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Poder Judiciário da União Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios Órgão 2ª Turma Criminal   Processo N.

Órgão

2ª Turma Criminal

 

Processo N.

Apelação Criminal 20080910230596APR

Apelante(s)

JUCLEAN PEDRO DA SILVA JÚNIOR E OUTROS

Apelado(s)

MINISTÉRIO

PÚBLICO

DO

DISTRITO

FEDERAL

E

Relator

TERRITÓRIOS Desembargador SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS

Revisor

Desembargador ALFEU MACHADO

Acórdão Nº

451.185

E M E N T A

APELAÇÃO CRIMINAL. PENAL. CRIME DE ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO CONCURSO DE AGENTES. ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE PROVAS PARA FUNDAMENTAR DECRETO CONDENATÓRIO. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. DEPOIMENTO DAS TESTEMUNHAS QUE COMPROVAM A AUTORIA E

MATERIALIDADE DO DELITO. LIAME SUBJETIVO. RECURSOS DESPROVIDOS.

1. Não há que falar em insuficiência de provas para fundamentar decreto

condenatório, quando as provas colhidas são harmônicas e coesas, comprovando autoria e materialidade do delito.

2. A autoria do delito não pode ser imputada somente a quem o pratica de forma

direta, mas também àquele que dá apoio logístico para o sucesso da empreitada.

3. Havendo provas robustas apontando pela adesão de condutas entre os

comparsas, não há que falar em inexistência de liame subjetivo.

4. Recursos desprovidos.

Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRCadesão de condutas entre os comparsas, não há que falar em inexistência de liame subjetivo. 4.

APELAÇÃO CRIMINAL 2008 09 1 023059-6 APR

A C Ó R D Ã O

Acordam os Senhores Desembargadores da 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS - Relator, ALFEU MACHADO - Revisor, ROBERVAL CASEMIRO BELINATI - Vogal, sob a Presidência do Senhor Desembargador ROBERVAL CASEMIRO BELINATI, em proferir a seguinte decisão: NEGAR PROVIMENTO. UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas.

Brasília (DF), 23 de setembro de 2010

notas taquigráficas. Brasília (DF), 23 de setembro de 2010 Certificado nº: 61 70 62 C0 00

Certificado nº: 61 70 62 C0 00 05 00 00 0F 2E 30/09/2010 - 15:10

Desembargador SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS Relator

- 15:10 Desembargador SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS Relator Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC

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R E L A T Ó R I O

Pela r. sentença de fls. 243-255, cujo relatório se adota como complemento, proferida pela ilustre autoridade judiciária da 2ª Vara Criminal da Circunscrição Judiciária de Samambaia, foram condenados os seguintes réus:

-JUCLEAN PEDRO DA SILVA JÚNIOR e

-MICHAEL MARQUES DO NASCIMENTO.

Ambos incursos no art. 157, § 2º, inciso II, do Código Penal, à pena de 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 15 (quinze) dias multa, padrão unitário no mínimo legal.

O evento ocorreu na data de 3-dezembro-2008, por volta das

21h30min, próximo à Quadra 203, conjunto 2, em via pública, quando em comum acordo, os réus subtraíram, com emprego de simulacro de arma de fogo, uma bolsa feminina, contendo documentos pessoais, cartão de crédito e um aparelho celular pertencente a Daiane Brito Lima.

Recorrem os réus, às fls. 261 e 271, respectivamente, e, em sede de razões recursais aduziram:

O réu Michael, às fls. 285-286, alega que, em razão da falta de

provas, deve ser absolvido em atenção ao princípio in dubio pro reo.

Juclean,

às

fls.

argumentando, em resumo, que:

288-295, também requer a absolvição,

a- negativa de autoria, durante toda a instrução criminal;

b- o objeto do furto não foi encontrado em seu poder;

c- não foi demonstrado o liame subjetivo entre ele e o réu Michel,

sendo que a vítima atribuiu a conduta delituosa a este, e não aos dois acusados.

Instado a se manifestar quanto ao recurso, o Parquet peticiona, às fls. 283-285, tecendo considerações sobre a desnecessidade de interposição de contrarrazões.

Nesta instância, o eminente Procurador de Justiça, Doutor CARLOS EDUARDO MAGALHÃES DE ALMEIDA, opinou pelo desprovimento dos recursos (fls. 302-310).

É o relatório do necessário.

V O T O S

O Senhor Desembargador SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS - Relator

Senhor Desembargador SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS - Relator Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC

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Conheço dos recursos.

Recurso de Michael

Alega a d. Defesa insuficiência de provas para a condenação, pretendendo a aplicação do princípio in dubio pro reo.

Não merece guarida a tese defensiva.

A autoria foi demonstrada à exaustão.

Os recorrentes tentam se eximir da responsabilidade penal, Michael alega não saber dos fatos enquanto Juclean diz que o delito foi praticado somente por Michael.

Confira-se:

Que não são verdadeiros os fatos narrados na denúncia; que na

data mencionada na denúncia, o Interrogando e MICHAEL saíram do trabalho por volta das 18h, em seguida, foram para um bar próximo; que em seguida, foram para a casa da mãe de MICHAEL; que no caminho da casa da mãe de MICHAEL, este último abordou a Vítima e tomou-lhe a bolsa; que na ocasião, o Interrogando e MICHAEL estavam alcoolizados; que quando o Interrogando percebeu, MICHAEL já estava com a bolsa da Vítima, correndo, tendo o Interrogando saído correndo também; que MICHAEL apenas chegou e puxou a bolsa da Vítima; que na ocasião estava chovendo; que umas duas ruas depois do local, MICHAEL largou a bolsa da Vítima; que MICHAEL simplesmente deixou a bolsa da vítima no chão, não tendo explicado o motivo de ter abandonado referido objeto; que no momento em que MICHAEL tomou a bolsa da Vítima, o Interrogando estava pensando em sentar no meio-fio, pois não estava ‘se agüentando em pé’, mas como percebeu que MICHAEL saiu correndo, resolveu correr junto; que no momento do fato, o Interrogando chegou a pensar que MICHAEL estivesse indo a um bar; que a Vítima sequer viu o Interrogando de frente, pois este estava atrás dela; que o Interrogando não estava vigiando a ação de MICHAEL e na ocasião já ia sentar no meio-fio; que após MICHAEL abandonar a bolsa da Vítima, foram à casa da mãe dele, onde tomaram um café; que em seguida, o Interrogando e MICHAEL foram para uma parada de ônibus; que quando estavam na referida parada, a testemunha ADAILTON aproximou-se e abordou o Interrogando; que logo depois, ‘caiu a ficha’ do Interrogando, e este pensou ‘xii, isso é por causa da bolsa daquela mulher’; que quando o Interrogando foi abordado por ADAILTON, MICHAEL estava um pouco afastado, falando ao celular; que quando MICHAEL percebeu, saiu do local; que o Interrogando não sabe se MICHAEL saiu andando ou correndo do local; que em seguida, ADAILTON e o irmão da vítima colocaram o Interrogando dentro do veículo em que eles estavam; que na ocasião, ADAILTON estava armado; que

“(

)

estavam; que na ocasião, ADAILTON estava armado; que “( ) Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

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passaram a dar voltas no veículo com o Interrogando dentro; que na ocasião, o próprio Interrogando sugeriu que ADAILTON ligasse para o telefone da Vítima, para verificar se alguém havia encontrado a bolsa; que quando ADAILTON ligou para o número do celular da Vítima, uma pessoa atendeu, informando que tinha encontrado a bolsa; que MICHAEL não informou que ia abordar a Vítima; que em seguida, ADAILTON levou o Interrogando até uma viatura; que o irmão da Vítima era quem estava portando uma arma, a qual ficou apontada para a cabeça do Interrogando;

) (

Que o Interrogando em nenhum momento chegou a pegar na bolsa ou

olhar o que tinha dentro; que referida bolsa não foi aberta em nenhum momento; que o Interrogando nunca tinha visto MICHAEL praticando fatos da

mesma natureza (

).”

(fls. 190 e 191). Negritei

O policial que participou do flagrante para prestar apoio a outra viatura, esclareceu que, ao chegar, Juclean já estava detido e que este apontou Michael como um dos autores do fato. Confiram-se:

Depoimento de Marcelo Helder Soares Pereira, policial militar:

Que quando a guarnição do depoente chegou ao local para

prestar apoio a uma outra viatura, o acusado JUCLEAN já estava detido; que não chegou a conversar com a Vítima.

Que quando estavam na porta da residência de JUCLEAN, para

buscar um documento deste, o acusado MICHAEL chegou no local; que foi o próprio JUCLEAN quem apontou MICHAEL como sendo um dos autores do fato; que na ocasião, MICHAEL disse que não havia participado do fato; que

não presenciou o reconhecimento dos acusados pela Vítima na Delegacia de

Polícia.(

JUCLEAN, em uma viatura caracterizada.(

Que MICHAEL não resistiu à prisão; que foram à residência de

“(

)

) (

)

).” (fl. 182)

A vítima Daiane Brito Lima fez o reconhecimento dos acusados tanto perante a autoridade policial (fl. 09) quanto em juízo (fls. 178 e 179). Confiram-se:

QUE após a prisão de um deles conseguiram ajuda da PMDF

que prendeu o outro; QUE nesta DP reconheceu os dois indivíduos detidos, indivíduos estes que aqui soube chamar-se MICHAEL MARQUES DO NASCIMENTO e JUCLEAN PEDRO DA SILVA JÚNIOR; QUE MICHAEL foi quem a abordou e fingindo estar armado roubou-lhe a bolsa; QUE sua bolsa foi encontrada logo depois por popular que lhe telefonou e a devolveu, com todos os seus pertences dentro, inclusive o aparelho de telefonia celular; QUE sua bolsa não tinha dinheiro, apenas documentos e o aparelho celular.” (fl. 09). Negritei.

“(

)

e o aparelho celular.” (fl. 09). Negritei. “( ) Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

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Em

juízo,

descreveu

como

novamente os recorrentes.

Confira-se:

os

fatos

ocorreram

e

reconheceu

Que na data e hora mencionadas na denúncia, a declarante

estava retornando do trabalho para sua residência; que próximo a sua residência,

avistou dois indivíduos, os quais se aproximaram e pediram a bolsa; que um dos indivíduos ficou atrás da declarante, enquanto o outro aproximou-se pela frente, momento em que colocou uma das mãos por baixo da camisa, simulando que estava armado; que esse indivíduo disse que queria a bolsa da declarante, momento em que puxou o seu braço; que enquanto esse indivíduo tomou a bolsa da declarante, o outro permaneceu em pé, olhando; que, em seguida, os dois indivíduos saíram correndo juntos; que na bolsa da declarante estava seu celular e todos os seus documentos; que em seguida a declarante foi para casa; que a declarante avisou ao seu irmão que havia sido assaltada; que então, a declarante e seu irmão saíram com um amigo no veículo deste à procura dos indivíduos; que logo em seguida, a declarante avistou os dois indivíduos juntos; que o amigo da declarante conseguiu segurar um dos

indivíduos, tendo o outro saído correndo; que na mesma ocasião, um senhor encontrou a bolsa da declarante e devolveu para o irmão da declarante; que todos os seus pertences foram recuperados; que na Delegacia de Polícia, a declarante reconheceu formalmente os dois acusados; que apresentados os acusados através do visor da sala de audiências , a declarante os reconheceu, com absoluta certeza, como sendo os autores do fato; que o acusado JUCLEAN foi o indivíduo que ficou parado, aguardando; que o acusado MICHAEL foi o

) Que no

indivíduo que simulou estar portando um arma e tomou sua bolsa. (

momento em que a declarante e seu irmão avisaram os acusados, sua bolsa não estava mais com eles; que quando a declarante e seu irmão avistaram os acusados, a declarante não tinha certeza de que eles não portavam armas; que a declarante, seu irmão e seu amigo não estavam armados; que na ocasião, o amigo da declarante conseguiu abordar o acusado JUCLEAN; que a declarante não estava próxima e não sabe informar se JUCLEAN tentou fugir; que o nome de seu amigo

que deteve JUCLEAN chama-se ADAILTON (

“(

)

).”

(fls. 178 e 179). Negritei.

Ressalte-se que em crimes contra o patrimônio a palavra da vítima assume especial relevância, principalmente quando em consonância com o conjunto probatório, conforme reiterados julgados, confiram-se:

1. As declarações da vítima, corroborada pelo depoimento

da testemunha policial, além da confissão do corréu, comprovam a prática do

“(

)

da confissão do corréu, comprovam a prática do “( ) Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

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roubo pelo acusado e seu comparsa. Em crimes contra o patrimônio, a palavra da vítima assume especial relevo, se em consonância com o conjunto probatório.” (20090710281895APR, Relator ROBERVAL CASEMIRO BELINATI, 2ª Turma Criminal, julgado em 12/08/2010, DJ 25/08/2010 p. 261). Negritei.

Para que não paire dúvidas quanto à autoria, a testemunha Adailton, que estava junto com a vítima e seu irmão ao encontrarem os réus, descreve a mesma dinâmica dos fatos:

Que o declarante tomou conhecimento do fato por intermédio

do irmão da Vítima; que o declarante dirigiu-se à casa da Vítima, tendo sido informado pelo irmão desta que os dois acusados haviam passado correndo; que então saíram à procura pelo menos da bolsa da Vítima; que a Vítima descreveu a vestimenta de um deles, informando que este estava de camisa verde, com uma foto de BOB MARLEY e uma calça jeans; que não encontraram a bolsa e quando já estavam se dirigindo à Delegacia de Polícia, a Vítima avistou os dois acusados na parada de ônibus; que na ocasião, MICHAEL correu, mas a declarante conseguiu deter JUCLEAN; que na hora, a Vítima reconheceu os dois acusados; que JUCLEAN informou que já haviam jogado a bolsa; que

JUCLEAN levou o declarante a várias quadras, à procura da bolsa da Vítima; que na ocasião, o declarante avistou uma viatura, tendo entregado JUCLEAN aos policiais

) (

Que quem estava com a blusa verde e calça jeans era o acusado

JUCLEAN; que no momento da detenção, JUCLEAN informou ao declarante o

nome e o endereço do acusado MICHAEL, tendo informado ainda que ambos

trabalhavam juntos; que JUCLEAN, naquela ocasião, disse ‘eu já joguei a

bolsa’ (

“(

)

)

.” (fl. 180 e 181). Negritei.

Na tentativa de se livrar da responsabilidade penal, Michael disse que não estava no local do delito, pois estava com sua namorada Cátia dos Santos Silva e com um amigo de nome Felipe Bonifácio de Lima.

Nenhum dos dois prestou depoimento perante a autoridade policial, e, em juízo, Cátia esclareceu achar que era uma coisa sem importância, enquanto que o amigo disse que não tinha nada haver com a história.

Vê-se com clareza que tais depoimentos destoam do conjunto probatório, e por serem pessoas que têm vínculo de amizade com Michael, não merecem credibilidade.

Ademais, deveriam ter apresentado a tese perante a autoridade policial, e não somente em juízo, caso pretendessem realmente auxiliar na apuração do delito.

Portanto, não há dúvidas de que os dois participaram da empreitada

criminosa.

de que os dois participaram da empreitada criminosa. Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

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Recurso de Juclean

Alega e em seu interrogatório que não participou da empreitada delituosa, que somente ficava atrás da vítima enquanto Michael subtraía a bolsa, e, ainda, que o objeto do furto não foi encontrado em seu poder.

Ora, a autoria do delito não pode ser imputada somente a quem o pratica de forma direta, mas também àquele que dá apoio logístico para o sucesso da empreitada, confira-se a dinâmica do evento relatado pela vítima (fl. 178), na parte que interessa:

avistou dois indivíduos, os quais se aproximaram e

pediram a bolsa; que um dos indivíduos ficou atrás da declarante, enquanto o outro aproximou-se pela frente, momento em que colocou uma das mãos por

baixo da camisa, simulando que estava armado; que esse indivíduo disse que queria a bolsa da declarante, momento em que puxou o seu braço; que enquanto esse indivíduo tomou a bolsa da declarante, o outro permaneceu em pé, olhando; que, em seguida, os dois indivíduos saíram correndo juntos;( ) Negritei.

“(

)

Neste sentido, ensina o Professor Cezar Roberto Bitencourt, em sua obra Tratado de Direito Penal, vol. 1, pág. 450, 14ª edição. Confira-se:

“O conceito de autoria não pode circunscrever-se a quem pratica pessoal e diretamente a figura delituosa, mas deve compreender também quem se serve de outrem como ‘instrumento’ (autoria mediata). É possível igualmente que mais de uma pessoa pratique a mesma infração penal, ignorando que colabora na ação de outrem (autoria colateral), ou então, consciente e voluntariamente, coopere no empreendimento criminoso, quer praticando atos de execução (co-autoria), quer instigando, induzindo ou auxiliando (participação) na realização de uma conduta punível. Várias teorias procuram definir o conceito de autor.”

Não obstante a negativa do recorrente na prática do delito vê-se que sua conduta serviu para intimidar a vítima, sendo irrelevante que o bem subtraído não tenha sido encontrado em seu poder, além do mais, conforme consta dos autos

em seu poder, além do mais, conforme consta dos autos Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC G

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foi encontrado por populares, que telefonaram para informar sobre a bolsa. Ou seja, também não foi encontrada com o corréu Michael.

Ademais, conforme depoimento já transcrito, o réu foi reconhecido pela vítima, não havendo dúvidas quanto à sua efetiva participação na conduta delituosa.

Aduz a combativa Defesa que não foi demonstrado o liame subjetivo entre o acusado e o réu.

O roubo foi praticado com nítida divisão de tarefas e unidade de desígnios com seu comparsa, pois a entrega da bolsa por temor à simulação de porte de arma de fogo e o número de agentes caracterizou a grave ameaça, elementar do roubo.

A dosimetria da pena não merece reparos, pois a pena foi fixada no mínimo legal para a espécie em relação aos dois recorrentes.

ISTO POSTO, nego provimento aos recursos.

É o voto.

O

O

Senhor Desembargador ALFEU MACHADO - Revisor

Com o Relator

Senhor Desembargador ROBERVAL CASEMIRO BELINATI - Vogal

Com o Relator.

D E C I S Ã O

NEGAR PROVIMENTO. UNÂNIME.

Com o Relator. D E C I S Ã O NEGAR PROVIMENTO. UNÂNIME. Código de Verificação:

Código de Verificação: 1AWZ.2010.HHE0.BOVD.VOP3.GDRC

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