ABCP Paper Celso Roma 2000

2o ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIÊNCIA POLÍTICA TEMA “DEMOCRACIA, DEMOCRACIAS” NOVEMBRO DE 2000

ORGANIZAÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS NA DEMOCRACIA:
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PSDB ENTRE 1988 E 1998

CELSO RICARDO ROMA MESTRE EM CIÊNCIA POLÍTICA – USP FINANCIAMENTO FAPESP

Resumo Nos últimos anos, uma parte da literatura especializada em partidos políticos retomou a dimensão organizacional como uma categoria fundamental para a explicação do seu desempenho nas democracias. Assim sendo, esse trabalho pretende descrever os aspectos marcantes da organização do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de 1988 a 1998, tais como a origem, a estrutura interna de poder, o programa e as opiniões e atitudes políticas dos representantes eleitos. Essa radiografia do partido revela qual é a relação de poder entre as lideranças e os filiados e a ambigüidade entre o programa e a ideologia proferida. Em seguida, a análise mostra a associação entre a modalidade de organização adotada pelo partido e suas conseqüências para a definição das suas estratégias de competição eleitoral e de participação na esfera de governo. Na atual experiência democrática, o partido sofreu um processo de adaptação frente às exigências de sua sobrevivência no ambiente político onde se insere. Portanto, um partido político escolhe, entre os caminhos que permitem alcançar seus objetivos, aqueles compatíveis com a estabilidade da organização. Palavras-chaves: partido político; organização; ideologia; estratégia; institucionalização

1. Introdução1 Nos últimos vinte anos, a análise da trajetória dos partidos políticos tendeu a abordálos a partir de sua atuação no sistema partidário. Essa abordagem desconsidera que um partido político, antes de competir em eleições ou de participar de governo, constrói uma determinada organização. A modalidade de organização estipula a estrutura interna de poder; delimita as regras de filiação e o código de disciplina partidária; e define o programa e as diretrizes políticas. Explorar a dinâmica interna do partido permite compreender como eles realmente atuam e como o poder é exercido dentro e por meio do partido. Esse artigo trata dos aspectos marcantes da dimensão organizacional do PSDB. As evidências empíricas são apresentadas de forma a verificar uma hipótese de pesquisa, qual seja, a de que o crescimento eleitoral do PSDB estaria associado à adoção de uma modalidade de organização fraca, isto é, descentralizada na estrutura interna de poder e politicamente pragmática. De acordo com esta hipótese, quanto mais descentralizado for um partido, maior a liberdade da liderança partidária de escolha de aliados para competir nas eleições, isto é, mais pragmático será o partido e maior será a capacidade de alterar seu programa partidário para o exercício do governo. Com esta pesquisa, pretendo contribuir para o avanço do conhecimento sobre um dos partidos políticos mais importantes do país e, com isto, ajudar a entender a atual evolução das organizações partidárias, destacando a necessidade de explicações menos normativas e mais centradas no que é, de fato, um partido e como ele, de fato, funciona em uma democracia.
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Este artigo é uma versão do primeiro capítulo da minha dissertação de mestrado cuja orientação coube a Fernando Limongi. Maria D’Alva Kinzo e Rachel Meneguello contribuíram com críticas ao texto original. Paulo Peres colaborou com a revisão desse artigo. No entanto, os erros remanescentes são de minha responsabilidade. 1

2. Tipos de Organização e Institucionalização dos Partidos Políticos Um estudo sobre partido político específico deve iniciar-se por uma revisão da literatura sobre essa organização peculiar que funciona como um elo de ligação entre sociedade e governo. A literatura especializada registra a existência de concepções diversas. A evolução do conceito ao longo do tempo é devida à incorporação simultânea de elementos ora normativos ora descritivos. Quer dizer, as concepções de partido político podem ser resumidas num dilema entre um aspecto normativo, tratando do que deveria fazer o partido e um aspecto empírico, enfatizando as atividades de seleção de candidatos, na competição em eleições e na participação do governo. Nos estudos sobre partidos, Ostrogorsky(1968), Duverger(1970) e Michels(1977) foram pioneiros na abordagem organizacional. O primeiro trabalho é de Ostrogorski(1968) que analisou a emergência do partido moderno na Inglaterra e nos Estados Unidos. Para o autor, o sufrágio universal e a industrialização resultaram na criação de máquinas partidárias que mobilizavam as massas de modo quase militar. Mas a organização partidária constituiu-se num problema de pesquisa a partir do paradigma elaborado por Duverger(1970). A oposição entre partidos de quadros e de massa continua como uma referência para o estudo das organizações partidárias. Michels(1977), ao identificar a “lei de ferro” da ascensão das oligarquias, denunciou a existência de estruturas de poder no interior dos partidos caracterizadas pela aparência democrática e pela realidade autoritária. O controle oligárquico e a manipulação da massa seriam resultados inevitáveis da formação partidária moderna. O modelo teórico desses autores revela dois problemas de ordem teórica. O primeiro é sociológico, que consiste em acreditar que os partido devem apenas realizar apenas a demandas de determinados grupos sociais desconsiderando as próprias necessidades do partido no sentido de manter a estabilidade da sua organização. O segundo é teleológico, que se refere a atribuir previamente a realização de determinadas ideologias a partidos desconsiderando que não há consenso dentro do partido sobre elas(Panebianco,1988). Além disso, a tipologia elaborada por esses autores corresponde a tipos ideais de partidos mais adequada para análise da trajetória dos partidos europeus. Ela dificulta a compreensão das organizações partidárias observadas nos Estados Unidos e na América Latina. A clivagem de classes e o sistema parlamentar, por exemplo, não fazem parte das características dessas democracias. Além disso, esse modelo teórico não permite apreender a especificidade dos atuais partidos políticos existentes(Seiler,1993).
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Os estatutos partidários estão permitindo aos membros que ocupam cargos no governo manter postos na direção partidária. os partidos social-democratas organizados burocraticamente. Consequentemente. o financiamento mudou devido à nova legislação eleitoral. centralizados e voltados às classes trabalhadoras estariam impedidos de se beneficiar dessas mudanças no ambiente político. Os partidos estão perdendo a capacidade de captar recursos dos próprios membros para financiar as suas atividades (Seiler. A atuação de profissionais torna-se mais necessária. partidos burocráticos de massa são tidos como ineficientes para atender às novas aspirações dos eleitores e para adotar estratégias eficientes na competição partidária. Nesse raciocínio.1994).1966. os militantes dos partidos serão marginalizados porque os partidos estão tendo à disposição técnicas e tecnologia de trabalho alternativas para comunicação com o eleitorado(Katz & Mair. Os partidos passaram a depender mais dos fundos partidários repassados pelo Estado e menos da contribuição de militantes(Blondel & Cotta. A televisão tornou-se os meios de ligação mais importante que os militantes partidários para mediação entre partido e eleitor(Kichheimer. Em outros casos.1993). As técnicas de propaganda contribuem para diluir as tradicionais bases de disputas no interior das organizações. Portanto. Portanto.1994). Em segundo lugar. As figuras profissionais estão tornando-se cada vez mais essenciais para os partidos. O militante tende a desaparecer do partido e. impedida(Kitschelt. Panebianco.Wilson. Esse fenômeno se traduz no crescente interesse do partido em privilegiar a conquista de posições de poder no governo para extrair recursos necessários ao desenvolvimento de suas atividades. no seu lugar. a tendência é de uma posição mais autônoma do partido político em relação àquela organização burocrática de massas. o ambiente político onde os partidos políticos estão inseridos mudou.1996). aparecem os políticos profissionais que recebem salários. Ao longo dos anos. as mudanças tecnológicas no campo da comunicação e o impacto da mass media alteraram a configuração das organizações partidárias.1994. Por que as organizações partidárias burocráticas e de massa estariam condenadas ao fracasso eleitoral? Em primeiro lugar. A autonomia da liderança partidária seria restringida e a escolha de novas estratégias. O recrutamento de filiados está em crise.1988). 3 . o número de membros adeptos aos partidos está em declínio.Na recente literatura sobre os tipos de organização partidária. a persistência de uma organização partidária centralizada e vinculada a outras organizações sociais como sindicatos tende a se traduzir em um forte declínio eleitoral.

Nas experiências democráticas. Quanto maior o poder for exercido por adeptos. líderes partidários apresentam expectativas de benefícios decorrentes do sucesso eleitoral e da ocupação de cargos governamentais. Segundo o autor. A institucionalização de uma organização partidária envolve dois processos: primeiro. segundo. Portanto. os partidos são profundamente influenciados pela sua origem: criação interna . Em seguida. A institucionalização do partido inicia-se no momento de sua fundação. a análise tenta associar o tipo de organização adotado pelo partido e suas conseqüências para a definição das suas estratégias de competição eleitoral e de participação na esfera de governo. a definição dos interesses privilegiados pela organização.1990).ou criação externa. a modalidade de organização partidária não é neutra do ponto de vista do resultado político. e encerra-se na recorrência dos padrões de comportamento. Isto porque os indivíduos na liderança partidária agem mais pelo próprio interesse do que pelo altruísmo. Por conseqüência. mais o partido adotaria a estratégia de vote-seeking ou office-seeking. partidos com uma estrutura altamente fluída e descentralizada sempre são mais motivados por conquista de votos e cargos. tentando visualizar o partido por dentro. 4 . a esse processo denominase institucionalização. ativistas partidários são dirigidos mais pela ideologia e menos por interesses seletivos como votos e cargos no governo(Strom. Os partidos também podem ser distinguidos de acordo com o grau de institucionalização atingido. Ela pode revelar a capacidade do partido em assumir e manter seu poder. A institucionalização de um partido político é fundamentalmente uma fase em que a organização incorpora os valores de sua liderança(Panebianco. os partidos políticos tendem a sofrer um processo de adaptação como resultado da interação com seu ambiente político. a difusão de lealdade no interior da organização. percorre os procedimentos adotados nas eleições para mobilizar suporte visando a eleição de seus candidatos e a sua participação no governo.1990). Por outro lado.origem no interior do Parlamento . Como empresários políticos. Quando mais os líderes estiverem no controle do seu partido.A estrutura organizacional de um partido influencia o conteúdo substantivo de suas estratégias. Duverger(1980) foi um dos primeiros a destacar o fenômeno da institucionalização partidária. Esses processos percorrem a distribuição dos interesses coletivos (ideologia) e interesses seletivos (votos e postos no governo) entre os membros da organização. Indivíduos tornam-se líderes partidários esperando benefícios imediatos dessa atividade. a proposta é descrever as principais características da organização do PSDB. A partir desse quadro teórico. mais radical e ideológica será a estratégia partidária.

Sua ascensão foi resultado do aproveitamento das oportunidades eleitorais abertas pelo regime militar. O segundo problema decorria da própria história do partido: a indefinição de seu perfil político. A disputa eleitoral se deslocava para o legislativo e prefeituras do interior. a crise de identidade do PMDB refere-se a dois problemas enfrentados pelo partido com a democratização do país. Origem A literatura registra dois fatores importantes para a criação do PSDB.1993). dificultada pelo predomínio do grupo quercista em São Paulo e pela aspiração de Ulisses Guimarães em candidatar-se à presidência pelo PMDB. O incentivo para a criação do PSDB no Estado de São Paulo esteve relacionado ao controle exercido por Orestes Quércia no interior do PMDB. O primeiro é relativo à dificuldade de ser governo após 20 anos na oposição e de assumir as responsabilidades para a construção da nova ordem política. sem mandato depois de 87 e colocado no segundo plano da política estadual e nacional. permitindo compreender a dinâmica das disputas internas entre suas lideranças.3. principalmente nas questões sobre sistema de governo (presidencialismo versus parlamentarismo) e da duração do mandato do presidente José Sarney (quatro ou cinco anos de mandato). Melhen(1996) reconstituiu a história do PMDB paulista. Com um mandato de senador.1. O motivo de Mário Covas foi a questão nacional. A principal fonte de desgaste sofrido pelo partido foi o governo Sarney. Outro fator citado é a viabilização da candidatura do senador Mário Covas à presidência da República nas eleições de 1989. principalmente contrário à atuação do governo José Sarney. as distensões internas na bancada parlamentar do PMDB durante os trabalhos na Assembléia Nacional Constituinte entre 1987 e 1988. mas sem muito espaço no partido e historicamente com poucos vínculos com a organização partidária peemedebista. ocupou esses espaços no cenário político e venceu políticos com prestígio no cenário nacional. apoiado pelo Centrão: um grupo suprapartidário conservador de adesões oportunistas de apoio ao executivo. Eram estas as oportunidades abertas à oposição ao longo do regime autoritário. Radiografia da Organização do PSDB 3. então. Quércia. Primeiro. A dissociação do PMDB com esse governo somente ocorre após a queda do ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira. Fernando Henrique Cardoso se torna o grande impulsionador da fundação de um novo partido. No cenário nacional. Franco Montoro. 5 . que repercutia negativamente no eleitorado e nos próprios membros(Kinzo. parte para a articulação de um novo partido.

Sergipe Roraima. o apoio à candidatura de Leiva por políticos conservadores como o prefeito de São Paulo Jânio Quadros e a possibilidade de aliança eleitoral com o PFL eram inaceitáveis pela ala mais progressista do PMDB(Lamounier. O partido procurou ocupar uma posição de centro-esquerda no espaço político apresentando um programa com bandeira de luta compartilhada por outros partidos situados à esquerda: justiça social. por quarenta deputados federais e oito senadores. A resolução n. dois deputados federais (sem mandato) e dois ex-ministros. a apresentação da candidatura de João Leiva para a prefeitura de São Paulo foi considerado o motivo final que impulsionou a ruptura desses parlamentares com o partido em direção à fundação do PSDB. Piauí. um ex-governador. Rondônia e Tocantins. Minas Gerais. Distrito Federal. Euclides Scalco e Pimenta da Veiga e mesmo parlamentares de outro partido. a ata de criação do PSDB foi aprovada. José Richa e Franco Montoro. Diferentemente dos partidos socialdemocratas clássicos que se originaram articulados às massas trabalhadoras e aos sindicatos. Procurou-se mostrar como um partido social-democrata. filiandose como membro observador da Internacional Socialista. A primeira composição de parlamentares do PSDB no Senado e na Câmara de Deputados em 1988 revela que a maioria dos parlamentares estava filiada ao PMDB. Rio Grande do Norte. Rio de Janeiro. os deputados federais José Serra. no dia 25 de junho de 1988. como senador Afonso Arinos e os deputados Jaime Santana e Saulo Queiroz. Paraná. um manifesto anunciou a fundação do Partido da Social Democracia Brasileira e os principais princípios programáticos da organização partidária. soberania nacional. Curiosamente. Maranhão. Nos documentos consultados. 6 . Santa Catarina. Bahia.1989). como Mário Covas. Publicado no Diário Oficial. Somente em 1990 as Comissões Provisórias se estruturaram nos outros Estados da federação. Goiás. Espírito Santo. As articulações para a fundação do partido envolveram lideranças expressivas do PMDB. no dia 6 de julho de 1988. Fernando Henrique Cardoso. 15.494/89 do TSE concedeu o registro definitivo no nível nacional em 24 de agosto de 1989. o PSDB teve origem exclusivamente no interior do parlamento. o PSDB como resultado de uma dissensão coletiva de parlamentares do PMDB que se autodenominavam a ala mais progressista e à esquerda. distribuição de renda. Dezessete Comissões Provisórias foram criadas em Amapá. São Paulo. As outras adesões partiram de eleitores localizados nas diversas unidades da federação. emprego e reforma agrária.No interior do PMDB paulista. do PFL. Portanto.

e. com 19. era o partido com maior preferência partidária (25. Cerca de 57% dos eleitores opinaram para um mandato de 4 anos. e. Aproximadamente 43% do eleitorado considerava a atuação do PMDB no Congresso Nacional como ruim ou péssima. pelo PT. com 23. em 1987.5%.3%) entre os eleitores e. No entanto. questões propriamente eleitorais de cunho pragmático influenciaram a decisão de fundar outro partido. Como conseqüência da desaprovação da atuação do PMDB no governo e no Congresso Nacional. A avaliação do PMDB era mais negativa em relação a sua atuação no governo federal. deveria aprovar um mandato de 4 anos para o presidente José Sarney e a promoção de eleições diretas para presidente em 1988.7% como regular e. Contraditoriamente. o PMDB. em segundo lugar. depositadas na Coleção do Banco Nacional de Dados do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade de Campinas.1%. dissociar-se da administração do governo José Sarney. em sua Convenção Nacional. em 14/07/1987.4% das preferências. 49% consideravam a atuação ruim ou péssima. Esses dois partidos também eram preferidos como alternativas de voto caso fosse realizada uma eleição em 1987.As explicações apresentadas até o momento enfatizam a dimensão ideológica para a fundação do PSDB. No entanto. a maioria dos eleitores estava convencida de que o PMDB. os mesmos eleitores reprovavam sua atuação no Executivo federal. com eleições em 1989. ao mesmo tempo que buscava preservar a identificação dos eleitores com o partido e sua inclinação a votar nos seus candidatos. 7 . 2 Essas informações referem-se às pesquisas realizadas pelo Instituto DataFolha. O partido era o preferido pelos eleitores e estes estavam dispostos inclusive a votar em seus candidatos numa possível eleição. agravada com a atitude do partido na aprovação de um mandato de 5 anos para o presidente José Sarney. O PMDB liderava as intenções de votos. Do total de eleitores. ao mesmo tempo. pela sua atuação no processo de democratização. e apenas 18% defendiam um mandato de 5 anos. As explicações anteriores desconsideram a estratégia eleitoral envolvida: aproveitar a identificação dos eleitores com um partido político de centro. abria uma oportunidade eleitoral para a criação de um novo partido que congregasse a ala mais progressista do PMDB e que compartilhasse o descontentamento dos eleitores para com sua atuação no governo. Em primeiro lugar. com eleições em 1988. outras razões também contaram na decisão desse grupo dissidente do PMDB. A insatisfação dos eleitores quanto a atuação do PMDB no governo e no Congresso Nacional. em contraposição aos 13% que a consideravam ótima ou boa. vinha o PT com 13. 37.2 O PMDB. a avaliação da atuação PMDB no Congresso Nacional e no governo federal eram negativas. em seguida.

Com a implantação do multipartidarismo no Brasil em 1980. o PP é dissolvido e seus integrantes se incorporam ao PMDB. PMDB.O segundo aspecto omitido nas justificativas para a fundação do PSDB é a oportunidade política criada pela configuração do sistema partidário brasileiro. a direita e a esquerda se fragmentam. o PFL e o PL. No entanto. As forças de esquerda se dividem com a criação do PC do B. principalmente das facções oriundas do PT. o sistema partidário começou a se configurar inicialmente com seis legendas: PDS. o posicionamento dessas agremiações partidárias no espaço político revela a estruturação das forças de direita. PCB e PCdoB saem do PMDB. PCB e PSB. (ii) e na permanência em relação ao centro. Não há partidos que se desloquem do centro para a esquerda e nem da esquerda para o centro. centro e esquerda. Dois partidos procuram disputar o espaço ao centro e à direita. Em 1982. Nessa perspectiva. Ao longo dos anos. Essa análise permitirá maior compreensão do comportamento das lideranças do PSDB no sentido (i) de se distanciar dos partidos de esquerda e de direita tanto na sua forma de se organizar internamente quanto no conteúdo programático. O sistema bipartidário vigorou de 1966 a 1979 com a atuação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança de Renovação Nacional (ARENA). No momento de sua fundação. se não foram para eles naquele momento. O partido se situou no sistema partidário entre o PMDB e o PDT e PT. Ambos os partidos representam cisão do PDS. a esquerda acirrou o seu processo de fragmentação. Somente o PMDB ocupava o centro no espaço político. PDT e PT. o partido se distanciou do centro e se inclinou levemente em direção à esquerda. a fundação do PSDB em 1988 representou o preenchimento de um espaço político vago de centro-esquerda no sistema partidário brasileiro. Os integrantes do grupo estava no PMDB quando os principais partidos de esquerda (PT e PDT) e de direita (PPR e PFL) estavam fundados e. Em 1985. 8 . a partir da gênese do sistema partidário brasileiro de 1966 a 1998. PP. centro-direita. É possível desvendar o vínculo original dos partidos criados após a formação bipartidária imposta no regime autoritário e descrever o sistema multipartidário nos momentos que antecederam a fundação do PSDB. Em quinze anos. Em 1987. PTB. as forças de direita e centro-direita se reagruparam em torno de cinco legendas. Os partidos de direita estavam se consolidando no sistema partidário em virtude dos resultados eleitorais obtidos nas urnas. se deve ao fato de que eles já eram centristas. Essas estratégias já estavam definidas antes da fundação do PSDB.

de profissionais liberais. com os movimentos trabalhista e sindical. I p. a estrutura organizacional aponta para um partido centralizado. com grande poder alocado aos órgãos centrais do partido. a vida interna no partido é diferente daquela prevista no estatuto. rural e outros. da mulher. Os trechos transcritos nesse tópico mostram como formalmente está definida a estrutura interna de poder do PSDB. da juventude. Como será visto adiante. de minorias éticas. A área de atuação dos núcleos de base deveria ser necessariamente municipal. no âmbito funcional. de direção. de ação parlamentar. houve uma reformulação do antigo estatuto sem alteração das principais normas de funcionamento. Essas informações constam das referências legais do partido. organização e modo de funcionamento do PSDB estão definidos pelo seu Estatuto. 1988. exercendo esta atuação através de Núcleos de Base e Secretariados. da ideologia e da ação partidária. de artistas. compreendendo: I . Envolve um problema importante para a organização partidária: as relações entre os grupos do partido que tratam da atuação dos militantes. de fiscalização financeira e de cooperação.40 Os órgãos do partido cumpririam as funções de deliberação. em linhas gerais. FONTE: PSDB – Estatuto Da organização Partidária. de acordo com a legislação federal.3. II . funcionamento e atuação do PSDB seriam definidos no artigo 3º que estabelece. Estrutura. A nova lei orgânica dos partidos políticos de número 9096. 9 .2. no âmbito geográfico. aprovada em 19 de setembro de 1995. Estrutura Interna de Poder A articulação geral do partido se refere às regras de convivência entre as unidades que constituem o partido. abrangendo as relações. No dia 8 de março de 1996. estão previstos no estatuto como uma forma de viabilizar os vínculos partidários com a sociedade civil e os movimentos sociais organizados. Os princípios para a organização. Os núcleos de base do partido. fez com que o PSDB revisse o antigo estatuto partidário. A organização e o funcionamento do PSDB baseia-se na integração e adequada coordenação de duas linhas fundamentais de estrutura e ação. uma estrutura interna democrática e participativa para os membros do partido. cap. isto é. Art. de atuação partidária na sociedade. de moradores e comunitárias e. através dos quais se exercem o processo decisório e os atos da vida partidária. bem como sua regulamentação. de acordo com o documento legal. Do ponto de vista formal. especificados neste Estatuto. nos três níveis da federação.a estrutura de articulação com a sociedade e seus movimentos sociais.a estrutura vertical dos órgãos integrantes da hierarquia partidária. com as organizações populares. de disciplina e fidelidade partidárias. A articulação do partido com as associações e organizações da sociedade civil está prevista no estatuto.16.

mesmo sendo formado por comitês. Essa informação somente estava disponível porque aqueles diretórios que deixassem de enviar as listas informando os nomes e os endereços de seus dirigentes não teriam acesso ao fundo partidário distribuído pelo PSDB. isto é. As interferências nos Diretórios estaduais e municipais podem ser realizadas. Em estrutura centralizada. A análise do estatuto do PSDB revela. É uma fundação ligado ao PSDB com autonomia financeira e administrativa. a divisão dos órgãos e suas devidas competências. A única informação fornecida foi quem são os dirigentes do diretórios estaduais.Os órgãos do partido estariam dispostos hierarquicamente no plano nacional. respeitando-se a hierarquia e os termos dispostos no estatuto. Por sua vez. na teoria. A cada plano correspondem o Diretório e a respectiva Convenção cujas competências são a de eleger os membros do Diretório. O PSDB possui um órgão de cooperação para a educação política e doutrinária dos membros do partido: o Instituto de Formação Política Teotônio Vilela (ITV). os diretórios municipais não enviaram ao diretórios estaduais as atas de registro das decisões tomadas pela respectiva Comissão Executiva e as listas de controle sobre os políticos que se filiam ao partido. uma organização forte. O partido. A disciplina partidária e o cumprimento do programa estabelecido pelo partido também estão previstas no estatuto. decisões de instâncias partidárias superiores deveriam ser obedecidas pelas instâncias inferiores. O diretório nacional do PSDB sequer tem controle sobre o número de filiados e diretórios. não poderia sobreviver simplesmente pela luta de personalidades. as decisões no interior do partido não tenderia à orientação de acordo com os interesses regionais. A pesquisa constatou a falta de controle da organização sobre o número de filiados e de diretórios municipais. ou seja. A ligação entre os órgãos do partido seria vertical. A divisão de poderes entre os escalões do partido seria centralizada. No entanto. mas pelos interesses nacionais. estadual e municipal. O ITV foi criado em 1996 com o objetivo de servir como centro de debates e discussões sobre ideologia do partido e de divulgar a ideologia social-democrata. 10 . Existem regras claras sobre a estrutura interna de poder. Embora previsto no estatuto. os diretórios estaduais também não se comunicam com o Diretório Nacional. a organização interna do PSDB é radicalmente distinta daquela prevista no seu estatuto. escolher candidatos às eleições e deliberar sobre propostas de programa partidário. os organismos ligados em níveis hierárquicos.

(Arthur Virgílio secretário-geral do PSDB. Com ampla margem de manobra. Não pedimos atestado ideológico de ninguém.) Precisávamos reforçar a estrutura interna do PSDB para atender melhor à base partidária.. Nos últimos anos. foi a entrada de companheiros. diretórios estaduais e à direção nacional. e também recuperarmos a capacidade de fornecer informações do partido.] nos dias de hoje. Os líderes partidários estão atuando internamente para implementar essas reformas no interior do partido. como está fazendo.] O que houve. sim.Preocupado com a falta de informação sobre quem são os filiados no PSDB.. (Teotonio Vilela Filho. o ITV e a Executiva Nacional realizaram uma pesquisa para obter informações sobre as bases do partido. O Tucano. presidente do PSDB. convidados pelas bases estaduais cuja vontade a direção nacional respeitou. a de também ser governo. O Tucano. Nos Estados onde os nossos companheiros entenderam ser necessário uma candidatura ou a formação de uma coligação específica. secretário-geral do PSDB. dezembro de 1998) (. secretário-executivo do PSDB. Maio de 1998) [. as divergências internas no partido levaram a disputas judiciais que a direção nacional não vai interferir. Pedimos. visando melhorar a comunicação entre os diversos níveis de decisão da instituição. a partir dos dados fornecidos pelo TSE em relação às eleições de 1994 e 1996. pensamos como dirigentes nacionais. (Sérgio Machado. total adesão ao projeto do PSDB. a liderança do PSDB vem procurando implantar uma estrutura interna profissional para atender às demandas de informação dos candidatos para as eleições. As passagens transcritas abaixo ilustram este processo: A profissionalização é fundamental para um partido moderno e ágil como o PSDB. dezembro de 1998) O partido precisa se voltar mais para si mesmo e tocar suas campanhas eleitorais. (Arthur Virgílio. O Tucano dezembro de 1998) A reformulação partidária é necessária para adaptar o partido a uma nova realidade. nos últimos meses. Em alguns Estados. O Tucano. e com isso eles se comprometeram. a direção nacional compreendeu e lhes deu apoio. [o programa] Ninguém pode esquecer que o programa foi escrito antes da nossa experiência nos governos. A pesquisa alcançou somente os quadros eleitos e dirigentes do partido em todo território nacional. Não houve interesse de conhecer quem são os filiados que não exerciam mandato na arena executiva ou legislativa. senador do PSDB.. As características da organização interna do PSDB não correspondem àquela declarada formalmente no estatuto partidário.. Maio de 1998) Vamos começar a mudá-lo. os líderes do PSDB estão introduzindo alterações no estatuto partidário para fazer com que a organização partidária se torne mais adequada para atender aos imperativos impostos pelo mercado eleitoral e pelo exercício do governo. [. (Paulo Pedrosa. O Tucano.. A liderança percebeu a necessidade de mudança na modalidade de organização.. antes da promulgação da Carta de 1988 11 . A baixa taxa de retorno da pesquisa indica uma deficiência de comunicação entre a direção partidária e as bases eleitas em cargos representativos.

senador. Um banco de dados está sendo criado para fornecer informações eleitorais e sócio-econômicas sobre os estados do país para auxiliar os candidatos do PSDB nas disputas eleitorais. Se houver possibilidade de coligação. O mundo era outro também. secretário-geral do PSDB. (Arthur Virgílio..] (Aécio Neves. que tornou possível a eleição de Fernando Henrique em 1994 e certamente levará a sua reeleição.. continuarmos a consolidar cada vez mais a posição do Governo. identificou as expectativas quanto ao desempenho das lideranças partidárias. com base em um questionário respondido por diversos filiados.secretário geral. (José Anibal. melhor. sempre que assim o entenderem necessário. no Partido. Serão identificadas as oportunidades para o partido reagir aos fatos políticos abordados pela mídia. são essenciais para a continuidade desse processo [de governo]. deputado federal.. Entre as principais mudanças. que começou em 1994. A estratégia desse projeto é prover um fluxo de informações entre as diversas instâncias do partido para habilitar melhor os candidatos a competir nas eleições. A equação não é simples: garantir no Governo a linha programática do PSDB [. O Brasil era outro.]. à função do ITV e ao papel da Juventude do PSDB. o PSDB aprovou um novo Estatuto. em nível federal. Evidentemente que uma maior votação nos candidatos tucanos dará ao governo mais independência e força para levar à frente seu projeto social-democrata[. Em 1999. tratando-se de um governo de coligação. O número de integrantes do Diretório Nacional subiu de 177 para 236 e 59 suplentes. entrevista O Tucano Maio de 1998) Não temos medo e nem vergonha de nossas alianças.. O Tucano. os partidos aliados vão lançar. (Arthur Virgílio Neto. Esse trabalho está sendo realizado pelo publicitário Marlo Litwinski que. defendendo-o e cobrando dele ações social-democratas. seus próprios candidatos. para o partido divulgar na imprensa as ações partidárias e de administração dos filiados. A Comissão Executiva Nacional (CEN) cresceu de 19 para 23 integrantes com a criação de mais 2 vice-presidências e mais 4 vogais e a inclusão do presidente do Instituto Teotônio Vilela como membro nato. Essas informações devem guiar a estratégia e o discurso dos candidatos. PSDB) Cabe a nós. O Tucano Julho de 1999) A reestruturação da organização do PSDB se iniciou com a criação dos Conselhos de Comunicação e de Planejamento Estratégico que auxiliam a Executiva Nacional na busca de soluções para as questões políticas de interesse do partido. 12 . As alianças políticas. estão o aumento do número de integrantes a compor a Comissão Executiva Nacional e o estabelecimento de novas regras de convivência partidária. O partido era outro.e antes da queda do Muro de Berlim. Maio de 1998) Assim como é importante a ligação com os outros partidos. (Márcio Fortes. Elas são fundamentais para o Brasil avançar. Os presidentes dos 27 diretórios estaduais foram transformados em membros natos. O Tucano Maio de 1998) Mesmo coligados nacionalmente em torno do presidente. líder do PSDB – Câmara dos Deputados.

se reunir pelo menos duas vezes no seu mandato. prefeitos e vices poderão assumir funções na CEN e nas demais executivas O Diretório Nacional terá que. governadores. O partido definiu que somente poderá votar e ser votado o filiado que contar no mínimo seis meses de filiação. por ex-presidentes da República e ex-governadores eleitos pelo PSDB. mas dirigido por estratos que operam com considerável nível de independência. obrigatoriamente. Esse prazo de filiação partidária proposto pelo PSDB é inferior ao estabelecido na legislação eleitoral que. As regras de filiação também foram alteradas. Os fins democráticos declarados no estatuto seriam abandonados pelo desejo de liderança em alcançar e conservar o poder. o dirigente terá um prazo para se pronunciar sobre o pedido de filiação. A falta de manifestação se traduzirá na aceitação do filiado. O PSDB passa a ter quatro Secretariados Nacionais: o da Mulher. o da Juventude. sob pena de não receberem o repasse do Fundo Partidário. o poder não é centralizado na oligarquia. As regras de convivência no interior do PSDB se alteram para o partido se adaptar melhor às necessidades da organização para competir no sistema partidário. Os diretórios estaduais e municipais ganharam autonomia para decidir como eleger sua própria Comissão Executiva. O recém criado Conselho Político Nacional será integrando pelo presidente do Partido. de Relações Trabalhistas e Sindicais e de Relações Internacionais. nem diluído. e (iii) o estabelecimento de um controle mínimo sobre os filiados ao partido. no seu artigo Domicílio Eleitoral e Filiação Partidária nº 9. A expressão de poder na organização partidária é difuso e se expressa em vários níveis de direção do partido. os ocupantes de cargos executivos. pelos líderes do Congresso Nacional e mais 5 filiados escolhidos pela Direção Nacional. Com o novo Estatuto. A explicação para o comportamento da liderança do PSDB poderia ser buscada no fato do partido procurar se tornar mais competitivo nas eleições e de garantir governabilidade aos membros que ocupam postos no governo. embora o processo de filiação tenha se tornado mais rápido. as recentes alterações no Estatuto do PSDB tiveram por objetivo: (i) o aumento da influência da liderança no partido. considera válida a filiação partidária deferida após um ano após o prazo da solicitação formal. As direções partidárias estão obrigadas a encaminhar regularmente à Comissão Executiva Nacional a lista dos filiados.Além disso. como Presidente da República. (ii) a autorização para os filiados com experiência em cargos legislativos e executivo para ocupar postos essenciais para direção do partido. Em poucas palavras. 13 . No interior do partido.

A sigla social-democrata.3. a liderança se deparou com o problema da construção do projeto de social democracia no Brasil e da identidade política dos peessedebistas.1982).1990). essa apresentação da ideologia do PSDB privilegia a reprodução de parte dos discursos proferidos pelos próprios atores políticos. No governo. a intenção é a de romper com o caráter nacionalista e estatista que caracterizava a feição do Estado brasileiro modelado desde o governo Vargas na década de 30. quando aspiram ao poder: resistir ao jogo ou disputá-lo aceitando as regras. Na origem do partido. uma vez iniciado o processo de institucionalização do PSDB. está orientado por uma agenda política com teor claramente liberal como desregulamentação da economia. por outro lado. Esse deslocamento do discurso da social democracia tradicional para do discurso liberal é o principal dilema enfrentado pelos socialdemocratas.1993).3. Sendo assim. enquanto elabora um programa de governo de cunho liberal. abertura econômica ao capital estrangeiro. O programa partidário. antes de ser um mero rótulo. reflete o ideário da organização partidária. Portanto. a liderança desempenha um papel fundamental na elaboração da ideologia. O processo de mobilização partidária relacionase com a lógica da afirmação ideológica da organização partidária. Ideologia e Diretrizes Políticas Os partidos são grupos de políticos que possuem projetos para a sociedade. a seguir. No momento de sua fundação em 1988. Um partido organiza-se em torno de uma concepção particular de interesse geral e mobiliza-se a fim de ascender ao governo e. O interesse é saber como essas questões são tratadas no interior do PSDB que. tenta se apresentar ideologicamente como social-democrata. Contrariando o senso comum sobre a ideologia manifestada pelo PSDB. sendo a ideologia seu melhor indicador. desde a sua fundação. serão apresentados. Um partido político se articula entre uma organização e um programa político estruturado(Cerroni. ou seja. a partir da década de 80. na construção da identidade coletiva do partido(Panebianco. traduzir esta concepção em política concreta(Seiler. Assim sendo. privatização das empresas estatais. lideranças expressivas do PSDB discutiram intensamente essas questões. a ideologia e o programa partidário devem ser levados em consideração na análise de qualquer partido. assim. 14 . argumentos fundamentando a social democracia como a identidade coletiva da organização partidária.

que reúne o legado positivo das experiências e idéias da economia de mercado com o da justiça social. fundado em 1988. à esquerda latino-americana dos anos cinqüenta.1990) O contexto ideológico em que se insere a discussão sobre a social democracia na América Latina na década de 80 deve ser entendido como um dilema entre um liberalismo triunfante nos Estados Unidos e um socialismo fracassado na Rússia e no Leste Europeu. confunde-se com o êxito do liberalismo. (p. à tradição nacional-populista de desenvolvimento.1990:43-44).1990:31). A década de 80. da crença inamovível no ‘evangelho do mercado’. em oposição à esquerda arcaica.104) É essa grande síntese. Ocorre que na situação concreta da América Latina. que procura formular um novo diagnóstico e propor uma nova estratégia de desenvolvimento para o Brasil. Esse diagnóstico e essa estratégia estão no seu programa do partido para a campanha presidencial de 1989. na supremacia do interesse privado como móvel do progresso. se incorporam à nova esquerda. constitui o apogeu da desregulamentação. essa proposta de social democracia contemporânea deveria ser circunscrita aos problemas específicos da América Latina. com Tatcher e Reagan. assediado pelo neoliberalismo aparentemente triunfante e corroído pelo que sobra sobre seus ombros da crítica à falência do socialismo real. distintas daquelas baseadas nas estratégias de intervenção no desenvolvimento nacional e populista. PSDB.Os argumentos das lideranças do PSDB apresentam as bases para a construção da sua ideologia. A social democracia é a síntese teórica e histórica que superou as limitações do capitalismo do século XIX e os aspectos inaceitáveis do socialismo estatizante. E até certo ponto o individualismo possessivo volta a ocupar o centro da cena. mais especificamente. Essa fase corresponde à crise das esquerdas na América Latina. A essência do modelo social-democrático consiste na preservação de uma economia de mercado. Tudo isso no contexto de uma situação de estagnação econômica e da desigualdade social crescente(Cardoso. É neste contexto ideológico que se apresenta hoje o desafio socialdemocrático latino-americano. (p. que o PSDB se propõe a realizar. 15 . Bresser Pereira propõe ser o PSDB a expressão de uma nova esquerda na década de 90. submetendo-a. No Brasil o PSDB é o partido político novo. Todas essas novas idéias e tendências. Além das disputas ideológicas em torno do liberalismo e socialismo. Em conseqüência surge uma nova esquerda no mundo e na América Latina. freqüentemente. Desafios do Brasil e do PSDB(Luiz Carlos Bresser Pereira.105) (Hélio Jaguaribe. Social Democracia Hoje. Social Democracia Hoje. com todo o dinamismo e a criatividade da iniciativa privada. através de um Estado democrático. Os dois aspectos mais criticados em relação à esquerda são desenvolvimentismo e estatismo econômico. além dos desafios dessa batalha ideológica. nas condições brasileiras. social e econômico desfavorável à implantação de um governo socialdemocrata segundo o modelo tradicional europeu. vindas de muito lados. a um controle social. identificada pela falta de um projeto de desenvolvimento. Torna-se oportuno conhecer como o partido define a social democracia e quais são os novos atributos incorporados a esse conceito para o caso brasileiro. a social-democracia precisa ajustar contas com uma tradição política que lhe é desfavorável e com a emergência de uma prática democrática nova que. Uma esquerda moderna. É possível reconhecer os problemas envolvendo uma organização partidária que pretende se apresentar num ambiente político. PSDB.

PSDB. Membros do PSDB reconheceram os desafios impostos a partidos social-democratas em relação à sua base de sustentação e organização partidária. PSDB. como torná-las transparentes e controláveis pela sociedade – pelos consumidores. O discurso da liderança já antecipa a conduta de um futuro governo orientado por reformas liberais. na América Latina. A verdadeira questão para o social-democrata contemporâneo reside em saber como aumentar a competitividade (que leva ao incremento da produtividade e à racionalização das atividades econômicas) e como tornar cada vez mais públicas as decisões de investimento e as que afetam o consumo. [. a aceitação das regras eleitorais e do sufrágio universal. gestores. certamente. a incorporar elementos social democratas a seus projetos de governo e já se delineia um expresso interesse.1990: 24). opinião em geral – e não somente pelas burocracias (do Estado ou das empresas)(Fernando Henrique Cardoso. que até então vinha sofrendo derrotas eleitorais e a latino-americana. Os principais pontos deveriam ser o crescimento econômico e a estabilidade monetária. criam situações que impeçam no futuro a continuidade dos benefícios que desejam(p.]precisa opor-se. Social Democracia Hoje. PSDB. Social Democracia Hoje. A social democracia[. o que corresponde a adotar o mercado e a desregulamentação como os pivôs do desenvolvimento econômico e social.1990: 31).. A impossibilidade de um partido monoclassista e a viabilidade eleitoral foram os argumentos mais destacados pela liderança. cada vez mais. a demandas [sociais] que. A construção de uma identidade pelo PSDB é marcada pela ambigüidade política devido à perspectiva da liderança em vencer eleições e assumir o governo. mudaram o caráter monoclassista e revolucionário dos partidos socialdemocratas. com mais forte razão isso ocorre na América Latina(Fernando Henrique Cardoso. os partidos de inclinação social democrata. demandas sociais. somada ao encolhimento número relativo da classe operária em sentido estrito. na Europa. de parte dessas forças políticas.. produtores. As dificuldades para a implantação do projeto social-democrata são identificadas. por justas que sejam. Os movimentos e partidos dotados de alguma significação programática e ideológica tendem. formalmente... em nome do crescimento econômico e da racionalidade a médio prazo. Isto é. PSDB. 16 . Social Democracia Hoje. [.. um compromisso com a social democracia. há uma tendência em diferenciar a social democracia européia.1990: 51). os novos desafios seriam o ajuste da América Latina à internacionalização da produção. no caso do Brasil. a curto prazo. é manifesta a demanda. de um projeto social-democrata.] se mesmo no passado e na Europa. de assumir. na América Latina. mesmo tendo que reprimir. Na década de 80. Um programa de governo do PSDB deveria incluir uma liberalização e abertura da economia nacional. que estava sendo exigida com a democratização. do Partido da Social Democracia Brasileira. A recente criação. em geral e.41).. trabalhadores.Em outro momento. no Brasil.] enquanto parecem experimentar sérios revezes eleitorais. veio ao encontro dessa exigência(Hélio Jaguaribe.

justiça social. Contemporâneo porque comprometido com a resolução da problemas concretos que a nação brasileira enfrenta neste final de século. No programa partidário publicado no Diário Oficial da União de 6 de julho de 1988. e presença ativa no cenário nacional. da produtividade. PSDB. pela livre exploração da força de trabalho e pela acumulação de capitais). foram estabelecidas as doze diretrizes políticas a serem seguidas pelo PSDB. reforma do sistema financeiro. a competitividade e a racionalização das atividades econômicas. A social democracia desloca.1990: 43). e a corrupção podem existir no setor estatal ou privado. Para isso. intermediação de interesses entre Estado e sociedade. O mercado competitivo é o antídoto para esses males(Cardoso. reforma agrária. ou seja. patrimonialista. adequada aos nossos dias. Ambos são condenáveis. do que seja a esquerda. No governo. Para defender o ponto de vista dos trabalhadores e dos assalariados é preciso dois cuidados iniciais: restringir o corporativismo e não descuidar da produção (da eficiência. parlamentarismo. Social Democracia Hoje. concepção de democracia. A gestão predadora. seguridade social. que devem ser corrigidas por políticas sociais e fiscais.1990: 39). preservação dos recursos naturais. nesta ordem de apresentação: democracia. portanto. desafios da inflação e da dívida externa. Contemporâneo porque apoiado em sua concepção moderna. do que seja lutar pela democracia e por uma distribuição de renda mais igual(Bresser Pereira.1997:60). a social democracia deve defender um programa de privatizações combinando critérios de mercado e interesse público. sem perder as suas referências abstratas. Em relação à ideologia do PSDB. 17 . os principais desafios da social democracia seriam. esses seriam os desafios da social democracia contemporânea e as principais condutas a serem adotadas em uma futura conquista do governo no Brasil. Convém destacar aqueles pontos cruciais nas diretrizes políticas assumidas pelo PSDB e que antecipam a sua posição em relação a temas polêmicos. contraditoriamente. Contemporâneo porque inserido na história. reforma do Estado. O partido seria contemporâneo pretende tratar de problemas concretos. As decisões de investimento e consumo deveriam ser cada vez mais públicas. esbarra com a vaga do liberalismo triunfante. torná-las transparente e controláveis pela sociedade e não somente pelos burocratas do Estado. crescimento com distribuição econômica. da necessária ligação entre distribuição e produção). o eixo da opção entre estatal ou privado do plano ideológico para um plano objetivo: importantes são as condições que devem ser criadas para o funcionamento da economia. É preciso reconhecer que a tradição social-democrática de basear sua força na crítica das desigualdades provocadas pelo mercado (isto é. Essa preocupação diferencia a social democracia nas condições latino-americanas tanto da européia quanto do populismo préexistente(Fernando Henrique Cardoso.As perspectivas da social democracia na América Latina só ficarão mais nítidas se situarmos o quadro no qual se dá hoje a pugna político doutrinária. educação e cultura. entre eles.

o PSDB diz não pretender conduzi-las. Os problemas da inflação e da dívida externa deveriam ser resolvidos por um governo com legitimidade e autoridade para implantar medidas em três níveis: o equilíbrio das condições de financiamento do setor público. estão previstas a descentralização dos recursos. uma reforma do sistema financeiro e uma administração dos preços da economia. como forma de governo. o Estado não deveria intervir nas reivindicações. A reforma do Estado é formalmente proposta pelo programa do PSDB. segundo o programa do PSDB. É um instrumento para fortalecer os partidos políticos. Crescimento econômico sustentável. principalmente para o combate às desigualdades sociais e à pobreza. Como medidas de reforma. sendo submetida ao controle da sociedade. nem sequer no processo de filiação de sindicatos. num convite permanente ao fisiologismo político. privilegiando a autonomia sindical. O presidencialismo. aumentar a responsabilidade do Poder Legislativo nas grandes questões nacionais e permitir mudança de governo sem provocar crises institucionais. eficiência administrativa para o Estado. A máquina do Estado deveria abranger uma administração verdadeiramente pública. No processo de organização dos direitos trabalhistas. Por sua vez. 18 . funções e encargos da União para os estados e municípios. Outra maneira de mensurar a ideologia dos integrantes do PSDB no momento de sua fundação é conhecer as opiniões dos membros eleitos para o Congresso Nacional e Assembléias Legislativas sobre temas relevantes da política nacional. O desafio seria ultrapassar o clientelismo e o corporativismo. como um meio para o aperfeiçoamento da democracia.O conceito de democracia manifestado no programa partidário diz respeito a uma participação sem vínculos corporativos entre Estado e sociedade. as organizações da sociedade civil deveriam se manifestar de forma autônoma e sem a interferência do Estado. descentralização das decisões e estabilidade monetária aparecem como as condições essenciais para a resolução dos problemas sociais no Brasil. As empresas públicas deveriam obedecer aos critérios da eficiência e do interesse público. A descentralização do poder político aparece como requisito essencial para o exercício da democracia. Quanto aos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. é apresentado como um regime do poder unipessoal e das decisões a portas fechadas. marcas do regime autoritário brasileiro. O parlamentarismo é apresentado. mas sim incentivar a livre negociação entre patrões e empregados.

A pesquisa se baseou em três critérios de classificação dos parlamentares: autoclassificação dos parlamentares. Maria D’Alva Gil. 19 . “O Congresso Nacional e a Crise Brasileira”. liberalização e políticas sociais. Os temas que mais aproximam o PSDB da esquerda dizem respeito à discordância quanto a uma maior aproximação forçada com os Estados Unidos. SP: Konrad-Adenauer-Stiftung. Radiografia do Quadro Partidário Brasileiro. à direita. Apenas 54% dos parlamentares do PSDB se declararam muito favoráveis à reforma agrária com redistribuição de terra e à indexação dos baixos salários acima da inflação. os peessedebistas assumem inicialmente uma posição de centro-esquerda. a nota dada aos partidos por seus representantes e a nota média atribuída ao partido pelos parlamentares de outros partidos. Os valores da posição no espaço político variam entre um. Por outro lado. liberalização e políticas sociais. 1993 3 Os dados utilizados são provenientes das pesquisas originalmente desenvolvidas por Kinzo(1994) sobre o perfil. valor máximo à esquerda e dez.Opinião dos principais partidos políticos sobre desestatização. somente 60% responderam ser favoráveis à diminuição da intervenção do Estado na economia. A distribuição dos partidos no contínuo é feita a partir das notas obtidas. e as 33 votações no Congresso Constituinte e uma escala de governismo e conservadorismo. 1990 (%) Temas PFL PDS PTB PMDB PSDB PDT PT Total O Brasil vai ter que reduzir a intervenção do Estado na economia A ação do Estado deve se restringir às áreas clássicas O Brasil vai ter que reduzir as restrições aos investimentos estrangeiros e aos fluxos de capital O Brasil vai ser forçado a maior aproximação com os EUA muito favorável à reforma agrária com redistribuição de terra muito favorável à indexação acima da inflação para salários baixos 89 86 76 73 60 30 17 67 71 72 69 52 55 62 49 45 42 48 17 19 0 10 46 48 53 39 47 42 15 32 55 34 38 30 55 48 36 54 54 16 78 78 20 100 83 36 51 49 FONTE: IDESP. O PSDB se aproxima mais dos partidos de direita em relação à seguinte opinião: o Brasil vai ter que reduzir as restrições aos investimentos estrangeiros e aos fluxos de capital. as opiniões e atitudes políticas dos parlamentares no Congresso Nacional brasileiro. TABELA 1 . Esses resultados indicam uma divergência entre o conteúdo do programa partidário e as opiniões dos peessedebistas sobre temas políticos relevantes. Congresso Nacional. segundo a opinião deles sobre desestatização. as opiniões dos parlamentares sobre uma reforma agrária mais ampla de distribuição de terras a particulares e uma indexação acima da inflação para baixos salários aproximam o PSDB de partidos localizados mais ao centro. Essa proporção é muito inferior comparada àquelas observadas entre os deputados federais filiados a partidos de esquerda como o PDT e o PT. O PSDB mantém uma distância ideológica maior em relação ao PDT e PT e uma proximidade maior com o PMDB.No Congresso Nacional3. Relatório de Pesquisa citada em KINZO. Dos deputados federais filiados ao PSDB.

os partidos políticos se diferenciam quanto às opiniões sobre temas políticos relevantes e quanto à percepção do posicionamento do seu partido e dos outros no espectro político-ideológico. 1993 Essas informações revelam a posição política e as opiniões dos parlamentares filiados ao PSDB.0 5.1 5. Legislatura 1990 (Escala de 1 a 10) Critérios PT PDT PSDB PMDB PTB PL PDC PFL PDS Auto-Classificação Nota média dada aos partidos por seus representantes Nota média dada aos partidos pelo conjunto de deputados 1.0 3.4 6.7 5. opiniões e atitudes dos quadros eleitos que se filiaram ou ingressaram no PSDB nos últimos dez anos. as opiniões e as atitudes dos quadros eleitos pelo partido em todo território nacional.3 FONTE: KINZO.8 1.5 8. ideologia e programa partidário – sobre o perfil político.7 3. Nesses termos. É uma oportunidade de se conhecer qual é o efeito da modalidade de organização partidária – origem histórica.8 5.1 5.9 4.0 3. SP: Konrad-Adenauer-Stiftung.4) do que o restante do conjunto de deputados (4.3 5.0).2 7. o PSDB se situa à esquerda do PMDB e à direita do PDT e PT.2 6.6 4. Os deputados estaduais do PSDB se classificam mais à esquerda (3. Deputados Estaduais. As características dos quadros eleitos pelo partido descreveriam uma radiografia do partido visto de dentro.9 7. Radiografia do Quadro Partidário Brasileiro. Resta saber quais são a trajetória política.Os deputados estaduais do PSDB situam-se ideologicamente na posição centroesquerda.2 4.5 4. Maria D’Alva Gil.1 5.4 3. a nota média atribuída por seus próprios representantes e a nota média concedida pelo restante do conjunto dos deputados.3 6.0 5.2 6. No Brasil. TABELA 2 .6 3. estrutura interna de poder. segundo o critério de autoclassificação dos próprios parlamentares.1 1. 20 .Média de posicionamento dos partidos na escala esquerda-direita.

Quanto aos procedimentos metodológicos. descreve as principais características dos quadros eleitos e dirigentes do PSDB no território nacional. Schmidt. A trajetória política na família é uma característica de quase todos os filiados eleitos. 4 A pesquisa O Perfil do PSDB 1997 foi realizada sob a direção de Benício V. e opiniões e atitudes (posição ideológica). Não é possível saber a diferença entre os que responderam e os que não responderam ao questionário. Brasil. Entre aqueles que responderam ter parentes que já foram políticos. prefeitos/vice-prefeitos e outros (deputados estaduais.3. segundo a categoria dos respondentes. sexo. 21 . a pesquisa se baseou numa amostra composta dos quadros eleitos e dirigentes do partido em todo território nacional. mas sim a continuidade da tradição do processo político brasileiro.4. deputados federais. TABELA 3 . nível de escolaridade do investigado e do seu pai). 1997 Categoria dos Questionários Questionários Taxa de Resposta respondentes enviados recebidos (em porcentagem) Senador Deputado Federal Deputado Estadual Prefeito Vice-Prefeito Vereador Presidente de Diretório Brasil 14 95 99 921 257 8428 27 9841 2 24 10 85 13 855 1 990 14 25 10 9 5 10 4 10 FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela A trajetória política dos quadros eleitos e filiados ao partido não representa um rompimento dos políticos padrões conhecidos. Maria das Graças Rua e Maria Silvia Todorov. Assim sendo. aproximadamente 50% apresentam dois ou mais parentes na vida pública. a partir dos dados fornecidos pelo TSE em relação às eleições de 1994 e 1996.4 O baixo retorno dos questionários impossibilita a afirmação de que os dados correspondam efetivamente a uma amostra do PSDB em todo Brasil. exercício da atividade política (antecedentes políticos e pretensões na carreira política). Opiniões e Atitudes Políticas dos Filiados Eleitos Uma recente pesquisa realizada pela Universidade de Brasília. Para análise. os dados foram tomados em relação àqueles que responderam. um projeto realizado em conjunto pela DATAUnB e pelo Instituto Teotônio Vilela. A maioria dos entrevistados tem antecedentes políticoprofissionais na família. os investigados foram agrupados em três categorias: vereadores. senadores e presidentes de diretórios). local de residência.Distribuição dos questionários enviados e dos questionários recebidos. no segundo semestre de 1997. O levantamento abordou as seguintes características: demográficas e sócio-econômicas (idade. Trajetória.

Brasil. respectivamente.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. segundo o ano de filiação. senadores e dirigentes declararam estar mais tempo filiado ao partido. em 1995 e 1996. por tipo de função exercida. Comparados aos outros filiados.TABELA 4 . As maiores taxas de entrada de filiados ao partido são verificadas. os vereadores são os filiados com menos anos de vivência no interior do organização partidária. 22 . 1997 (em porcentagem) Familiares com Vereadores Prefeitos e Outros antecedentes políticos Vice-Prefeitos Sim Não Total Número de parentes que já foram políticos Um Dois Três Quatro ou mais Total 53 47 100 (851) Vereadores 53 47 100 (96) Prefeitos e Vice-Prefeitos 52 23 21 4 100 (48) 57 43 100 (37) Outros 50 30 14 6 100 (438) 50 30 15 5 100 (20) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. 1997 (em porcentagem) Ano de Filiação Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 Total 3 5 7 7 12 7 6 32 21 1 100 (796) 7 10 13 7 8 5 7 26 18 100 (92) 17 11 8 8 6 3 31 14 3 100 (36) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. o ingresso de filiados ao PSDB varia ao longo do tempo. Os deputados federais. Essa porcentagem de filiados ao PSDB pode ser atribuída ao seu desempenho nas eleições de 1994 e a ocupação da presidência da República e do governo dos principais Estados.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. por tipo de função exercida. segundo a existência de familiares com antecedentes políticos e número de parentes que já foram políticos. Brasil. Aproximadamente 50% dos eleitos pelo PSDB se filiaram nos últimos três anos. De 1988 a 1997. A maioria dos filiados não participou da vida partidária desde a sua origem em 1988. TABELA 5 .

Tratam-se de políticos com experiência em outras agremiações partidárias. A própria criação do PSDB em 1988 foi conseqüência de uma ruptura do PMDB. Os vereadores do PSDB se diferenciam pela maior porcentagem de militância política anterior nos movimentos sociais. política estudantil.Praticamente todos os filiados eleitos pelo PSDB se envolveram em militância política antes do ingresso ao PSDB. cerca de 70% declararam que foram filiados a um ou mais partido antes do ingresso no PSDB. TABELA 6 . segundo o número de partidos a quem foram filiados antes do PSDB. 1997 (em porcentagem) Militância política anterior ao Vereadores Prefeitos e Outros ingresso no PSDB Vice-Prefeitos Sim Não Total Tipo de atividade de militância Movimentos sociais Política estudantil Movimentos religiosos Representação de outros interesses Militância partidária Outros tipos de militância Total 93 7 100 (855) Vereadores 40 21 20 10 3 7 100 (1355) 93 7 100 (98) Prefeitos e Vice-Prefeitos 30 21 25 9 9 7 100 (151) 92 8 100 (37) Outros 28 38 8 13 8 5 100 (61) FONTE DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. quatro ou mais partidos. 1997 (em porcentagem) Número de partido a quem foi Vereadores Prefeitos e Outros filiado antes do ingresso no PSDB Vice-Prefeitos Nenhum Um partido Dois partidos Três partidos Quatro ou mais partidos Total 25 41 23 9 3 100 (855) 13 38 28 17 4 100 (98) 19 24 27 22 8 100 (37) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. representação em interesses específicos. deputados e senadores apresentam o maior percentual entre aqueles que tiveram participação em três.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. por tipo de função exercida. em ordem de preferência. TABELA 7 . Os dirigentes. 23 . Brasil. movimentos religiosos. O tipo de atividade política é. militância partidária e outros tipos de militância. Brasil. em movimentos sociais. segundo a militância política anterior ao ingresso do PSDB. Do total de filiados eleitos.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. Aproximadamente 40% dos filiados eleitos já tiveram militância em dois ou mais partidos. por tipo de função exercida. Essa característica do quadro filiado eleito do PSDB pode ser explicada pela recente formação do sistema partidário brasileiro.

optam pela liberdade como último valor preferido. TABELA 8 .Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. deputados federais. destacase a pequena participação no recente bipartidarismo imposto pelo regime autoritário entre 1964 e 1984. Os vereadores. 1997 (em porcentagem) Filiação política anterior Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos ARENA MDB Total 47 53 100 (146) 50 50 100 (36) 21 79 100 (14) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. senadores e dirigentes. a maioria dos filiados eleitos pelo PSDB declarou ser identificado com posições políticas ao centro e à esquerda. É interessante notar a falta de correspondência entre a autodefinição ideológica e a respectiva adesão aos valores igualdade e liberdade. contraditoriamente. 24 . 67% preferem liberdade. do total de deputados. na sua maioria. vice-prefeitos. ocorreu no MDB entre os deputados federais. A postura política pragmática do PSDB manifestada no programa partidário e a falta de mecanismos que dificultem o processo de filiação podem estar incentivando a entrada de filiados de posição política mais à direita no espaço político. Prefeitos e vice-prefeitos tiveram a mesma proporção de participação tanto na ARENA quanto no MDB. senadores e dirigentes do partido. Do total de prefeitos e vice-prefeitos. os quadros eleitos preferem o valor liberdade em vez de igualdade. Os vereadores do PSDB apresentam maior dispersão no espectro ideológico. senadores e dirigentes. Esses filiados se declaram como de centro-esquerda e esquerda e. Quanto à ideologia. Em última instância. segundo filiação à Arena ou MDB. principalmente em se tratando dos prefeitos. por tipo de função exercida. a porcentagem que prefere liberdade sobe para 76%. prefeitos e viceprefeitos são os filiados mais recentes no partido e também são aqueles em maior proporção que se identificam como de centro-direita e direita.Entre os militantes eleitos com trajetória política anterior à filiação no PSDB. A participação política. Brasil.

apresentam atitudes mais positivas em relação a valores conservadores. segundo suas convicções. (2) Cada percentual corresponde à categoria “concorda”. Os vereadores. O conservadorismo pode ser mensurado pela adesão às seguintes convicções: a melhor sociedade é aquela onde cada um conhece seu lugar. por tipo de função exercida. Brasil. prefeitos e vice-prefeitos apresentam uma posição tipicamente conservadora. 1997 (em porcentagem) Convicções Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Prisão especial para criminoso com educação superior 45 70 68 (839) (98) (37) A melhor sociedade é aquela onde cada um conhece seu 85 86 73 lugar (839) (97) (37) A propriedade privada é essencial ao progresso econômico 87 89 92 (827) (98) (37) Fatores técnicos devem pesar mais que fatores 78 79 53 políticos na solução dos problemas (833) (96) (36) Sem interferência do Estado. e os conflitos trazem prejuízo à sociedade.TABELA 9 .Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. sem interferência do Estado o setor privado investiria mais e seria produtivo. 1997 (em porcentagem) Definição Ideológica Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Esquerda 11 1 3 Centro-esquerda 36 54 68 Centro 19 25 24 Centro-direita 18 12 5 Direita 17 9 Total 100 (831) 100 (93) 100 (37) Valor Político Preferido Vereadores Prefeitos e Vice-Prefeitos 67 33 100 (96) Outros Liberdade Igualdade Total 53 47 100 (835) 76 24 100 (37) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. cabendo a diferença em relação à 100% dos que discordam. os fatores técnicos devem pesar mais que os fatores políticos na solução dos problemas. Brasil. por tipo de função exercida. TABELA 10 . Diante dos valores políticos. segundo a auto definição ideológica e valor político preferido. 25 . embora menos consistentes. a propriedade privada é essencial ao progresso econômico.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. o setor privado investiria mais 76 82 73 e seria mais produtivo (828) (98) (37) As políticas de distribuição de renda 45 42 22 prejudicam os mais competentes (846) (97) (37) Os conflitos políticos trazem prejuízos para a sociedade 85 84 46 (846) (97) (37) Os direitos humanos são pretexto para a impunidade 73 68 35 (849) (97) (37) Todos devem ter a mesma oportunidade de 73 33 84 influenciar as decisões do governo (842) (92) (37) É melhor ter um criminoso solto do que punir um inocente 63 30 72 (827) (98) (36) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta.

em maior proporção. Os vereadores indicam altos níveis de pobreza e desigualdade como os principais obstáculos à democracia no Brasil.Os filiados eleitos pelo PSDB identificam o Brasil como uma democracia. (2) Cada percentual corresponde à alternativa considerada o principal obstáculo à democracia. o percentual de concordância da caracterização do Brasil com o regime democrático varia entre os respondentes. o baixo nível educacional da população como obstáculo à democracia. senadores e dirigentes. Os deputados federais. Falta de tradição partidária. clientelismo e falta de autonomia dos Estados e municípios são apresentados como obstáculos menores à consolidação da democracia. Avaliações e diagnósticos sobre a democracia indicam diferenças entre deputados. No entanto. segundo a identificação dos obstáculos à democracia brasileira. senadores e dirigentes apresentam o maior percentual de concordância e a categoria de vereadores. Os filiados eleitos do PSDB apontaram os obstáculos à democracia brasileira. por tipo de função exercida. 26 . Prefeitos e vice-prefeitos e outros respondentes indicam. vice-prefeitos e vereadores. Brasil. Na opinião dos quadros eleitos e filiados no PSDB. TABELA 12 . 1997 (em porcentagem) Obstáculos à democracia brasileira Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Altos níveis de pobreza e desigualdade Baixo nível educacional da população Incompetência e despreparo dos governantes Clientelismo e fisiologismo político Poder do Executivo e baixa autonomia do legislativo Falta de tradição partidária Falta de organização política do povo Atitudes antiéticas dos parlamentares Egoísmo das elites Falta de autonomia dos estados e municípios Dificuldades de crescimento econômico Total 22 19 12 10 10 6 6 5 5 3 2 100 (751) 11 28 10 14 11 9 3 3 7 3 100 (89) 23 29 3 9 9 18 6 9 3 3 100 (34) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. de um lado. os problemas da democracia brasileira estariam relacionados aos problemas sociais e econômicos. 1997 (em porcentagem) Brasil é uma democracia Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Sim Não Total 57 43 100 (839) 67 33 100 (96) 84 16 100 (37) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. TABELA 11 – Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. de outro. segundo a identificação do Brasil como democracia.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. a menor. Brasil. e prefeitos. por tipo de função exercida.

TABELA 13 . falta de recursos e crise social. dos políticos e do Poder Executivo federal. Por outro lado. Brasil. o presidente da República. Para os quadros eleitos e filiados no PSDB. os deputados federais. por tipo de função exercida. Ao contrário do esperado. senadores e dirigentes indicaram a falta de recursos e a crise social como um dos problemas essenciais das causas da ineficácia das políticas sociais. 1997 (em porcentagem) Causas da desigualdade e da pobreza brasileira Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Deficiências dos governantes e dos políticos Poder Executivo – presidente da República Sociedade e baixa educação Congresso Nacional Sistema político. educação. fisiologismo e corrupção. os prefeitos. (2) Cada percentual corresponde à alternativa considerada o principal obstáculo à democracia. cultura e saúde. Os principais responsáveis por esses problemas seriam os próprios governantes. as duas principais causas da ineficácia das políticas sociais no Brasil seriam a falta de vontade política dos governantes e outros problemas políticos como clientelismo. o presidente da República e os governadores dos principais Estados eram filiados ao próprio partido. Quanto às causas da desigualdade e da pobreza brasileira. (3) Os problemas mais importantes foram. Em 1997. desvios de recursos. desvio de recursos. 27 . mais especificamente. A identificação pelos quadros eleitos e filiados ao PSDB das causas da desigualdade e da pobreza brasileira se contrapõe ao fato do partido estar incluído entre aqueles que governam o Brasil. segundo a identificação dos responsáveis pelos problemas mais importantes do Brasil. os filiados eleitos pelo PSDB identificam as duas principais: a deficiência dos governantes.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. falta de fiscalização Causas históricas Falta de políticas públicas e de programas Elites econômicas Capitalismo Poder Judiciário Governos estaduais e municípios Outras causas Total 30 19 8 8 6 5 4 4 3 3 3 1 1 5 100 (837) 29 14 8 6 5 9 6 2 5 3 1 3 7 100 (96) 16 16 8 11 16 5 5 11 3 8 100 (37) FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. sistema partidário Desenvolvimento político econômico Corrupção. emprego. vereadores e vice-prefeitos que exercem cargos eletivos desconsideraram os seguintes problemas: falta de autonomia dos Estados e municípios.A maioria dos quadros eleitos e filiados ao PSDB aponta os principais problemas enfrentados pelos políticos de natureza social e econômica: emprego. saúde e educação. em ordem.

deputados e senadores mediante aumento da oferta e eficácia dos serviços sociais pelo poder público. as mudanças deveriam ser mais radicais para os vereadores mediante políticas redistributivas de alto impacto e reformistas pelos prefeitos. por tipo de função exercida. desde que envolva alto potencial de conflito político. TABELA 15 – Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. 28 . Deputados e senadores preferem a reforma agrária. sem a necessidade de mudanças revolucionárias. Prefeitos e vice-prefeitos enfatizam a política de renda mínima e reforma agrária. A privatização de empresas estatais. 1997 (em porcentagem) Escopo da mudança na política Vereadores Prefeitos e Outros e na vida em sociedade Vice-Prefeitos É preciso uma mudança revolucionária Bastam algumas reformas Não precisa mudar. reduzir a desigualdade social e privilegiar o crescimento econômico. sobre quais medidas deveriam ser adotadas para o desenvolvimento do Brasil. Na maioria dos entrevistados. o fim da estabilidade do servidor público e a demissão de funcionários obtém maior apoio dos prefeitos e vice-prefeitos e menos dos vereadores e outros respondentes. 30 62 8 100 (818) 27 61 12 100 (95) 22 73 5 100 (37) As medidas de reforma do Estado são apoiadas pela maioria dos peessedebistas. os problemas sociais e políticas serão resolvidos por reformas. Segundo os filiados eleitos.TABELA 14 – Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB. a privatização das estatais e aumento da participação popular nas decisões econômicas. 1997 (em porcentagem) Causas da ineficácia das políticas sociais Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Total 100 (938) 100 (109) 100 (39) Falta de vontade política dos governantes 36 26 33 O clientelismo. entre as alternativas propostas. somente esperar os resultados Total FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. Para resolver esses problemas. despreparo e mau gerenciamento 15 11 8 Falta de recursos e a crise social 13 17 26 Falta de autonomia dos estados e municípios 10 18 3 Desvio de recursos 1 Outras causas 2 3 5 FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1) Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. As medidas prioritárias a serem adotadas pelo governo são aumentar o nível educacional da população. Brasil. Essa questão permitia aos filiados responder. por tipo de função exercida. segundo o escopo da mudança na política e na vida em sociedade. o desenvolvimento poderia ser alcançado pela adoção de certas medidas como a participação popular nas decisões econômicas e reforma agrária. segundo a identificação das causas da ineficácia das políticas sociais. Brasil. o fisiologismo e a corrupção 24 25 26 Incompetência. a estabilidade política.

exercem outra ocupação profissional. identificando a desigualdade social e o baixo nível de educação como os obstáculos para sua efetiva consolidação. Cerca de 50% dos filiados já foram filiados a dois ou mais partidos.Distribuição dos filiados eleitos pelo PSDB.apresentam características semelhantes. por tipo de função exercida. 29 . Atribuem as causas da desigualdade social no Brasil à falta de vontade política e à falta cumprimento da funções sociais do Estado. 70 88 67 100 (818) 84 95 69 100 (95) 69 90 81 100 (37) Enfim. é possível descrever um perfil dos quadros eleitos e dirigentes do PSDB no território nacional a partir das informações constantes nesse levantamento de dados. prefeitos e vice-prefeitos. Os filiados eleitos se definem politicamente como de centro-esquerda e preferem liberdade à igualdade. Praticamente todos os filiados eleitos pelo PSDB se envolveram com a militância política antes do ingresso ao partido. 1997 (em porcentagem) Medidas para Reforma do Estado Vereadores Prefeitos e Outros Vice-Prefeitos Privatização de empresas e serviços. descentralização e reciclagem dos funcionários Mudanças das regras da aposentadoria Total FONTE: DATAUnB/Instituto Teotônio Vilela (1)Os números entre parênteses correspondem à freqüência absoluta. O PSDB recebeu quadros na mesma proporção da ARENA e do MDB. mais precisamente nos últimos três anos. Brasil. para mudar a situação social e econômica do Brasil. fim da estabilidade e redução do número de funcionários Desburocratização. senadores e dirigentes . suas convicções políticas podem ser consideradas conservadoras. política estudantil e movimentos religiosos.TABELA 16 . descentralização administrativa e mudanças das regras de aposentadoria. Os três grupos investigados . segundo o apoio às medidas para reforma do Estado . (2)O percentual se refere à prioridade considerada alta. O início da militância política ocorre na juventude. bastariam reformas como privatização. A maioria dos tucanos ingressou recentemente no PSDB. principalmente em movimentos sociais. Além da atividade política.vereadores. deputados federais. Os filiados eleitos pelo PSDB são políticos oriundos de famílias com antecedentes na vida pública. No entanto. fim da estabilidade do funcionário público. Acreditam que o Brasil é uma democracia. Mas. Entre os que desempenhavam atividade política partidária no período do regime militar.

Em poucas palavras. As coligações tenderiam a ser formalizadas de acordo com sua viabilidade eleitoral e menos por disputas ideológicas com outros partidos. Do ponto de vista da estruturação interna de poder. aproveitando-se do capital político acumulado pelo e no PMDB. falta controle sobre a entrada de filiados. Pelo contrário. demonstrada pela origem exclusivamente parlamentar e pela falta de articulação e organização dos interesses de associações representativas. a origem histórica do PSDB pode ser considerada pragmática e eleitoral. a prioridade das lideranças partidárias é a atuação na arena governamental. 30 . Tratou-se da cisão de um grupo de deputados federais e senadores que acreditavam ter possibilidade de conquistar cargos eletivos. Na dimensão organizacional. A descentralização é evidente na ausência de uma linha partidária única para a política de alianças. o padrão de competição deveria ser voltado para o centro ou para o espaço do espectro político de maior concentração dos eleitores. suas diretrizes políticas. A construção da identidade partidária está num dilema entre se declarar ideologicamente social-democrata. Como os eleitores tendem a se concentrar no centro do espectro político. com participação inexpressiva dos militantes. Esse tipo de organização do PSDB se aproxima do modelo de partido catch-all elaborado por Kircheimmer(1966). o PSDB é descentralizado. Durante a campanha eleitoral. As campanhas eleitorais envolveriam um estilo de maior uso de capital intensivo (tecnologia) e com menor uso de trabalho intensivo (atividades de militantes). o PSDB pode ser considerado fraco. O partido mantém fracos vínculos com a sociedade civil. A ideologia e o programa do partido são politicamente ambíguos. e apresentar um programa de governo orientado por teses liberais. Esse tipo de partido fortaleceria os líderes partidários e. O partido revisaria. ao mesmo tempo. As coligações para as eleições deveriam ser ideologicamente inconsistentes devido às constantes mudanças nas orientações partidárias visando a conquistar o governo. A tendência da liderança partidária seria a de diminuir o aparato ideológico. A seleção dos líderes se basearia na capacidade deles em obter votos nas eleições. As reuniões e demais atividades partidárias se realizam em períodos próximos às eleições. A subvenção estatal e os fundos arrecadados exclusivamente para as campanhas passariam a ser essencial para o partido. O financiamento pelos militantes do partido praticamente não existe. sempre quando julgado necessário. No interior do partido. Esse tipo de partido deveria se adaptar facilmente à volatilidade do comportamento eleitoral. o partido enfatizaria a competência de sua liderança e a experiência de governo passado. principalmente a presidência da República. diminuiria a importância dos demais membros no processo de tomada de decisão. de um lado.

No modelo teórico proposto por Panebianco(1990).4. Pelo contrário. as lideranças nacionais foram as responsáveis pela origem e identidade do partido. Desde a sua origem até a sua consolidação. Desde a sua fundação. as elites locais se integraram à organização nacional sem o controle dos diretórios estaduais ou do Diretório Nacional. o PSDB caracteriza-se pela ausência de uma instituição externa que seja responsável por sua existência. em especial. com os sindicatos. No interior do partido. terceiro. A liderança nacional do partido construiu a identidade coletiva do partido em torno da sua concepção de social democracia e definiu as diretrizes políticas de orientação liberal no seu programa partidário. Elas podem ser distinguidas de acordo com o grau de institucionalização variando entre forte ou fraco. Três fatores permitem distinguir a origem de um partido político: primeiro. presença versus ausência de uma instituição externa que patrocine o nascimento do partido. Esse processo é conhecido por institucionalização partidária. Conclusão A trajetória de qualquer partido político é dinâmica. O tipo de origem diz respeito à peculiaridade da sua formação e das decisões políticas mais importantes adotadas por seus fundadores. o partido recusou-se a manter vínculos com outras organizações. 31 . Em relação ao segundo fator. As organizações partidárias diferenciam-se pelo modo e pela intensidade do processo de institucionalização. A periferia partidária reúne os agrupamentos locais e intermediários do partido. Quanto ao primeiro fator. caráter carismático versus ausência dele no nascimento do partido. O resultado é uma estrutura interna de poder descentralizada. ampla margem de manobra para a liderança e autonomia para as instâncias decisórias dos diretórios estaduais e municipais. dois conceitos são pertinentes para a análise da institucionalização de um partido político: o tipo de origem e a forma de consolidação no ambiente político. uma organização partidária modifica de forma considerável sua fisionomia. não havia aparecido um único líder responsável pelas metas ideológicas do partido ou que estas fossem inseparáveis de sua pessoa. a origem do PSDB pode ser considerada como difusão territorial porque o centro não controlou nem dirigiu o desenvolvimento da periferia. No terceiro fator. No momento da sua fundação. penetração territorial versus difusão territorial. Existem duas escalas para distinguir os graus de institucionalização partidária. a origem do PSDB não representou a emergência de nenhum líder carismático no cenário político brasileiro. segundo.

Um grupo de profissionais remunerados desenvolvem as atividades básicas da sua organização como marketing. sem depender do Estado ou de outras organizações como igreja. denominada grau de autonomia em relação ao seu ambiente. Segundo os critérios anteriormente definidos. Nesse caso. provenientes da contribuição dos filiados. Os líderes estão interessados em profissionalizar a organização. O controle da organização sobre o governo na fase de consolidação favoreceu a sua fraca institucionalização. O grau de sistematização é baixo quando os sub-sistemas internos são autônomos e independentes do centro no seu financiamento e na tomada de decisão. Por conseqüência. os partidários têm grande margem de manobra no interior do partido. promoção de cursos de formação política. 32 . Nesse tipo de organização. sindicatos. referese à capacidade da organização partidária em obter recursos para manter seu funcionamento. diz respeito à coerência estrutural interna da organização. o Diretório Nacional concede autonomia para os diretórios estaduais e estes para os diretórios municipais. a institucionalização do PSDB pode ser considerada fraca entre 1988 e 1998. O financiamento da organização do PSDB é proveniente da sua participação no fundo partidário e de doações de pessoas físicas e jurídicas. O PSDB conquistou o governo nacional depois de seis anos de fundação. O maior grau de autonomia deveria ser atribuído ao partido que sobrevivesse apenas com os seus próprios recursos. tornam-se as principais motivações dos líderes partidários. A entrada de filiados no partido está fortemente associada ao fato de obter vantagens por estarem filiados ao partido que conquistou a presidência da República e o governo dos principais estados da federação. a coalizão dominante no interior do partido são aqueles que ocupam os principais postos no governo. grau de sistematização. A disponibilidade de postos no governo não estimula a implantação de uma organização partidária forte como nos partidos de massa. A coligação eleitoral formalizada para as eleições presidenciais difere das coligações para governador de Estado e para Câmara de Deputados. Não há controle do partido sobre o número de filiados e de diretórios municipais. levantamento de informações. Os militantes não contribuem com recursos financeiros para o funcionamento do partido. definidos como votos e cargos. A segunda escala. Os interesses seletivos. o grau de autonomia desse partido em relação ao seu ambiente político e o grau de sistematização da sua organização interna são considerados baixos.A primeira escala. No PSDB. Não há uma política de coligações ideologicamente consistente.

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