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Paulo Centelhas, conduziu o painel "Monitoramento agroclimático e tomadas de decisões na cultura da cana-de-açúcar". No encerramento do evento, a equipe da DuPont Produtos Agrícolas abordou a tecnologia de seu maturador e gerenciador de colheita Curavial. “Temos um compromisso com a qualidade da matéria-prima produzida nos canaviais brasileiros e uma sólida parceria com as empresas do setor sucroenergético”, ressaltou Manoel Pedrosa, gerente de Marketing da DuPont para cana-de-açúcar.

dicas e novidades
AMYRIS FECHA ACORDO COM ETH
A norte-americana Amyris fechou um acordo com a brasileira ETH Bioenergia, empresa de etanol do grupo Odebrecht, para a produção de um químico renovável que pode servir de matéria-prima para óleo diesel. De acordo com divulgação feita pelas empresas, a joint venture formada pelas empresas terá acesso a um volume de moagem de 2 milhões de t de cana por ano em uma das unidades greenfield que a ETH está construindo no Brasil. O objetivo da iniciativa é a produção, a partir do caldo da cana-de-açúcar, do Biofene, nome dado pela Amyris para o farneseno renovável, matéria-prima que pode ser utilizada para a produção de cosméticos, lubrificantes, combustível de aviação, óleo diesel, entre outros usos. A joint venture será controlada pela ETH e a Amyris e terá direitos exclusivos sobre a comercialização do farneseno a ser produzido. "Por meio desta joint venture com a ETH, e com outros acordos já fechados no Brasil, a Amyris tem agora acesso a 15 milhões de t de moagem de cana para alimentar nossa produção", afirmou no comunicado John Melo, presidente-executivo da empresa.

ACIDENTES DE TR ABALHO TÊM REDUÇÃO
Segundo o último levantamento realizado pela Previdência Social, o número de acidentes de trabalho em 2010 caiu em relação a 2009, passando de 733.365 para 701.496. No entanto, o número de mortes aumentou de 2.560 para 2.712 em 2010. E os acidentes de trabalho de trajeto, que ocorrem nos deslocamentos do trabalhador, tiveram aumento e passaram de 90 mil para aproximadamente 94 mil em 2010. De acordo com Luis Augusto de Bruin, advogado especialista em Direito do Trabalho e palestrante sobre segurança do trabalho para a marca Bracol, fabricante de equipamentos de proteção individual da holding BSB, os números refletem diminuição na frequência dos acidentes que, em contrapartida, ocorreram com maior gravidade. “Medidas têm sido tomadas para reduzir pequenas ocorrências do cotidiano, mas é preciso atenção as grandes também, que têm aumentado. Há a necessidade de investimentos maiores”, avalia. Em 2012, a Bracol continua a promover palestras com trabalhadores e técnicos de segurança do trabalho. O tema será “A gestão do Fator Acidentário de Prevenção e do Nexo Técnico Epidemiológico para a redução do passivo acidentário”.

dicas e novidades

José Tadeu de Oliveira, diretor técnico da Soly vent do Brasil, parceira da Bruma zi, falou sobre a alta eficiência em exaustão e ventilação para caldeiras.

BRUMA ZI PARTICIPA DO SEMINÁRIO BR ASILEIRO AGROINDUSTRIAL
No final do mês de outubro, a Brumazi participou do

12º Seminário Brasileiro Agroindustrial, que esse ano teve como tema a Usina com Sustentabilidade. Na ocasião, o diretor técnico da Solyvent do Brasil, parceira da Brumazi, José Tadeu de Oliveira, falou sobre a alta eficiência em exaustão e ventilação para caldeiras. “Eficiência em um ventilador é todo o conjunto da máquina, isto é, não só o baixo consumo de energia. Quando selecionamos um ventilador tentamos buscar seu ponto máximo de eficiência”, diz Oliveira. Ele ainda enfatizou a importância da análise e aplicação correta de cada ventilador ou exaustor para cada aplicação na caldeira, o tipo de controle, a estabilidade e a confiabilidade no processo, baixa manutenção e baixo ruído.

FMC É A MAIS NOVA PARCEIR A DO PROJETO RENOVAÇÃO
A FMC, fabricante de inseticidas, herbicidas e fungicidas é a mais nova integrante do Projeto RenovAção, iniciativa desenvolvida pela Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) e a Feraesp (Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados do Estado de São Paulo) para requalificar cortadores de cana em função do avanço da colheita mecanizada da cana. “Participar deste projeto é uma grande honra para a FMC, por ser um trabalho totalmente alinhado com o principal objetivo da empresa, que é ser uma grande parceira das usinas, ajudando nossos clientes a produzir mais e melhor,” afirma João Gonçalves, gerente para Marketing de Cana da FMC. Com a adesão ao RenovAção, a FMC intensifica suas atividades junto ao setor sucroenergético, já que a empresa também está entre as oito empresas e 11 entidades que participam do Projeto Agora.
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CAMINHÃO A ETANOL
A Scania, empresa que já vende ônibus movidos a etanol, passa a fabricar no Brasil veículos para o segmento de distribuição. O modelo reduz 90% das emissões de carbono, segundo Christopher Podgorski, vice-presidente da empresa na América Latina. “Nosso cliente, o transportador, começa a receber demanda de seus clientes, do setor farmacêutico, supermercadista e outros, por soluções ambientalmente responsáveis. É uma demanda crescente”, diz. A empresa irá fazer também um lançamento mundial de outros motores que atendem às novas regulamentações de emissão de poluentes no País. “O Brasil ganhou importância nas operações da empresa. Cerca de 25% dos resultados estão atrelados à America Latina hoje", disse Podgorski.
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atualidades jurídicas atualidades jurídicas atualidades jurídicas

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DIREITO CIVIL DIREITO DO TR ABALHO

atualidades jurídicas

EMPREGADA É DEMITIDA POR UTILIZAR DOCUMENTOS SIGILOSOS EM AÇÃO TR ABALHISTA
Empregado que tira cópias de prontuários médicos de pacientes do hospital em que trabalha a fim de utilizá-los como prova em processo judicial pode ser demitido por justa causa. Essa foi a decisão da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST). No caso, uma ex-funcionária de um hospital usou cópias de prontuários para demonstrar os tipos de doenças com as quais mantinha contato no local de prestação de serviço e, assim, justificar seu pedido de recebimento de adicional de insalubridade em grau máximo na Justiça do Trabalho. Por isso, foi demitida por justa causa e buscou indenização por danos morais. Em primeira instância, foi confirmada a validade da justa causa e negou-se a indenização por danos morais requerida pela trabalhadora. Ao contrário do alegado pela empregada, o juiz considerou desnecessária a realização de sindicância, na medida em que havia prova bastante da conduta faltosa da profissional. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, RS, também manteve a decisão, con-

cluindo que as provas existentes nos autos eram suficientes para manutenção da dispensa por justa causa. Inconformada com o resultado, a trabalhadora entrou com um agravo de instrumento no TST para tentar rediscutir a questão por meio de um recurso de revista que havia sido barrado no Regional. Disse que tirara as cópias dos prontuários apenas para exemplificar para a advogada as tarefas que desempenhava no setor, e não imaginava que seriam utilizadas como prova documental no processo judicial em que requereu o pagamento de adicional de insalubridade. Durante o julgamento o TST observou que os fatos descritos pelo Regional corroboravam a existência de falta grave cometida pela trabalhadora. Segundo o entendimento, a empregada poderia ter utilizado prova pericial para demonstrar o seu direito ao adicional, sem necessidade de divulgar documentos sigilosos. Por fim, a Sexta Turma, em decisão unânime, negou provimento ao agravo de instrumento da empregada.

SUDESTE CONCENTR A MAIOR NÚMERO DE INTERESSADOS EM ADOTAR UMA CRIANÇA
Grande parte das cerca de 26 mil pessoas interessadas em adotar no Brasil reside na Região Sudeste, é casada e tem renda superior a três salários mínimos. É o que mostra o levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), realizado no mês de outubro. O banco de dados foi criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para reunir informações sobre as crianças e adolescentes disponíveis para adoção, assim como dados sobre os pretendes. O objetivo é traçar o perfil dos cadastrados, possibilitar um raio-X do sistema de adoção no País, permitir políticas públicas na área e agilizar os processos judiciais. De acordo com o CNA, chega a 26.936 o número de pretendentes em todo o País. Esse número é bem maior que o de crianças ou adolescentes disponíveis – 4.900 no total, segundo o último levantamento. O CNA também evidencia que as exigências dos pretendentes ainda consistem nos principais empecilhos para a recolocação das crianças e adolescentes disponíveis no Cadastro em uma nova família. De acordo com o CNA, apenas 33,7% dos cadastrados aceitam crianças negras, por exemplo. Das 4.900 crianças cadastradas, no entanto, 2.272 (ou 46,3%) são pardas. Outras 916 (ou 18,6%) são negras, 35 (ou 0,7%) amarelas e 29 (0,5%) indígenas. Brancos somam 1.657 (ou 33,8%). A maior parte também se recusa a adotar grupos de irmãos (82,9% dos cadastrados querem apenas uma criança). Outra restrição está relacionada à idade. O interesse por crianças com mais de seis anos cai consideravelmente, de acordo com o cadastro, ficando abaixo dos 3% segundo o Cadastro Nacional de Adoção.

PROPRIEDADE INTELECTUAL O DESPERTAR AGROINDUSTRIAL PAR A A INOVAÇÃO, MAS NÃO PAR A A PROTEÇÃO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL
Projetos relacionados às áreas agrícola, industrial e de aplicação de produtos derivados da cana ganham notoriedade no Prêmio TOP Etanol 2012. A iniciativa é do Projeto AGORA que desde 2009 reconhece e incentiva as pesquisas, o desenvolvimento e a inovação que agreguem valor ao setor sucroenergético. O 3º Prêmio TOP Etanol receberá inscrições até o dia 29 de fevereiro de 2012 e com três modalidades previstas em seu regulamento: Energia Industrial, Insumo Industrial para Produção de Bioplásticos e Transportes. Iniciativas como esta alinham duas tendências globais: a da sustentabilidade e da inovação. Entretanto, é importante ressaltar que dentre estes projetos inovadores que serão submetidos podem estar presentes produtos ou processos passíveis de privilégio invenção, seja a patente, o modelo de utilidade ou mesmo um diferencial competitivo protegido pelo “trade secret”. De acordo com o artigo 8º. da Lei 9.279/96, três são os requisitos básicos para a concessão da exclusividade: novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Isso significa que qualquer publicação antes do depósito do pedido prejudica a patente. Por isso, recomenda-se primeiro a proteção e depois a publicação ou divulgação da inovação tecnológica. O regulamento do Prêmio pode ser encontrado no endereço eletrônico: http://www.projetoagora.com.br/premiotopetanol/regulamento-inovacao-tecnologica.php

DIREITO AMBIENTAL plementações dos estudos ambientais uma única vez. Os emPACOTE DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL preendedores também terão uma única oportunidade para SIMPLIFICA TRÂMITES
Foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) um pacote de regras e novos prazos para simplificar o processo de licenciamento ambiental de obras de infraestrutura. A partir de agora, quatro órgãos frequentemente ouvidos no licenciamento de obras (o Ministério da Saúde, a Funai, o Iphan e a Fundação Palmares) terão prazo de 60 dias para se manifestar sobre os estudos de impacto ambiental enviados pelos empreendedores. O próprio Ibama, com as novas medidas, só poderá pedir com52 52

responder. Depois disso, o Ibama deverá aprovar ou indeferir a licença, mas sem novas trocas de documentos. O Ibama tem hoje 1.829 processos de licenciamento ambiental em diferentes fases (licença prévia, de instalação e de operação). Até outubro, havia 414 licenças dadas em 2011. É uma média de 2,2 licenças por dia útil. O órgão tem hoje 382 analistas trabalhando na área, 60% dos quais têm especialização, mestrado ou doutorado.
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Petroni ao lado do então presidente Lula durante inauguração da Fábrica de Biodiesel da Usina Barralcool em 2007

Recebendo, pelo terceiro ano consecutivo, o certificado de Responsabilidade Social pelo Governo do Estado do Mato Grosso

moídas as primeiras canas da usina. “A primeira safra tinha capacidade instalada de produção de 180 mil l de etanol/dia, com moagem total de 35 mil t de cana-de-açúcar, produzindo no período 2, 4 milhões l de álcool hidratado. Em 1994 iniciávamos a nossa produção de açúcar cristal.” Vinte e três anos depois da primeira moagem de cana-de-açúcar do Grupo, um novo sonho se tornou realidade. E mais uma vez, o pioneirismo marcou a nova conquista da empresa. Em novembro de 2006 entrou em funcionamento a primeira

usina de biodiesel do mundo integrada a uma unidade sucroalcooleira. Segundo Petroni, o investimento efetuado pela Barralcool foi possível porque a empresa acreditava na evolução dos biocombustíveis. “O Projeto Biodiesel Barralcool começou bem antes do marco regulatório do início do programa, que começou em 2005. Se deu através da empresa Ecomat, localizada em Cuiabá, MT. Os estudos foram iniciados no ano de 2000. No começo, a pesquisa e os testes estavam sendo realizados com um aditivo que permi-

JOÃO NICOLAU PETRONI
Idade 80 anos Estado Civil Casado há 59 anos e tem quatro filhos Naturalidade Birigui, SP Cargo Diretor Presidente da Usina Barralcool Hobbies Jogar baralho com os amigos Filosofia de vida Foco no trabalho e dedicação à família

A história de vida deste executivo certamente daria um bom livro. Segundo ele mesmo, sua trajetória só foi possível com “muito suor, trabalho e dedicação.” João Nicolau Petroni, diretor presidente da Usina Barralcool, tem uma vida marcada pelo pioneirismo. Começou sua vida profissional trabalhando com algodão em terras arrendadas em São Paulo. Mas, em busca de novas possibilidades, decidiu desbravar novas terras. Foi para o Mato Grosso e, com os incentivos do Proálcool, tomou frente de um novo negócio. Reuniu alguns amigos da região de Barra do Bugres e incentivou-os a fazer parte de seu sonho: produzir etanol. Petroni conta que sempre teve em mente que o álcool era o primo do petróleo e via nele grandes possibilidades. Em uma espécie de cooperativa, em 1980, Petroni e outros empresários fundavam a Usina Barralcool em Barra do Bugres, MT. “Éramos empresários que acreditavam no setor. Tínhamos perspectivas de geração de divisas e empregos para o município.” Com muito empenho, em 1983, foram
Petr oni: “Consegui além do que esperava. Eu tenho vários projetos a longo prazo. Minha idade não prende meus sonhos!”

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lumbrem o crescimento do setor ao longo do tempo. Hoje o Brasil tem mais que o dobro de capacidade de produção em relação a demanda que está em torno de 2,6 bilhões /ano”, destaca Petroni. A perspectiva do grupo é fechar a safra atual com 3,2 milhões t de cana e atingir na próxima safra (2012/2013), 2,4 milhões de t de cana. “Este ano tivemos uma redução quanto a matéria-prima por fatores climáticos, mas ao mesmo tempo tivemos um melhor retorno do mercado em relação a última safra. Para os próximos anos, queremos melhorar a retirada de palha da cana do processo industrial, secar, picar e produzir energia para agregar valor ao nosso produto. Hoje, a usina tem uma cogeração anual de 100
Em 1983 nascia a Barralcool

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Atualmente, além dos cuidados com o solo durante o plantio, a usina produz em seu viveiro espécies para reflorestamento. Já foi realizado o plantio de mais de 800 mil mudas nativas nas matas ciliares. “Os projetos ambientais e a parceria com a comunidade caminham juntos na empresa. Temos parcerias com escolas, o que nos incentiva sempre a buscar inovações para esta área. Crescer com sustentabilidade é nosso foco”, enfatiza Petroni. adora jogar com os amigos um jogo de baralho chamado “pontinho”. Além da companhia dos amigos, gosta muito de andar a cavalo. Mas, relembrando o passado, revela que seus passatempos prediletos eram jogar futebol e dançar. “Além disso, gosto muito de viajar. Já fui ao Chile, Cuba, Estados Unidos. Agora pretendo conhecer a Itália”, diz. Foco no trabalho e dedicação a família é o que preconiza a trajetória de vida deste executivo que se diz ser um homem realizado. “Consegui além do que esperava. E ainda tenho vários projetos a longo prazo. Minha idade não prende meus sonhos! O importante na vida e no trabalho não é ser, ter ou aparecer. O importante é fazer, construir e desenvolver com coragem, energia, confiança, otimismo e fé em Deus”, declara. Ele faz questão de deixar um recado ao colegas que, certamente, têm um caminho longo pela frente. “Há 30 anos, falávamos que o álcool era o primo do petróleo e hoje vemos que a cana-deaçúcar é capaz de gerar itens que até então eram impensáveis; garrafa pet, celular, osso para implante de globo ocular, entre outras milhares de possibilidades. Vejo um mercado crescente e favorável para nosso setor, portanto temos que ter coragem de arriscar e seguir em frente, pois a demanda que temos a atender é visivelmente crescente. Muito trabalho e dedicação é o que desejo a todos”, conclui.

OITENTA ANOS DE MUITA ENERGIA
Muitas pessoas que vivem na “melhor idade” dizem que o segredo para se manter com um espírito jovem e ativo é estar com a mente sempre ocupada e disposta. Para Petroni, o que lhe faz rejuvenescer a cada dia é estar envolvido com seu trabalho na usina e ter o poder de tomar decisões. “Sempre acordo às quatro e meia da manhã, tomo café, passo para dar uma olhada na fazenda e em seguida parto para as lavouras. Faço questão de conversar com nossos colaboradores, pois quem está na linha de frente tem uma outra visão para nos passar. Depois, vou para usina e lá passo o dia envolvido em compromissos da diretoria e na tomada de decisões. Isso me faz rejuvenescer”, revela. Mesmo quando sobra um tempo, ele aproveita para continuar exercitando a mente. Para relaxar a cabeça, Petroni conta que

mil MW/ ano.” Dois mil e onze foi um ano de muita comemoração. Não só dos 80 anos de vida completados por Petroni, como também de mais de 28 anos de investimentos em desenvolvimento, melhorias nos serviços, equipamentos, produtos e capital humano. “As nossas atividades são pautadas na honestidade e no comprometimento, na defesa pelos princípios de respeito à vida humana, em respeito às leis, estatutos, regulamentações e adoções de práticas de proteção ao bem-estar das pessoas e do meio ambiente”, comemora o executivo.

tia o uso da mistura de álcool ao diesel de petróleo. Mas, logo após a academia começar a falar em biodiesel, a Ecomat fez as primeiras experiências com este produto em laboratório. Como a empresa era formada por mais sócios e a Barralcool, sendo que os mesmos não quiseram fazer investimentos para adequação da produção para aumentar a capacidade de biodiesel para dar viabilidade à mesma, a Barralcool tomou a decisão de investir com a integração de uma unidade de produção de biodiesel a uma usina de álcool e açúcar”, conta o executivo. A unidade foi implantada pela empresa Dedini e conta com tecnologia de ponta, desenvolvida pela empresa italiana Balestra. A planta de biodiesel tem uma série de características inovadoras e conceito completo, com o tratamento das matérias-primas, podendo utilizar qualquer tipo de óleo vegetal e gordura animal, aproveitando da melhor forma os subprodutos como é o caso do tratamento da glicerina. A fabricação de biodiesel pode ser efetuada com o processo de transesterificação e esterificação. A unidade segue padrões internacionais de segurança e tem capacidade de produção de 194 m³ de biodiesel/dia. "Nós acreditamos no Programa Nacional de Biocombustíveis e, imbuídos de idealismo, passamos a ser mais um elo da corrente que busca sustentar a batalha alternativa ao petróleo.” A empresa possui o Selo Social do Biodiesel do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), em função do trabalho que vem realizando junto a agricultura familiar do Estado, prestando assistência técnica e garantia de compra de produtos. “Estamos produzindo atualmente em torno de 28 mil m³/ ano. A expectativa é que o mercado de biocombustíveis avance e substitua em um maior número a demanda por combustíveis derivados de petróleo pelas questões ambientais visando o bem da população atual e das futuras gerações. Para que isso ocorra com o biodiesel é preciso que o governo, através das políticas públicas para o setor de biocombustíveis, dê um direcionamento a longo prazo, com a instituição de marcos regulatórios que vis-

CRESCER COM SUSTENTABILIDADE
Atualmente a Barralcool tem seu processo agrícola 70% mecanizado, desde o plantio até a colheita. A preocupação em tocar projetos ambientais dentro da usina parece ser um dos principais focos da empresa. Petroni destaca o PGRSI (Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Industriais), um programa que orienta sobre a classificação e quantificação dos resíduos sólidos gerados em cada etapa do processo, englobando atividades principais e de apoio. “Tornando o manejo rigoroso, reduzindo o desperdício e estimulando a agregação de valor, são mantidas parcerias com empresas de reciclagem de embalagens plásticas e materiais que não podem ser dispostos de maneira convencional. Eles são encaminhados para usinas de co-processamento em fornos de clínquer (cimenteiras) licenciadas fora do Estado. A Barralcool é a única no segmento, dentro do Estado de Mato de Grosso, que possui MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) entre Estados, já autorizado pela Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), para aquisição do primeiro certificado de destruição térmica de resíduos perigosos”, salienta. A fertirrigação de canaviais é outra ação levada a sério pelo Grupo. “Com a fertirrigação foi possível a substituição total ou parcial da adubação mineral convencional, aproveitando o grande potencial fertilizante da vinhaça para realizar a reciclagem de nutrientes. Tivemos aumento médio de 2 a 5 t/ha da produtividade agrícola das socarias de cana-de-açúcar, em função disso.”

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NOVAS ESPÉCIES PAR A O CULTIVO
O IAC (Instituto Agronômico de Campinas) tem levado a ciência para a plantação ao interferir em cruzamentos genéticos para criar novas espécies. O obos jetivo, de acordo com o pesquisador e coordenador do Programa Cana do IAC, Marcos Landell, é desenvolver outros tipos de cana-de-açúcar mais adaptados às necessidades atuais e futuras, como maior resistência ao clima ou mais biomassa. Segundo Landell, neste ano, serão produzidos 400 mil tipos de cana diferentes a partir de cruzamentos feitos na nova área de pesquisa do instituto na Bahia. Pesquisas feitas há mais de dez anos permitiram que fossem desenvolvidos tipos de cana que produziam mais álcool por hectare - de 60 l para cerca de 100 l do combustível, segundo Landell. O esforço é desenvolver novos tipos para se adaptar ao clima seco.

ETANOL CHEGA À ANTÁRTICA
No início de novembro chegaram os primeiros carregamentos de etanol, fornecido pela Petrobras, para a produção de energia elétrica na Estação Antártica Comandante Ferraz, na Antártica. O etanol e o motogerador da Vale Soluções em Energia (VSE) - que vai gerar a energia a partir do etanol - partiram do Brasil em outubro. Com a chegada do material, terá início um programa científico que tornará o Brasil o primeiro País do mundo a utilizar biocombustível para produção de energia no continente antártico. A iniciativa faz parte do acordo de cooperação científico-tecnológico entre a Petrobras, a VSE e a Marinha do Brasil. A empresa fornecerá os 350 mil l de etanol necessários à operação e, por meio de acompanhamento tecnológico, validará a utilização do etanol em condições de baixa temperatura.

TAILÂNDIA USA ÔNIBUS A ETANOL
Após uma série de testes bem sucedidos com ônibus movidos a etanol, o governo da Tailândia deve adotar oficialmente o combustível renovável em sua frota de veículos urbanos, algo inédito na Ásia, embora ainda sem data definida para implementação. O consultor de Emissões e Tecnologia da Unica (União da indústria de Cana-de-Açúcar), Alfred Szwarc explica que, em comparação com a gasolina e o diesel, o etanol renovável pode diminuir em 70% a 80% a quantidade de dióxido de carbono gerada pela combustão em veículos pesados. A adoção definitiva do etanol na frota de ônibus tailandesa ainda deverá demorar alguns meses até ser aprovada pelo governo do País. O projeto está previsto para a capital, Bancoc.

DOW E MITSUI CONCLUEM JOINT VENTURE
A norte-americana Dow Chemical e a japonesa Mitsui obtiveram todas as autorizações regulatórias necessárias e concluíram a formação de uma joint venture em uma plataforma de biopolímeros no Brasil para aplicações nas áreas de medicina, higiene e embalagens. De acordo com a Dow Chemical, a Mitsui terá uma participação de 50% na operação da empresa norte-americana localizada em Santa Vitória, MS. O alcance inicial da joint venture, anunciada originalmente em julho, inclui a produção de etanol de cana-de-açúcar para uso como fonte de matéria-prima de biomassa renovável. A expectativa é que as operações tenham início no segundo trimestre de 2013.

51% PAR A PRODUÇÃO DE ETANOL
A Unica estima que 51,8% da cana projetada para a safra 2011/2012 serão utilizados para produção de etanol, e 48,1% terão como destino a produção de açúcar. Com isso, a produção de açúcar deverá atingir 30,8 milhões de t, queda de 8% em relação aos 33,5 milhões de t produzidas na safra 2010/2011. Os dados foram divulgados pela entidade durante balanço promovido pela instituição. Já a produção de etanol, deverá totalizar 20,3 bilhões de l, queda de 19,6% sobre os 25,3 bilhões de l da safra anterior. Do total a ser produzido nesta safra, 7,8 bilhões de l serão de etanol anidro e 12,5 bilhões de hidratado. De acordo com o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, a evolução da produção está sendo acompanhada de perto por todos os agentes e existe consenso de que, mantida a tendência de vendas, os valores projetados, em especial para o etanol anidro, são suficientes para atender plenamente o mercado doméstico até o início da próxima safra.

USINAS JÁ DETÊM SELO PAR A EXPORTAR À UE
A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) informou que sete usinas de açúcar e álcool do Centro-Sul já receberam a certificação mundial da Bonsucro (Better Sugarcane Initiative). O selo é uma exigência da União Europeia ao importar esses produtos e garante que o processo de produção cumpre critérios de sustentabilidade ambientais, sociais e trabalhistas. O selo foi lançado há cerca de quatro meses e já certifica a produção das usinas Quatá, São José, Barra Grande, que compõem o Grupo Zilor; Usina Maracaí, do Grupo Raízen; Usina Equipav, do Grupo Renuka; Usinas São Manoel e Santa Adélia. O processo de certificação foi criado para estabelecer princípios e critérios socioambientais nas regiões de cultivo de cana em todo o mundo.

ERR ATA
Na edição 131, na página 06 da matéria especial “Plantar ou Plantar” foi publicado erroneamente o nome do Grupo Jalles Machado, quando o correto é Usinas Itamarati.

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