DIREITO COMERCIAL I (EMPRESARIAL) Prof.

Adriano Silva de Arruda DIREITO EMPRESARIAL
1. Evolução do Direito Comercial para o Direito Empresarial
Para a sua total compreensão, esta matéria requer que compreendamos a evolução do direito comercial para o direito empresarial. Vale ressaltar que ainda temos um Código Comercial de 1850 em pleno vigor, apesar de a maior parte ter sido revogada pelo Código Civil de 2002.

1.1. Das primeiras trocas até as corporações de ofício Não se sabe precisar exatamente quando, porém é certo que foi na Antiguidade que começaram a ocorrer as trocas de bens com interesse de se obter ganhos além do simples consumo. Os babilônicos e fenícios foram os maiores expoentes. Neste período incipiente, surgiram também as primeiras normas, no intuito de regular estas trocas dirimindo possíveis conflitos. Na idade média, as expedições marítimas e a consequente retomada das cidades ao redor dos feudos, suscitou o aumento acentuado da mercancia de produtos entre os povos. Comerciantes e artesãos começam a ganhar importância na sociedade. As regras iniciais já não contemplam todas as negociações realizadas. De acordo com a doutrina, é neste período que nasce o direito comercial, marcando a primeira fase deste ramo do direito. O direito comercial nasce da união de artesãos e comerciantes em corporações, que buscavam uma tutela jurídica para suas atividades. Assim, as primeiras regras comerciais são marcadas pelo extremo subjetivismo, pois são feitas pelos próprios destinatários da norma. Por serem amplamente discriminados pela sociedade, os comerciantes determinaram regras que consideravam a qualidade do sujeito, ou seja, estas regras só se aplicam a eles. 1.2. Do corporativismo à Codificação A sociedade liberal, já liderada pela burguesia e subsidiada nas ideias iluministas, pregava o liberalismo e a igualdade e, no século XVII, já defendia novas regras. As revoluções norte-americana e francesa foram um marco político, social e econômico para o mundo. O subjetivismo da fase anterior do direito comercial não se sustentava mais. Juristas franceses, sob o comando de Napoleão Bonaparte, criam o primeiro texto objetivo e aplicável a todos do mundo: Código Comercial de 1808. As relações jurídicas mercantis deixaram de ser identificadas a partir dos sujeitos que as praticavam para serem caracterizadas a partir dos atos por eles praticados. A nova fase do direito comercial ficou conhecida como “Teoria dos atos do comércio”, onde eram determinados quais atos são considerados de comércio, sendo estes regidos pelas normas mercantis. Inspirado nesta teoria, o Brasil, em 1850, construiu o atual código comercial. Nele, os seguintes atos eram considerados de comércio: compra e venda ou troca de bens móveis ou semoventes, no atacado e no varejo, para revenda ou aluguel; operações de câmbio, banco, corretagem, expedição, consignação e transporte de mercadorias; espetáculos públicos; indústria; seguros, fretamento e quaisquer contratos relacionados a comércio marítimo, além da armação e expedição de navios.
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na Parte Especial. ao colocar em vigor o Novo Código Civil. Desta forma. tão somente havendo a clara definição de empresário. Ele tem que saber as informações que serão passadas para o consumidor. Pessoalidade: O empresário pode atuar diretamente ou contratar pessoas que irão atuar em nome do mesmo. Convém frisar que o Código Civil. Esta nova lei revogou expressa e completamente a primeira parte do Código Comercial de 1850. com estes problemas citados. Desta forma.2. a sua reiteração. o direito comercial volta-se para a atividade empresarial. sendo assim regidos pela legislação comum. 2. seja ele divido ou direcionado. Em 2002. Empresa Assim. 2. inflando o alcance do direito comercial.3. Monopólio das informações: O empresário não precisa ter conhecimento técnico sobre a atividade. deixando somente em vigor a parte do direito marítimo (art. com o nome “Do Direito de Empresa”. Adriano Arruda 2 . o Brasil adotou a teoria de empresa. a teoria da empresa. Por conta disso. Livro II. Não necessita que o mesmo execute todas as tarefas pessoalmente. ou seja. ele deve existir. Ele tem que ter apenas as informações essenciais sobre o serviço e ou produto que está sendo colocado no mercado. atividades efetuadas eventualmente. voltada à produção ou a circulação de mercadorias ou serviços. ainda na década de 40. exigiu a atualização legislativa em todo o mundo. Com base nesta teoria. Dos atos de comércio ao conceito de empresa Os atos de comércio não conseguiram acompanhar a evolução da sociedade e a consequente dinâmica econômica. como visto acima. seja por uma sociedade empresária. a empresa concentra os quatro fatores de produção: Direito Comercial I (Empresarial )– Prof. as atividades agrícolas e as negociações via internet. A teoria dos atos do comércio. considerando-se esta atividade como sendo aquela desenvolvida profissionalmente e com habitualidade. não há definição direta de empresa. 966 do Código Civil: Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. seja por empresário individual. 457 a 796 do Código).1. o conceito de empresa é fruto do conceito de empresário. Conceitos Para o entendimento perfeito do direito empresarial. traz alguns caracteres que necessitam de esclarecimento: Profissionalismo: diz respeito à habitualidade com que é exercida a atividade. adotada por quase todos os países. Empresário Proclama o art.1. Finalidade de lucro: a atividade empresarial é econômica porque o objetivo desta é o lucro. 2. de forma economicamente organizada. Neste ponto. posto que. O conceito de empresário. constituindo-se numa atividade organizada com finalidade de lucro. Dentre estes atos podemos citar a prestação de serviços em massa. com visto acima. não configuram empresa. a Itália saiu muito na frente quando desenvolveu. diversas atividades acabaram por não fazer parte destes atos. diversas leis tiveram que suprir estas faltas. primordial é o entendimento do que vem a ser empresa e também empresário.

Também não são considerados empresários os produtores rurais não registrados nas Juntas Comerciais (RPEM – Registro Público de Empresas Mercantis). Quando a atividade é exercida pela pessoa física.3. pode o trabalho deste profissional fazer parte do elemento de uma empresa. Ela detém o monopólio da informação referente à fabricação dos pastéis e participa da produção (pessoalidade). Isto quer dizer que. caso estes profissionais liberais associem-se. é importante frisar que. com colaboração de prepostos (empregados) e organização empresarial. 3º e 4º do Código Civil: Direito Comercial I (Empresarial )– Prof. estaremos diante de uma sociedade empresária. Insumos: bens organizadamente articulados para efetuar a produção. conforme o art. tratada por isso. por exemplo. praticar a recuperação judicial ou extrajudicial em caso de dificuldades financeiras. no parágrafo único do art. 2. quando esta é exercida por uma pessoa jurídica. falta a mão de obra necessária a configuração do conceito de empresário. Capacidade para ser empresário Para ser empresário.Capital: montante de dinheiro necessário à realização da atividade. 3. No entanto. O Código Civil. 971. SEMPRE são atividades empresárias. Exemplo é o atendimento do médico em consultório pertencente ao hospital cujo qual é proprietário (ou sócio). 966. esta pessoa será chamada de sociedade empresária. determina que não constitui empresa o labor do profissional liberal (considerando aqui a atividade intelectual literária. pela legislação comum. Em tópicos posteriores veremos as sociedades previstas no código civil que podem ser consideradas sociedades empresárias. não se constitui em empresa sua atividade. Todavia. que o agente possua capacidade civil e não esteja legalmente impedido. pode também ser uma sociedade simples. ou seja. Para deixar claro o conceito de empresa. podemos analisar o exemplo da Dona Rosinha: Para aumentar os ganhos da família. conforme art. Tecnologia: são as informações necessárias ao desenvolvimento das atividades o empresário se propôs a explorar. pois visa lucro. Todavia. este será chamado empresário individual. Sociedade Empresária A atividade empresarial pode ser desenvolvida por pessoas físicas ou pessoas jurídicas. é necessário inicialmente. parágrafo único) ainda traz a clareza de afastar a possibilidade de a cooperativa ser considerada empresa. formando uma cadeia produtiva. Mão de obra: auxílio de pessoas que não o empresário para execução da atividade. pois ela faz com habitualidade. O código civil (art. não podendo. como as cooperativas ou as sociedades de profissionais liberais. 972. ela resolve produzir sozinha e vender pastéis na vizinhança. mesmo que exista o concurso de auxiliares. artística ou científica). O civilmente capaz é aquele que possui capacidade absoluta. independente do objeto que explorem. que não esteja listado nas hipóteses de incapacidade ou capacidade relativa dos art. Estaria ela praticando atividade empresarial? Vejamos: Ela desenvolve atividade econômica. A pessoa jurídica. Há profissionalidade no exercício da atividade. voltada a obtenção de lucro. Adriano Arruda 3 . desenvolvendo apenas uma atividade civil. constituindo-se tão-somente como sociedade simples. 982. As sociedades anônimas. Portanto. como vimos. por determinação legal. As atividades que não constituem empresa são regidas pelas regras comuns do direito civil.

101/05) Art.os excepcionais. a da CF/88 Art. tradutores públicos etc. mesmo por causa transitória. trapicheiros. respondendo pela pessoa jurídica.os que. X da Lei 8112/90 Interessante citar que as pessoas casadas podem constituir entre si sociedade empresária. não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. II . 4 São incapazes.101/05) Art. abaixo segue lista com os principais impedimentos: FUNÇÃO Deputados Federais e Senadores Promotores de Justiça Condenados pela prática de crime cuja pena vede o acesso à atividade empresarial Empresário falido não reabilitado Condenado por crime falimentar Militares da Ativa Servidores Públicos LEI Art. 967). Como são diversas situações e leis. este responderá pelas obrigações contraídas e os danos que ocorram a terceiros (Art.os menores de dezesseis anos. 977): Quando casados em regime de comunhão universal ou em regime de separação obrigatória (ou legal) de bens. A empresa não registrada estará em situação irregular o que trará consequências severas para o empresário individual ou a sociedade empresária. 32. e os que. 181 da Lei de Falências (11. por determinação legal. 4. II da Lei de Registro das Empresas. tanto o empresário individual quanto a sociedade empresária devem registrar-se no órgão competente (Junta Comercial – Registro Público de Empresas Mercantis) na sede da respectiva empresa (art. Já os legalmente impedidos são aqueles que. A jurisprudência reconhece ainda que o menor que receber por herança empresa pode desenvolver a atividade através de seus representantes ou assistentes (geralmente pais ou parentes próximos). Parágrafo único. ou à maneira de os exercer: I . sem desenvolvimento mental completo. 29 da Lei 6880/80 Art. 117. 159 da Lei de Falências (11. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial o Aquele que perdeu a plenitude da capacidade pode continuar a empresa após a declaração desta perda por meio de representação (incapaz) ou assistência (relativamente capaz). Caso uma pessoa legalmente impedida de exercer atividade empresarial o faça.os que. Porém. não podem exercer a atividade empresarial.Art. Art. os viciados em tóxicos. II . com assinatura de um advogado com nº em situação regular na OAB. o código civil traz duas exceções (art. por deficiência mental. desde que não ocupe cargo administrativo. 970). IV . relativamente a certos atos. 973) Os legalmente impedidos podem ser sócios (ou acionistas) de sociedade empresária. Direito Comercial I (Empresarial )– Prof.os ébrios habituais. administradores de armazéns-gerais. 54. O empresário rural e o pequeno empresário sujeitam-se a regime próprio e simples de registro (art. 128. o Art. Registros O código civil estabelece que antes de iniciar suas atividades. II. (art. II Lei de registro de empresas). III . não puderem exprimir sua vontade. III . Adriano Arruda 4 . c da CF/88 Art. 3 São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I . II. As juntas praticam basicamente os seguintes três atos: Matrícula: configura o registro de auxiliares do comércio: intérpretes comerciais. 35.os pródigos.os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. tenham o discernimento reduzido. por enfermidade ou deficiência mental.

as obrigações trabalhistas e fiscais que a atividade empresarial gerou e ainda não foram adimplidas. A transferência de um estabelecimento empresarial (ou comercial) a outro empresário ou sociedade empresária é conhecida como trespasse. Ao efetuar o registro. ou . dos Santos Filho. costuma-se no valor do curso a credibilidade que este tem perante a chamar: aviamento. Enquanto não houve registro. com alguma designação mais precisa da atividade empresarial desenvolvida. Este complexo de bens tem um valor econômico incorporado só por está reunido pelo empresário. Exs: João Carlos dos Santos Filho. Exemplos: Nome empresarial: Silva & Costa Cosméticos Ltda. Não se confunde com a empresa. obrigatoriamente haverá troca do nome da empresa.João Carlos dos Santos Filho Comércio de Combustíveis. por exemplo. O estabelecimento.Atos de Arquivamento: dizem respeito ao registro de empresários individuais e sociedades empresárias (atos constitutivos). facultativamente. 1158). Adriano Arruda 5 . Nome Empresarial A empresa é identificada pelo nome empresarial (lembre-se que este não se confunde com o nome do estabelecimento). dos incorpóreos que compõem o móveis e das outras máquinas que o compõem. a empresa recebe um NIRE (Número de Inscrição no Registro de Empresas). publicidade e exclusividade automaticamente com o registro do ato constitutivo da empresa na Junta Comercial. Assim. Deve ingressar estabelecimento. Nome empresarial: Pontes Irmãos Ltda Título do Estabelecimento: Loja do Silva Título do Estabelecimento: Esplanada O lugar físico em que está fixado o estabelecimento. que é um nome ou um símbolo que o identifica sem confundir-se com o nome da empresa. Ele possui caráter patrimonial. pode-se citar um curso de informática reconhecido pela sociedade: o valor do curso não A este valor organizacional incluído no valor dos bens corpóreos e é a simples somatória dos computadores ali colocados. O nome empresarial pode ser de duas espécies: a) Firma (razão social): é o nome que deve ser adotado pelo empresário individual e pela sociedade empresária com responsabilidade ilimitada (veremos nos próximos tópicos). Ele é composto da seguinte forma:  Empresário Individual: nome completo ou abreviado do empresário e. Autenticação: refere-se à escrituração dos empresários. Esta transferência implica na assunção dos direitos e obrigações do empresário primitivo. porém não pode ser alienado. Este nome pode ser e por vezes é tranquilamente alienado pelo empresário. 6. Se houver trespasse do estabelecimento. Direito Comercial I (Empresarial )– Prof. Carlos dos Santos Filho.J. o know how implementado aos alunos que ali estudam etc. bem como os documentos assentados. . geralmente. podendo ser utilizado ainda na sociedade limitada (Art. . Para exemplificar.João C. não existe pessoa jurídica. Configura-se pela autenticação dos livros comerciais e as fichas escriturais. pois constitui bem incorpóreo que possui valor econômico. Também é conhecido como nome fantasia (nome comercial ou de fachada). possui um título. Este nome recebe proteção. é conhecido como ponto comercial. sociedade. o endereço. 5. o adquirente assume. o estabelecimento é o complexo de bens reunidos pelo empresário para o desenvolvimento de sua atividade econômica. que é a atividade por ele exercida. Estabelecimento empresarial Segundo Fábio Ulhoa Coelho.

A. No entanto. José Souza & Maria Mendes / João Silva. José Souza & Maria Mendes LTDA. Isto é feito a partir da composição de um documento específico para cada tipo de sociedade empresária. Sociedade Empresária Ilimitada (ou LTDA): Deve ser composta pelos nomes de todos os sócios (abreviados ou não) ou de algum deles acompanhado da expressão Companhia (ou abreviatura “& Cia”). Sociedades não personificadas São aquelas que não tiveram seus atos constitutivos registrados no órgão competente. Ao utilizar Sociedade Anônima ou sua abreviatura (S. Iremos citar agora as sociedades admitidas no direito nacional com suas características próprias. Adriano Arruda 6 . será empresária. A diferença repousa sobre a forma de exploração da atividade. inicialmente. Podem ainda incluir o ramo da atividade desenvolvida pela empresa: Exs: João Silva. procuradores e administradores. não pode violar a moral ou os bons costumes. existem dois tipos de ato constitutivo: o contrato e o estatuto social.A. Companhia Maravilhosos Salgados. Assim. 1160) A Sociedade Anônima possui tratamento especial quando se trata de nome.  Qualificação de representantes. b) Denominação: é nome adotado pelas sociedades anônimas e.A. os seus representantes respondem solidaria e integralmente com seus bens pelas dívidas da sociedade.  Prazo de duração: deve ser informado se a sociedade será por prazo determinado ou indeterminado. Basicamente. ou Maria Mendes Salgados S.1. se não houver profissionalismo. Nestes atos são dispostas as regras que disciplinam a sociedade. será sociedade simples. além de ser lícito. conforme o art. algumas acobertadas pelo manto do direito empresarial (empresárias) e outras relegadas à sorte do direito civil (simples).  Qualificação dos sócios. Assim. ou Cia além do gênero da atividade da empresa. portanto não possuem personalidade jurídica. poderá fazê-lo em qualquer parte do nome da Empresa (início. José Souza e Maria Mendes Doces / Maria Mendes Doces & Cia / João Silva.  Sede e foro. 7. Classificação das Sociedades Empresárias Em nosso ordenamento jurídico pátrio existem diversas sociedades. Estes atos possuem os seguintes caracteres necessários a sua regularidade:  Especificação do tipo societário. Todos são considerados nomes fantasia.157. 8. capital e/ou bens./ Maria Mendes Doces & Cia. Se esta exploração for com organização profissional dos fatores de produção. 8. se a participação dos sócios será aplicando dinheiro. Já no caso de uso da expressão CIA (ou companhia).  Capital social: determinação se há cotas ou ações. meio ou fim). 1. o qual. do fundador da sociedade ou até de pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa (art. que será composto de um nome específico ou o nome de acionistas. Exs: Maravilhosos Salgados S. Atos Constitutivos Para criar a sociedade empresária é necessário.  Responsabilidade dos sócios: se será de acordo com a forma societária escolhida. opcionalmente. não pode ser no final do nome (para não confundir com firma). obrigatoriamente tem que adotar em seu nome as expressões S.). LTDA. a sua constituição formal.  Nome Empresarial. ela. Direito Comercial I (Empresarial )– Prof..  Objeto social: declaração precisa e detalhada do objeto a ser desenvolvida pela empresa. nas sociedades limitadas.A.

mas sempre de forma subsidiária. II. o ostensivo e o participativo (art. independente dos bens dos seus sócios. a sociedade não necessita de representante legal. O ostensivo é aquele que aparece perante terceiros. processual e patrimonial. 48 da Lei de falências – L. pela empresa. Já pela última. (Art. dependendo do tipo societário informar que o patrimônio da empresa é que adotado. podem ser:  Irregular: estas até possuem um ato constitutivo (contrato ou estatuto). Quanto à titularidade processual. respondendo em seu próprio nome. defendendo em nome próprio O patrimônio dos sócios pode ser atingido limitada seus direitos e interesses. Sociedades personificadas São as devidamente registradas (com atos constitutivos registrados nos respectivos órgãos competentes). Direito Comercial I (Empresarial )– Prof.101/2005) IV. As sociedades empresárias personificadas são elencadas no Código Civil de forma taxativa (art.Tem participação vedada em licitações e contratos públicos. será um empresário individual. 983): a) Sociedade em nome coletivo. b) Sociedade em comandita simples. 991). Ocorre quando os sócios já ajustaram as regras da sociedade. Estas respondem subsidiária e ilimitadamente. responde pelas obrigações assumidas por esta. assumindo responsabilidade integral e distinta dos sócios sobre seus atos.Impossibilidade de requerer recuperação judicial (art. Existe o benefício de ordem.Não podem obter CNPJ. cada uma destas sociedades. ou seja. O participativo é sócio oculto. d) Sociedade anônima. 8. O nome da sociedade é a firma.Os sócios respondem ilimitadamente pelas obrigações contraídas pela sociedade. formada pelo nome dos sócios ou de um deles acompanhado da Expressão Companhia (ou Cia). negociando no mercado autonomamente. b) Sociedade em conta de participação: Neste tipo societário existem dois tipos de sócios. III. Isto quer dizer que aqueles sócios que não participaram diretamente das negociações da sociedade só terão seus bens atingidos por uma execução de forma subsidiária. Assim. de forma resumida. mas ainda não foram a Junta Comercial registrar esta intenção ou já perderam o prazo. importa ou ilimitadamente. mas uma situação relacionada à irregularidade da sociedade. Pela primeira.1. a sociedade age em seu próprio nome. Características principais: I. após o esgotamento dos bens da sociedade. Obrigatoriamente. 8. Adriano Arruda 7 . que participa somente dos resultados. Sociedade em nome coletivo (N/C) Sociedade cujo capital social é divido em cotas e que só podem ser sócias pessoas físicas. 1157). não havendo qualquer responsabilidade sob as obrigações da empresa.2. porém somente para aqueles que não contrataram diretamente. A personalidade jurídica da sociedade empresarial lhe garante a titularidade negocial. Abordaremos.Estas sociedades podem ser: a) Sociedades em comum: Na verdade. e) Sociedade em comandita por ações. 11. não é um tipo societário. O contrato social pode ser registrado na Junta Comercial.  De Fato: estas não possuem sequer ato constitutivo. porém não houve registro na Junta Comercial ainda ou o prazo estabelecido neste ato constitutivo já expirou e não houve renovação. c) Sociedade por cotas de responsabilidade limitada.2.

devidamente registrado na Junta Comercial. 8. 1050). quando o sócio efetivamente entrega os valores ou bens para a empresa. assinam um termo sociedade de responsabilidade limitada. A integralização do capital é o cumprimento social (pagamento) e nome empresarial possui a desta promessa. Os comanditários podem ser também pessoas jurídicas e respondem subsidiária e limitadamente (até a cota). da mesma forma que as sociedades limitadas. A responsabilidade forma de dinheiro. Quando uma sociedade empresária é criada. Adriano Arruda 8 . Sociedade por cotas de responsabilidade limitada (LTDA) Sociedades contratuais. São voltadas para empreendimentos de grande vulto e possuem capital social fracionado em partes iguais. nos limites do contrato social. denominadas ações. exercendo tanto poder de participação quanto maior for o número de ações que possuírem. porém só pode ser composta por nomes civis de sócios comanditados. Por conseguinte. quer sob a forma de bens e restringe-se até o limite da integralização do capital direitos. O fato marcante da sociedade anônima é a possibilidade de subscrição (alienação) de partes do capital (ações) sem a necessidade de autorização dos outros sócios. também conhecida como mercado mobiliário ou de capitais. se um dos comanditados falecer. pois os votos são INTEGRALIZANDO O CAPITAL SOCIAL considerados de acordo com o número de cotas. No primeiro caso. sendo o uso da firma privativo daqueles que detêm os poderes necessários. Esta divisão é importantíssima. No entanto. seus Ela é também denominada pela doutrina de sócios subscrevem capital. Seus sócios prometendo injetar valores na empresa.4. as Fechadas e as Mistas. é obrigatório o registro da sociedade na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). quer sob a são pessoas físicas ou jurídicas.3. Com relação à responsabilidade de seus acionistas. a sociedade deverá ter sua constituição alterada para poder continuar existindo.Somente os sócios podem ser administradores. Os primeiros só podem ser pessoas físicas e respondem subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. 8.2. constituídas por contrato social. ou abreviada (LTDA). motivo pelo qual se enquadram entre as sociedades institucionais. faculdade de se apresentar tanto na modalidade de razão social. Existem três tipos de sociedade anônima: as Companhias Abertas. quanto de denominação.2. cujo capital social está divido em cotas. a sociedade pode oferecer ao público valores mobiliários (ações) no intuito de se captalizar (angariar fundos para seus empreendimentos). Direito Comercial I (Empresarial )– Prof. Sociedade Anônima (S/A) As sociedades anônimas possuem constituição através de estatuto. Após este registro autorizado. além de serem sempre sociedades de capital. Esta sociedade atua também por meio de firma. Sociedade em Comandita Simples (C/S) Nesta sociedade existem dois tipos de sócios: os comanditados e os comanditários.2. de forma completa. O número de cotas de cada sócio corresponde ao maior ou menor controle que possui do capital social. sempre acrescido da expressão limitada. 8. os titulares de seu capital social são chamados de acionistas. à integralização do capital social subscrito. todavia os acionistas majoritários e os administradores das sociedades podem ser responsabilizados por eventuais abusos.2. sendo sempre consideradas sociedades empresárias. Se o falecido for sócio comanditário. ou seja. a sociedade tem continuidade com os sucessores (art. esta restringe-se. Quem adquire as ações pode reofertar na bolsa de valores. Existem regras para o caso de falecimento dos sócios (caso o contrato social não traga regra em contrário).

com o capital dividido em ações.Já com as companhias fechadas. Elas são compostas por capital público e privado. contudo. Na sociedade em comandita por ações. Algumas classificações levam em consideração a quantidade de empregados. que o faz . sendo nomeados no próprio estatuto ao passo que na sociedade anônima a diretoria é composta por pessoas não necessariamente acionistas. a expressão "comandita por ações" no final do nome. para fins bancários. Ela rege-se pelas mesmas normas relativas às sociedades anônimas. Por último. Classificação das Empresas por Porte As empresas. 1. A primeira delas é que na comandita por ações. é uma sociedade de pessoas. Sociedade em Comandita por Ações (C/A) São as sociedades empresárias dotadas de personalidade jurídica de direito privado. ou ser encerrado pela expressão “sociedade anônima”. pois sempre respondem ilimitadamente com seus bens particulares pelas obrigações sociais. possuem uma responsabilidade muitíssimo maior. regidas pelas normas relativas às sociedades anônimas. o nome empresarial desta modalidade de sociedade deverá se constituir através de denominação. dever-se-á acrescentar. ao passo que as comanditas por ações podem usar tanto denominação como razão social. o capital é dividido em ações. Estas. O poder público sempre participa com capital e detém o controle acionário da sociedade. mas com um detalhe. só os acionistas podem ser diretores ou gerentes. Os diretores ou gerentes da comandita por ações possuem muito mais poder que os diretores da S/A. por extenso.5. podendo conter a expressão “companhia” no início ou em seu meio (mas nunca no final). mas por outro lado. são classificadas pelo seu porte.090 a 1. pelo SEBRAE. As companhias mistas são instituições do direito administrativo público.2. as ações não são disponibilizadas ao público em geral. Adriano Arruda 9 . A sociedade em comandita simples. com responsabilidade limitada. eleitas e destitutíveis pelo Conselho de Administração da S/A ou pela Assembléia Geral. Possui estrutura parecida com a comandita simples. mas com algumas diferenças. ou abreviado com a partícula S/A. solidária e subsidiária pelas obrigações sociais (sócios diretores ou gerentes) e os sócios comanditários. geralmente são empresas de pequeno e médio porte formadas por grupos fechados que possuem o mesmo interesse e já se conhecem. há muito. sempre. Direito Comercial I (Empresarial )– Prof. 8. exportação e outros. As sociedades anônimas somente podem utilizar denominação. que independem de registro na CVM. uma vez que não podem ser destituídos tão facilmente (só podem ser destituídos por maioria de 2/3 dos acionistas). caso o Conselho não exista. ao passo que os gerentes e acionistas controladores da S/A que usam efetivamente seu poder só respondem pessoalmente com seus bens se causarem dano através de atos praticados com dolo. pois possui dois tipos de sócios: os sócios comanditados com responsabilidade ilimitada. por exemplo. culpa ou abuso de poder. aos passo que a sociedade em comandita por ações é uma sociedade de capitais. ações de tecnologia. conforme tabela abaixo: Tipo de Empresa PORTE Indústria Comércio Até 19 empregados Até 9 empregados 20 a 99 empregados 10 a 49 empregados 100 a 499 empregados 50 a 99 empregados Mais de 500 empregados Mais de 100 empregados Fonte: IBGE MICRO PEQUENA MÉDIO GRANDE Este tipode classificação é adotado. 9. (art.092).

atual. Direito Comercial I (Empresarial )– Prof. II) Superior a R$ 3.Referências Bibliográficas COELHO. aplicável às Microempresas e às Empresas de Pequeno Porte. não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 25a ed. rev. em um determinado ano. Manual de direito comercial: Direito de empresa.. atual. pois é a partir desta determinações que se estabelecem os Nacional como um Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas benefícios fiscais e de apoio (SEBRAE) que as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. O Simples Nacional é um regime tributário diferenciado. Um exemplo disso é o SIMPLES nacional. Quando a empresa for controlada por outra empresa ou pertencer a um grupo econômico. ressalvadas as disposições em contrário.O preço dos serviços prestados.6 Milhões LEI LC 126/2006 (art. desconsideradas as frações de meses. 3º. 2011 BORBA. A segunda lei determina a grande empresa. José Edwaldo Tavares. rev. Lei 11638/2007 (art. rev. Nos casos de empresas em implantação. empresas podem receber do governo.O produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria. 3º Parágrafo Único) Segundo o art. Curso de direito comercial. os limites serão proporcionais ao número de meses em que a pessoa jurídica ou firma individual houver exercido atividade. ed. nº 123. Rubens. 12a ed.6 Milhões e igual ou inferior a R$ 300 Como não há lei específica os limites Milhões estabelecidos pelas 2 leis a delimitam. a partir de 01. e ampl . Alfredo de Assis. 2010 GONÇALVES NETO.07.Todavia.195 do Código Civil.2. Para as empresas média-grandes serão aplicadas simplificado e favorecido previsto na Lei Complementar as mesmas condições das grandes empresas. 2008.O resultado nas operações em conta alheia. rev. O novo direito societário. 12 da referida Lei Complementar define o Simples Esta classificação é importantíssima. Direito de empresa: Comentários aos artigos 966 a 1. conforme quadro abaixo apresentado. Entes da administração pública direta não são classificados por porte. A primeira define microempresa e pequana empresa.2007. e . Adriano Arruda 10 . de 2006. Fábio Ulhoa. I) LC 126/2006 (art. Calixto . atual. Para fins de condições SIMPLES NACIONAL financeiras serão equiparados às grandes empresas. por duas leis: LC 123/2006 e Lei 11638/2007. 2a ed. quem determina a classificação das empresas por porte é a lei. SALOMÃO FILHO. será. Direito societário. ou seja. 2011. O art. independente da receita bruta. Na hipótese de início de atividades no próprio ano-calendário. rev. 2008. Rio de Janeiro: Renovar.638/2007. a classificação do porte se dará considerando-se a receita operacional bruta consolidada (somada). CLASSIFICAÇÃO Microempresa Pequena empresa Média empresa Grande empresa CLASSIFICAÇÃO DO PORTE DA EMPRESA RECEITA BRUTA ANUAL Igual ou inferior a R$ 360 Mil Superior a R$ 360 Mil e igual ou inferior a R$ 3. o critério adotado no Brasil é legal. São Paulo: Malheiros. 10. quando a empresa. São Paulo: Saraiva. levando-se em conta a capacidade total instalada. A empresa de médio porte é decorrência do iato legal entre as duas legislações citadas. 3º. No caso em apreço. São Paulo: Revista dos Tribunais. será considerada a projeção anual de vendas utilizada no empreendimento. considerada Empresa de Grande Porte. 4. Por receita bruta anual a receita auferida no ano-calendário com: . atual. obtiver um ativo superior R$ 240 Milhões. 3º da lei 11. v. Superior a R$ 300 Milhões. São Paulo: Saraiva. . 23a ed. REQUIÃO.

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